sábado, 31 de julho de 2010

Atual desenvolvimento é insustentável

‘A atual concepção de desenvolvimento é insustentável’
“O mundo parece ter encontrado sua grande unidade, que exige de nós uma mudança de ponto de vista – não mais particular, mas holístico, universal, de totalidade. Descobrimos que nós, seres humanos, seres vivos e Terra, formamos um conjunto inseparável.” O pensamento é de Cesar Sanson, do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores – CEPAT. Ele é um dos monitores do Ciclo de Estudos em EAD: Sociedade Sustentável, que inicia em 16 de agosto de 2010. O Ciclo é uma promoção do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em parceria com o CEPAT. O ciclo é coordenado pelo Prof. Gilberto Faggion. O doutor em Sociologia questiona a posição tomada pelo Brasil em relação à conservação da Terra. “O Brasil está abrindo mão de utilizar racionalmente os recursos naturais limitados e vem optando por iniciativas preocupantes”. Em entrevista à IHU On-Line, concedida por e-mail, ele fala sobre a relação entre desenvolvimento e sustentabilidade. IHU On-Line – Como pensar soluções para a Terra e, ao mesmo tempo, questionar a ideia de desenvolvimento? Cesar Sanson – É inevitável que ao pensar sobre as possíveis soluções para o planeta Terra não se questione a concepção de desenvolvimento em curso na humanidade. É na concepção de desenvolvimento implantado, especialmente, ao longo dos últimos dois séculos, baseado no paradigma do crescimento econômico ilimitado, na idéia de progresso infinito e na concepção de que os recursos naturais seriam inesgotáveis e de que a nossa intervenção sobre a natureza se daria de maneira neutra que se encontra a razão do impasse que vivemos, ou seja, o acelerado esgotamento do planeta. A equação crescimento ilimitado a partir de recursos limitados não fecha. Portanto, as soluções para a Terra passam pela consciência de que a atual concepção de desenvolvimento manifesta no modo de produzir e consumir é insustentável. Querer compatibilizar soluções para o planeta Terra com a ideia de desenvolvimento impulsionada pela atual dinâmica da globalização é anacrônico. IHU On-Line – Em quais pontos o conceito de Sociedade Sustentável se choca com a Economia Moderna? Cesar Sanson – Sociedade Sustentável é aquela que satisfaz suas necessidades sem diminuir as perspectivas das gerações futuras. Esse conceito se choca com os fundamentos da economia moderna, uma vez que parte de uma ideia de progresso infinito e linear e de que os recursos naturais também seriam infinitos. Hoje percebe-se que essa concepção é profundamente equivocada. O antropocentrismo e a racionalidade econômica advinda do liberalismo, pilar da economia moderna, está comprometendo a vida das futuras gerações, ou seja, o atual modo de produção está decidindo a sorte de quem virá depois de nós, deixando-lhes um mundo árido, poluído e feio. IHU On-Line – A habitabilidade do ser humano na terra é um desafio para a humanidade? Cesar Sanson – É o maior desafio contemporâneo. A habitalidade é hoje a questão fulcral da humanidade. A Terra já mostrou que tem condições de regeneração, coisa que nós humanos ainda não demonstramos. Iniciamos, portanto, o século XXI colocando as questões relacionadas ao meio ambiente no centro do debate. A ecologia, de oikos, tornou-se um tema que nos faz saltar das particularidades destacadas a uma abordagem unitária, global, planetária. É neste tema que o mundo parece ter encontrado sua grande unidade, que exige de nós uma mudança de ponto de vista – não mais particular, mas holístico, universal, de totalidade. Descobrimos que nós, seres humanos, seres vivos e Terra, formamos um conjunto inseparável. “O destino da Terra e da humanidade coincidem: ou nos salvamos juntos ou sucumbimos juntos”, alerta Leonardo Boff. A crise ecológica e consequentemente a habitalidade, devolve à humanidade a consciência de que os destinos humanos e de Gaia são relacionados e interdependentes, estão entrelaçados. O grande e maior desafio no limiar desse século é como salvar a humanidade e ela depende e está inexoravelmente ligada à salvação do planeta. IHU On-Line – Como as crises ecológica, econômica, energética, alimentar e do trabalho caracterizam nossa sociedade contemporânea? Cesar Sanson – O mundo está confrontado com uma crise estrutural e não somente conjuntural. As crises econômica, ecológica, alimentar, energética e do trabalho são manifestações de uma crise maior: de modelo de desenvolvimento civilizacional. O conjunto dessas crises exige uma interpretação sistêmica, elas não estão isoladas, são antes de tudo o resultado de determinada forma da sociedade – particularmente da sociedade capitalista – se organizar. Na essência da crise encontra-se o “modo de produzir” e o “modo de consumir” da sociedade mundial que está levando o planeta ao esgotamento. Acrescente-se ainda que o conjunto dessas crises é acompanhado por uma crise ética, ou seja, não se trata apenas de uma crise ancorada nas relações de produção, mas sobretudo uma crise do sentido humano que emerge nessa transição de século. A crise civilizacional manifestada na quíntupla crise – econômica, climática, energética, alimentar e do trabalho – exige uma abordagem a partir do paradigma da complexidade, como propõe Edgar Morin. Trata-se de perceber que “não só a parte está no todo, mas também que o todo está na parte”. Tudo está interligado, entrelaçado, e há uma interdependência entre as crises. Nossos problemas não podem mais ser concebidos como separados uns dos outros. IHU On-Line – Qual o impacto do modelo econômico mundial sobre a Terra? Cesar Sanson – O planeta Terra dá sinais cada vez mais reiterados e evidentes de esgotamento. Os sistemas físicos e biológicos alteram-se rapidamente como nunca antes aconteceu na história da civilização humana. Desde o relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) de fevereiro de 2007, já não há mais contestação de que o responsável pela evolução acelerada da tragédia ambiental é a ação antropogênica sobre a Terra. À época, o informe dos pesquisadores e cientistas foi categórico e não deixou espaço para dúvidas ao afirmar de forma contundente – o relatório utilizou a expressão “inequívoca” – que o aquecimento global se deve à intervenção humana sobre o planeta. “Essa crise ambiental não veio do nada. Não foi desastre natural, foi causada por homens, diz Nicholas Stern – responsável pelo Relatório Stern – extenso estudo sobre os efeitos na economia mundial das alterações climáticas nos próximos 50 anos. Nosso consumo dos recursos naturais já excede em 30% a capacidade de o planeta se regenerar. Com outras palavras, a espécie humana já necessita hoje de 1,3 planetas para satisfazer suas necessidades e desejos de consumo. A “pegada ecológica” – indicador da pressão exercida sobre o ambiente está muito forte. A média é 2,2 hectares, mas o espaço disponível para regeneração (biocapacidade) é de apenas 1,8 hectares. Avançamos o sinal. Há quem diga que o estrago já foi feito e ponto de retorno já passou. Na análise do ambientalista James Lovelock, Gaia – o organismo vivo que é a Terra – está com febre e se nada, e urgentemente, for feito esse quadro poderá evoluir para o estado de coma. IHU On-Line – O Brasil tem consciência que está frente a uma crise epocal, manifestada, sobretudo, na crise ecológica? Cesar Sanson – Não. O Brasil está abrindo mão de utilizar racionalmente os recursos naturais limitados e vem optando por iniciativas preocupantes. O que se percebe é que se por um lado avançou-se para o ganho de uma consciência ecológica maior em relação às gerações anteriores que se traduz na crítica a megaprojetos que agridem o meio ambiente: Itaipu, Balbina, Tucuruí, Transamazônica; por outro, e apesar da consciência dos erros cometidos, o país caminha para outros erros – a metáfora do farol de um automóvel virado para trás: ilumina o trajeto percorrido, mas não aclara o futuro. Assim como a nossa geração lamenta os erros cometidos pelas gerações anteriores, tudo indica que as gerações futuras lamentarão as decisões de hoje. Tome-se como exemplo maior a insistência na construção da hidrelétrica de Belo Monte. O ambientalista Washington Novaes alerta que o Brasil se encontra numa encruzilhada histórica que pode ser decisiva para o futuro de nação soberana e um ganho comparativo mundial. Segundo ele, “um país que tem a biodiversidade que o Brasil tem, os recursos hídricos, a insolação o ano todo, enfim, com a riqueza que o país tem, deveria ter uma estratégia que colocasse esse fator escasso no mundo numa posição privilegiada como base de políticas. Mas essa estratégia não existe”. O país foi acometido pela obsessão do crescimento. Fala-se em “crescer, crescer e crescer”. O país sonha em reeditar o projeto desenvolvimentista de Vargas e JK e transformar o país num canteiro de obras. Fala em destravar o país. A meta-síntese do projeto de país do governo é o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC, que manifesta, entretanto, um silêncio absoluto sobre a questão ambiental). A grande questão posta hoje é que tipo de crescimento econômico queremos. Por muito tempo, inclusive na esquerda, acreditou-se que o crescimento econômico seria a varinha de condão para a resolução de todos os problemas. Particularmente da pobreza. A equação é conhecida. O crescimento econômico produziria um círculo virtuoso: produção – emprego - consumo. Porém, o axioma de que apenas o crescimento econômico torna possível a justiça social não é verdadeiro. Será que o grande projeto brasileiro é transformar todos os cidadãos em consumidores? É preciso complexificar o debate. O debate sugerido, a partir do princípio da ‘ecologia da ação’ recomenda que devemos construir uma sociedade que seja sustentável com a natureza, às necessidades humanas presentes e futuras, com uma ética solidária, definidas desde os setores populares, tendo como fim a construção de uma sociedade baseada em valores da solidariedade, liberdade, democracia, justiça e equidade. (Ecodebate)

O que é uma Nova Economia Sustentável?

Uma nova economia mundial ética e sustentável, que coisa estranha não, realmente uma utopia, um sonho, no mundo moderno, mas utopia é o que a gente chama de uma boa maré de calmaria, onde os bons ventos nos levam, para uma saudável e criativa evolução, então a utopia continua valendo, e muito, para que tenhamos um mundo mais justo e saudável Para podermos alcançar uma economia sólida, duradoura e sustentável, temos alguns passos fundamentais, que infelizmente os nossos novos heróis da mídia, os candidatos a presidência, estão ainda longe de comentar qualquer assunto a respeito: I – Economia sustentável tem algumas características: - Não investe em futilidades, não alimenta um consumo perdulário, valoriza profundamente o conforto essencial - Busca o consumo ou o investimento ético, de melhor custo benefício - Investe em produtos e atividades que tenham maior durabilidade - Valoriza e irradia o conforto essencial, uma qualidade de vida saudável, inteligente, que não prima pelo excesso de conforto e luxo, e nem a sua ausência, e sim um belo e mais orgânico modo de viver em maior harmonia com os ritmos naturais do nosso planeta, sem desmerecer as conquistas mais dinâmicas e úteis da vida moderna - Observa as questões sociais, valoriza a ausência de exploração do trabalho e do trabalhador (a) - A verdadeira economia sustentável é aquela que se dirige a depender menos possível do uso direto do poder do dinheiro, e coloca em pauta ações que não necessitem realmente da moeda corrente, mas sim da geração de riqueza e abundância, que acentue uma primorosa auto-suficiência, com um norte, uma meta que seja mais profundamente alcançada II – A Economia Sustentável não pode ser para poucos: - É preciso se qualificar um teto salarial máximo pessoal em cada país do planeta, por que os desequilíbrios de ganho financeiro direto estão exagerados, e por causa dele, aumentam a violência na sociedade - Por causa da concentração de renda, temos uma disputa desleal de poder, e com isso uma manipulação e escravização política e econômica brutal e sem limites de todas as nações da terra neste momento - Esta situação não consegue ser facilmente freada, e pode ser inicialmente com o aumento dos impostos para os que recebem mais do que R$ – 40.000.00 mensais, com a obrigação de serem repassados os recursos para projetos de recuperação sócio-ambiental e melhoria da educação e saúde das populações mais excluídas - Interessante que os impostos de poupança no Brasil atingem 6 % ao ano, e os juros dos cartões bancários, mais de 160 % anuais, este tipo de sistema de exploração financeira da sociedade precisa ser urgentemente revisto, é uma injustiça completa o que está ocorrendo, uma subordinação da sociedade aos bancos, e com eles, o repasse de bilhares de recursos para papéis fictícios, e não reais, como a recuperação de áreas degradadas, despoluição de ambientes, melhoria da educação, saúde pública, estradas, portos, aeroportos, entre outros - Os produtos e a tecnologia da sustentabilidade e de uma ótima qualidade de vida, não podem ser tão elitizados como estão sendo. O sistema matrix quer faturar com os temas mais sagrados e vitais para a nossa salvação futura, desta forma, somente quem tem poder de capital e de compra vai poder adquirir e se abastecer desta nova cultura, este será um sério erro que teremos que evitar para o despertar de praticamente toda a sociedade, e não para os privilegiados de sempre, sobretudo em temas atuais como a permacultura, biodinâmica, antroposofia, yoga, medicina chinesa, psicologia transpessoal, alimentação viva, veganismo, entre outras III – Economia da Saúde Vital e Espiritual da Humanidade - Os ritmos de vida da humanidade, são intensos, e escravizados em função de acumular-se dinheiro e bens móveis e imóveis, e para isso surgem turnos de trabalho de 8 a 15 horas diários - Trabalha-se para se juntar dinheiro, e o dinheiro acumulado, serve para pagarem-se os médicos e os remédios, que podem atenuar os sofrimentos advindos destes modelos stressantes de vida - Uma nova economia prioriza o contato antes do trabalho, com a saúde física, mental, emocional e espiritual, com isso teremos menos custos de manutenção de nossa saúde, maior prevenção a doenças, e com isso mais economia sendo gerada, e uma nova vida de maior qualidade e prazer - Temos que lutar para que os trabalhadores comecem a atuar profissionalmente, durante 4 a 6 horas diariamente, e as demais, que eles se dediquem a melhorar a qualidade de vida de suas famílias, casas, terrenos, agricultura, ambiente, educação dos filhos, a sua cidade e país - 8 horas diárias de trabalho, mais 3 horas de trânsito engarrafado, vão deixar loucos e doentes 85% dos trabalhadores, sejam ricos ou pobres, e isso precisa ser reavaliado urgentemente, chamamos este repensar de novos ritmos vitais da paz, veja em: http://permaculturabr.ning.com/group/medicinanatural/forum/topics/o-que-sao-novos-ritmos-vitais IV – Uma Economia da Saúde do Bem Estar para Todos - Uma coisa boa dos liberalistas, é que podemos pegar a onda da globalização deles e globalizar aos poucos, as melhores culturas e dicas de todo o planeta humano e não humano em nosso dia-a-dia, para isso é necessário um espírito ou mentalidade mais aberta, perspicaz, e que aprecie se descongelar, se renovar e ter coragem para avançar com alegria e determinação, em um novo paradigma holístico - Conhecimento, é uma massa de idéias flutuantes, e os saberes, já é o resultado de sua prática, quanto mais saberes diversos vividos, mais poderemos avançar em soluções, e em qualidade de vida e em nossa nova economia sustentável - Uma nova economia da beleza, da vida, da saúde, que faça as pessoas despertar, que torne a vida das pessoas melhor, mais feliz, de menor custo, que fale a linguagem do ser e não do ego, que conquiste a confiança do ser interior, da sabedoria interior, é o que chamamos de uma nova economia espiritual, que agrega valores espirituais, mais terapêuticos e artísticos Conclusão: “Uma economia holística é a nossa utopia, desafio e revelação para a nossa sustentabilidade real” Afinal, podemos chamar, por exemplo, uma horta de simplesmente uma área de produção de alimentos, energia e de dinheiro Ou podemos fazer de uma forma tão bela e saudável, que ela seja considerada uma nova bio-arquitetura da vida, um pequeno oásis e templo vivo terapêutico, e até um altar para a devoção espiritual E podemos desta forma, perceber que antes agíamos como mercantilistas da vida e da terra, cujo alvo era produzir e vender, basicamente monocultivos Agora, como artistas, alguns pintam quadros em telas, outros, quadros vivos, na terra, ambos possuem o mesmo valor, e conseguem desta forma unir tudo, a renda financeira, a renda vital e espiritual Bem nas asas da grande águia da nova era quântica que estamos começando a conhecer e a aceitar sua força poderosa e desafiadora Assim esta horta pode dar frutos como legumes, raízes, folhas, ervas medicinais frescas e secas, óleos para massagem, fumos, rapés, remédios fitoterápicos, perfumes, sementes, mudas, adubo orgânico, molhos, patês, pestos, sucos verdes, ajudar com temperos em paes, pizzas, tortas salgados, servir para aulas de educação ambiental, processos terapêuticos e para a meditação Quantos de novos valores quali e quantitativos econômicos e múltiplos potenciais podemos encontrar em pequenas atividades, que a era atual de virgo, dessecou e espremeu em fatias fragmentadas, frágeis, e bastante insustentáveis, com um custo muito alto de manutenção e até distanciamento da natureza e de nossa real qualidade de vida sadia? Por fim, o primeiro passo é identificar o que é a sua natural vocação. Comece dando muito valor a ela. Sua vocação e talento são uma luz e voz que berra dentro de você, bate a sua porta todos os dias, até você acordar Através de seu amor e paixão por determinado assunto, o sucesso será encontrado na medida certa, mas o nosso conceito de sucesso não é algo momentâneo, mas corresponde a se ter vitórias o tempo todo, vitórias de nossa harmonia com o mundo, a cada segundo, cada encontro com alguém, uma vitória de nossa verdade e de nosso amor, e cada gesto e ação, uma comunhão com profunda gratidão e devoção Sem estes novos elementos, libertando nossas verdades eternas aprisionadas, uma nova economia e sociedade não poderão realmente renascer e existir, e nossa civilização, não avançará, para os bons ventos do norte insistente e corajoso da nossa utopia, que é bem provável que não seja justamente nossa, mas do próprio criador do universo (EcoDebate)

Tempos de insustentabilidade

Insustentabilidade é o que define melhor o estágio que a humanidade alcançou. Enquanto a preocupação rodeava a carência de alimentos para uma população mundial galopante (Malthus foi generoso na época), temos hoje indícios de que o planeta está em colapso. Talvez a profecia de “2012″ não seja tão alarmante a ponto de frear a ação de seres covardes e canalhas, que nada temem senão o decréscimo de seus lucros e o risco de que seus gozos terrenos sejam socializados por algum presidente de tendência esquerdista. Podemos acreditar que o ápice da maldade ainda está por alcançar-se antes da guinada vibratória que este planeta sofrerá (súbita ou lentamente?) afim de que sejam expulsos os maus elementos, que obstinam em caminhos funestos. Estiveram enganados os maias? Muitos deles dirigiram ou ainda gerem, a contragosto dos bem-intencionados, comunidades e países inteiros; inclusive há os que se intrometem noutras nações soberanas como se fossem policiais do mundo. Tentaram convencer, embora anacronicamente, que puderam ser representantes fieis do povo ou autoridades da causa comum. A história e a razão desmentem estes mitos. O dinheiro estimula o pecado, mas peca aquele que fraqueja. Caso contrário, não haveria espaço para alguns dos negócios mundiais mais rentáveis: tráfico de armas, de drogas, e exploração sexual e laboral. A maldade verte insaciavelmente. Cabeças rolam por causa do narcotráfico. Falta bom senso na política, ainda que sua arena desmistifique qualquer tentativa de consenso. Uma das expressões é a de que líderes sindicais do setor bananeiro protestam no Panamá contra uma nova lei que prejudica esta categoria de trabalhadores e prevê, por exemplo, a suspensão em caso de greve e o recurso à Polícia para proteger a empresa. A hierarquia social é opressiva. A sensação é de que aumenta a irreversibilidade da pobreza entre aqueles que sonham em abandonar a categoria. Manifestações populares confundem-se com baderna nas cidades latino-americanas. Assim se criminalizam movimentos sociais e passeatas que pretendem somente mostrar que há quem pensa diferentemente. O laboratório de fenômenos políticos e sociais na Bolívia recebe um novo experimento. Há vozes discrepantes sobre a participação da USAID na Bolívia: alguns acusam que a agência estadunidense intromete-se na vida política do país, como sustentam o presidente Evo Morales e parlamentares do partido Movimiento al Socialismo (MAS), enquanto outros são favoráveis ao resultado benéfico da transferência vultosa de recursos dos EUA a projetos de desenvolvimento, como de conservação de biodiversidade e promoção da saúde. Enquanto se grafitam estas linhas, pulula a recordação de quanta coisa poderia ser diferente na organização social, mas não só para agradar a mim ou a você senão ao maior número possível de cidadãos. As decisões mais importantes, no entanto, dependem de “representantes” ensimesmados ou grupos pequeníssimos que pensam de outra forma. Estão convictos de que, se houver mérito, alguns poderão enriquecer a despeito do empobrecimento de outros, que assistem à liquidação das poucas oportunidades com que contavam. É crença de muitos que o planeta tem-se degradado moralmente como se houvesse regressão do nível evolutivo. Um olhar mais atento deduziria que um número excedente de seres humanos tem tido a oportunidade de mostrar se merece ou não a “vibra” de “2012″ que se avizinha. Portanto, a maldade não piorou, mas há um número maior de humanos praticando-a. Quando a turma não é legal, procura-se outra. Ou se dispensam seres que não se enquadram. O planeta Terra é diverso, rico e estupendo. Sua riqueza, contudo, é tão incomensurável que destoa do que se acreditou que estivesse na cana, o ouro, o diamante, o petróleo, o dólar, o entorpecente, ou qualquer outro bem que descarrilou a humanidade. Cuidem-se aqueles que depositaram toda sua fé nestes bens materiais porque os terão em abundância em planos de existência onde não valem nada. O eco do vazio será ensurdecedor, assim como a visão de um paraíso de que não se pode desfrutar. O planeta virou um prostíbulo do que há de pior na evolução de qualquer espécie. Contudo, ainda há indivíduos com ideias vivificantes, entre tantos carrapatos da humanidade. Enquanto se deixa um planeta em frangalhos para a posteridade, não é justo que seus protagonistas colham o que estiveram longe de semear. Prestemos atenção nos exemplos edificantes que partem de onde menos esperávamos. Há seres bons entre tantos ruins. Você poderá ser um deles. Valorize-se. (EcoDebate)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Última década do milênio foi a mais quente

Aquecimento global: Década passada foi a mais quente já registrada.
Dez indicadores do aquecimento global Entramos no 3º milênio com recordes exorbitantes no aumento da temperatura global. A última década do 2º milênio bateu recorde de temperatura; aquecimento é 'inegável', diz relatório - As últimas três décadas foram as mais quentes já registradas; anos 90 superam os 80 e 2000, os 90. Cientistas de todo o mundo estão trazendo ainda mais provas de que há um aquecimento global em marcha. “Uma revisão ampla dos principais indicadores climáticos confirma que o mundo está se aquecendo e que a década passada foi a mais quente já registrada”, diz o relatório anual Estado do Clima [BAMS State of the Climate Report / National Oceanic and Atmospheric Administration / National Climatic Data Center]. Compilado por mais de 300 cientistas de 48 países, o relatório diz que análises de dez indicadores que são “todos claramente e diretamente ligados ás temperaturas da superfície contam a mesma história: o aquecimento global é inegável”. Derel Arndt, do Ramo de Monitoramento Climático do Centro Nacional de Dados Climáticos dos EUA, destaca que a década de 80 tinha sido a mais quente de todos os tempos, mas que cada um dos anos da década de 90 havia sido mais quente que a média dos anos 80, o que fez dos anos 90 os mais quentes já registrados. Mas agora sabe-se que cada um dos anos de 2000 a 2009 foi mais quente que a média dos anos 90, o que faz dessa década a mais quente. O relatório, divulgado pela Administração Nacional de Atmosfera e Oceano (NOAA) e publicado como um suplemento do Boletim da Sociedade de Meteorologia dos EUA, focalizou dez indicadores de aquecimento, sete dos quais estão em elevação e três, em queda. Em elevação encontram-se a temperatura média do ar, a taxa de vapor de água no ar, o conteúdo de calor dos oceanos, a temperatura da superfície do mar, o nível do mar, a temperatura do ar sobre o oceano e a temperatura do ar sobre a terra. Em queda encontram-se a cobertura de neve, as geleiras e o gelo sobre o mar. (EcoDebate)

Nordeste é mais vulnerável às mudanças climáticas

Região Nordeste é uma das mais vulneráveis às mudanças globais no clima.
Além da expansão da seca, deverá sofrer com alterações nos níveis dos oceanos (Imagem: Nasa) O Nordeste e as mudanças climáticas O primeiro quadrimestre de 2010 foi o mais quente já registrado, de acordo com dados de satélite da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), dos Estados Unidos. No Brasil, a situação não foi diferente. Entre 1980 e 2005, as temperaturas máximas medidas no Estado de Pernambuco, por exemplo, subiram 3ºC. Modelos climáticos apontam que, nesse ritmo, o número de dias ininterruptos de estiagem irá aumentar e envolver uma faixa que vai do norte do Nordeste do país até o Amapá, na região Amazônica. Os dados foram apresentados pelo pesquisador Paulo Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), durante a 62ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) que começou dia 25/07/10 e vai até 30/07/10, em Natal, no campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Além da expansão da seca, o pesquisador frisou que o Nordeste deverá sofrer também com as alterações nos oceanos, cujos níveis vêm subindo devido ao aumento da temperatura do planeta. Isso ocorre não somente pelo derretimento das geleiras, mas também devido à expansão natural da água quando aquecida. Cidades que possuem relevos mais baixos, como Recife (PE), sentirão mais o aumento do nível dos oceanos. E Nobre alerta que a capital pernambucana já está sofrendo as alterações no clima. “Com o aumento do volume de chuva, Recife tem inundado com mais facilidade, pois não possui uma rede de drenagem pluvial adequada para um volume maior”, disse. Um dos grandes obstáculos ao desenvolvimento da região Nordeste seria a constante associação entre seca e pobreza. A pobreza, segundo o pesquisador, vem de atividades não apropriadas ao clima local e que vêm sendo praticadas ao longo dos anos na região. Plantações de milho e feijão e outras culturas praticadas no Nordeste não são bem-sucedidas por não serem adequadas à caatinga, segundo Nobre. “A agricultura de subsistência é difícil hoje e ficará inviável em breve. Para que o sertanejo prospere, teremos que mudar sua atividade econômica”, disse. O cientista citou um estudo feito na Universidade Federal de Minas Gerais e na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que indicou que o desemprego no Nordeste tenderá a aumentar caso as atividades econômicas praticadas no interior continuem. Nobre sugere a instalação de usinas de energia solar como alternativa. “A Europa está investindo US$ 495 bilhões em produção de energia captada de raios solares a partir do deserto do Saara, no norte da África. O mercado de energia solar tem o Brasil como um de seus potenciais produtores devido à sua localização geográfica e clima, e o Nordeste é a região mais adequada a receber essas usinas”, indicou. “Ficar sem chuva durante longos períodos é motivo de comemoração para um produtor de energia solar”, disse Nobre, que ressaltou a importância dessa fonte energética na mitigação do aquecimento, pois, além de não liberar carbono, ainda economiza custos de transmissão por ser produzida localmente. Mais eventos extremos O potencial do Nordeste para a geração de energia eólica também foi destacado pelo pesquisador do Inpe. Devido aos ventos alísios que sopram do oceano Atlântico, o Nordeste tem em seu litoral um constante fluxo de vento que poderia alimentar uma vasta rede de turbinas. Além da economia, Nobre chamou a atenção para as atividades que visam a mitigar os efeitos das mudanças climáticas, que seriam importantes também para o Nordeste. “Os efeitos dessas mudanças são locais e cada lugar as sofre de um modo diferente”, disse. Um dos efeitos dessas alterações é o aumento dos eventos extremos como tempestades, furacões e tsunamis. Em Pernambuco, as chuvas de volume superior a 100 milímetros em um período de 24 horas aumentaram em quantidade nos últimos anos. “Isso é terrível, pois as culturas agrícolas precisam de uma precipitação regular. Uma chuva intensa e rápida leva os nutrientes da terra, não alimenta os aquíferos e ainda provoca assoreamento dos rios, reduzindo ainda mais a capacidade de armazenamento dos açudes”, disse. Nobre propõe que os governos dos Estados do Nordeste poderiam empregar ex-agricultores sertanejos em projetos de reflorestamento da caatinga com espécies nativas. A reconstrução dessa vegetação e das matas ciliares ajudaria a proteger o ecossistema das alterações climáticas e ainda contribuiria para mitigá-las. O cientista defendeu também o acesso à educação de qualidade a toda a população, uma vez que a porção mais afetada é aquela que menos tem acesso a recursos financeiros e educacionais. A implantação de uma indústria de fruticultura para exportação é outra sugestão de Nobre para preparar o Nordeste para as mudanças no clima e que poderia fortalecer a sua economia.“A relação seca-pobreza é um ciclo vicioso de escravidão e que precisa ser rompido. Isso se manterá enquanto nossas crianças não souberem ler, não aprenderem inglês ou não conseguirem programar um celular, por exemplo”, disse. (EcoDebate)

Aquecimento global transformará sertão nordestino

Aquecimento global pode transformar sertão nordestino em deserto.
De sertão a deserto, sinais do aquecimento global no semiárido nordestino transformam políticas de prevenção e adaptação em prioridade. O sertão nordestino vai virar deserto. Pelo menos esse é o cenário mais pessimista que pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) preveem caso não sejam tomadas medidas contra o aquecimento na região. Nos últimos 40 anos, os termômetros registraram um aumento de mais de 3°C em cidades como Vitória de Santo Antão (PE), enquanto o resto do planeta esquentou em torno de 0,4°C. O fenômeno se deve em parte às mudanças climáticas decorrentes da emissão de gases estufa, mas também à urbanização crescente da região. Ao mesmo tempo, as chuvas estão se tornando raras, mas chegam com intensidade capaz de destruir cidades inteiras. Os estudos que comprovam o fato, há muito observado pelos moradores locais, serão apresentados na 62ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), entre 25 e 30 de julho de 2010, em Natal (RN), e na Segunda Conferência Internacional: Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiá­ridas, entre 16 e 20 de agosto de 2010, em Fortaleza (CE). As altas temperaturas prejudicam sobretudo os pequenos produtores rurais. Eles fazem a chamada agricultura de sequeiro, que depende da chuva para manter lavouras de subsistência como feijão e milho. Segundo especialistas, essa prática agrícola – que tem alta demanda do recurso natural – já se tornou inviável em várias regiões do semiárido. Por outro lado, o aumento da temperatura está fazendo com que a água presente no solo evapore mais rapidamente e forme nuvens maiores e mais carregadas – que resultam em chuvas intensas. “Como as cidades não terem infraestrutura, essas precipitações se transformam em tragédias, como as ocorridas em Alagoas e Pernambuco no mês de junho”, explica José Antônio Marengo, meteorologista e pesquisador do INPE. Segundo ele, no entanto, a desertificação pode ser contida com o fim dos desmatamentos. “A cobertura vegetal é importante para manter o solo úmido. Se ele ficar totalmente exposto ao sol, a tendência é de que se torne um deserto”, diz. Outro fator responsável pelo fenômeno, o assoreamento dos rios, também pode ser evitado com a manutenção da vegetação. Os pesquisadores estimam que 31,6 milhões de pessoas, em dez Estados, estejam vulneráveis aos efeitos do aquecimento no Brasil, o que corresponde a 19% da população. Além de prejudicar a agricultura, ele pode gerar uma alta no preço dos alimentos, migração para centros urbanos, desemprego e aumento nos gastos públicos com programas de emergência. Por isso, os cientistas defendem políticas de prevenção. “É preciso fazer um planejamento para quatro, cinco anos, e não as medidas paliativas de sempre”, defende Marengo. Uma dessas alternativas seria tornar viável aos pequenos agricultores a irrigação por gotejamento. Essa tecnologia, criada em Israel, já é uma realidade para grandes produtores de cidades como Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), exportadoras de manga e uva. O investimento, porém, só tem retorno em três ou quatro anos. “Antes de tudo, é preciso educar as pessoas para que elas entendam que o aquecimento global é uma realidade”, conclui Marengo. (EcoDebate)

Quem assa o planeta?

"Se quiser entender a oposição à ação climática, siga o dinheiro" Nunca diga que os deuses não têm senso de humor. Aposto que eles ainda estão rindo no Olimpo sobre a decisão de tornar o primeiro semestre de 2010 – o ano em que morreu a esperança de uma ação para combater a mudança climática, o período mais quente de que se tem registro. É claro que não se pode inferir tendências nas temperaturas globais a partir da experiência de um ano. Mas ignorar este fato tem sido há muito um dos truques favoritos dos que negam a mudança no clima: eles apontam um ano incomumente quente no passado e dizem: “Vejam, o planeta tem esfriado, não esquentado, desde 1998!”. Na realidade, 2005, não 1998, foi o ano mais quente até hoje. Mas acha que algum dos que negam o aquecimento dirão “OK, eu estava errado” e passarão a apoiar uma ação em benefício do clima? Não. E o planeta continuará a cozinhar. Então, por que a legislação sobre mudança climática não passou no Senado? Vamos falar primeiro sobre o que não causou isso, pois tem havido muitas tentativas de jogar a culpa nas pessoas erradas. Em primeiro lugar, não deixamos de agir devido a dúvidas científicas legítimas. Todas as evidências válidas, médias de longo prazo de temperaturas, volume de gelo no Ártico, derretimento de geleiras, proporção entre altas e baixas recordes, apontam para um contínuo aumento das temperaturas globais. Essas evidências tampouco foram maculadas por mau comportamento científico. Você provavelmente soube das acusações contra pesquisadores climáticos, alegações sobre dados fabricados, e-mails comprometedores do “Climagate” e assim por diante. O que você não deve saber, porque recebeu publicidade muito menor, é que todos esses supostos escândalos foram desmascarados como uma fraude tramada por oponentes da ação sobre o clima. Preocupações razoáveis sobre o impacto econômico da legislação sobre o clima bloquearam a ação? Não. Tem sido engraçado observar conservadores, que enaltecem a flexibilidade e o poder ilimitado dos mercados, e insistir que a economia entraria em colapso se impusermos um preço ao carbono. Todas as estimativas sérias sugerem que poderíamos adotar pouco a pouco limites para emissão de gases-estufa com, no máximo, um pequeno impacto na taxa de crescimento da economia. Então, se não foi a ciência, os cientistas ou os economistas que abortaram a ação sobre a mudança climática, quem ou o quê foi? Os suspeitos usuais: mesquinharia e covardia. Se quiser entender a oposição à ação climática, siga o dinheiro. A economia como um todo não seria significativamente atingida se puséssemos um preço no carbono, mas certas indústrias, sobretudo a do carvão e do petróleo seriam. Essas indústrias montaram uma enorme campanha de desinformação para proteger seus negócios. Olhe os cientistas que questionam o consenso sobre mudança climática; olhe as organizações que proclamam escândalos falsos; olhe os núcleos de estudo para os quais qualquer esforço para limitar as emissões aleijariam a economia. Verá que estão na ponta do recebimento de um duto de dinheiro que começa nas grandes companhias energéticas, como a Exxon Mobil, que gastaram milhões de dólares para promover a negação da mudança climática, ou Koch Industries, que patrocina há duas décadas organizações contrárias ao meio ambiente. Ou olhe os políticos mais vociferantes contra a ação climática. Onde eles obtêm a maior parte do dinheiro gasto em campanhas? Você já sabe a resposta. Por si só, a mesquinharia não teria triunfado. Precisou da ajuda da covardia, acima de tudo de políticos que sabem quão grande é a ameaça do aquecimento global, que apoiaram a ação no passado, mas desertaram no momento crucial. Cito um, em particular: o senador John McCain. Houve um tempo em que McCain era considerado amigo do meio ambiente. Em 2003, ele poliu sua imagem de dissidente ao copatrocinar um projeto que criaria um sistema de limites para as emissões poluentes. Ele reafirmou o apoio a esse sistema em sua campanha presidencial e as coisas poderiam estar diferentes hoje se ele continuasse a fazê-lo. Mas não o fez e é difícil não ver na mudança o ato de um homem disposto a sacrificar princípios, e o futuro da humanidade, para ganhar alguns anos a mais em sua carreira política. (EcoDebate)

Degelo em montanhas aumenta nível dos oceanos

Para glaciólogo, degelo em montanhas é principal causa do aumento do nível dos oceanos.
Ao contrário do que muitos imaginam não é o derretimento de gelo da Antártica e da Groenlândia o principal responsável pelo aumento do nível das águas dos oceanos. É o degelo dos topos das montanhas que deve receber atenção, segundo o coordenador-geral do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Criosfera, Jefferson Cardia Simões. O glaciólogo (especialista em gelo e neve) explicou que o descongelamento nas regiões polares está ocorrendo em um ritmo menor por causa do aquecimento global. No topo das montanhas, o cenário é inverso, e o gelo está sumindo rapidamente. De acordo com Simões, é esse gelo derretido que alcançará, em determinado momento, rios e desembocará nos mares, significando o aumento do volume de água. “No manto de gelo da Antártida, o derretimento é muito pouco, menos de 1% do Continente Antártico e está ocorrendo nas periferias das regiões polares. É nas montanhas onde ocorre a maior parte do derretimento, tanto nas zonas temperadas quanto tropicais. E essa água cedo ou tarde vai para o mar, que contribui para o aumento do nível do mar”, disse Simões, em palestra dia 27/07/10 na 62ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Algumas pesquisas preveem um quadro catastrófico: o derretimento total da massa gelada do planeta, equivalente a mais de 28 milhões de Km², levaria a um aumento de 70 metros do nível do mar. Para o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), previsões como essas são exageradas e quase impossíveis de se concretizar em curto prazo. “Gradativamente, vamos ver eventos abruptos de clima, como enxurradas, enchentes e geadas em lugares que nunca haviam ocorrido antes, e também o aumento do nível do mar. Mas é gradativo, não é para amanhã”, afirmou o pesquisador. (EcoDebate)

terça-feira, 27 de julho de 2010

inSustentabilidade! Eis o ‘momentum’

A mídia traz a todo o momento informações sobre aquecimento global, emissão de gases nocivos, exaustão dos recursos naturais, vazamentos de óleo, desmatamentos, conflitos armados. Um cenário áspero. Preservar a vida com alguma dignidade é uma questão de interesse global e envolve o nosso futuro e o das próximas gerações. No entanto as questões relacionadas ao desenvolvimento sustentável e habitabilidade da terra por serem mais recentes e menos conhecidas pouco ou quase nunca abordadas pela maioria das pessoas. E isto deveria ser diferente. Com o intuito de fomentar a discussão e articular os argumentos necessários à reflexão introduzo um tema que vejo ser um dos mais críticos e complexos quando tratamos de humanidade e dos ecossistemas garantidores de sua existência: o modelo de produção e a forma como consumimos. O esgotamento do atual modelo socioeconômico. O sistema vigente resulta num pesado ônus político e socioambiental. E tende a se agravar em médio e longo prazo comprometendo, sobretudo a qualidade de vida no futuro. A ameaça de exaustão dos recursos naturais por conta da elevada e crescente demanda por alimentos e bens de consumo aliada à deterioração das relações de troca entre trabalho e capital resultou num perverso enriquecimento de minorias relegando à maioria a condição de pobreza. Isto levou ao enorme distanciamento socioeconômico entre classes sociais entre as nações. E nesta cadencia o cenário inexoravelmente se agravará. No âmbito climático rios transbordam na Suíça, no Brasil, nos EUA, na Alemanha e na China com freqüências cada vez maiores. Estudos do IPCC apontam para uma diminuição da quantidade de “dias frios” e aumento dos “dias quentes”. No Ártico, na Cordilheira dos Andes e na Europa central as camadas de gelo e neve estão derretendo. No econômico, o cientista inglês Nicholas Stern relata em seu estudo que cuidar do clima do planeta custaria entre 1 ou 2% do PIB mundial, mas os países ricos, principais poluidores ainda hesitam em agir. O grupo dos “economicamente desenvolvidos” atravessa a pior crise financeira dos últimos 70 anos, com elevados índices de desemprego. Países vão à falência e ameaçam arrastar junto boa parte da zona do euro. Enquanto lemos este artigo centenas de pessoas morrem em decorrência de conflitos armados ou da pobreza extrema na África, Oriente Médio e Ásia. Vetores que tendem a evoluir sem exceção, sejam em países ricos ou pobres. Estudos recentes elaborados por instituições acreditadas apontam que considerando-se os atuais padrões de consumo da população mundial hoje exige 2.5 planetas Terra adicionais para que dê conta de sua demanda por alimento, lazer e conforto.Estamos falando de Pegada Ecológica,assim é conhecido o indicador que aponta o esforço do planeta para sustentar a atual civilização.Procure na web por Footprint ou então no site www.wwf.org.br/pegadaecologica. Para se ter uma boa noção do impacto sobre o planeta é interessante observar que levamos 300 mil anos para nos tornarmos 2.5 bilhões de pessoas em 1950. E desde então até os dias de hoje, aumentamos e somos mais de 6,7 bilhões de seres humanos, consumindo muito de tudo. Portanto em apenas 60 anos a população mundial mais que dobrou e a velocidade do consumo destes recursos também cresceu de forma vertical. Não é a toa que o planeta aqueceu. Vamos considerar que apenas uma parte significativa da população mundial, pertencente aos países conhecidos por “economias emergentes”, formada por chineses, indianos e brasileiros desejem, por exemplo, adquirir um automóvel, uma geladeira, um forno de microondas, viajar de avião, ou ainda comer carne ou pescado. Anseios, originais e meritórios, que representam alguns itens de consumo e conforto no mundo contemporâneo mediano. Discorrendo de modo singular sobre as conseqüências ambientais para atender esta demanda, veja o que poderia acontecer. • Haveria aumento da demanda por combustível fóssil. Maior extração e refino para produzir os combustíveis para viabilizar toda a logística envolvida. Impacto gerado: aumento das emissões de gases efeito estufa (gee) e por conseqüência do aquecimento global, contaminação do solo e dos recursos hídricos. Vazamentos de óleo durante a extração (BP/Golfo do México) ou armazenamento (Petrobras/Baia da Guanabara-2000) acontecem • Crescimento da extração de minério para fabricação do aço necessário para a manufatura dos bens. Impacto gerado: degradação do solo, açoreamento de rios e lagos, desmatamento, demandam adicional de energia e por conseqüência maior emissão de gases efeito estufa além de outros poluentes pesados na atmosfera, nos rios e oceanos. • Intensificação do uso de energia para operação dos equipamentos de produção de bens duráveis e de consumo. Impacto gerado: sobrecarga na temperatura global por conta da queima do combustível fóssil e pelo alagamento de novas áreas, hoje florestadas, para produção de mais energia hidrológica; aumento de resíduos tóxico e nucleares. • Aumento da demanda em toda a cadeia da matéria–prima, mão de obra e insumos secundários para a manufatura, logística de entrega e emprego de componentes agregados como papel, plástico, aço. Impacto gerado: superexploração dos recursos naturais e maior exposição dos biomas ao risco de exaustão e extinção • Aumento na demanda por alimentos. Impacto gerado: intensificação do desmatamento e da degradação da terra pela cadeia do agrobusiness, exaustão dos aqüíferos por conta de métodos inadequados de plantio e irrigação. Só para citarmos alguns. Contudo, para que a exposição não pareça parcial há que se considerar que não se trata apenas de uma cadeia de destruição e ônus que se impõe. Há também uma corrente paralela de construção e de benefícios e isto nos permite uma reflexão comparativa sobre a relação. Infelizmente esta relação é marcada por um profundo desequilíbrio, pois o regime socioeconômico vigente, excludente, não permite que a maior parte das populações possa usufruir de benefícios como alimentos, medicamentos, tecnologia e o que é pior, aqueles que podem, em sua maioria o fazem de forma perdulária. Em 2030 seremos 9 bilhões de habitantes. Seria este o momento da profunda e extensa reavaliação necessária dos princípios e valores vigentes, uma vez que civilização atual se encontra próxima do limite de esgotamento de seus recursos naturais? Grande parte das fronteiras à sobrevivência estão mapeadas. Já sabemos quais são e onde estão. Resta agora o mais complexo que é conceber quais serão os novos fundamentos socioambientais para uma inovadora hegemonia global e quais os paradigmas econômicos viáveis para esta nova era. Como conciliar os anseios de uma sociedade que aprendeu a cultuar e adorar a imagem do excesso de oferta á um cenário de limitação e escassez no futuro? Kant e o Iluminismo A última grande revolução de idéias que efetivamente transformou o mundo foi na primeira metade do século XVIII com o Iluminismo, quando houve uma convergência de tendências filosóficas, sociais, políticas,intelectuais e religiosas. Resultando num vasto conjunto de valores e de novos princípios estruturais e pragmáticos que nos nortearam até os dias de hoje. Nos tornamos a evolução daquele momento e agora nos damos conta de que precisamos de outra grande era de transformação. Como definiu o grande pensador Immanuel Kant: “O Iluminismo representa a saída dos seres humanos de uma tutelagem que estes mesmos se impuseram a si. Tutelados são aqueles que se encontram incapazes de fazer uso da própria razão independentemente da direção de outrem. É-se culpado da própria tutelagem quando esta resulta não de uma deficiência do entendimento, mas da falta de resolução e coragem para se fazer uso do entendimento independentemente da direção de outrem. Sapere aude! Tem coragem para fazer uso da tua própria razão! – esse é o lema do Iluminismo”. E é disso que precisamos. (EcoDebate)

Países pedem a redução de gases

Países pedem proposta única de redução de gases.
Grupo Basic (Brasil, África do Sul, Índia e China) quer que nações ricas assumam maior responsabilidade pelo aquecimento global. Os países emergentes estudam levar à próxima Conferência do Clima uma proposta única de redução das emissões de gases de efeito estufa. O texto deverá estabelecer critérios que permitam o desenvolvimento sustentável e cobrar que as nações ricas assumam mais responsabilidade pelo aquecimento global. Durante um encontro realizado em final de julho de 2010 no Rio, ministros do grupo Basic (Brasil, África do Sul, Índia e China) anunciaram a realização de estudos técnicos nos próximos meses para elaborar os parâmetros que serão levados à cúpula da ONU, marcada para novembro e dezembro em Cancún, no México. "Estamos dialogando para estabelecer posições convergentes, mas ainda precisamos avaliar o impacto das propostas de redução da emissão de gases nas economias domésticas", disse a ministra brasileira do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. As autoridades cobram a adoção de metas diferenciadas de redução das emissões para cada nação, mas ainda não chegaram a um acordo em relação aos critérios que serão usados para estabelecer esses limites. Segundo a proposta, cada país teria direito a emitir um volume máximo de gases de efeito estufa, para tentar evitar um aumento significativo da temperatura do planeta. Para impedir um aquecimento de mais de 2°C em relação ao período pré-industrial, o Brasil defende o uso de parâmetros históricos, em que os países desenvolvidos estariam sujeitos a restrições maiores. A Índia sugere a adoção de metas de emissão per capita, em que as nações mais populosas teriam direito a limites mais altos. "Há um longo caminho até que cheguemos a um paradigma comum. De qualquer maneira, um acordo que evite o crescimento dos países emergentes não seria um acordo equitativo", avaliou o ministro indiano Jairam Ramesh. "Não podemos aceitar acordos que estreitem o espaço de desenvolvimento para nossos países", acrescentou. Representantes das quatro nações se encontrarão novamente em outubro, em Pequim, para acertar os pontos do documento, que será proposto aos países em desenvolvimento do chamado G-77 e levado a Cancún. Os ministros reunidos no Rio, no entanto, reconhecem que as diferenças entre as nações do grupo pode dificultar um acordo. Plano modesto Sob a defesa do direito ao desenvolvimento dos países pobres, o Basic pode apresentar em Cancún propostas modestas, mas que evitem impasse semelhante ao da COP-15, no ano passado (mais informações nesta página). "Temos expectativas mais humildes em relação a Cancún, mas que sejam eficazes para mitigar os efeitos das mudanças climáticas", disse o vice-presidente da comissão chinesa para o desenvolvimento, Xie Zhenhua.
PARA ENTENDER Nações não têm metas A 15.ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-15) terminou em dezembro passado sem metas concretas de redução dos gases-estufa. O acordo firmado é uma declaração política de intenções. O Brasil se comprometeu com um corte voluntário de 36% a 39% das emissões de gases-estufa até 2020.

domingo, 25 de julho de 2010

“Máquinas” de absorver CO2

Novos estudos calculam que as florestas tropicais são os maiores ‘sumidouros’ de CO2.
Florestas tropicais são maiores “máquinas” de absorver CO2. As florestas tropicais, como a Amazônia, são as máquinas de fotossíntese mais eficientes do planeta. Um novo estudo internacional [Terrestrial Gross Carbon Dioxide Uptake: Global Distribution and Covariation with Climate] mostra que elas absorvem um terço de todo o gás carbônico que é retirado da atmosfera pelas plantas a cada ano. Pela primeira vez, cientistas calcularam a absorção global de CO2 pela vegetação terrestre: são 123 bilhões de toneladas do gás por ano. “É o dobro da quantidade de CO2 que os oceanos absorvem”, diz Christian Beer, do Instituto Max Planck para Bioquímica, na Alemanha. Ele é coautor do estudo, publicado na revista “Science”. Selvas tropicais respondem por 34% da captura. As savanas, por 26%, apesar de ocuparem o dobro da área. Um outro estudo [Global Convergence in the Temperature Sensitivity of Respiration at Ecosystem Level] , publicado na mesma edição da “Science”, mostrou que a temperatura influencia pouco na quantidade de carbono exalado pelas plantas quando elas respiram. Havia temores de que o aquecimento global pudesse acelerar as taxas de respiração, fazendo com que florestas se convertessem de “ralos” em fontes do gás, agravando mais o problema. Juntos, esses dados devem ajudar a melhorar os modelos climáticos, que dependem do conhecimento preciso do fluxo de carbono entre plantas, atmosfera, oceanos e fontes humanas do gás. O trabalho de Beer também ressalta a importância das florestas secundárias na Amazônia como “ralos” para o CO2 em excesso despejado no ar por seres humanos. Isso porque, apesar de absorverem muito carbono por fotossíntese, as florestas tropicais devolvem outro tanto ao ar quando respiram. Florestas em regeneração, por outro lado, fixam muito mais carbono do que exalam. O estudo usou dados de uma rede internacional, a Fluxnet, que reúne centenas de torres que servem como postos de observação pelo mundo, analisando os fluxos de CO2 na vegetação ao redor. No Brasil há quase uma dezena de torres de fluxo, a maior parte delas instaladas na Amazônia. “Mas ainda sabemos pouco, por exemplo, sobre pontos de transição abrupta ligados ao clima, como florestas em savanização”, diz o biólogo Antonio Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. “Ainda existem ambientes pouco mapeados, como pântanos e brejos.” (EcoDebate)

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Destruindo o meio ambiente

Uma empresa de vulto internacional está instalando grande fábrica de cerveja em determinada cidade de Minas Gerais. Será a segunda maior indústria da espécie no Brasil, ocupando imensa área. Para tanto, reuniram-se as autoridades municipais, os representantes da mencionada indústria e o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente, órgão integrante da administração local para tratar e resolver os trâmites burocráticos, de forma que a empresa ficasse legalmente habilitada para iniciar as obras no menor prazo possível. E os representantes da indústria saíram com a aprovação total. Imaginamos como terá ocorrido tal reunião. Naturalmente, depois de pagas todas as taxas, o mencionado Conselho, por unanimidade, aprovou o corte de 140 árvores frutíferas nativas, condenando à morte todo o bioma da área, sob promessa de compensações. Deveriam ser substituídos, teoricamente, todos os seres vivos, macro e micro, (não só as árvores). Segundo supomos, as autoridades presentes devem ter declarado mais ou menos assim: “se é para o progresso, aprovamos”. Para formalidade de aparências e tranqüilidade de consciências, exigiram que, em troca, a empresa prometesse plantar outras árvores em outros lugares e em tempos futuros. Trocaram um ato concreto de morte e destruição por uma vaga promessa, cuja efetividade já conhecemos há muito tempo. Ninguém foi ouvir a opinião das árvores mártires nem da biodiversidade existente no solo. Essas ações nos fazem compará-las com as que ocorreram outrora na ilha de Páscoa, quando os nativos cortaram todas as árvores em benefício da fabricação de moais de pedra, seus deuses. Decisões daquela época devem ter sido parecidas: “se é para louvar nossos deuses, aprovamos o corte de árvores.” E todos sabem das conseqüências para os habitantes daquela ilha, sem o suporte de seus seres vivos vegetais. Além desses tais Conselhos Municipais, conta o Estado de Minas Gerais com os seguintes órgãos oficiais para defesa do meio ambiente: 1) Sistema Estadual de Meio Ambiente (Sisema); 2) Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad); 3) Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam); 4) Instituto Estadual de Florestas (IEF); 5) Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam); É muita gente ganhando para defender o meio ambiente. Bem entendido: defender no faz-de-conta. Porque não vemos ações efetivas; só discursos. Descrevemos acima um fato concreto, ocorrido há dias, que deve estar harmonizado com os outros órgãos oficiais por esse Brasil afora, cuja verdadeira função é fingir que defendem a Natureza, mas que, na efetividade, ungem os atos do esquema econômico. São, portanto, instrumentos que servem ao senhor lucro e, em conseqüência, apressam o suicídio da humanidade. Como podem tantos órgãos ambientalistas oficiais terem tanta omissão, tanta hipocrisia, tanta irresponsabilidade! (EcoDebate)

Políticas para o Planeta

''Queremos criar as Políticas do Planeta'' Brice Lalonde, de 64 anos, ex-ministro do Meio Ambiente da França e embaixador para as negociações sobre mudanças climáticas de seu país, acaba de iniciar no âmbito das Nações Unidas os preparativos para a Rio+20, que comemorará os 20 anos da Eco-92. Segundo ele, a ideia é criar na conferência de 2012 as "Políticas do Planeta". "O movimento por desenvolvimento sustentável foi ritmado por grandes conferências, como a de 1972 em Estocolmo e a Cúpula da Terra no Rio. A próxima reunião no Brasil será também importante", diz. O que imagina que possamos alcançar em 2012, na Rio+20? Em cada país deveremos ter um comitê que reunirá sociedade civil, governo, empresas, ONGs e cientistas para preparar a conferência. Estamos tentando inventar algo que poderíamos descrever como "Políticas do Planeta". Tentamos pensar como se o mundo fosse um grande país. Assim, vemos desigualdades, problemas de recursos e outras questões. Então, um dos principais tópicos é como podemos nos organizar para enfrentar esses problemas. Queremos tentar ir além das longas negociações internacionais. Poderemos inventar algum dia um novo modelo de produção e consumo sem que seja o de sempre ter mais bens materiais? É uma grande e complicada discussão. O consumismo é muito presente no modo de vida americano. Isso é uma crítica aos EUA? Mesmo dentro dos EUA há diferenças. As pessoas na Califórnia usam metade da energia se comparadas aos demais americanos. Há diversas questões a serem respondidas. Podemos viver num mundo sem jogar tanto lixo? Temos de tentar descobrir como produzir e consumir sem destruir a natureza. E qual será o tema da Rio+20? Desenvolvimento sustentável. Mais especificamente, o que foi feito nos últimos 20 anos em relação à Agenda 21, biodiversidade e clima. Um segundo tópico é a economia verde. E o terceiro item é sobre instituições. Temos as instituições necessárias para promover o desenvolvimento sustentável ou precisamos transformá-las, criar outras? Na Rio-92 foi criada uma comissão de desenvolvimento sustentável que se reúne a cada ano. Ela é eficiente e forte o suficiente? Precisamos avaliar. Países em desenvolvimento estão preocupados com a tentativa de acabar com o Protocolo de Kyoto nas negociações de clima. Qual é a sua avaliação? Nós, na França, concordamos com um segundo período de compromisso para Kyoto. Mas gostaríamos que todos fizessem algo, e não somente nós. Seria injusto apenas a Europa fazer alguma coisa. Preferíamos ter um único instrumento (que incluísse os EUA, que não ratificaram Kyoto). Mas, se o preço de ter um acordo em Cancún no fim do ano é ter uma segunda fase de Kyoto, OK. Mas o senhor acha que será possível ter um acordo legalmente vinculante em Cancun? É bem difícil até de entender o que significa legalmente vinculante. Porque Kyoto é, e mesmo assim alguns países não atingirão suas metas (o Canadá é o que está mais longe do objetivo). E o que vai acontecer? Acho que não vamos mandar a polícia para lá. Então, é um assunto complicado. Para mim, seria no mínimo ter cada país cumprindo a sua meta. Mas não sei se é possível ter um grande acordo completo e abrangente em Cancún. Ambientalistas no Brasil estão preocupados com a possível alteração do Código Florestal. Haverá as eleições presidenciais no País e creio que isso deve ser discutido durante a campanha. No ano passado estive no Brasil e vi um grande movimento do empresariado em direção ao desenvolvimento sustentável. Houve o boicote à carne do Pará, por exemplo, o que achei muito interessante.

Desgelo mundial aumentará

Até 2% de todo o gelo do mundo sumirá em 10 anos.
Derretimento das geleiras ajudaria o mar a crescer 1 metro em 100 anos. Em poucos séculos, o homem atingiu algo nunca visto no último milhão de anos: o desaparecimento de 1% do gelo das regiões polares. E este número deve dobrar nos próximos dez anos, segundo Francisco Eliseu Aquino, pesquisador do Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A estimativa enterra a hipótese, aventada cinco anos atrás, de que apenas as geleiras de grandes montanhas contribuiriam para o aumento do nível do mar. Hoje, sabe-se que a Antártica e a Groenlândia também farão com que os oceanos cresçam de 60 centímetros a 1 metro nos próximos 100 anos. - A Groenlândia, que conta com 7% do volume de gelo do planeta, tem um derretimento superficial muito maior do que o esperado – ressalta. - Chegamos a pensar que a massa de gelo havia se estabilizado, mas nos enganamos. E esta região contribui para o aumento do nível do mar, assim como o norte da Antártica. Grupo faz perfurações para analisar mudanças glaciais O gelo marinho flutuante do Ártico não contribui para o aumento dos oceanos, porque sua massa já está na água. Mas, como reflete a luz do Sol, ele é fundamental no equilíbrio térmico da região. Se derreter, os termômetros registrarão temperaturas maiores. Para estudar as consequências das mudanças climáticas e glaciais aqui e no continente gelado, o glaciologista Jefferson Cárdia Simões fundou o Projeto Casa (abreviação, em inglês, para “Clima da Antártica e América do Sul”). Ele apresentará seus novos estudos na reunião da SBPC. - Fizemos perfurações nos Andes e na Antártica para, através das amostras de gelo, colher dados sobre o clima de até cinco mil anos atrás – explica Aquino, integrante do projeto. – Assim, conseguiremos identificar os ciclos de fenômenos como o El Niño, além da velocidade de outras transformações. Quando elas acontecem há muito tempo, são ciclos naturais. Se tiveram uma aceleração brusca, devemos atribuí-las à ação humana. (EcoDebate)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Degelo no Oceano Ártico

Degelo no Oceano Ártico: Países disputam riqueza sob o gelo.
Cobertura de gelo do Oceano Ártico em descongelamento. O Polo Norte está ameaçado: o oceano gelado que o rodeia começou a derreter. O colapso da calota teve início. O explorador alemão Arvel Fuchs calcula que, durante o verão de 2009, os gelos derretidos do Polo Norte equivalem a quatro vezes a área da Alemanha. Dez filmes nos mostraram o sofrimento dos ursos brancos, magros e extraviados, à procura de seus antigos reinos inviolados de gelo. A partir deste verão, é possível que navios pioneiros consigam unir o Canadá à Sibéria. Esse desaparecimento da calota polar que envolve há milhões de anos o cimo da Terra é um grande movimento da história. A última “terra incógnita” vai desaparecer. O imenso silêncio, os horizontes infinitos, as vastas brancuras do Polo Norte e seu nada vão ser substituídos por regiões às quais os homens, seus barulhos, seus motores a explosão, seus bancos, seus contêineres, terão acesso. Vamos assistir a este fenômeno raro: uma subversão da geografia que se desenrolará diante de nossos olhos. Semelhante aventura provocará grandes transformações econômicas em escala planetária: de um lado, o mar, quando ficar desimpedido e acessível, poderá ser explorado pelos homens. Ele deixará que engenheiros e operários revolvam suas entranhas até agora interditas. Paralelamente, os navios poderão ligar diretamente a América ou a Europa ao Extremo Oriente, em vez de fazê-lo por enormes e custosos desvios pelo sul da África ou pelo Canal de Suez. As nações que margeiam o Oceano Ártico já estão na linha de largada: Estados Unidos, Rússia, Canadá, Groenlândia (Dinamarca) e Noruega. Olhos brilham de cobiça à espera da abertura de um cofre-forte cheio de lingotes. Que lingotes? Carvão, cobre, bilhões de barris de petróleo, bilhões de metros cúbicos de gás, cobalto, antimônio, níquel, peixes. Uma caverna de Ali Babá. Quem é o proprietário? Em 1º de dezembro de 1982, uma Convenção da ONU sobre o Direito do Mar foi assinada em Montego Bay (Jamaica). Ela prescreve que o Polo Norte e seu entorno são “patrimônio da humanidade” e não pertencem a ninguém. Boa coisa. Mas, esse “coração” do Polo, segundo os geólogos é muito pobre em petróleo e minerais. Na verdade, todas as riquezas se concentram na periferia do Oceano Ártico, na direção das terras. O direito internacional de 1982 institui que cada país ribeirinho tem o direito de explorar uma Zona Econômica Exclusiva que avança até 200 milhas marítimas (350 quilômetros) mar adentro. Não há ambiguidade: cada um dos cinco países tem seu domínio delimitado. Uma cláusula da Convenção de 1982 perturba a ordem: se os países ribeirinhos conseguirem provar que a plataforma continental que se projeta de suas margens prolonga-se além da sua área seus domínios seriam aumentados. Os geólogos voltaram ao trabalho e descobriram plataformas continentais. A Rússia abriu fogo. Ela desembainhou a “cordilheira” Lomonosov, uma montanha submarina que parte do litoral russo e passa justamente embaixo do Polo Norte. Os outros ribeirinhos chiaram. Os geólogos canadenses provaram que a cordilheira Lomonosov não tem origem na Rússia e sim no norte do Canadá. E os geólogos dinamarqueses demonstraram que ela nasce na Groenlândia. Sem perda de tempo, em 2007, os russos desceram um minissubmarino que plantou na vertical do Polo Norte, a 4.264 metros de profundidade, uma bandeira de titânio com as cores russas. O certo é que, num prazo de dez, vinte anos, o Polo Norte vai cair nas garras da história, isto é, da indústria. A última terra virgem do planeta se tornará a fábrica do mundo. O silêncio, o belo silêncio sobrenatural será violado. Em seu lugar estrondeará o burburinho dos homens. Uma das últimas reservas da beleza das coisas chegará ao fim. Segunda consequência: o Oceano Ártico, desonerado de seus gelos, se tornará uma “autoestrada do mar”. Esse é um velho sonho. Desde que Colombo descobriu a América, capitães destemidos tentaram abrir um caminho através das banquisas para criar caminhos diretos para a outra metade do globo, para a Ásia. Esses caminhos foram batizados de “Passagem Noroeste” (pelo norte do Canadá) e “Passagem Nordeste” (ao longo das costas da Sibéria. Essas duas passagens continuaram bloqueadas, mas, durante quatro séculos, fascinaram o mundo. Mas eis que a terra consuma hoje, ela própria, a metamorfose que o gênio do homem não conseguiu obter em quatro séculos de explorações heroicas. A partir deste ano, um carregamento de ferro partirá de Kirkenes, no norte da Noruega, para a China. Um petroleiro russo zarpará do porto de Varandey, no grande norte siberiano, para entregar sua carga no Sudeste Asiático. Do lado canadense e americano, espera-se para mais adiante a abertura da passagem noroeste. Será preciso esperar alguns anos para esses dois itinerários se tornarem operacionais. Mas, a menos que um novo capricho do clima nos reenvie a uma improvável era glacial, as duas rotas deverão se tornar navegáveis dentro de alguns anos . Os benefícios serão consideráveis. Hoje, entre Londres e Tóquio, os navios cobrem 21 mil quilômetros. Pelo Ártico, as duas cidades se encontrariam a 14 mil quilômetros de distância apenas. Entre Noruega e a China, a passagem do noroeste faria ganhar entre 15 e 20 dias de navegação. Em 1498, o Doge de Veneza convocou seus conselheiros. Naquela manhã, ele recebera um despacho e esse despacho era lamentável. Um navegador português, Vasco da Gama, conseguira dobrar o sul da África pelo Cabo das Tormentas, rapidamente rebatizado de Cabo da Boa Esperança. Até então, Veneza controlava a totalidade do comércio entre o Ocidente e o Oriente. Veneza era a porta que permitia à Europa se comunicar com a Ásia. A única porta entre os dois continentes. Veneza foi privada de seu privilégio. Assim caminha a história: bastou uma nova rota ser inventada por um marinheiro português e toda a geografia do mundo entrou em transe, vacilou, e a história pôs-se a girar, como num imenso picadeiro das dimensões do universo. O Doge entendeu isso num estalo: Veneza morria. Veneza ia morrer. No futuro, ela seria apenas uma princesa esplêndida, inconsolável, enlutada por si mesma, moribunda e bela como uma lembrança perene agora que as rotas que ela outrora controlava eram desfeitas em favor de rotas novas e de uma nova “modernidade”. Começou então a longa e esplêndida letargia de Veneza, à beira de suas lagunas desamparadas. (EcoDebate)

Um século quente e desastrado demais

Aquecimento global: Um século quente e desastrado demais.
O aquecimento global desperta alerta. Diante da possibilidade de eventos climáticos extremos, não são apenas as cidades que estão vulneráveis Previsões do tempo são vistas com certo ceticismo. Contudo, o quadro climático que se transforma e as provas que nos são apresentadas de que algo está fora do eixo da normalidade são cada vez mais evidentes. Especialistas alertam que as cenas de destruição que acompanhamos recentemente em Per­nambuco, Alagoas, Rio de Janeiro e Santa Catarina podem se tornar mais frequentes e mais catastróficas nas próximas décadas. “Cada região será atingida por desastres que não aconteciam no passado e cada comunidade terá de se adaptar a novos tipos de desastres”, ex­plica o geólogo Renato Lima, di­­retor do Centro de Desastres da Uni­versidade Federal do Paraná (UFPR). Os impactos ambientais para daqui a 50 anos não devem ficar restritos a desmoronamentos de terra e abalos estruturais provocados por tempestades e inundações. Além de fortes enxurradas, as previsões do Painel Intergo­ver­na­mental sobre Mudanças Climá­ti­cas, da Organização das Nações Unidas (ONU), aponta para o au­­mento de cenários com extremos climáticos, como invernos mais rigorosos, mais ondas de ca­­lor, maior incidência de ciclones tropicais, períodos de seca mais extensos e mais ressacas no litoral. Diante disso, a agricultura e a saúde pública também estarão mais vulneráveis às alterações climáticas. São previsões e cenários traçados por especialistas diante do desenfreado aumento de temperatura, que tem relação direta com a ação humana no meio ambiente. O climatologista José Marengo, integrante do Centro de Ciência do Sistema Terrestre, grupo do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), explica que a temperatura do planeta tem aumentado desde a Revolução Industrial. “O aquecimento global é um processo natural. O problema é que as atividades humanas têm acelerado o processo. Os desastres que temos visto são indicadores de que estamos mudando o clima.” Não são apenas os gases poluentes que lançamos na atmosfera que provocam esse estrago (estima-se que são cerca de 7,1 bilhões de toneladas de gás carbônico emitidas todos os anos). A ocupação irregular em áreas de risco – encostas de morros e nas margens dos rios –, o desmatamento e a transformação de grandes centros urbanos em ilhas de calor, sem preocupação com a sustentabilidade da região, também fazem com que a temperatura aumente e contribuem com a vulnerabilidade das cidades e populações. Previsões do IPCC apontam que, nos próximos 50 anos, a temperatura média global pode aumentar de 1ºC a 5,8ºC, podendo chegar a 6,4ºC até 2100. A variação dependerá da forma como nós estaremos lidando com o meio ambiente nos próximos anos. Os cenários traçados a partir dessa margem termométrica mostram que o volume de chuvas na região Sul do Brasil aumentaria entre 6% e 24%. Enquanto a umidade prevaleceria por aqui, partes da Amazô­nia entrariam em processo de desertificação e a seca no Nordeste ficaria mais rigorosa, com a queda de até 33% do volume de chuvas. Adaptação Por menor que pareça o aumento da temperatura, o resultado pode ser catastrófico. Trata-se de uma preocupação imediata de preservação e da capacidade de nos adaptarmos para o que está por vir. “O clima sempre variou e vai continuar variando. Mas as mudanças, hoje, estão muito rápidas. Os fenômenos perigosos vão ficando com maior magnitude. O homem é responsável. Estamos acelerando essas mudanças”, alerta Lima. “Não tem nada que podemos fazer para diminuir a temperatura, mas podemos adotar medidas para minimizar o aquecimento”, complementa Marengo. Lima explica que há dois tipos de medidas a serem adotados pela sociedade para enfrentar as mudanças. A preventiva está voltada a medidas que buscam minimizar o impacto do homem na natureza para que as variações de clima sejam menores que o esperado. Já a forma adaptativa caminha em direção a ações que prezem pela segurança da população. “O clima é um fator, mas ele não gera o problema. A população deve estar preparada e adaptada para o que acontecer”, alerta Marengo. O climatologista defende que essa adaptação seja regulamentada por leis estabelecidas pelo Estado para que não se dependa de ações domésticas e isoladas de cada cidadão. “A maioria das pessoas não faz se não for por lei. É algo que deve ser estabelecido em comum para todos. Diante das mudanças climáticas, a única alternativa é se adaptar”, resume. Sul do Brasil e países de clima temperado enfrentarão a dengue O aumento da temperatura global deixará o Sul do Brasil e outros países de clima temperado vulneráveis a uma doença bastante conhecida em outras regiões brasileiras: a dengue. A proliferação do mosquito Aedes aegypti, assim como de outros insetos, torna-se favorável em ambientes mais quentes e úmidos. Com isso, populações que nunca tiveram de enfrentar algum tipo de surto poderão sofrer com essa mudança. “A prevalência das doenças vai mudar”, alerta o geólogo Renato Lima, diretor do Centro de Desastres da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Entretanto, o secretário estadual da saúde, Carlos Augusto Moreira Junior, reforça que, além do aumento da temperatura, existe o alerta para a adaptação do mosquito da dengue ao frio. “Estamos atentos a isso e preocupados com a dengue como um todo”, afirma. Diante do problema, a experiência que outros estados brasileiros têm no combate à doença é vista como um fator positivo, que pode ser usada em outras áreas de risco. Além da dengue, a malária e a leptospirose são outras preocupações de Lima. “Há relação direta ao cruzar dados de chuvas com o aumento da incidência de casos de leptospirose”, conta o especialista. “Com relação à leptospirose, não temos nada preventivo eficiente. Não é uma coisa tão fácil”, comenta o secretário. Ele defende investimentos na área de saneamento e escoamento da água da chuva para evitar esse problema. Moreira Junior conta que a secretaria trabalha com períodos mais curtos, o que torna difícil apontar um cenário para daqui 50 anos. “As coisas não serão de um dia para o outro. As pessoas têm de procurar prevenir isso. O melhor remédio é a prevenção para evitar o aumento das temperaturas.” (EcoDebate)

Geleira retrai 1,6 km² em uma noite

Geleira na Groenlândia se retrai 1,6 quilômetros quadrados em uma noite. O fato aconteceu na geleira Jakobshavn, na Groenlândia, e foi fotografado pela NASA. De acordo com o site Treehugger, a Nasa acaba de divulgar fotos de satélite preocupantes da geleira Jakobshavn, no norte da Groenlândia. As fotos foram feitas entre os dias 6 e 7 de julho de 2010, quando uma área de gelo de 2,7 milhas quadradas (mais de duas vezes o tamanho do Central Park, em Nova York), localizada no encontro da geleira com o oceano, se soltou durante a noite, fazendo com que a geleira recuasse uma milha terrestre. A retração dessa noite representa a média de retração calculada para os últimos dois anos. A respeito do fato, Thomas Wagner, cientista da NASA, comentou: “Embora tenham ocorrido no passado rachaduras de gelo dessa magnitude, este evento pode ser considerado incomum, pois aconteceu na sequência de um verão quente, em que o mar não foi congelado na baía próxima. Enquanto a relação entre esses eventos está sendo determinada, acaba credenciando a teoria de que o aquecimento dos oceanos é responsável pelo degelo observado na Groenlândia e na Antártida.” A geleira Jakobshavn vem se retraindo a um quilômetro por ano desde 2000. Localizada na costa oeste da Groenlândia, já perdeu mais de 45 quilômetros nos últimos 160 anos, dos quais 10 quilômetros somente na década passada. As estimativas mostram que cerca de 10% de todo o gelo derretido na Groenlândia vem da Jakobshavn, tornando-a o maior contrbuinte isolado para o aumento do nível do mar no hemisfério norte. (EcoDebate)

sábado, 17 de julho de 2010

Novas necessidades da economia verde

Duzentos mil empregos “verdes” já criados e mais de 800 mil por chegar. As energias renováveis que continuam crescendo e cobrem 11% do consumo energético. Doze bilhões de euros de faturamento produzido pelos alívios fiscais para a construção ecológica. Esse é o retrato da “Green Italy”, para usar o título da pesquisa aos cuidados da Fundação Symbola e da Unioncamere [União Italiana das Câmeras de Comércio, Indústria, Artesanato e Agricultura] que será apresentada na sexta-feira em Monterubbiano, nas Marchas da Soft Economy que conjugam inovação ambiental e defesa das raízes territoriais. A divisão se refere só a uma parte da Itália, mas é a parte que cresce. Se em nível global o estudo da Unep [Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, em sua sigla em inglês] “Global Trends in Sustainable Energy Investiment 2009″ mostra como as empresas que escolheram as energias limpas em 2008 receberam investimentos de 155 bilhões de dólares, ultrapassando aquelas ligadas aos combustíveis fósseis, em nível nacional a relação entre sucesso e capacidade de inovação ambiental é confirmado pelo relatório sobre a “Green Italy”. O dado de partida é uma divisão entre pequenas e médias empresas italianas, as que têm entre 20 e 499 empregados: 30% indica a “green economy” como instrumento para superar a crise. Já é um número alto, mas se formos ver como se chega a essa média de 30%, descobriremos que quanto mais se investe em inovação ambiental, mais as performances das empresas melhoram. O percentual das empresas verdes sobe para 33,6% nas firmas que olham para o mundo visando as exportações, para 41,2% nas empresas que cresceram economicamente também em 2009, e para 44,3% naquelas que elevaram a qualidade dos seus produtos. “A Itália que surge desse relatório é um país que tem um papel a ser desenvolvido no palco internacional contanto que desenvolva suas potencialidades”, explica Ermete Realacci, presidente da Symbola. “Se o pavilhão italiano na Expo Xangai foi o mais visitado depois do chinês é porque ele representava o desafio que temos pela frente: apontar para as qualidades italianas, do hi-tech do cimento ao artesão que produz beleza e sentido, para sair da crise. Infelizmente, a lei financeira em discussão vai em direção oposta: não há traços dos alívios fiscais de 55% para a construção sustentável, os transportes públicos são penalizados, a confiança nos certificados verdes é minada. Aponta-se para a remissão em vez da inovação, aos ecoespertos em vez dos empresários capazes de competir no mundo”. O relatório Symbola-Unioncamere documenta como as vantagens que seriam anulados pela lei financeira são consistentes. Por exemplo, o alívio fiscal de 55%, além da inversão de negócios de 12 bilhões, levou a um saldo positivo do ponto de vista dos benefícios econômicos, também levando-se em conta o fracassado bolo fiscal de 6,4 bilhões: em ativo, são calculados 3,3 bilhões de impostos, 3,8 bilhões de reavaliação dos imóveis, 3,2 bilhões de economia na conta energética. E o efeito-pêndulo que impediu o impacto da crise, transformando o trabalho sujo em trabalho verde. A ecoreestruturação dos edifícios envolveu 600 mil famílias e levou à formação de um núcleo de operadores econômicos sintonizados nos novos padrões europeus: operários especializados nas técnicas de calafetagem, certificadores energéticos que emitem o atestado para a compra-e-venda das casas, pequenas indústrias para a produção dos materiais de baixo impacto ambiental, especialistas na recuperação dos rejeitos das demolições, “energy manager” [administradores de energia] para analisar os erros e abater os desperdícios. E depois há as novas necessidades nos outros setores interessados na revolução verde (na Europa, já são contados 3,4 milhões de empregos “verdes”): os climatologistas que projetam as intervenções para enfrentar os efeitos do caos climáticos, os diplomatas do ambiente para acompanhar as negociações internacionais, os “faunistas” que trabalham na reconstrução dos habitats danificados, os pedólogos que intervêm na reorganização territorial e em sua melhoria, os especialistas de risco que propõem soluções para reduzir o perigo. Justamente a riqueza da tipologia dos “green jobs” (mais de 80 figuras profissionais) demonstra que a economia verde não é um setor, mas sim um novo modo de pensar o sistema produtivo. De um lado, as mercadorias são re-projetadas levando-se em conta todo o ciclo de vida (design, produção, distribuição, descarte, reciclagem). De outro, nasce um equilíbrio diferente entre objetos e serviços com a agulha da balança que se desloca lentamente da posse ao uso, da aquisição de um bem ao de uma função (mais “car sharing” [carona] e menos carros, mais Web e menos DVDs). “Trata-se de um salto tecnológico comparável ao da revolução da informática”, explica Ferruccio Dardanello, presidente da Unioncamere. “A economia verde é uma ocasião única para tornar mais competitivo o sistema empreendedor italiano, reorganizando-se em torno àqueles valores de qualidade e de proteção do território que, historicamente, determinaram o seu sucesso”. Os sinais dessa mudança já são visíveis. No campo das energias renováveis, entre 2000 e 2009, o consumo de energia de fontes renováveis passou de 6,9% a 10,7%. No setor têxtil, cresce o mercado do tecido biológico. Na cerâmica, aponta-se para a reutilização dos descartes da produção. No setor do papel, se chegou ao recorde de 56,5% de matérias-primas que veem do processo de reciclagem. Na agricultura, a Itália é o maior exportador mundial de produtos biológicos em um valor de 900 milhões de euros. (EcoDebate)

Principais selos ecológicos no mercado

Quais são os principais selos ecológicos no mercado?
Existem mais de 30 certificadoras verdes no país, mas essa diversidade de selos pode confundir. Existem mais de 30 certificadoras “verdes” no país, mas, segundo Lisa Gunn, coordenadora executiva do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), essa diversidade de selos pode confundir. “O consumidor deve ficar atento para distinguir entre uma certificação conferida por um organismo independente e os selos autodeclaratórios, que são colocados nos produtos pelos próprios fabricantes”, diz. Confira abaixo os principais selos ecológicos do mercado conferidos por certificadoras terceirizadas. *Yuri Vasconcelos, Elisa Correa, Liane Alves e Priscilla Santos Existem mais de 30 certificadoras “verdes” no país, mas, segundo Lisa Gunn, coordenadora executiva do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), essa diversidade de selos pode confundir. “O consumidor deve ficar atento para distinguir entre uma certificação conferida por um organismo independente e os selos autodeclaratórios, que são colocados nos produtos pelos próprios fabricantes”, diz. Confira abaixo os principais selos ecológicos do mercado conferidos por certificadoras terceirizadas.
O que é: FSC (Forest Stewardship Council) sigla em inglês – Conselho de Manejo Florestal O que certifica: áreas e produtos florestais, como toras de madeira, móveis, lenha, papel, nozes e sementes, assim como a madeira utilizada pela construção, móveis, artefatos, papel e óleos. Como é: atesta que o produto vem de um processo produtivo ecologicamente adequado, socialmente justo e economicamente viável. Dez princípios devem ser atendidos, entre eles a obediência às leis ambientais, o respeito aos direitos dos povos indígenas e a regularização fundiária. Garantia: produto vem de florestas plantadas ou de floresta com manejo controlado.
http://www.fsc.org.br/ Outro selo dessa categoria: Ceflor
O que é: ISO 14001 O que certifica: sistema de gestão ambiental de empresas e empreendimentos de qualquer setor. Como é: em sua operação, a empresa deve levar em conta o uso racional de recursos naturais, a proteção de florestas e a preservação da biodiversidade, entre outros quesitos. No Brasil, quem confere essa certificação é a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Ao contrário das demais certificações, não há um selo visível em produtos. Para saber se uma empresa tem o ISO 14001, deve-se consultar seu site ou centro de atendimento ao cliente.
http://www.abnt.org/ O que é: LEED (Liderança em Energia e Design Ambiental) sigla em inglês. O que certifica: prédios e outras edificações. Como é: concedido a edificações que minimizam impactos ambientais, tanto na fase de construção quanto na de uso. Materiais renováveis, implantação de sistemas que economizem energia elétrica, água e gás e controle da poluição durante a construção são alguns dos critérios. Garantia: Construções que reduzem impactos ambientais e utilizam sistemas que economizam energia, água e gás. www.usgbc.org/leed O que é: Rainforest Alliance Certified (sigla em inglês). Selo agrícola de boas práticas socioambientais. O que certifica: produtos agrícolas, como frutas, café, cacau e chás. Como é: trata-se de uma certificação socioambiental. Comprova que os produtores respeitam a biodiversidade e os trabalhadores rurais envolvidos no processo. Com grande aceitação na Europa e nos EUA, é auditado no Brasil pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora). Garantia: Produção agrícola foi feita em harmonia com a natureza e respeita os direitos trabalhistas no campo. http://www.imaflora.org/ Outros selos dessa categoria: UTZ Kapeh e Max Havelaar. O que é: ECOCERT – Selo de produção orgânica, sem adubos e pesticidas químicos. O que certifica: alimentos orgânicos e cosméticos naturais ou orgânicos. Como: os alimentos processados devem conter um mínimo de 95% de ingredientes orgânicos para serem certificados. Para ganhar um selo de cosmético orgânico, um produto deve ter ao menos 95% de ingredientes vegetais e 95% destes ingredientes devem ser orgânicos certificados, no caso de cosméticos naturais, 50% dos insumos vegetais devem ser orgânicos. O selo Ecocert é um só (este ao lado). Mas, por contrato com a certificadora, o fabricante é obrigado a identificar no rótulo se o produto é orgânico ou natural. Garantia: Alimentos industrializados devem conter 95% de ingredientes orgânicos e cosméticos, 50%. http://www.ecocert.com.br/
O que é: IBD (Instituto Biodinâmico). Produção orgânica. O que certifica: alimentos, cosméticos e algodão orgânicos. Como é: além de cumprir os requisitos básicos para a produção orgânica (como fazer rotação de culturas e não usar agrotóxicos), garante que a fabricação daquele produto obedece ao Código Florestal Brasileiro e às leis trabalhistas. Os produtos industrializados devem ter ao menos 95% de ingredientes orgânicos certificados, a água e o sal são desconsiderados nesse cálculo tanto para cosméticos quanto para alimentos. Garantia: Produção agrícola é orgânica. Os produtos industrializados devem ter ao menos 95% de ingredientes orgânicos. http://www.ibd.com.br/ Outros selos dessa categoria: Ecocert (leia acima), Demeter, CMO (Certificadora Mokiti Okada) e IMO (Institute for Marketecology).
O que é: Procel é o selo de eficiência energética (Ministério das Minas e Energia) O que certifica: equipamentos eletrônicos e eletrodomésticos, tais como: lâmpadas, ar-condicionado, motores. Como é: o selo do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica indica os produtos que apresentam os melhores níveis de eficiência energética dentro de cada categoria. Os equipamentos passam por rigorosos testes feitos em laboratórios credenciados no programa. Garantia: Equipamentos apresentam consumo de energia reduzido.

Selos verdes confundem consumidor

Estudo indica que há 600 certificações com atributos de sustentabilidade no País; maioria é criada pela própria empresa que fabrica o produto.
De madeira a alimentos, a profusão de selos verdes no mercado confunde o consumidor. No Brasil, levantamento recente realizado pelas consultorias Unomarketing, Mob Consult e Ideia Sustentável apontou a existência de 600 selos verdes ou com atributos de sustentabilidade - grande parte é de selos colocados pelas próprias empresas, sem auditoria ou verificação independente. Um outro estudo, internacional, reforça a ideia: o World Resources Institute (WRI), entidade com sede em Washington (EUA), mapeou a existência de 340 selos socioambientais em 42 países. Menos de um terço dos selos pesquisados monitora os reais impactos sociais e ambientais da cadeia produtiva. Na definição da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a certificação ambiental atesta, por meio de uma marca inserida na embalagem, que determinado produto ou serviço apresenta menor impacto ambiental em relação a outros disponíveis no mercado. Mas a grande fonte de dúvidas para quem vai às compras é a confiabilidade dos selos. "Há uma grande quantidade de selos autodeclarados: eles não são auditados de maneira independente e contam apenas com a chancela da própria empresa que comercializa os produtos", diz Ricardo Voltolini, da consultoria Ideia Sustentável. Isso ocorre, em parte, porque não há no Brasil um órgão ou entidade que faça o papel de dar aval às certificações que existem no mercado. Entidades como a ABNT e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) são responsáveis pela emissão de alguns selos, como o Procel - de eficiência energética para eletrodomésticos. Já certificações conhecidas no mercado internacional, como FSC (manejo florestal) e Ecocert (orgânicos), passam por auditorias feitas por organismos independentes. Ao mesmo tempo, a questão ambiental vem se tornando uma ferramenta de marketing importante para as empresas, que passam a usar os termos "eco", "orgânico" ou "natural" para vender produtos. "Esse tipo de propaganda na embalagem mais confunde que orienta", diz Voltolini. Para fugir das armadilhas, é preciso buscar informação. "O consumidor deve ler os rótulos com atenção, pesquisar, buscar referências", diz. Ele explica que, embora o porcentual de consumidores brasileiros que levem em conta as questões socioambientais na hora de ir às compras seja pequeno - 21% -, a tendência de certificação ambiental é um fenômeno global. Um exemplo é o Japão, onde existem mais de 3 mil produtos certificados à disposição do consumidor. Tendência. O mercado para produtos verdes está longe de ser irrisório. Segundo dados do estudo A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade (Teeb, na sigla em inglês), realizado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e divulgado ontem em Londres, o mercado para produtos agrícolas certificados, que em 2008 estava orçado em mais de US$ 40 bilhões, alcançará US$ 210 bilhões em 2020. De olho no consumidor mais consciente, empresas brasileiras de setores como cosméticos, têxteis, siderurgia, pneus reformados, gráficas e até de fraldas descartáveis estão buscando uma certificação ambiental mais padronizada. A ABNT tem um programa de certificação chamado Qualidade Ambiental, que, apesar de existir há 17 anos, só passou a receber pedidos das indústrias em 2009. As primeiras certificações verdes da ABNT devem ser emitidas ainda neste ano. Segundo Alfredo Lobo, diretor de qualidade do Inmetro, o consumidor brasileiro já utiliza os selos como um fator de decisão de compra. Ele cita como principal exemplo o selo Procel, emitido pelo Inmetro. "Hoje, 78% dos consumidores levam o selo de economia de energia em conta na tomada de decisão de compra e 40% aceitariam pagar mais pelo produto com selo." Além de economia de energia, o Inmetro certifica produtos de origem florestal - selo Cerflor - e também alimentos, como frutas, dentro de critérios de sustentabilidade. Carros. O Inmetro também avalia, com o Ibama, os critérios para a emissão de um selo verde para carros. A ideia, segundo Lobo, é unir, em uma única certificação, dados referentes ao consumo de combustível dos veículos e também as emissões de poluentes. "Seria uma espécie de Procel para carros", explica. As primeiras reuniões entre os órgãos para discutir a proposta ocorrem neste mês.