sábado, 29 de novembro de 2014

Poluição atmosférica

A poluição atmosférica é prejudicial para a saúde humana e o ambiente. Na Europa, as emissões de numerosos poluentes atmosféricos diminuíram substancialmente durante as últimas décadas, conduzindo a uma melhoria da qualidade do ar em toda a região. No entanto, as concentrações de poluentes atmosféricos permanecem demasiado elevadas e os problemas relacionados com a qualidade do ar persistem. Uma percentagem significativa da população europeia vive em zonas, especialmente cidades, onde as normas relativas à qualidade do ar não são observadas: a poluição causada pelo ozono, pelo dióxido de azoto e por partículas em suspensão (PM) comporta sérios riscos para a saúde. Vários países ultrapassaram um ou mais dos respetivos limites de emissão para 2010 relativamente a quatro importantes poluentes atmosféricos. Por conseguinte, a redução da poluição atmosférica continua a ser essencial.
A poluição atmosférica é uma questão que se coloca a nível local, a nível europeu e em todo o hemisfério. Os poluentes libertados num país podem ser transportados através da atmosfera, causando ou contribuindo para a má qualidade do ar num outro local.
Principais fatos e mensagens
Os custos da poluição atmosférica produzida pelas 10 000 maiores instalações poluidoras da Europa orçaram em 102 000 a 169 000 milhões de euros, em 2009. Um pequeno número de instalações foi responsável pela maior parte desse montante: 50% dos custos resultaram das emissões geradas por apenas 191, ou seja, 2% das instalações.
Os poluentes atmosféricos, incluindo partículas finas e substâncias precursoras de ozono, podem percorrer milhares de quilómetros através do ar e chegar a qualquer ponto do continente. Em muitas cidades, a poluição atmosférica só em parte é produzida a nível local.
Hoje, as partículas atmosféricas e o ozono troposférico são geralmente reconhecidos como os dois poluentes que afetam de forma mais significativa a saúde humana. A gravidade do impacto da exposição prolongada e dos picos de exposição a estes poluentes varia, desde os danos causados ao sistema respiratório até à morte prematura. É possível que, nos últimos anos, praticamente 40% da população urbana europeia tenha sido exposta a concentrações no ambiente de partículas grossas em suspensão (PM10) superiores ao limite estabelecido pela UE para a proteção da saúde humana. Praticamente 50% da população que vive em zonas urbanas poderão ter sido expostas a níveis de ozono que excedem os valores-alvo aplicáveis ao ozono na UE. Estima-se que as partículas finas em suspensão (PM2.5) na atmosfera reduzam a esperança de vida na UE em mais de oito meses.
“A poluição atmosférica tem efeitos nefastos para a saúde. Reduz, em média, a nossa esperança de vida em mais de oito meses, ou mesmo em mais de dois anos nas cidades e regiões mais poluídas. É indispensável que os Estados-Membros cumpram rapidamente as normas da União Europeia em matéria de qualidade do ar e reduzam as respetivas emissões de poluentes atmosféricos”. (Janez Potočnik, Comissário Europeu do Ambiente)
A poluição atmosférica provoca igualmente danos no ambiente.
· A acidificação foi substancialmente reduzida entre 1990 e 2010 em zonas de ecossistemas sensíveis da Europa que estavam sujeitas à deposição ácida de compostos de enxofre e azoto em excesso.
· A eutrofização, um problema ambiental causado pela introdução de um excesso de nutrientes nos ecossistemas, registou menos progressos. A superfície de ecossistemas sensíveis afetados pelo excesso de azoto atmosférico diminuiu apenas ligeiramente entre 1990 e 2010.
· A perda de colheitas é causada pela exposição a elevadas concentrações de ozono. A maioria das culturas agrícolas encontra-se exposta a níveis de ozono que excedem o objetivo de longo prazo fixado pela UE para proteção da vegetação. Inclui-se aqui, nomeadamente, uma percentagem significativa de áreas agrícolas, especialmente na Europa do Sul, Central e Oriental.
A melhoria da qualidade do ar na Europa nem sempre tem acompanhado o decréscimo geral das emissões antropogênicas (provocadas pelo Homem) de poluentes atmosféricos. As razões que explicam esta realidade são complexas:
· Nem sempre existe uma relação linear clara entre o decréscimo das emissões e as concentrações de poluentes atmosféricos observados no ar;
· É cada vez maior o contributo do transporte de longa distância de poluentes atmosféricos para a Europa provenientes de outros países do hemisfério norte.
Por conseguinte, continua a ser necessário orientar esforços específicos para reduzir as emissões de modo a garantir uma maior proteção da saúde humana e do ambiente na Europa.
Fontes de poluição atmosférica
Existem diversas fontes de poluição atmosférica, quer de origem antropogénica, quer de origem natural:
· A queima de combustíveis fósseis na geração de eletricidade, nos transportes, na indústria e nos aglomerados domésticos;
· Os processos industriais e a utilização de solventes, por exemplo, nas indústrias química e extrativa;
· A agricultura; 
· O tratamento de resíduos;
· As erupções vulcânicas, as poeiras transportadas pelo vento, a água do mar vaporizada e as emissões de compostos orgânicos voláteis das plantas são exemplos de fontes de emissões naturais.
Políticas da União Europeia
O objetivo da UE em longo prazo consiste em atingir níveis de qualidade do ar que não comportem impactos e riscos inaceitáveis para a saúde humana e o ambiente. A UE atua a diversos níveis com vista a reduzir a exposição à poluição atmosférica: através de legislação; da cooperação com os setores responsáveis pela poluição atmosférica, bem como com autoridades internacionais, nacionais e regionais e organizações não governamentais; e da investigação. As políticas da UE visam reduzir a exposição à poluição atmosférica, mediante a redução das emissões e a fixação de limites e valores-alvo para a qualidade do ar. (eea)

Poluição do ar custa até € 189 bi à UE

Poluição do ar custa até € 189 bi à UE, diz Agência Ambiental Europeia
A poluição do ar, sobretudo proveniente de termelétricas a carvão, teve um custo social de até 189 bilhões de euros (US$ 235 bilhões) em 2012 -- o equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) da Finlândia, disse a Agência Ambiental Europeia (AAE) em relatório publicado em 25/11/14. A agência realiza pesquisas para guiar os reguladores da União Europeia, que estão reconsiderando propostas feitas no ano passado pela Comissão Europeia, o Poder Executivo da UE, para aumentar a rigidez das leis sobre a qualidade do ar.
A AAE analisou o impacto da poluição do ar proveniente da indústria sobre custos de saúde, faltas ao trabalho, danos a edificações, rendimentos reduzidos na agricultura e outros custos, chegando à conclusão de que o custo total pode ter sido de ao menos 59 bilhões de euros e de até 189 bilhões de euros em 2012.
O intervalo amplo reflete as diferentes metodologias de cálculo. A título de comparação, as estimativas ficaram entre 79 bilhões e 251 bilhões de euros em 2008, início do período analisado, entre 2008 e 2012.
Os custos reduziram à medida que legislação ambiental da UE e a redução do ritmo das economias contiveram as emissões de gases poluentes, incluindo dióxido de carbono, óxidos de nitrogênio, óxidos sulfúricos e partículas sólidas, mas os pesquisadores disseram que ser um desafio manter o progresso da redução das emissões em tempos de retomada do crescimento econômico.
Das 30 maiores instalações que o órgão identificou como causando o maior dano, 26 eram usinas elétricas, a maioria a carvão e localizadas na Alemanha e leste Europa.
No fim do ano passado, os regulares da UE apresentaram um projeto de lei para conter a poluição do ar proveniente da indústria e do tráfego de veículos. (biodieselbr)

Emissões podem cair antes da meta

Brasil deve bater meta de emissão de gases antes de 2020.
O Brasil poderá alcançar antes de 2020 as metas autoimpostas de redução das emissões de gases de efeito estufa. Os números mais recentes, relativos a 2012, mostram que as estimativas anuais são inferiores às projetadas em 2009, quando o País assumiu o compromisso. Até agora, o crescimento das emissões é 44% inferior do que seria se não tivessem sido tomadas medidas de controle. A meta estabelecida pelo governo era entre 36% e 39%.
"Não podemos dizer ainda quanto, porque não temos como saber como as emissões vão se comportar, mas as metas devem ser alcançadas antes de 2020", disse o secretário de Políticas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia, Carlos Nobre.
Das quatro áreas em que são medidas as emissões - Energia, Agropecuária, Mudança do Uso da Terra e Florestas, Indústrias e Resíduos - foi o uso da terra que teve a maior redução (87%) por causa da diminuição do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, de 80% e 40%, respectivamente, na comparação com a média entre 1996 e 2005.
Esses números, porém, não incluem o crescimento da área desmatada registrado neste ano e em 2013. Dados do Sistema de Alerta do Desmatamento, operado pelo Instituto Imazon, apontam que em agosto o desmatamento teria alcançado 890 km², aumento de 208% em relação a 2013, e 736 km² em setembro, 66% a mais que no mesmo mês do ano passado. Os números ainda não foram confirmados pelo governo, mas podem influenciar a redução de emissões e a meta autoimposta pelo governo federal em 2009. (OESP)

China assume “tolerância zero” com poluidores regionais

A China vai assumir uma postura de "tolerância zero" em relação a uma ampla gama de violações ambientais e tem prometido tomar atitudes enérgicas contra governos regionais que acobertam poluidores ou impedem inspeções, de acordo com um documento do gabinete central.
Autoridades por toda a China têm sido ordenadas a participarem de um extenso programa de inspeções que deve ser concluído até o fim de 2015, diz um documento sobre as políticas a serem implementadas divulgado no site oficial do governo em 26/11/14.
Poluição na China: autoridades por toda a China tem sido ordenadas a participarem de um extenso programa de inspeções.
Os resultados do programa devem ser divulgados ao público sob uma diretriz de alta transparência e prestação de contas, diz o texto, e qualquer regulação regional de restrinja o cumprimento da legislação ambiental nacional deve ser anulada até junho de 2015.
A qualidade do ar, solo e rios da China tem se apresentado como um dos maiores desafios do Partido Comunista no poder, com uma população cada vez mais próspera relutante em aceitar os custos ambientais de um rápido crescimento econômico.
A China declarou "guerra contra a poluição" este ano e aprovou emendas há muito esperadas à Lei de Proteção Ambiental de 1989, dando poderes às autoridades para monitorar, multar e até mesmo prender contraventores reincidentes.
Na quarta-feira, o gabinete central também aprovou projetos de emenda à lei de poluição do ar chinesa, incluindo multas diárias ilimitadas caso os contraventores não retifiquem os problemas, noticiou o jornal China Daily. Atualmente, poluidores pagam uma multa única de até 200 mil iuans (US$ 32.595). (noticiasagricolas)

Quanto custa a poluição do ar?

Organizações e governos procuram meios para compensar os efeitos nocivos do carbono na atmosfera.
Quanto custa a fumaça que sai do escapamento de seu automóvel? E os gases emitidos pelas fábricas? A fumaça é vista – e sentida – em lugares como Pequim e Cidade do México, quer dizer, é real. Mas é complicado medir e calcular em dinheiro os danos feitos ao planeta, à natureza, às pessoas.
No entanto, cientistas, governos, instituições internacionais e organizações não-governamentais analisam fórmulas (algumas já existentes) para “cobrar por contaminar” ou “colocar um preço nas emissões”, quer dizer, aqueles que poluem devem compensar em termos econômicos o dano que fazem ao ambiente. A ideia é limitar e reduzir as emissões de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global e da mudança climática.
E é vital e necessário, já que novos dados mostram que em 2013, a concentração de gases que provocam o efeito estufa na atmosfera registrou um novo recorde. Se as emissões continuarem no ritmo atual, a temperatura média do planeta subirá e trará graves consequências para o meio ambiente, com problemas climáticos mais frequentes e graves, afetando atividades como a agricultura.
Mas para compensar estas emissões, é indispensável quantificá-las. O mais comum é calcular as emissões de dióxido de carbono (CO2) ou as emissões equivalentes a CO2 de todos os gases que provocam o efeito estufa, incluindo o próprio dióxido de carbono ou o metano, ainda mais contaminante.
Por isso, quando se fala de “comprar” e “vender” emissões que provocam o efeito estufa e a mudança climática, é uma descrição dos “mercados de carbono”.
Questão de preços
Embora o preço que se coloque na emissão de carbono (ou seus equivalentes) não seja igual ao custo real da contaminação, serve para desincentivar as emissões, segundo Neeraj Prasad, gerente de Alianças e Conhecimento sobre Mudança Climática do Banco Mundial. “Com os preços da emissão de carbono, podemos dizer, por exemplo, que a energia produzida com carvão é mais cara que a energia produzida por um painel solar”, explica Prasad.
“Se não somos capazes de estimar (em dinheiro) os danos causados pela mudança climática, há outros mecanismos que podemos usar para determinar os preços que deveríamos usar como indicadores”, declarou Alvaro Umaña, ex-ministro do Meio Ambiente e Energia da Costa Rica no recente Fórum Latino-Americano do Carbono em Bogotá.
Apesar de não ser a região que mais contamina, a América Latina é muito vulnerável às alterações do clima, com secas prolongadas, inundações e tormentas mais fortes e recorrentes. Por isso, alguns governos da região, como em outros lugares do mundo, já estabeleceram vários mecanismos e políticas para desincentivar as emissões.
Um exemplo são os impostos aplicados às emissões de CO2, e variam segundo cada país. No México, por exemplo, um novo imposto sobre combustíveis fósseis está ligado ao conteúdo de carbono no produto: por exemplo, é mais alto para o diesel (12.40 centavos por litro) que para a gasolina magna (10.38 centavos por litro).
De sua parte, na Costa Rica, o arrecadado pelo imposto de 3,5% sobre os combustíveis foi usado para cuidar das florestas. Também existem mercados nacionais de emissões, internacionais, como na União Europeia, e até um mercado global.
Se uma empresa certifica, por exemplo, que emitiu abaixo do limite fixado ou “cap” mediante a implementação de energia renovável, captura de metano, eficiência energética, etc., pode vender seu excedente em um mercado (comercializar ou “trade”) onde outra empresa ou, um governo pode comprar se precisar. Este tipo de mecanismos costuma ser chamados de esquemas de troca de emissões ou “cap and trade”. Este pagamento pode ser utilizado para financiar investimentos “verdes”.
Impacto visível
Ao redor de 40 países e mais de 20 estados e municípios de todo o mundo já implementaram impostos sobre o carbono ou esquemas de troca de emissões. Em 2014, mais de 100 empresas de diferentes países aderiram publicamente (IH1) à proposta de usar o preço do carbono como instrumento de gestão de risco.
Outra fórmula é o pagamento por serviços ambientais que recebem agricultores, comunidades indígenas ou empresas que cuidam do meio-ambiente. Para proteger a natureza, cuidar da biodiversidade ou reduzir as emissões de gases de efeito estufa, pode receber certa quantidade de dinheiro de seu governo.
Este mecanismo é usado na Costa Rica, México, Colômbia e Brasil, com modelos diferentes. Na Costa Rica, por exemplo, os proprietários da terra recebem dinheiro pelas árvores que plantam ou conservam. E dá para notar os resultados: a cobertura das florestas passou de 21% na década dos 80 para 52% em 2012. “Fixamos, com o apoio do Banco Mundial e outros, mais de 90 milhões de toneladas de carbono florestal na última década”, afirma Alvaro Umaña.
Olhando para o futuro
Em 23 de setembro, o secretário-geral das Nações Unidas será o anfitrião da Cúpula sobre o Clima em Nova York. O objetivo é gerar o impulso político para chegar a um acordo global sobre mudanças climáticas até 2015. O tema do preço do carbono será um ponto importante da agenda.
O Grupo Banco Mundial está incentivando empresários e autoridades a registrar seu apoio à Declaração pela Precificação do carbono, a ser lançada na Cúpula. Na declaração, os governos concordam em trabalhar juntos, e as empresas, a trabalhar com os governos. O objetivo em longo prazo é que o preço do carbono seja usado em toda a economia global.
Após a Cúpula da próxima semana, o foco avançará para as negociações jurídicas globais sobre o clima, a serem realizadas em Lima e continuadas em Paris no próximo ano.
Os países podem reduzir as emissões de gases de efeito estufa colocando um preço no carbono, por meio de um esquema de comércio de emissões ou de impostos de carbono. O meio ambiente pode ser protegido por outros métodos, como com o pagamento por serviços ambientais. Independentemente de como for alcançado, é essencial para os países agir contra a mudança climática e transformar as economias de alto carbono em países mais habitáveis, com menos emissões. (ecodebate)

Governo não reconhece dados de emissão de gases do Observatório do Clima

O Ministério do Meio Ambiente informou que a metodologia utilizada pelo Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa (Seeg) para o setor de mudança do uso da terra e florestas é diferente da metodologia oficial de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa no Brasil coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Os dados do Seeg foram apresentados em 19/11 pela organização da sociedade civil Observatório do Clima e apontou crescimento de 7,8% da emissão de gases de efeito estufa em 2013, em comparação com 2012. O levantamento mostra que houve uma mudança de trajetória negativa para o país, uma vez que, de 2011 para 2012, havia sido registrada queda de 4,7%.
“O governo brasileiro, assim como os demais países da Conferência das Partes da Convenção sobre Mudança do Clima, segue as diretrizes do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima. Assim, o levantamento do governo considera as emissões líquidas, contabilizando a remoção de dióxido de carbono da atmosfera feita pela própria floresta. Já o Seeg valoriza os dados brutos, sem considerar de maneira destacada a remoção de gás carbônico das áreas protegidas, que somam mais de 60 milhões de hectares”, diz a nota.
Os dados atualizados das estimativas de emissões de gases de efeito estufa no Brasil foram anunciados em 13/11 de novembro pelo MCTI e mostram uma tendência de redução nas emissões.
“O Ministério do Meio Ambiente considera louvável iniciativas da sociedade civil que, junto com aquelas do governo, colaboram para a construção e aperfeiçoamento de políticas públicas voltadas para mitigar a mudança do clima”, diz a nota ao ressaltar as diferentes metodologias. (ecodebate)

Emissão de gases do efeito estufa cresceu 7,8% no país

Emissão de gases do efeito estufa cresceu 7,8% no país, mostra levantamento do Observatório do Clima
Emissão de gases de efeito estufa cresceu 7,8% no país, mostra levantamento.
A emissão de gases causadores de efeito estufa no país aumentou 7,8% no ano passado, na comparação com o ano de 2012. O levantamento mostra que houve uma mudança de trajetória negativa para o país, uma vez que, de 2011 para 2012, havia sido registrada queda de 4,7%.
Os dados fazem parte do inventário divulgado em 19/11 na capital paulista, pelo Observatório do Clima, uma rede formada por várias organizações da sociedade civil que atuam em mudanças climáticas, entre elas Greenpeace, SOS Mata Atlântica , WWF Brasil  Instituto Socioambiental.
Segundo o estudo, as emissões passaram de 1,46 gigatonelada (Gt) em 2012 para 1,57 Gt em 2013, considerando todo o Brasil. Todos os setores responsáveis pelas emissões apresentaram crescimento, com destaque para o setor da energia (7,3%) e do desmatamento (16,4%).
De acordo com Tasso Azevedo, coordenador técnico do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima, a perspectiva para os setores, que incluem agropecuária, energia, desmatamento, indústria e resíduos (lixo e esgoto), é crescimento na emissão de gases nos próximos anos.
“As projeções baseadas em dados do ano passado apontavam 1,7 Gt em 2020, sendo que a meta era não passar de 2 Gt. A gente refez essa trajetória, conforme o comportamento atual, e ficou em 2,2 gigatoneladas toneladas em 2020”, disse ele.
O estado que mais contribui para a emissão de gases no ano passado foi o Pará, seguido por Mato Grosso, devido ao desmatamento e à atividade agropecuária. Descontados esses dois setores relacionados ao uso da terra, despontam como maiores emissores os estados de São Paulo, Minas Gerais e do Rio Grande do Sul.
A emissão per capita no país foi 7,8 toneladas, uma redução drástica ao longo dos anos, já que, em 1995 a emissão era 18 toneladas per capita. A redução está relacionada com a queda do desmatamento na Amazônia, mas está, ainda, distante do ideal, um patamar entre 1 e 3 toneladas per capita.
De acordo com André Ferretti, coordenador do Observatório do Clima, as emissões brasileiras representam 3% do total das emissões globais. O país tem 2,8% da população do planeta e responde por 5% do território. Os números, para ele, são satisfatórios, já que, em 2004, o país respondia por 6% das emissões mundiais.
“A gente vem mostrando que o Brasil fez um grande esforço e diminuiu as emissões, mas o objetivo do Observatório com essas estimativas é que possamos detectar tendências, e tentar corrigir ou pensar em novas políticas públicas”, declarou. (ecodebate)

Emissões de gases vão cair mesmo sem acordo global

Emissões de gases vão ser reduzidas mesmo sem acordo global.
Especialistas acreditam que pressão dos consumidores e ações da iniciativa privada podem reverter aquecimento do planeta.
O mundo caminha para a redução das emissões de gases do efeito estufa, puxada pelo setor privado e pelos consumidores, independentemente de haver ou não um acordo global entre os 190 países convocados para a Conferência das Partes sobre Mudança Climática (COP21), em 2015. É esse o consenso entre os especialistas que participaram na última semana do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), em Copenhague.
Com o acordo, haverá chance de a temperatura da terra não subir mais do que 2°C até 2100, diante do dado da era pré-industrial. Mas, mesmo sem ele, não baterá na previsão pessimista de aumento de 7,8°C. A elevação deverá rondar os 4°C.
Energia
Geração de eletricidade em usinas térmicas a carvão e a gás tende a aumentar
O cenário não chega a tranquilizar. Tuvalu, país da Oceania, terá boa parte de seu território coberto pelo mar. Áreas agrícolas ficarão salinizadas e impróprias para o cultivo, e a pobreza e a desigualdade tenderão a se acentuar, explica Suzana Kahn, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro do IPCC. 
Mas esse quadro é menos ruim do que o propagado em caso de não haver acordo. Inovações tecnológicas no setor de energias renováveis, reorientação de investimentos e políticas de governos nacionais e subnacionais estão em curso e vão se acentuar nas próximas décadas. Relatório do IPCC divulgado em março deste ano mostra que o atual fluxo financeiro para a redução de emissões varia de US$ 343 bilhões a US$ 385 bilhões por ano. A nova economia verde, de baixo carbono, começa a ser construída, mesmo sem estímulos oficiais.
Suzana estima o aumento de 4°C, sem acordo na COP21, em Paris. A organização ambiental WWF também calcula algo entre 3°C e 4°C a mais, segundo Samantha Smith, líder da Iniciativa Global sobre Clima e Energia. Mas o WWF pondera que a Terra, hoje com mais 1°C do que em 1750, já enfrenta tragédias provocadas por eventos climáticos extremos, como as inundações e a seca. “A agenda de redução vai avançar, empurrada pelo setor privado e pela sociedade. Os governos virão a reboque”, afirma Suzana. “Hoje, não há empresa petroleira no mundo que não esteja trabalhando com a energia renovável. Abu Dabi, nos Emirados Árabes, já atua nessa área.”
Mas, para levar energia limpa a 1,3 bilhão de pessoas no mundo sem acesso à eletricidade e aos 3 bilhões dependentes de carvão para cozinhar e se aquecer, serão necessários investimentos de US$ 72 bilhões a US$ 95 bilhões ao ano até 2030.
Relatório
Ao longo da última semana, o IPCC se reuniu para resumir seus últimos três relatórios sobre a mudança climática. O texto síntese será divulgado neste domingo. Não trará novidades, mas uma linguagem cuidadosamente burilada pelas intervenções de representantes dos governos.
O resumo, em princípio, deverá guiar as negociações globais, que começam em dezembro, em Lima, e devem ser concluídas em Paris, em novembro. Suzana sublinha a importância desse acordo não apenas pelos seus efeitos de mitigação da mudança climática, mas também para a redução da pobreza e da desigualdade e a adoção de políticas de adaptação em países menos desenvolvidos. (OESP)

WWF e Greenpeace e o fim de emissões de gases

WWF e Greenpeace pressionam pelo fim de emissões de gases
Organizações ambientais pedem acordo global para zerar o uso de combustível fóssil, durante painel do clima.
As organizações ambientalistas WWF e Greenpeace começaram a pressionar pelo fim das emissões de gases do efeito estufa causadas por combustíveis fósseis em 2050.
A demanda soma-se a outras pressões como a assinatura de um acordo global sobre redução das emissões em 2015, durante a Conferência das Nações Unidas das Partes sobre Mudança Climática (COP21) de Paris. Mas as organizações ambientalistas querem mais: o acordo deve conter compromissos de adoção imediata, sem carência até 2020, como tem sido ventilado.
“Todo o mundo tem de zerar o uso de combustível fóssil. Essa é a mensagem bem vinda do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC)”, afirmou Kaisa Kosonen, conselheira do Greenpeace, referindo-se aos três mais recentes relatórios elaborados por cientistas.
“Chegou a hora de os governos ouvirem os cientistas do IPCC porque ninguém ficará intocável aos efeitos da mudança do clima. O combustível fóssil deve ser deixado onde está. A energia nuclear e o gás xisto não são opções”, disse Gitte Seeberg, secretária-geral do WWF na Dinamarca.
Tanto o Greenpeace como o WWF participaram nesta semana das discussões em Copenhague do IPCC sobre a montagem de uma síntese dos três relatórios sobre a mudança climática, que será apresentada amanhã. Com linguagem e tópicos revisitados pelos governos, essa síntese tende a servir como base de referência para as negociações globais, que começam no próximo mês em Lima, no Peru.
Baseados em pesquisas científicas, os textos originais do IPCC mostram que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera, atualmente, é a mais alta dos últimos 800 mil anos e já vem provocando eventos extremos, como secas, ciclones, derretimento no Ártico e em geleiras e inundações. Os oceanos, agora mais ácidos, não são capazes de absorver tamanho volume de carbono.
O responsável por esse quadro, acentuou o IPCC, é o próprio homem. Para o período de 2081 a 2100, a temperatura do planeta deverá subir entre 1,0 e 2,8ºC, na previsão mais otimista, e entre 2,8 e 7,8ºC, na mais pessimista. E, para que a temperatura não avance mais do que 2ºC até 2100, será preciso puxar a concentração de dióxido de carbono equivalente na atmosfera para cerca de 500 gigatoneladas. Caso contrário, ilhas e países inteiros podem ser submersos pelos oceanos, inundações afetarão ainda mais as populações costeiras e ficarão comprometidas as reservas de água potável e a produção agropecuária. Espécies e biomas desaparecerão, e a pobreza e desigualdade social do mundo vão aumentar, segundo o IPCC.
A pressa das organizações ambientalistas em ver os compromissos de governos celebrados em 2015 e adotados logo em seguida tem justificativa. “Até 2029, o avanço tecnológico conseguirá compensar os efeitos da mudança climática. A partir de 2030, já não terá essa mesma capacidade”, afirmou Stephan Singer, líder da delegação do WWF no encontro do IPCC em Copenhague. “Se os governos esperarem até 2020 para adotar as primeiras medidas, será tarde demais. Temos de começar agora”, completou Samantha Smith, líder da Iniciativa do WWF sobre Clima e Energia.
Renovável
Segundo Kaisa Kosonen, zerar as emissões geradas pelos combustíveis fósseis em 2050 tende a se tornar menos traumático nos próximos 25 anos, quando os investimentos nesse setor já não serão tão vantajosos. Sigurd Lauge Pedersen, conselheiro da Agência de Energia da Dinamarca, confirmou haver tendência de queda do custo do investimento em energia renovável nas próximas décadas e de aumento, no caso dos combustíveis fósseis. Em 2050, informou ele, 95% da energia disponível no mundo serão renováveis.
“A partir de 2020, não será mais permitida a construção de residências na União Europeia que não sejam neutras em termos de emissões dos gases de efeito estufa”, afirmou Pedersen, referindo-se a recente normativa que previu também a redução de 40% das emissões europeias até 2030. (OESP)

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Massa polar chega ao leste e afeta 200 milhões de americanos

Massa de ar frio chega à costa leste e afeta 200 milhões de americanos
País tem cena de inverno congelante em pleno outono. Frio recorde que atingiu a região central dos Estados Unidos chegou ao nordeste do país.
O frio recorde que atingiu a região central dos Estados Unidos chegou em 13/11 ao nordeste do país, onde fica Nova York. E o inverno ainda nem começou.
Cenas de um inverno congelante nos Estados Unidos em pleno outono. No meio-oeste do país, a tempestade de neve atrapalhou a visibilidade nas rodovias e atrasou voos.
No estado do Michigan, a neve acumulada chegou a um metro, escondeu carros e bloqueou a entrada das casas. Mas houve quem se divertisse com a situação, brincando na neve.
Em Denver, no Colorado, a temperatura caiu para 23 graus abaixo de zero. Uma imagem registrou o flagrante de um caminhão que escorrega na pista e atinge um carro da polícia que prestava ajuda na estrada.
A camada de gelo nas rodovias provocou acidentes graves em todo o país. Um carro capotou e o motorista morreu.
Em 13/11 essa massa de ar frio do Ártico chegou à costa leste dos Estados Unidos afetando 200 milhões de habitantes. Em Nova York, a temperatura à tarde era de 9ºC. O clima estava até agradável se comparado ao resto do país, mas não dava para sair desprotegido na rua. Casacos, gorros, todos saíram do armário.
José Eduardo, que mora em Nova York, já se acostumou com o frio: “Tem que sair, tem que ir para escola”, diz.
Um inverno antecipado que, por enquanto, não expulsou as cores lindas que o outono trouxe para a cidade. (g1)

Frio ártico, neve e temperaturas congelantes em EUA

Frio ártico leva neve e temperaturas congelantes aos Estados Unidos
Cidades do nordeste declararam emergência; sul teve recorde de frio.
Temperatura deixou mais de um metro de neve no oeste de Nova York.
Pessoas tentam tirar o veículo de estrada em Lake Michigan Drive, no Michigan em 18/11.
Neve pesada e temperaturas congelantes varreram os Estados Unidos em 18/11, e cidades do nordeste do país declararam situação de emergência enquanto Estados do sul se preparavam para um frio recorde.
A massa de ar do Ártico que passou pelas Montanhas Rochosas na semana passada chegou ao nordeste e se moverá ao sul à noite, disse o meteorologista do Serviço Meteorológico Nacional, Patrick Burke.
"Praticamente todos, incluindo o sudeste, serão tomados pelo frio", disse Burke.
No oeste de Nova York, uma tempestade despejou 1,2 metros de neve em algumas áreas e levou as autoridades a decretar estado de emergência em três cidades perto de Buffalo, afirmou o procurador-geral estadual, Eric Schneiderman, em um comunicado.
Um trecho de uma rodovia no Estado de Nova York foi fechado por causa da neve, disse a porta-voz do serviço rodoviário, Christina Klepper.
As temperaturas máximas em partes do norte da Pensilvânia e New Hampshire não devem ultrapassar mais do que 15°C, de acordo com o serviço meteorológico, acrescentando que a maioria dos Estados do meio-Atlântico deverá registrar temperaturas pouco acima de zero em 18 e 19/11.
No sudeste e sul, as temperaturas estavam caindo para mínimas incomuns nesta época.
"Eu não aguento mais", disse Robin Roy, de 53 anos, tremendo debaixo de um poncho colorido enquanto fazia compras em um mercado ao ar livre em Gulfport, na Flórida. "Eu nunca gostei do frio."
Mínimas recordes para esta época podem atingir o norte da Flórida ao cair da noite, com temperaturas abaixo de 7 graus Celsius ao redor de Tallahassee e no Panhandle, disse Amy Godsey, meteorologista da Divisão de Gerenciamento de Emergências estadual.
Em Muscle Shoals, no Alabama, perto de Huntsville, a mínima do dia deve chegar a 1 grau, quebrando a mínima anterior nesta época de 3 graus atingida em 1903, segundo o meteorologista do serviço nacional, Stephen Latimer. Huntsville também deve bater o recorde de frio.
Normalmente, esse frio só é visto no fim de dezembro até fevereiro, disse Burke.
Ele disse que a frente fria irá recuar no fim de semana, trazendo temperaturas mais quentes aos Estados Unidos, exceto nas Montanhas Rochosas, no norte, até as Grandes Planícies e Meio-Oeste.
Sally Hawthorne retira a neve da calçada na frente de sua casa em Kalamazoo, no Michigan.
Jerry Delzer tenta retirar a neve da entrada de sua garagem em Depew, NY em 18/11.
Mulher cobre o rosto para proteger do frio perto de Market Street, na Filadélfia. (g1)

Onda de frio atingiu Estados Unidos

Cidades registraram temperaturas abaixo de 0°C.
Muitas pessoas morreram por causa da tempestade em NY.
Uma onda de frio atinge os 50 estados americanos. Em todos eles foram registradas temperaturas de 0ºC ou abaixo de 0ºC. Pelo menos quatro pessoas morreram por causa da tempestade de neve na região de Buffalo, em Nova York.
O inverno no país começa só no dia 21 de dezembro, mas Nova York já está enfrentando temperaturas que só teria no fim de dezembro. Na tarde de 19/11 a temperatura é de -4ºC, mas por causa do vento a sensação térmica é de -11ºC.
A situação é mais complicada na região norte do estado de Nova York. Uma tempestade cobriu de neve a região de Buffalo e algumas áreas já acumulam quase um metro e meio de neve. Segundo autoridades, foi a pior nevasca dos últimos 40 anos. Em 18/11 mais de 100 pessoas ficaram presas dentro dos carros.
O governador de Nova York, Andrew Cuomo, convocou a guarda nacional para ajudar os moradores e decretou estado de emergência. A tempestade deve continuar, pelo menos, até 21/11.
A previsão dos meteorologistas para esse inverno não é boa. Eles dizem que será ainda pior do que o anterior, que foi longo e gelado. (g1)

Controle populacional não resolve mudanças climáticas

Controle populacional não resolve mudanças climáticas, alerta especialista da ONU
O planeta enfrenta enormes desafios ambientais. Alguns afirmam que o controle populacional é a solução do problema. Para o especialista da ONU Daniel Schensul, a medida não vai ajudar em curto prazo.
Daniel Schensul trabalha para o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), como especialista técnico em população e desenvolvimento. Em entrevista à Deutsche Welle, Schensul tenta explicar a complexa relação entre o crescimento populacional e as mudanças climáticas.
Deutsche Welle: Qual é a relação entre o tamanho da população e as mudanças climáticas?
Daniel Schensul: Temos agora cerca de 7,2 bilhões de pessoas em todo o mundo e esperamos um crescimento para 9,6 bilhões até 2050. Nos últimos cem anos, nosso impacto sobre as emissões de gases-estufa tem crescido vertiginosamente, assim como o consumo – multiplicado de certa maneira pelo número de pessoas, mas também pelo crescimento significativo do consumo nos países ricos, da indústria extrativa, de setores baseados em combustíveis fósseis, produção e consumo.
Assim, quando penso na relação entre a população e as mudanças climáticas, sempre tendo a pensar não somente no número de pessoas, mas também na forma como consomem, como produzem e também na distribuição do consumo e da produção por entre a população.
Com o aumento da população mundial, também aumenta a pressão sobre os recursos e sobre o meio ambiente. Isso significa que limitar o crescimento populacional ajudaria a aliviar a pressão sobre os recursos e a segurança alimentar?
Acho que, em longo prazo, é inegável que desacelerar a trajetória do crescimento populacional teria uma influência sobre a forma como usamos os recursos e na quantidade desses recursos. Porém – e este é um grande “porém” – as trajetórias do nosso consumo e do nosso impacto ambiental andaram muito mais rápido do que o crescimento populacional. De certa forma, não é ilimitado, mas cada pessoa pode consumir realmente muito.
Um dos erros comuns ao se pensar a relação entre a população e as mudanças climáticas é confundir uma pessoa com uma unidade de consumo. Nem todo o mundo contribui da mesma forma [para a mudança climática] e alguns contribuem maciçamente. Então, digamos que neste momento haja, provavelmente, uns 2,5 bilhões de pessoas no mundo com renda acima de dez dólares por dia – isso representa consumo que tem algum tipo de impacto significativo sobre o meio ambiente.
Na verdade, esse não é um número muito alto em relação ao total de habitantes do planeta e, na verdade, mesmo entre esses 2,5 bilhões, é muito menor o número dos que consomem mais e determinam muitas das mudanças que estamos vivendo.
Quanto à discussão sobre a relação entre população e mudanças climáticas: que tipos de complexidades ou características populacionais precisam ser considerados?
Nunca devemos olhar somente a população, mais sim: população, consumo e produção, nossa tecnologia e nossa matriz de energia. Isso é o que queremos estabilizar e reduzir. Acho que às vezes é fácil ignorar alguns desses outros elementos e dizer que a coisa difícil demais, que é mais fácil tentar mudar a trajetória populacional. Isso permite a alguns de nós, que consomem muito, continuar consumindo muito e ainda assim encontrar um caminho para a sustentabilidade. Portanto, essa é a maior complexidade.
Eu diria que a segunda é a desigualdade. Nós realmente precisamos considerar como distribuímos nossos recursos ambientais ao redor do mundo. Com o aumento da desigualdade que temos observado, recursos finitos de que dispomos estão sendo usados para enriquecer os que estão por cima. E isso mina nossos recursos para a futura redução da pobreza, assim como a habilidade de continuar a se desenvolver sem criar ou dar continuidade a processos como as mudanças climáticas e outras degradações ambientais.
As conversações sobre como lidar com as mudanças climáticas deveriam se concentrar mais na população?
É interessante; as negociações climáticas, em si, nunca consideraram a questão populacional. Essa tem sido uma questão controversa. E também há tantas dinâmicas políticas complexas entre o Norte e o Sul, sobre onde se localiza o crescimento populacional. Acho que há grandes questões políticas aqui.
Ao mesmo tempo, acho que deveríamos estar bem mais conscientes quanto à importância das questões demográficas para a mudança climática. Isso inclui o crescimento populacional e, em alguns lugares, o declínio populacional. Esperamos um crescimento adicional de 3 bilhões de habitantes urbanos por volta de 2050. A forma da nossa transição rumo a uma sociedade mais urbana realmente vai delinear nossa forma de combater as mudanças climáticas e de nos proteger delas.
Limitar crescimento populacional afeta países não responsáveis pelas mudanças climáticas
Por que a questão populacional é tão controversa?
Acredito que existem três razões. A primeira é que há uma diferença entre onde a população está crescendo rapidamente e onde as emissões [de gases do efeito estuga] estão ocorrendo. Os mais altos níveis e taxas de emissões per capita estão nos países mais ricos, que estão vivenciando crescimento populacional lento. E as taxas mais rápidas de crescimento populacional estão em países muito pobres, que não emitem quase nada e que historicamente não contribuíram quase nada para as mudanças climáticas. Então, a solução [do controle demográfico] é como colocar o ônus sobre aqueles que nunca fizeram nada para criar o problema e que também não são responsáveis por ele agora.
O segundo motivo está no fato de o crescimento populacional ser impulsionado por um fator que é uma grande quantidade de mulheres entrando em seus anos reprodutivos. Elas terão filhos, mesmo que sejam só dois. E isso vai causar algum aumento populacional. Esse impulso limita o que se pode fazer com as políticas para mudança da curva populacional.
A terceira razão está na existência de uma história muito longa de violações dos direitos humanos quando há objetivos populacionais ou de fertilidade, sejam esterilizações forçadas ou uma séria limitação do número de filhos que as pessoas podem ter.
O mundo se reuniu 20 anos atrás, na Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, para mudar o foco das ideias demográficas: afastando-as desse tipo de objetivos e dessas violações dos direitos humanos, e aproximando-a dos direitos e da saúde das mulheres, e da capacidade e poder delas de escolher a própria fertilidade e de tomar decisões sobre sua vida reprodutiva. (ecodebate)

Mudanças climáticas, acordo EUA-China

Mudanças climáticas, acordo EUA-China, COP-21 e o Paradoxo de Giddens
A Conferência do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, a Rio 1992, adotou o chamado “Princípio da Precaução” definido como: “Para que o ambiente seja protegido, serão aplicadas pelos Estados, de acordo com as suas capacidades, medidas preventivas. Onde existam ameaças de riscos sérios ou irreversíveis, não será utilizada a falta de certeza científica total como razão para o adiamento de medidas eficazes, em termos de custo, para evitar a degradação ambiental”.
Desta forma, naquela época, mesmo ainda não estando totalmente claro o processo de aquecimento global, a Conferência do Rio forneceu instrumentos para mitigar as mudanças climáticas. Foi criada a Conferência Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas visando a estabilização da concentração de gases do efeito estufa (GEE) na atmosfera. Ficou decidido que os 194 países-membros da Convenção do Clima se reuniriam anualmente nas reuniões chamadas Conferência das Partes (COP) para deliberar sobre as ações em defesa da atmosfera terrestre.
Na COP-3, ocorrida na cidade de Kyoto, em 1997, foi aprovado o Protocolo de Kyoto, que estabelecia metas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa até o ano de 2012. Com base na ideia das “Responsabilidades comuns, porém diferenciadas”, foi estabelecido que os países desenvolvidos deveriam arcar com as maiores responsabilidades na redução de GEE e na transferência de recursos aos países em desenvolvimento.
Porém, os Estados Unidos não ratificaram o documento, com a alegação de que isto prejudicaria o crescimento econômico nacional. Já a China, como país em desenvolvimento, não tinha obrigações de corte de emissões. Portanto, os dois maiores poluidores do mundo ficaram livres para continuar poluindo o Planeta e as emissões globais de dióxido de carbono, pela queima de combustíveis fósseis, passaram de 23 bilhões de toneladas em 1992 para 36 bilhões de toneladas em 2013. Neste sentido, o Protocolo de Kyoto pode ser considerado um fracasso.
Além disto, houve um deslocamento geográfico da origem das emissões, com o “Norte Global” diminuindo participação relativa e o “Sul Global” aumentando suas emissões absolutas e relativas. Estados Unidos, União Europeia, Rússia e Japão reduziram a percentagem de emissões, enquanto China, Índia e o resto do Terceiro Mundo aumentaram suas cargas de poluição. O caso da China é impressionante, pois subiu de 11% das emissões globais para 26% (mais do que a soma de Estados Unidos e União Europeia). Estados Unidos e China respondem por 40% das emissões globais de dióxido de carbono (CO2).
Neste contexto, um acordo climático, conforme anunciado em 11/11/14, entre os dois gigantes da poluição mundial é uma notícia auspiciosa no sentido de tentar evitar uma a catástrofe climática.
No acerto sino-americano, assinado em Pequim pelos presidentes Barack Obama e Xi Jinping, os Estados Unidos se comprometem a diminuir suas emissões entre 26% e 27% até 2025, em relação aos níveis de 2005, ampliando a proposta de redução para além da meta de 17% até 2020 feita anteriormente. A China se comprometeu a começar a redução de emissões a partir de 2030 – podendo, inclusive, antecipar esta data – e ter 20% de energia limpa em sua matriz energética no mesmo ano. Xi Jiping, presidente chinês, afirmou que o país instalará até 1.000 GW (gigawatt) de energias limpas até 2030.
Se olharmos para a falta de resultados concretos das negociações anuais da Convenção do Clima (adotada na Rio/92), o acordo EUA-China apresenta um avanço e pode ajudar no processo de negociação da 20ª Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas – COP20 que vai acontecer entre os dias 01 e 12 de dezembro de 2014, em Lima, Peru.
Não resta dúvidas que as duas superpotências da degradação ambiental dão sinais de preocupação com o possível colapso climático e começam a buscar saídas. Enquanto isso, o Brasil vai na direção contrária, pois destrói seus recursos hídricos, aumenta o desmatamento e piora sua matriz energética, fazendo do petróleo (do pré-sal) e das hidrelétricas na Amazônia a alternativa para a continuidade do modelo econômico classificado como “desenvolvimentismo ecocida e antropocêntrico”.
Em artigo reproduzido no jornal Folha de São Paulo, o economista keynesiano Paul Krugman disse sobre o acordo: “O princípio que acaba de ser estabelecido é muito importante. Até agora, aqueles de nós que argumentavam que era possível induzir a China a aderir a um acordo internacional sobre o clima estavam apenas especulando. Agora os chineses mesmos disseram que estão de fato dispostos a negociar – e os oponentes de qualquer ação precisam alegar que eles não estão falando sério”.
Krugman continua o argumento favorável às negociações: “Eu sei, eu sei. A terminologia empregada pelos chineses foi um tanto vaga, e os níveis de emissões pretendidos são muito mais altos do que os especialistas em meio ambiente desejam. De fato, mesmo que o acordo funcionasse exatamente como pretendido, o planeta ainda sofreria uma alta extremamente prejudicial em sua temperatura. Mas considere a situação. Os Estados Unidos não são exatamente o parceiro mais confiável nesse tipo de negociação, já que grupos que negam a mudança no clima controlam o Congresso e a única perspectiva de ação no futuro próximo, e talvez por muitos anos, dependeria de decretos do Executivo. (Para não mencionar a possibilidade de que o próximo presidente bem pode ser um inimigo do meio ambiente que reverteria tudo que o presidente Barack Obama venha a fazer). Enquanto isso, a liderança chinesa precisa lidar com os nacionalistas do país, que odeiam qualquer sugestão de que o Ocidente dite políticas a uma nação recentemente transformada em superpotência. Assim, o que temos aqui é mais uma declaração de princípios do que uma formulação de futuras políticas. Mas o princípio que acaba de ser estabelecido é muito importante. Até agora, aqueles de nós que argumentavam que era possível induzir a China a aderir a um acordo internacional sobre o clima estavam apenas especulando. Agora os chineses mesmos disseram que estão de fato dispostos a negociar – e os oponentes de qualquer ação precisam alegar que eles não estão falando sério. Seria desnecessário dizer que não espero que os suspeitos habituais reconheçam que uma grande porção do argumento dos antiambientalistas acaba de desabar. Mas desabou. Esta foi uma boa semana para o planeta”.
Esta longa citação do artigo de Krugman serve para mostrar como é difícil encontrar um ponto de negociação entre os Estados Unidos e a China e como é trabalhoso lidar com as oposições políticas internas, mesmo para um acordo que é limitado em termos de deter o aquecimento global no longo prazo. O caminho é cheio de sobressaltos.
De modo geral, o acordo foi comemorado pelos ambientalistas. Segundo Joe Romm, do site Think Progress, o novo acordo climático histórico entre EUA-China muda a trajetória das emissões globais de poluição de carbono, aumentando muito as chances de um acordo global na COP-21, em Paris, em 2015. O acordo poderá diminuir, cumulativamente, cerca de 640 bilhões de toneladas de emissões de CO2 do ar neste século. Quando se adiciona a recente decisão da União Europeia (EU em inglês) de reduzir até 2030 as emissões totais em 40% abaixo dos níveis de 1990, tem-se o compromisso dos países que representam mais da metade de todas as emissões globais, o que, por sua vez, coloca pressão sobre todos os demais países.
O compromisso chinês de investir na geração de eletricidade livre de emissões de carbono também é uma virada de jogo. Isto permitirá o crescimento exponencial das energias renováveis (como solar e eólica) nas próximas décadas e o avanço do processo de descarbonização. Mas este processo de mudança da matriz energética não está livre de armadilhas como mostra Gail Tverberg (2014).
O acordo EUA-China aumenta muito a chance de haver uma boa negociação para substituir o Protocolo de Kyoto, viabilizando um caminho de menor emissões que podem estabilizar os níveis de CO2 e manter o aquecimento global perto de 2° C. Ele garante que a energia de menor carbono será a nova fonte de energia dominante nas próximas décadas. Ainda segundo Romm, os ativistas do clima certamente compartilham essa conquista, mas vão continuar em vigilância contínua, pois as forças anticiência e os interesses da indústria dos combustíveis fósseis já se alinharam contra ele e o caminho para a estabilização real dos níveis de concentração de CO2 na atmosfera é muito longo.
De fato, nada está garantido no sentido de mitigar o aquecimento global, pois o lobby dos interesses da acumulação de lucros querem continuar com o processo de dominação e exploração da natureza. Além disto, a maior parte da população mundial está mais interessada em garantir acesso ao paraíso consumista do que em mudar o modelo “desenvolvimentista ecocida e antropocêntrico”.
Historicamente as pessoas só se mobilizam quando a “água bate no pescoço”, como diz o ditado popular. Esta frase é uma maneira simples de se entender o “Paradoxo de Giddens”, que pode ser resumido da seguinte maneira: como os perigos mais graves do aquecimento global não são visíveis no dia a dia, embora possam levar a civilização ao colapso, as pessoas não apoiam as ações necessárias para revertê-lo; mas, esperar seus efeitos mais visíveis e sérios para então tomar uma atitude será tarde demais.
As negociações entre EUA e China e as declarações do G20 sobre a necessidade de mitigar o aquecimento global são bem-vindas. Mas podem ser apenas uma forma que os governantes encontram para procrastinar e adiar as ações verdadeiramente necessárias. Nada garante, por exemplo, a efetividade da promessa da China de cortar as emissões depois de 2030.
O Brasil prometeu reduzir a poluição, mas as emissões brasileiras de gases de efeito estufa aumentaram 7,8% em 2013 na comparação com o ano anterior, de acordo os dados do SEEG (Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa), na contramão dos números do Ministério da Ciência, que atualizou recentemente o Inventário Nacional. Até agora, as promessas nacionais e internacionais são apenas intenções incapazes de mudar o rumo que pode nos jogar na catástrofe climática.
Todavia, vamos torcer para que as negociações internacionais sejam bem-sucedidas, que o Brasil reverta seu processo de desmatamento e de dependência dos hidrocarbonetos e que as pessoas não morram afogadas pelos efeitos das tempestades, furacões e elevação do nível do mar e nem morram de sede e fome devido à crise hídrica, às queimadas, à erosão dos solos e ao processo de desertificação. As catástrofes climáticas podem ser potencializadas pelos eventos extremos provocados pelas mudanças climáticas, causadas pelo aumento das atividades antrópicas danosas ao meio ambiente, decorrentes do desenvolvimentismo demoeconômico que tem provocado um holocausto biológico. (ecodebate)

Mudanças climáticas e o retrocesso na luta contra a pobreza

Mudanças climáticas podem levar a retrocesso na luta contra a pobreza, alerta Banco Mundial
Em novo relatório sobre mudanças climáticas, instituição prevê grave impacto na agricultura. No Brasil, a produção de soja pode ser reduzida em 70% até 2050.
Plantação de soja próxima a Santarém (PA)
As mudanças climáticas podem levar a retrocessos nos esforços para derrotar a pobreza extrema em todo o mundo, advertiu o Banco Mundial neste domingo (23/11), ao divulgar um relatório sobre os impactos do aquecimento global.
No documento, intitulado Reduzam o calor: enfrentando a nova normalidade climática (em tradução livre), o banco afirma que elevações bruscas de temperatura devem reduzir profundamente a produtividade nas lavouras e o abastecimento de água em muitas áreas.
O relatório, que foca em impactos regionais específicos do aquecimento global, prevê efeitos no Brasil. Um aumento de até 2 °C na temperatura média em relação aos tempos pré-industriais levaria a uma redução da produção agrícola do país – de até 70% para a soja e 50% para o trigo em 2050, diz o documento.
O Banco Mundial estima que, em 2050, a temperatura média seja 1,5°C mais alta do que a registrada na era pré-industrial, com base no impacto das emissões de gases de efeito estufa do passado e atualmente.
“Sem uma ação forte e rápida, o aquecimento poderia exceder 1,5°C ou 2°C, e o impacto decorrente poderia piorar significativamente a pobreza intra e intergeracional em várias regiões do mundo”, diz o relatório.
Quanto ao nível do mar, o documento afirma que este continuará subindo por séculos, visto que as grandes capas de gelo da Groenlândia e da Antártica vêm derretendo lentamente. Se as temperaturas se mantiverem nos níveis atuais, os mares subirão 2,3 metros nos próximos 2 mil anos, aponta o estudo.
Entre outros efeitos citados, cidades andinas estariam ameaçadas pelo derretimento de geleiras, e comunidades do Caribe e da costa ocidental da Índia poderiam ver diminuir seus suprimentos de peixes. Na Macedônia, o cultivo de milho, trigo e uva seria reduzido em 50 %.
Ações urgentes
Sem ações coordenadas, o perigo é que o aumento da temperatura média global chegue a 4°C até o fim do século, um cenário descrito pelo Banco Mundial como “um mundo assustador de aumento de riscos e instabilidade global”.
“Acabar com a pobreza, aumentar a prosperidade global e reduzir a desigualdade no mundo, o que já é difícil, vai ser muito mais difícil com um aquecimento de 2°C”, disse o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim. “Mas com [um aumento de] 4°C, há sérias dúvidas de que essas metas possam ser alcançadas.”
Os piores efeitos do aquecimento global poderiam ser evitados através da redução das emissões de gases de efeito estufa, reitera o relatório.
Representantes de quase 200 países se reunirão em breve para a próxima Conferência Mundial do Clima. Realizado no Peru entre os dias 1º e 12 de dezembro, o evento tem como objetivo a definição das bases de um acordo global de limitações de emissões de gases do efeito estufa. Espera-se que o acordo seja firmado em Paris em 2015. (ecodebate)

Clima pode piorar pobreza

Mudança climática pode agravar pobreza
Aquecimento global pode secar plantações e ameaçar a segurança alimentar de milhões de pessoas.
Alerta é do Banco Mundial.
Mudança climática pode agravar pobreza, alerta Banco Mundial.
Leito da Represa do Rio Jacareí, parte do Sistema Cantareira, em Piracaia, durante a seca que afeta o estado de São Paulo (19/11/14).
O aquecimento global poderá agravar "significativamente" a pobreza no mundo, ao secar os cultivos agrícolas e ameaçar a segurança alimentar de "milhões" de pessoas - advertiu o Banco Mundial, em informe divulgado neste domingo.
"Sem uma ação forte e rápida, o aquecimento (...) e suas consequências poderão agravar significativamente a pobreza em várias regiões do globo", alerta a instituição, em um relatório.
Secas, ondas de calor, acidificação dos oceanos: o Banco Mundial visualiza um cenário, no qual a comunidade internacional não atingirá seu objetivo de limitar o aumento das temperaturas no mundo a 2ºC, em relação à era pré-industrial, frente a um aumento de 0,8ºC nos dias de hoje.
Na hipótese extrema de um aumento de 4ºC, os acontecimentos climáticos "extremos" que aparecem, no pior dos casos, "uma vez por século", poderão se transformar na "nova norma climática", afirma a instituição.
O tom do relatório é particularmente alarmista em três regiões do planeta: América Latina, Oriente Médio e Europa Oriental.
O rendimento dos cultivos de soja podem cair de 30% a 70% no Brasil, enquanto metade das plantações de trigo na América Central e na Tunísia pode desaparecer, antecipa o documento elaborado com o suporte do Instituto de Pesquisa sobre o Impacto Climático de Potsdam, na Alemanha.
No caso de um aumento de 4ºC, até 80% das regiões do Oriente Médio e da América do Sul podem se ver afetadas por ondas de calor de uma amplitude "sem precedentes", acrescenta o informe.
"As consequências para o desenvolvimento seriam graves, com uma queda dos cultivos, um retrocesso dos recursos aquáticos, um aumento no nível das águas e a vida de milhões de pessoas postas em perigo", enumerou o Banco Mundial.
"Está claro que não podemos continuar com esse nível de emissão (de CO
2) crescente e não controlado", escreveu o presidente do Bird, Jim Yong Kim.
Os dois maiores poluidores do mundo, Estados Unidos e China, selaram em 12 de novembro um acordo inédito para frear suas emissões de dióxido de carbono.
O Fundo Verde da ONU acaba de receber suas primeiras dotações de US$ 9,3 bilhões e poderá começar a ajudar os países pobres na luta contra o aquecimento global.
O Banco Mundial garante que é preciso ir além, sobretudo, para conseguir atingir a meta de erradicar a extrema pobreza até 2030. Esse objetivo já se anuncia como "complicado" em um mundo com um aumento de 2ºC, mas pode estar totalmente "fora de lugar", no caso de um avanço de 4ºC do termômetro mundial, alertou o Banco.
"Existem provas crescentes de que, mesmo com medidas de controle muito ambiciosas, a atmosfera já está imersa em um aquecimento próximo a 1,5ºC de hoje até a metade do século", insistiu o relatório, destacando que certos desequilíbrios climáticos já são "inevitáveis".
Na tentativa de reverter essa tendência, o banco, criticado por ter financiado projetos baseados nas energias fósseis, defende há vários meses um sistema que estabeleça um preço para a poluição - como uma taxa sobre o carbono, por exemplo.
"Uma ação urgente é necessária sobre a mudança climática, mas isso não deve ser feito em detrimento do crescimento econômico", disse Kim. (yahoo)