sábado, 31 de janeiro de 2009

Histórico da dengue

O dengue é conhecido no Brasil desde os tempos de colônia. O mosquito Aedes aegypti tem origem africana. Ele chegou ao Brasil junto com os navios negreiros, depois de uma longa viagem de seus ovos dentro dos depósitos de água das embarcações. O primeiro caso da doença foi registrado em 1685, em Recife (PE). Até 1953, o dengue era considerado uma virose benigna, sem letalidade, até haver um surto de dengue hemorrágico nas Filipinas. Em 1692, o dengue provocou 2 mil mortes em Salvador (BA), reaparecendo em novo surto em 1792. Em 1846, o mosquito Aedes aegypti tornou-se conhecido quando uma epidemia de dengue atingiu o Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. Entre 1851 e 1853 e em 1916, São Paulo foi atingida por epidemias da doença. Em 1923, Niterói, no estado do Rio, lutou contra uma epidemia em sua região oceânica. Em 1903, Oswaldo Cruz, então Diretor Geral da Saúde Pública, implantou um programa de combate ao mosquito que alcançou seu auge em 1909. Em 1957, anunciou-se que a doença estava erradicada no Brasil, embora os casos continuassem ocorrendo até 1982, quando houve uma epidemia em Roraima. Em 1986, foram registradas epidemias nos estados do Rio de Janeiro, de Alagoas e do Ceará. Nos anos seguintes, outros estados brasileiros foram afetados. No Rio de Janeiro (Região Sudeste) ocorreram duas grandes epidemias. A primeira, em 1986-87, com cerca de 90 mil casos; e a segunda, em 1990-91, com aproximadamente 100 mil casos confirmados. A partir de 1995, o dengue passou a ser registrado em todas as regiões do país. Em 1998 ocorreram 570.148 casos de dengue no Brasil; em 1999 foram registrados 204.210 e, em 2000, até a primeira semana de março, 6.104. Atualmente, o dengue na forma hemorrágica está entre as dez principais causas de hospitalização e morte de crianças em países da Ásia tropical. Nas Américas, a primeira epidemia de dengue hemorrágico que se tem notícia ocorreu em Cuba, em 1981.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Perguntas freqüentes sobre a dengue

Geral sobre a doença 1. A picada do mosquito é a única forma de transmissão da dengue? Sim, a dengue não é transmitida por pessoas, objetos ou outros animais. 2. Qual é o principal mosquito transmissor da dengue? É o mosquito Aedes aegypti. 3. É verdade que somente a fêmea do mosquito pica as pessoas? Sim, pois é a fêmea que necessita do sangue em seu organismo para amadurecer seus ovos e assim dar seqüência no seu ciclo de vida. 4. Como a pessoa reconhece o mosquito Aedes aegypti? O Aedes é parecido com o pernilongo comum, e pode ser identificado por algumas características que o diferencia como: corpo escuro e rajado de branco e possui hábito de picar durante o dia. 5. De onde veio o mosquito Aedes aegypti? É originário da África Tropical característico de países com clima tropical e úmido, introduzido nas Américas durante a colonização. Atualmente encontra-se amplamente disseminado nas Américas, Austrália, Ásia e África. 6. Qualquer inseticida mata o mosquito da Dengue? Sim, porém a aplicação dos inseticidas atua somente sobre a forma adulta do mosquito, surtindo efeito momentâneo com poder residual de pouca duração. 7. Uma pessoa infectada pode passar a doença para outra? Não há transmissão por contato direto de um doente ou de suas secreções para pessoas sadias. A pessoa também não se contamina por meio de fontes de água, alimento, ou uso de objetos pessoais do doente de dengue. 8. É possível distinguir a picada do Aedes aegypti com a de um mosquito comum? Não. A sensação de eventual coceira ou incômodo é semelhante à picada de qualquer outro mosquito. 9. Algum outro mosquito é capaz de transmitir a doença? Sim, o mosquito Aedes albopictus, que também pode ser encontrado em áreas urbanas, também pode transmitir a dengue. 10. Todo Aedes transmite a dengue? Não, apenas os infectados. O mosquito só transmite a doença se tiver contraído o vírus. 11. Todo mundo que é picado pelo mosquito Aedes aegypti fica doente? É preciso que o mosquito esteja infectado com o vírus de Dengue. Além disso, muitas pessoas picadas pelo mosquito Aedes aegypti infectado não apresentam sintomas. Outras apresentam sintomas brandos que podem passar despercebidos ou confundidos com gripe, existindo ainda, aquelas que são acometidas de forma acentuada, com sintomatologia exacerbada. 12. Por que foi possível fazer uma vacina para febre amarela e não está sendo possível fazer uma vacina contra dengue? No caso da Febre Amarela só existe um tipo de vírus. Na dengue, são conhecidos quatro variedades de vírus – chamados den1, den2, den3, e den4. Os quatro tipos já foram registrados no Brasil (sendo que o tipo 4 só na Amazônia). A rigor, uma vacina para um tipo não dará imunização para outro. Sintomas 1. Quais são os principais sintomas da dengue? Febre alta, dor de cabeça, principalmente na região ocular, dores nas articulações, músculos e muito cansaço. Também é comum náuseas, falta de apetite, dor abdominal, podendo até ocorrer diarréia e vermelhidão na pele. 2. Em quanto tempo os sintomas aparecem? De três a quinze dias após a picada do mosquito infectado. 3. A pessoa pode estar com a doença e apresentar apenas alguns dos sintomas? Não ter febre, por exemplo? Sim. A intensidade dos sintomas varia muito de pessoa para pessoa. 4. A pessoa pode confundir a dengue com uma gripe forte? Como saber a diferença? Sim. A melhor forma de se ter certeza é procurando um médico e eventualmente realizando exames. 5. Quem teve Dengue fica com alguma complicação? Não. A recuperação costuma ser total. É comum que ocorra durante alguns dias uma sensação de cansaço, que desaparece completamente com o tempo. Tratamento 1. A partir de que momento deve-se procurar um médico? A partir dos primeiros sintomas. 2. Qual é o tratamento para a doença? A pessoa doente deve repousar e ingerir bastante líquido (água, sucos naturais ou chá), evitando qualquer tipo de refrigerante ou suco artificial. Antitérmicos e analgésicos que contém em sua fórmula, ácido acetilsalicílico, como a aspirina, devem ser evitados. 3. Por que não se deve tomar medicamentos a base de ácido acetilsalicílico como Aspirina, Melhoral, AAS? Porque estes medicamentos têm efeitos anticoagulantes e podem causar sangramentos. 4. Qual é o tempo de cura para dengue? A febre costuma durar de três a oito dias e pode causar pequenas bolhas vermelhas em algumas regiões do corpo, como pés, pernas e axilas. Na maioria das vezes, o doente demora uma semana para ficar bom. Porém, o cansaço e a falta de apetite podem demorar até quinze dias para sumir. A recuperação costuma ser total. 5. Há cuidados especiais com bebês e crianças pequenas? Nas crianças pequenas a doença assemelha-se mais a uma infecção viral inespecífica, sendo que os sintomas mais freqüentes são: febre, vômito e nas que já falam a dor abdominal. A prostração é menos intensa. Deve-se procurar um médico logo que aparecerem os primeiros sintomas. 6. Quem já teve dengue uma vez pode ser contaminado novamente ou fica imune? Estudos indicam que uma pessoa doente de dengue fica imune para sempre, com relação ao sorotipo que determinou a infecção, além do que, por um período de alguns meses, ela fica protegida para qualquer dos sorotipos de dengue. Passado este tempo, se ela se contaminar por outro tipo de vírus diferente daquele que se contaminou antes poderá ter comprometimento do quadro clínico e desencadear a dengue hemorrágica. Dengue Hemorrágica 1. Qual é a diferença entre a dengue clássica e a hemorrágica? A clássica é mais branda do que a hemorrágica, que pode até causar a morte do doente. 2. Pessoas que já tiveram dengue uma vez podem desenvolver o tipo hemorrágico? Sim. Qualquer um dos 4 sorotipos da dengue pode causar dengue hemorrágica. A probabilidade de manifestações hemorrágicas é menor em pessoas infectada pela primeira vez, portanto pessoas que contraíram dengue mais de uma vez apresentam maior chance de complicações do quadro clínico, incluindo manifestações hemorrágicas. 3. Por que ela é mais perigosa? Porque, como o próprio nome diz, causa hemorragia e pode levar à morte. 4. Que tipo de exame identifica a dengue hemorrágica? Há três exames que podem ser utilizados: a prova do laço, a contagem das plaquetas e a contagem dos glóbulos vermelhos. A prova do laço é um exame de consultório, com uma borrachinha o médico prende a circulação do braço e vê se há pontos vermelhos sob a pele, que indicariam a doença. Os outros testes são feitos por meio de uma amostra de sangue em laboratório. 5. Quais são os sintomas da versão hemorrágica? A dengue hemorrágica se manifesta de três a cinco dias depois da clássica. A febre reaparece após ter cessado, causando suor, deixando a pele esbranquiçada e as extremidades frias. É comum dor de garganta, queda de pressão, dores no estômago e abaixo das costelas. As hemorragias ocorrem em pequena quantidade. Quando a doença fica ainda mais grave o fígado fica mole e doloroso. As cólicas abdominais e a hemorragia aumentam, atingindo o tubo digestivo e os pulmões. 6. Qual é o tratamento? Neste caso, a recomendação é aplicação de soro e plasma. Em certos casos há a necessidade de transfusão de sangue. 7. O mesmo mosquito que transmite dengue clássica pode transmitir a hemorrágica? Sim. 8. Qual a taxa de mortos entre os contaminados? De acordo com as estatísticas a chance de morte no caso da primeira manifestação da dengue clássica é zero. Na dengue hemorrágica a taxa é de aproximadamente 3%. Precauções com o mosquito 1. O mosquito infectado pode picar e mesmo assim não transmitir a doença? Sim, de 20% a 50% das pessoas não desenvolvem a doença. 2. Por que algumas pessoas são picadas, mas não ficam doentes? Por características do sistema imunológico de cada um. 3. É verdade que o mosquito não pica à noite? A fêmea do Aedes tem hábitos diurnos, não costuma picar à noite. 4. Que outros hábitos o Aedes tem? O mosquito fica onde o homem estiver, e prefere picá-lo a qualquer outra espécie e também gosta de água acumulada para colocar seus ovos. 5. É verdade que o mosquito se reproduz mais rápido no calor? Por quê? Sim. No calor, o período reprodutivo do mosquito fica mais curto e ele se reproduz com maior velocidade. Isto explica o aumento de casos de dengue no verão. 6. Por que só a fêmea do Aedes aegypti pica? As fêmeas picam depois do acasalamento porque necessitam do sangue que contem proteínas necessárias para que os ovos se desenvolvam. 7. Quanto tempo vive o Aedes? A fêmea do Aedes vive cerca de 30 a 45 dias e, nesse período, pode contaminar até 300 pessoas. 8. Quantos ovos um mosquito coloca durante sua vida? Até 450. Descobriu-se que existe a transmissão transovariana, ou seja, que a fêmea, se estiver contaminada, inocula o vírus nos ovos e os mosquitos já nascem com ele. Isso multiplica as chances de propagação. 9. Por que a água acumulada é tão perigosa? Porque a fêmea deposita seus ovos em locais com água acumulada. 10. Água de piscinas é uma ameaça? Não se estiver recebendo o tratamento adequado com aplicação de cloro em quantidade correta. Caso contrário será um criadouro de mosquitos. 11. Adianta só tirar a água dos pratinhos que ficam sob os vasos? Não. Os ovos ficam aderidos às laterais internas dos pratos ou ainda nas laterais externas dos vasos. O ideal é optar por pratos que fiquem bem justos ao vaso e lavá-los com água e sabão, utilizando uma bucha para retirada de possíveis ovos. 12. Ovos ressecados do Aedes também são perigosos? Sim. Mesmo ressecados, os ovos são perigosos. Eles sobrevivem até 1 (um) ano sem água e, se neste período entrar em contato com água, o ciclo evolutivo recomeça. 12. O repelente funciona? Quantas vezes deve ser aplicado por dia? Os repelentes possuem ação limitada e não eliminam o mosquito, apenas o mantém distante. 13. O uso de inseticida contra o Aedes pode torná-lo imune ao produto químico utilizado? Sim, pode. 14. Velas e incensos ajudam a espantar o Aedes? Velas de citronela ou andiroba têm efeito paliativo. Isto porque o raio de alcance e a duração são restritos. 15. A solução de água sanitária com água limpa nas plantas é eficiente? Não, é necessário substituir bromélias e outras plantas que acumulem água por aquelas que não acumulem água em suas folhas. 16. Aplicar borra de café na água das plantas e sobre a terra ajuda a combater o Aedes? A eficácia da borra de café na dosagem de duas colheres de sopa para meio copo de água não foi comprovada e a sua utilização não simplifica os cuidados atualmente recomendados que são: a eliminação dos pratos ou a utilização de pratos justos aos vasos, a colocação de areia até as bordas dos pratos ou eliminar a água e lavar os pratos com bucha e sabão semanalmente. 17. Mosquitos podem ser transportados em carros, aviões ou navios? Sim, desde que haja condições adequadas no meio de transporte. 18. Quanto tempo eles sobreviveriam numa viagem dessas? Cerca de 10 ou 12 horas nas condições ideais. 19. Qual é a autonomia de vôo do mosquito? O Aedes costuma circular num raio de 50 a 100 metros de distância do local de nascimento. 20. A borrifação de inseticidas mata os ovos ou apenas os mosquitos adultos? Apenas os mosquitos adultos. Por isso, a borrifação de inseticidas só é eficaz no caso de surtos ou epidemias. Para matar os mosquitos é preciso acabar com os ovos. Caso contrário, outros mosquitos nascerão. 21. Quais são as condições ideais para o mosquito procriar e agir? A temperatura que o mosquito gosta é de 26 a 28 graus. Qualquer temperatura inferior a 18 graus o torna inoperante. Com 42 graus, ele morre. 22. Como a pessoa infectada transmite o vírus para o mosquito? Durante seis dias ela pode transmitir o vírus para o mosquito. Um dia antes de começar a sentir os sintomas e nos cinco primeiros dias de sintoma. Depois disso, não infecta mais o mosquito.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Municípios apostam na homeopatia contra a dengue

Depois do auge da epidemia de dengue, que deixou 118 mortes confirmadas no Estado do Rio, cresce o número de municípios que adotam a homeopatia como tratamento alternativo. Seguindo o exemplo de São José do Rio Preto (SP), o município fluminense de Macaé investe na homeopatia e, depois que a prefeitura passou a distribuir gratuitamente um complexo homeopático que diminui os sintomas da doença, teve uma queda brusca no número de casos de dengue. O tratamento foi colocado em prática em abril do ano passado, quando a epidemia alcançou a marca de 600 casos registrados somente em abril. No ano todo, foram registrados 1890 casos de dengue em Macaé. Segundo a coordenadora de saúde coletiva de Macaé (e homeopata) Laila Nunes, já no final de 2007, com o uso do complexo homeopático, a queda registrada foi muito maior que nos municípios vizinhos, que continuaram com a epidemia. Em 2008 foram registrados apenas 59 casos da doença. - O complexo diminui os sintomas da dengue, atenua o tempo da febre, e assim diminui o número de óbitos. Como a doença é sazonal, fazemos a campanha sempre que o número de casos começa a aumentar umas três vezes ao ano – explica Laila. No início de maio o projeto foi apresentado num simpósio de pesquisa da UERJ, quando foi criado o Grupo Nacional de Homeopatia e Dengue. Alguns médicos do grupo chegaram a trabalhar com o complexo homeopático na tenda montada no Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá, durante a epidemia no Rio. Experiência pioneira São José do Rio Preto foi o primeiro município do país a adotar oficialmente o tratamento com homeopatia contra a dengue. De acordo com o secretário de Saúde do município, a idéia de distribuir o complexo homeopático gratuitamente nos postos de saúde contribuiu para uma queda substancial do número de casos da doença. - Foram 10 mil casos de dengue no ano passado na cidade, com piora da morbidade e maior incidência de internações. Com o trabalho homeopático, o número de casos caiu para 189 – comemora. Apesar da grande queda no número de casos, o secretário não atribui a melhora no quadro apenas à homeopatia. - Não dá para atribuir só ao complexo homeopático essa queda porque o trabalho foi continuado, aliado ao combate aos focos do mosquito. A homeopatia foi uma terapia alternativa, mas os resultados são otimistas. A escolha da homeopatia surgiu por conta do trabalho de um homeopata da cidade, que utilizou o complexo para aplacar uma epidemia de dengue em Havana. - A base foi o estudo de um médico e homeopata do município, Dr. Renan Marino, que já tinha experimentado um complexo homeopático, inclusive apresentado o trabalho em Cuba, e defendia que o medicamento diminuía o tempo dos sintomas para dois ou três dias, quando não os tornava quase imperceptíveis. Inicialmente, 100 mil doses iniciais foram distribuídas em março nas 23 unidades de saúde da cidade, mas o tratamento continua à disposição nos postos médicos. A aplicação é feita em uma dose sublingual, com custo por unidade de apenas R$ 0,01. Para o secretário, o uso da homeopatia traz vantagens também para os cofres públicos. - É um tratamento barato, com custo reduzido e sem contra-indicações e efeitos colaterais – pondera. - Decidimos distribuir nas unidades para evitar a automedicação. Começamos com quem morava em regiões de foco da dengue. No início distribuíamos para quem quisesse, mas as pessoas interpretaram o complexo como uma vacina contra a dengue. Ficamos receosos de que elas descuidassem do combate ao mosquito e só aplicamos agora para quem apresenta os sintomas da doença. Para o professor convidado para o curso de homeopatia da Universidade Federal de Viçosa, José Alberto Moreno, a homeopatia é eficaz tanto na prevenção quanto no tratamento da dengue. - O uso da homeopatia tem duas direções, para evitar a dengue e como tratamento curativo para quem já está com dengue. O modelo homeopático complementa o tratamento com a alopatia.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Óbitos por dengue comprovados

Entre os 181 casos de dengue registrados no Rio em 2008, oito óbitos foram confirmados por exames a partir de 15 de outubro deste ano. Entre estes casos, quatro pessoas morreram de dengue hemorrágica comprovada em laboratório. Moradora de Nova Iguaçu, Daniela de Souza, de 22 anos, morta na quinta-feira no Hospital Getúlio Vargas, na Penha, Zona Norte, com sintomas do tipo hemorrágico, ainda não integra esta estatística, mas faz parte de número muito maior, de 325 casos notificados de dengue no estado desde o último janeiro e que ainda aguardam confirmação oficial da causa mortis. Os dados são da Secretaria Estadual de Saúde (SES). Depois de uma curva descendente no número de casos de dengue no estado desde março deste ano, quando houve o pico de 69.378 notificações da doença, a saúde pública se prepara para a iminência de nova epidemia. Se a média atual de casos está em 60 por mês, para o presidente do Conselho Regional de Medicina, Luis Fernando Moraes, em pouco tempo a curva deverá subir novamente. Para o médico, a epidemia vem aí, só não se sabe se em dimensão superior a que se verificou no último verão. Do total de 325 mortes, apenas 181, sendo 105 destas na capital, tiveram até agora o diagnóstico já confirmado por exames. Os demais, 143, ainda aguardam a conclusão dos laudos. Entre as mortes confirmadas, 56 foram por dengue hemorrágica, em quadro semelhante ao apresentado por Daniela, cuja família registrou na Polícia Civil a suspeita de erro médico no diagnóstico da jovem, medicada inicialmente por infecção urinária e liberada para casa. – As pessoas estão se organizando com esta expectativa, porque se espera nova epidemia. E a preocupação agora também será o com o tipo de dengue que vai afetar a população – alertou o presidente do Cremerj. – Espero que a ação iniciada pelo conselho, de aproximação com o poder público par a busca de soluções tenha mesmo efeito. Moraes se referiu, no caso, à importância do convênio proposto ao governo do estado para ação conjunta de treinamento do pessoal da saúde para o diagnóstico da dengue, fator crucial para a redução no número de óbitos em função da dengue. Somente no Rio, houve 126.558 casos de dengue neste ano, praticamente a metade do total verificado no estado, de 256.645. Em Nova Iguaçu, onde vivia Daniela, houve 18.893 notificações de casos de dengue, com três mortes confirmadas por exames. A maioria das vítimas no estado, 53,75%, tem idades entre 15 e 49 anos. Mais de mil casos em todo o estado envolveram gestantes. Diagnóstico crucial Para Moraes, a epidemia passada ensinou a lição da necessidade de pessoal em quantidade e com a qualificação necessária. Ele citou como dificuldade do passado recente a contratação sem seleção de profissionais de saúde por meio de cooperativas. O diretor do Sindicato dos Médicos do Rio, o médico Eraldo Bulhões, especialista em dengue, concorda com a importância desses fatores: – O diagnóstico correto pode salvar as vidas das vítimas da dengue, mesmo em casos do tipo hemorrágico – afirmou o especialista que fez um alerta: – É importante saber que a cada ano aumentam as chances de surgir casos do tipo hemorrágico. De acordo com Bulhões, a dengue hemorrágica costuma ser provocada quando o paciente contrai a doença pela segunda vez, de uma cepa diferente de vírus - há registro da ação dos tipos 1, 2 e 3 –, ou quando recebeu da mãe anticorpos de um tipo da dengue por ela contraído no passado. Nesses casos, segundo ele, são as vítimas mais prováveis jovens e crianças nascidas a partir de 1986, quando houve o primeiro surto da doença no estado.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Diagnóstico e Tratamento da dengue

O diagnóstico da dengue é realizado com base na história clínica do doente, exames de sangue, que indicam a gravidade da doença, e exames específicos para isolamento do vírus em culturas ou anticorpos específicos. Para comprovar a infecção com o vírus da dengue, é necessário fazer a sorologia, que é um exame que detecta a presença de anticorpos contra o vírus do dengue. A doença é detectada a partir do quarto dia de infecção. Inicialmente, é feito um o diagnóstico clínico para descartar outras doenças. Após esta etapa, são realizados alguns exames, como hematócrito e contagem de plaquetas. Estes testes não comprovam o diagnóstico da dengue, já que ambos podem ser alterados por causa de outras infecções. Dengue Hemorrágica Há três exames que pode ser utilizado identificar a dengue hemorrágica: a prova do laço, a contagem das plaquetas e a contagem dos glóbulos vermelhos. A prova do laço é um exame de consultório, com uma borrachinha o médico prende a circulação do braço e vê se há pontos vermelhos sob a pele, que indicariam a doença. Os outros testes são feitos por meio de uma amostra de sangue em laboratório. Lembrete: A dengue hemorrágica deve ser diagnóstica rapidamente, pois se a doença não for tratada com rapidez, pode levar à morte. O tratamento da dengue requer bastante repouso e a ingestão de muito líquido, como água, sucos naturais ou chá. No tratamento, também são usados medicamentos antitérmicos que devem recomendados por um médico. É importante destacar que a pessoa com dengue NÃO pode tomar remédios à base de ácido acetil salicílico, como AAS, Melhoral, Doril, Sonrisal, Alka-Seltzer, Engov, Cibalena, Doloxene e Buferin. Como eles têm um efeito anticoagulante, podem promover sangramentos. O doente começa a sentir a melhorar cerca de quatro dias após o início dos sintomas, que podem permanecer por 10 dias. É preciso ficar alerta para os quadros mais graves da doença. Se aparecerem sintomas, como dores abdominais fortes e contínuas, vômitos persistentes, tonturas ao levantar, alterações na pressão arterial, fígado e baço dolorosos, vômitos hemorrágicos ou presença de sangue nas fezes, extremidades das mãos e dos pés frias e azuladas, pulso rápido e fino, diminuição súbita da temperatura do corpo, agitação, fraqueza e desconforto respiratório, o doente deve ser levado imediatamente ao médico.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Prevenção e Sintomas da dengue

A ação mais simples para se prevenir a dengue é evitar o nascimento do mosquito, já que não existem vacinas ou medicamentos que combatam a contaminação. Para isso, é preciso eliminar os lugares que eles escolhem para a reprodução. A regra básica é não deixar a água, mesmo quando limpa, parada em qualquer tipo de recipiente. A proliferação do mosquito é rápida, além das iniciativas governamentais, é importante que a população também colabore para interromper o ciclo de transmissão e contaminação. Para se ter uma idéia, em 45 dias de vida, um único mosquito pode contaminar até 300 pessoas. Então, a dica é manter recipientes, como caixas d’água, barris, tambores tanques e cisternas, devidamente fechados. E não deixar água parada em locais como: vidros, potes, pratos e vasos de plantas ou flores, garrafas, latas, pneus, panelas, calhas de telhados, bandejas, bacias, drenos de escoamento, canaletas, blocos de cimento, urnas de cemitério, folhas de plantas, tocos e bambus, buracos de árvores, além de outros locais em que a água da chuva é coletada ou armazenada. É bom lembrar que o ovo do mosquito pode sobreviver até 450 dias, mesmo se o local onde foi depositado o ovo estiver seco. Caso a área receba água novamente, o ovo ficará ativo e pode atingir a fase adulta em um espaço de tempo entre 2 e 3 dias. Por isso é importante eliminar água e lavar os recipientes com água e sabão. O vírus da dengue pode se apresentar de quatro formas diferentes, que vai desde a forma inaparente, em que apesar da pessoa está com a doença não há sintomas, até quadros de hemorragia, que podem levar o doente ao choque e ao óbito. Há suspeita de dengue em casos de doença febril aguda com duração de até 7 dias e que se apresente acompanhada de pelo menos dois dos seguintes sintomas: dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores musculares, dores nas juntas, prostração e vermelhidão no corpo. - Infecção Inaparente A pessoa está infectada pelo vírus, mas não apresenta nenhum sintoma. - Dengue Clássica Geralmente, inicia de uma hora para outra e dura entre 5 a 7 dias. A pessoa infectada tem febre alta (39° a 40°C), dores de cabeça, cansaço, dor muscular e nas articulações, indisposição, enjôos, vômitos, manchas vermelhas na pele, dor abdominal (principalmente em crianças), entre outros sintomas. Os sintomas da Dengue Clássica duram até uma semana. Após este período, a pessoa pode continuar sentindo cansaço e indisposição. - Dengue Hemorrágica Inicialmente se assemelha à Dengue Clássica, mas, após o terceiro ou quarto dia de evolução da doença, surgem hemorragias em virtude do sangramento de pequenos vasos na pelo e nos órgãos internos. A Dengue Hemorrágica pode provocar hemorragias nasais, gengivais, urinárias, gastrointestinais ou uterinas. Na Dengue Hemorrágica, assim que os sintomas de febre acabam a pressão arterial do doente cai, o que pode gerar tontura, queda e choque. Se a doença não for tratada com rapidez, pode levar à morte. - Síndrome de Choque da Dengue A pessoa acometida pela doença apresenta um pulso quase imperceptível, inquietação, palidez e perda de consciência. Neste tipo de apresentação da doença, há registros de várias complicações, como alterações neurológicas, problemas cardiorrespiratórios, insuficiência hepática, hemorragia digestiva e derrame pleural. Entre as principais manifestações neurológicas, destacam-se: delírio, sonolência, depressão, coma, irritabilidade extrema, psicose, demência, amnésia, paralisias e sinais de meningite. Se a doença não for tratada com rapidez, pode levar à morte. É importante destacar que a dengue é uma doença dinâmica, que pode evoluir rapidamente de forma mais branda para uma mais grave. É preciso ficar atento aos sintomas que podem indicar uma apresentação mais séria da doença. SINAIS DE ALERTA - DENGUE HEMORRÁGICA 1. Dor abdominal intensa e contínua (não cede com medicação usual); 2. Agitação ou letargia; 3. Vômitos persistentes; 4. Pulso rápido e fraco; 5. Hepatomegalia dolorosa; 6. Extremidades frias; 7. Derrames cavitários; 8. Cianose; 9. Sangramentos expontâneos e/ou prova de laço positiva; 10. Lipotimia; 11. Hipotensão arterial; 12. Sudorese profusa; 13. Hipotensão postural; 14. Aumento repentino do hematócrito; 15. Diminuição da diurese; 16. Melhora súbita do quadro febril até o 5 dia; 17. Taquicardia.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O que é a Dengue

A dengue é uma doença infecciosa febril aguda causada por um vírus da família Flaviridae e é transmitida através do mosquito Aedes aegypti, também infectado pelo vírus. Atualmente, a dengue é considerada um dos principais problemas de saúde pública de todo o mundo. Tipos de Dengue No mundo existem quatro tipos de dengue, já que o vírus causador da doença possui quatro sorotipos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. No Brasil, já foram encontrados da dengue tipo 1, 2 e 3. A dengue de tipo 4 foi identificada apenas na Costa Rica. Formas de apresentação A dengue pode se apresentar-se clinicamente de quatro formas diferentes formas: Infecção Inaparente, Dengue Clássica, Febre Hemorrágica da Dengue e Síndrome de Choque da Dengue. Dentre eles, destacam-se a Dengue Clássica e a Febre Hemorrágica da Dengue. - Infecção Inaparente A pessoa está infectada pelo vírus, mas não apresenta nenhum sintoma. A grande maioria das infecções da dengue não apresenta sintomas. Acredita-se que de cada dez pessoas infectadas apenas uma ou duas ficam doentes. - Dengue Clássica A Dengue Clássica é uma forma mais leve da doença e semelhante à gripe. Geralmente, inicia de uma hora para outra e dura entre 5 a 7 dias. A pessoa infectada tem febre alta (39° a 40°C), dores de cabeça, cansaço, dor muscular e nas articulações, indisposição, enjôos, vômitos, manchas vermelhas na pele, dor abdominal (principalmente em crianças), entre outros sintomas. Os sintomas da Dengue Clássica duram até uma semana. Após este período, a pessoa pode continuar sentindo cansaço e indisposição. - Dengue Hemorrágica A Dengue Hemorrágica é uma doença grave caracterizada por alterações da coagulação sanguínea da pessoa infectada. No início assemelha-se a Dengue Clássica, após o terceiro ou quarto dia de evolução da doença surgem hemorragias em virtude do sangramento de pequenos vasos na pelo e nos órgãos internos. A Dengue Hemorrágica pode provocar hemorragias nasais, gengivais, urinárias, gastrointestinais ou uterinas. Na Dengue Hemorrágica, assim que os sintomas de febre acabam a pressão arterial do doente cai, o que pode gerar tontura, queda e choque. Se a doença não for tratada com rapidez, pode levar à morte. - Síndrome de Choque da Dengue Esta é a mais séria apresentação da dengue e se caracteriza por uma grande queda ou ausência de pressão arterial. A pessoa acometida pela doença apresenta um pulso quase imperceptível, inquietação, palidez e perda de consciência. Neste tipo de apresentação da doença, há registros de várias complicações, como alterações neurológicas, problemas cardiorrespiratórios, insuficiência hepática, hemorragia digestiva e derrame pleural. Entre as principais manifestações neurológicas, destacam-se: delírio, sonolência, depressão, coma, irritabilidade extrema, psicose, demência, amnésia, paralisias e sinais de meningite. Se a doença não for tratada com rapidez, pode levar à morte. Modo de transmissão A dengue é transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti ou Aedes albopictus. (ambos da família dos pernilongos) infectados com o vírus transmissor da doença. A transmissão nos mosquitos ocorre quando ele suga o sangue de uma pessoa já infectada com o vírus da dengue. Após um período de incubação, que inicia logo depois do contato do pernilongo com o vírus e dura entre 8 e 12 dias, o mosquito está apto a transmitir a doença. Nos seres humanos, o vírus permanece em incubação durante um período que pode durar de 3 a 15 dias. Só após esta etapa, é que os sintomas podem ser percebidos. É importante destacar que não há transmissão através do contato direto de um doente ou de suas secreções com uma pessoa sadia. O vírus também não é transmitido através da água ou alimento. Lembrete: Quem estiver com dengue deve se prevenir de picadas do mosquito Aedes aegypti para evitar a transmissão da doença para o mosquito. Assim, é possível cortar mais uma cadeia de transmissão do vírus. Portanto, quem estiver com dengue deve usar repelentes, mosquiteiros e/ou outras formas de evitar a picada do mosquito.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Bactéria pode ser arma contra dengue

Cientistas australianos tentam reduzir população de Aedes aegypti com parasita. - Os seres humanos podem se proteger da dengue adotando a estratégia de infectar os mosquitos portadores do vírus Aedes aegypti com uma bactéria que pode reduzir sua expectativa de vida e sua fertilidade, de acordo com cientistas. Em artigo na revista Science, pesquisadores da Universidade de Queensland, em Brisbane, na Austrália, afirmam ter descoberto que a bactéria Wolbachia se propaga com facilidade através de mosquitos criados em laboratório. O mosquito portador do vírus da dengue não é naturalmente suscetível à bactéria, então, os pesquisadores adaptaram um tipo de Wolbachia para que a infecção fosse bem sucedida. Além de reduzir a expectativa de vida dos insetos pela metade, a bactéria pode afetar sua população de outra forma. O microorganismo pode ser transmitido de uma fêmea infectada para seus filhotes. Os machos infectados sofrerão alterações sutis que fazem com que eles só produzam filhotes com fêmeas infectadas. Incubação Em experiências realizadas em laboratório, os pesquisadores observaram que a infecção reduziu a expectativa de vida dos insetos em poucas semanas. Este é um dado significativo porque depois que o mosquito adquire o vírus ao picar um animal ou ser humano infectado, há um período de incubação de uma a três semanas antes que ele possa retransmitir a infecção. Isto significa que só mosquitos que tenham vivido mais tempo poderão representar um risco para seres humanos e estes provavelmente vão morrer muito rápido, reduzindo sua habilidade de transmitir o vírus. Os pesquisadores sugerem que o uso da bactéria pode representar um meio barato de erradicar o mosquito transmissor da dengue, especialmente em áreas urbanas, onde pode ser difícil empregar outros métodos de controle. Inseticidas podem se mostrar ineficazes na erradicação do inseto pois alguns mosquitos desenvolvem uma resistência a eles. Mutação O potencial uso de Wolbachia para controlar a população de mosquitos tem sido sugerido há algum tempo, mas este mais recente estudo oferece esperança de que a estratégia possa funcionar. Apesar disso, ainda existem algumas incógnitas. Especialistas não sabem se a propagação do vírus seria bem sucedida fora do laboratório. Há ainda a possibilidade de o vírus sobreviver ao sofrer uma mutação, adaptando-se à infecção. Ele poderia, por exemplo, exigir um período de incubação mais curto. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Dengue

Denomina-se dengue a enfermidade causada por um arbovírus da família Flaviviridae, gênero Flavivirus, que inclui quatro tipos imunológicos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. A infecção por um deles dá proteção permanente para o mesmo sorotipo e imunidade parcial e temporária contra os outros três. A dengue tem, como hospedeiro vertebrado, o homem e outros primatas, mas somente o primeiro apresenta manifestação clínica da infecção e período de viremia de aproximadamente sete dias. Nos demais primatas, a viremia é baixa e de curta duração. Provavelmente, o termo dengue é derivado da frase swahili "ki dengu pepo", que descreve os ataques causados por maus espíritos e, inicialmente, usado para descrever enfermidade que acometeu ingleses durante epidemia, que afetou as Índias Ocidentais Espanholas em 1927-1928. Foi trazida para o continente americano a partir do Velho Mundo, com a colonização no final do século XVIII. Entretanto, não é possível afirmar, pelos registros históricos, que as epidemias foram causadas pelos vírus da dengue, visto que seus sintomas são similares aos de várias outras infecções, em especial, a febre amarela. A dengue é a arbovirose mais comum que atinge o homem, sendo responsável por cerca de 100 milhões de casos/ano em população de risco de 2,5 a 3 bilhões de seres humanos. A febre hemorrágica da dengue (FHD) e síndrome de choque da dengue (SCD) atingem pelo menos 500 mil pessoas/ano, apresentando taxa de mortalidade de até 10% para pacientes hospitalizados e 30% para pacientes não tratados. A dengue é endêmica no sudeste asiático e tem originado epidemias em várias regiões tropicais, em intervalos de 10 a 40 anos. Uma pandemia teve início na década dos anos 50 no sudeste asiático e, nos últimos 15 anos, vem se intensificando e se propagando pelos países tropicais do sul do Pacífico, África Oriental, ilhas do Caribe e América Latina. Epidemias da forma hemorrágica da doença têm ocorrido na Ásia, a partir da década de 1950, e no sul do Pacífico, na dos 80. Entretanto, alguns autores consideram que a doença não seja tão recente, podendo ter ocorrido nos EUA, África do Sul e Ásia, no fim do século XIX e início do XX. Durante a epidemia que ocorreu em Cuba, em 1981, foi relatado o primeiro de caso de dengue hemorrágica, fora do sudeste da Ásia e Pacífico. Este foi considerado o evento mais importante em relação à doença nas Américas. Naquela ocasião, foram notificados 344.203 casos clínicos de dengue, sendo 34 mil casos de FHD, 10.312 das formas mais severas, 158 óbitos (101 em crianças). O custo estimado da epidemia foi de US$ 103 milhões. Entre os anos 1995 e início de 2001, foram notificados à Organização Panamericana da Saúde - OPAS, por 44 países das Américas, 2.471.505 casos de dengue, dentre eles, 48.154 da forma hemorrágica e 563 óbitos. O Brasil, o México, a Colômbia, a Venezuela, a Nicarágua e Honduras apresentaram número elevado de notificações, com pequena variação ao longo do período, seguidos por Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Panamá, Porto Rico, Guiana Francesa, Suriname, Jamaica e Trinidad & Tobago. Nota-se a quase ausência de casos nos EUA, que notificaram somente sete, em 1995. A Argentina compareceu a partir de 1998 e o Paraguai, a partir de 1999. Os casos de dengue hemorrágica e óbitos acompanham a distribuição descrita acima, e parece não terem relação com os sorotipos circulantes. No Brasil, os sorotipos registrados foram o 1 e o 2. Somente no ano de 2000 registrou-se o sorotipo 3. A Guatemala notificou a circulação dos quatro sorotipos, com baixo número de casos graves e óbitos. A dengue é transmitida através da picada de uma fêmea contaminada do Aedes aegypti, pois o macho se alimenta apenas de seiva de plantas. Um único mosquito desses em toda a sua vida (45 dias em média) pode contaminar até 300 pessoas.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Educação Ambiental

Conceito No ambiente urbano das médias e grandes cidades, a escola, além de outros meios de comunicação é responsável pela educação do indivíduo e conseqüentemente da sociedade, uma vez que há o repasse de informações, gerando um sistema dinâmico e abrangente a todos. A população está cada vez mais envolvida com as novas tecnologias e com cenários urbanos perdendo desta maneira, a relação natural que tinham com a terra e suas culturas. Os cenários, tipo Shopping Center, passam a ser normais na vida dos jovens e os valores relacionados com a natureza não tem mais pontos de referência na atual sociedade moderna. A educação ambiental se constitui numa forma abrangente de educação, que se propõe atingir todos os cidadãos, através de um processo pedagógico participativo permanente que procura incutir no educando uma consciência crítica sobre a problemática ambiental, compreendendo-se como crítica a capacidade de captar a gênese e a evolução de problemas ambientais. O relacionamento da humanidade com a natureza, que teve início com um mínimo de interferência nos ecossistemas, tem hoje culminado numa forte pressão exercida sobre os recursos naturais. Atualmente, são comuns a contaminação dos cursos de água, a poluição atmosférica, a devastação das florestas, a caça indiscriminada e a redução ou mesmo destruição dos habitats faunísticos, além de muitas outras formas de agressão ao meio ambiente. Dentro deste contexto, é clara a necessidade de mudar o comportamento do homem em relação à natureza, no sentido de promover sob um modelo de desenvolvimento sustentável (processo que assegura uma gestão responsável dos recursos do planeta de forma a preservar os interesses das gerações futuras e, ao mesmo tempo atender as necessidades das gerações atuais), a compatibilização de práticas econômicas e conservacionistas, com reflexos positivos evidentes junto à qualidade de vida de todos. É subdividida em formal e informal: Formal é um processo institucionalizado que ocorre nas unidades de ensino; Informal se caracteriza por sua realização fora da escola, envolvendo flexibilidade de métodos e de conteúdos e um público alvo muito variável em suas características (faixa etária, nível de escolaridade, nível de conhecimento da problemática ambiental, etc.). Estratégias de Ensino para a Prática da Educação Ambiental Um programa de educação ambiental para ser efetivo deve promover simultaneamente, o desenvolvimento de conhecimento, de atitudes e de habilidades necessárias à preservação e melhoria da qualidade ambiental. Utiliza-se como laboratório, o metabolismo urbano e seus recursos naturais e físicos, iniciando pela escola, expandindo-se pela circunvizinhança e sucessivamente até a cidade, a região, o país, o continente e o planeta. A aprendizagem será efetiva se a atividade estiver adaptada às situações da vida real da cidade, ou do meio em que vivem aluno e professor. Estratégia Ocasião para Uso Vantagens/Desvantagens Discussão em classe (grande grupo) - Permite que os estudantes exponham suas opiniões oralmente a respeito de determinado problema; - Ajuda o estudante a compreender as questões; - Desenvolve autoconfiança e expressão oral; - Podem ocorrer dificuldades nos alunos de discussão Discussão em grupo (pequenos grupos com supervisor-professor) - Quando assuntos polêmicos são tratados. Mutirão de idéias (atividades que envolvam pequenos grupos, 5-10 estudantes para apresentar soluções possíveis para um dado problema, todas as sugestões são anotadas. Tempo limite de 10 a 15 min.). - Deve usado como recurso para encorajar e estimular idéias voltadas à solução de certo problema. O tempo deve ser utilizado para produzir as idéias e não para avaliá-las. - Estímulo ao desenvolvimento de relações positivas entre alunos e professores. Trabalho em grupo: envolve a participação de grupos de 4-8 membros que se tornam responsáveis pela execução de uma tarefa - Quando se necessita executar várias tarefas ao mesmo tempo. - Permite que os alunos se responsabilizem por uma tarefa por longos períodos (2 a 5 semanas) e exercitem a capacidade de organização; - Deve ser monitorada de modo que o trabalho não envolva apenas alguns membros do grupo Debate: requer a participação de dois grupos para apresentar idéias e Argumentos de pontos de vista opostos. - Quando assuntos controvertidos estão sendo discutidos e existam propostas diferentes de soluções; - Permite o desenvolvimento das habilidades de falar em público e ordenar a apresentação de fatos e idéias; - Requer muito tempo de preparação Questionário: desenvolvimento de um conjunto de questões ordenadas a ser submetido a um determinado público; - Usado para obter informações e/ou amostragem de opinião das pessoas em relação à dada questão; - Aplicado de forma adequada, produz excelentes resultados - Demanda muito tempo e experiência para produzir um conjunto ordenado de questões que cubram as informações requeridas Reflexão: o oposto do mutirão de idéias. É fixado um tempo aos estudantes para que sentem em algum lugar e pensem acerca de um problema específico ; - Usado para encorajar o desenvolvimento de idéias em resposta a um problema. Tempo recomendado de 10 a 15 min.; - Envolvimento de todos; - Não pode ser avaliado diretamente Imitação: estimula os estudantes a produzir sua própria versão dos jornais, dos programas de rádio e TV; - Os estudantes podem obter informações de sua escolha e levá-las para outros grupos. Dependendo das circunstâncias e do assunto a ser abordado, podem ser distribuídos na escola, aos pais e à comunidade; - Forma efetiva de aprendizagem e ação social Projetos: os alunos, supervisionados, planejam, executam, avaliam e redirecionam um projeto sobre um tema específico; - Realização de tarefas com objetivos a serem alcançados em longo prazo, com envolvimento da comunidade; - As pessoas recebem e executam o próprio trabalho, assim como podem diagnosticar falhas nos mesmos Exploração do ambiente local: prevê a utilização/exploração dos recursos locais próximos para estudos, observações, caminhadas etc. - Compreensão do metabolismo local, ou seja, da interação complexa dos processos ambientais a sua volta; - Agradabilidade na execução; - Grande participação de pessoas envolvidas; - Vivência de situações concretas; - Requer planejamento minucioso. Noções Básicas em Educação Ambiental Sistemas de vida A educação ambiental enfatiza as regularidades, e busca manter o respeito pelos diferentes ecossistemas e culturas humanas da Terra. O dever de reconhecer as similaridades globais, enquanto se interagem efetivamente com as especificidades locais, é resumido no seguinte lema: Pensar globalmente, agir localmente. Há três níveis ou sistemas distintos de existência: Físico: planeta físico, atmosfera, hidrosfera (águas) e litosfera (rochas e solos), que seguem as leis da física e da química; Biológico: a biosfera com todas as espécies da vida, que obedecem as leis da física, química, biologia e ecologia; Social: mundo das máquinas e construções criadas pelo homem, governos e economias, religiões e culturas, que seguem leis da física, da química, da biologia, da ecologia e também leis criadas pelo homem. Ciclos O material necessário para a vida (água, oxigênio, carbono, nitrogênio, etc.) passa através de ciclos biogeoquímicos que mantêm a sua pureza e a sua disponibilidade para os seres vivos. O ser humano está apenas começando a planejar uma economia industrial complexa, moderna e de alta produtividade que assegura a necessidade de reciclagem no planeta. Nos ecossistemas, os organismos e o ambiente interagem promovendo trocas de materiais e energia através das cadeias alimentares e ciclos biogeoquímicos. Crescimento Populacional e Capacidade de Suporte A capacidade de suporte para a vida humana e para a sociedade é complexa, dinâmica e variada de acordo com a forma segundo a qual o homem maneja os seus recursos ambientais. É definida pelo seu fator mais limitante e pode ser melhorada ou degradada pelas atividades humanas. Desenvolvimento Socialmente Sustentável A chave para o desenvolvimento é a participação, a organização, a educação e o fortalecimento das pessoas. O desenvolvimento sustentado não é centrado na produção e sim em pessoas. Deve ser apropriado não só aos recursos e ao meio ambiente, mas também à cultura, história e sistemas sociais do local onde ele ocorre. Ecossistemas Naturais Ecossistemas Humanos ENERGIA São sustentados por uma fonte ilimitada de energia: radiação solar. Atualmente sustentados por uma fonte finita de energia: combustíveis fósseis. Não acumular energia em excesso. O consumo excessivo de combustíveis fósseis libera muito calor para a biosfera e altera a temperatura. Nas cadeiras alimentares, cerca de 10 calorias de um organismo são necessárias para produzir 1 caloria do outro. Nas cadeias alimentares são necessárias 100 calorias de combustível fóssil para produzir 10 calorias de alimentos que irão gerar 1 caloria no homem. EVOLUÇÃO A evolução biológica adapta todos os organismos e os seus sistemas de suporte aos processos que sustentam a vida. A evolução cultural atualmente subordina os organismos e os sistemas de suporte da Terra aos processos que sustentam a tecnologia. POPULAÇÃO Mantém os níveis de população de cada espécie dentro dos limites estabelecidos pelos controles e balanços naturais, incluindo fatores como alimento, abrigo, doenças e presença de inimigos naturais. Permite que as populações cresçam tão rapidamente quando podem aumentar a disponibilidade de alimentos e abrigo, e elimina inimigos naturais e doença via biocidas e medicamentos. COMUNIDADE Apresenta uma grande diversidade de espécies que vivem nos limites do local dos recursos naturais. Tende a excluir a maioria das espécies e é sustentada por recursos provenientes de áreas além das áreas locais. INTERACÃO As comunidades são organizadas em torno das interações de funções biológicas e processos, de modo crescente, em torno de interações de funções e processos tecnológicos. A maioria dos organismos interage com uma grande variedade de outros organismos. EQUILÍBRIO São imediatamente governados por processos comuns, naturais, de controle e equilíbrio, incluindo a disponibilidade de luz, alimentos, água, oxigênio, habitat e a presença ou ausência de inimigos naturais e doenças. São imediatamente governados por um conjunto de competições de controle cultural e equilíbrio, inclusive de ideologia, costumes, religião, leis, políticas e economias. Esse acordo considera um pouco, ou não considera os requerimentos para a sustentação da vida, que não seja humana. Atividades Para Comunidade Florestal (Vilas de Empresas Florestais) A atividade florestal deverá participar cada vez mais no desenvolvimento do país, não apenas pelo lado econômico, como geradora de divisas, mas também do lado social, como componente indispensável à manutenção da qualidade de vida. São programas de educação ambiental, especialmente aqueles que se destinam às comunidades internas e externas e às instituições florestais, devem centrar-se no tema florestas e na interdependência da sociedade com as mesmas. Ambas as formações, naturais e implantadas, possuem uma importância ecológica e sócio-econômica de grande relevância para a sociedade. Esta importância justifica a implantação de programas de educação ambiental que, no mínimo, despertem as pessoas para sua significância. O mais importante nestes programas é saber relacionar as florestas com o cotidiano das pessoas, seja demonstrando que, móveis, materiais de construção, papel, fósforos e outros elementos são produtos originariamente florestais ou, evidenciando que o micro clima, a presença de pássaros, a água de consumo e o lazer são seus produtos indiretos. Outros aspectos importantes são os que dizem respeito à segurança das áreas de florestas de propriedade da empresa e com relação aos incêndios florestais. Ações Diretas para e Prática da Educação Ambiental Visitas a Museus, criadouro científico de animais silvestres. Passeios em trilhas ecológicas/desenhos: normalmente as trilhas são interpretativas; apresentam percursos nos quais existem pontos determinados para interpretação com auxílio de placas, setas e outros indicadores, ou então pode-se utilizar a interpretação espontânea, na qual monitores estimulam as crianças à curiosidade a medida que eventos, locais e fatos se sucedem. Feitos através da observação direta em relação ao ambiente, os desenhos tornam-se instrumentos eficazes para indicar os temas que mais estimulam a percepção ambiental do observador. Parcerias com Secretarias de Educação de Municípios: formando Clubes de Ciências do Ambiente, com o objetivo de executar projetos interdisciplinares que visem solucionar problemas ambientais locais (agir localmente, pensar globalmente). Os temas mais trabalhados são reciclagem do lixo, agricultura orgânica, arborização urbana e preservação do ambiente. Ecoturismo: quando da existência de parques ecológicos ou mesmo nos locais onde estão localizadas as trilhas, há a extensão para a comunidade em geral. Os visitantes são orientados na chegada por um funcionário e a visitação é livre, com acesso ao Museu, ao Criadouro de Animais e as trilhas. Publicações periódicas: abordagem de assuntos relativos aos recursos naturais da região e às atividades da área de ambiência da empresa. Educação ambiental para funcionários: treinamento aplicado aos funcionários da área florestal da empresa, orientando-os quanto aos procedimentos ambientalmente corretos no exercício de suas funções, fazendo com que eles se tornem responsáveis pelas práticas conservacionistas em seu ambiente de trabalho, chegando ao seu lar e à sua família. Atividades com a comunidade e campanhas de conscientização ambiental: com o intuito de incrementar a participação da comunidade nos aspectos relativos ao conhecimento e melhoria de seu próprio ambiente, são organizadas e incentivadas diversas atividades que envolvem a comunidade da região, como caminhadas rústicas pela região. Programas de orientação ambiental: a empresa desenvolve ainda outros programas para orientação ambiental como, por exemplo, fichas de visualização dos animais silvestres, orientação à comunidade para atendimento aos aspectos legais de caça e pesca produção e distribuição de cadernos, calendários e cartões com motivos ambientalistas. Para Comunidades Agrícolas em Geral Tem como finalidade principal a orientação aos pequenos produtores (silvicultores ou agricultores), quanto ao uso correto de agrotóxicos, suas aplicações, noções sobre atividades modificadoras do meio ambiente, técnicas agro florestais, permacultura e a legislação pertinente. Interage como uma contribuição para a formação da consciência social e agro ecológica da população destas comunidades. Acontece através de visitas às famílias, dias de campo e palestras realizadas em escolas ou centros comunitários da região, onde são demonstradas práticas e técnicas agrícolas de conservação do solo, de pesquisa e novas alternativas que se conciliem com as práticas tradicionais de agricultura da comunidade. Além destas ações, promover atividades educativas para as crianças nas escolas e oficinas de trabalhos para as mulheres, sempre com o objetivo de demonstrar que se bem aproveitados e preservados, os recursos do meio ambiente só trazem benefícios para a comunidade. Legislação Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999, que institui a Política Nacional de Educação Ambiental, e dá outras providências.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Extrato de semente de uva pode matar células de câncer

Substância levou células de leucemia ao 'suicídio' e preservou as saudáveis. - Um estudo conduzido por pesquisadores americanos sugere que extrato de sementes de uva pode destruir células cancerígenas. Os cientistas, da Universidade de Kentucky, realizaram experiências de laboratório e mostraram que, em 24 horas, 76% de células de leucemia expostas ao extrato foram mortas e as células saudáveis ficaram intactas. A pesquisa abre caminho para novos tratamentos contra o câncer, mas os especialistas disseram que ainda é muito cedo para recomendar que as pessoas comam uvas como forma de evitar a doença. As sementes de uva contêm alta concentração de antioxidantes, conhecidos por sua propriedades contra o câncer. Pesquisas anteriores já haviam mostrado que o extrato da semente da fruta pode ser eficaz no combate a células cancerígenas da pele, mama, intestino, pulmão, estômago e próstata. Suicídio No entanto, o estudo americano é inédito ao provar as ações do extrato contra a leucemia. Na experiência, os cientistas expuseram as células doentes a altas doses do extrato, levando várias delas a "cometerem suicídio", em um processo conhecido como apoptose. Os pesquisadores observaram que o extrato ativou a proteína JNK, que ajuda a regular o processo de auto-destruição celular. Ao exporem as células de leucemia a um agente que inibe a proteína JNK, o efeito do extrato da semente de uva foi interrompido. O autor do estudo, Xianglin Shi, disse que os resultados podem levar à incorporação de novos agentes na prevenção ou tratamento da leucemia e de outros tipos de câncer. O que todos buscam é um agente que tenha um efeito nas células cancerígenas, mas que deixe as saudáveis intactas. E o extrato de semente de uva se encaixa nesta categoria.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Biobancos do Sistema de Informações da República Portuguesa

Bancos de produtos biológicos: • Qualquer repositório de amostras biológicas ou seus derivados, com ou sem tempo delimitado de armazenamento, quer utilize colheita prospectiva ou material previamente colhido quer tenha sido obtido como componente da prestação de cuidados de saúde de rotina, quer em programas de rastreio, quer para investigação, e que inclua amostras que sejam identificadas, identificáveis, anonimizadas ou anônimas, para fins de prestação de cuidados de saúde, incluindo o diagnóstico e a prevenção de doenças, ou de investigação básica ou aplicada à saúde. Deveres dos investigadores responsáveis: • Verificação da proteção dos direitos e interesses das pessoas a quem o material biológico pertence, incluindo a privacidade e confidencialidade, bem como da preservação das amostras que possam mais tarde vir a ser necessárias para diagnóstico de doença familiar. • Zelar pela conservação e integridade das coleções de produtos biológicos. • Informar as pessoas de quem foi obtido consentimento da perda, alteração ou destruição de amostras, ou da decisão de abandonar uma investigação, ou de fechar o banco. • Só podem ser usadas amostras anônimas ou irreversivelmente anonimizadas, devendo as amostras identificadas ou identificáveis ficar limitadas a estudos que não possam ser feitos de outro modo. • As entidades com fins comerciais só podem armazenar material biológico humano anonimizado. • Exceção, só para entidades públicas: Havendo absoluta necessidade de se usarem amostras identificadas ou identificáveis, estas devem ser codificadas, ficando os códigos armazenados separadamente. Requisitos de constituição de «biobancos»: • Autorização prévia de entidade credenciada pelo departamento responsável pela tutela da saúde. • Autorização da Comissão Nacional de Proteção de Dados (se o banco estiver associado a dados pessoais). • Finalidade única de prestação de cuidados de saúde, incluindo o diagnóstico e a prevenção de doenças, ou de investigação básica ou aplicada à saúde. • Colheita de produtos apenas a pedido de médicos, e não dos próprios e seus familiares. • Consentimento informado escrito, incluindo informação sobre as finalidades do banco, o seu responsável, os tipos de investigação a desenvolver, os riscos e benefícios potenciais, as condições e duração do armazenamento, medidas para garantir a privacidade e confidencialidade e a previsão quanto à possibilidade de comunicação ou não de resultados obtidos com esse material. • Na impossibilidade de obter o consentimento, o processamento poderá ser permitido para finalidades de investigação científica ou obtenção de dados epidemiológicos ou estatísticos. • No caso de o banco envolver amostras identificadas ou identificáveis e estar prevista a possibilidade de comunicação de resultados dos estudos efetuados, deve ser envolvido neste processo um médico especialista em genética. Normas especiais: • A conservação de amostras de sangue seco em papel, obtidas em rastreio neonatais ou outros, deve ser considerada à luz dos potenciais benefícios e perigos para os indivíduos e a sociedade, podendo, no entanto, ser utilizadas para estudos familiares no contexto do aconselhamento genético, ou então para investigação genética, desde que previamente anonimizadas de forma irreversível. • A transferência de um grande número de amostras ou coleções deve sempre respeitar a finalidade da criação do banco para o qual foi obtido o consentimento e ser aprovada pelas comissões de ética responsáveis. Propriedade do material biológico: • O material armazenado é propriedade das pessoas em quem foi obtido e, depois da sua morte ou incapacidade, dos seus familiares. • O material biológico deve ser armazenado enquanto for de comprovada utilidade para os familiares atuais e futuros. • É proibida a utilização comercial, o patenteamento ou qualquer ganho financeiro de amostras biológicas enquanto tais. • O patrimônio genético humano não é susceptível de qualquer patenteamento. Confidencialidade do material identificado: Os responsáveis pelos «biobancos» devem garantir a privacidade e confidencialidade do material identificado através das seguintes medidas: • Evitar o armazenamento de material identificado. • Controlar o acesso às coleções. • Limitar o número de pessoas autorizadas a terem acesso. • Garantir a segurança contra perdas, alteração e destruição. Regras especiais de consentimento informado • A investigação sobre o genoma humano só é possível com o consentimento informado, expresso por escrito e após a explicação dos seus direitos, da natureza e finalidades da investigação, dos procedimentos utilizados e dos riscos potenciais envolvidos para os próprios e para terceiros. • Os testes de detecção do estado de heterozigoto, diagnóstico pré- -sintomático de doenças monogênicas e testes de susceptibilidade em pessoas saudáveis só podem ser executados com autorização do próprio, a pedido de um médico com especialidade em genética e na seqüência da realização de consulta de aconselhamento genético, após consentimento informado, expresso e por escrito. • A colheita de sangue e de outros produtos biológicos e a colheita de amostras de ADN para testes genéticos necessitam de consentimento informado distinto, consoante a finalidade seja para fins assistenciais ou de investigação, donde deve constar a finalidade da colheita e o tempo de conservação das amostras. • Existe o direito a retirar o consentimento (pelo próprio ou pelos familiares em caso de morte ou incapacidade deste) quanto ao armazenamento de material biológico, devendo, neste caso, as amostras, e derivados, ser então definitivamente destruídas. • A colheita de sangue e de outros produtos biológicos e a colheita de amostras de ADN para testes genéticos para os quais tenha sido dado consentimento para certo tipo de finalidades não podem ser usadas para outro tipo de finalidades sem novo consentimento do próprio ou seus familiares, no caso de morte ou incapacidade deste. • As amostras colhidas com finalidade médica ou científica específica só podem ser utilizadas com o consentimento expresso das pessoas envolvidas ou seus representantes legais. Intervenções de comissões de ética • A investigação sobre o genoma humano está sujeita à aprovação pelos comitês de ética hospitalares, universitários ou de investigação. • A transferência de um grande número de amostras ou de material biológico para outras entidades, nacionais ou estrangeiras, deverá ser aprovada pelas «comissões de ética responsáveis». • A constituição de bancos de dados que descrevem determinada população e a eventual transferência dos seus dados devem ser aprovadas pelo Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) e pela Assembléia da República, quando representativos da população nacional. Disposições finais Obrigatoriedade de elaboração por parte do Governo das necessárias disposições regulamentares ao abrigo da lei no prazo de 180 dias. Áreas que carecem de regulamentação complementar: • Medidas administrativas e legislativas para proteção reforçada da confidencialidade para a informação genética em termos de acesso, segurança e confidencialidade. • Regras para o licenciamento e promoção de processos de garantia de qualidade dos bancos de produtos biológicos. • Regras de funcionamento dos bancos de produtos biológicos constituídos para fins forenses. Áreas que carecem de regulamentação própria: • Definição de medidas de promoção da investigação e de proteção da identidade genética pessoal e de validação clínica e analítica dos testes genéticos, particularmente dos testes preditivos para genes de susceptibilidade e da resposta a tratamentos medicamentosos, bem como dos testes de rastreio genético, nomeadamente: — Condições de oferta da realização de testes genéticos; medidas de certificação para licenciamento dos laboratórios públicos e privados onde se realizem testes genéticos. — Regras acerca da informação a dar, após a consulta de genética médica, aos cidadãos sobre os mecanismos de transmissão e os riscos que estes implicam para os seus familiares. Relatório periódico sobre a aplicação da lei: • O Governo deve apresentar à Assembléia da República, ouvido o CNECV, no prazo de dois anos após entrada em vigor da lei, e a cada dois anos subseqüentes, relatório sobre as condições e conseqüências da sua aplicação, tendo em conta a evolução da discussão pública no âmbito dos seus fundamentos éticos e progressos científicos, entretanto verificados. Finda a apresentação das normas mais relevantes da Lei n.o 12/2005, de 26 de Janeiro, cumpre-nos notar que o prazo para elaboração e publicação da regulamentação prevista na mesma poderá sofrer um atraso devido à mudança de governo operada em conseqüência de eleições antecipadas realizadas em Fevereiro de 2005. No entanto, dado que diplomas como este têm enorme impacto em sectores de crucial importância para o desenvolvimento científico do país, tal como o da investigação em material biológico humano, seria de todo o interesse que fosse dada prioridade à publicação da regulamentação mencionada, de forma a clarificar as regras segundo as quais se podem processar as atividades em causa. Existem normas de conteúdo obscuro que não parecem estar adaptadas à realidade, tal como a proibição a existência de coleções de material biológico humano identificado em entidades com fins comerciais, as quais deveriam ser esclarecidas em regulamentação idônea, para evitar situações de indefinição legal ao nível do setor privado.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Avançam ''biobancos'' para estudo de doenças

Arquivamento em massa associa genes, fatores ambientais e enfermidades. Pesquisadores de todo o mundo começaram a conservar sangue e tecidos de centenas de milhares de pessoas nos chamados "biobanks". O objetivo é descobrir o nexo entre os genes, o meio ambiente e as doenças. Para isso, armazenam glóbulos brancos e tecidos em que se leem o genoma das pessoas, que é a informação codificada do DNA. A ideia não é usá-los para curar doenças do doador, como se faz com as células-tronco recolhidas nos bancos de sangue de cordão umbilical, mas sim para o combate coletivo das doenças com um entendimento maior dos genes. Tem havido uma explosão de bancos biológicos porque a tecnologia é suficientemente barata e é fácil recolher amostras. A China já conta com amostras de 500 mil pessoas. A Islândia já acumulou mais de 200 mil, mesmo com uma população de apenas 320 mil habitantes. Nos EUA, entidades privadas têm recolhido centenas de milhares de amostras e o banco biológico do Reino Unido, lançado com financiamento público, pretende chegar também a 500 mil amostras. Hoje, muitos estudos analisam algum determinante genético para uma doença, porém a vantagem dos bancos biológicos é que não se fixam em um gene em particular. Pelo grande número de participantes não só se veem os vínculos óbvios entre genética e enfermidades, mas também as relações tênues, que indicam os atores moleculares que são responsáveis pelas doenças. DILEMA ÉTICO A proliferação dos "biobanks", no entanto, também tem gerado novos dilemas éticos. A questão principal é quem tem acesso à informação do banco de dados, que inclui a historia clínica do doador. A lei americana apresenta lacunas e em outros países simplesmente não existe. Não está claro, por exemplo, se a polícia tem o direito de checar as características genéticas de uma pessoa, ou mesmo se o próprio doador deve saber. O genoma pode indicar, por exemplo, a propensão a alguma doença incurável. A motivação é a perspectiva de descobrir melhores métodos de prevenção e tratamento do câncer, Alzheimer e doenças cardiovasculares. A grande base de dados permite também entender doenças raras, que afetam poucas pessoas.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Variação da glicemia está ligada à perda de memória

Segundo uma pesquisa do Centro Médico da Universidade Columbia (USA), as variações do nível de açúcar no sangue afetam a memória porque agem sobre uma área do cérebro pertencente ao hipocampo - responsável por auxiliar a memória. O estudo, financiado em parte pelo Instituto Nacional do Envelhecimento, foi publicado na edição de dezembro da Annals of Neurology. Pesquisadores afirmam que os efeitos podem ser constatados sempre que os níveis de açúcar no sangue são apenas moderadamente elevados. A conclusão ajuda a explicar o relação da idade com o declínio cognitivo, sendo que o controle da glicemia piora com o envelhecimento. Foram utilizados exames de ressonância magnética para mapear o cérebro de 240 pacientes idosos. Conclue-se que isso está relacionado com o declínio cognitivo relacionado à idade, podendo afetar a todos. A capacidade de regulação da glicose começa a deteriorar por volta da terceira ou quarta década de vida. O controle da glicose melhora com a realização de atividades físicas, temos uma recomendação comportamental: fazer exercícios. Muito açúcar no sangue afeta memória O cérebro precisa de glicose para trabalhar Altos níveis de açúcar no sangue podem estar ligados à memória ruim, de acordo com pesquisadores da Universidade de Nova York. A descoberta pode ajudar a explicar porque pessoas podem sofrer problemas de memória quando ficam mais velhas. Segundo os cientistas, a memória pode ser melhorada com exercícios e perda de peso, que ajudariam a controlar os níveis de açúcar no sangue. A glicose é necessária para dar energia ao corpo. Acreditava-se que o suprimento para o cérebro estaria protegido, mas agora se sabe que isso não é verdade quando se trata de diabéticos ou de pessoas com alto nível de açúcar no sangue. Distúrbio Pesquisadores da faculdade de medicina da Universidade de Nova York estudaram 30 homens e mulheres, com idades entre 53 e 89 anos, que não tinham sido diagnosticados como portadores de diabetes. Mas alguns deles tinham níveis mais altos de glicose do que o normal, um distúrbio que pode levar à diabetes. Os cientistas se concentraram no hipocampo, uma parte do cérebro fundamental para o aprendizado e a memória. Eles escanearam os cérebros dessas pessoas para medir o tamanho do hipocampo e fizeram testes de memória e de conhecimento. A capacidade dos pacientes processarem glicose foi testada em seguida a uma noite de jejum. O grupo com altos níveis de glicose mostrou um hipocampo menor e teve resultados piores nos testes para memória recente. Os pesquisadores afirmam que tentar relembrar fatos põe muita pressão no suprimento de energia nas pessoas que têm níveis mais altos de glicose, causando problemas de memória. O hipocampo, segundo eles, é uma área particularmente vulnerável e pode sofrer danos com o tempo. Demonstramos que a regulagem da glicose está associada com disfunções de memória e com o encolhimento do hipocampo. Estudo indica que essa deficiência pode contribuir para falhas de memória que ocorrem com o envelhecimento e levanta a possibilidade de que melhorar a tolerância à glicose pode acabar com problemas de conhecimento associados à idade.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Dicas de saúde para o verão

No fim de ano, é preciso ter cuidado, entre outras coisas, com alimentação e saneamento básico. Essas preocupações devem ser extensivas às crianças e idosos também. Alimentação e hidratação É importante aumentar o consumo de líquidos, como água, água de coco e sucos de frutas. A hidratação é essencial pra repor as perdas do organismo, tanto de água quanto de sais minerais. O consumo de vegetais, como frutas e verduras, também deve aumentar. Frituras e alimentos gordurosos devem ser evitados. Peixes e frutos do mar Antes de comprar, preste atenção nas condições de armazenamento e higiene. Fique atento ao uso de toldos vermelhos: eles podem "maquiar" a cor do peixe. A aparência do pescado também é importante: pressione com os dedos, verificando a firmeza da barriga do peixe. Veja se os olhos estão brilhantes e salientes. Também é preciso checar se as guelras estão vermelhas, e se as escamas estão presas ao corpo. Evite comprar peixes em postas ou filés, porque dessa maneira você não tem como avaliar a boa qualidade do produto. Quanto aos frutos do mar, o camarão deve ser firme, com a carapaça presa ao corpo e o odor deve ser característico do produto, sem ser forte demais. No caso de lulas e polvos, o melhor é adquirir os de cor mais clara, que são mais frescos. Já com mexilhões, mariscos e ostras, observe se as conchas estão bem fechadas. Cuidados com a pele A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda que todas as medidas de proteção sejam adotadas sob o sol: chapéus, camisetas e protetores solares. Também deve ser evitada a exposição direta à luz solar entre 10 e 16h, durante o horário de verão. Barraca e guarda-sol O ideal é que as barracas usadas na praia sejam feitas de algodão ou lona, que absorvem 50% da radiação ultravioleta. As barracas de nylon formam uma barreira pouco confiável: 95% dos raios UV, que causam queimaduras e podem provocar câncer de pele, ultrapassam o material. Criança na praia É importante conferir as condições de balneabilidade das praias antes de sair de casa e, uma vez na praia, procurar locais onde haja salva-vidas. Não mergulhe em águas turvas. Evite nadar perto de atracadouros, embarcações, rochas e em área de correnteza. Mantenha as crianças, principalmente as menores de 7 anos, sob observação, para evitar que se percam. Crianças maiores devem ser orientadas a procurar um salva-vidas, caso não consigam reencontrar os pais.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Evite o Desperdício!

Sugestões para usar melhor os eletrodomésticos sem desperdiçar energia elétrica. Dicas da Copel - PR Desperdício - Elimine esse hábito Eliminar desperdícios ainda é a maneira mais fácil de economizar energia elétrica. O gráfico abaixo mostra como as pessoas usam a energia elétrica de maneira geral: A seguir, sugestões para usar melhor os eletrodomésticos sem desperdiçar energia elétrica: Geladeira Não abra a porta sem necessidade ou por tempo prolongado. Coloque e retire os alimentos e bebidas de uma só vez. Evite guardar alimentos ou líquidos quentes na geladeira. Não forre as prateleiras da geladeira com plásticos ou vidros. Evite a formação de uma camada muita espessa de gelo, faça o degelo periodicamente. No inverno, diminua a regulagem da temperatura. Mantenha limpa a parte traseira, evitando utilizá-la para secar panos, roupas, etc. Verifique se as borrachas de vedação das portas estão em bom estado. Faça assim: 1. Feche a porta da geladeira prendendo uma folha de papel e tente retirá-la. 2. Se ela deslizar e sair facilmente é sinal que as borrachas não estão vedando corretamente, troque-as. 3. Repita esse teste em toda a volta da porta. Iluminação Evite acender lâmpadas durante o dia; abra bem cortinas e persianas e use ao máximo a luz do sol. Use cores claras nas paredes internas da sua residência - as cores escuras exigem lâmpadas com potência maior (Watts) que consomem mais energia. Prefira lâmpadas fluorescentes ou fluorescentes compactas, pois iluminam melhor, consomem menos energia e duram até dez vezes mais do que as lâmpadas incandescentes. Apague sempre as luzes dos ambientes desocupados, salvo aquelas que contribuam para a segurança. Limpe regularmente luminárias, globos e arandelas para ter um bom nível de iluminamento. Televisor Não deixe o televisor ligado sem necessidade. Evite o hábito de dormir com o aparelho ligado. Ferro elétrico Espere acumular uma boa quantidade de roupa e passe tudo de uma vez. Ligar o ferro várias vezes ao dia desperdiça muita energia. No caso de ferro elétrico automático, use a temperatura de aquecimento indicada para cada tipo de tecido, iniciando sempre pelas roupas que requerem temperaturas mais baixas. Deixe o ferro desligado quando não estiver em uso, mesmo por intervalos curtos. Máquinas de lavar roupa e louça Utilize as máquinas de lavar roupa ou louça sempre na capacidade máxima. Utilize a quantidade adequada de sabão ou detergente para não ter que repetir a operação de enxaguar. Condicionador de ar Mantenha as portas e janelas fechadas ao usar o condicionador de ar. A vedação do ambiente deve ser bem feita. Limpe os filtros periodicamente para melhorar a circulação do ar e consumir menos energia. Habitue-se a desligar o aparelho ao se ausentar por período superior a uma hora. Evite instalar o aparelho em local exposto aos raios solares. Regule o termostato. O frio ou calor máximo nem sempre é a condição mais confortável.