sábado, 31 de agosto de 2019

Desperdício de alimentos e água

Desperdício de alimentos é um conceito de definição imprecisa. De modo geral, considera-se desperdício um dos tipos de perda que ocorrem na cadeia produtiva dos alimentos, que vai da produção até o consumo, referindo-se especificamente às perdas deliberadas que ocorrem na comida apta para o consumo, seja por descarte ou pela não utilização.
Como muitas vezes pode ser difícil distinguir até que ponto as perdas são intencionais, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) prefere utilizar a expressão abrangente perda e desperdício.
Dados de 2011 apontam que cerca de 1,5 bilhão de toneladas de comida, representando em torno de da produção mundial, são perdidas ou desperdiçadas anualmente, significando uma contínua e injustificável sangria nos recursos vitais do planeta e na economia das nações.
E sendo um fator de desequilíbrio ecológico e social, uma das causas do aquecimento global e um importante obstáculo à resolução do problema da fome crônica que ainda aflige mais de 800 milhões de pessoas em todo o mundo.
Todos estes desperdícios também se refletem nos recursos hídricos. Se estima que para cada litro de cerveja produzido sejam consumidos em média 5,5l de água, para cada kg de arroz, cerca de 2.500l do recurso natural, para cada kg de manteiga cerca de 18.000l, para cada litro de leite 710l, para cada kg de queijo, cerca de 5.280l, para cada kg de batata são estimados 130l, para cada kg de carne bovina mais de 17.000l e para carne de frango cerca de 3.700l.
Nos países desenvolvidos e em desenvolvimento o desperdício ocorre em sua maioria na fase final da cadeia produtiva, a do consumo. Nos países mais pobres as perdas principais ocorrem nas etapas primárias e intermédias da cadeia, com perdas menos significativas na fase do consumo.
Em geral, o desperdício ocorre em níveis mais elevados nos países onde a industrialização é mais acentuada. Por exemplo, na Europa e Estados Unidos as perdas “per capita” são estimadas em 95 a 115 kg por ano, enquanto que na África subsaariana e no sudeste asiático elas ficam entre 6 e 11 kg por ano.
A piada é mórbida e de mau gosto, mas serve para ilustrar o problema. Só ocorrem perdas significativas onde existem alimentos.
Diversos fatores contribuem que o alimento seja perdido durante sua produção, beneficiamento ou comercialização.
O assunto ainda é relativamente pouco estudado e requer muito mais pesquisa, mas no panorama, nos países pouco desenvolvidos as perdas se devem principalmente a limitações de ordem financeira, administrativa, infraestrutural ou técnica, e não entram propriamente na definição de desperdício, mas cabem na definição geral perda alimentar.
Nos demais países se deve a fatores culturais ou comportamentais, e à deficiente coordenação entre os agentes da cadeia de produção, distribuição e comercialização dos alimentos.
As perdas também ocorrem quando há produção acima da demanda, e são influenciadas por fatores culturais, econômicos estruturais e técnicos presentes em todos os países, que incluem as opções de produção, tradições da cultura agropecuária e pesqueira, maneiras preferenciais de armazenamento, distribuição e comercialização dos produtos, e a lucratividade de cada uma das etapas da cadeia.
Um dos fatores culturais que têm influência no problema é o conceito que a população forma a respeito do que é um bom alimento. Muitas vezes alimentos perfeitamente comestíveis são descartados ou rejeitados por razões alheias ao seu valor nutricional, acabando por serem perdidos.
As perdas e desperdícios de alimentos representam uma vasta e inútil drenagem de recursos de várias ordens, terra, água, energia, força de trabalho e dinheiro, além de extinguir vidas e diminuir o bem-estar das pessoas, elementos cujo valor não pode ser quantificado ou monetarizado.
O desperdício tem um impacto cultural insidioso, pois a grande quantidade de comida perdida transmite uma impressão de que o alimento é facilmente conseguido e tem pouco valor intrínseco, e por isso pode ser desperdiçado sem preocupações, o que é uma visão profundamente equivocada, reforçando o círculo vicioso das perdas.
A efeméride tem ainda um grande impacto econômico, pois comida perdida é dinheiro perdido. A FAO calcula que os custos chegam a 750 bilhões de dólares por ano. Observa-se adicionalmente um importantíssimo custo social, já que grande população no mundo, calculada em torno de 900 milhões de pessoas, ainda sofre de fome crônica. Segundo a FAO, a quantidade de comida perdida poderia erradicar completamente a fome do mundo.
Além disso, como os desperdícios especificamente se situam em sua maioria nos países industrializados, que importam muita comida produzida nos países pouco desenvolvidos, onde a fome é mais comum, as perdas concorrem para a desigualdade e a injustiça social.
E ampliam os problemas já existentes de segurança alimentar, saúde pública, desemprego, migração de populações, violência e urbanização, entre outros, e podem ser uma causa de desintegração de culturas tradicionais. (ecodebate)

Caverna de estocagem de gás carbônico operará em 2022

Caverna de estocagem de gás carbônico pode começar a operar em 2022.
Um conjunto de tecnologias, que deve ter seus primeiros resultados aplicados em quatro anos, tem como objetivo resolver um dos maiores problemas da exploração de óleo e gás no mundo hoje: a emissão de dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4) na atmosfera.
Resultado de uma patente depositada no ano passado, a inovação consiste em injetar o CO2 e o CH4 que sai dos poços durante a extração de petróleo em cavernas de sal, de forma a abater o gás carbônico da conta das emissões.
A primeira “caverna-piloto” pode estar pronta em 2022 e é resultado de pesquisas realizadas no Centro de Pesquisa para Inovação em Gás (RCGI), constituído pela FAPESP e pela Shell, com sede na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). O RCGI é um dos Centros de Pesquisa em Engenharia (CPE) financiados pela FAPESP em parceria com empresas.
“Esse é um conceito conhecido como carbon capture storage (CCS). Nesse caso, o CO2 fica estocado em grandes cavernas na própria camada de sal. Essa talvez seja uma das melhores formas de obter energia limpa de um combustível fóssil durante o processo de produção”, disse Julio Meneghini, professor da Poli-USP e coordenador do RCGI.
Meneghini foi um dos palestrantes do primeiro dia de reuniões da FAPESP Week London, realizado em Londres em 11 e 12/02/2019.
O local da caverna que vai receber os primeiros testes ainda não está definido, mas deverá ser em alguma das áreas do pré-sal. Nessa primeira fase, ela deve ter metade do tamanho das cavernas que serão usadas quando a tecnologia estiver funcionando em sua capacidade total: 450 metros de altura por 150 metros de largura.
Segundo Meneghini, o Brasil será o primeiro lugar no mundo em que esse conceito vai ser aplicado, e o modelo poderá ser exportado para outros países. Além de estocar CO2, a caverna poderá estocar ainda metano e separar os dois gases por gravidade. Por ter uma densidade menor, o CH4, também chamado de gás natural, fica no volume superior na caverna e pode ser explorado posteriormente. O dióxido de carbono fica embaixo. O pesquisador prevê que até 2022 comecem pelo menos os primeiros testes ou se inicie a construção da caverna. No cenário mais otimista, será o ano do início da operação da caverna.
Captura de gás carbônico
“A novidade não é só a caverna, mas as várias inovações que orbitam em torno dela, como separadores supersônicos de gases, compressores projetados com otimização topológica, membranas de nanotubos de grafeno para a separação dos gases, entre outros”, disse o pesquisador.
Os novos compressores de CO2 são vitais para o funcionamento do projeto, já que as cavernas contam com condições extremas de pressão. Só de lâmina d’água, distância da superfície até o solo marinho, são de 2 mil a 3 mil metros de profundidade. Essas e outras variáveis deixam o gás no chamado estado supercrítico.
“Ele tem a densidade de um líquido e a viscosidade de um gás. Por isso, é necessário um projeto de compressor para essa condição específica. Criamos uma nova metodologia que consiste em otimizar o compressor exatamente para as condições do fluido supercrítico”, disse Meneghini à Agência FAPESP.
Outra tecnologia relacionada às cavernas de dióxido de carbono são os separadores de gás. Também devido às condições do pré-sal, estão sendo desenvolvidos os chamados separadores supersônicos com geometria variável para cada composição da mistura de CO2 com metano.
Além disso, estão sendo desenvolvidas membranas de nanotubos de grafeno, também para separação desses gases com a menor perda de energia possível.
A captura de gás carbônico pode ocorrer ainda na geração de etanol. “O gás capturado pode ser estocado ou aproveitado na indústria alimentícia, na produção de bebidas gaseificadas como refrigerantes. Com isso, pode-se chegar inclusive a valores negativos de emissões”, disse Meneghini. “Os experimentos ainda são realizados em pequena escala”, acrescentou.
As tecnologias surgem num contexto em que há um aumento da demanda de energia per capita no mundo e a necessidade de mitigar emissões, por conta das mudanças climáticas globais. (opetroleo)

Real importância das florestas para o planeta e para a humanidade

Você entende a real importância das florestas para o planeta e para a humanidade?
Seis segredos sobre a importância das florestas para o planeta e para a humanidade.
Onde você encontraria o maior centro de recreação do mundo e o supermercado mais natural de todos? Florestas não teriam sido sua primeira resposta, certo?
Essa é a magia sobre as florestas. Eles guardam segredos.
Por muito tempo pensávamos nas árvores como puramente funcionais ou ornamentais, objetos no cenário. Eles decoram as ruas da cidade. Nos fornecem sombras para descanso e alívio do calor do sol. Nos fornecem papel e combustível, frutas e nozes. Esses benefícios são bastante óbvios.
No entanto, alguns de seus outros benefícios são quase invisíveis a olho nu. As florestas estão silenciosamente trabalhando em segundo plano, secretamente limpando nossa água, filtrando nosso ar e nos protegendo das mudanças climáticas. Elas são anjos da guarda de mais de um bilhão de pessoas, fornecendo alimentos, medicamentos e combustível para aqueles que não podem ter acesso a esses recursos. Elas abrigam mais de três quartos da biodiversidade terrestre e abrigam muitas das pessoas mais pobres do mundo.
As florestas desempenham um papel fundamental em nossas vidas. Papel que nem sequer reconhecemos.
Aqui estão 6 dos seus segredos mais bem guardados:
1. Supermercados – Mais do que a ocasional maçã ou laranja que arrancamos de uma árvore, as florestas são verdadeiros mercados de alimentos. Quase 50% das frutas que comemos vêm das árvores, sem mencionar as nozes e as especiarias que também obtemos dessas cestas básicas naturais.
2. Seguro de vida – Algumas comunidades dependem quase exclusivamente de florestas para suas fontes de alimentos. Cerca de 40% da extrema pobreza rural – cerca de 250 milhões de pessoas – vivem em áreas de floresta e savana. Para essas comunidades, florestas são um seguro contra a fome.
3. Energia – Cerca de um terço da população mundial usa madeira como fonte de energia para necessidades como cozinhar, ferver água e aquecimento. A madeira proveniente de florestas fornece cerca de 40% da energia renovável global – tanto quanto a energia solar, hidrelétrica e eólica juntas. As árvores voltam a crescer, mas precisamos dar mais ênfase ao uso sustentável desses recursos para proteger nossas florestas da degradação.
4. Super heroínas – Florestas e árvores podem parecer inconspícuas, como Clark Kent, mas elas são como o Super-homem de várias maneiras. Elas são nossas heroínas na luta contra a mudança climática. Elas tornam nossas cidades mais sustentáveis, resfriando naturalmente o ar e removendo poluentes. Elas protegem a nossa saúde, dando-nos lugares para nos refugiarmos e relaxarmos. Elas combatem a degradação da terra e a perda da biodiversidade, fornecendo vida vegetal e animal em seus habitats.
5. Sumidouros de carbono – Como uma força para o bem, nossos super-heróis florestais agem como sumidouros de carbono, absorvendo o equivalente a cerca de 2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono a cada ano. Como qualquer super-herói, eles têm uma falha. O desmatamento é sua criptonita. Quando as árvores são cortadas, elas liberam esse dióxido de carbono de volta ao ar. O desmatamento é, de fato, a segunda principal causa da mudança climática após a queima de combustíveis fósseis. É responsável por quase 20% de todas as emissões de gases de efeito estufa – mais do que todo o setor de transportes do mundo.
6. Recreação – As árvores são apaziguadoras de estresse. O turismo baseado na natureza está crescendo três vezes mais rápido do que a indústria do turismo como um todo e agora responde por aproximadamente 20% do mercado global. Estudos até ligam espaços verdes e cobertura de árvores nas cidades a níveis reduzidos de obesidade e criminalidade. Como um exemplo, a taxa de obesidade de crianças que vivem em áreas com bom acesso a espaços verdes é menor do que naquelas que têm acesso limitado ou nenhum acesso.
As florestas têm secretamente desempenhado um papel cada vez maior no nosso dia-a-dia. Não podemos esperar ter um mundo #FomeZero sem contar com a ajuda dos governos, das agências e dos órgãos que as protegem e ajudam a respeitá-las.
Amazônia é vital para o Mundo.
Compartilhe essas mensagens com amigos e pense sobre o papel que elas desempenham em sua vida. Florestas e árvores devem receber reconhecimento também. É hora de revelar seus segredos. (ecodebate)

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Julho/2019 foi o mês mais quente já registrado

 NOAA relata que julho de 2019 foi o mês mais quente já registrado.
Julho de 2019 foi o mês mais quente já registrado no planeta.
Segundo agência do clima dos EUA, gelo polar encolheu para seus níveis mais baixos já registrados.
Grande parte do planeta sofreu um calor sem precedentes em julho, quando as temperaturas subiram para novas alturas no mês mais quente já registrado. O calor recorde também encolheu o gelo do Ártico e do Oceano Antártico, atingindo mínimos históricos.
Clima pelos números de julho/2019
A temperatura média global em julho foi 1,71°F acima da média do século 20 de 60,4 graus, tornando-se o mês de julho mais quente no recorde de 140 anos, segundo cientistas dos Centros Nacionais de Informações Ambientais da NOAA. O mês mais quente anterior já registrado foi julho/2016.
Nove dos dez Julys mais quentes ocorreram desde 2005 – com os últimos cinco anos como os cinco mais quentes. No mês passado também foi o 43º mês consecutivo de julho e o 415º mês consecutivo com temperaturas globais acima da média.
Crianças se refrescaram em um parque aquático em Alhambra, Califórnia, em 27/07/2019.
No acumulado do ano de janeiro a julho
O período de janeiro a julho produziu uma temperatura global que ficou 1,71°F acima da média do século XX de 56,9 graus, ligando-se a 2017 como o 2º ano mais quente até agora.
Foi o ano mais quente até hoje para partes da América do Norte e do Sul, Ásia, Austrália, Nova Zelândia, a metade sul da África, partes do Oceano Pacífico ocidental, Oceano Índico ocidental e Oceano Atlântico.
Mapa anotado mostrando eventos climáticos notáveis que ocorreram em todo o mundo em julho/2019.
Estatísticas e fatos mais notáveis
Recorde de gelo no mar: O gelo marinho médio no Ártico atingiu uma baixa recorde em julho, ficando 19,8% abaixo da média – superando a baixa histórica anterior de julho de 2012.
A cobertura média do gelo do mar da Antártida ficou 4,3% abaixo da média de 1981-2010, tornando-se a menor para julho no recorde de 41 anos.
Alguns pontos frios: partes da Escandinávia e do oeste e do leste da Rússia tiveram temperaturas de pelo menos 2,7º F abaixo da média. (ecodebate)

Alguém ganha com o aquecimento global?

“Uma temperatura mais quente significa maior taxa de evaporação e, portanto, mais chuva, tornados e inundações, como estamos vendo este ano. Um resultado conexo será a seca na medida em que as geleiras se derretam e deixem de alimentar os rios nos quais foram construídas represas para gerar energia elétrica”, escreve Michael Hudson, professor de economia da Universidade de Kansas City e ex-analista de Wall Street.
“A aparente ironia é que estes efeitos do aquecimento global e o clima extremo se tornaram um baluarte do aumento do PIB dos Estados Unidos. Os custos de limpeza da poluição do ar e da água, os gastos de reconstrução das moradias inundadas, a destruição das colheitas, o aumento do custo do ar condicionado, a propagação de insetos nocivos e o aumento dos custos médicos podem explicar em grande parte o crescimento, a partir do ano de 2008”, comenta Hudson.
O controle do petróleo foi durante muito tempo um objetivo chave da política exterior dos Estados Unidos. Os acordos climáticos de Paris (e qualquer outro programa verde) para reduzir o aquecimento global é considerado uma ameaça aos mercados energéticos dependentes do petróleo que estão sob o controle dos Estados Unidos.
Como é fácil presumir, o poder econômico e, portanto, político da indústria petroleira bloqueou qualquer iniciativa para deter a mudança climática. Estas empresas não apenas obtêm lucros com a energia, como também com a poluição plástica.
A fatal combinação da “segurança nacional estadunidense” e o lobby da indústria petroleira estão ameaçando destruir o clima do planeta. O aumento do nível do mar, da temperatura e as secas são considerados simplesmente um dano colateral na geopolítica do petróleo. Nos últimos anos, o Departamento de Estado destituiu os diplomatas que se atreveram a denunciar o impacto negativo do aquecimento global.
De fato, a nova Guerra Fria para isolar a Rússia, Irã e Venezuela tem como objetivo aumentar a dependência estrangeira do petróleo estadunidense, britânico e francês. O que está fazendo os estrategistas estadunidenses “disciplinar” os países que negam a aceitar sua hegemonia.
Com o objetivo de controlar o comércio mundial de petróleo – e o manter dolarizado –, os Estados Unidos derrubaram o governo iraniano, em 1953, invadiu o Iraque, em 2003, e agora pune o Irã, ao mesmo tempo em que apoia a Arábia Saudita e a sua legião estrangeira wahabi na Síria, Iraque e Iêmen.
Há mais de sessenta anos, a CIA e a Grã-Bretanha uniram forças para derrubar o presidente eleito do Irã, Mohammed Mossadegh, com a finalidade de impedir que nacionalizasse a Anglo-Iranian Oil Company. Uma estratégia similar explica as tentativas dos Estados Unidos de “mudar os regimes” da Venezuela e da Rússia.
Ao mesmo tempo em que a diplomacia militar dos Estados Unidos tenta fazer com que outros países dependam do petróleo (que suas grandes companhias controlam), o estado norte-americano se propôs, há muito tempo, a autossuficiência energética.
Nos anos 1970, a Administração de Pesquisa e Desenvolvimento Energético (ERDA) desenvolveu um desastroso plano para promover a independência energética da América do Norte, aproveitando as areias betuminosas do Athabasca, no Canadá. (Eu era o economista principal do Instituto Hudson que avaliava os planos da ERDA, e fui afastado do estudo quando apontei os problemas que o excesso de consumo de água provocaria).
Hoje, está claro que o subproduto da autossuficiência energética faz com que a água se torne mais escassa e mais cara. A fratura hidráulica polui os recursos hídricos locais e desperdiça um imenso fluxo de água doce no processo produtivo.
Embora ninguém medianamente lúcido possa negar a mudança climática, nada mudou na diplomacia petroleira dos Estados Unidos.
Porque Washington não se preocupa que toda a Europa seja sufocada com uma onda de calor sem precedentes ou que as cidades norte-americanas sejam devastadas pela seca, os incêndios florestais e as inundações?
O petróleo na balança de pagamentos dos Estados Unidos
O petróleo foi durante muito tempo um dos principais suportes ao comércio dos Estados Unidos e, portanto, não apenas protege a capacidade do dólar para controlar o comércio internacional, como também permite manter a enorme quantidade de gastos militares do Pentágono.
Em 1965, realizei um estudo para o Chase Manhattan Bank e descobri que em termos de balança de pagamentos, cada dólar investido na indústria petroleira é recuperado em apenas 18 meses.
Vejamos o motivo. Quando os Estados Unidos importam petróleo do estrangeiro, esta compra é realizada apenas com as grandes petroleiras estadunidenses (e suas subsidiárias) por motivos de “segurança nacional”. Só uma pequena proporção do preço é paga em moeda estrangeira.
As companhias estadunidenses compram petróleo cru de suas subsidiárias a preços muito baixos, e atribuem todo o pagamento a suas filiais navais, junto com os custos de envio, frete, dividendos, juros, encargos administrativos, investimento de capital e depreciação.
A maior parte do que é considerado investimento estadunidense em petróleo assume a forma de exportações de maquinaria, materiais e administração, razão pela qual, na realidade, não representa um fluxo de saída de dólares. O “milagroso” efeito é obter importações de petróleo a um custo mínimo para a balança de pagamentos.
Agora, como as tecnologias de energia solar e alternativas “amigáveis com o meio ambiente” não contribuem para a balança de pagamentos – da mesma forma que a indústria petroleira –, estas opções foram menosprezadas pelos estadunidenses. (O resultado é que hoje a China assumiu a liderança no desenvolvimento destas tecnologias).
Desde 1974, disseram para a Arábia Saudita e os países árabes vizinhos que podem cobrar o preço mais alto que desejarem por seu petróleo. Quanto mais alto for o preço que cobrarem, maiores serão os lucros para os produtores estadunidenses de petróleo.
A “condição” é que devem reciclar seus ingressos no mercado financeiro estadunidense. Estes países são obrigados a manter suas reservas de divisas e a maior parte de sua riqueza financeira em valores, ações e bônus do Tesouro dos Estados Unidos. Uma perda do controle do petróleo prejudicaria este fluxo circular de lucros para os mercados financeiros estadunidenses que sustentam os preços das ações em Wall Street.
Há muito tempo, as companhias petroleiras dos Estados Unidos registraram o refinamento e distribuição do petróleo no Panamá e na Libéria. Este fator reforçou o poder econômico da indústria petroleira, já que estas grandes corporações evitaram o pagamento de impostos mediante suas “bandeiras de conveniência”, situadas em centros bancários extraterritoriais.
Há mais de cinquenta anos, o tesoureiro da Standard Oil of News Jersey me explicou como a indústria petroleira pretendia obter seus lucros nos paraísos fiscais que não tinham imposto sobre a renda: pagando um preço baixo aos países produtores de petróleo e cobrando um preço alto das refinarias e empresas de comercialização.
Isto significa que há bem poucas possibilidades de se evitar a evasão fiscal. De fato, os políticos corruptos e uma oligarquia criminosa mundial são os principais beneficiários da indústria petroleira e mineira. Portanto, fragilizar o poder do lobby para impedir a evasão fiscal afetaria diretamente o tremendo poder econômico e político da indústria petroleira.
A política exterior estadunidense se baseia em fazer com que outros países dependam do petróleo dos Estados Unidos
A estratégia dos Estados Unidos é fazer com que outros países dependam de uma matéria vital como o petróleo, desta maneira, podem aplicar um torniquete econômico quando considerarem conveniente.
O primeiro exemplo foram as sanções alimentares impostas à China, nos anos 1950, para estimular a resistência à revolução liderada por Mao.
Se outros países produzem energia solar, eólica e nuclear serão independentes da diplomacia petroleira dos Estados Unidos. Isto explica por que a Administração Trump se retirou do acordo climático de Paris para frear o aquecimento global.
Na realidade, esta política e a autossuficiência energética que Washington se propôs possuem um complemento estratégico: a Europa deve se tornar totalmente dependente do Freedom Gas estadunidense. Também não deve permitir a construção do gasoduto Nord Stream 2, que lhe permitiria obter gás a um preço muito mais baixo da Rússia.
A Administração Trump sustenta que para evitar a dependência da Rússia, a Europa deveria comprar o gás e o petróleo dos Estados Unidos a um preço cerca de 30% mais alto. “Estamos protegendo a Alemanha da Rússia, no entanto, a Rússia continua recebendo milhares de milhões de dólares da Alemanha”, queixou-se Trump aos jornalistas da Casa Branca, durante uma reunião com o presidente polonês Andrzej Duda.
Nesta mesma linha, no dia 31 de julho de 2019, a Comissão de Relações Exteriores do Senado votou por 20 a 2 em prol da Lei de Proteção da Segurança Energética da Europa, patrocinada pelo republicano Ted Cruz e a democrata Jeanne Shaheen.
Aquecimento global e contabilidade do PIB
Uma temperatura mais quente significa maior taxa de evaporação e, portanto, mais chuva, tornados e inundações, como estamos vendo este ano. Um resultado conexo será a seca na medida em que as geleiras se derretam e deixem de alimentar os rios nos quais foram construídas represas para gerar energia elétrica.
A aparente ironia é que estes efeitos do aquecimento global e o clima extremo se tornaram um baluarte do aumento do PIB dos Estados Unidos. Os custos de limpeza da poluição do ar e da água, os gastos de reconstrução das moradias inundadas, a destruição das colheitas, o aumento do custo do ar condicionado, a propagação de insetos nocivos e o aumento dos custos médicos podem explicar em grande parte o crescimento, a partir do ano de 2008.
Os neoliberais comemoraram o “Fim da História”, após a dissolução da União Soviética, em 1991, prometendo uma era de crescimento porque “o mercado” se tornaria o planificador mundial. Mas, não explicaram que este crescimento seria produto da indústria petroleira e de outras empresas de extração que vivem dos lucros de curto prazo e que, portanto, obtêm seus lucros à custa de hipotecar o futuro da humanidade e do planeta terra.

Quais fatores deveriam ser enfatizados por uma política verde?
Como brincava Mark Twain: “Todo mundo fala do tempo, mas ninguém faz nada a respeito”. No mundo político de hoje, fazer algo em relação ao aquecimento global significa enfrentar um conjunto de gigantes das finanças que vão além da indústria do petróleo e do gás.
Uma coisa é dizer que o aquecimento global ou a mudança climática são ameaças existenciais para a civilização e as economias atuais. Outra muito diferente é resolver o problema realmente, fazendo uma reforma econômica e mudando a política de “segurança nacional” dos Estados Unidos.
Um programa verde não pode ter êxito sem confrontar esta política de “segurança” que se assenta na supremacia petroleira dos Estados Unidos
Para todos os efeitos práticos, a segurança nacional estadunidense se tornou uma guerra que ameaça a segurança de todo o mundo. Quando ameaçam “congelar” os países que não seguem sua política, os Estados Unidos estão queimando a si mesmos, junto com o restante do planeta.
Deter o aquecimento global requer uma política fiscal que acabe com os privilégios que promovem os lucros da indústria petroleira, incluindo, é claro, as “bandeiras de conveniência” dos centros bancários offshore que são utilizados como meio para sonegar impostos.
Um programa verde deveria incluir um imposto sobre a renda adquirida pela extração dos recursos naturais (um imposto que os economistas clássicos defenderam ao longo do século XIX). Também deveriam fazer encargos pelas chamadas “externalidades”, ou seja, os custos sociais que não contam no balanço geral das corporações.
As empresas deveriam ser responsáveis por reembolsar a sociedade por estes custos.
Aplicar um imposto sobre o uso do petróleo aumentaria o preço da gasolina, mas não deterá o consumo em curto prazo porque os condutores de automóveis e grande parte dos serviços públicos estão presos nos investimentos de capital que utilizam petróleo.
Uma resposta eficaz seria reduzir a rentabilidade do petróleo, impedindo a evasão fiscal e as “bandeiras de conveniência” que criaram os grupos de pressão da indústria. A “contabilidade da indústria petroleira” é muitíssima mais obscura que a “contabilidade de Hollywood” e a contabilidade imobiliária ao estilo de Donald Trump.
Este problema é tão grave que hoje obter lucros sem pagar impostos sobre a renda se generalizou tanto que já é ‘uma prática mafiosa habitual’ utilizada pelos gigantes da informática, da indústria e dos bens de raízes.
Contudo, acabar com sonegação de impostos pode ameaçar a “segurança nacional”, segundo as elites de Washington. De acordo com sua visão, convém ao “interesse nacional” atrair o capital mundial (e criminoso) para estes enclaves de “livre comércio”, que servem para o balanço de pagamentos dos Estados Unidos.
As corporações mais ricas do mundo e os sonegadores de impostos estão fortemente alinhados contra uma política econômica que ajudaria a reduzir a pegada mortal do carbono, para além do consumo de petróleo e gás.
Portanto, para implementar com êxito uma política ecológica é necessário combater uma ampla gama de interesses criados. Os empresários citarão sem vergonha “a ideologia do livre comércio” para justificar seus lucros a curto prazo, sem se preocupar pelo desastre climático que estão causando.
Isto faz que com a tarefa seja muito mais difícil, pois coloca em evidência os limites dos programas do capitalismo verde.
Na Islândia e na Alemanha, os partidos verdes são neoliberais. Suas políticas são centristas e conservadoras quando se trata dos bancos e o setor financeiro. De fato, apoiaram uma bonança baseada no mercado de direitos de comércio do carbono, que são comprados e vendidos pelos especuladores de Wall Street.
O problema é que estas soluções “baseadas no mercado” fracassaram, porque os mercados são a curto prazo e não levam em conta as “externalidades”. Os verdes estão dispostos a criticar a “ideologia de mercado”?
Sem enfrentar este desafio, o que os partidos verdes e socialdemocratas fazem é “acariciar as costas de seus eleitores” para que se sintam bem, mas, na realidade, não farão nada para resolver realmente o problema subjacente.

Ao que parece, o “Fim da História”, que era celebrado como a vitória do livre mercado sobre a União Soviética, se tornou o “Fim dos Tempos”… do capitalismo neoliberal. E claro…, o que aparentemente não tem mais discussão é que estamos vivendo uma crise integral da civilização ocidental. (ecodebate)

Pesquisadores encontram microplásticos na neve do Ártico

Ártico.
Microplásticos na neve do Ártico sugerem poluição atmosférica generalizada.
O vento desempenha um papel no transporte de microplásticos (fragmentos plásticos com menos de cinco milímetros de comprimento) para as ruas cobertas de neve das cidades europeias e áreas remotas do Oceano Ártico – onde os ecossistemas já estão estressados pelos efeitos da mudança climática.
As altas concentrações encontradas em amostras de neve de regiões díspares sugerem que os microplásticos – que podem conter verniz, borracha ou produtos químicos usados em tecidos sintéticos – causam poluição do ar significativa. Além disso, estudos anteriores mostraram que os microplásticos podem contribuir para o risco de câncer de pulmão, destacando a necessidade urgente de avaliar melhor os riscos à saúde de inalá-los.
Para entender melhor como os microplásticos viajam até agora, o que tem sido uma questão, Melanie Bergmann et al. usaram uma técnica de imagem para analisar amostras de neve coletadas entre 2015 e 2017 de gelo flutuante no Estreito de Fram, uma passagem entre a Groenlândia e Svalbard para o Oceano Ártico. (Eles visitaram cinco blocos de gelo de helicópteros ou botes durante três expedições).
Cientistas americanos encontram microplásticos no gelo do Ártico.
Pesquisadores usaram um helicóptero para aterrissar em campos de gelo e retirar amostras. Essa forma de poluição ameaça vida marítima mesmo nas águas mais remotas do planeta.
Para comparação, os pesquisadores investigaram amostras dos remotos Alpes Suíços e da Cidade de Bremen, no noroeste da Alemanha. Eles observaram que, embora as concentrações de microplásticos na neve do Ártico fossem significativamente menores do que as concentrações na neve europeia, os níveis desse poluente no extremo norte ainda eram substanciais.
A maioria das partículas estava na menor faixa de tamanho mensurável de menos de 11 micrômetros; tais partículas são mais propensas a serem absorvidas pelo transporte atmosférico, dizem os autores. Como a maioria dos estudos atualmente se concentra em partículas maiores que 200 ou 300 micrômetros, a medição de partículas menores permanece importante, a fim de avaliar realisticamente os microplásticos.
Partículas de plástico caem do céu com a neve no Ártico.
As altas quantidades de microplásticos na neve, como relatado aqui, sugerem que o transporte e a deposição atmosférica poderiam representar um caminho significativo para esses materiais em lugares distantes, dizem os autores. (ecodebate)

Brasil foi 3º maior empregador no setor de energias renováveis em 2018

Foram cerca de 1,12 milhão de trabalhadores atuando com fontes limpas no país em 2018, segundo os dados da Agência Internacional de Energias Renováveis.
Com o aumento das energias renováveis no Brasil, em especial as fontes solar e eólica, cresce também o número de trabalhadores atuando nesses segmentos, o que levou o país a ocupar a terceira posição entre os maiores empregadores nessas fontes em 2018.
Foram 1,12 milhão de profissionais registrados nos segmentos de energia limpa em 2018, segundo os dados da Agência Internacional de Energias Renováveis (International Renewable Energy Agency, ou IRENA, na sigla em inglês).
Os biocombustíveis foram o segmento com a maior mão de obra registrada, 832 mil trabalhadores. Em um distante segundo lugar veio a fonte hídrica, com 203 mil postos de trabalho.
As fontes eólica e solar, embora cresçam mais que as outras nos últimos anos, ainda registram menor número de trabalhadores devido a sua reduzida participação na matriz elétrica brasileira.
Foram 34 mil profissionais atuando na geração pela força dos ventos em 2018, enquanto o mercado de energia solarregistrou 15 mil trabalhadores, um cenário em rápida transição à medida que essas fontes vão ganhando espaço na geração elétrica do país.
Um exemplo disso pode ser enxergado na China, que com suas crescentes adições de renováveis liderou novamente o ranking mundial, com 4,07 milhões de empregos no setor, sendo 2,2 milhões apenas no segmento de energia solar fotovoltaica.
Essa vasta mão de obra chinesa representou 39% de todos os empregos em energia limpa no mundo. No geral, 60% dos empregos em renováveis foram registrados na Ásia.
A União Europeia ficou em segundo lugar, com 1,23 milhão de trabalhadores, sendo a maioria deles, 387 mil, no setor de biomassa.
No mundo todo, as energias renováveis foram responsáveis por empregar 11 milhões de trabalhadores em 2018, um aumento em relação aos 10,3 milhões em 2017 e uma tendência para o futuro.
A energia solar, fonte de maior crescimento no mundo hoje, manteve a liderança no número de empregos gerados, respondendo por um terço de todos os empregos em 2018, ou cerca de 3,6 milhões. (ecodebate)

Consórcios de recursos hídricos, rumo a governança na gestão

Consórcios de recursos hídricos, rumo a governança na gestão, parte 2/2 (Final)
MATOS (2013) assinala sobre a caracterização dos consórcios pesquisados, que possuem grande disparidade em relação ao tamanho da bacia hidrográfica.
Questionados sobre quais seriam os fatores que dificultam a consolidação dos consórcios, os responsáveis do consórcio assinalam que a articulação entre os municípios foi o fator que obteve o maior número de indicações.
Em seguida vêm as dificuldades estruturais, como a captação de recursos e apoio técnico, com 19% das indicações, dificuldades internas de planejamento de organização com 15% e dificuldades de implementação de projetos com 11%. As dificuldades de articulação com o governo estadual e com as empresas e sociedade civil, receberam 7% cada, enquanto outras dificuldades receberam 11%.
Outros fatores citados foram a falta de equipe própria, tanto administrativa, quanto técnica, e falta de “continuidade de governança”, ou seja, falta de continuidade dos dirigentes políticos nos cargos e a ausência de meritocracia na ocupação dos mesmos e a prioridade dada para as bacias hidrográficas citadas por outra entidade.
Os dados da pesquisa corroboram a explanação de BARROS (1995), que afirma que a associação das variáveis, legislação, organização, captação de recursos, apoio administrativo, apoio técnico e divulgação são as principais dificuldades estruturais e funcionais dos consórcios.
Com relação aos fatores facilitadores para a consolidação dos consórcios, os representantes públicos também apontaram a cooperação municipal no total de 27% do total, seguido por liderança unificada com 23%, atualização permanente, com 18%; facilidade de acesso a recursos, com 14% e outros, com 18%.
Os outros fatores destacados foram a “atuação forte e divulgação das ações”, e interesse comuns por parte dos membros.
Os representantes, ao serem questionados sobre o que poderia ser feito para melhorar ou apoiar a cooperação intermunicipal, apontaram várias ações.
Dos fatores indicados pelos representantes que contribuem para a cooperação intermunicipal, os que obtiveram o maior número de indicações foram a conscientização e capacitação, com 25% do total cada um.
Visando aumentar a cooperação, os representantes indicaram a necessidade de se desenvolver a conscientização dos gestores ambientais e os gestores públicos, tanto prefeitos, quanto dos funcionários públicos, para com a causa do consórcio e buscar uma participação mais efetiva, bem como fomentar a ideia de trabalhos em conjunto.
Com relação à capacitação os representantes destacam a necessidade de aumentar a capacidade técnica e elaboração de projetos das equipes do consórcios. Sendo destacada também a capacitação dos “prefeitos e funcionários públicos em gestão associada de serviços públicos”, bem como, a importância da gestão das águas na bacia.
O fator “divulgação”, ou seja, a comunicação eficaz obteve 17% das indicações dos representantes. Para os mesmos, deve haver maior divulgação das ações desenvolvidas pelos consórcios, servindo como incentivo.
A necessidade de articulação aparece logo em seguida, com 8% das indicações dos representantes dos consórcios que indicaram a necessidade de articulação entre os municípios, e também, com outras esferas de poder.
O apoio governamental também aparece com 8% das indicações. Para os representantes, é preciso mais apoio do governo, principalmente o federal. É preciso mais empenho, por parte do governo em “estimular a criação de consórcios entre os municípios e demais entes federados, ou seja, divulgar esta possibilidade de maneira ampla aos interessados”.
Aqui também ocorre identidade com as afirmações de BARROS (1995) ao afirmar que o estado possui a função primordial de estimular os consórcios mediante políticas consistentes e duradouras, bem como a função complementar de colaborar com os mesmo financeiramente.
MATOS (2013) assevera que ao abdicar dessas funções, o estado causa alterações significativas na capacidade dos consórcios definirem e programarem seus compromissos prioritários “para com políticas públicas básicas e políticas sociais, não apenas de subtrair sua eficácia virtual, mas principalmente determinando sua falência irremediável (BARROS, 1995 p. 82)”.
Os comitês e consórcios desenvolvem um novo modelo de gestão de políticas públicas a partir da ampliação de oferta de serviços, flexibilização da contratação de pessoal, cooperação técnica e a realização conjunta de obras, serviços e atividades temporárias ou permanentes.
Os consórcios surgem como uma estrutura técnica capaz de demandar mais eficientemente os recursos, bem como possibilitar a ampliação da capacidade política dos municípios.
O fato de se constituírem em unidades territoriais de gestão facilita a articulação intermunicipal, pois os municípios transferem a um órgão de governança somente uma parte de sua autonomia, permitindo a gestão de um recurso que não é exclusivo, mas compartilhado por uma comunidade mais ampla.
É indispensável que os consórcios busquem maior apoio e mobilização por parte da população e principalmente dos representantes públicos, fazendo-os compreender a importância do gerenciamento dos recursos hídricos, tendo em vista os múltiplos usos da água, um recurso imprescindível.
É necessário que se mostre aos atores sociais os tipos de decisões que eles podem tomar e quais instrumentos estão ao seu alcance para contribuir, bem como os benefícios que podem ser obtidos.
Gestão de recursos hídricos.
Torna-se oportuno o aprofundamento de estudos sobre as razões da pouca adesão dos municípios aos consórcios. E não precisa esperar estiagem ou hecatombe hídrica para isso. (ecodebate)

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Ártico está pegando fogo

O Ártico está pegando Fogo. Os incêndios são tão grandes que dá para ver do espaço!
Nosso planeta não via algo assim há 10 mil anos — Julho foi o mês mais quente já registrado na história! Isso não é só aquecimento global. Isso é o planeta sendo tostado na BRASA. E vai ficar pior, muito pior.
Isso é assustador, mas nada é mais perigoso do que perder as esperanças – porque ainda PODEMOS transformar esse pesadelo em um futuro lindo, limpo e verde para nossos filhos e netos!
É por isso que a Avaaz quer fazer de tudo em um plano de 16 meses para reverter a situação — começando com uma importante conferência sobre a crise climáticas da ONU em Setembro e culminando na mais importante negociação sobre clima desde que o Acordo de Paris foi assinado marcada para o fim de 2020. É assim que podemos vencer:
Pressionando governos a declarar estado de emergência climática e a se comprometer com 100% de energia limpa.
Incêndio florestal no Alasca, registrado em 29/07/2019.
Ajudando a engajar milhões de pessoas a se unirem aos incríveis jovens e crianças que estão organizando a maior greve climática da história, marcada para o mês que vem.
Oferecendo treinamento para as inspiradoras jovens lideranças da luta pelo clima ao redor do mundo.
Enfrentando a gigante indústria petroleira e seus comparsas cada vez que eles ameaçarem tomar o poder.
Mas para isso funcionar, temos que começar JÁ! Se 10 mil de nós doarmos o valor de um cafezinho por semana, poderemos impulsionar essa resistência climática global para proteger tudo o que amamos.
Alguns já desistiram de resolver o problema das mudanças climáticas. Mas a verdade é que já temos todas as ferramentas que precisamos para criar uma economia forte, limpa, verde e global! Energia renovável é em geral mais barata que a de combustíveis fósseis e agora há espalhado pelo mundo um movimento crescente e inspirador de jovens líderes, determinados a garantir um futuro 100% limpo para todos nós.
As florestas do ártico estão pegando fogo, na imagem vemos focos de incêndio numa floresta da Sibéria, na Rússia.
Neste momento, eles estão sob ataque dos negacionistas climáticos e da indústria de petróleo. Mas juntos podemos usar a força do nosso movimento para apoiá-los e ir com tudo para a conferência do mês que vem, e então marcar presença em todas as principais ações políticas nos próximos 16 meses e lutar por tudo que amamos!!!
Nenhum outro movimento tem o alcance global para fazer isso em cada canto do planeta, em grande escala. A Avaaz, e tudo o que nós conquistamos no mundo, é 100% financiada por pequenas doações como essa. Colabore com uma pequena quantia semanal e vamos juntos lutar por um futuro no qual valha a pena viver:
Antes das negociações do Acordo de Paris, diziam que o objetivo do nosso movimento de conquistar 100% de energia limpa era impossível. Mas juntos fizemos mágica acontecer, com marchas globais gigantes, belas ações e um lobby cidadão inteligente, e agora vários países ao redor do mundo estão traçando planos 100% limpos!
Incêndio florestal incomum na Groenlândia.
Mas outros tantos estão ficando para trás, colocando tudo em risco — e nosso movimento de milhões de pessoas está sendo convocado de novo. (portaldoguigui)

Caminhos no século XXI do desenvolvimento sustentável

O desenvolvimento sustentável procura conciliar crescimento econômico e preservação natural.
O Relatório Brundtland, no documento intitulado ”Nosso Futuro Comum”, definiu desenvolvimento sustentável como aquele que atende as necessidades do presente sem comprometer as demandas das gerações futuras.
Entretanto, os termos sustentável, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável, são conceitos diferentes dentro da literatura acadêmica. Para Prugh e Assadourian (2003), o conceito de sustentabilidade se relaciona com duradouro, por ser flexível e aberto à interpretações.
Já nas interpretações e reflexões de Barter e Russell (2012), o conceito de desenvolvimento sustentável não pretende referir-se apenas a salvar a natureza, mas também à internalização de estratégias, acrescentando, assim, novos recursos para consentir o crescimento econômico e a prosperidade compartilhada por todos. A conceitualização do desenvolvimento sustentável, faz referência a um desenvolvimento de processos e práticas que envolvem ação e tem como objetivo a melhoria da qualidade de vida humana no planeta.
Esquema representativo dos vários componentes do desenvolvimento sustentável.
A ONU, adotou uma nova agenda de desenvolvimento sustentável. Nessa agenda há 17 objetivos, que listamos a seguir:
Objetivo 1: Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares.
Objetivo 2: Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição, e promover a agricultura sustentável.
Objetivo 3: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades.
Objetivo 4: Assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.
Objetivo 5: Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.
Objetivo 6: Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água, e saneamento para todos.
Objetivo 7: Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos.
Objetivo 8: Promover o crescimento econômico inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo, e trabalho decente para todos.
Objetivo 9: Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável, e fomentar a inovação.
Objetivo 10: Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles.
Objetivo 11. Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.
Objetivo 12. Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis.
Objetivo 13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos.
Objetivo 14. Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.
Objetivo 15. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade.
Objetivo 16. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.
Objetivo 17. Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável, objetivos esses ilustrados na Figura 1.
Figura abaixo representa os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). (ecodebate)

Poluição do ar: um assunto transversal nos 17 ODS da ONU

Poluição do ar: um assunto transversal nos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU.
Análise é feita pelo médico-patologista e pesquisador Paulo Saldiva, diretor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA/USP), em entrevista especial ao Blog Cidadãos do Mundo.
Não é por acaso que o sistema da Organização das Nações Unidas (ONU) elencou a poluição do ar como assunto prioritário na agenda mundial, neste ano, relacionado aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), com metas estabelecidas pelos países até 2030. Para subsidiar esta pauta, várias iniciativas estão ocorrendo, entre elas, a elaboração do documento “Poluição do Ar e Saúde. Uma iniciativa político-científica da Academia de Ciência da África do Sul, da Academia Brasileira de Ciências, da Academia Nacional de Ciências da Alemanha Leopoldina, das Academias Nacional de Medicina dos EUA e  Nacional de Ciências dos EUA.
As organizações propõem a implementação de um pacto global para o controle e redução da poluição do ar, que seja uma prioridade para todos (líderes de governos, empresas e cidadãos). Um exercício para se repensar e revitalizar as cidades, as regiões metropolitanas quanto ao aspecto de uso e ocupação do solo, mobilidade urbana, fonte de energia e saúde ambiental, entre outros. A proposta foi apresentada na sede da ONU, em Nova York, em junho deste ano.
Afinal, a sustentação na esfera da geopolítica internacional não falta. Como argumento, mencionam a já existência de diferentes acordos, resoluções, convenções e iniciativas. Entre essas, estão o Protocolo de Montreal, a Convenção sobre a Poluição Atmosférica Transfronteiriça a Longa Distância da Comissão Econômica para a Europa das Nações Unidas, e a resolução sobre os impactos da poluição do ar na saúde humana da Assembleia Mundial da Saúde (ligada à OMS).
No documento, ainda enfatizam que – “…O crescimento econômico que aceita a poluição do ar e ignora os impactos ambientais e na saúde pública é insustentável e antiético. A queima de combustíveis fósseis e de biomassa é a maior fonte de poluição do ar a nível global”.
No grupo de cinco pesquisadores brasileiros, que compõem a produção do documento internacional, se encontra o patologista e pesquisador Paulo Saldiva, diretor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA/USP), que é o entrevistado especial desta semana, do Blog Cidadãos do Mundo – jornalista Sucena Shkrada Resk. Estudioso internacional em saúde ambiental, há algumas décadas, Saldiva explica de forma didática, como o nosso organismo retrata os impactos da poluição do ar nas grandes cidades e consegue traduzir como acontece essa relação no meio ambiente, por meio de constatações de mais um estudo recente que realizou com equipe, em São Paulo. Ao mesmo tempo, aprofunda sua leitura sobre a configuração transversal do tema, nos 17 ODS/ONU.
Também integraram este grupo seleto com Saldiva, os professores Maria de Fátima Andrade, Paulo Artaxo, Nelson Gouveia (USP) e Simone El Khouri Miraglia, da Unifesp.
Para multiplicar as informações e orientações sobre esta agenda, com gestores à sociedade, foram também lançadas aqui no Brasil, no contexto regional da América Latina e Caribe, a campanha “Respire Vida”, com a cartilha “16 Medidas pela qualidade do Ar nas Cidades – um Chamado pela Saúde e pelo Meio Ambiente”, organizada pela Organização Pan-Americana de Saúde e pela ONU Meio Ambiente. O material destaca sugestões nas áreas de mobilidade urbana, geração de energia, processos industriais, ambiente doméstico, ambienta rural, gestão de resíduos e saúde humana. Um dos motivos cruciais: nesta região um percentual estimado de 80% da população vive em cidades.
Confira a entrevista de Paulo Saldiva sobre poluição do ar e saúde:
Blog Cidadãos do Mundo – jornalista Sucena Shkrada Resk – Professor Saldiva, no estudo sobre os efeitos da poluição do ar na saúde, que realizou com equipe de pesquisadores, na Faculdade de Medicina da USP, financiado pela Fapesp e publicado na revista científica Environmental Research recentemente, foram autopsiados 413 cadáveres na capital paulista. O que esta avaliação constatou e soma a alertas anteriores a respeito deste tema?
Paulo Saldiva – O estudo trata da relação da poluição do ar e o acúmulo de poluentes no pulmão de humanos. Primeiro, na cidade de São Paulo, a poluição é praticamente dominada pelo tráfego veicular. As indústrias gradativamente saíram da cidade ou foram atraídas para outros municípios, que apresentavam mais alternativas, além do imposto e de outras dificuldades do zoneamento urbano. Então, ficou o tráfego e a única indústria que permaneceu em São Paulo, foi a indústria da construção civil, que transforma o solo urbano em uma commodity e não em um common. Deixe-me explicar: o solo urbano passa a ter mais valor em áreas com maior acesso a serviços públicos, entre outros. Assim os empreendimentos comerciais ocupam estes espaços e o preço venal, seja de posse ou aluguel aumenta bastante. Então, as pessoas que menos podem vão morar cada vez mais longe, onde pode pagar por sua moradia. Isso impõe uma carga enorme de deslocamentos porque a cidade de São Paulo interage funcionalmente com outros municípios da região metropolitana e até com outras regiões metropolitanas. Por exemplo, é comum que pessoas que moram em Jundiaí, Campinas, Sorocaba, Santos e São José dos Campos, elas trafeguem em direção a São Paulo e vice-versa, fazendo com que sejamos um conglomerado de metrópoles, ou seja, de uma espécie de “metápolis”. Também é comum que passemos de quatro a cinco horas no trânsito.
Blog Cidadãos do Mundo – O que este estudo revela de alerta e mudanças emergentes no contexto da mobilidade urbana nas grandes cidades?
Paulo Saldiva – Quando você vê a rede de monitoramento ambiental da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), que tem séries históricas desde os anos 70, você percebe que, de fato, houve uma redução da poluição, mas existe uma concentração de poluentes na região central da cidade, onde existem mais carros e mais congestionamentos. Então, como visto pelo olhar das estações de monitoramento, a poluição é um fenômeno do centro da cidade de São Paulo. No entanto, quando se olha na sala de autópsia, o pulmão dos paulistanos, é possível ver pequenas manchas de carbono, às vezes, até em grande intensidade, da mesma forma que acontece com os fumantes. Este carbono (esta fuligem) é inalada pelos pulmões e como possui substâncias tóxicas, produz certa reação inflamatória e pode ficar preso para sempre ali, como forma de uma cicatriz escura. E se pode medir isto. Foi o que a gente fez. Na sala de autópsia do serviço de verificação de óbitos, que funciona na Faculdade de Medicina da USP, nós fotografávamos a superfície do pulmão, medíamos a superfície da pleura ocupada por manchas escuras. Tínhamos de pedir a autorização das famílias para fazer isto e ao mesmo tempo apresentávamos um questionário que relatava o tempo de moradia em São Paulo, tempo de ocupação, se era fumante ativo ou passivo, e como também tínhamos o endereço, dava para saber a densidade de ruas e tipo de tráfego da região onde a pessoa morava e até a proximidade a uma avenida de maior fluxo.
Blog Cidadãos do Mundo – E quanto à saúde preventiva e ao comportamento da sociedade em cidades metropolitanas, como São Paulo?
Paulo Saldiva – Bom, o que deu para ver é que quando você coloca, então, cada pulmão de indivíduo em uma estação de monitoramento, é que a poluição não é um fenômeno da região central e, sim, da periferia da cidade. Como é que a gente explica isto?  Possivelmente, estas pessoas que moram mais longe do centro são aquelas que permanecem mais tempo circundadas por canos de escapamento, presas em congestionamentos intermináveis, enquanto vão e voltam no caminho da sua casa até o seu serviço. Também há muitas pessoas em São Paulo, que ao findar as oito horas do trabalho convencional, quando têm, fazem um bico dirigindo carros ou entregando coisas nas ruas da cidade. Então, embora tenhamos reduzido a poluição doa ar da cidade, isso, um fruto de uma política de melhoria tecnológica de motores e combustíveis, nós ainda temos como fator determinante da nossa dose, o tempo que permanecemos nas ruas e os nossos hábitos de mobilidade. Ou seja, embora a nuvem de poluição quando a gente olha de cima a cidade, seja mais ou menos homogênea, quem leva mais poluição dentro de si, são aqueles que ficam mais tempo no tráfego. Isso é equivalente a quatro a cinco cigarros por dia, porque nós temos dessa fuligem inalada, fumantes e não fumantes, nessa série de pacientes e podemos, então, comparar o equivalente tabágico do que representa o deslocamento urbano em nossas ruas. Isso é mais ou menos o resumo deste trabalho.
Esta pesquisa sobre este “tabaco ambiental” foi publicada recentemente, em junho, na Environmental Research.
Blog Cidadãos do Mundo – Com estas constatações, qual sua análise sobre as mudanças emergentes necessárias para combater a poluição, que competem à gestão pública, desde a questão energética ao custo à saúde humana?
Paulo Saldiva – Para combater a poluição, não bastam só novos motores e tecnologias, mas temos de pensar transporte público de baixa emissão e alta eficiência. Quanto a políticas públicas, tudo está inventado, nada precisa ser descoberto, mas ser, sim, implementado. O controle da poluição do ar depende de fontes de energia mais limpas, que já estão disponíveis e de priorizar o transporte coletivo de baixa emissão, que também está disponível. Para isso, a gente precisa colocar os co-benefícios econômicos do controle da poluição. Controlar a poluição dá lucro. Então, para cada unidade de investimento em controle de poluição, geralmente se ganha de duas a três mortes evitadas e o aumento de produtividade no país. É por isso que muitos países, inclusive, a China, estão pegando pesado no controle da poluição do ar. Este controle também leva ao controle dos GEES por causa da eficiência energética.  
Blog Cidadãos do Mundo Professor, fale mais a respeito da necessidade dessas mudanças emergentes, que envolvem também a mudança de comportamento da sociedade.
Paulo Saldiva – O que tem de ser feito? Basicamente fazer conta. Hoje a gente está subsidiando energias sujas com vidas humanas e dinheiro. Quer dizer que isso não é justificável, nem do ponto de vista moral, fazendo as pessoas morrerem antes do tempo, principalmente as mais pobres; como também, não é econômico. Porque o dinheiro que você arrecada desta economia ao utilizar uma energia suja, como carvão, você perde em redução de produtividade econômica e em custos diretos e indiretos da saúde. Há vários estudos mostrando isso.  No nosso caso específico do Brasil, não acredito muito nas políticas públicas. A gente carece – no artigo princípio valores, está em falta na prateleira da política nacional, no almoxarifado, nós deveremos ter mudanças de comportamento. Elas já estão ocorrendo. Há um maior apelo para transporte coletivo, já há mais interesse em você utilizar transporte público e morar mais perto da condução. A ideia de possuir um carro e gastar de forma absurda, como levar mil quilos de latas para qualquer lado que você vai, está perdendo espaço entre a população mais jovem. Para quem insiste nestas práticas, não é que estas pessoas sejam intrinsecamente más, mas insistem porque são frutos de uma educação e cultura que foram vigentes até muito recentemente. Se você visitar as páginas de anúncios imobiliários, por exemplo, do Estadão, como eu fiz, dos anos 70 e 80, a maior propriedade de um apartamento era número quartos e de vagas na garagem. Hoje é a proximidade de um parque, um terminal de metrô ou de ônibus. Enfim, a metragem está caindo muito e nós não estamos precisando mais de tanto espaço para viver. É um processo lento, mas vai ocorrer. Eu sou otimista. As cidades que geraram os problemas, mas nas ruas das cidades é que mora a criatividade, principalmente nos momentos de crise.
Blog Cidadãos do Mundo – Qual é a relação da poluição atmosférica com as 17 metas dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU?
Paulo Saldiva – Quanto à relação entre o controle da poluição e as metas de atingimento dos ODS/ONU para 2030, eu não consegui achar sequer uma das metas das 17 que não encaixasse espaço para o controle da poluição do ar. Este tema passa por educação, ou seja, mudança de comportamento e educação mais saudável, cidades mais eficientes, diminuição da equidade, uma vez que as pessoas que menos podem são as que recebem mais poluição. A poluição é mais frequente nos países mais pobres e dentro dos países pobres, nas comunidades mais desfavorecidas. Atinge a saúde, o controle tanto de doenças infecciosas, crônicas e não-transmissíveis – como diabetes, enfarte e câncer. Nós também temos um objetivo, que é o controle da poluição, quando melhora a eficiência e utiliza combustíveis mais limpos e tecnologias mais eficientes. Dessa forma, você reduz ao mesmo tempo, a emissão dos Gases de Efeito Estufa (GEEs). Ao fazer isso, melhora, inclusive, a segurança alimentar. (ecodebate)