sábado, 29 de setembro de 2018

33 mil ton/ano de alimentos em feiras livres de São Paulo vão para o lixo

Por ano, 33 mil toneladas de alimentos das feiras livres de São Paulo vão para o lixo.
No mundo, há uma perda de 1,3 bilhão de toneladas de alimentos e o Brasil tem grande participação nesta conta porque descartamos metade do que produzimos.

Pesquisa dimensiona desperdício e propõe, entre outras, uma finalidade social para esses alimentos: creches, asilos e escolas públicas.


Os dados sobre desperdício de alimentos no mundo são alarmantes. Cerca de 1,3 bilhão de toneladas são jogadas fora por ano. O Brasil tem uma grande participação nesta conta porque está entre os dez países que mais desperdiçam alimentos. Em média, descartamos 50% do que produzimos. Nas feiras livres, é possível se ter uma ideia deste problema. Depois da chamada xepa, milhares de toneladas de frutas, legumes e verduras que poderiam ir para o prato do brasileiro, vão para o lixo. Em São Paulo, este número chega a 33 mil toneladas por ano.  É preciso desenvolver metodologias para mensurar as perdas e o desperdício de alimentos, visando a sensibilizar a sociedade para a problemática.
Uma pesquisa da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP nos traz informações sobre o montante deste desperdício e o quanto perdemos em nutrientes, em água, em energia e em área agricultável. E melhor, o estudo indica que grande parte destes alimentos poderia ser resgatada e ter, entre outras, uma finalidade social: suprir necessidades de asilos, creches e escolas públicas.

Do total de desperdício de frutas, verduras e legumes que acontece nas feiras livres de São Paulo, as maiores perdas estão relacionadas às folhas. Além dos alimentos, também há perdas de recursos naturais. A pesquisa de Sylmara Lopes, da EACH, avalia o impacto ambiental e apresenta informações sobre o quanto se perde em nutrientes, água, energia e área agricultável. Confira no segundo vídeo:
Das 33 mil toneladas de alimentos descartadas anualmente nas feiras livres de São Paulo, uma grande parcela, que tem ótima qualidade, poderia ser reaproveitada e ter uma finalidade social como o suprimento de alimentos em instituições que atendem pessoas em vulnerabilidade. Além do consumo humano, pesquisa da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP propõe outras rotas de reaproveitamento: ração animal, geração de energia e compostagem.
Assista aos vídeos:
33 mil toneladas de alimentos das feiras livres de SP vão para o lixo.
Impacto ambiental de alimentos desperdiçados em feiras livres de SP.
Finalidade social para desperdício em feiras livres de SP.
Toneladas de alimentos das feiras livres de São Paulo vão para o lixo, pesquisa dimensiona desperdício e propõe, entre outras, uma finalidade social para esses alimentos. (ecodebate)

Manguezais amazônicos armazenam 2 vezes mais carbono que floresta tropical

Manguezais da Amazônia armazenam duas vezes mais carbono por hectare que a floresta tropical da região.Os cientistas determinaram, pela primeira vez que, os mangues costeiros da Amazônia, crescentemente desmatados para pastos de gado e produção de camarões, armazenam significativamente mais carbono por hectare do que a famosa floresta tropical da região.
Manguezal.
O estudo de longo prazo, publicado recentemente na revista Biology Letters, fornece uma melhor compreensão de como o desmatamento de manguezais contribui para o efeito estufa, uma das principais causas do aquecimento global, diz J. Boone Kauffman, ecologista da Oregon State University, quem liderou a pesquisa.
O manguezal brasileiro permeia toda a costa do Atlântico na foz do Amazonas, o maior rio do mundo com a maior floresta de mangue. Embora a preservação da floresta amazônica tenha sido objeto de intensos esforços de conscientização nas últimas décadas, menos atenção tem sido dada aos manguezais da Amazônia.
Os manguezais representam 0,6% de todas as florestas tropicais do mundo, mas seu desmatamento é responsável por até 12% das emissões de gases de efeito estufa provenientes de todo o desmatamento tropical.
Os manguezais são um grupo de árvores e arbustos que vivem em zonas costeiras interditais tropicais. Existem cerca de 80 espécies diferentes de árvores de mangue. Todas essas árvores crescem em áreas de solos encharcados, onde águas lentas permitem que sedimentos finos se acumulem. Nesses ambientes, os manguezais sequestram quantidades significativas de carbono, armazenadas por séculos.
Manguezais Amazônicos: o “ar condicionado do mundo”.
Para o estudo, os pesquisadores visitaram nove mangues e três restingas dentro da Amazônia brasileira. A costa do Oregon, como grande parte dos Estados Unidos, possui salinas ao longo de sua costa e estuários. Os pântanos salgados, os mangues e as comunidades de ervas marinhas são coletivamente referidos como “carbono azul” porque possuem vastos reservatórios de carbono e sua conservação é valiosa no que diz respeito à mitigação das mudanças climáticas.
As florestas de mangue também são importantes para a biodiversidade. Eles são conhecidos como “jardim de infância dos mares”. É aqui que os peixes jovens desovam, se reproduzem e passam as primeiras partes de suas vidas.
Manguezais de corte raso apresentam outra ameaça: as pessoas que vivem ao longo da costa se tornam mais vulneráveis a tempestades quando são derrubadas, disse Kauffman.
“Os mangues são importantes para proteção contra impactos de tempestades”, disse ele. “Quando destruímos os mangues, tornamos as populações muito mais vulneráveis a danos e mortes durante tempestades. Mais frequentemente, estas são algumas das pessoas mais pobres do planeta.”
Os coautores de Kauffman foram Leila Giovannoni, aluna do Departamento de Pesca e Vida Selvagem da OSU na Faculdade de Ciências Agrícolas; Angelo Bernardino e Luiz Eduardo de O. Gomes da Universidade Federal do Espírito Santo em Vitória, Brasil; e Tiago Ferreira, Danilo Jefferson Romero, La Coutinho Zayas Jimenez e Francisco Ruiz da Universidade de São Paulo em Piracicaba, Brasil.
Estoques de carbono do ecossistema de manguezais em comparação com outros tipos de carbono azul e ecossistemas de terras altas. (a) Estimativa dos estoques totais de carbono dos ecossistemas em miligrama de carbono por hectare. (b) Estimativa de estoque de carbono em toneladas por hectare nos manguezais e florestas da Amazônia, manguezais da “Caatinga” e florestas “Caatinga”, restingas e ecossistemas de cerrado. As barras verdes mostram os resultados para o carbono acima do solo, as barras marrons mostram os resultados para o carbono superficial abaixo do solo e o preto mostra o resultado para o carbono subterrâneo mais profundo. (ecodebate)

Agrofloresta é mais’

Fiocruz lança documentário ‘Agrofloresta é mais’.
O documentário Agrofloresta é mais foi lançado, na última quinta-feira (13/9), em Curitiba (Paraná). Dirigido por Beto Novaes, professor e pesquisador do Projeto Educação através das Imagens, da UFRJ, o filme é uma co-produção da VideoSaúde Distribuidora do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), das Universidades Federais do Rio de Janeiro e do Paraná, do Ministério Público do Trabalho do Paraná e da Associação Paranaense das Vítimas Expostas ao Amianto e aos Agrotóxicos (Apreaa).
Agrofloresta é mais.
A produção mostra como uma área degradada pela produção extensiva de búfalos – a Fazenda São Miguel, em Antonina (PR) – na região da Mata Atlântica paranaense, foi transformada por meio de iniciativas de recuperação do meio ambiente pela produção agroflorestal, com produção de alimentos e preservação da biodiversidade.
Os protagonistas dessa transformação foram as 24 famílias de agricultores do Acampamento José Lutzenberger – Movimento dos Sem Terra (MST), numa área conquistada em 2004 – a Fazenda São Miguel, na cidade de Antonina, a quatro quilômetros do Pico Paraná, o ponto mais alto do estado. Em outubro de 2017, o Acampamento recebeu o Prêmio de Conservação e Ampliação da Agrobiodiversidade, pelo Instituto Sociambiental (ISA) justamente por essa iniciativa.
Apesar das ameaças e das dificuldades, a decisão do grupo de agricultores pela agroecologia veio a partir do momento em que se deram conta de que precisavam “sobreviver e produzir”, numa Área de Proteção Ambiental (APA), e que requeria cuidados e um novo aprendizado em como lidar com a terra. Além disso, Agrofloresta é mais mostra, também, o orgulho dos trabalhadores pelo aprendizado que tiveram e pelo que estão desenvolvendo – uma agricultura saudável, que leva em consideração a saúde e o meio ambiente, afinal “a gente é o que a gente come”, como afirmou de forma simples e direta, a agricultora Valdineia Claudino, que trocou a cidade grande pelo campo.
Sinopse
No dicionário, agroecologia significa agricultura sustentável que agrega conhecimento científico e conhecimento tradicional. Sem fertilizantes industriais e agrotóxicos. Já a agrofloresta é classificada como cultura agrícola com emprego de espécies para restaurar florestas e áreas degradadas.
No acampamento José Lutzenberger, Mata Atlântica, Estado do Paraná, os termos do dicionário ganham vida por meio de histórias pessoais e de famílias inteiras. E também por evidências de que um outro modelo de produção de alimentos e preservação da biodiversidade é possível. Célia cultiva hortaliças, diz que seu psicólogo é a mata e relembra os dias num bairro marcado pelas drogas.
Valdineia conta como ela e os filhos nunca mais tomaram remédios. Luzinete recorda as lutas contra jagunços e fazendeiros. Hoelington fez curso técnico e compartilha o que aprendeu com a comunidade. Jonas, memória viva da comunidade, fala da satisfação de recuperar um olho d’água e a mata ciliar de um rio.
A natureza é sem dúvida surpreendente!!!
Como é possível a agrofloresta produzir até 80 toneladas de alimentos por hectare (8 kg/m2 anual), com baixo custo e ainda melhorando o solo?
Se comparado ao sistema convencional de produção. (ecodebate)

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Cientistas afirmam ser possível reflorestar parte do Saara

Pesquisadores chegaram à conclusão de que a instalação em larga escala de usinas solares e eólicas pode trazer mais chuvas e promover o crescimento da vegetação em regiões desérticas.
Iniciativas como o Sahara Solar Breeder Project estudam como transformar o Saara em um gerador potencialmente infinito de energia. Através dele, espera-se abastecer metade do mundo em 2050 com fazendas de painéis solares no deserto.
Embora se saiba que as usinas eólicas e solares afetam o calor e a umidade de uma região, o impacto ambiental que tais projetos teriam no próprio deserto foi amplamente ignorado. Mas um novo estudo publicado na revista Science revela que essas instalações podem não apenas abastecer o mundo, mas também transformar o Saara para melhor.
Pesquisadores desenvolveram modelos climáticos baseados em temperatura, precipitação e mudanças de vegetação que ocorreriam se a totalidade do Saara fosse coberta por fazendas solares e eólicas. Um projeto desse porte poderia dobrar a precipitação do Saara e do vizinho Sahel, bem como ajudar a aumentar a vegetação em 20%.
“O aumento da precipitação é uma consequência de interações complexas terra-atmosfera que ocorrem porque os painéis solares e as turbinas eólicas criam superfícies de terra mais escuras e acidentadas”, disse Eugenia Kalnay, coautora do estudo, à Universidade de Illinois.
Turbinas eólicas puxam o ar mais quente para a superfície, enquanto os painéis solares ajudam a reduzir a refletividade da superfície, ambos conhecidos por aumentarem as chuvas, transformando a paisagem árida em uma máquina global, verde, renovável.
A instalação de gigantescos parques eólicos e solares pode aumentar a incidência de chuva e trazer a vegetação de volta.
Pesquisadores chegaram à conclusão de que a instalação em larga escala de usinas solares e eólicas pode trazer mais chuvas e promover o crescimento da vegetação em regiões desérticas.
Safa Motesharrei, outro coautor do trabalho, afirmou que o aumento das chuvas e da vegetação, combinado com a eletricidade limpa como resultado da energia solar e eólica, poderia ajudar a agricultura, o desenvolvimento econômico e o bem-estar social no Saara, Sahel, Oriente Médio e outras regiões próximas. (tecmundo)

Padrões climáticos nos EUA estão ligados ao aquecimento do Ártico

Padrões climáticos mais persistentes nos EUA estão ligados ao aquecimento do Ártico; Clima extremo se tornará mais comum.
Condições meteorológicas persistentes, incluindo períodos secos e úmidos, geralmente aumentaram nos Estados Unidos, talvez devido ao rápido aquecimento do Ártico, de acordo com um estudo conduzido pela Rutgers.
Condições climáticas persistentes podem levar a extremos climáticos como secas, ondas de calor, frio prolongado e tempestades que podem custar milhões de dólares em danos e perturbar sociedades e ecossistemas, diz o estudo.
Temperaturas da superfície terrestre de 26 de dezembro de 2017 a 2 de janeiro de 2018, em comparação com a média de 2001 a 2010 para o mesmo período de oito dias. O persistente clima quente do oeste e do frio leste, tão prevalente no inverno passado, causou uma seca no oeste que levou a incêndios de verão, um período de frio prolongado em boa parte do leste e ao longo da costa leste.
Cientistas da Rutgers University – New Brunswick e da Universidade de Wisconsin-Madison examinaram dados diários de precipitação em 17 estações nos EUA, juntamente com grandes padrões de circulação de nível superior no leste do Oceano Pacífico e na América do Norte.
No geral, períodos secos e úmidos com duração de quatro ou mais dias ocorreram com mais frequência nas últimas décadas, de acordo com o estudo publicado on-line na revista Geophysical Research Letter. A frequência de padrões de circulação persistentes em larga escala na América do Norte também aumentou quando o Ártico estava anormalmente quente.
Nas últimas décadas, o Ártico está aquecendo pelo menos duas vezes mais rápido que a temperatura média global, observa o estudo. A persistência de padrões quentes do Ártico também aumentou, sugerindo que as condições climáticas de longa duração ocorrerão com mais frequência à medida que o aquecimento do Ártico continua, disse Jennifer Francis, professora de pesquisa do Departamento de Ciências Marinhas e Costeiras da Rutgers.
“Embora não possamos afirmar com certeza que o aquecimento do Ártico é a causa, descobrimos que os padrões em grande escala com o aquecimento do Ártico estão se tornando mais frequentes e a frequência das condições climáticas de longa duração aumenta mais para esses padrões”, disse Francis na Escola de Ciências Ambientais e Biológicas.
Os resultados sugerem que, à medida que o Ártico continua a aquecer e derreter, é provável que eventos de longa duração continuem ocorrendo com mais frequência, o que significa que os padrões climáticos – ondas de calor, secas, períodos de frio e tempestades – provavelmente se tornarão mais persistentes, disse.
“Quando essas condições duram muito tempo, elas podem se tornar eventos extremos, como vimos com frequência nos últimos anos”, disse ela. “Saber quais tipos de eventos ocorrerão com mais frequência em quais regiões e sob quais condições de fundo – como certos padrões de temperatura oceânica – ajudarão os tomadores de decisão a planejar o futuro em termos de melhorias de infraestrutura, práticas agrícolas, preparo para emergências e retirada controlada. áreas perigosas.”
Pesquisas futuras expandirão a análise para outras regiões do Hemisfério Norte, desenvolverão novas métricas para encontrar conexões causais e analisarão projeções para avaliar os riscos futuros de eventos climáticos extremos ligados a padrões persistentes, disse ela.
Ciclone extratropical atingiu ventos de 160 km/h no Reino Unido.
Aquecimento do Ártico intensifica fenômenos climáticos que assolam EUA, Europa e China.
Diminuição do gelo marinho muda corrente de ar que regula temperatura na região, aumentando duração de eventos extremos. (ecodebate)

Acidificação do oceano pode reduzir a pesca de vieiras

Todos os anos, os pescadores colhem mais de US $ 500 milhões em vieiras do Atlântico, a partir das águas da costa leste dos Estados Unidos.
Um novo modelo criado por cientistas da Instituição Oceanográfica Woods Hole (WHOI), no entanto, prevê que essas pescarias possam estar potencialmente em perigo. À medida que os níveis de dióxido de carbono aumentam na atmosfera da Terra, os oceanos superiores se tornam cada vez mais ácidos – uma condição que poderia reduzir a população de vieiras em mais de 50% nos próximos 30 a 80 anos, no pior cenário possível. A forte gestão da pesca e os esforços para reduzir as emissões de CO2, no entanto, podem retardar ou mesmo impedir essa tendência.
Diagrama conceitual do modelo que vincula a dinâmica da população de vieiras marinhas, (rosa) possíveis mudanças climáticas e impactos da acidificação dos oceanos (amarelo) e desenvolvimento econômico e estratégias de manejo.
O modelo, publicado na revista PLoS One, combina dados existentes e modelos de quatro fatores principais: cenários futuros de mudanças climáticas, impactos da acidificação dos oceanos, políticas de gestão de pesca e custos de combustível para os pescadores.
“O que é novo no nosso trabalho é que ele reúne modelos de ambientes oceânicos em mudança, assim como respostas humanas”, diz Jennie Rheuban, principal autora do estudo. “Combina a tomada de decisões socioeconômicas, a química dos oceanos, o dióxido de carbono atmosférico, o desenvolvimento econômico e o gerenciamento da pesca. Tentamos criar uma visão holística de como as mudanças ambientais podem afetar os diferentes aspectos da pesca de vieiras marinhas”, observa ela.
Como os oceanos podem absorver mais de um quarto de todo o excesso de dióxido de carbono na atmosfera, as emissões de carbono dos combustíveis fósseis também podem causar uma queda no pH dos oceanos. Essa acidez pode corroer as cascas de carbonato de cálcio que são feitas pelos moluscos como ostras e vieiras, e até mesmo impedir que suas larvas formem conchas.
Segundo Rheuban, não existem estudos publicados que possam mostrar os efeitos específicos da acidificação oceânica no vieira do Atlântico. Para estimar seu impacto no modelo, ela e seus colegas incorporaram uma série de efeitos com base em estudos de espécies de moluscos relacionados. Combinado com as estimativas da mudança da química da água, este novo modelo permite que os cientistas explorem como os impactos plausíveis da acidificação dos oceanos podem mudar o futuro da população de vieiras.
Processo de acidificação dos oceanos pode acabar com toda a vida marinha.
Rheuban e seus colegas testaram quatro níveis diferentes de impacto em cada um dos quatro fatores diferentes que influenciaram o modelo, criando, em última instância, 256 combinações de cenários diferentes. Um grupo de cenários examina possíveis caminhos de como a acidificação oceânica pode impactar a biologia de vieiras. Outro examina diferentes níveis de CO2 atmosférico, incluindo um futuro em que as emissões continuam a subir rapidamente, e outro onde elas caem devido à política agressiva de mudança climática. Um terceiro conjunto inclui uma série de custos futuros de combustível, que estão relacionados às políticas de mudanças climáticas. Os custos mais elevados de combustível, observa Rheuban, podem levar a menos dias de pesca ativa, reduzindo o estresse na própria pesca, mas também reduzindo a rentabilidade e as receitas da indústria. O quarto e último conjunto envolve diferentes técnicas federais de manejo pesqueiro.
A pesca para alguns moluscos, como ostras, moluscos e vieiras, são reguladas por governos estaduais ou locais, cada um seguindo seu próprio conjunto de regras. As pescarias de vieiras-marinhas, no entanto, estão localizadas bem em alto mar em uma região que se estende da Virgínia até o Maine, portanto são reguladas principalmente pelo governo federal. Com apenas um conjunto de regras cobrindo a maioria dos pescadores de vieiras, é possível encaixá-las no modelo.
“A atual pesca de vieiras é hoje tão saudável e valiosa, em parte porque é muito bem administrada”, diz Scott Doney, coautor da WHOI e da Universidade da Virgínia. “Também usamos o modelo para perguntar se as abordagens de gerenciamento poderiam compensar os impactos negativos da acidificação oceânica”.
Em todos os cenários possíveis do modelo, altos níveis de CO2 na atmosfera consistentemente levaram ao aumento da acidificação dos oceanos e menos vieiras, apesar de introduzir regras de manejo mais rigorosas ou até fechar parte da pescaria por completo.
“O modelo destaca os riscos potenciais para as vieiras e provavelmente outras áreas de pesca comerciais de marisco das emissões de carbono para a atmosfera”, acrescenta Doney.
Ao longo dos próximos 100 anos, sob o pior dos impactos da acidificação oceânica, o cenário de “business as usual” do modelo mostra um declínio de mais de 50%, enquanto um cenário com política climática proativa mostra apenas uma redução de 13%.
“O modelo mostra que as reduções nas emissões de combustíveis fósseis devido à política climática podem ter um grande impacto na pesca de vieiras”, conclui Rheuban.
Acidificação dos oceanos vai afetar todo o tipo de espécies marinhas
Um novo estudo revela que quem mais sofre com a acidificação oceânica, causada pelas emissões de CO2, são as espécies em estado de infância. Mas, direta ou indiretamente, todas serão afetadas. (ecodebate)

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Degelo da Groenlândia está mudando o eixo de rotação da Terra

Segundo cientistas da NASA, a perda da massa de gelo na Groenlândia é um dos fatores responsáveis pela mudança no eixo da Terra.
Nosso planeta não é uma esfera perfeita. A singularidade de cada canto da Terra, com mares, continentes, montanhas e geleiras forma um "péssimo" modelo de bola. Essa agradável inconsistência tem efeitos até em seu eixo de rotação.
Quando ela gira, essa linha imaginária que passa pelos polos norte e sul oscila bastante. Medições do que os cientistas chamam de “movimento polar” ao longo do século 20 mostram que o eixo de rotação se desloca cerca de 10 centímetros por ano. Ao longo de um século, esse índice é de mais de 10 metros.
Utilizando dados observacionais e baseados em modelos que abrangem todo o século passado, os cientistas da NASA identificaram pela primeira vez os três processos responsáveis ​​por essa deriva - a perda de massa na Groenlândia, o rebote glacial e a convecção do manto da Terra.
"Montamos modelos para um conjunto de processos que são considerados importantes para impulsionar o movimento do eixo de rotação. Identificamos não um, mas três conjuntos de processos que são cruciais - e o derretimento da criosfera global (especialmente Groelândia) sobre o curso do século 20 é um deles", disse Surendra Adhikari, da NASA. Laboratório de Propulsão a Jato em Pasadena, Califórnia.
A direção observada do movimento polar, mostrada como uma linha azul clara, comparada com a soma (linha rosa) da influência da perda de gelo da Groenlândia (azul), rebote glacial (amarelo) e convencção do manto profundo (vermelho). A contribuição da convencção do manto é altamente incerta.
Em geral, a redistribuição da massa dentro da Terra - como as mudanças na superfície terrestre, nos lençóis de gelo, nos oceanos e no manto - afeta a rotação do planeta. Como as temperaturas aumentaram ao longo do século 20, a massa de gelo da Groenlândia diminuiu.
Um total de 7,5 mil gigatoneladas - o peso de mais de 20 milhões Empire State Buildings - do gelo da Groenlândia derreteu no oceano durante este período de tempo. Isso faz da Groenlândia um dos maiores contribuintes de massa sendo transferido para os oceanos, fazendo com que o nível do mar suba e, consequentemente, um desvio no eixo de rotação da Terra.
Enquanto o derretimento do gelo está ocorrendo em outros lugares (como a Antártida), a localização da Groenlândia faz dele um contribuinte mais significativo para o movimento polar.
"Há um efeito geométrico de que se você tiver uma massa a 45 graus do Polo Norte - que é a Groenlândia - ou do Polo Sul (como as geleiras da Patagônia), terá um impacto maior na mudança do eixo de rotação da Terra do que uma massa que fica bem perto do Polo ", disse o coautor Eric Ivins, também do JPL.
Estudos anteriores haviam identificado a recuperação glacial como o principal contribuinte para o movimento polar de longo prazo. Durante a última era glacial, pesadas geleiras deprimiram a superfície da Terra, como um colchão deprime quando você se senta nele. Quando o gelo derrete ou é removido, a terra sobe lentamente de volta à sua posição original. No novo estudo, que contou fortemente com uma análise estatística de tal rebote, os cientistas descobriram que esse movimento provavelmente foi responsável por apenas cerca de um terço da deriva polar no século XX.
Derretimento do gelo no Ártico.
Os autores argumentam que a convecção do manto, que é responsável pelo movimento das placas tectônicas na superfície da Terra, constitui o terço final. É basicamente a circulação de material no manto causado pelo calor do núcleo da Terra. Ivins descreve como uma panela de sopa colocada no fogão. À medida que a panela, ou manto, aquece, os pedaços da sopa começam a subir e descer, formando essencialmente um padrão de circulação vertical - exatamente como as rochas que se movem pelo manto da Terra.
Com esses três amplos responsáveis identificados, os cientistas podem distinguir mudanças de massa e movimentos polares causados ​​por processos terrestres de longo prazo, sobre os quais temos pouco controle, com os causados ​​pela mudança climática. Eles agora sabem que, se a perda de gelo da Groenlândia se acelerar, o movimento polar provavelmente também. (globo)

Descongelamento do permafrost pode liberar mais CO2 do que se pensava

Descongelamento do permafrost pode liberar mais CO2 do que se pensava anteriormente, sugere estudo.
Novas pesquisas de ecologistas da University of Alberta mostram que o intemperismo de minerais pode ser um contribuinte significativo para a mudança climática do Ártico.
Derretimento de permafrost no Planalto Peel, nos Territórios do Noroeste, Canadá, expõe o permafrost rico em gelo e sedimentos. À medida que o permafrost descongela e colapsa, o ácido sulfúrico na água decompõe os minerais expostos, liberando quantidades substanciais de dióxido de carbono.
A quantidade de dióxido de carbono liberado pelo derretimento do permafrost pode ser maior do que se pensava por causa de um processo chamado de intemperismo mineral, de acordo com um novo estudo feito por ecologistas da Universidade de Alberta.
O desgaste mineral ocorre quando os minerais previamente encerrados no permafrost são expostos e decompostos em seus componentes químicos por ácido sulfúrico ou carbônico que pode existir naturalmente na água.
Em escalas de tempo geológicas longas, o intemperismo por ácido carbônico é um controle importante nos níveis atmosféricos de CO2 e no clima, mas, sob as condições certas, a ação do tempo pelo ácido sulfúrico pode liberar CO2 substancial.
PhD candidato Scott Zolkos e seu supervisor, U de A bióloga Suzanne Tank, descobriu que essas condições são predominantes no Ártico ocidental canadense.
“Descobrimos que o derretimento rápido do permafrost no Planalto Peel nos Territórios do Noroeste está aumentando muito o desgaste mineral”, explicou Zolkos, principal autor do estudo. “Porque o intemperismo é em grande parte impulsionado pelo ácido sulfúrico nesta região, a intensificação do derretimento do permafrost pode ser uma fonte adicional de CO2 para a atmosfera.”
Os pesquisadores trabalharam com cientistas do Northwest Territories Geoscience Office para examinar registros de longo prazo da química dos rios do rio Peel.
Eles descobriram que o intemperismo causado pelo ácido sulfúrico se intensificou com o degelo regional do permafrost nas últimas décadas, e provavelmente aumentou a quantidade de CO2 liberada na água e no ar ao redor.
“Qualquer aquecimento adicional no Ártico, que está se aquecendo a uma taxa duas vezes maior que o resto do planeta, promove mais descongelamento de permafrost e, portanto, apresenta desafios substanciais para os ecossistemas do Ártico e global”, disse Zolkos.
No entanto, os efeitos desse intemperismo mineral sobre o aquecimento do clima continuam em grande parte inexplorados – um problema que Zolkos e Tank disseram esperar resolver.
Novo estudo conclui que os processos que estão ocorrendo na região do Ártico podem acelerar o aquecimento global e resultar em consequências dramáticas para toda a humanidade. Cientistas da NASA descobriram que o derretimento do permafrost – solo até então permanentemente congelado – na Sibéria e no Alasca e região do círculo polar Ártico foi drasticamente acelerado devido à formação de lagos termocársticos, relata o jornal Science Alert. (ecodebate)

A vulnerabilidade imposta pelo aquecimento global

Furacão Florence e Tufão Mangkhut: a vulnerabilidade imposta pelo aquecimento global.
“É triste pensar que a natureza fala e que a humanidade não a ouve” - Victor Hugo.
A ciência mostra que as tempestades são mais fortes em decorrência do aquecimento global.
Os furacões (que acontecem no Atlântico Norte e no Pacífico entre o Havaí e a costa oeste dos EUA), os Tufões (que acontecem no Pacífico entre o Havaí e o leste asiático) e os Ciclones que acontecem no hemisfério sul e no oceano índico são fenômenos provocados pelo aquecimento da superfície do mar, que faz evaporar a água em ritmo mais acelerado, formando nuvens de chuva. Isto faz cair a pressão atmosférica e favorece a subida do ar, retroalimentando a evaporação. Este fenômeno intensifica as correntes de vento oceânicas que passam a se movimentar em espiral, podendo atingir velocidades muito altas.
Pela escala Saffir-Simpson, o ciclone extratropical tem ventos até 117 km/h. Na categoria 1: os ventos vão de 118 a 152 km/h; na categoria 2: de 153 a 176 km/h; categoria 3: de 177 a 207 km/h; categoria 4: de 208 a 250 km/h e categoria 5: acima de 251 km/h.
Nos últimos anos os Furacões, Tufões e Ciclones têm aumentado de frequência e de intensidade e, obviamente, não dá para ignorar o efeito do aquecimento global, que é intensificado pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa, gerados pelo crescimento exponencial das atividades antrópicas, especialmente a queima de combustíveis fósseis, o desmatamento e a expansão da pecuária.
Por conta da maior concentração de CO2 e outros gases de efeito estufa (como o metano) na atmosfera, a temperatura do Planeta já subiu cerca de 1°C, em relação às temperaturas pré-industriais. Os desastres naturais aumentam em decorrência dos efeitos da mudança climática. Cientistas da Universidade de Stony Brook consideram que o aumento da temperatura da superfície dos oceanos, eleva a umidade do ar e o calor adicional funciona com catalisador e potencializador dos Furacões, Tufões e Ciclones. No caso do Florence, eles consideram que as chuvas do furacão são 50% mais altas do que seriam sem o aquecimento global e que o tamanho projetado do furacão é cerca de 80 quilômetros maior.
O gráfico abaixo mostra que as perdas econômicas estão aumentando nos Estados Unidos. No século passado, o Furacão Andrew gerou um prejuízo de US$ 49,1 bilhões, em 1992. Isto foi largamente superado pelos prejuízos do Furacão Katrina, em 2005, que gerou custos de US$ 165 bilhões. Mas o ano de 2017 foi recordista com o prejuízo somado dos Furacões Harvey, Irma e Maria totalizando cerca de US$ 250 bilhões.
Ainda é cedo para calcular os prejuízos do Furacão Florence que atingiu a categoria 5 (ventos acima de 251 km/h), mas desacelerou e atingiu a costa da Carolina do Norte como categoria 1 e logo se transformou em tempestade tropical. Mesmo perdendo força e deixando de ser um desastre de grandes proporções como o Katrina, o Furacão Florence ocasionou a ordem de retirada de mais de 1,7 milhão de moradores da costa leste dos EUA, parou a economia, cancelou milhares de voos, gerou blecautes e destruição de patrimônio, provocou a morte de pelo menos 15 pessoas (contagem preliminar) e inundou e paralisou extensas áreas. Mas como disse Kevin Arata, porta-voz da cidade de Fayetteville, na CNN, no domingo: “O pior ainda está por vir”.
Concomitante ao Furacão Florence que se formou e se expandiu no Atlântico Norte, o Tufão Mangkhut (que se formou no Pacífico mais ou menos no mesmo período, na segunda semana de setembro de 2018) atingiu o leste asiático também deixou um rastro de destruição em termos econômicos e humanos, embora em proporção menor do que o estimado anteriormente. O tufão Mangkhu, que também tinha chegado à categoria 5, desacelerou e atingiu o norte das Filipinas (uma região com baixa densidade demográfica) com ventos de 170 km/h e rajadas de até 260 km/h.
Em sua passagem pelo arquipélago, o Mangkhut deixou 54 mortos e 42 pessoas desaparecidas nas Filipinas (contagem preliminar), incluindo um bebê e uma criança. A maioria das mortes foi causada por deslizamentos de terra e destruição de casas pela força dos ventos. Em sua trajetória filipina o tufão deslocou 50 mil pessoas, que tiveram que deixar suas casas e afetou mais de 5,2 milhões de indivíduos que vivem em um raio de 125 km da trajetória do Mangkhut.
Em Hong Kong, o Tufão chegou com ventos de 173 km/h e rajadas de até 223 km/h, paralisando totalmente uma das cidades mais dinâmicas do mundo. Embora tenha havido muita inundação, telhados arrancados, muitas árvores caídas e guindastes derrubados, não houve nenhuma vítima fatal em uma cidade muito bem preparada para enfrentar os desafios da instabilidade climática. Mas os prejuízos econômicos foram enormes e ainda estão sendo contabilizados.
Na China, os danos provocados pelo Tufão Mangkhut foram de grande extensão. A cidade de Macau, famosa pelos seus casinos, parou totalmente e foi tão ou mais afetada do que Hong Kong. A tempestade adentrou pelo continente e assolou a populosa região de Guangdong, onde mais de 2,4 milhões de pessoas foram evacuadas. A tempestade atingiu a cidade de Haiyan por volta das 17h de domingo (segunda-feira na China) e, pelo menos, duas pessoas morreram. As escolas fecharam, as viagens dos trens de alta velocidade foram suspensas, centenas de voos foram cancelados, os barcos de pesca retornaram e as inundações se espalharam, segundo a agência de notícias estatal, Xinhua. Os estragos continuam pelo interior do sul da China.
O fato é que um mundo mais quente traz furacões/tufões/ciclones mais destruidores, pois a combinação de maior temperatura das águas oceânicas e maior umidade do ar funciona como um catalisador destes redemoinhos. A ciência mostra que as tempestades são mais fortes em decorrência do aquecimento global. As leis da termodinâmica não deixam dúvida de que as mudanças climáticas estão aumento a frequência e o poder de destruição dos eventos extremos que trazem chuva, agitam o oceano e provocam inundações.
O escritor Jeff Nesbit tem chamado a atenção para o desafio climático e como o aquecimento global tem impactando as comunidades em todo o mundo: secas mais longas no Oriente Médio, desertificação crescente na China e na África (duas regiões com alta densidade demográfica), temporada de monções encolhendo na Índia e ficando mais instáveis, ondas de calor amplificadas na Austrália, no Irã, Paquistão, etc., furacões/tufões/ciclones mais intensos atingindo a América e a Ásia, guerras por água no Chifre da África, rebeliões, refugiados e crianças famintas em todo o mundo. Nesbit escreveu o livro “This is the way the world ends: how droughts and die-offs, heat waves and hurricanes are converging on America”, onde mostra que a mudança climática não é uma ameaça distante, pois já está impactando comunidades em todo o mundo.
Ele chama a atenção para a possibilidade de surgimento de furacões com categoria 6, com ventos que excedam 200 milhas por hora (mais de 300 km/h). Esta possibilidade é cada vez mais real devido ao aquecimento dos oceanos e ao maior vapor de água circulando pela atmosfera. As super tempestades podem ter um poder devastador e, junto ao aumento do nível do mar, podem fazer naufragar amplas áreas costeiras, com prejuízos incalculáveis para a agricultura e as cidades.
O que é preciso reconhecer é que esses eventos climáticos extremos estão relacionados ao fato de que, desde 2015, o Planeta já está em torno de 1º C acima da média pré-industrial.
A terra está se tornando um local perigoso. Portanto, a recente onda de eventos catastróficos não é mera anomalia. O sistema climático está cada vez mais desequilibrado, em função do modelo “Extrai-Produz-Descarta”. Os últimos quatro anos (2014-2017) foram os mais quentes já registrados no Holoceno e tudo indica que o mundo assistirá temperaturas mais extremas nos próximos quatro anos.
Infelizmente, em vez de confrontar essa ameaça à espécie humana e às demais espécies vivas da Terra, a humanidade, egoisticamente, reforça o mito do crescimento econômico acreditando no mantra que diz que a qualidade de vida depende do aumento das atividades antrópicas.
Contudo, a economia não pode ser maior do que a ecologia e nem a humanidade pode superar a capacidade de carga da Terra. Ou a civilização muda o rumo que está levando ao aumento da probabilidade de um colapso ambiental ou haverá de lidar com um colapso civilizacional. Esta possibilidade foi abordada em novo estudo científico que indicou que a Terra pode entrar em uma situação com clima tão quente, que pode elevar as temperaturas médias globais a até cinco graus Celsius acima das temperaturas pré-industriais.
estudo mostra que o aquecimento global causado pelas atividades antrópicas de 2º Celsius pode desencadear outros processos de retroalimentação, podendo desencadear a liberação incontrolável na atmosfera do carbono e do metano armazenado no permafrost, nas calotas polares, etc. Isto provocaria o fenômeno “Terra Estufa”, o que levaria à temperatura ao recorde dos últimos 1,2 milhão de anos.
Ou seja, o cenário da “Terra Estufa”, aumenta a possibilidade de furacões/tufões/ciclones de categoria 6, o que traria grande sofrimento e grande prejuízo para a humanidade e afetaria todos os seres vivos do Planeta. Seria algo parecido com o apocalipse, só que provocado pela crescente interferência humana e pela dimensão da economia que, no conjunto, se transformaram em forças globais de rompimento do equilíbrio homeostático da Terra.
O Furacão Florence e o Tufão Mangkhut são apenas sinais de uma catástrofe de maiores dimensões que está ocorrendo “à prestação”, mas que são um aviso do muito que está por vir. (ecodebate)

domingo, 23 de setembro de 2018

Como explicar a onda de calor no Hemisfério Norte?

Desde a semana passada, uma onda de calor tem afetado o Hemisfério Norte quebrando os recordes de temperatura em muitas cidades da Europa, dos Estados Unidos e do Japão. Além do calor, o tempo seco vem favorecendo a ocorrência de incêndios, principalmente na Grécia onde pelo menos 91 pessoas morreram.
Figura 1 - Incêndio na Califórnia.
Altas temperaturas
Próximo ao Círculo Ártico na cidade de Kvikkjokk na Suécia, foram registradas temperaturas de até 33°C, mais de 15°C acima da normal climatológica, de acordo com o Instituto Meteorológico Norueguês. Na Sibéria russa, as temperaturas chegaram a 37.2°C na cidade de Tompo no dia 9 de julho e 35.5°C em Vanara no dia 26 de julho, de acordo com a Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA). Em outras partes da Europa, uma onda de calor se moveu desde o dia 27 de julho da Islândia e das ilhas britânicas em direção à França, mas não foram registrados recordes de temperatura até o momento.
No Japão, dezenas de pessoas morreram devido ao calor intenso, as temperaturas bateram recorde de mais de 40°C na cidade de Kamagaya.
A Califórnia (EUA) também tem sofrido com altas temperaturas, inclusive foi registrado um recorde de 48.9°C no dia 6 de julho na cidade de Chino, oeste da Califórnia, e no dia seguinte de 47.2°C em Van Nuys, nos arredores de Los Angeles. Além disso, os californianos enfrentaram o calor sem energia elétrica devido à demanda excessiva de energia para ligar o ar condicionado, segundo o the Washington Post.
Próximos dias
A previsão para os próximos dias é que as altas temperaturas se mantenham sobre os Estados Unidos e sobre a Europa, sendo que pelo mapa a seguir, gerado pelo modelo Norte Americano GFS é possível identificar regiões de até 38ºC em Portugal e na Espanha no dia 04 de agosto.
Figura 2 - Previsão de temperatura máxima para o dia 04 de agosto do modelo GFS.
Incêndios na Grécia
O tempo quente e seco foi um gatilho para os incêndios na Grécia, 91 pessoas morreram até o momento, segundo o corpo de bombeiros grego. Foi considerado um dos incêndios mais mortíferos da última década e a cidade de Mati foi devastada pelas chamas na noite de segunda-feira (23). Os principais focos de incêndios foram nas cidades de Kineta, Mati e entre Egira e Kiato, como ilustra os pontos em vermelho do mapa abaixo da NASA.
A Grécia não sofria tanto com os incêndios florestais desde 2007, ano em que as chamas mataram 77 pessoas no Sul do país, segundo a Agência Nacional de Proteção Civil da Grécia.
Figura 3 - Focos de queimadas em vermelho.
Por que tão quente?
A combinação de altas temperaturas da superfície do mar e a fase positiva do Modo Anular Norte intensificam a atuação dos sistemas de alta pressão sobre os continente do Hemisfério Norte e atuam alterando a posição das correntes de vento que ficam aos 10 km de altura e circulam ao redor do globo.
Esta alteração do posicionamento das correntes de vento que sopram de oeste para leste, chamadas de correntes de jato, impedem que frentes frias e massas de ar polares adentrem os continentes, gerando assim uma situação de bloqueio devido a persistência de um sistema de alta pressão sobre a França e Alemanha (esse sistema de alta pressão está indicado na figura abaixo pela letra A).
Na imagem abaixo, a linha azul ilustra a posição média da corrente de jato para o mês de julho enquanto que a linha vermelha ilustra a posição média da corrente de jato ao longo do mês de julho de 2018. A corrente de vento este ano está mais deslocada para o norte, próximo ao Ártico.
Figura 4 - Corrente de jato (200hPa) e sistemas de pressão em superfície. (climatempo)

Hemisfério Norte sofre com onda de calor

Rafina, perto de Atenas, na Grécia: situação deve piorar nas próximas décadas.
Em 3 de agosto, a temperatura chegou a 45,9°C em Alcácer do Sal, perto de Setúbal, em Portugal, próximo ao recorde de 47,4°C, registrado em 2003 no país.
Até o início de agosto, a onda de calor na Europa tinha causado a morte de três pessoas na Espanha e secas e incêndios da Suécia à Grécia, onde morreram dezenas de habitantes. O recorde de temperatura máxima na Europa foram os 48°C registrados em julho de 1977 em Atenas.
No Japão, em julho deste ano, cerca de 22 mil pessoas foram hospitalizadas com sintomas de infarto durante a onda de calor que se abateu sobre o país, onde as temperaturas passaram de 41°C.
Casas destruídas pelo incêndio Carr em Redding, na Califórnia
Em 4 de agosto, a revista médica britânica Lancet considerou as mudanças climáticas, às quais se atribuem as ondas de calor recentes, “uma verdadeira emergência de saúde planetária”. Em uma atitude simbólica, o Royal College of General Practitioners, a maior associação médica do Reino Unido, com 52 mil membros, anunciou que cessará seus investimentos em companhias que produzem combustíveis fósseis, cujo consumo é uma das principais causas de alterações no clima do planeta (British Medical Journal, 27 de julho).
Forte onda de calor atingiu o hemisfério norte, causou dezenas de mortes.
Caso não se tomem medidas para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, que contribuem para as mudanças climáticas, as mortes por causa das intensas ondas de calor podem se intensificar nas próximas décadas em ao menos 20 países, entre eles, o Brasil, segundo projeção de um grupo internacional de cientistas, do qual participaram pesquisadores da Universidade de São Paulo (PLOS Medicine, 31 de julho). No pior dos cenários, o total de mortes relacionadas a ondas de calor poderia aumentar no período 2031-2080 quase nove vezes em relação ao período 1971-2020 em cidades litorâneas do Nordeste brasileiro e de cinco a seis vezes nas cidades costeiras do Sudeste e do Sul. (flipboard)

Mortes relacionadas ao calor aumentarão com o aumento da temperatura mundial

Mortes relacionadas ao calor devem aumentar significativamente com o aumento da temperatura global, alertam pesquisadores.
Modelos mostram que a implementação do Acordo de Paris é fundamental para evitar um grande aumento nas mortes relacionadas à temperatura.
O mundo precisa manter sob controle a temperatura global cumprindo as metas estabelecidas no Acordo de Paris, ou mais pessoas podem morrer por causa de temperaturas extremas, dizem autores de um novo estudo na seção de cartas da revista Climatic Change, da Springer.
O Acordo de Paris, adotado em 2015 sob os auspícios da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática (UNFCCC), vincula as nações a manter um aquecimento bem abaixo de 2°C na temperatura média global, em relação aos níveis pré-industriais. Também insta os países a fazer esforços adicionais para limitar o aquecimento a 1,5°C.
Liderado por pesquisadores da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres (LSHTM), este é o primeiro estudo que avalia impactos na saúde relacionados à temperatura global em cenários consistentes com o Acordo. Os pesquisadores avaliaram os impactos de mortalidade projetados para uma série de aumentos de temperatura, compatíveis com os limiares estabelecidos em Paris (1,5°C e 2°C) ou mais (3°C e 4°C). Essas projeções levaram em conta como um aumento nas mortes relacionadas ao calor pode ser compensado por uma diminuição nas mortes devido ao frio, à medida que as temperaturas globais sobem.

O escopo do estudo permitiu comparações globais em várias áreas do mundo. A equipe da LSHTM primeiro analisou dados históricos sobre mortes relacionadas à temperatura de 451 locais em 23 países com diferentes condições socioeconômicas e climáticas. Eles então projetaram mudanças na mortalidade sob cenários climáticos consistentes com os vários aumentos na temperatura global, enquanto mantinham distribuições demográficas e riscos para a saúde da temperatura constantes.
Paisagem seca no Texas: taxas de suicídio aumentaram em quase todos os estados dos EUA entre 1999 e 2016.

Os resultados indicaram aumentos dramáticos de mortes relacionadas ao calor sob aquecimento extremo (3°C e 4°C) em comparação com o limiar mais leve (1,5°C), com excesso adicional de mortalidade variando de +0,73% a +8,86% em todas regiões. A diferença líquida permaneceu positiva e alta na maioria das áreas, mesmo quando as potenciais diminuições nas mortes relacionadas ao frio foram consideradas.
A imagem foi mais complexa ao comparar 2°C contra 1,5°C de aquecimento. Um aumento líquido nas mortes ainda era projetado para regiões mais quentes, como a América do Sul, Europa do Sul e Sudeste Asiático (com mudanças que variavam de 0,19% a + 0,72%), enquanto nas regiões mais frias o excesso de mortalidade era previsto ficar estável ou cair um pouco.
Os resultados apoiam a avaliação de um próximo Relatório Especial do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima, agendado para aprovação em outubro, que avalia os riscos para a saúde associados a 1,5°C e 2°C de aquecimento.

“Nossas projeções sugerem que grandes aumentos nas mortes relacionadas à temperatura poderiam ser limitados na maioria das regiões se o aquecimento fosse mantido abaixo de 2°C”, explica Ana Maria Vicedo-Cabrera, a primeira autora do estudo. “Sob mudanças extremas no clima, grandes partes do mundo poderiam experimentar um aumento dramático no excesso de mortalidade devido ao calor. Isso não seria balanceado por reduções nas mortes relacionadas ao frio. Esforços para limitar o aumento da temperatura global abaixo de 1,5°C poderia fornecer benefícios adicionais em regiões tropicais ou áridas, incluindo os países mais populosos e muitas vezes mais pobres”.
Antonio Gasparrini, coautor do estudo, diz: “Esperamos que os resultados ajudem a convencer as nações a tomarem medidas decisivas implementando políticas climáticas ambiciosas, consistentes com o Acordo de Paris, em um esforço para salvar vidas. Atualmente, estamos em uma trajetória para alcançar mais de 3°C de aquecimento, e se esta tendência continuar, haverá sérias consequências para a saúde em muitas partes do mundo”. (ecodebate)

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Água contaminada afeta quase 60% dos pacientes com doenças gástricas em Campina Grande

O açude Epitácio Pessoa, localizado em Boqueirão de Cabaceiras, abastece Campina Grande e outras 18 cidades.
Meus Prezados,
Em 2016, publiquei um artigo no EcoDebate intitulado, “A questão hídrica atual do Nordeste seco”, no qual, dentre outras questões, abordei o assunto do acometimento de  doenças em populações abastecidas com águas de má qualidade.
Nesse artigo, me referia às águas do Rio São Francisco, quando utilizadas para fins de abastecimento humano. Ao ler a matéria do G1 PB, me deparo com uma situação que já vinha tratando como certa, nas minhas atividades profissionais diárias. Segundo a matéria, cerca de 60% dos pacientes com doenças gástricas, em Campina Grande, foram afetados com algum contaminante existente nas águas ali servidas.
Ora, a principal fonte de abastecimento dos campinenses é o açude de Boqueirão de Cabaceiras, o qual foi alimentado, recentemente, com as águas do Santo Chico, por intermédio do projeto da Transposição. Uma coincidência muito grande, que eu particularmente não gostaria que tivesse ocorrido. Mas o fato é que ela ocorreu, e o assunto é grave! Quando um projeto dessa envergadura apresenta problemas técnicos, os engenheiros e profissionais da área vão lá e resolvem esses problemas.
Pesquisa foi realizada no Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC), em Campina Grande, e divulgada na manhã de 20/09/18.
Mas no caso de surtos de doenças em populações, ocasionados por vetores veiculados pela água que está sendo ofertada, a questão muda de figura e precisa ser encarada sob outra ótica, porque, no caso, estão em jogo vidas humanas. A questão de Boqueirão é agravada, ainda, pela existência de denúncias de fortes odores de esgotos e de sabores estranhos em suas águas, o que nos leva a concluir pela possibilidade de que as águas do Rio São Francisco já possam ter alguma influência nesse quadro.
Creio que acendeu a luz amarela para que as autoridades comecem a tomar as providências necessárias, na condução desse assunto, tendo em vista a possibilidade do agravamento da situação.
A região está fora de sua quadra chuvosa, o projeto da Transposição está momentaneamente paralisado, devido a reparos no Eixo Leste do projeto, e a represa continua enviando água para Acauã (açude localizado a sua jusante) e, todo esse processo, juntamente com a intensa evaporação existente no espelho d´água de Boqueirão, tende ao aumento da concentração de poluentes no interior da represa.
É preciso celeridade para a solução desses problemas, a fim de que os campinenses possam voltar à normalidade de suas vidas. Circulei a informação em rede e a encaminhei para edição no  Observa Fundaj.
Quase 60% dos pacientes de Campina Grande com doenças gástricas foram afetados por uma bactéria da água.
O Helicobacter pylori é o principal agente patogênico associado a doenças do estômago em humanos. (ecodebate)