quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Sexta extinção em massa e a insegurança alimentar global

A humanidade, de modo geral, é egoísta e não se preocupa muito com o destino das demais espécies vivas da Terra. Pior, o avanço do bem-estar humano tem ocorrido às custas do empobrecimento dos ecossistemas e da crescente perda de biodiversidade. Enquanto cresce a população humana, decrescem as populações não humanas da fauna e da flora. Mas este processo é insustentável e pode levar a civilização ao colapso, pois o ecocídio é também um suicídio.
Um novo relatório da Bioversity International (2017) revela que a agrobiodiversidade global está sob grave ameaça diante da sexta extinção em massa da vida na Terra. O estudo confirmou o fato de que a sexta extinção em massa, que já está acontecendo, ameaça mais do que os animais selvagens. Também ameaça seriamente o fornecimento de alimentos em todo o mundo.
Grandes proporções das espécies de plantas e animais que formam a base do nosso abastecimento de alimentos estão ameaçadas. Segundo a WWF, o estado atual da biodiversidade do planeta está pior do que nunca. O Índice do Planeta Vivo (LPI, sigla em Inglês), que mede as tendências de milhares de populações de vertebrados, diminuiu 52% entre 1970 e 2010. Em outras palavras, a quantidade de mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes em todo o planeta é, em média, a metade do que era 40 anos atrás.
Ainda segundo a WWF, a biodiversidade está diminuindo em regiões temperadas e tropicais, mas a redução é maior nos trópicos. Entre 1970 e 2010, o LPI temperado diminuiu 36% em 6.569 populações das 1.606 espécies em regiões temperadas, ao passo que o LPI tropical diminuiu 56% em 3.811 populações das 1.638 espécies em regiões tropicais durante o mesmo período. A redução mais dramática aconteceu na América Latina – uma queda de 83%.
Estudo publicado na revista científica Plos One (18/10/2017) revela queda de 75% no número de insetos voadores na Alemanha (Insectageddon). Os dados foram obtidos em áreas protegidas do país, mas o resultado têm implicações para todas as regiões onde a paisagem é dominada pela agricultura. De acordo com os autores da pesquisa, a constatação é preocupante, já que os insetos têm um papel crucial no funcionamento dos ecossistemas, polinizando 80% das plantas e fornecendo alimento para 60% das aves. O colapso das colmeias é um ecocídio contra as abelhas e que pode ter um efeito devastador sobre a produção de alimentos.
Voltando ao relatório da Bioversity International (2017), os dados mostram que, atualmente, cerca de 75% do suprimento global de alimentos vem de apenas 12 culturas e cinco espécies de animais. De acordo com o relatório da Bioversity International, o investimento em produtos básicos de alto rendimento levou a apenas três arroz, milho e trigo, fornecendo metade das calorias baseadas em plantas do mundo, apesar de terem sido documentadas entre 5.000 e 70.000 espécies de plantas como alimento humano.

Essa falta de agrobiodiversidade significa que os suprimentos de alimentos em todo o mundo são muito vulneráveis a pragas e doenças, que podem se mover rapidamente através de grandes regiões de monocultura. Isso é exatamente o que desencadeou a fome da batata irlandesa, mesmo que causou um milhão de pessoas morrer de fome. As mudanças climáticas e as emissões de carbono também são uma ameaça.
O relatório destaca a necessidade de salvar a agrobiodiversidade, pois existem dezenas de milhares de espécies raramente cultivadas e selvagens, oferecendo uma variedade de alimentos que são nutritivos, mais tolerantes às mudanças climáticas e mais resistentes às doenças.

No entanto, a mesma degradação, poluição e destruição de áreas selvagens que começaram a extinção em massa de espécies de animais selvagens na Terra ameaçam a biodiversidade agrícola e o abastecimento de alimentos da humanidade. A agrobiodiversidade também é crucial para erradicar as principais causas da deficiência humana e a fome no mundo: uma dieta pobre, seja composta por muito (obesidade) ou pouco alimento (desnutrição). As dietas pobres decorrem de um conjunto estreito de commodities e não há diversidade suficiente.
Não existe produtividade agrícola sem biodiversidade, assim como não existe ECOnomia sem ECOlogia. Evitar a sexta extinção em massa não é apenas um dever ético, mas também uma condição essencial para a segurança alimentar e a sobrevivência do ser humano. (ecodebate)

Produtos de origem animal têm ‘impacto excessivo’ para meio ambiente e clima

Produtos de origem animal têm ‘impacto excessivo’ para meio ambiente e clima, diz FAO.
ONU
Em fórum realizado em Berlin, o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, ressaltou que a pecuária continua sendo um dos pilares da segurança alimentar mundial.
Mas alertou que expansão do setor ameaça proteção da biodiversidade, para o acesso sustentável a água e, principalmente, para o cumprimento dos objetivos do Acordo de Paris — limitar a elevação da temperatura média do planeta.
Uso indiscriminado de antibióticos na pecuária pode favorecer desenvolvimento de resistência de bactérias e micróbios a medicamentos. Foto: Departamento dos Estados Unidos para Agricultura/Ryan Thompson
Em fórum realizado em Berlin, o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, ressaltou neste mês (20) que a pecuária continua sendo um dos pilares da segurança alimentar mundial. Contudo, alertou para o “impacto excessivo” dos produtos de origem animal para o meio ambiente e para o clima. Dirigente também cobrou que países garantam o acesso de populações rurais pobres aos benefícios do setor.
Na avaliação de Graziano, conforme cresce a demanda por carne e outros produtos da pecuária, em especial nos países em desenvolvimento, a questão da distribuição equitativa e eficiente dos benefícios dessa atividade econômica adquire cada vez mais importância.
Mais da metade das pessoas pobres em zonas rurais do planete dependem da pecuária, e é necessário disponibilizar conhecimentos e tecnologias adequadas para que elas participem dessa expansão do mercado, em vez de serem “deixadas de lado pela expansão dos grandes empreendimentos com uso intensivo de capital”, defendeu o chefe do organismo internacional.
O dirigente acrescentou ainda que o aumento do consumo de produtos de origem animal poderá melhorar a nutrição, sobretudo das crianças mais jovens, cujo desenvolvimento cognitivo e físico requer micronutrientes cruciais como zinco e ferro. Todavia, Graziano lembrou que o consumo em excesso também traz riscos. “Temos que nos concentrar em dietas saudáveis e equilibradas”, afirmou.
O chefe da FAO também ressaltou que existem fontes alternativas de proteínas, como a pesca e os legumes, que precisam ser exploradas.
Mudanças climáticas
Graziano alertou para as consequências da pecuária para a natureza. O setor é o que mais gera gases do efeito estufa entre as cadeias produtivas de alimentos, além de responder por 14,5% de todas as emissões antropogênicas. A expansão do setor traz desafios para a proteção da biodiversidade, para o acesso sustentável a água e, principalmente, para o cumprimento dos objetivos do Acordo de Paris — limitar a elevação da temperatura média do planeta.
Apesar dos problemas, o chefe da FAO garantiu que “é possível chegar a uma pecuária com baixas emissões de carbono”.
Pesquisas da agência da ONU já mostram que as emissões de metano podem ser reduzidas rapidamente, de 20 a 30%, em todos os sistemas produtivos, com a adoção de práticas conhecidas — entre elas, técnicas regenerativas no manejo da pastagem, a seleção do pasto, melhorias na reciclagem dos nutrientes e a utilização dos resíduos do gado para a produção de energia.
Outras estratégias incluem o fortalecimento das capacidades do solo de armazenar carbono, o que pode aumentar a produção da pecuária e evitar o avanço do desmatamento. “Com práticas aprimoradas e climaticamente inteligentes, podemos estabelecer cadeias de abastecimento mais sustentáveis e ecológicas”, enfatizou Graziano.
Saúde animal
Outro tema abordado pela FAO foram as preocupações sanitárias com a pecuária. Segundo Graziano, “a aparição de doenças possivelmente se intensificará nos próximos anos, uma vez que o aumento das temperaturas favorece a proliferação de insetos”.
Na avaliação da agência da ONU, as patologias zoonóticas — que são transmitidas do animal para o homem — com potencial pandêmico “representam uma grande ameaça para as pessoas, os animais e o meio ambiente”.
Outro risco é a crescente resistência de agentes patogênicos a antibióticos, um problema agravado pelo uso excessivo e inadequado de medicamentos na pecuária. O uso dessas substâncias na produção de alimentos triplica o consumo que os seres humanos fazem desses fármacos.
Em seu pronunciamento, Graziano pediu a suspensão imediata do uso de remédios para promover o crescimento do gado. A FAO defende que antibióticos só sejam utilizados para tratar doenças e aliviar o sofrimento desnecessário dos animais. O uso preventivo deveria ocorrer apenas em condições muito específicas e restritivas. (ecodebate)

La Niña possivelmente já atingiu seu pico

Clima: La Niña possivelmente já atingiu seu pico, afirma serviço meteorológico da Austrália.
O fenômeno climático La Niña pode ter atingido seu pico nas últimas semanas, disse em seu mais recente informativo o serviço meteorológico da Austrália (Bureau of Meteorology - BOM, na sigla em inglês). O evento segue sendo classificado como de fraca intensidade e com término previsto para o Outono no Hemisfério Sul.
"As temperaturas da superfície do mar no Pacífico tropical central tiveram leve aquecimento desde o fim de dezembro, com a maioria dos modelos agora prevendo agora que o La Niña terminará no Outono do Sul", disse o órgão em referência a perda de forças do evento climático.
Anomalias semanais de temperatura no Pacífico tropical.
Segundo o BOM, para que a temporada 2017/18 seja classificada como um período de La Niña é necessário que o evento dure por três meses. "Cinco dos oito modelos de clima pesquisados ​​pelo serviço sugerem que este evento provavelmente atravessará o verão no [Hemisfério] Sul e se deteriorará no início do Outono de 2018", disse o serviço australiano de meteorologia.
Modelos apontam que com a ocorrência do fenômeno La Niña, a região Sul do Brasil pode ter falta de chuva ou intensificação de veranico. A situação demanda atenção uma vez que as culturas de verão, como a soja e milho, que podem ser prejudicadas no período de enchimento de grãos.
No Norte e Nordeste, as chances são de chuvas acima da média em alguns estados, enquanto que no Centro-Oeste e Sudeste são esperados todos os tipos de eventos climáticos, já que são áreas centrais do país.
Escala criada para caracterização de fenômenos climáticos.

Em entrevista recente ao Notícias Agrícolas, Expedito Rebello, coordenador-Geral de Meteorologia do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), apontou que as condições climáticas previstas para os próximos três meses no Brasil (fevereiro, março e abril) estão relacionadas com o La Niña.
"As chuvas no estado de Mato Grosso devem ter acumulado entre 500 e 800 milímetros nos meses de fevereiro, março e abril. Enquanto que no Norte do país, os volumes podem ultrapassar os 1200 mm", disse Rebello. Áreas do Matopiba também devem receber altos volumes de chuva no próximo trimestre, o que também ascende o alerta para a colheita da safra de grãos na região que é importante produtora no país.
"Com exceção da Bahia, são esperados volumes expressivos em Tocantins, Maranhão e Piauí. O Nordeste enfrentou anos de seca", explicou o meteorologista.
Enquanto são esperadas chuvas volumosas no Centro-Norte, o Sul do país deve ter baixos volumes, assim como na maior parte do Mato Grosso do Sul. No Paraná, segundo maior estado produtor de grãos no Brasil, são esperados cerca até 400 mm acumulados na maior parte do estado nos próximos três meses. Volume que é considerado abaixo da média histórica para o período.
Mapa de previsão probabilística para os próximos três meses em todo o Brasil. (noticiasagricolas)

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Mudanças climáticas afeta produção de culturas nos Andes

Pesquisa avalia como as mudanças climáticas podem afetar a produção de culturas nos Andes rurais.
Kenneth Feeley, Smathers Chair of Tropical Tree Biology in the University of Miami’s Department of Biology, é um especialista em estudar os efeitos da mudança climática nas florestas tropicais. Das montanhas do Peru às terras baixas da Amazônia, Feeley examina as ramificações das mudanças climáticas nas árvores e outras espécies que compõem as florestas diversas dessas regiões. No entanto, recentemente, Feeley mudou a marcha do estudo de florestas tropicais para examinar os impactos das mudanças climáticas nas comunidades agrícolas rurais no Peru.
Como co-autor de um estudo [Global Climate Change Increases Risk of Crop Yield Losses and Food Insecurity in the Tropical Andes] publicado na Global Change Biology , Feeley, juntamente com o biólogo, Richard Tito, um indígena quechua nativo da região e o primeiro autor do estudo, descobriram que tempos difíceis estão à frente para os agricultores rurais que cultivam culturas tradicionais dos Andes – milho e batatas.
“A pesquisa foi executada em uma parte muito remota do Peru”, disse Feeley. “Estávamos tentando ver como as práticas agrícolas tradicionais das pessoas nas altas montanhas dos Andes serão afetadas pela mudança climática, então realizamos um conjunto de experiências para simular diferentes cenários sob o aquecimento global”.
No primeiro experimento, os pesquisadores simularam o que acontecerá se os agricultores continuarem cultivando as mesmas áreas em meio ao aumento das temperaturas. Para fazer isso, eles cultivaram mais milho na montanha, onde as temperaturas são ligeiramente superiores. “Nós carregamos no solo de onde o milho é normalmente cultivado porque o solo no topo da montanha é diferente em textura e nutrientes do que o solo em altitudes mais baixas”, disse Feeley.

A simulação revelou que, com apenas um pequeno aumento de temperatura de 1,3 graus para 2,6 graus, quase todas as plantas de milho foram mortas por aves invasoras e pragas de insetos. Nas plantações de batata foi ainda pior. Quando as batatas foram cultivadas em altitudes mais baixas (mas em seu solo normal), a maioria das plantas morreu e as batatas que sobreviveram eram de tão baixa qualidade que não tinham valor de mercado.
Um dos campos experimentais de milho.

Em um segundo conjunto de experiências, os pesquisadores simularam o que acontecerá se os agricultores tentarem contrariar o aumento das temperaturas, movendo suas fazendas de milho para altitudes mais elevadas. (As culturas de batata já são cultivadas ao longo dos picos das montanhas, de modo que mover as fazendas mais altas não é uma opção). Para realizar esta simulação, os pesquisadores cultivaram milho sob temperaturas normais, mas em solos levados a partir de elevações mais elevadas. Quando cresceu em uma elevação mais alta, as plantas de milho sobreviveram, mas a qualidade e a quantidade da colheita foram bastante reduzidas.
“Encontramos grandes diminuições no rendimento, qualidade e valor de mercado do milho e das batatas plantadas sob essas condições simuladas no futuro”, disse Feeley. “Notavelmente, grande parte do declínio foi devido ao aumento do dano por pragas, algo que muitas vezes não é levado em consideração em estudos de estufa ou laboratório. Dada a extrema importância dessas culturas básicas para as comunidades andinas, nossas descobertas podem ter enormes e assustadoras implicações.”
O estudo mediu as culturas durante uma estação de crescimento dentro da remota área do Huamburque da Bacia da Amazônia, onde as elevações variam entre 3.000 e 4.000 metros. Infelizmente, Feeley disse que os agricultores desta área rural do Peru não têm meios para comprar variedades de milho ou batata geneticamente modificadas, além de pesticidas para remover as pragas ou fertilizantes comerciais.

“Pequenas comunidades em áreas rurais não têm tecnologia ou acesso ao mercado para se adaptar rapidamente às mudanças climáticas”, disse Feeley. “Alguns agricultores podem mudar sua cultura para uma variedade que seja tolerante a altas temperaturas, mas muitas delas não possuem recursos para salvar suas culturas usando bombas de irrigação ou fertilizantes. Esses agricultores estão em perigo, assim como milhões de pessoas que dependem desses culturas nos Andes da Colômbia, Equador e Bolívia “.
Vale na cidade de Cusco, no Peru. (ecodebate)

Mudança climática é ‘ameaça existencial para o planeta’

Ritmo das mudanças climáticas é ‘ameaça existencial para o planeta’, alerta Organização Meteorológica Mundial (OMM).
A agência meteorológica das Nações Unidas alertou que a pressão contínua sobre o Ártico em 2017 terá “repercussões profundas e duradouras no nível do mar e nos padrões climáticos em outras partes do mundo”, intensificando, por exemplo, os eventos climáticos extremos.

Análise da Organização Meteorológica Mundial mostrou que, enquanto 2016 mantém o recorde de ano mais quente (1,2°C), 2017 – que chegou a aproximadamente 1,1°C acima da era pré-industrial – foi o ano mais quente sem o ‘El Niño’. Segundo a agência, isso pode impulsionar as temperaturas globais a cada ano.
“Dezessete dos 18 anos mais quentes registrados foram durante este século e o nível de aquecimento nos últimos três anos tem sido excepcional”, afirmou o secretário-geral da agência da ONU.

Visão de Minsk, Belarus.
A tendência de crescimento das temperaturas globais, marcada pelo acúmulo de recordes em 2015 e 2016, manteve o ritmo no ano passado.
A agência meteorológica das Nações Unidas alertou em 18/01/18 que a pressão contínua sobre o Ártico em 2017 terá "repercussões profundas e duradouras no nível do mar e nos padrões climáticos em outras partes do mundo".

“A tendência de temperatura em longo prazo é muito mais importante do que o ranking de anos individuais, e essa tendência é ascendente”, disse Petteri Taalas, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), um organismo técnico vinculado à ONU.
Uma análise da OMM mostrou que, enquanto 2016 mantém o recorde de ano mais quente (1,2°C), 2017 – que chegou a aproximadamente 1,1°C acima da era pré-industrial – foi o ano mais quente sem o El Niño. Segundo os estudos da agência, isso pode impulsionar as temperaturas globais a cada ano.
Descrevendo o ritmo acelerado das mudanças climáticas como “uma ameaça existencial para o planeta”, o representante especial do secretário-geral da ONU para a Redução do Risco de Desastres, Robert Glasser, disse: “Uma série de três anos recordes de calor, cada um acima de 1° Celsius, combinado com perdas econômicas recordes nos desastres em 2017, deve mostrar a todos nós que estamos enfrentando uma ameaça existencial para o planeta que requer uma resposta drástica”.
“Estamos ficando perigosamente perto do limite do aumento de temperatura de 2°C estabelecido no Acordo de Paris e o objetivo desejado de 1,5°C será ainda mais difícil de ser mantido nos níveis atuais de emissões de gases de efeito estufa”, ressaltou.
Registrando as mesmas temperaturas médias globais, 2017 e 2015 foram anos praticamente indistinguíveis, já que a diferença é inferior a um centésimo de grau – inferior à margem de erro estatística.
“Dezessete dos 18 anos mais quentes registrados foram durante este século e o nível de aquecimento nos últimos três anos tem sido excepcional”, afirmou Taalas, ressaltando: “O calor do Ártico foi especialmente observado e isso terá repercussões profundas e duradouras no nível do mar e nos padrões climáticos em outras partes do mundo”.
Diferença da temperatura de 2017 (em °C) em relação à média de 1981-2010. Foto: OMM
A temperatura média global em 2017 foi de cerca de 0,46°C acima da média de longo prazo de 1981-2010 de 14,3°C – uma linha de base de 30 anos utilizada pelos serviços meteorológicos e hidrológicos nacionais para avaliar as médias e a variabilidade dos principais parâmetros climáticos. Elas são importantes para setores sensíveis ao clima, como gerenciamento de água, energia, agricultura e saúde.
O clima também tem uma variação natural devido a fenômenos como o El Niño, que tem uma influência de aquecimento, e La Niña, que tem uma influência de esfriamento.
“As temperaturas contam apenas uma pequena parte da história. O calor em 2017 foi acompanhado pelo clima extremo em muitos países pelo mundo”, acrescentou Taalas. Segundo ele, os Estados Unidos tiveram seu ano mais difícil em termos de clima e desastres climáticos, enquanto outros países viram seu desenvolvimento desacelerado ou revertido por ciclones tropicais, inundações e secas.
Em março, a OMM emitirá o relatório completo sobre o estado do clima em 2017, fornecendo uma visão abrangente da variabilidade e tendências da temperatura, eventos de alto impacto e indicadores de longo prazo das mudanças climáticas – como o aumento das concentrações de dióxido de carbono, o gelo marinho antártico e ártico, o aumento do nível do mar e a acidificação dos oceanos.
O relatório de março incluirá informações enviadas por uma ampla gama de agências das Nações Unidas sobre impactos humanos, socioeconômicos e ambientais, parte de um impulso para fornecer um documento de políticas mais abrangente e completo da ONU para os tomadores de decisão, no contexto dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Glasser expressou preocupação pelo fato de que as mudanças climáticas, combinadas com a pobreza, a destruição dos ecossistemas e o uso inapropriado da terra, estão levando mais pessoas a deixar suas casas.
“Precisamos de níveis maiores de ambição para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, combinados com ações concretas para reduzir o risco de desastres, especialmente nos países menos desenvolvidos, que contribuem pouco para a mudança climática”, ressaltou. (ecodebate)

Casos de febre amarela alertam para o desmatamento

Desmatamento.
Autoridades, Ministério da Saúde e Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e Minas Gerais estão vigilantes. Não é para menos, já foram registradas 38 mortes de febre amarela silvestre no Brasil. A doença é causada por um vírus inoculado no nosso corpo proveniente da picada de um mosquito, e que pode levar a morte.
As causas desse fenômeno epidemiológico podem estar diretamente relacionadas ao avanço urbano para as áreas de mata e regiões agrícolas, como muitos especialistas já vêm alertando. Com o meio ambiente em desequilíbrio, muitas formas de doenças antes erradicadas ou que não se manifestavam mais podem voltar a surgir, comprometendo a saúde pública e levando a uma série de impactos no equilíbrio do planeta.
Na região Sul, vêm ocorrendo algumas ações de prevenção. No Rio Grande do Sul, por exemplo, que não registra casos há 10 anos, a prevenção é intensa. Segundo a Secretaria de Saúde do Estado, a cobertura atinge cerca de 70% da população.
No Paraná, o único registro de contágio da febre amarela foi em Laranjal, no interior, em 2008. Mesmo assim, pessoas que têm viagem marcada para regiões afetadas estão procurando os postos de saúde para tomar a vacina.
Em Santa Catarina, o último caso registrado foi em 1966, mas a Secretaria recomenda a imunização em 162 cidades do estado.

Estamos vivendo uma epidemia ou são apenas casos isolados da doença? Quais são os sintomas? As pessoas ainda têm muitas dúvidas.
O vírus que causa a febre amarela urbana e a silvestre é o mesmo, o que significa que os sinais, os sintomas e a evolução da doença são exatamente os mesmos. A diferença está nos mosquitos transmissores e na forma de contágio. Os transmissores da febre amarela silvestre são os mosquitos Haemagogus e o Sabethes, que vivem em matas e beira de rios. Eles picam macacos contaminados e, depois, as pessoas. Por isso, há casos de muitas mortes de macacos em regiões acometidas pela doença. Já a febre amarela urbana é transmitida pelo conhecido aedes aegypti, e não são registrados casos no Brasil desde 1942.

A vacinação é muito importante. Trata-se de um mecanismo de prevenção essencial, porém, o cuidado que se deve ter daqui para frente é para que a febre amarela silvestre não se torne urbana, uma vez que as regiões onde ocorreram as mortes de macacos ficam a menos de 30 km do centro de São Paulo, por exemplo.
As autoridades públicas dos órgãos de Saúde correm para que os casos não se alastrem. Mas, se pensarmos um pouco, a verdadeira prevenção deve começar na promoção de políticas ambientais que proíbam o desmatamento descontrolado. Caso contrário, cada vez mais teremos o ressurgimento de doenças antes erradicadas. (ecodebate)

Estudo estima que desmatamento vai aquecer ainda mais o clima do planeta

Desmatamento de florestas vai provocar um aquecimento do clima global muito mais intenso do que o estimado originalmente, devido às alterações nas emissões de compostos orgânicos voláteis e as co-emissões de dióxido de carbono com gases reativos e gases de efeito estufa de meia-vida curta. Um time internacional de pesquisadores, com a participação do Instituto de Física da USP e na UNIFESP-Campus Diadema, calculou a forçante radiativa do desmatamento, levando em conta não somente o CO2 emitido, mas também o metano, o black carbon, a alteração no albedo de superfície e todos os efeitos radiativos conhecidos. O resultado final aponta que a temperatura vai subir mais do que o previsto anteriormente.
A pesquisa foi publicada recentemente na revista Nature Communications, e utilizou detalhados modelos climáticos globais acoplados à química de gases e partículas em alta resolução.  Descobriu-se que as emissões de florestas que resfriam o clima (compostos orgânicos voláteis biogênicos, os BVOCs) ficarão menores, implicando que o desflorestamento pode levar a temperaturas mais altas do que o considerado em estudos anteriores. O físico Paulo Artaxo, do IFUSP, um dos autores do estudo, afirma que a maior parte dos estudos dos impactos climáticos do desmatamento publicados anteriormente focou somente nas emissões de CO2. “Neste novo estudo, levamos em conta a redução das emissões de BVOCs, a emissão de black carbon, metano e os demais gases de efeito estufa de vida curta”, explica.
Esses BVOCs, segundo Artaxo, produzem partículas nanométricas que crescem, refletem radiação solar de volta ao espaço e esfriam o clima. Os BVOCs participam de complexas reações químicas e podem produzir ozônio e metano, ambos gases de efeito estufa de meia vida curta (SLCF) que aquecem o planeta. “O estudo levou em conta todos estes fatores conjuntamente, além das mudanças no albedo de superfície, quando derrubamos uma floresta e a trocamos para pastagem ou plantações”, acrescenta.
Levando em conta todos estes fatores, observou-se que as emissões das florestas que esfriam o clima têm um papel enorme na regulação da temperatura do planeta. “Derrubando as florestas, acabamos com este efeito esfriador, e aumentamos o aquecimento global”. Artaxo coloca que o efeito global é de um aquecimento adicional de 0,8oC, em um cenário de desmatamento total. “Isso é um valor alto, comparável ao atual aquecimento médio global (cerca de 1,2oC) ocorrido com todas as emissões antropogênicas desde 1850”, diz o físico.
A figura abaixo mostra que esse aquecimento é desigual, sendo maior nos trópicos, onde foi previsto um aquecimento de cerca de 2°C na Amazônia.
Luciana Rizzo, professora da Universidade Federal de São Paulo, campus de Diadema, outra coautora do estudo, salienta que, nos trópicos, o efeito atual das emissões de VOCs resfriando o clima é mais forte do que em florestas temperadas. “Portanto, o desmatamento nos trópicos tem um efeito mais importante no clima global”, conclui.
Mais informações:
O artigo na revista Nature CommunicationsImpact on short-lived climate forcers increases projected warming due to deforestation pode ser baixado livremente online no link:  https://www.nature.com/articles/s41467-017-02412-4.
Figura com os efeitos radiativos dos aerossóis devido ao desmatamento global. Na figura à esquerda temos o efeito direto dos aerossóis e na direita o efeito indireto, ou seja, através das modificações nas nuvens. O papel das regiões tropicais é mais importante que o das florestas temperadas. (ecodebate)

sábado, 27 de janeiro de 2018

Mobilização pela recuperação da bacia hidrográfica do Tejo na Europa

O que tirar de proveito no Brasil do exemplo da mobilização pela recuperação da bacia hidrográfica do Tejo, na Europa?
Quem um dia viu o rio Tejo, o mais extenso da Península Ibérica (da Espanha a Portugal), com 1.007 km e cuja bacia hidrográfica ocupa 80,6 mil km2, poluído, quase sem vida e seco em vários trechos, há alguns anos observa um esforço para o processo de revitalização, de forma gradual e lenta, à custa de diferentes “pressões”. O que podemos tirar de lições dessas iniciativas europeias aqui no Brasil, tendo em vista que é uma bacia que se encontra em dois países e tem uma importância estratégica para um continente? Um interessante estudo de caso.
Vontade política e gestão técnica, eficientes são as medidas consideradas mais eficazes, quando há um esforço conjunto que envolve poder público, empresariado, sociedade e terceiro setor, incluindo o componente da pressão internacional – neste caso – no contexto do bloco da União Europeia. Entretanto, o que torna as ações mais efetivas é a execução de medidas cadenciadas de forma permanente como política de estado versus a cultura da descontinuidade, que quebra a efetividade de políticas públicas, algo que acontece no Brasil. Essa é a conclusão a que se chega ao observar os processos que têm ocorrido nas últimas décadas.
Diretiva Quadro da Água
Uma das estratégias para a revitalização do rio Tejo está baseada na aprovação da Diretiva Quadro da Água, em 2000, pelo Parlamento Europeu e Conselho da União Europeia, que obriga que os estados-membros do bloco apresentem um bom estado ecológico de todas as águas de superfície, além das subterrâneas, que cobrem 60% do território. No bloco, há o registro de 110 bacias hidrográficas, com 80% de predominância de rios, e mais de 30 já sofrem com o problema de escassez. A água não é tratada como mercadoria.
Neste contexto, foi criado o Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo (2016/2021), que passou por consulta pública, e está sendo acompanhado pela sociedade civil. Um documento extenso, que trata desde aspectos de climatologia e hidrologia a econômicos. Algumas ações pontuais também têm sido realizadas. Entre elas, a implementação em 2000 do Parque Natural do Alto Tejo, na Espanha, Em Portugal, décadas anteriores, no ano de 1976, foi criada a Reserva Natural do Estuário do Tejo, que ocupa 14,4 mil hectares O estuário integra a lista de Sítio Ramsar (zonas úmidas) e recebe milhares de aves migratórias e peixes.
Um dos mais recentes anúncios da Agência Portuguesa de Ambiente, neste ano, foi de que está instalando duas sondas automáticas para o monitoramento contínuo das águas em trechos do rio em seu território. Tudo isso é positivo, mas ainda muito pouco diante à dimensão dos desafios.
Rio Tejo
1 007 km
Nascente
Altitude da nascente
1 593 m
Caudal médio
(na foz) 444 m³/s
80 600 km²
Afluentes
principais
Esq.: Guadiela, Algodor, Gévalo, Ibor, Almonte, Salor, Sever e Sorraia.
Dir.: Jarama, Guadarrama, Alberche, Tiétar, Alagón, Erges, Pônsul, Ocreza e Zêzere.
Países da bacia hidrográfica
Poluição e seca agridem as águas do Tejo, situação que não causa estranheza a nós brasileiros, em muitas bacias hidrográficas. A retrospectiva histórica mostra que o processo por sua recuperação teve diferentes capítulos, como em pontos isolados do rio em 1998, mas que teve várias interrupções. Já em 2004, houve uma mudança de postura da gestão pública, com a proposta de uma ação integrada de saneamento, por meio de implementação de estações de tratamento de águas residuais (ETAs) em diferentes municípios em seu curso, que ainda tramita de forma gradual. Entre os pequenos avanços, desde 2010, foi noticiada a reaparição de golfinhos roaz-corvineiro (Tursiops truncatu) em alguns trechos de suas águas, mas ao mesmo tempo, na região de sua montante, pescadores em 2017 reclamavam da escassez de peixes, ainda devido à poluição, com a eutrofização e proliferação de algas.
As maiores fontes de poluição do Tejo (muitas similares a vários rios brasileiros) são provenientes da agricultura (uso de agrotóxicos), de operações de hidrelétricas (mais de 30), de efluentes industriais (celulose), de efluentes domésticos (esgotos) e da refrigeração da Termoelétrica de Pego. Outra questão que preocupa os europeus são as mudanças climáticas. A seca vem atingindo as cabeceiras com frequência. De acordo com estudos espanhóis, a diminuição caudal foi de 47% no século XX. Um dos motivos para essa alteração é creditado à ação do homem por meio da concepção do projeto hidráulico de barragens.
Pressão da sociedade
O proTejo – Movimento pelo Tejo, que reúne de associações a cidadãos, desde 2009 tem se mobilizado pela qualidade da bacia hidrográfica, como também pela preservação da identidade social e cultural das populações ribeirinhas. A sociedade utiliza diferentes instrumentos, desde ações de chão à manutenção de redes sociais, abaixo-assinados, levantamentos e atividades de educação ambiental. O grupo nasceu na Vila Nova Barquina, no Médio Tejo, em Santarém.
Em 2015, o grupo registrou a grande mortandade de peixes nas proximidades da Barragem Belver/Ortiga. Em 26 de setembro do mesmo ano, participou da Manifestação Ibérica por um Tejo Vivo. No ano passado, realizou um ato com mais de 500 participantes contra poluidores industriais, que ficam ao longo do rio, cobrando ações da Justiça e do poder público. A Agência Portuguesa de Ambiente constatou em relatórios os problemas e medidas necessárias para saneá-las.
Os resíduos orgânicos e industriais (metais pesados) se acumularam por décadas por lá. A zona do estuário do Tejo é considerada um local gravemente ameaçado. A reserva ecológica é um importante patrimônio ambiental. Um dos desafios, ao longo dos últimos anos, está sendo da implementação da chamada Estratégia Nacional para os Efluentes Agropecuários e Agroindustriais (ENEAPAI), criada em 2007, que ainda são resistentes em vários pontos, e afetam a região.
A situação desta bacia hidrográfica europeia em muito se assemelha às nossas. As pressões são características do modelo de desenvolvimento capitalista. Preocupar-se com zonas ecológicas e econômicas, saneamento, destinação de resíduos e políticas de energia mais limpa sem tantas agressões ao meio ambiente faz parte de um consenso tanto aqui como lá. A troca de experiências pode ser útil para não se repetir erros. (ecodebate)

Despoluição da água utilizando casca de laranja

Alunos de Engenharia Química desenvolvem estudo para tratamento de águas poluídas utilizando casca de laranja.
Além deste, outros projetos propõem refrigeração sustentável e reutilização de óleo residual.
Formandos do curso de Engenharia Química do Centro Universitário FEI produziram projetos de conclusão de curso que trazem contribuições para uma sociedade mais sustentável. Um dos trabalhos visa tratar os efluentes contaminados por metais pesados, (o que pode ser extremamente prejudiciais aos recursos hídricos). Para isso, os alunos apresentaram um método de tratamento realizado a partir da utilização da casca da laranja, fruta muito produzida no Brasil e que possui alta capacidade adsorvente (união de uma molécula de um fluído a uma superfície sólida). Os alunos também produziram projetos que buscam uma refrigeração mais sustentável, utilizando a energia solar como fonte de energia e a reutilização de óleo residual para a produção de biodiesel.
Refrigeração sustentável: O trabalho consiste no estudo da refrigeração por adsorção de uma maneira sustentável, ou seja, sem a utilização de energia elétrica ou fontes de energia prejudiciais ao meio ambiente, utilizando energia solar como fonte de calor. Foram realizadas pesquisas das propriedades e características de alguns pares adsorventes, sendo proposto, como adsorvente o carvão ativado e como adsorvato o etanol anidro. O sistema não pode ser usado de forma complementar em refrigeradores, que já estejam em uso doméstico. No entanto, este processo de refrigeração sustentável pode ser complementar, ou seja, resfriar até certo ponto com a refrigeração sustentável e gratuita e depois, se for o caso, continuar a refrigeração com um sistema de compressão por exemplo.

Análise técnica da produção do biodiesel a partir do óleo de fritura residual: Com foco na sustentabilidade, o trabalho propôs a reutilização do óleo de cozinha residual para a produção de produtos rentáveis no mercado, no caso, o biodiesel. Foi utilizado o óleo de cozinha de soja, coletado em um restaurante em São Paulo para realizar o projeto. Os resultados do estudo comprovaram que é possível produzir biodiesel a partir do óleo de fritura, com alto rendimento e valor agregado no mercado.
O suco de laranja é um dos mais apreciados no mundo, porém só metade da fruta é aproveitada. O que fazer com as cascas de laranja? Que tal despoluir a água? Saiba aqui como.

Tratamento de efluentes contaminados por metal pesado a partir da casca de laranja: O trabalho tem como principal objetivo a busca de novas formas de tratamento para um dos mais graves contaminantes dos nossos recursos hídricos, efluentes contaminados com metais pesados provenientes do processo de galvanoplastia. Os alunos utilizaram uma maneira menos agressiva para o tratamento deste efluente, utilizando, para adsorção dos metais pesados, a casca de laranja. Essa fruta é a mais produzida no Brasil, gera uma quantidade enorme de material orgânico e possui uma alta capacidade adsorvente. A partir desta casca foram feitos processos de secagem e trituração com o intuído de verificar a viabilidade de aplicação. Obteve-se uma média de 85% de adsorção dos metais pesados contidos inicialmente. (ecodebate)

20% mais árvores em megacidades significariam ar e água mais limpas

20% mais árvores em megacidades significariam ar e água mais limpas, menor consumo de energia.
Floresta da Tijuca, RJ.
Plantar 20% mais árvores em nossas megacidades dobraria os benefícios das florestas urbanas, como redução de poluição, sequestro de carbono e redução de energia, de acordo com um estudo publicado em Ecological Modelling. Os autores do estudo, que foi realizado na Universidade Parthenope de Nápoles, na Itália, dizem que os planejadores das cidades, os moradores e outras partes interessadas devem começar a procurar dentro das cidades recursos naturais e conservar a natureza em nossas áreas urbanas plantando mais árvores. Seu trabalho foi selecionado por um comitê científico internacional para receber o prêmio Atlas.
Quase 10 por cento da população mundial vive em megacidades – cidades de pelo menos 10 milhões de pessoas. Enquanto essas pessoas geralmente dependem da natureza fora da cidade por sua alimentação e recreação, a natureza dentro da cidade sob a forma de florestas urbanas pode proporcionar enormes benefícios. Uma floresta urbana contém a única árvore no quintal de alguém, a fileira de árvores ao longo de uma rua ou uma área arborizada em um parque público; Juntar-se a essas áreas com árvores adicionais amplia o tamanho da floresta urbana.
Foram estudados muitos exemplos famosos de florestas urbanas nas megacidades, desde o Central Park em Nova York até o St. James Park em Londres e o Bosque de Chapultepec na Cidade do México. Em média, cerca de 20% da área de cada uma das megacidades do mundo é hoje a floresta urbana. Mas o novo estudo revela que outros 20% poderiam ser transformados em florestas – algo que mudaria a vida dos moradores para melhor.

“Ao cultivar as árvores dentro da cidade, os residentes e os visitantes recebem benefícios diretos”, explicou Theodore Endreny, Ph.D., PH, PE, autor principal do trabalho e agora professor do Departamento de Engenharia de Recursos Ambientais da Universidade Estadual de New York ESF campus. “Eles estão recebendo uma limpeza imediata do ar que está ao seu redor. Eles estão recebendo esse resfriamento direto da árvore, e até comida e outros produtos. Existe potencial para aumentar a cobertura das florestas urbanas em nossas megacidades, e isso faria elas mais sustentáveis, melhores lugares para viver”.
Central Park, Nova York/USA

No estudo, a equipe usou uma ferramenta chamada i-Tree Canopy para estimar a atual cobertura arbórea nas cidades e o potencial para uma maior cobertura florestal urbana, e elaborou os benefícios que trariam. Eles estimaram a cobertura atual da árvore em dez megacidades nos cinco continentes, analisaram os benefícios das florestas urbanas – incluindo a remoção de poluição do ar, economia de energia e fornecimento de alimentos – e aproximou o valor atual desses benefícios em mais de US $ 500 milhões por ano.
Criando um modelo para cada megacidade, eles estimaram benefícios como reduções na poluição do ar, escoamento retardado de águas pluviais, energia de construção e emissões de carbono e avaliaram como esses benefícios mudaram à medida que a cobertura da árvore aumentou. O modelo levou em conta a cobertura da árvore local, população humana, poluição do ar, clima, uso de energia e poder de compra. A equipe ficou surpresa ao descobrir que cada cidade tem o potencial de hospedar uma cobertura adicional de 20% da floresta urbana.
No entanto, os planejadores e as autoridades da cidade precisarão mudar sua percepção dos recursos naturais disponíveis para as cidades antes que os residentes possam aproveitar os benefícios de mais árvores: quanto menos cidades dependerem da natureza fora da área metropolitana e quanto mais se concentrem nas terras na conservação da natureza dentro das cidades, mais saudáveis e sustentáveis serão essas cidades.

“Todos podem agir para aumentar as áreas da floresta urbana em nossas cidades, não apenas os planejadores da cidade”, acrescentou o Dr. Endreny. “Você pode visitar o recurso gratuito itreetools.org para descobrir quanta cobertura há em sua cidade agora, descubra onde você poderia plantar mais árvores em sua área e ver como os benefícios da floresta urbana aumentam à medida que mais árvores são plantadas.” (ecodebate)