sexta-feira, 29 de junho de 2018

BNDES muda regra e pessoas físicas investirão em sistemas de aquecimento solar

BNDES muda regra e pessoas físicas podem investir em sistemas de aquecimento solar e sistemas de cogeração.
· Fundo Clima permite financiar 80% dos itens apoiáveis ao custo final de 4,03% ao ano para pessoas físicas e jurídicas com renda até R$ 90 milhões.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou mudanças no Programa Fundo Clima. A partir de agora, no subprograma Máquinas e Equipamentos Eficientes, pessoas físicas terão acesso a financiamentos para a instalação de sistemas de aquecimento solar e sistemas de cogeração (placas fotovoltaicas, aerogeradores, geradores a biogás e equipamentos necessários).
Trata-se de mais uma ação do BNDES para incentivar o cidadão brasileiro a investir em sustentabilidade e economia de energia. Os recursos poderão ser contratados em operações indiretas somente por meio de bancos públicos.
Economia – A implantação de sistemas de geração de energia solar permitirá aos consumidores reduzirem gastos com a conta de luz, já que passarão a comprar menos energia da concessionária e poderão, dependendo de sua região, fazer até uma conta corrente de energia vendendo o excedente para a distribuidora. Além disso, a geração distribuída traz um benefício para o sistema elétrico, já que conta com vários pontos de geração espalhados por residências e comércio, reduzindo o risco de interrupção do fornecimento de energia.
Condições – Os limites do Fundo Clima alcançam 80% dos itens financiáveis, podendo chegar a R$ 30 milhões a cada 12 meses por beneficiário. Tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas (empresas, prefeituras, governos estaduais e produtores rurais), o custo financeiro do Fundo Clima é reduzido: para renda anual até R$ 90 milhões, o custo é de 0,1% ao ano, e a remuneração do BNDES é de 0,9% ao ano. Para renda anual acima de R$ 90 milhões, o custo é de 0,1% ao ano, e a remuneração do BNDES é de 1,4% ao ano.
A remuneração dos agentes financeiros é limitada até 3% ao ano. Uma vez aplicada a remuneração máxima definida pelos bancos públicos, as taxas finais passam a ser as seguintes: para renda anual até R$ 90 milhões, o custo final é de 4,03% ao ano; para renda anual acima de R$ 90 milhões, o custo final é de 4,55% ao ano. O programa permite carência de 3 a 24 meses, com prazo máximo de 144 meses. A vigência para adesão vai até 28 de dezembro de 2018.
Fundo – O Fundo Clima é destinado a projetos de Mobilidade Urbana, Cidades Sustentáveis, Resíduos Sólidos, Energias Renováveis, Máquinas e Equipamentos Eficientes e outras iniciativas inovadoras. O objetivo é financiar produções e aquisições com altos índices de eficiência energética ou que contribuam para redução de emissão de gases de efeito estufa.
Itens financiáveis – Podem ser financiados os seguintes itens, desde que novos e nacionais, cadastrados e habilitados para o subprograma no Credenciamento de Fornecedores Informatizados – CFI do BNDES: máquinas e equipamentos cadastrados no Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) ou com o selo Procel (considerando os itens para os quais o PBE fornece a certificação de eficiência energética, serão aceitos apenas os de classificação A ou B); sistemas geradores fotovoltaicos, aerogeradores até 100kw, motores movidos a biogás, inversores ou conversores de frequência e coletores/aquecedores solares; ônibus e caminhões elétricos, híbridos e outros modelos com tração elétrica; e ônibus movidos a etanol. (ecodebate)

Relatório Especial sobre o Aquecimento Global de 1,5ºC

IPCC envia aos governos a versão final do Relatório Especial sobre o Aquecimento Global de 1,5ºC.
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) está convidando os governos a comentar a versão final do Resumo para os Formuladores de Políticas (SPM) do Relatório Especial sobre Aquecimento Global de 1.5ºC (SR15) antes da aprovação da plenária. o SPM na 48ª sessão do IPCC no início de outubro.
O IPCC distribuiu a versão final do relatório, cujo nome completo é Aquecimento Global de 1,5°C, um relatório especial do IPCC sobre os impactos do aquecimento global de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais e das vias de emissão de gases de efeito estufa. Um contexto de fortalecimento da resposta global à ameaça da mudança climática, desenvolvimento sustentável e esforços para erradicar a pobreza, aos governos na segunda-feira, com um pedido para comentar sobre a SPM até 29 de julho de 2018.
A revisão da Minuta Final é uma etapa chave na preparação do relatório, permitindo que os autores se preparem para a sessão de aprovação linha por linha da SPM que acontecerá em Incheon, República da Coréia, em 1º a 5 de outubro, 2018. O relatório, a ser divulgado em 8 de outubro, sujeito à aprovação do Painel, será o principal insumo científico para o Diálogo de Talanoa na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas a ser realizada em Katowice, Polônia, em dezembro.
O objetivo desta revisão final é garantir que o Resumo para os formuladores de políticas seja preciso, bem equilibrado, apresente claramente as conclusões do relatório subjacente e seja consistente com o escopo do relatório completo aprovado pelo Painel na 44ª sessão do relatório. o IPCC em outubro de 2016.
“Esta é a última etapa do processo de revisão do IPCC. Os rascunhos dos capítulos foram finalizados e as principais descobertas foram resumidas no Resumo para os Formuladores de Políticas”, disse Valérie Masson-Delmotte, Co-Presidente do IPCC Grupo de Trabalho I. revisar o relatório que preparamos após o convite feito ao IPCC em dezembro de 2015, na COP21”.
Em conformidade com os procedimentos do IPCC, o relatório já passou por duas etapas de revisão formal: a revisão de especialistas do First Order Draft de 31 de julho a 24 de setembro de 2017 e a revisão do governo e especialistas do Second Order Draft de 8 de janeiro a 25 de fevereiro de 2018 .
Notas: O Relatório Especial sobre o Aquecimento Global de 1.5ºC, conhecido como SR15, está sendo preparado em resposta a um convite da 21ª Conferência das Partes (COP21) para a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima em dezembro de 2015, quando chegaram à Paris. Acordo e informará o Diálogo de Talanoa na 24ª Conferência das Partes (COP24). O Diálogo de Talanoa fará um balanço dos esforços coletivos das Partes em relação ao progresso em direção à meta de longo prazo do Acordo de Paris e para informar a preparação de contribuições determinadas nacionalmente. Detalhes do relatório, incluindo o esboço aprovado, podem ser encontrados na página do relatório. O relatório está sendo preparado sob a liderança científica conjunta de todos os três Grupos de Trabalho do IPCC, com o apoio da Unidade de Suporte Técnico do Grupo de Trabalho I. O Painel considerará o Resumo para os formuladores de políticas em sua 48ª sessão em Incheon, República da Coreia, de 1 a 5 de outubro.
O que é o IPCC?
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) é o órgão da ONU para avaliar a ciência relacionada à mudança climática. Foi estabelecido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (ONU) e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) em 1988 para fornecer avaliações científicas regulares sobre as mudanças climáticas, suas implicações e possíveis riscos futuros, bem como para propor adaptação e mitigação estratégicas. Tem 195 estados membros.
As avaliações do IPCC fornecem aos governos, em todos os níveis, informações científicas que podem ser usadas para desenvolver políticas climáticas. As avaliações do IPCC são um insumo fundamental nas negociações internacionais para combater as mudanças climáticas. Os relatórios do IPCC são elaborados e revisados ​​em várias etapas, garantindo objetividade e transparência.
O IPCC avalia os milhares de artigos científicos publicados a cada ano para informar aos formuladores de políticas o que se sabe sobre os riscos relacionados às mudanças climáticas. O IPCC identifica onde há acordo na comunidade científica, onde existem diferenças de opinião e onde mais pesquisas são necessárias. Não conduz sua própria pesquisa.
Para produzir seus relatórios, o IPCC mobiliza centenas de cientistas. Esses cientistas e funcionários são provenientes de diversas origens. Apenas uma dúzia de funcionários permanentes trabalha na Secretaria do IPCC.
O IPCC tem três grupos de trabalho: o Grupo de Trabalho I, que trata da base da ciência física das mudanças climáticas; Grupo de Trabalho II, lidando com impactos, adaptação e vulnerabilidade; e Grupo de Trabalho III, que trata da mitigação das mudanças climáticas. Também possui uma Força Tarefa sobre Inventários Nacionais de Gases de Efeito Estufa, que desenvolve metodologias para medir emissões e remoções.
Os Relatórios de Avaliação do IPCC consistem em contribuições de cada um dos três grupos de trabalho e um Relatório de Síntese. Os Relatórios Especiais realizam uma avaliação de questões interdisciplinares que muitas vezes abrangem mais de um grupo de trabalho e são mais curtos e mais focalizados do que as avaliações principais.
Sexto Ciclo de Avaliação
Na sua 41ª sessão, em fevereiro de 2015, o IPCC decidiu produzir um sexto relatório de avaliação (AR6). Em sua 43ª sessão, em abril de 2016, decidiu produzir três Relatórios Especiais, um Relatório de Metodologia e o AR6.
O Relatório de Metodologia para refinar as Diretrizes do IPCC 2006 para Inventários Nacionais de Gases de Efeito Estufa será entregue em 2019. Além do Aquecimento Global de 1.5ºC, o IPCC finalizará dois outros relatórios especiais em 2019: o Relatório Especial sobre o Oceano e Criosfera em um Clima em Mudança e Mudança Climática e Terra: um relatório especial do IPCC sobre mudanças climáticas, desertificação, degradação da terra, gestão sustentável da terra, segurança alimentar e fluxos de gases de efeito estufa em ecossistemas terrestres. O Relatório de Síntese AR6 será finalizado no primeiro semestre de 2022. (ecodebate)

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Decrescimento demoeconômico com regeneração ecológica

Para além da sustentabilidade: decrescimento demoeconômico com regeneração ecológica.
O desenvolvimento sustentável virou um oximoro e o tripé da sustentabilidade virou um trilema. A humanidade já ultrapassou a capacidade de carga do Planeta e, a cada ano, o dia da sobrecarga chega mais cedo. Isto significa que o contínuo crescimento da produção de bens e serviços acontece em detrimento da saúde dos ecossistemas e às custas da perda da biodiversidade. Enquanto a humanidade progride, o meio ambiente regride. Mais desenvolvimento implica menos natureza.
Portanto, o desenvolvimento – que significa o contínuo processo de acumulação de riqueza por parte dos seres humanos – não é um processo ambientalmente sustentável. Pretender enriquecer a humanidade mediante o empobrecimento da natureza é como cortar o galho de uma árvore sentado na ponta. O resultado é um colapso, pois não existe ECOnomia sem ECOlogia. A primeira é um subsistema da segunda, como nos ensina a Economia Ecológica.
Para haver sustentabilidade é preciso um pensamento ecológico holístico. Ou seja, é necessário reconhecer que o ser humano é apenas uma parte da comunidade biótica e que o egoísmo do homo economicus é incompatível com o requisito básico de uma relação altruísta e pacífica entre todos os seres vivos da Terra. Em vez de transformar toda a riqueza do meio ambiente em “valor de troca”, o certo seria reconhecer que a natureza tem valores intrínsecos e princípios que são inegociáveis, como nos ensina a Ecologia Profunda.
A principal característica dos últimos 250 anos foi a exploração desenfreada da natureza. Somente no século XX, a população mundial passou de 1,65 bilhão de habitantes em 1900, para 6 bilhões em 2000, um aumento de quase 4 vezes. Mas o crescimento da economia ocorreu em ritmo bem mais elevado. A emissão de gases de efeito estufa atingiu níveis alarmantes e a concentração de CO2 na atmosfera é a maior em milhões de anos. O consumo per capita de energia aumentou quase 4 vezes, como mostram os gráficos abaixo (Heinberg, 2016).

Mas, o mais grave, é que a destruição da natureza continua em ritmo assustador no século XXI. A promessa do desenvolvimento sustentável e da economia verde se mostraram uma ilusão. A desmaterialização e a descarbonização da economia – promessa da 4ª Revolução Industrial, baseada na Internet, celulares, impressoras 3D, etc. – não aconteceu na prática. A extração global de recursos naturais foi elevada entre 1970 e 2010. Como mostra o “Paradoxo de Jevons”, a maior eficiência energética e a menor intensidade de uso de materiais não elimina o fato da demanda agregada aumentar o uso global dos recursos naturais.
O relatório “Global Material Flows And Resource Productivity” (UNEP, julho de 2016) mostra que a extração de recursos naturais globais aumentou três vezes nos últimos 40 anos. A quantidade de matérias-primas extraídas do seio da natureza subiu de 22 bilhões de toneladas em 1970 para 70 bilhões de toneladas em 2010. O aumento do uso de materiais globais acelerou rapidamente nos anos 2000, com o crescimento das economias emergentes, em especial com o crescimento da China. O crescimento na extração de recursos naturais passou de 7 toneladas per capita em 1970 para 10 toneladas per capita em 2010.
Se a extração de recursos continuar, em 2050, haverá uma população de 9 bilhões de habitantes e uma demanda de 180 bilhões de toneladas de material a cada ano para atender às demandas antrópicas. Esta é a quantidade quase três vezes a situação atual e provavelmente vai aumentar a acidificação dos terrenos e das águas, a eutrofização dos solos do mundo e dos corpos de água, além de aumentar a erosão e aumentar a poluição e as quantidades de resíduos. O mais grave é que, desde 1990, tem havido pouca melhoria na eficiência no uso dos materiais globais. Na verdade, a eficiência começou a declinar por volta do ano 2000. Ou seja, em vez de haver “desacoplamento” (decoupling), a economia internacional está utilizando cada vez mais recursos da natureza per capita e por unidade do PIB. O modelo marrom não recua. As emissões de carbono e de metano continuam em ritmo perigoso.
O crescimento exponencial das atividades humanas resultou na ultrapassagem da capacidade de carga do Planeta. Segundo a Global Footprint Network (2017), a pegada ecológica per capita do mundo, em 1961, era de 2,27 hectares globais (gha) e a biocapacidade per capita do Planeta era de 3,12 gha. Para uma população de 3,1 bilhões de habitantes, o impacto da pegada global do ser humano era de 6,98 bilhões de gha, representando apenas 73% dos 9,53 bilhões de hectares globais da biocapacidade disponível naquele momento. Portanto, havia um superávit ou reserva ecológica na década de 1960. A economia cabia na sustentabilidade da ecologia. Mas com o crescimento da população e do consumo, a reserva ecológica foi sendo reduzida e, a partir de 1970, o superávit se transformou em déficit ambiental. Em 2013, a pegada ecológica per capita do mundo subiu para 2,87 gha e a biocapacidade caiu para 1,71 gha. Para uma população mundial de 7,2 bilhões de habitantes, o déficit ambiental chegou a 68% em 2013. A humanidade está gerando uma dívida ambiental, de tal ordem, que provocará uma falência que não haverá montante monetário capaz de saldar esta dívida.
O capitalismo, que conseguiu produzir uma quantidade tão grande de bens e serviços, não consegue ser ao mesmo tempo economicamente inclusivo, socialmente justo e ambientalmente sustentável. Diversos estudos mostram que nenhuma indústria seria lucrativa se tivesse de pagar pelo capital natural que utilizam. Desde que a humanidade ultrapassou a capacidade de carga do Planeta, o crescimento da produção tem caminhado para uma situação, definida por economista ecológica Herman Daly, como “crescimento deseconômico”.
Para impedir uma catástrofe é preciso evitar o crescimento econômico quantitativo que extrai volumes crescentes de recursos naturais e gera volumes ainda maiores de resíduos sólidos e poluição do solo, das águas e do ar. Não basta o desacoplamento relativo. A solução passa por uma mudança de paradigma e pelo decrescimento demoeconômico, como forma de reduzir a Pegada Ecológica. E como bem mostra o livro “Enough is Enough” (2010), não basta reduzir a pegada ecológica, também é preciso reduzir o número de pés. O decrescimento da população poderia dar uma grande contribuição para diminuir o impacto negativo sobre o meio ambiente.
Desta forma, a perspectiva do decrescimento demoeconômico é o primeiro passo para o equilíbrio homeostático da economia e do ambiente. Mas é preciso ir além, os seres humanos precisam recuperar grande parte do que foi destruído e reverter a tendência à 6ª extinção em massa das espécies.
Artigo de Daniel Christian Wahl (Beyond Sustainability??—?We are Living in the Century of Regeneration, Resilience, 18/04/2018) mostra que é preciso valorizar o ecossistema e promover uma mudança de paradigma, deixando para trás as atitudes ignorantes e egoístas de destruição do próprio habitat para garantir que os sistemas naturais da Terra possam alcançar sua capacidade ideal de sustentar a vida. Em vez de desenvolvimento sustentável é preciso avançar no desenvolvimento regenerativo.
Para o autor, o termo sustentável foi cooptado e algumas pessoas consideram sua empresa sustentável porque sustentou o crescimento e os lucros por vários anos seguidos. O termo sustentabilidade nos pede para explicar o que estamos tentando sustentar. O termo desenvolvimento regenerativo, por outro lado, traz consigo um objetivo claro de regenerar a saúde e a vitalidade dos ecossistemas. Em um nível básico, a regeneração significa não usar recursos que não podem ser regenerados. Nem usar os recursos mais rapidamente do que eles podem ser regenerados. Desenvolvimento neste contexto é “co-evolução da mutualidade”.
A segunda razão é que é preciso ir além de ser apenas sustentável para realmente regenerar o dano que a humanidade provocou no planeta desde o alvorecer da agricultura, das cidades, dos Estados e dos Impérios.
O diagrama acima mostra a passagem de um sistema degenerativo para um sistema regenerativo. A escrita verde e vermelha acima e abaixo do eixo x se refere ao impacto positivo (verde) e impacto negativo (vermelho). No modelo em que tudo continua na mesma (“business as usual”) o primeiro avanço ocorre quando as práticas se movem para o estágio “Green” (economia verde), que significa fazer um pouco mais do que o usual, ou seja, poluir um pouco menos, usando menos energia de fontes não renováveis, etc. Este é um passo frequentemente denominado “maquiagem verde” (“greenwashing”), mesmo que seja uma necessidade nos diversos passos na jornada para ir além da sustentabilidade.
Na passagem do verde (“Green”) para o sustentável (“sustainable”) se chega ao ponto do impacto neutro, em que as atividades sustentáveis não causam danos adicionais. No entanto, com os enormes prejuízos ambientais causados desde o início da revolução industrial é preciso fazer mais do que simplesmente sustentar uma população humana de mais de 7 bilhões de pessoas e que pode chegar a 11 bilhões até 2100, com um crescimento econômico ainda maior.
Na passagem do estágio sustentável para o restaurativo (“restorative”) ainda é possível utilizar a mentalidade antropocêntrica instrumental que vê o ser humano como a medida de todas as coisas. Essa mentalidade de engenharia para a restauração pode criar projetos que restaurem florestas ou ecossistemas, mas de maneira não sistêmicas e integrativas e, portanto, esses esforços e seus efeitos podem ter vida curta ou resultar em efeitos colaterais inesperados e negativos.
Na passagem do estágio restaurativo (“restorative”) para o reconciliatório (“reconciliatory”) se busca projetos de restauração em grande escala para a adaptação cuidadosa à singularidade biocultural do lugar, podendo gerar sucessos de curto prazo, mas falhar em criar significado suficiente para motivar a transformação de longo prazo.
Na passagem do penúltimo estágio, o reconciliatório (“reconciliatory”), para o último o regenerativo (“regenerative”) o desenvolvimento revela o total potencial ecocêntrico. A reconciliação entre natureza e cultura permitiria reconciliar a jornada evolutiva da vida e iniciando uma nova trilha de atuação de forma regenerativa. Regeneração de ecossistemas em grande escala para reverter o aquecimento global, estabilizar o clima, recuperar a biodiversidade e permitir a transição para uma economia baseada em biomateriais de padrões ecológicos de produção e consumo descentralizados biorregionalmente e orientados para a regeneração social e econômica, a resiliência e a colaboração global na aprendizagem de como viver bem e conjuntamente na mesma nave viva que é a Terra (WAHL, 18/04/2018)
A Terra deveria ter o potencial de alcançar um “Equilíbrio Evolucionário”, significando que os solos, os oceanos, as plantas, os animais, a atmosfera, o ciclo da água e o clima da Terra possam interagir de uma forma natural, sem interferência humana. Se estivermos conscientes disso e não interferirmos no Sistema Terrestre os interesses da humanidade podem coincidir com os interesses de todos os seres vivos da Terra. A civilização precisa ser compatível com a reselvagerização do mundo.
Existe a necessidade de fazer a transição da economia fóssil para a “bioeconomia”, que é uma economia centrada no uso de recursos biológicos renováveis em vez de fontes baseadas em fósseis para produção industrial e de energia sustentável. Abrange várias atividades econômicas desde a agricultura até o setor químico e farmacêutico. Ou seja, é uma economia com base nos recursos renováveis, conhecimento biológico e processos biotecnológicos para estabelecer uma economia de base biológica e, acima de tudo, ecologicamente sustentável, focada na renovabilidade e na neutralidade do carbono.
A greve dos caminhoneiros, de maio de 2018, mostrou como é problemático um país ficar totalmente dependente dos combustíveis fósseis e como o aumento do preço dos combustíveis pode gerar revoltas e protestos. Ainda existem setores da sociedade que defendem a exploração do petróleo como fonte de recursos para financiar o desenvolvimento industrial, educacional e cultural brasileiro. Contudo, depender de um combustível poluidor e que aumenta o aquecimento global é uma estratégia ambientalmente equivocada e insustentável. O correto é apostar no desenvolvimento da energia renovável, produzida de forma democrática e descentralizada, com uma tecnologia própria do século XXI e a geração de empregos verdes. Ao invés das jazidas abissais das profundezas salgadas do pré-sal, o Brasil tem a opção de aproveitar o vento, o sol e a água que são recursos abundantes e que não agravam a situação climática do Brasil e do mundo.

Desta forma, a opção pela descarbonização da economia e pelo decrescimento demoeconômico aliado à bioeconomia e à regeneração ecológica permitiria colocar a humanidade em um espaço seguro no Planeta, possibilitando não somente a sustentabilidade, mas também a recuperação dos danos causados no passado, além de viabilizar a reselvagerização do mundo, para evitar o ecocídio e o colapso ambiental. (ecodebate)

O Everest, um lixão no teto do mundo

Barracas fluorescentes, material de escalada e até excrementos. Em 2017, os alpinistas na vertente nepalesa recuperaram cerca de 25 toneladas de resíduos sólidos e 15 toneladas de dejetos humanos.
Esta imagem mostra o lixo gerado no campo 4 do Everest em 21/06/18.
O ser humano deixa sua trilha até no topo do mundo. Barracas fluorescentes, equipamento de escalada, garrafas vazias de oxigênio e até excrementos. Um alpinista que pensou em encontrar uma neve imaculada no Everest pode ter uma surpresa desagradável. Na imagem, lixo gerado no campo 4 do Everest, em 21/05/2018.
Lixo no Everest.
"É repugnante, uma visão repugnante", diz Pemba Dorje Sherpa, um guia nepalês que coroou o Everest 18 vezes. "A montanha tem toneladas de lixo." Na imagem, lixo gerado no campo 4 do Everest, em 21/05/2018.
Desde o surgimento de expedições comerciais na década de 1990, o número de pessoas que subiu a montanha de 8.848 metros disparou. Este ano, apenas na alta temporada de primavera, pelo menos 600 alpinistas atingiram o pico. Mas essa popularidade tem consequências. Os montanhistas, que gastam muito dinheiro para fazer a subida emblemática, às vezes prestam pouca atenção à sua pegada ecológica. E pouco a pouco, amarrado depois de amarrado, o lixo está atingindo o Everest. Na imagem, lixo gerado no campo 4 do Everest, em 21/05/2018.
As autoridades, no entanto, tomaram medidas para evitar a contaminação. Nos últimos cinco anos, o Nepal tem solicitado uma fiança de US $ 4.000 por expedição, que reembolsa se cada montanhista do grupo abater pelo menos oito quilos de lixo. No lado tibetano da montanha, menos frequentado, as autoridades pedem a mesma quantia e infligem uma multa de US $ 100 por quilo em falta.
Em 2017, montanhistas na encosta nepalesa recuperaram cerca de 25 toneladas de resíduos sólidos e 15 toneladas de resíduos humanos, de acordo com o Comitê de Controle de Poluição de Sagarmatha (SPCC). E nesta temporada eles baixaram quantidades ainda maiores, mas ainda representam uma pequena parte da poluição gerada.
Apenas metade dos alpinistas recuperam a quantidade necessária de resíduos, de acordo com o SPCC. A perda da fiança representa uma soma ridícula em comparação com as dezenas de milhares de dólares que cada montanhista gasta para uma expedição no Everest.
Para Pemba Dorje Sherpa, o principal problema é o descuido dos visitantes, além do fato de alguns funcionários oficiais fecharem os olhos em troca de um pequeno suborno. "Não há vigilância suficiente nos campos altos (aqueles localizados acima do acampamento-base) para garantir que a montanha permaneça limpa", lamenta.
O ser humano deixa seu rastro até no teto do mundo. Barracas fluorescentes, material de escalada, cilindros de oxigênio vazios e até excrementos. Um alpinista que acha que vai encontrar neve imaculada no Everest pode ter uma surpresa desagradável.
China retira 2,3 toneladas de fezes humanas do Everest. Homem recolhe lixo do Everest em 2010.
“Continuo sonhando que vou seguir mais ou menos no mesmo ritmo” - Edurne Pasaban em uma de suas expedições.
“É nojento, um espetáculo repugnante”, diz Pemba Dorje Sherpa, um guia nepalês que chegou 18 vezes ao Everest. “A montanha tem toneladas de resíduos.”
Desde o surgimento das expedições comerciais nos anos 1990, disparou o número de pessoas que escalaram a montanha de 8.848 metros de altitude. Este ano, somente na alta temporada da primavera, pelo menos 600 alpinistas alcançaram seu cume. Mas essa popularidade tem consequências. Os montanhistas, que gastam muito dinheiro para realizar a emblemática subida, às vezes prestam pouca atenção à sua pegada ecológica. Pouco a pouco, com uma cordada após a outra, os resíduos vão manchando o Everest.
As autoridades já tomaram algumas medidas para impedir a poluição. Há cinco anos o Nepal pede uma fiança de US$ 4.000 (R$ 15.600) por expedição, que reembolsa se cada alpinista do grupo trouxer de volta pelo menos oito quilos de dejetos. No lado tibetano da montanha, menos frequentado, as autoridades exigem a mesma quantidade e impõem multa de US$ 100 (R$ 390) por quilo faltante.
Em 2017, os alpinistas da vertente nepalesa recuperaram cerca de 25 toneladas de resíduos sólidos e 15 toneladas de dejetos humanos, segundo o Sagarmatha Pollution Control Committee (SPCC). E nesta temporada foram retiradas quantidades ainda mais elevadas, embora continuem representando uma ínfima parte da poluição causada.
Somente a metade dos alpinistas recupera as quantidades de resíduos exigidas, segundo o SPCC. A perda da fiança representa na realidade uma soma ridícula em comparação com as dezenas de milhares de dólares que cada montanhista gasta para uma expedição ao Everest.
Para Pemba Dorje Sherpa, o principal problema é o desleixo dos visitantes, ao qual se soma o fato de que algumas autoridades fecham os olhos em troca de um pequeno suborno. “Não há vigilância suficiente nos acampamentos altos (os situados acima do acampamento-base) para garantir que a montanha continue limpa”, lamenta.
A guerra de preços entre vários operadores converteu o Everest em um destino mais acessível para um número cada vez maior de alpinistas inexperientes. As expedições mais baratas podem custar “somente” US$ 20.000 (R$ 78.000), muito abaixo dos cerca de US$ 70.000 (R$ 273.000) pagos pelas mais famosas.
"Não há vigilância suficiente nos acampamentos altos (os situados acima do campo-base) para garantir que a montanha continue limpa”.
A chegada de pessoas menos acostumadas a montanhas altas agrava o problema da poluição, pondera Damian Benegas, um veterano do Everest. Antes, os alpinistas levavam eles mesmos a maior parte de seu material, mas muitos neófitos não conseguem fazer isso hoje em dia. Os xerpas “têm de levar o material do cliente, por isso já não podem trazer o lixo para baixo”, afirma Damian Benegas, que incentiva as agências a contratarem mais funcionários para montanhas altas.
Os defensores do meio ambiente também temem que a poluição do Everest afete os rios do vale situado mais abaixo. No momento, os excrementos dos alpinistas do acampamento-base são transportados até a cidadezinha mais próxima, a uma hora a pé, onde são jogados em fossas.
“Depois acabam sendo arrastados rio abaixo durante as monções”, explica Garry Porter, um engenheiro norte-americano. Ele e sua equipe estudam a construção de uma estrutura de compostagem perto do acampamento-base, para transformar esses excrementos em adubo.
Ang Tsering Sherpa, ex-presidente da Associação de Alpinismo do Nepal, acha que uma das soluções poderia ser a criação de equipes dedicadas unicamente à coleta de dejetos. Sua operadora, a Asian Trekking, que insiste no lado ecológico de suas expedições, recolheu 18 toneladas de resíduos na última década, além dos oito quilos por membro da expedição. “Não é um trabalho simples”, diz Ang Tsering Sherpa. “O Governo tem de estimular os grupos para limpar e aplicar as regras com mais rigor.” (brasil.elpais)

Presidente Prudente realiza mutirão anual de coleta do lixo eletrônico

Presidente Prudente/SP, realiza mutirão anual de coleta do lixo eletrônico e sua destinação correta.
Entre as 50 melhores do Brasil em qualidade de vida, a cidade realiza mutirão de coleta e destinação correta.
Componentes eletroeletrônicos contêm pesadas substâncias tóxicas. Mutirão de 2018 arrecada 70 toneladas, 10 a mais que em 2016.
Presidente Prudente encontrou um meio que tem se mostrado eficiente para a destinação correta do descarte de produtos eletroeletrônicos, capaz de servir como referência para São Paulo e o Brasil. É um mutirão de coleta do lixo eletrônico e sua destinação correta. Evento que envolve o poder público municipal e a Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), que promove mobilização da população e que em dez anos está consolidado como ação prática de educação ambiental, de tal forma a ganhar o apoio institucional da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), agência vinculada à Secretaria de Estado do Meio Ambiente.
Uma realização que tem influenciado para a cidade estar entre as 50 melhores do Brasil em qualidade de vida, conforme o Observatório das Metrópoles, coordenado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ, 2016), com levantamento realizado em 5.565 municípios brasileiros. Também está entre as 50 melhores do Brasil para sobreviver, de acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM, 2016), ocupando o 25º lugar conforme dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud/ONU).
Iniciado em 2009 com duas edições, em 09/06/18 foi realizado o 11º Mutirão do Lixo Eletrônico, com a maior parte da coleta centralizada no Parque do Povo, extensa área verde e de lazer com 24 alqueires, servida por vias de trânsito rápido, o que facilita o acesso da população de 225.271 moradores, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2017). Em 11 edições passam de 700 toneladas coletadas, com arrecadação de 70 toneladas (10 a mais que em 2017) e cerca de 2 mil pessoas, representando suas famílias ou empresas, que atenderam o apelo dos organizadores.

No balanço divulgado foi constatado que a cada ano aumenta o número de participantes e neste ano foram 3,14% a mais que no ano anterior. Como 37% foram pela primeira vez, isso sinaliza a existência de rodízio por parte da população e muitos que levaram no anterior não tinham o que levar neste ano cuja média ficou em 35 Kg por pessoa. Na realização estiveram envolvidos 290 voluntários, dos quais 240 estudantes universitários de 19 cursos de graduação e do Mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional.
A logística contou com a recepção e separação entre objetos maiores e menores, a exemplo de televisores e pilhas, para serem acondicionados em ecobags colocadas, por empilhadeiras, em quatro carretas destinadas pela Silcon Ambiental, empresa de Cerqueira César/SP que possui certificação para gerenciamento e tratamento de resíduos industriais. Junto ao evento foram promovidas ações de educação ambiental, envolvendo alunos de escolas municipais do primeiro ciclo do ensino fundamental, com foco sobre possíveis formas de reaproveitamento, incluindo a produção de objetos de arte.

Para o diretor estadual de controle de licenciamento ambiental Geraldo do Amaral Filho, com mais de 40 anos de serviços prestados à CETESB, o mutirão é um evento raro, se não for o único, já que outros eventos tratam do genérico e não especificamente do eletroeletrônico que é um resíduo muito agressivo ao meio ambiente. Entende que a iniciativa é altamente eficiente por envolver a comunidade e sua força está no empenho do poder público chancelado pela universidade, “que coloca ciência por trás disso e constrói credibilidade”.
O prefeito Nelson Roberto Bugalho (PTB), promotor público do meio ambiente e que foi vice-presidente da CETESB, disse que o objetivo é evitar a contaminação ambiental com substâncias tóxicas, como são os casos de mercúrio, chumbo e cádmio, entre outras que podem prejudicar o solo, águas superficiais e subterrâneas. O fato das pessoas guardarem o lixo eletrônico e fazer o descarte somente no mutirão, é visto pelo prefeito como um importante componente de educação ambiental.
O pensamento do prefeito é compartilhado pelo pró-reitor de pesquisa, pós-graduação e extensão da Unoeste Dr. Adilson Eduardo Guelfi que analisa o evento como modelo estadual e nacional, dentro de um contexto de preocupação global, considerando que a indústria eletroeletrônica gera por ano 44,7 milhões de toneladas de resíduos, com apenas 20% tratado de maneira apropriada, de acordo com o Programa das Nações Unidades para o Meio Ambiente (Pnuma/ONU), sendo o restante jogado no lixo e reciclado sem cuidados com a manipulação e segurança, causando prejuízos ao meio ambiente e à saúde humana. (ecodebate)

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Reduzir o uso de plástico da família é mais fácil do que se imagina

Veja como
Escolher a casquinha de sorvete em vez do copinho é uma dica divertida.
Comprar em grande quantidade pode ajudar famílias a usar menos plástico, e também serve como ensinamento para as crianças.
Sua família pode usar canudos, garrafas de água e sacolas de plástico só por alguns minutos, mas esses itens não desaparecem depois que são jogados fora. Itens que são usados apenas uma vez representam mais de 40% do plástico que é descartado, e, a cada ano, 8,8 milhões de toneladas de plástico jogados fora vão para o oceano. Esse lixo prejudica a vida marinha, polui a água e coloca a saúde humana em risco.
Os números são assustadores, mas você tem uma arma secreta para diminuir o uso de plástico da sua família: seus filhos.
Muitas crianças se importam muito com a vida selvagem – eles certamente não querem ver uma tartaruga marinha morrer sufocada com um canudo de plástico –, e crianças entendem que estão herdando uma Terra em crise. Mas pequenas mudanças na rotina da sua família podem incentivar seus filhos a fazerem uma verdadeira diferença na luta contra o plástico. Comece com as dicas abaixo.
1. Canudos são ruins
A melhor estimativa disponível atualmente é de que os Estados Unidos usem cerca de 500 milhões de canudos de plástico por dia. Ajude seus filhos a trocarem os canudos descartáveis, permitindo que eles comprem um canudo colorido reutilizável. Tenha-o em mãos para quando visitar restaurantes ou fizer lanches na rua.
2. Use a casquinha
Na sorveteria, sempre escolha uma casquinha no lugar de um copo com uma colher de plástico. (Escolha sua casquinha favorita). Vá mais longe, ajudando seus filhos a falar com o gerente da loja sobre utilizar utensílios recicláveis – seus filhos podem ser bonitinhos o bastante para fazer alguém mudar de ideia.
Da prospecção ao descarte, conheça o caminho dos polímeros no mundo.
3. Uma sacola de brindes melhor
Com a chegada dos aniversários, repense a sacola de brindes. Alguns dias depois da festa, os ioiôs de plástico e outros brinquedos começam a virar lixo. Trabalhe com seus filhos para escolher brindes ecológicos e que não sejam de plástico, como petiscos feitos em casa ou cupons para uma loja local.
4. Acabe com o embrulho
Itens enviados para sua casa normalmente vêm embalados em plástico e os brinquedos comprados em loja estão cobertos de plástico. Quando seus filhos quiserem algo, ajude-os a pensar em maneiras de evitar o excesso de plástico. Algumas coisas podem ser compradas de segunda mão, outras podem ser divididas ou emprestadas e algumas coisas nem são necessárias.
5. Um lanche mais leve
Uma criança de 8 a 12 anos joga fora em média cerca de 30 quilos de embalagens de lanches por ano. Ao invés de embrulhar o lanche de seus filhos em plástico, use embalagens reutilizáveis feitas de tecido. Crianças podem até fazer e decorar suas próprias lancheiras com um jeans velho. Depois, coloque uma maçã ou uma banana lá dentro, ao invés de um lanche embrulhado em plástico.
6. Não saia boiando
Se estiver planejando uma viagem para a praia, não deixe que as boias, bolas de praia e flamingos infláveis vão embora no mar. Deixe seus filhos encarregados de cuidar desses objetos e verificar se os brinquedos estão todos no carro no fim do dia.
Mais de 5 trilhões de pedaços de plástico estão flutuando no oceano.
7. Recicle certo
Nem todo o plástico é reciclável, mas alguns itens – como garrafas de bebidas e vasos de plantas – são. Descubra o que o centro de reciclagem local aceita e torne uma prioridade a separação do lixo na sua casa. Você pode até encorajar seus filhos a promoverem a reciclagem de lixo em sua escola.
8. Proíba a garrafa
Deixe que cada um de seus filhos selecione uma garrafa de água reutilizável, depois deixe-os responsável por carregá-la. Procure por outras garrafas em sua casa que possam ser eliminadas. Por exemplo, você pode deixar que cada um de seus filhos escolha seu tipo preferido de sabonete em barra ao invés de comprar uma garrafa de sabonete líquido para a família toda.
9. Compre em grande quantidade
Compre itens como milho de pipoca, cereal e macarrão em grandes quantidades para reduzir a quantidade de embalagens (idealmente, use suas próprias embalagens), depois, pegue sua sacola reutilizável e leve tudo para casa. Trabalhe com seus filhos para escolher e decorar potes reutilizáveis para cada um desses itens e peça que eles distribuam os itens em seus respectivos potes.
10. Patrulha do lixo
Se você tiver um sábado livre, pegue as crianças e junte-se a um grupo de limpeza da vizinhança. Você não só vai embelezar sua vizinhança – você pode ajudar a mudar leis. Grupos que fazem essas limpezas às vezes pesam o lixo, o que ajuda líderes a tomarem decisões sobre leis que encorajam as pessoas a jogarem menos lixo fora. Não tem limpezas no calendário? Seus filhos podem programar a deles.
Em todo o mundo, 73% do lixo das praias é plástico: filtros de cigarro, garrafas, embalagens e sacolas plásticas, entre outros.
A produção de plástico mundial aumentou exponencialmente: de 2,3 milhões de toneladas em 1950, para 162 milhões em 1993, para 449 milhões em 2015.
Os americanos descartam 500 milhões de canudos de plástico por dia, uma média de 1,5 por pessoa.
Em 2015, mais de 6,9 bilhões de toneladas de lixo plástico foram gerados, dos quais 9% foram reciclados, 12% incinerados, e 79% acumularam-se no meio ambiente.
Em todo o mundo, cerca de um milhão de garrafas plásticas são vendidas por minuto.
Estimativas de quanto tempo o plástico perdura na natureza variam entre 450 anos e eternamente.
O maior mercado de plástico hoje em dia refere-se à embalagem de produtos, responsável por metade de todo o plástico descartado mundialmente. A maior parte não é incinerada nem reciclada.
Cerca de 700 espécies de animais marinhos já comeram ou se entrelaçaram ao plástico, segundo estimativas.
Mais de 40% do plástico é usado uma única vez, depois descartado. (nationalgeographicbrasil)

Como o plástico é produzido a partir de combustíveis fósseis

Da prospecção ao descarte, conheça o caminho dos polímeros no mundo.
Assista ao vídeo:

Experiências ao redor do mundo apontam caminhos para redução do lixo

Cidades Lixo Zero: Experiências ao redor do mundo apontam caminhos para redução do lixo.
 
A preservação ambiental é uma questão global, mas que ganha materialidade nas cidades. É nelas que os impactos se revelam mais nitidamente como, por exemplo, por meio da poluição, de enchentes. É nas cidades também que políticas públicas podem ser desenvolvidas para mudar hábitos e, assim, a situação global. Um dos desafios mais urgentes é a grande quantidade de lixo: plásticos, pneus, eletrônicos e outros objetos tão comuns à vida moderna têm lotado aterros sanitários e gerado problemas ambientais e para a saúde humana.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), dos 5.561 municípios brasileiros, menos da metade (2.751) declaram ter planos de gestão integrada de resíduos. Para mudar esse cenário e caminhar para uma política de lixo zero, que consiste no máximo aproveitamento e correto encaminhamento dos resíduos recicláveis e orgânicos, especialistas de todo o mundo debateram o tema no Congresso Internacional Cidades Lixo Zero, realizado nesta semana, em Brasília.
Europa
Da cidade de Hernani, um município da Espanha na província de Guipúscoa, na comunidade autónoma do País Basco, foi apresentada uma experiência de interação entre poder público e sociedade para reduzir a produção do lixo e estimular o tratamento adequado dos resíduos. A mudança começou com a abordagem da coleta seletiva “porta a porta”, de acordo com o gestor público Luis Intxauspe. Ele conta que entre as ações adotadas para se chegar ao lixo zero estão a separação dos resíduos na origem, a coleta diretamente na casa das pessoas, a efetivação de projetos de compostagem, a ampliação das ações de reciclagem e políticas de ciclo zero, voltadas ao reaproveitamento dos materiais.
Nas áreas comuns, como parques, praças e mesmo em condomínios, foram instalados recipientes para coleta seletiva e, inclusive, de produtos específicos como o azeite. Há também distribuição gratuita de sacolas reaproveitáveis. Como resultado disso, a comunidade, que reciclava 30% do lixo que produzia, passou a reciclar 80%. A cultura da própria população tem sofrido transformações. “Nós reduzimos em cinco vezes o material que vai para o aterro sanitário”, comemora Intxauspe, que detalha que a população de Hernani produz, em média, 60 quilos (kg) de lixo por ano, por habitante. Em geral, a média de municípios semelhantes é de 200 kg.
Lixão estrutural
América Latina
Outra experiência compartilhada no congresso vem da América Latina. A colombiana Sandra Pinzón, integrante do coletivo Bogotá Basura Cero (Bogotá Lixo Zero, da tradução livre para o português), conta que em seu país, a taxa de reciclagem é muito baixa, de apenas 17%. Uma das formas de avançar para outra lógica foi a partir da certificação de empresas que praticam boas práticas.
O processo de certificação envolve quatro etapas: aspectos gerais da política de resíduos de cada grupo; transversais, que considera a relação com outras ações; especiais, que remonta ao tipo de negócio desenvolvido; e a apresentação de um relatório anual. Pinzón destacou que o relatório é um instrumento importante para garantir visibilidade, inclusive para organizações ambientalistas, sobre o que está sendo feito com os resíduos. “Não se trata de algo para proteger as marcas”, contou.
Leste europeu
Já na Eslovênia a situação é bem diferente: a capital Liubliana foi escolhida, em 2016, a capital verde da Europa. Atualmente, menos de 5% do lixo produzido na cidade vai para aterros. Todo o resto é reaproveitado. Diretor da empresa pública Snaga, maior empresa de gestão de resíduos do país, Janko Kramzar explica que a política de lixo zero depende, em primeiro lugar, de uma eficiente coleta seletiva de materiais. Além disso, outras ações, como uma intensa comunicação com a sociedade, também são importantes.

Kramzar defende que é importante estabelecer regulamentações sobre o tema, bem como ações de envolvimento de gestores, já que as políticas dependem de investimento financeiro e não são revertidas, necessariamente, ao longo de um mandato. Para países como o Brasil, ele indicou: “não adianta copiar modelos. Você vai ter que adaptar o sistema, porque temos diferenças em todos os lugares do mundo: diferenças econômicas, diferenças culturais e sociais”.
Um caminho para a solução dos problemas relacionados com o lixo já reconhecido pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) brasileiro é apontado pelo Princípio dos Três Erres (3R’s) – reduzir, reutilizar e reciclar. O desafio é grande, mas necessário. De acordo com o presidente do Instituto Lixo Zero Brasil (ILZB), Rodrigo Sabatini, “não existe nenhuma mudança que a gente possa provocar nesse meio ambiente se ela não começar pelo lixo zero, se ela não começar pela gente”. (ecodebate)

sábado, 23 de junho de 2018

População, desenvolvimento e degradação ambiental no Brasil

“Amor como princípio e ordem como base; o progresso como meta” - Augusto Comte (1798-1857).
O Brasil já nasceu grande em termos de extensão territorial, mas ainda era uma economia pequena no século XIX. Com o fim da escravidão (1888) e a Proclamação da República (1889) o país redirecionou o seu sistema produtivo para a busca do desenvolvimento nacional e, progressivamente, para o fortalecimento do mercado interno.
O lema “Ordem e Progresso” foi inscrito na bandeira nacional por influência dos positivistas. Este binômio foi inspirado no lema do sociólogo francês Auguste Comte (1798-1857), considerado o pai do positivismo: “Amor como princípio e ordem como base; o progresso como meta”. O progresso era uma ideia em moda no século XIX e a Europa era uma referência para o mundo na medida em que conquistava territórios e vendia seus produtos modernos. Inspirados na ideologia europeia, os positivistas brasileiros tiveram papel de destaque na Proclamação da República (Só não se sabe porque eles não colocaram a palavra amor na faixa da bandeira nacional).
Naquela época, o Brasil era um país pouco povoado, rural, agrário e com pouca integração entre suas diversas regiões. Desta forma, não é de se estranhar que o progresso estivesse relacionado ao crescimento populacional, ao desenvolvimento econômico, à dominação da natureza e à grandeza da Pátria. Não havia preocupação com as questões ambientais e a defesa da biodiversidade.
O presidente do Brasil, Afonso Pena (1906-1909), dizia que “Governar é povoar”. Já Washington Luis (1926-1930), ampliando esta concepção, dizia que “Governar é abrir estradas”. A frase completa do último presidente da República Velha, dando ênfase à ocupação do território, é: “Governar é povoar; mas, não se povoa sem se abrir estradas, e de todas as espécies; Governar é, pois, fazer estradas”.
O Presidente Getúlio Vargas (1930-1945 e 1951-1954) chegou ao poder prometendo redirecionar o desenvolvimento brasileiro para o mercado interno e para o interior. Ele apoiou a família extensa, o crescimento populacional e a migração para o Oeste. Os trabalhadores assalariados da CLT foram premiados com um “salário-família” a título de estimular uma prole numerosa. No governo Vargas foram implantadas políticas sociais que, de forma intencional ou não, tinham objetivos pronatalistas.
Mas além da política positivista voltada para o crescimento populacional, na era Vargas houve uma legislação claramente anti-controlista, por exemplo: a) o Decreto Federal n. 20.291, de 11 de janeiro de 1932 estabelecia “É vedado ao médico dar-se à prática que tenha por fim impedir a concepção ou interromper a gestação”; b) a Constituição de 1937 em seu artigo 124 diz: “A família, constituída pelo casamento indissolúvel, está sob a proteção especial do Estado. As famílias numerosas serão atribuídas compensações na proporção de seus encargos”; c) em 1941, durante o Estado Novo, foi sancionada a Lei das Contravenções Penais que em seu artigo 20 proibia: “anunciar processo, substância ou objeto destinado a provocar o aborto ou evitar a gravidez”.
A maior obra do presidente pós Segunda Guerra, Eurico Gaspar Dutra (1946-1951), foi a construção da Via Dutra (BR 116), inaugurada em 19 de janeiro de 1951 ligando as duas maiores cidades do Brasil. Após o segundo governo Vargas, foi eleito o Presidente Juscelino Kubitschek que tinha como lema central a bandeira: “50 anos em 5”. Ele prometia acelerar a modernização do país, construindo hidrelétricas, indústria de base, automóveis, bens de consumo em geral e, principalmente, a construção de Brasília e a conquista do Cerrado. Os governantes brasileiros sempre consideraram a natureza uma fonte inesgotável de riquezas que deveriam ser exploradas sem maiores considerações e seguiram a visão cornucopiana de Pero Vaz de Caminha: “Aqui, nesta terra, em se plantando, tudo dá”.
Os militares, que tomaram o poder em 1964, estavam na linha de frente da exploração desenfreada do meio ambiente e da política populacional expansionista do “Brasil potência”. Mesmo com as precárias condições de vida e a falta de investimentos no bem-estar qualitativo da população, os primeiros governos militares adotaram uma política pronatalista, como mostrou Canesqui: “A doutrina da Segurança Nacional, adotada pelo regime militar no período 1964-1970, assegurou a posição natalista, incluindo expectativas quanto ao crescimento demográfico e o preenchimento dos espaços vazios de regiões a serem colonizadas (Amazonas e Planalto Central). Esta preocupação ficou bastante clara no Programa Estratégico de Desenvolvimento (1968-1970) do governo Costa e Silva. Este mesmo governo reafirmou suas convicções natalistas face ao desenvolvimento e à segurança, em mensagem dirigida ao Papa Paulo VI, por ocasião da publicação da Encíclica Humanae Vitae (1968) de forma a não contrariar a posição oficial da Igreja Católica, diante da política controlista da natalidade”.
Seguindo a linha dos governos autoritários, o general linha dura e Presidente Emílio Garrastazu Médici (1905-1985) chegou a estabelecer a seguinte orientação para o processo de ocupação territorial: “Levar os homens sem-terra à terra sem homens”. Na Primeira Conferência Mundial sobre o Homem e o Meio Ambiente, realizada em Estocolmo, em 1972, o General Costa Cavalcante, Ministro do Interior e representando o governo, proferiu um discurso claramente antiecológico: “Para a maioria da população mundial, a melhoria de condições é muito mais uma questão de mitigar a pobreza, dispor de mais alimentos, melhorar vestimentas, habitação, assistência médica e emprego, do que ver reduzida a poluição atmosférica”.
Após o processo de redemocratização, os governos José Sarney (1985-1989), Fernando Collor (1990-1992), Itamar Franco (1992-1994) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) pouco fizeram para reverter a o quadro de degradação ambiental e redirecionar o processo de desenvolvimento do país. Da mesma forma, os governos Luís Ignácio Lula da Silva (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2014) reviveram a linha do neodesenvolvimentista, dando incentivo aos grandes projetos, como o pré-sal, a transposição do rio São Francisco, as hidrelétricas na Amazônia e a venda de commodities do agronegócio e dos agrotóxicos, assim como de produtos minerais altamente poluidores (ferro, bauxita, nióbio, ouro e outros metais). O uso do mercúrio e do cianeto na separação e limpeza da exploração mineral transforma o garimpo em uma das atividades mais poluidoras, tendo como consequência a contaminação de peixes e animais silvestres, afetando inclusive a saúde humana.
O Brasil passa por uma especialização regressiva e a economia está muito dependente de produtos básicos, vindos da “Roça” (agronegócio) e da “Mina” (pré-sal e mineração). A Câmara dos Deputados aprovou, dia 29 de novembro de 2017, o texto-base da Medida Provisória 795/17, que concede isenções tributárias para a indústria do petróleo que podem ultrapassar R$ 1 trilhão em 25 anos. Por conta disto, o Brasil recebeu uma honraria indesejada pelos países durante as negociações climáticas da COP23: o “Fóssil do Dia”. O “prêmio” é dado pela Climate Action Network para os países que ou estão atravancando as conversas na conferência ou não tomando internamente as ações necessárias para o combate às mudanças climáticas. Portanto, a ideologia positivista do desenvolvimentismo a qualquer custo continua viva e virou quase uma religião de Estado.
Evidentemente a ideia de progresso tal como aconteceu no país tem sido questionada por muitas pessoas e diversos movimentos populares. Por exemplo, em entrevista à Revista época (04/06/2012), Dom Erwin Kräutler, bispo do Xingu, fez várias críticas sobre a forma como o progresso brasileiro possibilitou o aumento do genocídio dos índios e o ecocídio das espécies vivas do Cerrado e da floresta amazônica. Na verdade dos os ecossistemas brasileiros foram afetados terrivelmente pelo processo de desenvolvimento do Brasil.
O gráfico acima mostra que até os 200 anos da Independência (1822-2022), a população brasileira terá crescido 46 vezes, o PIB terá crescido 834 vezes e a Renda per capita terá aumentado em 18 vezes. A despeito das desigualdades sociais, o progresso humano foi espetacular. Mas todo o progresso humano ocorreu às custas do retrocesso ambiental. Todos os biomas brasileiros foram afetados e continuam sendo degradados. Os rios urbanos viraram esgotos e foram enterrados vivos. Os dois maiores rios da região Sudeste (rio Doce e Paraíba do Sul) estão em estado de miséria.
O rio São Francisco está cada vez mais sem água e o assoreamento e a degradação é quase uma sentença de morte. Os rios Pajeú e Riacho do Navio só existem na imortal música de Luiz Gonzaga e Zé Dantas.
Embora o Brasil seja o país com o maior superávit ambiental do mundo, caminha, se forem mantidas as tendências das últimas décadas, para uma situação de déficit. A Footprint Network apresenta duas medidas úteis para se avaliar o impacto humano sobre o meio ambiente e a disponibilidade de “capital natural” do mundo. A Pegada Ecológica serve para avaliar o impacto que o ser humano exerce sobre a biosfera. A Biocapacidade avalia o montante de terra e água, biologicamente produtivo, para prover bens e serviços do ecossistema à demanda humana por consumo, sendo equivalente à capacidade regenerativa da natureza.
A pegada ecológica per capita do Brasil, em 1961, era de 2,4 hectares globais (gha) e a biocapacidade per capita era de 22,7 gha. Portanto, a biocapacidade per capita era 10 vezes maior do que a pegada ecológica. Mas em 2013, a pegada ecológica subiu para 3 gha, enquanto a biocapacidade caiu para 8,9 gha. A relação entre as duas medidas caiu para menos de 3 vezes. O Brasil ainda possui um grande superávit ambiental, mas pode jogar fora todo este patrimônio natural nos próximos 50 anos se nada for feito para reverter o padrão insustentável de desenvolvimento.
A análise apresentada nesse artigo é uma pequena parte do capítulo “Population, development and environmental degradation in Brazil” de ALVES e MARTINE (2017), que compõe o livro “Brazil in the Anthropocene: Conflicts Between Predatory Development and Environmental Policies”, editado por ISSBERNER LR; LENA P. (2017). Uma síntese do capítulo pode ser acessada no link abaixo, com base na apresentação feita no dia 27/09/2017, no Rio de Janeiro. Se o rumo da insustentabilidade não for redirecionado, o Brasil não terá nada a comemorar, em 2022, nos 200 anos da Independência. (ecodebate)