segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sul da Ásia é a região mais vulnerável

Estudo revela que o sul da Ásia é uma das regiões do mundo mais vulneráveis às mudanças climáticas.
O sul da Ásia é a região do mundo mais vulnerável às mudanças no clima, com sua crescente população superexposta a inundações, secas, tempestades e elevação do nível do mar, segundo uma consulta feita com 170 países, publicada em outubro/2010.
Dos 16 países listados como em risco “extremo” devido às mudanças climáticas nos próximos 30 anos, cinco são do sul da Ásia, com Bangladesh e Índia no primeiro e segundo lugares, Nepal em quarto, Afeganistão em oitavo e Paquistão em 16º. O Brasil (81º), a China (49º) e o Japão (86º) estão na categoria de “alto risco”.
O Índice de Vulnerabilidade pelas Mudanças Climáticas [Maplecroft Climate Change Risk Atlas 2010], compilado pela britânica Maplecroft, uma empresa global de aconselhamento de riscos, pretende ser um guia para o investimento estratégico e a adoção de políticas.
O barômetro é baseado em 42 fatores sociais, econômicos e ambientais, inclusive a capacidade de resposta do governo, de forma a avaliar o risco para a população, os ecossistemas e os negócios em função das mudanças climáticas.
O Sul da Ásia é especialmente vulnerável por causa de mudanças em padrões climáticos que resultam em desastres naturais, inundações no Paquistão e Bangladesh, este ano, e afetou mais de 20 milhões de pessoas, disse Maplecroft.
“Há evidências crescentes de que as mudanças climáticas aumentam a intensidade e a frequência de eventos climáticos”, disse a analista ambiental da empresa, Anna Moss.
“Mudanças muito pequenas de temperatura podem ter impactos maiores no ambiente humano, incluindo mudanças na disponibilidade hídrica e na produtividade agrícola, a perda de terra por causa da elevação do nível do mar, bem como a disseminação de doenças”, acrescentou.
Bangladesh aparece na primeira posição devido a uma dupla má sorte. O país tem o mais alto risco de seca e o maior risco de fome. Também luta contra a pobreza extrema, a alta dependência na agricultura – o setor econômico mais afetado pela mudança climática – e um governo que é o menos capaz de responder aos impactos climáticos.
Quanto à Índia, “quase todo (o país) tem um alto nível ou nível extremo de sensibilidade às mudanças climáticas, devido à severa pressão populacional e ao consequente abuso de recursos naturais”, reforçou a Maplecroft.
“A isto se soma um alto nível de pobreza, baixa qualidade da saúde em geral e dependência agrícola de grande parte da população”, acrescentou.
Entre os países da categoria de “médio risco” estão a Rússia (117º), os Estados Unidos (129º), a Alemanha (131º), a França (133º) e a Grã-Bretanha (138º).
A Noruega lidera o pequeno grupo de 11 países considerados em baixo risco, dominado pelos escandinavos e pelos holandeses, que têm trabalhado para defender seu território, abaixo do nível do mar, da elevação das águas dos mares.
A Maplecroft já tinha publicado em 2009 um índice de vulnerabilidade às mudanças climáticas, situando 28 países entre aqueles que correm “risco extremo”, liderado por Somália, Haiti, Serra Leoa e Burundi.
No entanto, os índices de 2009 e 2010 não são comparáveis, afirmou Fiona Place, da Maplecroft.
O novo índice, amplamente reconfigurado, usou três “subíndices” que se focam especialmente na habilidade de um país em responder ao estresse climático.
“As vulnerabilidades mais sérias à mudança climática foram encontradas no grupo de países em desenvolvimento com sistemas socioeconômicos mal equipados para responder a desafios como a segurança alimentar e hídrica, além de sofrerem com economias instáveis e instituições fracas”, ressaltou Place em um e-mail enviado à AFP.
“Este é o caso de um grande número de países, estando o sul da Ásia e a África no centro das preocupações”, concluiu. (EcoDebate)

Mais inundações e secas no Sul

Mudanças climáticas intrigam cientistas e provocam estragos na Bacia do Rio da Prata
Mudanças Climáticas: Mais inundações e secas no Sul.
Uma região rica, populosa e ameaçada. Assim é a bacia hidrográfica do Rio da Prata, a quinta maior do mundo, cercada por Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia, berço de 70% do PIB desses países e habitada por mais de 100 milhões de pessoas. Nem o gigantismo de seus números a protegeu das mudanças climáticas, cujos principais efeitos são sentidos no Sul do país.
A precipitação diária aumentou 33% em meio século, segundo centros de pesquisa europeus e sul-americanos. Com as tempestades vieram inundações, solos erodidos e inúteis para a agricultura.
As chuvas, porém, estão mal distribuídas, o que fez a estiagem também aumentar. A seca observada em algumas regiões argentinas no ano passado foi a pior em décadas. Reportagem de Renato Grandelle, em O Globo.
Os prejuízos também atingiram plantações no Brasil, obrigando os produtores a pensar em novas formas de cultivo.
É para desenvolver novas estratégias de adaptação que 170 pesquisadores de 20 países estão reunidos desde segunda-feira em Florianópolis.
Patrocinada pela Comissão Europeia, a Rede para Avaliação da Mudança Climática e Estudos de Impacto na Bacia do Prata pretende propor, nos próximos dois anos, uma série de medidas que amenizariam o impacto das inundações e secas sobre as atividades econômicas da região.
- Precisamos avaliar as vulnerabilidades locais frente às ameaças climáticas – explica Sandro Schlindwein, pesquisador do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina. – Registramos muitas geadas e vendavais fora de época, mas o maior problema são as estiagens, principalmente no verão. É quando normalmente ocorrem as fases de enchimento de grão e a floração, os momentos em que o clima desfavorável mais seria capaz de provocar prejuízos.
A seca também é preocupante no inverno. Nesta estação, o índice diário de chuvas caiu 60% desde 1950 no Rio Paraná, o principal da Bacia do Rio da Prata.
Enquanto os pesquisadores traçam uma estratégia e procuram parceiros no campo, os pequenos agricultores improvisam. O aumento da seca fez produtores do oeste de Santa Catarina desenvolverem variedades do milho mais resistentes à estiagem.
- Eles preferiram mudar o produto a dependerem cada vez mais da indústria de melhoramento do milho – avalia Schlindwein.
O aumento das chuvas e secas na região seria consequência de um processo natural, ainda não decifrado pela ciência. Mas há consenso entre os especialistas que, em no máximo 30 anos, as mudanças climáticas observadas hoje podem se acirrar por efeito do aquecimento global.
- Nos anos 60 e 70, houve um grande desmatamento no Paraná, o que alterou o uso do solo e aumentou as precipitações – lembra Carlos Tucci, consultor de recursos hídricos e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. – Mas este processo teve uma influência limitada a algumas regiões. Há variações naturais no clima de uma década para a outra que a ciência ainda não sabe desvendar com precisão.
O climatologista José Marengo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, também é cauteloso ao comentar o papel do aquecimento global na Bacia do Rio da Prata.
- Por enquanto, vemos um fenômeno natural. Mas, até 2040, a emissão de gases-estufa pode tornar ainda mais comum esses eventos extremos. Aí poderemos atribuir com segurança a responsabilidade ao homem.
De acordo com as principais projeções climáticas, o aquecimento global poderia acelerar um dos mais importantes ciclos hidrológicos da América do Sul: a formação de precipitações na Amazônia, com a passagem da água pela planície do Pantanal e sua chegada à Bacia do Rio da Prata. As eventuais mudanças no escoamento dos rios locais provocariam revezes à biodiversidade desses ecossistemas.
O aumento do escoamento também provoca erosão do solo, reduzindo a área disponível para a agricultura. Os rios mudam de leitos, o que leva a alterações também nas matas ciliares, responsáveis por delimitá-los. E, como o material do fundo dos rios pode ser suspenso, a qualidade da água também fica comprometida. (EcoDebate)

Pantanal ameaçado pelas mudanças climáticas

Além do clima extremamente seco nesta época do ano, a baixa produção da pecuária contribui para a maior intensidade de focos de queimada no Pantanal, menciona Paulo Teixeira à IHU On-Line. Ele explica que com a perda da competitividade econômica do gado pantaneiro e, progressivamente, a redução desses animais no ecossistema, a biomassa cresceu na região. “Esses animais pisam na grama e a presença deles, na época das secas, acabava tendo um impacto positivo no sentido de evitar as queimadas porque a biomassa estava menor. Temos hoje um volume muito maior de biomassa, grama e outros resíduos que o gado come e, nessa época, isso seca e pega fogo”.
Na entrevista que segue, concedida, por e-mail, Teixeira aponta as mudanças climáticas como uma ameaça ao Pantanal e outras áreas úmidas. “De acordo com o pior cenário apontado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – IPCC (sigla em inglês), podemos ter uma redução de até 85% das áreas úmidas com a questão das mudanças climáticas. Isso será desastroso, porque estima-se que as áreas úmidas armazenam uma quantidade de carbono duas vezes superiores ao que já tem na atmosfera”. Em contrapartida, áreas úmidas como a pantaneira são fundamentais para mitigar os efeitos das mudanças climáticas na medida em que regulam o ciclo hidrológico e purificam a água.
Paulo Teixeira de Sousa Júnior é graduado em Química pela Universidade de Brasília – UnB. Obteve os títulos de mestre e doutor em Química Orgânica pela Universidade de São Paulo – USP e pela University of East Anglia, na Inglaterra, respectivamente. Atualmente, atua como voluntário no Centro de Pesquisas do Pantanal. É também diretor Pantanal Regional Environmental Programme, um dos 14 centros de pesquisa da United Nations University, e professor da Universidade Federal de Mato Grosso – UFMG.
IHU On-Line – O Mato Grosso registra o pior desastre de sua história em função das queimadas. Quais os motivos das queimadas na região e seus efeitos para o Pantanal?
Paulo Teixeira – Uma das principais razões dessas queimadas é o clima extremamente seco deste ano. No mês de setembro, na região Centro-Oeste, o clima é bastante seco e isso origina as queimadas. Outra razão dessa maior intensidade de focos de queimadas no Pantanal diz respeito à produção de gado. Nos últimos anos, com a perda da competitividade econômica do gado pantaneiro, reduziu-se o número de cabeças de gado na região e isso começou a permitir que a biomassa crescesse: esses animais pisam na grama e a presença deles, na época das secas, acabava tendo um impacto positivo no sentido de evitar as queimadas porque a biomassa estava menor. Temos hoje um volume muito maior de biomassa, grama e outros resíduos que o gado come e, nessa época, isso seca e pega fogo. Esse é um fato que vai contra o senso comum de outras regiões: enquanto em alguns locais do país o gado é o causador do impacto ambiental, no Pantanal, o que está causando impacto ambiental é a saída do gado.
Outra razão que tem influenciado o avanço das queimadas é a retirada da mata do Pantanal para produzir carvão para carvoarias.
IHU On-Line – Quais as consequências caso o fogo se espalhe?
Paulo Teixeira – As consequências são a perda da biodiversidade e prejuízos para a pecuária local, a qual já está abalada.
A questão do fogo no Pantanal não é incomum. Alguns pesquisadores inclusive advogam a questão da queimada controlada no Pantanal. Há uma controvérsia na região a respeito de dever ou não ser permitido fazer queimadas controladas, as quais vêm sendo feitas há alguns anos. Não é a queimada em si que geraria o problema, mas a forma descontrolada e o volume de fogo que está acontecendo neste momento.
IHU On-Line – Qual a necessidade de preservar as áreas úmidas, por exemplo, o Pantanal, como uma resposta para as mudanças climáticas globais? O ecossistema corre algum risco em função das mudanças climáticas e do aquecimento global?
Paulo Teixeira – O Pantanal contribui para melhorar os impactos das mudanças climáticas na medida em que regula o ciclo hidrológico e purifica a água, atuando como se fosse uma esponja: na época das chuvas, ele absorve lentamente a água e, na época das secas, essa água vai sendo lentamente liberada. De acordo com o pior cenário apontado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – IPCC (sigla em inglês), podemos ter uma redução de até 85% das áreas úmidas com a questão das mudanças climáticas. Isso será desastroso, porque estima-se que as áreas úmidas armazenam uma quantidade de carbono duas vezes superiores ao que já tem na atmosfera. Mas isso se aplica mais a outras áreas úmidas do que ao Pantanal, como a tundra, no norte do Canadá e a região do norte da Escócia, que têm áreas úmidas com solos ricos em carbono. O Pantanal não é um bom poço de carbono, ele armazena mais carbono na biomassa e na vegetação existente no ecossistema.
Caso essa previsão do IPCC se confirme, esse carbono será liberado para a atmosfera, alimentando o efeito estufa e gerando um ciclo perverso: mais CO2, agravamento do efeito estufa e redução do nível das áreas úmidas.
IHU On-Line – O impacto das mudanças climáticas é diferente em áreas úmidas e áreas secas?
Paulo Teixeira – O impacto em si não muda; vamos conviver com eventos extremos: chuvas e secas serão mais intensos. As áreas úmidas tendem a mitigar o impacto das mudanças climáticas porque elas contribuem para a estabilização do microclima regional. Se, com as mudanças climáticas, se reduzirem as áreas úmidas, se reduz também a zona tampão. Então, perderemos esse serviço ambiental das áreas úmidas.
IHU On-Line – Qual é a importância de áreas de transição como o Pantanal para o equilíbrio do ecossistema?
Paulo Teixeira – Esse fenômeno, que chamamos de pulsos de inundação, que é exatamente esse movimento de vai e vem das águas, é fundamental para a manutenção do ecossistema na região. Isso porque, na época das cheias, a água carrega nutrientes e se amplia a área de pastagem para os organismos aquáticos e, na época da seca, esses organismos aquáticos se restringem a corpos d’água menores e passamos a ter locais ricos em organismos aquáticos que servem de pastagem para os organismos terrestres. É exatamente esse vai e vem das águas o responsável pela riqueza da biodiversidade de áreas úmidas tropicais com as características do Pantanal.
IHU On-Line – Quais os impactos da alteração ambiental do planalto do Pantanal e como isso se reflete no ecossistema?
Paulo Teixeira – Infelizmente, a maneira como a agricultura vem sendo praticada no planalto, em alguns casos, causa impactos bastante negativos porque ela tende a causar assoreamento dos rios. Há um carreamento muito grande de detritos sólidos por causa da compactação dos solos e do uso intensivo de pesticidas. Por exemplo, no Mato Grosso do Sul temos o rio Taquari, que foi completamente assoreado, já perdeu a calha por conta disso. A agricultura empresarial, da forma como tem sido feita no planalto, em alguns casos, onde a legislação não tem sido seguida, tem sido bastante prejudicial. Temos legislação adequada para que isso não ocorra, mas nem sempre essa legislação é obedecida.
IHU On-Line – Áreas úmidas como a pantaneira têm um papel importante na garantia de água limpa e produção de alimentos?
Paulo Teixeira – Tem. Esse papel que as áreas úmidas têm na produção de alimentos é algo muito antigo. Vemos a própria história do rio Nilo, no Egito; é nada mais do que isso. Na época da cheia, o rio Nilo levava nutrientes para o solo e em toda aquela região em volta deste rio se planta muita coisa até hoje. O mesmo ocorre aqui. Só que a planície pantaneira não é apropriada para a agricultura. Mas temos lá criação de gado, temos uma região que dá muito peixe. Não dá para fazer agricultura em larga escala naquela região, mas ela produz alimentos na medida em que produz gado e peixe.
IHU On-Line – Que fatores estão causando alterações no meio ambiente e na biodiversidade do Pantanal?
Paulo Teixeira – Um pouco tem relação com essa questão da forma com que a agricultura é praticada no planalto. Os principais impactos ambientais que o Pantanal sofre vêm do planalto e não da planície, mas não são os únicos. Existem também impactos ambientais que ocorrem na planície pantaneira. Temos, no Mato Grosso do Sul, um problema de desmatamento da planície para abastecer carvoarias. Lá e também no Mato Grosso, no Pantanal em geral, um problema que tem ocorrido é a perda de competitividade do gado pantaneiro. Se olharmos uns 40 anos atrás, as músicas que falavam em gado sempre o associavam ao Pantanal. Hoje não é mais assim. O gado daqui perdeu a competitividade para o gado de outras regiões e isso está empobrecendo a população local com consequências no meio ambiente. Isso porque esse gado vem sendo criado aqui há mais de 300 anos e o ecossistema de adaptou à presença dele.
Na época da seca, ele come a biomassa e pisa encima do capim, de maneira que onde tem gado, em época de seca, não temos um volume de biomassa muito grande. A retirada do gado está fazendo com que essa biomassa cresça bastante e na época da seca pega fogo e causa impacto em função disso. Ademais, os fazendeiros tradicionais têm um processo que se chama limpeza de campo, que vem sendo feito de maneira sustentável há bastante tempo, porque o gado já está acostumado com o bioma local.
O empobrecimento da região está levando a um barateamento das terras, que vêm sendo vendidas para pessoas de outras regiões que, por desconhecimento, têm causado impactos quando vão fazer a limpeza de campo de maneira inadequada. Podemos colocar as ameaças ao Pantanal em três níveis: da planície (com as fazendas de gado); do planalto (com a agricultura em larga escala que tem causado assoreamento dos rios); e sob o ponto de vista ainda do planalto podemos citar a questão das pequenas hidrelétricas. Tem-se implantado uma série de hidrelétricas e o que as autoridades têm visto é o impacto de cada uma isoladamente.
Com relação ao aspecto global, a principal ameaça que temos hoje no Pantanal ou nas áreas úmidas em geral são as mudanças climáticas. Segundo as previsões mais pessimistas do IPCC, podemos ter uma redução de 85% das áreas úmidas, com todas as consequências nefastas que isso acarreta, de perda dos serviços ecossistêmicos dessas áreas.
IHU On-Line – Alguns especialistas dizem que, nos EUA, a destruição de áreas úmidas ocasionou grandes enchentes. Isso é real? No Brasil, isso pode ocorrer caso não haja uma política de preservação no Pantanal?
Paulo Teixeira – É um risco, porque, se desregulamos o ciclo hidrológico, pode acontecer uma série de consequências, inclusive enchentes.
IHU On-Line – A nova proposta do Código Florestal pode ser boa para o Pantanal?
Paulo Teixeira – Essa nova proposta que está em debate não é boa para ninguém. É boa só para o agronegócio. O lobby da bancada ruralista no Congresso em cima da proposta foi muito forte e há uma rejeição muito grande de vários setores da sociedade a essa proposta. Acreditamos que o bom senso ao final vá prevalecer, porque a pressão social está muito grande. Antes das eleições não deve sair a votação. Mas se passar, essa proposta será preocupante. Mas acredito que não passe. Temos que ser otimistas. (Ecodebate)

sábado, 27 de novembro de 2010

Oceanos subiriam sete metros

Oceanos subiriam sete metros, apenas com derretimento do gelo da Groenlândia
O volume de gelo jogado no mar no ano passado foi de 200 quilômetros cúbicos. Imagens fascinantes e, ao mesmo tempo assustadoras, mostram as geleiras se desmanchando na Groenlândia.
Os repórteres Sônia Bridi e Paulo Zero percorreram 12 países nos quatro cantos da Terra para mostrar, bem de perto, a gravidade dos efeitos do aquecimento global. Primeira etapa dessa viagem: extremo norte do planeta, o lugar que mais sofre os efeitos das mudanças no clima.
Avançamos por um mar de icebergs até subir o fiorde, um canal profundo que avança para dentro da ilha. Quanto mais nos aproximamos da geleira, mais gelo na água. Os blocos batem no barco, mas não ameaçam nossa segurança. As encostas de pedra descobertas contrastam com o branco na água.
Encontramos a geleira de Eki, imensa, imponente, um paredão congelado se erguendo a 100 metros para fora da água. É um gigante que se desmancha diante dos nossos olhos. Estamos na Groenlândia, 400 quilômetros ao norte do Círculo Polar Ártico. A maior ilha do mundo, uma área do tamanho dos estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima juntos, é coberta por um manto de gelo de até três quilômetros e meio de espessura. Reportagem de Sônia Bridi, no Fantástico, 17/10/2010.
Essa é a região do planeta onde as consequência do aquecimento global são mais visíveis e mais perigosas. O derretimento da calota de gelo polar não tem grande impacto no nível dos oceanos, porque é mar congelado que derrete, mas o gelo da Groenlândia está sobre a Terra. Se tudo derretesse, os oceanos subiriam sete metros, só com gelo da Groenlândia.
Não há previsão de que isso aconteça nos próximos séculos. Enquanto no resto do mundo a temperatura média subiu 0,8ºC nos últimos 100 anos, na Groelândia, em alguns pontos, subiu 7ºC. A linha mais clara na rocha é a marca de quanto essa geleira já retrocedeu para dentro do fiorde.
As geleiras se despedaçam sob o sol do verão ártico. Nem o mais pessimista dos cientistas previu o ritmo do derretimento na região. Pedaços de gelo têm o tamanho de um ônibus. Um bloco tem o tamanho de um prédio de 10 andares. Até que a face inteira vem abaixo e afunda no mar. É um espetáculo lindo e assustador. O bloco que caiu tem a altura das torres do Congresso Nacional.
O impacto provocou um pequeno tsunami que espantou as aves e foi perdendo força até chegar ao nosso barco, afastado 400 metros da geleira. Tanto quanto a visão, o barulho de trovão do gelo se quebrando impressiona.
As geleiras parecem estáticas, mas, na verdade, elas são como rios de gelo que correm bem devagar. Durante mais de 100 anos, os cientistas têm acompanhado a velocidade desse deslocamento na Groenlândia. E elas mantiveram, até 1996, o mesmo ritmo. Até que começaram a ganhar velocidade. Em menos de 15 anos já estão correndo quatro vezes mais rápido.
Chegamos à cidade de Ilulissat, no porto que hoje fica sem gelo por um período um mês mais longo do que há dez anos. Continuamos nossa viagem a pé. Percorremos dez quilômetros na tundra, mais verde e florida que costumava ficar.
Chegamos a um fiorde em que não se pode navegar de tão cheio de tão grandes os blocos. As montanhas brancas são icebergs, muito lentamente rumando para o mar. O que se vê é só a ponta. Ao todo, ¾ do gelo do iceberg ficam sob a água. Tudo vem da geleira de Jakobshavn, a que mais produz icebergs na Groenlândia.
A Jakobshavn é conhecida como o Amazonas das geleiras, porque nenhuma outra da Groenlândia despeja tanto gelo no mar quanto ela. Foi dela que, no começo do século passado, se desprendeu um imenso iceberg que ganhou mar aberto e afundou o Titanic.
A face da geleira estava na região há apenas dez anos, mas já retrocedeu 15 quilômetros, ilha adentro. O gelo acumulado ao longo de centenas de milhares de anos derrete em alguns meses, levando com ele a história da atmosfera. As pequenas bolhas, aprisionadas quando a neve caiu, está o registro da concentração de dióxido de carbono em cada época do planeta. Nela, está a prova de que é esse gás, que provoca o efeito estufa, o responsável pelo aquecimento.
O branco que muda com a luz, a espessura, e a forma dessas esculturas que vão se transformando, até que gota a gota passem a ser parte do mar. É uma imagem poética, que pode mudar os destinos de centenas de milhões de pessoas no planeta.
Se continuar neste ritmo, só o gelo da Groenlândia vai ser responsável por um aumento de cinco centímetros no nível dos oceanos, a cada 100 anos, e isso, além do que já estava previsto.
O físico Jay Swally, da Nasa, estuda o gelo da Groenlândia há 30 anos. Ele mostra no mapa feito com sensores de altitude do satélite, como na costa o gelo já ficou de 10 a 20 metros mais fino em apenas dez anos. Mas é nas bordas que o maior desastre acontece: o gelo derrete mais, e as geleiras aceleraram.
O volume de gelo jogado no mar no ano passado foi de 200 quilômetros cúbicos. São 200 cubos de gelo com um quilômetro de altura, um de largura, um de profundidade.
“No ártico o calor é amplificado, particularmente no mar congelado. Isso foi previsto pelos modelos climáticos. E a razão é o efeito albedo”, explica o cientista.
O gelo reflete parte da radiação solar de volta para o espaço. Quando a neve derrete, a água do mar ou as pedras descobertas absorvem calor. Com o gelo derretendo no verão, então, 98% da radiação é absorvida pelo mar, em vez de voltar para o espaço. E isso aquece a água.
O que nos leva de volta à geleira Jacobson, que em dez anos perdeu todo o seu gelo flutuante. No rio de icebergs, o gelo era inteiro, compacto. Ele servia como uma barragem para conter a imensa pressão do gelo acumulado sobre a Terra.
Mas o cientista Mark Sereeze, do Nooa, o órgão do governo americano que estuda atmosfera e oceanos, explica que a água um pouquinho só mais quente foi se infiltrando por baixo do gelo, lubrificando a base da geleira, fazendo com que ela deslize mais rápido para o oceano.
Sem estabilidade, imensos pedaços se quebram e ganham o mar.
Os cientistas, que se surpreenderam com a rapidez das mudanças na Groenlândia, não sabem se o derretimento vai continuar acelerando. “É um caso no qual as mudanças estão acontecendo rápido demais para conseguirmos entendê-las”, admite Mark Sereeze.
Não que os cientistas não tentem. Seguimos o gelo quebrado até pousar em frente à face dessa geleira. Encontramos o cientista suíço Martin Lüthi, que está acampado para observar o desmoronamento da Jakobshavn.
A repórter Sônia Bridi pergunta como ela se comportou este ano. “Este ano foi excepcional. Ela sempre avançava na primavera até aqui e depois recuava. Ela se recompunha um pouco no inverno. Mas, este ano, no inverno, ela parou de avançar e agora tudo está se quebrando. Então, acho que vai piorar muito nos próximos anos”, diz o pesquisador.
A repórter pergunta como é testemunhar isso. “É assustador”, ele responde.
Encontramos a câmera que está dando ao mundo a dimensão da destruição das geleiras.
O fotógrafo James Balog pensou em uma câmera que dispara algumas vezes por dia, para medir o avanço de geleiras pelo mundo. De casa, ele vê o gelo diminuindo nas montanhas do Colorado, nos Estados Unidos, onde vive. Mas nada é tão impactante quanto a geleira de Jakobshavn. Ela tem a largura de seis vezes a ponte Hercílio Luz de Florianópolis.
Com uma força incrível, a geleira vai derrubando sua face, colapso atrás de colapso. Avança 45 metros por dia, em um movimento que não para de se repetir.
No espaço aberto pelo gelo da Jakobshavn em um ano, dá para botar 800 estádios do Maracanã.
“As fotos dão vida à tragédia. Os números das medições de satélite são importantes. Mas nós não vemos o mundo de 600 quilômetros de altura, vemos com nossos olhos, corações e mentes. E quando as fotos dão vida a isso, as pessoas podem entender”, explica James Balog.
Como a imagem acelerada nos mostra que este mundo só dá a impressão de ser parado, domo o sol da meia-noite revela uma névoa, o gelo evaporando e uma escuridão que só se insinua nos dias eternos do verão deixam ver os icebergs se encaminhando para seu fim. A simples transformação da água do estado sólido para o líquido, mudando profundamente este planeta. (EcoDebate)

Aquecimento do Ártico provavelmente é permanente

Aquecimento do Ártico provavelmente é permanente, diz estudo da NOAA
Os sinais da mudança climática estiveram espalhados pelo Ártico neste ano — ar mais quente, menos gelo no mar, geleiras derretendo –, o que provavelmente significa que essa região, crucial para a definição do clima no resto do planeta, não irá voltar ao seu antigo estado mais frio, disseram cientistas na quinta-feira.
No estudo [Arctic Report Card], divulgado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), cientistas norte-americanos, do Canadá, da Rússia, da Dinamarca e de outros países disseram que “um retorno às condições anteriores do Ártico é improvável.” Por Deborah Zabarenko, da Agência Reuters, com informações adicionais do EcoDebate.
As condições do Ártico têm grande influência sobre o clima nas latitudes temperadas do Hemisfério Norte, onde se concentra grande parte da população mundial. Nevascas nos EUA, norte da Europa e oeste da Ásia no inverno passado provavelmente tiveram relação com a maior temperatura atmosférica no Ártico, segundo os cientistas.
“O inverno de 2009-10 mostrou uma nova conectividade entre o frio extremo e a neve em latitudes médias e as mudanças nos padrões de ventos do Ártico”, disse o estudo.
Jackie Richter-Menge, do Laboratório de Pesquisa e Engenharia de Regiões Frias do Exército dos EUA, disse que a temperatura atmosférica na superfície do Ártico está aumentando ao dobro do ritmo do que em latitudes inferiores.
Isso se deve em parte à chamada amplificação polar — o derretimento do gelo e da neve, que são brancos, expõe áreas mais escuras de mar e terra, que absorvem mais calor, num círculo vicioso. A exposição constante à luz solar durante o verão nas altas latitudes também contribui para isso, disse Richter-Menge por telefone.
Normalmente, o ar frio fica “engarrafado” no Ártico durante o inverno, mas no final de 2009 e começo de 2010 ventos fortes empurraram esse frio do norte para o sul, em vez de seguirem o padrão habitual de oeste para leste, disse o oceanógrafo Jim Overland, da NOAA em Seattle.
Overland disse haver uma ligação direta disso com a redução do gelo marinho no Ártico e com o clima em latitudes temperadas, e sugeriu que o fenômeno deve se tornar mais comum nos próximos 50 anos.
Esse padrão ocorreu apenas três vezes nos últimos 160 anos, disse Overland a jornalistas.
“É meio que um paradoxo em que você tem um aquecimento global geral e aquecimento da atmosfera que na verdade criam mais dessas tempestades de inverno”, afirmou. “O aquecimento global não é só aquecimento em todo lugar … ele cria essas complexidades.”
Os pesquisadores disseram que Nuuk, capital da Groenlândia, teve seu ano mais quente em 138 anos de medições, e que quatro grandes geleiras perderam mais de 25 quilômetros quadrados cada uma. (EcoDebate)

Soluções urbanas para amenizar aquecimento global

O mundo tem muitos problemas específicos e uma grande ameaça que é a mudança climática capaz de gerar uma catástrofe de proporções bíblicas, se nada for feito para mudar as tendências do aquecimento global. As diferentes igrejas deveriam se preocupar menos em criminalizar as mulheres que fazem aborto e se preocupar mais com as empresas, governos e pessoas que estão matando a biodiversidade e a vida na Terra.
No último século, a temperatura média do clima da Terra subiu em torno de 1º C (um grau Celsius). Pode parecer pouco, mas este aumento tem sido responsabilizado, em parte, pelo crescente número de desastres, como tempestades, enchentes, incêndios florestais, secas e diversas outras instabilidades climáticas. Os dados do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) mostram que o aumento de um grau Celsius tornou a Terra mais quente do que nos mil anos anteriores. Dos 20 anos mais quentes registrados, 19 ocorreram a partir de 1980. Os três anos mais quentes já observados ocorreram, todos, nos últimos oito anos. O século XXI já está batendo todos os recordes de elevada temperatura e ainda temos mais 90 anos pela frente.
Se o mundo conseguisse estabilizar as emissões de gases de efeito estufa aos níveis alcançados no ano 2000, ainda assim haveria mais um aumento de cerca de 1º C, ao longo das próximas nove décadas. Esse seria o cenário mais otimista. Diversos estudos mostram que para evitar mudanças desastrosas no clima global, a temperatura média do planeta não poderia subir mais do que 2º C. O problema é que, para tanto, seria preciso reduzir as atuais emissões de dióxido de carbono entre 50% e 85% até 2050.
Antes da Revolução Industrial, a concentração de gases de efeito estufa era de 280 partes por milhão (ppm), sendo que as concentrações atmosféricas atuais equivalem a cerca de 425 ppm. As projeções médias, mais recentes, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), por meio do Integrated Global System Model, indicam a probabilidade de se atingir a concentração de dióxido de carbono na ordem de 866 ppm, em 2095. Isto significaria um aquecimento global de 5,1° C, o que teria consequências (perdoem o termo) apocalípticas.
O mundo precisa mudar seus padrões de produção e consumo. É preciso reduzir a pegada ecológica da humanidade, reduzindo os impactos das atividades antropogênicas. Como a maior parte da população mundial está nas cidades e a urbanização vai continuar crescendo nas próximas décadas, a mitigação do aquecimento global necessita uma revolução urbana.
Para viabilizar um cenário de baixa emissão de dióxido de carbono é necessário que as cidades – que devem abrigar 70% da população mundial até o ano de 2050 – sejam as pioneiras no controle das emissões. As cidades podem impulsionar as mudanças imediatas envolvendo questões como transporte público, ordenamento da terra e do uso do solo, construção e adaptação de edifícios inteligentes e sustentáveis, conservação da água, reciclagem e aproveitamento do lixo, etc.
A organização ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade – reune municípios dedicados à sustentabilidade urbana e à redução das emissões de gazes de efeito estufa, visando criar cidades sustentáveis rumo a um futuro de baixo-carbono. Vejamos alguns exemplos de ações implementadas em cidades dos Estados Unidos:
Código residencial de edifícios ecológicos – Santa Fé: O códico residencial de edifícios ecológicos aprovado em 2009 estabelece um padrão de alta eficiência energética para todas as novas construções residenciais, para satisfazer cada vez mais rigorosos parâmetros de performance energética.
Semana de trabalho comprimida – Asheville: Em 2008, a cidade de Asheville decidiu cortar a demanda de energia e os custos de deslocamento para os trabalhadores por meio de uma semana de trabalho comprimida. Em vez de uma programação tradicional, todos os funcionários (com exceção da alta administração) trabalham 10 horas por dia, quatro dias por semana. O uso de energia na cidade foi reduzido em 13% por cento, com uma poupança anual estimada de 249 toneladas métricas de CO2 equivalente por ano.
“Sistema de aquisição compulsória” (Feed-In Tariff) – Gainesville foi o primeiro município dos Estados Unidos a decretar um preço fixo para o serviço público de energia solar. Gainesville vai pagar 32 centavos por quilowatt/hora (kWh) durante 20 anos para a energia gerada por sistemas eléctricos solares instalados em 2009 e 2010.
Promover a bicicleta e as caminhadas a pé – Chicago: A cidade de Chicago elaborou um plano de apoio aos pedestres e às bicicletas, incluindo recomendações para a construção de uma rede de ciclovia de 500 milhas.
Energia do biogás – Columbia: foi a primeira cidade do Missouri a ter um padrão de energia renovável aprovada pelos eleitores, exigindo fontes renováveis para abastecer a cidade. Ao converter gás de aterros sanitários para energia a partir de seus resíduos em decomposição, a cidade pretende gerar 2,1 megawatts de energia renovável, suficiente para abastecer 1.500 casas da cidade.
Tratamento de Águas Residuais – Houston: a cidade testou 20 circuladores flutuantes alimentados por energia solar (SolarBees), concebido para melhorar a qualidade da água potável e reduzir os custos de tratamento, substituindo os métodos intensivos de energia.
Energia solar – Santa Monica: a cidade estabeleceu uma meta de emissão zero até 2020, por meio da construção de uma rede para produzir a eletricidade consumida por meio de energia solar e através de medidas de eficiência energética. Oferece gratuitamente avaliações gratuitas para os proprietários de imóveis residenciais e comerciais e fornecedores pré-qualificados. (EcoDebate)

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Reforma de canavial pode aumentar emissões de CO2

Pesquisa realizada na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, pela engenheira agroecóloga Adriana Silva-Olaya avaliou o efeito do preparo do solo para o cultivo de cana-de-açúcar sobre as emissões de CO2 quando este é realizado na presença ou ausência de palha na superfície do solo, considerando o crescente interesse da utilização da palhada com fins energéticos. “Uma pequena variação no carbono acumulado poderia resultar em mudanças consideráveis na concentração atmosférica de CO2 “, ressalta a pesquisadora.
“Atualmente, 50% da área total de cana-de-açúcar é colhida mecanicamente, prática que além de evitar emissões decorrentes da queima da biomassa vegetal, favorece o incremento no estoque de carbono do solo”, relata a autora do trabalho. O estudo aponta que o cultivo do solo por tecnologia de aração e outros processos de preparo incrementam a mineralização do carbono orgânico do solo (COS) e as emissões de CO2. O acúmulo de COS pode ser diminuído durante a reforma do canavial dependendo do sistema de preparo utilizado.
decomposição da matéria orgânica do solo é aumentada pela perturbação física causada pelo preparo, a qual provoca a quebra dos macroagregados e expõe o carbono protegido no interior deles à atividade microbiana. “Diante dessa situação, esse estudo se propôs quantificar as emissões de CO2 derivadas de três sistemas de preparo do solo utilizados durante a reforma dos canaviais no estado de São Paulo, assim como avaliar a influência da palha nesses processos de emissão”, explica a pesquisadora.
Foram avaliados o preparo convencional, o qual envolveu a realização de gradagens aradoras em combinação com subsolagem; preparo mínimo, que caracterizou-se pela eliminação química da soqueira (raízes que ficam na terra após o corte da cana) seguida de uma subsolagem; e preparo semi-reduzido, no qual a soqueira foi eliminada mecanicamente (destruidor mecânico de soqueira) e realizadas operações de subsolagem no sentido da linha de plantio.
Emissão
A emissão de CO2 foi monitorada utilizando-se uma câmera que coleta e analisa o fluxo de CO2 em tempo real. Essas avaliações foram realizadas um dia antes do preparo do solo e imediatamente após a passagem dos implementos. A pesquisadora destacou que no sistema de preparo convencional a emissão acumulada no tempo de estudo esteve 34% e 39% acima do valor acima do valor encontrado no preparo semi-reduzido e preparo mínimo, respectivamente, resultados esses que indicam o efeito conjunto da palha e do preparo do solo sobre a emissão de CO2.
Segundo Adriana, essas e outras avaliações feitas nos três sistemas de preparo do solo – convencional, mínimo e semi-reduzido – demonstram que é de grande importância a seleção de práticas de manejo sustentáveis que permitam aumentar o sequestro de carbono. Essas ações melhoram a qualidade do solo agrícola e ajudam a minimizar suas emissões de CO2, aumentando consequentemente o benefício ambiental da substituição do combustível fóssil com uso do biocombustível.
No Brasil, 60% da área plantada com cana encontra-se sobre latossolo, mesmo tipo de solo da pesquisa. Cerca de 15 a 20% desses canaviais são renovados anualmente (0,7 a 0,9 milhões de hectares) o que permite que as perdas do carbono no solo sejam promovidas em função do sistema de preparo adotado durante tal reforma. Se aplicado o sistema convencional, será causada uma perda anual aproximada de 660 a 850 mil toneladas de carbono na forma de CO2. Porém, se o preparo do solo for realizado sob as técnicas associadas ao preparo semi-reduzido e preparo mínimo, o valor da perda anual de carbono à atmosfera na forma de CO2 será entre 90-120 mil toneladas no preparo semi-reduzido e 10 mil toneladas no preparo mínimo.
A dissertação de Mestrado Emissões de dióxido de carbono após diferentes sistemas de preparo do solo na cultura da cana-de-açúcar foi realizada pelo programa de pós-graduação em Solos e Nutrição de Plantas, sob orientação do professor Carlos Clemente Cerri, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA) da USP. Adriana graduou-se na na Universidad de la Amazônia (Colômbia). (EcoDebate)

Emissões de gases-estufa caem 19%

Emissões de gases-estufa caem 19% e chegam ao menor nível desde 1995
Ambiente. Estimativa, anunciada ontem pelo Planalto, indica que o País poderá cumprir metas voluntárias para 2020; o maior vilão é o desmatamento, que respondeu por 61% do lançamento de gás carbônico na atmosfera, contribuindo para o aquecimento global.
Estimativa da quantidade de gases causadores de efeito estufa lançados na atmosfera pelo Brasil indica que as emissões de carbono caíram 19% em quatro anos. Além disso, no ano passado foi registrado o menor nível de emissões desses gases desde 1995.
Desmatamento e incêndios florestais respondem por 61% das emissões no Brasil
Anunciada pelo governo a menos de um mês da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, em Cancún, no México, essa estimativa aponta que o Brasil poderá cumprir com alguma folga as metas de redução das emissões.
A projeção, feita pelo ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, e lançada em cerimônia ontem no Palácio do Planalto, é resultado, sobretudo da queda do ritmo de desmatamento na Amazônia.
No ano passado, os satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) detectaram a menor taxa de desmatamento em 20 anos no bioma. Nova redução deverá ser anunciada no mês que vem.
O desmatamento ainda é a principal fonte de emissão de gás carbônico e demais gases de efeito estufa no País. Em 2005, último ano contemplado no segundo inventário nacional das emissões, a participação do desmatamento - não só na Amazônia - foi de 61%.
A agricultura vem logo em seguida no ranking, com 19% das emissões. O setor de energia, que inclui os poluentes lançados por carros, ônibus e caminhões, foi responsável por 15% das emissões. Processos industriais, liderados pela produção de cimento, respondem, no retrato das emissões de 2005, por 3% do total. O tratamento de resíduos, que inclui as emissões de aterros sanitários, é o setor com a menor participação.
Em 2005, segundo o inventário submetido à Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, o País emitiu 2,192 gigatoneladas de gases de efeito estufa em medida equivalente de dióxido de carbono (soma das emissões de todos os gases de efeito estufa convertida em CO2).
Em 2009, com base na estimativa feita por Rezende, as emissões caíram para 1,775 gigatoneladas de carbono equivalente.
Metas. De acordo com as metas anunciadas em novembro do ano passado, pouco antes da conferência de Copenhague, o Brasil se comprometeu a cortar entre 36% e 39% das emissões projetadas para 2020 e calculadas em 2,7 gigatoneladas de carbono equivalente. Ou seja, o País deverá chegar a 2020 com um número próximo do estimado para 2009.
Comemorada na cerimônia do Fórum de Mudanças Climáticas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como sinal de que o Brasil está na vanguarda do debate das mudanças climáticas, a estimativa de redução das emissões é uma boa notícia, mas representa um grande desafio.
Para manter o nível de gases de efeito estufa lançados na atmosfera o País não terá apenas de aprofundar o combate ao desmatamento, inclusive no Cerrado, como precisará conter as emissões em setores como transportes, indústria e agricultura.
Quase um ano depois da sanção da lei de mudanças climáticas, que trata das metas de redução, ainda não foram definidos planos setoriais de corte das emissões.
Na solenidade de ontem, Heloísa Menezes, diretora da Confederação Nacional da Indústria (CNI), alegou que a economia de baixo carbono requer estímulos oficiais e pode ter impactos sobre o ritmo de crescimento da economia.
Na agricultura, um dos problemas é recuperar 15 milhões de hectares (150 mil quilômetros quadrados) de pastagens degradadas, de um total de 60 milhões de hectares de terras nessas condições existentes no País.
Planos setoriais. Os planos setoriais para redução das emissões ainda estão em fase inicial de discussão. E o governo debate se vai lançar as metas em forma de compromissos obrigatórios, o que poderia criar dificuldades para a obtenção de verbas internacionais para projetos de cortes de emissões no País.
Tampouco há definição sobre o estabelecimento de um mercado de créditos de carbono no Brasil, a partir de proposta em estudo pelo Ministério da Fazenda. Com a regulamentação das metas do clima ainda em passos iniciais, o governo conta, por ora, com os resultados do combate ao desmatamento na Amazônia.
Ontem, Lula comemorou o resultado de medidas como o monitoramento da Amazônia por satélites e o corte de crédito a produtores rurais que estejam em desacordo com a legislação ambiental. Em 2008, pressionado por proprietários de terras, Lula cogitou rever essas duas medidas. (OESP)

Emissões por combustíveis fósseis aumentaram

Emissões por combustíveis fósseis aumentam 39% em 18 anos no Estado
Queima de diesel dos veículos é um dos grandes responsáveis pelo crescimento, de acordo com relatório do governo estadual. Legislação paulista definiu como meta cortar 20% dos lançamentos de gases de efeito estufa até 2020, em relação a 2005.
As emissões de gases de efeito estufa no Estado derivadas da queima de combustíveis fósseis, como o diesel e a gasolina, cresceram 39% entre 1990 e 2008 – passaram de 56,9 milhões de toneladas para 79,2 milhões de toneladas.
Poluição
Sistema de transporte deveria favorecer veículos sobre trilhos e usar eletricidade e biocombustíveis, diz especialista.
Os dados estão em relatório que vai compor o inventário estadual de gases-estufa, a ser divulgado no dia 25 deste mês. No total, serão cerca de 20 relatórios de diferentes setores da economia. A legislação paulista definiu uma meta de cortar 20% das emissões até 2020, em relação a 2005. Então, para cumprir o objetivo, o São Paulo precisa saber exatamente quanto emite e avaliar em que setores da economia pode reduzir.
Segundo o relatório, os derivados do petróleo representam o maior consumo de energia do Estado. E o diesel é o que tem maior destaque. De acordo com o documento oficial, a contribuição do diesel no consumo de energia de São Paulo sempre fica próximo dos “15% do total de todas as fontes utilizadas para fins energéticos”.
No inventário brasileiro é o desmatamento o maior culpado pelas emissões. Mas, segundo Josilene Ferrer, secretária executiva do Programa Estadual de Mudanças Climáticas (Proclima), a energia é o principal vilão em São Paulo. “O aumento das emissões nesse setor é natural. A população cresceu e houve um aquecimento da economia.”
Apesar de as emissões de gases-estufa terem aumentado no Estado, os combustíveis fósseis tiveram uma participação ligeiramente decrescente na oferta bruta total de energia – ela variou de 53% em 1990 para 45,5% em 2008. Isso sinaliza “um maior uso de combustíveis não intensivos em carbono (como o gás natural) e o aumento da participação das fontes renováveis (biomassa) no sistema energético paulista”.
O gás natural substituiu em muitos casos o óleo combustível em caldeiras e fornos industriais – a participação desse óleo caiu de 11,8% a 2,1% no período avaliado –, o que é positivo para as emissões. Mas a mudança se deve principalmente à substituição de combustíveis fósseis por derivados da cana-de-açúcar. Hoje, o bagaço da cana é usado para produzir energia e há um aumento crescente do consumo de etanol nos carros.
“Como o Estado possui a maior frota de automóveis do Brasil, com uma marca superior a 8 milhões de veículos em 2008 – o que representa 36,8% de toda a frota brasileira – e os automóveis e comerciais leves do tipo flex fuel atingiram 74,7% da produção total, espera-se que o consumo de etanol apresente taxas de crescimento maiores nos próximos anos”, diz o texto.
Diesel. Tasso Azevedo, engenheiro florestal que ajudou a formular as metas de clima que o Brasil levou para a Conferência do Clima de Copenhague, no ano passado, analisou o relatório a pedido do Estado. Para ele, chama a atenção o fato de o consumo de combustíveis fósseis ter tido um grande crescimento na década de 1990, mas desacelerado na década de 2000.
Em sua opinião, para São Paulo atingir a meta de redução das emissões, “um foco central será lidar com o consumo de diesel, que continua aumentando e é a principal fonte de emissões”. “Isso requer uma remodelagem do sistema de transporte, favorecendo trilhos, melhorando fluxos, utilizando eletricidade e biocombustíveis”, diz ele.
Nicole Figueiredo de Oliveira, coordenadora da campanha de clima do Greenpeace, ressalta que, além de usar menos o diesel, é preciso melhorar a qualidade do combustível – que ainda contém muito enxofre, prejudicando a qualidade do ar e a saúde da população.
Guarany Osório, consultor especializado em ciências jurídico-ambientais, lembra que o Estado quase não usa energia solar,  setor que poderia crescer e, com isso, promover uma redução das emissões. E diz que o Estado pode incentivar uma redução das emissões se optar nas compras públicas por produtos de menor intensidade de carbono, como os carros a etanol. (OESP)

Concentração de gases-estufa é maior

Concentração de gases-estufa é a maior da história
Apesar de CO2 ser o mais presente na atmosfera, aumento na liberação do metano preocupa mais; resultado é aquecimento.
Nem a queda das atividades industriais diante da pior recessão econômica em 70 anos nem os inúmeros discursos de líderes prometendo fazer algo pelo clima frearam a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. Segundo dados da ONU, nunca na história a concentração de gases como o CO2 e metano foi tão alta como em 2009, em um alerta aos governos de todo o mundo de que a luta contra as mudanças climáticas pode ser muito mais difícil e custosa do que muitos imaginam.
Os dados foram apresentados pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), braço técnico da ONU, e revelou que a concentração é a maior desde a Era Pré-Industrial. Segundo os cientistas, atividade industrial, desmatamento, transportes e agricultura são os principais responsáveis pelas emissões. A avaliação é de que um aumento na quantidade de gás na atmosfera eleva a radiação, incrementando as temperaturas no solo e alterando o clima.
A conta, segundo os técnicos, é bem mais simples que a apresentada costumeiramente por políticos. Quanto maior a concentração de gases-estufa, mais o calor fica preso na atmosfera.
Segundo o vice-secretário-geral da OMM, Jeremiah Lengoasa, os principais gases que tiveram aumento foram CO2, metano e óxido nitroso (N2O). Os números são publicados uma semana antes do início da Conferência do Clima em Cancún, onde países prometem travar uma batalha para definir um acordo de redução de emissões e de financiamento de medidas de mitigação. Longe de um acordo, a reunião corre o risco de repetir o fracasso da conferência anterior, em Copenhague.
Mas as informações publicadas ontem revelam que os esforços de governos para transformar o padrão ecológico de suas economias, reduzir emissões ou promover tecnologias limpas nem têm impacto importante na atmosfera. Segundo os novos dados, a concentração de gases-estufa aumentou em 1% em 2009 (mais informações nesta página).
Nos últimos 20 anos, a elevação foi de 27,5%, uma taxa que revela que o problema tem se agravado nas últimas décadas. Segundo a ONU, a concentração do CO2, por exemplo, aumentou em 38% desde o ano de 1750.
A entidade admite que a taxa de crescimento de CO2 e N2O foi inferior à que havia sido registrada em 2009, provavelmente por conta da crise econômica, que reduziu as atividades industriais. Mas a ONU estima que essa queda tenha apenas um impacto marginal na atmosfera. Além disso, a concentração de hoje não é apenas resultado das emissões nos últimos meses.
Metano
Apesar de o CO2 ser o gás mais presente na concentração dos gases-estufa, com 63% do total, é o metano que mais preocupa. Desde 1750, a alta na concentração desse gás na atmosfera é de 158%. Preso nas calotas polares, o metano começa a se desprender pelo derretimento do Ártico, causado pelo aquecimento global. Quanto mais esse gás é liberado, maior a chance de o aquecimento aumentar, assim como a velocidade no derretimento das calotas polares.
"Sem uma ação concertada no nível global, não haverá maneira de frear essa concentração", alertou Lengoasa.
Piora acentuada
386,8 partes por milhão (ppm) foi a concentração de CO2 registrada em 2009 - 1,6 a mais que em 2008. Estima-se que, na Era Pré-Industrial, a média de concentração desse gás na atmosfera era de cerca de 280 ppm.
63% é a parte que cabe ao C02 na concentração dos gases-estufa.
100 anos é o tempo que o C02 pode demorar para ser eliminado. (OESP)

Emissões de gases aumentaram cerca de 60%

Emissões brasileiras de gases estufa aumentaram cerca de 60% entre 1990 e 2005
O número foi apresentado pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, durante a reunião anual do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas. O desmatamento ainda é o principal vilão das emissões nacionais de gases de efeito estufa
As emissões brasileiras de gases de efeito estufa aumentaram cerca de 60% entre 1990 e 2005, passando de 1,4 gigatoneladas para 2,192 gigatoneladas de dióxido de carbono (CO2) equivalente (medida que considera todos os gases de efeito estufa). O número foi apresentado ontem (26) pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, durante a reunião anual do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas.
O novo inventário nacional de emissões será apresentado à Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas antes da próxima Conferência das Partes (COP), em novembro, em Cancun, no México. O balanço faz parte da Segunda Comunicação Nacional à Convenção – um relatório do que o Brasil tem feito para mitigar as causas e atenuar os impactos do aquecimento global.
O inventário anterior trazia os dados de 1990 a 1994. Para este ano, o compromisso assumido com a ONU era apresentar dados até 2000. Mas o governo brasileiro decidiu avançar e agregar números até 2005.
O desmatamento ainda é o principal vilão das emissões nacionais de gases de efeito estufa. O setor de mudança no uso da terra e florestas é responsável por 61% do total de emissões. A agricultura aparece em seguida, com 19% das emissões nacionais e o setor de energia é responsável por outros 15%.
O inventário também contabiliza emissões da indústria e do tratamento de resíduos, responsáveis por 3% e 2% do total nacional, respectivamente.
Rezende também apresentou uma estimativa das emissões brasileiras em 2009, que não será levada à ONU. Pelos cálculos, no ano passado, o Brasil teria emitido 1,775 gigatoneladas de CO2 equivalente, 33% a menos que em 2005. A queda, segundo o ministro, se deve principalmente à redução do desmatamento na Amazônia nos últimos anos, somada à manutenção do nível de crescimento de emissões nos outros setores. (EcoDebate)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

GEE: cidades de baixo carbono

O Carbon Disclosure Project (CDP) anunciou dia 4 de novembro de 2010, o lançamento do CDP Cities, um programa que oferece às cidades de todo o mundo um sistema para compartilhamento de suas emissões de gases de efeito estufa e estratégias relacionadas ao clima. O CDP Cities, em parceria com o C40 e a Clinton Climate Initiative (CCI), estimula as maiores urbes globais comprometidas com o monitoramento das mudanças climáticas – as 40 cidades-membro e as 19 afiliadas do C40, entre elas as brasileiras Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo – a medir e divulgar suas emissões voluntariamente ao CDP com a finalidade de gerenciar os riscos de forma proativa, reduzir o carbono e adotar estratégias que protejam o futuro das cidades. Londres, Toronto e Nova York já concordaram em informar seus dados ao CDP.
“As cidades têm um papel fundamental e de liderança na busca de soluções para a mudança climática, sendo que as cidades do C40 já estão gerando um impacto enorme”, afirma David Miller, prefeito de Toronto e presidente do C40. “O CDP fornecerá uma plataforma de relatório que permitirá que as cidades do C40 monitorem seu progresso na redução das emissões de gases do efeito estufa e compartilhem seus dados críticos”.
O CDP Cities também anunciou um novo relatório intitulado “The Case for City Disclosure” [O Processo de Divulgação da Cidade], escrito pela Accenture. O documento mostra em detalhes como a divulgação padronizada pelos governos locais pode auxiliar as cidades no compartilhamento de melhores práticas, gerenciamento de riscos, aumento da eficiência operacional e economia de custos, atração de investimentos, incentivo à inovação e ainda na condução de cidades mais seguras e prósperas.
O CDP Cities possibilita que as cidades informem dados quantitativos e qualitativos sobre a mudança climática. Assim, os centros urbanos podem comunicar seus inventários de gases do efeito estufa, junto com informações contextuais sobre as características distintas de cada cidade. Isso ajudará a todas as partes envolvidas a compreender melhor os riscos e as oportunidades associadas às mudanças climáticas.
“O CDP há muito tem sido um sistema essencial através do qual as empresas conseguem avaliar sua capacidade de monitorar as mudanças climáticas”, afirma o presidente executivo do CDP, Paul Dickinson. “Com as cidades à frente de nossa resposta global às mudanças climáticas, é fundamental que elas tenham acesso ao mesmo processo comprovado que pode ajudá-las a reduzir as emissões de carbono, melhorar a eficiência operacional, atrair investimentos e aumentar inovações usando tecnologias limpas”. (ambienteenergia)

Emissão de gases-estufa do lixo cresce 58%

Em SP, emissão de gases-estufa do lixo cresce 58%
Nos aterros sanitários do Estado ocorre lançamento de metano, um gás que contribui para o aquecimento do planeta.
As emissões de gases-estufa provenientes dos resíduos sólidos aumentaram 58% no Estado de São Paulo entre 1990 e 2008. No primeiro ano avaliado, o setor lançou para a atmosfera 5,8 milhões de toneladas desses gases, que provocam o aquecimento global. Após 18 anos, o número passou para 9,2 milhões de toneladas.
Os dados foram divulgados pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e farão parte do primeiro inventário estadual de emissões. Do total, 55,7% correspondem a emissões de aterros - enquanto os efluentes industriais contribuem com 17,5% e os efluentes domésticos, 26,4%.
O estudo faz o cálculo também das emissões decorrentes do lixo por habitante: passaram de 205 quilos de gases-estufa em 1990 para 234 quilos em 2008 - um crescimento de 14%.
Uma das causas para o aumento das emissões é o fato de que as pessoas estão consumindo cada vez mais e, dessa forma, gerando quantidade maior de resíduos. O documento está em consulta pública no site da Cetesb (cetesb.sp.gov.br).
De acordo com Oswaldo Lucon, assessor de gabinete da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, outra razão é a redução dos lixões em São Paulo. Isso porque "quando os resíduos orgânicos vão para o lixão a céu aberto, sofrem pouca decomposição anaeróbia" - situação em que bactérias anaeróbicas, que sobrevivem na ausência de oxigênio, conseguem decompor os resíduos orgânicos.
No início de 2007, o Estado contava com 143 lixões. Agora, só existem 3 em operação - em Presidente Prudente, Vargem Grande do Sul e Peruíbe. Isso é positivo, claro. "Porém, com mais aterros controlados, temos maior emissão de metano. E até agora ainda não há muita recuperação desse poluente."
Nos Aterros Bandeirantes (na zona norte da capital) e São João (na zona leste), por exemplo, existe a iniciativa de captar metano para gerar energia elétrica. Em 2006, a concessionária da Prefeitura de São Paulo para exploração dos resíduos do Aterro Sanitário Bandeirantes, a Biogás Energia Ambiental S/A, fechou um negócio com um banco alemão no valor de cerca de R$ 58,5 milhões referente à venda dos créditos de carbono da redução das emissões no local.
A iniciativa de captação de metano já pode ter tido algum efeito: depois de crescerem quase ininterruptamente até 2006, as emissões de gases-estufa dos resíduos sólidos tiveram uma ligeira queda em 2007. Em 2008, as emissões subiram novamente, mas ainda assim foram menores que as de 2005 e 2006.
Capital
Foram somadas as emissões de metano de aterros da capital, com maior população urbana do Estado, e foi feita a comparação com as emissões dos aterros de todo o Estado de São Paulo. O resultado é que as emissões de aterros no município representam 31% do total.
"Isso reforça o entendimento geral de que essas emissões estão ou podem estar concentradas em poucos empreendimentos e que mais projetos de créditos de carbono devem ser implantados", afirma o relatório.
Como cortar
Na opinião da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), o setor não pode se contentar apenas em captar metano nos aterros.
Para Carlos Silva Filho, diretor executivo da Abrelpe, é fundamental minimizar a geração de resíduos. E ele defende, por exemplo, a troca do combustível por um mais limpo, como gás natural, biodiesel e etanol, nos veículos de coleta do lixo. Também ressalta que, com aterros cada vez mais distantes, os resíduos poderiam ser transportados por trens em vez de em carretas. "O setor tem potencial para ser um redutor de emissões", afirma.
A questão, agora, é saber se vai haver esforço nesse sentido. Uma dificuldade é uma lacuna de legislação: o metano não está na meta climática de São Paulo - que fala em cortar 20% das emissões especificamente de dióxido de carbono até 2020 - em relação ao que se emitia em 2005. Não há, dessa forma, uma obrigação para cortar as emissões de todos os gases de efeito estufa.
PARA LEMBRAR
Lei nacional proíbe lixões e coloca metas
Em julho foi aprovada a política nacional de resíduos sólidos no Senado. A proposta - que tramitou no Congresso por 19 anos - proíbe lixões, estabelece metas e programas de reciclagem e afirma que cabe às indústrias o descarte de produtos eletrônicos (logística reversa). (OESP)

domingo, 21 de novembro de 2010

Estamos consumindo o nosso planeta

Hoje consumimos mais recursos do que a Terra pode fornecer sem se empobrecer e preenchemos a diferença roubando a água que corre em faixas aquíferas que não se regeneram, queimando florestas que se transformam em deserto, pescando tantos peixes a ponto de despovoar o mar.
Já há com o que se preocupar, mas o futuro – na ausência de uma rápida correção de rota – é ainda mais preocupante: o balanço irá se agravar muito fortemente já em 2030.
Esse é o sinal de alarme contido no “Living Planet Report”, o relatório bienal realizado pela WWF, em colaboração com a Zoological Society de Londres e o Global Footprint Network, no Ano Internacional da Biodiversidade e a poucos dias da abertura da Conferência de Nagoya, que deverá decidir as novas estratégias para frear a taxa de perda da biodiversidade até 2020.
O que surge é um quadro grave, que oferece também uma chave de leitura para se entender a crise econômica que estamos atravessando: uma crise que se entrecruza com a ameaça da falência ecológica. Superpopulação, desperdício, desatenção levaram a um saque crescente das matérias-primas e das fontes energéticas que hoje têm um andamento fortemente instável do ponto de vista dos preços e desastroso do ponto de vista ambiental: a depuração da água, a fertilidade do solo, a estabilidade da atmosfera (e, portanto do clima) são serviços gratuitos que a natureza oferece e que o crescimento humano sem controle está ameaçando. (EcoDebate)

Telhados brancos: proposta avança em SP

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou em primeira votação, em 10 de novembro de 2010, o projeto de Lei 615/2009, do vereador Goulart, para que a população pinte os telhados de suas casas de branco, de modo a reduzir os efeitos do Aquecimento Global.
O projeto é baseado na campanha One Degree Less, lançada no Brasil, que têm como principal objetivo a diminuição de um grau Celsius da temperatura da terra. Esta ação trata de um programa criado pela organização Green Building Council Brasil, uma empresa voltada para desenvolver a indústria da construção sustentável, fundada em março de 2007.
Entre as justificativas, Goulart aponta a redução no gasto com energia para o resfriamento dos imóveis, pois se as coberturas fossem pintadas de branco, iam refletir mais luz solar e absorver menos calor, pois a maioria deles são escuros e emitem apenas 20% da luz solar.
Os telhados pintados de branco, ou de outra cor clara, possuem reflexão de 60% ou mais, os efeitos de incidência solar diminuiriam, ou seja, a cada 100 m2 pintados, compensaria 10 toneladas de emissão de CO2.
Se em 20 anos todas as coberturas forem pintadas, teremos o efeito de tirar metade dos carro que rodam em todo o mundo a cada ano deste programa. (ambienteenergia)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Amazônia perdeu 170 km2 de floresta

Segundo Imazon, em setembro de 2010, a Amazônia perdeu 170 km2 de floresta
Em setembro de 2010, a Amazônia perdeu 170 km² de floresta, de acordo com os números do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), divulgados em 03/11/10 pela organização não governamental (ONG) Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). O ritmo de derrubada foi 21% menor que o registrado pelos satélites em setembro do ano passado.
Em agosto, o Imazon também tinha apontado tendência de queda do ritmo de desmatamento na região. Em 2010, a derrubada em agosto foi 23% menor que no mesmo mês de 2009.
Mato Grosso liderou o desmatamento em setembro, com 81 km² de florestas a menos (48% do total de desmatamento). O Pará vem em segundo lugar, com 31 km² desmatados, seguido por Rondônia (23 km²), Amazonas (19 km²) e Acre (12 km²). Em Roraima e no Tocantins, os satélites do Imazon registraram apenas 2 km² de novos desmatamentos em cada estado.
Além do corte raso (desmatamento total de uma área), o sistema do Imazom também registra a degradação florestal, que inclui florestas intensamente exploradas pela atividade madeireira e (ou) queimadas. Em setembro, a degradação avançou por 500 km², área 147% maior que a registrada no mesmo mês de 2009.
O monitoramento oficial do desmatamento na Amazônia é feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que ainda não divulgou os números de setembro. Este mês, o INPE também deve anunciar a taxa anual de desmatamento. A expectativa do governo é que o número seja o menor dos últimos 21 anos e fique em torno de 5 mil km². (EcoDebate)