quarta-feira, 15 de julho de 2020

Atitudes para deixar sua casa mais sustentável e contribuir com o planeta

7 atitudes simples para deixar sua casa mais sustentável hoje e contribuir com o planeta para o amanhã.
Legenda: Não usar sacola plástica é uma solução simples para ajudar o planeta.
O planeta teve uma pausa depois de décadas sofrendo com a poluição. Se existe algo bom para destacar nessa pandemia, com certeza é a redução dos impactos ecológicos. Inúmeras foram as notícias dos benefícios que o isolamento social trouxe para o planeta. Em pouco tempo, as manchetes mudaram do aumento desenfreado para a diminuição da poluição em todos os lugares do globo.
Pela primeira vez em anos o canal de Veneza ficou com água cristalina e foi possível avistar os peixes. O Himalaia pôde ser visto da Índia depois de 40 anos escondido. E aqui no Brasil, a poluição do ar em São Paulo caiu 50% com a quarentena.
Tudo isso trouxe mais consciência e um despertar para o cuidado com o meio ambiente. As pessoas estão buscando alternativas para se tornarem mais ecológicas, nem que seja com pequenos passos. Começar a adaptar a casa com atitudes simples pode contribuir bastante para que você seja parte da mudança.
Aproveite esse tempo de quarentena e confira algumas trocas que você pode fazer para tornar sua casa mais sustentável e influenciar sua família a cuidar do planeta.
A começar pelo cômodo mais utilizado da casa, a cozinha, algumas mudanças simples e baratas podem ser feitas. A primeira delas é trocar a famosa esponja verde e amarela pela bucha vegetal para lavar louça. Segundo nos explica Helena Sartori, editora de cozinha do SweetestHome.com.br, a esponja é feita de derivados do petróleo, já a bucha vegetal é biodegradável!
Atitudes que podem salvar o planeta.
Outro ponto é utilizar produtos de limpeza caseiros. Você mesmo pode fazer ou consumir de algum fornecedor local. A ideia é reduzir componentes químicos escorrendo pelos ralos e gerar menos lixo por conta das embalagens.
Ainda sobre substituições e redução de plástico, está na hora de aposentar de vez o hábito de usar plástico filme. A solução é guardar os alimentos em potes com tampas ou então apostar nos Ecowraps, um tecido com revestimento especial para embrulhar alimentos.
E lembre-se do poder de uma Ecobag. Você pode fazer sua compra no mercado sem utilizar sacolas plásticas. Com sacolas de tecido e saquinhos reutilizáveis para hortifruti e compra de alimentos a granel você também reduz as embalagens, gerando menos lixo. Além disso, é mais seguro ir ao mercado assim em tempos de pandemia. O vírus pode ficar até três dias em superfícies plásticas. A sua Ecobag você pode lavar assim que chegar em casa, eliminando qualquer possibilidade de sobrevivência do vírus no seu lar.
E se você quer levar a sustentabilidade para outros ambientes da casa, você pode dar uma chance para a escova de dente feita de bambu. Isso reduz o descarte do modelo de plástico, que leva 600 anos para se decompor no meio ambiente. Ou seja, a primeira escova de dente da sua avó ainda existe em algum lugar do planeta.
A ideia é a mesma na escolha do produto para varrer a casa. Pode substituir a vassoura tradicional pelo modelo de madeira e palha.
DICAS IMPRESCINDÍVEIS para reduzir o lixo e o impacto ambiental em casa.
Por fim, recicle!!!
Separar o lixo corretamente e reutilizar materiais é uma das formas principais de contribuir com a saúde do planeta. (ecodebate)

Descarte de resíduos e proteção dos oceanos em tempos de pandemia

Descarte de resíduos e proteção dos oceanos em tempos de pandemia COVID-19.
Oceanos em 2050 vão ter mais plástico do que peixes, alerta Fórum de Davos.
A pandemia de coronavírus (COVID-19), anunciada em março deste ano pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ficará marcada por consequências ainda difíceis de mensurar. Inclusive para a saúde dos oceanos. O cenário é de incertezas e o afastamento social recomendado pelas autoridades sanitárias tem se transformado em um período de reflexão e mudança de hábito para a população.
Um dos principais problemas que já existia mesmo antes desta crise mundial, mas que pode ser agravado, diz respeito à poluição marinha, especialmente pelo descarte inadequado do lixo. “A partir do momento em que descartamos os resíduos, eles iniciam um percurso de destino incerto”, afirma a engenheira Sílvia Astolpho, mestre em saúde pública e especialista em gestão ambiental.
Esse percurso pode ser feito inclusive por resíduos descartados em cidades bem distantes do mar. “Plásticos não coletados e tratados de forma inadequada são carregados pelas águas das chuvas e pela ação do vento aos canais de drenagem de uma bacia, que capta essas águas conduzindo-as ao mar”, exemplifica Sílvia.
Cerca de 80% dos resíduos encontrados nos oceanos têm origem nas cidades.
As consequências são inúmeras tanto nos aspectos sanitários quanto ambientais de uma maneira geral. Os impactos desses resíduos na contaminação e redução de recursos naturais causam prejuízos imensuráveis. “Se a própria atividade humana estiver restringindo a capacidade de renovação desses recursos, o que suportará nossa existência?”, questiona a pesquisadora.
O aumento de resíduos plásticos no mar, de todos os tipos e tamanhos, por exemplo, prejudica diretamente as espécies. Elas interagem com o plástico basicamente de duas formas: a ingestão dos resíduos e o “emaranhamento”. A ingestão de plástico, ou microplástico, já é observada em todos os níveis da cadeia alimentar, desde o zooplâncton até animais maiores, inclusive os peixes que consumimos.
O impacto ambiental do descarte inadequado de plástico afeta ainda o contexto atual que vivemos: o novo coronavírus – causador da COVID-19 -permanece vivo por até três dias no plástico, conforme informa Sílvia Astolpho. Impedir que esse material se torne um vetor de contaminação é fundamental para combater a pandemia. E essa interrupção, defende Sílvia Astolpho, deve ser sustentável do ponto de vista ambiental. “A interrupção de um ciclo desencadeia novas medidas de controle que repercutirão por outros ciclos em propagação”.
Poluição marinha continua
A poluição marinha por plásticos continua, mesmo com a pandemia de coronavírus, porque o uso de descartáveis aumentou. Dentre os hábitos que mudaram com a pandemia, está o aumento nos pedidos de deliveries – e com isso, mais circulação de embalagens de isopor, por exemplo, que é um material sem circularidade e sem mercado de reciclagem.
Portanto, o plástico segue sendo um problema, e as empresas continuam sem oferecer embalagens alternativas, ou com materiais alternativos aos consumidores.
Os mesmos cuidados podem ser tomados no ambiente doméstico. “Lidar com a realidade trazida pelo vírus significa regrar-se diante da adoção de um ‘protocolo domiciliar’ de higiene, atuando na prevenção do contágio, que poderá valer tanto para o COVID-19 quanto para tantas outras infecções”, afirma Sílvia Astolpho.
A pesquisadora alerta que as condutas adotadas dentro de casa também devem praticar a sustentabilidade ambiental, sob a pena de repassar condições adversas a outras cadeias e onerar o meio ambiente, restringindo seus serviços. “O ato de ficar em casa, em isolamento social, tem permitido reorientar e reafirmar hábitos de asseio e higiene, regular ou desregular a alimentação, dentre tantas outras coisas, permitindo uma análise bastante crítica de nossas escolhas do cotidiano”, diz a pesquisadora.
Apesar das mudanças nos sistemas de coleta de lixo anunciadas em várias cidades para reduzir a exposição dos trabalhadores como forma de combater o COVID-19, ainda existem muitos funcionários de empresas de limpeza e catadores sendo expostos à contaminação por meio do lixo.
Medidas de isolamento aumentam a quantidade de lixo doméstico e hospitalar.
“É preciso que governos e indústrias adotem medidas para reduzir o volume de lixo descartado, principalmente de materiais que podem levar a contaminação. Isso protegerá tanto a sociedade do coronavírus quanto os oceanos da poluição que impacta os ecossistemas marinhos”, afirma Lara Iwanicki, engenheira ambiental e cientista marinha da Oceana no Brasil. (ecodebate)

Taxa desmatamento por corte raso nos 9 estados amazônico em 2019

A taxa consolidada de desmatamento por corte raso para os nove estados da Amazônia Legal em 2019 é de 10.129 km2
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulga a taxa consolidada de desmatamento para os nove estados da Amazônia Legal Brasileira (ALB). Essa taxa é baseada nos dados gerados pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (PRODES). O mapeamento utilizou imagens do satélite Landsat ou similares, para registrar e quantificar as áreas desmatadas maiores que 6,25 hectares. O PRODES considera como desmatamento a remoção completa da cobertura florestal primária por corte raso, independentemente da futura utilização destas áreas.
A taxa foi calculada a partir da análise das 229 imagens que compõem a ALB e o valor estimado foi de 10.129 km2 de corte raso no período de agosto de 2018 a julho de 2019.
A Tabela 1 apresenta a distribuição da taxa de desmatamento para o ano de 2019 nos estados da ALB. Os estados do Pará, Mato Grosso, Amazonas e Rondônia correspondem a 84,56% de todo desmatamento observado na ALB. Isso fica espacialmente explícito na Figura 1, que apresenta o mapa de calor para ocorrências de desmatamento.
Figura 1 – Mapa de calor das ocorrências de desmatamento identificadas no PRODES 2019, nas 229 cenas que compõem a Amazônia Legal Brasileira.
A Tabela 2 apresenta as variações da taxa para cada estado entre os anos de 2018 e 2019. A análise desta tabela mostra um crescimento do desmatamento nos estados com maior contribuição. Com exceção do estado de Rondônia, que tem uma expressiva taxa de desmatamento e mostrou uma pequena diminuição no desmatamento entre 2018 e 2019.
A taxa consolidada de desmatamento tem um valor 3,76% acima da taxa estimada pelo PRODES em novembro de 2019, que foi de 9.762 km². A variação entre valores estimado e consolidado por estado da ALB é apresentada na Tabela 3. A estimativa da taxa, nessa época, usou um subconjunto de 99 cenas prioritárias do sensor OLI/Landsat-8 do total de 229 que recobrem a Amazônia Legal. As 99 cenas selecionadas como prioritárias atenderam a três critérios:
1) cobrir a região onde foram registrados pelo menos 90% do desmatamento no período anterior do PRODES (agosto/2017 a julho/2018);
2) cobrir regiões onde foram registrados pelo menos 90% dos avisos de desmatamento do DETER 2018/2019;
3) cobrir os 39 municípios prioritários para fiscalização referidos no Decreto Federal 6.321/2007 e atualizado em 2018 pela Portaria No. 428 do Ministério do Meio Ambiente (MMA). As 99 cenas Landsat/OLI usadas para estimar a taxa de desmatamento do PRODES 2019 cobriram 95,5% das áreas desmatadas no PRODES 2018.
As Figuras 2 e 3 mostram respectivamente a série histórica do PRODES para a Amazônia Legal em km2, considerando em 2019 o valor consolidado apresentado nessa nota, e a variação percentual de um ano para o outro, em toda a série de taxas do PRODES. A Figura 4 apresenta as taxas consolidadas anuais por estado da Amazônia Legal Brasileira.
Figura 2 – Taxas consolidadas anuais de desmatamento do PRODES (em km2) desde 1988 na Amazônia Legal Brasileira.
Figura 3 – Variação relativa anual das taxas consolidadas do PRODES na Amazônia Legal.
Figura 4 – Taxas consolidadas de desmatamento anual por estado da Amazônia Legal Brasileira na série histórica do PRODES (em km²).
Por meio do PRODES, o INPE realiza o mapeamento sistemático da Amazônia Legal e produz, desde 1988, as taxas anuais de desmatamento na região. Essa série histórica é usada pelo governo brasileiro para avaliação e estabelecimento de políticas públicas relativas ao controle do desmatamento e ações voltadas a temática de REDD+.
Além do uso governamental, os dados do PRODES embasam iniciativas bem-sucedidas no setor privado que conjugam produção e sustentabilidade, como a Moratória da Soja e o Termo de Ajuste de Conduta (TAC) da cadeia produtiva de carne bovina, entre outras. A série histórica do PRODES é ainda usada em milhares de trabalhos científicos, o que denota a sua importância na área ambiental para toda a sociedade brasileira. (ecodebate)

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Pesquisadores alertam para explosão de desmatamento em 2020

Desmatamento consumiu 12 mil km2 de vegetação nativa do Brasil em 2019, num ritmo devastador de quase 1,5 km2 por hora. E o cenário para este ano é ainda mais preocupante, segundo especialistas.
A conclusão inicial vem de um relatório do Projeto MapBiomas, que revisou e consolidou todos os alertas de desmatamento registrados via satélite no País em 2019, em todos os seis grandes biomas nacionais — Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Pampa. Já as previsões para 2020 são baseadas em dados correntes de monitoramento por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e de outras instituições, acoplados a um cenário de forte turbulência econômica, política e social.
O desmatamento acumulado nos últimos 10 meses (de agosto de 2019 a maio deste ano) na Amazônia Legal já é 72% maior do que o registrado no mesmo período anterior, segundo dados do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), do INPE. E o pior é que a alta temporada de devastação está só começando: junho, julho e agosto são tipicamente os meses com maior índice de queimadas e desmates na região, por causa do tempo seco; o que sugere que essa diferença em relação aos anos anteriores só deverá crescer nas próximas semanas.
“Todos os sistemas de alerta apontam para uma tendência de alta”, diz o geógrafo Marcos Reis Rosa, doutorando na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e coordenador técnico do Projeto MapBiomas, realizado por um consórcio de instituições de pesquisa públicas e privadas, incluindo universidades, empresas e organizações não-governamentais.
“São números que assustam, porque nem incluem o período de seca, ainda”, diz o pesquisador Ricardo Galvão, professor titular do Instituto de Física da USP e ex-diretor do INPE (exonerado no ano passado após um embate público com o presidente Jair Bolsonaro, justamente sobre os dados do desmatamento). “Se não houver uma ação contundente do governo, o cenário adiante é bastante preocupante.”
“Se continuarmos com as taxas observadas espera-se que o desmatamento em 2020 supere o observado em 2019; contudo, a efetiva implementação da GLO pode conter esse avanço nos próximos meses”, diz o pesquisador Luiz Aragão, chefe da Divisão de Sensoriamento Remoto do INPE. A sigla GLO refere-se às missões de Garantia da Lei e da Ordem pelas Forças Armadas, que foi a estratégia usada pelo governo no ano passado para conter os avanços das queimadas na região.
Uma nota técnica preparada por ele e outros dois pesquisadores ligado ao INPE e ao Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) alerta ainda para o risco de um agravante climático: “O Oceano Atlântico apresenta um aumento de temperatura acima de toda a média histórica nos primeiros meses de 2020. Este fato preocupa, pois, esta característica tende a causar secas na região sudoeste da Amazônia, principalmente no estado do Acre e regiões adjacentes”.
O que, por sua vez, representa uma ameaça à saúde pública: “A expectativa, seguindo o padrão de longo-prazo, é de que caso não haja uma intervenção incisiva do Estado para coibir os atos ilegais, essas queimadas induzirão o aumento do material particulado emitido para a atmosfera, degradando a qualidade do ar e, consequentemente, aumentando a incidência de doenças respiratórias na população Amazônica. A preocupação conecta-se com a possibilidade de sobreposição entre as queimadas e a pandemia de COVID-19, pois haverá uma maior demanda por tratamento em unidades de saúde, podendo acarretar um colapso destes sistemas nos estados amazônicos, que já operam no limite”, alerta a nota.
“Os três primeiros meses deste ano tiveram um aumento expressivo do desmatamento em relação ao ano anterior. É preciso agir rápido. Caso contrário, a situação de grandes queimadas, com enorme produção de fumaça, poderá impor sérios danos à biodiversidade da região, ao clima e, em especial, à saúde da população local, já grandemente afetada pela pandemia do novo coronavírus”, alerta, também, uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).
Polícia espacial
As taxas oficiais de desmatamento na Amazônia são calculadas de 1 de agosto a 31 de julho do ano seguinte, por um sistema de alta resolução chamado Prodes. Já o Deter é um sistema que utiliza imagens de satélite para detectar desmatamentos e emitir alertas para as autoridades de fiscalização ambiental. Sua resolução espacial é baixa — só consegue detectar clareiras maiores do que 6 hectares —, mas serve como um “termômetro” do que está acontecendo na floresta. No ano passado (agosto de 2018 a julho de 2019), o Deter registrou alta de 50% no desmatamento; e a variação final — calculada posteriormente pelo Prodes — ficou em 30%. Os dados de ambos os sistemas estão disponíveis publicamente na plataforma digital TerraBrasilis.
O que o projeto MapBiomas fez agora, pela primeira vez, foi juntar todos os alertas do Deter e de outros sistemas de monitoramento por satélite (SAD, do Imazon, e GLAD, da Universidade de Maryland) num único Relatório Anual de Desmatamento, para dar um panorama completo de tudo que aconteceu no ano de 2019, em todos os biomas brasileiros. A ideia é que isso se torne um relatório anual, com dados atualizados mensalmente numa plataforma digital, chamada MapBiomas Alerta, que já está operacional.
“O objetivo é justamente inverter essa tendência de aumento do desmatamento, aumentando a responsabilização dos infratores e garantindo que todos os processos tenham andamento”, afirma Rosa.
Mais de 99% dos quase 57 mil alertas analisados pelo projeto tem alguma irregularidade associada; ou porque o desmatamento foi feito sem autorização legal ou porque avançou sobre alguma área proibida, como unidades de conservação, terras indígenas ou áreas de preservação permanente (APPs). Mesmo com todo esse aparato de policiamento via satélite, porém, ainda são poucos os alertas que resultam em alguma punição legal para os infratores, por causa das várias dificuldades logísticas e jurídicas de se processar crimes ambientais no Brasil. Apenas uma porção ínfima das multas aplicadas são efetivamente pagas, gerando uma sensação de impunidade que serve como combustível para a continuidade do desmatamento, aponta Rosa.
“Apesar de o monitoramento já existir há um bom tempo, ainda são limitadas as ações levadas a cabo, tanto com dados anuais como mensais, seja para prevenir, controlar ou penalizar o desmatamento ilegal em todos os biomas brasileiros”, diz o relatório. “Segundo dados do IBAMA de 2018, estima-se que menos de 1% das áreas desmatadas na Amazônia entre 2005 e 2018 foram repreendidas por multas, ações civis públicas e embargos”.
Como o MapBiomas Alerta pode ajudar a reverter esse quadro? Todos os alertas incluídos na plataforma foram confirmados, qualificados e refinados por meio da comparação com imagens de satélite de altíssima resolução (da empresa Planet) — que não deixam dúvidas sobre a ocorrência do desmatamento — e do cruzamento dessas imagens com diversas plataformas de dados oficiais, que permitem dizer se o desmatamento ocorreu em áreas públicas ou privadas, com ou seu autorização legal, e se ele se sobrepõe a alguma unidade de conservação ou outras áreas de proteção ambiental.
Para cada um desses alertas, portanto, é possível baixar um laudo técnico, com imagens em alta resolução do “antes e depois” do desmatamento, e uma série de outras informações georreferenciadas sobre a área impactada. A ideia é facilitar o trabalho das autoridades e “acabar com a impunidade do desmatamento”, afirma Rosa. Órgãos judiciais e de fiscalização têm, inclusive, a opção de imprimir os laudos já com o logotipo oficial da entidade no topo.
“Temos laudos prontos para 57 mil alertas”, diz o pesquisador. “A missão agora é garantir que eles sejam usados.” O detalhamento do laudo é tão preciso, segundo ele, que seria possível abrir processos remotamente e enviar autuações pelo correio, sem nem precisar visitar o local. Funcionaria como uma multa de trânsito por radar, que chega para o proprietário do veículo via correio, já com foto, data, local e detalhamento da infração cometida. “Se a pessoa quiser recorrer, pode recorrer; mas vai ter que recorrer contra uma imagem de alta resolução”, diz Rosa.
Cerrado
A situação no Cerrado também é preocupante. O número de alertas de desmatamento registrados no bioma em 2019 foi de 7 mil, comparado a 47 mil alertas na vizinha Amazônia, segundo o MapBiomas. Ainda assim, a área total desmatada foi de 4 mil km2, mais da metade do que foi desmatado na Amazônia (7,7 mil km2); o que significa que o tamanho médio dos desmatamentos no Cerrado foi bem maior do que no bioma vizinho — 55 hectares versus 16 hectares, segundo o estudo.
O Cerrado tem várias vantagens com relação a Amazônia, que deveriam, em tese, favorecer o controle e a legalidade do desmatamento no bioma: a situação fundiária é bem resolvida (porque grande parte das terras está na mão de proprietários rurais, com titulação definida) e o Código Florestal permite que até 80% da área dessas propriedades seja desmatada legalmente, comparado a 20% na Amazônia. Ainda assim, a maior parte dos desmatamentos no bioma tem sinais de ilegalidade; ou por falta de autorização ou por sobreposição com áreas de preservação, segundo o MapBiomas.
O fato do desmatamento permanecer na ilegalidade, mesmo quando há plenas condições para que ele seja feito de forma legal, “mostra claramente o fracasso da capacidade de gestão e a falta de vontade política para fazer esse sistema funcionar”, diz a pesquisadora Mercedes Bustamante, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília, especialista em Cerrado. “Era para ser a prova de conceito de que a regularização fundiária é suficiente para controlar o desmatamento ilegal, mas essa prova não está funcionando”, completa ela.
Os números do Deter indicam que o desmatamento no Cerrado este ano, por enquanto, está menor do que no ano anterior; mas isso não significa que a pressão sobre o bioma esteja arrefecendo. Segundo Mercedes, é comum proprietários desmatarem grandes áreas num mesmo ano, quando as condições são propícias (como foram no ano passado), e irem ocupando essas áreas gradativamente ao longo dos anos seguintes, conforme a necessidade. Historicamente, cerca de metade da cobertura vegetal original do Cerrado já foi desmatada, e a metade que resta está bastante fragmentada, comprometendo a conservação da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos do bioma presta para a sociedade, alerta a pesquisadora.
Mata Atlântica
Na Mata Atlântica, o último Atlas produzido pela Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com o INPE, registrou um aumento de 27% no desmatamento do bioma no ano passado, após dois anos consecutivos de queda. Foram 145 km2 de floresta derrubada entre outubro de 2018 e setembro de 2019; uma área irrisória se comparada à do desmatamento na Amazônia ou no Cerrado, mas muito relevante para um bioma que já perdeu quase 90% de sua cobertura vegetal original.
“É uma ordem de grandeza que assusta”, diz o pesquisador Jean Paul Metzger, professor titular de ecologia no Instituto de Biociências da USP. “Minha expectativa para os próximos anos é bastante negativa; não vejo perspectiva de melhora em curto prazo”, completa ele, referindo-se aos rumos da política ambiental no país.
Na Mata Atlântica, assim como no Pampa e no Pantanal, o número de queimadas observado nos primeiros cinco meses deste ano já está bem acima do registrado no mesmo período de 2019, segundo o programa de monitoramento de queimadas do INPE.
O bioma é protegido desde 2006 pela chamada Lei da Mata Atlântica, que restringe a abertura de novas áreas e exige a recomposição das matas que foram derrubadas de 1993 até agora. O discurso político do governo Bolsonaro, porém, vai no sentido oposto do espírito da lei, segundo pesquisadores e ambientalistas.
Um despacho do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, publicado no início de abril, praticamente anistiava desmatamentos realizados em áreas de preservação ambiental dentro do bioma até 2008, determinando que as regras do Código Florestal (de 2012) deveriam se sobrepor às da Lei da Mata Atlântica. O Ministério Público Federal, em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica e a Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público do Meio Ambiente (Abrampa), entrou com uma ação civil pública contra o despacho, que acabou sendo revogado pelo ministro no início deste mês.
Pantanal, Caatinga e Pampa: os biomas ignorados pelos candidatos à presidência em 2018.
Os alertas usados pelo MapBiomas para a Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Pampa são provenientes do sistema GLAD (Global Land Analysis and Discovery), da University de Maryland, nos Estados Unidos. Trata-se de um sistema de monitoramento global, sem adaptações específicas para a detecção de desmatamentos nesses biomas (que possuem, cada um deles, características distintas de cobertura vegetal), além de não fornecer uma varredura constante dessas áreas. Por isso, diz o relatório, “o número de alertas e as áreas identificados pelo MapBiomas Alerta constituem um valor conservador que ainda subestima a área total desmatada” nesses biomas. (ecodebate)

Poluição do ar em São Paulo diminui 50% em virtude da quarentena

Material particulado lançado ao ar é um poluente crítico e imperceptível ao olho nu
O isolamento social para controlar o avanço do novo coronavírus vem ajudando a reduzir a emissão de poluentes como CO e NOx nas grandes cidades, segundo dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). A mudança na rotina dos paulistas reduziu a quantidade de veículos circulando na cidade e, consequentemente, a diminuição do monóxido de carbono, indicador da emissão de poluentes em grandes centros urbanos. Estudo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), aponta queda no número de veículos nas ruas como maior responsável pela redução de poluentes durante o período de quarentena.
Na opinião do doutor em Geociências e professor no Mestrado em Análise Geoambiental da Universidade UNG, Fabrício Bau Dalmas, esta hipótese é muito plausível tanto pelos dados coletados durante este período de quarentena quanto por estudos anteriores, relacionados à influência dos veículos automotores na poluição do ar de grandes cidades. “Utilizando-se de números do atual período de quarenta na cidade de São Paulo, verifica-se que, na média, a taxa de isolamento social dos munícipes está em 50%. Logo, para quem mora na cidade, é bastante visível que esse isolamento influenciou no menor trânsito de veículos e essa diminuição da frota transitando pela cidade ocasionou uma melhoria na qualidade do ar”, explica.
Teatro Municipal de São Paulo.
Já o estudo elaborado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) “Inventário de emissões atmosféricas do transporte rodoviário de passageiros no município de São Paulo”, revela que os automóveis são responsáveis por 72,6% das emissões de gases, tais como CO, CO2, SO2 e O3. Outro dado interessante apontado por este estudo é de que os automóveis (transporte individual) poluem muito mais que os ônibus, um transporte coletivo. Os automóveis são responsáveis por 71% das emissões do poluente na cidade, contra 25% dos ônibus e 4% das motocicletas, levando-se em conta o material particulado lançado por pessoa transportada.
“O material particulado lançado ao ar em virtude da queima de combustível dos veículos automotores é um poluente crítico e imperceptível ao olho nu. Este poluente afeta o pulmão e pode causar asmas, bronquite, alergias, além de outras graves doenças cardiorrespiratórias, podendo ocasionar óbitos”, destaca o professor.
Outra pesquisa publicada pela Revista Brasileira de Epidemiologia, de título “Poluição veicular e saúde da população: uma revisão sobre o município de São Paulo”, apresentou um aumento de 3% a 4% da taxa de mortalidade diária por doenças cardiovasculares, associadas ao aumento de material particulado no ar, principalmente de SO2. Para doenças respiratórias, o aumento na mortalidade diária foi de 6%. Em relação aos grupos vulneráveis, foi constatado que pode chegar a um aumento 14,2% na chance de morte de idosos por problemas respiratórios, associados ao aumento de material particulado no ar. As famílias mais afetadas possuem piores condições socioeconômicas.
No caso de crianças, a pesquisa relatou uma associação entre a mortalidade das crianças menores de 5 anos e os poluentes CO e SO2, com a proporção de mortes atribuídas a estes poluentes de 15% e 13%, respectivamente.
“Tratando-se de saúde pública, uma redução na concentração de poluentes atmosféricos estaria diretamente ligada a um menor número de pessoas com doenças respiratórias, o que desencadearia em um menor número de pessoas em postos de saúde e hospitais e, até um menor número de óbitos relacionados a estas doenças. A redução na concentração destes poluentes poderia ser iniciada com uma drástica alteração no modal de transporte das grandes cidades, onde deveria focar mais em transportes coletivos e elétricos”, sugere Fabrício.
Assista ao vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=5CLbFegoWiA (ecodebate)