quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Mania do descartável

Na Holanda, grupo quer convencer populacão a abandonar "mania do descartável"
A FAO também disse que os consumidores no mundo desenvolvido devem ser encorajados a servir pequenas porções e fazer mais uso das sobras. As empresas devem dar comida excedente para instituições de caridade, e desenvolver alternativas para o despejo de resíduos orgânicos em aterros sanitários.
Dois terços dos brasileiros não sabem o que é consumo sustentável
A FAO estima o custo do desperdício de alimentos, excluindo os peixes e frutos do mar, em cerca de 750 bilhões de dólares por ano, com base em preços de produção.
O desperdício de alimentos consome cerca de 250 Km3 de água e ocupa cerca de 1,4 bilhão de hectares - grande parte deles eram habitats naturais transformados para tornar-se arável. (ig)

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Especísmo e ecocídio

Especísmo e ecocídio: o sumiço das abelhas
De todas as espécies que estão sendo vítimas do crime de ecocídio – como os tubarões, os elefantes, os rinocerontes, os gorilas, as onças, etc – as abelhas são as mais fundamentais para a alimentação humana e a sobrevivência da humanidade.
Três quartos das culturas alimentares do mundo dependem de polinização por insetos, sendo que as abelhas são as agentes mais fundamentais neste processo. As abelhas não produzem só mel, também viabilizam a produção de alimentos em geral. Em cerca de 250 mil espécies de plantas com flores, chamadas angiospermas, 90% são polinizadas por insetos, borboletas e, especialmente, por abelhas, que são tão importantes para a reprodução das plantas, tanto quanto a luz e a água.
O ser humano e demais mamíferos da Terra dependem da polinização das plantas para obter seus alimentos, fibras (como algodão) e inúmeros outros produtos. A redução dos animais polinizadores compromete grande parte da produção agrícola do mundo, além de afetar a biodiversidade e a sobrevivência de outras espécies.
As abelhas surgiram há cerca de cem milhões de anos, junto com o desenvolvimento das flores e ambas possuem intensa relação de dependência recíproca. As abelhas possuem uma relação simbiótica com as plantas e o meio ambiente, pois ao se alimentar do néctar elas não destroem suas fontes de alimentos, mas sim viabilizam a reprodução das mesmas. As abelhas encontram nas flores o pólen indispensável à sua sobrevivência e aos trasportá-los de planta em planta, fecundam as flores e garantem o florescimento da vida. Quanto mais abelhas no mundo, melhor!
Porém, as abelhas estão sendo vítimas do crime de ecocídio. Segundo reportagem do jornal The Guardian, especialistas independentes da Agência Europeia de Segurança Alimentar declararam os neonicotinóides (imidacloprid, clotianidina e tiametoxam) um risco inaceitável para as abelhas, quando usados ​​em plantações floridas. Estes estudos apontam os efeitos nocivos dos agrotóxicos (neonicotinóides) para as abelhas, incluindo perdas das rainhas.
Mas as empresas químicas condenaram os estudos e dizem a proibição dos inseticidas neonicotinóides não iria salvar uma única colméia. Porém, nos EUA e Europa, há uma redução de até 50% no número de colmeias e este fenômeno já atinge o Brasil. O Brasil caiu da 5ª para a 10ª colocação mundial em exportação de mel nos últimos dois anos. O motivo foi o abandono das colmeias na região produtora mais importante do país, o Nordeste. Em 2012, alguns estados registraram queda de 90% na produção e o abandono de colmeias chegou a 60%.
Diversos outros estudos mostram que o uso de produtos químicos estão provocando a morte das colméias. O fenômeno é caracterizado como Síndrome do Colapso das Abelhas (CCD, sigla em inglês para Colony Collapse Disorder) e verifica-se quando há um abandono repentino e massivo de colmeias.
Como disse Albert Einstein: “Se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais, não haverá raça humana”. (EcoDebate)


sábado, 21 de setembro de 2013

Enxame Humano?

Durante a maior parte dos 200 mil anos de história do Homo Sapiens o crescimento populacional foi lento. Segundo dados históricos de Angus Maddison, a população mundial era de 226 milhões de habitantes no ano 1 da era Cristã e gastou mais de um milênio e meio para dobrar de tamanho.
A população mundial chegou a 438 milhões de habitantes em 1500 e passou para 556 milhões em 1600, com um crescimento de 118 milhões de habitantes no século XVI. No século seguinte o crescimento foi menor, pois o acréscimo foi de apenas 47 milhões de habitantes. A população mundial chegou a 603 milhões de habitantes em 1700 e atingiu um bilhão de habitantes por volta de 1800. Houve um acréscimo de 397 milhões de pessoas no século XVIII. No século XIX houve um acréscimo de 563 milhões de habitantes no mundo.
O crescimento demográfico que era lento, se acelerou depois da Revolução Industrial e Energética e entrou em um ritmo exponencial no século XX, quando a população do globo aumentou cerca de 4 vezes, passando de 1,56 bilhão de habitantes em 1900 para 6,1 bilhões de habitantes no ano 2000, um acréscimo de 4,5 bilhões de pessoas em apenas 100 anos.
O ritmo de crescimento demográfico se desacelerou no século XXI, mas como o volume populacional já era elevado, houve um acréscimo de 1 bilhão de habitantes somente entre 2000 e 2011. A Divisão de População da ONU estima, na projeção média, que a população mundial alcance 10,9 bilhões de habitantes em 2100. Se esta projeção se confirmar, o século XXI terá o maior acréscimo absoluto no volume populacional de todos os tempos, com um aumento de 4,8 bilhões de habitantes entre 2000 e 2100.
Cabe então a pergunta: o mundo já ultrapassou o tamanho ótimo e entrou numa fase de superpopulação?
Não existe consenso entre os demógrafos sobre o “tamanho ótimo” da população. Mesmo porque é preciso saber ótimo para quem? Para o desenvolvimento econômico? Para a grandeza dos países? Para a grandeza das religiões? Para a grandeza da própria humanidade? Ou para a preservação da biodiversidade, dos ecossistemas, das demais espécies e da saúde do Planeta?
O ambientalista Dave Foreman, por exemplo, no livro “Man Swarm and the Killing of Wildlife” (O enxame de gente e a matança de animais selvagens) considera que a população humana já ultrapassou todos os limites do Planeta e propõe uma redução de 70% no número de pessoas na Terra para dar espaço a grandes áreas convertidas em reservas para a biodiversidade e os grandes mamíferos (rewilded). Ele considera que em defesa da vida selvagem a população mundial deveria voltar para a casa de 2 bilhões de pessoas. Ele propõe também políticas de restrição à migração.
Evidentemente as ideias de Foreman não representam o pensamento majoritário da sociedade e muito menos as recomendações consensuadas nos acordos mundiais. A Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD) realizada na cidade do Cairo, em 1994, coloca como meta a necessidade da estabilização da população mundial. Mas não definiu quando e em que nível.
O fato é que a população mundial vai continuar crescendo pelo menos até 2050, em decorrência da “inércia demográfica”. Todavia, pode ser que a estabilização demográfica seja alcançada na segunda metade do século XXI ou na primeira metade do século XXII.
Por conta disto, é preciso cuidar para que o “enxame de gente” não faça desaparecer os enxames de abelha, que são fundamentais para a polinização das plantas e para o florescimento da vida animal na Terra. Ao contrário dos humanos, as abelhas possuem uma relação simbiótica com a natureza, pois, ao se alimentar do polem de planta em planta, elas garantem a reprodução das mesmas.
Quanto mais abelhas houver no mundo, melhor para o meio ambiente. O mesmo não se pode dizer da espécie humana que, na prática, não conhece o que é simbiose e tem uma relação de exploração e dominação que provoca a degradação da natureza. Historicamente, o progresso humano tem se dado às custas do regresso ambiental.
É neste sentido que surgem propostas como a “RewildingEuropa”que quertornar a Europaum lugarmais selvagem,com muito mais espaço para os processos da vida natural, trazendo de volta a variedade de vida e incrementando a biodiversidade. Cresce o número de pessoas que defendem a ideia de que o mundo precisa ficar mais selvagem (com maior biodiversidade) e menos degrado pelos humanos (Rewilding the World – Reselvagerizar o mundo). Na mesma linha, o The Rewilding Institute tem como missão promover ideias e estratégias para avançar na conservação da vida selvagem. O homo sapiens tem sido o superpredador da Terra e não tem rival na cadeia alimentar. Só ele mesmo pode se autolimitar e garantir espaço para as demais formas de vida do Planeta. (EcoDebate)

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Qual o destino do lixo em São Paulo?

O que será feito com o lixo de São Paulo nos próximos 20 anos?
Foram três dias de muito trabalho e aprendizado. Em primeiro lugar, me chamou a atenção que o engajamento dos cidadãos das regiões periféricas era bem maior. Mais adiante ficará claro o motivo. O encontro abordou unicamente o Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos da Cidade de São Paulo. Não começamos do zero. Muito ao contrário, todas as discussões se pautaram por um documento de 60 páginas escrito a partir de reuniões realizadas nas 31 subprefeituras, oficinas temáticas, grupos de trabalho inter-setoriais e propostas da equipe técnica da prefeitura. Um processo bastante democrático, porém pouco divulgado.
Só para ter uma ideia do desafio, atualmente menos de 2% dos resíduos coletados pela prefeitura vão para a reciclagem. Mais de 98% têm os aterros como destino, o que representa um enorme problema ambiental e desperdício de recursos. A meta para 2032 é dar um fim mais nobre para 70% dos resíduos (30% continuarão indo para os aterros). A conferência se concentrou nas estratégias para alcançar esse objetivo, que não foi questionado.
Além dos delegados da sociedade civil, havia representantes do empresariado e do poder público. Todos com direitos iguais a voz e voto. Cada delegado poderia escolher uma sala temática e lá fui eu para a dos Resíduos Orgânicos, ou seja, tudo aquilo que a natureza produz e, se deixarmos, ela mesma sabe reciclar lindamente transformando em adubo. Estou falando de restos de comida, podas de árvore, talos, caroços, folhas secas, madeira, serragem etc que representam 51% do lixo produzido em SP. Assunto totalmente ligado à agricultura urbana e às hortas comunitárias, já que usamos exclusivamente composto orgânico e esterco como adubo.
Fechados numa sala sem janela durante todo o sábado de sol, debatemos e alteramos as 23 diretrizes, objetivos, estratégias e metas apresentadas para os orgânicos que, no documento final, se tornaram 31. Nada fácil abdicar do fim de semana para trabalhar duro e sem remuneração em prol do coletivo, mas a oportunidade de propor mudanças no texto da lei e ver que elas foram realmente incorporadas compensou o esforço.
Logo no início dos trabalhos, percebi que valeu a pena participar desde 2012 do Grupo Pró-Viabilização da Compostagem em São Paulo, uma rede de pessoas interessadas em promover essa prática e não uma ONG ou grupo institucionalizado. Graças em parte à nossa militância em favor da compostagem, tanto no Programa de Metas da gestão Haddad quanto nesse PGIRS (sigla do tema da conferência), ganhou força a ideia de que a cidade deve compostar aqui mesmo os resíduos orgânicos que gera. A discussão passou a ser sobre a melhor forma de fazer isso.
Nesse ponto abandono o relato do evento para refletir sobre os próximos passos. Quem tiver interesse pode ler todo o PGIRS, que será disponibilizado e colocarei o link aqui.
Um ponto importante do plano é que São Paulo em breve vai ganhar quatro grandes Centrais de Processamento da Coleta Seletiva (para os resíduos industrializados) e imensas Unidades de Compostagem. Ou seja, de modo geral o município adotará soluções macro para seu lixo nos próximos 20 anos.  Isso implica em investimentos volumosos, caminhões de coleta que continuarão circulando intensamente e concentrar as concessões em grandes empresas.
A opção pela larga escala, que os técnicos da prefeitura dizem ser incontornável, na minha opinião tem maior risco de prejudicar a qualidade do produto final. Explico usando como exemplo os resíduos orgânicos: quanto maior a quantidade, mais difícil o controle. Aqui em casa, tomo precauções máximas com a compostagem porque ela vai gerar o adubo para a minha horta e eu vou comer os alimentos que vierem dela. Mas quem garante que a população será extremamente cuidadosa se continuar podendo jogar o que quiser num caminhão que vai embora para longe? E se, por descuido ou má intenção, contaminantes como carcaças de animais, pilhas, baterias e outros produtos tóxicos forem depositados junto com o lixo da cozinha? Uma única lata de tinta poderia contaminar mais de uma tonelada de composto orgânico. Quais mecanismos seriam adotados para impedir que isso aconteça?
Outro ponto muito delicado: a centralização das soluções do lixo gera injustiças territoriais. Nas regiões mais ricas, onde a produção de resíduos é maior, não há aterros e provavelmente não serão instalados centros de triagem ou de compostagem. Moro em Pinheiros e os caminhões de coleta levam embora tudo o que recolhem aqui. Mas o distrito de São Mateus, na Zona Leste, já possui quatro aterros e agora está em estudo a instalação do quinto. Aliás, nos bairros “bons” da cidade, todo muito acha ecochique reciclar, mas a população sequer admite que cooperativas de catadores se instalem.
Pessoalmente, sou uma adepta da descentralização de tudo, baseada na filosofia do Small is Beautiful (que explico nesse post: http://conectarcomunicacao.com.br/blog/49-beleza-pequeno/). E da extinção do lixo, baseada na ideia do movimento Do Berço ao Berço (http://conectarcomunicacao.com.br/blog/85-prxima-revoluo-industrial/).  Acredito que embalagens descartáveis não deveriam existir, com exceção do papel e papelão impresso com pigmentos vegetais, que vira adubo facilmente. Que todos deveriam compostar seus resíduos orgânicos. Que os supermercados deveriam vender a granel e os líquidos serem transportados em vidros retornáveis. Mas quando digo isso para amigos e empresários, a resposta em geral é: “Isso é impossível, não é prático, dá trabalho, ia complicar muito os negócios.” Desconfio que essa opinião mudaria radicalmente caso o tratamento do lixo ocorresse obrigatoriamente no local onde foi gerado. Se as garrafas PET, as fraldas descartáveis, as latas, os aparelhos eletrônicos quebrados e tudo mais tivesse que ser processado do lado da nossa casa, tentaríamos ao máximo não gerar lixo, não é? E o catador de materiais recicláveis seria o herói da vizinhança.
No ano que vem haverá revisão do Plano de Metas da prefeitura. Daqui a quatro anos, o PGIRS será revisto. A partir de agora, estou me aliando a quem tiver interesse em batalhar pela seguinte causa: BUSCAR SOLUÇÕES PARA QUE PROGRESSIVAMENTE OS RESÍDUOS ENCONTREM DESTINAÇÃO ADEQUADA (POR COMPOSTAGEM, PREPARAÇÃO PARA RECICLAGEM OU TRATAMENTO DE REJEITOS) DENTRO DAS FRONTEIRAS DE CADA BAIRRO. (EcoDebate)

Fungo acelera decomposição de PET

Cientistas brasileiros descobrem fungo que acelera decomposição do plástico PET
Orelhas de pau
Além da decomposição do pet, o grupo já tem indícios de que os orelhas de pau podem ajudar na recuperação do lençol freático contaminado com chorume. (EcoDebate)

Fungos para reduzir a poluição ambiental

Fungos são usados em plásticos para reduzir a poluição ambiental, no AM
Pesquisa avaliou potencial de degradação do material em garrafas PET. Classe conhecida como cogumelo ou orelha-de-pau foi utilizada no estudo.
Estudo utilizou fungos para avaliar a degradação de plástico no meio ambiente.
Um estudo realizado pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) pode ter a resposta para amenizar os impactos ambientais causados por embalagens plásticas não recicladas. A pesquisa produzida na UEA de Parintins, a 369 km de Manaus, avaliou o potencial de degradação do material por meio de fungos típicos da Amazônia, mensurando as condições de crescimento dos micro-organismos e o ambiente necessário para acelerar o processo de degradação do PET.
As 'garrafas-PET' foram os principais objetos utilizados na pesquisa por apresentarem resistência à degradação natural e ocuparem um vasto espaço no meio ambiente por longo tempo, gerando toneladas de lixo.
Para a pesquisa de Iniciação Científica realizada pela finalista do curso de Ciências Biológicas, Aldenize Viana, foi escolhida a classe dos basydiomicetos, conhecidos como cogumelo ou orelha-de-pau, por serem comumente encontrados na região amazônica. Nesta classe, foram testados o potencial de degradação de três linhagens de fungos, coletados na Zona Rural do município de Parintins: o Pycnoporus Sanguineaus, o FBL e o FV12.
"Esses fungos possuem em sua composição enzimas exidativas capazes de degradar os elementos que compõem a madeira - os polímeros naturais - e, com isso, também apresentam potencial de degradação de polímeros sintéticos, encontrados em embalagens plásticas", explicou.
Os testes foram realizados com amostras de PET submetidas, durante 30 dias, à temperatura de 30º C. A perda de massa do material no meio sem a presença de seringaldazine – um acelerador da reação, foi maior para o fungo Pycnoporus Sanguineaus, com 12%. Para o fungo FBL, a perda de massa do PET foi duas vezes menor em relação ao Pycnoporus Sanguineaus. Por outro lado, a degradação em meio acrescido com seringaldazine, o fungo FV12 apresentou a maior perda de massa do PET, com 13%.
Para a pesquisadora, os resultados são animadores, por considerar o tempo de acompanhamento das amostras. "O período de degradação analisado neste estudo foi de, no máximo, 30 dias de incubação, ou seja, em apenas um mês já temos resultados de biodegradação satisfatórios, já que este polímero demora séculos para se decompor em ambiente natural. Ficamos muito felizes com o resultado", completou. (g1)

No Brasil menos de 2% do lixo é reciclado

No Brasil, menos de 2% dos resíduos sólidos urbanos são reciclados
Mesmo com 60% dos municípios do país tendo alguma iniciativa de coleta seletiva, a quantidade de resíduo sólido urbano que de fato retorna à cadeia produtiva não chega a 2%. Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2012, da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), 51,4% do material coletado são matéria orgânica; 13,5% são plástico; 13,1% são papel, papelão e tetra pak; 2,9% são metais; 2,4% dos resíduos são vidro; e 16,7% são outros materiais.
De acordo com a Abrelpe, em 2012 foram produzidas 1.436 mil toneladas de alumínio primário e a reciclagem fica na faixa de 36%, chegando a 98,3% das latas de bebida, patamar com pouca variação nos últimos cinco anos. A produção de papel foi 10 milhões de toneladas e a taxa de recuperação com potencial para reciclagem está em 45,5%.
Já em 2011, o consumo aparente de plásticos, foi 6,8 mil toneladas, das quais 1.000 toneladas recicladas – 57% no caso de PET. Em 2001, a reciclagem dessas garrafas era 32,9%. No setor de vidros, o dado mais recente é de 2008, quando a capacidade de produção instalada foi 3 mil toneladas, sendo 1.292 no setor de embalagens. Dessas, 47% são recicladas – incluindo 20% de embalagens retornáveis -, 33% reutilizados e 20% vai parar em aterros e lixões.
No setor de vidros, o dado mais recente é de 2008, quando a capacidade de produção instalada era 3 mil toneladas, sendo 1,29 mil no setor de embalagens. Dessas, 47% são recicladas – incluindo 20% de embalagens retornáveis -, 33% reutilizadas e 20% vão parar em aterros e lixões.
O gerente de Projetos da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Ronaldo Hipólito, explicou que a Política Nacional de Resíduos Sólidos não prevê prazo para implantar a coleta seletiva e a reciclagem dos materiais.
“Nós colocamos metas no plano nacional: para 2015 uma quantidade de reciclagem e outra para 2019. Para os resíduos úmidos tem a compostagem, a biodigestão. Mas nós estamos trabalhando tudo paralelamente, porque não pode fechar primeiro o lixão para depois fazer a reciclagem”, disse Hippólito. Em tese, na hora de se fechar um lixão e colocar em funcionamento um aterro sanitário, onde só poderá ser depositado rejeito, obrigatoriamente terá que haver a coleta para retirar a parte que não deve ser enterrada, acrescentou.
Quanto às cooperativas de catadores, Hipólito disse que foi criado um comitê interministerial para analisar essa inclusão socioeconômica. Já foram organizadas cerca de 200 cooperativas, das 1.300 que o ministério estima existirem no Brasil. Também foi lançada uma campanha educativa sobre a importância da separação dos resíduos.
“Nós solicitamos ao Ipea, em 2010, um estudo sobre quanto o Brasil perde ao ano por não reciclar, por enterrar as coisas que poderiam ser reaproveitadas, e o Ipea chegou ao número de R$ 8 bilhões por ano. É muito dinheiro. Essa propaganda institucional que nós fizemos e pretendemos voltar esse ano a falar sobre o assunto, serve para conscientizar as pessoas sobre a importância que tem isso para a economia como um todo”, disse o técnico do Ministério do Meio Ambiente.
De acordo com o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, o governo do Rio de Janeiro tem apoiado as prefeituras para iniciar os projetos de coleta seletiva. “Os municípios tem que ter uma equipe para isso, tem que ter uma campanha de comunicação, tem que escolher alguns bairros para fazer um projeto piloto, não é uma coisa científica, é erro e acerto”.
O superintendente de Políticas de Saneamento da Secretaria Estadual do Ambiente (SEA), Victor Zveibil, explicou que 17 municípios, dos 92 do estado, começaram a implantar programas de coleta seletiva, entre eles Mesquita, Petrópolis e Niterói. Além disso, o governo lançou o Programa Catadores e Catadoras em Rede Solidária. “É um programa que a secretaria está iniciando em parceira com o Ministério do Trabalho e Emprego, que tem essa missão de reforçar as cooperativas e trabalhar a questão da comercialização, de uma rede de cooperativas para a reciclagem e para a comercialização. Esse levantamento já foi feito em 41 municípios”.
Por mês, são recolhidas na capital 936 toneladas de material reciclável, dos 150 mil toneladas de lixo da coleta domiciliar. O material é destinado a cerca de 50 cooperativas cadastradas na Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb). O engenheiro Mauro Wanderley Lima, da Diretoria Técnica e de Logística, lembrou que a coleta seletiva depende da colaboração da população. “A ideia é atingir todos os bairros do Rio até 2016. Agora, precisamos da colaboração da população e é uma coleta mais cara, porque você não pode comprimir o material, não pode ser misturado. O ideal é que você terminar de usar a lata de molho de tomate, o iogurte, dê uma lavadinha e entregue para a reciclagem”.
A coordenadora do Movimento Nacional dos Catadores no Estado do Rio de Janeiro, Claudete Costa, ponderou que a situação de muitos catadores é precária. “Eu continuo trabalhando com o pessoal na rua, a gente cata o material, junta no “burrinho sem rabo” – carroça manual -, vê um local estratégico para fazer a triagem rapidamente e nem todo o material a gente tem tempo de juntar para reciclar, só o que está em alta no mercado”. Ela acrescentou que os catadores interrompem o trabalho às 15h quando passa o caminhão da Comlurb.
De acordo com ela, as cooperativas beneficiadas pela coleta seletiva estão em situação melhor, mas ainda há cerca de 240 famílias trabalhando no aterro controlado de Gericinó, que vai fechar até o fim do ano. “Então está no mesmo trâmite que eu, daqui a pouco estão na rua. O pessoal quase não tem mais acesso como tinha antes. Poucas famílias estão sendo beneficiadas, porque está indo tudo para [o aterro sanitário de] Seropédica”.
Claudete reclama que falta apoio da prefeitura para trabalhar. “Falta tudo, da estrutura do galpão, maquinário, para a coleta seletiva. Tem muitas cooperativas que estão na rua, tem muitas que estão em galpão alugado”.
A SEA anunciou que “em breve” será inaugurado o Polo de Reciclagem de Gramacho, que vai aproveitar a mão de obra dos cerca de 400 catadores que atuavam no aterro controlado de Gramacho, fechado no ano passado. (EcoDebate)

Brasil tem 1 milhão de catadores de lixo

Resíduos Sólidos: Brasil tem 1 milhão de catadores; falta de gestão causa prejuízo anual de R$ 8 bi
Hoje 98% das latinhas de alumínio usadas no Brasil são recicladas. Mas, no total, apenas 3% do lixo produzido no país é reciclado, segundo dados do Cempre – Compromisso Empresarial para a Reciclagem. Este é um dos problemas que a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/10) tenta resolver. A expectativa do Ministério do Meio Ambiente é que essa política ajude o Brasil a alcançar índice de reciclagem de resíduos de 20% em 2015.
Segundo cálculos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea, a falta de gerenciamento correto dos resíduos sólidos representa desperdício anual de cerca de R$ 8 bilhões. Ou seja, se o lixo for reciclado, pode virar emprego e renda. Não cuidar do lixo significa também jogar dinheiro fora, além de problemas ambientais e sociais.
O presidente da Associação Nacional de Órgãos Municipais do Meio Ambiente, o ex-deputado Pedro Wilson, explica o papel dos catadores de lixo no processo de reciclagem. Segundo ele, hoje 1 milhão de brasileiros estão catando lixo.
“Esse pessoal se organizou e hoje nós temos um movimento nacional de catadores de materiais de reciclagem que está ajudando a mobilizar a cidade para uma coleta seletiva, que é um desafio grande.”
A Política Nacional de Resíduos Sólidos reconheceu o papel dos catadores de material reciclável. A política prevê que o governo crie programas para melhorar as condições de trabalho e as oportunidades de inclusão social dos catadores.
O presidente da Central de Cooperativas de materiais recicláveis do DF, Roney Alves, avalia que o governo federal já está valorizando os catadores.
“O governo federal, aqui no Distrito Federal, cedeu, pela Secretaria de Patrimônio da União, áreas para implementação de centros de triagem, existem linhas de financiamento do BNDES, do Ministério das Cidades, inclusive da própria Fundação Banco do Brasil e outras instituições, para fomentar e apoiar cooperativas e associações de catadores no Brasil inteiro.”
A Política Nacional de Resíduos Sólidos também prevê que os planos municipais de gestão dos resíduos sólidos incluam as cooperativas e associações de catadores, que podem auxiliar no sistema de coleta seletiva. O problema é que apenas 10% dos 5.600 municípios brasileiros elaboraram esse plano, cumprindo o prazo estabelecido pela lei, que era agosto do ano passado.
Roney Alves acredita que, ao contrário do governo federal, as prefeituras não vêm facilitando a vida dos catadores.
“O grande problema é quando chega nos municípios, principalmente pelo preconceito dos prefeitos dos municípios e dos governantes. A gente tem observado no Brasil inteiro que são poucos os municípios que estão contratando cooperativas e associações, mesmo na lei anterior, que é a Lei de Saneamento Básico (11.445), que prevê a contratação de cooperativa e associação para prestar esse serviço para a sociedade. Mesmo com todo esse arcabouço legal, as prefeituras não estão contratando as cooperativas e associações de catadores.”
A cidade de Sertãozinho, na Paraíba, é um dos municípios brasileiros que está promovendo programa de coleta seletiva e de reciclagem, em conjunto com a associação local de catadores. A prefeita Márcia Mousinho conta a experiência.
“Esse material reciclável, o que é lixo, na verdade, ele é dinheiro. A gente está fazendo agora uma parceria para fazermos uma oficina para aproveitamento desse material para a confecção de brinquedos e outros diversos materiais que a gente pode aproveitar do material reciclado. Nós estamos efetivamente querendo gerar renda.”
A prefeita Márcia Mousinho explica ainda a importância de se conscientizar a população para o sucesso da experiência.
“Nós tivemos também a questão de educação ambiental da população, onde nós estamos fazendo trabalho, distribuindo folders, fazendo trabalho de conscientização da população, nas comunidades, para que separassem o lixo reciclado do lixo molhado, trazendo com isso a limpeza da cidade, do meio ambiente.”
Além de ajudar a separar o lixo e fazer o descarte de cada produto no lugar correto, o brasileiro pode ajudar com o consumo responsável. O Brasil está consumindo mais, com estímulo do governo, mas também está gerando cada vez mais resíduos. Hoje cada brasileiro produz cerca de 1 quilo e meio de lixo por dia. O deputado Pena, do PV de São Paulo, presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, é um dos defensores do consumo responsável.
“As velhas máximas reciclar, que é o tema, reusar e principalmente reduzir. Nós precisamos reduzir o lixo. Nós precisamos que as pessoas entendam que depende muito da sociedade, da ação do indivíduo, sem dispensar naturalmente a ação governamental.”
Em parceria com o setor privado, o Ministério do Meio Ambiente lançou em 2011 um plano para ampliar o consumo sustentável no país. A meta é que, até 2014, a porcentagem de consumidores conscientes dobre de 5% para 10%. (EcoDebate)

Obrigações do governo, empresários e cidadãos à PNRS

Política Nacional de Resíduos Sólidos: obrigações para governo, empresários e cidadãos
Aprovada em 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/10) foi discutida por quase 20 anos no Congresso Nacional. Embora seja considerada por especialistas como uma boa lei, existe uma preocupação se a lei vai pegar, já que envolve uma participação ampla da sociedade. A lei traz obrigações para ministros, governadores, prefeitos e também para empresários e consumidores.
A lei considera resíduo sólido o lixo que tem valor econômico e pode ser reciclado ou reaproveitado. Já o chamado rejeito é o lixo que não pode ser reciclado ou reutilizado.
A diretora do Departamento de Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Zilda Veloso, acredita que, para a lei pegar, será necessária uma mudança cultural:
“Ela é uma lei de mudança de postura. Nós estamos rompendo com uma cultura milenar de enterramento de resíduo no solo. Tratar o lixo era enterrá-lo. A lei diz: só o que pode ser enterrado é rejeito. Então, nós temos aí um ciclo para romper”.
De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública, a Abrelpe, mais de 90% dos resíduos sólidos urbanos do Brasil hoje já são coletados. Mas em alguns municípios, a prática ainda é queimar ou enterrar o lixo, especialmente no Nordeste, onde apenas 77% do lixo é coletado. No Sudeste, esse índice chega a 97%.
Os principais problemas hoje no Brasil se dão na exposição do lixo e no tratamento. De acordo com a Abrelpe, só existe algum tipo de iniciativa de coleta seletiva em 60% dos municípios brasileiros. No Centro-Oeste, apenas 32% dos municípios têm coleta seletiva, enquanto no Sudeste o índice chega a 80%. A coleta seletiva possibilita que o material seja reciclado e pode gerar renda para a população.
O deputado Arnaldo Jardim, do PPS de São Paulo, ressalta que a partir da lei a coleta seletiva passou a ser obrigatória:
“Você aí, cada um em seu município, pode exigir do prefeito. Tem que implantar a coleta seletiva. Se não implantar, não vai mais receber recursos do governo federal. Então, são coisas como esta que começam a mudar a postura”.
Conforme o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, primeiro, o município deverá estabelecer a separação de resíduos secos e úmidos. Depois, progressivamente, deverá separar os resíduos secos em tipos específicos, como vidro, plástico e papel.
Especialistas ressaltam que a coleta seletiva é essencial para que seja implementada a logística reversa, também prevista na lei. A logística reversa é o retorno para as fábricas dos resíduos daquela indústria, para reaproveitamento ou destinação final ambientalmente adequada.
A diretora do Departamento de Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Zilda Veloso, explica quais são os setores empresariais com boas práticas com o lixo, e o que a lei prevê:
“Nós temos experiências exitosas com embalagens de agrotóxicos, com pneus, com óleos lubrificantes usados, com pilhas e baterias. E nós estamos construindo agora cinco acordos setoriais. Um já foi assinado, que é o de embalagens plásticas de óleos lubrificantes, complementando um pouco a resolução do Conama que trata do recolhimento”.
Segundo Zilda, o governo também vai fechar acordo sobre o retorno de resíduos com os setores de embalagem, de lâmpadas, de eletroeletrônicos e de medicamentos. Os acordos devem ser fechados ainda este ano e implementados até agosto do ano que vem.
Por enquanto, o presidente do Instituto Ethos, Jorge Abrahão, avalia que a maioria das empresas brasileiras ainda não adotou a sustentabilidade em seus planos de negócio.
“A maioria das empresas não assumiu esta agenda. Por outro lado, há empresas que estão liderando este processo e que, logo, nós acreditamos, que vão ser reconhecidas por isso. A questão da reputação e da imagem das empresas é chave e as empresas que estão envolvendo em questões que impactam na sociedade e a sociedade tem essa percepção, elas vão ser as empresas do futuro”.
Com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, o cidadão também passa a ter o dever de colocar o lixo no recipiente adequado. A lei prevê penalidade por infração ambiental para o cidadão que não fizer a coleta seletiva após o município a ter implementado ou após as empresas terem implementado o sistema de logística reversa. Primeiro ele será advertido e, se houver reincidência, será multado. As multas previstas vão de R$ 50 a R$ 500.
O deputado Arnaldo Jardim resume como funciona a responsabilidade compartilhada prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos:
“Primeiro, para você, nós temos função e tarefa para você. Nós queremos que você separe o lixo em casa. Se não puder ser tão detalhadamente, hoje tem uma separação básica, que é o molhado do seco, que já faz uma grande diferença para caminhar para a coleta seletiva, para aquilo lá. Segundo, reduzir formas de consumo, cuidado de como processar as coisas, a capacidade de reutilização. Para os governos, para todos, vale para os municípios, vale para os estados e vale para o governo federal, que são campanhas de esclarecimento, instrumento de formação das pessoas, para dar informação. Para as empresas, que têm que cuidar dos seus resíduos, no processo de produção, e têm que cuidar da logística reversa”.
Pela lei, a empresa que não cumprir a determinação de fazer a logística reversa incorrerá em crime ambiental e estará sujeito a multas que vão de R$ 5 mil a R$ 50 milhões. (EcoDebate)

Desafios da Lei de Resíduos Sólidos

Lei de Resíduos Sólidos tem o desafio de sair do papel
O Brasil ainda precisa acabar com os lixões a céu aberto até agosto do ano que vem e ampliar a coleta seletiva e a logística reversa para efetivar a Política de Resíduos Sólidos.
Aprovada em 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/10) foi discutida por quase 20 anos no Congresso Nacional. Embora seja considerada por especialistas como uma boa lei, existe uma preocupação sobre sua efetividade, já que ela exige uma participação ampla da sociedade. A lei traz obrigações para ministros, governadores, prefeitos e também para empresários e consumidores.
A diretora do Departamento de Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Zilda Veloso, acredita que será necessária uma mudança cultural para alcançar os objetivos pretendidos pela legislação. “Nós estamos rompendo com uma cultura milenar de enterramento de resíduo no solo. Tratar o lixo era enterrá-lo. A lei diz: só o que pode ser enterrado é rejeito. Então, nós temos aí um ciclo para romper.”
A lei considera resíduo sólido o lixo que tem valor econômico e pode ser reciclado ou reaproveitado. Já o chamado rejeito é o lixo que não pode ser reciclado ou reutilizado.
De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública (Abrelpe), mais de 90% dos resíduos sólidos urbanos do Brasil hoje já são coletados. Mas em alguns municípios, a prática ainda é queimar ou enterrar o lixo, especialmente no Nordeste, onde apenas 77% do lixo é coletado. No Sudeste, esse índice chega a 97%.
Arnaldo Jardim: o cidadão tem que cobrar a coleta seletiva do prefeito.
Coleta seletiva
Os principais problemas hoje no Brasil se dão na exposição do lixo e no tratamento. De acordo com a Abrelpe, só existe algum tipo de iniciativa de coleta seletiva em 60% dos municípios brasileiros. No Centro-Oeste, apenas 32% dos municípios têm coleta seletiva, enquanto no Sudeste o índice chega a 80%. A coleta seletiva possibilita que o material seja reciclado e pode gerar renda para a população.
O deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP) – um dos relatores do projeto de lei que deu origem à Lei de Resíduos Sólidos – ressalta, que a partir da lei, a coleta seletiva passou a ser obrigatória. “Cada um em seu município pode exigir do prefeito. Se não implantar [a coleta seletiva], não vai mais receber recursos do governo federal. São coisas como essa que começam a mudar a postura.”
Conforme o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, primeiro, o município deverá estabelecer a separação de resíduos secos e úmidos. Depois, progressivamente, deverá separar os resíduos secos em tipos específicos, como vidro, plástico e papel.
Logística reversa
Especialistas ressaltam que a coleta seletiva é essencial para que seja implementada a logística reversa, também prevista na lei. A logística reversa é o retorno para as fábricas dos resíduos daquela indústria, para reaproveitamento ou destinação final ambientalmente adequada.
“Nós temos experiências exitosas com embalagens de agrotóxicos, com pneus, com óleos lubrificantes usados, com pilhas e baterias”, enumera a diretora do Departamento de Ambiente Urbano, Zilda Veloso.
Segundo Zilda, o governo também vai fechar acordo sobre o retorno de resíduos com os setores de embalagem, de lâmpadas, de eletroeletrônicos e de medicamentos. Os acordos devem ser fechados ainda neste ano e implementados até agosto do ano que vem.
O presidente do Instituto Ethos, Jorge Abrahão, afirma que a maioria das empresas brasileiras ainda não adotou a sustentabilidade em seus planos de negócio. “Por outro lado, há empresas que estão liderando este processo e que, logo, vão ser reconhecidas por isso. A questão da reputação e da imagem das empresas é chave e as empresas que estão se envolvendo em questões que impactam a sociedade vão ser as empresas do futuro.”
Dever do consumidor
Com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, o cidadão também passa a ter o dever de colocar o lixo no recipiente adequado. A lei prevê punições para o cidadão que não separar o lixo após o município ter implementado a coleta seletiva ou após as empresas terem adotado o sistema de logística reversa. Primeiro o cidadão será advertido e, se houver reincidência, será multado. As multas previstas variam de R$ 50 a R$ 500.
Já a empresa que não cumprir a determinação de fazer a logística reversa incorrerá em crime ambiental e estará sujeita a multas que vão de R$ 5 mil a R$ 50 milhões. (EcoDebate)


terça-feira, 17 de setembro de 2013

Empresa cria prato contra desperdício de comida

Cerca de 20% da comida preparada no mundo é jogada fora todos os dias. Apenas no Brasil, são 39 mil toneladas diariamente, valor que alimentaria aproximadamente 19 milhões de brasileiros que passam fome. Tentando alertar para esse problema e resolver o desperdício de alimentos, a empresa Eco Benefícios criou um prato com 20% menos de espaço.
A campanha, que circula nas redes sociais, pode ser vista no vídeo abaixo e foi testada em algumas praças de alimentação, surpreendendo os consumidores. Quanto menos espaço, menos desperdício e mais comida compartilhada. (yahoo)

Aumenta o desperdício de alimentos na Ásia-Pacífico

FAO acusa aumento do desperdício dos alimentos na Ásia-Pacífico
Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) denunciou em 10/09/13 em Bangcoc, um "aumento do desperdício de alimentos" na região Ásia-Pacífico em consequência das colheitas e da distribuição, mas também dos maus hábitos dos consumidores.
"Em média, quase 35% se perdem ou são desperdiçados após a colheita", declarou Hiroyuki Konuma, representante da FAO para a região Ásia-Pacífico.
Segundo os números da FAO, as perdas, de 30% para os cereais, aumentam a 42% para as frutas e verduras produzidas nesta região pelo déficit de planejamento, pragas de insetos ou parasitas e uma logística deficiente.
Konuma ressaltou o "crescente problema do desperdício de alimentos na região" durante uma reunião com 130 representantes de 20 países da Ásia-Pacífico, do Paquistão às Filipinas.
A região Ásia-Pacífico permanece, no entanto, atrás da Europa e da América do Norte, com 120 quilos de alimentos desperdiçados por habitante ano, contra 300 quilos das outras duas regiões, segundo a FAO.
Para o agrônomo indiano Swaminathan, um dos pais da "revolução verde" na Índia, a luta contra o desperdício passa pela "educação e mobilização social".
Segundo a FAO, a redução de 25% do desperdício de comida no mundo poderia alimentar as 870 milhões de pessoas que sofrem de fome, 536 milhões delas na região Ásia Pacífico. (yahoo)

Desperdício de alimento é 3º maior emissor de gás

Desperdício de alimento no mundo é 3º maior emissor de CO2, diz ONU
A comida desperdiçada no mundo responde por mais emissões de gases causadores de efeito estufa do que qualquer país, exceto China e Estados Unidos, disse a ONU em um relatório divulgado em 11/09/13.
Todos os anos, cerca de um terço de todos os alimentos para consumo humano, aproximadamente de 1,3 bilhão de toneladas, é desperdiçado, juntamente com toda a energia, água e produtos químicos necessários para produzi-la e descartá-la.
Quase 30% das terras agrícolas do mundo, e um volume de água equivalente à vazão anual do rio Volga, são usadas em vão.
No seu relatório intitulado "A Pegada do Desperdício Alimentar", a Organização das Nações Unidas para Agricultura e a Alimentação (FAO) estima que a emissão de carbono dos alimentos desperdiçados equivale a 3,3 bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano.
Se fosse um país, seria o terceiro maior emissor do mundo, depois da China e dos Estados Unidos, sugerindo que um uso mais eficiente dos alimentos poderia contribuir substancialmente para os esforços globais para reduzir as emissões de gases do efeito estufa e diminuir o aquecimento global.
No mundo industrializado, a maior parte do lixo vem de consumidores que compram muito e jogam fora o que não comem. Nos países em desenvolvimento, a causa principal é a agricultura ineficiente e falta de instalações de armazenamento adequadas.
"A redução de desperdício de alimentos não só evitaria a pressão sobre recursos naturais escassos, mas também diminuiria a necessidade de aumentar a produção de alimentos em 60%, a fim de atender a demanda da população em 2050", diz a FAO.
A organização sugere que se melhore a comunicação entre produtores e consumidores para gerenciar a cadeia de suprimentos de forma mais eficiente, bem como investir mais na colheita, resfriamento e métodos de embalagem.
A FAO também disse que os consumidores no mundo desenvolvido devem ser encorajados a servir pequenas porções e fazer mais uso das sobras. As empresas devem dar comida excedente para instituições de caridade, e desenvolver alternativas para o despejo de resíduos orgânicos em aterros sanitários.
A FAO estima o custo do desperdício de alimentos, excluindo os peixes e frutos do mar, em cerca de 750 bilhões de dólares por ano, com base em preços de produção.
O desperdício de alimentos consome cerca de 250 km3 de água e ocupa cerca de 1,4 bilhão de hectares- grande parte de hábitat natural transformado para tornar-se arável. (yahoo)

domingo, 15 de setembro de 2013

Migração, fecundidade e decrescimento em Portugal

Migração, fecundidade e decrescimento da população de Portugal
As taxas de fecundidade das mulheres portuguesas já estavam abaixo do nível de reposição desde o início dos anos de 1980. Porém, as projeções indicavam que a população de Portugal ainda cresceria (devido à inércia demográfica) durante mais alguns anos em função dos saldos migratórios positivos. Esperava-se, também, uma certa recuperação das taxas de fecundidade.
Todavia, a crise econômica que começou em 2008 e ainda não deu sinal de superação acelerou o processo de declínio populacional. O crescimento vegetativo (mortalidade menos natalidade) já tinha sinal negativo desde 2008. Mas o saldo migratório era positivo, dando reforço à tese da migração de reposição, ou seja, quando há decrescimento do saldo demográfico natural espera-se que a migração mantenha a população estável ou com pequeno crescimento.
Mas os últimos dados demográficos de Portugal estão mostrando que tanto o saldo vegetativo quanto o saldo migratório foram negativos em 2010 e 2011. Reportagem de Patricia Mello da Folha, de 11 de agosto de 2013, mostra que Portugal pode perder 1 milhão de habitantes (10% da população) em 10 a 20 anos. Cerca de 100 mil portugueses emigram por ano desde 2010, o número de óbitos está 6 mil acima do número de nascimentos e a taxa de fecundidade está em 1,3 filho por mulher. Sem perspectiva econômica, dificilmente a situação demográfica vai melhorar, sendo que a crise demográfica agrava a crise econômica. Portugal está em um “ciclo vicioso” e em uma espiral de decrescimento.
A teoria demográfica supõe que o nascimento de um menor número de filhos levaria a uma menor oferta de mão de obra o que diminuiria o desemprego e aumentaria os salários. O demógrafo Richard Easterlin encontrou, para os Estados Unidos da América (EUA), esta relação cíclica entre a dinâmica demográfica, as oportunidades de emprego e salários e o número de filhos (fecundidade). Segundo ele “Cortes menores tendem a ter melhores oportunidades no mercado de trabalho e com isto se casariam mais cedo e teriam mais filhos”.
De fato, nos EUA as taxas de fecundidade caíram durante a grande depressão da década de 1930, subiram depois do fim da Segunda Guerra Mundial, caíram novamente entre 1965 e 1985 e subiram novamente entre 1985 e 2007. Com a crise econômica de 2008 e 2009 a fecundidade das mulheres americanas já apresentou um ligeiro declínio sendo que a TFT estava em 1,9 filhos por mulher em 2011.
Esta tendência cíclica não foi observada em outros países. Na Europa, os países mediterrâneos, Itália, Grécia e Espanha apresentaram taxas de fecundidade em declínio desde 1950, sem grandes variações cíclicas, e que atingiram o nível mais baixo na virada do milênio. Estes três países tinham taxas de fecundidade total (TFT) entre 2,5 e 3,0 filhos por mulher em meados do século passado e chegaram a 1,2 e 1,3 filhos por mulher entre 1995 e 2005. Estas taxas super-baixas (lowest low fertility) decorrem em parte do “efeito tempo” positivo, isto é, as mulheres adiaram o nascimento do primeiro filho, jogando a TFT para baixo.
No quinquênio 2005-2010, os três países apresentaram aumento das taxas de fecundidade que subiram para algo em torno de 1,4 filho por mulher. O aumento foi pequeno, mas refletiu uma reversão na tendência de queda e apontava para uma recuperação da fecundidade rumo ao nível de reposição. Vários programas de cunho pró-natalistas foram adotados, mas depois abandonados ou deixados em segundo plano com a crise econômica.
Isto acontece porque o baixo crescimento econômico, as baixas taxas de investimento e o maior poder de barganha das parcelas idosas da população (inclusive com o envelhecimento do eleitorado) tendem a canalizar recursos para o topo da pirâmide e as jovens gerações deixariam de contar com recursos para se comportar de acordo com o Easterlin Effect. Ao invés da mobilidade das gerações, o que tem surgido é o choque de gerações, com as pessoas da base perdendo para o topo da pirâmide populacional, gerando um “efeito Easterlin” ao reverso.
Portugal também está mostrando a mesma tendência. O declínio econômico está provocando o declínio da fecundidade (que já estava baixa) e transformando a imigração em emigração. Há muitos portugueses jovens indo trabalhar na Alemanha ou migrando para o Brasil, Angola ou Moçambique (ex-colônias portuguesas).
O caso de Portugal pode ser ilustrativo para o Brasil, pois as taxas de fecundidade brasileiras estão abaixo do nível de reposição e a população deve começar a diminuir na década de 2030. O Brasil pode voltar a ser um país de imigração. Mas se houver crise econômica, em vez de atrair força de trabalho e cérebros, o país pode se tornar exportador (involuntário) de suas riquezas humanas, como acontece atualmente com Portugal. (EcoDebate)

A população do Vietnã em 2100

O Vietnã está localizado no leste da península da Indochina, no Sudeste Asiático. O país faz fronteira com a República Popular da China a norte, Laos e Camboja a oeste, com o Golfo da Tailândia a sudoeste, e a leste e sul com o Mar da China Meridional. A história do país está documentada há mais de 2500 anos, sendo que durante cerca de mil anos, esta região foi dominada por sucessivas dinastias do império chinês, mas obteve a independência em 938 quando a dinastia Ngô foi estabelecida. O período dinástico terminou no século XIX, quando o país foi colonizado pela França em 1858. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os franceses tentaram restabelecer o controle da região, mas foram derrotados na Batalha de Dien Bien Phu, após oito anos de luta armada, comandada pelo general Giap, em 1954, na primeira guerra da Indochina. Mesmo com a ajuda dos Estados Unidos, o Vietnã foi dividido em dois países separados: Vietnã do Norte e Vietnã do Sul.
Após a vitória do Vietnã do Norte sobre o Vietnã do Sul, representado pela Frente Nacional de Libertação do Sul do Vietnã, em 30 de abril de 1975, o país passou a ser a República Socialista do Vietnã. Em 1986, realizou-se uma série de reformas econômicas chamadas de inovação aberta para a economia vietnamita com a integração internacional. O Vietnã é membro das Nações Unidas, da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), da Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (APEC) e da Organização Internacional da Francofonia.
Atualmente, a economia do Vietnã é uma das que mais crescem no mundo. Com a reforma econômica implantada no país, o Vietnã tornou-se um membro da Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2007 (segundo a Wikipedia). Hoje o Vietnã tenta implementar uma economia de mercado com forte presença do estado e dirigida por um partido comunista, ao estilo chinês.
A população do Vietnã era de 28,3 milhões de habitantes em 1950 e passou para 87,8 milhões de habitantes em 2010. Para 2050, a estimativa média é de 103,4 milhões na projeção média, devendo cair para 83 milhões de habitantes em 2100. No final do século XXI pode chegar a 140 milhões na hipótese alta ou 44 milhões na hipótese baixa. A densidade demográfica sempre foi alta, de 85 habitantes por quilômetro quadrado em 1950, passando para 265 hab/km2 em 2010 e podendo chegar a 313 hab/km2 em 2050.
A taxa de fecundidade total (TFT) do Vietnã era de 6,2 filhos por mulher em 1950, mas caiu rapidamente nos últimos anos atingindo 1,9 filhos por mulher em 2010, abaixo do nível de reposição (2,1 filhos). As estimativas médias indicam TFT de 1,7 filho em 2050 e 2 filhos por mulher em 2100. O número médio de nascimentos estava em 1,3 milhão no quinquênio 1950-55 e chegou a 1,4 milhão de nascimentos em 2005-10, devendo cair nas próximas décadas. A razão de dependência demográfica era de 56 pessoas dependentes para cada 100 pessoas em idade ativa e caiu para 42 em 2010. Isto quer dizer que o Vietnã está em plena fase do bônus demográfico.
A mortalidade infantil e a esperança de vida estavam, em 1950-55, em 158 mortes para cada mil nascimentos e 40 anos, respectivamente. A mortalidade infantil caiu para 20 por mil e a esperança de vida subiu para 74 anos, no quinquênio 2005-10. Para 2100, estima-se uma mortalidade infantil de 7 por mil e uma esperança de vida de 85 anos.
Em termos ambientais, o Vietnã possui déficit ambiental, pois segundo o relatório Planeta Vivo, da WWF, a pegada ecológica per capita dos vietnamitas era de 1,39 hectares globais (gha), em 2008, mas possuía uma biocapacidade de apenas 1,09 gha. Embora a população deva decrescer até 2100, o crescimento econômico acelerado vai gerar enormes dificuldades ambientais. (EcoDebate)

200 milhões em ação

O IBGE publicou estudo mostrando que somos mais de 200 milhões de brasileiros. Nos anos 70 éramos 90 milhões em ação, dizia a velha música.
Tão importante quanto a quantidade é o modo de vida das pessoas. Nos anos 70, três em cada dez brasileiros viviam em cidades, hoje os mesmos 30% vivem na zona rural.
Moradores de cidades consomem mais recursos naturais em transportes, conservação de alimento, refrigeração, aquecimento e consumo em geral. O morador urbano consome quatro a oito vezes mais recursos que aqueles vivendo na zona rural e 15 a 30 vezes mais que sociedades primitivas.
A conclusão é que não só somos mais, como também consumimos mais.
Até a revolução industrial, éramos uns 300 milhões no planeta inteiro. Com este tico de gente, dava para ser bem destrutivo sem causar problemas. Dava para queimar floresta sem causar apagão no nordeste, dava para acabar com a floresta de cedros do Líbano para construir embarcações fenícias, enfim… Pintamos e bordamos. Nossos sete bilhões de amigos agora implicam cuidados maiores, mas temos preferido fingir que ainda vivemos em um planeta vazio. Cuidados que deverão partir do Governo, de cada um e também dos mercados. Ninguém está fora disto. É desnecessário discutir responsabilidades. Aliás, ela é frequentemente uma estratégia para evitar a ação.
Mas o crescimento populacional brasileiro já não é mais o mesmo, e agora já se fala sobre um pico de população, talvez em 2043, após o qual a população brasileira irá diminuir. Menos gente é sempre uma boa notícia para o ambiente, mas é muito importante nos perguntarmos o que estas poucas pessoas estarão fazendo.
Pelas projeções, sabemos também que elas terão mais dinheiro. Neste momento, mais dinheiro significa mais consumo, carro maior, casa maior. É fácil saber quanto uma pessoa ganha pelo carro que dirige.
Os brasileiros estão enriquecendo (aliás, o planeta inteiro, excluindo a África). É natural que queiram seguir o exemplo dos que são mais ricos, mas que exemplo damos para as pessoas que estão ascendendo materialmente?
Exclua o Papa e o Presidente do Uruguai e ficamos com “Consumo recursos naturais nas possibilidades dos meus recursos financeiros”. Não mude por altruísmo, mude por enfado. É enfadonho torrar a própria vida atrás de torrar a vida de outras espécies. (EcoDebate)

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Desmatamento amazônico cresceu 35% em 1 ano

Desmatamento na Amazônia sobe 35% entre agosto e julho.
O acumulado de alertas de desmatamento na Amazônia entre agosto do ano passado e julho deste ano voltou a subir pela primeira vez desde 2011 e ficou 34,84% superior à taxa registrada no mesmo período do ano passado.
Os dados, divulgados pela amanhã pelo IBAMA, a partir do monitoramento feito pelo sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), ainda não representam o valor oficial de desmatamento da Amazônia – que só é obtido por outro sistema do INPE, o Prodes, divulgado normalmente em novembro –, mas são vistos por ambientalistas como um forte indicativo de tendência de alta.
Se isso se confirmar ao final do ano, será a inversão de uma curva de queda iniciada em 2008 e que culminou, no ano passado, com a menor taxa desde o início do monitoramento.
Segundo o Deter, no período houve uma perda de 2.765,62 km² de floresta, contra 2.050,97 km² entre agosto de 2011 e julho de 2012. O mês mais grave foi maio, quando houve perda de 464,96 km². Após o pico, medidas de comando e controle se intensificaram e em junho o desmate ou a degradação ocorreram em 210,4 km². Em julho subiu para 217,45 km².
Os números se referem a alertas em tempo real do INPE que servem para orientar ações de fiscalização do IBAMA. O sistema vê tanto desmatamentos propriamente ditos – os chamados cortes rasos (somente os superiores a 25 hectares) – quanto a degradação da floresta, como uma forte queimada. Essa degradação não necessariamente vai levar, no futuro, ao desmatamento, apesar de ser esse um caminho bastante possível.
Convergência
E essa tendência de alta observada pelo sistema dialoga com um monitoramento independente feito pelo instituto de pesquisa Imazon, que também observa com satélite o desmatamento da região, mas em uma fração menor que o INPE. Segundo esse levantamento, para o período a perda de floresta dobrou.
“Os dois levantamentos convergem e mostram uma tendência de alta. Só vamos ter certeza em novembro, com o Prodes, mas os números que temos até o momento e os sinais que estamos recebendo do campo – de operações, fiscalizações, autuações, informações de prefeitos, de produtores rurais – são de aumento”, afirma Adalberto Veríssimo, do Imazon.
A opinião do governo é diferente. Luciano Evaristo, diretor de Proteção Ambiental do Ibama, órgão responsável pela fiscalização de desmatamento, defende que o ano fechará com uma taxa equilibrada – “talvez um pouco menor ou um pouco maior que no ano passado”.
“O Deter não se presta a medir o desmatamento, mas a gerar alertas para que possamos mandar a fiscalização apurar. É rápido, mas impreciso. Ele enxerga tudo, água, rocha, queimada, como se fosse desmatamento.” Segundo Evaristo, de todos os alertas, foi possível qualificar em campo 66% e, desse total, somente 57% era de fato corte raso. Diz também que, nos picos de maio e de agosto do ano passado, a maior parte dos alertas era de queimada, que não impactariam o Prodes. “É ele que vai dizer com certeza. Mas a nossa percepção é de que teremos um equilíbrio.”
Para Veríssimo, apesar das incertezas do Deter, seus dados estão sendo comparados entre si, e a alta existe. “Espero que o governo tenha razão em dizer que a taxa ficará estável, mas não são os indicativos que temos até o momento.” Além disso, ressalta, uma das principais diferenças do Prodes é ver desmatamentos pequenos, acima de 6 hectares, justamente do tamanho que mais tem ocorrido na Amazônia nos últimos anos. “É por isso que o número total do Prodes é sempre maior que o do Deter (foi da ordem de 4.500 km²). Ou seja, a não ser que neste ano tenhamos uma inversão desse padrão de pequenos desmatamentos, que eles fiquem abaixo da média recente, é que teremos uma queda no final.”
O revés na curva de queda, se confirmado em novembro, se dará um ano depois de o País registrar a taxa de desmatamento mais baixa da história do monitoramento — motivo, aliás, que fez representantes brasileiros serem aplaudidos nas negociações internacionais de mudanças climáticas.
A queda contínua do desmatamento é a principal bandeira ambiental do governo federal e o trunfo para reduzir seus níveis de emissões de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global.
Isso porque a perda da Amazônia é o setor que mais contribuiu historicamente para as emissões de gases estufa do Brasil. Sua queda vem permitindo que o País chegue bem perto das metas voluntárias que estabeleceu para reduzir suas emissões até 2020.
De agosto de 2011 a julho de 2012 a taxa de desmate caiu 29% em relação ao período anterior, chegando a 4.571 km², a mais baixa taxa da história do monitoramento.
Em geral, a tendência mostrada pelo DETER acaba sendo confirmada pelo Prodes. O único ano em que isso não bateu foi em 2011. O Deter havia mostrado no acumulado de agosto de 2010 a julho de 2011 uma alta de 15%, mas quando saíram os dados consolidados e mais refinados do Prodes, o desmatamento tinha caído 11% em relação ao ano anterior. (OESP)

Alerta de desmatamento e degradação da Floresta

Alertas de desmatamento e degradação da Floresta Amazônica aumentam 35% em um ano
O número de alertas sobre desmatamento e degradação da Floresta Amazônica aumentou em 35% entre agosto de 2012 e julho de 2013 na comparação com agosto de 2011 a julho de 2012. As imagens de satélites usadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), responsável pelo Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), mostraram que, entre agosto de 2012 e julho deste ano, as áreas possivelmente devastadas chegaram a 2.766 Km2 ao passo que, entre agosto de 2011 e julho do ano passado, a devastação ocorreu em 2.051 Km2.
A explicação para o aumento se deve aos meses de agosto de 2012 com 522 Km2 e área devastada e a maio deste ano, com 465 Km2 devastados, em decorrência da degradação, que ocorre quando há remoção parcial da floresta por uso do fogo ou por corte seletivo de árvores. Os dados do Deter incluem o corte raso, que configura o desmatamento ilegal, e ocorre quando há a retirada completa da floresta nativa em uma área.
“Tivemos um alerta de desmatamento causado pela intensificação do fogo em agosto de 2012”, disse o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (IBAMA), Volney Zanardi Júnior. Segundo ele, o acréscimo em maio é justificado pelo fato de as nuvens terem se dissipado e, com isso, os satélites do Inpe puderam detectar a degradação dos meses anteriores.
O coordenador-geral de Fiscalização Ambiental do IBAMA, Jair Schmitt, informou que o aumento das áreas degradadas decorre das queimadas originadas por causas naturais e intencionais. “É um típico comportamento de reação à fiscalização. Ante a situação atual de monitoramento por satélite que é praticamente diário que se faz do corte raso e o aumento da fiscalização em campo, o infrator não se arrisca mais a fazer o corte raso imediatamente. Ele primeiro começa fazendo uma degradação pelo fogo. Mas o IBAMA consegue interferir nesse processo antes que se converta em desmatamento ilegal”, disse.
A maior parte dos alertas identificados entre agosto do ano passado e julho deste ano representava corte raso (59%). A degradação por uso de fogo respondeu por 33% dos alertas na Amazônia Legal e por exploração florestal foi 3% dos alertas nesse período. Em 5% dos casos, as imagens apontaram um falso positivo, ou seja, algum problema técnico na captação das imagens.
Mato Grosso, Pará, Rondônia e Amazonas são os estados com áreas mais críticas detectadas pelo Deter. Mato Grosso é o campeão em áreas devastadas com 1.184 Km2, um aumento de 25% em relação ao período anterior, em decorrência da pecuária. No Pará, grilagem e pecuária pressionam o desmatamento ao longo do eixo da BR-163 (Cuiabá-Santarém). No Amazonas, a área preocupante, segundo o coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia do Inpe, Dalton Valeriano, é o sul do estado, que explica o aumento de 82% nos alertas de desmatamento e degradação, no eixo da Transamazônica, por pressão da pecuária.
O principal objetivo do Deter, explicou o presidente do IBAMA, é identificar as áreas que estão sofrendo degradação florestal para que o governo federal possa ir a campo e evitar que as áreas degradadas sejam convertidas em corte raso e, consequentemente, em desmatamento.
“Temos duas grandes ações no momento: a Onda Verde, com ação preventiva, em que o Ibama está em campo junto com outros órgãos do governo federal para coibir a conversão de áreas degradadas em desmatamento e a Hileia Pátria, que tem como foco terras indígenas e unidades de conservação federal para coibir madeireiras ilegais”, disse Volney Zanardi.
Ainda entre agosto de 2012 e abril deste ano, o IBAMA apreendeu 68 mil m3 de madeira em toras e 17 mil metros cúbicos de madeira serrada, além de 44 armas de fogo, 86 caminhões, 158 tratores e 291 motosserras. Os agentes ambientais emitiram 4 mil autos de infração, com multas que ultrapassaram R$ 1,9 bilhão. No mesmo período, mais de 252 mil hectares foram embargados.
 Mapa de alertas de agosto
 Mapa de alertas de julho
Mapa de alertas de junho (EcoDebate)

Desmatamento na Amazônia Legal cresce 35% no ano

Desmatamento na Amazônia Legal cresce 35% em um ano, aponta INPE
Área derrubada em 12 meses é maior que a cidade do Rio de Janeiro.
Desmate em agosto de 2013 caiu 44% em comparação a 2012.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgou que o desmatamento na Amazônia Legal entre agosto de 2012 e julho de 2013 foi de 2765,64 km², alta de 35% em comparação com o período entre agosto de 2011 e julho de 2012, quando houve a derrubada de 2.051 km² de vegetação. O total de floresta destruída é superior a duas vezes a área do município do Rio de Janeiro.
O período analisado pelo INPE refere-se aos meses do "calendário do desmatamento", que está relacionado com as chuvas e as atividades agrícolas no bioma.
O instituto divulgou ainda informações sobre a degradação na Amazônia em agosto deste ano, quando a floresta perdeu 288,6 km² (queda de 44,7% na comparação com 2012).
Os dados são do sistema de detecção de desmatamento em tempo real do Inpe, o Deter, que analisa a degradação (desmatamento parcial) e o corte raso (desmatamento total) da floresta nos estados que possuem vegetação amazônica - todos os da Região Norte, além de Mato Grosso e parte do Maranhão.
As informações apontam para um avanço do desmatamento no bioma brasileiro. No entanto, os números consolidados referentes ao período de um ano só serão divulgados perto do fim do ano pelo Ministério do Meio Ambiente, com os dados obtidos pelo Prodes (Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal), que detecta desmates a partir de 6,25 hectares.
No início de junho deste ano, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, divulgou que a degradação da Amazônia Legal entre agosto de 2011 e julho de 2012 foi de 4.571 km², menor índice desde que foram iniciadas as medições, em 1988. A área equivale a três vezes o tamanho do município de São Paulo.
Alta no desmate ocorreu em quase todos os estados
Segundo os dados do Deter, Mato Grosso foi quem desmatou entre agosto de 2012 e julho de 2013, perda de 1.184 km² de vegetação. Na comparação entre agosto de 2011 e julho de 2012, houve aumento de 24%.
O Pará foi o segundo estado que mais degradou a Amazônia Legal e registrou alta de 58% no desmatamento na comparação entre os dois períodos.
Tocantins registrou a maior alta percentual entre os dois períodos analisados pelo Inpe: crescimento de 166,5% no desmatamento da floresta amazônica. Já o Acre registrou a maior queda percentual, de 78% na devastação do bioma. (g1)

Limitar desmatamento não prejudica economia

Em 2009, o Brasil promulgou a Lei da Política Nacional sobre Mudança Climática (Nº 12.187/09) em que se compromete, até 2020, a reduzir entre 36,1% e 38,9% das emissões de gases que causam o efeito estufa. Para alcançar essa meta, uma das principais medidas é diminuir 80% do desmatamento na Amazônia Legal e 40% no cerrado. A partir disso, um estudo de mestrado desenvolvido na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEARP) da USP analisou qual o impacto da redução do desmatamento nessas áreas sobre o setor agropecuário e a economia brasileira.
 
A pesquisa Impactos econômicos da limitação do desmatamento no Brasil foi apresentada, em abril deste ano, ao Programa de Pós-Graduação em Economia da FEARP pela pesquisadora Caroline de Souza Rodrigues Cabral sob a orientação do professor doutor Ângelo Costa Gurgel.
Pesquisa trabalha com projeções entre os anos de 2020 e 2050
Segundo a pesquisadora, os impactos econômicos das políticas de limitação do desmatamento no Brasil são praticamente insignificantes diante dos efeitos positivos da preservação de milhões de hectares de florestas e cerrados que deixariam de ser transformados em áreas agrícolas até 2050. Principalmente porque o País tem capacidade de aumentar a produtividade das pastagens e converter áreas de vegetação secundária e subaproveitadas em cultivos agrícolas.
Para chegar aos dados, ela utilizou o modelo de equilíbrio geral computável EPPA, capaz de considerar as relações entre os diferentes setores da economia e uma ampla gama de distorções de políticas.
A pesquisa trabalha com projeções entre os anos de 2020 e 2050, quando o desmatamento na Amazônia e Cerrado chegaria a zero. O resultado mostrou que a redução na produção setorial chega a, no máximo, 1,87% na agricultura, 1,81% na pecuária e 1,54% no setor de alimentos em 2050. As políticas de redução do desmatamento também pouco alterariam a trajetória de crescimento da economia, gerando uma diminuição de, no máximo, 0,15% no Produto Interno Bruto (PIB).
Expansão agrícola em área de vegetação secundária
Por outro lado, serão 68 milhões de hectares de florestas e cerrados que podem deixar de se tornar área agrícola até 2050, se forem adotadas as políticas de preservação e de redução do desmatamento. “Sem falar nos benefícios associados ao controle dos desmatamentos, como a manutenção da biodiversidade e a reduções nas emissões de gases de efeito estufa, com redução nos danos e prejuízos que podem ser causados pelas mudanças climáticas”, afirma Caroline.
A pequena queda nas produções agrícolas pode ser contornada com a adoção de algumas medidas, segundo a pesquisadora. “O aumento na demanda por produtos agrícolas e alimentos pode ser acompanhado de aumento da oferta se essa for baseada na intensificação da produção agropecuária, evitando tendências de crescimento nos preços de alimentos e a perda de competitividade do setor brasileiro”, disse a pesquisadora.
Ela cita o exemplo da pecuária em que a produção poderia ser intensificada de modo a liberar terras para a produção agrícola, na qual as possibilidades de intensificação são menores. “As simulações também sugerem que a expansão da fronteira agrícola pode ocorrer sob a vasta área de vegetação secundária e áreas de cultivo e pastagens abandonadas e ou degradadas existentes no Brasil, que poderiam ser melhor utilizadas com a adoção de tecnologias e práticas agrícolas modernas capazes de aumentar a produtividade tanto da agricultura como da pecuária”. (EcoDebate)