domingo, 31 de maio de 2020

3 pilares da sustentabilidade e o dilema dentro da área de negócios

Os três pilares da sustentabilidade e o dilema dentro da área de negócios.
O Trilema da Sustentabilidade
Embora a palavra sustentabilidade signifique coisas diferentes para pessoas diferentes, aqui é utilizada com base na definição oferecida pelo Our Common Future, acima citada, que deu origem ao chamado Triple Bottom Line (TBL), conceito proposto pelo guru da sustentabilidade John Elkington, que adotou uma série de indicadores de gestão e ferramentas de responsabilidade social para explicar (num sentido da contábil) os custos e benefícios de prática sustentável.
O TBL ou os três “pilares” da sustentabilidade (ambiental, econômica e social) alcançou proeminência em muitos campos, mas o “social” (ou sustentabilidade social) tem sido negligenciado e subdesenvolvido ou usado de forma simplista e não teorizada. Afirma-se que até mesmo dentro da área de negócios e corporativa há dúvidas sobre a utilidade do 3TBL” (MELLES, et al 2011).
No passado, vários discursos foram promovidos e a marca de sustentabilidade, a exemplo da primeira onda do ‘verde’ na década de 80 e da segunda onda de ‘eco’ na década de 90, especialmente após a Reunião de Cúpula da Terra no Rio de Janeiro, Brasil, em 1992.
Seguindo o relatório da Comissão Brundtland tentativas foram feitas para utilizar o esquema triple bottom line, como é feito pela Global Report Iniciative (GRI) e várias empresas de consultoria. Como resultado, a pressão está agora em todas as organizações (sejam elas privadas, públicas ou não governamentais) para incorporar uma visão de sustentabilidade como parte de seu núcleo de negócio.
Apesar de atrair considerável atenção de empresas e acadêmicos de todo o mundo, há uma literatura mais recente que critica a abordagem TBL. Os críticos argumentam que a comunicação em um nível organizacional não faz sentido, visto que sustentabilidade é um conceito global. Além disso, afirma-se que a TBL implica que o importante é apenas o que pode ser medido e encoraja que o ambiente, economia e a sociedade sejam considerados como três contas separadas, em vez de uma.
Argumenta-se que é quase impossível conciliar a tensão entre os esforços para melhorar a sustentabilidade e a necessidade de manter uma linha de lucro no setor corporativo. Apesar de manter negócios como de costume, as corporações e o TBL tentam lidar com um objetivo puramente orientado para o mercado, em vez de questões sociais. “Nós também estamos questionando a eficácia de se engajar organizações nos esforços para aumentar a sustentabilidade, acreditando que os atuais esforços organizacionais para monitorar e reportar seu desempenho de sustentabilidade é improvável que resulte em mudança significativa” (MITCHELL et al, 2012).
Em suma, afirma-se que as interpretações sociais da sustentabilidade social são fracas, devido à “falta de um enquadramento adequado para que se operacionalize o conceito de sustentabilidade social” (PARTRIDGE, 2013). Como resultado disso, desde o seu início, “o debate sobre o desenvolvimento sustentável foi dominado por questões ambientais e econômicas” (PARTRIDGE, 2013), sem uma resposta às injustiças sociais e os desafios que devem ser abordados, a fim de alcançar o desenvolvimento sustentável (WCED, 1987).
Sustentabilidade econômica e ambiental: por que elas devem seguir juntas?
Ela está na pauta de incontáveis debates, é assunto de inúmeros veículos de comunicação e tema presente em diversas conferências de renome ao redor do planeta. Devido principalmente às sérias e preocupantes previsões no que se refere à escassez dos bens naturais e aos impactos ambientais, de fato, muito se tem discutido sobre essa que virou uma palavra-chave dos nossos tempos: sustentabilidade. (ecodebate)

O perfil demográfico do Brasil até 2100 e os desafios da covid-19

“A transição demográfica é o fenômeno de comportamento de massa mais importante da história da humanidade” (ALVES, 1994)
A pandemia da covid-19 vai ter um impacto profundo no mundo, tanto em termos de morbimortalidade, quanto em termos econômicos. Contudo, por maior que seja o impacto em número de vítimas fatais, o surto pandêmico será incapaz de alterar a transição demográfica brasileira de longo prazo. Ou seja, a queda nas taxas brutas de natalidade e mortalidade vai continuar e a estrutura etária vai manter o ritmo de envelhecimento.
Todavia, a pandemia pode jogar a pá de cal na possibilidade de aproveitamento do bônus demográfico e, desta forma, pode inviabilizar a decolagem do desenvolvimento humano do país e o Brasil pode ter que abandonar o sonho de se tornar uma nação próspera e feliz.
O Brasil passou pelo fenômeno da transição demográfica (queda das altas taxas de mortalidade e natalidade), fundamentalmente, no século XX, e, em consequência, vai ter uma grande transição da estrutura etária no século XXI. A configuração demográfica do país no atual século será totalmente diferente dos primeiros 500 anos de história do país.
A Divisão de População da ONU divulgou, em junho de 2019, as novas projeções populacionais para todos os países, para as regiões e para o total mundial. E no final do ano divulgou os novos gráficos sobre o perfil demográfico dos países. As figuras abaixo mostram as pirâmides populacionais do Brasil em três momentos.
Em 1950, a população brasileira era de 53,9 milhões de habitantes, sendo 26,7 milhões de homens e 27,2 milhões de mulheres (meio milhão a mais de mulheres). A estrutura etária era jovem (alta proporção de crianças e adolescentes e baixíssima proporção de idosos) e a idade mediana era de apenas 19,2 anos (metade da população estava abaixo de 19,2 anos). Este tipo de pirâmide refletia a realidade dos primeiros 450 anos da demografia brasileira.
Em 1985 foi o último ano em que a pirâmide brasileira teve um “formato egípcio” (cada grupo etário mais jovem era maior do que o grupo imediatamente anterior). A população brasileira era de 135,3 milhões de habitantes, sendo 67,3 milhões de homens e 68 milhões de mulheres (700 mil mulheres a mais). A idade mediana subiu ligeiramente para 21,4 anos, marcando o começo muito inicial do processo de envelhecimento.
Em 2020 a pirâmide brasileira já apresentou uma redução da base e um encorpamento do meio da estrutura etária. A população brasileira foi estimada em 212,6 milhões de habitantes, sendo 104,4 milhões de homens e 108,2 milhões de mulheres (3,8 milhões de mulheres a mais). A idade mediana subiu para 33,5 anos, mostrando a rapidez do processo de envelhecimento do Brasil.
Normalmente, a ONU apresenta para o restante do século três cenários de projeções, conforme mostra o gráfico abaixo para o caso do Brasil. No cenário de projeção alta, a estimativa indica uma população de 272,7 milhões de brasileiros em 2100. No cenário de projeção média, a população brasileira seria de 180,7 milhões de habitantes em 2100. E no cenário de projeção baixa, o número ficaria em 114,4 milhões de habitantes em 2100. Nos três cenários o número de mulheres continua superando o número de homens e o processo de envelhecimento é acentuado. A idade media na projeção alta em 2100 está estimada em 42,3 anos. Na projeção baixa a idade mediana ficaria em impressionantes 62,6 anos. E na projeção média (a mais provável) a idade mediana ficaria em 51,4 anos (ou seja, metade da população ficaria abaixo de 51,4 anos e a outra metade acima desta idade). O século XXI vai ser o século do envelhecimento demográfico do Brasil.
Os gráficos abaixo detalham o perfil demográfico do Brasil entre 1950 e 2100. Nota-se que a população que era de 53,9 milhões em 1950 deve atingiu um pico de 229,6 milhões de habitantes em 2045 e depois iniciar uma trajetória de queda (a depender das taxas de fecundidade a queda pode ser menor ou maior). A população de 0-14 anos já está caindo desde o final do século XX. A população de 15-24 anos (idade de segundo grau e de universidade) já começou a cair desde o início do atual século. A população de 25-64 anos (potencialmente em idade de trabalhar) vai continuar crescendo até meados do atual século, mas vai cair na segunda metade do século. E a população idosa vai aumentar constantemente sua proporção na população total.
As taxas brutas de mortalidade (TBM) e de natalidade (TBN) vão se encontrar em 2045 e a partir desta data o crescimento vegetativo se torna negativo. A taxa de fecundidade total (TFT) ficou ao nível de reposição (2,1 filhos por mulher) em 2005 e deve ficar abaixo do nível de reposição no restante do século. As taxas de mortalidade caíram significativamente e a esperança de vida ao nascer aumentou expressivamente, sendo que as mulheres mantém uma vantagem sobre os homens em termos de anos médios de vida.
Todos os dados acima mostram que o Brasil terá uma mudança completa no seu perfil demográfico entre 1950 e 2100. Em meados do século XX, o Brasil tinha altas taxas de mortalidade e natalidade, uma estrutura etária muito rejuvenescida e altas taxas de crescimento natural. No final do século XXI, o Brasil terá baixas taxas de mortalidade e natalidade, uma estrutura etária muito envelhecida e decrescimento populacional.
Atualmente, em 2020, o Brasil tem a melhor configuração demográfica de sua estrutura etária, pois tem as razões de dependência mais baixas da história (passada e futura). Ou seja, a proporção de pessoas dependentes (crianças e idosos) é menor dos 520 anos da história brasileira e será menor em relação ao futuro, pois ela já começou a subir e vai se elevar bastante com o processo de envelhecimento. Isto quer dizer que o Brasil está no melhor momento do bônus demográfico.
Esta nova configuração demográfica exigiria que as políticas econômicas e sociais se adaptem à nova realidade populacional, fortalecendo as políticas de educação e emprego. Infelizmente a crise econômica que começou em 2014 já estava fazendo o Brasil desperdiçar este momento histórico e que é fundamental para qualquer nação que queira dar um salto de qualidade de vida para a sua população. Só é possível um país enriquecer (ter alto IDH) antes de envelhecer.
Com toda a crise econômica e no mercado de trabalho que acontece depois da eclosão do coronavírus, o desafio de aproveitar os momentos favoráveis da estrutura etária parece um sonho cada vez mais distante. O FMI, no relatório divulgado em abril, estimou que o mundo vai ter a maior depressão econômica da história do capitalismo e o Brasil vai ter a sua pior recessão anual da história em 2020.
Assim, neste quadro econômico que já era muito complexo, a covid-19 chegou ao país em um momento de muita instabilidade política e, tudo indica, terá um impacto mortal sobre a economia brasileira, fazendo com que o Brasil desperdice de vez a sua chance de aproveitar o bônus demográfico e de dar um salto na qualidade de vida da população brasileira. (ecodebate)

Humanidade gerou pandemias porque alterou o ciclo d'água e o ecossistema

A atividade humana gerou essas pandemias porque alteramos o ciclo da água e o ecossistema que mantém o equilíbrio no planeta.
‘Estamos diante da ameaça de uma extinção e as pessoas nem sequer sabem’.
O sociólogo Jeremy Rifkin (Denver, Estados Unidos, 1945), que se define como ativista em favor de uma transformação radical do sistema baseado no petróleo e em outros combustíveis fósseis, há décadas reivindica uma mudança da sociedade industrial para modelos mais sustentáveis. Assessor de governos e corporações de todo o mundo, escreveu mais de vinte livros dedicados a propor fórmulas que garantam nossa sobrevivência no planeta, em equilíbrio com o meio ambiente e também com a nossa própria espécie.
Qual será o impacto da pandemia da COVID-19 no caminho para a terceira revolução industrial?
A atividade humana gerou essas pandemias porque alteramos o ciclo da água e o ecossistema que mantém o equilíbrio no planeta – Jeremy Rifkin.
Não podemos dizer que isso tenha nos pegado de surpresa. Tudo o que está ocorrendo conosco procede da mudança climática, que vem sendo advertida por pesquisadores e por mim, há tempo. Tivemos outras pandemias, nos últimos anos, e foram lançadas advertências de que algo muito grave poderia ocorrer. A atividade humana gerou essas pandemias porque alteramos o ciclo da água e o ecossistema que mantém o equilíbrio no planeta.
Os desastres naturais – pandemias, incêndios, furacões, inundações… – continuarão porque a temperatura na Terra continua aumentando e porque arruinamos o solo. Há dois fatores que não podemos deixar de considerar: a mudança climática provoca movimentos de população humana e de outras espécies; o segundo é que a vida animal e a humana se aproximam cada dia mais, como consequência da emergência climática e, por isso, seus vírus viajam juntos.
Esta é uma boa oportunidade para extrair lições e atuar em consequência, não acredita?
Nada mais voltará a ser normal. Esta é uma chamada de alarme em todo o planeta. O que cabe agora é construir as infraestruturas que nos permitam viver de uma maneira diferente. Devemos assumir que estamos em uma nova era. Se não fizermos isso, haverá mais pandemias e desastres naturais. Estamos diante da ameaça de uma extinção.
Você trabalha, estará trabalhando nesses dias, com governos e instituições de todo o mundo. Não parece imperar o consenso em relação ao futuro imediato.
A primeira coisa que devemos fazer é ter uma relação diferente com o planeta. Cada comunidade deve se responsabilizar em como estabelecer essa relação em seu âmbito mais próximo. E, sim, temos que empreender a revolução para o Green New Deal global, um modelo digital de zero emissão.
Temos que desenvolver novas atividades, criar novos empregos, para reduzir o risco de novos desastres. A globalização acabou, devemos pensar em termos de ‘glocalização’ – Jeremy Rifkin.
Temos que desenvolver novas atividades, criar novos empregos, para reduzir o risco de novos desastres. A globalização acabou, devemos pensar em termos de glocalização. Esta é a crise de nossa civilização, mas não podemos continuar pensando na globalização como até agora. São necessárias soluções glocais para desenvolver as infraestruturas de energia, comunicações, transportes, logísticas.
Acredita que durante esta crise, ou até mesmo quando diminuir a tensão, os governos e as empresas tomarão medidas nessa direção?
Não. A Coreia do Sul está combatendo a pandemia com tecnologia. Outros países estão fazendo isso. Contudo, não estamos mudando nosso modo de vida. Necessitamos de uma nova visão, uma visão diferente de futuro, e os líderes nos principais países não têm essa visão. São as novas gerações que, realmente, podem agir.
Você defende uma mudança radical na forma de ser e estar no mundo. Por onde começamos?
Temos que começar com a maneira como organizamos nossa economia, nossa sociedade, nossos governos, mudando a forma de ser neste planeta. A nossa civilização é a dos combustíveis fósseis. Fundamentou-se, durante os últimos 200 anos, na exploração da Terra. O solo havia se mantido intacto até que começamos a escavar os alicerces da terra para o transformar em gás, petróleo e carvão. E pensávamos que a Terra permaneceria sempre ali, intacta.
Criamos uma civilização inteira baseada no uso dos fósseis. Utilizamos tantos recursos que agora estamos recorrendo ao capital da terra, em vez de obter benefícios dela. Estamos usando uma terra e meia, quando só temos uma. Perdemos 60% da superfície do solo do planeta. Desapareceu e demorará milhares de anos para recuperá-lo.
O que diria para aqueles que acreditam que é melhor viver o momento, o aqui e agora, e esperam que no futuro venham outros para consertar isso?
Enfrentamos a sexta extinção e as pessoas nem sequer sabem. Os cientistas dizem que, em oito décadas, metade de todos os habitats e animais da terra vão desaparecer. Esse é o marco em que estamos – Jeremy Rifkin.
Estamos realmente diante de uma mudança climática, mas também a tempo de agir. A mudança climática provocada pelo aquecimento global e as emissões de CO2 altera o ciclo da água da terra. Somos o planeta da água, nosso ecossistema emergiu e evoluiu ao longo de milhares de anos graças à água. O ciclo da água permite viver e se desenvolver.
E aqui está o problema: para cada grau de temperatura que aumenta como consequência das emissões de gases do efeito estufa, a atmosfera absorve 7% a mais de precipitações do solo e este aquecimento as força a cair mais rápidas, mais concentradas e provocando mais catástrofes naturais relacionadas à água. Por exemplo, grandes nevadas no inverno, inundações na primavera por todas as partes do mundo, secas e incêndios em toda a temporada de verão e furacões e tufões no outono, varrendo nossas costas.
As consequências vão se agravando com o tempo.
Enfrentamos a sexta extinção e as pessoas nem sequer sabem. Os cientistas dizem que, em oito décadas, metade de todos os habitats e animais da terra vão desaparecer. Esse é o marco em que estamos, cara a cara com uma extinção em potência da natureza para a qual não estamos preparados.
Qual é a gravidade dessa emergência global? Quanto tempo nos resta?
Não sei. Faço parte desse movimento em favor da mudança, desde os anos 1970, e acredito que passou o tempo que necessitávamos. Nunca voltaremos para onde estávamos, para a boa temperatura, para um clima adequado… A mudança climática estará conosco por milhares e milhares de anos. A pergunta é: como espécie, podemos ser resilientes e nos adaptar a ambientes totalmente diferentes, e que nossos companheiros na terra também possam ter a oportunidade de se adaptar?
Se me pergunta quanto tempo levaremos para mudar para uma economia não poluente, nossos cientistas na cúpula europeia da mudança climática, em 2018, disseram que tínhamos 12 anos. Já é menos o que nos resta para transformar completamente a civilização e começar essa mudança. A Segunda Revolução Industrial, que provocou a mudança climática, está morrendo. E é graças ao baixo custo da energia solar, que é mais rentável que o carvão, o petróleo, o gás e a energia nuclear. Estamos caminhando para uma Terceira Revolução Industrial.
É possível uma mudança de tendência global, sem os Estados Unidos do nosso lado?
A União Europeia e a China se uniram para trabalhar conjuntamente e os Estados Unidos estão avançando porque os estados desenvolvem as infraestruturas necessárias para isso. Não esqueçam que somos uma república federal. O governo federal apenas cria os códigos, as regulamentações, as normas, os incentivos. Na Europa, acontece o mesmo: seus estados-membros criam as infraestruturas. O que acontece nos Estados Unidos é que prestamos muita atenção no senhor Trump, mas, dos 50 estados, 29 desenvolvem planos para o desenvolvimento de energias renováveis e estão integrando a energia solar.
No ano passado, na conferência europeia pela emergência climática, as cidades estadunidenses declararam uma emergência climática e, agora, estão lançando seu Green New Deal. Estão ocorrendo muitas mudanças nos Estados Unidos. Se tivéssemos uma Casa Branca diferente seria genial, mas, mesmo assim, essa Terceira Revolução Industrial está emergindo na União Europeia e na China e começou na Califórnia, no estado de Nova York e em parte do Texas.
Quais são os componentes básicos dessas mudanças tão relevantes, em diferentes regiões do mundo?
A nova Revolução Industrial traz consigo novos meios de comunicação, energia, meios de transporte e logística. A revolução comunicativa é a Internet, assim como foram a imprensa e o telégrafo na Primeira Revolução Industrial, no século XIX, no Reino Unido, ou o telefone, a rádio e a televisão na segunda revolução, no século XX, nos Estados Unidos. Hoje, temos mais de 4 bilhões de pessoas conectadas e logo teremos todos os seres humanos em comunicação pela Internet. O mundo todo agora está conectado.
Em um período como o que vivemos, as tecnologias nos permitem integrar um grande número de pessoas em um novo marco de relações econômicas. A Internet do conhecimento se ajusta com a Internet da energia e com a Internet da mobilidade. Estas três criam a infraestrutura da Terceira Revolução Industrial. Essas três convergirão e se desenvolverão sobre uma infraestrutura de Internet das coisas, que reconfigurará a forma como se administra toda a atividade no século XXI.
As grandes companhias desaparecerão. Algumas delas continuarão, mas terão que trabalhar com pequenas e médias empresas, com quem estarão conectadas pelo mundo todo – Jeremy Rifkin.
Que papel desempenhará os novos agentes econômicos na formação desse novo modelo econômico e social?
Estamos criando uma nova era chamada glocalização. A tecnologia zero emissões desta terceira revolução será tão barata que nos permitirá criar nossas próprias cooperativas e nossos próprios negócios, tanto física como virtualmente. As grandes companhias desaparecerão. Algumas delas continuarão, mas terão que trabalhar com pequenas e médias empresas, com quem estarão conectadas pelo mundo todo.
Essas grandes empresas serão provedoras das redes e trabalharão juntas, em vez de competir entre elas. Na primeira e na segunda revolução, as infraestruturas foram feitas para ser centralizadas, privadas. No entanto, a terceira revolução tem infraestruturas inteligentes para unir o mundo de uma maneira glocal, distribuída, com redes abertas.
De que forma a superpopulação afeta a sustentabilidade do planeta, no modelo industrial?
Somos 7 bilhões de pessoas e chegaremos muito em breve a 9 bilhões. Essa progressão, no entanto, irá acabar. As razões para isso têm a ver com o papel das mulheres e sua relação com a energia. Na antiguidade, as mulheres eram escravas, eram as provedoras de energia, tinham que manter a água e o fogo. A chegada da eletricidade está intimamente relacionada aos movimentos sufragistas na América. Libertou as mulheres jovens, que iam para a escola e podiam continuar sua formação até a universidade. Quando as mulheres se tornaram mais autônomas, livres, mais independentes, houve menos nascimentos.
Você não parece otimista e, no entanto, seus livros são um guia para um futuro sustentável. Temos ou não um futuro melhor à vista?
Todas as minhas esperanças estão depositadas na geração millennial. Os millennials saíram de suas aulas para expressar sua inquietação. Milhares e milhares deles reivindicam a declaração de uma emergência climática e pedem um Green New Deal. O interessante é que este não é como nenhum outro protesto na história, e houve muitos, mas este é diferente: move esperança, é a primeira revolta planetária do ser humano, em toda a história, em que duas gerações se veem como espécies, espécies em perigo. Propõem eliminar todos os limites e fronteiras, os preconceitos, tudo aquilo que nos separa. Começam a se ver como uma espécie em perigo e tentam preservar as outras criaturas do planeta. Esta é provavelmente a transformação mais importante da consciência humana na história. (ecodebate)

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Consumo e Produção Sustentável (CPS)

Em consequência da corrida mundial de consumo, os recursos naturais estão sendo extraídos a taxa 50% mais elevada do que 30 anos atrás (World watch Institute 2010). Assim sendo, os intensivos estilos de vida consumistas e a produção exigidos para alcançar as demandas dos consumidores puxaram as emissões de CO2 para quadruplicar durante os últimos 50 anos (United Nations Development Programme, 1998). Portanto, torna-se imperativo tentar encontrar novas formas de se pensar sobre consumo, novas políticas, e novos modelos de negócios que venham alcançar uma sustentabilidade global. Contudo, a questão é como reduzir consumo num contexto onde à busca de crescimento e maximização de lucros gera uma cultura de se ter e se desejar cada vez mais objetos materiais.
O Relatório Bruntland “Our Common Futures” (WCED, 1987), publicado há mais de 20 anos trouxe o conceito de desenvolvimento sustentável para o pensamento dominante de políticas e negócios. A análise deste relatório demonstrou claramente a insustentável natureza dos padrões de desenvolvimento existentes, produção e consumo. No debate que seguiu a publicação deste relatório alguns difamaram a disciplina de marketing diante de seu papel de estimular níveis insustentáveis de consumo e direcionar o crescimento do consumo global, enquanto outros focaram no potencial e contribuição do marketing para algumas soluções.
Portanto, Consumo e Produção Sustentáveis (CPS) se tornaram tópicos importantes nas agendas de políticas e de pesquisa durante os últimos dez anos, considerando que o futuro do planeta depende da habilidade da humanidade em proporcionar uma qualidade de vida digna para uma futura geração de 9 bilhões de pessoas sem exaurir os recursos da terra ou danificar irreparavelmente os sistemas biogeoquímicos.
As ideias de políticas públicas sobre Consumo e Produção Sustentáveis (CPS) vêm desde o Relatório Bruntland, acima citado, e da Cúpula da Terra do Rio, em 1992, mas o reconhecimento maior se acelerou depois de 2002, com a reunião de cúpula sobre desenvolvimento sustentável em Joannesburgo (World Summiton Sustainable Development – WSSD), quando a comunidade internacional foi convocada para lutar em direção da melhoria global das condições de vida e encorajar e desenvolver um programa de 10 anos sobre consumo e produção sustentáveis em apoio às iniciativas regionais e nacionais.
Mesmo assim, o termo consumo sustentável não tem uma definição universalmente aceita e é, frequentemente, carente de maior clareza. A revisão da literatura nesta área indica que frequentemente termos como ‘consumo verde’, ‘consumo responsável’ (FISK, 1973) e ‘consumo ético’ apresentam diferenças de objetivos, mas são também usados de forma intercalada. Algumas definições de consumo sustentável se espelham nas definições de desenvolvimento sustentável e nas definições de sustentabilidade do modelo Triple Botton Line.
Portanto, existe uma falta de consenso sobre o que é e como ser sustentável. Da mesma forma acontece com as políticas de consumo sustentável. Em resumo, o que é e como deve ser o consumo sustentável? Neste artigo, o termo consumo sustentável se refere ao consumo que promove o desenvolvimento sustentável.
Assim sendo, a pesquisa em consumo sustentável tenta compreender e promover os tipos de comportamentos de consumo que contribuem para o desenvolvimento sustentável. Embora profundamente embutida nos campos de pesquisa do consumidor, economia ambiental e ecológica bem como psicologia, muitas outras disciplinas e campos de pesquisa tem contribuído para o avanço deste campo nos últimos anos, entre eles: sociologia ambiental e suas perspectivas de comportamento dos indivíduos socialmente embutidos no contexto social; economia comportamental; ciência política e sua visão de consumidor como um cidadão-consumidor ativo; filosofia aplicada e sua visão teórica em relação às questões éticas; marketing de sustentabilidade, sobretudo em relação à forma de transmissão de mensagens aos consumidores e como tornar o consumo sustentável atrativo; estudos de inovação; análise de sistemas e estudos históricos e de políticas públicas. (ecodebate)

Oceano quente deflagra eventos climáticos extremos

Oceano quente pode deflagrar ano de eventos climáticos extremos.
Os mares do mundo estão cozinhando e temperaturas recordes levam meteorologistas a esperar que o aquecimento global cause um ano caótico com eventos climáticos extremos.
Partes dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico tiveram as temperaturas mais altas em registro no mês passado, segundo os Centros Nacionais de Informação Ambiental dos EUA.
As temperaturas elevadas podem oferecer pistas sobre a violência da temporada de furacões no Atlântico e dos incêndios da Amazônia à Austrália e sobre a continuidade do calor e das tempestades que assolam o sul dos EUA.
No Golfo do México onde a perfuração offshore é responsável por cerca de 17% de toda a produção de petróleo de EUA, a temperatura da água estava em 24,6°C ou 1,7°C acima da média de longo prazo, afirmou Phill Klotzbach, da Universidade Estadual do Colorado. Se as águas do Golfo permanecerem quentes, isso pode intensificar qualquer tempestade, acrescentou ele.
Todo oceano tropical está acima da média, disse Michelle L’ Heureux, meteorologista do Centro de Previsão Climática dos EUA. E há um componente do aquecimento global nisso. É realmente impressionante como os oceanos tropicais estão quentes.
Enquanto o coronavírus domina as atenções, o aquecimento global continua sendo uma ameaça. A ‘água do mar’ guarda calor melhor que a atmosfera, disse Deke Arndt, chefe de monitoramento dos Centros Nacionais de Informação Ambiental de Asheville, na Carolina do Norte.
Os cinco anos mais quentes para os mares, conforme mensuração por instrumentos modernos, ocorreram na última meia dúzia de anos. “É definitivamente relacionado à mudança climática”, disse Jennifer Francis, cientista sênior do Centro de Pesquisas Woods Hole, em Massachussets. “Os oceanos estão absorvendo cerca de 90% do calor retido por gases adicionais causadores do efeito estufa”.
A elevação das temperaturas globais este ano também remonta a sistemas climáticos intensos no Ártico, que prenderam boa parte do frio ali, impedindo que se espalhasse para regiões temperadas ao sul. Juntamente com o aquecimento global, isto elevou a temperatura do mar a máximas históricas.
Alimentado a fúria
Enquanto isso, se o Atlântico permanecer quente, durante a temporada de seis meses de tempestades que começa em 1º de junho, a conjuntura pode alimentar a fúria dos sistemas tropicais.
Os oceanos também desempenham papel importante na propagação de incêndios florestais. No caso da Austrália e da Amazônia áreas especialmente quentes dos oceanos podem atrair as chuvas para longe da terra, provocando condições menos úmidas e, em casos extremos, a seca. No ano passado, por exemplo, o Oceano Índico estava realmente quente na Costa da África e atraiu todas as tempestades. Já a Austrália ficou sem chuvas.
No Atlântico, uma pesquisa da professora de Geociências da Universidade do Arkansas, Kátia Fernandes, também mostrou correlação entre as temperaturas da superfície do mar na parte tropical norte de Atlântico e secas e incêndios florestais na Amazônia. Quanto mais quente a água, as chuvas na América do Sul são empurradas para o norte.
Segundo o modelo de Fernandes, as temperatura do Atlântico podem prever se a Amazônia ficará seca e suscetível à incêndios. (uol)

Como o coronavírus afetará o clima da Terra

A pandemia empurrou outros grandes desafios da humanidade, como a emergência climática, para baixo na lista de prioridades. Quais serão as consequências.
Um vírus microscópico tem o poder de influenciar no clima da Terra. Esse poder tem a ver com sua capacidade de direcionar os esforços humanos para priorizar e despriorizar os problemas. É por isso que a atual pandemia de coronavírus terá um grande impacto no curso das mudanças climáticas e como lidamos com ela.
E não é, por enquanto, um impacto positivo. A principal consequência da emergência global provocada pela epidemia é jogar a emergência climática para baixo na lista de prioridades – o mesmo na de itens a serem discutidos – no grande debate público.
As mudanças climáticas continuam sendo um problema grave enfrentado pela humanidade. Um dos maiores. A concentração de gases de efeito estufa já presente na atmosfera do planeta é por si suficiente para garantir o aumento da temperatura média da Terra por vários séculos, e mais emissões irão ocorrer nas próximas décadas, agravando o problema.
A pandemia é passageira, mas os efeitos das mudanças climáticas serão sentidos hoje e cada vez mais nos próximos séculos. No entanto, o apetite público para discutir isso seguramente encolheu diante da crise atual de saúde.
As mudanças climáticas estão associadas à problemas que também custam para a economia e para as vidas humanas. As enchentes e desabamentos mortais do verão estão ligadas às mudanças nos padrões de chuvas. Teremos mais eventos extremos, com consequências para as infraestruturas e para a produção de alimentos. Mas esses riscos, na escala de prioridades, desceram um pouco.
É como se você morasse numa casa e o telhado estivesse quebrado. Tem goteiras dentro dos cômodos, entra frio, até alguns bichos. O telhado pode desabar num futuro próximo, gerando estrago maior e ameaçando a vida da sua família. Mas se você tiver alguém com doença grave na família, provavelmente vai deixar o conserto do telhado para depois e cuidar do atendimento emergencial hospitalar antes.
O segundo motivo pelo qual a pandemia de coronavírus atrasa o debate e as ações pelo clima diz respeito à uma questão cognitiva. A pandemia de gripe está associada ao frio. Passamos a desejar que os dias quentes se prolonguem e o inverno demore a chegar. O sol é um aliado. Imaginar um mundo mais quente traz – mesmo que inconscientemente – conforto.
Índices de poluição do ar despencam nos países com quarentena.
Restrição da circulação e redução de atividades industriais faz com que índices de poluição caiam mais de 30% em algumas regiões. (biznews)

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Desmate em terras públicas amazônicas explode e pode alimentar estação de fogo

Desmatamento em terras públicas da Amazônia explode e pode alimentar estação de fogo.
O desmatamento de 2020, somado ao que foi derrubado em 2019 e não queimou, pode alimentar uma nova estação intensa de fogo na Amazônia, especialmente em terras públicas que estão sob a guarda da União e dos Estados. Só no primeiro trimestre deste ano, 50% do desmatamento registrado pelo sistema Deter, do INPE, aconteceu nessas áreas.
O destaque fica por conta das florestas públicas ainda não destinadas, terras devolutas que são alvo de grilagem e que respondem por 15% da Amazônia. Entre janeiro e março, 33% da derrubada aconteceu nessa categoria fundiária nos três primeiros meses de 2020, mais do que em qualquer outra. No mesmo período de 2019, o índice era de 22%.
No geral, o desmatamento no primeiro trimestre deste ano foi 51% que o mesmo período do ano passado. “Quando a estação seca chegar à Amazônia, essas árvores derrubadas vão virar combustível para queimadas. Esse foi o ingrediente principal da temporada de fogo de 2019, uma história que pode se repetir em 2020 se nada for feito para impedir”, explica a pesquisadora Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).
Alencar é a principal autora de uma nota técnica que o instituto lança hoje, a terceira sobre queimadas na Amazônia. Neste documento, os autores reúnem as principais informações sobre a estação de fogo de 2019, que causou espanto em todo o planeta, e sinalizam os perigos à espreita.
O número de focos de calor registrados na região em 2019 foi 81% mais alto do que a média entre 2011 e 2018. A maior variação aconteceu nas florestas públicas não destinadas: 37% a mais, outro importante indício de grilagem.
“Isso é roubo de patrimônio dos brasileiros, e deve ser resolvido com polícia”, diz o pesquisador Paulo Moutinho, do IPAM, um dos autores do estudo. “Essas áreas devem ser destinadas à conservação. É um importante ativo para a biodiversidade e para populações tradicionais sim, mas também para a economia brasileira, pois geram a chuva que alimenta plantações e hidrelétricas.”
Alimento para o fogo
A nota técnica ainda destaca que, no ano passado, a seca sozinha não explicou a alta das queimadas, a despeito do que sugeriu o governo federal na época, pois o volume médio de chuvas foi normal para o período. O elemento agudo foi o desmatamento crescente: os primeiros oito meses de 2019 apresentaram uma elevação de 92% da taxa em relação ao mesmo período de 2018, segundo dados do Deter. “A Amazônia é uma floresta úmida e não pega fogo naturalmente. O fogo ali tem dono, e ele se chama homem”, diz Alencar.
Já as ações de comando e controle contra as queimadas adotadas em agosto, especialmente dois decretos federais que proibiram o uso do fogo por dois meses e enviaram as Forças Armadas para a Amazônia, inibiram as queimadas. Tais ações controlaram o fósforo, mas não desligaram os motosserras. O desmatamento continuou crescendo nos quatro meses seguintes (2.758 km2, segundo dados do Deter).
“A fiscalização do desmatamento na Amazônia é tão importante hoje quanto foi 20 anos atrás, quando o Brasil derrubava mais de 20 mil km2/ano de floresta. Não podemos chegar neste nível novamente”, afirma Moutinho. Os autores temem que, sem controle, a somatória das árvores no chão, se queimadas, encha novamente o ar de fumaça em 2020 – que, por sua vez, aumenta os casos de problemas respiratórios na população da Amazônia. Em tempos de covid-19, são contornos de um cenário que ninguém deseja. (ecodebate)

70% da exploração madeireira no Pará é ilegal

70% da exploração madeireira no Pará é ilegal, de acordo com estudo do Imazon.
Intensificar fiscalizações em áreas protegidas e aperfeiçoar o processo de licenciamento e monitoramento dos planos de manejo florestal sustentáveis são caminhos para reverter esse cenário.
Um novo estudo publicado pelo Imazon atestou que 38 mil hectares de floresta foram explorados no período de agosto de 2017 a julho de 2018. Desses, apenas 30% possuíam autorização para exploração, enquanto 70% eram irregulares. O Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (SIMEX) cruza informações das Autorizações para Exploração Florestal (Autefs) operacionais no período, emitidas pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade do estado do Pará (Semas-PA), com imagens de satélite processadas para verificar a consistência e execução dessas autorizações.
“A exploração não autorizada de madeira concentrou-se principalmente em áreas privadas ou sob disputa (76%), seguida de Terras Indígenas (12%), Assentamentos (8%) e Unidades de Conservação (UCs) (5%). Quanto às áreas privadas, foram mapeados 18.796 hectares em propriedades inscritas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), representando 70% da extração ilegal mapeada no estado”, informa a pesquisa.
Os dados apontam uma redução de 29% na exploração detectada pelo sistema com relação ao período anterior, sendo 47% de exploração autorizada e 17% de não autorizada. Parte desses números se deve ao fato das imagens acabarem comprometidas por nuvens, o que impede a análise.
O estudo também analisou os hectares de desmatamento por município. Entre os que tiveram maiores quantidades de exploração ilegal estão Paragominas, Tomé-Açú, Dom Eliseu, Uruará e Ipixuna do Pará, com um total de 16.640 hectares explorados sem autorização.
“Na comparação com o período anterior (agosto/2016 a julho/2017), observamos reduções expressivas na exploração ilegal de madeira nos municípios de Portel (100%), Dom Eliseu (61%) e Tomé-açu (54%). Por outro lado, observamos aumentos consideráveis nos municípios de Altamira (845%), Rondon do Pará (206%) e Dom Eliseu (77%). O município de Paragominas, topo da lista, ainda apresentou aumento de 12% em relação ao período anterior”, observa o relatório.
Também foi avaliada a qualidade de exploração e manejo da floresta nas áreas exploradas com autorização. “Dos planos de manejo operacionais, selecionamos 28 Autefs em cujas imagens de satélite foram possíveis visualizar cicatrizes da exploração de madeira e avaliar sua qualidade. Da exploração detectada nessas imagens, aproximadamente 28 mil hectares (78%) apresentaram qualidade intermediária e cerca de 8 mil hectares (22%) apresentaram qualidade boa. Nenhum caso foi classificado com manejo de baixa qualidade”.
O estudo também traz recomendações para melhorar o monitoramento da atividade exploratória no Pará. São elas: Aperfeiçoar o processo de licenciamento e monitoramento dos planos de manejo florestal sustentáveis; facilitar o acesso a dados sobre os planos de manejo; intensificar fiscalizações em áreas protegidas e verificar a consistência de listas de espécies florestais dos projetos.
“O monitoramento de planos de manejo é fundamental para a prevenção e combate a irregularidades no setor florestal, além de estimular o bom manejo. Dessa forma, com base nos resultados apresentados neste relatório, consideramos crucial melhorar o monitoramento dessa atividade no estado”, finaliza a pesquisa. (ecodebate)

Mudanças climáticas começam a causar impactos na transmissão

Levantamento da Abrate mostra que geolocalização e intensidade de ventanias estão se alterando ao longo dos anos.
Os impactos das mudanças climáticas não se tornaram motivo de atenção apenas para o setor de agricultura e as geradoras. A transmissão de energia também é um dos segmentos do setor elétrico que vem experimentando as consequências de eventos que antes não eram registrados. Estudo elaborado pela Associação Brasileira das Empresas de Transmissão  de Energia mostra que na última década, houve forte aumento da média de torres de transmissão derrubadas pela ação de rajadas de vento. No início do século, eram 20 torres que caíam por ano devido a rajadas de vento. Entre 2006 e 2012, caíram 35 torres ao ano. Enquanto entre 2013 e 2016, esse número aumentou para 57 torres por ano, somando 465 torres em 11 anos.
De acordo com o presidente da associação, Mario Miranda, o mapa das ocorrências, que se iniciou no Paraná na década de 80 do século passado, foi passando para regiões do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Triângulo Mineiro, chegando até mesmo no Acre no ano passado. Apenas o Nordeste e o Meio Norte ainda não tiveram histórico de eventos climáticos desse tipo. “A mudança climática está cada vez mais tendo uma abrangência nacional. Se ela antes era bem centro sul do Brasil, está se expandindo”, explica Miranda. O prejuízo com a queda de uma torre varia entre R$ 100 mil e R$ 400 mil dependendo das condições do evento, o que leva a crer que o prejuízo anual médio com a queda de torres nos últimos anos fico em cerca de R$ 15 milhões.
A associação passou a ter mais atenção sobre o tema após ter colaborado com a realização do documentário Ameaças do Céu, produzido pelo Grupo Storm, com apoio do Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. O documentário é dirigido por Iara Cardoso e exibido no canal History nos dia 27 de abril, às 18h15, 28 de abril, às 6h, dia 4 de maio, às 18h15 e no dia 5 de maio, às 6h. De acordo com o Elat/INPE, eventos climáticos severos custam hoje prejuízos ao setor elétrico que ultrapassam R$ 100 milhões por ano, e que deverão, em 2030, ultrapassar os R$200 milhões por ano.
Essa mudança no cenário acaba por trazer uma nova perspectiva para os custos da transmissão. Esse tipo de evento climático está enquadrado como risco do negócio da transmissora, não repassa para a tarifa. Segundo Miranda, o concessionário precisa ser dotado de uma forte logística para ter torres de transmissão reservas em determinados locais e uma equipe treinada, já que quando a torre cai, o sistema deve ser recomposto o mais rápido possível, a fim de evitar penalidades. Até os anos 2000, as torres eram projetadas para ventos de cerca de 112 km/h. O aumento da intensidade dos ventos nas estruturas fez com que nos projetos elas fossem suportadas para ventos de 150 km/h. O presidente da associação confidencia que há associadas que passaram a adotar critério de projeto com parâmetro de 180 km/h e mesmo assim houve queda de torre. “Estamos correndo atrás para entender o fenômeno, mas não sabemos o que vai ocorrer em qual região e em qual velocidade”, aponta.
Com isso, o setor também passa a ter que trabalhar com estruturas mais reforçadas em determinadas regiões, com projetos mais detalhados, o que acaba encarecendo o orçamento dos projetos desde a sua concepção.
“Os próprios critérios dos editais de leilão de LTs já nos obrigam a fazer um cálculo estatístico da recorrência de um determinado período de observação dos ventos”, explica. Miranda lembra que não há um banco de dados de medições dessas ventanias que vem afetando as transmissoras. “Estamos em uma perspectiva de dificuldade de compreensão de ter informações”, pontua.
Relação explosiva: mudanças climáticas, aquecimento global e doenças tropicais. (canalenergia)

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Oceano Ártico no verão provavelmente estará livre de gelo antes de 2050

Emergência Climática: Oceano Ártico no verão provavelmente estará livre de gelo antes de 2050.
A eficácia das medidas de proteção climática determinará com que frequência e por quanto tempo. Estes são os resultados de uma nova pesquisa envolvendo 21 institutos de pesquisa de todo o mundo, coordenados por Dirk Notz, da Universidade de Hamburgo, Alemanha.
Ursos polares, no gelo do oceano ártico.
A equipe de pesquisa analisou resultados recentes de 40 modelos climáticos diferentes. Usando esses modelos, os pesquisadores consideraram a evolução futura da cobertura de gelo marinho do Ártico em um cenário com altas emissões futuras de CO2 e pouca proteção climática. Como esperado, o gelo do mar Ártico desapareceu rapidamente no verão nessas simulações. No entanto, o novo estudo constata que o gelo marinho do verão no Ártico também desaparece ocasionalmente se as emissões de CO2 forem reduzidas rapidamente.
“Se reduzirmos as emissões globais rápida e substancialmente e, assim, mantivermos o aquecimento global abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais, o gelo do Ártico provavelmente desaparecerá ocasionalmente no verão antes de 2050. Isso realmente nos surpreendeu”, disse Dirk Notz, que lidera o grupo de pesquisa sobre gelo marinho na Universidade de Hamburgo, Alemanha.
Atualmente, o Polo Norte é coberto pelo gelo marinho durante todo o ano. A cada verão, a área da cobertura de gelo marinho diminui, no inverno cresce novamente. Em resposta ao aquecimento global em curso, a área geral do Oceano Ártico coberta por gelo marinho foi rapidamente reduzida nas últimas décadas. Isso afeta substancialmente o ecossistema e o clima do Ártico: a cobertura de gelo marinho é um local de caça e habitat para ursos polares e focas, e mantém o Ártico fresco, refletindo a luz do sol.
A frequência com que o Ártico perderá sua cobertura de gelo marinho no futuro depende criticamente das futuras emissões de CO2, mostra o estudo. Se as emissões são reduzidas rapidamente, os anos sem gelo ocorrem apenas ocasionalmente. Com emissões mais altas, o Oceano Ártico se tornará livre de gelo na maioria dos anos. Portanto, os humanos ainda têm um impacto na frequência com que o Ártico perde sua cobertura de gelo marinho durante o ano todo.
Detalhes técnicos: As simulações usadas neste estudo são baseadas nos chamados cenários de SSP (caminhos socioeconômicos compartilhados), que também serão usados no próximo relatório do IPCC. Os cenários SSP1-1.9 e SSP1-2.6 são usados para simular uma rápida redução das emissões futuras de CO2, enquanto o cenário SSP5-8.5 é usado para simular emissões futuras de CO2 praticamente inalteradas. O estudo é baseado em simulações da geração mais recente de modelos climáticos, coletados na Fase 6 do projeto de intercomparação de modelos acoplados (CMIP6).
Degelo do Ártico já atingiu até as regiões mais frias.
Aquecimento global já atinge até as regiões mais frias do planeta.
Derretimento de algumas das geleiras mais fortes e estáveis do Oceano Ártico é prenúncio de uma “catástrofe prática para a humanidade”, alerta pesquisador. (ecodebate)

Diferentes dinâmicas demográficas, econômicas e de emissão de CO2

OCDE e África: diferentes dinâmicas demográficas, econômicas e de emissão de CO2.
“Na África estamos sofrendo a crise climática agora” - Vanessa Nakate (12/12/2019)
Em 22/04/2020 o mundo comemorou os 50 anos do Dia da Terra. Estavam programadas grandes manifestações de rua em todo o mundo, porém a pandemia de covid-19 impediu aglomerações, diante da emergência global de saúde pública. Contudo, a emergência climática e ambiental não passou e mesmo que a paralisação das atividades produtivas e a quarentena tenha reduzido as emissões de gases de efeito estufa o modelo de desenvolvimento continua intrinsecamente ligado ao consumo de combustíveis fósseis. Indubitavelmente, mesmo diante do isolamento social, devemos aproveitar o Dia da Terra para discutir a questão das mudanças climáticas.
A humanidade tem usado a atmosfera como uma lixeira onde despeja a poluição das suas atividades econômicas. As emissões globais de CO2 que estavam em 2 bilhões de toneladas em 1900, passaram para 6 bilhões de toneladas em 1950, chegaram a 25 bilhões de toneladas no ano 2000 e atingiram 36 bilhões de toneladas em 2017. Em consequência a concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera aumentou de aproximadamente 277 partes por milhão (ppm) em 1750, para 300 ppm em 1920, 350 ppm em 1987, 400 ppm em 2015 e deve ultrapassar 410 ppm em 2019. Na primeira década do século XXI, a concentração de CO2 aumentava 2 ppm ao ano e passou a aumentar 2,5 ppm ao ano na atual década. O mundo caminha para uma situação inusitada e dramática, acelerando o processo de aquecimento global e suas consequências.
Os últimos 6 anos foram os mais quentes já registrados e a década 2011-20 é a mais quente da série histórica. O Planeta está com febre e não está apenas esquentando, mas aquece a taxas crescentes e num ritmo alucinado. Por isso, o aquecimento global não é um problema como outro qualquer, mas sim o evento que engloba e potencializa todos os demais e obriga a humanidade a repensar suas prioridades diante da possibilidade de um armagedon ecológico. Indubitavelmente, uma catástrofe ambiental será o prenúncio de uma catástrofe social. Se as temperaturas continuarem subindo de forma acelerada o mundo pode chegar à situação denominada “Terra Estufa”, onde diversas áreas do Planeta se tornariam inóspitas e inabitáveis.
As consequências devastadoras do aquecimento global deixaram de ser uma agrura prevista para o futuro e se transformaram em “emergência climática”, presente no cotidiano das atuais gerações. O desequilíbrio já assola o Planeta de Leste a Oeste e de Norte a Sul – em graus diferenciados – e causa danos crescentes, embora esteja apenas em seu começo. Seguindo as tendências das últimas décadas, a Terra caminha para um “ponto de inflexão global” (alguns dizem que já ultrapassou o ponto de não retorno) que pode ser o início de um efeito dominó – capaz de gerar uma série de acontecimentos desagradáveis em cascata. A catástrofe climática está no horizonte e só será evitada se forem adotadas ações concretas para reduzir e zerar as emissões de gases de efeito estufa.
Nos séculos XIX e XX, foram os países com economias fortes e ricas os principais responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa (GEE). Mas no século XXI, são os países em desenvolvimento (principalmente China e Índia) que mais emitem GEE. Os países em desenvolvimento também apresentam as maiores taxas de crescimento populacional e econômico.
O gráfico acima sintetiza o comportamento da população, do Produto Interno Bruto (PIB) e das emissões de CO2 em dois períodos selecionados: os últimos 40 anos do século XX (1959-99) e os primeiros 16 anos do século XXI (2000-16) para a OCDE (grupo de países majoritariamente de alta renda) e da África (majoritariamente países de renda baixa). As emissões per capita foram de 9,8 toneladas na OCDE e de 1,1 toneladas na África. Mas os dois grupos de países possuem diferentes dinâmicas demográficas, econômicas e de emissão de CO2.
Na África, tanto o crescimento populacional, quanto econômico e quanto das emissões foi maior nos dois períodos. Entre 1959 e 1999, a população da África cresceu a uma taxa de 2,6% ao ano, o PIB cresceu 4,1% ao ano e as emissões cresceram 4,4% ao ano. No período seguinte, entre 2000 e 2016, houve uma pequena redução do ritmo demográfico para 2,4% ao ano, mas houve aumento do crescimento da economia para 4,5% ao ano. As emissões de CO2 cresceram 2,5 ao ano.
Já na OCDE, tanto a população, quanto o PIB, reduziram o ritmo de crescimento entre os dois períodos e houve decrescimento das emissões de CO2 entre os anos 2000 e 2016, em função de mudanças na população (envelhecimento, urbanização, etc.) e mudanças tecnológicas no padrão de produção e consumo e na matriz energética.
É claro que a OCDE continua emitindo muito mais CO2 do que a África. Em 2018, as emissões totais da OCDE foram de 12,7 bilhões de toneladas e da África foram de 1,4 bilhão de toneladas. Contudo, no século XXI, a OCDE está conseguindo reduzir as emissões em 0,4% ao ano, enquanto as emissões da África estão crescendo a 2,5% ao ano. Se o ritmo das emissões africanas continuarem no decorrer do atual século a África terá emissões totais de CO2 em 2100 maiores do que as emissões atuais da OCDE.
Os dados acima mostram a gravidade da situação ambiental e social. Evidentemente, a África precisa reduzir a pobreza e garantir uma melhor qualidade de vida para seus habitantes. Porém, precisam respeitar o meio ambiente e evitar um agravamento da situação climática. Assim, enfrentar a questão demográfica é fundamental e vale a pena levar em consideração o alerta dos entendidos na questão climática.

Mais de 11 mil cientistas de todo o mundo publicaram em 05/11/2019, na Revista BioScience, um alerta sobre a ameaça de uma iminente catástrofe ambiental e declararam que o Planeta está enfrentando uma emergência climática. Entre os “sinais vitais” apresentados está a questão do crescimento demoeconômico.
O documento diz: “O crescimento econômico e populacional está entre os mais importantes fatores do aumento das emissões de CO2 em decorrência da combustão de combustíveis fósseis”. E afirmam: “Ainda crescendo em torno de 80 milhões pessoas por ano, ou mais de 200.000 por dia, a população mundial precisa ser estabilizada e, idealmente, reduzida gradualmente”. (ecodebate)

sábado, 23 de maio de 2020

Técnicas de agricultura sustentável ajudam na conservação do solo

Técnicas de agricultura sustentável ajudam na conservação do solo. Especialistas apontam algumas.
Sistema de plantio direto na lavoura de mandioca.
Dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) indicam que um terço dos solos do mundo está degradado. Isso significa que perderam, em algum grau de intensidade, sua capacidade de gerar serviços ecossistêmicos, como regulação hidrológica, sequestro de carbono ou retenção de nutrientes para a produção de alimentos.
Para evitar que esse quadro se intensifique, a agricultura tem papel fundamental. Por meio de técnicas sustentáveis de plantio é possível aumentar a qualidade do solo, permitindo que ele continue sendo uma importante fonte de serviços naturais que beneficiam toda a sociedade.
Conheça algumas:
1) Plantio Direto
O plantio direto é o cultivo de plantas agrícolas sob os restos vegetais do cultivo anterior, evitando assim o revolvimento do solo. Essa prática reduz os efeitos erosivos, visto que a camada de resíduos vegetais atua como um escudo contra a água e o vento.
André Ferreti, gerente de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), explica que o plantio direto é uma prática fundamental para se evitar a perda do solo por meio da chuva. “Essa camada de resíduos vegetais protege o solo da gota de chuva, que quando bate direto no solo, além de facilitar a erosão, compacta-o de tal forma que ele vai perdendo a capacidade de deixar a água se infiltrar”.
2) Rotação de Culturas
“É uma técnica tão antiga quanto a própria agricultura, mas que foi deixada de lado nos últimos anos por questões econômicas e de políticas agrícolas”, observa o engenheiro agrônomo Carlos Hugo Rocha, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR).
A rotação de culturas é a alternância entre o que é plantado numa mesma área, evitando o desgaste nutricional do solo e seu desequilíbrio químico e biológico. Pode-se, por exemplo, plantar soja numa safra e depois alternar para o plantio de milho, escapando assim da prática da monocultura, prejudicial a vida e à conservação do solo.
3) Integração Lavoura-Pecuária-Floresta
Assim como a técnica anterior, a ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) também é uma forma de rotação de cultura, só que mais complexa. Nela, o agricultor alterna entre o plantio da lavoura, o plantio de pastagem para o gado e combina essas duas culturas com o plantio de árvores, como o eucalipto ou espécies nativas. “Isso minimiza os impactos negativos e maximiza os potenciais benéficos, pois são três formas de plantio distintas que atuam em frentes diferentes na conservação do solo”, explica o especialista da RECN.
4) Preservação das APPs e áreas ripárias
Outra técnica agrícola que ajuda na conservação do solo é a proteção das APPs (Áreas de Preservação Permanente) ao redor da propriedade rural e das áreas ripárias. As APPs são definidas no Código Floresta Brasileiro como “área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas”. As áreas ripárias, por sua vez, são aqueles ecossistemas diretamente relacionados a um curso d’água.
5) Retorno da Matéria Orgânica
Por fim, uma das técnicas essenciais é garantir o retorno da matéria orgânica ao solo. Esse, no entanto, é o grande “calcanhar de Aquiles” da agricultura brasileira. Devido ao clima tropical, os nutrientes da matéria orgânica que cai no solo são rapidamente absorvidos pela terra. Ao mesmo tempo, isso faz com que seja rapidamente degradada, obrigando a utilizando de fertilizantes químicos para compensar a perda nutricional do solo antes da colheita.
“Nisso, a agricultura orgânica é essencial. Quanto mais aprimorado é o manejo agronômico, mais você cria um solo que não precisa de produtos nocivos à vida do solo, como fertilizantes químicos e agrotóxicos. O próprio solo, através de seus organismos, fornece os nutrientes que as plantas necessitam. Isso já existe na pequena escala, mas precisamos criar oportunidades para expandir para uma escala maior”, explica Rocha.
Técnicas para melhorar o solo.
Para ele, é possível levar essas práticas para todo o Brasil, principalmente com a coordenação de políticas públicas que garantam investimentos em práticas sustentáveis e orgânicas. (ecodebate)