segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Humanidade é a praga que destrói o Planeta

Attenborough: a humanidade é uma praga que está destruindo o Planeta

Considerando aqui o cenário de expectativa de vida de 90 anos (Eo = 90), a população mundial em 2300, dependendo da Taxa de Fecundidade Total (TFT), pode variar de praticamente zero a 71 bilhões de pessoas, como mostra o gráfico abaixo:
As preocupações de David Attenborough são pertinentes, pois o crescimento da presença humana na Terra é insustentável, conforme atestam as últimas notícias. Um terço do solo do Planeta está severamente degradado e o solo fértil está sendo perdido a uma taxa de 24 bilhões de toneladas por ano, de acordo com o estudo “Perspectiva Global de la Tierra (GLO)” da ONU. A insegurança alimentar que vinha se reduzindo no mundo na última década, voltou a crescer e afetou 815 milhões de pessoas em 2016, o que representa 11% da população mundial. Múltiplas formas de má nutrição ameaçam a saúde de milhões de pessoas. O aumento foi de mais 38 milhões de pessoas em relação ao ano anterior, em grande parte, devido à proliferação de conflitos de guerra e mudanças climáticas, segundo o relatório da FAO: “Estado da Segurança Alimentar e da Nutrição no Mundo 2017”.

“O crescimento exponencial infinito das atividades econômicas é um suicídio para a humanidade” - David Suzuki.
David Attenborough, renomado naturalista britânico e apresentador de TV que inovou na defesa do ambientalismo, lançou um alerta pessimista sobre a influência predadora dos seres humanos na redução da biodiversidade da Terra e na destruição dos ecossistemas: “Somos uma praga na Terra” (“We are a plague on Earth”).
Attenborough acredita que o crescimento da população humana, somado ao crescimento da produção e do consumo e do aumento da poluição e dos resíduos sólidos, reduzirá a disponibilidade de solo e água para a produção de alimentos e deve acirrar a disputa por espaço com as demais espécies vivas da Terra.
A humanidade (com seu estilo de vida e a incessante acumulação de capital e riqueza) se tornou uma força implacável de destruição que não respeita o compartilhamento do mundo com outras criaturas. Attenborough diz: “Ou limitamos nosso crescimento populacional ou o mundo natural vai fazer isso por nós, e, de certa forma, a natureza já está fazendo isso para nós agora”.
O rápido crescimento da economia e da população está tornando muito difícil para o mundo conciliar as demandas humanas com os desafios ambientais. Infelizmente, não existe uma discussão real sobre a realidade da superpopulação. Ele diz: “Nós não podemos continuar sustentando altas taxas de crescimento demográfico, porque a Terra é finita e não se pode colocar o infinito em algo que é finito”.
Attenborough também adverte que simplesmente reconhecer os problemas não é suficiente, pois é necessário ação. Ele considera que é preciso universalizar os serviços de saúde reprodutiva e investir na educação sexual em todo o mundo, garantindo às mulheres mais controle político sobre seus corpos e acesso aos meios voluntários de regulação da fecundidade, especialmente nos países onde são altas as taxas de gravidez indesejada.
De fato, o futuro da população mundial está em aberto e pode haver um decrescimento demográfico no mundo se houver uma queda relativamente pequena nas taxas de fecundidade. Uma pequena redução do número médio de filhos por mulher pode representar uma diferença de bilhões de pessoas no longo prazo.
Pesquisadores do International Institute for Applied Systems Analysis (IIASA), na Áustria, realizaram projeções de longo prazo (2000 a 2300) da população mundial para os cenários do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC). As projeções por idade e sexo levaram em consideração um amplo conjunto de hipóteses de fecundidade e três cenários de mortalidade com base em expectativa de vida máxima de 90, 100 e 110 anos. Em artigo publicado na Demographic Research, em 30 de maio de 2013, os demógrafos Stuart Basten, Wolfgang Lutz e Sergei Scherbov apresentam uma síntese do relatório.
A população mundial em 2000 era de 6,05 bilhões de habitantes. Se a TFT permanecer no nível de 2,5 filhos por mulher, o número de habitantes globais chegaria a 71 bilhões de pessoas em 2300.
Se a TFT global cair para 2 filhos por mulher (aproximadamente a taxa de reposição), a população mundial chegaria a 9,0 bilhões de habitantes em 2300. Uma queda da taxa de fecundidade para 1,75 filhos por mulher faria a população mundial chegar a 2,74 bilhões de habitantes em 2300. Uma TFT de 1,5 filhos por mulher resultaria em uma população mundial de 720 milhões de habitantes em 2300. Uma TFT abaixo de 1 filho por mulher levaria a uma população inferior a 30 milhões de habitantes.
Como exemplo, o Brasil tem atualmente uma TFT próxima de 1,75 filhos por mulher. Diversos países (inclusive a China) possuem taxas de fecundidade ainda menores. Caso a fecundidade média do mundo fique no mesmo nível da TFT atual do Brasil, haveria um decrescimento da população mundial para menos da metade dos 7,5 bilhões de habitantes atuais. Portanto, o ambientalista David Attenborough, tem razão em dar ênfase à discussão do planejamento reprodutivo para reduzir o número de pessoas e a pegada ecológica da humanidade.
Em parte, a fecundidade mundial só não cai mais rápido devido ao alto percentual de gravidez indesejada. O Guttmacher Institute publicou, em junho de 2017, um novo estudo apontando para o não atendimento da demanda por métodos contraceptivos nas regiões em desenvolvimento. O estudo mostra que, nos países em desenvolvimento, 214 milhões de mulheres querem evitar a gravidez, mas, por diversas razões, não tem acesso aos métodos modernos de contracepção. Além disso, dezenas de milhões de mulheres não têm acesso a cuidados básicos durante a gravidez e o parto, necessários para protegerem sua saúde e a saúde dos recém-nascidos. O atendimento aos direitos reprodutivos pode contribuir para desacelerar o incremento demográfico (Darroch, 2017).
No dia 13/11/2017, foi publicada uma carta na revista BioScience, assinada por 15.372 cientistas de 184 países, com o título: “Advertência dos Cientistas à Humanidade: Segundo Aviso”. Trata-se de um verdadeiro alerta para a humanidade que segue um rumo de desenvolvimento insustentável. Em relação ao crescimento populacional a carta diz o seguinte:
– reduzir ainda mais as taxas de fecundidade, garantindo que as mulheres e os homens tenham acesso à educação e a serviços de planejamento familiar voluntário, especialmente onde tais serviços ainda não estão disponíveis.
– estimar um tamanho de população humana cientificamente defensável e sustentável em longo prazo, reunindo nações e líderes para apoiar esse objetivo vital, para evitar miséria generalizada e a perda catastrófica de biodiversidade.
Portanto, os alertas estão dados. Aumentar a escala antropogênica é irracional e arriscado. Para evitar um desastre social, demográfico e ambiental é preciso evitar que cada vez mais pessoas caem no vício do consumismo e caminhar rumo ao decrescimento demoeconômico. A solução passa por uma mudança de paradigma do modelo econômico e pela redução da sobrecarga do Planeta. E como bem mostra o livro “Enough is Enough” (2010), não basta reduzir a pegada ecológica per capita, também é preciso reduzir o número de pés, diminuindo a presença ecúmena e aumentando as áreas anecúmenas. (ecodebate)

3 países mais populosos possuem os 3 maiores déficits ambientais

Os três países mais populosos possuem os três maiores déficits ambientais.
“Precisamos pegadas menores, mas também precisamos de menos pés”. - (Enough is Enough, 2010)
Nos últimos 250 anos, o progresso humano tem ocorrido às custas do regresso ambiental e o enriquecimento da humanidade tem ocorrido em função do empobrecimento da biodiversidade. O impacto negativo sobre o meio ambiente é tanto maior quanto cresce o tamanho da população e o volume de produção e consumo.
Não por coincidência os três países que apresentam os maiores déficits ambientais são também os três países mais populosos do mundo, como mostram os dados da Pegada Ecológica e da Biocapacidade da Footprint Network.
A Pegada Ecológica é uma metodologia que mede o impacto humano sobre as áreas terrestres e aquáticas, consideradas biologicamente produtivas e necessárias à disponibilização de recursos ecológicos e serviços, como alimentos, fibras, madeira, terreno para construção e para a absorção do dióxido de carbono (CO2) emitido pela combustão de combustíveis fósseis etc. A biocapacidade mede a quantidade de área biologicamente produtiva – zona de cultivo, pasto, floresta e pesca – disponível para responder às necessidades da humanidade.
O país mais populoso do mundo em 2013 era a China com uma população de cerca de 1,4 bilhão de habitantes. A Pegada Ecológica que estava abaixo da Biocapacidade até final da década de 1960 subiu rapidamente e transformou a China no país com o maior déficit ambiental do mundo. Em 2013, a Pegada Ecológica total chinesa era de 5 bilhões de hectares globais (gha) para uma Biocapacidade de 1,3 bilhão de gha. Portanto, o déficit ambiental era de impressionantes 3,7 bilhões de gha, em 2013.
A Pegada Ecológica per capita da China era de 3,6 gha em 2013, pouco acima da média mundial, mas muito abaixo da média das economias avançadas. Portanto, o que mais contribui para o enorme déficit ambiental da China é o grande volume da população.
Os Estados Unidos (EUA) apresentam o segundo maior déficit ambiental do mundo. A Pegada Ecológica estadunidense tem estado acima da Biocapacidade desde a década de 1960. Em 2013, a Pegada Ecológica total dos EUA era de 2,7 bilhões de hectares globais (gha) para uma Biocapacidade de 1,2 bilhão de gha. Portanto, o déficit ambiental era de 1,5 bilhão de gha.
A Pegada Ecológica per capita dos EUA era de 8,6 gha em 2013, bem acima da média mundial. Com uma população pouco acima de 300 milhões, fica claro que o que mais contribui para o elevado déficit ambiental dos EUA é, principalmente, o volume do consumo.
A Índia é o segundo país mais populoso do mundo com uma população de cerca de 1,35 bilhão de habitantes em 2013. A Pegada Ecológica total indiana também tem estado acima da Biocapacidade desde a década de 1960. Em 2013, a Pegada Ecológica total da Índia era de 1,36 bilhão de hectares globais (gha) para uma Biocapacidade de 557 milhões de gha. Portanto, o déficit ambiental era de 703 milhões de gha.
A Pegada Ecológica per capita da Índia de 1,1 gha, em 2013, estava bem abaixo da média mundial. Mesmo com nível de consumo baixo, o déficit ambiental da Índia é claramente devido ao tamanho da população.
Portanto, o déficit ambiental ocorre pelo elevado volume populacional ou pelo elevado volume do consumo. Para reduzir o déficit é preciso reduzir a pegada ecológica, mas também o número de pés. É um equívoco achar que o déficit ambiental global se deve, fundamentalmente, aos países ricos e de elevado consumo. Na realidade a situação é mais grave.
A tabela abaixo mostra que a população mundial era de 7,08 bilhões de habitantes em 2012 e tinha uma pegada ecológica per capita de 2,84 hectares globais (gha) e uma biocapacidade de 1,7 gha. No total, a pegada ecológica mundial era de 20,1 bilhões de gha e a biocapacidade total era de 12,5 bilhões de gha. O déficit ecológico era de 7,9 bilhões de gha em 2012.
A pegada ecológica per capita dos países de alta renda (desenvolvidos) foi de 6,2 gha, em 2012, para uma população de 1,1 bilhão de habitantes, o que representava uma pegada total de 6,8 bilhões de gha. A biocapacidade per capita era de 3,2 gha e um montante de 3,5 bilhões de gha. Portanto, os países de alta renda tinham um déficit ecológico de 3,3 bilhões de gha. Os países ricos tinham cerca de 15% da população mundial, mas eram responsáveis por aproximadamente 42% do déficit ecológico total.
Sem dúvida, o alto consumo dos países desenvolvidos pressiona a pegada ecológica do mundo. Mas mesmo numa situação hipotética de eliminação destes países ricos da contabilidade ambiental, o mundo continuaria numa situação de déficit, mesmo que menor, de 3,9 bilhões de hectares globais (gha).
Portanto, mesmo eliminando os países ricos do cálculo da Pegada Ecológica mundial as atividades antrópicas do resto da população do globo continuam superiores à capacidade de regeneração da biosfera. Os cálculos acima não tiram as responsabilidades dos países desenvolvidos como os maiores poluidores do Planeta. Apenas mostram a real dimensão dos problemas causados pelos tamanhos do consumo e da população.
É compreensível que as populações dos países pobres aspirem níveis mais elevados de desenvolvimento e consumo. Mas reproduzir o modelo dos países ricos e poluidores seria um desastre total. Também é compreensível que as camadas populacionais excluídas do mundo lutem por melhores escolas, hospitais, transporte público, lazer e outros direitos de cidadania. Mas não é aceitável e nem viável se promover o desenvolvimento humano às custas do empobrecimento do Planeta e da biodiversidade.
O fato é que as populações dos países ricos consomem além de qualquer medida de sustentabilidade e os países em desenvolvimento, mesmo com um nível de consumo menor, possuem um tamanho de população que faz elevar o déficit ecológico. A única forma de equacionar o dilema da insustentabilidade global é caminhar para um mundo com menos gente, menos consumo, menor desigualdade social e maior qualidade de vida humana e ambiental.
Por isto, o livro Enough is Enough (2010), com prefácio de Herman Daly, diz: “We need smaller footprints, but we also need fewer feet” (“Precisamos pegadas menores, mas também precisamos de menor número de pés”, p. 12).
Só com o decrescimento demoeconômico poderemos sair da situação da superpopulação e do superconsumo, evitando a sobrecarga ambiental. A Terra não aquenta a overdose de atividades antrópicas. Sem ECOlogia não há ECOnomia. (ecodebate)

sábado, 9 de dezembro de 2017

América Latina e Caribe despejam 30% de seu lixo em locais inadequados

A geração diária de resíduos sólidos urbanos nos países da América Latina e do Caribe atingiu cerca de 540 mil toneladas, e a expectativa é de que, até 2050, o lixo gerado na região alcançará 671 mil toneladas por dia. É o que revelam dados apresentados pela ONU Meio Ambiente em evento realizado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), em São Paulo.
De acordo com a agência das Nações Unidas, mais de 145 mil toneladas de lixo, ou cerca de 30% do total, são destinadas a locais inadequados diariamente na região.
O levantamento, que faz parte do Atlas de Resíduos da América Latina, relatório da ONU Meio Ambiente que será lançado em breve, mostra que, em média, a cobertura da coleta na região da América Latina e Caribe supera 90%, mas pode variar de acordo com o país, e diminui sensivelmente nas periferias e áreas rurais.
De acordo com Jordi Pon, coordenador regional de resíduos e químicos da ONU Meio Ambiente e coordenador do estudo, a região tem apresentado vários avanços na gestão de resíduos sólidos, porém, em relação à disposição final, ainda existe um déficit considerável, com mais de 145 mil toneladas de lixo, cerca de 30% do total, destinados para locais inadequados diariamente.
O tema da poluição, incluindo a causada pelos resíduos, faz parte de uma agenda mundial e é o principal tópico da Terceira Assembleia da ONU para o Meio Ambiente, que acontecerá em Nairóbi, no Quênia, de 4 a 6 de dezembro. Como fórum decisório mundial de mais alto nível sobre questões ambientais, a assembleia reunirá governos, líderes empresariais, sociedade civil e outras partes interessadas em compartilhar ideias e se comprometer com ações contra a poluição.
Na ocasião, o novo relatório “Rumo a um planeta sem poluição“, do diretor-executivo da ONU Meio Ambiente, Erik Solheim, que traz um panorama atual de todos os continentes, permitirá examinar o que sabemos sobre a poluição e delinear elementos-chave de um quadro abrangente de ações para combatê-la.
Evento foi organizado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), em São Paulo.
“Os dados apresentados pela ONU Meio Ambiente mostram que, mesmo com algumas melhorias alcançadas nos últimos anos, cerca de 170 milhões de pessoas ainda estão expostas às consequências desse problema em decorrência dos graves impactos causados ao meio ambiente (solo, ar e água) e à saúde da população”, disse Carlos Silva Filho, diretor-presidente da ABRELPE e membro do Comitê Diretivo do Atlas de Resíduos.
Na apresentação dos dados, Jordi Pon também destacou que o relatório faz uma análise sobre a composição dos resíduos sólidos urbanos. A fração orgânica, por exemplo, representa mais da metade de todo resíduo descartado nas cidades latino-americanas, índice que varia bastante de acordo com a renda do país. “Enquanto em países de baixa renda, 75% do lixo descartado é proveniente de matéria orgânica, em países com renda mais elevada esse índice é de 36%”, comentou Pon.

As informações apresentadas mostram ainda que é comum encontrar resíduos perigosos no lixo doméstico, como baterias, equipamentos elétricos e eletrônicos, remédios vencidos, entre outros. Já a fração restante é composta pelos chamados resíduos secos, como metais, papéis, papelão, plásticos, vidro e têxteis. De modo geral, as iniciativas de reciclagem atingem o índice de 20% em determinadas regiões da América Latina, em grande parte graças à contribuição do setor informal.
Pessoas observam um caminhão despejar lixo nos arredores de Porto Príncipe, no Haiti.

Pon também observa que praticamente todos os países da região contam com disposições e normas legais para serem cumpridas pelos geradores e manipuladores de resíduos, bem como penalidades por descumprimento, mas o quadro institucional é fraco. “Isso cria um vácuo de responsabilidades governamentais, com poucas ações de acompanhamento e monitoramento, resultando, entre outras coisas, em uma aplicação deficiente da lei tanto no setor público quanto no privado”, explicou o coordenador da ONU Meio Ambiente.
Outro tópico abordado pelo estudo diz respeito aos níveis de investimento público e privado em gestão de resíduos, apontando que os mesmos não são suficientes para financiar a infraestrutura necessária para mitigar as principais deficiências, como ampliação da cobertura de coleta, baixas taxas de reciclagem e disposição final inadequada.
“O estudo mostra que o financiamento é uma questão fundamental para a melhoria e sustentabilidade dos mecanismos de gestão de resíduos, especialmente na América Latina e no Caribe, onde os modelos financiados por recursos municipais prevalecem e, em muitos casos, os custos dos serviços não são recuperados em sua totalidade”, disse Carlos Silva Filho, concluindo que “ainda não há uma consciência clara do fato de que o custo econômico dos impactos negativos causados pela gestão inadequada dos resíduos (o custo da inação) é maior do que o custo de investimento em um sistema adequado”.
Os dados apresentados fazem parte de um projeto da ONU Meio Ambiente, originado a partir do lançamento do Altas Global de Gestão de Resíduos em 2016, e incluem relatórios sobre a situação dos resíduos sólidos na América Latina e Caribe, Ásia, Ásia Central, África, Regiões Montanhosas e Pequenas Ilhas-estado (SIDS). (ecodebate)

América Latina e Caribe jogam 145 mil toneladas de lixo orgânico

América Latina e Caribe jogam 145 mil toneladas de lixo orgânico por dia em lixões e aterros controlados.
A análise dos despejos sólidos das cidades latino-americanas mostra que o lixo orgânico representa mais da metade de todo o resíduo descartado. Esse índice varia de acordo com o potencial econômico do país. “Em nações de baixa renda, 75% do lixo descartado são provenientes de matéria orgânica, enquanto em países com renda mais elevada esse índice é de 36%”, comentou Pon. A diferença é reflexo da maior ou menor atividade industrial e comercial.
 Restos de comida não processados colocam em risco a saúde e a vida de 170 milhões de pessoas.
Todo dia, 145 mil toneladas de resíduos orgânicos são jogadas em lixões e aterros controlados na América Latina e no Caribe. Essa montanha diária de restos de comida não processados, que colocam em risco a saúde e a vida de 170 milhões de pessoas, é um dos temas da 3ª Assembleia do Meio Ambiente da Organização das Nações Unidas (ONU), que será realizada em Nairóbi, no Quênia, de 4 a 6 de dezembro.
Os números estão no Atlas de Resíduos da América Latina, relatório da ONU Meio Ambiente que está para ser lançado. Um resumo do trabalho foi apresentado preliminarmente em São Paulo em evento realizado em 21/11/17 pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).
O estudo mostra um cenário preocupante. Segundo Jordi Pon, coordenador regional de resíduos e químicos do organismo das Nações Unidos, as 540 mil toneladas de lixo produzidas atualmente na região serão 671 mil toneladas em 2050. Se, de um lado, há avanços na coleta, que na média supera 90% do lixo urbano, o processamento fica abaixo dos 70%. O restante, formado essencialmente por dejetos orgânicos, vai para locais inadequados, produzindo poluição do ar, do solo e da água.
“Os dados apresentados pela ONU Meio Ambiente mostram que, mesmo com algumas melhorias alcançadas nos últimos anos, cerca de 170 milhões de pessoas ainda estão expostas às consequências desse problema, em decorrência dos graves impactos causados ao meio ambiente e à saúde da população”, explica Carlos Silva Filho, diretor-presidente da Abrelpe e membro do Comitê Diretivo do Atlas de Resíduos.
O lixo doméstico tem ainda o agravante de concentrar resíduos perigosos, como baterias, celulares, equipamentos elétricos e eletrônicos e remédios vencidos, entre outros,
Parte do lixo doméstico é formada por elementos secos, como metais, papéis, papelão, plásticos, vidro e têxteis. A reciclagem desses itens ainda é reduzida, em geral abaixo de 20%. O índice só é alcançado em cidades onde existe coleta e seleção informais, feita por catadores autônomos, o que mostra a pequena participação do Poder Público e de políticas voltadas para o problema.
No entanto, o estudo da ONU revela que a maior parte dos países da América Latina e do Caribe tem legislação específica que define as responsabilidades de geradores e manipuladores e prevê punições, que quase nunca são aplicadas. Além disso, mostra o relatório, os investimentos em gestão de resíduos são insuficientes. “Isso cria um vácuo de responsabilidades governamentais, com poucas ações de acompanhamento e monitoramento, resultando, entre outras coisas, em uma aplicação deficiente da lei, tanto pelo setor público quanto pelo privado”, explica Jordi Pon.
De acordo com Carlos Silva Filho, o financiamento é uma questão fundamental para a melhoria da gestão de resíduos. Ele ressalta que na América Latina e no Caribe os modelos são financiados por recursos municipais e, em muitos casos, os custos não são plenamente recuperados. “Ainda não há uma consciência clara do fato de que o custo econômico dos impactos negativos causados pela gestão inadequada dos resíduos é maior do que o custo de investimento em um sistema adequado”.
O relatório faz parte de um projeto da ONU Meio Ambiente e é parte do Atlas Global de Gestão de Resíduos de 2016, que inclui relatórios sobre a situação dos resíduos sólidos na América Latina e Caribe, Ásia, Ásia Central, África, Regiões Montanhosas e Pequenas Ilhas-Estado (Sids). (ecodebate)

Resíduos Sólidos na Região Nordeste do Brasil em 2016

O Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil em 2016 da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – Abrelpe descreve a produção e destino final dos resíduos sólidos urbanos – RSU, resíduos de saúde – RSS, resíduos de construções e demolições – RCD e os previstos nos acordos de logística reversa. Nos meus artigos anteriores publicados no Portal EcoDebate estão informações sobre o país e as regiões Sul, Sudeste, Centro Oeste e Norte. Neste artigo constam as informações específicas sobre a geração de resíduos e sua destinação final na Região Nordeste com nove Estados – Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, com 1.754 municípios.
Resíduos sólidos urbanos, RSU – A Região Nordeste produziu 55.056 toneladas/dia com 22% do total do país e queda de 1,4% em comparação com o panorama de 2015. A produção per capita/habitante /dia foi de 0,967 Kg com queda de 2,1%. Os recursos financeiros aplicados pelos municípios da Região Nordeste foram de R$ 3,10 por habitante/mês na coleta dos RSU e R$ 5,25 nos demais serviços de limpeza urbana, com total de R$ 8,35 por habitante/mês. Os serviços de limpeza urbana movimentaram R$ 5.703 bilhões.
Ano
Toneladas/dia
Kg/habitante/dia
2015
55.862
0,988
2016
55.056 (-1,4%)
0,967 (-2,1%)
Tabela – Geração diária total e individual de RSU na Região Nordeste do Brasil em 2016.
Quanto à coleta dos RSU, 79% foram recolhidos, mas 64,4% correspondentes a 27.906 toneladas/dia foram destinados para lixões e aterros controlados sem tratamentos adequados.
Ano
Toneladas/dia
Kg/habitante/dia
2015
43.894
0,776
2016
43.355 (-12%)
0,762 (-1,8%)
Tabela 2 – Quantidade de RSU coletados na Região Nordeste do Brasil em 2016.
Coleta seletiva – 889 dos 1.794 municípios da Região Nordeste declaram que possuem iniciativas, mas não há informações sobre os números desta atividade. É provável que sejam iniciativas de pequeno porte, que não influenciam significativamente no conjunto da gestão dos RSU. A disposição final manteve-se estável com uma pequena queda de 0,1% para os aterros sanitários e aumento de 0,1% destinados aos lixões.
Ano
Aterro sanitário (ton./dia)
Aterros controlados (ton./dia)
Lixões (ton./dia)
2015
15.688 = 35,7%
14.490 = 33%
13.716 = 31,3%
2016
15.449 = 35,6%
14.284 = 33%
13.622 = 31,4%
Tabela 3 – Disposição final dos RSU na Região Nordeste do Brasil em 2016.
Resíduos de construções e demolições, RCD – coletaram-se 24.387 toneladas/dia com geração per capita de 0,428 Kg/habitante/dia.
Ano
Toneladas/dia
Kg/habitante/dia
2015
24.310
0,430
2016
24.387
0,428
Tabela 4 – Coleta de RCD na Região Nordeste do Brasil em 2016.
Resíduos sólidos de saúde, RSS – Foram produzidos 36.874 toneladas de RSS na Região Nordeste em 2016, com geração per capita média de 0,648 Kg/habitante. Os tratamentos utilizados foram autoclave em 8%, incineração em 56,8% e 35,2% tiveram outros destinos não especificados, provavelmente com disposição irregular em lixões, aterros e valas sanitárias.
Estado
2015 - (Ton./ano – Kg/habitante/ano)
2016 - (Ton./ano – Kg/habitante/ano)
Alagoas
1.139 – 0,341
1.139 – 0,339
Bahia
14.853 – 0,977
14.978 – 0,980
Ceará
5.273 – 0,592
5.189 – 0,579
Maranhão
4.502 – 0,652
4.493 – 0,646
Paraíba
2.296 – 0,578
2.296 – 0,574
Pernambuco
3.373 – 0,361
3.384 – 0,360
Piauí
2.135 – 0,666
2.094 – 0,652
Rio Grande do Norte
2.551 – 0,741
2.560 – 0,737
Sergipe
740 – 0,330
741 – 0,327
Total
36.862 – 0,652
36.874 – 0,648
Tabela 5 – Geração de RSS na Região Nordeste do Brasil em 2016.

No documento da Abrelpe não informações específicas sobre a reciclagem e a logística reversa na Região Nordeste. (ecodebate)