terça-feira, 29 de novembro de 2011

Gases de efeito estufa aumentarão 50% até 2050

OCDE: Emissões globais de gases que causam o efeito estufa devem aumentar 50% até 2050
As emissões globais de gases que causam o efeito estufa devem aumentar em 50% até 2050, principalmente em razão da maior demanda de energia e do crescimento econômico nos grandes países emergentes.
O alerta foi feito nesta quinta-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que publicou o relatório Perspectivas do Meio Ambiente no Horizonte 2050.
O documento foi divulgado às vésperas da 17ª Conferência das Partes (COP 17) da ONU sobre as mudanças climáticas, que começa na próxima segunda-feira em Durban, na África do Sul.
Segundo a OCDE, a fatia dos países dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) nas emissões globais de gases de efeito estufa, que provocam o aquecimento global, passou de 30% nos anos 70 para 40% atualmente.
De acordo com o relatório, as emissões de dióxido de carbono (CO2), um dos principais gases que provocam o efeito estufa, deverão crescer 70% até 2050 em razão do aumento do uso de energias.
“A previsão é de que as emissões de CO2 causadas pelos transportes dobrem entre 2010 e 2050 em razão do forte aumento da demanda por carros nos países em desenvolvimento e do crescimento da aviação”, diz o documento.
“A concentração média global dos vários gases de efeito estufa na atmosfera continuam aumentando desde que os recordes começaram”, alerta a OCDE.
Segundo cientistas, uma concentração de CO2 na atmosfera em 450 partes por milhão (ppm), limitaria em 50% a possibilidade do aumento da temperatura mundial em 2°C, meta de aquecimento definida em 2010 na conferência internacional em Cancun.
Esse aumento de 2°C é considerado pelos especialistas como sendo o limite para que as mudanças climáticas sejam suportáveis ou adaptáveis.
A OCDE ressalta que as concentrações atuais de CO2 “estão chegando muito perto da meta de 450 ppm”.
O transporte aéreo deve responder por boa parte do aumento dos gases que causam o efeito estufa
De acordo com o documento, esse número já estava próximo de 400 ppm no ano passado.
“Se não houver novas medidas governamentais, a concentração de CO2 na atmosfera poderá atingir 685 ppm em 2050″, afirma a organização, ressaltando que isso poderá resultar em uma alta média de 3,7°C a 6° da temperatura do planeta até o final do século.
A OCDE também alerta que se não houver mudanças de políticas governamentais, as energias fósseis ainda continuarão representando 85% das energias utilizadas no mundo.
“Os governos devem deixar de lado suas viseiras nacionais e considerar a situação em escala mundial”, disse o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría.
“Para atingir o objetivo fixado de limitar em 2°C o aumento da temperatura mundial, eles devem acelerar as negociações em Durban”, declarou Gurría. (EcoDebate)

Cortar emissões de CO2

OCDE: mundo precisa agir para cortar emissões de CO2
As temperaturas médias globais poderão subir de 3 a 6 graus Celsius até o final do século se os governos fracassarem em conter as emissões de gases de efeito estufa, o que provocaria uma destruição sem precedentes à medida que as geleiras derretem e os níveis dos mares sobem, alertou a OCDE.
Em um relatório divulgado antes das negociações climáticas da ONU em Durban, África do Sul, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico disse que o futuro será sombrio se os esforços para limitar o aumento da
Os países desenvolvidos costumavam ser a principal causa do aumento na emissão dos gases de efeito estufa, mas a responsabilidade será cada vez mais compartilhada nas próximas décadas com as novas potências econômicas emergentes, afirmou a agência sediada em Paris.
Um aumento de 80% na demanda global de energia deverá elevar as emissões de dióxido de carbono em 70% até 2050, e as emissões provenientes dos transportes devem duplicar devido ao aumento na demanda por carros em países em desenvolvimento e da expansão na aviação.
“Os governos têm de romper a mentalidade nacional e olhar para o cenário global”, disse o secretário-geral da OCDE, Angel Gurria, em comunicado.
“Eles precisam acelerar as negociações em Durban se quisermos atender as metas definidas internacionalmente para limitar o aumento da temperatura global a 2 graus Celsius.”
O alerta da OCDE, órgão sustentado principalmente pelos Estados Unidos e por outras economias desenvolvidas, enfatizou os temores de que o compromisso em reduzir os gases que provocam aquecimento pode não existir em um momento em que boa parte do mundo está afundada em dívidas.
DANOS IRREVERSÍVEIS
Sobre a possibilidade de um aumento de temperatura de 3 a 6 graus Celsius até o final do século, a OCDE disse que “tal aumento elevado de temperatura continuaria alterando os padrões de precipitação, derreteria geleiras, causaria aumento do nível do mar e intensificaria eventos climáticos extremos para níveis sem precedentes”.
“Poderia até exceder alguns ‘pontos de ruptura’ críticos, causando mudanças naturais dramáticas que poderiam ter resultados catastróficos ou irreversíveis para os sistemas naturais e a sociedade”, afirmou.
O relatório se soma aos apelos crescentes para uma ação antes de delegados de quase 200 países se reunirem em Durban, a partir de 28 de novembro, para negociações sobre o clima, em que o resultado mais provável deverá ser um avanço modesto rumo a um acordo amplo para cortar as emissões de gases de efeito estufa.
Cientistas climáticos da ONU, a Agência Internacional de Energia e outros dizem que as promessas mundiais até agora para reduzir as emissões de CO2 e outros gases causadores do efeito estufa não são o suficiente para impedir que o planeta esquente mais de 2 graus Celsius — limite que cientistas afirmam que poderá causar uma instabilidade climática na qual climas extremos se tornarão mais comuns e a produção de alimentos será mais difícil. (EcoDebate)

Recorde na emissão de CO2 em 2010

Recorde na emissão de CO2 em 2010 aumenta a pressão na Conferência do Clima (COP17), em Durban
Recorde de emissões testará conferência do clima em Durban – Uma nova rodada de negociações climáticas, sob o guarda-chuva da ONU, começou dia 28/11/11, na África do Sul, tendo como pano de fundo o anúncio de emissões recorde de gases estufa em 2010 e a frustração que tem marcado a busca de soluções em acordos mundiais para a crise do clima.
Às vésperas do encontro de 12 dias em Durban, que termina em 09/12/11, a OMM (Organização Meteorológica Mundial) anunciou que o dióxido de carbono (CO2), um dos gases que causam o efeito estufa, atingiu um novo recorde em 2010.
“Mesmo se conseguíssemos cortar pela metade nossas emissões atuais –e este não é o caso, de longe–, elas permaneceriam na atmosfera por décadas e, assim, continuariam a afetar o delicado equilíbrio do nosso planeta e do nosso clima”, afirmou o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud.
Segundo analistas, a ONU ainda está sob o impacto da conturbada Cúpula de Copenhague, em 2009, e que Durban pode se tornar o cenário de disputas sobre o Protocolo de Kyoto, o único acordo a estabelecer controles legais de gases de efeito estufa.
Enaltecido por seus defensores como um modelo de cooperação entre ricos e pobres, o primeiro período de compromissos do tratado expira no final de 2012.
Mas o pacto foi gravemente enfraquecido pela ausência dos Estados Unidos e pela falta de restrições vinculantes a grandes emergentes, como Índia e China.
O palco está montado para uma “dança muito complicada” sobre o futuro de Kyoto, comparou Alden Meyer, veterano de negociações climáticas da União de Cientistas Preocupados, ONG baseada em Washington.
“O pior cenário levará à pane e ao colapso do sistema como um todo”, afirmou.
RESISTÊNCIA
Canadá, Japão e Rússia já se recusaram a assinar o tratado por um segundo período de compromisso, alegando falta de vínculos legais para os maiores emissores de carbono do planeta.
A Europa acena com uma continuidade, desde que China e Estados Unidos aceitem fazer parte de um acordo “global e abrangente”.
Para alguns analistas, fazer com que Kyoto fique obsoleto aumentaria as chances de um acordo global.
“Embora o protocolo continue sendo uma marca importante do multilateralismo, tornou-se, na realidade, mais um impedimento do que um processo genuíno”, escreveu Elliot Diringer, do “thin tank” americano Centro para o Clima e Soluções Energéticas, na edição da semana passada da revista “Nature”.
Outros temem que deixar Kyoto cair no limbo possa ser politicamente devastador.
Em junho do ano que vem, líderes mundiais se reúnem para a conferência Rio+20, no 20º aniversário da Cúpula do Rio, onde a Convenção-quadro sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês) foi criada.
“Durban é a última oportunidade real para que países possam dar convicção em um futuro regime climático”, avaliou o grupo ambientalista da WWF (Fundo Mundial para a Natureza).
“Os cidadãos do mundo esperam por um sinal claro sobre o que os países farão em um segundo período de compromisso que ajude a salvar o planeta e seu povo”, acrescentou.
Mas esta retórica grandiloquente de alto perfil contrasta com o pragmatismo que marca o processo climático atualmente, situação aguçada pela crise financeira e pelas consequentes medidas de austeridade.
META SEM FISCALIZAÇÃO
A nova matriz é o acordo de Copenhague, que estabelece como meta limitar o aquecimento a 2º C, formalmente adotada pela ONU na cúpula do ano passado, em Cancun (México).
No entanto, não foram estabelecidos prazos ou ferramentas para atingir este objetivo, além de um pacto voluntário de cortes de emissões.
“A partir das garantias que estão sobre a mesa agora, nós consideramos que talvez se consiga 60% do que precisa ser feito para ficarmos abaixo dos 2º C”, afirmou Artur Runge-Metzger, negociador da UE (União Europeia).
As negociações em Durban começam ao nível de representantes do alto escalão e terminam com a presença de ministros de Ambiente.
O encontro também tem como tarefa avançar na proposta de um Fundo Climático Verde, esboçada em Copenhague e lançada em Cancun.
A meta é alavancar a arrecadação de fundos a pelo menos US$ 100 bilhões ao ano até 2020 para ajudar os países pobres a enfrentar as mudanças climáticas e se adaptar a cheias, secas e tempestades mais intensas.
Mas as negociações sobre o desenho do fundo estão obstruídas, com as objeções de Estados Unidos e Arábia Saudita. (EcoDebate)

Emissões de gases em 2010 batem recorde

Emissões de gases de efeito estufa em 2010 batem recorde, diz Organização Mundial de Meteorologia (OMM)

O ano de 2010 foi o recordista na emissão de gases de efeito estufa na atmosfera, segundo estudo [Greenhouse Gas Bulletin] divulgado pela Organização Mundial de Meteorologia (OMM), vinculada às Nações Unidas. A organização concluiu ainda que o crescimento industrial elevou a concentração de óxido nitroso no ar. No período de 1990 a 2010, foi registrado aumento médio de 29% na emissão de gases de efeito estufa.
Apenas o dióxido de carbono foi responsável por 80% dessa elevação. De acordo com pesquisadores, os fatores que contribuem para a emissão de gases de efeito estufa são a queima de combustíveis fósseis e os produtos agrícolas, assim como o vapor de água – que coopera para prolongar os efeitos do dióxido de carbono, de metano e de óxido nitroso.
No relatório, os especialistas concluem ainda que a utilização de alguns halocarbonos, como os clorofluorcarbonos que eram usados na fabricação de refrigerantes, em latas de spray e solventes, está diminuindo lentamente como resultado de uma ação internacional para preservar a camada de ozônio.
O secretário-geral da OMM, Michel Jarraud, alertou que se o nível atual de emissão for mantido, o equilíbrio do planeta será afetado. “Agora, mais do que nunca, precisamos entender o complexo e, às vezes inesperadas, as interações entre gases de efeito estufa na atmosfera, a biosfera da Terra e dos oceanos”, disse.
Jarraud disse ainda que a OMM vai manter a coleta de dados, envolvendo 50 países, para ampliar as pesquisas. Os dados se referem às estações climáticas no alto dos Andes e do Himalaia, nas áreas isoladas do Alasca e no Extremo Sul do Pacífico. Essas regiões pouco habitadas servem para que o número de elementos influenciando seja reduzido.
A OMM, por intermédio do programa denominado Atmosphere Watch, coordena as pesquisas sobre a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera com o apoio de uma rede que abrange mais de 50 países. Os dados de medição são de qualidade controlada, arquivados e distribuídos para a organização – sob coordenação da Agência Meteorológica do Japão. (EcoDebate)


Mundo toma medidas contra emissão de gases

Mesmo sem acordo climático global, mundo toma medidas contra emissão de gases
Quando se trata das maiores migrações anuais do mundo, as negociações na Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o clima carecem do espetáculo da hajj (peregrinação dos muçulmanos a Meca) ou do esplendor das manadas de gnus.
Mas emoção é o que não deverá faltar quando milhares de pessoas de quase 200 países viajarem a Durban, na África do Sul, ao final deste mês, para a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2011.
Porém, acredita-se que os negociadores fracassarão mais uma vez em relação àquilo que há muito tempo é considerado o teste mais crucial da eficácia dessas reuniões: criar um pacto global que obrigue legalmente os países a reduzir a quantidade de dióxido de carbono lançado na atmosfera, o gás de efeito estufa que é considerado o causador do aquecimento global.
O mundo já fez isso anteriormente, quando o Protocolo de Kyoto de 1997 foi adotado na cidade japonesa de mesmo nome. Mas aquele tratado só fez com que os países se comprometessem a reduzir as suas emissões de dióxido de carbono até o final do ano que vem. Desde que Kyoto passou a vigorar, em 2005, sucessivas reuniões sobre o clima na ONU tentaram – sem sucesso – chegar a um segundo consenso quanto a um período de cumprimento da regra, e a mais infame delas foi a altamente propagandeada conferência de Copenhague, em 2009.
Mas algo de curioso está ocorrendo neste ano. Está ficando cada vez mais evidente que, apesar do ritmo glacial das negociações na ONU, vários dos maiores países e companhias do mundo estão pressionando assim mesmo para que se chegue a um acordo. Da China à Califórnia, da Ford à PepsiCo, tem havido um aumento surpreendente das atividades para promover a redução das emissões.
“Nós nunca antes vimos algo como isso”, diz Adam Matthews, secretário-geral da Globe International, uma associação de legisladores que monitora as leis climáticas em 17 grandes economias mundiais. “Um número sem precedentes de países está instituindo ou redigindo legislações abrangentes sobre a alteração climática. E isso ocorre especialmente nos principais países emergentes”.
Por exemplo, no seu último plano quinquenal, a China incluiu pela primeira vez, planos para o comércio de emissões e metas de redução da intensidade das emissões de carbono. Já a Indonésia instituiu uma moratória de dois anos das novas autorizações para a derrubada de florestas primárias.
“No universo das corporações também tem havido uma mudança profunda”, diz Nick Robins, diretor do grupo do HSBC para mudança climática. “As empresas estão deixando de fazer apenas manobras inócuas de relações públicas sobre políticas verdes e estão modificando a maneira como fabricam os seus produtos, e até mesmo modificando os próprios produtos, à medida que percebem que há benefícios financeiros advindos da redução das emissões de carbono”, explica Robins.
Um exemplo é a DuPont, grupo químico dos Estados Unidos, que anunciou neste ano que os seus programas de eficiência energética a ajudaram a economizar mais de US$ 6 bilhões a partir de 1990. Outro exemplo é a Shell, a companhia petrolífera europeia, que criou uma joint-venture brasileira multibilionária no setor de biocombustíveis, e que será a maior companhia produtora de etanol do mundo.
Nesta semana, a empresa francesa PPR Group, que inclui marcas de luxo como a Gucci e a Yves Saint Laurent, anunciou que está instituindo um sistema que contabiliza “lucros e prejuízos ambientais” que medirá o impacto das suas operações. No decorrer das últimas duas semanas, a Austrália instituiu leis referentes a um imposto de carbono, e a Ford deu início à produção europeia do menor motor à gasolina que já fabricou na sua história, o EcoBoost, de um litro, cujo nível de emissões quase que se equipara ao dos modelos Toyota Prius. E, no mês passado, a Califórnia adotou formalmente um sistema de comércio de emissões; e a BP anunciou um projeto de US$ 750 milhões para a construção de mais turbinas eólicas, em uma expansão agressiva dos seus projetos eólicos já existentes nos Estados Unidos. Enquanto isso, o HSBC e alguns dos mais conhecidos bancos da Europa instituíram regras que proíbem o financiamento de usinas termoelétricas “sujas”, que queimam carvão.
Até mesmo a guerra entre a Pepsi-Cola e a Coca-Cola adquiriu certo caráter verde. Cada uma delas tenta superar a eficiência das garrafas plásticas leves da outra, feitas de materiais baseados em plantas.
“O que aconteceu no último ano e meio foi que a metade do mundo quase que foi virado de ponta cabeça”, explica Sir David King, que ajudou a criar algumas das políticas climáticas mais avançadas do mundo como ex-principal cientista dos Estados Unidos. Ele agora dirige a Escola Smith de Empreendimento e Meio Ambiente da Universidade de Oxford.
Para ele, a onda de ações climáticas em todo o mundo expõe a irrelevância cada vez maior da tentativa de chegar a um acordo quanto a uma segunda fase do Protocolo de Kyoto, uma iniciativa que, segundo ele, “até o momento nos fez progredir muito pouco na direção das metas desejáveis”.
Mas outros argumentam que existe um vínculo entre as mudanças voluntárias, de “baixo para cima”, promovidas na Ford ou na Califórnia, e os esforços internacionais no sentido de impor tratados globais “de cima para baixo”. Ele aponta para o acordo firmado por países participantes da conferência global de Copenhague em 2009 no sentido de assegurar à ONU que eles reduziriam voluntariamente as suas respectivas emissões.
Os Estados Unidos – que não ratificaram Kyoto e que são o segundo maior emissor de carbono depois da China – dizem que reduzirão as suas emissões em 17% até 2020, em relação aos níveis de 2005, e em 83% até 2050. Já a China prometeu reduzir as suas emissões de carbono por unidade de produto interno bruto em pelo menos 40% até 2020, em relação aos níveis de 2005.
“Se o encontro de cúpula de Copenhague não tivesse ocorrido, eu duvido que estaríamos presenciando hoje tal proposta”, diz Sir Nicholas Stern, que trabalha na China desde 1988 e que redigiu a avaliação dos fatores econômicos da mudança climática no Reino Unido em 2006.
Stern discutiu o plano quinquenal de Pequim com autoridades chinesas quando o projeto estava sendo elaborado e acredita que o plano foi influenciado pelos compromissos assumidos pela China durante a reunião de cúpula de Copenhague. “Assim, eu reagi energicamente à ideia de que nós tentamos a abordagem de cima para baixo e que essa abordagem fracassou, de forma que agora tentaríamos a abordagem de baixo para cima”, diz ele. “Quem pensa assim não está entendendo de fato a maneira como essas coisas reforçam umas às outras”.
Até o momento, quase 90 países apresentaram planos para a redução de carbono à ONU. Mas mesmo se todos eles honrassem as suas promessas, a ONU diz que até o momento elas representam apenas 60% do que é necessário para limitar o aumento da temperatura global a um máximo de 2ºC, o nível que, segundo os cientistas, possibilitaria que houvesse uma chance razoável de evitar os piores impactos da mudança climática.
Enquanto isso, conforme a Agência Internacional de Energia confirmou neste mês, as emissões globais de carbono vinculadas à produção de energia continuaram a aumentar incessantemente, recuperando-se de uma queda ocorrida durante a recessão, e dando um salto de 5,3%, atingindo o nível recorde de 30,4 gigatons em 2010.
Apesar de toda a atividade dos governos e das companhias, é isso o que de fato tem importância, explica Bill McGuire, um vulcanólogo britânico especializado nas consequências geológicas da alteração climática. “Por mais impressionantes que sejam os números referentes a várias fontes de energia, carros elétricos e outros fatores, nada disso está fazendo qualquer diferença nos índices totais de emissões”, adverte ele. “Se esses índices são capazes de aumentar 5% durante uma recessão, é difícil ter qualquer esperança nessa área”. (EcoDebate)

Emissões de CO2 para atmosfera sobem 6%

Emissões de CO2 para atmosfera sobem 6% em apenas um ano
A quantidade de gases de efeito estufa emitida para a atmosfera teve um salto sem precedentes em 2010, de acordo com os dados mais recentes de emissões de dióxido de carbono (CO2) do Departamento Americano de Energia.
'Temos informações desde 1751, antes da Revolução Industrial. Nunca tínhamos visto um aumento de 500 milhões de toneladas métricas em um ano', afirmou Tom Boden, diretor do Centro de Análise de Informações sobre CO2 do Departamento de Energia no Tennessee.
O crescimento na emissão foi de cerca de 6% entre 2009 e 2010. Os maiores aumentos, resultados da queima de carvão e gás, vieram da China, dos EUA e da Índia - os três maiores poluidores do mundo atualmente. Picos significativos em relação a 2009 também foram vistos na Arábia Saudita, Turquia, Rússia, Polônia e Cazaquistão.
Alguns países, como Suíça, Azerbaijão, Eslováquia, Espanha, Nova Zelândia e Paquistão, tiveram declínio pequeno nas emissões. E grande parte da Europa teve aumento moderado.
Os números podem indicar a recuperação da economia da recessão global de 2007 e 2008, de acordo com Boden. Os dados, no entanto, também levantam preocupações sobre a saúde do meio ambiente. (OESP)

Siderúrgica eleva 50% emissões do Rio

Inaugurada há 1 ano, Companhia Siderúrgica do Atlântico inviabiliza meta da prefeitura para 2012 de redução de CO2 lançado na atmosfera.
Segundo a empresa, gases de efeito estufa são emitidos na menor quantidade possível atualmente.
A Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), instalada em Santa Cruz, zona oeste do Rio, lançou 5,7 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera em seu primeiro ano de produção. O número, fornecido pela empresa a pedido do Estado, representa 50,22% a mais que o total de emissões de gases de efeito estufa (GEE) da cidade do Rio em 2005, ano-base do último inventário oficial.
Esse incremento inviabilizaria o cumprimento da meta da prefeitura de redução das emissões em 2012, de 8%. Mas o vice-prefeito e secretário de Meio Ambiente, Carlos Alberto Muniz, diz que a CSA não entrará na conta porque “não estava no cenário” quando a meta foi definida.
Indagado se a meta não se torna irreal, Muniz argumenta que não poderia “se escudar em uma dificuldade e não definir nada”. “Irreal é não ter uma referência básica. Não estamos dizendo que a situação vai ficar maravilhosa, mas que estamos reduzindo em 8% aquilo que existia a partir do inventário de 2005”, diz.
Além da meta para 2012, a Política Municipal sobre Mudança do Clima e Desenvolvimento Sustentável definiu uma redução das emissões na cidade de 16% até 2016 e de 20% até 2020, todas relativas a 2005.
O secretário diz que não recebeu os números da CSA. “Mas não é um fato que nos pega de surpresa.” Ele reconhece que “não há uma medida para resolver” o problema. “Temos as medidas para enfrentar a adequação da cidade às metas que a gente tinha. Estamos reduzindo, não estamos estagnados.”
Segundo Muniz, “não vai ser um esforço só da cidade, mas um esforço geral do Estado”. “Estamos vendo com o governo como atacar a questão.” Em relação ao Estado do Rio, as emissões da CSA no período de um ano, também referentes a 2005, representam aumento de 8,2%.
No texto do Plano de Ação para a Redução de Emissões dos Gases de Efeito Estufa da Cidade do Rio, apresentado em março, Muniz alertara que “há aspectos no horizonte que terão impacto ambiental significativo, como a operação do complexo siderúrgico da zona oeste”. “Não devemos temer esses desafios, que gerarão empregos e renda à região mais carente”, escreveu.
O Plano de Ação municipal contempla medidas como duplicação da malha de ciclovias, expansão do reflorestamento, instalação do Centro de Tratamento de Resíduos em Seropédica e racionalização dos transportes coletivos, com corredores exclusivos de ônibus (BRTs).
As emissões do Rio em 2005 contabilizaram 11,35 milhões de toneladas de CO2, segundo o Inventário de Emissões de GEE da cidade, revisado na atual gestão. Entre 1996 e 2005, houve aumento de 11% das emissões. De acordo com o documento, o setor de energia foi responsável por 64% das emissões no Rio em 2005. Sozinho, o transporte rodoviário foi o subsetor mais emissor (33%), seguido por resíduos sólidos (25%) e indústria (10%).
Impacto
Emissão da CSA em um ano com a produção de 3 milhões de toneladas de aço – 5,70 milhões de toneladas de CO2 nos primeiros 12 meses de produção de aço. Ou seja, 50,22% a mais do que todo o total de emissões do município em 2005.
Emissão teórica da CSA em capacidade plena – 8,18 milhões de toneladas de CO2. Corresponde a 72,08% adicionados ao total de emissões do município em 2005.
Outros dados – As emissões totais do município do Rio em 2005 contabilizaram 11,35 milhões de toneladas de CO2. Entre 1996 e 2005, houve aumento de 11% das emissões. O setor de energia foi responsável por 64% das emissões no ano de 2005, principalmente pela queima de combustíveis fósseis no transporte rodoviário. (OESP)

Tecnologia para emitir pouco

Empresa diz que está no limite da tecnologia para emitir pouco
Em um ano, a CSA produziu 3 milhões de toneladas de aço. A empresa diz ter emitido 1,9 toneladas de CO2 para cada tonelada de aço produzida. A produção será aumentada gradativamente até a capacidade plena de 5 milhões de toneladas de aço bruto por ano. A CSA diz que a intensidade de emissão será reduzida a 1,65 toneladas de CO2 por tonelada de aço. Nesse cenário, a emissão anual chegaria a 8,2 milhões de toneladas, aumento de 72% em relação ao total de emissões do município em 2005.
O diretor de Sustentabilidade da CSA, Luiz Cláudio Castro, diz que a margem para mitigar esse problema é pequena. 'Não há como produzir aço sem gerar CO2, não existe civilização sem aço e estamos no limite da tecnologia, com a planta mais moderna e o mínimo possível de emissão.'
Como contraponto, ele cita a China, onde siderúrgicas emitiriam até 2,3 toneladas de CO2 por tonelada de aço. 'Em termos globais, teremos redução de mais de 3 milhões de toneladas de CO2 por ano.' O diretor diz que a empresa participa do reflorestamento de 164 hectares no parque da Pedra Branca e pretende trocar o gás natural pelo gás de lixo gerado no aterro sanitário de Seropédica, mas reconhece que o efeito mitigador é pequeno. O caminho, avalia Castro, é mudar o padrão de emissões no setor de transporte rodoviário.
A CSA foi multada duas vezes por lançar material particulado e é acusada pelo Ministério Público de crimes ambientais. A empresa afirma que esse material é 'inerte e não inalável'. (OESP)

domingo, 27 de novembro de 2011

Desmatamento e recuperação da área florestal

Brasil está atrás de China, Rússia e Índia no combate ao desmatamento e na recuperação da área florestal
Estudo comparou o desmatamento e a recuperação florestal em 11 países
O Brasil está atrás de China, Rússia e Índia no combate ao desmatamento e na recuperação da área florestal perdida. Esta é a conclusão de um estudo organizado pelo instituto brasileiro Imazon e o Proforest, ligado à Universidade de Oxford, que estudo comparou a situação em 11 países e mostra que nos quesitos preservação e reflorestamento o Brasil está perdendo a corrida com outros países dos Brics.
O estudo, divulgado no momento em que o Senado debate os termos do novo Código Florestal quanto ao tratamento de áreas verdes do país, compara a forma com que o Brasil e outros países lidam com o tema e analisa o que está sendo feito de suas florestas.
Se colocados lado a lado, os dados mostram que, enquanto China, Índia e Rússia têm criado leis para proteger suas florestas e agem para recuperar o que já foi devastado, o Brasil segue na contramão, desmatando mais do que é reflorestado.
O levantamento, denominado “Um Resumo do Status das Florestas em Países Selecionados”, verificou um padrão semelhante nos países analisados. Primeiro, passam por intenso processo de desmatamento, normalmente quando estão se desenvolvendo, para abrir espaço para a agricultura e explorar matérias-primas.
Em seguida, essa devastação é interrompida por fatores que vão da escassez dos produtos florestais à preocupação ambiental. Começa então uma curva ascendente, com políticas de proteção ambiental e reflorestamento.
Fundo do poço
Para Adalberto Veríssimo, pesquisador sênior do Imazon e coordenador do levantamento no país, o Brasil está longe de acompanhar os outros Brics.
“Estamos atualmente no fundo do poço e um desses bem profundos, porque quando ainda é pobre, o país dilapida suas florestas, mas à medida que se torna emergente, começa a mostrar uma curva ascendente”, disse Veríssimo à BBC Brasil.
“Estamos atualmente no fundo do poço e desses bem profundos, porque quando ainda é pobre, o país dilapida suas florestas, mas à medida que se torna emergente, começa a mostrar uma curva ascendente. Mas o que vemos aqui não é nada disso. O Brasil já é emergente e continua caindo, já que perde mais florestas do que planta.” Adalberto Veríssimo, pesquisador sênior do Imazon.
“Mas o que vemos aqui não é nada disso. O Brasil já é emergente e continua caindo, já que perde mais florestas do que planta”, afirma o pesquisador, lembrando que se originalmente o país tinha 90% de seu território coberto por florestas, hoje essa proporção é de 56%.
O exemplo mais contundente talvez seja a China, que com um amplo programa oficial superou a fase de devastação intensa e já conseguiu recuperar suas florestas, apesar de ainda serem limitadas. Segundo dados da FAO, a cobertura florestal do país em 1950 não chegava nem a 10% do território, enquanto hoje ocupa 22%.
“O principal interesse chinês é impulsionar sua economia e criar uma reserva estratégica para o país, protegendo, por exemplo, áreas como as que têm recursos hídricos”, afirma Veríssimo.
A legislação da China impede que florestas sejam suprimidas em prol de mineração ou projetos de infraestrutura e só abre exceções mediante a autorização governamental e pagamento de taxa de restauração ambiental.
Curva ascendente
Já a Rússia, país com maior cobertura florestal do mundo, ampliou essa área em 15% em 60 anos e hoje tem quase metade de seu território coberto por florestas. O crescimento deve-se a uma melhoria na legislação, também resultado da menor dependência da área rural.
Segundo o estudo, a Índia também já começou avançar rumo ao reflorestamento, embora em um nível bem mais tímido, de 21% para 22%. Mas o pesquisador lembra que os entraves indianos são muitos mais duros do que os brasileiros, já que eles vivem em território muito menor que o nosso com uma população cerca de seis vezes maior.
O estudo do Imazon e da Proforest, que incluiu também países europeus e da América do Norte, deixa claro que para fazer progresso nessa trajetória de recuperação ambiental são precisos incentivos do governo.
Setores ruralistas rejeitam as conclusões do estudo pois acreditam que a falta de incentivo governamental no Brasil invalida as comparações. Eles alegam que o estudo põe lado a lado países que não são comparáveis, justamente por receberem benefícios em prol da conservação ambiental.
“Esse estudo é uma interpretação parcial dos dados, porque mostra que países que, após devastarem quase toda a área verde que tinham, vêm replantando com recursos obtidos na forma de incentivos financeiros e indenizações para áreas que deixam de produzir alimentos”, disse à BBC Brasil, Assuero Veronez, vice-presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária).
“E não podemos comparar isso com a nossa legislção, que apenas restringe o uso sem qualquer tipo de indenização ou compensação ao proprietário.” (EcoDebate)

Vegetação natural virou pasto em 80% das APPs

Vegetação natural virou pasto em 80% das Áreas de Preservação Permanente (APPs)
Estudo sobre a ocupação das chamadas APPs, a parte mais polêmica da Reforma Florestal em discussão no Congresso, mostra que as pastagens avançaram numa área protegida equivalente a uma vez e meia o território do Estado de São Paulo.
Oito de cada dez metros das Áreas de Preservação Permanentes já desmatadas às margens de rios e encostas de morros no País viraram pasto, mostra um retrato recente da ocupação das chamadas APPs, a parte mais estratégica e polêmica da reforma do Código Florestal, em debate no Congresso.
A recuperação das APPs é o maior nó na reta final da negociação da reforma das regras de proteção do ambiente nas propriedades privadas. A tendência das negociações é reduzir ainda mais a exigência de recuperação de áreas ocupadas pelo agronegócio, em nova versão da reforma a ser apresentada amanhã.
Estudo do professor da USP Gerd Sparoveck estima que 550 mil km2 nas APPs às margens de rios e encostas de morros foram desmatadas, de um total de 1,3 milhão de km2 de proteção da vegetação natural exigida pelo Código em vigor. Das áreas já desmatadas, 440 mil km2 são ocupados por pastagens, calcula o estudo. A extensão dos pastos em APPs corresponde a mais de 1,5 vezes o território do Estado de São Paulo.
“No melhor dos mundos, haverá a restauração da vegetação natural de 15% das Áreas de Preservação Permanentes desmatadas, não mais do que isso. Na pior dos mundos, nem isso será recuperado”, calcula Sparoveck, cujas estimativas sobre desmatamento das áreas de proteção vêm subsidiando os debates do Código Florestal desde o início dos trabalhos do então relator na Câmara, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), hoje ministro do Esporte. Os números são usados como referência tanto por ruralistas como por ambientalistas.
Sparoveck sugere um programa de custo reduzido para recuperação das APPs, baseado em investimentos em cercas e bebedouros, sem prejuízo ao tamanho do rebanho, mas que exigiriam maior produtividade da pecuária brasileira.
O estudo indica um porcentual menor de cultivo de grãos e alimentos que poderia ser atingido pela exigência de recuperação das APPs, entre 5% e 32%, nos biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. No Cerrado, 20% das APPs desmatadas são ocupadas pela agricultura.
Acordo. As negociações em curso, no entanto, vão a outra direção. Amanhã, o relator na Comissão de Meio Ambiente, senador Jorge Viana (PT-AC), apresenta uma nova tentativa de acordo, negociado com o relator nas Comissões de Ciência e Tecnologia e Agricultura, senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC).
Uma nova leva de concessões ao agronegócio tentará conter a oposição manifestada por líderes ruralistas. Proposta negociada com o governo prevê que proprietários de imóveis de 4 a 15 módulos rurais (de 20 a 1.500 hectares, dependendo do município) também possam escapar da exigência de recuperar APPs, dependendo do aval dos conselhos estaduais de meio ambiente.
A justificativa é beneficiar proprietários rurais que têm seus imóveis localizados quase integralmente nas áreas de proteção às margens de rios mais largos, como o Iguaçu e o São Francisco. O Estado apurou que a ideia é obrigar que proprietários de terras enquadrados nessa situação recuperem pelo menos 20% da vegetação natural em seus imóveis, desde que não estejam localizados no bioma Amazônia. Os benefícios eram previstos inicialmente apenas para pequenos agricultores.
A nova versão de acordo para a votação da reforma do Código trará regras de recuperação das matas ciliares adaptadas à largura dos rios. Até aqui, o texto exigia a recuperação de pelo menos 15 metros às margens dos rios mais estreitos, com até 10 metros de largura. A redação, aprovada pela Câmara, foi questionada no Senado. O governo endossa novas concessões desde que elas se restrinjam a imóveis produtivos e única residência dos proprietários.
A negociação no Congresso também prevê novas concessões para a produção de camarão e de sal em manguezais. Pressionado por setores de seu partido, o senador Luiz Henrique proporá a liberação das atividades instaladas em manguezais até 2010. O governo, por ora, é contra essa nova mudança de última hora.
As negociações avançariam pelo fim de semana, na busca de um texto que reúna o os votos de deputados e senadores e garantam a sanção do futuro código florestal por Dilma Rousseff. (EcoDebate)

Minas corre contra o tempo

Minas corre contra o tempo e planta eucalipto cardíaco
Até 2018 o maior Estado consumidor de madeira do País só poderá retirar 5% da matéria-prima de florestas nativas
Em até seis anos, Minas Gerais, o maior Estado produtor e consumidor de madeira do País, com cerca de 18 milhões m3/ano, terá que cumprir uma lei estadual que obriga ao uso de praticamente 100% de madeira de árvores plantadas. Madeira de floresta nativa deverá compor só 5% da demanda até 2018, reza a Lei 14.309, de 2002. E, desde 2010, todo usuário de madeira - das siderúrgicas ao dono do disque-pizza - deve comprovar a origem da matéria-prima. Grande desafio para um Estado que tem 50% de sua matriz energética calcada em lenha e derivados, ante 25% do País, e que importava 30% de seu consumo, diz a Associação Mineira de Silvicultura (AMS).
Atualmente, a relação entre demanda e oferta de madeira em Minas está relativamente equilibrada por causa da crise econômica mundial. Entretanto, há preocupação quanto à capacidade de o Estado se abastecer quando a crise passar. "Se a economia lá fora estivesse nos eixos, já teríamos, hoje, um déficit de 50% de florestas plantadas", diz o diretor-superintendente da AMS, Antônio Tarcizo de Andrade e Silva. "Hoje Minas tem 1,4 milhão de hectares de eucalipto e 136 mil hectares de pinus", diz. "Seria preciso até 2018 plantar 200 mil hectares/ano, mas cultivamos 120 mil a 130 mil hectares/ano."
A demanda à qual o representante da AMS se refere diz respeito sobretudo à necessidade de carvão para o polo siderúrgico. Dos 130 mil hectares de florestas plantadas em 2010, 43.960 hectares, ou 34%, viraram carvão vegetal para fabricação de ferro gusa, cuja composição é 50% de carvão e 50% de minério de ferro. Para gerar energia, o Estado utiliza em média 70% de suas florestas plantadas. Sem contar o uso para outros fins, como papel e celulose.
Poupança verde. Numa situação dessas, o termo "poupança verde" se encaixa perfeitamente à iniciativa de agricultores que decidiram investir no eucalipto. Com previsão de demanda aquecida e crescente, eles apostam nesta árvore, mesmo que a primeira colheita ocorra em seis ou sete anos. "É uma poupança em pé", confirma o produtor rural Leonardo Resende, de Coronel Pacheco (MG), que planta eucalipto há sete anos, tanto para geração de energia quanto para serraria. "Queria algo que desse maior rentabilidade por hectare, e o eucalipto dá retorno de 20% a 30% ao ano, ante 6% da pecuária", diz. "É um negócio estável, que não depende de variações anuais de preço e com perspectiva de alta por várias décadas, já que toda a legislação ambiental joga para isso."
Em Uberaba, no Triângulo Mineiro, o eucalipto avança até sobre áreas de cana, que já havia avançado há dez anos sobre pastos. A fusão, em 2009, entre a Satipel e a Duratex, ambas fabricantes de placas e paineis de madeira, tem provocado alterações na paisagem. Atualmente, diz o gerente executivo da Unidade Minas da Duratex, Heuzer Saraiva Guimarães, a empresa cultiva 45 mil hectares de eucalipto no Triângulo. A política da empresa, porém, é focada no arrendamento de terra em vez do regime de parceria, em que a empresa entra com mudas, assistência técnica e colheita e o produtor, com a terra. "É importante ressaltar que a Duratex utiliza, nos arrendamentos, o mesmo sistema de gestão socioambiental das áreas próprias", diz.
O fato é que, no meio do pasto, entremeando áreas de cana e lavouras de grãos, já despontam na paisagem do Triângulo, cada vez mais, os eucaliptos. Mas desta vez o velho conceito de instalar a cultura em terra ruim e declivosa tem sido revisto. "Eucalipto é uma lavoura; tem de adubar, controlar pragas e monitorar focos de incêndio", diz o produtor Luís Felipe Leite Sabino de Oliveira, que plantou 35 hectares de eucaliptos clonados, "muito mais produtivos e fáceis de manejar do que os provenientes de sementes", diz. "O eucalipto comum produz 35 metros cúbicos por hectare/ano. O clonado resulta em 90 m3/hectare."
Oliveira optou pelo plantio próprio, sem contrato. "Assim vendo para quem pagar melhor." No primeiro plantio, feito em junho, as plantas já alcançam a marca de quase 2 metros de altura. A expectativa de lucro é excelente, garante. No plantio adensado, em que se instalam 2.400 plantas por hectare, após dois anos desbasta-se metade das plantas. Cada planta deve render 7 metros cúbicos, que, multiplicados por 1.200 plantas desbastadas por hectare, resultam em 8.400 m3 .
"Vendendo o metro cúbico por R$ 1, cada hectare renderá R$ 8.400 logo no segundo ano. E este valor já paga o custo inicial de produção, além do custo de colocar a madeira no mercado, num total de R$ 1.500 por hectare, resultando em lucro de R$ 6.900", diz. "Se eu descontar daí o crédito rural - R$ 107 mil para os 35 hectares, com 5 anos de carência e pagamento em 2 parcelas, no sexto e no sétimo anos, com juros de 6,75% ao ano -, ainda me sobram cerca de R$ 2.500 de lucro por hectare no segundo ano", festeja. "E cinco anos depois corto o restante, com toras que devem render R$ 25 mil por hectare."
Dois cortes. Oliveira diz que é possível fazer dois cortes na mesma planta. "Após o primeiro corte, a planta rebrota e sete anos depois corto de novo", diz ele, acrescentando que o trabalho inicial, com o plantio, adubação e controle de formigas é o principal. "Com os clones nem o desbaste de galhos é necessário; eles caem sozinhos. E os tocos que sobram na área são eliminados com produtos que desintegram a madeira, reincorporada ao solo ao longo dos anos."
Outro produtor que apostou no eucalipto em Uberaba foi Rodrigo Piau. Em 50 hectares - "Uma área pequena para cana ou grãos", diz - instalou o eucaliptal. Com mudas clonadas, cultivadas há cinco anos, fez duas formas de plantio: adensado, com 1.100 árvores por hectare, e não adensado, com 350 árvores/hectare.
"Ano que vem já faço o primeiro corte", diz. "O eucalipto é uma opção, mas em áreas mecanizáveis, onde se pode plantar cana ou grãos, não vale a pena por eucalipto." Para ele, qualquer que seja a atividade o produtor deve se profissionalizar e elevar a produtividade. "Já não há só pasto por aqui. O cenário diversificou-se com grãos, cana, seringueira e eucalipto, entre outras lavouras."
Diversificação, aliás, é a palavra de ordem na propriedade arrendada pelo zootecnista Augusto Landim de Macedo Júnior. Em 350 hectares - sendo 70 hectares de mata nativa -, Landim mantém 250 cabeças de gado leiteiro puro e meio-sangue, das raças guzerá, gir, guzolando e girolando. Além do leite, vende animais, planta capim para feno e, no meio dele, eucalipto. "Planto eucalipto há 12 anos, na média de 4 a 5 hectares/ano", diz Macedo Jr., cujo último plantio fez no mês passado, em 15 hectares. "Quando preciso de dinheiro, vou lá e corto. Há dois anos, cortei 1 hectare e lucrei R$ 15 mil", explica. "O principal combustível da região é a lenha, por isso optei pelo eucalipto." Mesmo assim, ele deixa algumas árvores engrossarem para vender como vigotas para construção civil. "O retorno demora, mas é líquido e certo." (OESP)

Amazônia e a sua sobrevivência

Amazônia está muito próxima de um ponto de não retorno para sua sobrevivência
Limite próximo – A Amazônia está muito próxima de um ponto de não retorno para sua sobrevivência, devido a uma combinação de fatores que incluem aquecimento global, desflorestamento e queimadas que minam seu sistema hidrogeológico.
A advertência foi feita por Thomas Lovejoy, atualmente professor da George Mason University, no Estado de Virgínia, EUA, no primeiro dia do simpósio internacional FAPESP Week, em Washington.
O biólogo Lovejoy, um dos mais importantes especialistas em Amazônia do mundo, começou a trabalhar na floresta brasileira em 1965, “apenas três anos depois da fundação da FAPESP”, lembrou.
Apesar de muita coisa positiva ter acontecido nestes 47 anos (“quando pisei pela primeira vez em Belém, só havia uma floresta nacional e uma área indígena demarcada e quase nenhum cientista brasileiro se interessava em estudar a Amazônia; hoje essa situação está totalmente invertida”), também apareceram no período diversos fatores de preocupação.
Lovejoy acredita que restam cinco anos para inverter as tendências em tempo de evitar problemas de maior gravidade. O aquecimento da temperatura média do planeta já está na casa de 0,8 graus centígrado. Ele acredita que o limite aceitável é de 2 graus centígrados e que ele pode ser alcançado até 2016 se nada for feito para efetivamente reduzi-lo.
O objetivo fixado nas mais recentes reuniões sobre o clima em Cancun e Copenhague de limitar o aumento médio da temperatura média global em 2 graus centígrados pode ser insuficiente, na opinião de Lovejoy, devido a essa conjugação de elementos.
De forma similar, Lovejoy crê que 20% de desflorestamento em relação ao tamanho original da Amazônia é o máximo que ela consegue suportar e o atual índice já é de 17% (em 1965, a taxa era de 3%).
A boa notícia, diz o biólogo, é que há bastante terra abandonada, sem nenhuma perspectiva de utilização econômica na Amazônia e que pode ser de alguma forma reflorestada, o que poderia proporcionar certa margem de segurança. (EcoDebate)

Recuperação de áreas degradadas

Áreas degradadas são porções de terrenos que sofreram distúrbios e que após estes fenômenos sofreram perda de vegetação e dos meios bióticos como banco de sementes, banco de plântulas, chuvas de semente e rebrotas, apresentando baixa capacidade de resiliência, isto é voltar ao seu estado anterior, necessitando para tanto de auxílio antrópico.
Esta conceituação de área degradada se aplica também para áreas desgastadas ou que perderam o equilíbrio e se tornaram improdutivas ou áreas onde os solos perderam capacidade de produção.
Aplica-se o conceito ainda para áreas que sofreram com ações antrópicas que modificaram de forma relevante seu ecossistema de tal maneira que houve influência significativa nos sistemas naturais com alteração substancial na dinâmica implicando em intervenção antrópica para reversão da situação.
A literatura técnica especializada considera área degradada a porção de geobiossistema (fração de área) que sofreu intensa perturbação e perdeu a capacidade natural (resiliência) de se auto regenerar. E denomina de área perturbada a fração que sofreu menores perturbações e não perdeu a capacidade de auto-regeneração ou resiliência.
As principais fontes de degradação podem ser a mineração, através de destruição de paisagens e produção de diversos tipos de erosão, o uso intensivo das áreas para finalidades agropecuárias (que geram saturação em agrotóxicos, salinização, superpastejo, etc.), a ocorrência de queimadas devido a manejos inadequados ou incêndios produzidos por secas e o simples desmatamento indevido de áreas verdes e matas ciliares.
As áreas degradadas tem por característica apresentarem menor diversidade de espécies, carência de estrutura vegetal, falta de solo ou más condições do solo e baixíssima ou ausente capacidade de reconstituição natural.
As áreas apenas perturbadas já têm maior diversidade de espécies, maior estrutura de flora e fauna, maior capacidade dos solos e melhores possibilidades de recuperação natural.
Recuperar áreas degradadas objetivas fornecer ao ecossistema local condições que permitam sua recuperação integral, recompondo tanto quanto possível o equilíbrio natural perdido e criando condições de recuperação. São ambientes que não tem condições físicas ou biológicas de se recuperarem sozinhos e precisam auxílio antrópico.
Em geral as concepções de recuperação passam por obras no meio físico como terraços e banquetas e culminam com reconstituição das espécies vegetais, através de replantio planejado e sequencial que possibilita reconstituição do ecossistema degradado.
As ocorrências mais comuns de áreas degradadas são desmatamentos impróprios em áreas de Reserva Legal; alterações de cursos de água e drenagens naturais em áreas de preservação permanentes; desmatamentos em áreas de preservação permanente e áreas degradadas por atividades minerais que vão desde o uso indevido de mercúrio, até escavações inapropriadas em garimpos e instalação de voçorocas em episódios erosionais descontrolados por ausência de drenagens adequadas.
Resumindo podemos definir que ocorrem desmatamentos, alterações impróprias em sistemas de drenagens e impacto ambiental por atividades poluentes ligadas a atividades rudimentares ou desestruturadas de mineração.
Em geral os processos de recuperação incluem obras civis moderadas para recuperação de meio físicos e extensivos programas de reflorestamento começando com as chamadas espécies pioneiras, seguindo com espécies secundárias iniciais e espécies secundárias tardias e culminando com espécies climáticas ou de clímax.
As espécies pioneiras devem ter boa resistência, facilidade para se propagar, facilidade na obtenção de sementes, crescimento rápido e bom fornecimento de matéria orgânica para recuperação dos solos. Geralmente são espécies que necessitam grande exposição solar.
Já as espécies secundárias variam muito em função das características regionais, tem diferente comportamento em relação a luz solar e geralmente só ocorrem onde já existem espécies pioneiras previamente implantadas. (EcoDebate)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Aquecimento global e os eventos climáticos

Novo relatório do IPCC indica que o aquecimento global é a causa de eventos climáticos extremos
Aquecimento global é a causa de eventos climáticos extremos, diz ONU
Mudança climática causada pelo homem é responsável por calamidades. Novo relatório do IPCC foi publicado nesta sexta-feira.
As mudanças climáticas provocadas pelo homem já causam ondas de calor e chuvas torrenciais que causam inundações, e provavelmente contribuirão para futuros desastres naturais, alertou a ONU em um relatório [Managing the Risks of Extreme Events and Disasters to Advance Climate Change Adaptation (SREX)] publicado em 18/11/11.
Mas as perdas e danos provocados por estes eventos extremos dependerão muito das medidas tomadas para proteger as populações e a propriedade quando a violência da natureza aflorar, acrescentou.
O relatório, divulgado dez dias antes das negociações climáticas em Durban, na África do Sul, é a primeira revisão abrangente das Nações Unidas sobre o impacto do aquecimento global em eventos climáticos extremos e a melhor forma de lidar com eles.
“Na verdade, podemos atribuir o aumento de dias quentes nos últimos anos a uma concentração maior de gases de efeito estufa”, afirmou Thomas Stocker, co-presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), que aprovou um resumo do relatório durante reunião em Kampala, capital de Uganda.
“E é virtualmente certo que a intensificação da frequência e da magnitude dos extremos diários de calor e frio ocorram no século XXI”, disse a jornalistas durante entrevista coletiva. “Temporais serão mais frequentes em muitas regiões do planeta”, acrescentou.
Cenários
O relatório revisou extremos de calor e chuva com base em três projeções ou cenários: uma forte redução nas emissões de carbono, uma redução modesta, e níveis inalterados (cenário “business as usual”). Os três cenários demonstraram uma trajetória similar de aumento dos extremos até meados do século.
Mas por volta do fim do século, os caminhos divergem dramaticamente, com ondas de calor e picos de chuva mais intensos e frequentes no pior cenário, que considera um mundo saturado de gases-estufa.
No cenário que prevê emissões elevadas – a caminho do qual estamos agora -, picos de calor que aconteciam a cada 20 anos vão ocorrer a cada cinco anos por volta de 2050, e todo ano ou a cada dois anos ao final do século. A incidência de chuvas intensas aumentará da mesma forma, acrescentou o documento.
Qin Dahe, outro co-presidente do IPCC, afirmou que o painel também está “mais confiante” de que as mudanças climáticas são a causa do recuo das geleiras, uma grande preocupação para países da Ásia e da América do Sul, que dependem das geleiras para ter água.
Há alguns anos, a imagem do painel saiu arranhada após equívocos no Quarto Relatório de Avaliação, publicado em 2007. Entre estes erros estava uma estimativa grosseiramente imprecisa sobre o ritmo de derretimento das geleiras do Himalaia.
Voltando ao documento atual, no que diz respeito aos outros eventos climáticos, como ciclones, os cientistas ainda se disseram incapazes de dimensionar o impacto das mudanças climáticas, devido à falta de dados e a “mutabilidade e variações inerentes ao sistema climático”, explicou Stocker.
“A incerteza aqui vai nas duas direções. Os eventos podem ser mais severos e mais frequentes do que as projeções sugerem ou vice-versa”, acrescentou. Alguns estudos sugeriram que a temperatura do ar e da superfície marítima mais quentes, combinadas com uma maior umidade do ar intensificarão as tempestades tropicais.
O documento de 20 páginas publicado esta sexta-feira resume as conclusões de um relatório de 800 páginas, que levou três anos para ser feito, e que revisa milhares de artigos científicos. Ele foi escrito por cerca de 200 cientistas e aprovado esta semana pelo IPCC, formado por 194 países-membros, e que reúne representantes de governos e especialistas.
Fenômenos
Segundo o documento, eventos extremos climáticos atingirão o globo de forma desigual: a onda de calor que matou 70 mil pessoas na Europa em 2003 pode ser um padrão para futuros picos no sul da Europa e no norte da África. Regiões da África onde milhões já vivem no limite da fome enfrentarão mais secas. Pequenos estados insulares poderão ficar inabitáveis devido a temporais agravados pelos mares com níveis mais elevados.
“A mensagem chave é a forma de interação dos extremos, a exposição e a vulnerabilidade criam um risco de catástrofe”, explicou Chris Field, co-presidente do Grupo de Trabalho II do IPCC, que se concentra na adaptação às mudanças climáticas.
“Não é preciso dizer que este [relatório] é um novo alerta”, afirmou a comissária europeia de ação climática, Connie Hedegaard, em um comunicado em Bruxelas.
“Com todo o conhecimento e argumentos racionais a favor de uma ação climática urgente, é frustrante ver alguns governos não demonstrarem a vontade política para agir”, acrescentou.
“Este relatório deveria acabar com as dúvidas dos governos sobre o que são as mudanças climáticas, sobre seus impactos sobre os eventos climáticos extremos, que já afetam as vidas e o sustento de milhões de pessoas”, criticou Bob Ward, do Instituto de Pesquisas Grantham sobre Mudanças Climáticas e Meio Ambiente da London School of Economics. (EcoDebate)

Cidades brasileiras queimam lixo

Mais da metade das cidades brasileiras queimam lixo, aponta IBGE
Os moradores das áreas rurais do país estão queimando mais lixo. Dados definitivos do Censo 2010 divulgados em 16/11/11 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que o percentual de municípios onde essa prática ocorre cresceu de 48,2%, em 2000, para 58,1%, em 2010.
A dificuldade e o alto custo da coleta do lixo rural são os principais motivos para o aumento, segundo a pesquisa. Já a proporção de cidade onde há despejo de lixo em terreno baldio caiu de 20,8% para 9,1% no período.
O índice de acesso a serviço de coleta de lixo aumentou de 79%, em 2000, para 87,4%, em 2010, em todo o país. A cobertura mais abrangente foi verificada na Região Sudeste (95%), seguida da Sul (91,6%) e da Centro-Oeste (89,7%). As regiões Norte (74,3%) e Nordeste (75%), que tinham menores coberturas no ano 2000 (57,7% e 60,6%), apresentaram os maiores crescimentos em dez anos.
Nas áreas urbanas, em 2010, o serviço de coleta de lixo dos domicílios estava acima de 90% em todo o país, variando de 93,6%, no Norte, a 99,3%, no Sul. Nas áreas rurais, o serviço aumentou na comparação com 2000, passando de 13,3% para 26%, em média. (EcoDebate)

Para IPCC, aquecimento induz eventos extremos

Enchente. Moradores de Bangcoc enfrentam alagamento; 562 pessoas já morreram
Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) divulgado em 18/11/11 afirma que um aumento da incidência de ondas de calor no mundo é quase certo, enquanto chuvas mais pesadas, mais inundações, ciclones mais fortes, deslizamentos e secas mais intensas são prováveis.
O documento apresenta diferentes probabilidades para eventos climáticos com base em futuros cenários de emissões de gases causadores de efeito estufa.
Os cientistas alertam que muitas regiões poderão assistir a um espaçamento menor entre dias extremamente quentes: o intervalo deve cair de 20 para 2 anos até o final do século. "Estamos começando a perceber que dá para fazer a conexão entre mudanças climáticas globais e aumento da frequência de eventos climáticos extremos", confirma o físico Paulo Artaxo, da USP, cientista colaborador do IPCC.
"Percebemos, por exemplo, que nos anos em que há mais incidência de furacões no Caribe, a temperatura da superfície do mar está mais quente no Atlântico tropical", diz.
O relatório lança para o mundo o alerta de que é preciso se preparar para o aumento dos eventos extremos.
"A capacidade de o mundo se tornar mais resistente às mudanças climáticas dependerá muito da velocidade com que as emissões serão reduzida, e no alcance do fornecimento de recursos financeiros e tecnologia dos países desenvolvidos para os mais vulneráveis", afirma Christiana Figueres, chefe de mudanças climáticas da ONU.
Ela diz que os governos que se reunirão em Durban no fim do mês para a Conferência do Clima da ONU devem "finalizar o quadro institucional acordado no ano passado no México, para ajudar os países em desenvolvimento a se adaptarem".
O relatório do IPCC aponta que as ondas de calor já observadas nos últimos anos provavelmente ficarão entre 1°C e 3°C mais quentes em meados do século 21 e entre 2°C e 5°C mais quentes até o final do século.
"Elas afetam muito os países da Europa, além de China e Índia. Para nós, não há muitas consequências, diz Paulo Artaxo."
Segundo o documento, há probabilidade média de que as secas também se tornem mais intensas ao longo deste século. Ao mesmo tempo, o relatório prevê precipitações mais fortes, principalmente nas áreas tropicais e altas latitudes. (OESP)

Preocuparções Aquecimento Global

Aquecimento Global: porque devemos nos preocupar?
Um pouco de história
• No início da história do homem, os impactos ambientais eram muito pequenos, com o aumento da população e o desenvolvimento tecnológico essa situação mudou. Sem contar a ampliação da agricultura, e, mais tarde a industrialização.
Causas do desmatamento
• A utilização dos terrenos para a agricultura;
• A exploração de recursos minerais;
• A extração de madeira;
• A construção de hidrelétricas;
• As queimadas ( incêndios propositais ou não).
Impactos ambientais decorrentes das queimadas
• Extinção e redução da biodiversidade;
• Extermínio de indígenas;
• Erosão e empobrecimento dos solos;
• Assoreamento do leito dos rios;
• Desertificação;
• Aumento de CO2 na atmosfera resultante das queimadas;
• Rebaixamento do lençol freático;
• Mudanças climáticas.
Desertificação
Suas causas são:
• Uso intensivo do solo para a agricultura;
• Fragilidade do ecossistema;
• Desmatamento;
• Pecuária extensiva;
• Técnicas não apropriadas de irrigação e cultivo.
Implicações da desertificação
• Problemas sociais: fome, analfabetismo, diminuição de renda e do consumo;
• Migração dos habitantes de áreas secas: pobreza humana;
• Destruição da biodiversidade;
• Erosão dos solos;
• Redução dos recursos hídricos;
• Redução de terras cultiváveis.
Erosão dos solos e a utilização de agrotóxicos em áreas agrícolas
Causam:
• Danos à saúde de trabalhadores rurais;
• Agrotóxicos contaminam as águas e também contaminam os solos, os tornando pobres e inférteis;
• Uso excessivo de inseticidas faz aparecer pragas mais resistentes;
• A erosão é um problema que ocorre, em todo mundo, sendo mais intensa na zona tropical.
A poluição das águas
Principais fontes poluidoras:
• Resíduos industriais;
• O chorume do lixo orgânico;
• Esgotos sem tratamento;
• O lixo sólido;
• Resíduos agropecuários;
• Atividades mineradoras.
Poluição sonora e visual
É gerada pela liberação de energia como luz, calor e som geralmente observados nas grandes cidades.
Afeta a saúde mental, pois causa irritação, nervosismo, fadiga e outros sintomas relacionados com o sistema nervoso e os órgãos dos sentidos.
Poluição térmica
O aumento da temperatura do ar ou da água provoca alteração do meio é denominado poluição térmica.
A elevação da temperatura propicia o desenvolvimento de fungos e bactérias, muito dos quais causam doenças em peixes em outros organismos.
Poluição por eutroficação
A eutroficação corresponde ao aumento excessivo de nutrientes na água. Pode ser natural ou provocada por resíduos urbanos, industriais ou agrícolas. Ocorre o aumento de bactérias aeróbicas, que consomem grande parte do oxigênio existente na água. Assim, não há oxigênio para todos, causando grande mortalidade e o desenvolvimento de bactérias anaeróbicas.
Poluição por substâncias não biodegradáveis
São as substância que não sofrem decomposição, caso principalmente das substâncias organocloradas, como DDT, e dos metais pesados, como o mercúrio, que, se ingerida, pode levar o indivíduo à morte.
Impactos ambientais causados pela poluição do ar
Nas escalas local e regional, destacam-se a inversão térmica, as “ilhas de calor” e a chuva ácida. Em escala global, o aquecimento global (efeito estufa) e a destruição da camada de ozônio.
Inversão térmica
A inversão térmica é um fenômeno que ocorre naturalmente em vários lugares da Terra. Porém, quando ocorre nas grandes cidades, contribui para agravar o problema da poluição.
“Ilhas de calor”
As médias térmicas são bem mais altas nas áreas centrais do que na zona rural. Isso acontece em virtude da grande concentração de prédios que impedem a circulação de ar. Essas áreas são chamadas de “ilhas de calor”. Atua como uma zona de baixa pressão, atraindo ventos e maior quantidade de poluente.
Chuvas ácidas
A presença de poluentes no ar atmosférico torna a água da chuva mais ácida ainda. As consequências disso é o aumento de acidez da água e a perda de nutrientes do solo.
O que é aquecimento global?
Aumento da temperatura média global, ocasionado pelo acréscimo de Gases Efeito Estuda (GEEs) na atmosfera, gerando a intensificação do Efeito Estufa.
Aquecimento Global
“O Aquecimento Global é o grande responsável pelo aumento da temperatura do globo em 0,6°C desde 1860.”
Efeito Estufa
O efeito estufa, dentro de uma determinada faixa, é de vital importância pois, sem ele, a vida não seria como a conhecemos não poderia existir.
O que se pode tornar catastrófico é a ocorrência de um agravamento do efeito estufa, que desestabilize o equilíbrio energético do planeta e origine um fenômeno conhecido como aquecimento global.
Mecanismo de Efeito Estufa
Efeito Estufa
• Gases Efeito Estufa:
– Dióxido de Carbono (CO2)
– Metano (CH4)
– Óxidos Nitrosos (NOx)
– Halogênios
– Clorofluorcarbonetos (CFCs)
– Hidroclorofluorcarbonetos (HCFCs)
Com o aumento populacional e a possibilidade de industrialização, as emissões de gases efeito estufa aumentaram muito desde o começo do século e tendem a aumentar mais.
Em termos estatísticos um habitante de país industrializado gera em média todos os anos 5t CO2; já para os países em desenvolvimento esse valor raramente supera 0,5t CO2 – décima parte.
Uma família de classe média, por exemplo, com dois filhos e dois carros, precisaria plantar 63 árvores por ano, para mitigar suas emissões.
Uma grande multinacional, que emite por ano 3,6 milhões de toneladas de CO2, precisaria plantar 20 milhões de árvores ao ano - o suficiente para preencher nada menos que 26.666 campos de futebol.
Dióxido de Carbono (CO2)
• Contribuição Antrópica:
• Transporte;
• Indústria;
• Domiciliar;
• Agricultura.
• Mineração de carvão;
• Extração e transporte de petróleo e gás natural;
• Mudança no Uso da Terra e Florestas;
Metano CH4
• Um aumento de CH4 no ar provoca, em termos de intensidade, um efeito equivalente à 21 vezes aquele proporcionado pelo CO2
• A vida média do CH4 na atmosfera varia entre 10 e 15 anos.
Óxidos nitrosos
• No nível molecular, o N2O é cerca de 206 vezes mais impactante que o CO2 no que se refere ao Aquecimento Global
• Desde a era pré-industrial até a década de 1980 a taxa de crescimento deste composto foi de 13%.
CFC
• Os CFCs têm elevada persistência no ar e alta taxa de absorção de energia, fazendo com que suas moléculas tenham potencial de Aquecimento Global equivalente ao de 10000 moléculas de CO2
• Mesmo assim o efeito final provocado pelos CFCs sobre a temperatura do globo é pequeno. Isso porque o aquecimento causado pelo CFCs em função do redirecionamento de energia é compensado pelo resfriamento que estes compostos induzem na estratosfera ao destruírem a Camada de Ozônio.
Impactos do Aquecimento Global
“A concentração de GEE na atmosfera pode atingir o dobro do seu nível pré-industrial já em 2035, significando um aumento de temperatura de 2º C”
Impactos
• BIODIVERSIDADE
– Deterioração de ecossistemas únicos e ameaçados
– Diminuição da biodiversidade -migração ou até extinção de espécies
– Êxodo de espécies do mangue por permanente elevação do nível do mar
– Mudanças nos ciclos de migração e reprodução
• AGRICULTURA
– Perda da produtividade na agricultura
– Ameaça a segurança alimentar
• OCEANOS
– Desgelo das calotas polares
– Aumento do nível dos oceanos
– Perda de regiões costeiras – deslocamento populacional e menor área de cultivo
– Aquecimento das águas superficiais – alteração das correntes marítimas e propicia proliferação de algas
– Deterioração dos recifes de corais pela elevação do nível do mar e da temperatura
– Perda da qualidade da água pela entrada de água marinha
Derretimento das calotas polares
Regime Hídrico
– Mudanças nos regimes de precipitações
– Eventos extremos – secas, enchentes e estações mais intensas
Saúde
- Falta de água potável
- Expansão e desenvolvimento de novas pestes
- Epidemias – dengue, malária, cólera entre outras doenças
- Pandemias devido ao aumento dos vetores de doenças mais comuns
Impactos
SOCIO-ECÔNOMICOS
• Prejuízos econômicos devido a desastres ambientais como furacões, secas, enchentes
• Submersão de ilhas oceânicas – êxodo populacional e diminuição do turismo (Ilhas do Pacífico)
• Conflitos entre países – além da busca por recursos naturais, também por causa do deslocamento populacional
• Pressão na infraestrutura dos órgãos públicos, principalmente dos países em desenvolvimento
Brasil
• Tendo em vista que os ecossistemas naturais não apresentam grande capacidade de adaptação à magnitude das mudanças climáticas se estas ocorrerem no curto intervalo de tempo é claro que o Brasil, país megadiverso, deverá sofrer graves alterações em seus biomas.
• Somando o aquecimento global às mudanças no uso do solo, é quase certo que em um futuro breve, acontecerão rearranjos importantes nos ecossistemas e até mesmo na redistribuição dos biomas brasileiros.
• O número de estudos sobre a resposta de espécies da flora e da fauna Amazônica e do Cerrado às mudanças climáticas é ainda pequeno, mas estes indicam que para um aumento de 2° a 3°C na temperatura média, até 25% das árvores do cerrado e 40% de árvores da Amazônia poderiam desaparecer.
• Não obstante, alterações no regime hídrico são certas, porém os estudos que trabalham com tal vulnerabilidade apresentam informações controversas, expondo tanto o aumento quanto a diminuição nos índices de chuva;
• A despeito, as mudanças climáticas afetarão no projeto, construção e operação de empreendimentos relacionados aos recursos hídricos devido a sua susceptibilidade.
– Nesse sentido, a área de energia no Brasil apresenta-se altamente vulnerável às mudanças climáticas, graças a importância da geração hidrelétrica na matriz energética do país.
No que diz respeito a saúde, serão favorecidas doenças cuja proliferação se dê em ambientes quentes e úmidos, tais como: malária, dengue, cólera, leishmaniose, leptospirose e hantovirose.
Adaptação
Segundo o IPCC (2001), os países que possuem menos recursos serão os que mais dificilmente se adaptarão e portanto, os mais vulneráveis. A capacidade de adaptação é dada pela “riqueza, tecnologia, educação, informação, habilidades, infraestrutura, acesso a recursos e capacidade de gestão”.
O que deve ser feito…
• Substituição de combustíveis fósseis;
• Uso de energia renovável e aumento da eficácia energética;
• Manejo adequado na agropecuária;
• Controle de queimadas e desmatamento;
• Métodos de captação e armazenamento de Carbono;
• Planejamento para a adaptação das nações;
• Visão internacional partilhada de objetivos a serem atingidos;
• E principalmente mudanças no padrão de consumo! (blogierb)