quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Monitoramento do calor oceânico registra o aquecimento global

Atividades antrópicas liberaram dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa, e o resultado é um acúmulo de calor no sistema climático da Terra, comumente referido como “aquecimento global”. “Quão rápido é o aquecimento da Terra?” é uma questão chave para os tomadores de decisão, cientistas e público em geral.
Medições de concentração de calor oceânico (OHC) e dióxido de carbono atmosférico (CO2) desde 1958, mostradas como meios de funcionamento de 12 meses. A linha preta representa o aquecimento do oceano para os 2.000 metros superiores do oceano e o sombreado vermelho claro representa o intervalo de confiança de 95%. A concentração de CO2 observada no Observatório Mauna Loa é exibida em azul claro. Os valores médios para 2015-2016 são destacados com uma estrela vermelha. O OHC é relativo a uma linha de base 1960-2015. Os dados de calor do oceano são de Cheng et al. [2017], e a informação sobre CO2 é da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica.
A temperatura média global da superfície tem sido amplamente utilizada como uma medida-chave do aquecimento global. No entanto, um novo estudo publicado no Eos, da American Geophysical Union, propôs uma melhor maneira de medir o aquecimento global: o monitoramento da mudança da concentração do calor oceânico e aumento do nível do mar. Os autores provêm de uma variedade de comunidades internacionais, incluindo China (Instituto de Física Atmosférica, Academia Chinesa de Ciências), EUA (NCAR, NOAA e Universidade de São Tomás) e França (Mercator Ocean).
Para determinar quão rápido a Terra está acumulando calor, os cientistas se concentram no desequilíbrio energético da Terra (EEI): a diferença entre a radiação solar recebida e a radiação de longa distância (térmica). Aumentos na EEI são diretamente atribuíveis a atividades humanas que aumentam o dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa na atmosfera. O calor extra-atraído pelo aumento dos gases de efeito estufa termina principalmente nos oceanos (mais de 90% são armazenados lá). Por isso, para medir o aquecimento global, temos que medir o aquecimento do oceano.
Por outro lado, a amplitude do sinal de aquecimento global em comparação com a variabilidade natural (ruído) define o quão bem uma métrica rastreia o aquecimento global. Este estudo mostra que a evolução temporal da concentração do calor do oceano possui uma relação sinal / ruído relativamente alto; portanto, exige 3,9 anos para separar a tendência de aquecimento global da variabilidade natural. Da mesma forma, para o aumento do nível do mar, 4,6 anos são suficientes para detectar o sinal de mudança climática. Em contraste, devido ao clima, El Niño – Oscilação do Sul e outras variações naturais incorporadas no registro global da temperatura da superfície, os cientistas precisam de pelo menos 27 anos de dados para detectar uma tendência robusta. Um excelente exemplo é o período 1998-2013, quando a energia foi redistribuída dentro do sistema da Terra e o aumento da temperatura média global da superfície desacelerou.
De acordo com as estimativas mais atualizadas, os 10 anos mais quentes do oceano (indicados pela mudança de OHC nos 2000 m superiores) são todos na década mais recente após 2006, com 2015-2016 o período mais quente entre os últimos 77 anos. O armazenamento de calor no oceano equivale a um aumento de 30,4 × 10 22 Joules (J) desde 1960, igual a uma taxa de aquecimento de 0,33 Watts por metro quadrado (W m -2) em média em toda a superfície da Terra – e 0,61 W m -2 depois de 1992. Para comparação, o aumento do teor de calor oceânico observado desde 1992 nos 2000 metros superiores é cerca de 2000 vezes a geração líquida total de eletricidade por empresas de serviços públicos dos EUA em 2015.
Este estudo sugere que as mudanças na concentração de calor oceânico, o componente dominante do desequilíbrio energético da Terra, devem ser uma métrica fundamental, juntamente com o aumento do nível do mar. Com base nas recentes melhorias das tecnologias de monitoramento oceânico, especialmente depois de 2005 através de flutuadores autônomos chamados Argo e metodologias avançadas para reconstruir o histórico de temperatura do oceano, os cientistas conseguiram quantificar as mudanças da concentração do calor oceânico desde 1960, mesmo que haja uma grande quantidade de registros de instrumentos históricos mais dispersos antes de 2005. O aumento do nível do mar é mais conhecido desde 1993, quando os altímetros foram lançados em satélites para permitir observações de mudança de nível do mar a uma precisão milimétrica.
É evidente que cientistas e modeladores que procuram sinais de aquecimento global devem acompanhar a quantidade de calor que o oceano armazenou em qualquer momento, ou seja, o conteúdo de calor oceânico, bem como o aumento do nível do mar. Localmente, nos trópicos, o conteúdo de calor do oceano se relaciona diretamente com a atividade dos furacões. O conteúdo de calor oceânico é um sinal vital do nosso planeta e informa decisões sociais sobre adaptação e mitigação das mudanças climáticas. (ecodebate)

Aquecimento global aumenta o calor no hemisfério Norte

Aquecimento global e aumento do calor extremo no hemisfério Norte
A maior parte dos incêndios florestais dos EUA acontecem na metade ocidental do país porque os solos e a vegetação são geralmente mais secos. À medida que as temperaturas aumentam a partir do aumento dos gases de efeito estufa, as taxas de evaporação do solo aumentam, o que pode piorar a seca e desidratar a vegetação, criando combustível suficiente para queimadas. Condições climáticas mais quentes e mais secas também possibilitam que os incêndios florestais se espalhem por grandes áreas. Os incêndios florestais são muito caros e tem dobrado de preço, aumentando o orçamento do Serviço Florestal dos EUA.
O aquecimento global é uma realidade inquestionável. Artigo do jornalista David Wallace-Wells, denominado “A Terra inabitável” (09/07/2017), publicado na revista New York Magazine (NYMag), apresentou uma visão catastrófica do efeito do crescimento das atividades antrópicas sobre os ecossistemas e as mudanças climáticas. O subtítulo diz do que se trata: “Fome, colapso econômico e um sol que nos cozinha: o que as mudanças climáticas podem causar – mais cedo do que você pensa”. Evidentemente, o autor está tratando de um cenário extremo e de baixa probabilidade, mas que pode ocorrer se nada for feito para mudar os rumos da insustentabilidade do crescimento econômico e suas externalidades ambientais.
Os dados são inequívocos ao mostrar o aumento do aquecimento da temperatura global. O tempo mais quente é propício aos eventos climáticos extremos, como os furacões que atingiram o Texas e a Flórida, nos Estados Unidos. Em artigo anterior analisamos os efeitos do furacão Harvey (Alves, 04/09/2017). Em um próximo artigo vamos analisar os efeitos do furacão Irma.

No momento abordaremos os efeitos do calor extremo no hemisfério Norte. Verões extraordinariamente quente eram praticamente inéditos na década de 1950 no hemisfério Norte e tornaram-se comuns. Os eventos extremos do verão deste ano de 2017, como as ondas de calor que circulam pelo sul da Europa e as temperaturas próximas a 130°F no Paquistão, fazem parte desta nova tendência mais ampla.
Matéria do jornal New York Times, mostra o gráfico acima, baseado em dados de James Hansen, cientista de clima da NASA aposentado e professor na Universidade de Columbia, indica como as temperaturas do verão mudaram para o calor mais extremo nas últimas décadas.
Para criar as curvas normais, Dr. Hansen e dois colegas compararam as temperaturas reais do verão para cada década desde a década de 1980 até uma média de linha de base fixa. Durante o período de base, 1951 a 1980, cerca de um terço dos verões em todo o Hemisfério Norte estavam no que chamavam de “média próxima” ou faixa normal. Um terço foi considerado frio e um terço estava quente.
Desde então, as temperaturas do verão mudaram drasticamente. Entre 2005 e 2015, dois terços dos verões estavam na categoria quente, enquanto quase 15% estavam em uma nova categoria: extremamente quente. Praticamente, isso significa que a maioria dos verões hoje são quentes ou extremamente quentes em relação ao meio do século passado.
Os sete primeiros meses de 2017 constituem o segundo período mais quente da série 1880-2017. Talvez o mês de agosto de 2017 seja o mais quente já registrado. O aquecimento global já está afetando as atuais gerações e causando muitos prejuízos. Enquanto o Brasil e partes do hemisfério Sul apresentam temperaturas mais amenas no inverno, as ondas mortais de calor afetaram bastante o hemisfério Norte.
Um dos efeitos mais imediatos do aumento da temperatura no hemisfério Norte foi o aumento dos incêndios florestais. Nos primeiros sete meses de 2017, as queimadas já destruíram mais de 2,5 milhões de hectares nos EUA, representando 38% mais do que a superfície média queimada na última década, conforme mostra o site Climate Central.
Na Europa, onda de calor, denominada Lúcifer, “assa” as pessoas e incêndios devastam a Espanha. Dez países do sul e da Europa Central declararam alerta vermelho após a onda de calor ‘Lucifer’ atingir temperaturas a cima de 40ºC, em várias cidades, com os cientistas avisando que o calor extremo poderia matar 152 mil pessoas por ano até 2100.
No extremo leste do Irã, as temperaturas atingiram um pico de 52,8°C (127°F) na base militar de Konarak e 52,6°C (126,7°F) na aldeia de Renk, superando o registro da maior temperatura já registrada em maio No Irã (50,5°C em Bostan em maio de 1999) e aproximando-se da maior temperatura confiável já registrada no Irã, a 53°C. Em Omã, onde os registros foram de 50,8°C (123,4°F).
O calor extremo ameaça transformar o sul da Ásia, onde vive um quinto da humanidade, em um lugar inabitável até 2100 se não forem tomadas medidas para reduzir os gases de efeito estufa. O aumento das temperaturas e da umidade no verão poderia alcançar níveis que superam a capacidade humana de sobreviver sem proteção. Estas ondas de calor mortal serão muito fortes na Índia, Paquistão e Bangladesh, incluindo as bacias férteis dos rios Indo e Ganges.
Para evitar o pior cenário, todas as pessoas e todos os países precisam mudar completamente o estilo de vida e o mundo precisa caminhar rumo ao decrescimento demoeconômico, para evitar a hipertermia do Planeta. As dimensões dos furacões Harvey e Irma foram potencializadas pelo aquecimento global e as ondas de calor do hemisfério norte. Em um próximo artigo vamos analisar as consequências do furacão que atingiu o Caribe e a Flórida. (ecodebate)

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Aumento temperatura associa mudança climática à evaporação do Mar Cáspio

Aumento da temperatura associada às mudanças climáticas acelera a evaporação do Mar Cáspio.
Os pesquisadores analisaram as três principais influências sobre os níveis de água do mar Cáspio: água dos rios que drenam para o mar, precipitação e evaporação.


 Mapa da drenagem do Mar Cáspio e da região do Cáspio (encerrado pela linha do contorno vermelho). O Mar Cáspio está rodeado por cinco países: Rússia, Cazaquistão, Turquemenistão, Irã e Azerbaijão. Quatro estações de maré (1 = Makhachkala, 2 = Forte Shevchenko, 3 = Baku e 4 = Turkmenbashi), das quais derivam as séries históricas do tempo de observação do nível do mar Cáspio, são marcadas por pontos magenta.
O maior corpo de água continental do planeta tem evaporado lentamente nas últimas duas décadas, devido ao aumento das temperaturas associadas à mudança climática, revela um novo estudo.
Os níveis de água no mar do Cáspio caíram quase 7 centímetros (3 polegadas) por ano de 1996 a 2015, ou quase 1,5 metro (5 pés) de total, de acordo com o novo estudo. O nível atual do mar Cáspio é apenas cerca de 1 metro (3 pés) acima do menor nível histórico, alcançado no final da década de 1970.
O aumento da evaporação sobre o Mar Cáspio foi associado ao aumento da temperatura do ar superficial. De acordo com os dados do estudo, a temperatura média anual da superfície sobre o Mar Cáspio aumentou cerca de 1°C (1,8°F) entre os dois períodos de tempo estudados, 1979-1995 e 1996-2015. Estas temperaturas crescentes são, provavelmente, resultado de mudanças climáticas, de acordo com os autores do estudo.
A evaporação provocada pelas temperaturas do aquecimento parece ser a principal causa da queda atual do nível do mar e o declínio provavelmente continuará à medida que o planeta aquecer, de acordo com os autores do estudo, publicado em Geophysical Research Letters
O Mar Cáspio, localizado entre a Europa e a Ásia, é aproximadamente do tamanho do estado de Montana, EUA, com 371.000 km2 (143,244 milhas quadradas). Tem experimentado mudanças substanciais em seu nível de água nas últimas centenas de anos, mas estudos anteriores não conseguiram identificar as causas exatas das mudanças no nível do mar.
O Mar Cáspio é limitado por cinco países e contém uma abundância de recursos naturais e uma vida selvagem diversificada. Também contém reservas de petróleo e gás natural e é um recurso importante para a pesca nos países vizinhos.
O novo estudo começou depois que Wilson e Jianli Chen, o principal autor do estudo do Centro de Pesquisa Espacial da Universidade do Texas em Austin, unidos a outros pesquisadores, usaram o Mar Cáspio para calibrar dados dos satélites gêmeos da missão GRACE lançada em 2002. Ao comparar as medidas do mar Cáspio dos dados da GRACE e das medições baseadas na Terra, os pesquisadores ajudaram a melhorar a precisão dos dados do satélite. Ao fazê-lo, eles notaram que os níveis de água do Mar Cáspio estavam sofrendo mudanças significativas.
Eles compilaram informações sobre mudanças de nível de água, observadas pelos satélites, registros de precipitação e drenagem no mar a partir de rios, e estimativas de precipitação e evaporação de modelos climáticos. Os pesquisadores então reuniram um registro de quanto cada um desses fatores contribuiu para mudanças observadas no nível do Mar Cáspio de 1979 a 2015.
Eles encontraram que os níveis do Mar Cáspio aumentaram em cerca de 12 centímetros (5 polegadas) por ano de 1979 a 1995. Mas em 1996, os níveis do mar começaram a cair e diminuíram em média quase 7 centímetros por ano até 2015. De 1996 a 2015, o nível do Mar Cáspio caiu quase 1,4 metros (4.5 pés), de acordo com os registros do nível do mar usados no estudo.
A evaporação contribuiu para cerca de metade desse declínio, enquanto os efeitos combinados das mudanças de precipitação e descarga do rio contribuíram para a outra metade. De acordo com o estudo, as taxas de evaporação observadas estão associadas ao aumento da temperatura do ar superficial e outros fatores climáticos, como a umidade da superfície e o vento.
O novo estudo fornece a primeira prova convincente de que o aumento da evaporação sobre o Mar Cáspio é uma força motriz mais importante da mudança do nível do mar do Cáspio do que a descarga ou precipitação do rio, diz Anny Cazenave, um geodesista espacial do CNES, do Laboratório de Estudos em Geofísica e Océanografia Spatiales (LEGOS), no Observatoire Midi-Pyrénées em Toulouse, França, que não esteve envolvido no novo estudo.
A evaporação terá o maior impacto na parte norte do Mar Cáspio porque grande parte da água naquela área é inferior a 5 metros (16 pés) de profundidade. Se a tendência atual de uma redução de 7 centímetros por ano continuar a uma taxa constante, levaria cerca de 75 anos para que a parte norte do mar desapareça, de acordo com o novo estudo.
O mar do Cáspio suporta muitas espécies antigas e antigas que ficaram de quando o mar fazia parte do Oceano de Tethys durante a era do Mesozóico, aproximadamente 300 milhões de anos atrás. Embora a maioria dessas espécies viva nas regiões do sul e do meio do Mar Cáspio, algumas usam a área do norte rasa como terreno de reprodução, incluindo 90 por cento dos esturjões do mundo. A queda do nível do mar também afetaria a baía de Kara-Bogaz-Gol, no lado leste do mar, com menos de 5 metros de profundidade e contém um dos maiores depósitos naturais de sais marinhos do mundo, de acordo com os autores do estudo.
Embora este estudo tenha identificado as tendências no nível do mar e suas causas, os pesquisadores não projetaram estimativas específicas de como esses níveis podem mudar no futuro. (ecodebate)

Aquecimento dos oceanos pelas mudanças climáticas

Aquecimento dos oceanos pelas mudanças climáticas, deve reduzir o tamanho dos peixes

Estudo indica que o aquecimento dos oceanos, pelas mudanças climáticas, deve reduzir o tamanho dos peixes.

Espera-se que os peixes encolham em tamanho, de 20 a 30%, se a temperatura do oceano continuar a subir devido a mudanças climáticas.
Um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica fornece uma explicação mais profunda porque, com as mudanças climáticas e o aquecimento das águas, os peixes devem diminuir em tamanho.
“Os peixes, como animais de sangue frio, não podem regular suas próprias temperaturas corporais. Quando as águas ficam mais quentes, seu metabolismo acelera e eles precisam de mais oxigênio para sustentar suas funções corporais”, disse William Cheung, coautor do estudo, professor associado do Institute for the Ocean and Fisheries e diretor de ciência da Nippon Foundation -Programa do NÚCLEO da UNIBA. “Há um ponto em que as brânquias não podem fornecer oxigênio suficiente para um corpo maior, então o peixe simplesmente para de crescer”.
"Há um ponto em que as brânquias não podem fornecer oxigênio suficiente para um corpo maior, então o peixe simplesmente para de crescer".
Daniel Pauly, principal autor do estudo e pesquisador principal do Sea Around Us, no Instituto para o Oceano e as Pescas, explica que, à medida que o peixe cresce até a idade adulta, sua demanda por oxigênio aumenta porque a massa corporal dele se torna maior. No entanto, a área superficial das brânquias – onde o oxigênio é obtido – não cresce ao mesmo ritmo que o resto do corpo. Ele chama este conjunto de princípios, que explica por que os peixes devem encolher, de “teoria da limitação de oxigênio branquial”.
Por exemplo, um peixe como o bacalhau aumenta seu peso em 100%, suas brânquias só crescem em 80% ou menos. Quando entendido no contexto da mudança climática, esta regra biológica reforça a predição de que o peixe diminuirá e será ainda menor do que o avaliado em estudos anteriores.
Tubarão Baleia um dos grandes animais que serão afetados.
As águas mais quentes aumentam a necessidade de oxigênio do peixe, mas a mudança climática resultará em menos oxigênio nos oceanos. Isso significa que as brânquias têm menos oxigênio para fornecer a um corpo que já cresce mais rápido do que elas. Os pesquisadores dizem que isso obriga o peixe a parar de crescer em um tamanho menor para poder atender às suas necessidades com pouco oxigênio disponível para eles.
Algumas espécies podem ser mais afetadas por essa combinação de fatores. O atum, que se movimenta rapidamente e requer mais energia e oxigênio, pode encolher ainda mais quando as temperaturas aumentam.
Peixes comerciais de tamanho menor do que agora terão um impacto na produção pesqueira, bem como a interação entre organismos nos ecossistemas. (ecodebate)

sábado, 25 de novembro de 2017

Nível do mar global aumentou muito nos últimos 20 anos

Aumento do nível do mar global acelerou significativamente ao longo dos últimos vinte anos.
Isso mostra um estudo realizado pelo instituto de pesquisa “Água e Ambiente” (UTF), da Universidade de Siegen.
Pela mudança climática causada pelo homem, que está ficando mais quente na Terra. Como resultado, o nível do mar, ameaçando regiões costeiras, principalmente, aumenta. Uma equipe internacional de cientistas liderada pelo Dr. Sönke Dangendorf do Instituto de Pesquisa “Água e Ambiente” (UTF) da Universidade de Siegen foi recalculou dados sobre o aumento do nível do mar. O estudo [Reassessment of 20th century global mean sea level rise] mostra que o nível do mar média global, no período 1902-1990, subiu mais lentamente do que se pensava anteriormente, mas os pesquisadores também identificaram que continuou com taxas mais elevadas nos últimos 30 anos. Tomados em conjunto, os resultados sugerem que o aumento do nível do mar recentemente acelerou significativamente. Os resultados do estudo foram publicados na revista americana “Proceedings of the National Academy of Science” (PNAS).
“A curva realmente parece diferente do calculado com base em estudos anteriores”, diz Sönke Dangendorf. Os níveis do mar estão subindo hoje cerca de três vezes mais rápido que em todo o século 20. “O impacto humano sobre o aquecimento global é especialmente evidente nas últimas décadas. Nossos resultados mostram que o nível do mar é muito sensível a isso.” No século 20 era principalmente devido ao derretimento das geleiras e aumento da expansão térmica da água, explica Dangendorf. “No século 21, é causado pelo derretimento das grandes placas de gelo na Groenlândia e na Antártida. Observamos que este processo será um fator cada vez mais dominante no aumento global do nível do mar”.
Desde 1992, o nível global do mar é medido por satélites, que constantemente fazem a varredura da superfície do oceano inteiro. Os cálculos de anos anteriores tinham como base marégrafos, que foram originalmente instalados ao longo das costas. “Os marégrafos mediam o nível de água local, em relação área em que eles estão estacionados. No entanto, os resultados podem ser distorcidos por fatores regionais – por exemplo, por movimentos de terra verticais ou efeitos gravitacionais”, diz Dangendorf. Outro problema: A distribuição de medidores de maré ao longo das costas varia muito. Particularmente antes de 1950, em algumas regiões, a distribuição, em relação às estações de medição foi desigual, Siegen explica.
Por isso, os estudos existentes sobre a subida do nível do mar chegaram a resultados muito diferentes: O aumento anual, calculado antes de 1990, variou até agora, de acordo com o estudo, entre 1,2 e 2 milímetros.
“Queríamos avaliar as imprecisões e as soluções para um cálculo mais preciso dos dados”, diz Sönke Dangendorf. Cientistas da Espanha, França, Noruega e Holanda foram envolvidos no estudo atual. Você tem, em primeiro lugar, que calcular as medidas de marégrafos para efeitos individuais locais. “Com a ajuda de medições GPS podemos determinar fatores locais, disse Dangendorf. A equipe desenvolveu um novo método para calcular a elevação global, dividindo os oceanos em diferentes regiões, ponderada de forma específica, na análise em relação à sua respectiva superfície.

“Nós usamos um método relativamente simples, que não requer uma grande quantidade de tempo de processamento e compreensível para todos”, diz Sönke Dangendorf. Os resultados se encaixam para ele medições de processos individuais que contribuem para o aumento do nível do mar. “As camadas de gelo na Groenlândia e da Antártida retém mais água, algo como uma centena de vezes em relação à água retida nas geleiras”. Portanto, um maior aquecimento e derretimento das camadas de gelo representa um risco particularmente maior para as áreas costeiras baixas. (ecodebate)

Regiões áridas enfrentarão aquecimento de 4°C

Regiões áridas podem enfrentar aquecimento de 4°C sob o objetivo do Acordo de Paris.
O objetivo do acordo de Paris, de limitar o aquecimento global médio a menos de dois graus Celsius, é insuficiente para proteger as terras secas do mundo, diz um novo estudo.
O Acordo de Paris visa limitar o aquecimento médio global da superfície a menos de 2°C em relação aos níveis pré-industriais1, 2, 3. No entanto, mostramos que esse objetivo é aceitável somente para terras úmidas, enquanto que As terras secas terão maiores riscos de aquecimento. Ao longo do século passado, o aquecimento superficial das terras secas globais (1,2-1,3°C) foi 20-40% maior que o das terras úmidas (0,8-1°C), enquanto as emissões de CO2 antropogênicas geradas a partir de terras secas (~ 230 Gt) Foi apenas ~ 30% daquelas geradas a partir de terras úmidas (~ 750 Gt). Para o século XXI, o aquecimento de 3,2-4°C (2,4-2,6°C) sobre as terras secas (terras úmidas) pode ocorrer quando o aquecimento global atinge 2°C, indicando um aumento de 44% sobre as terras secas do que as terras úmidas. Diminuição da produção de milho e escorrência, aumento da seca duradoura e condições mais favoráveis para a transmissão da malária são maiores em áreas secas se o aquecimento global subisse de 1,5°C a 2°C. Nossas análises indicam que ~ 38% da população mundial que vive em terras secas sofreria os efeitos das mudanças climáticas devido a emissões principalmente de terras úmidas. Se o limite de aquecimento de 1,5°C fosse atingido, o aquecimento médio em áreas secas poderia estar dentro de 3°C; Portanto, é necessário manter o aquecimento global dentro de 1,5°C para evitar efeitos desastrosos sobre as terras secas.

O estudo, publicado on-line em Nature Climate Change, também sugere que reduzir o objetivo do aquecimento global a 1,5°C é benéfico tanto para as terras áridas como para as regiões úmidas.
Essas descobertas são importantes para a Ásia-Pacífico, uma região com terras secas e úmidas. As regiões que cercam o deserto de Thar no oeste da Índia estão secas, enquanto o nordeste está entre as áreas mais úmidas do mundo. Os países do Sudeste Asiático são extremamente úmidos.
“A maioria dos países com terras secas são países em desenvolvimento com pouca representação”, diz Jianping Huang, diretor e cientista-chefe do Laboratório Chave de Mudanças Climáticas Semiáridas na China, que concebeu o estudo. Ele acredita que reduzir o objetivo do aquecimento para 1,5°C pode reduzir a carga sobre as terras secas e também beneficiar os países úmidos. O aumento de temperatura resultante do objetivo do Acordo de Paris pode resultar em rendimentos de milho reduzidos, secas mais longas e criar condições climáticas favoráveis à transmissão da malária. Além disso, os países com terras secas não são suficientemente considerados nos diálogos climáticos globais, como o Acordo de Paris.
Shalander Kumar, cientista principal do Instituto Internacional de Pesquisa de Culturas para os Trópicos Semiáridos na Índia, afirma que o estudo proporciona uma melhor compreensão das contribuições regionais e dos impactos das mudanças climáticas nas regiões úmidas e secas.
Kumar, no entanto, diz que a variação do rendimento das culturas é muito mais complexa. “As mudanças na distribuição das chuvas são susceptíveis de afetar os rendimentos das culturas de forma significativa, enquanto o aumento dos níveis de dióxido de carbono pode ter um impacto positivo nas produções da safra”. (ecodebate)

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

A redução da extrema pobreza no mundo desde 1820

Houve uma grande redução da extrema pobreza do mundo e, ao mesmo tempo, uma melhora nas condições demográficas da população mundial, entre 1820 e 2015, segundo o site “Our World in Data”, que é um projeto da Universidade de Oxford (os dados estão disponíveis gratuitamente na Internet).
O gráfico abaixo mostra que a população mundial era de 1,08 bilhão de habitantes em 1820, com 1,02 bilhão vivendo na extrema pobreza (representando 94% da população total) e 60,6 milhões vivendo acima da linha da extrema pobreza (representando 6% do total). Em 1970, a população mundial passou para 3,69 bilhões de habitantes, sendo 2,2 bilhões na extrema pobreza (60,2%) e 1,47 bilhão de pessoas acima da linha da extrema pobreza (39,8%). Mas a partir de 1970 a população total cresceu muito, enquanto a parcela populacional vivendo na extrema pobreza caiu rapidamente.
Em 2015, a população mundial chegou a 7,35 bilhões de habitantes, com 6,6 bilhões (89,8%) acima da linha da extrema pobreza e 705,6 milhões de pessoas (10,2%) vivendo na extrema pobreza. Em resumo, a extrema pobreza caiu de 94% do total populacional, em 1820, para 10% em 2015. Fato extraordinário.
A significativa redução da extrema pobreza global foi acompanhada pela melhoria dos indicadores demográficos. A mortalidade na infância (0 a 5 anos) atingia 43,3% das crianças em 1800 (56,7% sobreviviam após os 5 anos). Em 1900, a mortalidade na infância ainda era de 36,2% e caiu para 4,2% em 2015 (com 95,8% das crianças sobrevivendo após os 5 anos), conforme mostra o gráfico abaixo.
A esperança de vida ao nascer da população mundial estava abaixo de 30 anos no século XIX, chegou a 34,1 anos em 1913 e soltou para 71,4 anos em 2015. No século XIX, a esperança de vida ao nascer na África estava em torno de 26 anos e da Europa em 35 anos. Em 2015, a esperança de vida ao nascer da África passou para 60 anos e da Europa chegou a 80,6 anos.
O progresso humano foi realmente impressionante. Nunca na história da humanidade houve uma redução tão grande da pobreza e nunca as condições demográficas foram tão favoráveis. Estes dois fenômenos estão relacionados, pois a redução da mortalidade na infância e o aumento da esperança de vida ao nascer prolongam o tempo de vida ativa dos indivíduos, o que tem um grande efeito positivo na economia. Como estes ganhos demográficos foram acompanhados pela transição da estrutura etária, houve a geração de um bônus demográfico que, quando bem aproveitado pelos diversos países, propiciou uma grande melhoria no padrão de vida de algumas populações nacionais, especialmente nas nações que conseguiram investir em educação, saúde e nos direitos de cidadania. Cabe destacar que a China tirou mais de um bilhão de chineses da pobreza extrema nos últimos 40 anos. A média da população mundial se beneficiou.
Não é objetivo deste artigo abordar o lado negativo do processo de desenvolvimento. Mas não se pode deixar de registrar que o progresso humano ocorreu às custas do retrocesso ambiental. Enquanto as populações humanas, umas bem mais do que as outras, tiveram inquestionáveis ganhos, o meio ambiente só teve perdas e danos. Houve degradação dos solos, acidificação dos oceanos, perda de biodiversidade, aumento da emissão de gases de efeito estufa e eutrofização, que é o processo através do qual um corpo de água adquire níveis altos de nutrientes (fosfatos e nitratos), provocando o acúmulo de matéria orgânica em decomposição. O sucesso humano está ocorrendo paralelamente à 6ª extinção em massa das espécies e à aniquilação biológica.
Por conta disto, a Organização para a Alimentação e a Agricultura das Nações Unidas (FAO/ONU) fez um alerta sobre os perigos das alterações climáticas, que podem provocar a miséria de milhões de pessoas nas próximas décadas. O diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, afirmou que: “A menos que sejam tomadas medidas agora para tornar a agricultura mais sustentável, produtiva e resiliente, os impactos das alterações climáticas vão comprometer gravemente a produção alimentar em países e regiões que já enfrentam uma alta insegurança alimentar”.
Artigo de Samberg (18/10/2017) mostra que o número de pessoas passando fome ou subnutridas, que estava diminuindo bastante até 2015, voltou a subir em 2016, em função das mudanças climáticas e das guerras (como no Iraque, Iêmen, Somália, etc.). A guerra na Síria e a destruição de Porto Rico por um furacão são exemplos de fenômenos que influenciam no retorno da pobreza.
Ou seja, o passado foi bom para a média da população mundial. Mas o futuro pode não ser tão positivo para o bem-estar humano como foi, especialmente, o período entre 1970 e 2015. Se o rumo do desenvolvimento da economia internacional não for alterado, o colapso ambiental pode trazer grande sofrimento para a humanidade, reverter conquistas recentes e gerar um colapso civilizacional. (ecodebate)

A pirâmide global da desigualdade da riqueza 2017

A pirâmide global da riqueza sempre foi desigual, mas conseguiu apresentar uma desigualdade ainda maior nos últimos anos. O relatório sobre a riqueza global 2017, do banco Credit Suisse (The Credit Suisse Global Wealth Report 2017) renova o quadro amplo e esclarecedor da má distribuição da riqueza (patrimônio) das pessoas adultas do mundo. A riqueza global foi estimada em USD$ 280 trilhões em 2017 (meados do ano). Como havia 4,92 bilhões de pessoas adultas no mundo, a riqueza per capita por adultos foi de USD$ 56.540,00 (cinquenta e seis e quinhentos e quarenta mil dólares).
Na base da pirâmide estão as pessoas com a riqueza menor do que 10 mil dólares. Nesta imensa base havia 3,474 bilhões de adultos, em 2017, o que representava 70,1% do total de pessoas na maioridade no mundo. O montante de toda a “riqueza” deste enorme contingente foi de USD$ 7,6 trilhões, o que representava somente 2,7% da riqueza global de USD$ 280 trilhões. Ou seja, pouco mais de dois terços (2/3) dos adultos do mundo possuíam menos de 3% do patrimônio global da riqueza. A riqueza per capita deste grupo foi de USD$ 2.187,00
No grupo de riqueza entre USD$ 10.000,00 e USD$ 100.000,00 havia 1,054 bilhão de adultos, o que representava 21,3% do total de pessoas na maioridade no mundo. O montante de toda a riqueza deste contingente intermediário foi de USD$ 32,5 trilhões, o que representava 11,6% da riqueza global. Ou seja, cerca de um quinto (1/5) dos adultos do mundo possuíam 11,6% do patrimônio global da riqueza. A riqueza per capita deste grupo foi de USD$ 30,8 mil.
No grupo de riqueza entre USD$ 100.000,00 (cem mil dólares) e USD$ 1.000.000,00 (um milhão de dólares) havia 391 milhões de adultos, o que representava 7,9% do total de pessoas na maioridade no mundo. O montante de toda a riqueza deste contingente intermediário foi de USD$ 111,4 trilhões, o que representava 39,7% da riqueza global. Ou seja, menos de um décimo (1/10) dos adultos do mundo possuíam 39,7% do patrimônio global da riqueza. A riqueza per capita deste grupo foi de USD$ 285 mil.
Os milionários, aqueles com patrimônio acima de USD$ 1.000.000,00 (um milhão de dólares) eram somente 36 milhões de adultos, representando 0,6% do total de adultos do mundo, mas concentravam 45,9% da riqueza mundial, um montante de USD$ 128,7 trilhões. A riqueza per capita deste grupo foi de USD$ 3.575,00.
Chama a atenção na distribuição da riqueza que os 36 milhões de adultos do alto da pirâmide possuíam uma riqueza 17 vezes o patrimônio dos 3,47 bilhões de pessoas da base da pirâmide. A renda per capita dos adultos do topo estava 1.634 vezes maior do que a média dos adultos da base da pirâmide.
Nota-se que a desigualdade apresentada no relatório 2017 do Credit Suisse é maior do que a desigualdade apresentada no relatório de 2012, como pode ser verificado na figura abaixo.
Ainda de acordo com relatório Global Wealth Report 2017, a riqueza total dos brasileiros foi de USD$ 2,5 trilhões para 146 milhões de adultos, uma média de USD$ 13,532 por adultos. O 1% dos brasileiros do topo da pirâmide (227 mil adultos) acumula uma riqueza equivalente ao patrimônio de 44% dos brasileiros da base da pirâmide. Segundo a projeção do banco Credit Suisse, o número de milionários no Brasil poderá chegar a 296 mil até 2022, o que representaria uma alta de 81% ante os atuais 164 mil brasileiros com mais de US$ 1 milhão.
Não é surpresa que o mundo seja tão desigual e esteja ficando com uma desigualdade ainda maior. O Brasil é um dos países mais desiguais em um mundo tão desigual. Evidentemente, uma redução da alta concentração da riqueza poderia reduzir a pobreza e poderia também gerar recursos para a proteção do meio ambiente.
A riqueza global foi estimada em USD$ 223 trilhões em 2012 e em USD$ 280 trilhões em 2017, um crescimento de 26% em 5 anos. Ou seja, o mundo humano está ficando mais rico e mais desigual. Ao mesmo, tempo o meio ambiente está ficando cada vez mais pobre e degradado. Desta forma, não resta dúvidas de que o atual modelo de desenvolvimento é insustentável e que o século XXI poderá assistir a um “choque marxista” em decorrência das injustiças sociais e um “choque ambiental” devido à ultrapassagem da capacidade de carga do Planeta (Alves, 2015).
Fica a cada dia mais evidente que é impossível manter o crescimento da engrenagem insana de acumulação de capital que gera, ao mesmo tempo, riqueza (para poucos), pobreza relativa (para muitos) e, de forma ampla, geral e irrestrita, uma degradação dos ecossistemas e da biodiversidade. Sem justiça social e sem base ecológica não haverá como manter a estrutura piramidal da civilização antropocêntrica. (ecodebate)

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Ninguém está fazendo o suficiente para conter a crise climática

Análise de políticas climáticas mundiais mostra que países estão muito aquém das metas para frear aquecimento global.
No cenário climático global, que demanda uma mudança urgente de paradigma, uma avaliação “mediana” não pode ser considerada positiva. Ainda mais quando essa análise não leva em conta o efeito destrutivo de políticas atualmente em curso ou “em vias de”, num futuro bem próximo. No Brasil, o governo manteve a priorização aos combustíveis fósseis na matriz energética, com 70% dos recursos da próxima década destinados a carvão, petróleo e gás. Além disso, o presidente Michel Temer quer aprovar uma Medida Provisória que dará incentivos fiscais trilionários às empresas petrolíferas.
Representante de uma pequena ilha do Pacífico severamente ameaçada pelo aumento do nível do mar, o Primeiro Ministro da República de Fiji e Presidente da COP 23, Frank Bainimarama, afirmou na abertura da conferência que “todos estamos na mesma canoa.” Sua mensagem traz a ideia de que o problema do aquecimento global afeta democraticamente a todos e, portanto, também deve ser resolvido de forma global, com ações conjuntas e compromissos de todas as partes. No entanto, o Índice de Desempenho Climático 2018, apresentado dia 15/11/17 em Bonn, na Alemanha, dá mostras de que isso, na prática, não está ocorrendo.

Elaborado pelas organizações Germanwatch, New Climate Institute e Climate Action Network (CAN), o relatório analisou a performance das políticas climáticas da União Europeia e mais 56 países, que juntos respondem por mais de 90% das emissões mundiais de gases do efeito estufa. O resultado aponta que “nenhum país está fazendo o suficiente para prevenir as perigosas alterações no clima.” Por esse motivo, ninguém ocupou as posições um a três no ranking.
Dentre os países latinos, apenas Brasil, México e Argentina foram analisados. Estes ficaram, respectivamente, na 19ª, 27ª e 46ª colocações. Brasil e México foram avaliados como medianos e Argentina como “muito abaixo” das metas. Suécia, Marrocos, Lituânia, Noruega e Reino Unido lideram a lista; Estados Unidos se encontra em queda livre, ocupando a 56a posição, somente acima de Austrália, Coreia do Sul, Irã e Arábia Saudita.
Dois anos depois de concordar em limitar o aquecimento global abaixo de 2°C, com esforços para chegar a 1,5°C, ainda vemos uma enorme lacuna entre a ambição das metas de redução dos gases de efeito estufa dos países e seu progresso em relação a uma real implementação do Acordo de Paris nas legislações nacionais”, atesta o relatório.
Mas nem só de negatividade se faz o documento. Segundo a análise, “existem sinais encorajadores de que uma transição energética global está em andamento.” Os números mostram que os investimentos em energias renováveis continuam a dominar os novos investimentos no sistema energético em todo o mundo. Além disso, em 2014, 2015 e 2016 as emissões globais de carbono no setor de energia não cresceram, o que não acontecia desde a revolução industrial, em anos sem uma grande crise econômica.
América Latina de mal a pior
Análise de políticas climáticas mundiais mostra que países estão muito aquém das metas para frear o aquecimento global.
Os incentivos do governo brasileiro à indústria fóssil revelam uma postura totalmente favorável às energias sujas e ao retrocesso. Para cumprir com as metas de combate ao aquecimento global, o Brasil precisa deixar todas as reservas de petróleo e gás no chão e redirecionar os recursos públicos e privados para iniciativas de energias renováveis, justas e livres”, defendeu Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora de 350.org Brasil e América Latina.
Seguindo no mesmo sentido, o governo de Maurício Macri, na Argentina, pretende aprofundar o modelo de energia baseado em fontes sujas, principalmente hidrocarbonetos não convencionais, como o gás de xisto, que trazem um alto custo ambiental e social. “A Argentina tem avanços positivos com relação às energias renováveis, como a Lei de Regime Nacional de Geração Distribuída de Energias Renováveis, que está em tramitação no Senado. Mas ao mesmo tempo pretende aprofundar o modelo de extração de hidrocarbonetos através da técnica poluente do fracking, como é o caso da região de Vaca Muerta”, afirmou Juan Pablo Olsson, coordenador de campanhas climáticas da 350.org Argentina e colaborador do relatório.
No México, o governo de Enrique Peña Nieto também avança com o aprofundamento do modelo extrativista, promovendo a mega mineração e a extração de hidrocarbonetos não convencionais. De acordo com informações atualizadas, 3.780 poços já foram perfurados através do método do fracking, enquanto ativistas, pesquisadores e organizações ambientais alertam sobre os danos ambientais e sociais desse tipo de exploração. (ecodebate)

Mudanças climáticas na floração e frutificação afetam a abundância de aves

Mudanças influenciadas pelo clima na floração e frutificação também afetam a abundância de aves.“Você é o que você come” pode dar lugar a “você é quando você come”, com base em um novo estudo que rastreia mudanças na abundância, criação e muda de aves havaianas com base nos impactos das mudanças climáticas na vegetação nativa.
As mudanças no ciclo de vida, como a reprodução e a muda, juntamente com a abundância geral de espécies, se deslocaram em aves nativas havaianas, como as “i’iwi”, para coincidir com as alterações das mudanças climáticas na vegetação nativa.
Pesquisadores da Estação de Pesquisa do Pacífico do Pacífico do Serviço Florestal dos EUA revisaram recentemente o clima, vegetação e dados de aves coletados entre 1976 e 1982 em um local de monitoramento de 16 hectares a cerca de 8 quilômetros do Parque Nacional dos Vulcões de Hawai, na Ilha de Hawai. Seus resultados, “Bottom-up processes influence the demography and life-cycle phenology of Hawaiian bird communities,”, foram publicados na edição deste mês de Ecology e tem implicações para a futura estabilidade da população de pássaros nos futuros climas projetados.
“A susceptibilidade de muitas aves havaianas a mudanças induzidas pelo clima em sua rede alimentar é alarmante, ao considerar que o arquipélago tem estado sujeito a um clima cada vez mais seco durante os últimos 30 anos”, disse Jared Wolfe, pesquisador e autor principal do estudo.

Wolfe, juntamente com os colaboradores C. John Ralph e Andrew Wiegardt, descobriram que três aves nativas que normalmente se alimentam de néctar – ‘i’iwi,’apapane e Hawai’i’ amakihi – todos cronometraram sua época de reprodução com a disponibilidade de uma flor de lehua, que por sua vez coincidiu com períodos de chuvas mais pesadas. Correlações semelhantes foram encontradas em espécies selecionadas de aves nativas e não-nativas, com base em suas respectivas fontes de frutas ou frutos e o tempo de muda, um período de tributação de energia quando as aves substituem suas penas. A abundância e escassez de espécies de aves também refletia regularmente a disponibilidade de suas fontes de alimento.
"Nossos resultados sugerem que as mudanças no clima podem transformar em cascata a cadeia alimentar e afetar fortemente a vida selvagem em níveis mais altos na cadeia”, disse Wolfe.
O isolamento relativo, em que os ecossistemas havaianos desenvolveram, tornou-se uma paisagem ideal para estudar a interação entre aves e plantas nativas, evitando outros fatores ou influências que poderiam ocultar os efeitos climáticos nas populações continentais. A inclusão de espécies de aves não nativas no estudo também ajudou a confirmar que os padrões detectados foram independentemente da história evolutiva.
“Esses tipos de estudos são raros porque dependem de dados de longo prazo e trabalhos de campo intensivos em mão-de-obra”, disse Ralph, um ornitólogo de pesquisa emérito na Estação de Pesquisa do Pacífico Sudoeste. “Mas os resultados de estudos de longo prazo, como este, são criticamente importantes porque fornecem informações sobre como as mudanças no clima podem afetar os organismos de maneiras aparentemente indiretas”. (ecodebate)

domingo, 19 de novembro de 2017

30% de toda a comida produzida no mundo para no lixo

FAO alerta que 30% de toda a comida produzida no mundo vai parar no lixo.

Em seminário online promovido em 13/11/17, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Brasil alertou que, anualmente, 1,3 bilhão de toneladas de comida é desperdiçada ou se perde ao longo das cadeias produtivas de alimentos.
Desperdício de alimentos preocupa a FAO e o governo brasileiro.
Volume representa 30% de toda a comida produzida por ano no planeta.
De acordo com Juliana Dei Svaldi Rossetto, responsável pelo tema junto à FAO no Brasil, a Agenda 2030 da ONU conta com um item específico para enfrentar o problema. A meta nº 3 do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nº 12 prevê a redução pela metade do desperdício per capita mundial até 2030, bem como diminuições das perdas nos sistemas de produção e abastecimento, incluindo no momento pós-colheita.
Segundo o organismo internacional, o desperdício responde por 46% da quantidade de comida que vai parar no lixo. Já as perdas — que ocorrem sobretudo nas fases de produção, armazenamento e transporte — correspondem a 54% do total.
No Brasil, a FAO apoiou, a partir de setembro de 2016, a criação do Comitê Técnico da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (CAISAN). O objetivo do organismo foi desenvolver uma estratégia comum para enfrentar o problema, além de estabelecer diretrizes gerais para mensurar os desperdícios e perdas no país. A agência da ONU também apoiou a elaboração de um diagnóstico nacional sobre a questão.
Também participando do seminário, Kathleen Sousa Oliveira Machado, coordenadora-geral de Equipamentos Públicos de Segurança Alimentar e Nutricional, do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), lembrou que o Comitê Técnico do Brasil conseguiu unir para o debate governo, sociedade civil e o setor produtivo.
“Reunir os três setores discutindo e propondo soluções foi um grande avanço. Agora, a gente espera ter essa estratégia aprovada em novembro pela CAISAN para poder divulgar à população como o Estado brasileiro está atuando e pretende atuar para conseguir atingir o ODS 12”, destacou.
Sobre a atividade promovida pela FAO, a gestora acrescentou que foi importante ouvir as experiências de outros países, que podem inspirar iniciativas brasileiras.

“A partir disso, vamos reunir os especialistas brasileiros para começar a pensar uma proposta e apoiar o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na quantificação das perdas e desperdício de alimentos no país. Primeiro temos que saber o quanto é perdido e desperdiçado para depois conseguirmos dizer se nós alcançaremos esse objetivo até 2030”, salientou. (ecodebate)

Estimativa da população do Paquistão: 1950-2100

Estimativa da população do Paquistão e cenários de projeção: 1950-2100
O Paquistão fazia parte da Índia até 1947. Ambos foram completamente dominados pela Inglaterra entre 1858 e 1947. A ideia da criação de um Estado que unificasse politicamente todos os muçulmanos da região foi lançada por Mohammad Iqbal, presidente da Liga Muçulmana, que a partir de 1934 passou a ser dirigida por Mohammed Ali Jinnah (1876-1948), considerado o criador do país. O Paquistão comemora a data de sua independência no dia 14 de agosto, um dia antes da Índia.

O nome Paquistão surgiu em 1933 e a independência ocorreu com a descolonização da Índia. O Paquistão foi criado com base nas províncias de maioria muçulmana. O Paquistão Ocidental e a Bengala Oriental, que fez a sua independência do Paquistão em 1971, passando a se chamar Bangladesh.
O Paquistão tinha uma população de 37,5 milhões de habitantes em 1950 e passou para 197 milhões de pessoas em 2017, segundo dados da Divisão de População da ONU. O Paquistão é o sexto país mais populoso do mundo e deve passar para o quinto lugar ainda na atual década, ultrapassando o Brasil. Na projeção média da ONU, a população do Paquistão vai atingir 352 bilhões de habitantes em 2100.
Mas como o futuro é incerto, ONU trabalha com outras duas projeções. Na projeção alta o Paquistão atingiria 528 milhões de habitantes em 2100 e na projeção baixa atingiria 223 bilhões de habitantes no final do século XXI.
As diferentes projeções se devem fundamentalmente às diferentes hipóteses sobre o comportamento das taxas de fecundidade. O gráfico abaixo mostra que a taxa de fecundidade total (TFT) no Paquistão era muito alta (quase 7 filhos por mulher) e só ficou abaixo de 5 filhos nos anos 2000, quando a transição para baixos níveis começou a ocorrer. No quinquênio 2015-20 a TFT paquistanesa está em 3,4 filhos por mulher. Na projeção média, a TFT do Paquistão só deve ficar abaixo do nível de reposição a partir de 2060, devendo ficar em torno de 1,85 filhos por mulher nas últimas décadas do atual século. Se a TFT ficar meio filho (0,5) acima da média a população irá para 558 milhões de habitantes em 2100 e se ficar meio filho abaixo da média, a população será de 223 milhões de habitantes em 2100. Ou seja, pequenas variações na taxa de fecundidade podem significar uma diferença de mais de 300 milhões de habitantes até o final do século (muito mais do que um Brasil).
Os gráficos abaixo mostram a distribuição por sexo e idade da população paquistanesa para alguns anos selecionados. Nota-se as pirâmides de 1950 e 2017 tinham uma estrutura jovem, com cada novo grupo etário com volume maior do que o precedente. Isto ocorre devido às altas taxas de fecundidade do século passado. Somente na pirâmide de 2050 haverá o início da redução do grupo mais jovem.

Na pirâmide de 2100 (de acordo com a projeção média) a distribuição etária vai mudar, refletindo o contínuo processo de envelhecimento populacional. Ou seja, a transição demográfica do Paquistão vai se desenvolver no século XXI e o país terá uma quantidade de jovens muito grande nas próximas décadas.
Para aproveitar esta janela de oportunidade e garantir a melhoria da qualidade de vida da população, o país deveria investir pesadamente em educação, saúde e, principalmente, na geração de emprego para se atingir a plena ocupação e o trabalho decente. Porém, o desempenho econômico e social do Paquistão é sofrível e o país ainda enfrenta muitas disputas com a Índia. Os altos gastos militares reduzem o orçamento para os investimentos sociais. As disputas religiosas e de facções políticas também atrasam os avanços no bem-estar.
No mês de agosto de 2017 foram divulgados os dados do censo demográfico do Paquistão. A população total do Paquistão atingiu 207,7 milhões de habitantes (maior do que a previsão da ONU). Em 1998, a população total do Paquistão era de 130 milhões. Nos últimos 19 anos, a taxa média anual de crescimento da população foi de 2,4%. Sucessivos Governos repetiram que a taxa de crescimento da população caiu para 1,8% aa, e isso foi visto como um grande sucesso. Mas os resultados do censo mostraram que o ritmo de crescimento demográfico continua elevado.

Segundo o jornal The Print, “Estudos demonstraram que há uma alta demanda por serviços de planejamento familiar, mas muitas vezes eles não alcançam as pessoas. Os clérigos também estão divididos sobre a questão do planejamento familiar e alguns argumentam que é contra os ensinamentos do Islã. Isso é problemático porque os países de maioria muçulmana, como o Irã e Bangladesh, promoveram campanhas de planejamento familiar, muitas vezes com a ajuda de clérigos. Mas os objetivos do Paquistão para reduzir a taxa de natalidade não foram alcançados apesar dos compromissos políticos”.
Para agravar a situação, o Paquistão que é um dos países mais pobres da Ásia tem sérios problemas na área ambiental. O país já sofre com a desertificação e a crise hídrica, enquanto o déficit ambiental cresce de forma alarmante. Dados da Footprint Network, mostram que a biocapacidade total do Paquistão era de 21,4 milhões de hectares globais (gha) em 1961 e a pegada ecológica total era de 23,5 milhões de gha na mesma data. O déficit ambiental era bastante pequeno. Mas em 2013 a biocapacidade total passou para 63,2 milhões de gha e a pegada ecológica para 132 milhões de gha. Portanto, o Paquistão, mesmo sendo um país pobre e de baixo nível de consumo, tem um déficit ambiental de mais de 100%.
Além da falta de recursos e da desigualdade social, um fator que pode comprometer o futuro da população são as consequências do aquecimento global. O Paquistão depende das águas provenientes das geleiras do Himalaia, que são responsáveis por 75% a 80% dos recursos hídricos do país. O derretimento das geleiras é a fonte principal da rede de irrigação no Paquistão, que alimenta 90% das terras agrícolas. Uma alteração no fluxo da água terá graves consequências para a produção agrícola paquistanesa. Além disto, a China tem construído represas e diminuído a disponibilidade de água para o Paquistão e a Índia.
O desenvolvimento sustentável do Paquistão não será alcançado facilmente, pois haverá dificuldade para alimentar e melhorar o padrão de vida da população que tinha um Índice de Desenvolvimento Humano de 0,55 em 2015 (147º lugar no ranking), menor do que o IDH da Índia, de 0,624 (131º lugar no ranking).

Tudo isto dificulta a saída da armadilha da pobreza. Os conflitos internos e a violência são outros elementos que dificultam a melhoria das condições de vida da população. Somente com o esforço interno e a cooperação internacional as condições atuais do país poderão ser revertidas. (ecodebate)