sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Arborização urbana levam em conta desenvolvimento sustentável

Arborização urbana: variáveis a levar em conta para um desenvolvimento sustentável.
A arborização urbana gera benefícios ambientais e sociais e contribui para uma melhoria da qualidade de vida da população dos centros urbanos. Por falta de um planejamento, o plantio de árvores em vias públicas tem gerado problemas a moradores, tais como o confronto com equipamentos urbanos, como rede elétrica, de esgoto, de água, dentre outros. A partir de tal fato o objetivo desta discussão é analisar variáveis a partir de pesquisas em artigos com relação ao tema “Arborização Urbana”. Após a elaboração da pesquisa foi possível observar que inúmeros são os benefícios trazidos pela arborização urbana, porém, é fundamental que a mesma seja feita com base em planejamentos, pois não são todos os tipos de árvores que devem ser destinados ao espaço urbano, pois assim, evitam-se problemas e é possível construir um desenvolvimento sustentável.
Introdução
A arborização exerce função importante nos centros urbanos, sendo responsável por uma série de benefícios ambientais e sociais que melhoram a qualidade de vida nas cidades e a saúde física e mental da população. Arborizar uma cidade não significa apenas plantar árvores em ruas, jardins e praças, criar áreas verdes de recreação pública e proteger áreas verdes particulares. A arborização urbana passa a ser vista nas cidades como importante elemento natural reestruturador do espaço urbano, pois aproxima as condições ambientais normais da relação com o meio urbano (RIBEIRO, 2009).
Dentro de um percurso de tempo não muito distante o homem vem permutando o meio rural pelo meio urbano. As cidades foram crescendo, na maioria das vezes de forma muito rápida e desordenada, sem um planejamento prévio adequado, ocasionando, com isso, uma série de problemas que interferem significativamente na vida dos seus habitantes (PIVETTA; SILVA FILHO, 2002). Essa realidade demanda ao meio urbano necessidades de criar condições que venham melhorar a convivência dentro de um ambiente cada vez mais adverso e insalubre, com uma variedade de atividades que nesses lugares se desenvolvem. O regime de chuva e a temperatura podem sofrer alterações, devido à atividade humana desenvolvida que tem causado profundas mudanças no clima local (GONÇALVES et al., 2012).
A qualidade de vida dos habitantes de uma cidade é interferida com o processo de mudanças ocorrido com a sua urbanização (MODNA; VECCHIA, 2003). Tais mudanças têm relação principalmente com a qualidade do ar, nas quais têm provocado alterações de sua umidade relativa, temperatura e movimento, como também a dispersão de poluentes (ROCHA; SOUZA, 2009).
É preciso considerar que a arborização de uma cidade promove que suas temperaturas sejam mais amenas se comparado com as que não possuem muitas árvores e tem muito concreto ao longo de suas ruas. (BONAMETTI (2000). Muitos benefícios são descritos pelos moradores de locais bem arborizados, principalmente em relação ao ar mais puro, a menor quantidade de poeira e ainda a presença das sombras, tanto para descanso das pessoas, como ainda para a proteção dos carros. Mesmo com esses atributos positivos em uma cidade bem arborizada, tem aqueles que vêem com mais ênfase os problemas, entre outros que as árvores fazem muita sujeira nas ruas e calçadas, reduz a iluminação pública, podem provocar problemas nas calçadas devido suas raízes, e pode também causar problemas com a rede elétrica e telefônica (CABRAL, 2013).
Schuch (2006) salienta que para a arborização urbana propiciar benefícios à população, exige um planejamento criterioso e um manejo adequado. Para tanto, torna-se necessário o conhecimento do patrimônio arbóreo, que pode ser obtido por meio de inventário, recurso que se constitui em uma ferramenta fundamental para a obtenção de informações precisas acerca da população arbórea.
Diante destas problemáticas acima citadas, o trabalho tem o objetivo de levantar variáveis para que se construa um desenvolvimento sustentável, permitindo compreender como a arborização pode ser benéfica para a qualidade de vida das pessoas, desde que seja feita levando-se em consideração as características urbanas.
Metodologia
O presente artigo baseia-se na revisão bibliográfica de artigos que abordam o tema da pesquisa “Arborização Urbana e Município verde”, para melhor elaboração do projeto. Avaliando o conhecimento em pesquisas precedentes, analisando e identificando problemas relacionados aos assuntos, conceitos, benefícios sobre os temas, será possível desenvolver este artigo.
Importância da arborização
É necessário lembrar que a paisagem urbana é composta por casas comerciais, indústrias, residências, arborização e paisagismo, sistema viário, estruturas e equipamentos das empresas de energia elétrica, de água, saneamento e de telecomunicação.
De acordo com a EMBRAPA (2000), a arborização é um componente de grande importância urbana. Além da função paisagística, ela proporciona outros benefícios à população tais como: purificação do ar pela fixação de poeiras e gases tóxicos e pela reciclagem de gases através dos mecanismos fotossintéticos; melhoria do microclima da cidade, pela retenção de umidade do solo e do ar e pela geração de sombra, evitando que os raios solares incidam diretamente sobre as pessoas; redução na velocidade do vento, influência no balanço hídrico, favorecendo a infiltração da água no solo e provocando evapotranspiração mais lenta; abrigo à fauna, propiciando uma variedade maior de espécies, e o que influencia positivamente ao ambiente, pois propicia maior equilíbrio das cadeias alimentares e diminuição de pragas e agentes vetores de doenças e amortecimento de ruídos.
A arborização urbana no Brasil é de competência das administrações municipais (BONONI, 2006). Embora haja uma crescente disposição, tanto dos órgãos governamentais envolvidos, como de grande parcela da população, muitos são os problemas enfrentados, como a falta de técnicos capacitados que orientem sobre um plantio correto, escolha da espécie, poda de formação, utilização de tutores, grade de proteção, irrigação em período de estiagem e adubação.
Assim, para alcançar a qualidade do ambiente urbano é necessário realizar um planejamento prévio, para que não surjam problemas decorrentes do plantio. Análise da vegetação e do local e desenvolvimento da população são componentes a serem observados para que haja esse planejamento (CEMIG, 1996). Dessa forma é possível afirmar que a arborização deve ser a mais diversificada possível, por motivos estéticos, pela preservação da fauna e da própria biodiversidade vegetal e da cultura regional. Além disso, podem ser utilizadas espécies exóticas, mas a prioridade são as plantas nativas.
Arborização e seus benefícios
Arborização é algo muito importante para se ter uma boa qualidade de vida, ela propícia um bem-estar tanto mental como social nas cidades, esta faz parte do cenário urbano, tornando a paisagem mais bonita. De acordo com o Manuel de Arborização de Minas Gerais (2011), as árvores são a maior forma de vida existente no planeta, presentes em praticamente todos os continentes. Apresentam alto grau de complexidade e de adaptações às condições do meio, permitindo sua convivência em diversos ambientes, incluindo as cidades.
A arborização colabora de forma significativa para a melhoria do conforto urbano. É elemento de contemplação, fornecedora de flores e frutos atrativos, e centro de configuração paisagística, como ponto de referência para orientação e identificação, possibilitando a proximidade e convivência do homem com a natureza no espaço construído (PORTO; BRASIL, 2013).
As arvores proporcionam sombra, abrigo para os animais pequenos, além de fornecer seus alimentos. Retém o calor causado pelas zonas urbanas, ajuda na diminuição da poeira, ameniza a poluição sonora e contribui para redução de microrganismos patogênicos, ajudando a conservar a limpeza da cidade e a saúde da população. A complexidade da construção de uma cidade arborizada, dificulta no interesse dos serviços públicos, deixando muito a desejar, por isso, muitas cidades ainda não possuem um plano propriamente dito para o plantio e os cuidados complementares de se ter uma árvore.
A arborização constitui elemento de suma importância para a obtenção de níveis satisfatórios de qualidade de vida. No entanto, poucas cidades brasileiras possuem planejamento efetivo para arborização de suas vias públicas (FARIA; MONTEIRO; FISCH 2007).
Principais problemas da arborização
O crescimento desordenado dos centros urbanos gerou uma condição de artificialidade em relação às áreas verdes naturais e com isso vários prejuízos à qualidade de vida dos habitantes. Porém, parte desses prejuízos pode ser evitada pela legislação e controle das atividades urbanas e outra parte amenizada pelo planejamento urbano, ampliando-se qualitativa e quantitativamente a arborização de ruas e as áreas verdes (MILANO, 1987).
Como já citado anteriormente, a maioria dos problemas de arborização urbana são causados pelo confronto de árvores inadequadas com equipamentos urbanos, como fiações elétricas, encanamentos, calhas, calçamentos, muros e postes de iluminação.
Outras causas que acarretam problemas são queda de folhas, flores, frutos e galhos. Também facilitam a ação de bandidos quando atrapalham a iluminação pública e quando são plantadas perto dos muros ou cresce torta, facilitando os assaltantes subirem nas árvores para pularem para dentro das casas. Outra causa é a dificuldade no trânsito de veículos e pedestres ao obstruírem placas de orientação. Os galhos muito baixos dificultam o estacionamento de veículos e passagem dos pedestres. Estragos na calçada por raízes é outro problema em que uma muda mal plantada acarreta a população (RIBEIRO, 2009).
Arborização e a utilização das espécies nativas
A manutenção das espécies nativas é de suma importância para a preservação das mesmas e contribuem com o sucesso do funcionamento dos projetos de arborização. Segundo Ceccheto (2014), ao se utilizarem as espécies nativas regionais na arborização urbana, a coexistência e sobrevivência dessas espécies em escala local poderiam ser garantidas.
As espécies nativas possuem diversas predominâncias favoráveis em relação às exóticas, sendo algumas delas: adaptabilidade garantida ao clima e solo; melhor desenvolvimento metabólico; maiores possibilidades de produção de flores e frutos saudáveis; propicia a alimentação para animais também nativos, conservando a fauna local; promulga a proliferação da espécie, evitando a sua extinção; evita o aumento de espécies invasoras exóticas e as doenças e pragas ocasionadas pelas mesmas; além de oferecer os benefícios comuns a todos os gêneros arbóreos (CECCHETTO; CHRISTMANN; OLIVEIRA; 2014).
Além de trazer uma singularidade para a região, valorizando a paisagem construída, tornando-se atrativa para turistas. Pois com espécies nativas é mais fácil a identificação a localidade observada.
Planejamento da arborização urbana
É comum constatar-se a diminuição de vegetação natural à medida que se acelera o processo de urbanização, em face dos reflexos das políticas públicas estabelecidas pelas três esferas governamentais (Federal, Estadual e Municipal), afetando o equilíbrio ecológico urbano e contrariando os interesses de bem-estar da população (SCHUCH, 2006).
Primeiro passo para desenvolver um projeto de arborização dentro de um município, é conhecer área em questão, para que assim possa-se cogitar o tipo de espécie (tamanho, comprimento, largura) que podem ser plantadas no local, dando preferência as espécies nativas da região. Para isso, são necessários que contratem profissionais especializados, caso contrário, o que seria um lugar de tranquilidade, beleza, sombra e ventania nos períodos quentes pode vir a se tornar um lugar perigoso, devido a redes elétricas e durante período chuvoso.
A arborização deve ser incorporada à prática de planejamento urbano, levando-se em consideração os benefícios que esta proporciona à cidade e à população que nela habita, considerando, porém, o aspecto vegetativo e físico da árvore, de modo a obter o convívio harmonioso entre está e o meio urbano (PORTO; BRASIL, 2013).
Uma cidade arborizada não é tarefa fácil, exige minuciosamente um bom planejamento urbano. É indispensável uma organização de forma coerente, para que as árvores não se tornem prejudiciais as vias públicas e privadas como em: avenidas, ruas, casas, redes de esgotos, distribuição de água, redes elétricas, prédios, ambientes de lazer e principalmente uma atenção especial para o tipo de espécie da região onde está sendo localizada a cidade em questão. Para que futuramente, não se torne necessário sua remoção. Plantar apenas não soluciona o problema, plantios em locais indevidos podem trazer grandes danos.
A arborização bem planejada é muito importante independentemente do porte da cidade, pois, é muito mais fácil implantar quando se tem um planejamento, caso contrário, passa a ter um caráter de remediação, à medida que tenta se encaixar dentro das condições já existentes e solucionar problemas de toda ordem (PIVETTA; SILVA, 2002).
Desse modo, faz-se necessário levar em consideração alguns eventos que são importantes como: a definição do espaçamento entre as mudas, pois ao serem plantadas elas dependem, entre outros fatores, da largura das ruas e das calçadas.
Resultado e discussão
Ainda existem muitos desafios a serem superados para que a arborização urbana no Brasil seja considerada satisfatória, no sentido de proporcionar maior qualidade ambiental à população urbana. Dentre estes desafios, podem-se apontar maiores investimentos em infraestrutura e planejamento urbano voltado ao incremento da arborização urbana, maior valorização da arborização urbana como elementos essenciais à paisagem urbana, investimentos em capacitação de profissionais junto às secretarias municipais de meio ambiente e distribuição mais igualitária da flora urbana e de seus serviços ecossistêmicos entre bairros de diferentes classes sociais nas cidades brasileiras.
A arborização urbana é um tema que está sempre em discussão quando se trata de meio ambiente, qualidade de vida nas cidades e melhoria no ar que respiramos. Todos os seres vivos necessitam de um ambiente equilibrado ecologicamente para sobreviver. Muitas vantagens podem ser apontadas com a arborização, como melhoria na qualidade do ar, beleza nas ruas, redução da poluição sonora, redução de calor, sombreamento, além da produção de flores e frutos, o que embeleza ainda mais as ruas arborizadas adequadamente.
A falta de planejamento da urbanização introduz elementos hostilizadores à prática da arborização urbana, como calçadas estreitas, vias não projetadas ao plantio de árvores, rede elétrica, fachadas de empreendimentos comerciais, cercas elétricas, dentre outros. Portanto, as ações voltadas ao incremento da arborização urbana no Brasil para melhoria da qualidade ambiental urbana devem priorizar o investimento em infraestrutura urbana anteriormente planejada para sua introdução.
Mas se as pessoas ao plantar árvores em frente às suas casas seguirem alguns critérios sugeridos por órgãos competentes, muitos dos conflitos poderiam ser evitados. Se for obedecido algumas recomendações como o porte das árvores plantadas, estas provavelmente não causarão danos físicos às calçadas e nem alcançarão as redes elétricas.
Conclusão
Com base nos levantamentos de dados obtidos através de pesquisas bibliográficas, verificasse como é importante a arborização e seus benefícios junto a um planejamento arbóreo no município, pois fica comprovada a necessidade de uma seleção de árvores adequadas para cada localidade, além da escolha correta do local da mesma, pois nem toda planta tem a estrutura correta para ser plantada em qualquer área, por isso, é necessário o envolvimento com arquitetos, engenheiros, paisagistas, órgãos públicos, privados e toda a comunidade em geral, para que dessa forma, o projeto tenha êxodo.
É importante destacar o envolvimento da comunidade em geral, destacando projetos que venham a desenvolver o senso crítico e que desperte a comunidade, principalmente as crianças, a preocupação e a importância de espaços arborização dentro do município, formando assim, uma comunidade integrada, preocupada e conscientizada sobre os problemas ocasionados devido à ausência ou a pequena quantidade de árvores na cidade.
Além disso, concluímos que a população deve observar técnicas de espaçamento entre espécies, a distância da árvore em relação ao poste de iluminação, a garagens e outros locais que possam desencadear problemas. O tipo de espécie a ser plantada é relevante, pois vale lembrar que uma muda cresce e que a população deve respeitar o tamanho da copa e a estrutura de raízes das árvores para evitar problemas futuros. É necessário que se realize podas de formação, pois algumas espécies consideradas de médio porte podem crescer e causar confrontos. (ecodebate)

Biocombustível RenovaBio pode ser aliado contra desmatamento

Programa para biocombustível RenovaBio pode ser aliado contra desmatamento.
O RenovaBio, política de biocombustíveis do Brasil que terá o pontapé inicial no próximo dia 24, trará mecanismos que visam incentivar empresas do setor a cumprir rigorosas regras contra o desmatamento para expansão agrícola.
Essas metas devem mobilizar as indústrias de etanol e biodiesel em prol da redução de danos ambientais em momento em que o país registra avanço do desmatamento, segundo especialistas.
A iniciativa, que visa garantir receita adicional ao produtor de biocombustível pela redução de emissões de gases de efeito estufa proporcionada pelo uso de etanol e biodiesel, requer que áreas usadas para cana, soja e milho não tenham sofrido desmate após novembro de 2018, ainda que a lei ambiental permita.
Essa receita adicional deverá ser obtida pela emissão, pelas usinas, dos chamados créditos de descarbonização (CBio), que serão comprados pelas distribuidoras de combustíveis para compensar as emissões pela venda de combustíveis fósseis.
No horizonte de uma década, por meio dos CBios, o RenovaBio tem objetivos de retirar cerca de 670 milhões de toneladas de dióxido de carbono da atmosfera, contribuindo para o cumprimento das metas do Acordo de Paris, além de impulsionar a indústria de biocombustível.
Criado por lei aprovada no final de 2017, na administração Michel Temer, o programa teve a regulamentação concluída já sob o governo Jair Bolsonaro, que tem levantado tensão entre ambientalistas devido à alta nos índices de desmatamento na Amazônia e às declarações polêmicas do presidente sobre o tema.
"Se tiver um hectare desmatado após novembro de 2018, a propriedade rural está fora do RenovaBio", destacou o gerente de Economia e Análise Setorial da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Luciano Rodrigues, em referência a áreas produtoras das principais matérias-primas dos biocombustíveis.
Em entrevista à Reuters, ele disse que, para evitar questionamentos, as regras do RenovaBio são mais rigorosas do que as estabelecidas pelo Código Florestal, que autoriza o desmatamento de parcelas da propriedade rural em percentuais que dependem da região, com normas mais severas no Bioma Amazônico, onde é permitido pela lei desflorestar até 20% da área.
O rigor do RenovaBio em relação ao desmatamento, a principal fonte de emissão de carbono no Brasil, será estabelecido em um momento em que integrantes do próprio governo e agricultores questionam a Moratória da Soja, um programa da indústria que proíbe a compra de grãos de áreas do Bioma Amazônico desflorestadas após 2008. Fazendeiros querem ter o direito de usar toda a área agrícola que a lei permite.
Desafio de rastrear
No caso do setor de etanol de cana, que pela própria lógica do negócio trabalha com fornecedores mais próximos das usinas, o controle da origem da matéria-prima livre de desmatamento seria mais fácil, concordou o economista da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Daniel Amaral.
Questionado, ele admitiu que a rastreabilidade da soja e do milho é questão que exige atenção, pois os grãos são comprados de vários fornecedores e armazenados em um mesmo silo.
"Isso acaba sendo um desafio... a soja, desde que armazenada em boas condições, ela pode ser transportada de Mato Grosso para a China, para qualquer lugar. Isso traz desafio maior de estreitar o relacionamento com o produtor", comentou ele, lembrando que o RenovaBio exige que o agricultor tenha Cadastro Ambiental Rural (CAR), uma ferramenta de rastreabilidade.
Ele disse ainda que o RenovaBio, por meio dos CBios, deverá dar um incentivo financeiro aos integrantes da cadeia produtora, permitindo uma espécie de pagamento por serviços ambientais. Segundo Amaral, caberá a cada setor negociar para definir valores que poderão ser repassados aos fornecedores.
De olho nisso, dezenas de empresas já estão participando do processo em busca da aprovação para emissão de CBios, incluindo unidades de multinacionais como a Cofco, Tereos e BP, além de brasileiras como Biosev e São Martinho, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Até sexta-feira, 47 companhias estavam em fase de consulta pública para certificação visando emissão dos certificados. Outras 40 estavam sob aviso de início de consulta pública, enquanto 29 passavam por consulta e cinco haviam sido aprovadas, apontou a ANP, incluindo unidades de biodiesel BSBios e JBS, além plantas de etanol da São Martinho e da usina Vale do Paraná.
Com base neste interesse inicial, a reguladora afirmou à Reuters em nota que acredita que as empresas aprovadas nos próximos meses serão suficientes para que o país atinja a meta de 2020, de descarbonização de 28,7 milhões de toneladas.
"Os produtores de maior volume estão em processo de certificação, o que nos dá segurança para alcançar as metas".
Eficiência, a chave do negócio
Enquanto associações do setor admitem que ajustes finos precisam ser feitos para aprimorar o RenovaBio, todos têm certeza de que as empresas precisarão buscar eficiência para conseguir tirar o melhor proveito do programa.
"A usina mais eficiente vai emitir mais CBios... O programa vai resultar em mais produtividade...", disse o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues.
O grau de eficiência será medido no processo de autorização para emissão dos CBios e ditará a proporção de certificados a serem obtido pelos produtores para cada volume de etanol comercializado.
Assim uma usina mais eficaz poderá emitir certificado com metade do volume de etanol que uma usina menos eficaz precisaria comercializar para obter o mesmo CBio, disse o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues.
"A diferença do ganho entre uma mais eficiente e uma menos eficiente pode ser de 100%", apontou ele, o que explicaria a corrida por uma nota melhor e, por consequência, pela possibilidade de maior receita com o RenovaBio.
O presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Guilherme Nolasco, defendeu que a RenovaCalc (calculadora para definir a nota de desempenho ambiental das usinas) seja ajustada para capturar alguns ganhos de eficiência, como por exemplo a redução na aplicação de adubos devido ao resíduo de fertilizante deixado no solo para o milho, após o cultivo da soja.
"Há uma dificuldade de segregação de insumos de primeira e segunda safra, mas o governo e a ANP estão muito abertos a construir os ajustes necessários...", disse Nolasco, acrescentando que, no que diz respeito à questão ambiental, ainda que o milho usado pelas usinas seja plantado "em áreas consolidadas" (sem desmatamento), o setor está discutindo a criação de um "dispositivo de rastreabilidade de origem".
Marcos Fava Neves, professor titular da USP e da FGV, especialista em planejamento estratégico do agronegócio, avalia que o setor conta com amplas áreas de pastagem no Brasil para ampliar a produção de matérias-primas sem apresentar problemas ao RenovaBio, e que os CBios, ao ampliarem a renda das empresas, estimularão a produção sustentável.
Assim como as associações, Neves evitou fazer estimativa de preço para o mercado de CBio. Mas ele avaliou que a margem das usinas pode aumentar em cerca de 30% com o programa e os certificados. (noticiasagricolas)

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

A crescente ameaça do lixo eletrônico

Os incríveis avanços da tecnologia nas últimas décadas trouxeram grandes avanços à nossa comodidade, segurança e saúde, mas também trouxeram severos impactos socioambientais, da extração de recursos naturais à geração de lixo eletrônico ou e-lixo. E o lixo eletrônico é um dos resíduos tóxicos que mais crescem de ano para ano.
Em 2017, a ONU estima que foram produzidos 44 milhões de toneladas de lixo eletrônico e elétrico , o equivalente a mais de 6 quilos por habitante do planeta. No ritmo atual, o nível de produção de lixo eletrônico global deverá alcançar 120 milhões de toneladas ao ano em 2050.
É um silencioso desastre socioambiental, que poucos percebem, mas que afeta a todos.
Como qualquer outro resíduo, ao lixo eletrônico também se aplica as regras dos 3 R’s – Reduzir, Reutilizar e Reciclar.
É óbvio que para qualquer tipo de resíduo a sua redução é a solução mais inteligente. Mas será possível reduzir a geração de lixo eletrônico?
A primeira solução possível é a redução da produção e consumo. Não temos à nossa disposição uma Terra B e, por isto, habitando um planeta finito, com finitos recursos, devemos entender que a lógica de crescimento baseada em extração-produção-consumo-descarte é insustentável e não poderá ser mantida por muito tempo.
Mas será realmente possível reduzir o consumo de produtos eletrônicos que, afinal, fazem parte do nosso dia a dia e são, cada vez mais, úteis e necessários.
No caso dos produtos eletrônicos de uso pessoal e residencial a resposta é sim, a partir da lógica do consumo responsável. Ao contrário do impulso consumista, o consumo responsável supõe que nosso consumo ocorra apenas e tão somente se e quando necessário.
É o caso dos aparelhos celulares que, de verdade, não possuem diferenças tecnológicas tão evidentes de uma geração para outra. Raríssimas pessoas precisam trocar de celular a cada nova geração do produto e a troca pela troca é um claro exemplo de consumismo, com consequências negativas para os limitados recursos naturais e para a própria sociedade. É desnecessário e caro.
Enquanto isto, a reutilização de eletrônicos é um mercado crescente que também pode influir na redução desnecessária de produtos novos.
A primeira e natural forma de reuso está na atualização dos nossos próprios equipamentos, como computadores e celulares, dos quais podemos trocar fontes, processadores, placas, baterias e, com isto, utilizá-los por mais, melhor e por mais tempo.
Se não for este o caso, podemos revendê-los. Computadores, celulares, eletrodomésticos, eletrônica embarcada em veículos, etc., podem ser úteis e necessários para outras pessoas.
Já existe um mercado legal de compra e venda de eletrônicos usados e tudo indica que este mercado continuará em crescimento, atendendo a uma demanda igualmente crescente.
A terceira hipótese de reutilização ocorre por remanufatura, quando o equipamento passa por reprocessamento, transformando-se em um novo equipamento.
Vejamos um exemplo. Nos cassinos podem existir centenas de máquinas de jogos, os caça- níquéis, que ficam obsoletos ou inutilizados em poucos meses. Isto geraria uma montanha anual de lixo eletrônico, que, na prática, é reduzida porque estas máquinas são desmontadas e seus componentes eletrônicos são recuperados e reutilizados em um novo equipamento. Com isto o cassino consegue reduzir custos ao mesmo tempo que também reduz a produção de resíduos.
E, por fim, temos a reciclagem, que é um dos mais sérios desafios na destinação do lixo eletrônico. Estima-se que, em termos globais, 20% dos resíduos eletrônicos sejam reciclados, o que significa um imenso desperdício de recursos naturais, tais como ouro, prata, cobre e outros materiais de alto valor e uma inacreditável fonte de resíduos tóxicos.
Refletir sobre o tema está cada vez mais urgente porque, diante de tantos desafios ambientais globais, o e-lixo tende a se tornar um dos mais relevantes e com grande potencial de danos.
Para ilustrar o tema ‘lixo eletrônico e qual é o tamanho do problema’, a Betway Cassino Online, site de caça níquel, produziu um interessante infográfico, que reproduzimos abaixo:
(ecodebate)

Aquecimento global, pontos de inflexão climática e o efeito dominó

"O ponto de não retorno não está mais no horizonte. Ele já está à vista e avançando na nossa direção". António Guterres (02/12/2019).
O fenômeno do aquecimento global já devasta o Planeta, causa danos crescentes e está apenas em seu começo. Seguindo as tendências das últimas décadas, a Terra caminha para um “ponto de inflexão global” que pode ser o início de um efeito dominó – capaz de gerar uma série de acontecimentos em cascata – que representa um perigo existencial à civilização e uma ameaça à sobrevivência da vida humana e da vida não humana.
De fato, o mundo está passando por um ponto de mutação, pois o aquecimento global não é mais um problema como outro qualquer, mas sim o evento que engloba e potencializa todos os demais e obriga a humanidade a repensar suas prioridades diante da possibilidade de um armagedon ecológico.
Indubitavelmente, uma catástrofe ambiental será o prenúncio de uma catástrofe social. O Planeta vive uma situação de emergência climática, pois se o caos ambiental não for evitado, um colapso ecossocial será inevitável. Atingindo as condições denominadas “Terra Estufa” tornaria diversas áreas do Planeta inóspitas e inabitáveis.
Não faltam alertas e estudos científicos. A publicação mais recente não tergiversa sobre as ameaças que temos pela frente. Um grupo de renomados pesquisadores do clima, publicou o artigo “Climate tipping points — too risky to bet against”, na influente revista Nature (27/11/2019), mostrando as crescentes evidências de que mudanças irreversíveis já estão ocorrendo nos sistemas ambientais da Terra gerando um “estado de emergência planetária”.
Os autores mostram que mais da metade dos pontos críticos do clima identificados há uma década estão agora em um ponto de não retorno. Há evidências crescentes de que esses eventos são mais prováveis do que nunca e estão mais interconectados do que se pensava anteriormente, podendo levar a um ameaçador efeito dominó. A situação é crítica e requer uma resposta de emergência.
Precisa haver uma descarbonização imediata da economia internacional. Contudo, o consumo de combustíveis fósseis continua crescendo e é improvável que as emissões de CO2 sejam zeradas até 2050, pois necessitaria uma redução de 7,6% ao ano a partir de 2020. A temperatura da biosfera já subiu 1,1ºC acima dos níveis pré-industriais e é provável que cruze a barreira de proteção de 1,5ºC antes de 2040. Os autores concluem que apenas isso sugere o desencadeamento de desastres em cascata.
Os nove pontos de inflexão ativos (mostrados na figura acima) são: Gelo marinho do Ártico; Manta de gelo da Groenlândia; Florestas boreais; Permafrost; Circulação Meridional do Atlântico; Floresta amazônica; Corais de água quente; Manta de gelo da Antártica Ocidental e Partes da Antártica Oriental.
Por exemplo, o colapso das principais camadas de gelo da Groenlândia, Antártica Ocidental e parte da Antártica Oriental geraria uma aumento de cerca de 10 metros de elevação irreversível do nível do mar ao longo do terceiro milênio. Isto colocaria em grave risco bilhões de pessoas que moram em áreas costeiras ou que dependem das áreas litorâneas para a agricultura e para o transporte.

O degelo dos polos e dos glaciares, juntamente com a perda das florestas tropicais, do permafrost e das florestas boreais representam pontos de inflexão da biosfera que, se cruzados, resultarão na liberação de gases de efeito estufa adicionais, amplificando e retroalimentando o aquecimento global. O quadro, portanto, é de piora do que já está ruim.
Os eventos climáticos e ambientais desastrosos abundam e se alastram em efeito dominó. Os 6 anos mais quentes já registrados aconteceram entre 2014 e 2019. Ondas de calor excepcionais deixaram muitas mortes inclusive na rica Europa, incêndios gigantescos atingiram a Sibéria, a Califórnia, diversos países da Europa e, principalmente, a Austrália (com a morte de milhares de Coalas).

O furacão Dorian destruiu completamente algumas das ilhas das Bahamas, enquanto o ciclone Idai deixou milhares de mortes e desabrigados em Moçambique. Inundações atingiram vários países e deixaram a cidade de Veneza debaixo d’água, na maior inundação em décadas.
A acidificação dos oceanos e o acúmulo de plásticos ameaça a vida marinha. Erosão e degradação dos solos compromete a fertilidade dos ecossistemas. A desertificação e as secas ganham proporções épicas. A poluição do ar nas grandes cidades da China e da Índia provocam mortes e doenças respiratórias, dificultando as mais simples atividades ao ar livre. O desmatamento das florestas tropicais e as queimadas ameaçam a biodiversidade e eliminam os sumidouros de carbono. A crise hídrica deixa milhões de pessoas sem água potável e muitas culturas ficam sem os meios de irrigação necessários. Um milhão de espécies estão ameaçadas de extinção e a morte das abelhas e o colapso das colmeias ameaça a polinização das plantações, gerando escassez de comida, além de alimentar o espectro da fome.
A gravidade da situação é inquestionável. O artigo da revista Nature diz: “Em nossa opinião, a evidência dos pontos de inflexão sugere que estamos em um estado de emergência planetária: tanto o risco quanto a urgência da situação são acentuados” (Timothy Lenton et. al. 27/11/2019). Portanto, a crise climática é uma emergência global que representa uma ameaça existencial para a humanidade. Ela prejudica as atuais gerações e rouba o futuro das gerações que ainda nem nasceram.
Tudo isto torna a meta do desenvolvimento sustentado e sustentável apenas um conto de fadas. Não dá mais para manter o crescimento continuado da população e da economia global num quadro de um Planeta finito e sobrecarregado. O abismo está perigosamente próximo. Há uma necessidade e um clamor geral para que todos os países reduzam rapidamente e profundamente suas emissões de CO2, pois senão, o colapso ecossocial será inexorável.
Contudo, a governança global não tem se colocado à altura do momento atual, marcado pela emergência climática. A COP25 Chile-Espanha – Hora de Agir – prevista para terminar no dia 13/12/19, prolongou suas discussões durante o fim de semana e teve um fim melancólico. A diplomacia brasileira só atrapalhou. Numa época em que cada vez mais cientistas alertam sobre consequências terríveis da crise climática e a juventude protestam nas ruas aos milhões, o que houve em Madrid pode ser considerado uma traição.
A jovem eco-ativista ugandesa, Hilda Nakabuye, defendendo a bandeira da justiça ambiental e climática, disse: “Chego a pensar que a crise climática é outra forma de racismo, um apartheid ambiental, pois somos profundamente afetados pelas ações, palavras e ganância dos que estão no poder”.
O Secretário-geral da ONU, António Guterres disse que o evento foi uma “oportunidade perdida”: “Estou decepcionado com os resultados da COP25. A comunidade internacional perdeu uma importante oportunidade de mostrar maior ambição em mitigação, adaptação e financiamento para enfrentar a crise climática”.

Não foram tomadas medidas para aprofundar os cortes nas emissões de gases de efeito estufa e a regulamentação do mercado de carbono – com todos os seus problemas – ficou para o ano que vem. Há, como última esperança, a promessa de metas mais ambiciosas para 2020, na COP26, em Glasgow, para evitar o efeito dominó.
Em síntese, o mundo ultrapassa os pontos de inflexão, a situação climática se agrava e a liderança mundial continua se desresponsabilizando e procrastinando a ações necessárias para evitar um grande desastre ambiental já desenhado no horizonte cada vez mais próximo. (ecodebate)

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Relatório indica perigosa perda de gelo se mundo aquecer 2ºC

Emergência Climática – Relatório indica perigosa perda de gelo se mundo aquecer dois graus.
Um grupo de cientistas especializados em criosfera de todo o mundo está divulgando um novo estudo que parte do Relatório Especial do IPCC sobre Oceanos e Criosfera para analisar os riscos de longo prazo da perda de cobertura de gelo e neve no planeta decorrente da elevação da temperatura média do planeta Terra.
Os cientistas reforçam a importância de se manter o aquecimento abaixo de 1,5°C por conta dos riscos que uma elevação acima disso poderá causar sobre as regiões de criosfera global. À medida que a temperatura se eleva, os riscos de longo prazo e os impactos crescem juntos. Eles pedem também mais ação efetiva dos governos para evitar uma situação de perda de neve e gelo irreversível, que poderia causar problemas em diversas partes do mundo, especialmente nas regiões que dependem das geleiras e glaciares para sua segurança hídrica. 
Relatório indica perigosa perda de gelo se mundo aquecer 2ºC.
À medida que as negociações climáticas de Madri entram em seus estágios finais, um grupo de cientistas renomados está pedindo aos países que mantenham o aquecimento abaixo de 1,5°C por causa da perigosa resposta física das regiões da “criosfera” – neve e gelo – mesmo a 2°C.
Os riscos e impactos em longo prazo crescem ainda mais a temperaturas mais altas, dizem os cientistas, chamando o nível de 1,5°C de “barreira de proteção externa” para o planeta por causa dessa ameaça crescente da criosfera, em todos os lugares, desde os polos às altas regiões montanhosas dos trópicos.
O apelo por ações mais agressivas é apoiado pelo lançamento hoje do Relatório Criosfera 1,5, que combina os resultados dos Relatórios Especiais do IPCC em 1,5°C (2018), e do Oceano e Criosfera (2019) com novas e importantes pesquisas que descrevem um futuro com o desaparecimento do gelo em todo o mundo: em longo prazo, quase sem geleiras fora do Himalaia e polos a 2°C, agravadas pela perda de neve, prejudicando o suprimento de água.
De autoria e revisão de mais de 40 pesquisadores do IPCC e de outros pesquisadores líderes em criosfera, ele insta os governos a limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C em relação ao pré-industrial, por uma questão de física simples, ou “o ponto de fusão da água”.
Desespero no degelo.
Entre suas mensagens mais importantes, há um aumento previsto das emissões de carbono do permafrost devido a eventos de “degelo abrupto”, que precisarão ser tratados como um “país de Permafrost” adicional para medir quanta emissão os seres humanos podem produzir; e projetando declínios muito maiores no gelo marinho do Ártico. Por sua vez, isso acelerará não apenas o degelo do permafrost, mas também o derretimento da camada de gelo da Groenlândia, elevando o nível do mar globalmente. O relatório também destaca o registro do passado da Terra em termos de aumento do nível do mar, se as temperaturas permanecerem acima de 1,5°C por muito tempo.
Existe um risco muito maior de aumento maciço e irreversível do nível do mar (SLR) a 2°C, em uma escala de 12 a 20 metros ou mais em longo prazo. O relatório também destaca o estresse combinado exercido sobre a pesca do oceano polar por acidificação, que ocorre mais rapidamente em águas polares frias do que em qualquer outro lugar, com sinais de danos a conchas já observados em águas polares mais corrosivas.
Gustaf Hugelius, do Bolin Center da Universidade de Estocolmo, e um dos líderes do relatório, disse: “Mais emissões de permafrost causada pelo degelo abrupto – quando colinas inteiras se erodem ou formam lagos, expondo quantidades muito maiores de permafrost a temperaturas mais quentes – ocorrerão como metano, que alimenta o aquecimento mais intensamente no curto prazo”.
Julienne Stroeve, especialista em gelo marinho e autora colaboradora do Relatório de Criosfera do IPCC, bem como deste relatório, está atualmente a caminho da expedição à Polarstern no Polo Norte. Ela observou o gelo muito fino que eles estavam encontrando apesar da noite polar, e disse: “Modelos globais, especialmente no passado, subestimam a perda real de gelo marinho observada desde cerca de 1990; mas estudos mais recentes usando modelos regionais, juntamente com observações, acompanham o gelo do mar atual muito melhor e preveem condições sem gelo a cada verão em 2°C. ”
Martin Sommerkorn coordenou o capítulo polar da SROCC e está nas negociações climáticas em Madri. “O nível de ambição de limitar as emissões que vemos atualmente não é de forma alguma proporcional à ameaça”, disse ele, destacando especialmente o relatório “Gap de produção” divulgado na semana passada pelo Instituto de Meio Ambiente de Estocolmo, Climate Analytics, UNEP e outros mostrando que a produção planejada de combustível fóssil até 2030 é 120% maior do que manteria o planeta a 1,5°C. “As regiões polares já estão perdendo gelo e mais perdas têm conseqüências globais graves e de longo prazo”.
Joeri Rogelj, do Imperial College London, coordenador do capítulo de caminhos do SR1.5 e autor principal também do próximo Relatório de Avaliação do IPCC (AR6), enfatizou que 1,5°C permanece ao alcance, mesmo que por pouco. “O Relatório de 1,5°C mostra que essa meta de temperatura é física, tecnológica e até economicamente viável e vantajosa”, afirmou. “Mas sem vontade política que resulta em reduções de emissões hoje, estaremos superando isso muito em breve”.
O relatório Cryosphere1.5°C não apenas combina as descobertas de neve e gelo dos dois relatórios do IPCC, mas também inclui novas pesquisas desde então, porque a ciência da criosfera está se movendo incrivelmente rápido. No entanto, isso não será refletido pelo IPCC até seu próximo Relatório de Avaliação completo em 2021, bem depois que os países estabelecerem seus novos NDCs no decorrer do próximo ano, na COP-26 em Glasgow.
Pam Pearson, diretora da Iniciativa Internacional para o Clima da Criosfera, que coordenou o relatório, disse: “Há uma grande necessidade, neste estágio final das conversações sobre o clima de Madri e à medida que os países voltam para casa, para que os tomadores de decisão e estejam cientes do nível de risco. estamos enfrentando se esperarmos que seja tarde demais para impedir ou, pelo menos, retardar essa dinâmica da criosfera. Todos nós precisamos tratar 1,5°C como o verdadeiro limite”.
Urso polar: vítima inocente
Habitante das terras geladas do Ártico, o urso polar sobrevive a uma temperatura que varia de -37°C a -45°C, graças a duas camadas de pele e uma camada de gordura de 11,5 cm de espessura que fazem o isolamento térmico de seu corpo. O animal é encontrado em 5 países: Estados Unidos, Canadá, Rússia, Noruega e Groenlândia. Carismáticos, são considerados os símbolos do aquecimento global. A espécie está classificada como “vulnerável” pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), com 8 das 19 subpopulações em declínio. O principal perigo causado pela mudança climática é a desnutrição e inanição devido à perda do habitat. Os ursos-polares caçam focas nas plataformas de gelo, e a elevação da temperatura pode fazer com que o gelo do mar derreta mais cedo a cada ano, levando os ursos para a costa antes de terem constituído reservas de gordura suficientes para sobreviver ao período de carência alimentar no final do verão e início do outono. A redução da cobertura de gelo também força os ursos a nadarem longas distâncias, o que esgota ainda mais seus estoques de energia e, ocasionalmente, leva ao afogamento. Além de criar estresse nutricional, o aquecimento afeta vários outros aspectos da vida do urso polar, como a capacidade das fêmeas grávidas em construir tocas de maternidade adequadas devido às mudanças nas plataformas de gelo. Doenças causadas por bactérias e parasitas também podem se estabelecer mais rapidamente num clima mais quente, afetando a espécie. (ecodebate)

Modelos climáticos acertaram nas mudanças de temperatura projetadas

Estudo confirma que os modelos climáticos acertaram nas mudanças de temperatura projetadas.
Os modelos que os cientistas climáticos usaram nas últimas décadas para projetar mudanças de temperatura geralmente têm sido muito precisos, conclui um novo estudo revisado por pares.
Por que é importante: serve para refutar os oponentes conservadores de propostas que visam reduzir as emissões, que há muito argumentam que os modelos não acertaram como parte de ataques mais amplos à ciência climática.
O que eles descobriram: O estudo da Geophysical Research Letters revisou o desempenho de 17 modelos publicados entre 1970 e 2007.
“Não encontramos evidências de que os modelos climáticos avaliados neste artigo tenham superestimado sistematicamente ou subestimado o aquecimento durante o período de projeção”, afirma o documento.
Mudanças climáticas têm grande impacto nos oceanos.
“Em geral, as projeções de modelos climáticos anteriores avaliadas nesta análise foram hábeis em prever o subsequente aquecimento [temperatura média da superfície global] nos anos após a publicação”.
Alguns, no entanto, mostraram muito e outros muito pouco.
O quadro geral: os modelos climáticos analisam a relação física entre as emissões de gases de efeito estufa e a temperatura, além de outros fatores, incluindo variáveis ​​de emissões influenciadas pelo homem, como crescimento econômico e mudança tecnológica.
Como Vox coloca, trata-se de “prever física versus prever humanos”.
Se você simplesmente observar o quão bem os modelos previram mudanças de temperatura que ocorreram mais tarde, 10 de 17 foram essencialmente precisos – “praticamente indistinguíveis das observações”, como observa esta história do Washington Post.
Mas se você observar o desempenho dos modelos na avaliação da relação entre a alteração das concentrações e da temperatura da estufa, eles se saíram ainda melhor.
14 dos 17 eram “consistentes com as observações”, observa o artigo e “estatisticamente indistinguíveis do que realmente ocorreu”, escreve o coautor Gavin Schmidt em um post no blog.
Indicadores Climáticos. (ecodebate)

sábado, 25 de janeiro de 2020

Mudanças climáticas trará insegurança alimentar para 90% da população

Mudanças climáticas podem trazer insegurança alimentar para 90% da população mundial.
“Somos de uma geração em que as decisões que tomamos nos próximos 10 anos podem significar a diferença na morte de 100 milhões ou 400 milhões de pessoas” - Jane Fonda. 
“Nossa guerra contra a natureza precisa parar” - António Guterres.
A produção de alimento libera gases de efeito estufa (GEE) que contribuem para aumentar o aquecimento global, enquanto este reduz as chances de aumento da oferta de comida. As projeções demográficas indicam uma população global em torno de 11 bilhões de habitantes em 2100 e a produção de bens de subsistência, em um quadro de agravamento da crise climática, pode ser insuficiente para garantir a segurança alimentar de todo este contingente de pessoas.
Artigo coordenado por Lauric Thiault, da Universidade de Ciências e Letras de Paris, publicado na revista Science Advances (27/11/2019), analisa os riscos da produção de alimentos, até o final do século, levando em conta dois cenários: no primeiro, ocorre um esforço significativo para conter as emissões GEE e, no outro, o chamado “negócio como de costume” as diversas sociedades continuam sem cortes significativos das emissões.
Os autores avaliam os efeitos da crise climática sobre 4 lavouras que são a base da alimentação da população (milho, arroz, soja e trigo), como também consideram o que pode acontecer com a pesca em água salgada, outra fonte crucial de nutrientes.
No cenário “negócio como de costume”, as mudanças no clima serão sempre negativas – perda de produção agrícola e diminuição da pesca – para 90% da população mundial. Nos trópicos – América do Sul, boa parte da África e do Sudeste Asiático – numa situação de “tempestade perfeita”, haverá perdas em ambos os quesitos e haverá aumento da insegurança alimentar. O Brasil será particularmente afetado e o agronegócio brasileiro será prejudicado caso houver aumento do aquecimento global.
Os autores concluem mostrando que a vulnerabilidade aos impactos climáticos das sociedades e das futuras gerações exige ações imediatas de mitigação por parte de todos os países e, principalmente, lideradas pelos principais emissores de CO2. Também são necessárias ações de adaptação para esta nova realidade que já está presente no dia-a-dia de vários países.
Por exemplo, os problemas ambientais da China impactam todo o mundo. O Índice de Preços dos Alimentos da FAO teve uma média de 177,2 pontos em novembro de 2019; subiu 4,7 pontos (2,7%) em relação a outubro e 15,4 pontos (9,5%) em relação ao período correspondente do ano passado. A alta de novembro em relação ao mês anterior, principalmente impulsionada por aumentos significativos nos preços de carnes e óleos vegetais.
O documento assinado por mais de 11 mil cientistas “World Scientists’ Warning of a Climate Emergency”, publicado na revista BioScience (05/11/2019), afirma que: “O crescimento econômico e populacional está entre os mais importantes fatores do aumento das emissões de CO2 em decorrência da combustão de combustíveis fósseis”. Em consequência, diz o seguinte sobre a questão demográfica: “Ainda crescendo em torno de 80 milhões pessoas por ano, ou mais de 200.000 por dia, a população mundial precisa ser estabilizada – e, idealmente, reduzida gradualmente – dentro de uma estrutura que garante a integridade social”.
O fato é que a humanidade já ultrapassou a capacidade de carga do Planeta e não dá para continuar explorando e exigindo grandes retornos dos ecossistemas degradados e sobrecarregados. É impossível a economia ser maior do que a ecologia. A humanidade tem que limitar sua presença e seu espaço no mundo natural ou arcará com consequências desagradáveis.
Como mostrou Giorgos Kallis (26/11/2019), “a autolimitação do modo como vejo não se trata de restringir, mas de definir coletivamente – como sociedade – nossos limites. A autolimitação coletiva é a essência da democracia”.
Somente o decrescimento demoeconômico pode criar as condições necessárias para que haja aumento de qualidade de vida da população e da comunidade biótica.
Insistir no sonho do crescimento econômico infinito só vai gerar pesadelo para as pessoas e para as forças vivas da natureza. (ecodebate)

Aquecimento no sudeste é causado em maior parte por gases estufa

Aquecimento no Sudeste foi causado em grande parte por gases de efeito estufa, aponta estudo.
A temperatura média no Sudeste do Brasil tem aumentado nas últimas décadas, fato que contribui para elevar a frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos, como inundações, secas e ondas de calor.
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU) tem afirmado há anos que, em escala global, o aumento da temperatura média observado nos últimos cem anos está relacionado com o crescimento das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera resultante de ações humanas. Já na escala regional, como é o caso da região Sudeste, ainda há muita incerteza em relação às causas. Segundo especialistas, fatores como urbanização e mudanças no uso da terra para agropecuária, por exemplo, também podem ter impactos significativos na temperatura local.
Agora, um grupo de pesquisadores do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP) e da Universidade de Edimburgo, do Reino Unido, conseguiu obter um indício contundente de que o aumento detectado de 1,1ºC na temperatura da região entre 1955 e 2004 se deve, principalmente, ao efeito estufa.
Os resultados do estudo, apoiado pela FAPESP, foram publicados na revista Geophysical Research Letters.
O projeto integra o Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).
As conclusões se baseiam em observações climáticas da superfície e em 34 simulações da temperatura no Sudeste do Brasil nas últimas décadas, obtidas de modelos climáticos do Projeto de Intercomparação de Modelos Acoplados, Fase 5 (CMIPC5), usado pelo IPCC.
Esses dados foram submetidos a um método estatístico de detecção e atribuição de impacto de mudanças climáticas, proposto em 2017 por cientistas franceses e canadenses.
“Esse método de atribuição, aplicado no Sudeste, utiliza informações da resposta dos modelos climáticos a variações da temperatura por causas naturais, pelos aerossóis ou pelo efeito estufa separadamente”, disse à Agência FAPESP Humberto Ribeiro da Rocha, professor do IAG-USP e coordenador do projeto.
Uma vez detectada alguma variação de temperatura, é comparada a contribuição das diferentes causas, como as naturais, incluídas as incertezas envolvidas. Entre as causas naturais destacam-se a variabilidade da radiação solar que chega à Terra e os efeitos de atividades vulcânicas.
“Esses fenômenos naturais controlam os climas regionais. Além disso, todo o sistema climático está se reorganizando em razão do aquecimento global. O oceano é um grande exemplo, que eventualmente se aquece muito em episódios sobre determinadas regiões do planeta, o que afeta os climas regionais de forma diferente em um continente extenso como a América do Sul”, explicou Rocha.
O método de atribuição incorpora as incertezas estatísticas amostrais, a variabilidade interna dos modelos e as observações de superfície, para prover margem de confiança ao resultado.
Os resultados indicaram que o aumento das concentrações de gases de efeito estufa contribuíram substancialmente para o aumento de 1,1ºC na temperatura da região detectada no período de 1955 a 2004.
Os cálculos foram feitos pelo meteorologista Rafael Cesário de Abreu durante seu doutorado no IAG-USP, em andamento, sob orientação de Rocha.
“Essa constatação corrobora a hipótese de que mudanças na temperatura estão em curso e controlando fortemente a escala regional do Sudeste, seguindo uma tendência global”, disse Rocha.
Falta de estudos regionais
De acordo com o pesquisador, outros estudos de detecção de aquecimento de longo prazo foram feitos no Brasil, mas não havia um resultado de atribuição em escala regional, como este do Sudeste, com resultados mais contundentes e que incorporassem incertezas e distinguissem causas diferentes. Além disso, há no mundo poucos estudos regionais de detecção e atribuição de causas de mudanças climáticas induzidas pelo efeito estufa antropogênico.
Os estudos anteriores foram feitos para sub-regiões na China, Canadá e Inglaterra, baseados em métodos estatísticos semelhantes ao utilizado no Sudeste.
Essa região do país é especialmente vulnerável às mudanças climáticas, uma vez que abriga mais de 40% da população brasileira e é responsável por 50% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, com uma ampla gama de atividades econômicas, ressaltam os autores do estudo.
“Em comum, esses estudos mostram que a indicação do IPCC de que a temperatura média global aumentou 0,85ºC entre 1880 e 2012 não se aplica regionalmente e, principalmente, em estudos locais, como de cidades”, afirmou Rocha.
Em São Paulo, por exemplo, já se notou um aumento de temperatura de, aproximadamente, 3ºC entre 1940 e 2010, e não se pode afirmar categoricamente se foi causado predominantemente pelo efeito estufa, ressalvou o pesquisador.
“Na área rural, há outros fatores que influenciam. O desmatamento de florestas e cerrados também pode explicar aumento de temperatura, mas confinado em efeitos de escala local, que, por sua vez, não são geralmente diagnosticados pelos modelos do CMIP5/IPCC”, afirmou. (ecodebate)