terça-feira, 27 de setembro de 2011

Os americanos que acreditam no aquecimento global

Aumenta o número de norte-americanos que acreditam no aquecimento global
Mais americanos creem no aquecimento global, diz pesquisa – Aumentou em relação ao último ano o número de norte-americanos que acreditam no aquecimento global, e essa mudança pode ter sido influenciada pelos debates dos pré-candidatos republicanos à Casa Branca, segundo uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 15/08.
O percentual de entrevistados que acredita na mudança climática saltou de 75 para 83%, segundo o levantamento feito nos EUA entre os dias 8 e 12 de setembro.
Os pré-candidatos republicanos, à exceção de Jon Huntsman, geralmente rejeitam a tese – amplamente respaldada por cientistas – de que emissões humanas de gases do efeito estufa têm causado o aquecimento global. Durante os recentes debates, o favorito Rich Perry acusou os cientistas de manipularem dados climáticos, e a deputada conservadora Michele Bachmann disse que a mudança climática é um mero boato.
Para o cientista político Jon Krosnick, da Universidade Stanford, esse debate leva os norte-americanos a refletirem mais sobre o que realmente pensam a respeito da mudança climática.
E o que eles pensam pode estar influenciado também por notícias recentes de que 2010 empatou com a de 2005 como o ano mais quente no mundo desde o início dos registros, na década de 1880.
“Esse é exatamente o tipo de situação que irá provocar o público a pensar na questão de uma forma que não pensou antes”, disse Krosnick sobre a recusa dos republicanos em aceitarem a mudança climática.
Os cientistas alertam também que o aquecimento global deve causar mais desastres climáticos, e o ano de 2011 pode já ser um exemplo disso – o que inclui a passagem do furacão Irene pela Costa Leste dos EUA. Os EUA sofreram dez desastres naturais em 2011, com prejuízos superiores a 1 bilhão de dólares, segundo estimativas oficiais.
De acordo com a pesquisa, eleitores de ambos os partidos norte-americanos creem majoritariamente no aquecimento global, mas a tendência é maior entre os democratas (92%) do que entre os republicanos (72%).
Para cerca de 15% dos eleitores, a questão climática é um tema importante para as campanhas políticas, segundo Krosnick. Na opinião dele, o assunto pode ter impacto no resultado da eleição de 2012 se Obama conseguir se apresentar com o candidato mais “ambiental”, e se o seu rival rejeitar a tese da mudança climática.
Na opinião de 71% dos norte-americanos que creem no aquecimento global, ele acontece parcial ou principalmente por causa das atividades humanas; outros 27% acham que as causas são naturais, segundo a pesquisa.
E, embora mais norte-americanos tenham passado a compartilhar das certezas dos cientistas, os que são céticos se aprofundaram na sua relutância. Em 2010, o percentual desse grupo com certeza absoluta de que a mudança climática não existe era de 35%. Agora, passou para 53%.
A pesquisa Reuters/Ipsos ouviu 1.134 adultos, incluindo 932 eleitores registrados. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para a amostra total, e 3,1 pontos para os eleitores. (EcoDebate)

Degelo no Ártico baixa ao nível máximo

A extensão do gelo no Ártico baixa ao nível mínimo histórico
Em 32 anos de medições por satélites, os últimos cinco foram os que tiveram os maiores degelos. A extensão do gelo no Ártico chegou neste verão boreal ao mínimo já registrado disseram três institutos diferentes em 13/09, confirmando uma tendência que pode levar a verões sem gelo algum na região dentro de uma década. Reportagem com informações da Reuters e da EFE.
Em 32 anos de medições por satélites, os últimos cinco foram os que tiveram os maiores degelos, o que provavelmente é consequência de padrões naturais de temperatura e da mudança climática provocada pelo homem.
A ausência de gelo no verão ártico pode afetar o clima no mundo todo. Cientistas dizem que os recentes invernos na Europa e América do Norte, excepcionalmente frios, já são um sinal disso, pois o mar mais quente e aberto no Ártico desvia os ventos polares para o sul.
Pesquisadores da Universidade de Bremen (Alemanha) disseram que este ano destronou 2007 como o de menor extensão do gelo no Ártico, na medição feita em 8 de setembro.
Já o Centro Nacional de Dados da Neve e do Gelo (NSIDC) dos EUA diz que este ano deve permanecer em segundo lugar, mas numa espécie de “empate técnico”.
A Agência Espacial Europeia (ESA) informou que “nos últimos cinco anos foi observada a extensão de gelo mais baixa desde que começou a medição com satélites nos anos 70”.
Os satélites que observam a Terra permitem medir a quantidade de gelo em áreas inacessíveis, como o Ártico. Este ano, a extensão de gelo no Ártico é comparável ao mínimo de 2007, informou a ESA.
Mais importante que o recorde é a tendência, disse Georg Heygsterall, da Universidade de Bremen, citando o fato de que todos os verões boreais desde 2007 tiveram degelos maiores do que antes daquele ano.
Recentemente, a Organização Meteorológica Mundial declarou que 2010 empatou com 1998 e 2005 como o ano mais quente desde o início dos registros, há cerca de um século e meio.
Os pesquisadores da Alemanha e dos EUA usaram satélites para medir a radiação de micro-ondas da camada de gelo, mas com métodos ligeiramente diferentes. O NSIDC obtém uma imagem mais nítida, mas a Universidade de Bremen consegue uma resolução mais alta, de 6 quilômetros, contra 25 no outro estudo.
Os pesquisadores são unânimes em dizer que o gelo marinho no verão está desaparecendo em um ritmo maior do que se previa. “Um verão sem gelo no Ártico está rapidamente a caminho. A maioria dos dados indica que os modelos estão subestimando o ritmo da perda de gelo”, disse Kim Holmen, diretor de pesquisas do Instituto Polar Norueguês.
“Isso significa que vemos uma mudança mais rápida do que os modelos sugeriram. Significa também que há por aí processos que ainda estamos por compreender influenciando o gelo.”
O recuo do gelo no verão já atingiu níveis que eram previstos só para daqui a três décadas nos modelos usados no importante relatório de quatro anos atrás do painel climático da ONU.
Esse grupo de cientistas previu que o Ártico ficaria sem gelo no verão no fim deste século, mas isso pode acontecer já em 2013, segundo uma das estimativas mais agressivas. Outros especialistas preveem que a eliminação total do gelo vai acontecer entre 2020-50. (EcoDebate)

Gelo do Ártico caiu ao mínimo já registrado

Gelo do Ártico, no verão boreal de 2010, caiu ao mínimo já registrado
A quantidade de gelo que cobre o Ártico caiu no verão boreal de 2010 ao mínimo já registrado, disseram pesquisadores em um estudo a ser publicado em breve, sugerindo que o afinamento do gelo superou a recuperação na área.
O estudo estimou que a cobertura de gelo no Ártico em 2010 – calculada com base na sua espessura e extensão – foi inferior ao recorde negativo anterior, em 2007, refletindo a tendência global de aquecimento. Por Gerard Wynn, da Reuters.
Cientistas preveem que o Ártico pode ficar totalmente sem gelo durante o verão daqui a algumas décadas. Isso criaria oportunidades lucrativas em áreas como navegação e exploração de petróleo, mas também teria consequências climáticas para o mundo todo, a começar pelo aumento do nível dos mares.
Os autores do estudo, da Universidade de Washington, em Seattle, desenvolveram um modelo para estimar a espessura do gelo no oceano Ártico com base em medições dos ventos e da temperatura atmosférica e oceânica. Os resultados foram comparados com amostras reais.
“O fato realmente preocupante é a tendência de redução nos últimos 32 anos”, disse Axel Schweiger, principal autor do estudo, referindo-se aos registros por satélite do Ártico. A redução em 2010, segundo o estudo intitulado “Incerteza no volume de gelo marinho do Ártico estimado por modelos”, foi “por uma margem suficiente para estabelecer um novo recorde estatisticamente significativo”.
Schweiger divulgou os dados em email à reportagem da Reuters a bordo do quebra-gelo Arctic Sunrise, do Greenpeace, que está no oceano Ártico, entre a ilha norueguesa de Svalbard e o Polo Norte.
A espessura do gelo é tão importante quanto a sua extensão, ou até mais, para entender o que está acontecendo no Ártico. Alguns especialistas argumentam que a redução dramática na extensão da camada de gelo nos últimos anos ocorre por causa de um afinamento constante nas últimas décadas.
O método usado no estudo é criticado por alguns especialistas, que o consideram menos preciso que as observações diretas. Os autores argumentam, porém, que a tendência geral de afinamento do gelo acaba sendo registrada por esse método.
Na semana passada – faltando ainda duas semanas para o fim da temporada do degelo – a cobertura de gelo no oceano Ártico ficou abaixo dos 4,6 milhões de quilômetros quadrados. A menor extensão já registrada foram 4,13 milhões de quilômetros quadrados em 2007.
O gelo marítimo propriamente dito não eleva o nível do mar quando se descongela, mas o aquecimento do Ártico pode acelerar o derretimento da camada de gelo da Groenlândia, que é composta por água doce acumulada sobre a terra, num volume suficiente para elevar o nível global dos oceanos em 7 metros. (EcoDebate)

Degelo no Ártico é o mais alto registrado

O volume do gelo no Ártico já é o mais baixo registrado na história
Volume de gelo no Ártico nunca foi tão baixo - São duas da tarde em algum ponto do mar de Barents, a 81 graus de latitude, meros 970 km do polo Norte.
No passadiço do navio Arctic Sunrise, o imediato canadense Paul Ruzicky olha desanimado para as placas de gelo em volta. “Isso tudo é gelo de primeiro ano. Pensamos que iríamos achá-la ontem, mas não achamos nada.” Reportagem de Claudio Angelo, na Folha.com.
O que o imediato buscava era uma placa de gelo marinho grande e estável, onde o Arctic pudesse atracar para que o artista plástico americano John Quigley fizesse uma escultura, em protesto contra a mudança climática.
Mas a própria mudança climática frustrou o protesto: no segundo dia de navegação pelo oceano Ártico, o pequeno quebra-gelo (de 64 m) da ONG Greenpeace só havia encontrado placas pequenas de gelo fino, formado no último inverno.
A maioria delas deve derreter nas próximas duas ou três semanas, quando o verão começa a ir embora.
A banquisa do Ártico, a capa de oceano permanentemente congelado que recobre o polo Norte, está cada vez mais difícil de encontrar durante o verão boreal, mesmo para quem navega a menos de nove graus de latitude do polo (que está a 90º Norte).
O gelo marinho, neste momento, está em sua segunda menor extensão já registrada: 5,56 milhões de km2, medidos com o auxílio de satélites no dia 14 de agosto, apenas 220 mil km2 acima da baixa recorde de 2007.
A lendária passagem Noroeste, que liga a Europa à Ásia através das ilhas do Ártico canadense –e que em 2007 ficou livre de gelo pela primeira vez–, abriu completamente seu braço norte (mais profundo e, portanto, mais seguro para a navegação) na semana passada.
“O braço sul tem estado aberto todo verão desde 2007, mas o norte só havia aberto em 2007 e 2010”, disse à Folha Mark Serreze, diretor do NSIDC (Centro Nacional de Dados de Gelo e Neve) dos EUA, que publica as medições do gelo ártico.
TRÊS DIMENSÕES
O volume do gelo, porém, já é o mais baixo registrado na história. Segundo dados da Universidade de Washington (EUA), em julho de 2011 o volume ficou 51% menor do que a média e 62% menor do que a máxima, estimada para 1979.
O volume é uma medida mais importante do que a extensão para prever o colapso do gelo no polo Norte. Isso porque ele informa não só a área de cobertura de gelo, mas sua espessura também.
O chamado gelo permanente (resultado de três ou mais anos de acúmulo) tem diminuído no polo, deixando gelo fino –e mais propenso a derreter– no seu lugar a cada inverno.
“Somos todos obcecados pela extensão, mas ninguém fala de espessura”, diz a geógrafa sueca Frida Bengtsson, da campanha de oceanos do Greenpeace.
O problema é que o volume não pode ser medido diretamente com satélites, só estimado com a ajuda de modelos de computador.
Para calibrar e validar os modelos, os cientistas têm feito duas coisas: sobrevoado o oceano Ártico com radares, como a NASA faz, e perfurado o gelo marinho com brocas para medir a espessura.
Dois pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, embarcam no fim desta semana no Arctic Sunrise para fazer exatamente essas medições.
PREVISÕES
Os resultados do trabalho deverão compor uma base de dados de espessura de gelo marinho que, por sua vez, ajudará a aperfeiçoar os modelos que embasam os cenários do IPCC, o painel do clima nas Nações Unidas.
O IPCC estimou, em 2007, que, se o ritmo de degelo continuar, o polo Norte ficará totalmente descongelado no verão no fim do século.
Porém, desde então, o derretimento do gelo tem sido muito mais radical do que as previsões dos cientistas, o que levou alguns a estimarem que o polo poderia derreter inteiro no verão já por volta de 2050. (EcoDebate)

Medidas internacionais para conter degelo

Oceano Ártico precisa de medidas internacionais para conter derretimento do gelo
Oceano Ártico propriamente dito é governado pela lei do mar, que todas as nações aceitam como uma lei internacional estabelecida.
Nenhum país será “dono” do Polo Norte, que está localizado aproximadamente a 640 quilômetros ao norte de qualquer outra porção de terra. O Oceano Ártico central pertence à humanidade; seus desafios são responsabilidade de todas as nações. Esses desafios – de acidentes que ameaçam a vida, derramamentos de petróleo e pesca excessiva – estão aumentando o derretimento do gelo marinho e navios de todos os tipos estão ganhando acesso.
O Tratado Antártico, de 1959, é às vezes proposto como um modelo para a governança do Ártico. Mas o Tratado Antártico foi realizado por países que tinham desenvolvido interesses legais lá.
O Ártico já teve mais atividade do que a Antártica. Cerca de 20% do PIB da Rússia vem de seus territórios árticos, principalmente os lucros do petróleo e gás. E diferente da Antártica, o Ártico abriga populações indígenas.
O Ártico também já está substancialmente regulado por leis domésticas e internacionais. Enquanto a Antártica é um continente cercado por oceanos, o Ártico é um oceano cercado por continentes. Todas as terras pertencem incontestavelmente a uma ou outra nação ártica, com a exceção insignificante da Ilha Hans, uma ilhota rochosa no meio do caminho entre a Groenlândia e o Canadá.
O Oceano Ártico propriamente dito é governado pela lei do mar, que todas as nações aceitam como uma lei internacional estabelecida. Desenvolvidas ao longo de séculos de prática diplomática, essas regras foram codificadas na Convenção da ONU sobre a Lei do Mar, que a maioria das nações – embora os EUA ainda não – ratificou.
Como no resto do mundo, os mares territoriais das nações do Ártico se estendem 22 quilômetros a partir da costa. Dentro dessa faixa, os estados costeiros têm poderes extensivos sobre a navegação estrangeira e direitos absolutos sobre a pesca e recursos marinhos como o petróleo e o gás. Entre 22 e 370 quilômetros, na chamada zona econômica exclusiva, os estados costeiros não têm poderes sobre a navegação estrangeira, mas têm direitos absolutos sobre a pesca, petróleo e gás.
Além dos 370 quilômetros, os estados costeiros perdem seus direitos sobre a pesca, mas mantêm o direito sobre os recursos do fundo do mar – onde quer que possam demonstrar cientificamente que o fundo do oceano é uma “prolongação natural” da placa continental próxima à costa. Isso significa que colocar uma bandeira no fundo do oceano no Polo Norte, como o explorador e político russo Artur Chilingarov fez em 2007, não tem nenhuma consequência legal a mais do que colocar uma bandeira na lua. Isso também significa que a maior parte do petróleo e do gás, que costuma ser encontrado na placa continental, está localizada dentro da jurisdição incontestada de um ou outro estado costeiro.
Os temas cruciais do Oceano Ártico central dizem respeito à segurança dos navios e o gerenciamento da pesca. Por este motivo, os Estados Unidos recentemente lideraram uma negociação de um tratado de busca e resgate envolvendo todas as nações do Ártico, inclusive a Rússia. O tratado designa zonas de responsabilidade dos estados costeiros para busca e recuperação que se estenda das águas internacionais até o Polo Norte.
As condições do Ártico demandam padrões precisos de construção de navios, incluindo um reforço para o gelo, cascos duplos, botes salva-vidas cobertos e equipamento avançado de navegação. A Organização Marítima Internacional passou anos negociando um Código Ártico para a navegação, mas o documento foi rebaixado para um conjunto de orientações em 2002 – por conta da insistência dos EUA. O governo Obama deverá reverter essa decisão e liderar o esforço internacional para tornar as normas obrigatórias.
À medida que o Oceano Ártico se aquece, espécies de peixe valiosas como o salmão sockeye do Pacífico e o bacalhau do Atlântico estão se movendo para o norte. Essas espécies que existem no alto mar, ou se movimentam entre o alto mar e as zonas econômicas exclusivas dos estados costeiros, são extremamente vulneráveis às frotas de pesca de longo alcance dos países não árticos.
Em 2008, os senadores Ted Stevens e Lisa Murkowski do Alaska co- patrocinaram uma resolução do Senado dirigindo o governo dos EUA a negociar o estabelecimento de uma organização de gerenciamento da pesca internacional para o Oceano Ártico. Organizações similares já existem e são eficientes no Atlântico Norte e outros lugares.
Estabelecer uma organização como esta exigiria o apoio de outras nações do Ártico, e a associação teria de ser aberta também a estados que não pertencem ao Ártico. Assim, estes países teriam acesso à pesca além das 200 milhas náuticas da costa (370 quilômetros), mas apenas se o consenso sobre quotas, baseado na ciência, for atingido.
A resolução Stevens-Murkowski determinava ainda que, no ínterim, “os Estados Unidos deveriam apoiar esforços internacionais para impedir a expansão das atividades de pesca comercial no alto mar do Oceano Ártico”. A resolução foi aprovada unanimemente e assinada como lei pelo presidente George. W. Bush. Então, em 2009, o governo Obama impôs uma moratória sobre toda a pesca comercial nas águas federais ao norte do Alaska – assinalando assim a seriedade com a qual lida com o assunto.
Até agora, tudo bem. Mas costuma ser mais fácil atingir um acordo internacional antes que os interesses dos países estejam estabelecidos. Por este motivo, a velocidade é essencial. O alto mar ao norte do Estreito de Bering já está sem gelo no final do verão – e mais próximo da Coreia do Sul, Japão e a China do que muitos dos lugares onde os barcos de pesca de longo alcance desses países operam atualmente.
O Ártico não é o Velho Oeste da imaginação popular, e tampouco é uma região onde a cooperação internacional é completa. À medida que o gelo derrete, novas regras para navegação e pesca são necessárias, rápido. (EcoDebate)

domingo, 25 de setembro de 2011

Salve o verde

DESABAFO
Na fila do supermercado, o caixa diz uma senhora idosa:
- A senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não são amigáveis ao meio ambiente.
A senhora pediu desculpas e disse:
- Não havia essa onda verde no meu tempo.
O empregado respondeu:
- Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com nosso meio ambiente.
- Você está certo - responde a velha senhora - nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente.
Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.
Realmente não nos preocupamos com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões.
Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.
Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?
Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usamos jornal amassado para protegê-lo, não plástico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar. Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funciona a eletricidade.
Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só porque a lâmina ficou sem corte.
Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.
Então, não é risível que a atual geração fale tanto em meio ambiente, mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época?
(Agora que você já leu o desabafo, envie para os seus amigos que têm mais de 50 anos de idade. Eu também recebi).

Manifesto por um Direito mais Verde

Manifesto por um Direito mais Verde
O globo está girando em um novo movimento, a humanidade atualmente passa por um momento de mudança. Mesmo que ainda timidamente, criamos novos valores e buscamos outro modo de vida, mais sustentáveis e harmônicos com a natureza. E frente a essa nova ordem global ascendente nada mais acertado que ordenamento jurídico evoluir.
Mediante esse panorama supracitado, surgiu, há poucas décadas, o Direito Ambiental, ramo dentre os demais, que necessita de cada vez mais destaque e atenção, haja vista, incorporar os valores nascentes de nossa sociedade.
Sua missão de conservar a vitalidade, a diversidade e a capacidade de suporte do planeta, para usufruto das presentes e futuras gerações¹, é indispensável para permanência humana nesta nave, por todos nós compartilhada, a Terra.
Visando o objetivo de realizar essa missão, ultrapassando as letras frias de uma folha de papel e tornando-a real e efetiva², há a necessidade evidente de não ser exclusivamente jurídico. É preciso fugir da concepção postulatória do Direito como uma ciência pura, independente de qualquer outra ciência³. O Direito requer, sim, complementação das demais ciências, para não afundar-se em falácia e sofismo.
O Direito Ambiental está intimamente relacionado com outras áreas do saber, então para promover a tutela do valor jurídico difuso que tem por objeto, deve estar em acordo com essas outras ciências. Por isso, faz-se mister que seu operador tenha primeiramente amor pela causa, em seguida contato próximo com natureza, formação complementar e esteja informado das descobertas e pesquisas recentes.
Afinal, como é possível posicionar-se e tomar uma decisão segura sem conhecimento de causa? Não é recomendável! A margem de acerto não se torna favorável. A missão provavelmente não seria bem sucedida sem conhecimento amplificado, criar-se-iam normas jurídicas sem a segurança e consistência que assunto requer, causando resultado inverso do almejado.
Para o triunfo do motivo maior do Direito Verde, este deve basear-se em pesquisas e estudos, e realizar-se por cérebros e corações verdes. Dessa maneira as leis em seu sentido amplo, estarão de acordo com o espírito da sociedade existente na nova ordem global e do novo movimento da consciência humana4. (EcoDebate)

Lubrificante verde no Brasil

Lubrificante verde começa a ser produzido no Brasil
Joint venture entre a americana Amyris e a brasileira Cosan pretende utilizar a cana-de-açúcar como matéria-prima para óleo básico, chega ao mercado em 2012.
Após açúcar e etanol, a cana será matéria-prima para óleo lubrificante.
O produto deve chegar ao mercado em um ano
Depois do plástico verde, é a vez do lubrificante verde. A empresa americana de biotecnologia Amyris apresentou na quinta feira sua linha de lubrificantes industriais renováveis, que tem a cana-de-açúcar como uma de suas matérias-primas. Os óleos básicos usados nos lubrificantes são produzidos pela Novvi, uma joint venture entre a Amyris e a Cosan.
Segundo o vice-presidente da Amyris, Joel Velasco, a nova linha de lubrificantes renováveis, batizada de EvoShield, só deve chegar ao mercado em cerca de um ano, quando começa a ser produzida em escala comercial. O diretor-presidente da Novvi, Lineu Moran, conta que a joint venture entre Amyris e Cosan utilizará o farneseno, uma molécula de hidrocarboneto extraída da cana, que pode ser transformada em vários produtos, para fabricar os óleos básicos utilizados nos lubrificantes. O farneseno produzido pela Amyris tem o nome comercial de Biofene.
A transformação de farneseno em óleo básico será feita pela multinacional Albemarle, fabricante de especialidades químicas. Moran explica que, nesta semana, a Novvi fechou uma parceria com a Albemarle para a produção em escala industrial dos óleos básicos que serão utilizados pela Amyris. Essa operação será feita na unidade da Albemarle nos Estados Unidos. Os óleos básicos feitos a partir do farneseno, segundo ele, possuem o mesmo desempenho dos lubrificantes minerais, com reduzido impacto ambiental.
De acordo com Moran, a Novvi, cuja criação foi concluída em junho deste ano, deve iniciar a comercialização dos óleos básicos em escala industrial entre o final de 2011 e o início de 2012. "A expectativa é de que a produção atinja 30 milhões de litros no primeiro ano de produção", disse.
Joel Velasco, da Amyris, estima que a produção total de farneseno feito de cana-de-açúcar deve totalizar perto de 9 milhões de litros em 2011 e subir para 50 milhões de litros em 2012. Desse total, a maior parte será direcionada para a produção dos lubrificantes renováveis. O mercado de lubrificantes mundial movimenta cerca de 30 bilhões de dólares por ano e o Brasil está entre os três maiores mercados do mundo.
Os executivos da Amyris e da Novvi estiveram na quinta-feira em São Francisco, na Califórnia, para o lançamento do produto. Em nota, o presidente da Amyris, John Melo, garantiu que o produto feito a partir da cana-de-açúcar vai revolucionar a indústria de lubrificantes. (veja)

A transição para a Economia Verde e a Rio+20

A crise mundial das bolsas de valores e das dívidas é apenas mais um sinal da inviabilidade da forma como se organiza a atual economia internacional. Se o modelo de endividamento crescente tem se tornado inviável economicamente, também tem se tornado inviável ecologicamente. O atual modelo de desenvolvimento “marron” (poluidor), além de insustentável, pode levar a humanidade ao suicídio e ao ecocídio.
Os sinais da insustentabilidade estão por todos os lados. Cresce o número de mortes e deslocamentos humanos forçados em decorrência de enchentes ou secas extremas, provocadas pelas mudanças climáticas. A erosão dos solos, a desertificação de amplas áreas, o uso e o abuso dos aquíferos, a salinização das águas dos rios e a acidificação dos oceanos diminui a fertilidade das fontes de vida. Além dos danos ambientais, aumenta o preço dos alimentos. Em especial, no leste da África, a seca tem provocado uma epidemia de fome e cenas de crianças esqueléticas pedindo ajuda. As monoculturas uniformes substituíram a biodiversidade. Dois terços dos recifes de coral e mangues do mundo já foram destruídos. As atividades antropogênicas trouxeram a maior extinção em massa da vida vegetal e animal da nossa história (antropocentro), com cerca de 30 mil espécies sendo extintas a cada ano (3 por hora).
O ser humano mudou a química da terra e do céu, aumentando o dióxido de carbono na atmosfera e provocando o aumento do efeito estufa. Com isto, a elevação do nível das águas dos oceanos ameaça a existência de diversos países insulares e coloca em risco a moradia de milhões de pessoas que vivem nas faixas litorâneas. A falta de saneamento básico nas cidades agrava os problemas da poluição e é um dos principais indicadores da exclusão social e da segregação urbana. O desemprego e a falta de acesso aos direitos de educação e saúde colocam uma grande parcela da população mundial às margens dos benefícios do desenvolvimento.
Porém, se por um lado há fome e exclusão, de outro, há uma ampliação do consumo devido ao crescimento da população e ao aumento das parcelas da denominada classe média mundial, em especial, nos países em desenvolvimento. Mais gente com mais dinheiro significa maior consumo de alimentos, de bens industriais e de serviços, inclusive lazer e turismo. Só a produção mundial de veículos automotores passou de cerca de 50 milhões, em meados dos anos 1990, para a casa dos 80 milhões ao ano em 2011. Segundo a revista WardsAuto existiam 500 milhões de carros em circulação no mundo em 1986 e este número ultrapassou 1 bilhão, em 2010, podendo chegar a 2 bilhões de carros nos próximos 30 anos. Mais automóveis significa mais aço, mais borracha, mais vidro, mais gasolina, mais biocombustíveis, mais estacionamentos, mais ruas asfaltadas, etc. A produção de matérias-primas é crescente no mundo, gera renda e realimenta o ciclo do consumismo desregrado.
Sem dúvida, o modelo de desenvolvimento baseado no crescimento do consumo conspícuo e no acúmulo crescente de lixo não é sustentável ambientalmente. Na prática, o modelo do capitalismo excludente conseguiu adiar o desastre ambiental enquanto atendia apenas a uma parcela pequena da população mundial – situada nos chamados países desenvolvidos e nas elites ricas dos países pobres. Contudo, a insustentabilidade ficou evidente quando este modelo se generalizou e foi adotado e expandido pelos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e outros países emergentes.
De fato, o modelo de desenvolvimento marron só é ambientalmente sustentável se for socialmente excludente. Mas só é politicamente sustentável se conseguir ampliar o “sonho de consumo” para as classes médias emergentes. Portanto, quando se considera os fatores ambientais e políticos, o atual modelo hegemônico é, no confronto das duas maneiras, inviável.
Qual é a alternativa?
A solução passa pela construção de um modelo que seja ambientalmente e socialmente sustentáveis. Evidentemente, não é fácil caminhar neste sentido. Mas a proposta de uma economia verde e inclusiva é o que há de mais avançado na busca de uma economia de baixo carbono, com menos desperdícios e maior harmonia entre o ser humano e o meio ambiente.
Os documentos da ONU: “Towards a Green Economy: Pathways to Sustainable Development and Poverty Eradication” e “The Great Green Technological Transformation” mostram que o investimento de apenas 2% do PIB global em dez setores-chave pode ser o pontapé inicial de uma transição rumo a uma economia de baixo carbono (economia verde) e inclusiva. Os investimentos seriam nas áreas de energia, agricultura, edifícios, pesca, florestas, produção, turismo, transportes, água e resíduos.
Em certo sentido, a transição para a economia verde já começou de forma localizada no tempo e no espaço, graças às iniciativas isoladas. Mas para que seja uma alternativa global, a ECONOMIA VERDE E INCLUSIVA precisa fazer parte dos acordos e resoluções que vão sair da Rio+20, em 2012. Como disse recentemente a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira: “Nenhuma iniciativa global terá êxito se os países não têm a capacidade de transformá-los em políticas e planos nacionais. Nosso desafio é, respeitando o legado da Rio-92, criar as condições ideais para superar o déficit de implementação dos acordos multilaterais e construir uma visão compartilhada de sustentabilidade para as próximas décadas”.
Precisamos agir localmente e globalmente. Como disse o escritor Vitor Hugo: “Nenhum poder na Terra pode parar uma ideia cujo tempo chegou”. A proposta de transição do modelo hegemônico atual para a economia verde e inclusiva, pode não ser a solução mais perfeita de todos os tempos, mas é a ideia contemporânea mais viável e necessária para a sobrevivência do Planeta neste momento. O que não é viável e nem necessário é a continuidade dessa estrutura econômica e política que destrói a natureza e aquece a atmosfera. (EcoDebate)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Rio Tietê ainda oferece espaço e visibilidade

Cada vez mais frequentes, as intervenções urbanas e artísticas no Rio Tietê e em suas margens vêm novamente chamando a atenção para o tema da despoluição.
Em 2008, o artista plástico Eduardo Srur colocou 20 garrafas gigantes feitas de vinil com formato de embalagens PET nas margens do rio, entre as Pontes do Limão e da Casa Verde. A intervenção, chamada de PETS, ficou 60 dias no rio. 'Eram esculturas de 10m por 3m, sobre plataformas feitas com 3 mil garrafas PET cada. Depois, reciclamos tudo, transformando em mochilas para as crianças das escolas que iam visitar a instalação', conta o artista. Ele pretende levar a exposição para a Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio, e a Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte.
Em março de 2006 o Teatro da Vertigem, companhia responsável por montagens como a premiada O Livro de Jó, levou às águas do Tietê o espetáculo BR-3, sobre uma família cuja matriarca se envolve com o tráfico de drogas em São Paulo.
'Estar dentro do rio foi incômodo no começo. Nós até tomamos cuidados exagerados, remédios. Mas, durante os ensaios noturnos, eu vi a lua refletida nele. E ali ele era um rio, como aqueles que eu visitei no Acre, quando fazíamos a pesquisa para a peça', diz Eliana Monteiro, diretora de cena do espetáculo. Ela diz que, na estreia, choveu nas cabeceiras do rio e ela teve de pedir para que as comportas fossem abertas.
'Com a chuva, o nível foi aumentando e o lixo veio vindo junto com a água. Ali, o Tietê mostrou toda a força viva que tem', diz a diretora. Tanto a peça quanto a exposição só eram acessíveis por via fluvial, de barco. (OESP)

'Sanear é ação de cidadania'

Ambientalista afirma que, em 20 anos de Projeto Tietê, houve avanços, mas os desafios continuam grandes.
"Não tem varinha mágica." Para Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica, o processo de despoluição do Rio Tietê é demorado, mas houve avanços.
Quais foram as principais mudanças no Tietê nesses 20 anos de campanha pela despoluição?
De 1990 até 1999, o grande vilão era a indústria. De 2000 a 2005, passou a ser o esgoto doméstico. E, de 2006 até hoje, a gente passou a ter outros problemas além do esgoto: os biodegradáveis, o lixo e o desmatamento. Dá para dividir 50% em esgoto e outros 50% nesses três itens.
Qual é o problema dos biodegradáveis?
O princípio ativo que faz com que os componentes do biodegradável se decomponham é o oxigênio. A gente usa toneladas de biodegradáveis - pasta de dente, xampu, detergente -, e isso vai para o tratamento de esgoto, que não trata os químicos, apenas o material orgânico. Isso segue para o rio e deveria encontrar água com oxigênio para se decompor. Mas não há oxigênio nem movimentação. Quem ajuda a decompor são as corredeiras de Pirapora até Salto. Quando essas cargas passam por lá, a água oxigena. Ao longo de 100 km vai se oxigenando e formando as espumas.
E como resolver essa questão?
Os princípios ativos do biodegradável que o Brasil usa, o fósforo e o nitrato, têm a mesma base que os fertilizantes. Então, quando chegam na Billings, na Guarapiranga, eles aumentam a proliferação de algas, que consomem oxigênio. A gente precisa mudar a legislação. Alemanha, Suíça, Canadá e Holanda proíbem esses componentes. Mas, para nós, é cultural: ao usar sabão que não forma espuma você tem a sensação de que não limpa. Passa pela educação.
Qual foi a maior dificuldade durante os 20 anos de campanha? Em 1999, no fim da primeira etapa de despoluição, não tínhamos informação, não havia transparência do governo em relação à aplicação dos recursos. A gente precisava que ONGs parceiras no exterior contatassem o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em Washington para pegar dados. Era terrível. E aí a despoluição teve um grande uso político. Em campanha eleitoral, diziam que num curto espaço de tempo as pessoas beberiam água do Tietê. Isso foi um desserviço, as pessoas se sentiram enganadas.
E como contornaram essa situação?
A gente precisava reagir e foi lançada outra vinheta: Continuamos de Olho. A soma de uma imprensa que fiscalizava e cobrava e uma sociedade que se mobilizava foi uma vitória. Tivemos uma mudança de governo, entrou Mario Covas, e o Projeto Tietê não foi abandonado, o que é raro. Ele continuou com Covas, com Geraldo Alckmin, com José Serra e agora com Alckmin de novo. Foi um resultado positivo de cidadania.
Mas as pessoas da Região Metropolitana não veem muitas melhorias no rio.
Quem passa pela Marginal não percebe que o rio está mudando. Mas em Araçatuba, a cidade capta água para abastecimento público no Tietê. Quando a campanha começou, nenhuma cidade fazia isso.
O que você achou da ampliação das pistas da Marginal?
Foi um erro gravíssimo. A sociedade queria, todo mundo ascendeu economicamente e comprou carro. Mas se, em vez de mais uma pista, tivesse sido feito um metrô de superfície, não seria melhor? Mas a população queria mais pistas, e o governo respondeu à pressão. Logo perceberão que terão de desfazer para construir ciclovias. O trânsito está insustentável.
É viável ter táxis aquáticos no Tietê, como há em muitos locais?
A gente aposta nisso. É a grande saída para o Tietê, fazer as pessoas usarem o rio. O Tâmisa e o Reno são poluídos hoje por carga difusa, como fuligem de carro, resíduos de escapamento e chuva ácida, mas as pessoas usam. Então, aqui também dá para usar.
E qual é a sua expectativa para o futuro?
Que o cronograma anunciado pela Sabesp seja cumprido (universalização do saneamento até 2020 para a metrópole paulista e fim do mau cheiro). E que a sociedade exija mais. Saneamento é ação de cidadania para todo dia e não poluir teria de ser um hábito de todos. (OESP)

Ocupação irregular do Rio Tietê

População elevada e ocupação irregular são obstáculos
Professora da Poli/USP afirma que projetos de despoluição demoram e adverte que é preciso ajustar as expectativas.
O rio citado por nove entre dez pessoas para traçar um comparativo com a situação do Tietê é o Tâmisa, na Inglaterra. Ele já estava poluído no século 17 e seu projeto de despoluição começou em 1860. "Houve um desvio de esgoto no final do século 19, que aliviou o problema por um tempo. Eles jogaram o esgoto para frente, mais perto do mar. Esse paliativo durou 30, 40 anos. Mas, com a 2.ª Guerra, parte da estrutura foi danificada e na década de 1950 ele começou a apresentar novos problemas", explica a professora da Escola Politécnica da USP Mônica Porto.
Ela afirma que não se pode comparar as situações dos rios. "A Região Metropolitana de São Paulo tem 20 milhões de habitantes, enquanto Londres tem 13 milhões. E Londres é um local de urbanização organizada, ao passo que em São Paulo a maioria dos córregos que deságua no Tietê está ocupada por invasões. Não se consegue passar canalização para coleta de esgoto. É preciso realocar as famílias."
Bons resultados. Para Monica, os bons resultados obtidos no Tâmisa e no Reno - que corta Suíça, França, Luxemburgo, Alemanha e Holanda - estão ligados à capacidade de endividamento público e ao nível de investimentos. "O trabalho no Reno demorou 30 anos, com investimento gigantesco. No Tâmisa, este ano, eles voltaram a ter problemas, pois o sistema antigo de coleta obriga os gestores a vazar parte do esgoto para o rio a cada vez que chove muito. Eles têm plano de gastar 3,8 bilhões de libras até 2020 para renovar o sistema."
Ela lembra que os EUA investiram US$ 200 bilhões em 25 anos para universalizar o tratamento de esgoto. "Em nosso caso, os resultados são bons. Passamos do muito ruim para o ruim. É preciso ter persistência." (OESP)

Rio Tietê é cenário de poluição e esperança

Entre a capital e Salto, Rio Tietê é cenário de poluição e esperança
Sobrevoo encontrou muita espuma, mas há trechos com mata.
A falta de movimento da água é uma das principais marcas do Rio Tietê na cidade de São Paulo. Na região de Santana de Parnaíba, o azul das piscinas dos condomínios de alto padrão contrasta com o tom de piche do curso d'água que não corre em direção ao mar. E, em Pirapora do Bom Jesus, a espuma é a característica visual mais expressiva do rio.
Do alto de um helicóptero, num sobrevoo entre a capital e Salto passando por cima da Estrada dos Romeiros, ainda é possível sentir o mau cheiro do Tietê. E ver que muitas das matas ciliares que deveriam proteger o rio de receber mais poluição estão destruídas.
No trajeto também encontramos algumas queimadas para limpar pastagens, plantações de eucalipto e diversas pedreiras - que, onde se instalam, deixam o ambiente desolador. E, fora as pessoas que construíram casas na margem, ninguém se aventura a chegar muito perto do rio.
Algum alento vem de reconhecer trechos de Mata Atlântica, bioma que já perdeu 93% de sua área original, pelo caminho. E notar que o traçado retilínio artificial da capital é substituído pelas curvas naturais no interior.
Na parte cercada de mata e corredeiras, o rio com certeza "seria uma ótima opção de lazer, se a água fosse mais limpa", diz o geógrafo da USP Wagner Ribeiro, colunista da rádio Estadão ESPN que acompanhou o voo. Mas fazer rafting ali por enquanto está descartado.
Para ele, o Parque Ecológico do Tietê é um exemplo do bom uso do entorno do rio. "Se equipar e der condições, as pessoas vão utilizar." Na opinião de Ribeiro, o aspecto mais negativo do passeio foi observar a presença de muita espuma e cheiro forte até Salto. "Em Pirapora, foi instalado uma espécie de chuveiro para reduzir a espuma, mas não se vê resultado."
Condição ruim. Carlos Eduardo Carrela, superintendente de Projetos Especiais da Sabesp, explica que a vazão do Tietê é muito baixa, o que dificulta a dispersão dos poluentes. "O Tâmisa tem o dobro da vazão."
Quando o projeto de despoluição do rio começou, o esgoto gerado por 83% da população da Região Metropolitana de São Paulo não era tratado. Hoje, 70% do esgoto coletado é tratado.
Os trabalhos, segundo a Sabesp, permitiram que 8,5 milhões de pessoas passassem a ter esgoto tratado - o que seria capaz de atender uma cidade do tamanho de Londres. Com isso, a mancha de poluição, que antes chegava até a barragem de Barra Bonita, agora está em Salto - redução de 160 quilômetros.
Nesta terceira fase do projeto, que vai até 2015, 28 municípios da Região Metropolitana de São Paulo terão obras. Apesar de afirmar que o rio terá condições de abrigar peixes até o fim da década, a Sabesp não ousa falar que poderemos beber água do Tietê. Até porque, mesmo livre do esgoto, ele ainda recebe muito lixo e poluição difusa (como fuligem carregada pela chuva).
É por isso que tanto a Sabesp quanto as ONGs afirmam que apenas a ação do governo não basta: é fundamental o comprometimento de toda a população. Ainda se vê pessoas jogando móveis e objetos no rio. Parte da culpa é da coleta ineficiente e da falta de educação das pessoas.
Os dados atuais de monitoramento da qualidade da água obtidos pelos grupos de voluntários da SOS Mata Atlântica mostram que ainda há um longo caminho a trilhar. Nas bacias do Alto e Médio Tietê, de 338 pontos de coleta, 10,35% tiveram qualidade considerada péssima e 41,42%, ruim. No início da segunda etapa da despoluição, porém, a situação era pior: 11,11% dos pontos tinham classificação péssima e 51,85% ruim. (OESP)

Campanha de despoluição do Rio Tietê em 1990

Iniciativa da 'Rádio Eldorado' deu arrancada para campanha de despoluição do rio
Abaixo-assinado recolheu mais de 1 milhão de assinaturas, sensibilizou políticos e empresários e gerou projeto de US$ 2,65 bilhões.
A campanha pela despoluição do Rio Tietê começou em 1990, com uma iniciativa da então Rádio Nova Eldorado AM (hoje Eldorado Brasil 3000) - um programa chamado O Encontro dos Rios, que traçava um paralelo entre o Tâmisa, que banha Londres, e o maior rio paulista em extensão.
O programa repercutiu e a população começou a se envolver, aderindo a um abaixo-assinado coordenado pela rádio. Estado, Jornal da Tarde e Eldorado FM abraçaram a causa. Criou-se então o Núcleo União Pró-Tietê, instalado na SOS Mata Atlântica, que recebeu patrocínio de US$ 350 mil do Unibanco. Na sequência, a Fiesp assinou um convênio com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente para controle dos resíduos industriais.
A Câmara Municipal também aderiu à iniciativa, aprovando três moções de apoio à campanha. O slogan "O Tietê pede água. Você não pode negar" parecia ter acordado as pessoas para a situação do rio, que, como disse o escritor Alcântara Machado, "despoetizou-se e empobreceu por São Paulo e pelo Brasil".
No meio disso, um personagem insólito apareceu, chamando a atenção para a possibilidade de vida naquelas águas: Teimoso, um jacaré que passou a habitar as várzeas imundas do Tietê. Até hoje tem quem ache que o abaixo-assinado que recolheu 1,2 milhão de assinaturas - maior mobilização por uma causa ambiental até hoje no País - deve muitas rubricas ao Teimoso, que acabou transferido para o zoológico de São Paulo.
Projeto Tietê. Com iniciativa da Sabesp e apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o governo do Estado lançou em 1992 o Projeto de Despoluição do Rio Tietê. A primeira etapa, entre 1992 e 1998, consumiu US$ 1,1 bilhão com a construção de três estações de tratamento de esgoto.
Na segunda etapa, entre 2000 e 2008, foram investidos US$ 500 milhões, sendo US$ 200 milhões financiados pelo BID e US$ 300 milhões com recursos da Sabesp, que teve apoio do BNDES. Na terceira, que se estende até 2015, serão investidos mais US$ 1,05 bilhão para coletar o esgoto de 1,5 milhão de pessoas e tratar o de mais 3 milhões.
A Sabesp diz que até 2015 os efeitos do projeto serão visíveis para a população da Região Metropolitana - 30 km do rio que cortam a metrópole passarão a ter vida aquática e outros 30 km deixarão de cheirar mal. E afirma que, até 2020, haverá a universalização do saneamento e o fim do mau cheiro das águas.
É difícil identificar o momento preciso em que a cidade virou as costas para o rio, mas há algumas pistas. "Em 1944, a Travessia de São Paulo a Nado, competição que acontecia desde 1924, foi cancelada porque se concluiu que o rio não podia mais garantir condições de salubridade aos atletas", lembra o professor do Departamento de História da Unifesp Janes Jorge, autor do livro Tietê - O Rio Que a Cidade Perdeu.
O Tietê chegou a abastecer com água vários bairros da cidade entre o final do século 19 e as duas primeiras décadas do século 20. Segundo Jorge, em 1898, com dificuldades para abastecer toda a população, a Repartição de Águas e Esgotos (RAE) retirou bairros proletários como Brás, Bom Retiro, Barra Funda, Belenzinho, Campo Grande e Cambuci do Sistema Cantareira, que provia água de excelente qualidade, e passou a abastecê-los com água captada no Tietê. "Isso provocou uma reação contrária dos círculos médicos, pois não havia um sistema de tratamento que garantisse a qualidade da água captada", afirma o professor. A água distribuída na cidade só passou a ser clorada em 1926.
Riqueza. O Tietê possibilitou o crescimento e o desenvolvimento de São Paulo. Forneceu areia, argila para os tijolos que transformaram suas várzeas, pedregulho, energia elétrica, peixes para os moradores do arredores, água para o consumo e a prática de esportes. "Na virada do século 19 para o 20, São Paulo era uma cidade de 250 mil habitantes que curtia o rio. Ele era usado por remadores, para passeios, caminhadas, banhos. Agora, podemos até despoluí-lo, mas é preciso pensar em como vamos reconquistar a beira-rio. Como o paulistano vai poder curti-lo de novo, à beira da Marginal?", pergunta Jorge. É algo a se pensar. (OESP)

O rio ainda pede água

Projeto Tietê, 20 anos: O rio ainda pede água
Avanço em duas décadas inclui expansão da coleta e tratamento de esgoto, mas Tietê ainda parece morto na Região Metropolitana.
Retilíneo. Rio Tietê na região do Cebolão, em São Paulo/SP
Com 1,2 milhão de adesões a um abaixo-assinado - a maior mobilização por uma causa ambiental na América Latina até hoje -, a campanha de despoluição do Rio Tietê liderada pela então Rádio Nova Eldorado AM sensibilizou o governo estadual a dar início ao projeto de limpar o curso d'água mais famoso de São Paulo. Após 20 anos, várias ações surtiram efeito, como o aumento da coleta e tratamento de esgoto, reduzindo a mancha de poluição numa extensão de 160 quilômetros.
Os moradores da Região Metropolitana, porém, ainda não conseguem visualizar avanços na despoluição do rio - sua cor continua negra, a água não se movimenta e o cheiro ainda incomoda. Segundo a Sabesp, a melhora na qualidade da água ficará perceptível até 2015, quando 30 quilômetros de rio que cortam a metrópole passarão a ter vida aquática e outros 30 quilômetros deixarão de ter odor desagradável. A previsão é de que, até 2020, o rio inteiro deixará de ser fétido e 160 quilômetros do Tietê na Região Metropolitana poderão abrigar peixes. Para o geógrafo Wagner Ribeiro, a população deve fazer a sua parte, parando de usar o rio como depósito de lixo e fiscalizando promessas e prazos do governo. (OESP)

Florestas nas águas da Amazônia

Código Florestal e as Florestas nas águas da Amazônia
Artigo encaminhado pelo grupo de pesquisadores do Inpa e do Museu da Amazônia sobre recente estudo que sugere a inclusão de áreas úmidas nas discussões do novo Código Florestal.
A precipitação é a principal fonte de água na bacia amazônica; cerca de 50% dessa precipitação depende da evaporação e da transpiração da cobertura vegetal. Por outro lado, cerca da metade da precipitação incidindo na bacia é transformada em descarga, indo, primeiramente, para os pequenos riachos, os igarapés.
A trama de pequenos igarapés da bacia amazônica alimenta os grandes rios com seu fluxo de água de diferentes propriedades químicas. Por sua vez, esses igarapés são margeados por florestas que alimentam os organismos aquáticos, mostrando a íntima relação e mútua dependência entre água, floresta e organismos na Amazônia.
Devido a diferenças ao longo do ano no volume da precipitação, o nível dos grandes rios flutua sazonalmente com uma amplitude da ordem de 10m, na Amazônia Central, podendo chegar a quase 15 metros em outras áreas, implicando em uma expansão da cheia de quilômetros nas planícies alagáveis marginais e suas florestas. No pico da fase de águas baixas as áreas alagáveis podem ser reduzidas a apenas 20% da área total inundada durante o pico das cheias. Contudo, elas contribuem com 30% do balanço total de água do canal principal do rio, pois a capacidade de estocagem das áreas alagáveis, desde que mantidas com suas florestas associadas, é bem superior à do canal principal.
Em nenhum outro lugar do planeta são encontradas florestas que toleram períodos de inundação tão longos, de até 270 dias ao ano, como aquelas encontradas nas áreas alagáveis ao longo dos grandes rios amazônicos. Todos os anos, durante as cheias, quando a água invade as margens laterais, essas árvores passam a fazer parte dos corpos de água por vários meses, tendo suas raízes, troncos ou mesmo as copas inteiramente recobertas pela água dos rios associados.
Essa vegetação é adaptada a esta situação de inundação, compondo florestas únicas no mundo, com a maior biodiversidade registrada para esses ambientes (mais de 1000 espécies). A vegetação das florestas alagáveis é também de capital importância para o desenvolvimento e manutenção da biodiversidade amazônica, oferecendo alimento e habitat para vários animais, como peixes, macacos e pássaros. Além disto, um número muito grande de invertebrados terrestres vive permanentemente nas copas das árvores da floresta, ou migra para elas para escapar às inundações.
As áreas de florestas alagáveis devem ser incluídas nos dispositivos legais que protegem as florestas uma vez que a sua devastação ou sua retirada massiva trarão reflexos negativos imediatos à estrutura física e integridade dos processos ecológicos dos ambientes alagáveis, como também à diversidade biológica de toda a região amazônica. As implicações de alterações dessa natureza irão se refletir diretamente nos ciclos climáticos e na redução dos múltiplos recursos naturais explorados pelas populações humanas locais, com reflexos negativos na economia e o abastecimento dos maiores centros urbanos na Amazônia. (EcoDebate)

Mata ciliar – parte II

Mata ciliar – parte II: efeito oásis e consumo de água
Voltando, com este segundo artigo, para discutir aspectos científicos e técnicos relacionados com as relações da mata ciliar com as nascentes e os cursos d’água, começo transcrevendo um texto e apresentado uma informação.
O texto, extraído de “A floresta e a água”, disponível no Google, diz o seguinte: “Em regiões semiáridas, onde a água é limitante, a presença da mata ciliar pode significar um fator de competição. Isso se deve ao fato de que as árvores das matas ciliares apresentam suas raízes em constante contato com a franja capilar do lençol freático. Nesse caso, o manejo da vegetação ripária pode resultar numa economia de água. No caso de se pensar em aumentar a produção de água de uma bacia mediante o corte da vegetação da mata ciliar em regiões semiáridas, deve-se considerar que a eliminação da vegetação deve ser por meio de cortes seletivos e jamais por corte raso. Isso porque as funções básicas das matas ciliares, manutenção de habitat para fauna, prevenção de erosões e aumento da temperatura da água devem ser mantidas. Na região sul do Brasil, onde o clima é subtropical sempre úmido, e chove em média 1350 mm por ano, a competição das matas ciliares não compromete a produção de água nas bacias hidrográficas a ponto de serem feitos cortes rasos”.
A informação foi extraída do livro “Água subterrânea – Uma introdução” do geólogo Dagfin John Cedestron que ministrou hidrologia para o primeiro curso de Geologia, da então Escola Nacional de Geologia, entre 1961 e 1963. Nele o prof. Cedestron faz referências a plantas de raízes profundas e que são capazes de provocar abaixamento de lençóis freáticos. Cita trabalho feito por dois pesquisadores norte-americanos, em 1965, mostrando que árvores de carvalho provocavam abaixamentos significativos de lençóis freáticos, pela transpiração daria, chegando a valores de 495.000 litros por dia e por hectare.
O texto e a informação foram escolhidos de propósito, pois o texto é recente e a informação mostra que o assunto tem raízes bem mais antigas. Os norte-americanos já conhecem o fenômeno desde a primeira metade do Século 20. O que eu quero deixar claro, antes de tudo, é que as discussões que serão desenvolvidas a seguir têm sido preocupações de pesquisadores e de instituições já há muito tempo. Mas exposta a preocupação, vamos analisar as razões do consumo de água pelas matas ciliares.
Figura 1 – Relações entre mata ciliar e aquífero
Comecemos pela Figura 1, onde está representada uma encosta com mata ciliar e o córrego no fundo do vale (ac e c, respectivamente). Também está representado o aquífero (lençol) subterrâneo (aq), responsável pelo abastecimento do córrego. Já foi dito, no outro artigo (parte I), que as vazões de estiagem são mantidas pelos volumes de água das partes mais distantes do aquífero e que se deslocam lentamente para o córrego. Com tal movimento, enquanto houver água no aquífero, haverá, também, presença de água subterrânea na área ripária, onde está a mata ciliar. Como está no fundo do vale, onde o aquífero está emergindo, garantindo o córrego, é normal que ele esteja, aí nessa região ripária, a pequena profundidade. Imaginemos, agora, que as árvores formadoras da mata ciliar tenham raízes que possam chegar próximas da superfície do aquífero, pelo menos até a região conhecida por “franja capilar” (fc), onde a presença da água é garantida pela ação de capilares do solo que estão em contato com a superfície do aquífero. Nessas condições, e em períodos secos e com bons níveis de energia no meio, como ocorre em muitas regiões brasileiras, as árvores terão todas as facilidades para absorver e transpirar grandes volumes de água do aquífero para a atmosfera, pois as taxas de transpiração dependem de duas disponibilidades ambientais: água no solo e energia no meio. Em toda região Sudeste, por exemplo, é comum termos, no final de agosto e no mês setembro, temperaturas bem altas, indicando bons níveis de energia no meio, e ausência de chuvas, ou com chuvas muito esparsas. O consumo de água pela mata ciliar pode ser alto, nesses casos, concorrendo com os volumes destinados ao córrego. As vazões passam a ser menores. E apesar de o texto transcrito no início do artigo dizer que o consumo de água pela mata ciliar só ocorre em regiões semiáridas, isso não é totalmente verdade, pois mesmo na região Sul tudo está na dependência das variações climáticas.
Mas vamos adicionar mais uma preocupação nossa, que trabalhamos com hidrologia de pequenas bacias. Se a época é de final de período de estiagem, a região do entorno da área ripária (assinalada como “as” na Figura 1), está sem água no solo para as plantas transpirarem. Portanto, a energia que seria utilizada na evapotranspiração, nesse entorno, está sobrando no meio. Como a energia na área ripária está sendo consumida na transpiração, porque tem água disponível, também, ela fica mais fria do que o entorno, provocando o deslocamento de energia deste para aquela (caminho indicado pelas setas representadas por “E”). Passa a haver, por isso, um excesso de energia disponível para a mata ciliar carregar na transpiração, e o coitado do córrego acaba pagando o pato, quase secando, às vezes, quando o aquífero não for muito rico em volume d’água. O fenômeno descrito recebe o nome de “efeito oásis”, muito conhecido na irrigação, pois áreas irrigadas em ambientes secos podem ter o mesmo comportamento. 
Figura 2 – Foto de mata ciliar sob efeito oásis
A foto da Figura 2 mostra mata ciliar em desenvolvimento ao longo de um pequeno córrego (com vazão média de estiagem igual a 80 litros por minuto), que drena uma pequena bacia. É caso típico de efeito oásis, podendo ser notado que as árvores maiores ou mais próximas do córrego (que está no meio da faixa de vegetação) estão demonstrando pleno vigor vegetativo. A foto foi tirada em 10/09/2011 e a região está com bons níveis de energia no meio há mais de trinta dias.
Mas será que todas as matas ciliares, em quaisquer situações, apresentam os comportamentos discutidos? Claro que não! Daí a nossa preocupação em mostrar como o fenômeno se desenvolve, permitindo que ele seja analisado para ecossistemas específicos. Um exemplo de exceção pode ser o dos córregos encaixados em áreas rochosas, onde a vegetação ripária tem sistema radicular desenvolvido em substrato raso, formado essencialmente da decomposição de resíduos produzidos pela própria vegetação, como folhas e galhos. As poucas raízes que penetram em fendas e falhas não são suficientes para a retirada de muita água. Esta situação é muito comum em regiões serranas. O problema, portanto, é de fundamentação científica e de uso de tecnologias apropriadas para otimização dos resultados esperados. Se a vegetação ripária consome muita água, proporcionalmente à vazão do córrego, e se tal consumo estiver prejudicando a disponibilidade necessária ao consumo humano, por exemplo, ela não deveria existir. Se por problemas ambientais ou meramente legais (?), isso não for possível, a pequena bacia precisa ser trabalhada com tecnologias capazes de contrabalançar tais consumos. O que não pode acontecer é a crença cega de que a simples presença da mata ciliar (às vezes com a mata de topo) pode ser medida suficiente para garantir quantidade de água em épocas de estiagens, ideia ainda muito comum até mesmo em meios científicos não afeitos ao assunto, mas que cometem a indelicadeza de emitirem opiniões com base em conceitos genéricos.
Chegando a este ponto, e para não alongar mais o artigo, tornando-o cansativo, eu decidi que precisarei escrever outro texto para dar conta de discutir aspectos que faltam nos assuntos que prometi no final de “Mata ciliar – parte I: da metragem ao sonho”. E ele virá com o título de “A vegetação, o solo e a água em pequenas bacias hidrográficas”. Até lá, então. (EcoDebate)

Mata ciliar – parte I

Mata ciliar – parte I: da metragem ao sonho
É mais do que conhecido o fato de os conceitos ficarem prejudicados quando as discussões se acirram. Nos embates recentes sobre o novo Código Florestal, onde a emotividade já superou qualquer limite racional, os conceitos viraram uma salada de componentes altamente indigestos. E aí aparece a mata ciliar, coitada, que virou a heroína capaz de, sozinha, salvar os nossos recursos hídricos. Já escrevi, há tempos, um artigo falando sobre as angústias da mata ciliar, onde, tendo voz, ela reclamava de expectativas que ela não teria condições de atender.
Mas, antes de tudo, vamos falar um pouco sobre conceitos relacionados com a mata ciliar. Ela é composta essencialmente de vegetação arbórea, típica da região, que ocupa uma faixa em torno de nascentes e corpos d’água, chamada de área ripária. Riparia é uma palavra que pode ser derivada do adjetivo “ripário”, que significa marginal, ou seja, em nosso caso, marginal aos corpos d’água. Há informações, também, que a origem é latina e está relacionada com bancos de areia. Em nenhum deles, evidentemente, há referências a metragens. Estas foram invenções dos formuladores do Código Florestal de 1965, que acharam que a lei, para ser aplicável, com os conhecimentos e as ferramentas disponíveis na época, precisava de uma ferramenta prática para ser operacionalizada. Vieram os números, que não demonstravam nenhuma base científica, por mais que alguns tentem, nos dias de hoje, provar o contrário. Mas mesmo que aceitássemos as bases científicas da época, elas não fazem mais sentido atualmente, pois de lá para cá houve uma revolução nas tecnologias relacionadas com o assunto, tornando as metragens um atentado ao pensamento lógico. As árias ripárias de interesse ambiental só deveriam ser definidas em zoneamentos agroecológicos, no meio rural, e nos planos diretores das cidades, guardadas as peculiaridades dos ecossistemas locais e dos processos produtivos e de ocupação. Metragens puras e simples, ainda mais sendo as mesmas para todos os biomas e ecossistemas brasileiros, em nosso estágio científico e tecnológico, são burrices imperdoáveis.
Esclarecido o posicionamento físico da mata ciliar e feitas algumas considerações pertinentes, vou prosseguir falando um pouco sobre o seu comportamento ambiental e hidrológico. Comecemos pela compreensão da Figura que faz parte deste artigo.
Nela está representada a encosta de uma pequena bacia hidrográfica mantenedora de um córrego. Se há uma nascente e um córrego, fica caracterizada a presença de um aquífero (lençol) subterrâneo responsável pelos respectivos abastecimentos. Normalmente, nas condições brasileiras, o aquífero formador e mantenedor é freático, ou seja, ele está livremente apoiado sobre camada de rocha impermeável (ci) e apresenta variações de volumes armazenados entre períodos consecutivos de chuvas e de estiagens. Nos aquíferos confinados, também conhecidos como artesianos, as variações tendem a ocorrer em períodos mais longos. Durante as chuvas, parte dos volumes precipitados pode escoar sobre a superfície formando as enxurradas (ex), indesejáveis por promoverem erosões, cheias, alagamentos e inundações. Outra parte infiltra (f) no solo e pode chegar ao aquífero (aq), garantindo vazões do córrego (c) durante os períodos de estiagens. Quanto mais água no aquífero, tanto melhor, portanto.
Um detalhe importante a ser observado na Figura é o fato de o aquífero poder, teoricamente, receber água infiltrada em toda a superfície da pequena bacia e não só nos topos de morro e nas áreas ciliares. Não sei de onde veio o conceito, citado constantemente, que área de recarga de aquífero é o topo de morro. No caso, a maior área superficial de abastecimento do reservatório subterrâneo está sendo usada para exploração agropecuária (ag). Os aquíferos, quando mantenedores de nascentes e córregos, têm inclinações em relação a estes, mesmo que pequenas, facilitando a movimentação da água infiltrada em suas direções, conforme indicam as setas posicionadas ao longo do aquífero representado não Figura.
(Figura)
c – córrego ac – área ciliar
tm – topo de morro ag – área de exploração agropecuária
ci – camada impermeável ex – enxurrada
f – infiltração aq – aquífero subterrâneo
Figura – Ciclo hidrológico aplicado à encosta de uma pequena bacia hidrográfica
Ninguém pode renegar os benefícios ambientais promovidos pela mata ciliar (na posição ac da Figura), incluindo, certamente, o acolhimento da biodiversidade regional, o abrigo da fauna, a participação nos corredores ecológicos, a garantia de proteção do leito maior dos cursos d’água e alguma proteção da qualidade da água que ocorre em tais faixas das superfícies das bacias hidrográficas. Mas muitos insistem em generalizar a sua importância quanto à manutenção de quantidades de água nas nascentes e nos cursos d’água. O que eu quero deixar claro é o seguinte: a mata ciliar, do jeito que está definida no antigo Código Florestal e no novo proposto, não tem nenhuma ação positiva no aumento de quantidade de água das nascentes, dos córregos e dos poços provenientes dos lençóis freáticos, em épocas de estiagens. A quantidade de água infiltrada nessas pequenas faixas marginais é rapidamente drenada (vide Figura) e atinge os mesmos pouco tempo depois das chuvas, não restando nenhum armazenamento para os períodos de estiagens. Às vezes somos enganados pela condição de umidade constante em tais faixas, mesmo em época de seca na região, atribuindo tal umidade à infiltração nelas ocorrida no período antecedente de chuvas , quando, na verdade, tal umidade é mantida pela água infiltrada em outras áreas da pequena bacia hidrográfica e que se movimenta lentamente em direção das nascentes e dos córregos. As faixas onde se encontram as matas ciliares são áreas de passagem da água do lençol em sua caminhada para os pontos de emergência e, por essa condição de contínua alteração e movimentação, são conhecidas como “áreas de contribuição dinâmica”. Os princípios hidrológicos, portanto, derrubam o sonho acalentado por muitos, ou seja, o de usar os serviços ambientais das matas ciliares para aumentar a produção de quantidade de água de nascentes e córregos.
Sei que a esta altura muitos já estão pensando na produção de água das nascentes e dos córregos que se encontram em pequenas bacias cobertas de matas naturais e gostariam de perguntar: 1) Afinal, qual é a relação das matas naturais com a quantidade de água produzida em suas áreas de ocorrência? 2) As matas ciliares também não são matas naturais?
Em outro artigo, a ser publicado aqui mesmo e em breve, prometo comentar as interações entre a vegetação e a água no solo e no subsolo das zonas ripárias. Vou discutir, também, as diferenças de comportamentos hidrológicos entre bacias hidrográficas florestadas e aquelas com atividades agropecuárias e matas ciliares. A intenção é, se possível, iniciar uma discussão mais técnica sobre o assunto, com linguagem de divulgação científica, para facilitar a participação e compreensão daqueles que não podem ou não querem mergulhar nos textos publicados sobre o assunto nas revistas científicas. (EcoDebate)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Consumo sustentável

Consumir sem consumir a Mãe Terra e o Ser Humano
“A Terra tem o suficiente para todas as nossas necessidades, mas somente o necessário”. (Mahatma Gandhi)
Nos últimos anos, verificamos alguns avanços na forma de pensar e agir do ser humano. O grande desafio é de motivar e modificar o pensamento das pessoas em relação ao consumo.
A Mãe Terra sofre com as péssimas condições de seu meio. Nosso planeta, com recursos naturais vastos, mas finitos, sofre uma degradação ambiental antiga e contínua. O ser humano, principal ator da degradação ambiental, sofre as consequências do desrespeito ao meio ambiente em sua vida. A mudança de atitudes na sua postura em relação ao meio ambiente é fundamental para que haja uma transformação.
Não resta a menor duvida, estamos diante de um modelo de produção e consumo nitidamente insustentável, já que consumimos 25% a mais de recursos naturais do que o planeta consegue repor. Isto é, a Terra não está conseguindo repor ar respirável, água limpa e terras sadias, além de não estar conseguindo absorver os resíduos produzidos pela humanidade a uma velocidade compatível com o seu uso ou produção. E isso acontece quando dos quase sete bilhões de habitantes da Terra, somente 1,7 bilhão aproximadamente conseguem consumir sem restrições. Se todas as pessoas do mundo consumissem como os habitantes mais ricos, seria necessário quatro planetas Terra para atender a demanda.
Da relação existente entre as cadeias de produção e o consumo surge à necessidade de refletir sobre o processo do consumo sustentável.
Consumo sustentável é o ato de adquirir, utilizar e descartar bens e serviços com respeito ao meio ambiente e à dignidade humana. Consumo Sustentável quer dizer saber usar os recursos naturais para satisfazer as nossas necessidades, sem comprometer as necessidades das gerações futuras. (Relatório Brundtland, 1987)*.
Um comportamento ambiental consciente tem que ser encarado como uma prática de sobrevivência para todos nós, e para gerações futuras. E exige somente mais atenção com o que está a sua volta.
No dia a dia nos deparamos com várias situações, das mais simples as mais complexas, tais como atitudes profissionais, com a família e o meio ambiente. O critério usado para a tomada de decisão tem que ser repensado uma vez que as atitudes tomadas trarão a curto ou longo prazo consequências futuras para o desenvolvimento sustentável, refletir sobre as atitudes tomadas define como estamos convivendo não só com a sociedade, mas também com os recursos naturais, cada opção tem influencia direta com a Mãe Terra.
O consumo sustentável depende da disponibilidade de bens e serviços sustentáveis. Assim existe um binômio, a produção sustentável está associada ao consumo sustentável.
O que produzir, descartável ou retornável? Para que produzir, para suprir as necessidades ou para ostentação e acumulo de capital? E para quem produzir, para uma minoria dominante ou maioria excluída? E como consumir? A adesão ao consumo sustentável se faz questionando como, por que, o que, de quem comprar, como usar e como descartar. Ou seja, implica necessariamente, na redução do volume de bens e serviços produzidos e na maneira de consumo da sociedade.
Adquirir apenas o necessário para uma vida digna, minimizar o desperdício e a produção de rejeitos e resíduos, consumir apenas bens e serviços produzidos que não agridam o meio ambiente, motivar processos agrícolas (principalmente a agricultura familiar, cooperativas, comercio justo), proporcionar políticas que se preocupem com questões sociais, culturais e ambientais tanto na produção como na administração mediante parâmetros éticos e conhecer o ciclo de vida dos produtos (CVP) mediante selo de certificação são algumas das ações em prol do consumo sustentável.
O problema é que existe uma relação inversa entre aqueles que tem acesso aos bens e serviços de consumo, originados com base na obtenção, direta ou indireta, dos recursos naturais, e aqueles que sofrem com a degradação ao meio ambiente causada pelos primeiros.
Forma-se assim um “apartheid ambiental” de um lado está a parcela da sociedade que tira de inúmeras formas proveito do meio ambiente, por ter a propriedade dos bens naturais e por poder adquirir os bens e serviços, ao passo que do outro restou a parcela da sociedade que, além de não conseguir tal acesso, ainda é obrigada a arcar com o passivo ambiental alheio (externalidades).
O conceito adequado de sustentabilidade remete a uma dimensão mais ampla e que extrapola esta visão egoísta dos que faturam com a ciranda financeira, com a especulação, a doença do lucro, com o sobe e desce das taxas de juros e do câmbio. O consumo sustentável tem ligação com responsabilidade social, não com investimento. Sustentabilidade é algo que reside na alma e não apenas uma ferramenta que engorda a conta bancária.
Vale apontar um falso dilema quanto ao custo dos produtos sustentáveis. Isto fica claro quando se pensa no curto e no longo prazo. No curto prazo, por vezes, um produto sustentável será mais caro. Mas, dado o fato de que o produto sustentável não terá impactos negativos sobre a sociedade e o meio ambiente, em longo prazo o consumidor não terá que pagar os custos sociais e ambientais que certamente existem no consumo de produtos não sustentáveis. Esta é a troca. Naturalmente, com a saúde em jogo, eu não penso duas vezes em fazer a escolha por pagar um pouco mais hoje para não ter que pagar a mais no futuro com uma moeda denominada saúde.
O consumo sustentável , que o capitalista não faz questão de ver, tem muito com a redução da pobreza, com os direitos das crianças e adolescentes, com o acesso à educação e ao trabalho, com a solidariedade, com o respeito à biodiversidade.
A sustentabilidade está vinculada à valorização dos saberes e conhecimento tradicionais e inclui tanto os gestores das corporações quanto os povos da floresta, ribeirinhas, agricultores familiares.
A prática do consumo sustentável significa mais do que a soma das partes. Ele deriva de relações saudáveis, éticas, democráticas, equânimes e socialmente justas.
“O debate em torno do tema sustentabilidade é muito rico e ao mesmo tempo necessário em uma sociedade que só vai prosperar quando todos os relacionamentos se tornarem sustentáveis o bastante para apoiarem as iniciativas de cidadãos e comunidade empresarial. Para isso acontecer é preciso que, antes de tudo, todos entendam o conceito e a prática do desenvolvimento sustentável em sua plenitude e tenham atuação de valor internalizado”. (Maragngoni Nelsom,Sustentabilidade: Hoje ou Amanhã, IBOPE – http://www.ibope.com.br/forumibope).
A proposta aqui é que já dispomos de conhecimento suficiente, teorias suficientemente fundamentadas, evidências embasadas em tecnologias para tomar todas as decisões necessárias para colocar nosso desenvolvimento na direção de um consumo sustentável muito melhor do que o que temos hoje. Nosso problema hoje está na falta de mais ações pragmáticas e velocidade para “fazer acontecer”. Não é ético continuar pregando as ações que já sabemos ser necessária. A cada dia que passa é possível ter uma noção dos impactos sobre o consumo sustentável e os problemas causados a médio e longo prazo. Todo esse quadro é reversível e essa reversão é absolutamente necessária para fazer com que o consumo sustentável se torne realidade.
*O termo Desenvolvimento Sustentável é consagrado no relatório Nosso futuro comum, produzido pela Comissão mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, presidida pela norueguesa Gro Harlem Brundtland, a pedido da ONU, e publicado em 1987. (EcoDebate)