terça-feira, 29 de junho de 2010

Mudança climática nos oceanos pode ser desastrosa

Efeitos das Mudanças Climáticas nos oceanos podem ter impactos desastrosos.
A primeira síntese abrangente sobre os efeitos das mudanças climáticas sobre os oceanos do planeta demonstra um ritmo de mudanças sem equivalente por milhões de anos. Em um artigo [The Impact of Climate Change on the World’s Marine Ecosystems] publicado na revista Science, os cientistas revelam que as crescentes concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa, produzidas pelo homem, provocam alterações irreversíveis e dramáticas no funcionamento do oceano, com impactos potencialmente desastrosos para centenas de milhões de pessoas em todo o planeta. As conclusões do relatório “The Impact of Climate Change on the World’s Marine Ecosystems” surgiu a partir de uma síntese das pesquisas mais recentes sobre os oceanos do mundo, realizada por dois dos principais cientistas marinhos do mundo, um da Universidade de Queensland, na Austrália e outro da Universidade de North Carolina em Chapel Hill, nos EUA. Professor Ove Hoegh-Guldberg, principal autor do relatório e Diretor do Global Change Institute, da Universidade de Queensland, diz que os resultados têm implicações enormes para a humanidade, sobretudo se a tendência continuar. Ele disse que o oceano da Terra, que produz a metade do oxigênio que respiramos e absorve 30% das emissões de CO2 geradas pelo homem, é equivalente ao seu coração e pulmões. “Muito claramente, a Terra não pode ficar sem o mar. Este estudo mostra, contudo, sinais preocupantes com a sua saúde. É como se a Terra fumasse dois maços de cigarros por dia!” Ele disse, ainda, que: “Estamos entrando em um período em que os serviços do oceano, dos quais muito depende a humanidade, está passando por grandes mudanças e, em alguns casos, começando a falhar. A degradação continuará a criar enormes desafios e custos para as sociedades em todo o mundo.” Ele alertou que poderemos ver, em breve, “repentinas e inesperadas mudanças, que têm graves consequências para o bem-estar dos seres humanos”, incluindo a capacidade do planeta em termos de suporte de vida. “Esta é mais uma prova que estamos no caminho para o próximo grande evento de extinção”. As “fundamentais e abrangentes” mudanças para a vida marinha, identificadas no relatório, incluem rápido aquecimento e acidificação dos oceanos, mudanças na circulação da água e a expansão de zonas mortas nas profundezas do oceano. Tais mudanças causam alterações importantes nos ecossistemas marinhos: menos abundantes recifes de coral, ervas marinhas e mangues (viveiros de peixes importantes); redução do número de peixes pequenos, com uma quebra de cadeias alimentares, alterações na distribuição da vida marinha e mais frequentes doenças e pragas entre organismos marinhos. Coautor do relatório, Dr. John F. Bruno, professor adjunto na Universidade da Carolina do Norte, diz que as emissões de gases com efeito de estufa estão modificando muitos aspectos físicos e geoquímicos dos oceanos do planeta, de maneira “sem precedentes em quase um milhão de anos. Isso está causando mudanças fundamentais e abrangentes para a forma como os ecossistemas marinhos funcionam”. “Estamos cada vez mais certos de que os ecossistemas marinhos do mundo estão se aproximando de um ponto sem retorno, com resultados potenciais dos quais não temos qualquer poder ou modelo para prever.” Os autores concluem: “Esses desafios ressaltam a urgência com que os líderes mundiais devem tomar medidas para limitar o crescimento adicional de gases de efeito estufa e, consequentemente, reduzir o risco de ocorrência desses eventos. Ignorar a ciência não é uma opção.”Em seu estudo, os pesquisadores tentaram resolver uma lacuna em estudos anteriores, que, muitas vezes, ignoraram os efeitos das mudanças climáticas nos ecossistemas marinhos, devido ao fato de que elas são complexas e podem ser logisticamente difíceis de estudar. (EcoDebate)

São Paulo e às mudanças climáticas

INPE e Unicamp divulgam estudo sobre vulnerabilidades da região metropolitana de São Paulo às mudanças climáticas. Vulnerabilidades na mira Caso siga o padrão de expansão apresentado na última década, a mancha urbana da Região Metropolitana de São Paulo terá o dobro do tamanho em 2030, com aumento dos riscos de enchentes e deslizamentos. A maior parte da expansão urbana deverá ocorrer exatamente nas áreas mais vulneráveis às consequências das mudanças climáticas e a maior parte dos impactos será sofrida pelos mais pobres. Essas são algumas das conclusões do relatório Vulnerabilidade das Megacidades Brasileiras às Mudanças Climáticas: Região Metropolitana de São Paulo, apresentado em 15/06/2010 na capital paulista em um debate promovido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pelo jornal Folha de S. Paulo. O estudo, que faz projeções climáticas para os próximos 20 anos e cenários futuros entre 2070 e 2100, formou a primeira base para a produção de mapas qualitativos de riscos de deslizamentos, enchentes e riscos sobre a saúde na região, indicando espacialmente as vulnerabilidades frente aos efeitos do aquecimento global. Os dados do relatório mostram que uma elevação média na temperatura da região metropolitana de 2 ºC a 3 ºC poderá dobrar o número de dias com chuvas intensas na capital paulista. Segundo a projeção, o número de dias e noites quentes deverá aumentar, com diminuição no número de dias e noites frios. Mais de 20% da área total da expansão urbana da região metropolitana estará vulnerável em 2030. Cerca de 11% das novas ocupações poderão ser feitas em áreas de risco de deslizamento. Participou do estudo pesquisadores do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) do INPE, do Núcleo de Estudos de População (Nepo) da Unicamp, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT) e da Universidade Estadual Paulista (UNESP). O relatório foi apresentado por Carlos Afonso Nobre, pesquisador do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do INPE, que participou, em seguida, de debate sobre o estudo com o vereador Gilberto Natalini, o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, Eduardo Jorge, e o ex-secretário executivo do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas e Biodiversidade, Fábio Feldmann. De acordo com Nobre, o estudo é o primeiro resultado de uma linha de projetos interdisciplinares que tem apoio do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), do qual é coordenador, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) para Mudanças Climáticas e da Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede-Clima). O estudo seguiu um formato inovador. Depois de uma primeira consulta com especialistas e gestores sobre o conceito de vulnerabilidade, foram realizados em 2009 dois painéis que reuniram equipe técnica, gestores e especialistas do Brasil e do exterior para discutir as vulnerabilidades das duas principais megacidades brasileiras – São Paulo e Rio de Janeiro – às mudanças climáticas globais. O painel paulista foi realizado na FAPESP. “A cidade de São Paulo já está apresentando mudanças climáticas gigantescas nos últimos 50 anos. Além dos impactos da mudança climática global, a cidade também tem uma modificação suplementar”, disse Nobre. Medições no bairro da Saúde, por exemplo, mostraram aumento de 2,1 ºC desde a década de 1930. As chuvas aumentaram em mais de 20%, chegando a 295 milímetros, e a diminuição da umidade relativa do ar chegou a 7%. O fenômeno das ilhas de calor também foi marcante na capital paulista: foram registradas diferenças de até 7 ºC entre áreas do centro e da periferia. “Se em 1930 as chuvas muito intensas, de 50 milímetros, eram eventos que ocorriam anualmente, agora elas acontecem quatro vezes por ano em média”, disse Nobre. Para construir os cenários, os pesquisadores aplicaram um modelo de projeção de mancha urbana associado ao modelo conhecido como Hand, que permitiu identificar as possíveis áreas que teriam ocupação urbana no futuro e qual o risco potencial, caso o padrão de uso e ocupação do solo atual se perpetue sem nenhuma alteração e controle. “A vulnerabilidade tem três componentes principais: chuva, declividade e uso do solo. Se uma região de média declividade for coberta por vegetação, o risco é pequeno. Mas se essa mesma região é ocupada por uma favela, ou um lixão, com drenagem muito precária, o risco pode ser altíssimo”, disse Nobre. Segundo o relatório, hoje cerca de 30% da população da região metropolitana de São Paulo, ou aproximadamente 2,7 milhões de pessoas, vivem em comunidades, cortiços e habitações precárias, muitas vezes ilegais. Concentrações significativas de áreas de risco de escorregamentos estão presentes na Zona Sul da capital paulista (Jabaquara, Cidade Ademar, Pedreira, Cidade Dutra, Jardim Ângela, Capão Redondo e Campo Limpo). Nessa região, estão concentradas mais de 50% das favelas em São Paulo. Nas demais regiões, as áreas de risco localizam-se na Zona Oeste (Butantã e Jaguaré), na Zona Norte (Perus, Pirituba, Jaraguá, Brasilândia, Freguesia do Ó e Tremembé) e na Zona Leste (Sapopemba, São Mateus, Aricanduva, Vila Formosa, Vila Prudente e Itaquera). Não repetir erros O estudo dividiu as vulnerabilidades em diversas categorias, definindo os principais cenários de risco, como enchentes e inundações, enxurradas com alto potencial de arraste, alagamentos em diferentes pontos, lixo lançado nos cursos d’água, escorregamentos de massa em encostas e eventos pluviométricos mais severos. O trabalho avaliou também os diversos impactos das mudanças climáticas sobre a saúde humana. “Os impactos das enchentes e inundações, por exemplo, deverão atingir habitações, atividades industriais, comerciais e o sistema de transporte urbano e rodoviário, com contribuição da expansão das vias em áreas de várzea para atender ao crescimento da demanda de tráfego”, disse Nobre. Os impactos sobre a saúde incluem aumento de incidência de alergias – como rinite e asma – e da intensidade e duração dos sintomas por causa da poluição atmosférica. “Utilizando modelos com dois parâmetros – poluição e temperatura –, observou-se que esses fatores explicam 80% dos casos dos picos de internações por doenças das vias respiratórias inferiores”, afirmou. Segundo Nobre, embora não tenha sido seu objetivo principal, o relatório também aponta medidas de adaptação que as cidades da região metropolitana terão que buscar. “Uma das recomendações mais importantes é não repetir os erros do passado quanto aos padrões de expansão urbana”, disse Nobre. De acordo com o estudo, será preciso aumentar os investimentos em pesquisas voltadas para modelagem do clima, assim como na elaboração de modelos hidrológicos que permitam ações preventivas. Haverá ainda necessidade de investir em transportes coletivos e de criar áreas de proteção ambiental nas áreas de várzeas de rios. Segundo Natalini, a votação da Lei de Mudanças Climáticas de São Paulo demonstra que a Câmara Municipal da cidade está empenhada em discutir o tema e em contribuir para as adaptações necessárias na cidade. “O problema é muito grave e o desafio de São Paulo é imenso, porque a cidade, em geral, não teve qualquer planejamento durante sua fase de maior expansão”, disse. Jorge afirmou que, embora o tema das mudanças climáticas venha sendo mais comentado atualmente, é necessário agora encarar o tema das adaptações. “A cidade de São Paulo está descobrindo que essa não é apenas uma questão ambiental, mas também econômica e social. Estamos começando a perceber agora que as mudanças climáticas precisam ser tratadas como um tema transversal, em todas as esferas de governo, e horizontal, em todas as secretarias”, disse. Feldmann destacou a qualidade científica do trabalho e a capacidade de articulação institucional demonstrada na realização do estudo. “Um dos principais méritos do estudo é sinalizar para o cidadão com a noção de que ele é um protagonista do processo. A emissão de gases de efeito estufa, por exemplo, depende do seu comportamento”, afirmou. * O sumário executivo do estudo Vulnerabilidades das Megacidades Brasileiras às Mudanças Climáticas: Região Metropolitana de São Paulo pode ser lido em: www.inpe.br/noticias/arquivos/pdf/megacidades.pdf (EcoDebate)

domingo, 27 de junho de 2010

Compreendendo o ‘Efeito Estufa’

O Efeito Estufa é a forma que a Terra tem para manter sua temperatura constante. A vida na terra é possível graças ao efeito estufa. A atmosfera é altamente transparente à luz solar, porém cerca de 35% da radiação que recebemos vai ser refletida de novo para o espaço, ficando os outros 65% retidos na Terra. O efeito estufa acontece quando a retenção de calor ultrapassa os 65%, pois os gases de efeito estufa impedem a reflexão dos 35%. Isto ocorre principalmente devido ao efeito sobre os raios infravermelhos dos gases como o dióxido de carbono, metano, óxidos de azoto e ozônio presentes na atmosfera (totalizando menos de 1% da composição da atmosfera). A física contribui explicando que as radiações eletromagnéticas (REM) que ingressam na atmosfera tem pequeno comprimento de onda e alta frequência, enquanto que as radiações que devem deixar a atmosfera teriam baixa frequência e alto comprimento de onda e por isso tem dificuldade de atravessar as nuvens formadas pelos gases de efeito estufa. Os gases vão reter esta radiação na Terra, fazendo com que ocorra o efeito calorífico dos mesmos, que é um efeito adicional de calor desnecessário para a vida na terra e causa transtornos. Nos últimos anos, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera tem aumentado cerca de 0,4% anualmente; este aumento se deve à utilização de petróleo, gás e carvão e à destruição das florestas tropicais. A concentração de outros gases que contribuem para o efeito estufa, tais como o metano e os clorofluorcarbonetos também aumentaram rapidamente. O efeito conjunto de tais substâncias pode vir a causar um aumento da temperatura que é estimado pelos cientistas do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change da ONU) entre 2 e 6 ºC nos próximos 100 anos. Um aquecimento desta ordem de grandeza não só irá alterar os climas em nível mundial como também irá aumentar o nível médio das águas do mar em, pelo menos, 30 cm, o que poderá interferir na vida de milhões de pessoas habitando as áreas costeiras mais baixas. Se a terra não fosse coberta por um manto de ar, a atmosfera seria demasiado fria para a vida. As condições seriam hostis à vida, a qual de tão frágil que é, bastaria uma pequena diferença nas condições iniciais da sua formação, para que nós não pudessemos estar aqui, discutindo o assunto. O efeito estufa consiste, basicamente, na ação do dióxido de carbono e outros gases sobre os raios infravermelhos refletidos pela superfície da terra, que remetem estes raios de volta para a terra, mantendo assim uma temperatura estável no planeta. Ao irradiarem a Terra parte dos raios luminosos oriundos do Sol são absorvidos e transformados em calor, outros são refletidos para o espaço. Quando este fenômeno é maior que o necessário, o excesso de calor causa o aquecimento global. Independentemente da linha de raciocínio que se esteja adotando, parece inegável que estes fenômenos de natureza antrópica e conhecidos como poluição contribuam para o aquecimento da terra, além de eventuais alterações ainda não mensuradas de fatores geológicos. É apenas um problema de proporção da contribuição. Poucos raios retornados para o espaço sideral chegam a deixar a Terra, em consequência da ação refletora que os chamados “Gases de Efeito Estufa” (dióxido de carbono, metano, clorofluorcarbonetos- CFCs- e óxidos de azoto) têm sobre tal radiação.A camada de gases de efeito estufa envia novamente esta radiação para a superfície terrestre na forma de raios infravermelhos, que causam o excesso de aquecimento, alterando os climas na superfície do planeta terra, com os efeitos que todos nós estamos vivenciando. (Ecodebate)

Efeito estufa e as mudanças climáticas

Efeito estufa e mudanças climáticas: alterações no planeta e redução de emissões de GEE. Este será o primeiro de uma série de artigos que abordarão efeito estufa, mudanças climáticas e inventário de gases de efeito estufa (gee). A estrutura desse primeiro artigo é predominantemente científica, para esclarecer conceitos e dar base aos demais. O calor necessário para a conservação da temperatura da Terra e manutenção da vida é mantido devido ao Efeito Estufa. Esse fenômeno ocorre naturalmente pela presença do vapor d’água e dos gases como dióxido de carbono, metano, óxido nitroso, CFCs, dentre outros, na atmosfera. Os raios solares incidem sobre a superfície terrestre e são refletidos de volta para o espaço. Ao passarem por esses gases, os raios infravermelhos são absorvidos e refletidos novamente para o planeta, fazendo com que o calor da atmosfera seja absorvido pelos oceanos e superfície terrestre. Dessa forma, quanto mais quente a atmosfera, maior é a temperatura global. As consequências do aumento da temperatura na Terra não são totalmente conhecidas. Alguns dos efeitos já estão acontecendo, como as mudanças nos ciclos de chuva, que alteram as vegetações locais e a agricultura; alteração das correntes marítimas, influenciando o clima no continente, a pesca e a navegação; aumento da velocidade de degelo das geleiras e calotas polares, e consequente aumento do volume dos oceanos; e crescimento de áreas desérticas. O cuidado que devemos ter é de não responsabilizar as mudanças climáticas por todas as catástrofes que se tem sucedido. Erupções vulcânicas, terremotos e tsunamis são fenômenos naturais do planeta, que ocorrem devido às movimentações de acomodação das placas tectônicas. Esses fenômenos físicos não são influenciados pelo efeito estufa ou pelo clima da Terra. Durante cerca de dez mil anos antes da Revolução Industrial, a concentração de gás carbônico permaneceu constante na atmosfera. Depois do século XVIII e, principalmente, a partir de 1850, quando a população urbana ultrapassou a rural, a ação antrópica aumentou a quantidade de emissão de gases de efeito estufa. O crescente uso de combustíveis fósseis como carvão, gás natural e, principalmente, petróleo; o desmatamento e as queimadas de florestas; a poluição dos solos e das águas fizeram aumentar a concentração de dióxido de carbono, ampliando a ação do efeito estufa. Muitas foram as tentativas de conscientizar as nações através de reuniões, encontros e conferências internacionais, porém a preocupação com o meio ambiente era tida como luxo frente à necessidade do desenvolvimento industrial e econômico. Durante a Assembléia Geral da ONU, em 1988, foi criado o Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima (IPCC). Essa organização foi instituída com o intuito de fornecer aos países informações científicas sobre o que está acontecendo com o clima do mundo e é a base de dados usada mundialmente até os dias atuais. No entanto, foi na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), mais conhecida como Rio-92 ou ECO-92, que um grande avanço foi dado: 155 países assinaram a Convenção das Nações Unidas se comprometendo a fazerem inventários nacionais das emissões de gases de efeito estufa (GEE), estabelecer metas e programas nacionais de mitigação. Em 1995, em Berlim, durante a COP-1 (Conferência das Partes da Convenção – Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima), foram firmadas as negociações sobre a implantação da Convenção, determinando que as atividades firmadas anteriormente fossem de forma voluntária e conjunta entre os países desenvolvidos. Somente na COP-3, em Kyoto, dois anos depois, os países desenvolvidos assinaram um Protocolo se comprometendo a reduzir as emissões de GEE em 5,2% até 2012, o qual entraria em vigor após 55% dos países terem ratificado o documento. Nas COPs subsequentes não houve ação de caráter significativo, resultando inclusive em negociações frustradas. A ratificação do Protocolo de Kyoto só entrou em vigor em 2005, e, a partir de então, as discussões foram direcionadas para o que virá depois de 2012. Periodicamente o Brasil, país signatário da Convenção, apresenta o seu inventário nacional e, além disso, contribui de forma voluntária na redução de suas emissões. Por meio de ações iniciais como uso do álcool combustível e geração de energia por hidrelétricas, o país impulsionou a pesquisa de fontes de energia alternativas menos poluentes, mais sustentáveis e limpas. Segundo dados da publicação Contribuição do Brasil para Evitar a Mudança do Clima, atualmente, a matriz energética do país é constituída por 40% de fontes renováveis e 30% do consumo doméstico provém de derivados de produtos de biomassa. Para promover o desenvolvimento de energia limpa e outras medidas para diminuição das emissões de GEE, o governo federal e outras instituições vêm disponibilizando fundos de financiamento. No âmbito federal, temos o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com o Programa de Desenvolvimento Limpo; a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), que possui o Programa de Apoio a Projetos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (Pró-MDL); e a Caixa Econômica Federal, que disponibiliza uma linha de crédito para financiamentos de projetos de MDL em áreas específicas. No Estado de São Paulo foi lançada recentemente a Linha Economia Verde pela Nossa Caixa Desenvolvimento, para estimular pequenas e médias empresas a cumprirem as metas da Política Estadual de Mudanças Climáticas (PECM), Lei 13.798/2009. (EcoDebate)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Eletrodomésticos gastarão menos energia

Eletrodomésticos terão de gastar menos energia. Inmetro reavalia eficiência energética e promete puxar régua 'para cima'; apenas 36% das geladeiras cumprem novas regras. Os eletrodomésticos vendidos no Brasil deverão seguir normas mais rigorosas de economia de energia a partir do ano que vem. O Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) informou ao Estado que está revisando os padrões de eficiência energética dos eletrodomésticos brasileiros. Para ostentar o selo A, que indica um eletrodoméstico mais eficiente, geladeiras, fogões e máquinas de lavar roupa deverão consumir menos energia. Atualmente os produtos são classificados em cinco classes de consumo, do A (mais eficiente) ao E (menos eficiente). Do total de geladeiras fabricadas no País, 90,5% são classificados dentro do padrão A. Entre as lavadoras de roupa, 98,7% são classificadas entre as mais eficientes em consumo de eletricidade e, no caso dos fogões, 69,4% estão entre os mais econômicos. Com a nova proposta elaborada pelo Inmetro, que deve entrar em vigor em 2011, apenas 5% dos fogões, 36,1% das geladeiras e 37,3% das máquinas de lavar roupa poderão ostentar o selo A. De acordo com Marcos Borges, coordenador do programa de etiquetagem do Inmetro, a revisão é necessária para fazer com que o consumidor tenha acesso a equipamentos cada vez mais eficientes. "Hoje há um acúmulo de produtos classificados nas faixas A e B de economia de energia. Isso é bom para o consumidor, mas é preciso fazer com que a indústria desses equipamentos não se acomode aos padrões atuais", explica Borges. O Inmetro avalia também outros aspectos dos eletrodomésticos, como gasto de água, no caso das lavadoras, e eficiência dos queimadores dos fogões, o que impacta no consumo de gás. Outra proposta do Inmetro é unificar as informações sobre eficiência energética nos fogões: hoje há duas avaliações, uma para os queimadores do fogão e outra para o forno. "Para facilitar a vida do consumidor, queremos concentrar a informação em um só selo." Corrida tecnológica. De acordo com Borges, a mudança na classificação, que será apresentada às indústrias de eletrodomésticos, deverá estimular uma corrida tecnológica entre os fabricantes para atender aos padrões de menor consumo de energia. Os fabricantes deverão avaliar a viabilidade das mudanças. Se tudo correr conforme o cronograma planejado pelo Inmetro, os novos eletrodomésticos, mais eficientes, chegarão às lojas no segundo semestre de 2011. "Com a nova classificação, a régua vai subir. Teremos critérios mais rígidos de economia de energia do que europeus e americanos", diz o coordenador do Inmetro. Nos Estados Unidos, o governo tem o selo Energy Star, que abrange mais de 50 categorias de produtos, de geladeiras a computadores. No Brasil, o selo de eficiência energética foi lançado em 1994, dentro do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), do governo federal. Desde então, os fabricantes de eletrodomésticos buscam aprimorar sua tecnologia para classificar seus produtos na faixa mais eficiente. "Uma geladeira fabricada hoje consome em média 60% menos energia do que há dez anos", diz Vanderlei Niehues, diretor de sustentabilidade e regulamentações da fabricante de eletrodomésticos Whirlpool, dona das marcas Consul e Brastemp. Os consumidores também já se acostumaram a observar o selo nos equipamentos, especialmente após a isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que os equipamentos receberam no ano passado, durante a crise econômica. Segundo pesquisa encomendada pelo Inmetro à Associação Cândido Mendes de Ensino e Pesquisa, 78% dos consumidores levam o selo de economia de energia em conta na tomada de decisão de compra, e 40% acham a certificação importante a ponto de optarem por comprar um produto com selo Procel, ainda que de marca desconhecida, e aceitariam pagar 10% mais caro pelo produto com selo. Foram ouvidos 2.015 consumidores, em dez Estados brasileiros. Imposto "verde". A proposta de reclassificação dos eletrodomésticos de acordo com a eficiência energética deverá ainda dar subsídios ao governo para uma futura redução do IPI dos eletrodomésticos, no segundo semestre. Segundo Borges, do Inmetro, a proposta será apresentada em uma reunião entre Inmetro, a indústria de eletrodomésticos e o Ministério da Fazenda em agosto. Deverá servir para embasar novas alíquotas de "IPI verde", com base na economia de energia dos equipamentos. (OESP)

Procel e os eletrodomésticos eficientes

Selo Procel indica eletrodomésticos mais eficientes.
Com a intenção de auxiliar o consumidor na hora da compra, o governo criou o selo Procel, que é dado apenas aos eletrodomésticos que passam no teste de consumo controlado de energia Criado em 1993 para indicar ao consumidor os produtos que apresentam os melhores níveis de eficiência energética, o selo Procel é uma ótima bússola na hora da compra. Funciona da seguinte forma: o consumo de energia de eletrodomésticos como geladeiras, freezers, lavadoras, aparelhos de ar condicionado e TVs é medido por centros de pesquisas do governo. Os mais competentes ganham o carimbo. Como resultado dessa política, as grandes marcas investiram na melhoria de seus aparelhos, o que em longo prazo ajudará a reduzir o desperdício.
Leds reduzem o consumo do refrigerador Top Mount, da LG. Entre os lançamentos, há boas notícias. É o caso do refrigerador Top Mount, da LG. Ele conta com um sistema de iluminação por led, que gasta menos energia e tem vida útil maior do que as lâmpadas comuns.
A lava-louças Ecosensor (GE) reutiliza água sempre que possível A economia de água, com mecanismos mais inteligentes de detecção de sujeira e reúso dos próprios ciclos, é uma das apostas dos fabricantes de lavadoras. Na lava-louça Ecosensor, da GE, um sensor infravermelho percebe o grau de transparência da água e, com base nessa análise, define se poderá ou não reutilizá-la. Indica também o tempo, a quantidade de líquido e a temperatura ideais para a lavagem. Novidade da Consul (Whirlpool), a lavadora de roupas Floral inaugura uma função que permite reaproveitar a água para outros lotes de roupas, proporcionando uma economia de até 50% desse recurso.
Da Consul, a lavadora de roupas Floral tem ciclos que reaproveitam água e sabão (planetasustentavel)

Selos de Eficiência Energética

Os produtos etiquetados que apresentam o melhor desempenho energético em sua categoria poderão também receber um selo de eficiência energética. Isto significa que estes produtos foram premiados como os melhores em termos de consumo específico de energia e faz a distinção dos mesmos para o consumidor. Para os equipamentos elétricos domésticos etiquetados é concedido anualmente o Selo Procel. Para aparelhos domésticos a gás é concedido o Selo Conpet.
Selo Procel de Eficiência Energética O Selo Procel de Economia de Energia ou simplesmente Selo Procel, instituído por meio de Decreto Presidencial de 08 de dezembro de 1993, é um produto desenvolvido e concedido pelo Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica - Procel, que tem na Centrais Elétricas Brasileiras S.A - Eletrobrás sua secretaria executiva. O Selo Procel tem por objetivo orientar o consumidor no ato da compra, indicando os produtos que apresentam os melhores níveis de eficiência energética dentro de cada categoria. Também objetiva estimular a fabricação e a comercialização de produtos mais eficientes, contribuindo para o desenvolvimento tecnológico e a redução de impactos ambientais.
Para mais informações sobre o Selo Procel, bem como as tabelas completas dos equipamentos contempladas com o Selo, acesse www.eletrobras.com/procel Selo Conpet de eficiência energética O Selo Conpet tem como objetivo incentivar fabricantes e importadores de equipamentos domésticos de consumo de gás, o desafio de comercialização de produtos cada vez mais eficientes. O selo, de fácil visualização nos equipamentos, auxilia o consumidor na escolha, informando a eficiência energética do produto. O Selo Conpet de eficiência energética (ou simplesmente Selo Conpet), em vigor desde agosto de 2005, é destinado aos equipamentos domésticos de consumo de gás, que alcançaram os menores índices de consumo de combustível. (Inmetro)

Kit geladeira reduz consumo de energia

"Kit geladeira" pode reduzir o consumo de energia residencial.
Uma simples geladeira é responsável por cerca de 30% dos gastos mensais das famílias brasileiras com energia elétrica. Mas uma solução doméstica foi pensada na Universidade para diminuir este custo. A dissertação de mestrado de Mirko Chávez Gutiérrez, apresentada recentemente à Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), levou ao desenvolvimento de um dispositivo para a condensação evaporativa em refrigeradores domésticos, uma vez que estes dissipam o calor para o ar do ambiente. O resultado dos testes mostrou que foi possível economizar a energia elétrica residencial. O trabalho de Gutiérrez sugere para isso o uso de um “kit geladeira” que permite funcionar de forma muito similar ao industrial. Os condensadores evaporativos são apenas utilizados atualmente em sistemas de refrigeração de maior porte, como por exemplo, em câmaras frigoríficas. Esse kit é composto basicamente de um reservatório, de uma pequena bomba hidráulica e de um tubo de PVC, para circulação e distribuição de água. “O reservatório precisa se encaixar à recepção da água que está caindo, a fim de que possa ser bombeada novamente”, acentua o professor Vivaldo Silveira Júnior, orientador da pesquisa de mestrado. Ele considera que, se o dispositivo for levado à escala comercial, poderá se tornar mais adaptável e ganhar um design arrojado que acomodará melhor o sistema externo, embora já hoje, a partir desta pesquisa, possa ser aplicado a qualquer refrigerador, mesmo os mais antigos. Dependendo do interesse das empresas montadoras, o kit será facilmente implementado a um baixo custo e com a eficiência que o Brasil requer, opina Silveira Júnior. Com os dados obtidos nesta pesquisa, garante, a economia no consumo global de energia elétrica residencial chegaria a um patamar de 5%. “O resultado seria mais encorajador do que o obtido no horário de verão, que ficou entre 3% e 4%”, relembra. Gutiérrez, que é engenheiro de alimentos graduado pela Universidade Católica de Arequipa, Peru, buscou em seu projeto inspiração na geladeira, isso porque ela é utilizada por 96% das famílias brasileiras e é uma das vilãs no consumo de energia elétrica (o chuveiro ainda figura como o primeiro colocado). Segundo o pesquisador, existem no Brasil poucas iniciativas efetivas que visem à economia energética nestes equipamentos. O condensador evaporativo, ao contrário, provou ser uma estratégia viável, pois a tecnologia já era empregada com sucesso na indústria, ainda que sem aplicações domésticas. Na prática, esse condensador promove a transferência de calor para a água de resfriamento. A sua função é transferir calor do gás circulando por dentro dos tubos do sistema de refrigeração para a água, que os molham no lado externo. “Quisemos, portanto, aliar esta necessidade a uma tecnologia que possui uma aplicação industrial já atestada”, destaca o engenheiro de alimentos. Ele trabalhou adaptando uma tecnologia de porte industrial, traduzindo-a para uso doméstico, no caso as geladeiras. A solução foi possível nos testes, e os experimentos se embasaram em normas brasileiras. “Escolhemos a geladeira antiga porque é certo que o seu consumo será maior. Foi uma forma de testar o experimento na pior situação”, conta, mas reconhece que, quanto mais passa o tempo, as montadoras têm melhorado o sistema de refrigeração e de isolamento dos novos refrigeradores. “O nosso trabalho inclusive ajudaria muito esse processo”, sinaliza Gutiérrez. Ainda durante os testes, utilizaram-se diferentes condições de temperatura de ensaios para todas as regiões do país. Foram feitos experimentos em temperaturas ambientais baixas, como acontece no Sul (17 e 18ºC), e em temperaturas altas (32ºC), como no Nordeste. O equipamento mostrou-se eficientemente, de acordo com o pesquisador, em todos os arranjos de temperaturas. Essa técnica adaptada deve “cair nas graças” da indústria, na avaliação do pesquisador, justamente por este favorecimento da água em promover a troca térmica neste local, onde de fato precisa haver dissipação de calor para adequar o ciclo termodinâmico da geladeira. Para facilitar a sua dissipação, a água é circulada sobre o condensador. Ela evapora e troca calor mais facilmente neste local. Este favorecimento do sistema de refrigeração da geladeira como um todo mantém internamente sua operação normal e com melhor eficiência durante a troca térmica. “Conseguimos inovar em termos de aplicação. Falta agora buscar uma parceria com alguma empresa que se interesse pela proposta, como as grandes fabricantes de refrigeradores. Seria uma contribuição para a eficiência energética, já que no momento precisamos encontrar meios de economizar energia e realizar o mesmo trabalho. A isso chamo eficiência energética”, diz Silveira Júnior. Eficiência – Ainda que esse dispositivo tenha um custo, ele foi concebido para atender a uma demanda social. “Não queríamos que o custo fosse elevado. O investimento inicial no kit é de apenas R$ 40,00 aproximadamente, por equipamento. Considerando que é uma tecnologia inovadora e de fácil aplicação, nota-se que ela tem tudo para impactar positivamente a comunidade em geral com o apelo de conseguir uma melhora do desempenho energético e de gerar uma poupança em famílias de qualquer parte do Brasil.” Agora a ideia do engenheiro de alimentos é combinar outros benefícios com este dispositivo em refrigeradores. “O sistema oscila menos e o compressor enfrenta menor tempo de parada e de partida. Além disso, mesmo do ponto de vista dos alimentos e de sua conservação, ele é desejável para manter uma temperatura mais uniforme dentro do gabinete da geladeira”, comenta Gutiérrez. Pelo fato de ter uma temperatura com menores oscilações, os alimentos na geladeira alcançam um maior tempo de conservação. Quanto à melhora de desempenho do sistema de refrigeração, foram efetuados cálculos para entender o que significam esses 15% que, à primeira vista, não dão a sua dimensão exata. Contudo, levando em conta um custo de tarifa de R$ 0,331/kWh, que normalmente é a tarifa praticada pelas concessionárias de energia, ele representaria uma economia financeira mensal de R$23,44, segundo testes comparativos desenvolvidos na FEA com um refrigerador com e sem o dispositivo proposto. “É uma economia considerável para uma conta residencial. Trata-se de um serviço de utilidade pública e uma forma de economizar energia de maneira eficiente”, expõe o pesquisador. Soma-se a isso a vantagem de o sistema trabalhar sem exigir grandes modificações no seu funcionamento. Segundo o autor da pesquisa, o governo brasileiro não tem sido omisso em buscar maneiras de melhorar a eficiência energética, contudo suas estratégias atuais baseiam-se na troca de refrigeradores. “As concessionárias trocam os refrigeradores mais antigos, devido ao seu maior consumo em relação aos atuais. Esta estratégia é apenas uma substituição”, afirma. “Se alcançarmos a massificação do dispositivo estudado, será uma estratégia mais agressiva do que apenas substituir um equipamento por outro, sendo que este procedimento pode representar novos problemas ambientais. A nossa contribuição poderia ser maior neste caso.” Equipamentos eficientes, alimentos mais conservados - O Departamento de Engenharia de Alimentos (DEA) da FEA tem demonstrado, ao longo dos anos, preocupação com os processos de conservação de alimentos e também com os equipamentos responsáveis para que isso aconteça. No caso do presente estudo, Gutiérrez trabalhou inicialmente com os equipamentos de refrigeração em prol do produto, que é a conservação dos alimentos, e que, por sua vez, chega aos gastos de energia, podendo gerar um custo menor para o produto conservado. O DEA tem, assim, duas óticas: a de olhar pelo lado do produto e a de olhar pelos equipamentos. Ele ainda produz pesquisas sobre os princípios de funcionamento dos equipamentos e os processos de conservação ou secagem de produtos para esta maior conservação. Enfatiza igualmente o desenvolvimento dos secadores ou processos de extração de essências. “São várias linhas que se dedicam aos fenômenos que acontecem, interpretando-os e otimizando as suas condições de processo”, expõe Silveira Júnior que, além de responsável pelo Laboratório, é diretor-associado da FEA. (ambienteenergia.com.br)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Estação de tratamento de água

Esquema de uma estação de tratamento de água. As questões do meio ambiente no Brasil foram introduzidas através dos conceitos do saneamento básico. O saneamento básico engloba a idéia de tratar a água que será fornecida para consumo das populações, coleta e tratamento dos esgotos produzidos, um sistema de gestão dos resíduos sólidos urbanos e por fim um sistema eficiente de drenagem pluvial. Inicialmente devem ser concebidas e projetadas as questões de reservação e distribuição das águas para consumo humano. Posteriormente as questões de instalação das captações de água, que geralmente são em rios ou através de poços tubulares profundos de grande capacidade que podem extrair grandes quantidades de água dos lençóis subterrâneos de aqüíferos primários (em arenitos ou conglomerados). O tratamento da água para consumo humano começa nas operações de coagulação e floculação. O processo de coagulação é realizado por meio da adição de cloreto férrico e cal e tem a função de transformar todas as impurezas da água que se encontram em suspensão fina no estado coloidal. São adicionados no canal de entrada da ETA a solução de cal e o cloreto férrico, que é um sal de ferro. Em seguida a água é encaminhada para o tanque de homogeneização para que o coagulante e o cal se misturem uniformemente no líquido, agindo assim de uma forma homogênea e efetiva. Na floculação, a água é submetida à agitação mecânica para possibilitar que os flocos se agreguem com os sólidos em suspensão, permitindo assim uma decantação mais rápida. O tratamento continua nos tanques ou piscinas de decantação, onde a água permanece por um tempo mínimo que permita a decantação do material particulado sólido e dos floculados que se encontram suspensos na água. Para quem conviveu com aqueles antigos filtros de barro, que tinham um equipamento interno chamado “vela” que se enchia de barro ou lodo e precisava lavar de vez em quando, é este o procedimento que um bom tempo de permanência nos tanques ou piscinas produz. A seguir, ocorre o processo de filtração que é a retenção de partículas sólidas por meio de membranas ou leitos porosos. As Estações de Tratamento de Água (ETAs) utilizam filtros de carvão ativado, areia e cascalho. Por último, antes da distribuição da água para consumo, ocorrem os processos de cloração e fluoretação. A cloração consiste na desinfecção das águas através da utilização de cloro gasoso (ETAs) ou hipoclorito de sódio (no caso de poços tubulares profundos onde ocorre a captação de águas subterrâneas, armazenadas em rochas, sejam aquíferos primários ou aquíferos secundários). A fluoretação é realizada visando proporcionar uma medida auxiliar na prevenção da cárie. Nas ETAs e nos poços artesianos é utilizado o fluor sob a forma de ácido fluorsilícico. As dosagens de cloro e fluor utilizados para o tratamento da água seguem as normas convencionais dos padrões recomendados para a potabilidade das águas. Um grande problema que está enterrado e permanece pouco visível para os olhos da população são as perdas. Canos furados, imperfeições nos sistemas de distribuição de água potável, emendas de canos defeituosos e outros problemas fazem com que a perda estimada nas águas já tratadas se situe entre 30% e 40% na maioria das referências bibliográficas sobre o assunto. (EcoDebate)

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Água, uma riqueza limitada

“Apenas quando o homem matar o último peixe, poluir o último rio e derrubar a última árvore irá compreender que não poderá comer o dinheiro que ganhou”. (Autor desconhecido) A empresa que tem cuidado com o meio ambiente natural, onde a água é vital, agrega valor ao seu produto. Vivemos uma época em que já se qualificam as empresas, como células sociais que são, em face do comportamento das mesmas perante o ecológico, ou seja, já se distingue as que cuidam da natureza daquelas que a poluem com resíduos ou destroem com esgotamentos, não se importando com a degradação do meio ambienta natural, pensando exclusivamente em lucratividade. O consumidor consciente tenderá sempre mais a adquirir produtos da célula social que se preocupa com um desenvolvimento sustentável. Há uma conscientização em marcha, a nível mundial, da necessidade da preservação ambiental natural, e, nesta, com destaque a relativa à água potável. Algumas empresas têm a água como elemento essencial na fabricação de seus produtos e de sua economicidade e mais que outras possuem graves responsabilidades para com a preservação de mananciais e reservas do precioso líquido. A sustentação de setores da economia, a da perpetuação das espécies e do homem, depende da conservação da água natural. De uns tempos para cá, todavia, o que se vê é uma crescente poluição dos riachos, rios, lagos e mares, quando os recursos hídricos: 1 – Exalam cheiro forte, provocado por substâncias químicas. 2 – Apresentam cor escura ou evidências residuais estranhas ao natural. 3 – Possuem gosto diferente em virtude das substâncias tóxicas que alteram sua característica natural. As substâncias que se integram na água, degradando-lhe as qualidades naturais, chamaram de agentes poluentes, tais como os defluentes de: 1 – Esgotos das cidades eliminados em riachos, rios, lagos e mares. 2 – Óleo e lixo lançados no mar. 3 – Detritos domésticos escoados em riachos, rios, lagos e mares. 4 – Lixo industrial escoado em riachos, rios, lagos e mares. 5 – Venenos de várias espécies utilizados, sem critério, nas lavouras e horticulturas. Dentre esses, tem havido uma crescente preocupação da comunidade com a poluição da água por venenos usados na lavoura e horticultura, porque são agentes poluentes que se misturam na água e vão causar problemas de saúde ao homem, animais e plantas. Essas ações relativas ao uso de venenos e fertilizantes, aos desmatamentos, efluentes industriais, esgotos domésticos, exigem atuações que amenizem ou compensem tais desastres. Por ser um fator fundamental da vida no planeta a ONU em 22 de março de 1992 redigiu a Declaração Universal dos Direitos da Água. “DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA ÁGUA”. O texto merece profunda reflexão por todos os amigos e defensores do Planeta Terra, em todos os dias. 1 – A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão, é plenamente responsável aos olhos de todos. 2 – A água é seiva de nosso planeta. Ela é condição essencial de vida de todo vegetal, animal ou ser humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. 3 – Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água devem ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia. 4 – O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam. 5 – A água não é somente herança de nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como a obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras. 6 – A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo. 7 – A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilidade deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis. 8 – A utilização da água implica em respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado. 9 – A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social. “10 – O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra”. Fonte: Organização das Nações Unidas (ONU). Há um limite da água potável no mundo. É necessário, pois, que tenhamos consciência sobre a necessidade da preservação da água. Só assim evitaremos graves problemas para as futuras gerações. Sem água o homem não pode viver e não há condições de vida no planeta. Ao se poluir um riacho este vai afluir a um rio e este ao mar e assim se cria uma cadeia de poluição. Ao se lançar veneno na terra, este poluirá a água tanto de superfície como subterrânea, além dos males provocados ao ar que respiramos. Em muitas regiões há sérios riscos de poluição da água subterrânea em virtude do excesso de veneno lançado nas lavouras. Pensamos nisso. (EcoDebate)

O ‘mercado’ da água no Brasil

A capitalização da Natureza: condição e contradição do racionalismo econômico. Uma aproximação sobre a questão ambiental, mais precisamente quanto a problemática dos recursos naturais, torna-se circunstancialmente crucial em face de crise financeira mundial como lados de uma mesma moeda; sobretudo com a procura da valoração desses recursos (renováveis e não-renováveis), sobremaneira quando se configura sua escassez como no caso dos recursos hídricos, com sua exploração sem critérios de sustentabilidade ou mesmo éticos. O fato da crise atual se originar em um dos grandes centros financeiros, um grande consumidor de recursos naturais, e acontecer em uma dimensão nunca antes vista, numa dinâmica extremamente rápida, também ocorre concomitantemente ao reconhecimento do drama pelos mais renomados cientistas e economistas defensores dos fundamentos tradicionais, então vemos colocados em xeque paradigmas estruturais da economia capitalista, e isso se tornou preocupante, tanto para os grandes investidores privados como para as instituições, órgãos governamentais, representantes da sociedade organizada, todos os agentes econômicos efetivamente envolvidos na questão ambiental, abrindo uma janela, em um momento histórico singular para o silogismo multi-inter-disciplinar na procura de novos paradigmas e resgate das utopias com alternativas e soluções duradouras para a manutenção equilibrada da vida, das relações econômicas sustentáveis e das culturas sócio-ambientais. O abalo sofrido pelo sistema financeiro mundial espraiou-se num choque sintomático avassalador, e repercutiu em impactos gradativamente abrangentes, com desemprego, quebra de grandes cadeias produtivas, com efeitos significativos no mercado real, o que diferencia a situação atual da crise de 1929, e outras do século passado; é que esta crise se configura em uma grande “dupla crise” do capitalismo na pós-modernidade, em face e alma, em seu processo histórico de conexão crescimento econômico e degradação ambiental objetivamente investido de ritmo potencializado e crescente, o “daemon ex machina”, o pródigo homem-prometeu buscando uma exploração além dos limites da natureza. Com a globalização tudo se interliga de forma integrativa em condições e ritmo inexoravelmente universal; o processo em curso supostamente impreciso descortinou-se no século XX cristalizando-se incontrolável perpetrando em grande escala a “entropização” do meio ambiente, numa contínua gula por recursos naturais sem respeitar fronteiras para atender os mercados de commodities; a subsunção de tudo e todos ao implacável racionalismo econômico subscrito no peso ideológico do arcabouço teórico neoclássico. Essa ideologia empurrou os Estados nacionais e seus governos, instituições oficiais e privadas de pesquisa, órgãos não governamentais e empresas transnacionais a avaliarem e colaborarem entre si através de um processo de discussão global em projetos e ações em resposta das grandes questões ambientais diretamente relacionadas com a escassez dos recursos naturais; considerando os motivos ético-ambientais e interesse valorativo dos bens da natureza vimos nas últimas três décadas do século XX a disseminação e o fortalecimento da ideologia do desenvolvimento sustentável. Seguindo a lógica da sustentabilidade se construiu um conceito no qual as diferenças se homogeneizaram, sobretudo devido às pressões das necessidades de respostas aos impactos sócio-ambientais de regiões com atividades econômicas prioritárias na hierarquia da cadeia produtiva voltadas ao mercado exportador em detrimento do mercado interno, da agroindústria com graves problemas de escassez e baixa qualidade dos seus recursos hídricos, forçando a criação de espaços de convergência nas dissensões para o conhecimento do mundo, em uma intervenção concreta através de políticas públicas ambientais com efeitos global e regional em projetos de médio e longo prazos. A geopolítica do capital globalizado imprimiu novas combinações e arranjos de intenções das atividades produtivas e de transformação racionalista da natureza; em seu processo de “entropização” inelutável suscitou durante décadas uma rica discussão, mesmo repleta de dissensões, sobre problemas recorrentes que antes não eram apontados com rigor ou eram relegados ao segundo plano, ignorado na sua real importância por quase todos os países, a sustentabilidade ou equilíbrio ecológico. Com o surgimento de grandes alterações climáticas e a escassez de alimentos abriu-se em largura e profundidade a “caixa de pandora” da questão ambiental, expondo a retórica do discurso do desenvolvimento sustentável – “as leis clarividentes do mercado” não se encarregam de “ajustar os desequilíbrios ecológicos e as diferenças sociais, a equidade e a sustentabilidade” – a crise ambiental é mais um efeito da acumulação de capital, ainda que haja a “outorga de direitos de propriedade (privada) e a atribuição de valores (de mercado) aos bens comuns”.1 Esse momento traz um novo significado para os interesses das existências e dos saberes no mundo, a dos capitais e da vida imersos na “entropização” da natureza, um fato que propõe a urgência do resgate das utopias e o despertar da busca de novos paradigmas e alternativas que se contraponham aos processos produtivos que se apropriam da natureza, causadores dos impactos sócio-ambientais, que potencializam a escassez dos recursos naturais em ritmo acelerado e induzem a degradação dos ecossistemas. A busca de nichos para investimentos proveitosos pelos capitais transnacionais que procuraram escapulir da crise financeira definindo suas prioridades de lucro, já denota interesses específicos pelos recursos ambientais aonde estes são abundantes, que ofereçam segurança e permanência de retornos num horizonte de longo prazo, que tragam a satisfação dos seus interesses de retornos lucrativos, sobretudo, que estejam fora da malfadada área de abrangência dos mercados de valores fictícios (ativos podres, derivativos), bastante abalados em seus fundamentos teóricos, mas, resiliente não têm fronteiras em sua amplitude sistêmica de apropriação dos recursos naturais. Os recursos hídricos, que há algum tempo, já faz parte da agenda dos governos e das políticas ambientais, enquanto bem econômico, além de um direito fundamental humano, um bem de uso comum, no Fórum Mundial da Água realizado em Istambul foi conceituado como uma necessidade humana – há quem diga que “temos direitos que não funcionam” sabemos, mas esse ponto de vista parece apontar a necessidade humana com significado conceitual mais acima de um direito; o recurso ambiental está no centro das discussões, mais ainda neste momento quando a leitura da sua escassez está relacionada ao econômico, e é de certa forma generalizada. As questões sobre dominialidade e valoração dos recursos hídricos exigiram a tutela por parte do Estado, o que se configurou como essencial para a metodologia erigida sob o arcabouço teórico neoclássico de “criação” do mercado da água. A definição de instrumentos de precificação e de gestão dos recursos hídricos passou a sustentar-se sobre as bases teóricas da econômica tradicional, e a sua modelagem como sistema a partir da caracterização dos tipos de uso, consumo, captação, poluição e definição dos agentes econômicos existentes, objetivando cada vez mais uma gestão eficiente da estrutura e dos recursos, das formas de uso a partir da valoração econômica, para que se estabeleça um “ótimo” do valor e do emprego dos recursos hídricos, objetivando a preservação das bacias como “mercado” e sua relação com seu entorno. O quadro que se firma atualmente torna-se cada vez mais favorável à consolidação do processo de precificação, ainda que efetivamente, a água, não se enquadre exatamente nos padrões tradicionais conhecidos dos princípios do livre mercado. A apropriação dos recursos naturais, a capitalização da natureza se mantém na mira da racionalidade econômica como premissa da sua própria continuidade exploratória, como condição e contradição de uma máquina sem freios em movimento. A busca de mercados rentáveis e seguros em horizonte de médio-longo prazos despertam o interesse dos investidores especulativos, em tempos de crise, farinha e pirão ainda é para poucos, e o que não parece óbvio, fica patente aos olhos dos “capitais à deriva” numa crise que se espraia dentro do sistema e no meio ambiente; assim, partem em busca de um outro tesouro, do prêmio material no fim do arco-íris, os recursos hídricos, ou melhor, o bem ambiental valioso por sua essencialidade, vital e escasso: a água. Nos países em que os recursos ambientais são abundantes naturalmente, como no caso da América Latina, e, particularmente do Brasil, verificou-se nas duas últimas décadas a necessidade de esforços na regulamentação das atividades econômicas exploratórias do meio ambiente e dos recursos hídricos, através da criação de leis, da implementação de mecanismos de comando/controle, da criação das agências reguladoras e aportes significativos de capital em investimentos necessários, embora ainda não suficientes, para a criação de condições de formação do mercado da água. Os olhos dos cifrões estão abertos e voltados para o ensaio do mercado da água brasileiro, um bem que por sua escassez (em quantidade, disposição geográfica e qualidade) na maioria dos paises sofre uma degradação fenomenal, em conseqüência do modelo de desenvolvimento e consumo excessivo adotados com a extração descontrolada dos recursos naturais, utilizados sob uma racionalidade econômica individualista, inadequadamente na maioria dos casos, até sua completa exaustão em determinadas regiões. Destarte, justamente esse tipo de mercado parece contrariar os pressupostos teóricos neoclássicos, mesmo o Estado proporcionando legal e financeiramente as condições, estruturas e regulamentos para o seu funcionamento, seja como gestor de políticas públicas na implantação dos projetos e tecnologias no setor, seja através de outorgas (concessões, permissões etc), na escolha de delegatários (parceiros e usuários, representantes da comunidade das bacias), um “Parlamento das Águas”. Embora isso, os conflitos sócio-ambientais se apresentam como o prenúncio de um longo, previsível e contínuo desequilíbrio de forças. Se responsabilizar e imputar os custos ambientais, tornou-se uma busca obrigatoriamente permanente de definição dos agentes principais de uma crise anunciada. Entretanto, o preço, que no livre mercado, se constitui como o termômetro das preferências dos consumidores, e o fator importante na equação da valoração econômica, como fruto de uma “escolha racional”, pilar teórico das utilidades2 individuais, no caso da água, se constitui mais uma variável “imputada” no modelo, que se intenta internalizar assim como os espinhos conceituais das externalidades3; no entanto, é necessário reforçar através de técnicas de precificação baseadas nos fundamentos econômicos neoclássicos que analisam os preços das demais mercadorias. Mas, de fato, reconhecendo-se a falta anterior de qualquer experiência de um mercado da água. A valoração do bem ambiental se coloca sob a ordem do “equilíbrio” dos fatores de produção e do principio da escassez, indo construir uma racionalidade econômica que revela, o princípio, “da desnaturalização da natureza e a mesma insustentabilidade do processo de produção” 4 semelhante ao de qualquer outra mercadoria. “Está fora do interesse dos investidores assumir diretamente a responsabilidade por entregar a água e taxar o consumidor final. Isso porque, em geral, os governos subsidiam as tarifas, já que a água é um bem vital. ‘O governo precisa da água, então pagará qualquer valor para quem a tornar disponível’, avalia Tara5. ‘Porém, a água em si continuará sob controle do governo. Então, o preço da água em si não é o melhor investimento’. O Estado ao criar as agências de água balizadas em regras pré-estabelecidas dos critérios da economia de mercado, tem buscado há mais de uma década (Política de Meio Ambiente e Política dos Recursos Hídricos) a obtenção de resultados que assegurem seu papel na estruturação da racionalização do uso dos recursos hídricos, em um mercado singular, de evidente assimetria entre a letra da lei e a sua aplicação num mundo representado por conflitos e degradação dos recursos ambientais. Até então, as Agências de Água não tem demonstrado a eficiência esperada na consecução de seus objetivos, apresentam-se deficitárias, e diante da necessidade de vultosos investimentos e tecnologias para a gestão das estruturas montadas, cumpre experienciar efetivamente o acompanhamento e controle dos conflitos sócio-ambientais entre os diferentes interesses de usuários e os múltiplos usos dos recursos hídricos. “As novas tecnologias devem oferecer ainda bons ganhos para tecnologia que ajudem a reduzir o consumo excessivo de algumas áreas da economia. É o caso da agricultura, o campeão setorial, que usa grandes volumes para irrigação. Um exemplo ilustra o desafio: para a produção de um bife de um quilo de carne bovina são necessários 16.000 litros de água, segundo dados do Instituto para Educação sobre a Água, da UNESCO” 6. Ressaltamos, nesse caso, corre-se o grande risco desse empenho social e das políticas públicas (o Estado) caírem na desmoralização ou em grande perda dos frutos do enorme esforço empregado no processo de criação do mercado da água, sabidamente sobre fundamentos e estratégias fatais, representados por uma possível corrupção dos princípios originais ou mesmo com a captura de toda uma estrutura por parte do lobby “privatista” dos grandes capitais transnacionais, sobretudo, porque todo o modelo está sustentado na confiabilidade dos conhecidos fundamentos das leis econômicas do mercado de produtos e serviços. Reconhece-se que o momento é bastante propício para os capitais se voltarem para o mercado da água, afinal, ao se criar artificialmente a experiência de um “mercado singular”, isto é, nem privado nem público, por um lado, sob a égide das leis do livre mercado e tutelado pelo Estado, leis específicas que visão dar credibilidade e segurança ao seu funcionamento, por outro, a instalação desse laboratório, ensaia um mercado “misto” do ponto de vista dos paradigmas tradicionais; legalmente operacional ele deve girar sobre os princípios do desenvolvimento econômico sustentado7, reforçado pelo intermédio da representação democrática dos agentes econômicos, atores locais nos comitês8 e nas agências reguladoras. A diferença é, ainda que possa se verificar por algum tempo essa configuração institucional e comercial adotada, alentada em seus objetivos ético-sócio-ambientais, ainda assim, os interesses do mercado privado são os dígitos concretos de retorno representados pela margem de lucro; agora, os recursos hídricos são transacionados através de preços públicos pautando-se sobre princípios constitucionais da função social da propriedade privada e da atividade econômica, contudo, esperamos primar pelas gerações futuras e pelo meio ambiente, o que será contraditório se seguir a notória lógica capitalista com o relaxamento ao inevitável “toque de Midas” privatista. No caminho de suas contradições, o sistema econômico se distancia da integração com o sistema ambiental exigindo esforços intangíveis de governos, instituições, comunidades, cientistas e dos próprios agentes econômicos co-responsáveis, para os constrangimentos de compensar os prejuízos ambientais internalizando as externalidades negativas, inerentes a uma sociedade pautada na superexploração, no consumo abusivo e degradação indiscriminada dos recursos naturais. O ensejo do drama ambiental suscita a praxis histórica, tanto por parte dos representantes políticos como da academia, na perspectiva de uma exegese epistemológica e crítica dos paradigmas econômicos tradicionais, que respaldem instrumentos referenciais de políticas públicas e de projetos privados exequíveis quanto eficazes que atendam ao interesse social na preservação do meio ambiente. A utilização consciente e racional dos recursos naturais em sintonia com a proposição de integração analítica transdisciplinar reclama por uma ação sistêmica de transformação sustentada, sobretudo voltada para o tripé ético-sócio-ambiental intergeracional. 1LEFF, Enrique. Racionalidade Ambiental. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006, p.139. 2“Do lado do consumo, as hipóteses-padrão sobre as funções de utilidade supõem uma equivalência geral de todos os bens: não importa qual a variação de quantidade sobre um bem; ela pode ser compensada, do ponto de vista do bem-estar, por uma variação apropriada da quantidade de um outro bem. A aplicação de um tal quadro às decisões sobre o meio ambiente conduz a procurar o nível de consumo suplementar de produtos de consumo que poderiam compensar uma degradação do meio ambiente: uma água de mar poluída, mas mais piscinas; um ar menos respirável, mas mais automóveis… Esta lógica procura maximizar as compensações comerciais para uma destruição do meio ambiente, e não assegurar que o modo de desenvolvimento se inscreva prudentemente na biosfera, o que muitos crêem ser a essência do desenvolvimento sustentável”. (TOLMASQUIM, op. cit.,1994). 3“[...] a internalização dos valores ambientais, definidos nos termos neoclássicos (TEVs), não é o suficiente para definir-se um estado “sustentável” (nesse sentido relativo à perpetuação da humanidade). E, mais especificamente, isto porque as chamadas preferências individuais, base de tais valores ambientais, não representam um critério adequado para captar economicamente os atributos dos recursos ambientais e os direitos das gerações futuras”. NOBRE, Marcos; AMAZONAS, Maurício de Carvalho (orgs.). Desenvolvimento Sustentável: a institucionalização de um conceito. Brasília: IBAMA, 2002. p.127. 4LEFF, Enrique. Op. cit., p.171. 5Kimberly Tara, da empresa que gerencia investimentos FourWinds Capital Management. 6Ciência e Saúde, Planeta. Investidores já estão de olho no mercado da água. Veja On-line. 19 de março de 2008. http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia-saude/investidores-ja-estao-olho-mercado-agua-333262.shtml 7“A economia do desenvolvimento sustentado funciona dentro de um jogo de poder que outorga legitimidade à ficção do mercado, conservando os pilares da racionalidade do lucro e do poder de apropriação da natureza fundado na propriedade privada do conhecimento científico-tecnológico”. LEFF, E. Racionalidade Ambiental. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006, p.145. 8O Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica é um Colegiado de entidades representativas dos diferentes segmentos da sociedade e dos órgãos do Governo, criado com base nas Leis Estaduais e nas Constituições do Estados e da República Federativa do Brasil. (EcoDebate) Bactéria ‘Bacillus subtilis’ ajuda a remover gás carbônico da atmosfera Na presença de gás carbônico e ureia, bactéria Bacillus subtilis desenvolve biofilmes selantes e depósitos sólidos de carbonato sobre rocha. Com o mundo ainda fortemente dependente de combustíveis fósseis para abastecer suas necessidades energéticas, uma área de pesquisa que tem recebido bastante atenção é a de técnicas de sequestro de carbono. Já existem métodos para capturar carbono e enterrá-lo sob a terra. Mas um dos grandes desafios é garantir que esse CO2 não escape para a atmosfera. Uma maneira de fazer isso é bombear o gás para dentro de uma camada de rocha permeável localizada sob uma camada de rocha impermeável. Outra técnica é bombear CO2 para dentro de rochas contendo água salobra, criando um reservatório subterrâneo de água carbonada. O gás carbônico capturado também pode reagir com minerais nas rochas, criando carbonatos, que seguram o CO2 em estado sólido. Agora Andrew Mitchell, da Universidade de Aberystwyth, no Reino Unido, e colegas na Universidade Estadual de Montana, em Bozeman, nos EUA, desenvolveram um método que pode tornar o armazenamento de gás carbônico mais seguro. A equipe criou uma câmara de teste desenhada para simular as condições de alta pressão existentes em um reservatório salino subterrâneo na bacia do rio Powder, no Estado de Wyoming, identificado como um potencial local para armazenamento de CO2. Em seguida, a equipe colocou a bactéria Bacillus subtilis na câmara salina, adicionou uma grande quantidade de gás carbônico e ureia para que as bactérias se alimentassem. Eles notaram que as bactérias formaram um biofilme sobre a superfície da câmara que funcionava como um isolante. Além disso, a medida que as bactérias devoravam ureia, elas aumentavam o pH da água salobra, facilitando a reação do CO2 com o cálcio das rochas, formando carbonato de cálcio sólido nas paredes do reservatório. A combinação de biofilme e depósito mineral reduziu a permeabilidade da rocha em 95%. E a mudança de pH também aumentou a capacidade de absorção de CO2, aumentando em 30% a capacidade que o reservatório pode armazenar. Se a ureia for obtida de estações de tratamento de água de esgoto, a redução de gás carbônico poderia ser ainda maior. Água de esgoto é essencialmente carbono, então seria uma maneira de eliminar parte desse carbono. Os experimentos, no entanto, foram realizados em pequena escala e precisam ser testados em ambientes muito maiores antes de seu uso comercial. (EcoDebate)

Mais petróleo e menos água

Mais petróleo e menos água: Shatt al Arab, vital rio do Iraque, está definhando.
Shatt al Arab com lixo e fétido em Basra. O Shatt al Arab, rio que corre desde o local bíblico conhecido como Jardim do Éden até o Golfo Pérsico, transformou-se num desastre econômico e ambiental que o novo governo democrático do Iraque é praticamente incapaz de resolver. Definhando por causa de décadas de mau gerenciamento da ditadura do país e depois pela negligência, por causa da seca e da sede dos vizinhos do Iraque, o rio formado pela convergência do Tigre e do Eufrates não tem mais força para evitar a entrada das águas do oceano. A água salgada do Golfo agora corre rio acima, para além da península de Faw. No ano passado, pela primeira vez na história, ela chegou até Basra, a maior cidade portuária do Iraque, e até Qurna, onde os dois rios se encontram. A água prejudicou a pesca em água doce, os rebanhos, plantações e os pomares de tâmaras já deram renome à região, obrigando dezenas de milhares de fazendeiros a migrarem.
Numa terra de sofrimento, resignação e fé profunda, o desastre ao longo do Shatt al Arab parece, para alguns, a obra de um poder maior. “Não podemos controlar o que Deus faz”, diz Rashid Thajil Mutashar, vice-diretor de recursos hídricos de Basra. Mas o ser humano teve seu papel no declínio do rio. A Turquia, a Síria e o Irã desviaram os afluentes que desembocam no Tigre e Eufrates e por fim no Shatt al Arab, deixando poucas alternativas às autoridades iraquianas a não ser pedir para que eles soltem mais água de suas modernas redes de represas. O problema ambiental se tornou particularmente agudo no ano passado quando o Irã cortou inteiramente a vazão do rio Karun, que se encontra com o Shatt no sul de Basra, durante dez meses. A vazão foi restabelecida depois das chuvas de inverno, mas a uma fração bem menor do que os níveis anteriores. Nos anos 80, o Irã e o Iraque lutaram pelo Shatt al Arab, que define a fronteira mais ao sul entre os dois países e ainda está repleto de cascos enferrujados de navios afundados durante a guerra entre os dois países. Agora, apesar da melhoria das relações depois da queda de Saddam Hussein, o rio voltou a ser uma fonte de tensão diplomática. “A água é de Deus”, disse Mohammed Sadoon, fazendeiro e pescador do vilarejo de Abu Khasib, que vendeu dois búfalos d’água no ano passado porque não conseguia mais dar a eles água potável do rio Shatt. “Eles não deveriam tirá-la de nós”. O ministro iraquiano dos recursos hídricos, Abdul Latif Jamal Rashid, disse que os problemas ambientais e as disputas pelos direitos sobre a água são um legado que perdura da ditadura. Hussein desviou a parte sul do rio para uma trincheira durante a guerra com o Irã e inundou as várzeas do sul do Iraque nos anos 90. Sua beligerância com os vizinhos do Iraque também deixou o país isolado – e depois enfraquecido – quando esses países construíram suas represas, desviando a água que por milênios fluiu através da Mesopotâmia, a terra entre os rios. “O Iraque não estava na posição de rejeitar nem de cooperar com eles”, disse ele numa entrevista em seu escritório em Bagdá. “Eles fizeram o que queriam fazer.” Em Basra e nos vilarejos que ficam na margem iraquiana do Shatt, o impacto do desastre foi profundo. A água doce que antes corria pelos canais de Basra, a Veneza do Oriente Médio, como era chamada há muito tempo, está fétida e cheia de lixo. A invasão da água salgada poluiu tanto as reservas de água potável que o governo se apressou em cavar canais alternativos ao Shatt desde o norte do país, o primeiro-ministro Nouri al-Maliki inaugurou um antes da eleição nacional deste ano e em enviar água em caminhões-pipa para a maior parte da região. Todos que podem evitam beber a água da torneira, que é salgada o suficiente para deixar marcas num copo quando seca. Mutashar disse que o nível de sal aceitável na água do Shatt no Iraque era de 1.500 partes por milhão; no ano passado esse nível chegou a 12 mil. Faris Jassim al-Imara, químico do Centro de Ciência Marinha da Universidade de Basra, disse que foram registrados níveis recordes de até 40 mil partes por milhão, assim como de metais pesados e outros poluentes que vêm do norte e da refinaria de Abadan no Irã, onde tubulações enormes costumam despejar a água utilizada. “Isso está matando o rio e as pessoas”, diz ele. Aqui em Siba, do outro lado da margem da cidade de Abadan, a água salgada está lentamente destruindo a agricultura, a primeira fonte de renda depois do petróleo. Jalal Fakhir, que cultiva com seus irmãos um pedaço de terra que pertence à sua família há décadas, perdeu suas vinhas, cinco pés de damascos, e toda sua colheita de quiabo, pepinos e berinjelas. As novas tamareiras que ele plantou há dois anos morreram; as mais velhas conseguiram resistir, mas seus galhos estão ficando amarelados, e a colheita anual de tâmaras está mais escassa. Caminhando pelo pomar doente, ele diz: “Isso aqui costumava ser um paraíso”. Os líderes iraquianos, que primeiro enfrentaram a rivalidade pós-Saddam Hussein e hoje enfrentam o impasse político que atrasou a formação de um novo governo, foram até agora incapazes de evitar que a catástrofe se desenrolasse aqui, quanto menos revertê-la. Um gerenciamento eficiente da água em todo o país continua muito mais um objetivo do que a realidade. O governo está esboçando planos para construir sua própria represa no Shatt, para manter a água do mar longe, mas o custo e a complexidade da ideia continuam proibitivos, de acordo com Mutashar. Para aumentar a vazão do rio, o Iraque estabeleceu várias rodadas de negociações com os países vizinhos. O resultado foram algumas promessas de cooperação, mas pouca água – principalmente por causa da seca que atingiu a região nos últimos anos. “Se nosso governo fosse bom e forte, nós conseguiríamos nossos direitos”, disse Hassam Alwan Hamoud, patriarca de 71 anos de uma família de beduínos que vivem em cabanas de junco nas várzeas adjacentes ao Shatt perto de Abu Khasib. Em vez disso, eles se transferem com seus búfalos d’água conforme dita a água salgada. “Nosso governo só fala. Eles são fracos.” Rashid, o ministro dos recursos hídricos, diz que o problema levou décadas para se instalar e levará décadas para ser resolvido.Um benefício da democracia do país, diz ele, é que os problemas se tornaram públicos, o que não acontecia durante o governo de Saddam. “Isso veio à tona agora”, diz ele, “porque o Iraque é um país livre.” (EcoDebate)

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Tecnologia permite reciclagem de materiais difíceis

Resíduos menos coletados, como embalagens de salgadinhos e de leite longa-vida, podem virar matéria-prima novamente. O que fazer com embalagens de salgadinhos, bandejas de isopor, embalagens longa-vida? Embora cada vez mais presentes no dia a dia, esses resíduos são considerados difíceis de reciclar, pois têm menos valor comercial que outros materiais, como latas de alumínio, papelão e garrafas PET. Mas o cenário começa a mudar: já existem tecnologias no Brasil para transformar o que era lixo em novas matérias-primas. Um exemplo são as embalagens feitas com o plástico tipo Bopp (sigla para película de polipropileno biorientado). O material, presente em embalagens de alimentos, como salgadinhos, biscoitos, café, sopas instantâneas, praticamente não é recolhido por cooperativas de catadores. Mas a empresa americana TerraCycle, que no início do ano iniciou atividades no Brasil, especializou-se em fazer com que o material volte à indústria. "O Bopp é um plástico e por isso pode ser reciclado. Nosso trabalho é desenvolver produtos que possam ser fabricados com o material", diz Guilherme Brammer, presidente da TerraCycle. Entre os produtos que podem ser feitos com as embalagens de salgadinhos estão mochilas, embalagens de cosméticos e até autopeças, como para-choques. A reciclagem do Bopp está ajudando a resolver um problema da PepsiCo, fabricante dos salgadinhos Elma Chips. A empresa acabou de colocar no mercado os primeiros displays, espécie de prateleira que expõe os produtos nos pontos de venda, feitos 100% com embalagens de salgadinhos recicladas. "O que era descartado virou matéria-prima de novo, fechando o ciclo", diz Olivier Weber, presidente de Alimentos da PepsiCo. Segundo ele, trata-se do primeiro display feito com material reciclado das próprias embalagens da empresa. Até o fim do ano, a meta é retirar 13,5 milhões de embalagens do ambiente, em todo o Brasil, cada display consome 675 embalagens em sua fabricação. A empresa quer exportar a tecnologia brasileira para o resto do mundo. Desafio. As embalagens longa-vida produzidas pela empresa sueca Tetra Pak também já estiveram na mira de ambientalistas. As caixinhas eram consideradas difíceis de reciclar, por serem formadas por um amontoado de camadas: seis no total, sendo quatro de plástico, uma de papelão e outra de alumínio. "O maior desafio foi desenvolver uma tecnologia que permitisse a separação de todas as camadas. Hoje, isso é possível", diz Fernando Von Zuben, diretor de meio ambiente da Tetra Pak. Segundo ele, existem várias tecnologias que permitem reciclar o material. Uma delas, realizada em uma usina em Piracicaba (SP), separa todas as camadas, e os materiais retornam às respectivas indústrias. Outra, semelhante a um grande liquidificador, separa o papelão, mas o alumínio e o plástico permanecem unidos, o que forma um aglomerado ideal para fazer produtos como telhas, compensados, móveis, lixeiras, canetas e objetos de decoração. O desenvolvimento dessas tecnologias já permite que 25% das embalagens Tetra Pak consumidas no Brasil sejam recicladas. Mas ainda é pouco. Telhas e compensados feitos com o material tiveram grande aceitação na construção civil, e hoje falta material. "Existem mais de 30 indústrias que usam essas embalagens recicladas como matéria-prima. É preciso aumentar a coleta seletiva." (OESP)

Qual o tempo de decomposição dos materiais?

Existem algumas diferenças entre as informações sobre o tempo de decomposição dos materiais. Tempo necessário para a decomposição de alguns materiais. Material Reciclado – Preservação - Decomposição 1000 kg de papel - corte de 20 árvores - 1 a 3 meses 1000 kg de plástico - extração de milhares de litros de petróleo - 200 a 450 anos 1000 kg de alumínio - extração de 5000 kg de minério - 100 a 500 anos 1000 kg de vidro - extração de 1300 kg de areia - 4000 anos Os materiais que descartamos no meio ambiente não se desfazem tão rápido assim. Conheça o tempo de decomposição de alguns desses materiais: Jornal: 1 a 2 meses Papel: 3 meses a vários anos Guardanapos: 3 meses Casca de Frutas: 3 a 12 meses Palito de fósforo: 6 meses Madeira: 6 meses (em média) Cigarro: 5 meses até 20 anos Fósforos: 2 anos Chiclete: 5 anos Lata de Aço: 10 anos Nylon: 30 a 40 anos Sacos Plásticos: 30 a 40 anos Embalagem Longa Vida: + de 100 anos Plásticos: + de 100 anos Pneus: 100 anos Tecido: 100 a 400 anos Pilha: 100 à 500 anos Tampas de Garrafas: 100 à 500 anos Sacos e copos plásticos: 200 à 450 anos Fralda Descartável: 600 anos Latas De Alumínio: + de 1.000 anos Vidro: + de 10.000 anos É muito comum observarmos enquanto caminhamos pelo centro da cidade pessoas jogando lixo nas ruas, o que muita gente não sabe ou não acredita é que um objeto aparentemente insignificante é capaz de levar anos para se decompor completamente, como um simples palitinho de fósforo, por exemplo, que pode levar cerca de 6 meses no mínimo para se decompor. Com tanta displicência e descomprometimento da população é que acabam gerando muita sujeira, grandes inundações e até mesmo enormes catástrofes ambientais.

Isopor é 100% reciclável

Desprezado por catadores, isopor é 100% reciclável.
O isopor, nome comercial de um plástico chamado de poliestireno expandido, é 100% reciclável, mas, por ser muito leve e volumoso, não é valorizado pelas cooperativas de catadores.
O quilo do isopor não chega a R$ 0,50, o que inibe o interesse pelo material.
Ainda assim, hoje o País recicla 8% de todo o isopor produzido, graças a parcerias entre o varejo, que utiliza grandes volumes do material, recicladores e indústria. "Para que esse número aumente, é importante que as pessoas saibam que o isopor é plástico e que tem destino certo no mercado de reciclagem brasileiro", afirma Francisco de Assis Esmeraldo, presidente da Plastivida, entidade ligado à indústria dos plásticos.
A reciclagem permite fazer com que o material volte à indústria como matéria-prima.
É possível fabricar também molduras e rodapés. (OESP)

sábado, 19 de junho de 2010

Poluição ameaça águas subterrâneas

Uso inadequado e poluição ameaçam reservas de águas subterrâneas.
Arquivo Projeto Guarani – Pesquisadora faz avaliação de amostra de água. Nas últimas décadas, tem-se atribuído aos reservatórios hídricos subterrâneos um papel de destaque por representarem uma forma de alavancar o desenvolvimento econômico e social e garantir o abastecimento da humanidade. Mas o uso inadequado e a poluição se tornam cada vez mais ameaças à preservação e à qualidade dos recursos para as gerações atuais e futuras. Especialistas alertam para a necessidade de estudos aprofundados sobre esses sistemas e de providências para evitar o seu mau uso e controlar os efeitos das atividades potencialmente poluentes, como resíduos sólidos, excesso de agroquímicos, construção de poços de forma irregular, entre outras ações. Uma das reservas consideradas mais importantes do mundo é o Aquífero Guarani; presente em oito estados e em três países vizinhos: Argentina, Uruguai e Paraguai. No Brasil, abrange as regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, incluindo localidades com grande importância econômica e zonas de intensa atividade urbana, industrial e agrícola. Uso inadequado Apesar da grande extensão do Aquífero Guarani, 1,1 milhões de Km², de acordo com o geólogo, Luiz Amore, observam-se sinais de exploração exagerada em regiões específicas como a de Ribeirão Preto, cidade localizada a 320 km da capital do estado de São Paulo. Segundo o pesquisador, o aquífero rebaixou quase 60 metros, na zona central da cidade, desde 1970 até hoje. “A própria sociedade usa ainda o recurso num nível insustentável. A média de consumo de água nacional é de 250 litros habitante/dia, em Ribeirão Preto é de 400 litros/dia e algumas residências têm aspersores no telhado para reduzir o calor em determinadas épocas”, informa. Para Amore, o descontrole e o interesse especial pela utilização do recurso têm várias explicações, entre elas, a qualidade e o baixo custo. “Uma água pura, limpa, da melhor qualidade e barata. Não exige tratamento. Tratar água superficial é muito mais caro”, argumenta. O especialista em engenharia ambiental também reforça que o problema do rebaixamento do aquífero em Ribeirão Preto é local. “Não afeta nem mesmo as regiões vizinhas (com exceção de Sertãozinho que também usa a água subterrânea). Por isso, é muito importante aprender a usar e a fomentar a gestão local do Aquífero Guarani, com a participação da população, dos órgãos públicos e dos gestores hídricos da região”, sustenta. Ribeirão Preto está localizada numa área de recarga do Guarani, onde há maior vulnerabilidade natural à poluição e um intenso uso da água subterrânea para o abastecimento público. O fato também de ser um pólo de desenvolvimento regional, em constante crescimento, motivou a implantação de um Projeto Piloto no local, onde foi feito o zoneamento de áreas com o objetivo de preservar o reservatório natural. Segundo Amore, a Comissão Local de Apoio à Gestão, criada no âmbito do projeto, permitiu a criação de áreas de zoneamento na região: áreas onde não se pode mais perfurar poços; áreas com uso possível dependendo das circunstâncias e outras destinadas à preservação. Nestas últimas, não é permitido impermeabilizar e nem ter determinados tipos de desenvolvimento urbano e asfalto. “Porque, caso contrário, a água não vai infiltrar e recarregar o aquífero e o rebaixamento vai piorar. Eles (agentes públicos e privados de Ribeirão Preto) começaram a fazer a gestão do próprio aquífero para o uso sustentável das águas subterrâneas nos próximos anos”, comenta Amore. No Brasil, a água subterrânea é de domínio dos estados. Na avaliação do presidente da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (Abas-RJ), Humberto Albuquerque, o sistema de gestão nos estados precisa funcionar de forma adequada, em todo o território nacional, para não abrir espaço para as perfurações de poços de maneira clandestina. “A pessoa começa a usar e não é do conhecimento público, dos órgãos gestores”. ”Além da possibilidade de alterar as condições do reservatório, não se tem conhecimento da validade das obras que estão sendo feitas, se está dentro da técnica exigida para a proteção do próprio Aquífero, em especial, nas áreas de recarga do sistema (ponto da superfície onde ele aflora)”, esclarece o engenheiro de minas. A área de afloramento é por onde a água da chuva e dos rios, que drenam a região, Infiltra para recarregar o aquífero. “Essas áreas precisam ser conhecidas, mapeadas e ter um tratamento adequado em termos de exploração econômica em cima delas. Explorações essas que não levem a contaminação ao reservatório”, adverte Albuquerque. Outro fator preocupante, na avaliação do presidente da Abas, é a dificuldade para a recuperação destes reservatórios. “A descontaminação é muito difícil e muito cara. A água superficial, num custo relativamente baixo, é possível conseguir reabilitar, mas quando contamina o aquífero, os procedimentos são caríssimos e muito demorados”, explica.Para o geólogo Luiz Amore, outro fator a ser considerado é a legislação que, nesta área, está aquém da necessidade. “A Política Nacional de Recursos Hídricos, Lei 9433, avançou muito na sua implementação para águas superficiais; mas para águas subterrâneas, não lidou com esse assunto em profundidade. É preciso ter mecanismos de gestão, de forma mais concreta, com normas, etc”, recomenda. (EcoDebate)

Potencial das águas subterrâneas do Brasil

Pesquisas avaliam potencial das águas subterrâneas do Brasil.
Reservatório com água extraída do Aquífero Guarani. Nas últimas décadas, tem-se atribuído um papel significativo aos reservatórios hídricos subterrâneos em todo o mundo. Esses recursos são vistos como de primordial importância para alavancar o desenvolvimento econômico e social e para garantir o abastecimento urbano. Por outro lado, pesquisas buscam detalhar as características dos aquíferos mundiais e traçar mecanismos necessários para uma utilização sustentável. O Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Aquífero Guarani, finalizado em 2009, fez o mapeamento do reservatório, durante seis anos, e apontou estratégias e instrumentos para garantir o uso adequado dos recursos hídricos nas regiões onde está localizado (em oito estados brasileiros, mais Uruguai, Paraguai e Argentina). Agora os governos e atores envolvidos no projeto do Guarani articulam a melhor forma de colocar em prática as ações sugeridas após as análises técnicas. Enquanto isso, avaliações recentes de pesquisadores no Norte do País, apontam para a grande potencialidade do Aquífero Alter do Chão, na região Amazônica, onde novos estudos devem comprovar a qualidade e abrangência do reservatório. Diferença regional Como ocorre em outros locais do planeta, a água doce não está uniformemente distribuída no Brasil. Há regiões de extrema escassez e outras com relativa abundância. O Gerente de Águas Subterrâneas da Agência Nacional de Águas (ANA), Fernando Roberto Oliveira, explica que isso se deve ao fato do terreno ser dividido em dois grandes e diferentes tipos (sedimentares/ fraturados e os cristalinos). Os cristalinos seriam encontrados em regiões com menor potencialidade de água subterrânea como o semiárido brasileiro. Os sedimentares e porosos ocupam quase a metade da área do País, onde estão localizados os melhores aquíferos nacionais. Oliveira cita três grandes áreas, mas reconhece a falta de conhecimento sobre a totalidade do potencial hídrico brasileiro. “Temos a Bacia do Paraná, onde está localizado o Aquífero Guarani; a Bacia Sedimentar do Maranhão, onde temos uma série de aquíferos (como o Cabeças e o Serra Grande); a Bacia Sedimentar do Amazonas, onde tem se falado mais recentemente do Aquífero do Alter do Chão como um grande reservatório. Mas devemos ter, certamente, mais aquíferos além desses”, acredita Oliveira. Segundo o gerente da ANA, o Aquífero Guarani, em termos de área e reserva hídrica, é um dos maiores do mundo. No Brasil, provavelmente, se não for o maior está entre os mais significativos. Talvez só na região Amazônica, cogita-se a possibilidade de área superior. Constatação que só pode ser feita após os estudos sobre superfície, profundidade e espessura desses aquíferos. “A região Amazônica é conhecida pela sua diversidade biológica. É a maior floresta equatorial do planeta, com grande volume de água superficial, mas, certamente, num futuro não muito distante, também será conhecida como um dos maiores mananciais de água subterrânea do mundo. Isso é indiscutível, é só uma questão de tempo”, garante Oliveira. Há ainda a expectativa do Aquífero Alter do Chão ser bem maior do que se imagina, com possibilidade da presença de outras reservas. “A Bacia Sedimentar do Amazonas pode ter aquíferos que começam na região de Belém e vão até o sopé dos Andes. O que levanta a hipótese da existência de aquíferos transfronteiriços passando para Peru, Venezuela, Bolívia, Colômbia e Equador”, relata Oliveira. A ANA planeja iniciar um estudo mais detalhado na Bacia do Amazonas ainda neste ano. A intenção é envolver também o Alter do Chão. “Tem previsão orçamentária e o termo de referência para a contratação dos estudos está em fase de elaboração”, informa. Desafio sustentável A água de poços e fontes vem sendo utilizada intensamente para diversos fins, tais como abastecimento humano, irrigação, indústria e lazer. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE/2008), 10% dos domicílios brasileiros usam exclusivamente água subterrânea para o abastecimento. Na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), de 2002, esse percentual era de 9,5%. Na avaliação do consultor da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente do Ministério do Meio Ambiente (SRHU-MMA), Luiz Amore, mais que avaliar o potencial, o uso das águas subterrâneas no território necessita ser disciplinado e orientado. “O maior desafio do presente é implementar os instrumentos de gestão das águas subterrâneas nos estados e no País para prover a sociedade da segurança hídrica necessária ao desenvolvimento sustentável”, ressalta. Na opinião do geólogo, a ampliação do conhecimento deve apoiar as necessidades de avanço dos mecanismos de proteção e de gestão das águas subterrâneas no Brasil e em países vizinhos. Para isso, Amore considera importante incentivar o trabalho de articulação, envolvendo governos dos estados, setores acadêmicos, usuários, associações profissionais e a sociedade civil. “Uma grande contribuição do Projeto Aquífero Guarani foi o desenvolvimento de instrumentos específicos para a gestão das águas subterrâneas, que são perfeitamente aplicáveis pelo conjunto das instituições responsáveis no País. A ampliação do Sistema de Informação do Guarani (Sisag) para todo o País permitirá consolidar as informações de poços, dispersas em distintas instituições”, sugere. O especialista em engenharia ambiental sustenta que a implementação de uma rede nacional de monitoramento das águas subterrâneas, a exemplo da proposta para o Guarani, permitirá prover a sociedade das informações de qualidade e quantidade necessárias ao uso e proteção das águas subterrâneas.Outro aspecto enfatizado é a necessidade do aprofundamento da gestão local, apontando para a criação de Comissões Locais de Apoio à Gestão (Clag) nas áreas que apresentam problemas relacionados ao uso e proteção das águas subterrâneas. “O exercício da gestão desenvolve as capacidades dos distintos setores para uma cidadania hídrica realmente efetiva no País, que está de acordo com o espírito da Política Nacional de Recursos Hídricos”, argumenta. (EcoDebate)

Características das águas do Aquífero Guarani

Mapeamento traça características das águas do Aquífero Guarani.
Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema do Aquífero Guarani desenvolveu pesquisas entre 2003 e 2009. Após seis anos de estudos técnicos, já é possível ter informações mais confiáveis sobre a extensão, o volume e o comportamento do Aquífero Guarani. O reservatório de água subterrânea é apontado por pesquisadores como um dos maiores do Brasil e do mundo. Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, países por onde o aquífero se estende, podem contar com dados e até instrumentos para facilitar a gestão adequada desse recurso hídrico. O aquífero transfronteiriço ocupa o subsolo dos territórios dos quatro países sul-americanos, num total aproximado de 1,1 milhões de quilômetros quadrados de área. O nome se deve ao fato da extensão do reservatório coincidir, em grande parte, com a Grande Nação Guarani (nação indígena que habitava a região). Nos espaços entre os grãos minerais dos arenitos, está armazenado um grande volume de água (30 mil Km³) considerada de boa qualidade. Diante da necessidade de se obter mais informações, foi colocado em prática, entre 2003 e 2009, o Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema do Aquífero Guarani. A iniciativa permitiu aprofundar o conhecimento técnico, desenvolver instrumentos de gestão específicos e um Programa Estratégico de Ação, direcionado ao fortalecimento das capacidades institucionais, da participação pública e da cooperação regional para a gestão do aquífero. A iniciativa foi implementada com recursos doados pelo Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF, na sigla em inglês), administrado por programas da Organização das Nações Unidas (ONU). Além da contrapartida dos países e apoio do Banco Mundial (Bird), da Organização dos Estados Americanos (OEA), da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), dentre outras instituições. O total investido chega quase a US$ 30 milhões. A ação resultou na criação de documentos técnicos, mapas e instrumentos didáticos acessíveis ao público. O Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), também trabalhou no mapeamento do Aquífero Guarani. O CDTN, subordinado à Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), atuou de forma técnica por meio do diagnóstico em áreas específicas. Mapeamento Um dos principais resultados do estudo foi a elaboração de um mapa hidrogeológico básico do Sistema Aquífero Guarani (SAG), tendo como referência 191 cartas das regiões dos quatro países. Um avanço importante, na avaliação do secretário geral do projeto, Luiz Amore. “Isso é absolutamente inovador porque cada país tinha um sistema próprio. Conseguimos fechar um mesmo sistema de coordenadas e projeção para fazer um mapa único de todo o Guarani”, justifica. O mapa básico possibilitou a geração de outros mapas temáticos, mas o mapa hidrogeológico revelou aspectos considerados importantes pelos pesquisadores. Entre as constatações, o fato de que algumas áreas de afloramento, que estão nas bordas do aqüífero, servem de recarga, como se pensava antes, mas outras são áreas de descarga. Parte da água de chuva que cai na região se infiltra diretamente no terreno ou através de rios, arroios e lagos que, por seus leitos, permite a passagem da água para camadas de terreno mais profundas. Esta água que ingressa é denominada “recarga”. As reservas permanentes de água que estão armazenadas em poros e fendas da rocha são da ordem de 30 mil quilômetros cúbicos, de acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Outro aspecto apontado como relevante é a lenta movimentação da água entre grãos minerais e fissuras da rocha. Isso significa que o impacto em águas subterrâneas é lento e ocorre numa área limitada, como esclarece Amore, que é também atual consultor do MMA para a implementação do Programa Nacional de Águas Subterrâneas e do Programa Estratégico de Ação do Projeto do Aqüífero Guarani no Brasil. “Ela fica retida naquele ponto (ou numa pluma, área em torno do ponto de poluição) ou numa área próxima. Um foco de contaminação não se espalha por todo o aquífero. Desmistifica a afirmação de que por um único ponto pode secar (ou poluir) todo o Aquífero Guarani”, relata o geólogo. O zoneamento geral do SAG mostrou oito regiões principais com características muito distintas em relação às demais porções do próprio Aquífero. Verificou-se também a falta de conexão entre as porções Norte e Sul, em termos de quantidade de água; além de zonas com profundidade maior do que se imaginava, podendo alcançar 1.500 metros. Quanto mais profunda, mais quente (razão hidrotermal/geotermal, um grau centígrado a cada 30 metros). “A água termal em alguns poços do Guarani chega a 50º C. Não é apropriado para uso energético, mas é boa para muitos outros usos, como balneoterapia; para economizar recursos para que a água chegue a essa temperatura ou, até mesmo, utilizá-la diretamente em alguns processos industriais; como por exemplo, em frigoríficos que fazem abate de animais e usam água aquecida”, explica Amore. O especialista ressalta que o principal uso do Guarani é para o abastecimento urbano, sendo o emprego nas áreas industrial e agrícola reduzido. As águas quentes nas zonas confinadas profundas são utilizadas, principalmente, para recreação. A água é extraída por meio de poços distribuídos pelo território do aquífero. São mais de oito mil poços cadastrados em toda a região, 1.800 chegam ao Guarani. Os cálculos sobre a disponibilidade hídrica mostraram ainda a inviabilidade econômica de exploração por bombeamento em profundidade superior a 400 metros. O território do Aquífero Guarani é compartilhado por oito estados brasileiros e pelos países limítrofes: Goiás (39.367 km²), Minas Gerais (38.585 km²), Mato Grosso (7.217 km²), Mato Grosso do Sul (189.451 km²), São Paulo (142.959 km²), Paraná (119.525 km²), Santa Catarina (44.132 km²), Rio Grande do Sul (154.680 km²), Paraguai (87.536 km²), Argentina (228.255 km²) e Uruguai (36.171 km²). Sistema de Informação Os detalhes do mapeamento do Guarani foram inseridos numa base de dados e introduzidos num sistema de informações, criado conjuntamente com os quatro países. Só os relatórios dos estudos somam mais de 12 mil páginas. Segundo o coordenador do projeto, o material impresso, com conhecimentos técnicos, foi destinado às universidades das regiões envolvidas para melhor utilização em novas pesquisas. Dos 1.800 poços, 180 foram selecionados para acompanhamento da rede de monitoramento quanto aos níveis, à qualidade e à disponibilidade da água subterrânea ao longo do tempo. Os dados podem ser alimentados pelos organismos gestores dos recursos hídricos e podem ser acessados pela internet. “Esse era um dos principais objetivos do projeto. Ele permitiu aos países ter um conhecimento geopolítico, harmônico e coordenado do que é realmente o aquífero e quais são os perigos que estão relacionados”, ressalta Amore. De acordo com o gerente de águas subterrâneas da Agência Nacional de Águas (ANA), Fernando Roberto Oliveira, o Brasil tem quase 70% da área do projeto e maior quantidade de dados armazenados. Para ele, embora ainda falte colocar o sistema de informação em operação, a cooperação com outros países trouxe outras vantagens importantes; além do avanço técnico e informativo sobre o Guarani. “Estreitamos as relações, mesmo diplomáticas; e, no meio técnico, para a execução do projeto. Foi uma forma de dar também visibilidade ao assunto. Trouxe a água subterrânea da América do Sul à agenda política e à pauta da sociedade e da mídia”, concluiu. (EcoDebate)