segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Saneamento e a escassez qualitativa da água

Quando Pero Vaz de Caminha chegou ao litoral brasileiro, além da admiração pelos índios e índias, pela exuberância da floresta litorânea, ele fica deslumbrado com a quantidade de águas. Vai escrever ao rei: “águas são muitas; infinitas. Em tal maneira graciosa (a terra) que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das aguas que tem! ”. Frase que depois, falsificada, fica reduzida a “nesse país em se plantando tudo dá”.
Quando o Brasil elaborou seu Primeiro Plano Nacional de Recursos Hídricos, participei com poucas pessoas do Nordeste para inserir no Plano a captação da água de chuva. Juntando várias fontes o Plano concluía que temos aproximadamente 13,8 das águas doces mundiais em território brasileiro.
Temos a maior malha de bacias hidrográficas do planeta, além do que somos o único país do mundo de dimensões continentais que tem chuva em todo território nacional. Outros países como China, Estados Unidos e Austrália tem imensos desertos em seus territórios.
Os dois maiores aquíferos do mundo estão em grande parte em território brasileiro, como o Alter do Chão na Amazônia, e Aquífero Guarani que abrange regiões do sul e sudeste, além de outros países do cone sul.
Ainda mais, os rios voadores que saem da Amazônia chegam até Buenos Aires – para outros até à Patagônia – e são os responsáveis pelas chuvas que caem em todo esse vasto território da América Latina.
Nem mesmo a propalada diferença de quantidade de água de região para região pode ser alegada como problema. O Semiárido, com um milhão de quilômetros quadrados, com uma média de 700 mm/ano, tem capacidade instalada para armazenar apenas 36 dos 700 bilhões de m3 que caem sobre esse território todos os anos.
Onde está, então, nosso problema? Exatamente na abundancia, nos ensinava o já falecido Prof. Aldo Rebouças. Ela nos tornou perdulários e, junto com a cultura predadora construída desde a fundação do Brasil, passamos a maltratar as nossas águas.
Aos poucos estamos perdendo não só a abundancia pela destruição do ciclo de nossas águas – desmatamento da Amazônia e do Cerrado -, mas transformando nossos corpos d’água em depósitos de esgotos e de lixo. São as mineradoras – vide Samarco -, dejetos industriais, domésticos, hospitalares, agrícolas e resíduos sólidos como lixo doméstico e restos de construções. Basta olhar para o rio São Francisco.
Dessa forma, além de estarmos provocando a escassez quantitativa, estamos provocando a escassez qualitativa, isto é, os mananciais estão diante dos nossos olhos – Pinheiros e Tietê em São Paulo -, mas suas águas são imprestáveis para qualquer tipo de uso.
Nesse sentido, mais uma vez, a importância da Campanha da Fraternidade sobre o saneamento básico. Ao coletar e tratar os esgotos, manejar adequadamente os resíduos sólidos, estaremos dando a maior contribuição para superar a escassez qualitativa de nossas águas.
Alerta: cientistas e juristas que estiveram na elaboração do conteúdo do Texto Base da CF, nos alertam que o governo está focando a luta contra as doenças em evidência no combate ao mosquito, desviando o foco do fundamento básico do saneamento. (ecodebate)

Reservatórios continuarão a recuperar o armazenamento

Reservatórios continuarão a recuperar capacidade de armazenamento, aponta ONS
Operador projeta aumento dos volumes mesmo no Nordeste, onde a afluência volta a ficar pressionada pelas chuvas abaixo da média.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico aposta na continuidade da recuperação do nível dos reservatórios no país ao longo do mês de março. Mesmo com a previsão de afluências em 40% da média histórica no Nordeste a perspectiva é de que o nível de armazenamento volte a subir em comparação com a previsão da semana passada. A projeção do operador divulgada em 26/02/16 para o Programa Mensal de Operação é de que ao final de março no Sudeste/ Centro-Oeste o nível operativo esteja em 61,4%, no Sul em 98,1%, no Nordeste em 37,5% e no Norte em 66,5%.
Em suas projeções, o operador indicou que a carga deverá desacelerar em comparação com o previsto em fevereiro. Um dos motivos é a verificação de temperaturas mais amenas. A carga em fevereiro deste ano fechará com 1,8% de crescimento em comparação com 2015. Já a previsão inicial é de que ao final de março a demanda fique em um índice 0,7% acima do mesmo período do ano passado, com 67.124 MW médios. A expectativa é de crescimento de 1,5% no SE/CO e de 5,6% no Norte, ainda em decorrência da integração de Macapá ao SIN. Já no Sul a perspectiva aponta para queda de consumo da ordem de 2,3%, enquanto no Nordeste esse indicador está em 1% negativo ante o mesmo mês de 2015.
Para a semana operativa que começou em 27/02/16, o CMO médio aumentou na comparação com a semana passada nas três regiões onde está equalizado. Passou de R$ 1,79/MWh para R$ 21,69/MWh no SE/CO, Norte e Sul. Já no Nordeste recuou um pouco, passando de R$ 243,95/MWh para R$ 236,74/MWh em decorrência da redução do custo da energia na carga leve que passou para R$ 224,10/MWh enquanto os patamares médio e pesado continuaram a R$ 243,95/MWh. Nas demais regiões houve o descolamento da leve ante a pesada e média, enquanto a primeira ficou em R$ 18,60/MWh as outras duas se elevaram para R$ 23,45/MWh.
Ainda ontem, durante o primeiro dia da reunião do PMO o ONS informou que as projeções de afluência no SIN para o final de março apontavam para ENAs acima da média histórica no SE/CO e no Sul com 104% e 129%, respectivamente. No Norte a expectativa é de 72% da média enquanto no NE o volume de chuvas voltou a ser pressionado com a previsão de 40% da média de longo termo.
Apesar do anúncio do desligamento de mais 3 mil MW de energia térmica com CVU acima de R$ 250/MWh, realizado na quinta-feira 25 de fevereiro, que soma-se aos 2 mil MW já anunciados no início do mês, a previsão de despacho térmico no país para a semana operativa é de 10.852 MW médios. Deste montante, 3.821 MW médios estão dentro da ordem de mérito, 2.102 MW médios por inflexibilidade, 51 MW médios por restrição elétrica, e o maior montante com 4.878 MW médios são por garantia energética.
As condições meteorológicas para a semana operativa que se iniciou em 27/02/16 apontou para chuva de intensidade fraca a moderada nas bacias dos rios Paranapanema, Tietê e Grande. Nas demais bacias hidrográficas do SE/CO, Sul e em pontos isolados do São Francisco estão previstas precipitações fracas, bem como na bacia do Tocantins. (canalenergia)

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Xixi pode virar água!!!

Tipo Jesus?!
Dispositivo promete transformar xixi em água.
Esse aparelho inovador promete deixar vinho no passado e fazer transformação de xixi em água é a nova moda.
Você usaria?
Dispositivo promete transformar seu xixi em água potável.
Um dos grandes problemas da humanidade atualmente é a falta de água potável. Se já está ruim hoje em dia, no futuro tende a ficar bem pior. E por isso soluções aparecem. Até as mais bizarras.
Um dispositivo completamente inovador — e igualmente bizarro — afirma que pode transformar urina em água potável. E promete que esse complicado processo seria simples e duraria alguns minutos.
A ideia do aparelho, vendido a R$ 1224 no site Etsy, é que a pessoa se sente, faça xixi sem ter que ir ao banheiro e, no fim das contas, acompanhe a urina passar por um processo de filtragem. Ou seja, um aparelho “dois em um”.
Dispositivo promete transformar seu xixi em água potável.
Um dos grandes problemas da humanidade atualmente é a falta de água potável. Se já está ruim hoje em dia, no futuro tende a ficar bem pior. E por isso soluções aparecem. Até as mais bizarras.
Ao mesmo tempo em que pode filtrar a urina, ele permitiria também ao seu dono que ele não precisasse nunca ir ao banheiro para urinar. A conversão, no entanto, é mantida sob segredo absoluto pela fabricante do aparelho.
A única transformação de urina em água potável de que se tem notícia é feita em um sistema da Estação Espacial Internacional. Acontece que especialistas afirmam que seria completamente impossível que o aparelho pequeno reproduzisse o sofisticado esquema.
No caso do processo de transformação da Estação Espacial Internacional, a água surge a partir da utilização de alta concentração de sal ou açúcar, somados a um processo de ebulição enorme. O que, evidentemente, não acontece no misterioso aparelho. (yahoo)

Produtores rurais serão motivados a preservar nascentes

Para garantir água de qualidade e suficiente para atender as necessidades do campo, da cidade e da rica biodiversidade brasileira é necessário preservar as nascentes. Com o objetivo de orientar o produtor rural e estimular a proteção ambiental, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC) firmou parceria com a Cooperativa Central Aurora Alimentos para expandir o programa Nacional de Proteção de Nascentes. Serão ministrados 50 treinamentos, mediante investimento de R$ 100 mil. A iniciativa foi idealizada pela Confederação da Agricultura do Brasil (CNA) e o Senar, e visa proteger uma nascente em um dia, com cinco passos: identificar a nascente; cercar; limpar a área; controlar a erosão e replantar espécies nativas.
Estratégias de como viabilizar o programa nas cooperativas, metas de número de treinamentos realizados no ano e definição de ações complementares para otimizar os resultados nas propriedades rurais foram debatidas, na última semana, durante reunião no Frigorífico Aurora Chapecó II (Antigo Saic), em Chapecó.  Participaram do encontro os coordenadores do programa de Olho na Qualidade Rural, ação que integra o Encadeamento Produtivo desenvolvido pelo Sebrae/SC em parceria com a Cooperativa Central Aurora Alimentos, Senar, Sescoop, Sicoob, Fundação Aury Luiz Bodanese, Cooperalfa, Itaipu, Auriverde, Coolacer, Copérdia, Caslo, Cooper A1 e Coopervil.
O programa Nacional de Proteção de Nascentes em parceria com as cooperativas será executado pelo Senar/SC, responsável pela contratação dos prestadores de serviço em instrutoria, entrega do material didático e alimentação dos responsáveis. A mobilização dos empresários rurais será feita pelas cooperativas que encaminharão às solicitações de treinamento aos Sindicatos Rurais dos municípios.
De acordo com o coordenador da área de assessorias de filiadas na Aurora Alimentos,Joel José Pinto, neste primeiro momento serão identificados nos programas QT Rural e De Olho os produtores rurais que possuem nascentes e que não estejam protegidas para formar as equipe de capacitação. “Nossa meta para 2016 é de realizar 50 treinamentos, com o resgate de vários mananciais de água. Posteriormente, a ação poderá ser estendida a outros programas como o Leite Legal, Propriedade Sustentável, Suíno Ideal e Frango Ideal”, observou.
No treinamento, com 8 horas/aula, serão apresentados os conteúdos sobre a importância da água, legislação ambiental, segurança e saúde no trabalho, cuidados com o meio ambiente, tipos de nascentes e formas de proteção. “Manter a nascente preservada minimiza os riscos de erosão, poluição ou outros acidentes naturais ou provocados pela intervenção humana. Desta maneira, a preservação é necessária para manter a qualidade, quantidade e regularidade da água, indispensável para a vida e a produtividade”, explica o superintendente do Senar/SC, Gilmar Antônio Zanluchi.
O vice-presidente da Cooperativa Central Aurora Alimentos, Neivor Canton, destacou a importância de empreender o programa no sistema cooperativo. “Essa iniciativa vem ao encontro aos princípios do cooperativismo e agrega aos programas já realizados nas propriedades rurais. Por isso, vamos traçar metas e estimular os parceiros para que assumam esse compromisso, uma vez que água não pode ser vista como problema, mas sim como solução”, argumentou.
Cinco passos
Nas propriedades rurais são desenvolvidas atividades que incluem os cinco passos do programa. Primeiro é necessário conhecer e identificar o tipo de nascente para definir o melhor caminho para sua proteção.
Há três tipos de nascentes: de fundo de vale (brejo), também conhecida como olho d’água, que é proveniente do afloramento à superfície do lençol freático nas depressões do terreno; de encosta pode ser derivada de aquíferos empoleirados e seu fluxo pode ser temporário ou perene; de contato ou anticlinal manifesta-se na superfície, em virtude das falhas geológicas nas ondulações convexas.
O segundo passo compreende cercar a nascente para impedir danos causados por animais, homens ou veículos. Para isso é necessário observar a cobertura de vegetação nativa do seu entorno em até 50 metros. A medida minimiza os riscos de erosão, poluição ou outros acidentes naturais ou provocados pela intervenção humana.
Na terceira etapa faz-se a limpeza da área, com retirada do material excedente (plástico, garrafa, resto de comidas, e plantas invasoras) e cuidado para não expor o solo.
Controlar a erosão é o quarto passo. Existem várias técnicas para impedir que enxurradas soterrem a nascente ou ocorra a compactação exagerada do solo que impeça a infiltração da água. O último passo compreende preparar o terreno e adubar as covas onde serão plantadas as mudas de espécies nativas, que garantirá a estabilidade do solo e a produção com qualidade e em quantidade. Para distribuir as plantas, a melhor técnica é imitar a natureza, reproduzindo a vegetação original. (noticiasagricolas)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Projeto para Redução de Emissões de Gases Estufa

Projeto institui Sistema Nacional para a Redução de Emissões de Gases de Efeito Estufa
Está em análise na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 225/15, que institui o Sistema Nacional para a Redução de Emissões de Gases de Efeito Estufa provenientes do Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+).
Na prática, o Sistema REDD+ vai facilitar o mercado de carbono interno, que pode gerar créditos para a obtenção de financiamentos ou certificados para serem usados na compensação de emissões de gases de efeito estufa (GEE) no território nacional ou em outros países, desde que exista acordo bilateral neste sentido.
Pela proposta, o crédito de carbono vai ser reconhecido pelos Certificados de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (CREDD) – emitido quando comprovada a diminuição de emissão de GEEs. Já a redução de emissões será medida pela Unidade de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (UREDD).
“Com o REDD+, temos a oportunidade ímpar para consolidar as ações de controle do desmatamento nos biomas nacionais e promover a conservação da biodiversidade e do bem-estar das populações que têm na floresta seu meio de vida”, defendeu o autor, Ricardo Tripoli (PSDB-SP).
“No entanto, existe o risco de multiplicação desordenada de projetos com diferentes metodologias e, o que é pior, sem a garantia de que as taxas de desmatamento e degradação florestal tenham de fato decrescido”, alertou.
Tripoli lembra, inclusive, que o País já assumiu o compromisso de reduzir entre 36,1 e 38,9% suas emissões projetadas até 2020. A meta está fixada na Lei 12.187/09, que instituiu a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC).
Articulação nacional
As iniciativas de mitigação e de adaptação às mudanças climáticas previstas no projeto serão realizadas de acordo com a Política Nacional de Mudança do Clima (Lei nº 12.187/09) e de forma a integrar as ações da União, Estados e Municípios.
São elegíveis para as políticas de REDD+, segundo o texto, as áreas florestais situadas em terras indígenas, quilombolas ou de comunidades tradicionais, desde que legalmente reconhecidas; unidades de conservação ambiental; assentamentos rurais da reforma agrária; e propriedades privadas.
O texto ainda prevê a formação de Comissão Nacional para REDD+ com representantes das três esferas de governo, dos povos indígenas, das comunidades tradicionais, da agricultura familiar, de organizações não governamentais e dos setores empresarial e acadêmico. Caberá à comissão decidir como serão distribuídos os recursos gerados da redução de emissões de carbono. A estrutura do colegiado será definida por decreto do Executivo federal.
Financiamento
O Sistema Nacional de REDD+ será alimentado, dentre outras fontes, pelo Fundo Nacional sobre Mudança do Clima; recursos provenientes de acordos bilaterais ou multilaterais sobre clima; doações realizadas por entidades nacionais e internacionais, públicas ou privadas; além dos recursos provenientes da comercialização de créditos de carbono. “O REDD conta, ainda, com grande interesse de investidores privados, que aguardam um arcabouço legal que traga a segurança jurídica necessária”, complementa Tripoli.
REDD+
O conceito de REDD (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação florestal) foi desenvolvido por pesquisadores brasileiros e norte-americanos na proposta “Redução Compensada de Emissões” apresentada durante a COP-9, em Milão, Itália (2003).O objetivo é que os países em desenvolvimento, detentores de florestas tropicais, reduzam suas emissões e sejam compensados financeiramente por isso.
Hoje a ideia foi ampliada para incluir a manutenção e o aumento dos estoques de carbono florestal, assim como o manejo florestal sustentável, entre as iniciativas de barrar as emissões de GEEs, esforço que deu origem à sigla REDD+.
Tramitação
A proposta será analisada de forma conclusiva por comissão especial. (floreste)

ONU propõe limites às emissões do carbono de aviões

Depois de mais de seis anos de negociações e de uma antecipada, mas pouco produtiva Cimeira do Clima de Paris, agência das Nações Unidas para a Aviação apresenta limites a serem implementados até 2028.
Mais de seis anos depois do início das negociações com o setor da aviação comercial em todo o mundo, a agência da ONU para a Aviação apresentou esta semana uma proposta para limitar as emissões de dióxido de carbono dos aviões — mais um numa série de esforços globais para combater as alterações climáticas e reduzir, em larga medida, a emissão de gases com efeito de estufa.
Anunciadas em Montreal, no Canadá, pela agência das Nações Unidas na segunda-feira, as medidas deverão ser totalmente implementadas até 2028 em todos os novos aparelhos de aviação produzidos a partir de 2020.
As companhias aéreas são, neste momento, responsáveis por 2% das emissões globais de carbono, o equivalente à produção de CO2 pela Alemanha. Mas de acordo com especialistas e reguladores, esse número poderá triplicar até meados deste século devido ao crescimento das viagens aéreas previsto para as próximas décadas, aponta o “New York Times”.
O avião, um Boeing 777-200LR/F, foi desviado para uma zona segura do Aeroporto Adolfo Suárez, em Barajas (Madrid).
Medidas e críticas
Uma das medidas propostas é a redução em 4% do combustível consumido por cada avião em velocidade cruzeiro em comparação com os níveis de 2015. Os aviões fabricados e/ou postos em circulação a partir de 2020 que não cumprirem este requisito até 2028 serão retirados de circulação, avisa a agência. Os limites apresentados pela Organização Internacional de Aviação Civil (ICAO) não precisam de aprovação formal do conselho de aviação da organização, composto por 36 nações, para entrarem em vigor. Esta é a primeira vez que o setor da aviação é sujeito a limites de emissões como já acontece nos setores dos transportes terrestres e na indústria automóvel.
Ainda assim, os ambientalistas não estão satisfeitos com o acordo alcançado ao final de seis anos, criticando o facto de as medidas não se aplicarem aos aviões atualmente em uso. De acordo com o “New York Times”, organizações de defesa do ambiente criticam o facto de o acordo ter sido desenhado pela própria indústria de aviação civil, classificando-o como fraco e pouco abrangente.
A confirmar-se a implementação das medidas propostas pela ICAO, espera-se que as emissões de dióxido de carbono pelos aviões sejam reduzidas em mais de 650 milhões de toneladas entre 2020 e 2040, o equivalente a retirar 140 milhões de carros de circulação por ano. Os números são da Casa Branca, que em comunicado aplaudiu o novo acordo de redução de emissões de carbono.
O anúncio pela ICAO surge dois meses depois da Cimeira do Clima de Paris, que ensombrada pelos atentados de novembro na capital francesa e pela visível falta de vontade de alguns líderes, resultou num acordo apressado para substituir o Protocolo de Quioto. (floreste)

Limites às emissões de carbono de aviões

Agência da ONU propõe limites às emissões de carbono para aviões
Companhias aéreas são responsáveis por cerca de 2% das emissões globais de carbono.
Depois de mais de seis anos de negociações, líderes da aviação global concordaram sobre os primeiros padrões mundiais de emissões de dióxido de carbono para os programas de fabricação de novas aeronaves, informaram duas fontes familiarizadas com o assunto. As novas regras propostas, anunciadas em Montreal pela Organização Internacional de Aviação Civil (Icao), agência das Nações Unidas especializada em aviação, seriam aplicáveis a todos os novos aviões entregues após 2028.
O acordo é o mais recente de uma série de esforços internacionais para combater as alterações climáticas. Até agora, os aviões não tinham sido incluídos em qualquer pacto internacional sobre mudanças no clima, como o recente Acordo de Paris ou o Protocolo de Montreal, previsto para ser concluído este ano.
As novas normas exigiriam uma redução de 4% no consumo de combustível das novas aeronaves a partir de 2028, na comparação com os modelos atuais. A proposta também define novos limites para os aviões em produção que serão entregues depois de 2023. Dependendo do tamanho da aeronave, as reduções reais seriam de até 11%, com um desempenho melhor em aviões comerciais maiores, de acordo com analistas.
Companhias aéreas são responsáveis por cerca de 2% das emissões globais de carbono - mais ou menos como a Alemanha. Mas muitos analistas acreditam que as emissões poderiam triplicar até o meio do século, diante do crescimento esperado nas viagens aéreas nas próximas décadas.
Antes de se tornarem vinculativas, as normas devem ser formalmente aprovadas em junho pelo Conselho da Aviação Civil - composto por 36 Estados membros -, e depois aprovadas pela assembleia do órgão em outubro. A partir daí, cada país deve promulgar a decisão na sua legislação ou regulamentação nacional.
As novas normas, no entanto, não se aplicam a aeronaves existentes em operação, fato criticado por ambientalistas. (biodieselbr)

EUA suspende plano de corte de emissões poluentes

Supremo dos EUA suspende plano de corte de emissões poluentes proposto por Obama
O Supremo Tribunal dos Estados Unidos suspendeu em 09/02/16 um ambicioso programa de redução de emissões poluentes por centrais térmicas proposto pelo presidente norte-americano, Barack Obama.
A intervenção da mais alta instância judicial dos Estados Unidos foi requerida por 27 estados – a maioria governada pelo partido Republicano -, que contestam o programa de promoção de energias limpas, assumido por Obama como um dos pilares de sua política de combate às alterações climáticas.
A decisão suspende a aplicação do Clean Power Plan (Plano da Eenergia Limpa), concebido pela Agência de Proteção ambiental (EPA) dos Estados Unidos e que impõe às centrais elétricas reduções drásticas das emissões de dióxido de carbono (um dos principais agentes do efeito estufa), de 32% até 2030, em relação aos níveis de 2005.
Por cinco votos a quatro, o Supremo norte-americano decidiu manifestar publicamente o seu desacordo com a decisão. (ecodebate)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Incentivo aos paulistanos para colaborar com ar mais limpo

Campanha incentiva paulistanos a colaborar para um ar mais limpo
Você sabia que viver no município de São Paulo equivale a fumar 1.460 cigarros por ano?
E que em apenas dois anos mais de 20 mil crianças e 8 mil idosos foram internados por problemas respiratórios relacionados à poluição atmosférica? Esses dados foram divulgados pelo Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da USP e mostram a importância de cuidarmos do ar de nossa cidade.
É por isso que o Movimento Respirar e a Controlar estão engajados em uma campanha para incentivar os moradores da cidade a ter um estilo de vida mais sustentável e também a evitar a emissão de poluentes na atmosfera.
A campanha "São Paulo merece um ar mais limpo. Levante essa bandeira" pretende conscientizar todos os paulistanos dos malefícios da poluição e orientar sobre as diversas maneiras de contribuir para uma São Paulo mais saudável.
No site da campanha (www.spmereceumarmaislimpo.com.br), todos terão acesso a dicas e iniciativas práticas para evitar a poluição do ar. Vídeos e depoimentos de especialistas mostram como todos podem contribuir para um ar mais limpo. "Os veículos são responsáveis por 97% da poluição do ar em São Paulo. Então, para cuidar do ar, temos que mudar nossos hábitos de transporte", afirma o presidente da Controlar, Harald Peter Zwetkoff.
Outra iniciativa é a instalação de bandeiras brancas nos centros de inspeção. Expostas ao ar livre, cinco dessas bandeiras estão sendo monitoradas 24 horas por câmeras de vídeo e as imagens podem ser acessadas ao vivo pelo site da campanha.
"As pessoas poderão acompanhar online os efeitos da poluição nas bandeiras. É uma forma de sensibilizar a população sobre o problema", destaca Zwetkoff.
Todo cidadão terá a oportunidade de participar dessa luta postando fotos e vídeos que retratem esse grande problema enfrentado por todos que circulam na cidade de São Paulo. (controlar)

São Paulo merece um ar mais limpo

Um caminho a ser seguido, mais rápido e de forma paralela à substituição dos ônibus, é o incremento do uso de biodiesel em misturas no diesel mineral.
Está nas mãos da Prefeitura de São Paulo implementar uma legislação de 2009 que diz respeito ao uso progressivo de biocombustíveis na frota municipal de ônibus.
Com uma população estimada em cerca 12 milhões de habitantes e milhares de pessoas que buscam diariamente a cidade para lazer ou negócios, é fácil concluir que há um conjunto enorme de cidadãos que podem ser beneficiar de um ar de melhor qualidade!
A melhoria da qualidade do ar da cidade passa necessariamente pelo enfrentamento do problema da mobilidade urbana, o qual tem sido o centro de importantes debates nos últimos anos.
Para superar os desafios desse segmento, tornou-se imprescindível recorrer de forma mais acentuada aos meios públicos de transporte de massa.
A melhoria da rede pública de transporte, contudo, não pode depender da expansão da rede de trens e metrôs no curto prazo, visto que essa opção esbarra no elevado capital necessário para sua instalação e aquisição de veículos.
A alternativa é o uso mais intenso e inteligente de ônibus, pois seu custo de aquisição é relativamente baixo e este meio de transporte possui a flexibilidade necessária para atender às diversas demandas por deslocamento na cidade.
Nesse sentido, uma das formas de avançarmos nessa questão é a gradual substituição de veículos antigos por modelos mais novos, com motores mais eficientes e menos poluentes.
Porém, a legislação da cidade prevê idade máxima de dez anos e média de cinco anos, o que torna lenta a substituição de veículos.
Outro caminho a ser seguido, mais rápido e de forma paralela à substituição dos ônibus, é o incremento do uso de biodiesel em misturas no diesel mineral.
A Lei Municipal nº 14.933, de 2009, prevê em suas diretrizes (Art. 3º, III) que a política municipal de mudança do clima deve promover o “uso de energias renováveis e substituição gradual dos combustíveis fósseis por outros com menor potencial de emissão de gases de efeito estufa”.
A lei define que os transportes são variáveis-chave para a melhoria da qualidade do ar e combate ao efeito estufa e estabelece que as políticas de mobilidade urbana devem observar o uso de combustíveis renováveis (Art. 6º, caput, II, a, e IV, a).
Sua orientação é clara ao determinar que, a partir de 2009, o município deveria adotar a meta progressiva de 10% ao ano de biocombustíveis na frota municipal de ônibus do sistema de transporte público, chegando a 100% em 2018 (Art. 50, caput). Deveríamos iniciar 2016, portanto, com 80% de biocombustíveis nos ônibus.
É evidente que, atualmente, a lei municipal não está sendo cumprida, pois nem mesmo os cerca de 1.200 ônibus movidos a mistura de 20% de biodiesel estão em operação.
Com isso, perde a população em qualidade de vida, pois é obrigada a respirar um ar com emissões de hidrocarbonetos, monóxido de carbono e materiais particulados muito superiores aos que prevaleceriam caso houvesse uso maior de biodiesel.
É possível e necessário reverter esse quadro! A indústria de biodiesel tem plena capacidade técnica e industrial para atender imediatamente às necessidades do município e o produto é competitivo com o diesel mineral.
A indústria convida a Prefeitura de São Paulo a discutir abertamente a retomada do uso de combustíveis renováveis na frota municipal com o estabelecimento de compromissos, metas e cronogramas.
Sem dúvida, é um assunto que interessa às autoridades, que têm trabalhado em prol do transporte público, e dos cidadãos, que merecem respirar um ar mais limpo.
Tome-se como exemplo a decisão de Londres de usar 20% de biodiesel em 1/3 dos ônibus da capital inglesa, o que atingirá cerca de 3.000 veículos, ou de Curitiba, que adotou o B100 em parte da frota municipal de ônibus.
Ter mais bicombustíveis circulando por São Paulo significa ar mais puro, transporte mais eficiente e mais saúde para os cidadãos! (biodieselbr)

Fumaça de queimadas toma conta do céu de Manaus

Fumaça em Manaus.
A Secretaria de Meio Ambiente do Amazonas informou que a fumaça acumulada no céu de Manaus é procedente de queimadas em municípios próximos. Em janeiro foram registrados 108 focos de incêndio em 28 cidades. O município de Barcelos concentrou a maioria das ocorrências, com 30 focos.
O secretário do Meio Ambiente, Antonio Stroski, disse que “o quadro é incomum nesta época do ano e as causas estão sendo investigadas”. Ele disse que possíveis autores de queimadas podem ser responsabilizados.
Segundo ele, a direção dos ventos no sentido de Norte a Nordeste, associada à umidade relativa do ar de 59%, favoreceram a chegada e acúmulo de fumaça em Manaus. Outro fator é a velocidade dos ventos que está em 18 quilômetros por hora, o que dificulta a dissipação da fumaça.
O boletim climático do Sistema de Proteção da Amazônia, para o primeiro trimestre de 2016, indica chuvas abaixo da média no leste e no centro do Amazonas. (ecodebate)

Pequim fechará 2,5 mil empresas poluidoras de ar em 2016

Poluição na China
Autoridades de Pequim anunciaram em 09/01/16 a intenção de fechar este ano 2,5 mil pequenas empresas para tentar reduzir a poluição do ar, que obrigou à declaração dos primeiros alertas vermelhos em dezembro.
A China estabeleceu também o objetivo de reduzir em 500 mil toneladas anuais o consumo de carvão nos seis distritos que circundam a cidade de Pequim. As medidas incluem ainda o fechamento de todas as caldeiras alimentadas a carvão na cidade até 2020, segundo informou a agência oficial chinesa Xinhua. As empresas poluidoras que serão fechadas este ano localizam-se em quatro distritos, um na cidade e três na periferia.
Segundo a informação divulgada, Pequim está eliminando progressivamente os grandes focos de contaminação do ar, como as centrais de produção elétrica alimentadas a carvão, mas, ao mesmo tempo, foram proliferando pequenas fontes de poluição.
O anúncio das autoridades chinesas ocorre quando o Centro Nacional de Controle Ambiental emitiu novo aviso de forte contaminação do ar na região de Pequim-Tianjin-Hebei para 12 e 13/01/16.
Segundo dados oficiais, em 2015 Pequim registou média de 80,6 microgramas de partículas finas PM2.5 (das mais prejudiciais para a saúde) por m3, ou seja, 1,3 vez mais que o limite permitido na China. A Organização Mundial da Saúde, mais exigente, recomenda média máxima de emissão de PM2.5 de 25 microgramas. (ecodebate)

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Fósforo, a próxima guerra? Depois da água, claro!

Nos últimos séculos, especialmente após a revolução industrial, os recursos naturais do planeta sofreram intensa exploração pelo homem. Isso se deve ao aumento explosivo da população humana e à mudança de seus hábitos. Hoje a população mundial passa de sete bilhões de indivíduos, com estimativa para 2100 de onze bilhões, de acordo com o artigo publicado na revista Science “World population stabilization unlikely this century”, sendo que essa população consome milhares de toneladas de alimentos e outros recursos diariamente.
Para suprir a crescente demanda mundial por alimentos, a produção agrícola de vários países entrou na fase da agro industrialização, deixando para trás o padrão extensivo tradicional e assumindo um padrão intensivo, no qual a produtividade tornou-se a principal fonte de lucratividade.
Surge assim uma agricultura mecanizada onde as características físicas do solo são mais importantes que as químicas, ou seja, o solo deve funcionar como um bom suporte para as plantas, capaz de sustentar as lavouras e ainda tornar possível a mecanização, sendo, até certo ponto, dispensável uma boa fertilidade natural.
Um bom exemplo dessa situação é a agricultura de larga escala que é praticada no cerrado brasileiro, um dos principais celeiros agrícolas do mundo, mas que só produz com a implementação da adubação e da correção da acidez. Em um artigo publicado em 2012 o renomado pesquisador brasileiro Alfredo Scheid Lopes e colaboradores, estes afirmam que nos solos do Brasil predominam graves limitações para a produção agrícola em termos de baixa fertilidade natural, sendo ainda, ácidos e pobres em nitrogênio disponível (N), fósforo (P), potássio (K), de cálcio (Ca), magnésio (Mg), enxofre (S), boro (B), cobre (Cu), molibdénio (Mo) e zinco (Zn).
Nesse caso, quando o solo não disponibiliza naturalmente os nutrientes em quantidades adequadas, há a possibilidade de elevada produtividade somente com o suprimento dos nutrientes deficitários através de adubação. Nutrientes como fósforo, nitrogênio e potássio são necessários para o crescimento e produção das plantas. O nitrogênio pode ser obtido por meio de fixação biológica ou processos industriais, mas outros nutrientes, como por exemplo, o fósforo é obtido em grande parte através da mineração ou em menor quantidade por reciclagem.
A demanda por fertilizantes no cenário internacional é crescente, em especial pelos fosfatados. A maior procura e a oferta limitada causou um aumento no custo do fosfato de rocha. Em 1961 a tonelada custava cerca de US$ 80 saltando para até US$ 450 em 2008, o preço deste insumo, desde então, têm flutuado, mas agora está em cerca de US$ 700 a tonelada, segundo relatório de 2015 do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
O mundo é altamente dependente do fósforo como nutriente para produção de alimentos, no entanto, estima-se que a maior mina de fósforo dos EUA estará esgotada em 20 anos e um balanço da vida útil das reservas que podem suprir à agroindústria e à população humana estão limitadas a cerca de 60 a 250 anos. Assim, o equilíbrio geopolítico do poder pode ficar abalado quando nações e corporações começarem a competir pelas reservas remanescentes em lugares como Marrocos.
A FAO – órgão das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação acendeu a luz vermelha em fevereiro de 2011 alertando que oitenta países se encontravam em situação de insegurança alimentar. Essa situação pode se agravar, e muito, com a escassez das reservas de fósforo, quando haverá considerável redução na produtividade agrícola em decorrência da falta desse nutriente (vide Lei do Mínimo), principalmente em lavouras de solos tropicais que tem baixas concentrações de fósforo disponível e no decorrer dos ciclos de culturas pode acabar se esgotando.
Surge então uma equação nada fácil de resolver, em que se percebe um cenário global que projeta uma crise de oferta de fósforo, e consequentemente de alimentos, em um futuro não muito distante, podendo culminar em conflitos entre nações pelo domínio das ultimas reservas ou por solos com capacidade produtiva de alimentos.
Será que esse é o destino da humanidade? Padecer por falta de alimento, recorrer a mecanismos como a guerra para garantir a sobrevivência? De acordo com os relatos na literatura existem meios para evitar mais essa tragédia humana. A solução irá exigir um esforço proporcional à magnitude do problema, por exemplo, estudos realizados no Departamento de Ciência do Solo da Universidade Federal de Lavras (DCS/UFLA) procuram uma alternativa para minimizar a necessidade de altas doses de aplicação de fósforo com o uso de bactérias solubilizadoras desse nutriente, enquanto que um outro publicado na renomada revista Nature em 2015 pelo cientista do solo Ronald Amundson e colaboradores apontam que a diminuição das taxas de perda de nutrientes do solo pela erosão hídrica e a reciclagem dos nutrientes são saídas a considerar. Segundo esses autores deve haver parcerias para desenvolver métodos eficientes de reciclagem de nutrientes e sistemas de redistribuição em ambientes urbanos.
Nessa realidade onde a reciclagem é indicada para suprir os nutrientes do solo é aconselhável incentivar o aproveitamento dos resíduos compostáveis e a produção e consumo local de alimentos, uma vez que diminui a demanda por alimentos produzidos pela agroindústria que fatalmente continuará consumindo os fertilizantes das fontes em esgotamento. A reciclagem do fósforo pode ser tomada como a principal saída para contornar a escassez das reservas desse nutriente e evitar a uma grande guerra mundial motivada pela disputa por este recurso.
Outro problema que preocupa nações é a escassez de água potável no mundo. A água doce é uma pequena fração do total existente e uma diminuta parte dessa fração se encontra em rios e lagos, locais onde normalmente o homem usufrui.
A situação fica mais crítica devido à má distribuição espacial e temporal dos recursos hídricos que faz com que algumas áreas sofram permanentemente com a falta de água. Segundo Claudio Hehl Forjaz em seu livro “Água: Substância da Vida” somente 1% da água da Terra é potável, mas a quase totalidade ou é imprópria para o consumo ou está em inacessíveis geleiras.
A água era vista como um recurso inesgotável e ainda dotada de capacidade de autodepuração de todo tipo de contaminante. Esse pensamento levou à poluição e degradação dos recursos hídricos em todos os continentes do mundo, principalmente nos locais mais populosos e que culturalmente tem a água como destino final dos mais diversos resíduos.
Após séculos de utilização da água sem planejamento os recursos hídricos em todo o Mundo sofreram intensa degradação. Nesse contexto surge a preocupação em usar a água de forma sustentável com a proposta de fóruns internacionais para discutir o assunto após a publicação da Carta Europeia da Água, na França em 1968. Os principais eventos que sucederam e que discutiram o uso da água no Mundo foram: a Conferência das Nações Unidas, em Estocolmo, no ano de 1972, a Conferência das Nações Unidas sobre a Água, no Uruguai no ano de 1977 e a Declaração de Dublin, na Irlanda em 1992, esta alertava que a água é um recurso esgotável e vulnerável.
Durante e após esse período de conscientização de autoridades começaram a surgir leis que passaram a proteger os recursos hídricos em diversos países. No entanto, muitas vezes a cultura arraigada de desobediência às leis e a busca pelo crescimento a qualquer custo colocou em segundo plano a proteção ao meio ambiente. Claudio Hehl Forjaz em seu livro afirma que o preço da prosperidade das nações é muito alto, podendo resultar em escassez de água potável. O mundo está prestes a viver uma crise de grandes proporções, podendo levar nações inteiras ao desespero, quando não às guerras.
O texto “Conflitos por causa da água” publicado na ‘Revista Horizonte Geográfico’ em abril de 2008 relata que nos últimos 50 anos foram registrados 1831 casos de disputas por água entre países, sendo que a maioria foi resolvida sem que evoluísse para conflitos armados. No entanto, em muitos locais a guerra pela água se tornou realidade, é o caso de vários países do Oriente Médio, em partes da Ásia, na África, Índia, China, Bolívia etc. A água atrai a cobiça daqueles que não podem obtê-la com facilidade e passa a ser considerada, cada vez mais, como um produto de valor.
Segundo o relatório da Organização das Nações Unidas ONU de 1992, por volta do ano 2020 a carência de água vai afetar 2/3 da população mundial. Essa situação pode se agravar em anos posteriores levando a conflitos armados pelo uso deste recurso.
Com o crescimento da população mundial que passa a demandar cada vez mais água, aliado ao agravamento das mudanças climáticas, há quem diga que se a humanidade enfrentar a III Guerra Mundial será decorrente da disputa por este recurso, considerado por muitos como a maior riqueza do terceiro milênio.
A falta de água potável para abastecimento humano é um problema atual que já se verifica em várias partes do mundo, e que, se não tratado com seriedade e com a aplicação de todas as tecnologias já adquiridas, só tende a agravar, portanto se tiver que ocorrer uma guerra mundial motivada por um recurso escasso, será primeiramente em função da demanda por água potável. (ecodebate)

Reservatórios terminarão o mês com mais de 50% do volume

Reservatórios do SE/CO devem terminar o mês com mais de 50% do volume
Em 19/02/16 o nível de armazenamento do submercado está em 48,8%. Previsão consta da 3ª revisão do PMO.
Os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste devem terminar o mês de fevereiro com mais de 50% do nível de armazenamento. De acordo com a revisão 3 do Programa Mensal de Operação do Operador Nacional do Sistema Elétrico, a previsão é de que os reservatórios do subsistema estejam em 51,3% ao fim do mês. No Sul, a situação é ainda melhor, com perspectiva de encerrar fevereiro com 95,4% do volume. Para o Nordeste e Norte, as estimativas são de 33,1% e de 47,3%, respectivamente.
As afluências no SE/CO para o mês apresentaram recuo de 87% para 85% da Média de Longo Termo. No Norte, a redução foi maior, de 85% para 73% da MLT. Já no Sul e Nordeste, houve melhora nas previsões, passando de 154% para 155% da MLT e de 82% para 88% da MLT, respectivamente. Para a semana de 20 a 26 de fevereiro, as afluências esperadas são de 83% da MLT no SE/CO; 139% da MLT no Sul; 55% da MLT no Nordeste; e 63% da MLT no Norte.
Segundo o PMO, na próxima semana deve ocorrer chuva fraca a moderada nas bacias dos rios Paranapanema e Tietê, e precipitação de intensidade fraca nas demais bacias hidrográficas do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, no Uruguai e no Iguaçu. A bacia do rio Tocantins permanece apresentando chuva fraca isolada. O valor médio semanal do Custo Marginal de Operação dos subsistemas SE/CO, Sul e Norte passou de R$ 1,19/MWh para R$ 1,79/MWh. Já no Nordeste, aumentou de R$ 165,70/MWh para R$ 243,95/MWh.
A carga prevista para o SE/CO e Sul apresentam crescimento de 2,6% e 1,5%, respectivamente. Já para o Nordeste, a perspectiva é de queda de 1,4%. Segundo o ONS, as projeções refletem o baixo desempenho da indústria e a redução observada no nível de atividade do setor de comércio e serviços. Além disso, levam em consideração a expectativa de permanência de temperaturas elevadas nos subsistemas SE/CO e Sul, conforme vem ocorrendo ao longo da primeira metade do mês. No Norte, a taxa de crescimento da carga prevista é de 6,9% e está influenciada pela interligação do sistema Macapá, que, a partir do mês de outubro de 2015, já se encontra totalmente interligado ao SIN.
A geração térmica no período deverá alcançar 10.882 MW médios, sendo 5.000 MWmed por garantia energética. O ONS ainda fez a indicação de despacho antecipado por ordem de mérito de custo para a semana de 23 a 29 de abril das térmicas Santa Cruz, com Custo Variável Unitário de R$ 114,83/MWh, e de Luizormelo, com CVU de R$ 171,31/MWh. (canalenergia)

A água que nós bebemos

Um juiz federal liberou a Samarco de fornecer 2 litros de água diária a cada morador de Colatina, ES, foz do Rio Doce, dizendo que o rio já estaria “potável” 3 meses após a contaminação mineral. Essa empresa, a Vale e a BHP (as controladoras da Samarco) aceitaram acordo de indenização de 20 bilhões (seu lucro anual beirava os 3 bilhões) para recuperar a bacia do Rio Doce num prazo de 10 anos. Quanto tempo leva, afinal, para se recuperar um rio contaminado por resíduos metálicos?
A contaminação da água por metais ocorre em todo o país e é um dos fatores causadores de câncer, embora você não ouça falar disso na mídia habitualmente. Um levantamento de quase 100 rios em 7 estados brasileiros mostrou que apenas 11% se mantém com águas limpas. Esgotos domésticos, efluentes industriais, alguns com metais pesados, poluentes orgânicos persistentes e o lixo das mais diversas origens são fontes de poluição.
O problema dos metais na água, que não costuma se divulgado, é que partículas deles persistem mesmo após os métodos de tratamento desta. É ilusório achar que água tratada recupera sua pureza, pois há resíduos metálicos mesmo após o emprego dos melhores sistemas de limpeza. E são justamente esses resíduos que afetam a sua saúde, contribuindo para um aumento significativo dos casos de câncer nas metrópoles.
A tragédia do Rio Doce deveria servir de alerta para o problema da qualidade da água, para mais além dos casos de contaminação evidentes. Surreal o desconhecimento de um magistrado federal capixaba capaz de acreditar que em poucos meses um rio poderia se recuperar. O problema dos mais de 200 milhões de brasileiros está na contaminação invisível das águas que não estão nas manchetes dos telejornais.
É um progresso debatermos tão abertamente a corrupção quanto as escalações dos times de futebol. Mas nem só de corrupção se mata um povo, de negligência também. Houve negligência por falta de barreiras sanitárias contra o Aedes Aegypte? Com a contaminação de 89% dos nossos rios, está havendo grave negligência nessa área.
Enquanto a água que bebemos não for assunto corrente, enquanto acharmos que as técnicas de limpeza resolvem tudo, enquanto não se divulgam abertamente as correlações entre câncer e outras doenças (como alergias) com a poluição, nossa saúde sofrerá em silêncio. Vivemos esses riscos por uma ignorância coletiva de algo tão fundamental quanto a qualidade da água que nós bebemos. (ecodebate)

Especialista explica a conexão entre estiagem e inundações

Especialista explica a conexão entre a estiagem e as inundações no Brasil
Pesquisadores descobriram que a estiagem em São Paulo teve a mesma raiz que as inundações em Rondônia.
De acordo com especialistas, a estiagem recorde que aconteceu em São Paulo, em 2014, teve a mesma raiz que as enchentes em Rondônia, o que causou prejuízos de cerca de R$ 5 milhões.
O secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, fala sobre o fenômeno: “existe uma conexão entre esse desequilíbrio, o excesso de umidade, no norte do país e a falta de circulação da umidade para o sudeste, agravando a situação de abastecimento de água. É uma situação que reflete, de uma certa forma, o desequilíbrio que viemos observando no mundo inteiro e em várias regiões brasileira, o clima se comportando de uma maneira diferente do que a usual e provocando em determinadas regiões, impactos como secas e estiagens, e em outras regiões, excesso de chuvas, tempestades, inundações, o que provoca transtorno de muitas pessoas”.
Seca na represa do Sistema Cantareira, em São Paulo.
Segundo Carlos Rittl, a umidade que circula sobre a Amazônia, recebe primeiro o vapor de água que vem dos oceanos e se soma a umidade que é circulada pela própria floresta Amazônica, junto com os ventos que circulam na Amazônia, que vem do oceano em direção a oeste e ao chegar na barreira da Cordilheiras do Andes, esses ventos acabam fazendo com que a circulação de umidade, venha do Norte para o Sul, entretanto nos últimos anos, uma massa de calor, sobre o centro-sul do país, impediu que essa umidade circulasse normalmente e ficando presa na região norte.
“Essa massa de ar seco e quente, transformou-se numa barreira para a circulação dessa umidade, na intensidade em que usualmente acontece, ou seja, uma boa parte dessa umidade ficou presa na Amazônia e isso acabou provocando o excesso de chuva e a falta de umidade em outras regiões”, explicou Carlos Rittl.
Há muitas perdas na distribuição de água, a partir da captação dela, atingindo de 30% a 40%, se perdendo ao longo do caminho.
A questão climática só agrava o mau uso dos recursos: “alguns estudos, como o da SOS Mata Atlântica, indicam que em algumas bacias, já se houve mais de 70% de desmatamento, e florestas no entorno de rios e de reservatórios é importante para a qualidade e quantidade de água e a questão climática só agrava o mau uso dos recursos”, alerta o Secretário Executivo do Observatório do Clima.
De acordo com Carlos Rittl, a solução para o problema é a preservação ambiental, garantindo um clima ameno e assegurando o abastecimento de água: “é fundamental que se pare os desmatamentos em regiões de mata atlântica e recuperar as áreas que são importantes”. (ecodebate)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

10 vantagens e algumas desvantagens de um telhado verde

Os telhados verdes estão em voga é trazem muitos benefícios.
Telhado verde é uma técnica usada em arquitetura cujo objetivo principal é o plantio de árvores e plantas nas coberturas de residências e edifícios. Através da impermeabilização e drenagem da cobertura dos edifícios, cria-se condições para a execução do telhado verde.
Confira 10 vantagens e algumas desvantagens dos telhados verdes, a seguir:
1. Novas áreas verdes.
Desde meados da década de 2000, a maior parte das pessoas têm se concentrado nas áreas urbanas, onde há muitas casas, prédios, concreto e asfalto e poucas áreas verdes. Os telhados verdes ajudam a dar uma balanceada entre o concreto e a vegetação;
2. Menos gás carbônico. Ao aumentar a área verde, os telhados verdes sequestram gás carbônico da atmosfera, reduzindo a poluição e o efeito estufa;
3. Isolamento térmico. As condições ambientais de dentro de uma construção ficam mais amenas quando possuem um telhado verde;
4. Limpeza. Telhados normais precisam ser limpos com frequência. Geralmente essa limpeza demanda recursos financeiros como o uso do hidrojateamento, serviço que é contratado em empresas desentupidoras;
5. Cuidados. Apesar de não precisarem de limpeza como um telhado comum, os telhados verdes requerem cuidados que podem ser considerados benefícios, uma vez que o contato com a terra e com vegetais pode funcionar como terapia anti-stress;
6. Acústica. O telhado verde melhora a acústica, impedindo a entrada sons em determinadas frequências;
7. Propaganda. Pontos comerciais podem usar o telhado verde como propaganda, bem como uma maneira de entrar para o time das lojas sustentáveis e ecologicamente corretas;
8. Status. Quando várias residências adotam o telhado verde, a região fica mais valorizada, pois o telhado verde melhora a paisagem;
9. Umidade. Melhora a umidade relativa do ar e, consequentemente, a qualidade de vida;
10. Ecossistema. Atrai pássaros, borboletas e outros animais.
Pois bem, as vantagens são inúmeras. Porém, dentre algumas desvantagens, está o fato de que se o telhado verde não for bem cuidado ele pode atrair pragas urbanas como, por exemplo, o mosquito da dengue. O custo de um telhado verde também é alto, mas pelos benefícios que traz, acaba compensando. Infiltrações e umidade, são outras desvantagens, caso a aplicação do telhado verde seja mal feita.
Portanto, o telhado verde traz muitos benefícios, mas precisa ser muito bem cuidado.
Telhado verde, terraço jardim, cobertura vegetal, ecotelhado, telhado ecológico são vários os nomes dados para esse sistema construtivo tão utilizado pelos admiradores da arquitetura sustentável.
Terraço do Jardim do Palácio Gustavo Capanema projetado por Burle Marx.
Inúmeros exemplos de telhados verdes.
(favpropaganda)

Benefícios dos telhados verdes

Os telhados verdes SkyGarden trazem diversos benefícios não só para os seus usuários, mas principalmente para as cidades. No Brasil, a intensa urbanização ocorrida no último século resultou em grandes metrópoles com poucas áreas verdes e de lazer para os seus habitantes. 
Os telhados verdes tem a capacidade de inserir novas áreas verdes onde antes eram impossíveis, melhorando a vida de toda a população urbana. Em São Paulo, por exemplo, pode haver uma diferença de até 14°C na temperatura entre um bairro arborizado e outro árido, no mesmo dia e horário, fato que resulta em sérios problemas para a qualidade de vida e saúde das pessoas, e que podem ser solucionados com os telhados verdes.
Importante lembrar que os serviços ambientais esperados de um telhado verde só ocorrem com o uso de vegetação convencional, e nunca com plantas suculentas nativas de desertos, como sedum e outras da família Crassulaceae, que apresentam fotossíntese de metabolismo (CAM) e escassos resultados ambientais. Tais plantas, embora utilizadas e nativas nos EUA e Europa, não participam da biodiversidade original brasileira e nem melhoram adequadamente as condições de nossas cidades.
Entre os principais benefícios dos telhados verdes SkyGarden, temos:
1. Retenção da água das chuvas, minimizando as enchentes;
2. Diminuição do efeito “ilha de calor”, e temperaturas urbanas;
3. Absorção da poluição sonora, melhorando o sono das pessoas;
4. Filtragem das partículas suspensas no ar, como a fuligem expelida pela queima de combustíveis fósseis;
5. Criação de espaços verdes agradáveis para o convívio da comunidade local;
6. Novas áreas para o cultivo de alimentos orgânicos, através de hortas e pomares;
7. Reciclagem dos gases tóxicos do ar através da fotossíntese;
8. Umidificação do ar nos meses secos, facilitando a respiração;
9. Abrigo da avifauna nativa, que ajuda também no controle de pragas urbanas como baratas e cupins;
10. Possibilidade de reutilizar a água da chuva ou irrigação, economizando recursos;
11. Aumento da durabilidade da impermeabilização com a estabilidade térmica da cobertura;
12. Economia na energia gasta para o ar-condicionado no último andar;
13. Possibilidade de aumentar as áreas com vegetação nativa regional e a biodiversidade.
14. Criar áreas verdes adaptáveis a prédios já existentes, com baixa espessura, peso e de tecnologia orgânica, sem estruturas derivadas do petróleo. (skygarden)

Pesquisador da Ensp fala sobre os benefícios do telhado verde

A tecnologia é bem simples: o telhado verde consiste basicamente na utilização de recipientes com plantas no topo das residências, com o objetivo de reduzir a temperatura interna do ambiente. Segundo o pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) e engenheiro civil Renato Castiglia, os benefícios são muitos e qualquer pessoa pode fazer um telhado verde.
Em entrevista à Ensp TV, Renato falou sobre como surgiu a ideia do telhado verde, que já é popular em muitos países da Europa. O pesquisador apontou também os benefícios que os telhados verdes podem trazer para o ambiente, como o projeto segue na instituição e de que maneira uma pessoa pode criar o seu próprio telhado verde. (ecodebate)

Cidades sustentáveis e saudáveis, será?

Cidades sustentáveis e saudáveis: microcefalia, perigos do controle químico e o desafio do saneamento universal
Em Nota de alerta, Abrasco diz NÃO às mesmas medidas ineficazes e perigosas e SIM às ações socioambientais transformadoras.
A Abrasco manifesta-se através da atuação dos Grupos Temáticos de Saúde e Ambiente; Saúde do Trabalhador; Vigilância Sanitária; Promoção da Saúde e Desenvolvimento Sustentável e ainda Educação Popular em Saúde, sobre a epidemia de microcefalia. O documento pretende aprofundar reflexões, questionamentos e fazer proposições que possam orientar as políticas públicas na intervenção preventiva frente ao surto.
O crescimento exponencial da epidemia de dengue (em 2015, o Ministério da Saúde registrou 1,649,008 casos prováveis desta virose no país e houve um aumento de 82,5% dos óbitos em relação ao ano anterior). A expansão territorial da infestação pelo Aedes aegypti atestam o fracasso da estratégia nacional de controle. Com o surgimento da epidemia do zika vírus, com repercussões ainda mais danosas ao ser humano, urge a revisão de nossa política e do programa de controle da infestação dos Aedes visando impedir a ocorrência de epidemias por arbovírus.
Vários fatores estão envolvidos na causa dessa tragédia sanitária. Trata-se de um fenômeno complexo. Para a Abrasco, a degradação das condições de vida nas cidades, saneamento básico inadequado, particularmente no que se refere à dificuldade de acesso contínuo a água, coleta de lixo precária, esgotamento sanitário, descuido com higiene de espaços públicos e particulares – são os principais responsáveis por esse desastre.
Observa-se que a distribuição espacial por local de moradia das mães dos recém-nascidos com microcefalia (ou suspeitos) é maior nas áreas mais pobres, com urbanização precária e saneamento ambiental inadequado. Nestas áreas, o provimento de água de forma irregular ou intermitente leva essas populações ao armazenamento domiciliar de água de modo inadequado, condição muito favorável para a reprodução do Aedes aegypti.
Associa-se a isto a debilidade do Sistema Único de Saúde – SUS e do Estado brasileiro para enfrentar este problema. Não há integração entre municípios, estados e União, o que impede a implementação de ações sincronizadas. Defendemos a constituição de estruturas de Vigilância à Saúde, em cada uma das 400 Regiões de Saúde, com unificação de recursos visando planejamento e gestão das ações tanto dos municípios quanto de estados e União.
O enfrentamento destas epidemias necessita de ações que atuem em curto e médio prazo: – Apoio e articulação de pesquisas voltadas para produção de vacinas, com prioridade para o zika vírus; estudos para produzir  conhecimentos da epidemia desta doença, definindo cientificamente seu modo(s) de transmissão, danos ao sistema nervoso, desenvolvimento em escala de testes clínicos, dentre outras inciativas . – Controle da infestação de Aedes, por meio do desenvolvimento de ações imediatas em larga escala de destruição de criadouros e  melhoria das condições socioambientais de nossas cidades. É importante assinalar que estas intervenções urbanas precisam ser realizadas de forma contínua e sistemática, e não como campanhas sanitárias pontuais. O terceiro tipo de ação se refere ao cuidado preventivo e atenção à saúde das pessoas expostas ao risco e infectadas.
O Ministério da Saúde declarou Estado de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional, desencadeando a intensificação do controle do Aedes aegypti pelos mesmos métodos ineficazes e perigosos utilizados há 40 anos.  É preciso problematizar o uso de produtos químicos numa escala que desconsidera as vulnerabilidades biológicas e socioambientais de pessoas e comunidades. O uso de tais substâncias pela Saúde Pública não tem tido efetividade, não diminui a infestação pelo Aedes e provoca danos sérios às pessoas. Os compostos organofosforados e piretroides causam graves efeitos deletérios para o sistema nervoso central e periférico, além de provocarem náusea, vômito, diarreia, dificuldade respiratória e sintomas de fraqueza muscular. No Brasil, municípios e estados têm utilizado estes produtos de maneira desastrosa. Infelizmente, não se produziu ainda consenso sobre o uso destes produtos em Saúde Pública. Agências internacionais de Saúde Pública, como o Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda incluem o uso destes venenos, particularmente larvicidas e fumigação para diminuir a população de insetos voadores.
Preocupa-nos o uso intensivo de produtos químicos sabidamente tóxicos, como o Malathion, um verdadeiro contra senso sanitário. Este produto é um agrotóxico organofosforado considerado pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) como potencialmente cancerígeno para  seres humanos.
No Estado de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional, recentemente decretado pelo Ministério da Saúde, está sendo preconizado o uso de larvicida diretamente nos carros-pipas que distribuem água nas regiões do Agreste e Sertão do Nordeste. Alertamos que esta é a mais recente ameaça sanitária imposta pelo modelo químico dependente de controle vetorial.
A Abrasco questiona: por que não foram priorizadas até agora as ações de saneamento ambiental, estratégia que parece ficar ainda mais distante? O que de fato está sendo feito para o abastecimento regular de água nas periferias das cidades? Como as pessoas podem proteger a água para consumo? Por que apesar de muitas cidades terem coleta de lixo regular, ainda se observa uma quantidade enorme de lixo diariamente presente no ambiente? E a drenagem urbana de águas pluviais? E o esgotamento sanitário?
Nós, sanitaristas e pesquisadores da Saúde Coletiva, reivindicamos das autoridades competentes a imediata revisão do modelo de controle vetorial. O foco deve ser a eliminação do criadouro e não do mosquito adulto. Os Grupos Temáticos da Abrasco desenvolveram estudos e exigem a suspensão do uso de produtos químicos e outros biocidas, com profundas mudanças na operacionalização do controle vetorial mediante a adoção de métodos mecânicos de limpeza e de saneamento ambiental. É necessário proteger a qualidade da água para consumo humano e garantir sua potabilidade.
O amparo às famílias acometidas pelo surto de microcefalia deve ser dado mediante a uma política pública perene, com especial atenção ao pré-natal. Uma agenda de pesquisa deve ser proposta prevendo ampla oportunidade para que grupos interdisciplinares possam aportar novos conhecimentos em uma perspectiva transparente e participativa.
Destaca-se que todas as medidas de controle vetorial devem ser realizadas com ampla mobilização social no sentido da proteção da Saúde Pública, priorizando-se as medidas de saneamento ambiental, e orientadas pelos princípios da Política Nacional de Educação Popular em Saúde.
Não pode ser adotado um discurso de responsabilização unilateral das famílias pelo controle do Aedes, eximindo o poder público de seu dever de realizar uma ampla reforma em curto espaço de tempo: Cidades saudáveis e sustentáveis: este é o desafio urgente. (ecodebate)