segunda-feira, 29 de junho de 2009

Câmara dos EUA aprova corte de emissões de CO2

Projeto histórico apoiado pelo presidente americano Barack Obama, é aprovado por 219 votos contra 212 e vai a nova deliberação, ainda mais acirrada no Senado. A Câmara dos representantes do Congresso americano aprovou, em votação apertada, um projeto de lei histórico que limita as emissões de gases causadores do efeito estufa pela indústria dos Estados Unidos. Com a aprovação da lei, empresas se setores altamente poluentes da economia, como fabricantes de cimento e usinas termelétricas, passarão a receber autorizações do governo para poluir, com o montante autorizado caindo ano a ano, que poderão vender e comprar. O projeto, apoiado pelo presidente Barack Obama e objeto de intensas negociações que duraram meses, passou com 219 votos favoráveis e 212 contra. Deputados republicanos se colocaram contra a medida, que qualificaram com “pesadelo burocrático”, argumentando que destruíra empregos em plena recessão econômica e vai pesar sobre o orçamento dos consumidores, por causa da elevação dos custos da energia. O texto segue agora para a votação no Senado, onde sua aprovação será ainda mais disputada. Democratas em cima do muro A acessora do presidente Valerie Jarret dissera, mais cedo, que o próprio Obama estava “no telefone”para angariar votos. A votação para decidir se o projeto seria enviado ao plenário da Câmara foi vencida pelos aliados do presidente por uma margem pequena, 217 a 205, com a deserção de 30 democratas que votaram contra a orientação da liderança. A aprovação da lei, com apenas 1 voto além do mínimo necessário, dependeu desses democratas “em cima do muro”, que temiam a repercussão eleitoral do projeto em suas bases eleitorais. Impacto nos custos “Trata-se de um salvadosr de empregos”, defende Valerie. É consenso que o sistema proposto terá impacto no custo de energia, já que as empresas terão de fazer investimentos para aumentar a eficiência. O objetivo do sistema de limitação e comércio de emissões (cap and trade, em inglês) proposto pelo governo de Obama é reduzir as emissões de CO2 e outros gases causadores do efeito estufa em 17% até 2020 e 83% até 2050, sobre os níveis de 2005. A aprovação permitirá que o presidente Barack Obama participe da cúpula mundial sobre mudança climática marcada para dezembro em Copenhage, na Dinamarca, com uma importante vitória a seu favor. A recusa do governo anterior, de Geoge W. Bush, de adotar o Protocolo de Kyoto, - cujo sucessor será elaborado em Copenhage – abalou a credibilidade dos Estados Unidos nessa arena. Destaques da Lei - Matriz de energia: Exige que as geradoras de energia elétrica atendam 20% de sua demanda por meio de fontes renováveis, como solar e eólica, até 2020. - Investimento verde: Define investimentos em novas tecnologias limpas e energias renováveis da ordem de US$ 90 bilhões até 2025; captura e sequestro de carbono (US$ 60 bi); veículos elétricos e de alta tecnologia (US$ 20 bi); pesquisa científica básica (US$ 20 bi). Racionalização: Estabelece padrões de economia de energia para edifícios e eletrodomésticos. Edifícios deverão ser 30% mais eficientes até 2012 e 50% até 2016. Corte de CO2: Fixa a redução das emissões de carbono pelas principais fontes dos EUA em 17% até 2020 e 83% até 2050, tendo como bases os níveis em 2005. Redutor anual: A partir de 2012, a lei estabelece um limite anual de toneladas de carbono e outros gases- estufa para setores muito poluidores, como refinarias de petróleo. A lei cria um sistema de comércio de permissões para emitir carbono, que as empresas poderão negociar no mercado. Crédito: Setores podem poluir além do teto ao investir na redução de CO2 de outros setores ou na preservação de florestas tropicais.

sábado, 27 de junho de 2009

Denúncia de Ecochato é para essas coisas

Coisas simples como NVIDIA 2.53 GHz e Serial ATA, que apesar de ininteligíveis sempre nos convenceram de que estamos diante de um computador de última geração, não basta para explicar as vantagens do MacBook Pro, o novo notebook da Apple. Ele vem com um relatório ambiental, duro de ler como qualquer manual técnico, mas igualmente incontroverso. Gráficos mostram quanto CO2 o notebook despejará na atmosfera: 560 quilos, mais ou menos a metade do que cada ser humano emite ao longo de sua passagem pelo planeta. Mas isso o relatório não diz, talvez para não melindrar os fregueses. Basta acreditar que é bem menos do que exalava na geração passada. E o MacBook Pro, por mais sucesso que faça, não inundará o mercado com números tão avassaladores quanto os da população mundial, que já passa dos 6,7 bilhões. Ele nasce com tudo previsto. Declara que emitiu 51% de sua cota de CO2 antes de sair da fábrica. Gastarão outros 38% nas mãos do proprietário. E 1% quando chegar à reciclagem. Até lá, seu consumo de eletricidade será contido por 87,9% de eficiência energética. Seu corpo, com 730 gramas de alumínio e 122 de vidro, “materiais desejados por recicladores”, tende a deixar pouco resíduo para trás. Sua embalagem tem pouco plástico e muito papel - mais uma aposta na reciclagem. Seus monitores livraram-se de arsênico e de mercúrio. Aposentou-se a substância química que usava para retardar a propagação do fogo em suas carcaças. Tudo isso, dois anos depois que o Greenpeace reprovou a política ambiental da Apple, botando-a em último lugar entres os fabricantes mundiais de computadores portáteis com base em testes que mediram os teores de poluentes escondidos “sob o desenho elegante” dessas engenhocas aparentemente inofensivas. Apanhada pelo Greenpeace no momento em que preparava o lançamento do primeiro iPhone, a Apple engoliu a seco o humor azedo. Publicado como caricatura, o resultado da pesquisa saiu na ocasião como se fosse um anúncio do “iLixo”. A Apple acusou o golpe. Seu presidente, Steve Jobs, prometeu limpar as telas de cristal líquido dos MacBooks, e aproveitou para reformulá-lo de alto a baixo. Reagiu depressa para não deixar a marca inovadora à sombra do atraso ambiental. E, ao piscar primeiro, deixou claro que os ambientalistas estão aprendendo como o mercado funciona. E vice-versa.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Crise não pode afetar corte de gás-estufa

Governo mantém compromisso de cortar 80% das emissões até 2050. O temor de que a crise financeira possa servir de pretexto para que metas de redução das emissões de gases de efeito estufa sejam deixadas de lado não parece ecoar num dos principais emissores do mundo, a Inglaterra. O país, que tem uma relação histórica com as mudanças climáticas, foi lá que a Revolução Industrial, e o conseqüente uso massivo de combustíveis fósseis teve início, está assumindo uma postura de liderança na União Européia para garantir que acordos já acertados continuem sendo seguidos. Quando a crise começou a se instalar, alguns países do grupo, em especial Polônia e Itália, pediram flexibilização das metas alegando que tornar a produção mais limpa neste momento ficará caro demais. Acabaram sendo votos vencidos, mas o assunto deve permear as negociações na cúpula do clima que ocorre justamente na Polônia em dezembro próximo. "Apesar das dificuldades econômicas, achamos que não é hora de voltar atrás nem no nosso plano climático nem no energético", afirma Joan Ruddock, ministra do recém-criado Departamento de Energia e Mudanças Climáticas da Inglaterra. O órgão entrou em funcionamento há pouco mais de um mês para unir dois assuntos que até então eram tratados separadamente no governo. "Resolvemos juntar as coisas porque dois terços das emissões do país vêm do uso de energia. Este é o assunto que mais temos de cuidar entre todos os outros", explica Joan. A ministra falou com alguns jornalistas da América do Sul na semana passada sobre os planos do país para a questão. No momento tramitam no parlamento inglês dois projetos de lei. O primeiro, de mudanças climáticas, estabelece que até 2050 serão reduzidas 80% das emissões de gases-estufa. Ele cria ainda um comitê independente de mudança climática que vai aconselhar o governo sobre uma espécie de " orçamento de carbono" que deve ser adotado em ciclos de cinco anos, começando a partir do final deste ano. O segundo projeto, de energia, prevê metas para a transição para fontes renováveis. Já em 2020 se espera que 20% da energia consumida no país seja proveniente dessas fontes. "Se não nos movermos para uma economia com menos carbono, nós acreditamos que não teremos um futuro. As renováveis nos oferecem potencialmente um grande futuro. Podemos criar empregos, muitos novos empregos. Sabemos que a crise será pesada em nosso país, mas não achamos que agora devemos desistir", diz. Ela reforçou ainda a necessidade de se estabelecer um novo acordo global em 2009, em Copenhagen (Dinamarca), que conte com a participação de países desenvolvidos e em desenvolvimento. Na Inglaterra somos responsáveis por cerca de 2% das emissões globais. Mesmo que fizermos tudo que é possível, em termos mundiais isso não vai resolver a questão. Por isso, além de cuidar de nossas responsabilidades, buscamos trabalhar para que se alcance um acordo global. Cada um deve entrar com diferentes contribuições, mas temos de estar nessa juntos.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Cientista premiado pede que países extraiam CO2 emitido

Criador da expressão 'aquecimento global', Wallace S. Broecker, considerado o ‘pai’ das Mudanças Climática, advertiu que fenômeno terá efeitos 'enormes'. Pesquisador americano Wallace S. Broecker, que criou a expressão "aquecimento global" em 1975, acredita que, para lutar contra este fenômeno, além da necessidade de redução das emissões dos países desenvolvidos, eles deverão também extrair o dióxido de carbono (CO2) que já emitiram na atmosfera. Broecker, ganhador da primeira edição do Prêmio Fronteiras do Conhecimento, da Fundação BBVA , na categoria de Mudanças Climáticas, afirmou que o que acontecerá dentro de 100 ou 200 anos será uma "surpresa". O cientista advertiu que as mudanças climáticas terão consequências "enormes" em todo o planeta, já que mudarão a paisagem, as espécies vegetais migrarão para zonas mais frias ou se extinguirão, e as regiões áridas ficarão ainda mais secas. No entanto, o que não deve mudar, segundo este investigador, é a dependência mundial em combustíveis fósseis, já que as energias renováveis não serão consagradas totalmente nos próximos 50 anos, o que significa que as emissões de CO2 continuarão aumentando. O cientista considerou que a maior parte dos críticos das teorias de mudanças climáticas "não são pessoas de alto nível" e que os líderes políticos "não sabem nada de física". Sobre seu país, os EUA, Broecker disse que houve "um bufão durante muitos anos no poder", em alusão ao ex-presidente George Bush. Atualmente, o cientista investiga as mudanças no padrão global de chuvas com o aumento da temperatura do planeta, especialmente nas zonas áridas.

domingo, 21 de junho de 2009

Amazônia só é nossa na revista ''Science''

O Brasil às vezes faz mais sentido em inglês. Por exemplo, quando se fala da Amazônia na Science e a barreira da língua impede que saiam lá as bobagens sobre a região que se dizem aqui. A Science é publicada pela Sociedade Americana para o Progresso da Ciência. E este mês ela explica como e por que o apego do governo brasileiro a modelos atrasados de progresso está acabando com a Amazônia, sem tirar sequer proveito de seus recursos naturais. Em outras palavras, o que se faz ali não é bem agricultura ou mesmo exploração florestal. É pura e simplesmente pilhagem do patrimônio natural, para enriquecer um punhado de espertos e empobrecer para sempre quem vai atrás da conversa desenvolvimentista. Os ciclos de riqueza na Amazônia duram o tempo que levam os predadores para consumir em proveito próprio o patrimônio nacional. Depois, os pioneiros vão em frente e os retardatários ficam para trás, roendo o osso da terra arrasada. Não é de hoje que o Imazon, o instituto de pesquisa paraense que gerou o mais incontroverso e mais acabrunhante banco de dados sobre a Amazônia, diz que o ciclo da ascensão e queda dos povoamentos madeireiros na floresta duram em média 16 anos - ou três mandatos de prefeito. É o tempo médio do desmatamento para fundar mais uma cidade fantasma. O que os políticos chamam de desenvolvimento da Amazônia raramente vai além da rapina e da grilagem. E é disso que, do presidente Lula para baixo, Brasília mais trata, quando discute a Amazônia. Quase sempre com pressa para abrir alas ao avanço da agricultura e da pecuária, que não passam de coadjuvantes do grande negócio, que é a pirataria da madeira nativa e o roubo de terras públicas. A crítica que está na Science sobre o desmatamento da Amazônia é arrasadora. Poderia ser a aula que faltava para o Brasil cumprir o prognóstico do historiador Warren Dean, que há mais de dez anos viu na aniquilação perdulária da mata atlântico o único benefício de ensinar os brasileiros a não repetir o mesmo erro na Amazônia. Que nada. Desde que Dean publicou essa advertência, a floresta amazônica já perdeu uma Áustria, talvez uma França, vários Sergipes - não importa, essas medidas soam tão desmesuradas que a rigor só servem para reiterar a crença histórica de que aquilo lá em cima é grande demais para o engenho humano; logo, deve ser inexaurível. Quase todos os laudos científicos acabam caindo, mais cedo ou mais tarde, no buraco sem fundo das superstições nacionais sobre a Amazônia. E, no entanto, se o artigo pudesse ao menos envergonhar o Brasil, teria de tudo para enchê-lo de orgulho. Ele é assinado por nada menos que seis cientistas. Sua autoria mistura os resultados de pesquisas de campo feitas por um inglês, um neozelandês e uma portuguesa, todos pós-graduados em florestas tropicais, sem falar que obviamente levam mais a sério o destino da floresta do que as autoridades municipais, estaduais e federais de que ela depende. Mas dois autores são do Imazon, de Belém do Pará. E outro veio ao Brasil pela Universidade de East Anglia, onde ensina o paraense Carlos Peres, o filho de um grande exportador de castanha que se tornou uma referência mundial em estudos das florestas tropicais. O Brasil oficial só toma posse desses feitos porque perdeu há muito tempo, para todos os efeitos concretos, a propriedade da Amazônia. Depois ainda vem dizer que ela é nossa.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

EUA admitem impactos do aquecimento

Efeitos são sentidos no presente, diz o primeiro relatório da gestão Obama. Um relatório divulgado em junho de 2009 pela Casa Branca, indica que os efeitos perigosos das mudanças climáticas já atingiram os Estados Unidos e vão piorar nos próximos anos. Esse é o primeiro documento do gênero divulgado pela administração Obama, com ênfase não vista nas versões anteriores, da administração Bush. Segundo o relatório, o país sofre com tempestades mais frequentes, aumento da temperatura e do nível dos oceanos, retração de glaciares e alteração em rios. “Já há em certos algumas consequências sérias”, disse o coautor, Anthony Janetos, da Universidade de Maryland. “Não se trata de algo teórico que acontecerá em 50 anos. Os efeitos estão acontecendo agora.” O documento, um relatório sobre a situação climática requerido periodicamente pelo congresso, não traz nenhuma pesquisa nova sobre o assunto. Mas apresenta as informações com uma tinta muito forte do que a usada nos últimos anos, o último relatório produzido na administração passada, aliás, só foi divulgado por decisão judicial. Ele serve de base para o documento desse ano. Impactos Os autores estimam que a temperatura média dos Estados Unidos pode ser até 11˚C mais alta no fim do século. “Limites serão ultrapassados, o que levará a grandes mudanças no clima e nos ecossistemas”, escrevem. Isso inclue, por exemplo, a sobrevivência das espécies. A água, em demasia ou de menos, é um tema recorrente. O sudoeste do país, por exemplo, pode se tornar mais quente e mais seco a ponto de haver uma crise ambiental. Ondas de calor extremo também podem ser mais comum, ano sim, ano não, e não a cada 20 anos, como hoje. A costa leste americana será bastante afetada pela subida dos oceanos. O conselheiro científico da Casa Branca, John Holdren, disse em um comunicado que o documento mostra a necessidade de o país agir para reduzir o ritmo do aquecimento global. “Ele nos fala por que ações corretivas são necessárias mais cedo em vez de mais tarde.” O ex- presidente americano George W. Bush era contrário a medidas duras de mitigação do problema e mantinha uma posição refratária a qualquer debate sobre aquecimento.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Reservas ajudam a impedir a savanização da Amazônia

Estudo aponta a importância das unidades para frear a transformação de mata em savana O respeito às unidades de conservação e às terras indígenas já demarcadas na Amazônia Legal - cerca de 37% da região - garantiria a permanência da floresta e impediria o processo de transformação da mata em savana. A conclusão é de um estudo publicado ontem pela revista científica americana Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Os pesquisadores estimam que há um "ponto sem retorno" - em inglês, "tipping point" - do desmatamento, além do qual a floresta não seria sustentável e sofreria um processo de savanização, tornando-se parecida com o cerrado, mas com menor biodiversidade. No estudo publicado hoje, os cientistas tentaram verificar qual porcentual de devastação marcaria o colapso da vegetação amazônica. Em primeiro lugar, os cientistas criaram um modelo matemático para simular o comportamento do clima regional. O sistema recebia vários dados de entrada, como o porcentual de cobertura vegetal, características locais do solo e condições atmosféricas mais comuns em cada período do ano. Depois, fornecia como resposta a previsão da precipitação de chuva para cada coordenada do mapa. Alimentaram o modelo com os dados disponíveis dos anos 1997 a 2001, testaram para conferir se as previsões pluviométricas para 1997 correspondiam às chuvas observadas naquele ano. Verificaram que o modelo traduzia com razoável fidelidade o comportamento do clima e da chuva na Amazônia e podia ser usado para prever cenários futuros. Os pesquisadores mudaram então um dos dados de entrada: o porcentual de cobertura vegetal. Como controle, consideraram a situação atual - em que 17% da floresta já desapareceu - e um cenário de total devastação - 100% da mata derrubada. Testaram, então, o que aconteceria se 63% da vegetação desaparecesse e só sobrassem as árvores das unidades de conservação e reservas indígenas - cerca de 2,3 milhões de quilômetros quadrados. Apesar dos danos para a biodiversidade e para as populações tradicionais, os fragmentos protegidos de mata não entrariam em colapso com o desmatamento. Também foi testada uma situação intermediária, em que o desmatamento estaria limitado a 27% da floresta. "Percebemos que haveria uma pequena variação relativa no regime de chuvas, mesmo se só sobrassem as áreas de preservação", explica o engenheiro florestal Claudio Belmonte de Athayde Bohrer, coautor do artigo e pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF). Com algumas exceções, seria insuficiente para provocar uma alteração na vegetação. Segundo o estudo, também assinado por pesquisadores da Universidade Estadual de Michigan e pela Universidade da Flórida, em poucas áreas o volume de chuvas cai abaixo de 92% do nível médio atual. A região localizada entre a Transamazônica e o Rio Amazonas sofreria a maior diminuição nas chuvas. Em outras áreas, haveria aumento da precipitação. As atuais unidades de conservação oferecem uma proteção mínima. Mas é preciso que o governo garanta sua efetividade. Considera-se essencial que as populações indígenas preservem a mata que existe nas suas terras. Para o principal autor do artigo, Robert Walker, da Universidade Estadual de Michigan, as reservas são "uma ótima ideia brasileira". "Mas a lei precisa ser colocada em prática com rigor", ressalva.Um estudo divulgado no ano passado em Manaus pelo pesquisador Gilvan Sampaio, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontou que a devastação de % da floresta poderia ocasionar processos de savanização no leste e no sul da Amazônia.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Desmate mantém pobreza na Amazônia

Os ganhos obtidos pelo desmatamento na Amazônia rapidamente desaparecem. Sobra apenas a pobreza que precedeu a exploração, mas sem os recursos da floresta que poderiam remediá-la. A conclusão é de um estudo publicado hoje na revista americana Science. Um grupo de pesquisadores analisou os indicadores de qualidade de vida de 286 municípios brasileiros na Amazônia e verificou que localidades com um processo de desmatamento em curso apresentam indicadores acima da média. Mas a prosperidade dura pouco. Municípios que devastaram suas florestas possuem índices semelhantes, do ponto de vista estatístico, ao de localidades onde as árvores ainda estão em pé. Os cientistas dividiram os municípios em sete grupos segundo a extensão do desmatamento (mais informações nesta página). Depois, calcularam a média do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) municipal em cada grupo. O IDH leva em conta variável, como renda per capita, expectativa de vida e alfabetização. As localidades com floresta intacta ou devastada possuíam, em média, IDH próximo a 0,6 (o índice varia de 0 a 1). Nos municípios com metade da cobertura vegetal e grande atividade predatória em curso, o índice subia para 0,7. ANTECEDENTES Estudo realizado em 2000 pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), intitulado Amazônia sustentável: Limitações e oportunidades para o desenvolvimento rural apontavam para o ciclo enriquecimento-declínio na exploração das terras da Amazônia. O relatório Avanço da Fronteira na Amazônia: do boom ao colapso, publicado em 2007 pelo Imazon, relaciona a evolução do IDH ao fenômeno do desmatamento e do consequente empobrecimento do solo. "Agora, também separamos cada uma das variáveis que compõem o IDH", explica a pesquisadora portuguesa Ana Rodrigues, principal autora do trabalho publicado na Science. "A variação dos índices de alfabetização, expectativa de vida e renda per capita também seguiu o ciclo boom-declínio." Ana realizou a maior parte da pesquisa na Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Hoje, atua no Centro de Ecologia Funcional e Evolutiva em Montpellier, na França. Outra característica do novo estudo é a opção pela análise acurada da situação em cada município. "Adotamos uma perspectiva semelhante à do governo federal que analisa o desmatamento cidade por cidade e divulga listas dos municípios que mais derrubam", aponta Carlos Souza Jr., pesquisador do Imazon e coautor do artigo. "Deixar a floresta em pé é a alternativa mais barata para combater o aquecimento", recorda Ana, para quem o estudo chega em boa hora, no fim da convenção em Bonn, na Alemanha, para preparar a Conferência do Clima que ocorrerá no fim do ano em Copenhague, na Dinamarca. CUSTOS E BENEFÍCIOS "As populações na Amazônia arcam com os custos da preservação e o mundo recebe de graça os benefícios", afirma o brasileiro Bernardo Strassburg, que realiza seu doutorado em economia ambiental na Universidade de East Anglia, no Reino Unido. "Os países ricos precisam pagar pelos benefícios da preservação. As comunidades locais e os países devem receber por manter a floresta em pé." Strassburg realizou uma apresentação sobre o tema em Bonn. Ele acredita que, no fim do ano, deverá haver um parágrafo no documento síntese das discussões de Copenhague para prever a compensação pelos serviços ambientais prestados pela floresta. O Brasil será um dos maiores beneficiados, mas precisa se movimentar.

sábado, 13 de junho de 2009

Poeira do Saara intensifica chuva na floresta amazônica

Partículas saem do deserto e cruzam o Oceano Atlântico todos os anos. A poeira de uma das regiões mais áridas do mundo provoca chuvas na maior floresta úmida do planeta. Uma pesquisa publicada no mês passado na revista científica Nature Geoscience mostra que o material que sai do Saara e atravessa o Atlântico está ligado diretamente à intensidade da precipitação na Amazônia. Todo ano, entre fevereiro e abril, a areia suspensa por tempestades no deserto sai da África, cruza o oceano e alcança a América. Em processos já conhecidos, ela influencia o clima e até a biodiversidade do Atlântico. Mas até agora não havia sido ligada com tanta propriedade às chuvas na região tropical americana. O físico Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo (USP), um dos autores do estudo, explica que a poeira do Saara apresenta características que favorecem o aparecimento de cristais de gelo nas nuvens convectivas que, na Amazônia, respondem por 90% da chuva. Essas nuvens se formam na alta atmosfera, de 15 a 18 quilômetros de altura, e são feitas de gelo. Nem toda partícula em suspensão tem a capacidade de nuclear cristais de gelo. O material do deserto, contudo, é rico em ferro. Quando está em alta altitude, onde a temperatura oscila entre -50°C e -70°C, o ferro tem a capacidade de condensar vapor d’ água sobre ele, compondo então as nuvens convectivas. Esse mecanismo é mais importante do que a gente imaginava. Além do ferro, a poeira traz elementos como o fósforo. Ambos são nutrientes de grande valor para a floresta. O cientista acredita que, em uma escala de tempo de milênios, eles até podem ajudar a explicar a exuberância da Amazônia. O trabalho contou com dados recolhidos em uma das 12 torres do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera (LBA) espalhados pela Amazônia. Segundo Artaxo, mais estudos precisam ser feitos, com informações coletadas em outras regiões da floresta, para comprovar a influência do Saara em todo o bioma. O físico também está curioso sobre o efeito das mudanças climáticas no mecanismo. Estudos sobre o aquecimento global indicam que o Saara pode ficar ainda mais seco - o que pode se traduzir em mais chuva na Amazônia e contradiz projeções para o futuro da região.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

A poeira do deserto do Saara, na África, tem uma influência importante no regime de chuvas da Amazônia

Poeira do deserto faz chover na floresta. A poeira do deserto do Saara, na África, tem influência importante no regime de chuvas da Amazônia. A afirmação pode parecer inusitada à primeira vista, foi comprovada em um estudo realizado por um grupo internacional de pesquisadores com participação brasileira, publicado na revista Nature Geoscience. De acordo com Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e um dos autores do trabalho, o objetivo foi realizar, pela primeira vez em uma região tropical do planeta, medidas de aerossóis conhecidos como núcleos de condensação de gelo – partículas que têm a propriedade de formar nuvens convectivas, influenciando a precipitação, a dinâmica das nuvens e a quantidade de entrada e saída de radiação solar. As nuvens convectivas na Amazônia, que ficam entre 12 e 15 quilômetros de altitude, têm suas gotas congeladas. Para que possam aparecer partículas de gelo nessas nuvens é preciso existir os núcleos de condensação de gelo. Pela primeira vez medimos as propriedades físico-químicas desses núcleos. Segundo Artaxo, ao fazer as medidas, o grupo descobriu que a vegetação da própria Amazônia e a poeira proveniente do Saara são as duas principais fontes dos núcleos de condensação de gelo. "A importância disso é que a maior parte da chuva na Amazônia é proveniente das nuvens convectivas. E é a primeira vez que detectamos essas partículas. Identificamos como núcleos de gelo e medimos suas propriedades físicas, químicas e biológicas", disse o também coordenador do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA) e ex-coordenador da área de geociências da FAPESP. Para realizar o estudo, o grupo utilizou modelos matemáticos que simulam o comportamento das nuvens de gelo em condições amazônicas. Surpreendente é que a poeira do Saara é responsável por uma fração significativa dos núcleos de condensação de gelo da Amazônia, especialmente em altas altitudes e temperaturas mais baixas. O estudo sugere a contribuição de partículas biológicas locais para a formação de núcleos de gelo, aumenta em altas temperaturas atmosféricas e altitude mais baixa, enquanto a contribuição por partículas de poeira cresce nas baixas temperaturas das regiões mais altas. “Descobrimos que a vegetação da própria floresta alimenta os núcleos em altitudes que vão até 8 ou 9 quilômetros. Enquanto isso, a poeira do Saara nessa época do ano – o estudo foi feito entre fevereiro e março – predomina em altitudes acima de 9 ou 10 quilômetros”, disse. As análises apontaram que os núcleos são compostos principalmente de materiais carbônicos e poeira. Mostra-se que as partículas biológicas dominam a fração carbônica, enquanto a importação da poeira do Saara explica o aparecimento intermitente de núcleos contendo poeira. A poeira do deserto africano é um fenômeno atmosférico sazonal cujo pico se dá entre março e o fim de abril. É um fenômeno de transporte atmosférico de longa distância que já conhecíamos. Nunca se tinha medido as propriedades de nucleação dessas partículas. Continuidade em Temático Na primeira fase do estudo a equipe utilizou um equipamento supercongelador para esfriar as partículas a 50 graus negativos e lançá-las na Floresta Amazônica, a fim de fabricar cristais de gelo. A partir daí, analisamos as propriedades físicas, químicas e biológicas desses cristais, utilizando técnicas analíticas nucleares, especificamente o método Pixe, disponível no Instituto de Física da USP. Pudemos analisar a concentração de alumínio, silício, titânio e ferro nas partículas. A partir da análise, os pesquisadores descobriram que a assinatura elementar das partículas correspondia à assinatura da poeira do deserto do Saara. O segundo passo foi descobrir como essas partículas saem da África e chegam à Amazônia. Para isso rodamos modelos de circulação global da atmosfera e mostramos que, efetivamente, quando estavam presentes as concentrações de alumínio, silício, titânio e ferro que correspondiam à poeira do Saara, o modelo confirmava essa circulação. Com a pesquisa, o grupo concluiu que a concentração e a abundância de núcleos de condensação de gelo na Amazônia podem ser explicadas, em sua quase totalidade, por emissões locais de partículas biológicas complementadas pela importação da poeira saariana.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Entenda a reunião sobre clima da ONU na Polônia

BBC Brasil explica do que trata e porque a reunião tem merecido tanto destaque. Entre 1º e 12 de dezembro, será realizado, na cidade de Poznan, na Polônia, a 14º encontro da Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudança Climática. A reunião marca a metade do caminho traçado em 2007, em Bali, na Indonésia, e vai ser essencial que os países superem impasses que ainda atravancam as negociações por um novo acordo sobre emissões de gás carbônico. Na reunião do grupo de 2007, 190 países aprovaram o chamado "Mapa do Caminho", que traça uma rota de negociações até 2009, quando o encontro da ONU sobre mudanças climáticas acontece em Copenhage, na Dinamarca. Esse foi o prazo fechado entre os participantes da reunião de Bali que concordaram em concluir o projeto para um substituto ao Protocolo de Kyoto, o atual acordo internacional sobre emissões de gases do efeito estufa, que vence em 2012. Abaixo a BBC Brasil reponde algumas das questões que cercam o encontro. O que é essa reunião na Polônia? O encontro em Poznan é a 14º reunião anual do grupo da ONU chamado de Convenção das Partes (COP, na sigla em inglês). Esse grupo é a instância decisória da Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudança Climática, nome dado ao tratado que surgiu depois da Rio 92, a conferência da ONU que reuniu líderes do mundo todo no Rio de Janeiro, em 1992, para discutir as mudanças no clima. O acordo entrou em vigor dois anos depois da conferência do Rio e prevê que todos os 192 países signatários vão trabalhar para "enfrentar os desafios do aquecimento global". Ele prevê também que os países troquem informações sobre a emissão dos chamados gases do efeito estufa, criem estratégias para conter essas emissões e cooperem na preparação de políticas para se adaptar ao aquecimento da Terra. O que deve ser discutido em Poznan? Como o esqueleto das negociações para um substituto do Protocolo de Kyoto foi acertado em Bali, a reunião da Polônia, em tese, seria apenas um degrau de passagem, para acertar um cronograma detalhado até Copenhague. No entanto, a crise econômica mundial pode abalar este planejamento. Nos últimos meses, governantes de países europeus como a Alemanha, França e os próprios anfitriões poloneses já deram sinais de não estarem dispostos a manter as pressões por metas ambiciosas de redução de emissões, entre outros avanços. O que mudou de Bali para cá? No ano passado, o encontro da ONU aconteceu menos de um mês depois de o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), também da ONU, apresentar as suas conclusões finais sobre o que está acontecendo com o clima global e qual a influência do homem. O documento foi o mais incisivo já produzido pelo painel científico desde sua criação, em 1988. Com isso, a pressão internacional por avanços na proteção do planeta ganhou um empurrão extra. O painel afirmou que é "muito provável" (ou seja, com mais de 90% de certeza) que o aquecimento global está sendo influenciado pela ação humana e que os impactos dessa mudança podem ser "irreversíveis" caso os governos não tomem medidas concretas. Para a reunião em Poznan, existe grande expectativa sobre o impacto do novo governo americano sobre as negociações, já que - ao contrário dos europeus - o presidente eleito Barack Obama já afirmou ver na crise econômica uma oportunidade e não um obstáculo para avançar no combate à mudança climática. Depois de oito anos de governo George W. Bush que variaram entre a negação do papel do homem no aquecimento global e, mais recentemente, uma aceitação resignada, uma nova postura americana pode preencher o vácuo de liderança que a União Européia parece estar disposta a criar. No entanto, é importante lembrar que a equipe de negociações americana ainda será formada por representantes de Bush - os mesmos que foram vaiados na reunião de Bali por dificultar o consenso. Quais são os principais temas em pauta? A discussão sobre metas foi e segue como um dos assuntos mais difíceis na mesa de negociações. Desde a conferência do Rio, em 1992, os países industrializados concordaram em tomar a iniciativa no combate às emissões de gás carbônico. O protocolo de Kyoto concretizou este compromisso ao criar metas até 2012. Para um acordo em Copenhague, a expectativa é que também países em desenvolvimento (que hoje já respondem por cerca de metade das emissões no mundo) se comprometam a reduzir as suas emissões no futuro. O IPCC recomendou metas de redução de 25% a 40% até 2020. Se o assunto já era polêmico, em tempos de crise econômica mundial e risco de recessão, ficou ainda mais difícil. Se os países ricos não mostrarem determinação neste sentido, dificilmente os países em desenvolvimento como o Brasil vão querer adotar metas obrigatórias para redução, o que pode inviabilizar um acordo pós-Kyoto. Desmatamento Em Bali, os países em desenvolvimento comemoraram a inclusão, pela primeira vez, de um artigo que cita o desmatamento e a degradação de florestas (REDD, na sigla em inglês) nas negociações sobre mudança climática. Para o Brasil, este é um ponto vital, já que 75% das emissões brasileiras vêm de incêndios e queimadas. Em todo o planeta, o desmatamento responde por cerca de 20% das emissões de gases. Em Poznan, devem ser discutidas opções de mecanismos e financiamentos para viabilizar a preservação de florestas no acordo que deve ser fechado em Copenhague. No entanto, os temores de recessão podem afetar também neste ponto a disposição de investimento dos países ricos. Tecnologias mais verdes Um dos principais mecanismos criados pelo Protocolo de Kyoto é o de Desenvolvimento Limpo, conhecido pela sigla MDL. O sistema prevê investimentos de países ricos em projetos de redução de emissões nos países em desenvolvimento em troca de créditos nas metas assumidas pelos países desenvolvidos. Até Copenhague, espera-se que o mecanismo seja aperfeiçoado de forma a garantir que os investimentos em MDL realmente levem a uma diminuição extra nas emissões. Atualmente, o Brasil é o terceiro país com mais projetos de MDL, atrás apenas da China e da Índia, a grande maioria deles nas áreas de geração de energia hidrelétrica e suinocultura. Em Poznan, devem ser discutidas formas de avançar em investimentos que permitam o crescimento dos países pobres sem um aumento de emissões. Porém, mais uma vez, diante do aperto da crise e com o preço do petróleo batendo recordes de baixa, muitos acreditam que será difícil convencer os países desenvolvidos a investir em novas tecnologias mais sustentáveis. Além disso, espera-se que os países desenvolvidos avancem na transferência de novas tecnologias para incentivar o desenvolvimento limpo nos países mais pobres. Adaptação Para alguns países, o assunto mais importante em pauta na Polônia será o das formas de adaptar e mitigar os efeitos do aquecimento global. Em várias partes do mundo, a mudança climática já deixou de ser uma ameaça e se transformou em realidade. Para governos como o de Bangladesh e de várias ilhas no Pacífico, é vital que as negociações de Poznan avancem no que diz respeito a formas de aliviar o sofrimento provocado por inundações, perda de território, secas prolongadas e outras conseqüências da mudança climática. Neste sentido, um dos resultados mais aguardados da conferência na Polônia vai ser a regulamentação final do Fundo de Adaptação criado no Protocolo de Kyoto, para que ele possa começar a financiar projetos já em 2009. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

domingo, 7 de junho de 2009

Mudança climática pode elevar número de refugiados

As conseqüências do aquecimento, tempestades e secas, devem atingir mais fortemente os mais pobres. A mudança climática pode se tornar a principal causa de deslocamento de refugiados, fazendo com que milhares de pessoas deixem seus locais de origem a cada ano, disse um funcionário das Nações Unidas, quando a ONU e a Cruz Vermelha fizeram um apelo por fortes esforços globais para ajudar pessoas a enfrentar as conseqüências do aquecimento global. Tempestades mais fortes, mais inundações e diminuição das chuvas, situações que devem atingir mais pesadamente as pessoas mais pobres, estão dentre as conseqüências esperadas com a intensificação das mudanças climáticas. Acordos sobre como ajudar países pobres a adaptarem-se são o principal desafio dos negociadores de um novo tratado sobre o clima que deve entrar em vigor em 2013. O clima sempre foi um elemento, uma das razões que forçam as pessoas a se moverem, mas não a razão primária. O que tememos é que nos próximos anos o clima repentinamente torne-se a principal razão desses movimentos migratórios. Estimativas conservadoras prevêem que cerca de 250 milhões de pessoas terão sido forçadas a deixarem seus locais de origem por causa das mudanças climáticas até 2050 e se dividirmos isso por ano, são cerca de 6 milhões de pessoas migrando além dos cerca de 10 milhões de refugiados que o Alto Comissariado cuida atualmente. Muitas dessas pessoas se deslocarão dentro de seus próprios países. Os países mais vulneráveis estão no mundo em desenvolvimento e são aqueles com menores condições de reagir a esses problemas. Acrescenta-se que é importante começar a discutir com os países questões como quem irá cuidar dessas pessoas, que tipos de direitos elas terão e se elas serão forçadas a voltar a seus países mesmo se não houver condições para isso. A ONU e a Cruz Vermelha também apontaram para maior necessidade de esforços mais amplos na preparação dessas populações para os riscos que elas enfrentarão em razão das mudanças climáticas. As entidades indicaram medidas como a proteção de fontes de água antes de enchentes, o plantio de árvores para evitar deslizamentos de terra ou desertificação, impedir que casas sejam construídas em áreas de alto risco e simplesmente disseminar informações sobre como lidar com inundações. O projeto para reduzir os riscos de desastres pode economizar dezenas de milhares de dólares ao ano. Para cada US$ 1 investido em redução de riscos, podemos economizar entre US$ 3 e US$ 10 em custos de resposta a desastres. Grandes catástrofes climáticas não têm necessariamente de levar a desastres devastadores ou catastróficos.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Quem quer saber de aquecimento?

A notícia de que 800 famílias piauienses aguardaram o desastre em suas casas, sob a barragem de Algodão 1, não deixa de ser um aviso para quem acha que pode mobilizar a opinião pública, falando de aquecimento global. Se nem ali, com a água derretendo concretamente a represa, a cautela conseguiu mudar, antes que fosse tarde demais, hábitos consagrados pelo cotidiano, não dá para querer que o mundo se antecipe ao debate de cientistas sobre uma certeza cheia de dúvidas, como a desordem climática. Está para sair do forno nos Estados Unidos uma pesquisa mostrando que o maior problema do aquecimento global talvez seja o fato de se chamar, nos jornais, "aquecimento global", associado pelos discursos políticos a sacrifícios imediatos para compensações futuras. Em janeiro, logo depois da posse do presidente Barack Obama, que pôs o assunto na ordem do dia, uma enquete do Pew Research Center mostrou que, dos 20 problemas vistos pelos americanos como prioridades governamentais inadiáveis, o desastre climático era o 20º. Ocupando o último lugar da fila, ele poderia esperar indefinidamente pela solução do desemprego ou do terrorismo. Não é de hoje que o homem vive em terras férteis de encostas vulcânicas ou criou sociedades prósperas em territórios imemorialmente varridos por terremotos. Mas só agora o Centro de Pesquisas em Decisões Ambientais da Universidade de Colúmbia, em Nova York, procura as fontes psicológicas dessa vocação coletiva para a imprudência. EXPERIÊNCIA Semanas atrás, o repórter Jon Gertner, que escreve sobre economia e meio ambiente no jornal The New York Times, assistiu a uma rodada desses testes. O laboratório fica num porão da universidade, sem janelas para fora. A sala é monitorada por câmeras e microfones. Lastreia-se num fundo de 6 milhões de dólares, da National Science Foundation, para decifrar de onde vêm "nossas respostas à mudança climática e outros fenômenos, como furacões e secas". No caso, Gertner presenciou um debate sobre como aplicar uma verba hipotética de US$ 5 bilhões em energia eólica. Ao grupo, formado majoritariamente por alunos da Universidade Columbia, que podiam não entender patavina de energia eólica, competia optar se era melhor construir turbinas já ou investir parte do dinheiro federal no desenvolvimento de geradores mais eficientes para o futuro. A decisão, em si, era o que menos interessava aos pesquisadores, concentrados nas reações das cobaias diante de opções difíceis como as ambientais, que envolvem perdas e ganhos, tempo e incerteza. Mas dessas experiências saíram resultados práticos, como a prova de que basta formar times no laboratório, distribuindo, por exemplo, uma estrela azul entre alguns participantes, para que seu pendor para a cooperação cresça automaticamente de 35% para 50%. E pode chegar a 70%, se a equipe se reunir em torno de uma mesa. Em resumo, os grupos atuam melhor em confraria, hesitam em relação a definir preferências, porque em princípio preferem tudo, são analíticos a longo prazo e emocionais nas emergências. Pode estar longe o dia em que isso tenha algum efeito sobre o aquecimento global. Mas, pelo menos, é uma saída para o fracasso dos ambientalistas em explicar que a coisa é séria.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Cresce interesse pelo plástico renovável

Demanda pode chegar a 2 milhões de toneladas/ano. A demanda por plásticos verdes, feitos com matéria-prima renovável, pode chegar a 2 milhões de toneladas por ano nos próximos dez anos, o que deve dar impulso aos projetos de fabricação de resinas com a cana-de-açúcar. "Hoje, se eu tivesse condições de produzir 1 milhão de toneladas de polietileno verde, seguramente teria mercado", afirmou Bernardo Gradin, presidente da Braskem, durante o evento Ethanol Summit, em São Paulo. Segundo Gradin, a fábrica que vai produzir polietileno do etanol em Triunfo (RS) entra em operação no segundo semestre de 2010. Será a primeira indústria do mundo a produzir a resina do etanol para uso na fabricação de embalagens. A produção será de 200 mil toneladas/ano, mas Gradin acredita que a demanda para os próximos anos pode ser de até o triplo disso. Segundo o executivo, o interesse por plásticos verdes está crescendo entre empresas dos setores automobilístico e de embalagens, especialmente na Europa e Japão. A empresa já trabalha no desenvolvimento de uma nova família de resinas feitas de cana, os polipropilenos. A tecnologia deverá ser definida até o fim do ano. "Acredito que em três anos já poderemos começar a produzir polipropileno 100% renovável em escala industrial", diz Gradin. Hoje, já é possível produzir a resina com 66% de material renovável, mas grandes clientes, como a Toyota, estão interessados na resina 100% verde. O polipropileno é utilizado na fabricação de peças automotivas. AUTOPEÇAS E CALÇADOS O setor de peças automotivas é um dos que mais têm mostrado interesse no uso de resinas verdes. "Peças como painéis e retrovisores feitos com matéria-prima renovável têm apelo ambiental e também conferem maior leveza ao automóvel, o que já é uma exigência legal nos países da União Europeia", afirma Sylvio Ortega Filho, diretor executivo da PHB Industrial, empresa de Serrana (SP) que também produz biopolímeros de cana-de-açúcar. A tecnologia usada pela PHB Industrial é diferente da utilizada pela Braskem. Na PHB, a resina é produzida por um processo de fermentação do açúcar, não do etanol. O resultado é um plástico 100% biodegradável que permite uma ampla gama de aplicações. Pode ser usado como um substituto do isopor, para fazer cartões de crédito e até sapatos. Um dos potenciais clientes é a Grendene, que está interessada em produzir calçados de plástico biodegradável para o mercado europeu. A fábrica da PHB Industrial tem capacidade para produzir 50 toneladas/ano de plástico verde. O plano de expansão da companhia prevê aumentar a produção para 230 mil toneladas/ano na próxima década. "O mundo consome 230 milhões de toneladas de plástico todos os anos. Menos de 0,5% é feito com material renovável. Há espaço para crescer", diz o diretor da PHB. PLÁSTICOS RENOVÁVEIS Polietileno verde: Uma das resinas mais utilizadas em embalagens flexíveis. É produzida com etanol de cana-de-açúcar Polipropileno verde: Também produzido com etanol de cana, a resina pode ser usada em peças automotivas e embalagens PHB: O polihidroxibutirato (PHB) é o plástico obtido com a fermentação do açúcar por bactérias. É biodegradável

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Estudo diz que mercado de gases estufa cresceu 41% em 2008

O mercado mundial de compra e venda de cotas de emissão de gases causadores do efeito estufa cresceu 41% na primeira metade deste ano, para 38 bilhões de euros, segundo dados apresentados nesta quarta-feira, 3, pela Associação Internacional de Comércio de Emissões (IETA). As transações de cotas de dióxido de carbono (CO2), o gás mais poluente, também aumentaram nos primeiros seis meses de 2008, passando das 1,2 bilhão de toneladas de 2007 para aproximadamente 1,84 bilhão de toneladas. O estudo da IETA, divulgado durante a conferência das Nações Unidas para a Mudança Climática, realizada desde segunda-feira, 1, na cidade polonesa de Poznan, assinala que a compra e venda de poluentes poderia se desenvolver ainda mais se os EUA acreditassem em um mercado nacional de CO2. A União Européia centraliza a maior parte dessas operações relacionadas com direitos poluentes, com cerca de 70% do volume total global. De acordo com o Protocolo de Kyoto, os países mais desenvolvidos devem reduzir progressivamente suas emissões de gases causadores do efeito estufa para os níveis de 1990, embora as dificuldades para conseguir essa diminuição faça com que o mercado de compra de direitos de emissão tenha se desenvolvido nos últimos anos como fórmula para evitar sanções por excesso de poluição. A Conferência das Nações Unidas termina no próximo dia 12 de dezembro, quando se espera que governantes de todo o mundo entrem em acordo para alcançar um pré-pacto que permita fechar um protocolo pós-Kyoto na próxima reunião, em Copenhague, em 2009.