segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Cantareira volta a cair e nível chega a 15,7%

Após um dia estável, Cantareira volta a cair e nível chega a 15,7%
A pós um dia estável, Cantareira volta a registrar queda e chega a 15,7%.
Outros quatro mananciais também perderam volume de água represada; Alto Tietê completou um mês só registrando perdas.
O nível de cinco dos seis principais mananciais de São Paulo, entre eles o Sistema Cantareira, sofreram perda de volume armazenado de água em 29/08/15 de acordo com relatório da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Em estado crítico, o Alto Tietê completou um mês só registrando baixas.
Considerado o principal sistema, o Cantareira voltou a ter queda após ficar um dia estável. Os reservatórios operam com 15,7% da capacidade, ante 15,8% no dia anterior, segundo índice tradicionalmente divulgado pela Sabesp. O número considera duas cotas de volume morto, adicionadas no ano passado, como se fossem volume útil do manancial.
Responsável por abastecer 5,2 milhões de pessoas, o Cantareira registrou aumento do volume de água represada pela última vez há mais de um mês, em 27/07. Na ocasião, o manancial subiu de 18,8% para 18,9%. Antes, os reservatórios que compõem o sistema já haviam passado um mês sem aumento.  
Também parou de chover sobre a região: a pluviometria do dia foi de apenas 0,1 milímetro, enquanto no dia anterior o manancial havia registrado 15,4 mm. No valor acumulado do mês, o Cantareira soma 30,6 mm, o que representa 89% da média histórica de agosto, de 34,4 mm.
No cálculo negativo, o Cantareira também registrou baixa de 0,1% e opera com - 13,6%. Mesma variação sofreu o terceiro índice do sistema que ponta o manancial com 12,1%, contra 12,2% no dia anterior.
Outros mananciais
Passando por crise severa, o Alto Tietê registrou sua 31ª queda seguida. O manancial está com 14,1% da capacidade: 0,1% a menos do que no dia anterior, quando registrava 14,2%. Esse índice já considera um volume morte de 39,4 bilhões de litros de água, acrescentado em dezembro.
Atualmente responsável por atender o maior número de habitantes de São Paulo (5,8 milhões), o Guarapiranga também registrou baixa após dois dias de estabilidade. Os reservatórios do sistema estão com 68,2%, contra 68,4% no dia anterior.
Os Sistemas Rio Grande e Alto Cotia perderam 0,2 e 0,1 %, respectivamente e operam com 82% e 53,8%. Já o Rio Claro foi o único a manter o nível com 60,4%. (OESP)

Indústrias avaliam parar produção devido a escassez de água

Afetadas pela escassez de água, indústrias já avaliam parar produção
Falta de água pode paralisar a produção do setor industrial de São Paulo.
Indústria de São Paulo sofre os efeitos da crise hídrica.
A indústria de São Paulo, cuja atividade de janeiro a junho caiu 8,7%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atravessa também o pior momento da crise hídrica. “Estamos chegando no fundo do poço e se os reservatórios, tanto o Alto Tietê como o Cantareira, não se recuperarem a prioridade absoluta vai ser o abastecimento humano, e aí vamos ter que parar a produção”, alerta a gerente do Departamento de Meio Ambiente, da Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP), Anicia Pio. O setor, que consome 10% da água disponibilizada na região metropolitana, foi obrigado a reduzir em 30% a captação do insumo em Campinas em 18/08/15 e prepara-se para novas restrições nas regiões abastecidas pela Bacia do Alto Tietê, onde o governador Geraldo Alckmin, depois de ano e meio de crise, acabou de reconhecer oficialmente a gravidade do cenário abrindo assim a possibilidade de suspender captações de água do setor privado, tanto da agricultura como da indústria.
Com duas crises avançando de mãos dadas sobre o setor, a FIESP diz não ter como calcular os efeitos de uma, a econômica, e de outra, a hídrica, mas Pio destaca o aumento do orçamento dedicado pelas empresas para garantir a qualidade do insumo. “A água captada nos rios piorou muito, a vazão se reduz e os poluentes acabam se concentrando. Temos casos de indústrias que gastam dez vezes mais do que gastavam antes para tratar essa água”, relata a gerente. A necessidade de investir mais em tratamento, no entanto, não é exclusiva de indústrias que precisam de água potável no seu processo produtivo, como a de bebidas, farmacêuticas ou a alimentar. “A água é tão ruim que qualquer indústria precisa de um tratamento para que fique em condições, da indústria de vidros à metalúrgica”, completa.
Embora calcular o impacto econômico do desabastecimento em São Paulo é difícil, Pio relata os efeitos sofridos pela indústria, responsável por 25% do PIB do Estado, em um cenário de abastecimento incerto. “Há empresas que mudaram de região e outras que não se instalaram. Houve quem decidiu transferir os investimentos dedicados na região para outras. Ninguém mais quer se instalar nestas bacias porque não conseguem licenciamento ambiental [para a captação de água], e nas empresas localizadas em regiões críticas [as abastecidas pelo Cantareira e o Alto Tietê, principalmente] pesa um item de segurança na hora de pedir financiamento: o sistema financeiro vê mais risco nelas. No final, essas regiões, não recebem nenhum novo investimento ao não ser que a produção não dependa de água”, relata Pio.
A preocupação dos bancos pela crise hídrica já foi exposta em várias ocasiões por um dos maiores especialistas em recursos hídricos do Brasil, o professor José Galizia Tundisi. “A crise hídrica afeta a economia até tal ponto que têm vários bancos preocupados pelos possíveis impactos, inclusive a inadimplência. As empresas dependentes da água no seu processos produtivo podem reduzir a produção”, afirma Tundisi. A agência de risco Standard & Poors também dedicou um relatório em fevereiro aos efeitos de um possível racionamento energético e hídrico na qualidade do crédito. A agência acredita que as consequências devem ser limitadas, embora tenha reconhecido a dificuldade de “predizer o potencial impacto de um racionamento de água no setor”.
Pio acredita que a portaria publicada no Diário Oficial na semana passada, na qual é reconhecida a “criticidade” da crise hídrica na bacia do Alto Tietê, que abastece quase cinco milhões de pessoas, não é mais que um reconhecimento de uma realidade antiga. Cerca de 69% das indústrias contavam com poços artesianos, mas 14,7% deles tinham secado nos últimos meses, segundo um estudo desenvolvido pelo Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Educação Continuada, em parceria com o Núcleo de Economia Industrial e Tecnologia da Unicamp, realizada em novembro de 2014.
“O Governo não fez as obras que devia fazer e agora nós temos que pagar a conta? Vai ser preciso fundos para socorrer o setor ou vamos todos embora de São Paulo”, questiona a executiva.
“O Governo declara oficialmente que existe uma crise porque a situação é de preocupação. Mas ele [o governador Geraldo Alckmin] sempre negou e passou o ano inteiro dizendo que não há racionamento. Mas da mesma forma que as pessoas ficam sem água à noite, aquela pequena indústria que depende da rede pública sofre também com esse racionamento horário”, afirma Pio que se reconhece “chateada” pela falta de compensação do Governo estadual com o setor. “Só se fala de cortar, caçar, restringir [captações], mas qual é a contrapartida? O Governo não fez as obras que devia fazer e agora nós [cidadãos e indústria] temos que pagar a conta? Vai ter fundos para socorrer o setor ou vamos todos embora de São Paulo”, questiona a executiva. (elpais)

Chuvas serão 81% da média nos reservatórios do Sudeste

ONS vê chuvas em 81% da média nos reservatórios de usinas do Sudeste em setembro/15
O Operador Nacional do Sistema (ONS) estima chuvas em 81 % da média histórica nos reservatórios das hidrelétricas do Sudeste em setembro, segundo Informe do Programa Mensal de Operação divulgado em 28/08/15.
O órgão também prevê redução de 2,9 % na carga de energia elétrica do sistema brasileiro em setembro, com retração no consumo de energia de 4 % no Sul e no Sudeste/Centro-Oeste. (noticiasagricolas)

Não existe garantia que teremos água em janeiro

SP: 'Não há garantia alguma de que teremos água em janeiro'
A crise no abastecimento de água em São Paulo continua bastante séria, ainda que menos propalada. Para recolocar o assunto em pauta, o Correio da Cidadania entrevistou Marzeni Pereira, ex-tecnólogo da Sabesp, justamente poucas horas depois de fazer a homologação de sua demissão. Em sua visão, a empresa tem condições técnicas de sobra, mas sua orientação ainda voltada aos lucros privados faz prevalecer, com anuência do governo, o que considera políticas “irresponsáveis”.
“Apesar de não ter aumentado os mananciais, não ter reduzido perda e não ter estimulado o reuso, a Sabesp teve uma política de aumentar a venda de água. Aqui está o problema: a curva de demanda ultrapassou a curva de oferta de água. Os mananciais não suportaram por causa disso. Qualquer estiagem um pouco mais prolongada provocaria – e se não fosse agora, seria um pouco mais para frente – a falta de água em São Paulo, em função da política de expansão da venda de água”.
Marzeni Pereira ainda discutiu uma série de questões pertinentes à crise, como a conivência dos meios de comunicação comerciais e a forma como os interesses eleitorais do governo do estado se colocaram acima da emergência de se debater a crise. Além disso, elenca outros interesses, típicos das cartilhas neoliberais, que tomaram conta da agenda de todos os governos e impedem um melhor tratamento dos problemas.
“Não é possível estarmos em pleno século 21 e termos perdas de 30%. Para isso, precisamos acabar com a terceirização no assentamento das redes de água e nas ligações entre os sistemas. Também é necessário que a Sabesp rompa com o cartel das empresas que vendem os materiais com os quais se constroem as redes, por exemplo, os fabricantes de PVC e Ferro Fundido”, criticou.
A entrevista completa com Marzeni Pereira pode ser lida a seguir.
Correio da Cidadania: Segundo dados divulgados, pela primeira vez em 31 dias os níveis da Cantareira subiram – ainda que somente 0,1% – entre domingo e segunda-feira da semana passada, atingindo cerca de 19% da capacidade de armazenamento da represa. O que isso representa?
Marzeni Pereira: Houve uma estabilização, não um aumento. Aumentou 0,1% e agora caiu novamente. Está em 18,8%, só que esse número representa um índice 10,5% negativo. Estamos usando, na verdade, 10,5% do volume morto. Ainda há outro problema: possivelmente, já entraremos na segunda parcela do volume morto. No mês de julho do ano passado, começamos a primeira parcela. Neste ano, corremos o risco de começar o mês de agosto utilizando a segunda parcela.
Correio da Cidadania: O que avalia da atual situação do abastecimento de água, lembrando que muitos especialistas previram situações bem complicadas para esse estágio do ano, e também já projetando o verão?
Marzeni Pereira: Levando em conta a resposta anterior, ainda há dois agravantes. Temos menos água este ano do que no ano passado. Agora, temos cerca de 90% da água que tínhamos há um ano atrás. Outro problema é que nesse momento os lençóis freáticos estão mais baixos do que no passado. Com menos água nas represas e nos rios, há um rebaixamento do lençol freático. Isso provoca o que chamam “efeito esponja”. Ou seja, qualquer chuva que caia, ao invés de escorrer e encher os rios e represas, acaba infiltrando e recarregando o lençol.
Isso é um problema, pois não sabemos quando vai chover. Se as chuvas se atrasarem novamente, como aconteceu entre 2014 e 2015 (quando só choveu para valer entre fevereiro e março de 2015), teremos grandes problemas e possivelmente não teremos água até fevereiro. Não há nenhuma garantia de que teremos água em janeiro, por exemplo. Se não chover, como choveu entre 2013 e 2014, vamos entrar em um estado de catástrofe aqui em São Paulo. Não está descartado o colapso do abastecimento. Estamos muito pior do que nos dois últimos anos.
Existe apenas um fator favorável em comparação aos outros períodos: o consumo. Entre 2014 e 2015, o consumo, em função da estratégia do governo estadual para ganhar as eleições – pois não quis divulgar a falta de água e afetar sua agenda eleitoral – estava maior do que agora. Tanto que estávamos fornecendo por volta de 65 mil litros por segundo, de todos os sistemas. Hoje, tiramos cerca de 55 mil litros. Ou seja, mais ou menos 16% de diferença.
O consumo do Cantareira, por exemplo, nesse mesmo período no ano passado, estava próximo dos 25 mil litros por segundo. Agora, estamos em torno de 15 mil litros. Atualmente, a quantidade de água geral é menor do que no ano passado, alguns reservatórios têm mais água do que no ano passado, só que todos eles são reservatórios pequenos em relação ao Cantareira e ao Alto Tietê. Nosso maior reservatório é o Cantareira, seu volume morto é quase três vezes maior do que a totalidade do Guarapiranga. O pessoal acha que o Guarapiranga hoje tem mais água, mas não. Hoje, é no sistema Cantareira que há mais água, apesar de estar no volume morto.
Correio da Cidadania: O que pensa dos descontos feitos para a indústria? Afetaram, ou ainda podem afetar, a qualidade de vida da população ou os considera justificáveis?
Marzeni Pereira: Precisamos ponderar essa questão dos descontos para a indústria. Isso foi uma política adotada pela Sabesp em uma época que sua direção considerava haver um concorrente: os poços, muito utilizados pela indústria. A Sabesp decidiu ir atrás desses grandes consumidores que tinham poços de abastecimento alternativo e fez a proposta para que comprassem água dela e não a tirassem dos poços. Foi uma política implementada com muita ferocidade e urgência, no período em que Gesner Oliveira foi presidente da Sabesp, entre 2007 e 2010.
Esse processo é chamado de contrato de demanda firme e privilegia quem gasta muito. Foi feito com a intenção de que tais consumidores não usem mais os poços. Do meu ponto de vista, é um absurdo oferecer descontos para que um grande consumidor utilize toda essa água potável para fins não potáveis. É uma política que a Sabesp vem adotando durante o período que chamamos neoliberal.
Considero errada a política de aumentar a oferta e vender água a qualquer custo. Se considerarmos o universo do consumo de São Paulo, não é muito representativo. É imoral, mas não muito representativo. Não significa que são os grandes consumidores que estão trazendo problemas de alto consumo, mas os grandes consumidores são parte de uma política da expansão da venda de água.
Apesar de a Sabesp e o governo do estado não terem aumentado a disponibilidade de água nos mananciais, ou seja, os mananciais mantiveram praticamente a mesma quantidade de água de 20 anos atrás, também não houve política consequente de redução de perdas nos últimos 20 anos. Na verdade, houve uma política muito moderada nesse sentido, sem a seriedade necessária. Também não há uma política de reuso de água de esgoto. Podemos dizer que nesse sentido as políticas são ridículas. Existem dentro da Sabesp metas de aumentar o Volume Utilizado (VU), o que para uma empresa voltada ao meio ambiente e à saúde publica não é nada razoável.
Resumindo: apesar disso tudo, de não ter aumentado os mananciais, não ter reduzido perda e não ter estimulado o reuso, a Sabesp teve uma política de aumentar a venda de água. Aqui está o problema: a curva de demanda ultrapassou a curva de oferta de água. Os mananciais não suportaram por causa disso. Qualquer estiagem um pouco mais prolongada provocaria – e se não fosse agora, seria um pouco mais para frente – a falta de água em São Paulo, em função da política de expansão da venda de água.
Correio da Cidadania: Diante disso, que análise você faz da gestão da Sabesp, em especial depois que começou a ser confrontada com a situação de escassez em paralelo a seus lucros?
Marzeni Pereira: Se a Sabesp não tivesse a ingerência do capital, a obrigação de aumentar lucro e arrecadação, teria dado conta da questão do abastecimento de água em São Paulo. Outro problema é que o discurso do governo, voltado para as eleições, também contribuiu. No ano passado, quando tivemos clareza de que o verão 2013/14 não proporcionou a quantidade de água que garantiria a segurança hídrica, a Sabesp elaborou um plano de rodízio para todo o ano de 2014, a fim de ter a garantia de que a água chegaria até 2015 e se, por exemplo, se houvesse menos chuva no verão de 2014/2015, haveria uma segurança mínima para garanti-la até o início de 2016.
Porém, em função das eleições, o plano não foi implantado no início do ano passado. Começou a ser implantado no meio do ano passado e de forma camuflada, sem divulgar que era um rodízio. Dizia-se que era redução de pressão e até hoje não se assume que tem rodízio. Em algumas regiões, o rodízio chega a ser 12 por 12: falta água por 12 horas e chega água por 12 horas. Em outros locais é até mais. Varia de região, de zona de pressão. Assim, a Sabesp teria condições de gerir a crise, não fossem as condições de ingerência, tanto do capital, para não haver redução de lucratividade, quanto do governo do estado, para não ter sua eleição prejudicada.
A Sabesp é a empresa mais preparada do Brasil para gerir o saneamento, tanto pelo corpo técnico que tem, quanto em relação à estrutura que nenhuma outra empresa do ramo tem no Brasil. Mas sua direção está destruindo seu próprio corpo técnico ao mandar muita gente embora, não contratar e não treinar novos profissionais. Preferem contratar empreiteiras, terceirizar e ir implementando aos poucos essa política nefasta do governo.
O governo do estado também tem essa visão de arrecadação. Ele próprio é um grande acionista e não coloca dinheiro na Sabesp e, sim, retira. Não vou dizer que retira tudo, mas parte do que lhe cabe como acionista, e isso é um problema. Para se ter uma ideia, nos últimos 11 anos, entre 2003 e 2014, a Sabesp distribuiu em dividendos 4,5 bilhões de reais. Se fosse uma empresa voltada para o saneamento e não para distribuir dividendos, teria um investimento muito grande no próprio saneamento só com esse superávit.
Porém, por não fazer o rodízio no início do ano passado, houve um outro plano implementado, o qual acho inteligente. Mas precisa ser assumido. O problema é que a Sabesp implanta um rodízio e não assume. Tem de assumir: “Sim, nós implantamos um rodízio e se não tivéssemos feito isso já teria acabado a água”.
O rodízio de horas que foi implantado agora, de fechar os registros entre 10 e 12 horas por dia, fez com que as perdas despencassem. Se, por exemplo, no setor de abastecimento já tivemos perdas de 30%, hoje pode ter caído para 20% ou 15%, pois durante a metade do dia não tem perda por vazamento. A política de redução do tempo de pressurização da rede contribuiu de forma significativa para reduzir as perdas. Por outro lado, inclui um risco de contaminação da rede.
O método de pressurizar a rede durante um período do dia e fechá-la durante outro período do mesmo dia é um método que penaliza menos a população. Por exemplo, foi falado que estava previsto um rodízio de cinco dias sem água e dois dias com água, mas o que acontece é um rodízio diário de três por um, em alguns locais. Nós temos uma parte do dia (6 horas) com água e três partes do dia (18 horas) sem água, o que equivale a seis dias sem água e dois dias com água. Fica 3 por 1, o outro seria 2,5 por 1. Mas o atual rodízio – 3 por 1 –, mesmo sendo mais drástico, penaliza menos a população, porque quem tem caixa d’água – e a maioria da população de São Paulo tem – acaba armazenando-a. Quem não tem, enche os baldes. Se fosse o rodízio de 5 por 2, a penalização seria muito maior.
Um dos grandes problemas do rodízio atual de 3 por 1 é danificar de forma brutal as redes, porque há uma variação de pressão e uma frequência muito grande. No período em que a rede está pressurizada, está com 50, 60 metros de coluna de água, em alguns locais até mais. Em outros períodos está com zero, ou seja, é uma variação de pressão muito grande ao longo de um dia, e isso detona a rede. Isso pode danificar toda a malha de abastecimento da Sabesp, se continuar por um período mais longo. É o processo ao qual chamamos de fadiga, pois provoca um desgaste nas redes.
Isso ainda não foi divulgado na mídia, e talvez seja divulgado pela primeira vez: a Sabesp pode vir a sofrer no próximo período, tendo que trocar toda a sua rede se continuar no sistema de fechar e abrir todos os dias. A fadiga aumenta e as redes podem estourar. O risco é maior onde não tem sistema de admissão de ar e onde não tem ventosa.
Correio da Cidadania: Quanto ao governo estadual, como avalia suas medidas, desde que a crise da água se iniciou? Houve um movimento na direção da melhoria dessas redes, de maior cobrança sobre a empresa?
Marzeni Pereira: Eu considero que o governo continua agindo de forma irresponsável e a mídia que o blinda é conivente ou até mesmo parceira na irresponsabilidade. O que está acontecendo? Há um novo crescimento do consumo em São Paulo. Já estivemos com 50 mil litros por segundo e estamos voltando às cifras de 60 mil metros por segundo. Tal consumo pode aumentar novamente no período mais quente.
Porém, não existe nenhuma garantia de que vai chover no próximo verão. E nem estou dizendo que não vai chover, não é isso. Estou torcendo para chover. Mas não existe a garantia. Ninguém sabe dizer se vai ou não chover daqui a dois ou três meses. Na incerteza, o que deve ser feito? Deve-se agir com precaução. Essa é que deveria ser a política. Quando o governo fala que não vai faltar, está dizendo para a população ficar tranquila, que pode gastar a vontade. Não tem sentido nenhum dizer que não vai faltar água e, ao mesmo tempo, estimular a economia.
Por outro lado, precisa ser muito aliado, muito parceiro, como a mídia comercial, para esconder que o governo está sendo irresponsável com a situação atual. Imagine que nós estamos entrando na segunda parcela do volume morto do Cantareira. Entre setembro e novembro vai ser reduzida a vazão do Cantareira de 15 metros cúbicos por segundo – a de hoje – para 10.
Os outros sistemas vão ter de socorrer o Cantareira, mas já estão precisando de socorro também. O Alto Tietê, por exemplo, que tem menos água do que no ano passado, vai precisar socorrer o Cantareira. E como vai socorrer o Cantareira se não tem água? O Guarapiranga é um sistema pequeno, aumentaram seu tratamento, mas não sua capacidade de reserva. O problema não está no tratamento, está na represa que não tem capacidade, é pequena.
Portanto, não dizer para a população que a crise não passou, não dizer para a população que ainda há risco de colapso e existe um risco de contaminação da rede onde ela está sendo abastecida, é um crime. É um absurdo não dizer isso. No mínimo, o governador do estado de São Paulo deveria ser processado. Porque aqui há um crime ambiental, um crime de saúde publica e um crime de responsabilidade, todos em curso, e como ninguém fala nada? Ou, quando se fala, vemos a mídia soltar as notícias do clima antes, vinculando a crise do abastecimento apenas à falta de chuvas, de modo simplista. É um desserviço.
Correio da Cidadania: Além das questões administrativas referentes a São Paulo, você afirmou em entrevista de 2014 que a crise se devia também ao modelo de desenvolvimento e consumo, em especial ao agronegócio. Nesse sentido, o que pensa da forma como se pauta o assunto diante do público?
Marzeni Pereira: Cada vez mais o agronegócio brasileiro está aumentando sua fatia na economia e cada vez mais ganha força nos organismos políticos, especialmente no Congresso Nacional. E cada vez mais flexibiliza a legislação ambiental, veja o código florestal que sofreu um retrocesso.
Eu andei pesquisando e encontrei um dado muito interessante tirado do Ministério da Indústria e Comércio, no qual segundo os dados de exportação, apenas em 2013, com quatro produtos – carne, soja, milho e café – o agronegócio brasileiro exportou o equivalente a 200 trilhões de litros de água, ou 100 anos de abastecimento de água aqui da região metropolitana de São Paulo. Só para ter uma dimensão desses números: foram mais ou menos 200 sistemas Cantareira exportados em 2013 só com essas quatro commodities. É absurdo tamanho consumo e a liberdade que se tem de exportar mercadorias que têm um alto custo ambiental e que com certeza trazem consequências para as populações da cidade e também para as populações indígenas e ribeirinhas. O agronegócio, quando faz o uso da água, não apenas a utiliza, mas a envenena. Logo, quem se serve dessa água acaba envenenado.
O custo ambiental do agronegócio é muito alto e o seu retorno é muito pequeno. A quantidade de emprego que gera é muito pequena. Só dizer que traz divisas para o país é mero artifício contábil. E daí que a balança comercial foi favorável? No meu ponto de vista, o agronegócio não é benéfico. Precisamos fazer uma discussão séria sobre o agronegócio, o que traz de benefícios e de malefícios. É importante para o país.
Correio da Cidadania: Quais as perspectivas para a população a médio prazo? Quais políticas devem ser empreendidas pelos governos, de quaisquer esferas, para que o problema da água seja contornado?
Marzeni Pereira: Em curto prazo é o seguinte: a população vai ter de continuar economizando água. Apesar de o consumo doméstico girar em torno de 8% no Brasil, teremos que economizar. Agora, ninguém discute a economia da indústria ou da agricultura. Só se fala nos 8%; dos 92% restantes ninguém fala. Mesmo assim, acho importante que os 8% economizem. A região metropolitana de São Paulo, por exemplo, consegue preservar a água por mais tempo se economizar.
Outro fator é que temos de torcer para chover, pois se não vai complicar. Mas isso por si só não basta. É preciso uma política agressiva de coleta, tratamento e uso da água da chuva. Aqui em São Paulo temos um potencial de coleta de água de chuva de 15 mil litros por segundo (média anual, entre outubro e março conseguimos coletar muita água de chuvas, só que em períodos secos se coleta bem menos). É a cifra usada pelo Cantareira hoje.
Assim, imagine se há um programa de coleta de água de chuva liderado pela Sabesp – não adianta cada um fazer na sua casa, pode haver problemas de contaminação e epidemias. No curto prazo, poderia ser implantado o projeto de coleta e tratamento de água de chuvas, ou seja, o próprio governo teria de incentivar, com técnicos, grana, projetos, atendimentos. Daí seria possível fazer uma boa coleta no curto prazo.
Para termos uma ideia, o mês que menos chove fica em torno de 40mm. Em uma casa de 100 metros quadrados, é possível coletar por volta de 4 mil litros em um mês, o que daria água por uns 15 dias para os residentes. Infelizmente, tal projeto não é do interesse da Sabesp, afinal, como ficaria sua arrecadação? Dessa forma, a razão mercadológica impede que o governo faça uma campanha séria; prefere correr o risco de entrar em colapso do que tocar um projeto como esse.
No médio prazo, teremos de exigir a reestatização da Sabesp e colocar o saneamento sob o controle da população. Isso é essencial para a população. Sem dúvida, para nunca mais voltarmos a passar por uma crise como essa, mas o problema é: vamos continuar cometendo os mesmos erros? Arrecadando dinheiro com saneamento e entregando para os acionistas e para a iniciativa privada?
Esses recursos arrecadados com saneamento têm de ser reaplicados em saneamento. Está acontecendo na França, onde está se reestatizando e remunicipalizando o saneamento. Vários municípios franceses tinham o saneamento privatizado e eles retomaram uma parte significativa. Inclusive em Paris, onde a arrecadação do saneamento não era reinvestida. Retomaram e até reduziram a conta, o inverso daqui, onde, somando os reajustes que já tivemos em 2015, houve um aumento de 22,7% na conta de água. E a Sabesp está prevendo um novo aumento de tarifa. Isso com a inflação em torno de 10%.
Por outro lado, não podemos simplesmente reestatizá-la e colocá-la na mão de um governo financiado por grandes corporações, principalmente em períodos eleitorais, seja do partido que for. Precisamos, além de estatizar, criar mecanismos para que a população tenha acesso e controle à gestão da empresa. Não tem sentido a população pagar coleta de esgoto para ser jogado de qualquer jeito, sem tratamento, no córrego mais próximo. A população paga para coletar e tratar, não para afastar simplesmente. Nem metade do esgoto é tratado em São Paulo, mas pouca gente sabe. A médio prazo precisamos pensar nisso.
Também é preciso reduzir as perdas de médio prazo. Não é possível estarmos em pleno século 21 e termos perdas de 30%. É um número muito alto e é possível reduzir. Para isso, precisamos acabar com a terceirização no assentamento das redes de água e nas ligações. Esse é um serviço específico e precisa ter gente especializada para que não cause tamanhas perdas. As empresas terceirizadas não treinam a mão de obra, o que causa uma série de erros fatais para o sistema de abastecimento.
Além disso, há uma rotatividade muito grande dos trabalhadores terceirizados. Enquanto um técnico da Sabesp fica 15 anos trabalhando, os terceirizados têm um período de contrato, de dois ou três anos. É um período de experiência e, quando ele começa a entender a coisa, acaba o contrato. É necessário acabar com a terceirização.
Também é necessário que a Sabesp rompa com o cartel das empresas que vendem os materiais com os quais se constroem as redes, por exemplo, os fabricantes de PVC e Ferro Fundido. Existe um lobby para as compras, mesmo havendo materiais que vazam muito menos. Um tubo de PVC tem uma emenda a cada seis metros; já um tubo de PEAD tem uma emenda a cada 100 metros – e essa emenda ainda é soldada e apresenta menos chances de vazar.
Correio da Cidadania: Para finalizar, de que maneira esse momento de terceirização e toda a crise na gestão da Sabesp e no abastecimento de água pode ser relacionado com as demissões?
Marzeni Pereira: Fui demitido da Sabesp no último dia 16 de março. Agora, recebi o aviso prévio e não homologuei porque discordava da demissão. Eles justificaram a demissão pela redução do fluxo de caixa. Realmente, houve uma redução de arrecadação, mas não foram os trabalhadores que causaram a redução do fluxo de caixa. Ela ocorreu em função da redução do consumo, que o próprio governo incentivou, necessária, porque há uma crise abastecimento.
Só entre 2014 e 2015 foram cerca de 600 demissões. Como o ano passado foi eleitoral, praticamente todas as demissões aconteceram agora, em 2015.
Eu, particularmente, recebi meu aviso prévio e minha demissão extraoficialmente no final do ano passado. A justificativa era a minha militância e meu ativismo em função da crise da água, com críticas ao governo. Já existia uma disposição da direção da empresa para me demitir. Eu e mais algumas pessoas estávamos visados para a demissão. No final do ano passado, recebi um telefonema dizendo que seria demitido. Mesmo com a minha militância, era reconhecido na Sabesp como um trabalhador sério, que fazia um bom serviço, sem titubear, sem meios termos.
Tenho clareza de que fui perseguido pelos meus atos. Dei várias entrevistas para mídias “alternativas” e a Sabesp tem um canal de pesquisa no qual tudo o que sai na mídia é rastreado, divulgado internamente e arquivado. Da minha entrevista ao El Pais em fevereiro deste ano, por exemplo, praticamente todos na Sabesp ficaram sabendo. E quase um mês depois eu fui demitido.
A meta de reduzir o quadro de funcionários da empresa vem desde 1995. Há dez anos, a Sabesp tinha cerca de 18 mil trabalhadores; hoje, estamos com menos de 14 mil. Há uma contribuição também do próprio sindicato. Temos um sindicato cuja direção está há muito tempo e trabalha como uma espécie de aliada do próprio governo e dos acionistas. Todo ano é colocado em acordo coletivo a demissão de 2% do quadro de funcionários. Esse ano demitiram 2% além dos aposentados e não há reposição de quadros. Portanto, no momento de crise a Sabesp vem demitindo e repassando os serviços às terceirizadas, que são justamente as empresas que financiam as campanhas eleitorais.
Há uma visão desses administradores neoliberais de que quem faz o serviço bem feito é o setor privado e não o público. Na realidade, o setor público pode fazer bem feito, basta fazer com seriedade e sem se submeter aos parceiros privados. O serviço que a Sabesp faz sem dúvida é muito melhor do que o serviço executado pelos empreiteiros. E outra: o serviço terceirizado ainda é mais caro, além de ter qualidade inferior. Precisamos colocar no papel. A política tanto da empresa quanto do governo é de redução de quadros, cada vez mais vão terceirizando, inclusive, as áreas-fim da empresa.
Voltando à questão do sindicato: houve demissão de 604 trabalhadores este ano e não houve a paralisação de um único dia. Fizeram um “acordo de paz” no qual o sindicato não faria greve, mas a empresa não demitiria mais. Foi dada a liminar que afirmava que nenhum trabalhador seria demitido até o fim das negociações e o sindicato se comprometia a não fazer greve. Mas a empresa já tinha demitido. Há uma conivência.
No ano passado, o sindicato fechou o acordo coletivo antes da data-base para não desgastar o governo, pois havia a possibilidade de fazermos greve nas proximidades da Copa do Mundo e num ano eleitoral. Foi feito esse acordo rebaixado no mês de abril, antes da data-base, em maio. Isso nunca havia sido feito. Sempre se fecharam acordos depois de maio, nunca antes. E foi assinada novamente uma cláusula que prevê a demissão de mais 2% do quadro técnico. Com isso, mais demissões estão previstas para setembro. Significa comprometer ainda mais o abastecimento de água. (ecodebate)

sábado, 29 de agosto de 2015

Quanto custa a destruição do meio ambiente?

De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a destruição da natureza causa prejuízos anuais de até R$ 8 trilhões.
E olha que o estrago pode ser até maior, já que o Pnuma não leva em conta todas as atividades destrutivas no planeta, pois nem sempre é possível convertê-las em valores monetários. O montante desperdiçado equivale a mais de 10% do valor do que a natureza gera para a humanidade. Ao todo, "serviços" como água potável, solos férteis e outros recursos naturais rendem R$ 79 trilhões por ano. Se o ritmo de devastação não diminuir, em 40 anos o prejuízo anual pode chegar a 7% da riqueza produzida no planeta, ou seja, pouco mais de R$ 31 trilhões. Para fazer essas contas alarmantes, a ME usou relatórios do Pnuma publicados entre 2008 e 2010.
Prejuízo global - Ações do homem e da própria natureza detonam o meio ambiente e custam caro para o planeta:
Extintos selvagens
Cerca de 21% das espécies de mamíferos, 12% das aves, 28% dos répteis e 35% dos invertebrados estão ameaçados de extinção.
Desmatamento
Prejuízo anual - R$ 3,5 trilhões
A principal causa dos desmatamentos pelo mundo é a necessidade de criar mais espaço para agricultura. O resultado disso é a chamada conversão de habitat - destruição das florestas para fins comerciais. A América do Sul e a África foram os continentes que registraram maior perda líquida de florestas nos últimos dez anos. Vale lembrar que as florestas compõem 31% da superfície terrestre. O consolo é que o ritmo do desmatamento diminuiu cerca de 18% nesta década.
• Entre 2001 e 2010, foram desmatados 130 mil km2. Comparando com os anos 90, porém, o mundo deixou de perder uma área florestal equivalente ao estado de Alagoas.
• Com a média anual de 13 mil km2 desmatados, dá para dizer que 1 m2 desmatado "custa" R$ 270. Nesta "cotação", o desmatamento da Amazônia ao longo da história equivale a R$ 231 trilhões.
• Na África Subsaariana, que inclui 47 países, como Senegal e Quênia, a erva-bruxa invasora ocasionou cerca de R$ 12 bilhões por ano de prejuízos nas culturas de milho.
• O desmatamento na Amazônia caiu 74% entre 2003 e 2009.
Espécies invasoras
Prejuízo anual - R$ 2,5 trilhões.
Espécies animais e vegetais que invadem ecossistemas também causam muito prejuízo mundo afora. No reino animal, os invasores desequilibram a cadeia alimentar e, entre os vegetais, competem com espécies cultivadas por recursos essenciais, como água, luz e oxigênio, além de hospedar pragas. Isso aumenta o custo de produção dos alimentos e compromete a fertilidade do solo.
• Os coelhos causam R$ 655 milhões de perdas à agricultura da Austrália todo ano.
• A introdução do parasita Gyrodactylus salaris fez com que a densidade de salmões na Noruega caísse em 86%, gerando um prejuízo estimado em R$ 35 milhões.
Pragas Brasilis - Espécies invasoras do Brasil:
* Tiririca (Cyperus rotundus) - Comum nas lavouras de milho, feijão e cana-de-açúcar.
* Tiriricão (Cyperus esculentus) - Frequente em culturas de café, cana-de-açúcar, arroz e maçã.
* Grama-seda (Cynodon dactylon) - Marca presença em pastagens e em culturas de milho, soja e uva.
Outros prejuízos anual - R$ 2 trilhões
Aqui entram vários estragos "menores" no meio ambiente, como desgaste dos solos, pesca excessiva e extinção de espécies. De acordo com a agrônoma Patrícia Monquero, da UFSCar, há três formas de degradação do solo: química (queda de fertilidade), física (erosão, compactação) e biológica (perda de biodiversidade). A sobrepesca é um problema tão grave que já atinge 80% dos estoques pesqueiros mundiais.
• Cerca de 25% dos solos estão degradados (30% dessa área é de florestas, 20% pertencem a áreas agrícolas e 10% a pastos). O estrago é maior na África, na Austrália, na Ásia e na América do Sul.
• Atualmente, os esforços de pesca são cinco vezes maiores do que na década de 1970. Ou seja, é preciso gastar cinco vezes mais tempo e dinheiro para pescar a mesma quantidade de 40 anos atrás.
• Os países que mais sofrem com sobrepesca são os africanos Mauritânia, Gâmbia, Senegal e Serra Leoa.
• Entre 1995 e 2005, o capim-chorão (Eragrostis plana) causou R$ 51 milhões em prejuízos à agricultura gaúcha.
• O mexilhão-zebra e a amêijoa-asiática, moluscos introduzidos por acidente no litoral dos EUA, dão um prejuízo anual de R$ 8,8 bilhões.
• Todo ano, há um prejuízo mundial de R$ 60 bilhões relativo ao que é pescado e não é consumido. (abril)

Jardins suspensos

Sempre foi uma ideia recorrente na civilização humana, a construção de jardins suspensos. Mas agora nem se trata disto, se busca uma humanização maior nas selvas de pedra, integrando a natureza e humanizando um pouco as relações, ao reintegrar o ser humano em suas origens.
Os clássicos jardins suspensos foram construídos na Babilônia, atual Iraque, pelo místico rei Nabucodonosor, no século VI antes de Cristo e se tornaram uma das sete maravilhas do mundo, embora não tenham sido encontrados muitos registros arqueológicos que possibilitassem sua reconstituição ao menos em narrativas. Mas foi obra épica empreendida na chamada Mesopotâmia.
Destaca a lenda que, os jardins foram construídos para satisfazer as vontades da esposa preferida do rei, chamada Amitis, trazida de região montanhosa, com campos e florestas. Raros registros narram a existência de seis terraços, construídos como andares, passando a sensação de serem suspensos. Os andares tinham aproximadamente 120 m3 e eram apoiados por imensas colunas que os registros indicam que chegavam a medir mais de 100m.
A denominação de jardins suspensos vem de narrativas gregas e não corresponde à realidade, como se viu. Concebido por arranjos arquitetônicos arrojados, a construção em terraços fazia uma simulação de elevações. As árvores ao topo, observadas à distância faziam se perpetuar a ilusão de se tratarem de montanhas. Árvores frutíferas e águas que desciam por cascatas, complementavam o cenário.
O “high line” ou linha alta em Nova Iorque é um parque linear, de aproximadamente 2,5 km, construído no ano de 2009 numa antiga linha férrea elevada, já abandonada da cidade. E esta obra já está inserida em contexto que busca reintegrar o ser humano com a natureza, da qual faz parte. O “high line” se situa a 8 metros de altura e tem sentido e extensão linear, atravessando 3 bairros da cidade que são relativamente pouco visitados por turistas. Mas igualmente a iniciativa se tornou emblemática e simbólica do sentimento ou sensação de resgate do meio natural, em meio às selvas urbanas.
A antiga linha férrea foi construída com esta finalidade na década de 30 do século passado, quando indústrias e empresas de transporte eram hegemônicas na área. Estes espaços físicos foram agora convertidos em galerias de arte, estúdios de design, lojas, restaurantes, museus e residências.
Não se sabe se o processo de participação pública para patrocinar esta transformação ocorreu e de que forma se desenvolveu, mas certamente a influência de formas organizadas ou informais de exercício de cidadania devem ter concorrido para patrocinar este resgate de cenário tão peculiar, pitoresco e significativo na vida da metrópole.
É certo que no atual contexto são apenas iniciativas que guardam extrema simbologia, além de caracteres que podem marcar a vida das metrópoles ou das cidades. A transformação do chamado “Minhocão” em São Paulo em mais uma destas obras, cuja efeméride é marcante para toda a vida urbana, pode representar uma data com extremo simbolismo, onde a “selva de pedra” da urbanidade resgata um pouco de suas origens naturais e demarca uma nova perspectiva na urbanização. Que privilegia áreas verdes sobre infraestrutura de trânsito e outras necessidades urbanas, que são então redimensionadas na consciência e até no imaginário popular.
Ninguém desconhece que as cidades tem que ter desafogamento de trânsito, montagens adequadas de infraestruturas de transporte e outras necessidades. Mas o aspecto simbólico envolvidos nas transformações de viaduto de tráfego em área verde, são profundamente vinculadas com alterações de paradigmas, que envolvem redefinição de valores, e englobam aspectos fundamentais de toda a vida da cidade para o futuro.
Sempre que houverem conflitos estabelecidos entre estruturas urbanas e áreas verdes ou sítios de preservação, a tendência é que se materializem sensações favoráveis que encorpem a viabilização das áreas verdes ou das localidades de preservação. Esta mudança paradigmática pode ser representada pela implantação da área verde e a nova paisagem estabelecida.
Ninguém será quixotesco de representar interesses que resgatem vidas em cavernas, ou em situações de extrema ausência de conforto ou praticidade. Mas é necessário buscar rupturas e apostar que as mesmas carreguem simbologias capazes de alterar estigmas arraigados e situações implantadas sem qualquer consulta ou aceitação das parcelas envolvidas da população.
O “minhocão” já é incorporado como área livre de tráfego para uso de pedestres em fins de semana e outras oportunidades. Não representaria alteração insolúvel de problema de trânsito ou de infraestrutura urbana em geral, se houvesse sua incorporação definitiva como área de lazer, viabilizando o resgate da natureza numa área altamente urbanizada da cidade de São Paulo. (ecodebate)

A balança comercial

Nenhuma nação com superávit na balança comercial pode ser considerada sustentável com sua balança ambiental deficitária.
Em 13/05/15 foi anunciado o “dia da sobrecarga ecológica”. A partir desse dia até o final do ano, tudo que for consumido o planeta Terra não terá condição de repor. A humanidade, a partir desse dia fica em dívida com o meio ambiente. Este indicador é uma estimativa da ONG Global Footprint Network, levando em conta as pegadas de carbono e atividades econômicas como a pesca, pecuária, agricultura, construção e água.
Segundo a mesma ONG, este déficit ambiental vem ocorrendo mais cedo a cada ano. Em 1970 o “dia da sobrecarga ecológica” ocorreu em 23 de dezembro. Em 1980 em 3 de novembro. Em 1990 em 13 de outubro. Em 2000 em 4 de outubro. Em 2005 em 3 de setembro e em 2010 em 28 de agosto. Neste ritmo não se sabe até quando estas mensurações serão possíveis. Segundo suas estimativas seriam necessários 1,6 planetas para atender o consumo atual da humanidade.
A balança comercial é o indicador econômico que representa a relação entre o total de exportações e importações de bens e serviços de um país em determinado período. Quando o total de exportações de bens e serviços for superior ao total de importações, registra-se um superávit no saldo da balança comercial. Quando o total de exportações for inferior ao total de importações, registra-se um déficit.
O superávit da balança comercial é considerado um fator positivo na economia de um país, já que mostra que o mesmo está exportando (vendendo) mais bens e serviços do que está importando (comprando). O resultado positivo da balança comercial gera um lucro que pode ser utilizado para investir no próprio sistema econômico do país.
Seria interessante que as nações também quantificassem sua “balança ambiental”, para estabelecer um parâmetro de sustentabilidade em suas cadeias produtivas. Se a “balança ambiental” do planeta vem apresentando déficit em elevação a cada década, isso significa o somatório de uma economia predatória das nações em todo o mundo. Representa o aviltamento de recursos ambientais para as gerações futuras, comprometendo até mesmo no – curto prazo – o superávit da balança comercial, principalmente das nações mais pobres.
A pesca predatória é responsável pelo colapso dos estoques pesqueiros, extinção de espécies, desequilíbrio ecológico e falência econômica de populações que dependem dos mares para sobreviver. A pesca industrial se tornou altamente sofisticada na captura dos cardumes em contraponto ao necessário estudo da reposição dos estoques. Segundo a ONG americana Save the Seas houve uma redução de 90% dos estoques pesqueiros em todo o mundo. Há previsões de extinção de espécies nobres. A FAO relata que mais de 70 milhões de tubarões são capturados anualmente para abastecer o mercado asiático de barbatanas. Com menos tubarões houve o aumento de 12 vezes da população de arraias, como consequência do desequilíbrio ecológico nos EUA.
Segundo a FAO a pecuária já é responsável pela emissão de 18% dos GEE. A preocupação é que o setor poderá crescer em 70% até 2050. Estima-se que o setor pecuário emite 7,1 gigas toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2-eq) por ano, representando 14,5% de todas as emissões induzidas por humanos. A produção de bovinos de corte e de leite é responsável pela maioria das emissões, respectivamente contribuindo com 41% e 19% das emissões do setor. A produção de carne suína e de frango/ovos contribuem, respectivamente, com 9% e 8% com as emissões do setor. Porem é possível reduzir essas emissões com boas práticas, inclusive com redução do desmatamento com a eficiência da carga animal por unidade de área,
A FAO afirma que haverá um acréscimo de 70% na demanda por alimentos oriundos da agricultura para suportar uma população estimada em 9 bilhões de pessoas em 2050. O desafio será atender essa demanda via aumento de produtividade ou pela expansão de novas áreas, com repercussão na elevação dos índices de desmatamento. Em ambas as alternativas haverá pressão sobre o meio ambiente.
É claro que para atender uma estimativa de crescimento da população mundial de 30% até 2050, haverá uma demanda na área de construção, tanto habitacional quanto de logística de mobilidade, principalmente em países superpopulosos como Índia e China. Estimativas dão conta de que nos últimos dois anos a China gastou em ferro e cimento o equivalente a 100 anos de consumo dos EUA, para construir a mesma equivalência em estruturas de mobilidade, engenharia e urbanização.
Quanto ao consumo de água todos estão cientes e alguns já vivenciam experiência calamitosa. Estimativas dão conta que quase 800 milhões de pessoas não tem acesso à água no mundo. Em muitos casos o problema não é a falta de água, mais a qualidade de água, pois algumas populações experimentam restrições de consumo as margens de um manancial ou rio extremamente poluído. Este recurso está diretamente vinculado à demanda de 70% de alimentos para os próximos 40 anos, pois a agropecuária é responsável por 70% do consumo de água.
Se nada for feito para reverter o crescente hábito de consumo desenfreado o destino final será a escassez de recursos para as futuras gerações. Nenhuma nação com superávit na balança comercial pode ser considerada sustentável, com sua balança ambiental deficitária. Tomara que a Conferência de Paris seja a luz no fim do túnel. (ecodebate)

Ser humano esgotou a Terra

Ser humano esgota em agosto recursos natrais para 2015.
Repetido todos os anos, esse dia é conhecido como Dia da Sobrecarga da Terra e vem ocorrendo cada vez mais cedo.
Planeta está no vermelho.
Ser humano esgota em agosto/15 recursos naturais para o ano e deixa a Terra ‘no vermelho’.
Não está sendo fácil para o planeta Terra em 2015. O ser humano conseguiu, em agosto, esgotar todos os recursos naturais que deveriam durar um ano inteiro. Sendo assim, desde 13 de agosto o planeta está operando “no vermelho”.
Repetido todos os anos, esse dia é conhecido como Dia da Sobrecarga da Terra. Nele, sempre é emitido um alerta de que a demanda da humanidade por recursos naturais naquele ano excedeu a capacidade da Terra. Em 2000, ele aconteceu em outubro. Quinze anos depois, já surge em agosto.
A diferença em 15 anos deixa em alerta máximo especialistas da área. Segundo eles, a Terra poderá sofrer consequências irreversíveis caso a demanda humana siga crescendo de maneira desenfreada. Para isso, sugerem uma agenda verde que foque na reversão do quadro.
De acordo com os especialistas, o déficit gerado pela demanda excessiva está crescendo em proporção direta com o desmatamento, a escassez de água e com a erosão do solo. Para eles, apenas uma união efetiva das nações voltada para esse aspecto poderia ser capaz de começar uma possível reversão do quadro. (yahoo)

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Desmatamento ‘formiga’ ameaça área de proteção da Billings

Desmatamento ‘formiga’ ameaça área de proteção da Billings na zona sul de SP
Reserva Bororé-Colônia é alvo de invasões e loteamentos irregulares na capital; pequenas porções de Mata Atlântica são cortadas para construção de moradias.
"Um dia aquela região estava cheia de árvores. No outro, havia sido murada. No dia seguinte, já tinham derrubado todas as árvores e, logo depois, já estava tudo construído." O relato da agricultora orgânica Valéria Maria Macoretti, moradora há cerca de oito anos da Área de Proteção Ambiental (APA) Bororé-Colônia, no extremo sul da capital, descreve um repentino loteamento irregular em um antigo sítio no limite da reserva com a área urbana."
É um dos exemplos mais recentes de um processo de invasões, adensamento populacional e pequenos desmatamentos - conhecidos como "efeito formiga" - que já se desenrola há pouco mais de dois anos naquela região e vem afetando, em meio a maior crise hídrica de São Paulo, a capacidade da APA de proteger os mananciais. Localizada a 25 quilômetros do centro, a região fica entre as Represas Billings e Guarapiranga.
Conheça a APA Bororé-Colônia
Estima-se que mais de 1 milhão de pessoas vivam na região
Estima-se que mais de 1 milhão de...Região do Bororé-Colônia começou a ser ocupada por volta dos anos 1970.
Ideia de ter um sítio ou chácara fez muita gente ir para Bororé-Colônia no início da ocupação
Terreno é permeado por nascentes e corpos d'água que abastecem as represas Billings e Guarapiranga.
Terreno é permeado por nascentes e...Documento obtido pelo Estado mostra que técnicos da Secretaria do Verde do município vem fazendo alertas sobre a situação. O relatório, distribuído em reunião do Conselho Gestor da APA no final de julho, lista com imagens uma série de ocorrências e aponta que "nota-se de forma generalizada a construção de novas habitações e a implantação de novos loteamentos de forma clandestina".
O material descreve o "adensamento dos núcleos e loteamentos já existentes, crescendo e avançando sobre as matas vizinhas, bem como a abertura de novos eixos e focos de ocupação." E conclui que esse processo ameaça "a produção de água para milhões de habitantes na Grande São Paulo." O alerta ocorre no momento em que a Câmara Municipal debate o novo projeto de zoneamento da cidade, que prevê a instalação de equipamentos públicos em áreas verdes.
Ao longo da semana retrasada a reportagem apurou por terra e por sobrevoo essas denúncias no local. Observamos novas casas de alvenaria sendo erguidas nos arredores de áreas que já estavam ocupadas antes mesmo da criação da APA, que é de 2006. Barracos avançando sobre locais em que ainda havia floresta. Um córrego canalizado virou espaço para despejo de esgoto. E áreas em que a cobertura vegetal foi toda suprimida, seja com serra elétrica ou com queimadas. Durante o sobrevoo, testemunhamos uma área ainda pegando fogo e invasões incrustadas no meio da mata.
Uma das invasões mais gritantes ocorre sobre a região do antigo aterro Três Corações, desativado por ocasião da criação da APA. Imagens de satélites obtidas pelo Estado mostram que em 2012 a região tinha sido reocupada por uma vegetação. Em 2015 o local estava praticamente todo ocupado por barracos e já algumas casas de alvenaria.
Efeito formiga
Também chama a atenção o movimento conhecido como "bosqueamento", em que algumas árvores são retiradas, mas outras são mantidas, sob as quais são construídos os barracos. Com as copas altas os resguardando, fica mais difícil serem avistados em sobrevoos. Em outros casos, também para dificultar a fiscalização, uma faixa de árvores é mantida ao longo da estrada, mas no interior dos terrenos tudo já foi derrubado. Quem passa rápido de carro acha que a vegetação continua intacta.
Todo esse movimento é grande o bastante para permitir a chegada de novas famílias à região, que aumentam a pressão sobre uma área que já é frágil, mas pequeno para ser visto, por exemplo, por imagens de satélite que ajudam no monitoramento dos remanescentes da Mata Atlântica. O trabalho feito anualmente pela Fundação SOS Mata Atlântica com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) só consegue captar a perda de vegetação a partir de 3 ha. "Mas o que está acontecendo lá é o chamado efeito formiga, que vai comendo pelas bordas e dificulta a fiscalização", comenta Márcia Hirota, da SOS Mata Atlântica.
Mesmo sem ter uma estatística do tamanho atual da degradação, Márcia destaca a importância da APA como um dos poucos remanescentes de vegetação nativa em São Paulo. Segundo ela, considerando toda a área da capital, 19,6% é de mata com tamanhos acima de 1 hectare. O Bororé responde por 7,7% desse total (2.294 ha).
Roberto Resende, presidente da Iniciativa Verde, entidade que faz parte da Rede de ONGs da Mata Atlântica explica por que isso tudo é um problema. "Por um lado, a floresta regula a quantidade e a qualidade de água da chuva que é absorvida no solo. Vai deixando fluir aos poucos, para alimentar os mananciais. Sem não tem floresta, quando a chuva vem, lava tudo e provoca assoreamento. Já uma ocupação de 40 lotes onde antes havia um sítio ou uma chácara traz uma quantidade muito maior de lixo, esgoto e tudo vai parar na represa", afirma.
Outro problema do desmatamento é que, se não é rapidamente inibido, em pouco tempo a invasão pode ser grande demais para ser retirada do local. Há uma percepção entre os criminosos que, uma vez instalados, já não serão mais retirados dali. Para o poder público, a consolidação das moradias também é vista como dificuldade.
Fiscalização
Segundo apurou o Estado, apesar de a APA sempre ter sofrido pressões - a borda dela na fronteira com o Grajaú é toda urbana -, o quadro de se intensificou nos últimos dois anos. Em reunião do conselho gestor em julho, técnicos da Secretaria do Verde relataram que a fiscalização é praticamente inexistente e que denúncias não são apuradas.
A fiscalização da APA é de responsabilidade conjunta da Prefeitura de São Paulo (por meio da Secretaria do Verde, das subprefeituras da Capela do Socorro e de Parelheiros e da Guarda Civil Metropolitana) e do Governo do Estado (via Secretaria do Meio Ambiente e Polícia Militar Ambiental). Em 2005, cidade e Estado assinaram o convênio Operação Defesa das Águas para a fiscalização integrada de todas as áreas de manancial do município, Bororé incluído. Nas reuniões do conselho gestor, técnicos relatam que desde o ano passado essa atuação conjunta deixou de funcionar. Neste ano o convênio expirou.
A Secretaria de Comunicação da Prefeitura informou, por meio de nota, que no primeiro semestre deste ano foram efetuadas 123 rondas na APA para coibir invasões, construções irregulares e outros crimes ambientais. Afirmou ainda que a ocupação no aterro iniciou-se no final de 2013 em área particular. Diz que o proprietário da área foi notificado e fez Boletim de Ocorrência para iniciar ação judicial de reintegração de posse. "A partir desse ato, finda a competência do Município quanto às questões administrativas. A GCM, no entanto, efetua o monitoramento da área para prevenir degradações ambientais", diz a nota.
A Prefeitura afirma ainda que nas últimas três semanas, em todo o território da APA, ocorreram o desfazimento de 14 edificações irregulares, 370 lotes clandestinos foram demarcados e houve a apreensão de 6 caminhões de materiais de construção.
A Secretaria de Meio Ambiente do Estado relatou a rotina do policiamento. Disse que em 2014 as equipes da Polícia Ambiental na região lavraram 194 boletins de ocorrência ambiental e 64 autos de infração ambiental, e em 2015, até o momento, 19 autos de infração ambiental e 190 boletins de ocorrência ambiental.  Em relação à renovação da Defesa das Águas, disse que "o processo está em andamento dependendo ainda de algumas providências formais junto aos diversos órgãos envolvidos". (OESP)

Governo confirma taxa de desmatamento

Com a revisão dos dados preliminares, o índice de queda no desmatamento ficou abaixo do que havia sido divulgado em novembro, passando de 18% para 15%.
As florestas são essenciais para a regulação do clima e para a produção de chuvas. Foto de enorme área desmatada, em Roraima.
Em 16/08/15 os ministros do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, apresentaram o resultado consolidado do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal (Prodes), referente ao período de agosto de 2013 a julho de 2014. O número sofreu uma pequena variação em relação à estimativa divulgada em novembro do ano passado, a taxa oficial ficou em 5.012 km², que corresponde a uma redução de 15% em relação ao período anterior (2012-2013).
Durante a coletiva a ministra afirmou que a meta é chegar à taxa de desmatamento de 3.915 km² na Amazônia até 2020. Mas o fato é que, diante da crise climática que já estamos vivenciando, todo o desmatamento deveria ser evitado. O Brasil já desmatou o suficiente e hoje dispõe de áreas já abertas o suficiente para até dobrar a produção agrícola sem precisar cortar mais florestas. Inclusive, parte do setor produtivo já mostrou ser possível produzir sem destruir florestas, vide a Moratória da Soja e o Compromisso Público da Pecuária. Agora, deveríamos estar preocupados em como acabar de vez com o desmatamento.
Apesar da queda no desmatamento, a destruição de florestas ainda é o principal fator de emissões de gases do efeito estufa no Brasil e o governo brasileiro vem dando pistas que zerar o desmatamento não está entre suas prioridades. Ainda no ano passado, em reunião da ONU, o governo brasileiro se negou a assinar a declaração de Nova Iorque, documento que pede o fim do desmatamento em escala mundial. E há alguns meses, em encontro com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a presidenta Dilma Rousseff se comprometeu, sem qualquer constrangimento, que trabalharia para tentar cumprir o Código Florestal, que ainda permite desmatamento. Enquanto isso, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (Organização das Nações Unidas), cuja versão final foi publicada nessa semana, prevê dentre suas metas acabar com o desmatamento até 2020.
O Brasil tem condições e deve fazer mais. Por isso, assumir um compromisso realmente audacioso de Desmatamento Zero é fundamental para o clima e para o nosso próprio futuro. Como disse recentemente o presidente Obama, “somos a primeira geração a experimentar os efeitos das mudanças climáticas e a última que pode fazer algo a respeito”. (greenpeace)

Desmatamento de 2014 teve redução de 15%

INPE: Taxa de desmatamento consolidada de 2014 teve redução de 15% em relação ao período anterior
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), órgão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), concluiu o mapeamento e o cálculo da taxa de desmatamento na Amazônia Legal para o período agosto de 2013 a julho de 2014, atividades realizadas no âmbito do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal (PRODES). O resultado final do estudo computou uma taxa de 5.012 km2/ano.
Este valor confirma a segunda menor taxa de desmatamento registrado na Amazônia Legal desde que o INPE começou a medi-la, em 1988.
Trata-se de uma redução de 15% em relação à taxa do período anterior – PRODES 2013, em que foram medidos 5.891 km2.
A tabela abaixo apresenta a distribuição da taxa de desmatamento nos estados que compõem a Amazônia Legal:
Estado – Desmatamento (Km2)
Acre - 309
Amazonas - 500
Amapá - 31
Maranhão - 257
Mato Grosso - 1075
Pará - 1887
Rondônia - 684
Roraima - 219
Tocantins - 50
Amazônia Legal - 5.012
O PRODES computa como desmatamento as áreas maiores que 6,25 hectares onde ocorreu remoção completa da cobertura florestal – o corte raso.
O valor da taxa consolidada, obtida após o mapeamento de 214 cenas do satélite americano Landsat 8/OLI, é aproximadamente 3% acima do estimado pelo INPE em final de novembro de 2014, que foi de 4.848 km2, cálculo gerado à época com base em 89 imagens do mesmo satélite e que cobriram a área onde foram registrados mais de 90% do desmatamento no período anterior (agosto/2012 a julho/2013) e também os 43 municípios prioritários para fiscalização referidos no Decreto Federal 6.321/2007 atualizado em 2009.
Redução
O resultado indica eficácia no combate ao desmatamento, particularmente a partir da criação, em 2004, do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e pela Casa Civil da Presidência da República. Houve uma redução de mais de 80% desde 2004, conforme indica a série histórica apresentada a seguir.
Confira abaixo a evolução da taxa desde 2004 por estado e para toda Amazônia Legal:
Os gráficos e tabelas abaixo trazem a série temporal do PRODES para a Amazônia Legal e por Estados na Amazônia Legal.
(a) Média entre 1977 e 1988, (b) Média entre 1993 e 1994
(a) Média entre 1977 e 1988, (b) Média entre 1993 e 1994
Mais informações na página www.obt.inpe.br/prodes (ecodebate)
 

Em defesa das áreas verdes da capital

A preservação das áreas verdes é fundamental para a cidade, especialmente, em regiões de mananciais e em época de crise hídrica. Para a população ter direito à água, é preciso defender as poucas reservas ainda não poluídas desse líquido tão precioso. É vital manter as matas ciliares que ainda resistem e recuperar as já destruídas.
São Paulo é, em grande parte, impermeabilizada, o que causa efeitos como ilhas de calor e tempestades mais fortes que provocam enchentes. São as áreas verdes que absorvem a água da chuva e preservam os mananciais. Além disso, é visível a todos a carência de parques, praças e arborização - das 32 subprefeituras, 23 delas têm áreas verdes abaixo do mínimo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de 12 m2 por habitante.
Mesmo diante dessa situação, a Prefeitura comete o enorme equívoco de pretender usar as áreas verdes públicas para outros fins, prevendo, até mesmo, a possibilidade de desmatamento. Esse risco está embutido no Projeto de Lei do Zoneamento (PL 272/2015), que o prefeito Fernando Haddad (PT) enviou à Câmara Municipal. Artigos 27 a 34 do projeto abrem a possibilidade do uso das áreas verdes para a instalação de equipamentos públicos.
No lugar dessa perigosa e inaceitável brecha na legislação municipal, a população necessita da defesa incondicional do pouco que resta de áreas verdes na cidade, considerando-as inalienáveis, assim como necessita de propostas e planos para que elas sejam ampliadas e devidamente protegidas.
As áreas verdes são fundamentais nos espaços urbanos e prestam inúmeros serviços ambientais e à saúde humana. Entre 2005 e 2013, a quantidade de morte em decorrência de doenças do aparelho respiratório pulou de 7.540 para 9.696, um aumento de quase 30%.
Organizações da sociedade civil convidam o Executivo a modificar esses artigos, tornando as áreas verdes do Município protegidas do risco de desmatamento ou de qualquer outro fim que não seja o de sua preservação incondicional. E convidam os vereadores a atuarem no mesmo sentido, rejeitando qualquer risco às áreas verdes do Município. (OESP)