quinta-feira, 29 de abril de 2010

Estudo aponta 208,2 km² de desmatamentos

Estudos do DETER/INPE apontam 208,2 km² de desmatamentos na Amazônia no primeiro bimestre de 2.010.
Nos meses de janeiro e fevereiro foram apontados 208,2 km² de desmatamentos pelo DETER, sistema de alerta baseado em satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) que verifica a ocorrência de corte raso ou degradação progressiva na Amazônia Legal.No Mato Grosso foram registrados 69% do total de alertas de desmatamentos do bimestre, o que correspondeu a 143.4 km². O estado foi o que apresentou melhor oportunidade de observação pelo sistema. De modo geral, em janeiro foi possível observar por satélites apenas 31% da Amazônia, enquanto em fevereiro a área total verificada chegou a 43%.Confira na tabela abaixo os dados por estado durante o bimestre.
Na época de chuvas na Amazônia, quando se torna mais difícil a observação por satélites por causa da intensidade de nuvens que cobrem a região, o INPE divulga os resultados do DETER agrupados por bimestre. Mas o sistema mantém durante todo o período sua operação regular enviando dados quinzenalmente ao IBAMA. Em função da cobertura de nuvens variável de um mês para outro e, também, da resolução dos satélites, os dados do DETER não representam uma avaliação fiel do desmatamento mensal da Amazônia. Pelos mesmos motivos os técnicos do INPE não recomendam a comparação entre dados de diferentes meses e anos. AvaliaçãoA cada divulgação sobre este sistema de alerta o INPE apresenta também um relatório de avaliação dos dados. O documento detalha a localização dos desmatamentos e mostra no mapa as áreas que não puderam ser observadas devido à cobertura de nuvens. No bimestre de janeiro e fevereiro, 97,2% das áreas de alertas foram confirmadas como desmatamentos. Feita com imagens de melhor resolução espacial, a qualificação amostral dos dados do DETER aponta os diferentes níveis de degradação da floresta. Desta vez 86,5% dos desmatamentos foram classificados como corte raso e 10,7% como floresta degradada.
Confira o relatório de avaliação O sistema DETER Em operação desde 2004, o DETER (Detecção do Desmatamento em Tempo Real) é um sistema de alerta para suporte à fiscalização e controle de desmatamento. Embora os dados sejam divulgados em relatórios mensais ou bimestrais, os resultados do DETER são enviados a cada quinzena ao IBAMA, responsável por fiscalizar as áreas. O sistema indica tanto áreas de corte raso, quando os satélites detectam a completa retirada da floresta nativa, quanto áreas classificadas como degradação progressiva, que revelam o processo de desmatamento na região. Com o DETER, é possível detectar apenas polígonos de desmatamento com área maior que 25 hectares por conta da resolução dos sensores espaciais (o DETER utiliza dados do sensor MODIS do satélite Terra e do sensor WFI do satélite sino-brasileiro CBERS, com resolução espacial de 250 metros). Devido à cobertura de nuvens, nem todos os desmatamentos maiores que 25 hectares são identificados pelo sistema. Contudo, a menor resolução dos sensores usados pelo DETER é compensada pela capacidade de observação diária, que torna o sistema uma ferramenta ideal para informar rapidamente aos órgãos de fiscalização sobre novos desmatamentos. Todos os dados do DETER são públicos e podem ser consultados no site www.obt.inpe.br/deter

Amazônia. 2015, desmatamento zero

Está prevista, para o final de 2.010, a próxima Cúpula do clima. Cancun, no México, receberá pesquisadores, governantes e todos aqueles interessados no tema para discutir o futuro do planeta. O objetivo é que agora se consiga produzir um acordo global com ações efetivas para combater as mudanças climáticas, diferente do que aconteceu em Copenhague, cujo resultado foi considerado um desastre com um acordo que não muda nada. “O Brasil, por exemplo, disse que só sairia de Copenhague com um protocolo ambicioso, com continuidade de Kyoto, com um novo protocolo de compromissos de longo prazo, e foi um dos países que, no momento final, fechou o tal do acordo de Copenhague que é muito fraco”, apontou o coordenador da campanha do clima do Greenpeace, João Talocchi durante a entrevista que concedeu à IHU On-Line por telefone. Talocchi pontua fatos que precisam acontecer para que a próxima cúpula tenha resultados melhores do que a de Copenhague. “Os países precisam criar confiança uns nos outros”, indicou. Assim como aumentar a ambição em relação às metas atuais. “É preciso observar as metas colocadas por cada país e melhorar”, disse. Ele ainda fez um alerta para a população brasileira: “Eu acho importante que, num ano de eleição, as pessoas saibam procurar candidatos que tenham propostas relevantes na questão do meio ambiente, não só mudanças do clima em geral, mas em várias outras questões”. IHU On-Line – O que precisa acontecer na próxima cúpula do Clima em Cancun, no México? João Talocchi – Em Copenhague, a gente precisava de um acordo de clima que fosse ambicioso e que fosse justo para todos os países. Não conseguimos isso. O clima continua sofrendo os impactos das emissões de gases de efeito estufa, e a temperatura continua subindo. Isso só significa que a urgência que a gente tem para lidar com o tema agora é muito maior. Nós precisamos que esse acordo aconteça o mais rápido possível, e paralelamente às negociações precisamos que os países comecem realmente a adotar medidas que reduzam as emissões. Então, não é só continuar a negociar um acordo durante esse ano, mas sim começar a fazer acontecer, a zerar o desmatamento, mudar a matriz energética. Nós já estamos no tempo reserva, o acordo deveria ter acontecido no final do ano passado. Então, quanto mais tempo nós demorarmos para resolver essa questão, mais difícil vai ficar de se evitar as mudanças do clima mais catastróficas. Agora, o que vai acontecer em Cancun depende da vontade política dos nossos governantes. Esperamos que eles cheguem lá com a maior vontade política do mundo para que possam fazer um acordo fabuloso. Nós vamos trabalhar para isso, só que, até aí, é melhor nós perguntarmos para eles. IHU On-Line – E o que é preciso fazer ou discutir para que o acordo seja feito? João Talocchi – Primeiro, os países precisam criar confiança uns nos outros. Em Copenhague, uma das principais coisas que se viu foi que ninguém confia em ninguém. O país tem uma posição, chega na hora ele muda, ele faz uma coisa e faz outra. E sem confiança em um processo onde você precisa da participação de todos para provar alguma coisa, você não consegue trabalhar. A única coisa que ainda não está decidida, mas vai ser discutida numa reunião de três dias na Alemanha, é a agenda de negociação. Os negociadores precisam se encontrar mais de duas vezes antes do evento. Outra coisa que precisa acontecer é unir as partes onde já existe consenso e consolidá-las. Então, já existe consenso de cem bilhões de dólares para financiamento. Esse número precisa crescer? Precisa. Precisa aumentar o nível de ambição? Com certeza, e isso deve estar nos textos de negociação. É preciso observar as metas colocadas por cada país e melhorar, aumentar a ambição desses países, e isso só vai vir com confiança entre eles. Outra coisa que precisa acontecer é que se crie um mecanismo de proteção para as florestas que consiga, a partir de agora, reduzir o desmatamento ao nível zero. Uma das demandas do Greenpeace é o desmatamento zero na Amazônia, já em 2015, porque ela é a maior floresta tropical do mundo e uma fonte enorme de emissões de gases de efeito estufa. IHU On-Line – Mas essa desconfiança gira em torno da questão econômica? João Talocchi – A negociação de clima não é mais uma negociação de meio ambiente, ela já virou uma negociação de desenvolvimento. Você vai para uma dessas cúpulas internacionais e lá você tem gente do setor de aviação, do setor marítimo, setor agrícola, setor energético, do transporte, florestal. Você já vê ali interesses muito maiores. As reuniões que acontecem aqui no Brasil envolvem vários ministérios porque tentar fazer uma mudança envolve vários setores. Então, é uma discussão econômica com disputas entre quem vai crescer mais, quem terá a economia afetada, se vai gerar emprego ou desemprego, se vai afetar o desenvolvimento tecnológico. Existe também a questão se o país vai cumprir ou não o acordo firmado. Os Estados Unidos se recusam a assinar alguma coisa que tenha peso de lei, o que mostra que eles não estão sendo sérios em relação a isso. Então, essa confiança gira em torno de todas essas coisas e até mesmo da postura que os negociadores apresentam nas reuniões. O Brasil, por exemplo, disse que só sairia de Copenhague com um protocolo ambicioso, com continuidade de Kyoto, com um novo protocolo de compromissos de longo prazo, e foi um dos países que, no momento final, fechou o tal do acordo de Copenhague que é muito fraco e não tem ambição nenhuma e, portanto, não serve para ajudar o planeta. IHU On-Line – Quais são os aspectos positivos e os limites da proposta brasileira de redução de emissão de gases? João Talocchi – O Brasil colocou uma meta de redução de gases baseada numa projeção futura. O registro das emissões totais brasileiras é de 1994, ou seja, não leva em conta nem o plano real, é uma proposta que tem alguns pontos fortes, mas precisa ser mais ambiciosa. O desmatamento, por exemplo, ela prevê a redução de 80% na Amazônia, em 2020. Isso comparado com a meta do Greenpeace, com o desmatamento zero na Amazônia em 2015, significa que a meta do governo pretende derrubar um bilhão de árvores na floresta e depois continuar desmatando, porque a meta do governo nunca chega a zero. A meta zero não significa que você não vai poder usar a floresta de maneira sustentável, significa que não teremos mais desmatamento predatório. Na área energética, temos o incentivo de bilhões de reais para grandes usinas hidrelétricas, que têm um impacto sócio-ambiental gigantesco e, às vezes, também gera emissões de gases de efeito estufa devido à degradação da matéria orgânica no reservatório, e temos um incentivo muito pequeno às energias renováveis e aos pequenos aproveitamentos hidrelétricos. Então, precisamos ter políticas muito mais sérias e implementá-las. Hoje, o que temos é uma lei voluntária. IHU On-Line – Então, como você disse, a COP-15 foi considerada um desastre. Um acordo continua sendo difícil? João Talocchi – A gente vai caminhando para um acordo, mas essa caminhada só vai acontecer se a população mostrar interesse e tiver vontade de incluir, no seu voto e na sua decisão política, a questão do clima. Precisamos disso priorizado, precisamos discutir isso não só nos fóruns de clima, mas também nos fóruns econômicos, de desenvolvimento etc. Se isso começar a acontecer e a população começar a pressionar os governantes, podemos caminhar mais rápido na direção de um acordo global. IHU On-Line – E o que está travando a evolução de um acordo sobre o clima? João Talocchi – É a desconfiança e os grandes interesses privados. Dentre os maiores emissores, Europa, EUA, China, você tem um lobby contrário à redução de emissões feita pelas empresas que poluem, que geram emissões. Nos EUA, há várias empresas investindo em pesquisas científicas fraudulentas, que tentam destruir a credibilidade da ciência do clima. O Greenpeace lançou recentemente um relatório que fala exatamente disso, sobre empresas que produzem energia a partir da queima de carvão mineral, que é a maior fonte de emissões global, e todas essas empresas trabalham dentro do Congresso com um lobby pesado para evitar que os EUA tenham uma legislação do clima. Com isso, eles evitam que o país assine qualquer compromisso internacional. A mesma coisa acontece na Europa onde esse lobby também existe. Na China, na Índia, no Brasil, esse movimento contrário, focado no interesse de somente alguns setores, também existe. Ao mesmo tempo, você vê estudos mostrando que investimentos em energias renováveis e redução de emissão e desmatamento são cada vez mais importantes e mais rentáveis. O mercado de energias renováveis na China e nos EUA cresce a níveis absurdos. Você hoje tem instalações eólicas e solares sendo feitas pelo mundo, e isso está empregando muita gente e dando muito retorno. O Brasil está ficando para trás porque não tem uma política que incentive as energias renováveis, e a questão da redução do desmatamento ainda anda em passo muito lento com ações que não resultam numa economia realmente sustentável. IHU On-Line – Nas últimas semanas, as teses dos que negam ou relativizam o aquecimento global têm recebido um espaço maior na mídia. A que você atribui a exposição maior dessas ideias? João Talocchi – Essas ideias começaram a receber maior exposição devido ao fato de que a questão do clima também passou a ter maior exposição. Entretanto, é muito perigoso olhar para essas ideias quando elas aparecem num debate como se fossem defendidas por grupos de igual tamanho. Os céticos são um grupo muito pequeno, só que, quando a mídia dá espaço para essas posições, ela fala com o cético e com cientista de clima e aí parece que a coisa é de um para um. O IPCC é formado por pesquisadores de todos os países que fazem parte da convenção de clima, tem um trabalho voluntário revisando todo o conhecimento científico sobre o tema e produz um relatório que passa por muitas pessoas, recebe comentários, tem mais de três mil páginas, cita mais de 18 mil artigos científicos, e a população não sabe disso. E aí, elas ouvem os céticos que estão ali, às vezes, recebendo dinheiro do lobby das empresas sujas para fazer o seu trabalho sujo para falar contra as pesquisas. Só precisamos que a mídia dê a atenção certa e mostre as opiniões nas devidas proporções que deveriam receber. IHU On-Line – Qual é o peso que a história dos e-mails roubados de climatologistas da Universidade de East Anglia tem nesse contexto? João Talocchi – Isso jogou contra os céticos, porque eles ‘hackearam’ emails, divulgaram os conteúdos, brincaram com alguns termos. Entre milhares de emails, eles acharam dois ou três que poderiam ter alguma coisa, mas, no final, as investigações que foram conduzidas na Inglaterra provaram que de maneira alguma esses e-mails podem diminuir a credibilidade que se tem nos cientistas. E os cientistas que escreveram os e-mails que causaram polêmicas foram inocentados porque, na verdade, quem estava expondo o conteúdo e pensando em criar uma conversa em cima deles fazia mau uso dos termos que estavam ali colocados para tentar causar um mal-estar durante a cúpula do clima, em Copenhague. Eu estava lá, e um dos países que mais bloqueia as negociações, por motivos óbvios, é a Arábia Saudita, que é um grande produtor de petróleo, e, logo no primeiro dia, falaram que tínhamos que rever tudo em função desses e-mails, e nenhum país deu bola. Foi um tiro pela culatra essa tentativa dos céticos dizerem que os e-mails podem falar que existe um complô para falar do clima. Quem me dera a ciência estivesse errada, e não estivesse acontecendo mudança no clima alguma, preferia trabalhar com essa possibilidade, mas não é o que acontece. IHU On-Line – Mas o que de fato aconteceu? João Talocchi – Ninguém sabe de fato quem ‘hackeou’. Só se sabe que esses e-mails apareceram e que foram usados para tentar diminuir a credibilidade dos pesquisadores. Provavelmente, temos a influência do lobby das empresas poluidoras por trás disso, mas isso não foi comprovado. IHU On-Line – Recentemente, o Greenpeace divulgou um estudo em que revela que os ecocéticos são financiados por grandes corporações empresariais. Quem são os financiadores dos ecocéticos e que estratégia utilizam? João Talocchi – Esses financiadores são as grandes empresas que emitem gases de efeito estufa no seu processo produtivo: empresas de petróleo, de carvão, de transporte e de desmatamento. Fora do Brasil são, principalmente, empresas que trabalham com combustíveis fósseis. IHU On-Line – No Brasil, há grupos que financiam pessoas ou instituições para desacreditar o aquecimento global? João Talocchi – Aqui, no Brasil, eu não sei se isso acontece. Temos filiais de empresas que financiam esses grupos mundo afora, mas ainda não existe nenhuma ligação entre essas empresas e os pouquíssimos contestadores das mudanças do clima no país. Esses contestadores brasileiros são um grupo muito pequeno de pessoas. IHU On-Line – Estamos em ano de eleições aqui no Brasil. Como você acha que a questão do clima deve entrar nesse debate? João Talocchi – Eu acho importante que, num ano de eleição, as pessoas saibam procurar candidatos que tenham propostas relevantes na questão do meio ambiente, não só mudanças do clima em geral, mas em várias outras questões. Temos problemas na Amazônia, nas áreas marinhas, precisamos dar mais atenção ao oceano no Brasil , que é uma questão que ainda não é tratada com a devida importância. Precisamos proteger os biomas do cerrado, caatinga, Mata Atlântica, os pampas no sul do Brasil. E, com isso, precisamos criar uma economia que seja sustentável, ou seja, um novo modelo econômico não só com energias limpas e com redução do desmatamento, mas que se mude a maneira de produzir e consumir. Tudo isso tem que ser levado na hora de votar. População: olhos abertos!

Brasil lidera a lista de desmatamento

Superfície florestal mundial diminuiu 3,1% entre o ano 2.000 e 2.005. Brasil lidera a lista de desmatamento.
A superfície florestal diminuiu 3,1% entre 2000 e 2005 no mundo, segundo um estudo baseado em observações por satélites publicado em abril de 2.010 nos Estados Unidos, estimando que o Brasil foi o país que sofreu a maior redução de suas matas. No total, a perda foi de 1.011.000 Km² de 2000 a 2005, o que representa 0,6% por ano. A superfície florestal mundial era de 32.688.000 Km² no início do estudo. Por país, o Brasil, segundo em quantidade de área florestal (4,6 milhões de Km²), atrás apenas da Federação Russa (5,12 milhões de Km²), sofreu a maior redução de suas matas no período, 165 mil km2 (3,6% do total). Já o Canadá, com uma superfície florestal de 3 milhões de km2, ficou em segundo, com perdas de 160 mil Km², que representam 5,2% do total. A perda bruta de superfície florestal é definida nesta pesquisa como produto de causas naturais, como incêndios provocados por raios, e atividades humanas. Estimativas precisas são consideradas indispensáveis nos esforços de contabilização das emissões de dióxido de carbono (CO2), um dos principais gases de efeito estufa, e para elaborar modelos climáticos, explicaram os autores da pesquisa, divulgada pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos (PNAS). Por região, as matas boreais, que se situam no Ártico e representam 26,7% da superfície florestal do planeta – a segunda mais importante – registraram a maior redução deste período em cinco anos (4%), dois terços dos quais se deveram a incêndios de origem natural, afirmaram cientistas das Universidades de Dakota do Sul (norte) e do Estado de Nova York (nordeste). As matas tropicais úmidas, que cobrem 11,5 milhões de Km² e representam a maior superfície florestal da Terra, perderam 2,4% de sua superfície, o que equivale a 27% da perda total. As florestas tropicais em zona seca, 7,13 milhões de Km² ou 21,8% das superfícies de mata do mundo, diminuíram 2,9% de 2000 a 2005, o que representou 20,2% das perdas florestais totais. Já as matas das zonas temperadas, 5,2 milhões de Km² ou 16,1% do total mundial em 2000, perderam 3,5% de sua superfície, 18,2% do total do planeta neste período. Por continente, a América do Norte, com uma superfície florestal de 5,8 milhões de Km² em 2000, sofreu a maior privação no período (5,1%, 295 mil Km²), ou 29,2% da perda mundial. Ásia e América do Sul perderam duas vezes menos em comparação com sua superfície de mata, 2,8% e 2,7%, respectivamente. Estes decréscimos representaram 23,7% e 22,6% do total entre 2000 e 2005.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Uma visão do bem viver

Cúpula Mundial de Cochabamba: Uma cosmovisão do bem viver.
Nos dias 19 a 22 de abril de 2010, aconteceu na cidade de Cochabamba, Bolívia, a Cúpula Mundial dos Povos Sobre a Mudança Climática e os Direitos da Mãe Terra. Impulsionada pelos debates climáticos e pela percepção de que a natureza também é sujeito de direitos, ganha força a filosofia de vida conhecida como Bem Viver. Ela reflete o estilo de vida que os povos indígenas praticam há milênios. Para eles, a terra, um bem acima de qualquer outro, e os recursos naturais são fonte de manutenção da vida e não de acumulação de riquezas e dominação. Em entrevista ao periódico La Razon, edição de 31.01.2010, o chanceler boliviano David Choquehuanca, especialista em cosmovisão andina, descreveu qual o significado do Bem Viver. Para os andinos significa valorizar a sua história, suas vestimentas, cultura, idioma, recursos naturais. O mais importante não é o dinheiro, nem o ouro, nem o ser humano, mas “os rios, o ar, as montanhas, as estrelas, as formigas, as borboletas. O ser humano está em último lugar, para nós o mais importante é a vida”, afirma o chanceler. Parece que essas idéias caem como uma luva para nós, ocidentais, capitalistas. Tudo o que precisamos é de uma vida mais simples, menos trabalho, mais convívio com os amigos, aproveitar as coisas boas da vida. O artigo 8.º da Constituição Política do Estado boliviano estabelece os princípios que orientam essa filosofia: “não sejas preguiçoso, não sejas mentiroso, nem ladrão; viver bem; vida harmoniosa; vida boa; terra sem males; caminho ou vida nobre”. Os andinos marcam distância com o capitalismo. Nesse sistema, “o mais importante é o dinheiro e a mais valia”. Podemos completar que no capitalismo a ordem é acumular a qualquer custo, mesmo que esse custo seja o de destruir as condições da vida humana no planeta. Os desastres ambientais relacionados ao aquecimento global são uma triste prova disso. Mas também criticam o socialismo, pois “busca satisfazer as necessidades humanas”. A ideologia do progresso e a propaganda se encarregam de criar constantemente novas necessidades. O sistema precisa disso! Necessário reconhecer que tendo o produtivismo como parâmetro, socialismo e preservação da natureza muitas vezes não foram bons parceiros. É certo que com sua cosmovisão os povos andinos se colocam contra o capitalismo e, por isso mesmo, são aliados imprescindíveis na luta por uma sociedade igualitária, justa, humanitária, feminista e que coloque a preservação e a recuperação da natureza como condição indispensável para preservação da vida humana. O ecossocialismo se coloca como o único futuro viável para a humanidade.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Novo movimento sobre a mudança climática

Cochabamba: Um novo movimento sobre a mudança climática. Cochabamba, Bolívia. Eram 11 horas da manhã e Evo Morales havia transformado o Estádio de futebol em uma gigantesca sala de aula, e havia reunido uma variedade de objetos: pratos de papel, copos de plástico, impermeáveis descartáveis, xícaras feitas a mão, pratos de madeira e ponchos coloridos. Todos concorreram para demonstrar o ponto principal: para lutar contra a mudança climática devemos recuperar os valores dos indígenas. A reportagem é de Naomi Klein e está publicada no jornal mexicano La Jornada, 24-04-2010. A tradução é do Cepat. No entanto, os países ricos têm pouco interesse em aprender estas lições e, ao contrário, promovem um plano que, no melhor dos casos, aumentaria a temperatura global em média em dois graus centígrados. Isso implicaria no derretimento das geleiras dos Andes e do Himalaia, disse Morales às milhares de pessoas reunidas no Estádio, como parte da Conferência Mundial dos Povos sobre a Mudança Climática e os Direitos da Mãe Terra. O que não precisava dizer era que não importava qual sustentabilidade o povo boliviano escolha viver, pois não tem o poder de salvar suas geleiras. A cúpula climática na Bolívia teve seus momentos de alegria, leveza e absurdos. Entretanto, no fundo, se sente a emoção que este encontro provocou: raiva contra a impotência. Não há porque se surpreender. A Bolívia está no centro de uma dramática transformação política, que nacionalizou as indústrias chaves e elevou como nunca antes as vozes dos indígenas. Mas no que se refere à sua crise existencial mais aguda – o fato de que suas geleiras estão se derretendo a um ritmo alarmante, o que ameaça o fornecimento de água para duas das principais cidades –, os bolivianos não podem mudar seu destino sozinhos. Isso se deve ao fato que as ações que provocam o derretimento não são realizadas na Bolívia, mas nas estradas e nas zonas industriais dos países fortemente industrializados. Em Copenhague, os dirigentes dos países em perigo, como a Bolívia e o Tuvalu, argumentaram apaixonadamente a favor do tipo de reduções das emissões de gases que poderiam evitar uma catástrofe. Amavelmente, lhes disseram que no Norte simplesmente não havia vontade política para isso. E mais: os Estados Unidos deixaram claro que não tinham a necessidade de que países pequenos como a Bolívia fizessem parte de uma solução climática. Negociariam um acordo com outros emissores pesados a portas fechadas e o resto do mundo seria informado dos resultados e convidado a assinar, o que foi precisamente o que aconteceu no Acordo de Copenhague. Quando a Bolívia e o Equador recusaram aprová-lo automaticamente, o governo norte-americano cortou sua ajuda climática em 3 bilhões e 2,5 bilhões de dólares, respectivamente. Não é um processo gratuito, explicou Jonathan Pershing, negociador climático norte-americano. (Aqui está a resposta para qualquer um que se pergunte por que os ativistas do Sul recusam a ideia do apoio climático e, em troca, pedem o pagamento de dívidas climáticas.) A mensagem de Pershing era estarrecedora: se és pobre, não tens direito a priorizar tua própria sobrevivência. Quando Morales convidou os movimentos sociais e os defensores da Mãe Terra, cientistas, acadêmicos, advogados e governos, para virem a Cochabamba para um novo tipo de Cúpula Climática, foi uma revolta contra esta sensação de impotência, foi uma tentativa de construir uma base de poder em torno do direito da sobrevivência. O governo boliviano começou as discussões propondo quatro grandes ideias: que se deveria outorgar direitos à natureza, que protejam da aniquilação os ecossistemas (uma Declaração Universal dos Direitos da Mãe Terra); que aqueles que violarem esses direitos e outros acordos ambientais internacionais deveriam enfrentar consequências legais (um Tribunal de Justiça Climática); que os países pobres deveriam receber vários tipos de compensação por uma crise que eles enfrentam, mas tiveram pouco a ver com sua criação (dívida climática), e que deveria haver um mecanismo para que as pessoas no mundo expressassem seus pontos de vista sobre estes temas (um Referendo Mundial dos Povos sobre a Mudança Climática). A etapa seguinte foi convidar a sociedade civil global para discutir os detalhes. Foram criados 17 grupos de trabalho e depois de semanas de discussão on-line se reuniram durante uma semana em Cochabamba com a finalidade de apresentar suas recomendações finais ao término da Cúpula. O processo é fascinante, mas longe de ser perfeito (por exemplo, como assinalou Jim Shultz do Democracy Center, pelo que parece, o grupo de trabalho sobre o Referendo gastou mais tempo discutindo se acrescenta uma pergunta sobre a abolição do capitalismo do que discutindo como se deve proceder para realizar uma consulta global). Contudo, o entusiasta compromisso da Bolívia com a democracia participativa poderia ser a contribuição mais importante da Cúpula. Isto porque depois do fracasso de Copenhague, um tema de discussão tremendamente perigoso se tornou viral: a verdadeira culpada pelo fracasso era a democracia em si. O processo da ONU, em que o voto dos 192 países tem o mesmo peso, simplesmente era muito difícil de administrar. Era melhor encontrar soluções em grupos pequenos. Até as vozes ambientais de confiança, como James Lovelock, caíram na armadilha: “Tenho a sensação de que a mudança climática pode ser um tema tão sério quanto a guerra”, disse ao The Guardian recentemente. “Talvez seja necessário colocar a democracia em pausa durante algum tempo.” Mas, na realidade, são estes pequenos grupos, como o clube privado que forçou o Acordo de Copenhague, que ocasionaram que perdêssemos terreno e que fragilizaram os acordos existentes, que por si só são inadequados. Ao contrário, a política de mudança climática levada para Copenhague pela Bolívia foi redigida pelos movimentos sociais mediante um processo participativo, e o resultado final foi, até o momento, a visão mais transformadora e radical. Com a Cúpula de Cochabamba, a Bolívia procura globalizar o que conseguiu em escala nacional e convidar o mundo para participar da redação de uma agenda climática conjunta, antes do próximo encontro sobre a mudança climática da ONU, em Cancún, no México. Nas palavras do embaixador da Bolívia na ONU, Pablo Sólon, a única coisa que pode salvar a humanidade de uma tragédia é o exercício da democracia global. Se for correto, o processo boliviano poderá não apenas salvar o nosso Planeta que está se aquecendo, mas também nossas democracias em vias de fracasso. O trato não é ruim.

Conferência de Cochabamba

Conferência de Cochabamba: Soluções de países ricos não resolvem mudança climática e prejudicam mais pobres. As soluções propostas pelos países ricos para combater o aquecimento global, como os mecanismos de comércio de cotas de emissão de carbono, são paliativas e vão prejudicar as nações mais pobres, segundo cientistas reunidos na Conferência Mundial dos Povos para a Mudança Climática, em Cochabamba, na Bolívia. A ciência do clima ocupou o centro de metade dos painéis realizados no primeiro dia do evento, em 20/4/2010. Em um painel sobre descobertas científicas as mais recentes sobre as mudanças climáticas, o climatologista cubano Ricardo Navarro comentou algumas das alternativas para enfrentar as mudanças climáticas. Segundo ele, a temperatura da Terra aumentou 0,8º C no último século e 85% desse aumento se devem à queima de combustíveis fósseis. Os outros 15% aconteceram por mudanças no uso da terra na agricultura. Historicamente, disse Navarro, a Terra tinha uma concentração de 180 a 300 ppm (partes por milhão) de CO2 (dióxido de carbono) na atmosfera. Nos dias atuais, essa concentração é de 390 ppm. Segundo o pesquisador cubano, iniciativas como a venda de créditos de carbono e os mecanismos de REDD (redução de emissões do desflorestamento e desmatamento) não irão resolver o problema do aquecimento global. De acordo com ele, essas são medidas paliativas e o planeta precisa de soluções adequadas e permanentes. “Essas medidas são uma farsa para manter o comércio sobre o carbono. E os REDD serão usados para expulsar os índios de suas terras, pagar aos países pobres para não emitirem mais CO2 e assim, permitir que os países industrializados continuem emitindo”, criticou Navarro. Outro exemplo de solução paliativa apontado pelo cubano é o uso de enxofre no combustível dos aviões para criar uma “capa” protetora para a Terra e, assim evitar os efeitos da radiação solar. “No entanto, o uso de enxofre pode ocasionar a criação de ácido sulfúrico na atmosfera e esse composto é precipitado na forma de chuva ácida”, explicou. “Baixar as emissões tem a ver com mudanças no transporte e na alimentação humana”, disse Navarro. “A pecuária emite mais CO2 do que todas as modalidades de transporte e por isso devemos rever a produção de carne e incentivar a produção agrícola local e sustentável”. Amazônia Segundo o pesquisador norte-americano radicado no Brasil Irving Foster Brown, os 40 milhões de pessoas que habitam a Amazônia “serão as primeiras a serem afetadas pelas mudanças climáticas”. Ele explicou que o sudoeste da Amazônia (Rondônia, Acre, Mato Grosso, norte da Bolívia e do Peru) é a área do mundo onde essas mudanças estão acontecendo mais rápido. A região vem sofrendo desmatamentos contínuos há décadas para dar lugar à monocultura da soja. Brown, que é professor da UFAC (Universidade Federal do Acre), acredita que as mudanças climáticas são parte de um conjunto de problemas interconectados. Para o cientista, uma das maiores dificuldades da ciência do clima é descobrir quais são as causas naturais do problema e onde começa a ação humana. Mas os indícios da interferência humana são fortes, lembra ele, pois os ciclos naturais são longos e boa parte do aquecimento global aconteceu nos últimos 200 anos. Na fala bem humorada do cientista, até pouco tempo atrás, o sudoeste da Amazônia era visto como “o fim do mundo” para as populações urbanas de Brasil, Bolívia e Peru. Hoje, é um centro de transporte e de geração de energia para os três países. Exemplo disso é a Rodovia Transoceânica, ligando Brasil e Peru, com objetivo de incrementar o comércio entre esses países e escoar as exportações brasileiras pelo Oceano Pacífico. No entanto, há cerca de 4 mil quilômetros de rios navegáveis em cujas águas o Brasil poderia transportar a sua produção agrícola, liberando muito menos dióxido de carbono. Outros empreendimentos na região são as hidrelétricas – três delas no Brasil: Santo Antônio, Jirau e Belo Monte. Somados, os investimentos em infraestrutura na região alcançam o montante de 15 bilhões de dólares. Segundo Brown, as mudanças climáticas não foram consideradas no planejamento dessas e outras quatro usinas hidrelétricas previstas para serem construídas nos próximos anos na região. Efeitos do clima De acordo com pesquisas citadas por Brown, o desmatamento na Amazônia afeta o regime de chuvas na região sudeste, pois 60% da umidade produzida na região norte chegam ao centro-sul do Brasil. Outra pesquisa, feita com os moradores do sudoeste da Amazônia, mostra uma visão pessimista sobre o meio ambiente: eles acreditam que no futuro “teremos mais calor, mais secas e grandes alterações nos rios da região”. Em 2005, o estado do Acre enfrentou uma forte seca e as matas começaram a pegar fogo espontaneamente, devido ao calor. Cerca de 330 mil hectares de florestas foram perdidos. Cada hectare de floresta é avaliado em 500 dólares, totalizando prejuízo no valor de 165 milhões de dólares – sem contar os danos não-materiais. O professor da UFAC lembra que as secas não causam prejuízos apenas à diversidade florestal e aos cofres do Estado elas podem causar tantas emissões de gases do efeito estufa quanto o desmatamento. Soluções Também no debate, o climatologista norte-americano James Hansen, diretor do Instituto Goddard, da Nasa (agência espacial dos EUA), e o ambientalista Bill McKibben alertaram para o aumento dos perigos em consequência do aquecimeto global e destacaram como as ações humanas geram respostas cada vez mais fortes do sistema climático. Para Hansen, “o público não é bem informado sobre os perigos causados pelas mudanças climáticas nem quem elas já estão ocorrendo”. Um desses sinais lembra ele, é o derretimento das geleiras dos polos e das cordilheiras num ritmo maior que o usual. A outra evidência é continuada a extinção de espécies de animais, afetando todo o ecossistema. “Precisamos focar na mitigação das emissões de carbono. Mas os governos não estão agindo suficientemente para lidar com essa situação”, alertou Hansen, considerado um dos cientistas mais respeitados na área de climatologia e aquecimento global.

Oceanos estão cada vez mais ácidos

Novo relatório reafirma que os oceanos estão se tornando cada vez mais ácidos. Os oceanos absorvem cerca de 30% de todo o dióxido de carbono emitido pela humanidade. As emissões de dióxido de carbono que contribuem para o aquecimento global também estão deixando os oceanos mais ácidos no ritmo mais acelerado em centenas de milhares de anos, diz relatório Ocean Acidification: A National Strategy to Meet the Challenges of a Changing Ocean do Conselho Nacional de Ciências dos Estados Unidos. “A química do oceano está mudando numa taxa e numa magnitude sem precedentes, devido às emissões antropogênicas de dióxido de carbono”, disse o Conselho. “A taxa de mudança excede qualquer uma conhecida que tenha ocorrido nas últimas centenas de milhares de anos.” A acidificação dos mares corrói recifes de coral, interfere com a capacidade de algumas espécies de peixe em se localizar e pode prejudicar frutos do mar como mariscos e ostras, impedindo-os de produzir suas conchas. A corrosão ocorre quando o dióxido de carbono estocado nos mares reage com a água e forma ácido carbônico. A menos que as emissões de CO2 diminuam, o mar ficará cada vez mais ácido, disse o relatório. Os oceanos absorvem cerca de 30% de todo o dióxido de carbono emitido pela humanidade. O aumento de acidez é de 0,1 ponto na escala de 14 pontos do pH, o que significa que o indicador mudou mais desde o início da revolução industrial do que em qualquer outro momento dos últimos 800.000 anos. O relatório pede o estabelecimento de uma rede de observação para monitorar a química e a biologia dos oceanos no longo prazo.

domingo, 25 de abril de 2010

Oceanos e mares são bombas-relógio

Oceanos e mares são as bombas-relógio do aquecimento global. As águas dos oceanos estão mais quentes. Mais do que se imagina. Não é só o fenômeno El Niño, que eleva a temperatura da superfície do Oceano Pacífico e provoca chuvas torrenciais na Região Sudeste. Nem só o fato de o Oceano Atlântico ter estado mais quente este ano: nas chuvas que desabaram sobre o Rio em abril, o aumento de 1,5 grau contribuiu para a intensidade das tempestades, causando mais evaporação e trazendo umidade extra ao litoral. Cientistas publicaram esta semana um artigo [Tracking Earth's Energy] na revista Science no qual estimam que os oceanos absorvam cerca de 90% da energia solar que fica presa na Terra por causa dos gases do efeito estufa. Eles descobriram este fenômeno ao perceberem que as atuais ferramentas de medição do aquecimento global não captam nem metade do calor, que especialistas acreditam ter aumentado na Terra nos últimos anos. Sensores de satélite, boias oceânicas e outros instrumentos seriam, segundo eles, inadequados para rastrear esse calor não detectado, que deve estar aumentando nas profundezas dos oceanos. E embora instrumentos de satélites indiquem que gases de efeito estufa continuem a prender mais energia solar no planeta, cientistas não têm sido capazes de determinar para onde exatamente o calor está indo. – Ou as observações de satélite estão incorretas, ou, o que é mais provável, grandes quantidades de calor estão penetrando em regiões que não são adequadamente medidas, assim como as partes mais profundas dos oceanos – diz Kevin Trenberth, principal autor do estudo e cientista do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica (NCAR), dos EUA. Segundo os cientistas, algum aumento de calor pode ser detectado entre profundidades de cerca de mil a dois mil, porém mais calor deve estar em locais mais profundos, além do alcance dos sensores de oceanos. – Este calor vai nos assombrar mais cedo ou mais tarde – diz Trenberth, principal autor do estudo e cientista do NCAR. – É fundamental rastrear a elevação da energia em nosso sistema climático para que possamos entender o que está acontecendo e prever nosso clima futuro. Trenberth e o co-autor, John Fasullo, se concentraram em um mistério central das mudanças climáticas. Segundo eles, as temperaturas da superfície da Terra têm sido regulares nos últimos anos. Ainda assim, o derretimento de geleiras e do gelo do mar do Ártico, e os níveis do mar cada vez mais elevados indicam que o aquecimento continua a ter profundos efeitos sobre o planeta. Instrumentos de satélite mostram um desequilíbrio crescente entre a energia do Sol entrando na atmosfera e a energia deixando a superfície da Terra. Esse desequilíbrio é a fonte do aquecimento global de longo prazo. Rastrear a quantidade crescente de calor na Terra é mais complicado do que medir temperaturas na superfície do planeta. Trenberth e Fasullo querem sensores de oceanos adicionais, junto com análise de dados mais sistemática e novas abordagens para calibrar instrumentos de satélite, para ajudar a resolver o mistério. As boias que os pesquisadores começaram a empregar no ano 2000 para medir temperaturas dos oceanos, por exemplo, estão separadas por cerca de 300 quilômetros, e fazem leituras a cada dez dias de uma profundidade de cerca de dois mil metros até a superfície. Há planos para ter mais boias desse tipo capazes de medir o calor em profundidades maiores. – Nossa preocupação é que nós não somos capazes de monitorar inteiramente ou entender o desequilíbrio. Isso revela uma lacuna em nossa capacidade de observar o aumento do calor em nosso sistema climático – diz Fasullo.

Acordo de Copenhague não conterá aquecimento global

Novo estudo reafirma que o Acordo de Copenhague é incapaz de manter o aquecimento global em 2º C.
Acordo de Copenhague aumentará CO2, diz estudo. Um grupo de pesquisadores da Alemanha acaba de pôr em números algo que todo mundo já sabia: o Acordo de Copenhague é incapaz de manter o aquecimento global em 2ºC, seu objetivo declarado. Na verdade, argumentam, ele pode produzir o efeito inverso: fazer as emissões globais subirem e com elas os termômetros. A conta foi feita por Joeri Rogelj, Malte Meinshausen e colegas, do Instituto de Pesquisa de Impactos Climáticos de Potsdam, e publicada no periódico “Nature” ["Copenhagen Accord pledges qre paltry", Nature 464, 1126-1128 (22 April 2010) doi:10.1038/4641126a; Published online 21 April 2010]. Os cientistas se basearam nas promessas de corte de emissões feitas até o último dia 13 por 76 países que aderiram ao acordo, produzido na cúpula do clima de dezembro passado.
A conferência na Dinamarca terminou sem um acordo global e legalmente vinculante de corte de emissões de gases-estufa para o período 2013-2020. Produziu um documento frouxo, sem metas de longo prazo, no qual os países anotariam seus compromissos voluntários de redução para 2020. “Como não sabíamos que propostas os países inscreveriam, não tínhamos como saber qual seria o nível real de ambição do Acordo de Copenhague”, disse Meinshausen à Folha Online. “Sabemos agora, e ele calha de ser inadequado para cumprir a meta de 2ºC.” Os alemães inseriram os valores mínimos e máximos das propostas num modelo computacional de resposta do clima a emissões de origem humana. A conclusão é que, se o acordo for seguido, o mundo chegará a 2020 com emissões anuais de 47,9 bilhões a 53,6 bilhões de toneladas de gás carbônico equivalente (a soma das emissões de todos os gases-estufa “convertidas” em COº2). No entanto, para ter uma chance igual ou maior do que 50% de manter o aquecimento num máximo de 2ºC, nível considerado seguro, as emissões anuais máximas teriam de ser de 44 bilhões de toneladas. Deixa que eu deixo A trajetória insustentável do acordo se coloca por duas razões. Primeiro, o voluntarismo do texto faz os países inscreverem como metas aquilo que demanda o menor esforço. Japão e Noruega são os únicos países ricos que apresentaram propostas nos valores recomendados pelo IPCC (painel do clima da ONU), de corte de 25% a 40% no CO2 em relação aos níveis de emissão de 1990. Depois, por sua natureza jurídica frouxa, o acordo não proíbe o uso de créditos de carbono em excesso gerados pelo Protocolo de Kyoto. Meinshausen estima que haja 12 bilhões de toneladas de gás carbônico em créditos “ocos”, ou seja, que não corresponderam a um esforço de redução de emissões -são apenas um truque contábil de Kyoto para facilitar o cumprimento das metas. O modelo dos alemães estima que esses “buracos” no acordo dão uma chance maior do que 50% de que o aquecimento ultrapasse os 3ºC em 2100. “Se nos próximos dez anos o Acordo de Copenhague for tudo o que temos, então teremos travado o mundo numa trajetória de emissões relativamente alta até lá”, diz Meinshausen. “Emitir 48 bilhões de toneladas de CO2 equivalente em 2020 é o mesmo que correr na direção de um penhasco e torcer para parar na beirinha.”

Iceberg gigante colide com geleira na Antártida

Um iceberg gigante de 54 quilômetros de comprimento e 5 quilômetros de largura colidiu com uma plataforma de gelo na Antártida perto da estação polar alemã Neumayer III, anunciou ontem o Instituto Alfred Wegener de Investigações Polares e Marinhas, em Bremerhaven, na Alemanha. A porta-voz do instituto destacou que o iceberg, que tinha uma espessura de 200 metros, causou uma fenda de 2 quilômetros de comprimento na plataforma. A colisão, que ocorreu no dia 11, fez desprender um bloco de gelo de 300 metros de comprimento e 700 metros de largura da plataforma gelada na costa da Antártida. O instituto, localizado na costa do Mar do Norte, qualificou a colisão do iceberg, que tem um peso de 400 milhões de toneladas, de "sensação científica" e revelou que o gigante de gelo se movimentava a uma velocidade de 15 quilômetros por dia quando ocorreu o choque. Os cientistas alemães baseados na estação Neumayer III, situada a cerca de 10 quilômetros do local onde se deu a colisão, tiveram a oportunidade de observar o fenômeno de perto. Segundo os cálculos dos especialistas, a energia liberada no momento do choque foi equivalente a cerca de 10 toneladas de explosivos convencionais. A equipe de pesquisadores alemães pôde ainda registrar o fenômeno com a ajuda de sismógrafos. As imagens foram captadas via satélite e permitiram avançar nas investigações sobre o comportamento das massas de gelo na Antártida. O iceberg gigante, que recebeu o nome científico de B-15-K, vinha sendo observado há muito tempo. Trata-se de um fragmento de um iceberg ainda maior, o B-15, que possui uma superfície de 11 mil quilômetros quadrados e se desprendeu, em março de 2000, de uma plataforma de gelo em Ross, na Antártida. Em outubro de 2009, outro fragmento de iceberg, o C-19, também se colidiu com uma plataforma de gelo nas proximidades da base de estudos alemã na Antártida.

Iceberg pode alterar clima

Um iceberg de cerca de 2,5 mil km², que se separou do continente Antártico após se desprender da geleira gigante Mertz, pode causar alterações nas correntes marítimas do planeta e no clima, alertaram ontem cientistas. Para se ter uma ideia do tamanho do iceberg, nele caberia quase duas cidades de São Paulo, que tem área de 1,52 mil km2. Pesquisadores australianos afirmam que o iceberg pode bloquear uma região que produz um quarto de toda a água densa e gelada do mar. Os cientistas estimam que qualquer interrupção na produção dessas águas afetaria as correntes oceânicas e, por consequência, os padrões de clima ao longo dos anos, com invernos mais frios especialmente no Atlântico Norte. O iceberg está flutuando em uma área de água aberta cercada de gelo do mar e conhecida como polinia. Essa água desce para o fundo do mar e cria a água salgada, que tem papel fundamental na circulação dos oceanos. O iceberg de 2,5 mil quilômetros quadrados se descolou da geleira Mertz, que costuma ser descrita como uma língua de gelo saliente de 160 quilômetros na Antártida Leste, ao sul de Melbourne. O iceberg foi deslocado pela colisão com outro bloco de gelo maior e mais velho, conhecido como B-9B, que se rompeu em 1987. Cientistas afirmaram que na Antártida é cada vez mais frequente o desprendimento de plataformas de gelo por causa do aquecimento global. Isso faz com que os icebergs circulem pela região e aumentem o nível de água doce no oceano.

Ciência do clima sofre desgaste

Desde o ano passado (2009), governos e pesquisadores tem questionado dados dos relatórios do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC). Um dos principais casos ocorreu em novembro, quando o ministro do meio ambiente da Índia afirmou que não existem "provas científicas conclusivas" para relacionar o degelo do Himalaia ao aquecimento global. O presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, admitiu em janeiro erros nos dados. Outro escândalo foi a invasão de computadores da Universidade East Anglia, no Reino Unido, e o roubo de mais de mil e-mails e três mil documentos trocados entre cientistas ligados ao IPCC. O material revelaria uma suposta manipulação de dados. O diretor e climatologista, Phil Jones, renunciou ao cargo. No início de 2010, novas revelações mostraram que pesquisadores ocultaram erros na compilação de informações usadas para comprovar a teoria da influência humana no aquecimento global. O IPCC teria usado dados imprecisos da organização não-governamental WWF em pesquisa sobre a suscetibilidade da floresta amazônica à redução de chuvas. A última contestação veio do governo holandês, que questiona informação usada pelo IPCC de que 55% do território da Holanda já está abaixo do nível do mar.

Estudo sobre elevação do nível do mar é corrigido

A revista científica Nature Geoscience retirou de seus arquivos um estudo que projetava a elevação do nível do mar em até 82 centímetros até o fim do século em razão do aquecimento global. O cientista responsável pela pesquisa, Mark Siddall, do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Bristol, afirmou que havia dois erros técnicos em seu trabalho, comprometendo as conclusões. Ele não soube dizer se suas projeções estavam superestimadas ou subestimadas. O estudo foi publicado em 2009 e confirmou as conclusões do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), elaborado em 2007. Para isso, o cientista analisou dados dos últimos 22 mil anos. Na época, Siddall afirmou que o estudo "fortalece a confiança para se interpretar os resultados do IPCC". De acordo com IPCC, o nível do mar provavelmente subiria entre 18 e 59 centímetros até 2100, embora o documento ressaltasse que a projeção se baseava em informações incompletas sobre o derretimento da camada de gelo e que a elevação real poderia ser maior. Muitos cientistas criticaram a abordagem do IPCC como muito conservadora. Vários estudos posteriores sugeriram que o nível do mar poderia se elevar mais. Martin Vermeer, da Universidade de Tecnologia de Helsinque, na Finlândia, e Stefan Rahmstorf, do Instituto Potsdam para Pesquisa sobre Impactos Climáticos na Alemanha, publicaram um estudo em dezembro do ano passado que projetava o aumento de 0,75 metros para 1,9 metros até 2100. Ao anunciar a retirada formal do estudo da publicação, Siddall disse: "Essa é uma das coisas que acontecem. As pessoas cometem erros e erros ocorrem em ciência". Ele explicou que havia dois erros técnicos separados no estudo que foram apontados por outros cientistas após a publicação. Pelo fato de os erros comprometerem as conclusões do estudo, foi pedida uma retirada formal da pesquisa dos arquivos da revista, em vez de uma correção. "A retirada é uma parte normal do processo de publicação", justificou ele. "A ciência é um jogo complexo e há procedimentos estabelecidos que funcionam como verificações e balanços", disse. O Nature Publishing Group, que publica Nature Geoscience, informou que esse foi o primeiro trabalho retirado da publicação desde sua criação em 2007. O trabalho, intitulado "Constraints on future sea-level rise from past sea-level change", usou dados de corais fósseis e registros de temperatura derivados de medições do núcleo do gelo para reconstruir como o nível do mar flutuou com a temperatura desde o pico da última era do gelo. A partir destes parâmetros, foi construída a projeção de como ele subiria nas próximas décadas. Numa declaração conjunta, os autores do estudo disseram: "Desde a publicação, tomamos consciência de dois erros que incidem sobre uma estimativa detalhada da elevação futura do nível do mar. Isso significa que não podemos mais tirar conclusões firmes com respeito à elevação do nível do mar no século 21 desse estudo sem novos trabalhos." Segundo eles, um dos erros foi por causa de um "julgamento defeituoso" e o outro ocorreu por não considerarem integralmente as mudanças de temperatura nos últimos 2 mil anos. "Por conta dessas questões, retiramos o trabalho e investiremos em novas pesquisas para corrigir esses erros", disse Siddall. O pesquisador também agradeceu Vermeer e Rahmstorf por "trazerem essas questões à nossa atenção".

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Poluição perigosa

Índia investiga em ferro- velho de Nova Délhi, um vazamento de material nuclear altamente tóxico e nocivo.
Autoridades indianas investigam a origem de uma substância radioativa que foi parar num ferro-velho de Nova Délhi. Seis pessoas que foram expostas ao material tiveram de ser hospitalizadas, dando início a questionamentos de que o país não tem regulações adequadas sobre o comércio de materiais industriais perigosos. Cientistas nucleares que estão realizando testes com material radioativo dizem acreditar que ele veio do exterior, embora não indiquem de que país seria procedente. “Até onde podemos dizer, o material não foi feito na Índia”, disse hoje S.K. Malhotra, porta-voz do Centro de Pesquisa Atômicas Bhabha, acrescentando que a agência tem a “impressão” de que o material faz parte de uma importação em consignação de ferro-velho. O pânico que inicialmente se espalhou na parte oeste da cidade, onde a radiação foi detectada mais de uma semana atrás, diminuiu. A polícia local e especialistas nucleares fizeram uma operação pente-fino nas dezenas de ferros-velhos nos últimos dias para remover um total de dez fontes de radiação e descobrir pessoas com indícios de exposição, como queimaduras na pele. O isótopo radioativo descoberto no ferro-velho em Nova Délhi, o cobalto 60, é usado na medicina, incluindo equipamentos para terapia de radiação para câncer e instrumentos como medidores nucleônicos, que podem medir a espessura de um objeto. O incidente fez surgirem questões sobre se a Índia tem regulações necessárias e procedimento para prevenir a exposição à radiação em larga escala. Embora a Índia tenha passado por desastres industriais como o devastador vazamento de gás na fábrica de pesticidas da Union Carbide em Bhopal, 26 anos atrás, o país nunca sofreu um alarme nuclear. Rakesh Mehta, secretário-chefe do governo da cidade de Nova Délhi, reuniu-se hoje com reguladores ambientais e cientistas para discutir as medidas a serem tomada sobre o incidente radioativo, incluindo o aumento da monitoração em ferros-velhos e melhores vistorias nos portos do país. “A regras existem”, disse Mehta.”O problema é que a implementação não está sendo feita.” As informações são da Dow Jones.

Fórmula 1 gerará menos poluição

Vem aí a Fórmula 1 verde, ecológica. Mas só em 2013. A maior bandeira de marketing da Fórmula 1 sempre foi: "Desenvolvemos a tecnologia que no futuro vai estar nos veículos de série, tornando-os mais seguros e eficientes." A principal preocupação da humanidade agora, no entanto, é com a preservação do planeta. A Fórmula 1 tem de continuar sendo o laboratório avançado dos experimentos com carros e promover sua eco-compatibilização. Por isso vem aí, em 2013, a "Fórmula 1 verde". As discussões envolvendo representantes das equipes, dos fabricantes de motores, Ferrari, Mercedes, Renault e Cosworth, fornecedores de combustível, óleos lubrificantes, pneus, técnicos da FIA, dentre outros, já estão em curso há meses. O tema entrou na reta final de definição. "Não dispomos mais de tempo, o que nos aguarda é realmente algo bastante diferente do que fazemos hoje; é preciso anos e elevados investimentos para desenvolver conhecimento nessas novas áreas", explica Stefano Domenicali, diretor da Ferrari. O objetivo é estabelecer o conjunto de medidas que serão adotadas até julho. "A minha primeira pergunta é se o que buscamos é uma ação ecológica de verdade ou apenas ficar nas aparências", diz Adrian Newey, diretor da Red Bull. O presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, deixou claro o que pensa a empresa: "A F-1 tem de se basear na tendência dos rumos da indústria automobilística. Não pode sonhar em fazer carros com três rodas e asas que os permitam decolar." Alguns parâmetros foram acertados. A F-1 terá de ser um exemplo na redução do volume de materiais empregados, dos custos, na recuperação de energia, na economia de combustível e poluir o menos possível. Mais: não perder sua espetacularidade, essencial para sua sobrevivência. Isso faz com que a maior alteração ao modelo em curso atinja a natureza do motor. As reuniões até agora definiram o chamado "Indentikit". É muito provável que em 2013 a F-1 volte a ter motores turbo. Mas de rendimento superior aos adotados na sua última fase, de 1977 a 1988. O motor deverá ter 1,5 litro, quatro cilindros em linha. Hoje os motores são aspirados, de 2,4 litros, e V-8. Curiosamente, o combustível será fóssil ainda. Mas o controle de emissão de poluentes, severo. Assim como o consumo, previsto para ser a metade do atual. Este ano, os pilotos largam com cerca de 210 litros de gasolina para percorrer 305 quilômetros. No ano passado, estreou o sistema de recuperação de energia (Kers), que transformava a energia antes desperdiçada nas frenagens em potência extra para o motor. Com as limitações impostas pela FIA, disponibilizava cerca de 80 cavalos por 5 segundos por volta. Em 2013, em vez de atuar apenas nas rodas traseiras, o Kers trabalhará nas quatro. Outras formas de aproveitamento energético estão sendo estudadas, como o ar quente escoado pelos radiadores. Dentro de três meses, no máximo, se saberá como vai ser a Fórmula 1 verde. Já foi possível compreender, contudo, que bem distinta da atual.

Crise ecológica é mais grave que a econômica

O autor do Manifesto Ecossocialista Internacional propôs na Semana de Filosofia uma revolução social frente ao capitalismo. Michael Löwy, sociólogo e filósofo marxista franco-brasileiro, é professor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris e co-autor do Manifesto Ecossocialista Internacional. Em sua intervenção de 06 de abril na Semana Galega de Filosofia falou sobre a crise do modelo capitalista de consumo associada à crise ecológica e defendeu a alternativa ecossocialista. A entrevista é de Alfonso González e está publicada no jornal espanhol La Voz de Galicia, 07-04-2010. A tradução é do Cepat. Qual é o seu posicionamento em relação à crise do modelo capitalista? Trato de colocar que as crises econômica e ecológica estão muito vinculadas e são aspectos de uma mesma crise fundamental da civilização ocidental capitalista e industrial moderna, que chegou a um ponto dramático. Para mim, a crise ecológica é mais grave, mesmo que menos aparente, que a financeira porque coloca em perigo a vida no Planeta. E se fazem necessário mudanças muito radicais. O que o ecossocialismo propõe? A necessidade de uma profunda mudança, revolucionária, não apenas das relações de propriedade, mas do próprio aparelho produtivo, do paradigma de produção e de tudo o que representa a civilização do capitalismo industrial moderno. A alternativa é uma sociedade ecossocialista, na qual é a população que decide as prioridades da produção e do consumo em função de suas necessidades sociais e do respeito aos equilíbrios ecológicos, não em função do benefício do capital. Pode-se chegar a esse modelo nos países ocidentais com os atuais partidos socialistas ou de esquerda? Mais que pelos partidos é preciso começar pelas pessoas, pela população, pelos trabalhadores. E não só nos países ricos. Na América Latina as lutas ecossociais estão mais avançadas e têm grande eco em comunidades indígenas que defendem as florestas do capital multinacional. Aqui na Europa é preciso começar por lutas locais concretas. Por exemplo, a luta por transportes coletivos gratuitos em vez do carro particular, que já está se levando a cabo em várias cidades. Ainda não é o ecossocialismo, mas é um primeiro ponto. Há uma dialética entre lutas concretas locais como essas e uma visão de conjunto mais ampla de transformação da sociedade. As medidas que estão sendo adotadas pelos governos têm alguma serventia? As políticas aplicadas pelos governos não creio que vão resolver a crise, são medidas restritas aos marcos da própria lógica do capitalismo neoliberal. Necessitamos de medidas mais radicais que enfrentem os interesses privados do capital e uma reorganização da economia. Mas isso, os governos não farão e os mercados também não. O que procede, então, é outra revolução? Procede uma transformação social radical e se se quer se pode chamar revolução. Agora, isso não significa que enquanto não houver uma revolução não possamos fazer nada. É preciso colocar, como dizia, medidas concretas em função dos interesses dos trabalhadores, que sejam sociais e ecológicas. Sabemos que os governos não vão tomá-las, mas se houver pressão social suficiente, se verão obrigados a fazer alguma coisa. Marx ressuscitou? A ideia de que Marx morreu é velha e cada vez que o matam ressuscita. Os economistas oficiais creem hoje que é interessante para entender a crise. Mas, para além de utilizá-lo para entender a crise, Marx faz uma análise e um diagnóstico de como funciona o capitalismo e a perspectiva de uma alternativa radical. Se a mudança não se produzir, que futuro nos espera? Os analistas sociais já têm dificuldade para entender o passado e o presente, e muito mais o futuro. O que podemos fazer são predições condicionais. Como diziam os profetas do Antigo Testamento, se não mudarmos sobrevém uma catástrofe. Podemos prever que se seguirmos com este sistema, com os negócios de sempre, vamos ter uma crise ainda mais grave, econômica e ecológica. Temos que tomar consciência da necessidade de uma mudança de rumo, confiando na racionalidade dos seres humanos, sobretudo dos oprimidos e explorados, para que as coisas mudem.

Mancha de plástico detectada no Oceano Atlântico

Mancha de plástico flutuante foi detectada vagando no Oceano Atlântico.
Lixo acumulado em praia do arquipélago de Açores, no oceano Atlântico A grande mancha de lixo do Pacífico já era conhecida há anos; outras ainda podem existir, dizem cientistas. Pesquisadores advertem para mais um problema nos mares: uma mancha de plásticos que se espalha por uma ampla área remota do Oceano Atlântico. O lixo flutuante foi documentado por dois grupos de cientistas que viajaram entre o Caribe e os Açores. Os estudos descrevem uma sopa de micropartículas semelhante à Grande Mancha de Lixo do Pacífico, um fenômeno descoberto há uma década entre o Havaí e a Califórnia e que cientistas já diziam que poderia se reproduzir em outras partes do globo. “Achamos a grande mancha de lixo do Atlântico”, disse Anna Cummins, que recolheu amostras de plástico durante uma viagem de veleiro em fevereiro. Esses dejetos são perigosos para peixes, mamíferos marinhos e, mais acima na cadeia alimentar, humanos – muito embora a maior parte do plástico tenha se quebrado em partículas tão pequenas que são quase invisíveis. Como não é um método exequível de limpar os oceanos, ambientalistas dizem que a saída é impedir que mais plásticos cheguem aos mares e, sempre que possível, criticar a cultura do descartável baseada em produtos não biodegradáveis. “Nosso trabalho é deixar que as pessoas saibam que a poluição oceânica por plásticos é um problema global, e infelizmente não está confinado a um único lugar”, disse ela. As equipes de pesquisadores apresentou suas descobertas em fevereiro, na Reunião de Ciências Oceânicas realizada nos EUA. Anna Cummins e seu marido, Marcus Eriksen, percorreram o Atlântico num barco a vela para realizar o projeto de pesquisa. Eles planejam percorrer o Atlântico Sul em novembro e o Pacífico Sul no ano que vem. Na viagem entre o Caribe os Açores, eles cruzaram o mar de Sargaço, uma área limitada por correntes marítimas. Pegaram amostras a cada 160 quilômetros, com uma interrupção causada por uma tempestade. A cada vez que puxavam a rede, ela vinha cheia de plástico. Um estudo separado, feito por estudantes da Associação de Educação Marítima de Woods Hole, coletou mais de 6 mil amostras em viagens entre o Canadá e o Caribe, ao longo de duas décadas. A principal pesquisadora, Kara Lavendar Law, disse que a maior concentração de plástico foi encontrada entre os graus 22 e 38 de latitude norte. Alga marinha misturada a garrafas, caixas e outros detritos flutuam nas águas paradas da área, conhecida como a Zona de Convergência Subtropical do Atlântico Norte. O grupo de Anna Cummins retirou um peixe, ainda vivo, preso no interior de um balde plástico. Mas a maior parte do lixo é praticamente invisível: incontáveis grãos de plástico, suspensos perto da superfície.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O dedo do gigante na erupção vulcânica

Erupção do vulcão na Islândia: O dedo do gigante.
Está o mundo passando, no presente momento, por uma pequeníssima perturbação no esquema civilizacional vigente, com foco irradiante situado na Islândia. Mas, como o mundo é esférico e não tem partes, cada local é complementar e interdependente. Esse o motivo por que o fato vai produzir reflexos no todo, com maior ou menor intensidade. O que está ocorrendo nada mais é do que conseqüência das leis físicas, atinentes ao comportamento dos gases. O magma terrestre, em sua dinâmica física e química, produz gases que são suportados até certo limite pelo continente rochoso. Vulcões existem como válvulas de escape, numa ação que preserva a integridade do planeta. Isso é natural, lógico, inteligente e coerente. Tal qual um botijão de gás com sua válvula de segurança. Mas interfere, minimamente, na situação de normalidade do meio ambiente de interesse do biociclo. Repetimos: altera, insignificantemente, a Natureza em seus componentes ambientais. No entanto, perturbam bastante os procedimentos civilizacionais, principalmente – no caso particular – a locomoção aérea de grande parcela de nossa exagerada população, desarranjando direta ou indiretamente os compromissos planejados segundo os cânones do sistema econômico e implantando um caos setorial. Para se ter uma idéia do volume perturbado, considere-se que somente na Europa efetuam-se 20.000 vôos diários. Tudo isso porque a atual civilização criou a necessidade – prejudicial à Natureza – da locomoção, fator inteiramente dispensável numa vivência ambiental harmônica, onde apenas os membros locomotores são suficientes para a manutenção da vida. Por circunstâncias locais, o vulcão da Islândia está expelindo continuamente cinzas prejudiciais em quantidade enorme e que se movimentam para leste numa altura variável entre 7 e 11 mil metros. Lembramos que tais cinzas são eternas. Ao correr do tempo, elas se depositarão sobre a superfície continental e marítima, produzindo algum benefício ou malefício. Entendemos que esse fato natural, mas perturbador do esquema civilizacional, causando um caos localizado e setorial, nada mais é que uma pequeníssima amostra do que nos espera logo ali na esquina do tempo. E o caos futuro previsível, ora em processo cumulativo de forças desagregantes, provocado pela insânia em persistir nas ações do lucro, levará inapelavelmente a humanidade para o suicídio, juntamente com toda a biodiversidade. Precisamos de outros paradigmas e objetivos de vida, onde os valores do espírito se sobreponham aos interesses fugazes e prejudiciais dos bens materiais. Ademais, devemos nos agrupar nesse planeta pela qualidade e não pela quantidade. Quanto mais e mais somos, crescem mais e mais as desqualificações, pois estas passam a ser espelhos de sucesso para os poucos que ainda cultivam suas menosprezadas e castigadas virtudes. A realidade de hoje está mostrando claramente o que a humanidade pode esperar para breve. Ainda há tempo para o refluxo dessa situação que a cada dia se tornará mais doloroso. Mas haverá um momento em que o retorno será impossível. Maurício Gomide Martins, 82 anos, ambientalista, colaborador e articulista do EcoDebate, residente em Belo Horizonte(MG), depois de aposentado como auditor do Banco do Brasil, já escreveu três livros. Um de crônicas chamado “Crônicas Ezkizitaz”, onde perfila questões diversas sob uma óptica filosófica. O outro, intitulado “Nas Pegadas da Vida”, é um ensaio que constrói uma conjectura sobre a identidade da Vida. E o último, chamado “Agora ou Nunca Mais”, sob o gênero “romance de tese”, onde aborda a questão ambiental sob uma visão extremamente real e indica o único caminho a seguir para a salvação da humanidade.

465 mil crianças sem aula em Salvador

Temporais deixam 465 mil crianças sem aula em Salvador.
A Avenida ACM alagou e impediu a circulação dos veículos. Bahia tem 7.454 desalojados e 3.249 desabrigados; em 8 dias, cinco pessoas morreram no Recôncavo Baiano. Centenas de pessoas perderam as casas ou pertences com as chuvas no Recôncavo Baiano entre a noite de anteontem e a manhã de ontem. Rios transbordaram e deixaram bairros isolados. Na capital, 465 mil crianças estão sem aulas. Segundo a Defesa Civil, o Estado tem 7.454 desalojados e 3.249 desabrigados. Cinco pessoas morreram em oito dias. Na noite de 14 de abril de 2010, ao ver o estrago que a chuva fazia em seu bairro - a Vila Canária, em Salvador -, Albertina Santos de Jesus, de 31 anos, decidiu deixar a casa com os três filhos (de 3, 4 e 8 anos) e buscar abrigo com uma tia. Quando a chuva diminuiu, Albertina decidiu voltar para casa. Ao chegar, viu que seu imóvel, construído durante cinco anos, se transformou em entulho. "A gente luta para ter nossa casa, para comprar umas coisinhas, aí vem uma chuva e leva a vida embora", desabafou, chorando, sentada no meio-fio. "Pelo menos dei a sorte de tirar meus filhos." No mesmo dia e no mesmo bairro, dois garotos, Pablo e Gabriel, de 2 e 6 anos, morreram quando o quarto no qual dormiam foi destruído por um deslizamento. Em Pirajá, também na periferia, um deslizamento de terra atingiu um menino de 4 anos, que foi socorrido a tempo. No bairro de Águas Claras, a inundação chegou ao teto das casas. Os próprios moradores fizeram mutirões para tirar crianças e idosos das casas, em botes ou a nado. Um deles, exausto com o esforço, desmaiou enquanto nadava e quase morreu afogado. Foi salvo pelos colegas. Em Santo Amaro da Purificação, 200 famílias ficaram desabrigadas depois que o Rio Subaé avançou. Emergência. As prefeituras de Salvador e de outros 26 municípios decretaram situação de emergência. Estima-se que 200 famílias da capital não tenham onde se abrigar. Muitas estão instaladas em escolas públicas. As aulas da rede pública estão suspensas em toda a região metropolitana. Ao todo, 465 mil alunos de Salvador estão sem aulas. O governador, Jaques Wagner (PT), sobrevoou Salvador e Lauro de Freitas ontem. Ele telefonou para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para relatar os problemas e pedir providências dos ministérios. Lula prometeu auxílio. Temporal 161 milímetros foram a chuva registrada entre a zero hora de 14/04/2010 e o final da tarde de 15/04/2010 em Salvador/BA 326,2 mm era a precipitação esperada para todo o mês de abril, segundo a Defesa Civil do Estado 499,1 mm foi a média na capital baiana nos primeiros 15 dias do mês de abril de 15 dias do mês de abril de 2010 379 pessoas ficaram feridas ou doentes devido aos alagamentos e deslizamentos São Paulo O primeiro trimestre foi o mais chuvoso nos últimos 15 anos na capital paulista. Foram 872,6 milímetros, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura.

1º trimestre, o mais chuvoso de São Paulo

São Paulo registra 1º trimestre mais chuvoso em 15 anos. As fortes chuvas que caíram no início deste ano na capital paulista colocaram o primeiro trimestre de 2010 como o mais chuvoso nos últimos 15 anos, com 872,6 milímetros, segundo dados do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), da prefeitura. Esses dados fazem parte da "Operação Chuvas de Verão", promovida pela prefeitura entre 1º de novembro de 2009 e 15 de abril, período em que foi intensificado o monitoramento das chuvas na cidade. O acompanhamento feito pelo órgão revelou que o mês de janeiro deste ano foi o mais chuvoso da última década em São Paulo, acumulando 461,3 milímetros, correspondente a quase o dobro do previsto para o mês (239 milímetros). Seguindo esta tendência, passada apenas a primeira quinzena de abril, as chuvas já excederam o esperado para todo o mês, com acumulado de 81,2 milímetros, valor que representa 106,4% da média (76 milímetros). Os meteorologistas do CGE estimam que continuará a chover acima do normal na primeira metade do outono.

Os vira-latas do Bumba

A chuva no Rio deu uma folga, mas espero que o assunto não saia dos noticiários. Não é hora de esquecer a catástrofe causada não pela intempérie, mas pelo descaso habitual do poder público em relação à vida dos pobres. No momento em que escrevo, a contagem das vítimas está em 412 feridos resgatados dos escombros em todo o Estado. E 251 mortos. Por enquanto. Entre as muitas imagens dos deslizamentos, não me sai da cabeça a foto de um cachorrinho vira-latas encontrado com vida depois de três dias soterrado no Morro do Bumba, em Niterói. O pelo encharcado, dorso arqueado como fazem os cães com muito medo, rabo entre as pernas, claro - e aquele olhar de interrogação que só os bichos domésticos têm quando sofrem: "O que eu fiz pra apanhar assim? Cadê o meu pessoal? Onde estou?" Imagem muda de desolação e desamparo, o vira-latas do Morro do Bumba teve mais sorte do que muita gente, e com certeza terá mais facilidade de encontrar um novo lar. Também são sortudos os cães farejadores que passaram mal com o cheiro do gás metano do antigo lixão e puderam descansar até terem condições de procurar os corpos das pessoas que viviam em cima do mesmo cheiro de gás. É injusto que o sofrimento de um animal nos comova tanto assim. Talvez isso ocorra por conta de seu estatuto de vítima radical, 100% inocente e ignorante a respeito da tragédia humana, sempre humana, que o abateu. Penso na matança dos cavalos pelos capangas do Hermógenes, em Grande Sertão: Veredas. Muitos amigos de Riobaldo morrem na batalha da fazenda dos Tucanos, mas Guimarães Rosa capricha na emoção ao descrever a execução covarde dos cavalos presos, que não podem fugir. Não me espanta que o vira-latas salvo da lama e do lixo nos faça chorar. Mas por que não sentimos comoção muito maior diante de tanta gente desesperada, sem casa, no fim de suas forças a procurar ainda pelos filhos, pais, esposos/as, amigos? Por que não nos desesperamos diante desses e outros, entre os milhões de brasileiros que ainda vivem vulneráveis não apenas às chuvas, mas a tudo, tudo? Ou então, a comoção que sentimos nesse caso talvez seja de natureza diversa da que produz lágrimas fáceis. Talvez esteja mais perto do desespero e da resignação humilhada do que da piedade. No ensaio Da Tristeza, Montaigne se indaga sobre o episódio narrado por Heródoto no qual o rei egípcio Psammenit, derrotado pelo persa Cambises, vê desfilarem diante de si a filha vestida como escrava e o filho a caminho da forca. Psammenit suporta, cabisbaixo, a tragédia que abate seus filhos; mas explode em lágrimas ante a visão de um velho amigo da família (a tradução é controversa: amigo ou criado?) que pede esmolas aos soldados, como um mendigo faminto. Montaigne considera a possibilidade de que a visão do velho amigo teria sido a gota d"água que fez transbordar o "copo até aqui de mágoa" do rei vencido. Mas considera também o relato de Heródoto, para quem a dor ante o destino dos familiares do rei era grande demais para ser chorada. As grandes dores estariam além de qualquer possibilidade de expressão. É mais suportável sofrer pelo cachorrinho do que pelos moradores do Morro do Bumba, assim como parece mais imediata nossa identificação com a impotência dele. Conhecemos a ladainha do fatalismo brasileiro: primeiro se tenta o jeitinho, a viração. Vamos que vamos; se não piorar, já está bom. Depois vem a calamidade (Chuva? Seca? Expulsão da terra? Bangue-bangue?) e a tragédia; depois, a renovada esperança de tudo se ajeitar e a velha, santa paciência. Do outro lado, os governos federal, estadual e municipais, que só agora liberam verbas, removem famílias de outras regiões de risco, determinam terrenos para construções de moradias de emergência. A Caixa Econômica vai liberar empréstimos para as famílias reconstruírem suas casas. Empréstimos? Não seria mais exato falar em indenizações? Agora, só agora, as providências, se é que o dinheiro do Rio não vai parar outra vez na Bahia. Ah, o velho PMDB, nossa mais envergonhada resignação! Qual a diferença, hoje, em relação ao ex-PFL? No Morro do Borel, 150 pessoas, somente desabrigados e seus familiares, fazem protesto contra a precariedade de sua condição e exigem a presença do poder público. Manifesto do Comitê de Mobilização e Solidariedade das Favelas de Niterói critica a especulação imobiliária que expulsa famílias pobres dos bairros para as encostas e contribui com a deterioração do meio ambiente. E exige "...compromissos com os problemas públicos, que nos respeitem como cidadãos e seres humanos". Não faltarão autoridades para acusar os poucos que se mobilizam para protestar, de politizarem a questão. Uai: mas a questão não é política? Querem que acreditemos que viver sobre um velho lixão (há 17 mil pessoas em condições semelhantes na grande São Paulo) é uma situação natural? Nós somos os derrotados que não conseguem chorar. Vivemos, todos, sobre uma espécie de lixo mal soterrado. Antigamente se chamava entulho autoritário. Somos o cachorrinho do Morro do Bumba, salvos por um triz, sem entender o que temos a ver com aquela bagunça toda.
O que escutamos ao relento do vazio é grito dos excluídos ecoando na escuridão dos desalentados, sem ter quem os socorra, curando suas feridas e secando as suas lágrimas, já que nada mais lhes resta ou ao menos lhes console.

Deslizamentos e enchentes: Não faltam avisos

Morro do Bumba, Niterói Há quantas décadas os cientistas advertem que não se deve desmatar encostas e topos de morros nem ocupá-los com construções, porque se corre o risco de deslizamentos e mortes? Há quantas décadas a legislação proíbe essa ocupação? Há quanto tempo a ciência mostra os riscos de ocupar a planície de inundação natural de rios, que periodicamente ali produzem enchentes mais fortes, com vítimas e perdas materiais, ainda mais se canalizados, retificados, obstruídos por barragens? Não são conhecidos há muito tempo os riscos de impermeabilizar todo o solo das cidades com asfalto e não deixar espaço para a infiltração de água – agravando o risco de inundações? Há quantas décadas o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) alerta para a maior frequência e o agravamento dos chamados “eventos extremos” do clima, principalmente chuvas intensas em curto espaço de tempo? Esse texto pode parecer escrito agora, após as últimas tragédias no Rio de Janeiro, em Niterói, São Paulo, Angra dos Reis, etc. provocadas por chuvas intensas. Mas foi publicado pelo autor destas linhas nesta mesma página no dia 19 de dezembro de 2008, após os dramas que as chuvas provocaram em Santa Catarina, onde chegaram a cair mais de 850 milímetros de água em 36 horas. Nessas últimas semanas nem choveu tanto – mais de 100 milímetros, em São Paulo; e 288 milímetros, no Rio de Janeiro. Mas foi o suficiente para provocar “o caos” no Rio e em Niterói. Centenas de mortos, milhares de desalojados ou desabrigados e a constatação de que há dezenas de milhares de casas em áreas de risco nas duas cidades. Não é o caso de discutir mais uma vez se “eventos extremos” como esses são ou não produto da intensificação do efeito estufa por ações humanas. Não há nenhuma dúvida de que, seja qual for a razão, os últimos 10 anos estão entre os 12 mais quentes da história do planeta. Ainda que se deixem de lado esses ângulos da questão, o Rio de Janeiro tem uma história de eventos extremos dessa natureza desde 1966, pelo menos – e os governantes sabem disso. Da mesma forma, em Niterói a prefeitura estava informada, havia seis anos, por um estudo do Instituto de Geociência da Universidade Federal Fluminense, dos riscos com a ocupação desordenada de topos de morros e encostas. Em 2007 a mesma instituição alertou para 142 pontos de risco em 11 regiões – cinco das quais agora fortemente atingidas pelos deslizamentos. E uma delas era exatamente o Morro do Bumba, onde aconteceu o pior de todos. Ali se permitiu a ocupação, por dezenas de famílias, de uma área que durante 15 anos recebeu o lixo de Niterói e São Gonçalo. Uma das hipóteses é a de que o recente deslizamento tenha sido agravado por uma explosão de gás metano ali acumulado pela decomposição do lixo. Não é possível, portanto, fazer de conta que as administrações não sabiam dos riscos. E, pior, nenhum protesto se ouviu pelo fato de as verbas destinadas pela Secretaria Nacional de Defesa Civil ao Rio de Janeiro e São Paulo haverem sido redirigidas para outros Estados, principalmente a Bahia, onde o ex-ministro da Integração Nacional – a quem está subordinada a secretaria – é candidato a governador. Em 2008 e 2009, a Bahia recebeu 64,6% das verbas, ante 0,9% do Rio de Janeiro e 3% de outros oito Estados. De 2004 a 2009, a Bahia ficou com R$ 307,9 milhões, ante R$ 15,5 milhões do Rio de Janeiro. Também não é possível esquecer a alarmante penúria brasileira em matéria de adaptação às mudanças climáticas. Mesmo quando o poder discute a questão climática no País, em geral centra a atenção quase exclusivamente na necessidade de “mitigar” as emissões de poluentes – sem tratar da urgentíssima necessidade de “adaptação”, para a qual a Convenção do Clima chama sempre a atenção. Seja qual for a razão, os eventos extremos vêm se intensificando há décadas e é preciso adaptar o País a essa realidade. Isso inclui ter uma política em todos os níveis da administração que inclua instituições científicas equipadas para advertir com mais tempo sobre a aproximação dos eventos perigosos. Uma política que leve à revisão dos padrões de construção em todos os lugares e setores (rodovias, pontes, edifícios). Uma legislação que impeça a impermeabilização do solo – e fiscalização para que seja cumprida. Desocupação das áreas de risco. Programas de devolução dos rios a seu curso primitivo – eliminando barragens, retificações, redução do canal. E a criação, em cada lugar, de instituições de defesa civil. Exemplo de conhecimento a ser traduzido em práticas preventivas: estudo de cientistas da área do clima na Universidade de São Paulo para a Agenda do Verde e do Meio Ambiente da capital paulista mostra que a diferença de temperatura entre as áreas do Município ainda ocupadas por vegetação nativa (Serra do Mar e Cantareira, principalmente) e áreas da cidade de alta ocupação industrial e trânsito intenso (como a Mooca) chega a seis graus Celsius, e isso tem consequências fortes na distribuição espacial e temporal das chuvas. Essas áreas mais quentes formam as chamadas “ilhas de calor”, que atraem chuvas intensas. Com isso, chove mais nas áreas onde os altos volumes de água são um problema e menos nas áreas de nascentes e reservatórios. Da mesma forma, com o calor, chove mais nas áreas urbanas de segunda-feira a sexta-feira – quando a água é mais problemática – do que nos fins de semana, quando diminui o calor e há menos movimentação de pessoas.Há alguns estudos. Faltam políticas adequadas. E caminhos na sociedade para exigir dos governantes as atitudes necessárias. Sem esquecer a questão da comunicação: os eventos dramáticos têm causas que se acumulam ao longo de anos, décadas; não acontecem do dia para a noite. É função da comunicação acompanhar essa evolução, denunciá-la e pedir providências. Não basta fazer o “jornalismo de espetáculo” só no momento do drama.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Salinização na foz do Rio São Francisco

Salinização na foz do Rio São Francisco: O mar que invade o sertão No tempo das grandes descobertas, os navegadores ancoravam as caravelas a alguns quilômetros da foz do Rio São Francisco para se abastecer de água doce. O rio-mar tinha força bastante para avançar sobre o oceano. Hoje a situação se inverte: o Atlântico penetra no Velho Chico e saliniza suas águas. Peixes de água salgada são encontrados a dezenas de quilômetros no leito do rio. O pior é que a fonte de abastecimento de outrora se transformou em fator de contaminação de mão dupla. Esse relato feito pelo juiz federal e professor Carlos Rebelo Júnior, na II Conferência Internacional sobre Sinergias Ambientais entre as Águas Continentais e Marítimas, realizado na semana passada em Buenos Aires, despertou forte reação de cientistas e ambientalistas, que concluíram pela necessidade de urgente reversão do processo de destruição do rio da unidade brasileira. Mostrou o magistrado que, nos últimos 40 anos, o Velho Chico perdeu 40% do volume de água e que a cada ano são lançadas 18 milhões de toneladas de areia e terra no seu leito, infestado por esgotos domésticos e industriais e todo tipo de dejetos. Centenas de municípios ao longo dos quase 3 mil quilômetros de extensão, desde a Serra da Canastra, em Minas Gerais, até a Praia de Piaçabuçu, em Alagoas, participam desse atentado à natureza. Entre os exemplos de alterações significativas desse cenário, Rebelo apontou: 1. Embaixo da ponte entre Alagoas e Sergipe, em Propriá, sobre a BR-101, o rio tinha uma profundidade de 45 a 55 metros, mas hoje os bancos de areia são vistos ao longo do leito, por entre as águas que passam por pequenos canais; 2. Os 208 quilômetros abaixo da Hidrelétrica de Xingó estão tomados por imensos areais; 3. A atividade de pesca diminui bastante e, paradoxalmente, é possível pescar robalo, de água salgada, 145 quilômetros acima da foz; e 4. A cunha salina avança destruindo localidades como a ilha de Cabeço e o povoado de Costinha. Tudo isso ocorre, apesar de o Brasil ser um dos subscritores dos diversos tratados e convenções internacionais que impõem obrigações de prevenção, redução e controle da contaminação do meio marinho de qualquer fonte, entre os quais o Convênio de Direito do Mar, de 1982, o Convênio sobre Usos dos Rios Internacionais para Fins Distintos da Navegação, de 1997, e o Protocolo de Aruba, de 1999. Sobre eles discorre em profundidade a professora Griselda Capaldo, da Universidade de Buenos Aires, destacando a importância de uma ação conjunta internacional como meio de proporcionar o tratamento e assimilação natural de resíduos de origem antrópica, a proteção contra as tormentas, a provisão de alimentos, de matérias-primas, a recreação e o gozo estético, as oportunidades de emprego e a regulação do clima no planeta Terra. Tais tratados e convenções não encontram efetividade, ao contrário de outros tantos, de natureza comercial, nos quais as nações ricas impõem regras que privilegiam fortemente o capital financeiro, os investimentos especulativos, em detrimento da produção de bens, inclusive alimentos, não obstante a pobreza e a miséria que afetam bilhões de seres humanos em todos os continentes, especialmente na África, na Ásia e na América do Sul. Aí se dá um retrocesso de séculos, à época em que as caravelas singravam os mares sob o império do sistema de privilégios. Tudo para umas poucas nações, à época, Inglaterra, Portugal e Espanha, e ferro para a periferia. É o feudalismo financeiro que agora se impõe.

O destino dos canais da transposição do rio são Francisco

Apesar dos sucessivos apelos e alertas da inviabilidade ambiental, econômica e social do Projeto, insensível, o “rolo compressor” da transposição do rio São Francisco funcionou efetivamente, tornando as obras irreversíveis, principalmente quanto aos impactos negativos que dificilmente serão reparados pelos próximos governos. Para isso, o Ministério da Integração responsável pela obra, contando com a retaguarda do Exército Brasileiro, mobilizou todo o parque industrial da construção civil pesada do Brasil, envolvendo na empreitada mais de 5.000 máquinas e 10.000 operários em três turnos de trabalho diário numa frente contínua de 400 km de obras. Essa mega infra-estrutura, nesse último ano de governo e de eleição presidencial, contando com recursos orçamentários vultosos e forte motivação política, deverá concluir grande parte das obras mais comuns e de maior visibilidade dos eixos Norte e Sul do Projeto, abrangendo a construção de centenas de quilômetros de canais intercalados por aquedutos sobre os cursos de água maiores interceptados pela obra e dezenas de pequenos reservatórios – obras essas, apesar da grande dimensão do seu conjunto, corriqueiras para as grandes empresas nacionais de construção civil envolvidas no projeto. O projeto pode ser comparado a uma grande estrada formada por canais de terra de 25 m de largura revestidos por uma fina camada de cinco centímetros de espessura de concreto, alimentados por grandes bombas para elevar as águas entre os degraus sucessivos, praticamente horizontais e com dezenas de quilômetros de comprimento. Os canais se desenvolvem serpenteando morro acima as encostas da margem esquerda da bacia do rio São Francisco até alcançar os divisores d’água dessa bacia com as bacias contíguas. Pelo Eixo Leste, ¼ das águas do Projeto chegarão ao rio Paraíba e através do Eixo Norte, o maior com capacidade de transportar ¾ da vazão total, os canais ultrapassarão o divisor da bacia do rio Jaguaribe e seguirão pelos pontos mais altos até encontrar condições de perfurar os divisores das bacias dos rios Piranhas no estado da Paraíba e Apodi no estado Rio Grande do Norte. Vale ressaltar, entretanto, que toda essa conjugação de esforços não deverá garantir o sucesso do projeto que estará condicionado ao ainda distante término de todas as obras e, principalmente, ao desenvolvimento dos projetos em fase embrionária de utilização das águas transpostas e a sua gestão. Podendo-se, nesse caso, destacar a construção ainda não iniciada de 35 km de túneis. Isto é: parafraseando Carlos Drummond, no final dos canais têm algumas serras. Para exemplificar, a água do Eixo Norte chegará aos estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte através de 20 km de túneis, sendo o maior deles, o túnel Cuncas I com 9 m de diâmetro e mais de 15 km de comprimento, uma obra, por si só, sem precedente no País. Como referência, pode-se citar que o mais extenso túnel rodoviário do Brasil é o da pista descendente da Rodovia dos Imigrantes com 3,1 km e o maior túnel ferroviário da América do Sul é o Tunelão da Ferrovia do Aço em Minas Gerais, concebido a época do “Milagre Econômico” durante o regime militar com 8,7 km de extensão. Apesar da propaganda oficial renomear “Projeto São Francisco: água a quem tem sede”, na prática, as obras reproduzem na íntegra o projeto tradicional do governo anterior, com a mesma infra-estrutura e orçamento, representando um dos maiores sistemas de bombeamento do mundo com capacidade de transportar 127 m³/s das águas do rio São Francisco para perenizar trechos inicia dos maiores rios da Região Nordeste Setentrional, visando aumentar precariamente os estoques ociosos de dez dos maiores reservatórios da região, reproduzindo, dessa forma, e em maior escala, o vício da “obra como um fim em si mesmo” da velha política hidráulica desenvolvida pelo Governo Federal no Nordeste Brasileiro desde o Império. O projeto promete sustentar os consumos das bacias receptoras com as águas do rio São Francisco, desconhecendo, dessa forma, a grande infra-estrutura hídrica implantada em 100 anos de investimentos que tornou a região potencialmente auto-suficiente em recursos hídricos, capaz de atender plenamente todas as suas demandas, apenas necessitado para isso de uma infra-estrutura adequada de acesso as águas armazenadas nos grandes reservatórios espalhados por toda a região. Vale ressaltar que, os consumos prioritários urbanos da região pretensamente beneficiada comprometem apenas 20% das águas regularizadas pelas grandes barragens, e que as bacias receptoras, principalmente do Eixo Norte, atualmente são grandes exportadores de água virtual via frutas, tais como melão e banana, e aquicultura de camarão, concorrendo com a bacia do rio São Francisco no mercado globalizado, com vantagens pelo menor custo de transporte e da água, insumo esse que será extremamente onerado pelo projeto, estima-se que a água da transposição terá um custo cinco vezes maior do que o atual custo praticado na região. As obras e todo o processo de mobilização se concentram na bacia doadora, ficando a cargo dos governos estaduais desenvolverem os projetos de utilização das águas e assumirem a cara manutenção da grande infra-estrutura. Nesse cenário, vislumbra-se o grande risco de que concluídos os canais, dado o ritmo acelerado das obras, os mesmos deverão ficar ociosos e sem manutenção adequada por muitos anos. Com o término das obras, junto com a saída das grandes empresas, cessará todo o processo de mobilização e os empregos temporários, ficando os canais com o seu destino incerto. Com certeza persistirá o lobby pela continuidade das obras, talvez essa seja a pior herança do projeto, fala-se na transposição do rio Tocantins para o rio São Francisco e na continuidade dos canais pelas bacias receptoras, e assim por diante, as obras da transposição não terminarão jamais, perpetuando a indústria das secas em prejuízo das políticas efetivas de desenvolvimento sustentado da Região.

CNRH aprova cobrança pelo uso das águas do Rio São Francisco

A iniciativa vai garantir recursos para revitalização da bacia. Os valores são diferenciados para a captação, o consumo e o lançamento de carga orgânica na água. A expectativa é que sejam arrecadados cerca de R$ 20 milhões por ano. O Conselho Nacional de Recurso Hídricos (CNRH) aprovou, nesta terça-feira (13/04), a cobrança pelo uso da água na Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco. A resolução que define os valores e mecanismo para essa cobrança foi votada durante a 28ª Reunião Extraordinária do CNRH. Para o secretário de Recurso Hídricos e Ambiente Urbano do MMA, Silvano Silvério, a aprovação da resolução vai garantir recursos ao comitê da bacia do Rio São Francisco para fazer a gestão das águas e garantir a revitalização da bacia. Os valores são diferenciados para a captação, o consumo e o lançamento de carga orgânica na água. A expectativa é que sejam arrecadados cerca de R$ 20 milhões por ano. Todo recurso será aplicado na recuperação da bacia. Entre as possíveis utilizações dos recursos arrecadados nesse tipo de cobrança estão os investimentos em despoluição, reuso, proteção e conservação, e também na utilização de tecnologias limpas e poupadoras dos recursos hídricos. A cobrança pelo uso de recursos hídricos de domínio da União está prevista na Política Nacional de Recursos Hídricos, bem como no Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Singreh), e já vem sendo implementada no Brasil desde 2006, quando foi aprovada para os rios da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul. No ano seguinte, foi a vez da cobrança pelo uso das águas dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. Na próxima reunião do CNRH, será escolhida a empresa que será responsável pela execução da cobrança do uso da água da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco. Comitê de Bacia – No encontro, o CNRH também criou o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Grande, que passa por Minas Gerais e São Paulo. Segundo Silvério, a criação do comitê vai permitir a melhoria da gestão das águas da bacia do rio Grande. Ainda foram aprovadas as resoluções que criam as unidades de gestão de recursos hídricos de rios de domínio da união; transfere a gestão das bacias hidrográficas dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí à Fundação Agência das Bacias dos três rios; e estabelece diretrizes para a operação da rede nacional de monitoramento integrado das águas subterrâneas, avaliando a situação dessas áreas sob o ponto de vista qualitativo e quantitativo, como a avaliação do nível da água. O CNRH também aprovou a recomendação de rejeição do projeto de lei da Câmara nº 315, de 2009, que reduz o percentual recebido pelos estados da destinação da compensação financeira pelo uso do recurso hídrico.