quarta-feira, 21 de março de 2012

Degelo da Groenlândia

Cobertura de gelo da Groenlândia derreteria com temperatura mais baixa que o previsto
Gelo da Groenlândia é mais vulnerável ao aquecimento do que se pensava – A cobertura de gelo da Groenlândia está mais sensível ao aquecimento global do que se pensava, já que uma elevação relativamente pequena da temperatura no longo prazo a derreteria completamente, segundo estudo que será publicado neste domingo.
Pesquisas anteriores sugeriram que seria necessário um aquecimento de pelo menos 3,1º Celsius acima dos níveis pré-industriais, em uma faixa de 1,9ºC a 5,1º C, para derreter completamente a camada de gelo.
Mas novas estimativas, publicadas na revista Nature Climate Change, estabelecem o limite em 1,6ºC em uma faixa de 0,8ºC a 3,2º C, embora esta temperatura tenha que ser mantida por dezenas de milhares de anos para apresentar este efeito.
A Groenlândia é, depois da Antártica, a maior reserva de água congelada em terra.
Se derreter completamente, provocará uma elevação do nível do mar em 7,2 metros, encharcando deltas e terras baixas.
Segundo o estudo, se o aquecimento global se limitar a 2ºC, uma meta estabelecida em negociações climáticas da ONU, o derretimento completo aconteceria em uma escala de tempo de 50.000 anos.
As emissões atuais de carbono, no entanto, situam o aquecimento muito além desta meta. Se não forem controladas, um quinto da cobertura de gelo derreteria no prazo de 500 anos e toda estaria extinta em 2.000 anos, segundo o estudo.
O estudo foi feito por cientistas do Instituto Postdam de Pesquisa sobre o Impacto do Clima (PIK) e da Universidade Complutense de Madri.
Segundo eles, o risco de perda total do gelo parece remota, em vista da imensa escala de tempo, porém alertaram que suas descobertas contestam muitas suposições sobre a estabilidade da cobertura de gelo com relação ao aquecimento no longo prazo.
A atmosfera terrestre já se aqueceu 0,8ºC desde o início da Revolução Industrial, em meados do século XVIII, e o dióxido de carbono emitido hoje ainda perdurará por séculos.
A cobertura de gelo é vulnerável a um tipo de círculo vicioso, também conhecido como ‘feedback positivo’, que impulsiona o derretimento, segundo o artigo.
Chegando a 3.000 metros de espessura em alguns lugares, a cobertura de gelo hoje se beneficia do efeito protetor de altitudes maiores e mais frias.
Mas quando derrete, a superfície desce para altitudes mais baixas, com temperaturas mais elevadas, demonstra o modelo de computador.
Além disso, porções de terra expostas pelo gelo absorvem radiação por serem mais escuras e não refletirem a luz. À medida que se aquecem, elas ajudam a derreter o gelo em seus arredores.
“Nosso estudo demonstra que, sob certas condições, o derretimento da cobertura de gelo da Groenlândia se torna irreversível. Isto sustenta a noção de que a cobertura de gelo é um elemento preponderante no sistema terrestre”, disse Andrey Ganopolski, cientista do PIK.
“Se a temperatura global superar o limiar significativamente a longo prazo, o gelo continuará a derreter e não se recuperará, mesmo se o clima voltar, após milhares de anos, aos níveis pré-industriais”, acrescentou. (EcoDebate)

Planeta perdeu em 8 anos muita massa de gelo

Planeta perdeu em 8 anos o equivalente a 4.100 Km3 de massa de gelo
Aquecimento global é responsável, afirma artigo publicado na ‘Science’.
Em oito anos, o planeta perdeu o equivalente a 4.100 km³ de gelo — provenientes das calotas, das geleiras, da Groenlândia e da Antártida — devido ao derretimento, afirma pesquisa publicada 09/02/12 na edição online da revista “Science”. O dado equivale a 1,2 centímetros de elevação nos mares.
Na prática, essa massa derretida é suficiente para encobrir completamente os Estados Unidos em 1,5 metros de água. O volume corresponde a 82 mil vezes a quantidade de água existente no Lago Paranoá, em Brasília – que tem 0,05 km³.
De acordo com o estudo realizado pela Universidade Columbia, com dados disponibilizados pelo programa Grace (satélites de observação da Terra operados em parceria da Nasa com a Alemanha), de janeiro de 2003 a dezembro de 2010 foram derretidas anualmente 150 bilhões de toneladas de gelo – sem incluir Groelândia e Antártida. Nestas duas regiões, a perda anual de gelo equivale a 385 bilhões de toneladas/ano.
“A Terra está perdendo uma incrível quantidade de gelo para os oceanos anualmente e esses novos resultados nos ajudarão a entender questões importantes sobre a elevação do mar e respostas das regiões frias do planeta às mudanças climáticas globais”, disse John Wahr, pesquisador da Universidade Columbia, em comunicado enviado pela instituição.
Aquecimento global
Os cientistas participantes da pesquisa concordam que as atividades humanas, como o envio de grandes quantidades de gases de efeito estufa à atmosfera, estão aquecendo o planeta, fenômeno que é ocorre de forma mais acentuada nas áreas frias.
Porém, um dado inesperado aponta que, apesar da quantidade surpreendente de gelo derretido, o número é inferior ao apontado em estudos anteriores.
Os satélites do Grace constataram, por exemplo, que o degelo nas altas montanhas da Ásia, como o Himalaia, foi inferior à previsão de 50 bilhões de toneladas de massa de gelo por ano (o número constatado é de quatro bilhões de toneladas ao ano).
Preocupação
Os cientistas querem agora encontrar um padrão para entender melhor o processo de aumento do nível do mar.
“Uma grande questão é entender como a ascensão dos oceanos vão ser modificada neste século”, disse Tad Pfeffer, também participante da pesquisa. (EcoDebate)

Derretimento das geleiras provoca tempestades

Derretimento das geleiras provoca aumento das tempestades de poeira
Da Patagônia até a Islândia a diminuição das geleiras descobre solos de onde se levantam tempestades de poeira que afetam a vida marinha e o clima global, segundo estudo publicado na revista "Science".
"A presença crescente de aerossóis minerais em altas latitudes é surpreendente", disse à Agência Efe Joseph Prospero, pesquisador da Universidade de Miami e autor do estudo.
Pesquisas realizadas por Prospero estabeleceram que a poeira de regiões tropicais da África é transportada para boa parte do sul e do leste dos Estados Unidos e é causa de entre 75% a 80% do pó que cai sobre a Flórida.
Este não é um fenômeno somente contemporâneo e amostras de sedimentos na terra e de gelo profundo mostram incrementos da circulação de poeiras relacionados aos períodos glaciais.
"Existe um interesse considerável pela distribuição global das fontes de poeira, os fatores que afetam sua emissão e as propriedades das partículas emitidas", disse Prospero, que ao longo dos anos criou doze estações de observação no mundo.
O estudo que Prospero desenvolveu nos últimos seis anos na Islândia determinou que "há grandes tempestades de poeira que se originam ali e que vão para o norte do oceano Atlântico".
"O pó contém ferro, que é um micronutriente essencial para os organismos marítimos, o fitoplâncton", explicou o professor emérito da Escola Rosenstiel de Ciência Marinha e Atmosférica da Universidade de Miami.
"Assim como o nitrato e o fosfato são essenciais para os micro-organismos, estes também necessitam de pequenas quantidades de ferro, importantes para a fabricação de enzimas e a conversão do dióxido de carbono em massa corporal", explicou.
Desta maneira, o ferro nas águas oceânicas estimula o crescimento do fitoplâncton, o que, por sua vez, afeta a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera.
"A Islândia aparentemente desempenha um papel importante como abastecedor de nutrientes para os organismos marítimos, mas não determinamos a magnitude desse papel", disse o pesquisador.
Segundo Prospero, as tempestades de poeira na Islândia estão aumentando conforme as geleiras diminuem devido ao aquecimento global.
"Por meio de satélites, observamos a diminuição de geleiras na Islândia, no Alasca e na Patagônia, e em todas as partes vemos um aumento da poeira", continuou. "Esse pó provém do solo em torno da geleira, que conforme vai diminuindo, deixa materiais expostos que são suspensos no ar".
De acordo com Prospero, "no ritmo atual, em cem anos as geleiras da Islândia desaparecerão".
A própria poeira contribui para aumentar a velocidade da diminuição das geleiras.
"Quando as geleiras estão fortes e limpas, sua cor é branca, brilhante, refratária à luz", disse. "Mas quando começam a acumular pó em seus sulcos, na parte alta da geleira, absorve-se mais calor da luz do Sol e o derretimento é mais rápido".
O pesquisador e seus colegas passaram seis anos estudando a ilha de Heimaey, no sul da Islândia, e realizando medições das partículas de pó (aerossóis) no ar.
Os cientistas identificaram episódios frequentes de produção de poeira na região, que em alguns casos chegou a 20 microgramas de partículas por metros cúbicos, e determinaram que as emissões de pó da ilha costumam ser mais elevadas na primavera.
Grande parte do pó é transportada em direção ao sul do país e cai sobre o Atlântico Norte. (OESP)