domingo, 29 de junho de 2014

Cai ritmo de desmatamento na Amazônia

Destruição da mata tem sido menor
Número de alertas entre agosto e maio deste ano foi 24% menor.
Os alertas de desmatamento na Amazônia Legal caíram 24% entre agosto de 2013 e maio deste ano. No intervalo, o Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) registrou 1.771,86 km2 de mudança de paisagem na região, contra os 2.337,81 km2 verificados no período imediatamente anterior. A redução decorre de medidas como as operações de fiscalização em terra e a instalação de bases móveis dentro da Floresta.
Feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o sistema se baseia em imagens diárias de até 25 hectares capturadas por satélite. Os dados funcionam como uma análise da alteração da paisagem da região amazônica, que podem ocorrer por conta de questões como desmatamento para obtenção de madeira ilegal ou até de queimadas naturais. O Deter funciona, portanto, como um suporte para a fiscalização.
Estados
Segundo os dados divulgados em 20/06/14 pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), a queda ocorreu nos estados que, historicamente, apresentavam níveis críticos de desmatamento. Mato Grosso aparece como o recordista, com 717 km2 de desmatamento, o que representa redução de 35% em comparação aos 1.095 km2 contabilizados no período anterior.
Rondônia é o segundo no ranking de diminuição nos alertas de desmatamento. No estado, o Deter apontou queda de 33%, quando comparados os 217 km2 atuais com os 326 km2 verificados no período anterior. Em seguida, aparece o Pará, com 432 km2 de alertas de desmatamento entre agosto de 2013 e maio deste ano, uma redução 23% em relação aos 564 km2 contabilizados entre agosto de 2012 e maio de 2013.
Fiscalização
O cerco ao desmatamento é comprovado pelos dados de fiscalização na área. Entre agosto de 2013 e maio deste ano, foram 131 mil hectares de áreas embargadas nos nove estados da Amazônia Legal. Ao todo, R$ 1,2 bilhão foram aplicados em multas, além da apreensão de 99 tratores, 44 caminhões, 90 motosserras, 23 armas de fogo, aproximadamente 3,6 mil m3 de madeira serrada e cerca de 27 mil de madeira em tora.
Mesmo com a redução, o Pará está entre os focos das equipes de fiscalização. “Estamos em uma verdadeira guerra porque os principais desmatadores do Pará são os grileiros que montam acampamentos separados para dificultar a atuação do IBAMA. Porém nós estamos preparados e com estratégias traçadas para coibir o desmatamento ilegal”, explica o diretor de Proteção Ambiental do IBAMA, Luciano Evaristo. (ecodebate)

Brasil tem condições de chegar ao desmatamento zero

Brasil tem condições de chegar ao desmatamento zero, diz secretário do MCTI
Em entrevista a programa televisivo, o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Carlos Nobre, destacou a viabilidade de o país reduzir ainda mais o desmatamento e contribuir para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa. “Há condições plenas de chegarmos ao desmatamento zero”, afirmou o climatologista.
Na conversa com o jornalista José Roberto de Toledo, no programa A Notícia da Rede TV, que foi ao ar em 16/06/14,  Nobre lembrou que o país tem, cada vez mais, se aproximado da meta estabelecida pelo governo de reduzir os desmatamentos na Amazônia para 3.600 km2 por ano até 2020.
“O Brasil iniciou com muito sucesso uma política pública de redução do desmatamento. Nós saímos de 27 mil km2, de 2004 para 2005, desmatados na Amazônia e numa área grande do Cerrado. Nos últimos anos, ficamos em torno de 5.000 km2 e o esforço é ainda maior”, disse o cientista ao ressaltar a redução de 80% dos desflorestamentos no período entre 2008 e 2010.
A expectativa é de que esse comportamento se mantenha em novas análises referentes aos últimos anos. Na sua avaliação, trata-se de um fator relevante para o Brasil, já que o desmatamento contribui para grande parte das emissões. Para exemplificar, o pesquisador compara o tamanho de um campo de futebol a 10.000 km2 de floresta desflorestada, o que representaria de 120 a 150 toneladas de gás carbônico a serem enviadas à atmosfera.
Segundo Nobre, de cerca de 2 milhões de km2 existentes no Brasil, em forma de pastagens, estão degradados ou sendo convertidos para formas de agricultura mais produtivas, com a produção, por exemplo, de bioetanol (combustível renovável produzido a partir de resíduos agroindustriais, como o bagaço de cana). Para o secretário, apostar na energia renovável e numa agricultura mais eficiente é uma estratégia significativa diante do desafio de evitar um processo acelerado de aquecimento global.
Produtividade agrícola
O cientista destaca, ainda, o desacoplamento das emissões com o crescimento econômico. “A agricultura brasileira aumentou a sua produtividade, nesses últimos oito anos, como ocorreu na Amazônia e o desmatamento caiu”, frisou o pesquisador ao defender a necessidade de mais ciência, precisão e alta tecnologia e tecnificação no campo, bem como redução da área plantada e maior produção.
“Hoje a agricultura moderna brasileira já se deu conta de que o caminho da agricultura mundial é o aumento da produtividade. No Brasil, ainda que tenhamos excelentes exemplos de agricultura de ponta com altíssima produtividade, o potencial está longe de ser atingido”, ressaltou o cientista, que sustenta a importância de o país conhecer melhor a sua biodiversidade e descobrir novas maneiras de agregar valor aos produtos agrícolas.
Ele citou o exemplo da produção de açaí no Norte do país: “Um hectare em produção de açaí rende em média entre R$ 2 mil e 2,5 mil de lucro para o produtor, enquanto um hectare destinado à criação de gado rende entre R$ 150 e 200”. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), comentou o secretário, descobriu uma substância extraída do açaí que atua como um importante corante para mostrar placas bacterianas.
“Então nós temos muito que ir para essa economia da biodiversidade brasileira, que é um enorme potencial que o Brasil ainda não explorou, mantendo a integridade dos ecossistemas”, disse. “Esse é um desafio também de ciência, de desenvolver conhecimento, e de descobrir novos usos dos produtos da biodiversidade.”
A ideia é aproveitar a vocação do país para a produção de bioenergia, bioetanol e seus bioprodutos, como fertilizantes, cosméticos, alimentos e plásticos. “A indústria chamada química verde está indo muito nesta direção. O Brasil tem tudo para ser um grande líder da chamada bioeconomia do futuro, quer dizer: numa economia muito baseada nos recursos naturais”, afirmou.
Aquecimento global
Na avaliação do especialista em mudanças climáticas, embora o desmatamento tropical tenha registrado queda no Brasil e em outras regiões do planeta, isso não reduz as preocupações quanto ao aquecimento global. Ele lembra que a temperatura global aqueceu, em média, cerca de 1°C no continente e pouco menos (entre 0,6 e 0,7°C) na superfície do oceano desde 1860. “É pisar no acelerador da máquina climática planetária numa velocidade 50 vezes maior do que os ciclos naturais, essa é a grande preocupação”, alertou.
Nobre explicou que as sociedades modernas têm injetado uma grande quantidade de gases na atmosfera que causam o aquecimento – especialmente a partir da queima de combustíveis fósseis e das florestas e com as atividades agrícolas –, enquanto a atmosfera não consegue se livrar de 50% desses gases que, em quantidade excessiva, causam o aquecimento da Terra.
Mesmo que os países reduzam o desmatamento a zero, se o aquecimento continuar a maioria das florestas tropicais não resistirá a 4 ou 5°C de aquecimento, disse. “As espécies não se desenvolveram em ambientes com essas temperaturas e extremos climáticos. Se o clima mudar muito e houver um descontrole completo do clima, se não conseguirmos reduzir as emissões vamos ver globalmente um total rearranjo dos ecossistemas dos grandes biomas”, reforçou.
As projeções agora, na avaliação de Nobre, dependem muito da efetividade do acordo global dos países feitos na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que tem como um dos aspectos centrais a redução dos riscos futuros de um superaquecimento. Para evitar isso, as nações concordaram em fazer todos os esforços para limitar as emissões. O entrevistado analisou que o desafio agora, para essa sociedade dependente de alimentos e de confortos, é virar a página e entrar num modelo que mantenha a segurança alimentar, energética, hídrica e, ao mesmo tempo, reduza as emissões.
“Então esse tem sido o grande dilema: a ciência enxerga esses riscos e comunica. A convenção climática também aceita que esses riscos existem, tanto é que, em 2009, em Copenhague, todos os países concordaram que nós não devemos deixar o planeta aquecer mais que 2°C, mas as emissões não estão reduzindo, estão aumentando ano após ano”, enfatizou. (ecodebate)

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Índia: baixo consumo, enorme população e elevado déficit ambiental

A Índia caminha para ter a maior população do Planeta (ultrapassando a China até 2030) e ser a terceira maior economia do globo (atrás somente da China e dos Estados Unidos). Mas pode se atolar em uma grande crise ambiental e nos limites da disponibilidade de recursos naturais, como a degradação dos solos e a escassez de água potável.
A pegada ecológica da Índia, em 2008, era de 0,87 hectares globais (gha), bem abaixo da média mundial (2,7 gha) e cerca de 10 vezes menor do que a pegada ecológica do Catar (11,7 gha) ou do Kwait (9,7 gha). Mesmo assim a Índia tinha déficit ambiental crescente, pois de uma lado a pegada ecológica tende a crescer e a biocapacidade tende a diminuir.
Em 2008, a população da Índia era de 1,19 bilhão e a biocapacidade per capita de 0,48. Assim a Índia tinha uma biocapacidade total de 571 milhões de hectares globais (gha), mas estava usando 1,035 gha (0,87 vezes 1,19 bilhão de habitantes) de pegada ecológica total. Assim, o déficit ambiental da Índia era de 464 milhões de hectares globais, em 2008.
Para o ano de 2030, estima-se que a população indiana será de 1,48 bilhão de habitantes e a biocapacidade per capita deve cair para 0,39 gha. Estimando que a pegada ecológica per capita suba para 1,0 gha (muito baixa para os padrões internacionais) a pegada total será de 1,48 bilhão de hectares globais. Neste quadro, o déficit ambiental da Índia será de 909 milhões de gha, o terceiro maior déficit ambiental do mundo, atrás somente da China e dos Estados Unidos.
Para o ano de 2050, estima-se uma população indiana de 1,62 bilhão de habitantes. Supondo a mesma pegada ecológica per capita de 1 hectare global, o déficit ecológico da Índia, de 1,05 bilhão de hectares globais será superior ao déficit dos Estados Unidos atualmente (1 bilhão de gha). Neste nível de pegada ecológica, a população da Índia precisaria ficar em 571 milhões de habitantes para se atingir o equilíbrio ambiental.
Ou seja, para evitar a degradação da natureza não basta apenas controlar o padrão e o nível de consumo. A Índia é um país onde a maioria das pessoas possuem baixo nível de renda e de acesso a bens duráveis. Mas em decorrência de uma enorme população possui um elevado déficit ambiental.
Os resultados das eleições parlamentares na Índia de maio de 2014 deram uma vitória histórica ao partido nacionalista hindu Bharatiya Janata (BJP). O líder da sigla oposicionista, Narendra Modi, será o novo primeiro-ministro do país, encerrando a longa dominância da dinastia Gandhi no poder. Ele promete seguir a receita tradicional para vencer a pobreza na forma do crescimento econômico e no poderio político internacional da Índia. Porém, há de desvendar a fórmula para fazer isto nas condições já precárias do meio ambiente.
Evidentemente a Índia pode reduzir a concentração de renda e distribuir melhor a riqueza de seus cidadãos. Mas o consumo médio já é muito baixo e dificilmente poderia ser reduzido sem provocar uma queda ainda maior na qualidade de vida dos habitantes do país. Sem a redução da pegada ecológica, a única maneira de diminuir o déficit ambiental é através da diminuição da população.
Mas as estimativas da Divisão de População da ONU, apontam para uma população indiana de 1,64 bilhão de habitantes, em 2070, e um declínio para 1,55 bilhão em 2100. Desta forma, o déficit ambiental da Índia deverá ficar acima de 1 bilhão de hectares globais na maior parte do século XXI. O resto do mundo terá que ajudar a cobrir o déficit indiano e contribuir para alimentar a enorme população da Índia.
Contudo, a pegada ecológica do mundo já superou em 50% a biocapacidade do Planeta e a Terra tem, atualmente, um déficit de 6 bilhões de hectares globais. Como a população mundial continua crescendo e cada vez mais pessoas sonham com o “paraíso” do consumo, as perspectivas são de aumento da crise ambiental e perda de biodiversidade. Ou seja, o mundo já está em déficit e o crescimento do déficit ecológico da Índia só agrava a situação internacional. Assim, cresce a cada dia a possibilidade de um colapso ecológico do Planeta, num futuro não muito distante. (ecodebate)

Conhecendo a geomorfologia e suas influências ambientais

A geomorfologia é a ciência que estuda o relevo da superfície da terra, que está intimamente relacionada com o substrato rochoso existente e os processos pedogênicos atuantes superficialmente, bem como as ações das águas superficiais e subterrâneas.
A natureza das rochas determina 3 diferentes tipos de domínios geomorfológicos:
Escudos antigos ou maciços cristalinos: representam imensos blocos de rochas antigas de natureza cristalina, estes escudos são constituídos por rochas magmáticas, formadas em eras pré-cambrianas (há mais de 600 milhões de anos) ou por rochas sedimentares e ígneas que foram transformadas em rochas metamórficas. No Brasil, os escudos antigos correspondem a 36% da área do território, sendo representados pelo Escudo das Guianas a norte da planície amazônica e o Escudo Brasileiro na porção centro-oriental brasileira;
Bacias Sedimentares: são depressões relativas, preenchidas por sedimentos que se transformaram em rochas sedimentares após sofrer aumento de pressão e temperatura por soterramento, caracterizando processos diagênicos. Frequentemente são associados com a presença de hidrocarbonetos e correspondem a 64% do território do Brasil. Destacam-se a Bacia Amazônica, a Bacia do Meio Norte e a Bacia do Paraná, além das bacias do São Francisco, Pantanal e outras bacias menores;
Dobramentos Modernos: são estruturas formadas por rochas magmáticas e sedimentares pouco resistentes, transformadas em rochas metamórficas, que foram afetadas por forças tectônicas em períodos recentes, formando as cadeias montanhosas ou cordilheiras. Não ocorrem em território brasileiro que tem apenas dobramentos antigos incluídos em seus escudos cristalinos. Exemplos são os Andres, as Montanhas Rochosas e os Alpes e o Himalaia que são dobramentos modernos. Nestas regiões são frequentes os terremotos e as atividades vulcânicas. Representam as maiores elevações da superfície terrestre. Os dobramentos resultam das forças tectônicas atualmente em ação, que separam e afastam os continentes e as falhas ou quebramentos da crosta terrestre, resultantes das pressões exercidas horizontalmente e verticalmente pelas forças tectônicas, que rompem as rochas formando planos que são as falhas onde ocorre a dissipação das tensões.
A expansão dos estudos geomorfológicos no Brasil é recente, devido à própria valorização das questões ambientais. A análise geomorfológica se aplica diretamente na análise ambiental.
No Brasil, as primeiras referências geomorfológicas são do século XIX, quando os naturalistas procuravam compreender o meio ambiente.
O conhecimento geomorfológico no Brasil é recente e incorpora os conceitos da Teoria Geral dos Sistemas, aplicando ideias relativas ao equilíbrio dinâmico.
A geomorfologia foi muito valorizada na execução do Projeto Ardam Brasil, a partir de 1973, em que levantamentos envolvendo geologia, geomorfologia, solos, vegetação e uso dos solos, recobriram todo país formando um total de 40 volumes (SEPLAN/IBGE, 1986).
O relevo apresenta saliências e depressões locais, no interior dos grandes domínios geomorfológicos já descritos, que são assim descritos:
Montanhas: são grandes elevações de terreno formadas por ação das forças tectônicas já apresentadas e amplamente discutidas. As montanhas se originam a partir de dobras, falhas ou vulcões, e podem ser antigas como a Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira, ou recentes como a Cordilheira dos Andes, Alpes ou Himalaia. No Brasil pode se afirmar que não existem montanhas recentes, apenas morros recentes ou montanhas antigas;
Planaltos: superfície mais ou menos plana e elevada em relação às áreas adjacentes, formadas por rochas ígneas, em geral vulcânicas, sendo delimitada por escarpas, onde o processo de erosão supera a deposição;
Planícies: superfície plana e deprimida de natureza sedimentar, onde predominam os processos deposicionais sobre a erosão. Podem ser costeiras (no litoral) ou continentais (no interior dos continentes);
Depressões absolutas: porções de relevo mais baixas que o nível do mar, não existem no Brasil;
Chapada: planalto de rochas sedimentares, apresentando topografia tabular;
Cuestas: são formas assimétricas de relevo, formadas pela sucessão alternada de camadas rochosas com resistências diferentes em relação à erosão;
Depressões Periféricas: são áreas deprimidas formadas pelo contato entre os terrenos sedimentares e os Planaltos formados por rochas cristalinas.
Os acidentes dos terrenos resultam da ação de agentes de origem interna, como vulcanismo, tectonismo e outros, e de agentes de origem externa, como água corrente, temperatura, chuva, vento, geleiras e seres vivos. As intervenções antrópicas conseguem mitigar os impactos dos agentes externos mas não tem capacidade de atuar sobre os agentes internos, onde somente é possível a prevenção e a remoção.
Após a definição de todas as potencialidades terrestres do Brasil, estamos na fase de caracterização dos sítios arqueológicos, cavernas e outros “monumentos” mais recentes do país. (ecodebate)

Densidade demográfica e déficit ambiental

A correlação entre densidade demográfica e déficit ambiental é direta: quanto maior a densidade, maior é o déficit. Ou dito de outra forma: quanto maior a densidade demográfica menor é o superávit ambiental.
A densidade demográfica é medida dividindo-se a população pela extensão do território de um país (ou região, etc). O mundo tinha uma densidade demográfica de 45 hab/km2 no ano 2000. Os dados utilizados aqui são da Divisão de População das Nações Unidas, revisão 2012.
O déficit ecológico apresentado neste artigo refere-se à diferença da pegada ecológica per capita e a biocapacidade per capita de um país, com dados de 2008, segundo a FootPrint Network. Em geral, os países com superávit ambiental são aqueles com baixa densidade demográfica e os países com alto déficit ambiental possuem alta densidade de pessoas por km2.
Tomemos como exemplo os Estados Unidos da América (EUA) e o Canadá que são dois países da América do Norte com aproximadamente a mesma dimensão territorial, mas com densidades demográficas muito diferentes.
Os EUA possuíam, em 2008, uma população de 305 milhões de habitantes, 33 habitantes por km2, uma pegada ecológica per capita de 7,19 hectares globais (gha) e uma biocapacidade per capita de 3,86 gha. A biocapacidade total do país era de 1.177.000.000 gha (305 milhões vezes 3,86). Os EUA possuíam um déficit ambiental de 86%, ou seja, consumiam 86% mais do que a biocapacidade do país. No total os EUA consumiam 10% da biocapacidade da Terra. Se toda a população mundial adotasse o mesmo padrão dos EUA seriam necessários a existência de 4 Planetas.
O Canadá possuía, em 2008, uma população de 33,3 milhões de habitantes, 3 hab/ km2, uma pegada ecológica per capita de 6,43 hectares globais (gha) e uma biocapacidade per capita de 14,92 gha. A biocapacidade total do país era de 496.836.000 gha (33,3 milhões vezes 14,92). O Canadá possuía um superávit ambiental de 132%, ou seja, consumia menos do que a biocapacidade do país. No total o Canadá consumia quase 5% da biocapacidade da Terra. Se toda a população mundial adotasse o mesmo padrão dos canadenses seriam necessários a existência de 3,5 Planetas.
Mas qual é a razão básica para que estes dois países vizinhos com aproximadamente o mesmo padrão de consumo e produção possuam resultados tão dispares quanto ao déficit ou superávit ambiental?
A resposta está na densidade demográfica.
Se EUA e Canadá tivessem a mesma população de 160 milhões de habitantes (e uma densidade demográfica em torno de 15 hab/ km2) a situação ambiental se inverteria, pois os EUA, mesmo com alta pegada ecológica per capita, passariam a ter superávit, enquanto o Canadá passaria a ter déficit. Vejamos os números.
Se a população dos EUA decrescesse para 160 milhões de habitantes a biocapacidade per capita subiria para 7,36 gha. Portanto, mesmo mantendo a pegada ecológica de 7,19 gha haveria um pequeno superávit ambiental.
Se a população do Canadá aumentasse para 160 milhões de habitantes a biocapacidade per capita cairia para 3,10 gha. Portanto, mantendo a pegada ecológica de 6,43 gha haveria um grande déficit ambiental. Isto quer dizer que a densidade demográfica importa e não pode ser desconsiderado na análise ambiental. Tem termos globais é importante estabilizar a densidade demográfica mundial.
Nas discussões sobre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), propostos na Conferência Rio + 20, a rede (“Top-level United Nations knowledge network) instituída sob os auspícios do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, propôs uma agenda de ação para apoiar os esforços globais para alcançar o desenvolvimento sustentável durante o período de 2015-2030. No item 2 está proposto:
“Alcançar o desenvolvimento dentro dos limites das fronteiras planetárias: todos os países têm o direito ao desenvolvimento que respeite as fronteiras planetárias, garanta padrões de produção e consumo sustentáveis e ajude a estabilizar o tamanho da população global até meados do atual século”.
A questão da estabilização da população mundial (e consequentemente a estabilização da densidade demográfica) já havia sido proposta na CIPD do Cairo, em 1994. Mas agora existe uma proposta concreta, com data, para que esta estabilização ocorra até 2050. Não é uma tarefa impossível, pois basta a taxa de fecundidade total (TFT) da população mundial cair do atual patamar de 2,5 filhos para mulher para 2,1 filhos por mulher. A densidade demográfica mundial era de 19 hab/ km2 em 1950 e passou para 51 hab/ km2 em 2010, podendo se estabilizar em 70 hab/ km2 em 2050.
Estabilizar a densidade demográfica é um primeiro passo para reduzir e reverter a depleção dos ecossistemas e da biodiversidade. A diminuição da densidade seria um passo adiante. Mas não basta ter menos gente por quilômetro quadrado, pois numa perspectiva ecocêntrica, seria preciso mudar o padrão de produção e consumo da população, diminuindo a quantidade de mercadorias de luxo e o acúmulo de lixo, abrindo espaço para o crescimento das florestas e para a livre manifestação da vida selvagem. (ecodebate)

Crescimento da população e dos domicílios e seus impactos ambientais no Brasil

A relação entre o ser humano e a natureza é de dominação, exploração e degradação e não de simbiose como no caso da abelha e do beija-flor. Essas duas espécies, ao se alimentarem do pólen das flores, se tornam polinizadores e garantem a reprodução das plantas e o aumento da biodiversidade. Quanto mais abelha e beija-flor houver no mundo, melhor para o meio ambiente. O mesmo não se pode dizer da espécie humana que, na prática, não conhece o que é simbiose. O progresso humano tem se dado à custa do regresso ambiental. O Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, é um bom momento para se fazer uma avaliação do estado de desnatureza do Brasil.
A população brasileira passou de 10 milhões de habitantes, em 1872, quando foi feito o primeiro censo, para 200 milhões em 2013, segundo as últimas projeções do IBGE. Foi um crescimento de 20 vezes em 141 anos. Embora o Brasil tenha uma baixa densidade demográfica, o incremento populacional foi estimulado e estimulou o crescimento de um modelo de produção e consumo altamente danoso para o meio ambiente. Com poucos habitantes por quilômetro quadrado, os benefícios humanos do desenvolvimento brasileiro provocaram grandes malefícios para a natureza. O Brasil é um exemplo de como uma população relativamente pequena, para o tamanho do território, pode provocar grandes danos ambientais.
Com ânsia e ganância por recursos naturais, mais de 90% da Mata Atlântica já foi destruída nos últimos 500 anos, mas em vez de recuperar, a devastação continua em pleno século XXI. Segundo a ONG, SOS Mata Atlântica, entre julho de 2012 a junho de 2013, o desmatamento na Mata Atlântica aumentou 9% e atingiu 23.948 hectares, dos quais 23.142 hectares correspondem a floresta nativa e 806 hectares a regiões de restinga. A área equivale a 24 mil campos de futebol retirados do bioma com sérios danos à biodiversidade e com aumento da emissão de CO2, contribuindo para o aquecimento global.
O Cerrado e a Floresta Amazônica estão indo pelo mesmo caminho de destruição. Outros ecossistemas, como os Pampas, Caatinga, Pantanal, Mangues, Mata de Cocais também sofreram muito com o avanço da população humana e suas atividades de exploração econômica. Milhares de espécies foram extintas e outras estão ameaçadas, como as Onças, o Muriqui e até o Tatu-bola, que é símbolo da Copa do Mundo de 2014. Até as abelhas, fundamentais para o processo de polinização, estão ameaçadas pelos agrotóxicos e a perda da biodiversidade da flora, provocando a Síndrome do Colapso das Colmeias.
A erosão, a salinização e a acidificação dos solos faz o Brasil perder grandes áreas agrícolas e aumentar a desertificação do território. No Cerrado, muitas terras estão deixando de ser produtivas por conta das imensas crateras chamadas de voçorocas que se espalham pela região. A monocultura – ou deserto verde – destrói a biodiversidade das plantas e dos animais.
A maioria dos rios brasileiros foram represados e o livre fluxo das águas e dos peixes foram descontinuados. O rio São Francisco definha e sofre com o processo de superexploração de seus recursos. Mesmo antes da transposição, o delta do São Francisco já está salinizado e as populações da foz sofrem com a falta de água doce. Nas cidades os rios viraram esgotos, como os ribeirões Arrudas e do Onça, em Belo Horizonte, os rios Carioca e Maracanã no Rio de Janeiro e os rios Anhanguera, Anhangabaú e Tietê em São Paulo. O Brasil tem 3% da população mundial e 13% da água doce disponível do globo, mas vive o drama da falta d’água.
A região metropolitana de São Paulo, devido ao descaso, ao desperdício e à poluição está sendo obrigada a fazer o racionamento de água devido à crise do sistema Cantareira, onde ocorre a escassez em meio à abundância, já que o rio Tietê, na megacidade, foi destruído pela contaminação do lixo e dos dejetos humanos. As duas maiores cidades brasileiras já brigam pelo acesso à água e a utilização dos recursos hídricos do rio Paraíba do Sul.
As condições ambientais das cidades brasileiras são degradantes do ponto de vista da natureza e das espécies não humanas. A vida em cidade é o oposto da vida selvagem e os direitos dos animais são, em geral, totalmente desrespeitados. Não há sequer corredores ecológicos. Com o incentivo ao uso do automóvel particular as cidades se tornaram um “carmagedon” e a mobilidade urbana fica congestionada nos imensos engarrafamentos. A especulação imobiliária e a segregação urbana criam áreas gentrificadas para os ricos e deixa milhões de pessoas vivendo em aglomerados subnormais. O modelo de desenvolvimento é injusto do ponto de vista ambiental e social e é gerador de violências.
Mas se o crescimento da população tem um impacto negativo no meio ambiente, o impacto é ainda maior devido ao aumento do número dos domicílios. Entre 1950 e 2010 a população brasileira cresceu 260% e os domicílios 460%.
O crescimento da quantidade de habitações representa o crescimento da área construída e a diminuição das áreas de livre evolução da natureza. Cada domicílio requer muitos recursos da natureza. Mesmo assim, no caso brasileiro, apesar do enorme crescimento do número de domicílios ainda existe uma grande parcela da população que vive em favelas e em aglomerados subnormais, que se espalham pelos morros e beiras de rios e lagoas. Devido à exclusão social, o impacto negativo da pobreza sobre o meio ambiente é muito grande. Ao mesmo tempo, existem áreas urbanas que passam pelo processo de gentrificação e agridem o meio ambiente pelo excesso de luxo e alto padrão de consumo.
Entre 1950 e 2010 o crescimento da população brasileira foi de quase 4 vezes, enquanto os domicílios ocupados passaram de 10,1 milhões para 56,6 milhões (mais 10 milhões de domicílios não ocupados, totalizando 67,6 milhões). O número de pessoas por domicílio ocupado caiu de 5,3 para 3,3 pessoas. Portanto, houve um crescimento expressivo do número de moradias e o aumento do percentual de domicílios com apenas uma pessoa. Existem vários estudos mostrando que o impacto dos domicílios unipessoais é maior, em termos per capita, do que os domicílios com maior densidade de pessoas.
Maior número de domicílios significa maior uso do solo, de água, esgoto e energia, recursos essenciais especialmente nas cidades. Domicílios com menos moradores são, em geral, menos eficientes que aqueles onde mais pessoas partilham recursos. Uma casa gasta a mesma quantia de serviços públicos e recursos independentemente se há uma, duas ou quatro moradores. Uma geladeira, por exemplo, consome a mesma potência, não importa se há uma ou muitas pessoas na casa. O mesmo acontece com os aparelhos de televisão e outros equipamentos domésticos.
Mas além do crescimento dos domicílios particulares permanentes ocupados, houve também crescimento dos domicílios não ocupados, que passaram de 8,7 milhões em 2000 para 10,1 milhões em 2010. Uma quantidade tão grande de domicílios não ocupados tem um grande impacto sobre o meio ambiente e tem servido mais para a especulação imobiliária do que para o bem-estar humano. Ou seja, enquanto existe uma parcela da população morando em condições degradantes, existem mais de 10 milhões de domicílios que servem aos interesses da especulação, beneficiam uma elite econômica e causam muitos danos ao meio ambiente.
Portanto, se o crescimento da população já tem um efeito negativo sobre o meio ambiente, o crescimento ainda maior do número de domicílios tem um efeito negativo mais impactante, como mostra, entre outras coisas, a perda de áreas produtivas e os aterros sanitários que são o símbolo da insustentabilidade do modelo de desenvolvimento.
Mas a população brasileira vai começar a decrescer a partir da década de 2030, o que poderia ajudar a reverter o quadro de degradação ambiental do país. Contudo, não haverá solução se for dado continuidade ao atual modelo de produção e consumo. Por exemplo, não adianta reduzir a população humana e continuar expandindo a população de bovinos para exportar carnes e couros, enquanto o Brasil desmata o Cerrado e a Amazônia para construir hidrelétricas e expandir as pastagens e o rebanho que emite gás metano e eleva o aquecimento global. O Brasil precisa contribuir com a redução dos gases de efeito estufa e a riqueza natural do país precisa ser restituída, pelo menos aquela parte que não foi totalmente extinta para sempre.
O modelo de desenvolvimento brasileiro precisa ser repensado e o volume populacional não pode servir de desculpa para a justificativa de expansão de atividades antrópicas que são danosas para o meio ambiente e a biodiversidade. Os próximos 500 anos devem servir para que a civilização brasileira faça uma reparação dos crimes de especismo e ecocídio que foram perpetrados nos últimos 5 séculos em todo o território nacional. O Brasil precisa pagar a sua dívida ambiental. (ecodebate)

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Meta de despoluição da Baía de Guanabara para os Jogos Olímpicos???

Meta de despoluição da Baía de Guanabara, para os Jogos Olímpicos, é otimista demais, diz pesquisador
Poluição na Baía de Guanabara
O saneamento de 80% da Baía de Guanabara até 2016, um dos compromissos do Poder Público para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, é praticamente inalcançável, avaliou em 29/05/14 o pesquisador José Feres, do Instituto de Política Econômica Aplicada (IPEA). Feres publicou o artigo Em Águas Turvas: Governança do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara no 5º Boletim de Análise Político-Institucional do IPEA, no qual afirma que o sucesso da iniciativa depende mais de uma articulação na governança do que de recursos humanos ou financeiros.
Ele reconhece, no entanto, que não há tempo para criar e por em funcionamento a estrutura que propõe, em concordância com a Fundação Brasileira de Desenvolvimento Sustentável: uma autoridade pública de operação na Baía de Guanabara, que uniria órgãos públicos e representantes da sociedade civil.
“O nosso ponto é que todas essas políticas, desde 1990, tiveram resultados frustrantes pelo modelo de governança. Faltou coordenar as ações dos diferentes níveis de governo para fazer os investimentos no Programa de Despoluição da Baía de Guanabara”, argumentou Feres, que considera o atual Plano Guanabara Limpa mais bem estruturado, porém incapaz de cumprir o prazo.
Ele acrescentou que “a meta de sanear 80% seria ambiciosa no início, mas, agora, dificilmente será alcançada. Se era um prazo curto, é agora inexequível (inalcançável). Acho que a gente vai alcançar alguma melhora, que vai avançar, mas chegar a 80% eu diria que é otimista demais”.
O pesquisador elogia o atual programa, por apoiar a elaboração de planos municipais de saneamento básico e por dar maior espaço para a participação do setor privado, mas aponta a necessidade de a sociedade civil e o Comitê de Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara fazerem parte da governança, o que poderia se dar no modelo da autoridade pública: “Seria um fórum adequado para fazer a gestão da baía, além de coordenar as ações dos municípios e do estado. Daria para incorporar a sociedade civil e o Comitê de Bacias, que é responsável pela despoluição dos rios”.
O modelo proposto de autoridade pública também seria “blindado” contra ciclos políticos, que podem ser alterados em ano eleitoral, e teria autonomia para firmar convênios e tocar obras que envolvam seus consorciados. Apesar disso, para Feres, não é mais possível organizá-lo a tempo de cumprir a meta de 2016: “É uma ideia não para a meta das Olimpíadas, mas para deixar uma estrutura perene, que possa lidar com a escala dos problemas ambientais”.
Ele apontou ainda que o plano anterior – o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara, da década de 1990 – não atingiu seus objetivos por problemas de governança que levaram a falhas na concepção do projeto, falta de contrapartidas estaduais e não conclusão de coletores de esgoto, que fizeram as estações de tratamento funcionarem abaixo da capacidade. Em dezembro de 2005, uma revisão do orçamento apontou que os gastos chegaram a mais de 1,1 bilhão de dólares.
O atual plano da Secretaria Estadual do Ambiente programa R$ 1,2 bilhão em 12 ações que incluem tratamento de esgoto, de rios, fim dos lixões e reflorestamento. A secretaria informa que, desde 2007, houve aumento de 160% no nível de tratamento de esgotos no entorno da Baía de Guanabara. O combate aos resíduos sólidos, que chegam por rios, é feito por 11 ecobarreiras, e mais oito serão construídas até 2016.
Sobre a articulação com os municípios, a secretaria informou que os planos de saneamento básico dos municípios de Cachoeiras de Macacu, Guapimirim, Magé, Tanguá, Rio Bonito e Nova Iguaçu já foram concluídos, e está ultimando os planos de saneamento para Belford Roxo, Mesquita, São João de Meriti e São Gonçalo. Duque de Caxias, Nilópolis, Niterói e Itaboraí também preparam seus planos de saneamento diretamente, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento.
Em relação às competições de vela olímpica, a secretaria destaca que os locais escolhidos possibilitam maior renovação de água, e o monitoramento indica uma concentração de coliformes fecais dentro da permitida pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). (ecodebate)

Expedição vai estudar poluição plástica no Mediterrâneo

Grande expedição vai estudar poluição plástica no Mediterrâneo
Primeiro dia de visitas do público ao veleiro ‘Tara’, em Toulon, no sul da França.
A veleiro francês Tara retornou em 28/05/14 ao mar Mediterrâneo para uma longa missão de avaliação sobre a presença de resíduos plásticos nas águas e o impacto dos dejetos nos ecossistemas marinhos. O barco, que partiu de Toulon, vai realizar escalas em 13 países, ao longo de sete meses.
A missão vai investigar os efeitos de uma pressão demográfica cada vez maior nos países banhados pelo Mediterrâneo, com o aumento da poluição, principalmente plástica. Os barcos Pacífico e Ártico já haviam recolhido informações e amostras para a pesquisa em 2011 e 2013.
A viagem do Tara vai começar pela Sardenha (Itália) e segue para Durres (Albânia), as ilhas gregas, Beirute (Líbano), Haifa e Tel Aviv (Israel), Valete (Malta), Bizerta (Tunísia), Alger (Argélia), Marselha (França), Nápoles e Gênova (Itália), Perpignan (França), Barcelona (Espanha), Tanger (Marrocos) e Faro (Portugal), até retornar para Lorient, no noroeste da França. O fim da missão está previsto para 7 de dezembro.
“Atualmente, 450 milhões de pessoas vivem em torno desta bacia, um número que dobrou em 30 anos”, destacou Romain Troublé, durante uma coletiva de imprensa nesta terça em Paris, para apresentar a expedição.
O Mediterrâneo, que representa menos de 1% da superfície de oceanos do planeta, é uma imensa reserva de biodiversidade (8% das espécies). Cerca de 90% da poluição que o mar recebe vem da terra.
Conhecer melhor os impactos
Gaby Gorsky, diretor científico da expedição Tara, disse que apesar da acumulação crescente de resíduos plásticos na natureza, “conhecemos muito pouco do que está acontecendo com os plásticos e o impacto deles nos ecossistemas”. “Vamos avaliar os fragmentos de plástico que flutuam, que têm de 0,3 a 50 milímetros, e os poluentes orgânicos associados a eles”, explicou. Esse diâmetro é o resultado de vários anos de decomposição do material no mar.
O passo seguinte será analisar os ecossistemas que se formam sobre o lixo – bactérias, protozoários, micro-algas e moluscos, entre outros. Por fim, os cientistas vão estudar a interação dos ecossistemas do plâncton com os fragmentos de plásticos. Uma pesquisa realizada em 2009 indicou que havia cerca de 250 bilhões de fragmentos do material no Mediterrâneo.
A expedição Tara conta com a colaboração interdisciplinar de pesquisadores franceses, italianos, alemães e americanos. Um dos objetivos também é, em cada parada do barco, conscientizar as populações locais sobre os riscos da poluição. (ecodebate)

Poluição por plástico causa prejuízo de US$ 13 bilhões ao ecossistema marinho

Poluição por plástico causa prejuízo de US$ 13 bilhões ao ecossistema marinho, afirma Pnuma
Segundo agência da ONU, este é o valor anual dos danos causados ao ecossistema marinho; produtos de plástico que vão parar no mar podem matar tartarugas, aprisionar golfinhos e deteriorar recifes de corais.
Segundo uma estimativa do Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, o desperdício de plástico causa um prejuízo de US$ 13 bilhões por ano.
Este seria o valor dos danos causados ao ecossistema marinho. A pesquisa do Pnuma descobriu que o custo do uso de plástico em bens de consumo é de US$ 75 bilhões. E o impacto negativo é causado pela poluição do mar e também do ar, quando o plástico é incinerado.
Reciclagem
O diretor da agência, Achim Steiner, reconhece que o plástico tem papel crucial na vida moderna, mas lembra que os impactos ambientais não podem ser ignorados.
O chefe do Pnuma ressalta a importância de reduzir o uso do plástico, reciclar e redesenhar produtos feitos com o material. Steiner cita benefícios, como reduzir os danos ao ecossistema marinho, ao turismo e ao setor da pesca.
Ingestão
A pesquisa explica que uma quantidade “incalculável” de plástico entra no oceano como lixo, por atividades pesqueiras e de turismo. O material pode afundar no mar ou boiar e viajar longas distâncias.
O plástico acumulado pode ser ingerido por animais, como tartarugas, pássaros e peixes, causando morte ou doenças; pode aprisionar golfinhos e baleias e causar danos a recifes de corais.
Outras preocupações do Pnuma são contaminação química e danos às indústrias da pesca e do turismo. O relatório também afirma que empresas que reciclam plástico conseguem, juntas, economizar US$ 4 bilhões. (ecodebate)

Doenças ligadas à poluição do trânsito geram perdas

Doenças ligadas à poluição do trânsito geram perdas de R$ 7,7 tri anuais
A poluição decorrente do uso de veículos está causando perdas estimadas em US$ 3,5 trilhões (R$ 7,7 trilhões) ao ano devido a mortes prematuras e doenças, contados apenas os países desenvolvidos, a China e a Índia. O valor é maior que o PIB do Brasil, estimado em quase R$ 5 trilhões.
É o que divulgou em 21/05/14 a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), durante seu Fórum Internacional de Transporte, realizado em Leipzig, Alemanha.
De acordo com a organização, que reúne países desenvolvidos e em desenvolvimento, o valor é decorrente de nova metodologia de contagem feita pela OMS (Organização Mundial de Saúde) que apontou o número anual estimado de mortes decorrentes da poluição dos transportes em 3,5 milhões de pessoas ao ano em 2012, valor cerca de 10% superior ao registrado no levantamento anterior, de 2010.
Segundo o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, o número de mortos decorrente da poluição do transporte é maior que o estimado de mortes causadas por contaminação da água e falta de coleta de esgoto no mundo.
Para ele, o problema vem crescendo por causa de dois fatores, o aumento do número de pessoas com acesso a veículos e a falta de transporte público, aliado à falta de políticas públicas para reduzir a poluição dos transportes. Segundo Gurría, os países devem agir o quanto antes e a primeira medida deveria ser o fim do subsídio ao diesel, combustível mais poluidor que a gasolina e outros.
"Não há justificativa ambiental para taxar o diesel menos que a gasolina", disse Gurría durante entrevista na tarde de 21/05.
China
De acordo com os dados divulgados pela OCDE, o crescimento dos custos estimados com mortes e doenças causadas pela poluição foi puxado pela China, que sozinha representou US$ 1,4 trilhão, valor próximo ao dos países desenvolvidos (EUA, Canadá e União Europeia), que somaram R$ 1,7 trilhão.
A pesquisa atribui que uma parte das mortes decorrentes de ataques do coração, alguns tipos de câncer e problemas pulmonares são decorrentes da poluição. No caso da União Europeia, por exemplo, metade de todas as mortes por essas causas são associadas à poluição atmosférica específica dos transportes. Segundo o trabalho, o número pode variar de país para país.
De acordo com Guria, não foram feitos cálculos para a América Latina por falta de dados consistentes para a análise.
Mas, no mais recente trabalho sobre o tema no Brasil, divulgado em outubro de 2013 pelo ICCT (Internacional Council on Clean Transportation), ONG que trabalha em cooperação com alguns órgãos governamentais no Brasil, o país aparecia como responsável por 3,5% das mortes mundiais decorrentes poluição atmosférica do trânsito.
No relatório do ICCT, o Brasil aparece como líder na adoção de medidas para reduzir a poluição do ar no trânsito, com a adoção de combustíveis mais limpos desde o ano passado.
Segundo dados da própria OCDE, é o único país fora da Europa, Estados Unidos e Canadá a ter implementado essa mudança para ter um combustível equivalente ao nível 5 europeu. A Europa, EUA e Canadá já usam o combustível nível 6, enquanto os outros países adotam o nível 4 ou inferior.
O relatório aponta, no entanto que, se o país avançar para os padrões europeus mais rígidos, poderiam ser evitadas 2,4 mil mortes ao ano decorrente da poluição dos transportes previstas até 2030. (biodieselbr)

Países ricos investirão no combate a mudanças climáticas

Países ricos devem investir no combate a mudanças climáticas, dizem entidades
Os países ricos precisam fixar um preço para o carbono, uma taxa, um imposto, defendeu Rachel Kyte, do Banco Mundial.
Especialistas, cientistas e instituições comprometidas em debater mudanças climáticas são unânimes em defender que é preciso investimentos das nações mais desenvolvidas em ações que reduzam os impactos do aquecimento global.
“Temos que mudar rápido e temos oportunidade para utilizar nossas energias de conhecimento e financeiras para ajudar os países em desenvolvimento e pobres. As nações ricas precisam ajudar, porque têm responsabilidade. As consequências vão afetar a todos, pobres e ricos, sem distinção”, disse Jonh Gummer, presidente honorário de Globe Internacional, organização que promove a 2ª Conferência Globe Internacional para Mudanças Climáticas, na Cidade do México. Participam do encontro, 275 parlamentares de 65 países.
Segundo ele, os países mais ricos precisam assegurar que o desenvolvimento ocorra de maneira sustentável. “[Eles têm de] empoderar os países pobres e emergentes para que possam usar energias renováveis”, concluiu o representante da Globe internacional – entidade apartidária que reúne legisladores de todo o mundo e apoia iniciativas de avanço nas leis e modelos de desenvolvimento sustentável.
O vice-presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, Jean-Pascal, lamentou a ausência de representantes da Austrália e do Canadá e disse que há muito tempo para tratar o tema. “A natureza não espera. Vemos todos os dias os efeitos das mudanças climáticas. O gelo está derretendo muito mais rápido do que pensávamos. Uma quantidade de efeitos está sendo agravada”, alerta o especialista.
O Banco Mundial faz parte da Globe Internacional e neste momento tem um departamento específico para tratar do tema mudanças climáticas. De acordo com Rachel Kyte, vice-presidenta da instituição, e representante de Mudanças Climáticas no encontro, os países ricos precisam fixar um preço para o carbono, uma taxa, um imposto. No entanto, ela afirma que, apesar de já existirem muitas alternativas mostradas pelos parlamentares presentes, a maioria dos políticos não tem ideia do que se passa no mundo.
“É preciso envolver não só os ministros de Meio Ambiente, mas também os ministros de Economia e Finanças para elevar o patamar de investimentos. O setor privado, a sociedade civil organizada estão pedindo soluções”, informou Rate.
Segundo ela, o importante é a troca de experiências e o desenvolvimento de ações conjuntas e específicas nos países. “O que estamos fazendo é desenvolver sistemas financeiros para investir em crescimento de sistema de transporte, edifícios verdes, crédito para essa infraestrutura, ajudando os municípios a desenvolver um plano, uma carteira de projetos viáveis e vemos os créditos mais baratos.”
O presidente da Academia de Ciência mexicana, José Franco Lopez, disse que as autoridades, os gestores que tomam decisões importantes nas questões de clima e meio ambiente em todo o mundo, precisam levar em conta as informações técnicas e científicas já existentes. “De que adianta se nós produzimos informações, e os países mais desenvolvidos não fazem nada. Se a temperatura global continuar subindo no ritmo atual, provocando o desiquilíbrio climático que tem consequência específica na elevação do nível do mar, provocará fenômenos já conhecidos, com as populações deixando seus estados e nações.” (ecodebate)

segunda-feira, 23 de junho de 2014

ONU vai buscar ajuda legal para combater crime ambiental

Organização iniciará movimento para se tornar mais linha dura em tudo, desde o comércio ilegal de animais até a poluição.
Mulher usa máscara em Kuala Lumpur, na Malásia, devido a poluição no ar em 04/03/2014.
A ONU vai buscar nesta semana, meios para endurecer as leis ambientais e se tornar linha dura em tudo, desde o comércio ilegal de animais e plantas selvagens até a poluição por mercúrio e resíduos perigosos.
A Assembleia Ambiental das Nações Unidas (Anea), um novo fórum de todas as nações que inclui ministros do meio ambiente, líderes empresariais e a sociedade civil, vai se reúne em Nairóbi de 23 a 27 de junho/14, para buscar meios de promover um crescimento econômico mais verde.
Esse movimento inclui endurecer as leis ambientais.
“Frequentemente temos legislação ambiental que é bem intencionada, mas não é eficaz", disse à Reuters, em entrevista por telefone, Achim Steiner, chefe do Programa Ambiental da ONU (PNUMA), que vai sediar as conversações.
Muitos países aderem aos tratados ambientais, mas muitas vezes são lentos para ratificá-los e aplicá-los às leis nacionais, em questões que vão desde a proteção de plantas e animais contra a extinção até a proibição de produtos químicos perigosos ou criação de leis contra resíduos perigosos.
“Apenas a assinatura de um compromisso já é um passo, colocar as finanças, a tecnologia e as leis em vigor, são ingredientes críticos”, disse.
As conversas em Nairóbi vão incluir uma reunião de presidentes de Supremos Tribunais, advogados, promotores públicos e outros especialistas legais.
Eles vão buscar formas de melhorar a cooperação, acelerar a ratificação dos tratados e tentar encontrar modelos para uma legislação nacional.
“As atividades ilegais que prejudicam o meio ambiente estão se desenvolvendo rapidamente e aumentando sua sofisticação”, disse o PNUMA em uma declaração. A coordenação internacional foi insuficiente para prender gangues de criminosos, desde a pesca ilegal até madeireiros. (yahoo)

O Custo de oportunidade da Copa do Mundo

Torcer ou não torcer, eis a questão. Eu apoio a segunda opção convicto que esta não representa a solução dos problemas do Brasil, mas ao escolhê-la levo em consideração o custo de oportunidade aplicado à Copa do Mundo. A realização do Mundial em território brasileiro não mudará a qualidade das nossas faculdades, por exemplo, pelo simples fato que as verbas destinadas à educação são cumpridas. O problema é o ralo da corrupção.
Portanto, o custo de oportunidade da Copa do Mundo não é financeiro no sentido de questionar montantes que poderiam ter sido utilizados para construir hospitais ou escolas, mas que foram direcionados para a construção de estádios. Pode-se argumentar que os orçamentos da saúde e da educação devem ser aumentados, mas o ponto crucial é que antes de chegar aos seus destinos finais, as verbas são dilapidadas pelo mal da corrupção.
E aí entra o conceito de custo de oportunidade: torcer enfaticamente pela seleção brasileira, assistir aos mandos e desmandos de dirigentes de entidades nacionais e internacionais que impõem suas vontades sobre a cultura do Brasil pelos interesses comerciais envolvidos, e ver governantes dando justificativas pífias para os orçamentos bilionários dos estádios construídos é compactuar com a triste realidade de corrupção no nosso País; é afirmar que pelo futebol, nós aceitamos qualquer coisa.
É uma questão de honestidade intelectual questionar o que acontece no País antes, durante e depois da Copa do Mundo. E que depois de refletir sobre as mazelas nacionais, cada brasileiro faça o seu próprio julgamento se vale a pena torcer pela seleção brasileira e em qual intensidade. Para muitos, é realmente desconfortável ser patriota apenas em dias de jogos da equipe brasileira em face do que vemos na rua: brasileiros mal educados infringindo leis de trânsito, jogando lixo na rua e ignorando a realidade de moradores de rua maltrapilhos jogados para escanteio pelo poder público. E a classe política cada vez mais desmoralizada por escândalos.
Infelizmente, para outros, o exercício do “patriotismo” eventual, que na verdade nada mais é do que uma desculpa para promover celebrações pessoais e não culturais no seu sentido mais amplo, é suficiente para alguém se considerar um brasileiro que não desiste nunca. E convenhamos: esse lema “sou brasileiro e não desisto nunca” não se aplica a muitos brasileiros; apenas aos verdadeiros heróis que sobrevivem sem bolsas governamentais “pegando no batente”. Heróis não são os jogadores, mas os anônimos que ninguém aplaude e que não atraem os holofotes da mídia. (ecodebate)

País sem educação, sem saúde, sem transporte, mas da Copa do Mundo

Brasil: país sem educação, sem saúde, sem transporte, mas da Copa do Mundo e dos estádios
Todo radical em algum momento perde a razão. Não vamos nos perder em nossa causa. A luta continua em prol de um país mais justo, mais democrático, menos corrupto e, principalmente, mais solidário.
Mas vamos separar o joio do trigo.
Felipão, Neymar Jr., Júlio César e os demais não têm culpa que nossos políticos roubam, enganam, desviam verbas públicas e, depois, na cara dura veem à televisão e dão o seu recado como se a população toda fosse acéfala.
Muito pelo contrário!
Nós não compactuamos com isso, não fazemos parte dessa população desinformada e apática facilmente manipulável pelos que detêm o poder e, por isso mesmo, concordamos e apoiamos todas as vaias públicas ao seu desserviço ao nosso país.
Contudo, quem nunca ouviu falar que se parou uma guerra para ver os Jogos Olímpicos?
Um povo em guerra fez-se o cessar fogo para receber o Pelé?
Então, nada mais isso é o que está acontecendo.
Ninguém está vestindo verde e amarelo, pois está feliz com os rumos de nosso país. Estamos vestindo verde e amarelo por uma nação carente que vê em seus ídolos do futebol uma possibilidade de ascensão real, justa e honesta.
Parênteses: pois infelizmente, neste país, quem estuda também não ascende socialmente. Não enriquece e, no máximo, faz parte de uma classe média que duramente consegue pagar suas contas e, para realizar suas pesquisas, precisa de apoio financeiro internacional.
Fato este facilmente comprovado pelo espaço dado ao neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, responsável pela investigação científica do projeto “Andar de novo”, juntamente com mais de 156 pesquisadores de vários países que integram o consórcio e que não tiveram nem 30 segundos de espaço para demonstrar um experimento histórico. Mas isto é assunto para outro ‘post’ e sobre a FIFA.
Então, o que esperar…
O povo veste verde e amarelo pela seleção, por nossos jogadores e pelo espetáculo mundial.
A seleção italiana, holandesa, espanhola não tem culpa alguma sobre o que os nossos políticos fazem.
Eles estão aqui para realizarem bem o seu trabalho que é jogar futebol e encantar o mundo.
Não trazer a Copa do Mundo para cá deveria ser motivo de revolta já na candidatura e não com o estrago feito, com os estádios prontos e as delegações chegando. Ninguém tem culpa por nossos erros e as mazelas de nosso país.
Agora, o máximo que podemos fazer é dar uma trégua (período dos jogos), nos mobilizar em prol de eleições mais justas e do voto consciente no final do ano. Lutando contra a difícil missão de não deixar a população carente votar por um par de sapatos, uma cesta básica ou um beijo no rosto de criança carente. Este sim é nosso papel, pois eles merecem mais do que isso.
Hoje, com todas as delegações aqui, só podemos mostrar que, apesar de nossos políticos, não somos um bando de vândalos e nem nos igualamos a eles nos roubos. Crimes do colarinho branco não deixam de serem roubo e caso de polícia contra bandido e ladrão.
No mais, só muda um país, quem o ama além de seus próprios interesses. Quem sabe amar e respeitar ao próximo com a si mesmo. Quem sabe discernir o joio do trigo. E, principalmente, quem sabe esperar o momento certo de agir. Nunca ninguém ganhou uma guerra com radicalismo insano. (ecodebate)

sábado, 21 de junho de 2014

ONU alerta para mais de 10 milhões de km2 de terras degradadas

ONU alerta que mais de 10 milhões de km2 de terras estão degradadas
Presidente da Assembleia Geral disse que por quatro décadas a comunidade internacional tem trabalhado para combater a desertificação e a degradação; John Ashe disse que problema atinge mais da metade de toda a área agrícola global.
A ONU alertou que mais de 10 milhões de km² de terra estão degradadas, incluindo mais da metade de todas as áreas agrícolas do mundo. Essa região junta formaria o segundo maior país do mundo, perdendo apenas para a Federação Russa, que tem 17 milhões de km².
O presidente da Assembleia Geral, John Ashe, disse que por quatro décadas a comunidade internacional tem trabalhado para combater a desertificação e a degradação.
Regiões Úmidas
A declaração foi feita para marcar o Dia Mundial de Combate à Desertificação, em 17/06/14.
Ashe afirmou que a degradação das terras não é um problema somente das regiões secas, a maior parte está ocorrendo em áreas úmidas.
O presidente do órgão explicou que com os contínuos efeitos da mudança climática, o mundo vai permanecer sofrendo com eventos climáticos extremos, que por seu lado, vão causar uma degradação ainda maior da terra.
Ashe pediu aos Estados-membros que trabalhem juntos para mitigar os padrões de desertificação a fim de satisfazer as necessidades diárias do planeta, especialmente para a produção de alimentos.
Mudança Climática
Para ele, a mudança climática pode alterar profundamente a relação entre a água e a terra. O presidente da Assembleia disse que a quantidade de terra atual será bem diferente do que no futuro.
Ashe afirmou que se a comunidade internacional não agir rapidamente para garantir que o solo possa resistir à erosão e evitar a perda de água doce e a intrusão de água salgada na fonte subterrânea de água doce, não haverá terra arável suficiente para alimentar a população mundial.
Ele afirmou que é necessário assegurar que cada ecossistema, grande ou pequeno, esteja protegido contra os eventos climáticos extremos.
Ashe disse que o compromisso mundial de atingir um nível de degradação neutro da terra é um passo importante e deve ser concretizado através de metas comuns e com claros indicadores de sucesso.
Investimentos
Esses objetivos, segundo o presidente da Assembleia Geral devem ter o apoio de planos de ação com investimentos.
Segundo ele, o grupo de trabalho da Assembleia Geral está determinado a transformar essa aspiração em um resultado concreto das metas de desenvolvimento sustentável.
Para Ashe, um mundo com um nível de degradação neutro da terra deve ser a regra para a geração atual.
Ele disse que a comunidade internacional deve buscar esse objetivo porque cada enchente, seca, deslizamento de terra, tornado, onda de calor ou submersão costeira rouba de todos uma fonte natural inestimável que é a terra produtiva. (ecodebate)

Alertas de desmatamento em maio somam 271 km2

Monitoramento
Resultados devem ser analisados em conjunto com informações sobre cobertura de nuvens, conforme estudos sobre maio.
As áreas de alerta de desmatamento e degradação na Amazônia somaram 271 km2 em maio, segundo os dados registrados pelo Deter, o sistema de detecção do desmatamento em tempo real do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE/MCTI) baseado em satélites e destinado a orientar a fiscalização em campo.
Os resultados do Deter devem ser analisados em conjunto com as informações sobre a cobertura de nuvens, que afeta a observação por satélites. As áreas em rosa do mapa a seguir correspondem aos locais que estiveram encobertos no período. No mesmo mapa, os pontos amarelos mostram a localização dos alertas emitidos pelo Deter.
Mapa de alertas de maio, mês em que a cobertura de nuvens impediu a observação de 51% da Amazônia.
Realizado pela Coordenação de Observação da Terra do INPE, o Deter é um serviço baseado em dados de satélite de alta frequência de revisita. Os alertas produzidos servem para orientar a fiscalização e garantir ações eficazes de controle da derrubada da floresta. Embora sejam divulgados relatórios que reúnem dados de um ou mais meses, os resultados são enviados quase diariamente ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).
Para computar a taxa anual do desmatamento por corte raso na Amazônia, o INPE utiliza o Prodes, que trabalha com imagens de melhor resolução espacial capazes de mostrar também os pequenos desmatamentos. (brasil)

Brasil tem condições de chegar ao desmatamento zero

Brasil tem condições de chegar ao desmatamento zero, diz secretário
Preservação do meio ambiente
Carlos Nobre destaca também viabilidade de o País contribuir para diminuição das emissões de gases de efeito estufa
Em entrevista a programa televisivo, o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Carlos Nobre, destacou a viabilidade de o País reduzir ainda mais o desmatamento e contribuir para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa. “Há condições plenas de chegarmos ao desmatamento zero”, afirmou o climatologista. 
Na conversa com o jornalista José Roberto de Toledo, no programa A Notícia da Rede TV, nesta semana, Nobre lembrou que o País tem, cada vez mais, se aproximado da meta estabelecida pelo governo de reduzir os desmatamentos na Amazônia para 3.600 km2 por ano até 2020.
“O Brasil iniciou com muito sucesso uma política pública de redução do desmatamento. Nós saímos de 27 mil km2, de 2004 para 2005, desmatados na Amazônia e numa área grande do Cerrado. Nos últimos anos, ficamos em torno de 5 mil quilômetros quadrados e o esforço é ainda maior”, disse o cientista ao ressaltar a redução de 80% dos desflorestamentos no período entre 2008 e 2010.
A expectativa é de que esse comportamento se mantenha em novas análises referentes aos últimos anos. Na sua avaliação, trata-se de um fator relevante para o Brasil, já que o desmatamento contribui para grande parte das emissões. Para exemplificar, o pesquisador compara o tamanho de um campo de futebol a 10 mil m2 de floresta desflorestada, o que representaria de 120 a 150 toneladas de gás carbônico a serem enviadas à atmosfera. 
Segundo Nobre, de cerca de 2 milhões de km2 existentes no Brasil, em forma de pastagens, estão degradados ou sendo convertidos para formas de agricultura mais produtivas, com a produção, por exemplo, de bioetanol (combustível renovável produzido a partir de resíduos agroindustriais, como o bagaço de cana). Para o secretário, apostar na energia renovável e numa agricultura mais eficiente é uma estratégia significativa diante do desafio de evitar um processo acelerado de aquecimento global.
Produtividade agrícola
O cientista destaca, ainda, o desacoplamento das emissões com o crescimento econômico. “A agricultura brasileira aumentou a sua produtividade, nesses últimos oito anos, como ocorreu na Amazônia e o desmatamento caiu”, frisou o pesquisador ao defender a necessidade de mais ciência, precisão e alta tecnologia e tecnificação no campo, bem como redução da área plantada e maior produção.
“Hoje a agricultura moderna brasileira já se deu conta de que o caminho da agricultura mundial é o aumento da produtividade. No Brasil, ainda que tenhamos excelentes exemplos de agricultura de ponta com altíssima produtividade, o potencial está longe de ser atingido”, ressaltou o cientista, que sustenta a importância de o país conhecer melhor a sua biodiversidade e descobrir novas maneiras de agregar valor aos produtos agrícolas. 
Ele citou o exemplo da produção de açaí no Norte do país: “Um hectare em produção de açaí rende em média entre R$ 2 mil e 2,5 mil de lucro para o produtor, enquanto um hectare destinado à criação de gado rende entre R$ 150 e 200”. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), comentou o secretário, descobriu uma substância extraída do açaí que atua como um importante corante para mostrar placas bacterianas.
“Então nós temos muito que ir para essa economia da biodiversidade brasileira, que é um enorme potencial que o Brasil ainda não explorou, mantendo a integridade dos ecossistemas”, disse. “Esse é um desafio também de ciência, de desenvolver conhecimento, e de descobrir novos usos dos produtos da biodiversidade.”
A ideia é aproveitar a vocação do país para a produção de bioenergia, bioetanol e seus bioprodutos, como fertilizantes, cosméticos, alimentos e plásticos. “A indústria chamada química verde está indo muito nesta direção. O Brasil tem tudo para ser um grande líder da chamada bioeconomia do futuro, quer dizer: numa economia muito baseada nos recursos naturais”, afirmou.
Aquecimento Global
Na avaliação do especialista em mudanças climáticas, embora o desmatamento tropical tenha registrado queda no Brasil e em outras regiões do planeta, isso não reduz as preocupações quanto ao aquecimento global. Ele lembra que a temperatura global aqueceu, em média, cerca de 1°C no continente e pouco menos (entre 0,6 e 0,7°C) na superfície do oceano desde 1860. “É pisar no acelerador da máquina climática planetária numa velocidade 50 vezes maior do que os ciclos naturais, essa é a grande preocupação”, alertou.
Nobre explicou que as sociedades modernas têm injetado uma grande quantidade de gases na atmosfera que causam o aquecimento – especialmente a partir da queima de combustíveis fósseis e das florestas e com as atividades agrícolas –, enquanto a atmosfera não consegue se livrar de 50% desses gases que, em quantidade excessiva, causam o aquecimento da Terra.
Mesmo que os países reduzam o desmatamento a zero, se o aquecimento continuar a maioria das florestas tropicais não resistirá a 4 ou 5 graus de aquecimento, disse. “As espécies não se desenvolveram em ambientes com essas temperaturas e extremos climáticos. Se o clima mudar muito e houver um descontrole completo do clima, se não conseguirmos reduzir as emissões vamos ver globalmente um total rearranjo dos ecossistemas dos grandes biomas”, reforçou.
As projeções agora, na avaliação de Nobre, dependem muito da efetividade do acordo global dos países feitos na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que tem como um dos aspectos centrais a redução dos riscos futuros de um superaquecimento. Para evitar isso, as nações concordaram em fazer todos os esforços para limitar as emissões. O entrevistado analisou que o desafio agora, para essa sociedade dependente de alimentos e de confortos, é virar a página e entrar num modelo que mantenha a segurança alimentar, energética, hídrica e, ao mesmo tempo, reduza as emissões.
“Então esse tem sido o grande dilema: a ciência enxerga esses riscos e comunica. A convenção climática também aceita que esses riscos existem, tanto é que, em 2009, em Copenhague, todos os países concordaram que nós não devemos deixar o planeta aquecer mais que 2°C, mas as emissões não estão reduzindo, estão aumentando ano após ano”, enfatizou. (brasil)