terça-feira, 29 de julho de 2014

Proposta da Sabesp deixará Cantareira 30% negativo

Proposta da Sabesp pode deixar Cantareira 30% negativo
A proposta da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para retirar uma segunda cota do volume morto do Sistema Cantareira, que abastece a Grande São Paulo, pode deixar o nível do manancial negativo em 30% para o início do ano que vem.
A concessionária quer autorização dos órgãos gestores para captar mais 116 bilhões de litros da reserva profunda dos reservatórios, além dos 182,5 bilhões que começaram a ser sugados em junho e devem acabar entre outubro e novembro.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Em janeiro deste ano, quando a crise da água foi declarada, o sistema estava no azul com 23% da capacidade. Até este domingo, a Sabesp já havia retirado 65,8 bilhões de litros do fundo das duas barragens, restando 38,5 bilhões de litros da primeira cota dessas represas, que devem durar até o fim de agosto.
Sem a garantia de que as chuvas voltarão à normalidade e querendo manter a vazão atual de 19,7 mil litros por segundo para abastecer mais de 40% da Grande São Paulo, a Sabesp quer usar mais 116 bilhões do volume morto, totalizando 298 bilhões de litros da reserva, o equivalente a 30% do volume útil do manancial, que se esgotou no início deste mês. (terra)

Paraíba luta pelo volume morto

Estado prefere racionamento a usar a reserva. Seca atinge há três anos consecutivos açude Epitácio Pessoa, no semiárido nordestino.
A crise de estiagem que pegou de surpresa gestores públicos e mais da metade da população paulista é uma realidade quase onipresente no agreste paraibano. Na região de Campina Grande, semiárido nordestino, o açude Epitácio Pessoa, que abastece mais de 500 mil habitantes, sofre há três anos consecutivos com a seca e está com 30% da capacidade. Mas, ao contrário do que tem sido feito em São Paulo, o governo da Paraíba estuda implantar plano de racionamento para não utilizar o volume morto do reservatório.
"Já estamos há três anos sofrendo constantemente com a seca. Vamos aguardar os próximos 30 dias para ver se será necessário mesmo entrar no racionamento para chegarmos até dezembro, quando acreditamos que o açude deve receber uma recarga (chuva). Estamos fazendo de tudo para não usar o volume morto", disse Simão Alemida, gerente regional da Companhia de Água e Esgoto da Paraíba (Cagepa). Na última medição, semana passada, o reservatório Epitácio Pessoa estava com 124 bilhões de litros. A capacidade máxima é de 411,6 bilhões e o volume morto tem ao todo 40 bilhões.
Segundo estudo da Agência Nacional de Águas (ANA), o açude perde 11 bilhões de litros por mês e pode entrar em colapso até novembro. A redução diária do nível do reservatório trouxe à paisagem um conjunto de ilhas que antes ficavam submersas. Segundo o gerente executivo de operação de mananciais da Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa), Gerald Norbert Sousa da Silva, a situação em Campina Grande ainda está melhor que a da Grande São Paulo. "O nosso caso está bem parecido com o de São Paulo, mas ainda temos uma margem maior para trabalhar. Se não chover o esperado na próxima temporada, vai ficar igual. Por isso, estão estudando algumas medidas preventivas. Em 1997, por exemplo, quando tivemos a última pior seca, o racionamento foi obrigatório", afirmou Silva. (OESP)

Companhia diz que objetivo é garantir a vazão atual

Segundo a Sabesp, não houve aumento na proposta de utilização da segunda parte do volume morto.
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) informou em nota que “não houve um aumento na proposta de uso da segunda parte do volume morto” e que a “empresa segue em processo de avaliação para definir se o volume será de 100 e 116 bilhões de litros”. Segundo a concessionária, caberá aos órgãos reguladores decidirem sobre a proposta. O pedido precisa de aprovação da Agência Nacional de Águas (ANA), do governo federal, e do Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE) e da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), ambos do governo paulista.
Segundo a Sabesp, a proposta apresentada aos órgãos gestores tem por objetivo garantir a vazão atual retirada do Cantareira para não ser obrigada a decretar racionamento de água na Grande São Paulo. “A companhia quer manter a vazão de 19,7 mil litros por segundo, porque é necessário para garantir as condições atuais de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo. Do contrário, grande parcela da população seria prejudicada, sobretudo aquela mais carente”, afirmou.
A concessionária informou que “não há nenhum risco” de utilizar mais 90 bilhões de litros das represas Jaguari-Jacareí e disse que fará dragagem para a retirada de água do fundo dos reservatórios. “Na Represa Atibainha, a empresa continuará com o bombeamento existente em cotas mais baixas. No Jaguari- Jacareí, será feita uma nova ensecadeira e um novo sistema de bombeamento, mas sem dragagem”, completou.
A Sabesp disse ainda que é “irresponsável e temerária a inferência de que haveria problemas para a qualidade da água” como uso da nova cota. “A água distribuída pela Sabesp segue todos padrões de qualidade e potabilidade do Ministério da Saúde”, disse. A empresa informou ainda que 76,5% dos 400 bilhões de litros do volume morto já são liberados para a região de Campinas por meio das descargas de fundo, conforme o Estado revelou em maio. “É justamente esse fluxo contínuo da água na reserva profunda uma das garantias de a água ter boa qualidade para o abastecimento público”, completou. (cliptvnews)

Proposta da Sabesp deixará o nível do Cantareira negativo

Proposta da Sabesp pode deixar o nível do Cantareira negativo em 30%
Concessionária busca aval dos órgãos gestores para captar mais 116 bilhões de litros do volume morto dos reservatórios.
A proposta da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para retirar uma segunda cota do volume morto do Sistema Cantareira, sem reduzir a vazão captada, pode deixar o nível do principal manancial paulista no vermelho em até 30% para o início de 2015.
A concessionária busca aval dos órgãos gestores para captar mais 116 bilhões de litros da reserva profunda dos reservatórios, além dos 182,5 bilhões que começaram a ser sugados em junho e devem acabar entre outubro e novembro.
Em janeiro deste ano, quando a crise da água foi declarada, o sistema estava no azul com 23% da capacidade.
Cantareira: volume útil chegou a zero há três semanas.
Só das represas Jaguari-Jacareí, que ficam entre as cidades de Bragança Paulista e Joanópolis, a cerca de 100 quilômetros da capital paulista, a Sabesp quer retirar mais 90 bilhões de litros represados abaixo do nível das comportas. Se a quantidade for toda utilizada, os reservatórios que representam 82% da capacidade ficarão com apenas 4% do seu volume total, incluindo o útil e o morto. Até este domingo, a Sabesp já havia retirado 65,8 bilhões de litros do fundo das duas barragens, restando 38,5 bilhões de litros da primeira cota dessas represas, que devem durar até o fim de agosto.
A partir daí, a concessionária deve iniciar a captação de 78,1 bilhões de litros da Represa Atibainha, em Nazaré Paulista, com duração prevista até o fim de outubro, quando começa o período chuvoso. Sem a garantia de que as chuvas voltarão à normalidade e querendo manter a vazão atual de 19,7 mil litros por segundo para abastecer mais de 40% da Grande São Paulo, a Sabesp quer usar mais 116 bilhões do volume morto, totalizando 298 bilhões de litros da reserva, o equivalente a 30% do volume útil do manancial, que se esgotou no início deste mês. A proposta ainda precisa ser aprovada pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE).
Licitação
A Sabesp já abriu licitação para comprar mais 19 conjuntos de bombas flutuantes e fazer um canal subaquático necessário para retirar mais água do volume morto do Cantareira e do Sistema Alto Tietê, segundo maior manancial que abastece a Grande São Paulo e que também passa por grave crise de estiagem.
No início do mês, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) havia negado que usaria mais uma cota da reserva profunda do Cantareira, embora a Sabesp já estivesse planejando retirar mais 100 bilhões de litros, conforme o Estado antecipou. Agora, a empresa quer aumentar em 16% a segunda cota do volume morto, que tem ao todo 400 bilhões de litros.
Estimativas apontam que, se a vazão afluente, ou seja, a quantidade de água que chega aos reservatórios, for 50% abaixo da mínima histórica, e não houver redução no volume destinado ao abastecimento da população, a segunda cota do volume morto pode acabar ainda em dezembro deste ano, o que deixaria uma crise ainda mais grave para 2015. Em julho, por exemplo, a vazão média afluente está 68% abaixo da pior já registrada para o período. O mês será o mais seco da história do sistema, o que deve resultar em déficit de 51,5 bilhões de litros, ou 5,2% da capacidade. Na média, agosto e setembro costumam ser mais secos do que julho.
Risco
“O volume morto é como se fosse o cheque especial do banco. Mas, em vez de poupar e reduzir o consumo, o governo quer ampliar o limite para gastar mais. Essa fatura ficará mais cara em 2015, porque vamos começar o ano no negativo. A crise será ainda pior”, afirma o engenheiro e diretor do departamento de hidrologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Antonio Carlos Zuffo. Segundo ele, quanto mais fundo a Sabesp for buscar água, maior o risco de contaminação. “A dragagem está revolvendo muito lodo do fundo, onde ficam os poluentes, os metais pesados”, completa.
O uso da segunda cota, caso seja autorizada, também deve retardar o processo de recuperação do Cantareira. No início do mês, o Estado revelou que uma análise estatística mostrou que a chance de o sistema acumular entre dezembro deste ano e abril de 2015 um volume de água suficiente para tirá-lo da crise após o término da primeira parte da reserva profunda era de apenas 25%.
Outro lado
A Sabesp informou em nota que “não houve um aumento na proposta de uso da segunda parte do volume morto” e que a “empresa segue em processo de avaliação para definir se o volume será de 100 e 116 bilhões de litros”. Segundo a concessionária, caberá aos órgãos reguladores decidirem sobre a proposta. O pedido precisa de aprovação da ANA, do governo federal, e do DAEE e da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), ambos do governo paulista.
Segundo a Sabesp, a proposta apresentada aos órgãos gestores tem por objetivo garantir a vazão atual retirada do Cantareira para não ser obrigada a decretar racionamento de água na Grande São Paulo. “A companhia quer manter a vazão de 19,7 mil litros por segundo, porque é necessário para garantir as condições atuais de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo. Do contrário, grande parcela da população seria prejudicada, sobretudo aquela mais carente”, afirmou.
A concessionária informou que “não há nenhum risco” de utilizar mais 90 bilhões de litros das represas Jaguari-Jacareí e disse que fará dragagem para a retirada de água do fundo dos reservatórios. “Na Represa Atibainha, a empresa continuará com o bombeamento existente em cotas mais baixas. No Jaguari-Jacareí, será feita uma nova ensecadeira e um novo sistema de bombeamento, mas sem dragagem”, completou.
A Sabesp disse ainda que é “irresponsável e temerária a inferência de que haveria problemas para a qualidade da água” com o uso da nova cota. “A água distribuída pela Sabesp segue todos padrões de qualidade e potabilidade do Ministério da Saúde”, disse. A empresa informou ainda que 76,5% dos 400 bilhões de litros do volume morto já são liberados para a região de Campinas por meio das descargas de fundo, conforme o Estado revelou em maio. “É justamente esse fluxo contínuo da água na reserva profunda uma das garantias de a água ter boa qualidade para o abastecimento público”, completou. (OESP)

Pouca chuva mantém agonia do Cantareira

Vista do Rio Atibaia no distrito de Sousas, onde Sanasa faz captação: estiagem ameaça manancial que abastece 95% da população de Campinas.
Quem esperava que a chuva dos últimos dois dias amenizasse a escassez de água em mananciais e reservatórios que abastecem a Região Metropolitana de Campinas (RMC), se frustrou. A precipitação não teve o efeito esperado no Sistema Cantareira, que continua em queda lenta, com 16,2% de sua capacidade.
A captação no Rio Atibaia, em Campinas (SP), ficou em 6,52 m3 por segundo em 25/07/14, ainda menor do que a média histórica de julho de 15,3 m3/s. Julho, até o dia 25, teve chuvas abaixo do normal em Campinas, mantendo 2014 como o ano mais seco da cidade em 26 anos. Apesar da frente fria que chegou à cidade em 24/07, o mês teve 24 milímetros de chuva, número bem abaixo dos 45 milímetros habituais para o período, segundo o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri).
Acumulado 
O ano teve 442,7 milímetros, quando a média histórica até o final de julho é de 860,8. A soma não levou em conta os seis últimos dias do mês, mas o meteorologista do Cepagri, Jurandir Zullo, afirmou que a possibilidade de chuvas até a agosto é praticamente nula.
Segundo Zullo, choveu nos dias 8, 9, 10, 11, 24 e 25 de julho, mas em quantidades muito pequenas. O mês, porém, não é o mais seco da história. Em 2008, não houve precipitações em julho, por exemplo. “A situação complicada da região em relação à estiagem pouco tem a ver com as chuvas de outono e julho, mas com a seca histórica e fora do comum durante o Verão, no início do ano”, explicou.
Impacto
O impacto da seca nos setores da agricultura e indústria serão sentidos até o final do ano, segundo o meteorologista. Uma das culturas que deve ter prejuízo histórico neste ano no Sudeste é a do café. A previsão para agosto é de normalidade em Campinas. A região Sul, no entanto, já está com chuvas acima do usual para o Inverno.
O coordenador de projetos do Consórcio das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), José Cezar Saad, afirmou que o principal efeito da chuva é ambiental, em relação à qualidade do ar, mas pouco influencia na vazão dos rios da região. “A chuva mal deu para a terra absorver direito, não consegue penetrar nos lençóis freáticos porque o solo está muito seco”, disse.
Temporário
Segundo Saad, a chuva aumenta a vazão apenas no dia da precipitação, mas depois de dois dias sem chover novamente, ela volta a ficar baixa. Para que a precipitação tivesse um feito positivo nos rios da região, seria necessário chover semanas seguidas.
Saad afirmou que o Consórcio encaminhou às prefeituras, indústrias e produtores rurais, abastecidos pela bacia, uma proposta para captação parcelada nos rios. A ideia é que cada setor retire água dos mananciais Capivari, Piracicaba, Jaguari, Jundiaí e Atibaia em horários diferentes do dia, e não ao mesmo tempo como é feito hoje. Cada grupo teria aproximadamente 8 horas para retirar o recurso mineral.
O objetivo é manter a vazão do rio elevada. “Seria um acordo para que os usuários compartilhem a captação entre si. Os setores vão enviar a resposta e, havendo um consenso, pretendemos implantar este rodízio de horas em agosto”, explicou o diretor. Se a resposta das empresas e administrações municipais forem positivas, o grupo chamará empresas que não fazem parte do Consórcio a também aderirem ao esquema. (correio.rac)

SP precisa racionar água

Procuradoria Federal recomenda racionamento de água em SP.
Claudio Tognolli comenta a recomendação do Ministério Público para evitar o colapso do Sistema Cantareira.
Sinuca de bico para Alckmin: Procuradoria Federal recomenda racionamento de água em SP, urgente.
Medida evitaria o colapso do Sistema Cantareira; estudo indica que água pode esgotar em 100 dias. Segue a nota do MPF, emitida: e que bota o governador Geraldo Alckmin em nó górdio: vai dizer não aos Procuradores?
O Ministério Público Federal em São Paulo recomendou ao governador Geraldo Alckmin e à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) que apresentem projetos para a imediata implementação do racionamento de água nas regiões atendidas pelo Sistema Cantareira. O objetivo é evitar um colapso do conjunto de reservatórios que abastece 45% da região metropolitana da capital.
A recomendação é consequência da maior crise hídrica do Estado. Um estudo de pesquisadores da Unicamp indica que o volume do Sistema Cantareira pode secar totalmente em menos de 100 dias. Apesar da situação delicada e da previsão de pouca chuva nos próximos meses, o governo de São Paulo descartou o racionamento e estabeleceu apenas a concessão de descontos a quem economizar água. A Sabesp chegou a propor o aumento da vazão para manter o abastecimento em níveis contínuos, mas o comitê anticrise que monitora a situação dos reservatórios rejeitou o plano.
Desde o dia 15 de maio, a Sabesp tem captado a água do chamado “volume morto”, ou seja, das camadas mais profundas dos reservatórios, pois os níveis regulares se esgotaram. Porém, neste estrato, estudos apontam maior concentração de poluentes, que incluem metais pesados, compostos orgânicos prejudiciais à saúde, bactérias, fungos e vírus. OUTORGA.
Medida evitaria o colapso do Sistema Cantareira
Embora a Sabesp seja uma empresa de capital misto, cujo maior acionista é o governo de São Paulo, o MPF tem atribuição para atuar no caso porque os recursos hídricos do Sistema Cantareira pertencem à União, que concede o uso para a companhia paulista. A última outorga de concessão data de 2004.
Na ocasião, a Sabesp assumiu o compromisso de apresentar estudos e projetos que viabilizassem a diminuição da dependência da região metropolitana em relação ao conjunto de reservatórios. No entanto, nada foi feito nesse sentido. A concessão em vigor venceria no próximo mês, mas devido à crise, foi prorrogada até outubro de 2015.
O governador Geraldo Alckmin e a Sabesp têm 10 dias para informar as providências a serem tomadas em relação à recomendação. O MPF não descarta a adoção de medidas judiciais caso o governo não atenda à medida. A recomendação insere-se em um inquérito civil público para apurar a crise hídrica. O procedimento está sob responsabilidade dos procuradores da República Adilson Paulo Prudente do Amaral Filho, Priscila Costa Schreiner e Suzana Fairbanks Oliveira Schnitzlein, que oficiam no Grupo I – Meio Ambiente, Patrimônio Cultural e Populações Tradicionais – do MPF na capital" (yahoo)

domingo, 27 de julho de 2014

Agência apura racionamento informal à noite

Responsável por fiscalizar o serviço de abastecimento de água no Estado, a Agência Reguladora de Saneamento e Energia de São Paulo (Arsesp) investiga se a Sabesp está fazendo racionamento informal à noite. A apuração começou em abril, quando o Estado revelou que a companhia paulista estava reduzindo em até 75% a pressão da água na rede durante a madrugada, deixando imóveis sem água, como os bares da Vila Madalena, na zona oeste da capital.
Segundo a Arsesp, as queixas de falta d'água à noite cresceram nesse período e a investigação partiu de uma denúncia feita por um cliente em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. Medições paralelas feitas pela agência já mostraram que durante alguns dias a pressão da água na residência foi nula. De acordo com a Arsesp, novos levantamentos estão sendo feitos em outras regiões para se constatar se há prática de racionamento informal. Antes de fazê - lo, a Sabesp é obrigada a comunicar a agência e decretar oficialmente a medida. A companhia, contudo, nega que a redução da pressão seja rodízio noturno e diz que a prática segue as normas técnicas e tem como objetivo reduzir o índice de perdas na rede no período noturno, em época de crise de estiagem. (OESP)

Sabesp garante caminhões-pipa

Sabesp amplia uso de caminhão-pipa em casos de corte.
Contratos para distribuição emergencial de água potável foram ampliados.
Foram ao menos três contratações, no valor de R$ 2,25 milhões, desde fevereiro, para atender imóveis na Grande São Paulo e interior.
Sabesp amplia uso de caminhão-pipa em casos de corte
Embora negue a existência de racionamento nas cidades onde opera, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) ampliou durante a crise de abastecimento no Estado os contratos para distribuição emergencial de água potável por caminhão-pipa. São ao menos três contratações, no total de R$ 2,45 milhões, feitas desde fevereiro, para atender imóveis da Grande São Paulo e do interior em casos de cortes no fornecimento pela rede da concessionária.
O contrato mais recente foi assinado há dez dias, no valor de R$ 1,84 milhão por um ano, para abastecimento emergencial de água na região sul da capital paulista, que é predominantemente atendida pelo Sistema Guarapiranga. Embora não esteja com nível crítico de armazenamento, a represa tem socorrido bairros que eram abastecidos pelo Sistema Cantareira, como Brooklin, Jabaquara (zona sul) e Pinheiros (zona oeste). Segundo a Sabesp, são essas “manobras operacionais” na rede que provocam falta d’água em imóveis da região, conforme o Estado relatou em abril.
Em fevereiro, logo após anunciar publicamente a crise hídrica no Cantareira e lançar o programa de bônus para estimular a população a economizar água, a Sabesp já havia contratado caminhão-pipa por R$ 475 mil também na região sul da Grande São Paulo. Os dois serviços são executados pela Aguamar Transportes, que fornece para indústrias, comércios e órgãos públicos. Em abril, a companhia já havia firmado contrato de R$ 144 mil para distribuição terceirizada na região de Jundiaí, que é abastecida pelo Cantareira e também sofre com a estiagem histórica do principal manancial paulista.
Com o contrato em vigor desde o fim de outubro do ano passado para atender imóveis da região oeste da Grande São Paulo, a Sabesp tem hoje ao menos R$ 5 milhões em contratações para distribuição emergencial de água nas áreas afetadas pela crise hídrica histórica. Segundo levantamento feito pelo Estado, os contratos feitos recentemente chegam a ser duas vezes mais caros do que os realizados nos anos anteriores.
Conforme a Sabesp, os contratos de caminhões-pipa “são rotineiros para atender a situações de paradas programadas ou não e fazem parte do planejamento da companhia”. Como exemplo, a empresa informa que os veículos são acionados “quando há queda de energia em uma região, o que compromete o bombeamento da água e, portanto, o abastecimento em escolas, hospitais e creches”. E afirma que “não há região com falta d’água”.
Mananciais
Além dos caminhões-pipa, a Sabesp tem recorrido ao volume morto do sistemas Cantareira, que enfrenta grave crise de seca, para manter o abastecimento sem ter de decretar racionamento oficial. Ontem, contudo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) desmentiu a companhia sobre a previsão de uso do volume morto do Alto Tietê já a partir do próximo mês. 
“Nós nem pretendemos usar. Nem em agosto nem em setembro nem outubro. Mas é preciso deixar tudo preparado”, disse Alckmin. No início da semana, a Sabesp havia informado que, “caso seja necessário”, poderia retirar 10 bilhões de litros da reserva profunda da Represa Biritiba-Mirim já em agosto.
No mês passado, foi Alckmin quem negou a possibilidade de usar mais uma cota do volume morto do Cantareira, que já opera apenas com a reserva profunda. Logo depois, a Sabesp pediu aos órgãos reguladores autorização para captar cerca de 100 bilhões de litros adicionais. (OESP)

sexta-feira, 25 de julho de 2014

A farsa do superaquecimento e a ideologia do mar vai virar sertão

Não chove nem a pau. Água racionada. Geraldo Alckmin implorando que os argentinos fossem chorar na Serra da Cantareira.
O quadro é ideal para dizer que o mundo vai acabar em seca: o mar vai virar sertão.
Claudio Tognolli comenta a seca em São Paulo e como o aquecimento global virou um “produto” em todo o mundo.
Há em tudo isso uma nova ideologia corrente. Ela é perpetrada pelos países já desenvolvidos: anseiam que nações ainda em desenvolvimento, como o Brasil, sejam eternos exportadores de matérias-primas. A melhor forma de hipnotizar os jovens é a distribuição da ideia de que o superaquecimento global é gerado tão-somente pela cadeia da produção industrial e a consequente poluição. Isso tem dado certo.
Egípcios tornaram o gato um deus porque este lhes devorava os ratos (de resto, tecnicamente os maiores inimigos de uma sociedade cuja economia repousava na produção dos grãos que os ratos amavam devorar).
O adolescente brasileiro, sobretudo o “universotário”, passou a adorar o agrobrega, o sertanojo. E elevar ao status de deuses os artistas dessa cepa, como os egípcios fizeram com os gatos. Não é de espantar: em sociedades baseadas na exportação de grãos, os deuses têm de ser artistas ligados ao campo (ou a aquilo que José Bonifácio de Andrada e Silva chamava de “terras de vastos desertos e charnecas”).
Era isso que os gringos, sobretudo norte-americanos e bretões, queriam: que louvássemos o campo e o não desenvolvimento industrial. Não é para me nos que ex-vice dos EUA fez livro e filme sobre o superaquecimento. Não é para menos que o Príncipe Charles é um dos patronos da WWF, a ONG dos pandas bonitinhos.
Poucas vozes denunciam a farsa que é dizer que o superaquecimento é gerado apenas pelas indústrias.
Uma delas é Luiz Carlos Molion, doutorado em meteorologia, formado na Inglaterra e nos EUA, membro do Instituto de Estudos Avançados de Berlim, representante do Brasil na Organização Meteorológica Mundial.
Vamos a umas colocações dele:
«O Grupo intergovernamental sobre a evolução do clima (GIEC) afirma que as concentrações de CO2 atingidas em 2005, de 339 ppm (partes por milhão), são as maiores dos últimos 650 000 anos. É ridículo.
Ao longo dos últimos 150 anos, já atingimos 550 ppm e até 600 ppm.
Estarão a recuperar medos antigos? Tenho imagens de uma manchete do Time anunciando, em 1945: «O mundo está a derreter». Depois, em 1947, os títulos anunciavam o regresso de um período de glaciação. Hoje em dia, fala-se de novo de aquecimento. Não quero dizer que os eventos sejam cíclicos, a verdade é que os fatores que afetam a meteorologia terrestre são muito numerosos.
Trata-se de uma atitude neocolonialista: o domínio exerce-se através da tecnologia, da economia, e hoje em dia, também através de um terrorismo climático representado por essa ideia de aquecimento global.
Atualmente existem muitos fundos à disposição dos especialistas que defendem a tese do aquecimento do planeta. Esses fundos proveem de governos que cobram impostos a sectores industriais que são partes interessadas neste negócio. São muitos os cientistas que se vendem para ver os seus projetos aprovados.
Outra explicação técnica dele, contra a ideia de que as ações humanas são responsáveis pela geração de carbono (CO2) em excesso na atmosfera.:
“Os fluxos naturais de CO2, aqueles gerados por oceanos, solo, biota, etc., equivalem a 200 bilhões de toneladas por ano; já o fluxo antropogênico é de apenas 7 bilhões de toneladas por ano. Ou seja: só 3% do fluxo de CO2 produzido naturalmente”, disse ele, na palestra realizada hoje no auditório da UNOESC, durante o II Congresso Sul Americano de Energias Renováveis e Meio Ambiente, na cidade de Xanxerê (SC). Esta estória de efeito estufa foi nasceu a partir de previsões catastrofistas retiradas de ‘modelos climáticos’ criados para evitar que os países pobres usem energia e se desenvolvam… o clima do planeta está mudando por causas naturais. Mas não está aquecendo. As alterações indicam um resfriamento global devido à entrada do sol num período de baixa atividade até 2032″.
Outros vozes
Gildo Magalhães dos Santos Neto, da História, e Aziz Ab Saber, da Geografia, ambos da USP. Fatores extra Terra conduzem ao superaquecimento: como as fases de hiper expansão do sol, a cada seis mil anos, como a que ora vivemos. Os vikings, antes de descerem Mar do Norte abaixo, paravam, para construir seus barcos, num local chamado Terra Verde, por acaso Groenlândia, que vem de “Green Land”. A natureza na Terra Verde era laboriosa em construir madeiras de primeira cepa. Mas ela se congelou. Uai: por que se congelou? A quem interessa dizer que a Terra pode acabar por superaquecimento gerado por fatores apenas “internos”? Interessa a uma elite neoliberal. Há 80 anos começaram a tramar a ideia de que oferecer um literal e figurativo fim do mundo pelo superaquecimento era a forma de congelar os futuros países desenvolvidos. Queriam, e ainda querem, que Brasil, Índia e China sejam eternos exportadores de matéria prima. Trata-se da mais nova velha ideologia: fazer o povão engolir goela abaixo que o desenvolvimento já atingiu os seus limites. Querem ver na Amazônia um território “internacional”. Eis todo o babalaô do ex-vice dos EUA, Al Gore, com aquela cascata (comprada por ele de uma assessoria de imprensa), lastreado em seu “Uma verdade inconveniente”.
Os ideólogos
Veja você: até James Lovelock, criador da famosa Hipótese Gaia (segundo a qual o ser humano é um dos “órgãos” do corpo que é a Mãe Terra), agora defende a energia nuclear. E expõe ao osso os babacas do Partido Verde (que usam em suas propagandas políticas os moinhos de vento eólicos). Saiba você: um moinho de vento eólico consome dez mil toneladas de concreto para ser construído. Em toda a sua existência, o moinho de vento eólico jamais produzirá energia limpa que compense a poluição gerada para poder produzir as milhares de toneladas de concreto que o erigiram.
Toda essa babaquice da preservação da terra a todo o custo foi lentamente engendrada por um bando de intelectuais “New Age”. O trabalho não é novo, mas com subprodutos novíssimos. Têm epígonos famosos e antigos. Datam da Escola de Copenhaque: composta de físicos que defendiam que a base do universo é o “caos”. E já que o caos é imutável, referem não nos resta modificar nada: apenas surfar o caos. Físicos como Wolfgang Pauli, Niels Bohr, o filósofo Bertand Russell, deram as mãos com o misticismo de Jung: vindicavam que deveríamos adotar o Taoísmo como preceito fundamental. Justamente o Taoísmo que, ao contrário do confucionismo (uma teoria da ação) prevê o que os chineses chamam de “wu wei”, ou não ação. Defendiam a meditação. Postulavam que a natureza resolve as coisas “sozinhas” - justamente o que os neoliberais pregam a existência da “mão invisível” do mercado, tão defendida por Adam Smith. Todos esses novos profetas, da preservação da Terra, supõem-se místicos do caos. Grandes intelectuais do Primeiro Mundo há anos estão envolvidos na ideologia que tenta engessar, com esse tipo de droga, o desenvolvimento do parque industrial de nações emergentes, como o Brasil.
Pauli
É necessário aqui fazer uma pausa sobre o guru dessa moçada, Wolfgang Pauli, de resto o pensador predileto de Fritjof Capra, autor do incensado “O Tao da Física”.
Veja a barbaridade que chegou a resgatar. Para os neoplatônicos, a causa de todas as mudanças era a anima mundi, a alma do mundo. As ciências experimentais do renascimento e a ideia da causalidade substituíram a anima mundi. A divisão entre alma e matéria é posta em caixa alta por Descartes, que passa a distinguir nitidamente a “substância pensante” (recogitam) e substância caracterizada pela sua extensão no espaço, ou matéria (res extensa). Wolfgang Pauli passa a tentar destruir o cartesianismo. Diz que a teoria dos quanta substituiu isso, referindo que cada sistema individual é substancialmente livre e não sujeito a leis. É o que ele chama de “irracionalidade do real”. Pauli volta ao medieval pré-cartesiano. Refere que é necessário voltarmos ao irracional para que se fuja dos a priori. Nesse sentido, disse: “Temos de tentar despir a túnica de Nesso que a revolução do século XVII teceu. É tempo de reconhecer o elemento irracional da realidade e o lado obscuro de Deus”. Karl Jung, de resto coautor de Pauli, torrou sua existência em tentar fazer crer a todos que a psicanálise e o oculto poderiam ser duas faces da mesma moeda, cujos destinos seriam loucamente prefixados por um universo essencialmente caótico e não linear. As tentativas de Pauli, junto a Jung, de tentar nivelar, lado a lado, a pulsões do Id com certo “livre-arbítrio” dos elétrons, consistiram numa potente tentativa de retorno ao mundo pré-cartesiano da anima mundi. E Einstein, ao ver tudo isso, escreveu: “Não posso suportar a ideia de que um elétron exposto a um raio de luz possa, por sua própria e livre iniciativa, escolher o momento e direção segundo a qual deve saltar. Se isso fosse verdade, preferia ser sapateiro ou até empregado de uma casa de jogos em vez de ser físico”.
Em 1968 o industrial italiano Aurelio Peccei fundou o Clube de Roma, quando se falou a primeira vez em desenvolvimento sustentável. (veja aqui http://pt.wikipedia.org/wiki/Clube_de_Roma) Por que você acha que o Príncipe Charles, e outros milionários de países de primeiro mundo, são patrocinadores e padroeiros do WWF? Porque a nova ideologia faz uso de ongueiros preservadores da natureza para drogar jovens com a febre anti-desenvolvimentista.
Lembremos que Neil Young, que há 4 anos saiu nas Páginas Amarelas de Veja, veio aqui no Festival SWU com um único papel: ele é agente do “capetalismo” internacional, contra o desenvolvimento do parque industrial brasileiro. (yahoo)

Seca na hidrovia Tietê-Paraná

Seca na hidrovia Tietê-Paraná provoca demissões em SP
Baixo nível do Rio Tietê impede o transporte de grãos pela hidrovia.
Sem ter como trabalhar, muitas empresas estão demitindo os funcionários.
A estiagem que castiga a região Sudeste está impedindo o transporte de grãos pela hidrovia Tietê-Paraná. Sem ter como trabalhar, muitas empresas estão demitindo os funcionários.
Os empurradores que levam as barcaças com farelo de soja, grãos e celulose pela hidrovia Tietê-Paraná estão estacionados há várias semanas no centro-oeste paulista. Esta é a pior crise enfrentada pelo setor.
Em alguns trechos, o Rio Tietê está cinco metros mais baixo, além disso, os representantes das empresas de navegação alegam que as hidrelétricas dão preferência à geração de energia e deixam a navegação em segundo plano.
No noroeste de São Paulo, as embarcações não podem navegar porque correm risco de encalhar. O último comboio carregado com soja que veio de Goiás, chegou ao Porto Intermodal de Pederneiras em maio e, por enquanto, não há expectativa de chegada de outras embarcações.
A hidrovia Tietê-Paraná tem 2,4 mil quilômetros de extensão e interliga os estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná. Só no ano passado, 6 milhões de toneladas foram transportadas pela hidrovia. 
O engenheiro José Gheller trabalha em uma empresa que constrói embarcações. O grupo transportava 300 toneladas por mês, mas sem serviço por causa da restrição da navegação, 500 funcionários já foram demitidos. Caso a situação persista, outros 2,5 mil empregados poderão perder a vaga de trabalho.
Um galpão com 6 mil metros quadrados foi construído no ano passado para armazenar celulose que chegava pela hidrovia e era transportada para os trens. Hoje a estrutura está vazia. O administrador Jânio Arruda conta que a empresa investiu na compra de 112 vagões e cinco locomotivas para transportar a celulose que seguia de trem ao Porto de Santos. A expectativa foi frustrada. A empresa esperava transportar 1 milhão de toneladas este ano, mas só conseguiu movimentar 120 mil toneladas e os 70 funcionários do Porto Intermodal foram dispensados. (g1)

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Lâmpadas fluorescentes: quem pagará o custo da reciclagem?

“Preocupação com a destinação e a informação acerca das lâmpadas veio em um momento posterior ao uso delas”, critica a professora.
Apesar de o uso de lâmpadas fluorescentes ter contribuído para o processo de economizar energia no Brasil, a política adotada pelo governo e pelo setor energético não teve “a preocupação de estruturar uma logística que contemplasse a informação sobre a reciclagem das lâmpadas”, critica Marta Tocchetto, que adverte para os riscos que a falta de reciclagem pode causar ao meio ambiente e à saúde. “A maioria das pessoas ainda não tem informação em relação aos riscos oferecidos pelas lâmpadas fluorescentes, não sabe como destinar adequadamente essas lâmpadas, como acondicioná-las até o momento do descarte, nem onde entregar esse material”, assinala, na entrevista a seguir, concedida por telefone à IHU On-Line.
Graduada em Química e especialista em tratamento de resíduos industriais, Marta Tocchetto explica que as lâmpadas fluorescentes são compostas de mercúrio e chumbo, e que a preocupação com a contaminação delas “reside no efeito cumulativo do mercúrio, o qual, presente no meio ambiente, poderá desencadear problemas daqui a 20, 30 anos, porque ele interage com a água, com o solo, contamina microrganismos que poderão servir de alimento para peixes, vai se depositar no fundo de corpos hídricos, etc”. Segundo ela, “apesar da vigência da Política Nacional de Resíduos Sólidos - PNRS desde 2010, que estabelece a possibilidade de o consumidor devolver a lâmpada que esgotou a sua vida útil ao local onde foi comprada, na prática isso não acontece. Nesse sentido, as políticas buscam atender uma necessidade pontual; não se inter-relacionam com as outras questões”.
Marta Tocchetto pontua ainda que somente 6% das lâmpadas fluorescentes são recicladas e as restantes são encaminhadas ou para aterros sanitários ou para lixões, agravando a possibilidade de contaminação. O baixo percentual de lâmpadas recicladas é explicado pelo custo e pelas poucas empresas que realizam o processo de descontaminação. “Esse processo tem um custo, a começar por contratar uma empresa que faça esse serviço. Assim, o custo da reciclagem, sem considerar a questão do transporte da lâmpada, fica em torno de 60 centavos, às vezes até mais devido à distância. A questão, nesse sentido, é quem vai pagar esse custo. O consumidor está disposto a pagar esse custo? O fabricante está disposto a absorver esse custo? Como isso vai ser equacionado?”, questiona.
Marta Tocchetto é graduada em Química Industrial e mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Maria – UFSM e doutora em Engenharia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Atualmente é membro da Diretoria da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – seção RS e professora da UFSM.
IHU On-Line – Quais são os danos que as lâmpadas fluorescentes podem causar ao meio ambiente e à saúde?
Marta Tocchetto - A questão das lâmpadas fluorescentes está bastante associada à presença de metais pesados na constituição da lâmpada, principalmente o vapor de mercúrio que preenche os tubos de vidro. O mercúrio é um metal que tem muitos efeitos tóxicos, um metal acumulativo, ou seja, vai se acumulando no organismo, e à medida que a absorção vai sendo maior, os efeitos também serão sentidos. Além disso, ele é teratogênico, mutagênico, pode trazer problemas de mau desenvolvimento fetal e diversos problemas no organismo do indivíduo que for contaminado. No meio ambiente, causa efeitos tóxicos similares no momento em que é absorvido por outros organismos vivos, e é a partir dessa absorção que ele acaba ingressando na cadeia alimentar e vindo a atingir o homem. Quando ele atinge os níveis mais altos da cadeia alimentar, seu efeito tóxico ainda é potencializado. Por isso, o mercúrio é um metal que tem um efeito de biomagnificação, porque, ao atingir os níveis mais altos da cadeia trófica, vai se fazendo sentir uma toxicidade maior.
Então, a discussão acerca das lâmpadas fluorescentes reside em oferecer descarte e destinação adequados, de tal maneira que esse risco seja minimizado. Além do mercúrio, as lâmpadas fluorescentes também têm a presença do chumbo, que é usado nas soldas, um metal pesado que oferece danos significativos à saúde. Esses motivos justificam a reciclagem das lâmpadas, além do fato de os diversos materiais que a compõem, como o próprio vidro e os metais utilizados como componentes, serem passíveis de reciclagem.
IHU On-Line – Quando as lâmpadas fluorescentes começaram a substituir as incandescentes, essas questões de riscos toxicológicos não foram consideradas?
Marta Tocchetto - Essa é a principal questão que sempre aparece nas políticas adotadas: as medidas nunca são vistas de uma forma holística, integral. Então, por exemplo, nesse caso específico, com a problemática da questão energética e o apagão que ocorreu em meados dos anos 2000, houve uma política de governo do setor energético de adotar medidas que pudessem economizar energia — logicamente é comprovado que as lâmpadas fluorescentes são mais econômicas em termos energéticos do que as lâmpadas comuns. Mas, por outro lado, não houve a preocupação de estruturar uma logística que contemplasse a informação sobre a reciclagem das lâmpadas. A maioria das pessoas ainda não tem informação em relação aos riscos oferecidos pelas lâmpadas fluorescentes, não sabe como destinar adequadamente essas lâmpadas, como acondicioná-las até o momento do descarte, nem onde entregar esse material.
A população obviamente atendeu ao chamado com relação à mudança das lâmpadas comuns para as lâmpadas fluorescentes e começou a aumentar o número e a quantidade desses resíduos no meio ambiente e, logicamente, os problemas começaram a se tornar significativos. A preocupação com a destinação e a informação acerca das lâmpadas veio em um momento posterior ao uso delas. Até hoje, a grande maioria das pessoas, ao trocar uma lâmpada na sua residência, não tem onde entregá-la, porque a maioria das empresas não quer recebê-las. Então, apesar da vigência da Política Nacional de Resíduos Sólidos - PNRS desde 2010, que estabelece a possibilidade de o consumidor devolver a lâmpada que esgotou a sua vida útil ao local onde foi comprada, na prática isso não acontece. Nesse sentido, as políticas buscam atender uma necessidade pontual; não se inter-relacionam com as outras questões.
IHU On-Line – Há relatos de casos de contaminação ambiental e de seres humanos por conta das lâmpadas fluorescentes?
Marta Tocchetto - Não tenho nenhum conhecimento específico, porque dificilmente é feito um descarte muito grande em um determinado local. As empresas, por conta da fiscalização mais exigente e eficiente, pagam outras empresas que fazem a descontaminação. Contudo, a preocupação com a contaminação das lâmpadas fluorescentes reside no efeito cumulativo do mercúrio que, presente no meio ambiente, poderá desencadear problemas daqui a 20, 30 anos, porque ele interage com a água, com o solo, contamina microrganismos que poderão servir de alimento para peixes, vai se depositar no fundo de corpos hídricos, etc.
Nesse sentido, a preocupação reside nos efeitos do mercúrio a longo prazo, diferentemente do que acontece, por exemplo, se pensarmos na questão do mercúrio em uma região de garimpo — principalmente garimpos clandestinos, onde esse controle não é feito —, porque ali se usa mercúrio para separar o ouro do rejeito, e essa quantidade de mercúrio é aleatória e boa parte acaba sendo jogada no meio ambiente. Nesse tipo de atividade, o perigo se manifesta em um tempo muito menor, porque há uma concentração elevada de mercúrio.
Passivo Ambiental
Nesse sentido, a preocupação com as lâmpadas fluorescentes reside na possibilidade desse passivo ambiental. Cerca de 50% dos municípios brasileiros descartam seus resíduos em aterros sanitários, e a outra metade os dispõem em lixões. Lixões são áreas onde esses resíduos ficam em contato com o solo, com águas superficiais, com águas subterrâneas, com lençol freático, sem controle do acesso de pessoas, de animais, sem preocupação com a cobertura desse resíduo que é posto ali. Então, imagine a sinergia e as reações químicas que acontecem em um ambiente como esse, onde todos os resíduos são misturados. As lâmpadas, como não estão indo para a reciclagem, são encaminhadas ou para aterros sanitários, inadequadamente — nos municípios em que essa destinação existe —, ou para lixões, trazendo todos esses riscos e a possibilidade de contaminar algum rio. Então, a preocupação com as lâmpadas se deve ao efeito a longo prazo desse passivo ambiental decorrente da destinação inadequada, principalmente em virtude da presença do mercúrio.
IHU On-Line – Como é feita a destinação das lâmpadas fluorescentes hoje no Brasil? Por que somente 6% das lâmpadas são recicladas?
Marta Tocchetto - A destinação correta dessas lâmpadas fluorescentes leva em conta, em primeiro lugar, o acondicionamento, para que elas não quebrem e não contaminem, porque, no momento em que a lâmpada quebra, o vapor de mercúrio que está dentro do tubo de vidro pode contaminar o ambiente de quem, porventura, tenha aspirado o ar contaminado de mercúrio.
As empresas, como têm uma geração de energia maior, contratam uma empresa que faz a descontaminação das lâmpadas. No estado do Rio Grande do Sul não há empresas que façam a descontaminação. Existem aquelas que fazem o recolhimento, a coleta, o armazenamento e encaminham as lâmpadas para outras empresas que fazem esse processo, em Santa Catarina e em São Paulo. Nesse processo de descontaminação, são retirados os componentes das lâmpadas, é separado o vapor de mercúrio, o qual é retirado, armazenado e recuperado em um ambiente fechado de tal maneira que não seja disperso no meio ambiente. Esse mercúrio, que é separado do vidro, separado da poeira fosforosa que recobre o tubo de vidro, que também está contaminado com mercúrio, sofre um processo de destilação, em que o mercúrio que está impregnado na poeira ou no vidro passa para o estado gasoso, vaporiza e depois é condensado. Com esse processo, se obtém, novamente, o mercúrio metálico, que será utilizado para fabricar novas lâmpadas ou outros equipamentos. O vidro e a poeira fosforosa podem ser utilizados na indústria cerâmica, na fabricação de outras lâmpadas e na indústria de vidro. A parte metálica, as soldas e a parte de alumínio também são separadas para a reciclagem. Assim, praticamente a totalidade dos componentes das lâmpadas fluorescentes, 99%, é reciclável.
Então, além de ser ambientalmente incorreto não reciclá-las, é absolutamente incoerente em um momento em que nós retiramos da natureza as matérias-primas para a fabricação dos vidros, de ligas metálicas, etc. Nesse sentido, o processo de reciclagem vem ao encontro de evitar o desperdício dos recursos naturais e também evitar todos esses riscos que comentamos em relação à contaminação ambiental e à contaminação dos seres vivos.
IHU On-Line – É possível estimar que percentual de lâmpadas fluorescentes se utiliza no Brasil? Em contrapartida, ainda se utilizam muitas lâmpadas incandescentes?
Marta Tocchetto - As lâmpadas incandescentes estão com a vida contada; em 2015 não serão mais fabricadas. As lâmpadas halógenas e as fluorescentes deverão substituir essas lâmpadas. Há mais de 80 milhões de lâmpadas utilizadas no Brasil anualmente, e esse número aumenta em função de novas construções, novos empreendimentos.
IHU On-Line – Qual é o custo da reciclagem dessas lâmpadas?
Marta Tocchetto - Esse processo de reciclagem que comentei tem um custo, a começar por contratar uma empresa que faça esse serviço. Assim, o custo da reciclagem, sem considerar a questão do transporte da lâmpada, fica em torno de 60 centavos, às vezes até mais, dependendo da distância. A questão, nesse sentido, é quem vai pagar esse custo. O consumidor está disposto a pagar esse custo? O fabricante está disposto a absorver esse custo? Como isso vai ser equacionado? O baixo índice de reciclagem das lâmpadas reside na questão do custo para reciclar esses produtos.
IHU On-Line – O que aponta a Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS em relação à reciclagem das lâmpadas fluorescentes e incandescentes? Por que os fabricantes das lâmpadas fluorescentes não realizam a coleta das lâmpadas, como determina da PNRS?
Marta Tocchetto – A Política Nacional de Resíduos Sólidos estabeleceu a obrigatoriedade do estabelecimento de estratégias de logística reversa para alguns resíduos, dentre os quais, as lâmpadas fluorescentes, justamente por todo esse problema que já comentei. Então, é necessário que se tenha uma destinação adequada e que o consumidor — o qual é responsável por um descarte pequeno — tenha para onde encaminhar essas lâmpadas, porque hoje, mesmo que ele queira pagar para que seja feita a descontaminação das lâmpadas, não há essa opção, porque essa logística não está montada.
A PNRS vem ao encontro dessa preocupação e pressupõe que todos os atores envolvidos nessa cadeia, desde o fabricante ao importador, do distribuidor ao consumidor, tenham responsabilidade para que a lâmpada, no momento em que não tiver mais condições de uso, volte ao início do ciclo produtivo. É isso que significa essa visão circular e não linear. Hoje o sistema produtivo tem uma visão absolutamente linear, a responsabilidade do fabricante, do distribuidor, do importador vai até a distribuição. Depois que essa lâmpada for comprada, o problema não é mais do fabricante. Isso não pode ser assim; tem de haver uma responsabilização. Mas para que isso aconteça é necessário que haja um acordo entre todos os elos da cadeia, porque, mesmo que a lâmpada seja recebida num estabelecimento, não temos a garantia de que ela será verdadeiramente encaminhada para reciclagem, pelo fato de que às vezes a loja — até para se ver livre da insistência — recebe a lâmpada e depois a coloca no lixo. Isso acontece com frequência. Então, enquanto não houver uma normativa que responsabilize a reciclagem de forma legal, a reciclagem obrigatória não vai acontecer.
Nesse sentido, os acordos setoriais são os instrumentos que vão garantir o estabelecimento da logística reversa. O Ministério do Meio Ambiente, que é responsável pelo lançamento desses editais, assinou, na semana passada, o acordo setorial das lâmpadas fluorescentes e das embalagens. Apesar de as embalagens não estarem como obrigatórias dentro do estabelecimento da logística reversa, é sabido que elas são um problema seríssimo não só em função da quantidade, mas em relação ao apelo do consumo.
Possibilidades
Outro ponto importante a ser discutido, o qual está tramitando no Congresso, é a redução dos impostos para as empresas que fazem a reciclagem de lâmpadas fluorescentes. Essa contrapartida é interessante, porque os fabricantes de lâmpadas podem utilizar essa redução do valor dos impostos para dar destinação correta às lâmpadas. A reciclagem só vai acontecer de fato quando tiver matéria-prima suficiente para que haja estímulo de empreendimentos se instalarem utilizando o material que é descartado. A redução de incentivo a partir da redução dos impostos é uma contrapartida que o governo pode dar, estimulando o crescimento do setor, que hoje é muito pequeno.
IHU On-Line – Quantas empresas de reciclagem dessas lâmpadas existem no país?
Marta Tocchetto - Deve haver umas três ou quatro em São Paulo; em Santa Catarina tem uma ou duas, ou seja, são poucas empresas que desenvolvem esse trabalho. O problema está no rigor da legislação para a implantação deste tipo de empreendimento. Nós estamos falando de empreendimentos que vão trabalhar com mercúrio, com vapor de mercúrio, que é um metal que passa para o estado gasoso em uma temperatura relativamente baixa, 350-357 graus célsius. Isso significa que a possibilidade de uma empresa de descontaminação de reciclagem de lâmpadas ter problemas operacionais e, com isso, ter emissões fugitivas de vapor de mercúrio, é algo muito possível. Então, o custo para a implantação deste tipo de empreendimento é muito alto, em razão dos equipamentos de proteção atmosférica, dos equipamentos para evitar os riscos com relação ao processo que é executado, etc.
IHU On-Line – Qual modelo de lâmpada economiza energia e causa menos danos ambientais e à saúde?
Marta Tocchetto – As lâmpadas de “led” têm uma vida útil maior que as fluorescentes, não têm mercúrio, mas têm arsênio. Nesse sentido, não existe nada que seja absolutamente inócuo, nem a nossa presença no planeta é inócua; nós causamos impactos pelo simples ato de respirar. Então, qual é a saída? É aumentar a vida útil dos produtos, quer dizer, no momento em que se aumenta a vida útil de um produto, ele vai se tornar lixo em um futuro mais distante. Agora, também temos de levar em conta que nós vivemos em um sistema onde a obsolescência é um fator importante dentro das estratégias de negócio. O incentivo do consumo e a obsolescência programada são uma realidade. Por outro lado, o mercado não tem essa preocupação tão evidente quanto nós temos enquanto consumidores. O mercado necessita de mais consumo para que esse modelo tradicional de economia possa girar.
Não vamos encontrar algo que mantenha o nosso padrão de consumo altamente insustentável sem impactar o meio ambiente, ou seja, o aumento de consumo está diretamente relacionado a impactos ao meio ambiente. O que vamos fazer? Colocar panos quentes aqui e ali, e assim vamos equilibrando. Nós teremos, sim, soluções que poderão prolongar a vida útil das lâmpadas, que são uma vantagem, mas não é a solução 100%. A solução — e a melhor forma de não termos problemas - é reduzir o consumo, ou refletir melhor sobre as nossas relações de consumo. (ecodebate)

SP terá sacos de lixo diferentes para recicláveis

Embalagem será com plástico processado pelas 4 usinas que a cidade deve ter até 2016.
Parte do dinheiro arrecadado com reciclagem será usado para incrementar renda dos trabalhadores das cooperativas.
Para organizar melhor a coleta seletiva de São Paulo, a prefeitura está desenvolvendo um novo tipo de saco de lixo, específico para abrigar os resíduos secos que devem ser reutilizáveis, como explica o secretário municipal de Serviços, Simão Pedro.
— Estamos fazendo os testes com tipos de material, mas ainda vamos definir a cor.
Ainda segundo o secretário, os sacos devem ser produzidos com plástico processado pelas quatro usinas que a cidade deve ter até 2016.
— Esses recipientes devem trazer as instruções de como separar os resíduos.
A proposta já aplicada em outras cidades do mundo.
Os sacos são apenas uma das utilidades do material processado nas usinas. Orçada em R$ 36 milhões, a central aberta hoje tem previsão de render R$ 1,6 milhão por mês com a venda do material reciclado. Parte do dinheiro servirá para manter a usina, cujos gastos de custeio mensal são da ordem de R$ 300 mil, segundo Simão Pedro. Outra parte servirá para incrementar a renda dos trabalhadores das cooperativas. Mas o dinheiro também será destinado a um fundo criado para estimular a coleta seletiva.
Esse fundo ainda vai receber recursos de empresas que têm de fazer a chamada "logística reversa" — cumprem a obrigação legal de reaproveitar os resíduos sólidos na cadeia produtiva. A prefeitura já fechou convênios, homologados pelo Ministério do Meio Ambiente, com os setores de embalagens e de lâmpadas. Os recursos devem viabilizar a construção de mais usinas ou estimular usinas de compostagem domésticas, reduzindo também os detritos orgânicos. (r7)

SP já pode reciclar mais lixo do que coleta

Usina, na zona sul, faz parte de um plano que prevê mais duas usinas até o fim de 2016.
A prefeitura inaugurou em 16/07/14 a segunda usina de triagem de material reciclado da cidade com a promessa de, pela primeira vez, ter uma capacidade instalada de processar mais material reciclável do que a quantidade de lixo separada pelo paulistano. A usina, que fica em Santo Amaro, zona sul, faz parte de um plano que prevê mais duas usinas até o fim de 2016.
Triagem na Central Mecanizada de Triagem na Zona Sul de SP
A partir de agora, mais oito distritos também terão coleta seletiva - dos 96, 67 já tinham.
A primeira usina foi aberta há um mês, na Ponte Pequena, região central.
Até hoje, São Paulo tinha convênios com 21 cooperativas de catadores para a separação do material reciclável. Para separar os resíduos e devolvê-los à indústria, essas pessoas abriam os sacos de lixo reciclável e separavam, no olho ou com ajuda de maquinário simples, cada tipo de material.
As duas novas usinas fazem a separação do material de acordo com a dimensão dos resíduos e leitores óticos para organizar os detritos, dando um ganho de produtividade muito maior ao processo -  as cooperativas conseguiam separar 250 toneladas de resíduos por dia, mesma quantidade separada por usina. Assim, a capacidade diária de processamento dos resíduos da cidade chega a 750 toneladas/dia, como explica o prefeito Fernando Haddad (PT).
- Quando as outras duas usinas estiverem prontas, vamos superar a meta que tínhamos de reciclar 10% do lixo da cidade. Essas usinas usam tecnologia do século XXI. São as mais modernas da América Latina.
Haddad disse ainda que a capacidade de reciclagem na capital paulista vai aumentar. 
- A população desconfiava com razão da coleta seletiva porque não havia capacidade de processamento. O morador separava mais do que a capacidade das centrais manuais. Então uma parte dos resíduos era misturada nos aterros, porque não havia capacidade de processamento.
Com a inauguração da nova usina, o quadro mudou, segundo argumenta o prefeito.
- Teremos mais capacidade de processamento hoje do que o material que os moradores separam. A oferta de serviço passa a ser maior do que a demanda.
Assim, o foco das ações municipais será na educação para que as pessoas voltem a separar o lixo doméstico.
A nova usina tem uma passarela no alto do galpão onde foi construída. A ideia é que o lugar seja visitado diariamente por alunos das escolas municipais, para que eles conheçam a coleta seletiva e desenvolvam o hábito de separar o lixo em casa.
Nos bairros
O secretário de Serviços, Simão Pedro, afirma que a coleta será "universalizada" em 40 bairros.
- Universalizar é atender o bairro todo. Antes, esses 40 bairros tinham a coleta em determinadas ruas.
Os novos horários e o dias em que os caminhões da coleta seletiva passam nas ruas serão publicados no site da prefeitura. A promessa é que os caminhões da coleta seletiva passem em todas as ruas da cidade até o fim do ano que vem. (r7)

Coleta seletiva e reciclagem

A coleta seletiva do lixo e a reciclagem deste são duas faces de uma mesma moeda que só beneficia seus praticantes.
Enquanto a coleta seletiva é, primariamente, da própria pessoa que produz toda e qualquer forma de lixo, ou seja, uma obrigação de nós cidadãos, também é uma responsabilidade dos governos de cada cidade disponibilizar lixeiras públicas que já tenham em si a divisão entre plástico, vidro, metal, papel e lixo orgânico, que são as quatro formas básicas de separação.
Mesmo a separação mais básica e que exige menos esforço – a separação de lixo seco de lixo orgânico – já ajuda imensamente no trabalho de todos aqueles que trabalham em prol da reciclagem da maior quantidade de lixo possível.
Afinal, como todos sabemos não se pode reciclar lixo orgânico que não como forma de adubação caseira. O lixo seco é o mais procurado pelos catadores de materiais recicláveis.
As formas de reciclagem podem, é claro, variar imensamente, não apenas pelo que cada material é em si, e quais as possibilidades de trabalho com ele em um nível de reciclagem industrial, mas também depende da pessoa que se disponibiliza a reciclá-lo.
A arte com reciclagem, por exemplo, é uma maneira diferente de se aproveitar da coleta seletiva do lixo e aproveitar apenas as partes do lixo seco que podem se tornar componentes de brinquedos e peças de arte mais básicas.
Coleta Seletiva e Reciclagem
Mesmo as garrafas PET – os exemplos mais claros quando se menciona reciclagem – podem ter infinitos usos: a construção de brinquedos, a confecção de mosaicos, a montagem de artesanato como porta retratos, porta canetas, potes para plantas, e até mesmo sua reutilização como matéria prima para a confecção de tecidos que são, posteriormente, transformados em roupas confortáveis, muito bonitas e completamente sem desperdício de materiais e recursos naturais.
Para toda a reciclagem existiu, em algum ponto, a separação do lixo. Nós cidadãos ao separarmos o nosso lixo e também exigirmos de nossos governos responsáveis e órgãos cabíveis que providenciem e garantam a manutenção de lixeiras para coleta seletiva, e também que a realização do depósito desse lixo vá, de fato, acontecer de maneira correta, estamos apenas fazendo a nossa parte nessa cadeia de reciclagem e reutilização de materiais, que é, possivelmente, a melhor medida para evitarmos contaminar nosso planeta ainda mais do que ele já está agora.
Você sabe a importância de se falar em coleta seletiva e reciclagem?
O meio ambiente está por um fio. O ser humano moderno não se conscientiza disso, pois está cegado pelos seus hábitos de tecnologias de conforto.
Quem está disposto a diminuir o uso da eletricidade, água e outros serviços que prejudicam o meio ambiente?
As pessoas precisam urgentemente compreender a importância de reciclar, por exemplo. E não é um hábito difícil. Basta separar objetos como vidro, papel, plástico e metal do lixo orgânico, isto é, dos restos de comida. Assim, já estaremos contribuindo e muito para salvar o planeta.
Mas não podemos colocar a culpa somente nas pessoas comuns, o governo também não investe em campanhas para explicar o significado dessas coletas seletivas e reciclagem. Muitas cidades nem mesmo têm um serviço que recolhe o lixo reciclável.
Aí realmente fica complicado reciclar e lutar pela natureza. Enquanto as cadeiras nas Câmaras dos Vereadores aumentam, o meio ambiente fica em segundo lugar. (culturamix)

União Europeia propõe leis para promover a reciclagem

União Europeia propõe leis para promover a reciclagem de materiais e a economia circular
Escassez de recursos e poluição são fatores a favor da reciclagem e da economia circular. Mas, além de serem positivas para o meio ambiente, Tais práticas podem ser lucrativa para as empresas: um argumento forte.
A União Europeia quer que, até 2030, seus países-membros passem a reciclar 70% do lixo municipal e 80% de embalagens plásticas. A proposta também prevê que material reciclável deixe de ser enterrado em aterros sanitários até 2025, além de abranger metas para reduzir o desperdício de alimentos e o lixo marinho.
“A proteção ambiental pode impulsionar o desenvolvimento econômico, gerando crescimento e emprego”, declarou o comissário europeu de Ambiente, Janez Potočnik. Anteriormente ao anúncio, no início de junho, a economia circular, que prevê maior eficiência na criação de produtos e na reciclagem, já havia sido tema da Semana Verde, o encontro ambiental anual da UE, realizado em Bruxelas.
“Se não formos às raízes do comportamento econômico, de como consumimos, produzimos e vivemos, não acredito que, em longo prazo, possamos resolver a questão de como proteger o meio ambiente e viver nos limites do planeta”, disse Potočnik.
O comissário, cujo mandato termina este ano, ressaltou que os sistemas econômicos lineares, herdados do século 19, não são adequados ao século 21 das economias emergentes, com milhões de novos consumidores de classe média e mercados interconectados. “Se quisermos competir, precisamos tirar o máximo dos nossos recursos – e isso significa reciclar, colocando-os de volta no uso produtivo, e não enterrá-los em aterros sanitários, como lixo.”
Novos padrões consumo
Segundo Heinz Leuenberger, diretor da iniciativa Indústria Verde, promovida pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi), sozinha, a eficiência de recursos não vai resolver todos os problemas ambientais, mas já é um passo na direção certa.
Potočnik defende que se aproveitem melhor os recursos naturais
Um estudo do Instituto McKinsey estima que em 2030 o benefício financeiro da eficiência de recursos chegará a 3 trilhões de dólares por ano, estando de 70% a 85% desse volume concentrado nos países em desenvolvimento. Para Leuenberger, há tempo demais a relação custo-benefício da eficiência de recursos vem sendo negligenciada.
“Estudos revelam que na Alemanha, um país com salários elevados, a mão de obra corresponde a cerca de 20% dos custos de produção, enquanto matéria-prima e energia ficam entre 45% e 55%, dependendo do setor. Ainda assim, quando se trata de reduzir custos de produção, a maioria dos executivos mira a mão de obra. Mas nós achamos que a eficiência de recursos é um aspecto-chave.”
Bas de Leeuw é diretor do Fórum Mundial de Recursos, baseado na Suíça, que conecta cientistas, políticos e ONGs com o fim de aprimorar a gestão de recursos naturais. Segundo ele, as tendências mundiais estão indo na direção errada: “Estamos superconsumindo, usando recursos demais, o que significa poluição demasiada e preços ascendentes. E pode também significar instabilidade crescente no mundo, pois os pobres é que são as vítimas.”
Leuenberger acrescenta que modificar os processos de produção é um aspecto central, mas os padrões de consumo do mundo industrializado também precisam mudar. “Se todos consumirem no mesmo nível das nações industriais, não haverá um mundo sustentável, mesmo se otimizarmos ao máximo. Não se pode convencer alguém no Vietnã a só comprar uma camiseta, ou uma bicicleta ao invés de um carro, quando se tem quatro carros e 50 camisetas.”
Políticas ambientais
As propostas da Comissão Europeia ainda precisam ser aprovadas pelo Conselho e o Parlamento Europeus, além de ser implementadas em combinação com as legislações existentes sobre lixo, aterros sanitários e embalagens. Porém tanto a UE quanto o da ONU enfatizam que a chave é convencer as empresas que eficiência de recursos faz sentido do ponto de vista econômico.
“Não acho que possamos esperar até que todos os países tenham políticas adequadas e todas as instituições governamentais estejam treinadas e equipadas para aplicar as leis ambientais ou de sustentabilidade. O que nós devemos, é tentar convencer as empresas a apostar em eficiência de recursos, em tecnologias mais ecologicamente corretas, pois elas podem lucrar produzindo de modo mais limpo e eficiente”, exorta Heinz Leuenberger, da Iniciativa Indústria Verde.
Matérias-primas não recicladas: como dinheiro no lixo
Para De Leeuw, contudo, a regulamentação governamental tem um papel decisivo em acelerar a transição para a economia circular. Iain Gulland, diretor da iniciativa Zero Waste Scotland, concorda. “É tudo uma questão de criar um mercado, persuadindo as pessoas a mudarem seu modelo de negócios e a desenvolver novos produtos. Elas não vão fazer isso em nível doméstico, mas o farão para um mercado mais amplo. Com essa agenda, nós criamos um novo mercado, e as empresas, pequenas e grandes, começarão a se adaptar.”
A Escócia defende na UE a ambiciosa meta de 60% de reciclagem até 2020 e 70% até 2025. Segundo Gulland, o setor público pode tomar a dianteira, ao implementar estratégias de aquisição sustentável. Essa abordagem conta com o apoio da TCO Certified, grupo sueco de origem sindical que opera um sistema de certificação – também promovido pela UE – para produtos de tecnologia de informação (TI) sustentáveis no setor público.
Niclas Rydell, diretor da TCO, defende que “a certificação pode ter grande impacto sobre todo um setor”. “O que tentamos fazer é minimizar os impactos ambientais e, ao mesmo tempo, aumentar a vida de um produto.”
Outro fator que impulsiona a eficiência de recursos e a economia circular é a escassez de matérias-primas, como os metais de terras raras, necessários à produção de produtos de TI. O fato de eles não serem encontrados na Europa e nos Estados Unidos, é mais um incentivo para que sejam usados mais economicamente, ressalta De Leeuw, do Fórum Mundial de Recursos: “Essa não é uma agenda ambiental, na realidade é uma agenda econômica e de segurança, que exige uma discussão internacional.” (ecodebate)