sábado, 27 de fevereiro de 2010

Crescimento Populacional X Aquecimento Global

A importância do crescimento populacional na luta contra o aquecimento global. Com o constante fracasso dos governos em fazer acordos para combater a mudança climática, a previsão para os humanos e a natureza continua sombria. E em nenhum lugar o fracasso é mais visível do que no crescimento populacional. A população é um problema ambiental duplo, não apenas ela está aumentando, como também estão as emissões per capita. Em 1970, quando as emissões mundiais de gases do efeito estufa haviam apenas começado a ultrapassar a capacidade sustentável da atmosfera, a população mundial era de cerca de 3,7 bilhões; hoje é de aproximadamente 6,9 bilhões, um aumento de 86%. No mesmo período, as emissões mundiais originárias dos combustíveis fósseis aumentaram de cerca de 14 bilhões de toneladas para estimadas 29 bilhões de toneladas – um aumento de 107%. Em outras palavras, em 1970 essas emissões eram em torno de 3,8 toneladas per capita; hoje, apesar da crescente consciência sobre a mudança climática, elas realmente aumentaram para em torno de 4,2 toneladas per capita. A crescente fração de energia produzida por meios de baixa emissão (solar, nuclear, eólica, etc.) parece estar apenas desacelerando a crescente dependência de combustíveis fósseis, em reação a uma demanda energética sempre crescente. Mas, de maneira inexplicável e indesculpável, as recomendações feitas pelos EUA, a ONU e grupos de pesquisa independentes essencialmente nunca incluem e certamente não enfatizam a população como um fator que contribui para o aquecimento global. Não há uma solução rápida à vista para o problema populacional, por isso devemos continuar promovendo medidas de controle de emissões de maneira cada vez mais vigorosa. E nada é mais importante que a constante educação e divulgação. Na questão do aquecimento global, nenhuma ideia é mais crítica do que a noção de que a atmosfera deve ser considerada um bem global, um legado comum da humanidade. Um princípio de justiça decorre disto. Chegou a hora de distribuir, de maneira equitativa, um nível geral e seguramente sustentável de emissões na atmosfera para todos os países do mundo. Essa divisão não pode se basear nas quantidades atualmente descarregadas por vários países industrializados ou em rápida industrialização. Tampouco pode se basear na população, pois isto recompensaria os países superpopulosos e incentivaria um maior crescimento da população. As abordagens para se alcançar reduções incluem frugalidade; maior uso de dispositivos de consumo energético eficiente; captura e sequestro de carbono; meios de geração de emissão neutra; proteção às florestas tropicais; uma taxa sobre as emissões (“imposto do carbono”); e o aluguel ou compra de direitos de emissão, pelos que emitem demais dos que emitem de menos (“cap-and-trade”, ou limite e comércio). Se acordos internacionais adequados fossem forjados (o que claramente não é fácil), os esquemas de limite e comércio em princípio seriam uma abordagem excelente, desde que o nível mundial de emissões buscado seja seguro e sustentável; a contribuição de um país para um nível seguro é determinada equitativamente; e a ineficiência e a corrupção em sua administração, monitoração e verificação internacional são eliminados, ou pelo menos mantidos em um limite aceitável. Uma abordagem ambiental e socialmente equitativa do “cap-and-trade” seria basear as alocações de emissões na fração da atmosfera que a massa terrestre de um país sustenta. Nesse esquema, muitos países ricos estariam atualmente descarregando além de sua porção justa; a maioria dos países pobres, provavelmente menos. Os países que descarregam menos seriam então capazes de alugar (não vender) uma parte de seus direitos de emissões até o momento em que eles sejam capazes, com a ajuda dessa renda, de desenvolver sua própria infraestrutura de emissões. Os países locadores, por sua vez, teriam tempo para instituir mudanças e manter-se dentro de sua parcela justa, o que bem poderia incluir a redução do consumo individual de energia ou, excetuando-se isso, até números populacionais reduzidos, por mais que seja difícil. Afinal, todos devemos reconhecer que temos uma obrigação de compartilhar esta terra com os outros seres vivos, obrigação que exige a redução, por um meio ou por outro, de nossas demandas conduzidas pela população sobre os recursos naturais. Provocar esse reconhecimento é a tarefa da educação cívica no sentido mais amplo.

Novo estudo prevê verões sem gelo no Ártico

Aquecimento Global confirma em novo estudo previsões de verões sem gelo no Ártico.A temperatura nas águas do Oceano Ártico está subindo desde 1965 e poderia causar verões sem gelo, em um fenômeno parecido ao ocorrido há mais de 3 milhões de anos, segundo um estudo [New quantitative evidence of extreme warmth in the Pliocene Arctic]divulgado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês). “As águas superficiais do Ártico e dos mares circundantes estão subindo desde 1965, ainda de maneira mais notável a partir de 1995 e mais rapidamente desde o ano 2000″, escreveu Marci Robinson, cientista do USGS, em artigo da revista “Stratigraphy”. “Os anos de 2007 e 2008 foram os dois primeiros consecutivos que mostraram um mínimo extremo de cobertura de gelo no mar durante o verão”, indicou. Além disso, apontou, “as temperaturas do ar sobre a superfície no outono, nestes dois anos, registraram médias acima de 5º Celsius na região ártica central”. Os cientistas documentaram provas que o oceano Ártico e o Mar Nórdico alcançaram temperaturas que não permitiam o gelo durante o verão em um período temperado do Plioceno Médio entre 3,3 milhões a 3 milhões de anos atrás. Este período se caracterizou por temperaturas similares as projetadas para o final deste século, e os cientistas o utilizam como uma analogia para entender as condições futuras. Na metade do Plioceno, as temperaturas na superfície do mar no Ártico oscilavam entre 10º e 18º Celsius. As temperaturas atuais rondam o 0º Celsius. De acordo com Robinson, “a continuação da tendência poderia indicar uma mudança substancial no regime ártico de gelo, oceano e atmosfera”. A perda do gelo dos mares poderia representar consequências diversas e extensas, como o aquecimento ártico, a aceleração da erosão litorânea pelo aumento do mar e o impacto sobre grandes predadores como os ursos polares e as focas que dependem do manto de gelo polar. As tempestades poderiam ser mais intensas nas latitudes médias, assim como as chuvas no inverno no oeste e sul da Europa, e a redução das precipitações no oeste da América do Norte. “Quando olhamos mais de 3 milhões de anos no passado vemos um padrão de distribuição de calor muito diferente do atual com águas mais temperadas nas latitudes altas”, disse Robinson. “A falta de gelo no mar durante os verões do Plioceno Médio sugere que o derretimento sem precedentes do manto gelado do Ártico em anos recentes poderia ser um alarme adiantado das mudanças mais significativas que se aproximam”, acrescentou. As temperaturas superficiais em todo o planeta durante o Plioceno Médio eram 3º graus Celsius mais altas que no presente. Cientistas explicam aquecimento global de 14 mil anos atrás Equipe liderada por brasileiro explica evento climático mais violento dos últimos 80 mil anos Pesquisadores da Universidade de Bremen, na Alemanha, liderados por um jovem brasileiro, desvendaram as causas do aquecimento mais drástico de uma região do globo nos últimos 80 mil anos. Há 14,7 mil anos as águas do Atlântico Norte aqueceram 9°C em duas décadas. Para que se tenha uma idéia, desde o início da Revolução Industrial, no século 18, a ação humana aumentou a temperatura da Terra em 0,7°C, com impactos ambientais significativos. A descoberta foi publicada na edição deste mês da revista científica Geology. CARAPAÇAS Os cientistas já estudam há muito tempo o evento de Bölling. Pesquisadores brasileiros procuraram no litoral gaúcho as causas do aquecimento nos mares do norte. Carapaças de microrganismos depositadas no fundo do mar ofereceram as informações necessárias para descrever as variações de salinidade e temperatura nos últimos 20 mil anos. As duas variáveis exercem influência direta nas correntes marítimas. O princípio das mudanças foi a deglaciação na costa americana: a água doce invadiu o oceano e diminuiu a salinidade na região acima do Equador. Como conseqüência, as correntes marítimas entre os dois hemisférios cessaram e todo calor ficou represado no sul. Observando as carapaças dos microrganismos, os cientistas identificaram um pequeno aquecimento na costa sul-africana, que abriu uma avenida para uma corrente vinda do Oceano Índico, rica em sal. Ela percorreu a costa da América do Sul e alterou radicalmente a dinâmica da temperatura e da salinidade no Norte. As correntes marítimas foram reativadas e o calor armazenado no sul migrou para o norte. Mecanismo Controlador Pesquisadores da USP, apontam que os resultados obtidos comprovam a importância da circulação oceânica no Atlântico como mecanismo controlador do clima terrestre. Há 11 mil anos ocorreu um evento semelhante de mudança climática abrupta no Atlântico Norte, conhecido como Dryas Recente, mais estudado pelos cientistas do que o evento de Bölling. A descoberta não possui apenas um valor de curiosidade histórica. O artigo publicado ajuda a compreender o que está em jogo quando falamos de mudanças climáticas. Mostra como uma pequena variação na temperatura de uma região pode gerar um efeito praticamente imprevisível do outro lado do planeta.

Países são ameaçados pelo aquecimento global

Anote Tong, presidente do Kiribati, uma ilha no Pacífico, confessou a representantes de outros governos em recente conferência sediada na Organização das Nações Unidas (ONU): começou a guardar reservas para uma possível compra de terras no exterior. O objetivo não seria expandir seus domínios, mas garantir um lugar para sua população caso as mudanças climáticas acabem levando a uma elevação do nível do mar e ao fim do território. A estratégia é a mesma em governos como o das Ilhas Maldivas. Em Bangladesh, o temor é de que o país perca um quinto do território. Em todo o mundo, cresce a preocupação em relação ao impacto do clima nas populações, o que causaria possíveis migrações em massa. Entre os acadêmicos e altos funcionários da ONU, até mesmo a categoria de "refugiados ambientais" começa a ser pensada. Dados do Conselho Norueguês para Refugiados apontam que 20 milhões de pessoas em 2008 foram obrigadas a sair de suas casas por causa de desastres naturais. Segundo a ONG fundada por Kofi Annan, a Global Humanitarian Forum, 300 mil pessoas morreram em 2008 por causa do impacto das mudanças climáticas. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o nível dos oceanos poderia aumentar entre 18 e 59 centímetros até 2100. Nos últimos cem anos, a alta foi de 17 centímetros. Dados do Fórum Humanitário Global indicam que os 50 países mais vulneráveis geraram apenas 1% das emissões de CO2 nos últimos cinco anos. Tong conta que Kiribati está, em grande parte, 5 metros acima do nível do mar. Nos últimos anos, tempestades violentas têm mudado a vida da ilha. O volume de água potável é crítico e a agricultura está sendo afetada. Moradores da costa começaram a refazer suas casas no interior da ilha; o governo começa a treinar pessoas para profissões que possam ser úteis em outros países. "Somos o rosto das vítimas das mudanças climáticas", disse Tong. A população é de 100 mil pessoas. "Temos duas opções. Desaparecer ou procurar algum lugar seguro para continuar nossa sociedade e tradição." O presidente das Maldivas, com 380 mil habitantes, Mohamed Nasheed, anunciou também que começou a dialogar com o Sri Lanka e Índia sobre compra de terras, já que 80% do território tem menos de 1 metro de altitude. Para o governo, em menos de 200 anos, o país teria desaparecido. "É um mito achar que a humanidade sempre estará no mesmo lugar", afirmou. A população de duas ilhas do arquipélago já deixaram suas casas. "As mudanças climáticas exigem que aspectos da vida internacional sejam repensados. Um país que perde seu território continua sendo ou não um país?", questiona o representante da ONU para Assistência Humanitária, John Holmes. "Gastamos metade de nosso orçamento com as inundações. Os países ditos responsáveis por isso precisam ajudar os mais vulneráveis", disse o ministro de Relações Exteriores de Bangladesh, Hasan Mahmoud. O país teve, em dez anos, 70 desastres naturais. "Todos os anos temos refugiados ambientais."

Planalto tibetano

No planalto tibetano a temperatura sobe acima da média global e o gelo derrete cada vez mais rápido.
O Planalto Tibetano situa-se entre o Himalaia a sul e o Deserto de Taklamakan a norte. O degelo no topo do mundo – Ao falar na Organização das Nações Unidas esta semana, o presidente Hu Jintao da China declarou que seu país “reconhece totalmente a importância e a urgência para lidar com a mudança climática”. Como deveria. A China está começando a perceber que tem muito a perder com o dióxido de carbono que o mundo emite despreocupadamente na atmosfera da Terra. Reportagem de Orville Schell, The New York Times. As palavras de Hu me fizeram lembrar-me de um dia, há não muito tempo, em que estive numa plataforma a 4.260 metros acima do nível do mar, cercado por grupos de turistas chineses vestidos com parcas coloridas. Um teleférico havia nos levado tão perto dos picos íngremes da Montanha de Neve Dragão de Jade e do glaciar que se estende pelo seu flanco. As pessoas tiravam fotos da massa de gelo alegremente, parecendo inconscientes do desastre que se desenrolava à sua frente. Por causa da mudança climática, a Geleira Baishui nº 1, de quase 2,7 quilômetros de extensão, poderia bem ser um dos primeiros grandes sistemas glaciais do Platô Tibetano a desaparecer depois de milhares de anos. A geleira, situada acima da cidade movimentada de Lijiang, no sudoeste da China, encolheu 250 metros nas últimas duas décadas e parece estar se desfazendo numa velocidade ainda maior a cada ano. Ela é a geleira que fica mais ao sul do platô, então seu declínio é um dos primeiros alertas do que pode acontecer com quase 18 mil glaciares de grandes altitudes no Grande Himalaia à medida que o planeta continua a aquecer. Como o planalto tibetano e seu entorno abrigam a maior massa de gelo perene do planeta depois do Ártico e Antártica, ele ficou conhecido como o “Terceiro Pólo”. Seus campos de neve e geleiras alimentam quase todos os principais sistemas fluviais da Ásia durante as estações quentes e secas, quando cessam as monções, e seu degelo alimenta rios desde o Indo no oeste e o Amarelo no leste, com o Ganges, Brahmaputra, Irrawaddy, Salween, Mekong e Yang Tsé no meio. (As geleiras da Montanha de Neve Dragão de Jade contribuem com a maior parte da água para as nascentes do rio Yang Tsé.) À distância, a Geleira Baishui nº 1 parece tão imóvel quanto a desafiadora montanha acima dela. Na realidade, é um campo fluido de gelo e rocha em constante movimento descendente. Os cientistas falam sobre o comportamento reativo dessas geleiras como se elas fossem quase humanas. Os povos tibetano e naxi, que habitam esta região, tratam as geleiras, assim como às montanhas que os abrigam, como encarnações de deidades e espíritos. Hoje, um número cada vez maior de geleiras está perdendo seu equilíbrio, ou a capacidade de reunir neve e gelo suficientes nas altas altitudes para compensar o ritmo de degelo nas mais baixas. Depois de pesquisar o Himalaia por muitos anos, o respeitado glaciologista chinês Yao Tandong alertou recentemente que, de acordo com as tendências atuais, quase dois terços dos glaciares do platô podem bem desaparecer dentro dos próximos 40 anos. Com o planeta tendo vivido os dez anos mais quentes já registrados, a velocidade anual média de degelo dos glaciares das montanhas parece ter dobrado depois da virada do milênio em relação a duas décadas atrás. Além disso, as temperaturas no Platô Tibetano estão aumentando mais rápido do que a média global. Uma boa porção dos campos de gelo existentes na área foi perdida durante as últimas quatro décadas, e a velocidade de recuo aumentou nos últimos anos. A extinção em câmera lenta da Geleira Baishui nº 1 terá consequências abrangentes. Em curto prazo, haverá, é claro, uma abundância de água. Mas em longo prazo haverá falta. Isso terá consequências para a segurança nacional, uma vez que os países competirão por recursos hídricos cada vez mais escassos oferecidos por rios transnacionais que têm até de dois bilhões de usuários. Não faz muito tempo que o Platô Tibetano era visto como uma região pouco afetada, segura para os poucos aventureiros ocidentais atraídos por regiões remotas que o explorador sueco do século 20 Sven Hedin chamou certa vez de “espaços brancos” no mapa. Hoje, esses espaços brancos desempenham um papel crucial na ecologia da Ásia. Infelizmente, pode ser tarde demais para mudar o destino da Geleira Baishui nº 1. Mas ao prometer nesta semana tentar cortar as emissões de dióxido de carbono em relação ao Produto Interno Bruto e aumentar a proporção de combustíveis não fósseis no consumo primário de energia, Hu mostrou sua disposição para agir. A China não pode resolver este problema sozinha, e a visita do presidente Obama a Pequim marcada para novembro apresenta uma oportunidade para elaborar uma aliança bilateral sobre a mudança climática. Afinal, os campos de gelo do majestoso arco de picos que vai desde a China até o Afeganistão estão derretendo, em grande parte por causa dos gases de efeito estufa emitidos a milhares de quilômetros de distância.

Aquecimento global para o planeta

Quais as consequências do aquecimento global para o planeta? Depende de quanto será o aumento da temperatura. Os cientistas do IPCC montaram vários cenários dos eventos extremos que podem ocorrer. Aquecimento global pode tornar áreas como o Nordeste brasileiro ainda mais árido. A questão hoje já não é mais se o aquecimento global representa um problema em potencial. Procura-se saber apenas quais os seus efeitos e como poderão ser detectados. Os modelos de previsões de algo tão complicado como o clima ainda não são precisos o suficiente para fornecer respostas claras a esse respeito. Sabe-se, porém que algumas perturbações são inevitáveis e acontecerão nos próximos 30 anos. Dessas, não vamos escapar. Mesmo que as emissões de CO2 e outros gases do efeito estufa se mantivessem as mesmas de 2000, a temperatura, ainda assim, iria subir 0,01º C por década. Até o fim deste século, a temperatura deve subir entre 1,8º C e 4º C, dependendo das medidas adotadas para limitar a emissão de gases do efeito estufa. Esse aumento intensifica eventos extremos, como furacões, inundações e secas. E já se faz sentir nas zonas mais frias do planeta, como os polos e as geleiras das montanhas. Além disso, calcula-se que a expansão das águas dos oceanos pelo aumento de temperatura e o derretimento das geleiras podem resultar na elevação do nível do mar entre 18 e 58 cm até 2100. O derretimento do gelo no topo de cordilheiras como o Himalaia e os Andes deve prejudicar o abastecimento de água de mais de 1 bilhão de pessoas que vivem em áreas intensamente povoadas e cultivadas. Por outro lado, as alterações no regime de chuvas podem tornar áreas hoje bastante áridas ainda mais secas. Seria necessário reduzir as emissões mundiais em cerca de 60% em comparação com as emissões de 1990 para evitar isso, o que já não é mais possível. Mas se forem tomadas providências agora, ainda será possível limitar o aumento de temperatura em 2º C. Se formos esperar, o aumento será de 3º C ou mais. A escolha é nossa.

Efeito Estufa

O Efeito de Estufa é a forma que a Terra tem para manter constante a temperatura propícia à vida que herdou. Mesmo sendo a atmosfera altamente transparente perante a luz solar em torno de 35% da radiação que recebemos vai ser refletida de novo para o espaço, ficando os outros 65% retidos na Terra. Isto deve-se principalmente ao efeito sobre os raios infravermelhos de gases como o Dióxido de Carbono, Metano, Óxidos de Azoto e Ozono presentes na atmosfera que vão reter esta radiação na Terra, permitindo-nos assistir ao efeito calorífico dos mesmos. A concentração de dióxido de carbono na atmosfera tem vindo a aumentar 0,4% anualmente devido, maioritariamente, à utilização de petróleo, gás e carvão e à destruição das florestas tropicais. A concentração de outros gases que contribuem para o Efeito de Estufa, tais como o metano e os clorofluorcarbonetos, têm vindo a aumentar ainda mais rapidamente. O efeito, conjunto de tais aumentos pode vir a causar um aumento da temperatura global (Aquecimento Global). Um aquecimento desta ordem de grandeza não só irá alterar os climas a nível mundial como também irá aumentar o nível médio das águas do mar, o que poderá interferir na vida de milhões de pessoas habitando as áreas costeiras mais baixas.
O efeito de estufa é um processo natural, sendo responsável pela elevação da temperatura na Terra que não seria possível na ausência de GEE (se não existisse efeito de estufa, a temperatura à superfície da Terra seria em média cerca de 34ºC mais fria do que é hoje). Os GEE, presentes na atmosfera, criam uma espécie de estufa, permitindo a entrada de radiação solar, mas absorvendo parte da radiação infravermelha (calor) irradiada pela superfície terrestre. Os GEE são gases que absorvem e emitem radiação infravermelha. Para que a temperatura média global na troposfera seja relativamente estável no tempo, é necessário que haja equilíbrio entre radiação solar incidente absorvida e radiação solar irradiada sob a forma de radiação infravermelha (calor).

Mudanças lentas intensificam aquecimento global

Mudanças lentas, como o derretimento de massas polares, intensificam o aquecimento promovido pelos gases de efeito estufa. Mudanças lentas no cenário terrestre, como o derretimento de massas de gelo, ampliam o aquecimento promovido pela emissão de gases de efeito estufa. A conclusão é de uma pesquisa [High Earth-system climate sensitivity determined from Pliocene carbon dioxide concentrations] publicada neste domingo (20/12) na revista Nature Geoscience, logo após a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15). O estudo investigou outro período de aquecimento global, ocorrido há cerca de 4,5 milhões de anos. Segundo o trabalho, uma pequena elevação nos níveis de dióxido de carbono atmosférico esteve associada com um aquecimento global substancial durante o Plioceno Inferior. O estudo destaca que a sensibilidade da temperatura da Terra a aumentos nos níveis de dióxido de carbono é maior do que as estimativas feitas por modelos climáticos que incluíam apenas mudanças mais rápidas. O dióxido de carbono e outros gases estufa acumulam o calor na atmosfera, promovendo o aumento nas temperaturas atmosféricas e na superfície dos oceanos. Respostas relativamente rápida ao processo incluem alterações nos níveis e no comportamento do vapor de água atmosférico, das nuvens e do gelo marinho. Ana Christina Ravelo, professora de ciências oceânicas na Universidade da Califórnia em Santa Cruz, nos Estados Unidos, um dos autores do estudo, destaca que essas alterações de curto prazo provavelmente disparam mudanças de longo prazo em outros pontos, como na extensão dos mantos de gelo continentais, na cobertura vegetal e na circulação oceânica profunda, que levam a um aquecimento global adicional. “A implicação é que esses componentes mais lentos no sistema terrestre, uma vez que têm tempo de se alterar e de se equilibrar, podem amplificar os efeitos de alterações pequenas na composição de gases estufa na atmosfera”, disse. Os pesquisadores usaram amostras obtidas a partir de perfurações no fundo do mar em seis diferentes locais pelo mundo para reconstruir os níveis de dióxido de carbono nos últimos cinco milhões de anos no planeta. Eles verificaram que durante o Plioceno Inferior e Médio (de 5 milhões a 3 milhões de anos atrás), quando as temperaturas médias globais estavam de 2º C a 3º C acima das atuais, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera era semelhante aos níveis atuais, ou 30% maior do que os valores pré-industriais. “Uma vez que não há indicação de que o futuro se comportará de modo diferente do passado, podemos esperar alguns graus a mais de aquecimento mesmo se mantivermos as concentrações de dióxido de carbono nos níveis atuais”, alertou Mark Pagani, professor de geologia e geofísica na Universidade Yale e outro autor do estudo.

A conta por trás do clima: falta água no Himalaia

Aquecimento global ‘abre’ novas trilhas entre as neves do Himalaia. As geleiras do Himalaia retrocedem mais depressa que em qualquer outro lugar do planeta. Aldeias indianas já relatam problemas de abastecimento. No teto do mundo a água para beber escasseia. “Temos problemas de água potável. Os riachos que antes eram constantes agora trazem mais água algumas vezes e em outras estão secos. Não sabemos quando semear, porque as chuvas não vêm mais com precisão. Estamos à deriva, sem saber o que vai acontecer”, explicou Skarma Dachen, uma agricultora de Ladakh, no Himalaia indiano. Os efeitos do aquecimento climático começam a se fazer notar. As plantações se perdem devido a secas extremas, e os habitantes sofrem chuvas inconstantes e o derretimento das geleiras. “Até alguns anos atrás as montanhas ficavam totalmente cobertas de branco durante o inverno, agora só algumas têm neve na ponta”, afirma Skarma. As geleiras do Himalaia estão sem dúvida retrocedendo. Mas faltam estudos científicos precisos que analisem com que rapidez e qual é o efeito real provocado pela mudança climática, concordam os especialistas. De fato, na Índia se iniciou um grande debate antes da cúpula de Copenhague por conta das declarações do ministro do Meio Ambiente, Jairam Ramesh, que afirmou que “não há evidência científica conclusiva que relacione o aquecimento global ao que está acontecendo nas geleiras do Himalaia”. Depois ele retificou. Data “alarmista” O Painel Internacional sobre Mudança Climática (IPCC na sigla em inglês) adverte que as geleiras do Himalaia estão retrocedendo mais rapidamente do que em qualquer outra parte do mundo, e poderão desaparecer completamente até 2035. Essa data foi discutida por especialistas em geleiras e considerada “alarmista” por alguns. Mas organizações como o prestigioso Serviço de Monitoramento das Geleiras do Mundo (WGMS na sigla em inglês), apoiado pela ONU, admite que “as geleiras do Himalaia, em sua maioria, estão em rápido e substancial recuo”; embora afirme que não é provável que cheguem a desaparecer completamente nas próximas décadas. Essas geleiras têm a maior concentração de gelo fora dos polos, em torno 12.000 m³ de água. Na parte indiana há 40 geleiras, segundo um inventário do governo. Esses rios de gelo são uma reserva natural de água doce, que derretem naturalmente. Mas agora estão se fundindo tão rápido, sobretudo os menores, que não se recuperam com a neve que cai no inverno, também escassa. E o degelo poderia causar desastres, porque as represas naturais que se formam com as geleiras, se receberem água muito rapidamente, poderão se romper de modo imprevisto e soltar seu caudal em tromba, arrasando infraestruturas e causando danos em casas e plantações, no mínimo. As geleiras são a fonte dos três rios mais importantes desta parte do subcontinente: o Indo, o Ganges e o Bramaputra, dos quais dependem centenas de milhões de pessoas na Índia, no Paquistão e em Bangladesh. “As geleiras são especialmente vulneráveis ao aumento da temperatura. A construção de represas, o desflorestamento e as chuvas erráticas estão provocando uma terrível falta de água nas comunidades”, explica Vinod Bhatt, responsável pelo estudo “A Mudança Climática no Terceiro Polo: O impacto da instabilidade do clima nos ecossistemas e comunidades dos Himalaias”. “A falta de água é o maior problema hoje nas montanhas. As chuvas são muito instáveis. Talvez haja o mesmo volume de água, mas não está bem distribuída e as estações mudaram: um mês a mais de verão e um a menos de inverno”, explica Bhatt, da prestigiosa ONG Navdanya, comandada pela reconhecida ambientalista indiana Vandana Shiva. O estudo, elaborado em 165 aldeias de três estados da Índia, revela que na última década 280 de 809 mananciais antes perenes já se tornaram temporários ou secaram completamente. Dos 321 que manavam em temporadas, 144 secaram e pouco mais de um terço dos 324 riachos permanentes agora só correm em temporadas. A miséria espreita. Jasodha Devi, de uma aldeia chamada Kanda Mandakini, conta que sua família só tem 40 litros de água por dia (na Espanha há 339 litros por habitante/dia, segundo o INE), que transportam em mulas, e que podem se banhar e lavar roupa somente a cada dez dias. “Não podia ver nossas vacas e búfalos morrerem de sede, por isso os vendi barato por 3.000 rupias (cerca de € 43).” Indira Devi diz que sua colheita de batatas fracassou por falta de água. “Só Deus pode nos salvar agora, porque depois de tão longa seca não há forragem.” Outros se surpreendem com a pouca chuva e neve que caem – a monção deste ano foi a que teve menos água em quase 40 anos. “O caminho para nossa aldeia permanecia fechado no inverno por causa da neve, mas nos últimos anos fica aberto o inverno todo”, lembra o ancião Jaspal Singh, de uma aldeia de Poghta, em Uttarakhand. Tiveram de mudar de cultivos e, por exemplo, as maçãs agora são colhidas em maiores altitudes. Alguns perderam seu gado ou o venderam barato por falta de água e forragem. Também está se perdendo a fauna, como o urso ou o leopardo da neve. Além da diminuição das geleiras, a Índia enfrenta o aumento do mar que cobre algumas ilhas dos Sunderbans, próximas da fronteira com Bangladesh, ou ameaça cidades como Calcutá e Mumbai. O ministro do Meio Ambiente admite que é um problema importante e que devem trabalhar para combatê-lo. No entanto, ele se nega a assinar um pacto vinculatório de redução de suas emissões (4% do dióxido de carbono mundial). Mas aceitou que a Índia diminuirá a intensidade das emissões entre 20% e 25% até 2020. Por enquanto, os ambientalistas do subcontinente estão de acordo com essa promessa. “Obviamente poderíamos fazer mais, mas é um bom primeiro passo”, afirma o porta-voz do Greenpeace Ankur Ganguly. Índia: ponto de partida Cúpula sobre clima em Copenhague começa com pedido de acordo “ambicioso” Emissões – Em 2006 (último ano com dados disponíveis) a Índia superou o Japão e se tornou o quarto emissor de gases do efeito estufa, atrás da China, EUA e Rússia. Seus 1.293 milhões de toneladas anuais de CO2 representam 4,4% do volume mundial. Posição em Copenhague – A Índia, assim como a China, ficou isenta de restringir suas emissões no Protocolo de Kyoto. Mas isso vai mudar. O volume de gases produzidos faz que sua colaboração seja indispensável para conter o aquecimento, e o país está disposto a reduzir o aumento (não a diminuir as emissões) em 20% ou 25% do que cresceria se não tomasse medidas.O que está em jogo – O país é um continente e enfrenta todos os efeitos do aquecimento: aumento do nível do mar na costa, falta de água no sul e no centro, degelo nos cumes, fome, inundações e ondas de calor. Riscos demais para um país com 300 milhões de pobres.

O que eles prometeram

As metas propostas pelos principais países para as negociações de Copenhague. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, era contra um compromisso detalhado de metas numéricas e embarcaria para Copenhague no comando da delegação brasileira para defender o ponto de vista clássico dos países em desenvolvimento. Dilma iria dizer que a prioridade de seu governo envolve o combate à pobreza e que os países desenvolvidos precisariam ajudar as outras nações a financiar o crescimento em bases sustentadas. Nos encontros preparatórios, Dilma cobrou estimativas de emissão de gás carbônico para três cenários de crescimento econômico a taxas de 4%, 5% e 6% do PIB. Para encarar o debate ambiental, o governo Lula teria dois argumentos. Considera que o simples fato de levar uma única meta numérica já é um gesto digno de respeito, já que muitos participantes nem farão isso. Pelos cálculos do governo, ao reduzir o desmatamento em 80%, o Brasil assume um compromisso que equivale a 20% de toda a redução de emissões anunciada pelos países desenvolvidos. Em sua postura a favor de uma posição mais agressiva do Brasil, o ministro Carlos Minc conta com o apoio de todos os ecologistas que ainda não ingressaram na caravana da pré-candidata à Presidência Marina Silva (PV), inclusive empresários e personalidades com prolongado ativismo na área. A postura de Dilma tem respaldo de Lula e da maioria do governo, como o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Do ponto de vista da diplomacia brasileira, Copenhague é uma oportunidade para reforçar laços com aliados preferenciais, que Brasília considera úteis em tratativas comerciais e articulações permanentes. Dois parceiros do Brasil, a Índia e a China, integrantes do grupo de nações emergentes conhecidos como Brics, estão entre os campeões mundiais de gás carbônico e chegarão a Copenhague com uma única preocupação: não ser colocados contra a parede. Interessado em consolidar uma aliança com Índia e China, que pode render frutos, influência e quem sabe um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Itamaraty fará o possível para conservar a parceria - e isso explica sua estratégia no encontro. Lideranças tradicionais de empresários também são contra metas numéricas detalhadas. Para o diretor executivo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Augusto Fernandes, a ideia de levar metas numéricas para Copenhague pode trazer mais prejuízos que benefícios. "Depois ainda seremos cobrados lá fora se não cumprirmos o que colocarmos no papel. Melhor seria se estipulássemos metas internas que não venham a prejudicar o crescimento econômico", disse. É possível, contudo, que Minc consiga obter mais concessões do governo brasileiro. Assessores do Palácio do Planalto admitem que o Brasil irá para a reunião com cartas na manga, mas não quer correr o risco de mostrar todas antes de o jogo começar. O governo quer tempo, também, para tentar promover um diálogo entre o setor ambiental e o da pecuária - talvez o drama mais espinhoso da questão ambiental no país. O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, queixou-se de que fora marginalizado dos debates do governo, apesar de os fazendeiros de gado serem um dos principais responsáveis pela geração de gases do efeito estufa no Brasil. Stephanes estaria convencido de que o setor pode dar contribuições para a solução do aquecimento global com mudanças na técnica de plantio. Por falta de um inventário sobre as emissões de gases, qualquer número do Brasil poderia ser contestado. O país embarca com lacunas que já deveriam ter sido resolvidas há muito tempo. De acordo com o economista José Eli da Veiga, um dos principais assessores da senadora Marina Silva, em Copenhague, o Brasil pagaria o preço de não contar com uma base confiável de dados sobre as emissões de gás carbônico. Isso significa que qualquer número que o país colocar à mesa poderá ser questionado. O último inventário desse tipo foi produzido em 1994. "Até hoje o Ministério da Ciência e Tecnologia, que era o responsável pelo inventário, não explica por que o inventário não ficou pronto", diz José Eli. Procurado por ÉPOCA, o Ministério da Ciência e Tecnologia não se manifestou. Nas últimas décadas, a ecologia tornou-se uma indústria em expansão que favorece investimentos e estimula mudanças no padrão da economia, sem deixar de dar lucro e gerar empregos. O ex-deputado Fábio Feldmann, ex-tucano que hoje é secretário executivo do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais, diz: "Estão se abrindo janelas promissoras de negócios, e o Brasil está atrasado". Para Feldmann, o país "deveria ter adotado uma postura de liderança nas conversações e o presidente Lula já deveria ter chamado a responsabilidade desse assunto para ele". Segundo José Eli, a China já firmou acordos bilaterais de transferência de tecnologia com países desenvolvidos, enquanto o Brasil hesita. "Estamos priorizando a questão do desmatamento, que é um problema que tem como solução tecnologia do século XIX, enquanto outros já estão no século XXI." Na Conferência de Kyoto, no Japão, em 1997, foram estabelecidas metas de redução de emissões para países industrializados. Os resultados foram pífios, em parte pela postura do governo dos Estados Unidos, que se recusou a ratificar o acordo final. A história pode se repetir agora. A legislação americana proíbe a Casa Branca de firmar tratados internacionais sem autorização expressa do Congresso - e é difícil imaginar que senadores e deputados americanos tenham disposição para assinar acordos externos que o eleitorado pode enxergar como uma ameaça a seus empregos. "Sem os Estados Unidos nas discussões, a maior economia do mundo, fica muito difícil imaginar um acordo abrangente", diz Feldmann. Diante dessas dificuldades, negociadores presentes à reunião preparatória de Barcelona já davam como certo o prolongamento das discussões pelo prazo de seis meses, no mínimo. Já se considera que a reunião de Copenhague teria sido um sucesso se cada país apresentasse um cronograma das negociações - e se cada presidente prestigiasse o evento com suas presenças. Se o compromisso assumido com Gordon Brown fosse para valer, Lula teria de gastar boa parte de sua agenda convencer seus colegas governantes de que valeria a pena enfrentar o rigoroso inverno de Copenhague.

O novo embaixador do clima

A convite de Gordon Brown, Lula entra nos esforços para evitar um fiasco na conferência do aquecimento global, mesmo sem o país ter se preparado.Quando faltavam poucas semanas para o início da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que foi realizado em Copenhague, na Dinamarca, a comunidade de ambientalistas, diplomatas e pesquisadores envolvidos em seus preparativos cultiva uma rotina de frustração e pessimismo. Depois que a humanidade tomou consciência da necessidade de enfrentar o aquecimento global num processo difícil e demorado, mas necessário, o encontro de Copenhague passou a ser visto como uma oportunidade única para as principais nações do planeta firmarem compromissos concretos para proteger o meio ambiente, estimular uma economia ecologicamente sustentável e desenvolver novas formas de energia limpa. As últimas reuniões preparatórias, porém, têm sido frustrantes e desanimadoras. Até o momento, poucos países desenvolvidos assumiram metas claras e definitivas para diminuir nas próximas décadas suas emissões de gás carbônico, causador do efeito estufa, principal fator do aquecimento global. Chamadas a oferecer recursos para que os países em desenvolvimento possam ter acesso a tecnologias limpas, as nações mais ricas oferecem migalhas. O risco de um fiasco é tão grande que mesmo o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, governante do país que abriga a maior economia e mais emite gás carbônico no mundo, nem sequer confirmou sua presença. Gordon Brown, o primeiro-ministro do Reino Unido, talvez o líder mais empenhado no sucesso da conferência, aproveitou a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na semana passada, em Londres para pedir ajuda. Lula fora a Londres para receber o prêmio de estadista do ano do instituto Chatham House. Também foi recebido em audiência pela rainha Elizabeth II. No encontro com o presidente brasileiro, Gordon Brown falou de suas preocupações com o rumo - ou falta de - da conferência e sugeriu que Lula usasse seu prestígio para pedir empenho a outros líderes mundiais. O presidente brasileiro prometeu colaborar. Disse que ligaria para Barack Obama, para o presidente da China, Hu Jintao, e para o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh. "O pior que pode acontecer é a sociedade mundial achar que os líderes mundiais não estão assumindo a responsabilidade. O problema é sério. Não tem rico nem pobre. Todos temos de trabalhar", disse Lula. Considerando a baixa produtividade dos encontros preparatórios, que reuniram muitos países que ainda não deixaram a UTI da crise econômica, o apelo de Gordon Brown reforçou a visão de que o Brasil poderia ter um papel particularmente destacado em Copenhague. O problema é que o governo brasileiro também não se preparou, acumulou um passivo pesado de problemas não resolvidos e enfrenta respeitáveis divergências internas sobre os compromissos que o país deve assumir no enfrentamento do aquecimento global. Para o governo, um corte de 80% do desmatamento da Amazônia representa uma proposta ambiciosa Até o momento, só há uma única proposta fechada para o Brasil levar a Copenhague: o compromisso de reduzir em até 80% o desmatamento da Amazônia. Há outras ideias, como estimular o reflorestamento, a recuperação de áreas degradadas e a disseminação do "aço verde", obtido a partir da queima do carvão vegetal proveniente de áreas de replantio e não de matas nativas. Outro ponto é a abolição do uso de carvão mineral, altamente poluidor. A maior polêmica em Brasília envolve uma pergunta: o Brasil deveria chegar a Copenhague com um detalhado compromisso de metas numéricas para a redução da emissão de gás carbônico conforme cobrou a ONU na semana passada? No debate interno do governo, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, acha que sim. Minc está convencido de que, se a delegação brasileira desembarcar em Copenhague nessa situação, poderá assumir um papel de liderança numa conferência em que o ânimo dos ativistas do lado de fora é sempre muito mais elevado que o de políticos e burocratas do lado de dentro. A dificuldade é que a conferência não será um encontro de ecologistas, mas uma reunião de governantes que vão definir políticas de Estado para as próximas décadas. Não é só uma discussão ambiental - mas envolve também economia, política e diplomacia.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A Tecnologia, o Consumismo e seus Impactos Sócio-ambientais

A humanidade herdou um acúmulo de 3,8 bilhões de anos de capital natural: mantendo-se os padrões atuais de uso e degradação, muito pouco há de restar até o fim do século XXI. Considerando a recente crise econômica, que tanto tem preocupado a população e os governos mundiais, ninguém percebe que se está perdendo mais dinheiro com o desaparecimento das florestas do que com a atual crise financeira global, segundo conclusões de um estudo encomendado pela União Européia. Na pesquisa calculou-se que os desperdícios anuais com o desmatamento variam em uma faixa de US$ 2 trilhões a US$ 5 trilhões. Para se chegar a esses números, é necessário saber que os serviços de armazenamento de água e da regulação do ciclo de carbono, entre outros, realizados gratuitamente pela natureza, criam condição para um meio ambiente saudável, oferecendo não só água e ar limpos, chuvas, produtividade oceânica, solo fértil e elasticidade das bacias fluviais, como também certas funções menos valorizadas, mas imprescindíveis para a manutenção da sustentabilidade, tais como: a) o processamento de resíduos (naturais e industriais); b) a proteção contra os extremos do clima; c) a regeneração atmosférica. Contudo, nas últimas três décadas se consumiu um terço dos recursos da Terra, ou seja, de sua riqueza natural. É sabido que ecossistema é um sistema aberto integrado por todos os organismos vivos, inclusive o homem, e os elementos não viventes de um setor ambiental definido no tempo e no espaço. Suas propriedades globais de funcionamento (fluxo de energia e ciclagem da matéria) e auto-regulação (controle) derivam das relações entre todos os seus componentes, tanto pertencentes aos sistemas naturais, quanto aos criados ou modificados pelo Homem. Com o aumento populacional que se deu no último século e com o surgimento de novas tecnologias, aceleraram-se as atividades econômicas de acordo com suas supérfluas e ilimitadas necessidades, em uma velocidade jamais vista. Tudo isso acontece a partir de uma visão antropocêntrica clássica, o homem e suas interações com o ambiente à sua volta devem se fazer de forma prioritária, e descompromissada, modificando e transformando os ambientes naturais para que sejam satisfeitas as suas vontades. Os resultados dessas ações são facilmente perceptíveis ao longo de toda a biosfera. Esta interferência ocorre em diversos níveis, agindo diferentemente sobre os componentes ambientais: ar, solo, água e seres vivos. Os reflexos, geralmente desastrosos, podem ser observados, por exemplo, nas atividades agropecuárias e florestais, particularmente quando praticadas de forma extensiva, causando profundas alterações na paisagem, em nível mundial. Nos sistemas urbanos, também, são encontradas marcas profundas da intervenção humana. Essa situação se agravou a partir da Revolução Industrial, que criou o modelo de capitalismo atual, cujos processos de produção consideravam como pólos excludentes o homem e a natureza, com a concepção desta como fonte ilimitada de recursos à sua disposição. A partir dessa época, a capacidade produtiva humana começou a crescer exponencialmente e a força de trabalho se tornou capaz de fabricar um volume muito maior de produtos básicos, a custos reduzidos. Esse fato elevou rapidamente o padrão de vida e os salários reais, fazendo crescer a demanda dos diversos produtos das indústrias, lançando os fundamentos do comércio moderno. No entanto, o que se percebe, é que as sucessivas agressões que o meio ambiente vem sofrendo em decorrência das atividades humanas vêm causando impactos negativos e causando uma série de prejuízos sócio-econômicos e ambientais. Ao meio da crise econômica e ambiental atuais, e de tamanha confusão, as pessoas, desinformadas, perguntam-se: “o que fazer?”; “como fazer?”; “a quem recorrer”; ou “em quem acreditar?” As alternativas são várias para solucionar tais problemas; mas o que tem gerado bastante discussão é se as medidas tomadas só defendem os interesses de cada país ou interesses pessoais... ou se realmente pensam na coletividade. Será que realmente existe a intenção de solução definitiva para as questões sociais e ambientais? O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, depois de fazer diversas reuniões com parlamentares da bancada ruralista, entregou nessa semana à Casa Civil uma proposta que reduz as punições contra desmatadores. Pressionado, ele aceitou alterar ou revogar artigos do decreto que assinou no fim de julho, com o presidente Lula, para endurecer a Lei de Crimes Ambientais. O anúncio foi feito na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado. Na mesma reunião, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, fez duras críticas à legislação ambiental do país, dizendo: “se todas as regras atuais forem respeitadas, é melhor fechar o Brasil". Ou seja, o nosso grande problema é que vivemos em um mundo capitalista, onde negócios e lucros são as únicas referências, de fato, consideradas importantes. Para se atingir esse objetivo, incrementa-se o consumo, estimulado por campanhas maciças na mídia. O modismo é outro aspecto que acaba nos influenciando: se um modelo de computador está “na moda”, o que compramos há pouco tempo já parece estar ultrapassado e isso faz com que acabemos comprando um novo modelo. O mesmo acontece com o telefone celular e outros bens de consumo. Na verdade, esse comportamento é resultado de uma estratégia usada pelo modelo capitalista que criou o consumismo obsoletista, onde um produto já é lançado tendo o seu sucessor mais moderno na prateleira para ser apresentado em pouco mais de seis meses ou um ano. Uma verdade, que poucos se dão conta, é que nos dias atuais, de toda a produção mundial, apenas 1% tem vida útil superior a seis meses e, em nossa euforia de consumo, devido ao desconhecimento do ciclo de vida dos produtos, não damos conta que é o meio ambiente que estará sendo afetado. Não podemos esquecer que a primeira etapa da fabricação de um produto se dá com a extração de recursos naturais, cuja exploração está se dando de forma exagerada e desordenada, e o seu destino final também será em um determinado local do ambiente. Outra dimensão da insustentabilidade do consumo atual das economias humanas passa pela forma socialmente desigual da distribuição das riquezas e da renda. Ou seja, há uma pressão diferenciada exercida pelos consumidores sobre os ecossistemas. Ao contrário, as populações dos países ricos são responsáveis pela apropriação de 80% dos recursos naturais e de energia, sendo que representam menos de 20% da população global. Qual a conseqüência desse modelo? A atual crise global da economia... e que afetará, indiscriminadamente, todos os países do Planeta. Na verdade, quando analisamos o comportamento da humanidade ao longo de sua história, observamos um enorme fascínio pelo uso de novas tecnologias, associadas ao desenvolvimento de novos produtos e, ou, processos de produção. Porém, apesar de significativas vantagens proporcionadas com essas inovações, servindo de auxílio para a solução de grandes problemas, questiona-se a sua efetividade, inclusive com inúmeras dúvidas sobre os efeitos à saúde, por exemplo, quanto ao uso desse novo “brinquedo”, o telefone celular. Nessa semana, especialistas de todo o mundo se reúnem no Rio de Janeiro para discutir dados científicos relacionados aos efeitos biológicos de radiações ionizantes, notadamente aquelas emitidas por antenas e equipamentos de telefonia celular, estações transmissoras de rádio e TV, linhas de transmissão e distribuição de energia elétrica, além de discutir aspectos de proteção e limites de exposição. A Comissão Internacional de Proteção contra as Radiações Não-Ionizantes promove o encontro internacional com o objetivo de apresentar os seus avanços científicos. As discussões subsidiam novas recomendações para limites de exposição, conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). No futuro, há de se perceber, que os avanços científicos e tecnológicos voltados para o setor produtivo, deverão permitir a implantação de indústrias limpas, que estão na base de um crescimento econômico mais equilibrado e integrado como o meio ambiente. O primeiro passo para uma grande mudança é consumir menos e poder utilizar os recursos naturais de maneira sustentável. Contudo, a Educação Ambiental, que é o caminho mais curto para se atingir esse objetivo, a sua efetiva inclusão no currículo, de forma incompreensível, vem sendo protelada pelo Ministério da Educação. De fato, carecem de uma visão equilibrada e integrada do meio ambiente, holística e sistêmica, que favoreçam a própria gestão da tecnologia. Os modos de produção necessitam de um novo modelo. No meio urbano, a implantação de sistemas de gestão ambiental que estimulem a produção mais limpa seria uma alternativa; na área rural, os modelos de produção agro ecológicos podem ser considerados fortemente inseridos nessas propostas.

Lixo espacial

A colisão entre um satélite russo e outro americano em meados de fevereiro reacendeu o debate sobre os riscos do acúmulo de lixo espacial para a humanidade. Desde o lançamento do Sputnik, o primeiro objeto a entrar em órbita, em 1957, a evolução tecnológica permitiu que naves, foguetes e outras centenas de satélites explorassem o espaço tranquilamente. Após perderem a utilidade, porém, esses objetos permaneceram no mesmo local e passaram do status de exploradores para o de poluidores espaciais. Atualmente, cerca de 17.000 destroços com mais de 10 centímetros giram em torno do Planeta Terra, provocando colisões e danificando naves (na imagem acima, uma montagem feita em computador mostra o acúmulo do lixo ao redor do planeta). Saiba as consequências disso e quais são as possíveis soluções para a realização de uma “faxina no espaço”. 1. O que é lixo espacial? O lixo espacial é composto detritos de naves, combustíveis, satélites desativados, lascas de tinta, combustível, pedaços de mantas térmicas e foguetes, objetos metálicos e até mesmo ferramentas perdidas por astronautas durante as suas explorações espaciais. “O que existe é uma grande nuvem de objetos dos mais variados tamanhos e pesos, desde um grama até toneladas”, explicou Petrônio Noronha de Souza, chefe do laboratório de Integração e Testes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). 2. Quando surgiu? Como está a situação atualmente? O grande precursor do acúmulo de detritos no espaço foi o Sputnik, o primeiro satélite artificial da Terra, lançado em 1957 pela antiga União Soviética. Hoje em dia, com a evolução tecnológica, há cerca de 800 satélites ativos em órbita. Enquanto isso, segundo o chefe do laboratório do INPE, a órbita se tornou um “vasto lixão espacial”. De acordo com dados divulgados em 2008 pela NASA, a agência espacial americana, foram contabilizados no espaço aproximadamente 17.000 destroços acima de 10 centímetros, 200.000 objetos com tamanho entre 1 e 10 centímetros e dezenas de milhões de partículas menores que 1 centímetro. 3. Então a evolução tecnológica só serviu para “poluir” o espaço? Não necessariamente. Para Souza, a contrapartida da sujeira produzida pela evolução da tecnologia foi o benefício que ela trouxe para sociedade. “Não podemos dizer que tudo é lixo e apenas nos causa mal. Tudo que está lá sempre teve um propósito, nada foi colocado só para poluir. O lixo acumulado é um preço que se paga em função de um beneficio adquirido”, lembra ele. 4. O que acontece com os detritos que ficam no espaço e ninguém retira? Nem tudo o que foi colocado no espaço permanece em órbita. Souza explicou que os detritos vão paulatinamente perdendo altitude e, mais cedo ou mais tarde, caem na Terra. Segundo o chefe do laboratório do Inpe, detritos que estão em altitudes baixas caem mais rápido, em meses. Já os mais altos permanecem por décadas. “Quando um satélite é lançado, ele permanece lá por meses ou anos e, ao final da vida útil, é simplesmente desligado. Ao ser desligado, o satélite deixa de ser usado e se transforma em lixo. É como se alguém abandonasse um carro e o deixasse ali. Porém, é viável pegar um carro velho e levar para o pátio. E no caso do satélite não existe um pátio”, compara Souza. 5. É possível ser atingido por um pedaço de satélite, por exemplo? Essa possibilidade existe, mas a chance de ser atingido é reduzidíssima. Desde o início da corrida espacial, foram inúmeros os registros de quedas de detritos em diversas localidades, como os Estados Unidos, a Austrália e a África. Conforme Souza, porém, muitas vezes o lixo acaba queimando antes de cair na Terra. Quando consegue atravessar a atmosfera, o lixo espacial ainda enfrenta a probabilidade de cair no mar, já que os oceanos ocupam 75% da Terra. “Nunca vai acontecer uma tempestade de lixo espacial, a física não permite isso. É ficção científica”, esclarece o especialista. 6. Na pior das hipóteses, quais são os riscos do acúmulo de lixo espacial? O cenário mais remoto, porém fisicamente demonstrável, é a Síndrome de Kessler. A hipótese, apresentada por um físico da Nasa, sustenta que haverá um momento em que o espaço terá tantos detritos que será impossível utilizá-lo para as necessidades da humanidade. Isso porque, quando dois objetos se chocam, eles geram mais fragmentos, multiplicando assim o número de elementos em órbita. “Isso lembra uma reação em cadeia, em que choques vão gerando choques e mais choques, como se quase tudo que estivesse em orbita criaria um cinturão e inviabilizaria completamente o uso do espaço”, diz Souza. 7. Na prática, como os detritos espaciais poderiam afetar a vida do homem? Para a saúde do planeta Terra, o lixo espacial não tem a menor importância, já que representa uma quantidade de massa insignificante, segundo explicou o chefe do laboratório do INPE. A grande afetada, caso o espaço fosse inutilizado, seria a sociedade. Os satélites que atualmente estão em órbita, por exemplo, são responsáveis por transmitir dados, sinais de televisão, rádio e telefone, sem contar os equipamentos que observam a Terra, fornecem informações sobre mudanças climáticas, podem antecipar fenômenos naturais e fazer o mapeamento de áreas. “O grande problema do lixo espacial está lá em cima: é a probabilidade desses fragmentos danificarem equipamentos necessários para o homem”, explicou o especialista brasileiro. 8. É possível fazer uma “faxina espacial”? “Limpar o espaço não é como limpar um terreno baldio. Não existe tecnologia para remover esses objetos em órbita, porque a limpeza não é viável”, diz Petrônio Noronha de Souza. Ele explica que a tecnologia não existe de fato - há apenas algumas idéias. A concretização desses métodos, contudo, exige um gasto tão astronômico que a viabilidade técnica acaba sendo questionada. 9. Quais métodos já foram apresentados? A seguir, algumas das formas já propostas para tentar tirar o lixo do espaço: Redes: Sistema de redes gigantes, que formaria um cesto capaz de capturar os detritos e jogá-los mais para baixo. Lasers: Instalar canhões de laser em alguns pontos estratégicos e disparar contra o lixo, para desviar sua órbita para mais perto do planeta. Com isso, o lixo queimaria até desaparecer. Fios: Cabos condutores de cobre poderiam ser acoplados a satélites desativados para que eles pudessem ser atraídos pelo campo magnético da Terra. Espuma: Um painel de espuma seria colocado na rota dos detritos. Assim que os objetos passassem por ele, teriam sua velocidade reduzida, caindo de volta no planeta. Braço: Uma espécie de nave não-tripulada, guiada por radares e câmeras, seria equipada com braços robóticos para coletar os detritos. 10. Há alguma alternativa para evitar que os satélites que estão em órbita não se tornem lixo espacial? Sim. O chefe do laboratório do INPE explica que, para evitar que as centenas de satélites em atividade se transformem em lixo espacial ao fim de suas atividades, é preciso programá-los para que eles sigam em direção às chamadas órbitas-cemitério. Assim, os satélites ficariam em lugares bem distantes da Terra, sem oferecer riscos de colisões. De acordo com a Nasa, a cada ano, cerca de 200 pedaços de lixo espacial com mais de 10 centímetros entram no espaço. 11. Por que o uso das órbitas-cemitério não é tão comum? Muitas vezes isso não ocorre por razões financeiras. De acordo com Souza, um satélite é projetado para permanecer em órbita por cerca de quatro anos. Retirá-lo de lá antes de se auto-desligar para movê-lo em direção a outro lugar significa interromper um trabalho que custa caro. Se a empresa demora muito, acaba ficando tarde demais. Souza explica que, ultimamente, as operadoras de telecomunicações, que possuem posições orbitais muito bem determinadas, têm se interessado em alterar a rota para as órbitas-cemitério. Isso ocorre porque, se o satélite continuar no mesmo local, pode vir a atrapalhar a instalação de um novo. 12. As agências espaciais se preocupam com esse tema? A maioria das organizações possui um núcleo para tratar de assuntos relacionados ao lixo espacial. Em 1986, a ESA, agência espacial europeia, criou um grupo para analisar e estudar os detritos no espaço. Neste ano, a ESA investiu 64 milhões de dólares em um programa chamado Conscientização da Situação Espacial. Já a NASA criou, em 1997, o Centro de Estudos de Órbita e Re-entrada de Destroços. Além dessas, há também a Inter-Agency Space Debris Coordination Committee (IADC), que se propõe a ser um órgão internacional que coordena atividades relacionadas a assuntos ligados ao lixo espacial. O IADC agrega agências espaciais de países como Alemanha, Índia, China e Japão. As organizações costumam recomendar práticas ideais, mas que dificilmente são adotadas, já que não são imposições legais. “As organizações não têm força de lei. Somente fazem sugestões que as nações adotam ou não”, explica Souza. 13. O Brasil também tem sua parte de responsabilidade na “poluição do espaço”?Segundo Souza, o Brasil possui dois satélites de coleta de dados e mais três satélites em conjunto com a China. “Nenhum desses cinco dispõe de um sistema para que seja feita sua remoção em órbita. Por isso, o Brasil não pode se eximir.”

Poluição reduz nascimento de homens

A poluição atmosférica, a fuligem da queima da cana-de-açúcar e o uso de agrotóxicos nas lavouras têm reduzido o número de nascimentos de bebês do sexo masculino, indicam estudos da USP e da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). A hipótese é que as substâncias químicas - chamadas de desreguladores endócrinos-, presentes nesses poluentes alterem o mecanismo de regulação do eixo hipotálamo- hipófise- gônadas e inibam a fabricação de espermatozóides que carregam o cromossomo Y (que determina o sexo masculino). Diversos estudos na Europa e nos EUA vêm relatando que, além da tendência de declínio na proporção de homens, a exposição ambiental às substâncias químicas pode contribuir para um maior surgimento de cânceres hormônio, dependentes, redução da fertilidade e malformações congênitas. Uma análise publicada em outubro passado na revista científica francesa "Gynécologie Obstétrique & Fertilité" diz que há 15 anos diversos estudos epidemiológicos têm demonstrado possíveis associações entre o câncer de mama e os pesticidas que levam na composição desreguladores endócrinos. No Brasil, ao menos dois trabalhos de pesquisadores da USP mostram que quanto maior o número de partículas suspensas na atmosfera, menor a quantidade de meninos nascidos em regiões de São Paulo. Foi avaliado o nível de poluição medido em 15 estações da CETESB e o número de nascimentos registrados em cartórios da capital paulista. Entre a área menos poluída e a com maior índice de poluição atmosférica, a diferença da proporção de nascimento de bebês do sexo masculino foi de 1%, 51,7% e 50,7%, respectivamente, com 1.180 meninos a menos na área mais poluída. A análise foi feita entre 2001 e 2003. Sempre nascem mais homens do que mulheres (numa proporção média de 51% e 49%) porque a mortalidade masculina é maior. Porém, a proporção de homens vem caindo conforme o nível de poluição da região. Estudos mostram que o cromossomo Y, que define o sexo masculino, é muito sensível à exposição de agente químico presentes na atmosfera. Há uma morte maior da linhagem germinativa que carrega o Y. Em trabalho experimental, observa-se que ratos expostos à poluição ejaculam menos espermatozóides. A poluição afeta a qualidade e a quantidade de sêmen. Um estudo inédito feito no interior de São Paulo demonstra que as cidades onde há maior queima de cana-de-açúcar - monitorada por satélites - também têm redução do nascimento masculino. Agrotóxicos - Nas regiões agrícolas do Paraná, o declínio do nascimento de homens é atribuído aos agrotóxicos. A análise foi realizada entre 1994 e 2004, com base nos registros do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O município de Jardim Olinda, no noroeste paranaense, registrou a menor proporção de nascimentos de homens no período analisado. Em 1994, teve uma taxa de 62,5% e, dez anos depois, o índice de nascimentos de meninos caiu para 26%. Segundo Gibson, os agrotóxicos atuam como desreguladores endócrinos porque, entre os mecanismos de ação, têm estrutura molecular semelhante à de hormônios naturais.Alguns autores sugerem que não se pode atribuir a responsabilidade pelo declínio na proporção de nascimento masculino só à poluição ambiental, uma vez que não se sabe como seria tal proporção na ausência dessas partículas poluentes.

Uso de recursos naturais é mais barato e lógico

Uso racional dos recursos naturais é mais barato e lógico que poluir e recuperar. É mais barato e inteligente preservar os recursos naturais do que poluir e depois ter que recuperar. Essa foi a principal mensagem do analista de projetos ambientais da Fundação O Boticário, André Ferrette, que palestrou no quarto evento da série Encontro Desenvolvimento Sustentável do Sistema Federação das Indústrias (FIESC), em Criciúma. Ferrette falou sobre as ações para a promoção da sustentabilidade ambiental da Fundação O Boticário, mantida pela fabricante de cosméticos há 18 anos. A empresa destina 1% da sua receita líquida em investimentos sociais privados, sendo 80% para a área ambiental. Para se ter uma idéia, o faturamento da empresa em 2007 foi de R$ 872 milhões. Além de cuidar da gestão ambiental da própria empresa, a Fundação O Boticário mantém projetos de preservação em diversas frentes. Uma delas é diretamente em pesquisas científicas. Dessa forma, a fundação já descobriu 33 novas espécies animais e vegetais, sendo que quatro delas receberam nomes científicos relacionados a Boticário. A entidade também mantém reservas naturais de preservação permanente em três biomas brasileiros: na mata atlântica, abrangendo o litoral do Paraná e de São Paulo, no Pantanal e no cerrado. Outra iniciativa é a compensação financeira para áreas privadas que contenham mananciais. A Fundação O Boticário paga para que o proprietário do terreno nessas áreas mantenha o ambiente intacto, de modo que a água que se origina ali continue brotando natural e limpa. “Baseamos esse projeto em uma experiência pioneira em Nova York. Percebemos que não faz sentido deixar que se polua para, depois, ter que investir no tratamento dessa água”, afirmou. O uso racional da água também é uma das principais preocupações da Eliane Revestimentos Cerâmicos. O analista ambiental da empresa, Wladimir José Nunes, também falou no evento sobre as ações da companhia na área ambiental. Ele disse que hoje toda a água usada no processo produzido passa por estações de tratamento, e 60% dessa água é reutilizada pela própria empresa. A meta é que toda a água tratada seja reaproveitada. Nunes também falou sobre a nova linha de produtos da Eliane, a Ecostone. Atestada pela certificadora alemã BRTÜV como uma linha ecologicamente correta, os cinco produtos já lançados pela empresa na linha Ecostone são feitos com 60% de matéria-prima reutilizada dos próprios processos da Eliane. O primeiro vice-presidente da FIESC, Glauco José Corte, destacou na abertura do encontro que os mercados brasileiro e, principalmente, os externos são hoje muito exigentes com a origem dos produtos. “Os clientes querem saber se o fabricante tem compromisso com o meio ambiente, se o produto é eco-eficiente, se ele consome muita energia ou emite muito gás carbônico”, disse, destacando que esse é cada vez mais um diferencial para as indústrias. “Santa Catarina já tem vários exemplos positivos nesse sentido, e queremos divulgar com esses encontros algumas dessas experiências”, completou.A série Encontro Desenvolvimento Sustentável terá ao todo seis eventos nas principais regiões industriais de Santa Catarina, abordando os temas educação e mercado de trabalho, meio ambiente e responsabilidade social. Os eventos anteriores foram realizados em Chapecó (responsabilidade social, com palestras da Vonpar e Celulose Irani), Lages (meio ambiente, com Amanco e Tractebel Energia) e Joinville (educação e mercado de trabalho, com WEG e Votorantim).

Crise financeira torna mais barato poluir

Preço dos créditos de carbono caiu drasticamente, reduzindo o incentivo para investimento no controle da poluição Os preços dos créditos de carbono negociados por companhias européias para compensar suas emissões de gases de efeito estufa caíram drasticamente nas últimas semanas, com a piora da crise financeira internacional. Além da queda no ritmo da atividade econômica - que conseqüentemente resulta em menor emissão de poluentes -, empresas começaram a vender seus títulos com o objetivo de fazer caixa para enfrentar os tempos de crédito escasso. O resultado é uma sobre oferta de certificados de emissão reduzida, que fez com que o preço da tonelada de carbono emitido caísse para 12 (US$ 15,58) - menos da metade do valor que estava sendo negociada em meados do ano passado. Antes do agravamento da crise financeira, a tonelada de carbono era cotada a 30 (US$ 38,94). A queda do preço do crédito de carbono a patamares tão baixos é preocupante por duas razões. Primeiro, elimina o incentivo para que as companhias façam investimentos em tecnologias de controle da poluição. Na Europa, o sistema voluntário de comércio de créditos de carbono, que corre paralelo ao mercado regulado pela Organização das Nações Unidas, tinha como objetivo estimular as empresas a reduzirem suas emissões de gases poluentes. Analistas afirmam que o preço por tonelada de emissões de carbono a pelo menos 20 é necessário para que o negócio seja lucrativo para as empresas. Por outro lado, os preços mais elevados dos créditos de carbono significam uma motivação maior para que as fábricas troquem de combustível e substituam carvão por gás natural para atender suas necessidades energéticas. Se for barato poluir, há menos interesse em fazer a conversão para energias mais limpas. O sistema de negociação de créditos de carbono da União Européia está atualmente em sua segunda fase de comercialização de títulos, que vai até 2012 - a primeira terminou no final de 2007. Se as empresas poluírem mais do que o permitido, elas são obrigadas a comprar títulos para compensar suas emissões, no mercado voluntário. Se poluírem menos, as empresas podem vender seus créditos não utilizados. CAIXA Atualmente, no entanto, com a relutância dos bancos em emprestar dinheiro às companhias, o mercado voluntário de carbono na Europa se mostrou um meio para que as empresas façam caixa e ganhem liquidez para enfrentar a crise. Um levantamento conduzido pela unidade alemã do jornal Financial Times mostra um número crescente de empresas de médio porte da Alemanha que estão vendendo créditos de carbono para cobrir rombos financeiros. O estudo do Financial Time descreve o caso de uma produtora de papel no sul da Alemanha, a Scheufelen, que evitou um completo colapso financeiro ao vender seus créditos de carbono em dezembro.O preço baixo dos créditos de carbono sugere que as empresas irão postergar melhorias tecnológicas e continuar sendo fábricas obsoletas e pouco eficientes por mais tempo. O resultado poderá ser muito mais poluição até que os preços tornem a subir. Em 2008, o mercado global de créditos de carbono movimentou US$ 116 bilhões - quase o dobro do valor negociado em 2007, de US$ 66 bilhões.

Milhares de toneladas de lixo são jogadas anualmente no mar

Praia em Mumbai, Índia: mais plástico do que fitoplancton. Fracassaram medidas globais para proteção dos oceanos – Um relatório confidencial do governo alemão, obtido pela Spiegel Online, indica que os esforços da ONU e da União Europeia para limpar nossos oceanos fracassaram totalmente. Como os oceanos do mundo são imensos, poucas pessoas parecem se incomodar em despejar lixo neles. Mas os plásticos se degradam em um ritmo muito lento e uma grande quantidade deles está espalhada pelos nossos oceanos. Os animais marinhos consomem pequenos pedaços deles, fazendo com que muitos morram, já que os plásticos estão cheio de venenos. E, como alertam os especialistas, nós chegamos a um ponto onde está ficando até mesmo perigoso para os seres humanos consumirem peixes e frutos do mar. Dadas estas condições, a comunidade internacional vem lutando há quatro décadas por enormes esforços burocráticos visando limpar o lixo nos oceanos. Em 1973, a Organização das Nações Unidas (ONU) patrocinou um pacto protegendo os oceanos do despejo de lixo. Artigos adicionais foram acrescentados à chamada Convenção Marpol, uma abreviação de “marine pollution” (poluição marítima), em seis ocasiões diferentes. E há nove anos, a União Europeia colocou diretrizes nos livros que proíbem qualquer despejo de lixo marítimo no oceano. Ainda assim, segundo um documento confidencial de estratégia do governo alemão obtido pela Spiegel Online, se for somado tudo de bom que essas medidas fizeram, o resultado ainda seria zero. Na verdade, segundo o documento confidencial, os esforços internacionais visando proteger os oceanos fracassaram de modo geral. Nossos oceanos se transformaram em vastos depósitos de lixo. Mesmo as leis rígidas não foram capazes de fazer nada para ajudar os oceanos, declara o documento. Veja o caso dos mares do Norte e Báltico. Apesar do despejo de lixo neles ser ilegal desde 1988, a quantidade de lixo encontrada nesses mares ainda “não melhorou”. O governo também estima que, a cada ano, 20 mil toneladas de lixo chegam apenas ao Mar do Norte, principalmente de navios e da indústria pesqueira. O relatório conclui que tudo relacionado aos acordos internacionais foi “malsucedido”. Enfiando o lixo no ‘armário azul’ À primeira vista, pode parecer que a União Europeia está fazendo muito para limpar os mares do lixo. Por exemplo, a mais recente diretriz da UE sobre o assunto, de julho de 2008, visa garantir a “boa condição” dos mares da Europa até 2020. Além disso, a Comissão Europeia anunciou sua intenção de criar uma “agência dedicada, para lidar com os problemas por trás da má implantação e fiscalização da legislação europeia para o lixo”. Ainda assim, o documento de estratégia alemão não deposita muita fé nesses planos. Como veem seus autores, é “extremamente improvável” que um consenso eficaz sobre a não poluição dos oceanos surgirá no futuro previsível. Na verdade, os especialistas do governo parecem acreditar que a criação de novos acordos internacionais não é o modo certo de tratar do assunto. Em vez disso, eles acreditam que a viabilidade de futuros pactos visando proteger os oceanos deve “ser investigada antecipadamente”. Em público, entretanto, o governo federal alemão assume tons menos críticos. Em abril de 2008, a então grande coalizão de governo, composta pela União Democrata Cristã de centro-direita da chanceler Angela Merkel e pelo Partido Social-Democrata de centro-esquerda, declarou que considerava a regulamentação existente visando conter o despejo de lixo como “em princípio suficiente”. Na época, o Ministério do Meio Ambiente, Preservação da Natureza e Segurança Nuclear alemão se recusou a fornecer qualquer comentário adicional para a “Spiegel Online”. Oportunidades insuficientes de descarte Os defensores da proteção ambiental, entretanto, não são tímidos em expressar seu desalento. “Na ausência de controles e penas”, diz Onno Gross, presidente da Deepwave, uma organização de conservação do oceano com sede em Hamburgo, “aparentemente é tentador descartar seu lixo no ‘armário azul’”. Ainda assim, segundo o relatório interno do governo, o descarte do lixo marítimo de modo apropriado não é tão fácil quanto precisa ser. Como veem os autores do relatório, “oportunidades insuficientes de descarte nos portos, altas taxas e logística complicada” frustram esses esforços. Mesmo assim, eles também admitem que colocar um fim a uma maior poluição é urgentemente necessário. Os especialistas do governo por trás do relatório notam um “agravamento do problema econômico e ecológico” que terá efeitos negativos sobre os animais marinhos, assim como “custos imensos”. Eles também alertam para várias consequências sérias de saúde para os seres humanos. Por exemplo, partículas de plástico poderiam desequilibrar completamente nosso complexo equilíbrio hormonal, segundo um estudo publicado no ano passado pelos cientistas do Hospital da Universidade Charité de Berlim. Da mesma forma, segundo Richard Thompson, um biólogo marinho da Universidade de Plymouth, no Reino Unido, pedaços de plástico podem se transformar em armadilhas de veneno, nas quais substâncias insolúveis causadoras de câncer, como o DDT, ficam contidas. Um estudo recente coloca a concentração desses venenos nesses pedaços de plástico como sendo um milhão de vezes maior do que o normal. E, como alerta Gross, “quando as pessoas consomem peixe, elas ingerem esse veneno”. Quando Thompson olha para este problema, ele se preocupa com as chances de existir uma reação em cadeia perigosa. Quanto maior o animal na cadeia alimentar, mais veneno ele provavelmente terá em seu corpo. Os cientistas estão atualmente analisando quanto veneno os seres humanos ingerem quando comem alimentos vindos do oceano. Comendo plástico até a morte As aves frequentemente têm dificuldade em distinguir entre pequenos pedaços de plástico e alimento. Segundo um estudo conduzido em 2002, 80% das aves examinadas ao longo do Mar do Norte continham partículas de plástico em suas bocas. Da mesma forma, os pesquisadores do Centro Westcoast de Pesquisa e Tecnologia, com sede na cidade alemã de Büsum, apontaram recentemente que quase todas as aves marinhas (93%) no Mar do Norte apresentavam pedaços de plástico em seus estômagos. Outro estudo encontrou uma média de 32 pedaços de plástico nos estômagos dos fulmares do norte, um parente dos petréis. Com todos esses pedaços em seu estômago, as aves sempre se sentem satisfeitas, de forma que consomem menos, obtêm menos nutrientes e, em muitos casos, morrem. Um painel de especialistas disse à UE que as aves migratórias alimentam seus filhotes na Antártida com os pedaços de plástico que encontram no Oceano Atlântico. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, há, em média, cerca de 18 mil pedaços de plástico visíveis flutuando em cada quilômetro quadrado de mar. Alguns nós de lixo flutuante são até mesmo visíveis em fotos por satélite. Os pesquisadores da Fundação Algalita de Pesquisa Marinha testaram 11 locais escolhidos aleatoriamente no meio do Oceano Pacífico e descobriram que a massa de plástico era seis vezes maior do que a massa de plâncton. O plástico, com o tempo, se desintegra em pedaços cada vez menores. Mas ele leva séculos para se decompor totalmente. O fundo do Mar do Norte está saturado de plástico Um exemplo particularmente crasso de lixo marítimo está presente na Baía Alemã, uma parte da costa da Alemanha no Mar do Norte. Oito milhões de pedaços de lixo podem ser encontrados lá. Na parte sul do Mar do Norte, uma média de 575 pedaços de lixo podem ser encontrados por metro quadrado. Ao longo das praias do Mar do Norte e do Atlântico Norte, segundo o relatório do governo, cerca de 712 pedaços de lixo podem ser contados em cada trecho de 100 metros, em média. Alguns trechos contêm até 1.200 pedaços. “Não basta limpar as praias de vez em quando”, diz o biólogo Gross. De fato, até 67% do lixo vai parar no fundo do oceano. Sob as águas do Mar do Norte se encontram 600 mil metros cúbicos de lixo, segundo cálculos oficiais, aproximadamente o volume de duas pirâmides de Gizé. Cada quilômetro quadrado do leito do Mar do Norte contém um metro quadrado de lixo. Não há escassez de sugestões sobre como lidar com o problema. O documento de estratégia do governo alemão propõe começar de modo modesto. Primeiro, ele diz, critérios sobre um mar saudável devem ser definidos e a vida marinha deve ser melhor pesquisada para corrigir o “estado difuso de nosso conhecimento”. A questão sobre se métodos-padrão de pesquisa são suficientes permanece um “problema sem uma solução satisfatória”. Mas o governo também possui algumas medidas concretas que gostaria de ver implantada. “Sacos de lixo fortes” devem ser distribuídos aos pescadores, para que 500 deles possam servir como coletores de lixo do Mar do Norte. O relatório do governo também aponta as redes de pesca soltas como um grande problema enfrentado pela vida marinha no Mar do Norte. O documento de estratégia aconselha uma avaliação sobre se as redes de pesca devem ser equipadas com dispositivos localizadores no futuro. Sistemas de reciclagem também devem ser promovidos a bordo dos navios, propõe o documento. A separação do lixo também é desejada –mas não prensas de lixo, porque então o lixo “não pode mais ser identificado”. “Controles mais rígidos e penas mais altas” também devem ser introduzidos. “Os livros-registro de lixo a bordo finalmente nos dariam uma ideia do volume real de lixo produzido, diz Onno Gross, da Deepwave. Um navio de transporte comum produz cerca de 100 quilos de lixo por dia. Caso os navios descartem pequenas quantidades suspeitas de lixo ao chegarem ao porto, eles devem ser forçados a pagar “penas drásticas”, diz Thilo Maack, do Greenpeace.Gross propõe o uso das taxas portuárias para financiamento do descarte de lixo. “O sistema normalmente encontrado nas áreas de camping deveria ser usado na marinha mercante”, ele diz. Mas o governo alemão não nutre grandes esperanças de avanços. O documento argumenta que o descarte de lixo deve permanecer gratuito caso alguém espere mudar o comportamento dos marinheiros.

Poluição piora qualidade de 21% dos rios do País

Segundo relatório que analisa as bacias hidrográficas, em SP cinco rios e o Alto Tietê estão em pior situação O Brasil concentra 12% da água potável do mundo. Ainda assim, moradores de regiões metropolitanas convivem com rios que mal dão conta de suprir suas necessidades. Poluição e mau uso dos recursos hídricos transformaram a qualidade das águas de 21% dos rios do País. Em São Paulo, cinco rios e a Bacia do Alto Tietê estão entre os que têm a pior qualidade. Os dados são do primeiro relatório de conjuntura dos recursos hídricos no Brasil, lançado ontem pela Agência Nacional de Águas (ANA), analisando a situação de todas as bacias hidrográficas brasileiras. De um modo geral, a qualidade das águas no País é boa - 9% foi considerada ótima e 70%, boa, com a ressalva de que boa parte dos rios do Centro-Oeste, Norte e sertão do Nordeste não foram avaliados. Ainda assim, 7% das águas foram consideradas péssimas ou ruins e 14%, regulares. Esses rios concentram-se justamente nas áreas mais povoadas do País, caso da Bacia do Alto Tietê e das bacias do Gravataí e do Sinos, rios que abastecem a região metropolitana de Porto Alegre. São situações reversíveis, mas o caso é que, apesar de haver algum tratamento do esgoto despejado nessas águas, não é uma prática universal. Seria necessário muito mais investimento. Atualmente, apenas 47% da população têm esgoto coletado. Desses, 53% são jogados nos rios sem qualquer tratamento, contribuindo para a poluição. As zonas metropolitanas de São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte e Vitória são as que estão hoje em situação mais preocupante. No Estado de São Paulo a situação é bem razoável. Mas no caso do Tietê, por exemplo, quase não há dinheiro que consiga resolver o problema. Área Comprometida Outra medida de qualidade dos recursos hídricos no País é o índice de crescimento de algas e outras plantas aquáticas. Em águas com muita poluição, causada por esgoto não tratado, aumenta o número de nutrientes que provocam crescimento excessivo dessas plantas. Nesse caso, quase 30% das águas estão comprometidas e 7% tão comprometidas a ponto de haver mortandade de peixes. Em açudes, reservatórios e lagoas, 45% dos pontos avaliados estão no nível mais alto de comprometimento. O relatório revela ainda que, apesar da imensa quantidade de água potável disponível no País, a distribuição é irregular e o excesso de uso de algumas bacias é preocupante. Mais de 70% da água brasileira está na região amazônica. É aí que está a melhor situação do País, com todos os rios podendo atender sem problemas a demanda da população local. Já as três bacias que atendem a região Nordeste e Minas Gerais são hoje as que apresentam situação mais preocupante. A chamada Atlântico Nordeste Oriental, que atende os Estados da Paraíba e Rio Grande do Norte e parte de Alagoas, Pernambuco e Ceará são a pior, com 91% em situação crítica, muito crítica ou preocupante. É um problema de gestão. Não significa que não tem água, mas é necessário mais controle, mais fiscalização para que o uso inadequado não leve a uma deterioração total ou até à seca. A Bacia do São Francisco é outro caso que requer cuidado: 44% em situação difícil. O superintendente explica que o Rio São Francisco tem muita água, mas a recebe basicamente nas cabeceiras, em Minas. Os rios da bacia no sertão nordestino são todos afluentes com pouca água, que secam. Daí a defesa da transposição do rio. Para levar água até essas regiões que o rio atravessa são necessárias obras. AM completa zona de conservação no entorno da BR-319 O governo do Estado do Amazonas anunciou ontem a criação de mais seis unidades de conservação (UCs) na área de influência da BR-319 (Manaus-Porto Velho), completando o mosaico de áreas protegidas com o qual se propõe "blindar" a floresta contra os efeitos do asfaltamento da rodovia. As novas unidades somam 23 mil quilômetros quadrados, uma área maior do que o Estado de Sergipe. Elas se encaixam no mapa com outras 3 UCs estaduais que já haviam sido criadas, mais 11 UCs federais e 8 UCs de Rondônia, somando 115 mil km2 de áreas protegidas. A implementação das unidades será paga com recursos de compensação ambiental do Ministério dos Transportes. A expectativa é de que o Ibama dê a licença para o asfaltamento nos próximos meses.

US$ 2,2 trilhões: o real custo da poluição

Se tivessem que arcar com os reais custos da poluição, das mudanças climáticas e de outros impactos ambientais, as 3.000 maiores empresas globais perderiam nada menos que um terço de seus lucros – o equivalente a US$ 2,2 trilhões, valor superior ao PIB da maior parte dos países do mundo.
É o que mostra um estudo encomendado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e pela iniciativa Princípios para o Investimento Responsável, também da ONU. O estudo, executado pela consultoria Trucost, com sede em Londres, ainda será divulgado, mas a reportagem do jornal britânico The Guardian teve acesso ao estudo. Foram analisados os negócios de 3.000 empresas globais, muitas delas com ações negociadas nas principais bolsas de valores do mundo.
O levantamento dá fôlego à preocupação crescente de que o mercado realmente não paga nada pelo uso, pelas perdas e esgotamento a que a atividade econômica diariamente submete o meio ambiente. E avisa: esses impactos já estão tomando proporção de crise, em forma de poluição e da perda rápida de reservas de água, estoques pesqueiro e solos férteis.
Risco para a economia “Estamos falando de um paradigma completamente novo”, disse Richard Mattison, coordenador do estudo. “Externalidades dessa escala e natureza representam um enorme risco para a economia global e os mercados não estão conscientes desses riscos, então simplesmente não sabem como lidar com eles”, diz. Segundo ele, essas externalidades não incorporadas aos custos da produção podem afetar não apenas os lucros das companhias, mas também seus consumidores e investidores. O maior impacto a que se refere a perda de US$ 2,2 tri é relativo às emissões de gases causadores do efeito estufa, que representam mais da metade do montante. Outros grandes custos são a poluição do ar causada pelos combustíveis (que também se reflete em custos para o sistema de saúde)e os danos causados pelo uso ostensivo e poluição dos mananciais de água.
Entre os setores que tem os custos ambientais mais elevados estão as empresas de geração de energia e os setores eletrointensivos (que consomem muita energia elétrica), como por exemplo a indústria do alumínio. Isso por causa das emissões de gases estufa que resultam da queima de combustíveis de origem fóssil, como o carvão. Também devem figurar no topo da lista setores que são grandes consumidores de água, como fabricantes de alimentos, bebidas e artigos de vestuário. O objetivo do estudo é encorajar as empresas a reduzirem seu impacto ambiental antes mesmo que os governos lancem mão de regulação ou impostos para obrigar as companhias a fazê-lo. “Se continuar o uso irracional dos recursos naturais, isso terá um imenso impacto na economia dos países e um imenso problema para os governos consertarem”, diz Mattison. A preocupação é com o risco de muitas empresas simplesmente fiquem sem insumos que elas precisam para operar. Um exemplo é a perda estimada de 20 mil empregos e US$ 1 bilhão no ano passado enfrentada por empresas do setor agrícola da Califórnia, por causa da escassez de água no estado americano.

Efeitos Poluentes

Os efeitos da exposição a baixas concentrações de poluição ainda não estão bem estudados; contudo, os que mais risco correm são os mais novos e os mais velhos, os fumadores, os trabalhadores expostos a materiais tóxicos e pessoas com problemas cardíacos e respiratórios. Outros efeitos nocivos da poluição atmosférica são os potenciais danos na fauna e na flora. Normalmente os primeiros efeitos perceptíveis da poluição são estéticos e podem não ser, necessariamente, perigosos. Estes incluem a redução da visibilidade devido a pequenas partículas em suspensão no ar ou maus cheiros, como o cheiro a ovos podres causado pelo ácido sulfídrico emanado por fábricas de celuloses. Poluente - Principal Fonte - Limite máximo suportado e reagentes Monóxido de Carbono (CO) - Escape dos veículos motorizados; alguns processos industriais - 10 mg/m3 em 8 h (9 ppm); 40 mg/m3 numa 1 h (35 ppm) Dióxido de Enxofre (SO2) - Centrais termoelétricas a petróleo ou carvão; fábricas de ácido sulfúrico - 80 mg/m3 num ano (0,03 ppm); 365 mg/m3 em 24 h (0,14 ppm) Partículas em suspensão - Escape dos veículos motorizados; processos industriais; centrais termoelétricas; reação dos gases poluentes na atmosfera - 75 mg/m3 num ano; 260 mg/m3 em 24 h; compostas de carbono, nitratos, sulfatos, e vários metais como o chumbo, cobre, ferro Chumbo (Pb) - Escape dos veículos motorizados; centrais termoelétricas; fábricas de baterias - 1,5 mg/m3 em 3 meses; sendo a maioria do chumbo contida em partículas suspensão Óxidos de Azoto (NO, NO2) - Escape dos veículos motorizados; centrais termoelétricas; fábricas de fertilizantes, de explosivos ou de ácido nítrico - 100 mg/m3 num ano (0,05 ppm)- para o NO2; reage com Hidrocarbonos e luz solar para formar oxidantes fotoquímicos Oxidantes fotoquímicos Ozônio (O3) - Formados na atmosfera devido a reação de Óxidos de Azoto, Hidrocarbonos e luz solar - 235 mg/m3 numa hora (0,12 ppm) Etano, Etileno, Propano, Butano, Acetileno, Pentano - Escape dos veículos motorizados; evaporação de solventes; processos industriais; lixos sólidos; utilização de combustíveis - Reagem com Óxidos de Azoto e com a luz solar para formar oxidantes fotoquímicos Dióxido de Carbono (CO2) - Todas as combustões - São perigosos para a saúde quando em concentrações superiores a 5000 ppm em 2-8 h; os níveis atmosféricos aumentaram de cerca de 280 ppm, há um século atrás, para 350 ppm atualmente, algo que pode estar a contribuir para o Efeito de Estufa Muitos dos poluentes são originados por fontes diretamente identificáveis como, por exemplo, o Dióxido de Enxofre que tem como origem as centrais termoelétricas a carvão ou petróleo. Noutros casos em que a origem é bem mais remota os poluentes formam-se a partir da ação da luz solar sobre materiais bastante reativos. Para este caso temos o exemplo do Ozônio que é um poluente muito perigoso quando constituinte do chamado ''smog''. O Ozônio é produto das interações entre Hidrocarbonetos e Óxidos de Azoto quando sob a influência da luz solar. Mas mesmo sem conseguir identificar objetivamente a sua origem sabe-se que o Ozônio tem sido causa de grandes danos sobre campos de cultivo. Por outro lado as descobertas, na década de 80, de poluentes, tais como os Clorofluorcarbonetos, que estão a causar perdas na camada de Ozônio (onde este é mais do que benéfico) que protege a Terra, vieram a despopularizar o uso de produtos contendo CFCs e é alvo de grandes campanhas na atualidade cujos resultados bastante positivos estão à vista. Apesar de tudo não se sabe se as ações tomadas de forma a preservar a camada de Ozônio foram ainda a tempo de evitar um desastre. Qualquer contaminação do ar por meio de desperdícios gasosos, líquidos, sólidos, ou por quaisquer outros produtos que podem vir (direta ou indiretamente) a ameaçar a saúde humana, animal ou vegetal, ou atacar materiais, reduzir a visibilidade ou produzir odores indesejáveis pode ser considerada poluição atmosférica. Entre os poluentes do ar oriundos de fontes naturais, o Radão - gás radioativo, é o único altamente prejudicial à saúde humana. O Radão é originado pela degradação do Urânio e quando se liberta torna-se perigoso para os organismos vivos. Um dos perigos comuns deste gás é a sua acumulação em caves de casas situadas sobre certos tipos de rochas que em reação com o Urânio vêm a libertar o Radão, é por isso que este está presente em quase 20% das casas americanas em concentrações perigosas ao ponto de poder causar cancro pulmonar. Os países industrializados são os maiores produtores de poluentes, enviando anualmente bilhões de toneladas para a atmosfera. A tabela que se segue dá-nos conhecimento dos principais poluentes do ar e os seus efeitos; o seu nível de concentração no ar é dado pelo número de microgramas de poluente por m3 de ar, ou, no caso do gases, em termos de partes por milhão (ppm), o que expressa o número de moléculas do poluente por um milhão de moléculas constituintes do ar.

Alerta da ONU referente à lixo eletrônico

Relatório da ONU alerta que geração de lixi eletrônico cresce em torno de 40 toneladas ao ano.
A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu medidas urgentes contra o crescimento exponencial do lixo de origem eletrônica em países emergentes como o Brasil. Ela considera o fato um problema grave para o ambiente e a saúde pública. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) apresentou hoje na Indonésia um relatório sobre o tema. Nele, prevê sérias consequências ainda nesta década pelas montanhas de resíduos “perigosos” e “tóxicos” que se acumulam sem nenhum controle nas economias em desenvolvimento. A geração de lixo eletrônico global cresce a uma taxa de cerca de 40 milhões de toneladas por ano, segundo o relatório. “Este documento ressalta a urgência de estabelecer um processo ambicioso e regulado de coleta e gestão adequada do lixo eletrônico”, afirmou o alemão Achim Steiner, diretor-executivo do Pnuma e subsecretário da ONU. Steiner explicou que Brasil, China, Índia e México serão os principais prejudicados pelo lixo e enfrentam “crescentes danos ambientais e problemas de saúde pública”. O estudo destaca, por tamanho, taxa de crescimento econômico e perspectivas, os casos da Índia e, sobretudo, China, o segundo maior produtor de lixo eletrônico do mundo (2,3 milhões de toneladas ao ano) atrás apenas dos Estados Unidos. Até 2020 Os especialistas do Pnuma estimam que, até 2020, o volume de resíduos procedentes de computadores abandonados crescerá 500% na Índia em relação a 2007, e 400% na China e África do Sul. Nesse mesmo ano, a quantidade de telefones celulares abandonados na Índia e na China seria 18 e 7 vezes maior que a atual, respectivamente, enquanto as televisões e geladeiras sem uso em ambos os países se multiplicariam por pelo menos dois. A China é um dos maiores lixões internacionais de resíduos de origem eletrônica, apesar de ter proibido a importação de tais produtos. O relatório, intitulado “Reciclando – Do lixo eletrônico a recursos”, aponta que a maioria dos eletrodomésticos e aparelhos comuns em casas e empresas contém dezenas de peças perigosas. Admite também a dificuldade de enfrentar o desafio, devido à “complexidade” de desenvolver programas integrais de reciclagem em países em desenvolvimento e aos obstáculos que um sistema de transferência de tecnologia de nações industrializadas para emergentes encontraria. No entanto, o Pnuma apresenta soluções que requerem a participação de toda a comunidade internacional. Exportação de lixo “Temos que chegar às pessoas prejudicadas por esses produtos químicos e apresentar soluções aos líderes locais, nacionais e regionais que representem uma diferença”, assinalou Donald Cooper, especialista em resíduos perigosos do Pnuma. Nessa linha, a agência da ONU propõe a aplicação de novas tecnologias e mecanismos, além do estabelecimento de “centros de gestão de lixo eletrônico” nos países em desenvolvimento. O Pnuma adverte sobre a resistência apresentada pelo setor que até o momento lucrou com a gestão desses resíduos e dos problemas que surgiram em certas nações pela falta de infraestrutura. O documento sugere enviar as peças especialmente perigosas, entre elas circuitos integrados e pilhas, a países industrializados com capacidade de processá-los adequadamente.“O lixo de uma pessoa pode ser a matéria-prima de outra. O desafio dos resíduos eletrônicos representa um passo importante na transição a uma economia ecológica”, afirmou Konrad Osterwalder, reitor da Universidade das Nações Unidas (UNU).