domingo, 31 de maio de 2009

Brasil fica em 8º lugar em índice de mudança climática

Levantamento deixou três primeiras colocações vazias para destacar falta de ações 'fortes' contra aquecimento. O Brasil ficou em oitavo lugar no "Índice de Desempenho em Mudanças Climáticas" num levantamento realizado por organizações ambientais e divulgado em Poznan, na Polônia, durante a reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o tema. Para destacar a falta de ações "fortes" para a redução de emissões de gases que provocam o efeito estufa, os autores da pesquisa - a ONG Germanwatch e a Rede de Ação Climática (CAN, na sigla em inglês) - deixaram os três primeiros lugares vazios. A lista começa na quarta colocação, com a Suécia. "As emissões totais de todos os países cresceram mais rapidamente do que nunca", justificou Jan Burck, um dos autores do estudo da Germanwatch. Em quinto lugar, ficou a Alemanha, seguida por França, Índia, Brasil, Grã-Bretanha e Dinamarca. Os últimos dez colocados são Grécia, Malásia, Chipre, Rússia, Austrália, Cazaquistão, Luxemburgo, Estados Unidos e, finalmente, Arábia Saudita. Guinada alemã O índice comparou 12 indicadores de 57 países para avaliar o nível de emissões, a tendência e a política para o clima de cada país. Entretanto, ele não levou em consideração as emissões provocadas pelo desmatamento e pelo uso da terra. Somadas, as emissões dos países incluídos no Índice de Desempenho em Mudanças Climáticas representam 90% da produção de gás carbônico no planeta. "Nenhum único país pode ser julgado satisfatoriamente no que diz respeito à proteção do clima", esclareceu Burck, destacando que a recente mudança de direção na política ambiental alemã não pôde ser incluída a tempo. A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, que até a reunião da ONU em Bali, no ano passado, era vista como uma das principais defensoras de metas de redução ambiciosas, vem afirmando que o combate à crise econômica mundial pode levar o país a rever suas posições. Organizações ambientais aguardam a conclusão do encontro em Poznan na sexta-feira para verificar os impactos da crise econômica mundial nas negociações sobre o clima. No ano passado, os três primeiros lugares na lista ficaram com Suécia, Alemanha e Islândia. Na lanterninha, ficaram Austrália, Estados Unidos e Arábia Saudita.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Agência ambiental dos EUA decide que CO2 é perigo à saúde

Classificação dos gases do efeito estufa como poluentes abre caminho para regulamentação pesada. A Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos decidiu que o dióxido de carbono e cinco outros gases causadores do efeito estufa representam "perigo à saúde e ao bem-estar do público", um enquadramento formal que abre caminho para a regulamentação das formas de poluição ligadas ao aquecimento global. Essa regulamentação teria amplo impacto econômico e social, indo desde a exigência de automóveis mais eficientes à limitação das emissões de CO2 por indústrias e usinas termelétricas, o que poderia levar a uma mudança na matriz energética dos EUA. A EPA anunciará o enquadramento, abrindo um período de 60 dias para comentários antes de tornar a decisão oficial, disseram funcionários do Congresso que foram informados pela agência. A EPA concluiu que a ciência por trás da alegação de que a poluição gerada pela humanidade está por trás do aquecimento global é "convincente e avassaladora". A agência diz, ainda, que as emissões do escapamento de automóveis contribuem para a mudança climática. A decisão da EPA foi provocada por uma decisão tomada há dois anos pela Suprema Corte, definindo que os gases do efeito estufa devem ser considerados poluentes para efeitos de legislação ambiental, e deveriam ser regulamentados pela agência, caso fossem considerados um risco á saúde pública e bem-estar. O governo Bush recusou-se a agir com base na decisão da Justiça, alegando que a legislação sobre poluição atmosférica, a chamada Lei do Ar Puro, não era o instrumento adequado para combater o efeito estufa. Embora o anúncio da EPA nesta sexta-feira indique que a agência não evitará usar a lei do Ar Puro contra as emissões de CO2, autoridades dizem que o órgão preferiria que a questão fosse tratada de forma mais ampla pelo Congresso. O Congresso dos EUA estuda impor limites amplos às emissões de gases do efeito estufa pela economia americana, além de permitir que a indústria negocie direitos de emissão.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Estados Unidos deverão regular emissões de CO2

Decisão que considera gás prejudicial à saúde marca mudança de postura em relação ao governo Bush. O governo americano deverá passar a regular as emissões de dióxido de carbono, após uma decisão anunciada de que o CO2 e outros cinco gases causadores do efeito estufa podem ser prejudiciais à saúde humana. A decisão foi anunciada pela Agência de Proteção Ambiental americana (EPA, sigla em inglês) e marca uma mudança de postura em relação ao governo de George W. Bush. Na época, a EPA afirmava que não poderia regular as emissões porque o CO2 não era um gás poluente. Agora, após a revisão de evidências científicas, a EPA cita alguns impactos que acredita serem provocados pelas emissões de CO2, como o aumento do risco de secas e enchentes, o aumento do nível dos mares, a ocorrência de tempestades e ondas de calor mais intensas e riscos à oferta de água, agricultura e vida selvagem. As novas conclusões da agência "confirmam que a poluição de gases causadores do efeitos estufa é um problema grave agora e para as gerações futuras. Estão em sintonia com a proposta do presidente (Barack) Obama de criação de uma economia de baixa emissão de carbono e uma firme liderança no Congresso sobre energias limpas e legislação climática. E a solução (para esse problema) vai criar milhões de empregos verdes e por fim à dependência de nosso país de petróleo estrangeiro. Há grande expectativa em relação às medidas que serão adotadas pelo governo de Barack Obama na questão ambiental, e países em desenvolvimento já pediram aos Estados Unidos que mostrem liderança nas discussões sobre este tema. Muitos desses países não pretendem cortar suas próprias emissões de gases causadores do efeito estufa a não ser que tenham fortes indícios de que os Estados Unidos estão dispostos a reduzir substancialmente suas emissões. Um projeto de lei sobre redução de emissões de carbono está em tramitação no Congresso, mas a decisão da EPA permitirá à agência determinar alguns cortes sem ter de esperar que os projetos sejam aprovados e transformados em lei. Segurança nacional Segundo a chefe da EPA, os impactos dos gases causadores do efeito estufa serão sentidos desproporcionalmente pelas populações mais pobres ou com condições de saúde mais frágeis, como os povos indígenas. A EPA citou um relatório elaborado em 2007 por um grupo de generais e almirantes de reserva segundo o qual as mudanças climáticas representam "desafios de segurança nacional' para os Estados Unidos. A decisão da EPA irá agora a consulta pública. Grupos ambientalistas afirmaram que a decisão da EPA é o mais recente sinal de que o governo de Obama está adotando uma postura em relação às mudanças climáticas bem diferente daquela de seu antecessor. (A decisão) recupera o papel dos EUA de líder no cenário internacional.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

EUA abrem caminho para regular gases que causam o efeito estufa O governo Obama abriu caminho para a regulamentação das emissões norte-americanas de gases do efeito estufa, ao declarar que esses poluentes ameaçam a saúde e o bem-estar da humanidade. Ambientalistas e seus apoiadores no Congresso comemoraram, enquanto grupos empresariais se mostraram receosos. A Casa Branca disse que o presidente Barack Obama prefere que a regulamentação se dê por meio de lei ordinária, e não por uma ação do Executivo. O Congresso já está avaliando um projeto sobre a redução das emissões de dióxido de carbono, um dos seis principais gases do efeito estufa. Em documento, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) do governo disse que "os gases do efeito estufa na atmosfera ameaçam a saúde pública e o bem-estar da atual e das futuras gerações". A agência afirmou também que as atividades humanas agravam o aquecimento global. Essas conclusões confirmam que a poluição por gases do efeito estufa é um sério problema agora e para as futuras gerações. Felizmente, elas se seguem ao apelo do presidente Obama por uma economia de baixo carbono e uma forte liderança no Congresso a respeito da energia limpa e da legislação climática. O presidente deixou clara sua forte preferência para que o Congresso aprove uma legislação abrangente, em vez de tratar do desafio climático por meio de uma ação administrativa, disse uma fonte da Casa Branca, lembrando que Obama repetidamente propôs "uma lei que forneça soluções de mercado para reduzir a poluição por carbono". O documento da EPA, disponível no site www.epa.gov, diz que as elevadas concentrações de gases do efeito estufa "são o resultado inequívoco das emissões humanas, e são muito provavelmente a causa do aumento observado nas temperaturas médias e de outras mudanças climáticas". Tais conclusões serão essenciais para a regulamentação pelo governo das emissões de poluentes sob a chamada Lei do Ar Limpo. Mas o efeito não é imediato -- haverá um prazo de 60 dias para comentários ao relatório. Enquanto isso, tramita no Congresso um projeto destinado a conter as emissões de dióxido de carbono por meio de um sistema de limites e créditos, o que permitiria que empresas altamente poluentes comprem das que poluem menos o direito de exceder as suas quotas. Cientistas da EPA apresentaram no ano passado provas sobre os efeitos das emissões de gases do efeito estufa sobre a saúde, mas o governo Bush não tomou providências a respeito. A administração anterior era contra um regulamento compulsório que abrangesse diversos setores, alegando que isso prejudicaria a economia norte-americana.

sábado, 23 de maio de 2009

O império do carbono

Eu vi o futuro, e não vai funcionar. Estes deveriam ser tempos de esperança para os ambientalistas. A pseudociência não impera mais em Washington. O presidente Barack Obama foi rigoroso em seus discursos sobre a necessidade de agir a respeito da mudança do clima. As pessoas com quem falo estão cada vez mais otimistas de que o Congresso logo estabelecerá um sistema de permissões negociáveis (as empresas recebem o direito de emitir certa quantidade de poluição e as que atingem a meta de redução antes do prazo podem vender parte da permissão a outras), que limita as emissões de gases do efeito estufa, com restrições crescentes ao longo do tempo. Assim que a América agir, podemos esperar que o mundo siga nossa liderança. Mas ainda resta o problema da China, onde estive a maior parte da semana passada. Como todo visitante, fiquei impressionado com a escala do desenvolvimento no país. Mesmo os aspectos chatos (boa parte do tempo foi gasto vendo a Grande Muralha da pirataria) são subprodutos do sucesso econômico da nação. Mas a China não pode continuar no caminho atual porque o planeta não suportará a pressão. O consenso científico nas estimativas sobre aquecimento global se tornou muito mais pessimista nos últimos anos. As últimas projeções climáticas de cientistas confiáveis na área se aproximam da visão apocalíptica. Por quê? Porque o crescimento da taxa das emissões de gases poluentes iguala ou supera os piores cenários. E a expansão das emissões da China – já é o maior produtor de dióxido de carbono do mundo – é a principal razão desse novo pessimismo. As emissões chinesas, provenientes principalmente das usinas que queimam carvão, dobraram entre 1996 e 2006. E a tendência parece continuar. Em janeiro, a China anunciou planos de manter o carvão como principal fonte de energia, e para alimentar a expansão econômica, elevará a produção do mineral em 30% até 2015. É uma decisão que, por si só, neutraliza todas as reduções de emissão em outros lugares. Então, o que deve ser feito quanto ao problema da China? Nada, dizem os chineses. Cada vez que levantei a questão na minha visita, fui confrontado com declarações indignadas de que seria injusto esperar que a China limitasse o uso de combustíveis fósseis. Afinal, afirmaram, o Ocidente não teve de lidar com restrições semelhantes durante o seu desenvolvimento. Mesmo que a China possa ser a maior fonte de emissão de dióxido de carbono do mundo, suas emissões per capita ainda estão muito abaixo dos níveis norte-americanos. E de qualquer forma, a grande parte do aquecimento global que já ocorreu não é responsabilidade da China, mas sim das emissões de carbono do passado feitas pelas nações hoje ricas. E eles estão certos. É injusto esperar que a China viva com restrições que não precisamos enfrentar. Mas essa injustiça não muda o fato de que deixar a China repetir o desperdício do Ocidente no passado acabaria com a Terra que conhecemos. Os chineses insistem também que não deveriam ser responsabilizados pelos gases poluentes que emitem quando produzem bens para consumidores estrangeiros. Mas se negam a aceitar a implicação lógica dessa visão – que a carga deveria recair, então, sobre os consumidores estrangeiros, que os compradores de produtos chineses deveriam pagar uma “tarifa de carbono” que reflete as emissões associadas com a produção desses bens. Isso, dizem os chineses, violaria os princípios do livre comércio. De qualquer forma, o problema com a China não é tanto o que produz, mas como produz. A China emite mais dióxido de carbono do que os EUA, embora seu Produto Interno Bruto (PIB) seja apenas cerca da metade (e os EUA, por sua vez, são um superemissor se comparados com a Europa e o Japão). A boa notícia é que a ineficiência na utilização da energia chinesa oferece um enorme espaço para melhorias. Com as políticas corretas, a China poderia continuar crescendo rapidamente sem aumentar as emissões de carbono. Há indícios de que as autoridades do país estão começando a perceber que a posição atual é insustentável. Mas suspeito que eles não enxergam o quão rapidamente todo o jogo pode mudar. Quando os EUA e outros países avançados se mobilizarem para enfrentar a mudança climática, também estarão com poder moral de confrontar as nações que se recusam a agir. Mais cedo do que a maioria das pessoas pensa, países que se negam a limitar a emissão de gases poluentes irão enfrentar sanções, provavelmente em forma de taxas sobre as exportações. Irão reclamar amargamente que isso é protecionismo, mas, e daí? Globalização não funciona se o mundo ficar inabitável. É hora de salvar o planeta. E gostem ou não, a China terá de fazer sua parte.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Criação de reserva ambiental é lenta

Não basta instalar áreas de conservação, mas é necessário também protegê-las. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, encarou com naturalidade a lentidão da Casa Civil em criar cinco novas unidades de conservação ambiental por causa do interesse do Ministério de Minas e Energia em explorar economicamente as regiões. "Quanto mais pesquisa, ecoturismo, e, em alguns casos extrativismo, melhor defendida a reserva estará", disse ele, depois de participar de solenidade de lançamento de carros elétricos na sede da distribuidora de energia Ampla, na região Metropolitana do Rio. Conforme o Estado noticiou ontem, pelo menos nove processos de criação ou ampliação de novas unidades de uso sustentável e de proteção integral estão parados na Casa Civil. Oficialmente, o Ministério de Minas e Energia (MME) afirmou que ainda realiza estudos em três áreas onde podem ser criadas a Reserva Extrativista (Resex) Renascer, no Pará, a Resex Baixo Rio Branco/Jauaperi, entre Amazonas e Roraima, e o Refúgio de Vida Silvestre Rio Tibagi, no Paraná. Outros dois processos, de ampliação - o Parque Nacional do Pau Brasil e a Resex do Ciriaco -, foram liberados pelo MME. Segundo a Casa Civil, que medeia o processo, os processos ainda estão em análise pelos ministérios envolvidos. "O processo de criação de uma reserva exige uma conversa com os governos e com (o Ministério de) Minas e Energia. Em algumas o MME diz que há minério, então estamos vendo se tem ou não. Numa delas tiramos um pedacinho, demarcamos áreas que não incompatibilizem a construção de uma hidrelétrica, (analisamos) se os seringueiros, os castanheiros estão usando para o extrativismo", afirmou Minc. "Isso realmente é lento." Ele ressaltou que, em quase um ano no ministério, conseguiu aprovar a criação de 5 milhões de hectares de reserva e que, no dia 5 de junho de 2.009, Dia Mundial do Meio Ambiente, o presidente Lula assinará decretos criando duas novas unidades de conservação, na Bahia e no Ceará. De acordo com o ministro, não basta criar reservas, é preciso protegê-las. Ele afirmou que, ao assumir a pasta, 52 unidades de conservação não tinham nenhum funcionário e que, das 56 reservas extrativistas, só três tinham plano de manejo. Na verdade, o quadro levantado pelo MMA no ano passado era ainda pior: das 299 unidades existentes, 173, ou 58%, não tinham fiscalização. Hoje todas elas têm pelo menos dois ou três funcionários e encomendamos cem planos de manejo que estão ficando prontos. O ministério também está firmando convênio com Estados e municípios para a cogestão de áreas de reserva.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Poucos adotam 'selo verde' no País

Certificações servem de instrumento para o consumidor consciente, mas ainda falta disseminar informação Cada vez mais exigidas das empresas e das administrações públicas na hora de fechar contratos ou parcerias, as certificações ambientais ainda são difíceis de ser reconhecidas pelos consumidores brasileiros. Os poucos produtos disponíveis no mercado com o chamado selo verde não trazem informações sobre sua origem com clareza. A diretora de estudos e pesquisa do Procon (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor) de São Paulo, Valéria Rodrigues Garcia, defende que esses produtos devem informar sobre o processo que garantiu o reconhecimento da marca. Ela não se lembra de ter recebido, até hoje, nenhuma reclamação de consumidores sobre a qualidade sustentável de um produto. Mas "nada impede alguém de fazer uma denúncia se desconfiar de algum certificado". Na opinião de Lisa Gunn, coordenadora executiva do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a certificação é um instrumento importante na hora da compra, porque ajuda a identificar produtos de menor impacto ambiental. Mesmo assim, é preciso manter a atenção. O consumidor tem de saber distinguir a autodeclaração da certificação, que envolve uma terceira parte (outra empresa ou certificadora). Também é necessário avaliar se o selo certifica um produto ou indica o sistema de gestão de determinada empresa. Um modelo de gestão sustentável não indica, necessariamente, que o produto comercializado é ambientalmente melhor. Assim como o produto certificado não atesta a gestão sustentável de uma empresa. Alguns setores não têm um sistema padronizado, que ofereça informação confiável ao comprador. A maioria dos produtos, por exemplo, ainda não informa a melhor forma de descartar a embalagem. O Idec elaborou o Manual de Consumo Sustentável, adotado em 2005 como material de referência pelo Ministério da Educação para instruir professores sobre consumo e sustentabilidade. Hoje, o documento guia também vendedores e compradores com consciência ecológica. O site da instituição (idec.org.br) disponibiliza o manual para download gratuito. Para ter ideia do tamanho da demanda por produtos ecologicamente corretos, o Instituto Akatu, que considera o consumidor como agente transformador, realizou em 2006 uma pesquisa com 1.275 pessoas em 11 cidades brasileiras. 33% dos entrevistados foram classificados como engajados ou conscientes. O consciente é o top e entende a questão ambiental inserida no contexto coletivo. Ele compra produtos com certificado, pede nota fiscal e economiza água. O engajado está a caminho do consciente. Catálogo Sustentável A profissional de relações públicas Thaís Cavicchioli, de 21 anos, é uma das consumidoras conscientes que encontraram na internet uma boa fonte de informação sobre produtos. Antes de fazer uma compra, ela consulta o site Catálogo Sustentável (catalogosustentavel.com.br), desenvolvido pelo Centro de Estudos de Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV). No supermercado, é difícil ver se um produto é realmente sustentável. No ar desde abril do ano passado, o site conta hoje com cerca de 560 itens cadastrados, entre produtos e serviços. Todos precisam passar por uma avaliação para entrar na lista. Não consideramos nenhum selo verde que não tenha critérios objetivos. Normatização Até o próximo ano também deve ser publicado outro indicador de sustentabilidade. A Organização Internacional para Padronização (ISO, na sigla em inglês) promoverá um encontro na semana que vem, no Canadá, para produzir a versão semifinal do ISO 26.000. Entre as normas da instituição, esta será a mais sustentável até hoje, porque pretende criar padrões de responsabilidade social. "O tema é complexo. Vai de direitos humanos a governança corporativa, de meio ambiente ao direito do consumidor", diz Aron Belinky, um dos redatores principais do documento, que vai servir como uma guia de diretrizes para melhorar sistemas de gestão, e não um certificado.

domingo, 17 de maio de 2009

Alimento sem agrotóxico deve ser prioridade em saúde

Especialistas destacam valor de estudo que indica vegetais contaminados por defensivos. A preocupação com a segurança dos alimentos deve ser tão importante quanto às apreensões em relação à segurança pública. Essa é a mensagem que especialistas apontam após a pesquisa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que revelou concentrações irregulares de agrotóxicos em determinados vegetais, como pimentões e morangos. Pesquisadores defenderam a continuidade do trabalho e rebateram alegações de que bastaria lavar as frutas para eliminar riscos, além do argumento de que não haveria comprovação sobre a possibilidade de o produto contaminado causar mal à saúde. Segundo afirmam, também não seria verdade que não há problema em utilizar um agrotóxico aprovado para a banana, por exemplo, no pimentão. Essa foi uma das principais irregularidades encontradas pela pesquisa, mas representantes do agronegócio afirmaram que o uso das substâncias em culturas para as quais não estão aprovadas não traria riscos. Essa é uma luta que não para. Ao mesmo tempo em que temos de nos preocupar com a segurança (pública), por exemplo, temos de nos preocupar com o que iremos consumir. A continuidade desse programa é fundamental para o controle fitossanitário dos alimentos. É uma questão de segurança alimentar. A simples divulgação dos dados deve gerar queda do consumo dos piores produtos e estimular o agronegócio a corrigir o uso de agrotóxicos. São cobradas efetivas punição dos infratores. A presença dos agrotóxicos nos alimentos não é visível, o consumidor está indefeso. Mesmo lavar com água e sabão muitas vezes não é suficiente, pois o agrotóxico penetra em frutas e legumes. O professor da UnB, que trabalha diretamente com pesquisas sobre os efeitos de agrotóxicos no organismo, publicou neste ano na revista científica Chemosphere um trabalho que demonstra o risco dos agrotóxicos à saúde. Nós demonstramos em nosso laboratório que o endossulfan (tipo de defensivo) altera a reprodução em organismos aquáticos. Os estudos não podem ser feitos com humanos porque seria crime oferecer produtos sabidamente contaminados a pessoas para um teste. Há na lista da ANVISA, agrotóxicos que estão sofrendo restrições severas em todo o mundo. A ANVISA, no entanto, não conseguiu banir seu uso em razão de liminares obtidas por empresas. USO SEM REGISTRO Sobre o uso de agrotóxicos aprovados para uma cultura em outra produção, ambos são enfáticos: é ruim para a saúde. É desculpa de quem comete infrações às nossas leis, na certeza da impunidade, que enfatiza que o mercado de agrotóxicos do País é o segundo do mundo e tem recurso para fazer registros específicos. Os tempos de degradação dos produtos químicos por cultura são diferentes, daí a impossibilidade de achar que é seguro usar a mesma química em dois produtos. É como se uma pessoa usasse um remédio receitado para outra. O uso de defensivos em culturas para as quais não foram aprovados é "mais que uma questão burocrática ou econômica e representa risco à saúde". O chefe do Serviço de Resíduos e Contaminantes para a Área Vegetal do Ministério da Agricultura, Carlos Venâncio, admite que a prática possa representar risco à saúde, mas afirma que "na grande maioria das vezes isso não acontece. Especialistas dizem, porém, que o consumidor não deve se afastar dos produtos in natura, mas é preciso buscar alternativas, como frutas da época, que precisam de menos defensivos.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Pimentão é o campeão do agrotóxico

Mais de 60% das amostras analisadas tinham índices de defensivos acima do permitido; morango e uva têm 30%. pimentão foi o alimento que apresentou o maior índice de irregularidades para resíduos de agrotóxicos em 2008. Mais de 64% das amostras analisadas pelo Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), apresentaram problemas. O morango, a uva e a cenoura também apresentaram índices elevados de amostras irregulares, com mais de 30% cada. No lançamento dos dados do Programa, nesta quarta-feira (15), em Brasília, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, destacou a importância do trabalho da Anvisa no monitoramento de resíduos de agrotóxicos em alimentos. “No Brasil, a segunda causa de intoxicação, depois de medicamentos, é por agrotóxicos, o que tem uma dimensão importante”, afirmou Temporão, em nota divulgada pela Anvisa. Os problemas detectados pelo Para foram teores de resíduos de agrotóxicos acima do permitido e o uso de substâncias não autorizadas para determinadas culturas. No balanço geral, das 1773 amostras dos dezessete alimentos monitorados (alface, batata, morango, tomate, maça, banana, mamão, cenoura, laranja, abacaxi, arroz, cebola, feijão, manga, pimentão, repolho e uva), 15,28% estavam insatisfatórias. A cultura de tomate foi a que apresentou maiores avanços na redução do índice de irregularidades. Em 2007, 44,72% das amostras de tomate analisadas apresentaram resíduos de agrotóxicos acima do permitido. No último ano, esse número caiu para 18,27%. O arroz e o feijão, coletados pela primeira vez no Programa de 2008, apresentaram índices de irregularidade de 3,68% e 2,92%, respectivamente. Juntamente com a manga, batata, banana, cebola e maçã, esses dois alimentos apresentaram os menores teores detectados. Para reduzir o consumo de agrotóxico em alimentos, a Anvisa recomenda que o consumidor opte por produtos com origem identificada. O programa de análise funciona a partir de amostras coletadas pelas vigilâncias sanitárias dos Estados e municípios. No último ano, as amostras foram enviadas para análise aos seguintes laboratórios: Instituto Octávio Magalhães (IOM/FUNED/MG), Laboratório Central do Paraná (LACEN/PR) e Instituto Tecnológico de Pernambuco (ITEP), nas quais foram investigados até 167 diferentes agrotóxicos.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Cadastro de agrotóxico é burocrático

Estudo da ANVISA detectou a presença de defensivos irregulares nas amostras dos 17 produtos analisados. Os produtores de hortifrúti do País muitas vezes têm de recorrer ao uso de agrotóxicos não permitidos por falta de opção, afirmam especialistas. O cadastro de agrotóxico deve ser repetido para cada cultura e praga. Estudo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) divulgado detectou a presença de defensivos irregulares nas amostras dos 17 produtos analisados. Mas, com exceção da substância encontrada no abacaxi - o ometoato - todas têm o uso aprovado no País para outras culturas. A lei que regulamentou o uso de agrotóxicos no Brasil, em 1989, determinou que os fabricantes de defensivos agrícolas tivessem de realizar um registro diferente para o uso em cada cultura e contra cada praga. Isso representa um custo extra para a empresa, que acaba optando por registrar seu produto apenas para as culturas de maior demanda. Quando a empresa registra um produto, ela também fica responsável por acompanhar a cadeia produtiva e garantir que seu uso seja correto. Isso dificulta o esforço para ampliar o registro, pois muitas vezes não há compensação financeira. A solução seria flexibilizar a legislação, permitido o registro do agrotóxico não apenas para uma cultura de cada vez, mas para um grupo de culturas semelhantes.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Plástico vira tábua ecológica

O material utilizado na produção de sacolas plásticas de supermercado passa a ter outras utilidades que são baratas e ecologicamente corretas Um destino inusitado para o polietileno de baixa densidade, matéria-prima de sacolas plásticas. Através da descoberta do engenheiro químico formado este ano pela Feevale, Diego Rafael Bayer, o material antes poluente e descartado na natureza se transforma em bancos, cercas, floreiras, apoio para os pés e até deck de marina. A pesquisa que iniciou há cerca de quatro anos como um trabalho acadêmico, hoje é desenvolvida sob a coordenação do engenheiro institucionalmente pela Feevale na Oficina Tecnológica no Campus II. O insumo utilizado é descartado por uma indústria de sacolas do Vale dos Sinos e se transforma em um material bastante rígido, ao qual foi apelidado de “tábua ecológica”. Para produzir um quilo da “tábua” é necessário o equivalente a 200 sacolas de plástico. Após passar por um processo, as sacolas se transformam em material bastante resistente, que como conta Bayer, apesar de haver divergências sobre o tempo real da decomposição do material, ele dura seguramente várias décadas. O objetivo é demonstrar para as pessoas, que é fácil e barato reciclar esse material, que existe numa quantidade enorme no meio ambiente. As possibilidades de utilização da tábua ecológica são várias, mostrando-se também um material versátil. Algumas aplicações podem ser conferidas em bancos, floreiras e cadeiras do Campus II da Feevale. Além disso, foram confeccionados também 100 apoios para os pés de funcionários que trabalham sentados, o que contribuiu para a melhoria ergonômica dos postos de trabalho. O sucesso do objeto fez com que o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho da Instituição encomendasse mais 100. Em Angra dos Reis, no litoral fluminense, 4.200 barras do material podem ser vistas em uma marina. Os custos fazem com que as empresas reciclem, transformando custos em ganhos. No entendimento do coordenador do curso de Engenharia Industrial Química da Feevale, Ramon Fernando Hans, "a indústria, além de deixar de gastar com armazenamento dos resíduos, tem um ganho econômico e social ao reciclar e vender aquilo que seria descartado". Hans salienta também que, além de lucrar com o material o meio ambiente é preservando, e ao criar um produto reciclado a empresa está racionalizando matéria-prima. "No caso da tábua ecológica, ela substituiu a madeira das árvores", acrescenta. O assunto da reciclagem passou a rondar os bancos acadêmicos, pelo negocio lucrativo que é. Por isso, na Feevale foi criada uma área específica no tema. Gerenciamento Ambiental e desenvolvimento de matérias-primas fazem parte do curso de Engenharia Industrial Química. O curso que foi implantado em 1999 vem colocando no mercado, profissionais desde 2003. De acordo com Ramon Hans, a oferta de profissionais, porém, é muito baixa em relação à demanda do mercado. "Só se preocupar não basta, as empresas precisam de profissionais capacitados que pensem tecnicamente a gestão dos resíduos", aponta o professor. Ele explica que determinadas idéias que aparentam ser boas podem ter o efeito inverso no meio ambiente, como por exemplo, pegar borracha descartada e misturá-la ao concreto para a construção de casas. Com a água da chuva, a casa pode virar uma usina de poluição, e acabar depositando material tóxico no solo.

sábado, 9 de maio de 2009

Plástico verde

É brasileiro o primeiro plástico feito de cana de açúcar que chegará a nossas casas sob a forma de sacolas plásticas e de embalagens alimentícias. Essa inovação tecnológica além de absorver CO2 da atmosfera, ainda reduz a dependência de matérias-primas de origem fóssil para fabricação de produtos plásticos. A empresa responsável pelo desenvolvimento do polímero (matéria prima para a fabricação de produtos plásticos) “verde” 100% renovável é a companhia petroquímica brasileira Braskem, que tem investido em pesquisa e desenvolvimento (P&D para os íntimos) para ampliar sua participação nesse mercado. Esses polímeros verdes (biopolímeros) são fabricados a partir do etanol da cana de açúcar. Com o etanol a Braskem produz eteno, com tecnologia própria, e a partir do eteno fabrica o polietileno. Como são semelhantes aos polímeros originados do petróleo, os polímeros verdes também não são biodegradáveis (i.e. degradáveis por ação de agentes biológicos), mas são totalmente recicláveis mecanicamente - conversão dos produtos plásticos em grânulos que podem ser utilizados para produção de outros produtos - ou energeticamente - combustão dos resíduos plásticos para obtenção de energia. A vantagem da incineração é que a queima de um quilo de polietileno (resina plástica, cuja maior aplicação encontra-se nas embalagens) produz a mesma energia que a queima da mesma quantidade de óleo diesel. Para cada tonelada de polietileno verde produzido pela empresa, 2,5 toneladas de dióxido de carbono (CO2) são removidas da atmosfera. De acordo com o estudo elaborado pela empresa em conjunto com a Unicamp, o Centro de Tecnologia Canavieira e com a metodologia de análise de eco-eficiência da BASF, esse valor é resultado da diferença entre a quantidade que a cana absorve na fotossíntese (7,4t CO2) e as emissões oriundas na produção do polietileno verde (4,9t CO2). Essa última conta considera a queima dos combustíveis fósseis no transporte para realização da colheita da cana de açúcar, a queima do bagaço para processar o etanol, a desidratação e por fim, a polimerização. Ao contrário do polietileno verde, o polietileno obtido a partir do petróleo e até mesmo outros materiais de embalagem, como o papel, emitem CO2 ao longo de todo o seu ciclo de produção. Em 2007, a empresa obteve o primeiro certificado mundial do polietileno verde idêntico aos originados do petróleo. O desenvolvimento de plásticos com as mesmas características da maioria dos plásticos atualmente utilizados e a sua certificação como produto 100% verde, rendeu à Braskem o prêmio Bioplastics Awards 2007, na categoria Best Innovation in Bioplastics. De acordo com esta premiação, essa nova rota tecnológica coloca a empresa na liderança da produção dos biopolímeros e, ainda, reforça a sua responsabilidade ambiental. Atualmente, a empresa atende mais da metade do mercado nacional de resinas termoplásticas (modeladas quando amolecidas e recicláveis) fabricadas a partir do petróleo. O óleo bruto, ao passar pela refinaria, produz diversos derivados, dentre eles a nafta, que é destinada para a indústria petroquímica - responsável pela fabricação das resinas ou polímeros sintéticos. Esses materiais, em geral em forma de pequenos grânulos (pellets), são levados para a indústria de transformação, onde ocorre a manufatura dos produtos plásticos (embalagens, sacolas, brinquedos, peças de carro etc.) que são utilizados pelos consumidores industriais e residenciais. O novo desafio da Braskem agora é instalar até 2010 uma unidade industrial com capacidade para fabricação anual de 200 mil toneladas de polímeros verdes. Para atender essa demanda, não será preciso ampliar a área de cultivo da cana de açúcar. Não é necessário desmatar e nem roubar área destinada para produção de alimentos. Hoje a plantação de cana de açúcar é de aproximadamente 7 milhões de hectares, bem abaixo da área de pastagem e pecuária com 220 milhões de hectares, sendo que 50% são de áreas degradadas que poderiam ser direcionadas para o cultivo da cana. A produtividade da cana de açúcar cresce 2,5% ao ano no Brasil e produz 6.150 litros de etanol por hectare. Apostar em fontes alternativas ao petróleo, principalmente renováveis, para fabricação de polietilenos que sejam não biodegradáveis está em consonância com a realidade brasileira de disposição final de resíduos sólidos urbanos em aterros e lixões. No Brasil, diante da falta de usinas de compostagem e da indisponibilidade de áreas para construção de novos aterros nos grandes centros urbanos, a reciclagem mecânica se apresenta como uma alternativa sócio-ambiental de destinação final dos resíduos plásticos, contribuindo para aumentar a vida útil dos aterros e agregar valor aos materiais descartados.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Brasil tem o 1º plástico ecológico do mundo

A petroquímica Braskem desenvolveu uma tecnologia para fabricar plástico a partir do álcool. A Braskem anunciou a produção do primeiro polietileno a partir do etanol de cana-de-açúcar certificado mundialmente, utilizando tecnologia competitiva desenvolvida no Centro de Tecnologia e Inovação da empresa. A certificação foi feita por um dos principais laboratórios internacionais, o Beta Analytic, atestando que o produto contém 100% de matéria-prima renovável. O polietileno é o plástico mais utilizado no mundo. Ele é aplicado principalmente nas embalagens de alimentos, produtos de higiene pessoal e na indústria automobilística e de cosméticos. Normalmente, o polietileno é fabricado a partir da nafta, um derivado do petróleo, ou do gás natural. Segundo a Braskem, outras soluções alternativas não usam 100% de recursos renováveis e não têm as mesmas características do polietileno fabricado com o método convencional. A empresa investiu US$ 5 milhões no projeto de pesquisa e desenvolvimento, que começou no fim de 2005. Foram investidos US$ 5 milhões e a expectativa é para que com o final da construção da fábrica (em Triunfo, no RS) e o início das operações será investido algo como US$ 100 milhões. É um divisor de águas no mercado de polímeros do Brasil e do mundo. A solução é competitiva e poderá ser usada já, sem a necessidade de investimento de nossos clientes. Ele acrescentou que os clientes estão dispostos a pagar de 15% a 20% a mais em troca do selo verde. O plástico produzido a partir do etanol tem as mesmas propriedades do plástico produzido a partir de matéria-prima fóssil. Uma das vantagens é que, no processo de fabricação, o plástico feito de etanol é menos poluente do que o tradicional. O plástico de etanol fabricado pela Braskem é o primeiro plástico produzido a partir de matéria-prima 100% renovável. O produto deve estar no mercado a partir de 2009. Plástico verde O polímero verde da Braskem - polietileno de alta densidade, uma das resinas mais utilizadas em embalagens flexíveis - é resultado de um projeto de pesquisa e desenvolvimento que já recebeu cerca de US$ 5 milhões em investimentos. Parte desse montante foi destinada à implantação de uma unidade-piloto para produção de eteno - base para fabricação do polietileno - a partir de matérias-primas renováveis no Centro de Tecnologia e Inovação Braskem, que já está produzindo quantidades suficientes para o desenvolvimento comercial do produto. A liderança da Braskem no projeto do polietileno verde confirma o nosso compromisso com a inovação e o desenvolvimento sustentável e abre perspectivas muito positivas para o desenvolvimento de produtos plásticos feitos a partir de matérias-primas renováveis, um campo em que o Brasil possui vantagens competitivas naturais. Plástico de etanol O projeto entra agora em fase de detalhamento técnico e econômico, e o início da produção do polietileno verde em escala industrial está previsto para o final de 2009. A nova unidade deverá ter tecnologia moderna e escala competitiva, podendo atingir capacidade de produção de até 200 mil toneladas por ano. A produção de plásticos a partir do etanol se destina a suprir os principais mercados internacionais que exigem produtos com desempenho e qualidade superiores, com destaque para a indústria automobilística, de embalagens alimentícias, cosméticos e artigos de higiene pessoal. Avaliações realizadas na fase inicial do projeto constataram um enorme potencial de crescimento e de valorização do mercado de polímeros verdes. Como essas resinas têm o mesmo desempenho e propriedades do produto similar obtido a partir de matéria-prima não renovável, a indústria de manufaturados plásticos deverá beneficiar-se desse importante desenvolvimento sem a necessidade de fazer investimentos em novos equipamentos.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Plástico ecológico - II

O Brasil tem a tecnologia de produção e está prestes a se tornar o primeiro país do mundo a fabricar em escala contínua e comercial o plástico biodegradável a partir do açúcar da cana. Atualmente, uma unidade piloto da PHB Industrial S/A, em Serrana (SP), produz 60 toneladas/ano do produto. A empresa anunciou investimentos de US$ 50 milhões para ampliar a produção para duas mil toneladas anuais. As obras para ampliação da fábrica, anexa à Usina da Pedra, começam em 2007 e o início da produção em escala industrial está previsto para o segundo semestre de 2008. As pesquisas para a produção do plástico biodegradável a partir da sacarose começaram em 1991. A tecnologia foi desenvolvida pelo IPT em parceria com a Coopersucar e licenciada à PHB. A planta piloto da PHB, que pertence aos Irmãos Biagi e ao Grupo Balbo, está em produção desde 1995. De início, fabricava oito toneladas de plástico biodegradável/ano e a partir de 2000, passou a produzir 60 toneladas anuais. A produção tem como destino parte da Ásia, Europa e Estados Unidos, além do Brasil. O produto recebeu o nome de Biocycle (ciclo da vida, em inglês). O plástico biodegradável é utilizado principalmente em embalagens de alimentos e cosméticos, de produtos injetados, como brinquedos, e ainda de produtos termoformados, como potes de iogurte. O produto é obtido por meio de um processo de fermentação: as bactérias se alimentam do açúcar e o transforma em um poliéster natural, o plástico biodegradável. Para as bactérias, esses poliésteres, são uma reserva de energia. A etapa seguinte do processo de produção é a extração e purificação do poliéster acumulado dentro dos microorganismos, por meio do uso de um solvente natural. A principal vantagem do plástico biodegradável é que ele se decompõe rapidamente no meio ambiente, sem causar impacto ambiental negativo. Aos se decompor, ele transforma-se em CO2 (gás carbônico) e água. Não há liberação de resíduos tóxicos e o gás carbônico é resgatado da atmosfera pelas próprias plantações de cana. O plástico biodegradável se decompõe muito mais rápido na natureza: entre seis meses e um ano e meio, dependendo da espessura da peça e do meio em que se encontra. Já os plásticos de petróleo levam mais de cem anos para se degradar. Do ponto de vista químico, os plásticos biodegradáveis são estáveis e precisam estar em meio bacteriológico para a decomposição. Em fossas sépticas, a decomposição chega a 90% em seis meses e em aterros sanitários atinge 50% em 280 dias. Um mercado a ocupar O Brasil produz 4, 213 milhões de toneladas de plásticos por ano, segundo o Plastivida (Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos). Hoje, o plástico biodegradável tem uma participação ínfima nesse mercado. E ainda permanecerá pequena com a ampliação da produção da fábrica de Serrana. As duas mil toneladas que passarão a ser produzidas em 2008 vão corresponder a apenas 0, 047% do mercado nacional. Diversas aplicações do PHB estão em estudo: pinos, filmes, fios, embalagens, vasos para mudas de plantas que normalmente os agricultores deixam no campo, microcápsulas para implante ou ingestão que contenham medicamentos ou hormônios para liberação lenta. O custo e a escala de produção precisam ser ampliados para que se ampliem também seus nichos de aplicação. Os avanços no estudo da produção de PHB permitiram a redução no custo de produção. Quando foram iniciados os primeiros estudos, no início da década de 1990, o custo era de US$ 14/kg e hoje se aproxima de US$ 5. Ainda é um valor muito maior do que o dos plásticos de origem petroquímica, entretanto, não se pode fazer essa comparação porque a produção do PHB ainda está em fase piloto. Quando o celofane foi lançado, também tinha custo elevado, ao contrário de hoje. Além da sacarose, outra matéria-prima proveniente da cana-de-açúcar pode ser utilizada na fabricação do plástico biodegradável: o bagaço. Seu uso para a produção de PHB transformaria um resíduo potencialmente poluente em um material ambientalmente correto e de maior valor agregado, ao passo que a sacarose é um produto bastante purificado e de mercado garantido. O PHB produzido a partir do bagaço é obtido por meio da hidrólise (quebra estrutural) do produto. O bagaço libera então açúcares que fazem parte de sua composição, como a glicose, xilose e arabinose, que podem ser consumidos pelas bactérias utilizadas no processo de fabricação do plástico biodegradável. Bagaço é alternativa A próxima etapa produtiva é a remoção dos compostos tóxicos liberados na hidrólise. Em seguida, o material é submetido a bactérias produtoras de PHB, em condições especiais que permitam a produção do plástico. Este processo foi submetido recentemente a um pedido de patente no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial). O uso do bagaço para este fim foi estudado em um projeto realizado no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) de São Paulo e financiado pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), entre 2001 e 2002. Tem-se feito uma busca em diferentes nichos ambientais, explorando a biodiversidade brasileira para encontrar microrganismos eficientes.

domingo, 3 de maio de 2009

Plástico ecológico

Quem não conhece aqueles copinhos de plástico branco descartados aos montes diariamente a cada vez que se bebe água no trabalho? E as sacolas de supermercado, usadas em dupla para agüentar o peso das compras? Pois é, esse material leva algo entre 200 e 450 anos para se desintegrar e contribui muito com o aumento da quantidade de lixo e a redução das reservas de petróleo, material fonte desse produto. Uma linha de pesquisa do Laboratório de Pesquisa em Físico-Química de Polímeros, da Universidade de Brasília (UnB), acaba de dar um passo importante na busca de soluções para o problema, em um momento em que o mundo se mobiliza em campanhas de redução do consumo de plásticos. Os experimentos já desenvolvidos adicionam o óleo de buriti – derivado de um fruto típico da região Amazônica e do bioma cerrado –, na síntese de compósitos de poliestireno (copos descartáveis) e do polimetacrilato (acrílico). A extração do óleo foi feita pelo pesquisador Sanclayton Moreira, da Universidade Federal do Pará (UFPA). Essa é a primeira vez, na UnB, que um produto natural é misturado a um polímero com esse objetivo. Em 2005 e 2006, os estudos prosseguem em busca de resultados para os testes relacionados ao tempo de degradação do plástico. Há fortes indícios de que é um material com degradação mais rápida que o polímero puro. Entre outros benefícios do estudo também está o desenvolvimento sustentável de várias famílias que vivem da extração manejada do buriti. O resultado da dissertação foi patenteado em setembro de 2004, com o nome de Compósitos Fotoprotetores obtidos a partir do Poliestireno e do Polimetacrilato de Metila dopados com Óleo de Buriti. A mistura desses materiais com o óleo de buriti gerou um produto que absorve a radiação solar e funciona como fotoprotetor. Poderia ser usado na fabricação de óculos escuros, de películas protetoras, em revestimentos de paredes e na fabricação de leds (light emitting diodes), uma peça utilizada em computadores, celulares e semáforos para emitir luz. Outro trabalho desenvolvido no Laboratório é a mistura do amido de mandioca com poliestireno e o óleo de buriti. O material obtido, em várias proporções dos componentes, demonstra fortes indícios de biodegradabilidade, em função da presença do amido e do óleo de buriti, reduzindo assim a quantidade de poliestireno no meio ambiente. Esse trabalho também é inédito.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos – PARA - IV

2.4 - Discussão Os resultados do PARA mostram que, além da utilização de agrotóxicos não autorizados e agrotóxicos com restrições quanto ao modo de aplicação, os mesmos continuam sendo utilizados no campo, pondo em risco a trabalhadores e consumidores. A detecção de resíduos de metamidofós em culturas para as quais o seu uso não é autorizado (alface, arroz, cenoura, mamão, morango, pimentão, repolho e uva) ou está restringido pela ANVISA (tomate de mesa) é um bom exemplo dessa situação. Atualmente, este IA é autorizado somente para tomate rasteiro com fins industriais, por meio de pulverização aérea, tratorizada ou via pivô central, modalidades de aplicação não empregadas na produção do tomate de mesa. O PARA mostra que a aplicação costal continua sendo indevidamente realizada, mesmo sabendo-se que esta modalidade de aplicação gera muito mais risco para a saúde do aplicador. Desta forma, é de extrema importância que os órgãos responsáveis pela saúde, trabalho, meio ambiente e agricultura estejam atentos às condições de trabalho dos agricultores, principalmente daqueles com menos recursos financeiros e menor nível de instrução. Eles são responsáveis por grande parte da produção de frutas, legumes e verduras consumidos no país e, geralmente, estão mais expostos aos agrotóxicos e às intoxicações agudas e crônicas. Resíduos de outros agrotóxicos não autorizados com sérias implicações na saúde humana, como o endossulfam em amostras de batata, mamão, morango, pimentão e uva, e o dicofol em pimentão, também foram detectados. A constatação do uso dessas substâncias organocloradas, no monitoramento de 2008 e anteriores, vieram corroborar a decisão da ANVISA de incluir o endossulfam na reavaliação proposta pela RDC, nº 10 de 22/02/08. Assim o PARA, em 2008, veio confirmar que o uso de agrotóxicos não autorizados (NA) e, em menor proporção, a presença de resíduos acima do limite máximo (LMR) permitido, continuam freqüentes, sugerindo que as BPAs não estão sendo aplicadas pelos agricultores e que medidas mais eficientes devem ser implementadas. Quanto à atuação do consumidor, orienta-se que devem optar por alimentos que tenham a origem identificada, pois isto aumenta o comprometimento dos produtores em relação à qualidade dos alimentos, com a adoção das boas práticas agrícolas, fortalecendo as iniciativas dos programas estaduais e as da rede varejista para o controle das contaminações nos alimentos. O cenário real de contaminação dos alimentos somente é possível através dos procedimentos de amostragem e analítico, onde a íntegra do alimento é objeto da análise. Ressalta-se, entretanto, que os procedimentos de lavagem, retirada de cascas e folhas externas de verdura podem contribuir para a redução daqueles resíduos de agrotóxicos presentes apenas na superfície dos alimentos. Além disso, optar por consumir alimentos da época ou produzidos por métodos de produção integrada, que a princípio recebem de uma carga menor de agrotóxicos, ou consumir alimentos os orgânicos que não utilizam agrotóxicos para serem produzidos também podem reduzir a exposição. 2.5 - Encaminhamentos Como forma de mitigar os riscos, foram propostas as seguintes estratégias: 1. Realizar reuniões nos Estados, com os órgãos de vigilância sanitária e agricultura e os representantes dos supermercados, dos produtores rurais, do Ministério Público e da Sociedade Civil para o estabelecimento de ações conjuntas. 2. Reavaliar ingredientes ativos de importância toxicológica evidenciada pelos resultados do PARA. 3. Dar continuidade às ações de fortalecimento da rede de referência de Laboratórios de Saúde Pública para o monitoramento de resíduos de agrotóxicos nos alimentos. 4. Continuar ampliando o quantitativo de amostras e a diversidade das culturas envolvidas no PARA. 5. Seguir ampliando as estratégias junto aos Estados para a rastreabilidade de produtos in natura. 6. Fomentar a estruturação da assistência técnica rural para aprimorar a qualificação do produtor. 7. Organizar e fomentar ações e campanhas educativas voltadas para todos os atores sociais envolvidos na cadeia produtiva de Frutas, Verduras e Legumes: dos trabalhadores rurais aos consumidores. 8. Elaborar uma versão da nota técnica comentada para ser disponibilizada nas estruturas de divulgação da CGPAN/MS e outros canais de comunicação direta com a sociedade. 9. Incluir as ações do PARA no Plano Integrado de Vigilância e Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos da SVS/MS. 10. Estabelecer parceria com o INCRA, através do Programa de Assessoria Técnica, Social e Ambiental (ATES) da Diretoria de Desenvolvimento de Projetos de Assentamento Rural. 11. Definir as ações a serem desenvolvidas em relação aos ingredientes ativos que apresentaram maior freqüência de irregularidades e para as culturas com grande número de resultados insatisfatórios. 12. Solicitar ao MAPA a adoção de medidas que limitem a importação de agrotóxicos que são encontrados pelo PARA apesar de terem severas restrições internacionais, e cujos níveis de importação estão acima do teto histórico. 13. Fomentar a integração das ações voltadas para o monitoramento de resíduos de agrotóxicos efetuados por diferentes instituições públicas, federais e estaduais. 14. Agilizar a publicação de normas técnicas para as culturas com suporte fitossanitário insuficiente e para os produtos destinados à produção orgânica de alimentos. 15. Integrar regionalmente as ações fiscalizatórias das Vigilâncias Sanitárias e das Secretarias de Agricultura. 16. Informar o Ministério da Agricultura e a Polícia Federal quanto à presença de agrotóxicos proibidos no país, encontrados nas culturas analisadas pelo PARA. 17. Apoiar ações desenvolvidas pela Associação Brasileira de Supermercado (ABRAS) no que tange: a geração de dados e informações sobre o consumo e qualidade de Frutas, Verduras e Legumes (FLVs); a organização de sistemas de “Alerta rápido para acidentes de consumo” objetivando a construção de base histórica de solução de problemas; o estabelecimento de mecanismos que permitam aos Supermercados informar e orientar o Consumidor e o compartilhamento da base de dados sobre monitoramento interno da qualidade de FLVs junto aos órgãos pertinentes; 18. Fortalecer os programas de governo já existentes, tais como: • As ações da Produção Integrada-PI através da divulgação dos benefícios de sua utilização como agricultura sustentável, que profissionaliza o setor, através da adoção de tecnologia e capacitação, acarretando entre vários benefícios a redução da utilização de agrotóxicos nos alimentos e produtos derivados. • Incentivar e aumentar a abrangência de atuação dos projetos SAPI e Orgânicos como parte de políticas públicas, como por exemplo: alimentos de Produção Integrados e Orgânicos na merenda escolar. • Incentivar e apoiar o Programa Pró-Orgânico do MAPA para ampliar a oferta de produtos que não utilizam agrotóxicos.