quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Pasto impulsiona desmatamento em MT

Agricultura, mais do que pasto, impulsiona desmatamento em MT
Ambiente. Estudo da ONG Greenpeace se baseia nos alertas de desflorestamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, entre agosto de 2010 e julho deste ano; em 2011, Mato Grosso deverá reassumir liderança no ranking dos Estados que mais desmatam.
O aumento do desmatamento em Mato Grosso está associado à expansão da área de agricultura, mais do que à abertura de novos pastos na Amazônia, indica estudo feito pela ONG Greenpeace.
Árvores derrubadas. Área em Sinop, em MT; no Estado, desmatamento subiu 36% entre agosto de 2010 e julho deste ano
Mato Grosso deverá reassumir neste ano a liderança do ranking dos Estados que mais desmatam a floresta. A taxa anual de devastação da Amazônia em 2011 também deverá aumentar, segundo projeções feitas com base em imagens de satélite do sistema de alertas, usado para mobilizar a ação de fiscais.
O estudo do Greenpeace se baseou nos alertas de desmatamento lançados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) entre agosto de 2010 e julho de 2011, no período de apuração da taxa anual de desmatamento. A taxa oficial só será oficialmente conhecida no fim do ano.
A ONG considerou sob influência da agricultura as áreas desmatadas num raio de 500 metros de áreas ocupadas hoje predominantemente pela atividade, sobretudo o cultivo de grãos, como a soja. Da mesma forma, com base no uso atual da terra, foram consideradas áreas sob influência da pecuária.
Quase metade (46%) da área dos alertas de desmate lançados pelo sistema Deter, do Inpe, estão sob influência da agricultura. "Podemos afirmar que o desmatamento em áreas agrícolas em Mato Grosso puxou o aumento do desmatamento neste ano", resume o estudo. Os alertas somaram 32,2 mil hectares, ou 322 km2. No mesmo período, o aumento de alertas nas áreas de influência da pecuária no Estado foi de 27%. Em hectares, a área captada pelos satélites foi de 42,7 mil hectares ou 427 km2. As áreas degradadas detectadas pelos satélites do sistema Deter em Mato Grosso somam quase a metade da cidade de São Paulo.
"São dados provisórios, já que o Deter é um sistema de alerta e não de medição precisa do desmatamento. Os dados só poderão ser validados quando o Inpe divulgar as imagens e dados do sistema Prodes", diz o estudo.
Amanhã, o governo divulga o primeiro levantamento do uso da terra em áreas desmatadas na Amazônia até 2008. Para isso, cruzou dados com o uso posterior feito em áreas desmatadas, e não apenas com base na atividade predominante. Os dados apontarão a liderança da pecuária no avanço das motosserras.
O diretor de combate ao desmatamento do Ministério do Meio Ambiente, Mauro Pires, avalia que a análise feita com base nos alertas de desmatamento não permitem uma conclusão definitiva. "Mas, no caso de Mato Grosso, Estado onde a agricultura tem o seu peso, a indicação parece razoável", comentou.
Ranking
O estudo da ONG indica ainda que Mato Grosso reassumirá o topo da lista dos desmatadores, posição ocupada pelo Pará desde 2006. O avanço das motosserras em Mato Grosso aumentou 36% entre agosto de 2010 e julho deste ano, enquanto na Amazônia subiu 16%.
Além do surto das motosserras em Mato Grosso, que motivou a criação de um gabinete de crise no governo federal, os satélites do Inpe já indicaram uma mudança no padrão do desflorestamento. Tomaram a dianteira os desmatamentos de grandes áreas, maiores que 300 hectares.
Mudanças da ocupação do solo definidas pelo zoneamento econômico-ecológico e a perspectiva de novas regras do Código Florestal, em debate no Congresso, foram apontadas como responsáveis pelo aumento do desmate em ofício assinado pelo então secretário de Meio Ambiente do Estado, Alexander Maia. Procurado pelo Estado, o novo secretário, Vicente Falcão, não se manifestou sobre os dados do Greenpeace.
OS DOIS SISTEMAS
Deter
Responsável pelos alertas de desmatamento, é mais rápido e menos preciso, apresentando imagens em baixa resolução.
Isso ocorre porque os satélites não alcançam pequenas áreas - o Deter enxerga apenas desmates maiores que 25 hectares.
Indica áreas de corte raso (completa retirada da floresta) que foram degradadas.
Prodes
Sistema mais lento, mas preciso, pois capta áreas de desmate menores que 25 hectares.
O Prodes calcula a taxa anual de desmatamento comparando imagens selecionadas do período julho-agosto de um ano a julho-agosto do ano anterior.
Isso ocorre porque os satélites não enxergam através de nuvens, e esses são tipicamente os meses de menor nebulosidade na Amazônia. (OESP)

84 árvores são cortadas por dia em São Paulo

84 árvores são cortadas por dia na cidade com autorização da Prefeitura
Nos primeiros sete meses do ano, foram 18 mil; replantio mal feito e falta de acompanhamento das mudas comprometem compensações.
 
É como se todas as árvores do Ipiranga e de Santo Amaro tivessem sumido.
Cada vez mais cinza, monocromática, árida. Nos primeiros sete meses do ano, a São Paulo que já sofre com a falta de verde autorizou o corte de 18.005 árvores, o mesmo número existente nos Parques do Ibirapuera e Villa-Lobos juntos. É como se todas as árvores do Ipiranga e de Santo Amaro tivessem sumido - saíram os jerivás e pimenteiras, entraram os prédios residenciais e obras de infraestrutura.
Foram 84 árvores a menos por dia, 2.572 por mês. O levantamento foi feito com base em dados da Comissão do Verde e Meio Ambiente da Câmara Municipal de São Paulo e nas autorizações de corte de árvores publicadas no Diário Oficial da Cidade. Em 2010, segundo a Prefeitura, 10.693 árvores foram cortadas. Esses balanços não levam em conta o corte ilegal de vegetação e o desmatamento de áreas ocupadas por favelas, o que inflaria o número para patamares mais impressionantes.
Em todos os casos, a Prefeitura exige o replantio de alguns exemplares e a doação de mudas para compensar a perda de vegetação - segundo especialistas, uma prática executada sem sucesso e com fiscalização insuficiente. Isso porque, quando transplantadas para outro lugar, as árvores têm grande probabilidade de secar e morrer. Além disso, não há um acompanhamento para que as mudas plantadas "vinguem" e virem novas árvores. Ou seja, mesmo a compensação sempre está longe de remediar o problema.
"Além de perdermos árvores antigas, qualquer um vê que a contrapartida não funciona. É só analisar o número de mudas secas morrendo nos canteiros da cidade", diz o arquiteto Marcelo Novaes, morador do Morumbi, na zona sul. Há três meses, ele pede a poda de uma árvore na frente de sua casa, sem resposta da Prefeitura. "O morador não consegue evitar que uma árvore caia de podre, mas as construtoras conseguem desmatar terrenos inteiros."
Da Vila Mariana ao Morumbi, a zona sul foi a que mais perdeu árvores em 2011. Em um terreno na Rua Diego de Castilho, no Panamby, por exemplo, 79 árvores serão cortadas para dar lugar a um prédio. Em contrapartida, a construtora afirma que terá de preservar 36 árvores, plantar outras 83 no próprio terreno e doar 2.074 mudas. Perto dali, no Campo Belo, também foi autorizada a retirada de 77 árvores para construção de três edifícios. "Plantaremos 36 árvores no terreno, 32 na calçada e doaremos 811 mudas", diz Constâncio Sampaio, diretor responsável pela obra.
Já na Vila Mariana, o corte de 45 árvores no terreno do Instituto de Engenharia (IE) ainda causa indignação na vizinhança. No dia 23 de julho, moradores foram acordados com o som de motosserras. No local, foram informados de que seriam cortadas mais de 40 árvores que tinham pragas. Eles questionam se não haveria outra solução para o problema.
O IE disse possuir um relatório que comprova a necessidade de cortar as árvores e de podar outras 187. A Subprefeitura da Vila Mariana informou que o corte seguiu todos os trâmites legais.
De acordo com a Secretaria do Verde e Meio Ambiente, o acompanhamento das obrigações ambientais é feita mediante "a apresentação de medição das obras". O órgão também afirma que técnicos conferem árvore por árvore plantada.
Qualidade de vida
A falta de árvores não é apenas um problema cenográfico. Além de diminuir o risco de escorregamento de encostas e de alagamentos, a vegetação serve para melhorar a qualidade do ar e para resfriar a temperatura. "Estamos perdendo árvores raras e exemplares estrangeiros da época da São Paulo rural", diz o ambientalista Ricardo Cardim, autor do blog arvoresdesaopaulo.wordpress.com. "Além disso, as árvores não são enfeites, elas são fábricas de qualidade de vidas para as pessoas." (OESP)

Desmatamento em um ano totalizou 1628 km2

Amazônia: O desmatamento acumulado no período Ago/10 a Jul/11 totalizou 1628 km2; aumento de 9% com relação ao período anterior.
Boletim Transparência Florestal da Amazônia Legal Julho de 2011
Em julho de 2011, o SAD detectou 93 km2 de desmatamento na Amazônia Legal. Isso representou uma redução de 40% em relação a julho de 2010 quando o desmatamento somou 155 km2. Desse total, 41% ocorreram no Pará, seguido por Mato Grosso (23%), Rondônia (18%), Amazonas (14%), e o restante no Amapá, Acre e Tocantins. O desmatamento acumulado no período de agosto de 2010 a julho de 2011, correspondendo aos doze meses do calendário atual de desmatamento, totalizou 1.628 km2. Houve um aumento de 9% em relação ao ano anterior (agosto de 2009 a julho de 2010) quando o desmatamento somou 1.488 km2.
As florestas degradadas na Amazônia Legal somaram 116 km2 em julho de 2011. Essa degradação florestal acumulada no período de agosto de 2010 a julho de 2011 totalizou 6.389 km2. Em relação ao período anterior (agosto de 2009 a julho de 2010) houve aumento expressivo (241%) quando a degradação florestal somou 1.873 km2. Em julho de 2011, o desmatamento detectado pelo SAD comprometeu 6,6 milhões de toneladas de CO2 equivalente o que representa uma redução de 27% em relação a julho de 2010. No acumulado do período (agosto 2010 – julho 2011) as emissões de C02 equivalentes comprometidas com o desmatamento 97,5 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 1% em relação ao período anterior (agosto de 2009 a julho de 2010).
Em julho de 2011, a cobertura de nuvens foi reduzida e com isso foi possível monitorar 82% da Amazônia Legal. (Ecodebate)

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Cinturão de segurança alimentar

Com frequência todos se insurgem com a questão do lixo. E realmente os resíduos sólidos são a face mais visível da questão ambiental. Mais visível, com pior odor e uma face bem concreta do problema ambiental. Resíduos sólidos urbanos domésticos invadem e entopem tudo que puderem.
Mas resíduos sólidos são inevitáveis, toda e qualquer atividade humana produz resíduos em alguma quantidade em algum momento. A imposição de uma nova postura em relação ao problema deveria ser quase obrigatória. Não adianta enterrar o problema como se faz e ficar esperando a bomba relógio que são os aterros sanitários, tanto os adequados em termos de engenharia quanto os inadequados ou desconformes.
A segregação de resíduos na origem deveria ser quase uma imposição legal ou deveria ser estimulada por benefícios fiscais. Mesmo assim, a sensação prática que temos indica que ao menos da classe média para cima, onde se encontram os estratos mais favorecidos e com maior escolaridade da população, na maioria das vezes já se pratica a separação dos resíduos sólidos.
Que é esta separação? Simples, separar os materiais secos ou recicláveis como papel, papelão, plásticos, vidros, metais ferrosos e metais não ferrosos dos resíduos sólidos orgânicos que basicamente são restos de alimentos.
A triagem destes resíduos quando separados e coletados por coleta seletiva que não mistura os resíduos, gera índices de reaproveitamento de materiais que chegam próximo a 30% dos totais de resíduos sólidos gerados. A atividade de catação ou triagem quando realizada em materiais coletados seletivamente e previamente segregados na origem, nas residências, gera melhores condições de salubridade aos agentes ambientais envolvidos e melhores resultados.
As ações de reutilização dos materiais e reciclagem dos resíduos sólidos domésticos urbanos possibilita economia de matérias-primas, água e energia e gera importantes ações de inclusão social, gerando emprego e renda para parcelas da população que geralmente estão excluídas dos mercados de trabalho formais por insuficiências de escolaridade e habilidades e competências individuais para desempenho de funções em empresas. Ninguém é catador porque quer, nem só porque precisa, mas principalmente porque não tem outra alternativa.
Implantar e tornar eficientes os processos de coleta seletiva e propiciar economia ambiental e renda relevante para catadores de resíduos recicláveis tem uma importância social intangível para as realidades locais.
Quanto a estas realidades acima discutidas e demonstradas, há praticamente um consenso. Mas o que fazer com os resíduos domésticos urbanos que são constituídos por restos de matéria orgânica, vale dizer restos de alimentos.
Esta fração dos resíduos sólidos urbanos atinge entre 50 e 60% do total dos resíduos sólidos gerados nas cidades brasileiras. E atualmente o máximo que se faz com isso é procurar condições adequadas de aterramento. Mas isto é um grande desperdício para o conjunto da economia.
Na China continental, desde os primórdios do assentamento do homem gregário, em função da pobreza que também é secular, constituía ato de ausência de educação em algumas regiões participar de uma refeição e ir embora sem antes devolver os nutrientes consumidos na forma de excrementos.
O Carbono, Hidrogênio, Oxigênio e Nitrogênio que hoje estão numa planta, amanhã poderão estar inertizados em minerais ou constituírem os tecidos de outras plantas e animais. Nada mais simplório que isto. Logo, enterrar restos de alimentos é uma estupidez em termos de ciclos biogeoquímicos ou economia ambiental.
A maioria das regiões brasileiras é abastecida por hortifrutigranjeiros a partir da região metropolitana de São Paulo, com raras e honrosas exceções como o vale da ribeira que abastece parte do Paraná e algumas outras exceções. O custo de transporte em geral é maior do que o custo do produto. E caso ocorra algum problema com interrupções de estradas, o abastecimento já caro fica comprometido.
A partir da coleta seletiva, deveriam ser remetidos para reciclagem os recicláveis. E para compostagem os materiais orgânicos. Articulações entre secretarias municipais poderiam criar cooperativas de agricultores familiares comprometidos com a produção de hortifrutigranjeiros para que as regiões brasileiras se tornassem auto-suficientes. Estes agricultores cadastrados em programas municipais receberiam adubos orgânicos produzidos pelas prefeituras e desta forma incrementariam muito sua produtividade, já voltada para hortifrutigranjeiros, constituindo o que denominamos cinturão de segurança alimentar.
As prefeituras fariam a distribuição dos adubos orgânicos que poderiam produzir com baixíssimos custos a partir dos restos orgânicos, restos de alimentos dos resíduos sólidos urbanos domiciliares. Os adubos poderiam ser doados ou vendidos a baixo custo para famílias de agricultores cadastrados nos programas municipais de segurança alimentar, que definiriam o que cada um produziria para que não houvesse excesso de produção de alguns itens mais lucrativos e falta de outros.
A comercialização destes hortifrutigranjeiros locais seria garantida por uma rede social sustentada pelas prefeituras que condicionariam esta ação ao expedirem alvarás de localização para supermercados, obrigando que parte da compra de hortifrutigranjeiros destes empreendimentos fosse da cooperativa de segurança alimentar cadastrada no município.
Qual é o custo disto? Organização, gestão de resíduos sólidos e gestão integrada da produção, dos resíduos sólidos e da agricultura municipal.
Logo não parece difícil ou caro, parece que é uma decisão política de trabalhar e arcar com as responsabilidades de fazer o que é responsabilidade de cada um. Evidenciar os resultados ou as grandes vantagens a serem obtidas seja na dimensão ambiental, seja social, seja econômica é tão óbvio que é desnecessário. (EcoDebate)

Não existem alimentos proibidos

‘Não existem alimentos proibidos. É melhor variar a dieta’, entrevista com Pietro Migliaccio, nutricionista
Não às “lista de proscrição”. Sim a uma alimentação que inclua todos os alimentos, ou que integre as carências daqueles que, por razões éticas ou culturais, não querem comer carne.
A atenção ao impacto sobre o meio ambiente deve ir de acordo com o bem-estar pessoal. Mas quanto mais alta for aquela que se dá aos valores ecológicos e morais dos alimentos, mais é preciso conhecer com exatidão as características de cada alimento.
“Um vegano – brinca Pietro Migliaccio, nutricionista, presidente da Sociedade Italiana de Ciência da Alimentação – deve ser muito culto, mas um pouco de cultura também não faz mal a um onívoro…”.
Eis a entrevista.
As novas regras ambientais que vêm dos EUA parecem em contradição com outras: se o atum polui menos do que o salmão, mas corre risco de extinção, como devemos nos regular?
Sem muita ideologia. Se comemos atum uma vez por mês, evitando algumas variedades, não colocamos em risco algumas espécies; o mesmo vale para o salmão. Quanto à tão demonizada carne, vermelha ou branca, não é preciso comê-la mais do que três vezes por semana, senão, não há espaço para peixes, ovos e queijos. Se consumirmos um pouco de tudo, os nossos comportamentos individuais provocarão menos danos ao planeta.
A carne vermelha já não foi “reprovada” mais de uma vez até no nível da saúde?
Não, ou pelo menos não na Itália. São os norte-americanos que consumem muita carne, enquanto a dieta mediterrânea prevê a sua quantidade certa. Todo o alimento, até o mais “politicamente correto”, pode se tornar tóxico para o organismo se o comermos todos os dias durante anos. E sozinho ele pode não ser suficiente: ao leite, falta o ferro; ao ovo, os carboidratos; muita carne cansa o fígado e os rins; as vitaminas A e D podem se acumular e se tornar excessivas. Pesticidas que já não existem mais entre nós, como o famigerado DDT, ainda são usados em alguns países “emergentes” e podem acabar na nossa mesa. Mas, se comermos carne vermelha uma vez por mês, nada vai nos acontecer, enquanto consumida regularmente essa substância pode ser cancerígena.
Quem quiser eliminar os alimentos de origem animal pode fazê-lo?
Sim, mas com o conhecimento necessário. Eu desconfiaria de um médico que aconselhasse ao seu paciente a dieta vegana, mas é preciso que médico e paciente, no respeito mútuo, saibam que é necessária um suplemento de vitamina B12, pelo menos uma vez por semana, e que também se pode usar a sintética. Ao contrário, aqueles que consomem laticínios e ovos não precisam de suplementos.
É possível ignorar o impacto ambiental dos alimentos, escolhendo apenas aqueles que mais gostamos?
Não, não é mais possível. Qualquer alimento consumido em doses excessivas por um grande número de indivíduos acabará provocando danos às pessoas e ao planeta. Por isso, é preciso desconfiar das listas: se todos abandonássemos a carne bovina para nos jogar sobre a de frango, se produziria uma pressão no mercado com danos inevitáveis. Os alimentos só podem continuar sendo saudáveis se todos consomem um pouco de tudo (EcoDebate)

Preços elevados e baixos estoques de alimentos

Preços elevados e baixos estoques de alimentos põem em risco as regiões mais pobres do mundo
Mundo ainda está em ‘zona de perigo’ por alta dos alimentos, diz Banco Mundial
Os altos preços dos alimentos e os baixos níveis de estoques fazem com que o mundo continue em uma “zona de perigo”, disse nesta segunda-feira o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick.
Segundo o relatório trimestral Food Price Watch, divulgado pelo Banco Mundial nesta segunda-feira, em julho (último dado disponível) os preços mundiais dos alimentos estavam 33% mais altos do que um ano antes e próximos do recorde registrado em 2008.
O documento cita ainda os níveis “alarmantes” dos estoques mundiais de alimentos. “Com esses baixos níveis de estoques, mesmo pequenas quedas na produção podem ter efeitos amplificados sobre os preços”, diz o texto.
Depois de um pico em fevereiro, alguns produtos chegaram a registrar baixa de preços, mas a volatilidade é motivo de preocupação.
De acordo com o Banco Mundial, a “esperada volatilidade” nos preços de produtos como açúcar, arroz e petróleo pode ter “efeitos inesperados” nos preços dos alimentos nos próximos meses.
“A vigilância é vital, devido às incertezas e a volatilidade existentes”, disse Zoellick.
Preços
A volatilidade pode ser observada na evolução de produtos como o milho, cujo preço caiu em junho e voltou a subir em julho, registrando aumento global de mais de 80% no período de um ano.
O comportamento também varia de acordo com a região. Enquanto os preços do milho aumentaram mais de 100% em um ano em Uganda, no Haiti no mesmo período houve queda de 19%.
“Com esses baixos níveis de estoques, mesmo pequenas quedas na produção podem ter efeitos amplificados sobre os preços” – Banco Mundial
Entre os diversos fatores que contribuem para a alta dos alimentos está o aumento dos custos de produção, causado em parte pelos altos preços do petróleo, atualmente 45% maiores do que os registrados um ano atrás.
A alta tem impacto sobre a cadeia produtiva. De julho de 2010 a julho de 2011 o preço dos fertilizantes subiu 67%.
Segundo o Banco Mundial, as incertezas sobre a economia global e a instabilidade política em diversos países do Oriente Médio e do norte da África devem manter os preços do petróleo voláteis no curto prazo.
África
O resultado dessa combinação de altos preços dos alimentos, baixos estoques e grande volatilidade é uma situação de risco para as populações mais pobres do mundo em desenvolvimento, onde o exemplo mais recente é o da crise que já afeta mais de 12 milhões de pessoas no Chifre da África.
De acordo com o relatório, apesar de a situação de emergência na região ter sido provocada por um período prolongado de seca e conflitos internos, como no caso da Somália, os altos preços dos alimentos contribuíram para agravar a crise.
“O desastre afetou os mais vulneráveis”, diz o Banco Mundial. “Na Somália, os preços dos cereais produzidos localmente continuam a crescer em todas as regiões desde 2010 e já ultrapassam o pico de 2008.”
Para Zoellick, “em nenhum outro lugar do mundo” a combinação de altos preços dos alimentos, pobreza e instabilidade produz efeito mais trágico do que no Chifre da África.
Segundo o relatório, como a vulnerabilidade aos altos preços dos alimentos varia em cada país e também entre diferentes grupos populacionais dentro de um mesmo país, a resposta ao problema deve envolver uma combinação entre intervenções de emergência para ajudar aos mais vulneráveis e iniciativas de longo prazo. (EcoDebate)

Aquicultura pode reduzir a fome no mundo

Professor da USP afirma que a aquicultura pode contribuir para reduzir o problema da fome no mundo
A nutrição de peixes e a fome mundial – Até o ano de 2050, o mundo passará dos atuais 6,7 bilhões para mais de 9 bilhões de habitantes agravando um problema já existente: a fome mundial. Os dados são da Divisão de Estatísticas das Nações Unidas (Unstat) e foram apresentados pelo professor Daniel Eduardo Lavanholi de Lemos do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP) durante o World Aquaculture 2011, realizado de 6 a 10 de junho em Natal (RN).
O crescimento populacional é agravado pela desigualdade, já que o grupo dos mais ricos cresce menos que o grupo dos mais pobres, segundo o pesquisador. No cenário de 2050 delineado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), as nações da Ásia e da África subsaariana abrigarão 60% da população do planeta.
Diante desse quadro, Lemos acredita que a aquicultura possui um importante papel a cumprir. “O pescado já é segunda maior fonte de proteína animal atrás apenas dos suínos”, assinalou o professor da USP, ressaltando que a aquicultura já divide igualmente com a pesca o fornecimento de pescado mundial.
A diferença é que a produção pesqueira não cresce desde o ano 2000 enquanto que a aquicultura aumenta a cada ano e ainda tem muito potencial para se expandir, segundo o especialista. “Assim como ocorreu com a caça, que não responde mais pelo suprimento de alimentos para o homem, era previsível que o mesmo ocorresse com a pesca”, assinalou Lemos em seu trabalho.
No entanto, para crescer de maneira sustentável, a criação de pescado deve enfrentar vários desafios. Um dos maiores será o de encontrar fontes alternativas de nutrientes para as rações de piscicultura.
Isso ocorre porque ainda se usam recursos marinhos na aquicultura. Boa parte da alimentação dos animais criados em tanques são rações compostas por farinha feita com peixes pescados e a redução dos estoques naturais tem tornado a matéria-prima mais rara e o produto a cada dia mais caro. “A escassez desse insumo levará a buscas mundiais cada vez maiores por fontes de nutrientes-chave”, aventou.
Encontrar soluções sustentáveis para a nutrição na aquicultura é o desafio atual de Lemos que coordena o projeto “Determinação in vitro da digestibilidade da proteína alimentar para peixes em aquicultura”, que tem o apoio FAPESP na modalidade Auxílio a Projeto de Pesquisa – Regular.
Subprodutos da agricultura
Boa parte da resposta para a questão da aquicultura sustentável estaria na agricultura. Com produção mundial crescente, muitos subprodutos agrícolas poderão entrar na composição de rações sem prejuízo para a produção de alimentos, acredita o professor.
“A tendência é usar fontes cada vez mais grosseiras para as rações e deixar as matérias-primas mais nobres para o consumo humano”, afirmou. Segundo ele, o arroz quebrado, por exemplo, é componente de rações no Ocidente, mas a China não se dá mais ao luxo de lançá-lo aos animais, pois prefere destiná-lo à população.
Com um setor agropecuário superavitário, o Brasil desponta como um potencial fornecedor de insumos para a aquicultura, na opinião de Lemos, além de possuir vastas extensões de espelhos d’água a serem exploradas.
E mesmo com os desafios relacionados à nutrição sustentável, a aquicultura ainda apresenta inúmeras vantagens em relação aos outros tipos de criação animal. Lemos lembra que mais de 50% da produção aquícola prescinde de ração como algas, ostras, vieiras e mexilhões ou de peixes que não consomem proteína animal.
Os animais aquáticos também são os que melhor convertem nutrientes em carne, pois não gastam energia para produzir calor como os animais homeotérmicos e sofrem menos a ação da força da gravidade, o que também demanda energia para a manutenção estrutural do corpo.
“Teremos que saber administrar cada vez melhor os nutrientes-chave e saber usar os recursos nutritivos para a aquicultura de modo que ela se torne solução para a falta de alimentos, e não parte desse problema”, concluiu. (EcoDebate)

Os porquês da fome

Vivemos em um mundo de abundância. Hoje se produz comida para 12 bilhões de pessoas, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), quando no planeta habitam 7 bilhões. Comida, existe. Então, por que uma em cada sete pessoas no mundo passa fome?
A emergência alimentar que afeta mais de 10 milhões de pessoas no Chifre da África voltou colocar na atualidade a fatalidade de uma catástrofe que não tem nada de natural. Secas, inundações, conflitos bélicos… contribuem para agudizar uma situação de extrema vulnerabilidade alimentar, mas não são os únicos fatores que a explicam.
A situação de fome no Chifre da África não é novidade. Somália vive uma situação de insegurança alimentar ha 20 anos. E, periodicamente, os meios de comunicação removem nossos confortáveis sofás e nos recordam o impacto dramático da fome no mundo. Em 1984, quase um milhão de pessoas mortas na Etiópia; em 1992, 300 mil somalenses faleceram por causa da fome; em 2005, quase cinco milhões de pessoas a beira da morte no Malaui, só para citar alguns casos.
A fome não é uma fatalidade inevitável que afeta a determinados países. As causas da fome são políticas. Quem controla os recursos naturais (terra, água, sementes) que permitem a produção de comida? A quem beneficiam as políticas agrícolas e alimentares? Hoje, os alimentos se converteram em uma mercadoria e sua função principal, alimentar-nos, ficou em segundo plano.
Se aponta a seca, com a consequente perda de colheitas e gado, como um dos principais desencadeadores da fome no Chifre da África, mas como se explica que países como Estados Unidos o Austrália, que sofrem periodicamente secas severas, não sofram fomes extremas? Evidentemente, os fenômenos meteorológicos podem agravar os problemas alimentares, mas não bastam para explicar as causas da fome. No que diz respeito a produção de alimentos, o controle dos recursos naturais é chave para entender quem e para quê se produz.
Em muitos países do Chifre da África, o acesso a terra é um bem escasso. A compra massiva de solo fértil por parte de investidores estrangeiros (agroindústria, Governos, fundos especulativos…) têm provocado a expulsão de milhares de camponeses de suas terras, diminuindo a capacidade destes países para se auto abastecerem. Assim, enquanto o Programa Mundial de Alimentos tenta dar de comer a milhões de refugiados no Sudão, se dá o paradoxo de que governos estrangeiros (Kuwait, Emiratos Árabes Unidos, Coreia…) os compram terras para produzir e exportar alimentos para suas populações.
Assim mesmo, ha que recordar que Somália, apesar das secas recorrentes, foi um país autossuficiente na produção de alimentos até o final dos anos setenta. Sua soberania alimentar foi arrebatada em décadas posteriores. A partir dos anos oitenta, as políticas impostas pelo Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial para que o país pagasse sua dívida com o Clube de París, forçaram a aplicação de um conjunto de medidas de ajuste. No que se refere a agricultura, estas implicaram uma política de liberalização comercial e abertura de seus mercados, permitindo a entrada massiva de produtos subvencionados, como o arroz e o trigo, de multinacionais agroindustriais norte-americanas e europeias, que começaram a vender seus produtos por debaixo de seu preço de custo e fazendo a competição desleal com os produtores autônomos. As desvalorizações periódicas da moeda somalenses geraram também a alta do preço dos insumos e o fomento de uma política de monocultivos para a exportação forçou, paulatinamente, o abandono do campo. Histórias parecidas se deram não só nos países da África, mas também na América Latina e Ásia.
A subida do preço de cereais básicos é outro dos elementos assinalados como detonante da fome no Chifre da África. na Somália, o preço do milho e o sorgo vermelho aumentou 106% e 180% respectivamente em apenas um ano. Na Etiópia, o custo do trigo subiu 85% em relação ao ano anterior. E no Kênia, o milho alcançou um valor 55% superior ao de 2010. Uma alta que converteu estes alimentos em inacessíveis. Mas, quais são as razões da escalada dos preços? Váios indícios apontam a especulação financeira com as matérias primas alimentares como uma das causas principais.
O preço dos alimentos se determina nas Bolsas de valores, a mais importante das quais, a nivel mundial, é a de Chicago, enquanto que na Europa os alimentos se comercializam nas Bolsas de futuros de Londres, París, Ámsterdam y Frankfourt. Mas, hoje em dia, a maior parte da compra e venda destas mercadorias não corresponde a intercâmbios comerciais reais. Se calcula que, nas palavras de Mike Masters, do hedge fund Masters Capital Management, 75% do investimento financeiro no setor agrícola é de caráter especulativo. Se compram e vendem matérias primas com o objetivo de especular e fazer negócio, repercutindo finalmente em um aumento do preço da comida para o consumidor final. Os mesmos bancos, fundos de alto risco, companhias de seguros, que causaram a crise das hipotecas subprime, são quem hoje especula com a comida, aproveitando-se dos mercados globais profundamente desregularizados e altamente rentáveis.
A crise alimentar em escala global e a fome no Chifre da África em particular são resultado da globalização alimentar a serviço dos interesses privados. A cadeia de produção, distribuição e consumo de alimentos está nas mãos de umas poucas multinacionais que antepõem seus interesses particulares às necessidades coletivas e que ao largo das últimas décadas têm erosionado, com o apoio de instituições financeiras internacionais, a capacidade dos Estados do sul para decidir sobre suas políticas agrícolas e alimentares.
Voltando ao princípio, Por quê existe fome em um mundo de abundância? A produção de alimentos se multiplicou por três desde os anos sessenta, enquanto que a população mundial tão só duplicou desde então. Não estamos enfrentando um problema de produção de comida, mas sim um problema de acesso. Como assinalou o relator da ONU para o direito a alimentação, Olivier de Schutter, em uma entrevista a EL PAÍS: “A fome é um problema político. E uma questão de justiça social e políticas de redistribuição”.
Se queremos acabar com a fome no mundo é urgente apostar por outras políticas agrícolas e alimentares que coloquem no seu centro as pessoas, as suas necessidades, a aqueles que trabalham a terra e o eco-sistema. Apostar pelo que o movimento internacional da Vía Campesina chama a “soberania alimentar”, e recuperar a capacidade de decidir sobre aquilo que comemos. Tomando emprestado um dos lemas mais conhecidos do Movimiento 15-M, é necessário uma “democracia real, já” na agricultura e na alimentação. (EcoDebate)

sábado, 27 de agosto de 2011

Coleta seletiva ruim emperra reciclagem

Coleta seletiva ruim emperra setor de reciclagem de PET
Brasil chega a importar plástico reciclado do Paraguai para atender à demanda crescente, mesmo tendo índice alto de reciclagem, de 56%.
Em 2010 o Brasil reciclou 56% das embalagens de PET colocadas no mercado, ou 282 mil toneladas. O número - considerado alto por especialistas, dada a coleta seletiva incipiente que existe no País - é 7,6% maior que o de 2009. A indústria recicladora brasileira, no entanto, ainda trabalha com 30% de capacidade ociosa e o Brasil chega a importar PET reciclado do Paraguai.
"Nos últimos três anos importamos 10 mil toneladas em forma de "flakes" (flocos), vindas do Paraguai", afirma o presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), Auri Marçon.
O resultado é que o preço do PET reciclado se equipara ao valor da matéria-prima oriunda da natureza. Os pelets (pequena unidade de PET) virgens custam cerca de US$ 1,9 a tonelada e os flakes reciclados, US$ 1,6.
Os números foram apresentados ontem em evento da Abipet para divulgação do 7.º Censo da Reciclagem do PET.
Como consequência da falta de embalagens para reciclagem, as margens de crescimento da indústria de reciclagem do PET vêm caindo em relação aos anos anteriores.
De 1994 a 2002, o porcentual de reciclagem das embalagens PET pós-consumo no Brasil subiu de 18,8% para 35% do total comercializado. De 2003 a 2006, subiu de 43% para 51,3%. E, desde então, a alta anual tem variado de 1,5% a 2%. "Não se pode esperar o mesmo crescimento dos anos anteriores, porque isso não vai acontecer. A indústria da reciclagem está tirando PET de pedra", diz Leandro Fraga Guimarães, consultor da Nous Consulting, que fez o censo.
Falta coleta
Dados de um relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), lançado em 2010, indicam que 37% dos materiais potencialmente recicláveis aparecem misturados aos resíduos sólidos urbanos. Do ponto de vista da reciclagem, esses 37% não têm destinação adequada e são "enterrados" com outros materiais não recicláveis, como matéria orgânica, por exemplo.
A falta de um bom sistema de coleta seletiva é apontada pelos especialistas como o calcanhar de aquiles da indústria da reciclagem PET no Brasil. "O material está aqui, mas nós não temos como chegar a ele, pois está escondido nos aterros", diz Guimarães. "Nós recolocamos tudo o que reciclamos na cadeia produtiva brasileira. Mas estamos estrangulados pela coleta seletiva incipiente", afirma Marçon.
Hoje, apenas 18% das cidades brasileiras têm coleta seletiva.
Boa performance
Apesar do cenário, numa comparação com vários países com indicadores socioeconômicos melhores do que os nossos, o Brasil acaba tendo uma posição de destaque na reciclagem do PET. Em um estudo que cruzou dados de reciclagem de PET com informações sobre população, território, renda per capita e escolaridade, o País está na sexta colocação, atrás de Japão, França, Alemanha, Suíça e República Tcheca.
"São países que têm um território muito menor que o nosso, índice de escolaridade e renda per capita maiores, mas aparecemos próximos deles no tocante à reciclagem de PET", explica o analista de mercado Sotirios Denis Ghinis, da Abipet.
Ele atribui isso a três variáveis: a pesquisa para aplicação do PET reciclado, a disponibilidade de mão de obra abundante (catadores) e o espírito de empreendedorismo do brasileiro.
"A indústria brasileira viu no PET pós-consumo uma oportunidade, um novo material para trabalhar", afirma o analista. "É um equilíbrio um pouco frágil, é verdade, porque nenhum país desenvolvido chegou a esse nível só pelas forças do mercado. É preciso que o Estado atue e que a sociedade civil faça sua parte."
No Brasil, o maior usuário do PET reciclado é o setor têxtil (38% do total), seguido de resinas (19%), embalagens (17%) e laminados (8%). (OESP)

Resíduo de tratamento de água é útil

Resíduo de tratamento de água é útil na produção de concreto para calçamentos
Pesquisa da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP mostra o lodo produzido em Estação de Tratamento de Água (ETA) pode ser usado na confecção de concreto para recomposição de calçadas. O concreto pronto tem a propriedade de encapsular resíduos metálicos perigosos presentes no lodo, evitando que causem riscos à saúde. O reaproveitamento também evita que o lodo seja lançado na natureza, contaminando o ambiente.
Corpo de prova de concreto com teor de lodo em torno de 10% na mistura
Os experimentos utilizaram o lodo produzido pela ETA de Mirassol, no interior de São Paulo. “Este resíduo normalmente não é reaproveitado, sendo simplesmente descartado em corpos hídricos, podendo atingir áreas de mananciais e comprometer o abastecimento de água”, conta o professor Valdir Schalch, da EESC, que coordenou a pesquisa.
Na ETA foi utilizado o Cloreto de Polialumínio Composto (PAC), um produto químico que é aplicado para induzir a formação do lodo por meio de coagulação. O resíduo foi levado para o Laboratório de Saneamento da EESC, onde passou por ensaios de lixiviação e solubilização. Em seguida, no Laboratório de Construção Civil da Escola, aconteceram os ensaios de utilização do lodo na produção de concreto.
Os pesquisadores elaboraram três traços de concreto, cada um com diferentes proporções de lodo, cimento, areia e brita. “Os melhores resultados surgiram com teores de lodo em torno de 10% na mistura”, destaca Schalch. “A espessura para que o concreto possa ser aproveitado em calçadas é de aproximadamente 5 centímetros”.
Viabilidade
O lodo da ETA de Mirassol foi classificado como resíduo “Classe II A”. Apesar de não ser perigoso e nem inerte, ele contém teores elevados de cádmio, chumbo e manganês, metais que podem trazer riscos à saúde humana. “Quando o concreto é utilizado na calçada, esses metais ficam encapsulados, e o risco de contaminação se torna bastante reduzido”, ressalta o professor da EESC.
Lodo em estado bruto recolhido na Estação de Tratamento de Água (ETA)
De acordo com Schalch, o uso do lodo para confecção de blocos usados na construção de casas e edifícios não é recomendado, pois não existem normatizações reguladoras específicas, o que levou a sua utilização em calçamentos. “O concreto apresentou resultados satisfatórios para ser utilizado em recomposição de calçadas”, acrescenta.
O reaproveitamento do lodo diminui os custos da destinação final do resíduo. “A nova Política Nacional de Resíduos Sólidos, regulamentada pelo Decreto 7.404/2010, no que diz respeito aos resíduos de serviços públicos de saneamento básico, estabelece que eles não devem ser lançados em corpos hídricos, como rios e lagos”, afirma o professor. “Por isso, a reutilização para produção de concreto é uma alternativa ambientalmente adequada”.
A pesquisa faz parte da dissertação de mestrado do engenheiro Alvaro José Calheiros da Costa, apresentada no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Hidráulica e Saneamento da EESC da USP. O estudo teve orientação do professor Valdir Schalch, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Saneamento da EESC. (EcoDebate)

MDL: no lugar do lixo, um monte de dinheiro

Dos 5.612 municípios brasileiro, 100 têm condições de implementar projetos que utilizem os aterros sanitários para gerar créditos de carbono, o que poderia resultar numa receita bruta de 2,7 bilhões de euros, com uma redução de emissões de carbono estimada em 807 milhões de toneladas. Esta é uma das conclusões do estudo “Utilização do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL)”, divulgado pelo Instituo de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Como exemplos, o documento análise as iniciativas para geração de biogás desenvolvidas pelo Projeto NovaGerar, em Nova Iguaçu (RJ), e do Aterro Bandeirantes, em São Paulo.
Segundo o estudo, o setor de saneamento básico, em particular o de tratamento de lixo, apresenta elevada potencialidade para a utilização de um MDL setorial. “A maior utilização do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo poderia ser um elemento importante para viabilizar projetos ou políticas públicas que contribuam para o desenvolvimento brasileiro sustentável”, afirmou a técnica de Planejamento e Pesquisa Maria Bernadete Gomes.
Além de abordar o setor de saneamento básico do Brasil e o tratamento dos resíduos sólidos e projetos de geração de energia a partir de aterros, o estudo trata dos panoramas brasileiro e mundial do MDL, do mercado de carbono – com seus volumes e valores –, das políticas públicas e medidas de desenvolvimento sustentável. No mercado de MDL, o Brasil figura no terceiro lugar. (ambienteenergia)

Destinação final de Resíduos Sólidos

A solução adequada para disposição final dos resíduos não-reaproveitáveis ou recicláveis no Brasil, tem sido os aterros sanitários. Realidade europeia principalmente utiliza muito usinas de geração de energia a partir dos resíduos, até por falta de espaço físico para aterros. Os aterros podem ser de vários tipos, classificados de várias formas, mas os itens que obrigatoriamente devem constituir os aterros são:
1. Sítios naturais, escavados ou encostas acima do lençol freático pelo menos 3 m;
2. Colocações de um sistema impermeabilizante, que evite que o chorume atinja solos e lençóis freáticos ou subterrâneos, geralmente são utilizadas mantas de polietileno de alta densidade (PEAD), mas outros materiais podem ser utilizados;
3. Instalação de um sistema de drenos-testemunho, capaz de identificar a presença de danos nas mantas pela infiltração e coleta de chorume abaixo do material impermeabilizante, possibilitando assim sua recuperação;
4. Instalação de sistema de coleta de chorume acima do sistema impermeabilizante, para envio para estação de tratamento de efluentes;
5. Sistemas de coberturas e drenagens laterais, para evitar que precipitações pluviométricas aumentem muito a quantidade de líquidos percolados.
Em aterros para resíduos industriais, estas regras têm sido rigorosamente adotadas na maioria das centrais de resíduos. Nos resíduos urbanos, cuja atribuição de gerenciamento é do poder público municipal as situações são muito diversas. Em geral grandes e médios municípios apresentam condições satisfatórias ou se encontram em processos que vão resultar em condições satisfatórias. O mesmo não se pode afirmar dos pequenos municípios, que por razões de dificuldades técnicas e econômicas, apresentam realidades muito diferentes entre si.
Os resíduos sólidos produzem gases como dióxido de carbono (CO2), ácido sulfídrico (H2S) e metano (CH4) e lixiviados e percolados, que são misturas de chorumes gerados pela degradação da matéria orgânica acrescidos de água proveniente de precipitações pluviométricas. Este conjunto de fluidos necessita tratamento adequado para evitar impactos ambientais indesejados.
Também deve ser considerada a possibilidade de combustão e explosão dos gases de metano. A explosão é sempre improvável porque exigiria grandes concentrações e quantidades do gás, mas nunca deve ser descartada ou negligenciada.
Os resíduos domésticos devem estar isentos de materiais que contenham metais pesados, como restos de lâmpadas fluorescentes, pilhas, baterias e outros. Os metais pesados têm efeito acumulativo e irreversível na biota de rios e lagos e também sobre populações. Durante a fase de degradação anaeróbia que acontece nos aterros, o baixo PH da fase acidogênica favorece a solubilização destes metais, que podem atingir o ambiente em elevadas concentrações.
Os efeitos do gerenciamento inadequado de resíduos sólidos podem ser mais indiretos do que diretos. Não por acaso o Brasil atravessa fases de epidemias de dengue, malária e febre amarela. Não se tem dados de correlações diretas destas epidemias com a gestão de resíduos ou o saneamento básico como um todo, mas evidentemente que não é acaso. E de alguma forma o poder público em seus diversos níveis, tem tomado decisões políticas de fomentar o investimento em saneamento básico em geral.
Além das contaminações possíveis, a grande geração de vetores transmissores de doenças pode ser ter um efeito maléfico de maiores dimensões. Entre a chamada fauna sinantrópica (resultante dos depósitos de lixos e assemelhados), destacam-se:
* ratos: causadores de peste bubônica e leptospirose;
* moscas: que podem abrigar agentes transmissores de febres, cólera, tuberculose, lepra, varíola, hepatite, amebíase e teníase;
* mosquitos: que transmitem viroses, dengue, febre amarela, malária;
* baratas: que são suspeitas pela disseminação de poliomielites;
* aves: como urubus, que transmitem toxoplasmose.
Existem aeroportos no país, que sofrem bastante com a proliferação descontrolada de aves como urubus que atrapalham operações seguras de aterrisagem ou decolagem.
Tecnicamente, se diz que existe reutilização de materiais quando os mesmos são reutilizados no estado em que se encontram e reciclagem quando são transformados ou servem de matéria-prima para novos processos industriais. (EcoDebate)

Dicas para atender Lei de Resíduos Sólidos

Dicas de como atender rapidamente à Lei de Resíduos Sólidos
Regulamentação nacional está em vigor no Brasil desde 23/12. Advogado lista ações rápidas para evitar multas e efetivar a coleta de lixo eletrônico.
Investir em ações para orientar os consumidores sobre o descarte correto do lixo eletrônico pode trazer mais resultados que correr o risco de levar multas pelo não cumprimento da Lei de Política Nacional de Resíduos Sólidos, que acaba de entrar em vigor. O alerta é do advogado Vladimir Silveira, do escritório Advocacia Ubirajara Silveira, que dá algumas sugestões para as companhias de TI e telecom se adequarem rapidamente às novas normas com a participação dos clientes e evitar transtornos.
Alguns Estados brasileiros, como o de São Paulo, já contatavam com esse tipo de regulamentação que agora passa a valer em todo o País, exigida pelo governo federal, que aprovou a Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída pela lei nº 12.305 de 2 agosto de 2010. A medida foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva por meio de decreto em 23/12, data em que entrou em vigor.
Pela nova regulamentação, fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes são responsáveis pelo ciclo de vida dos produtos. A lei também cria obrigações para os órgãos públicos de limpeza urbana e para os consumidores. Todos estão sujeitos a multas pelo não cumprimento da norma. As infrações variam de 500 reais a 10 milhões de reais.
São considerados resíduos sólidos as partes e peças de bens de consumos, como computadores, celulares e eletrônicos, que após o uso se transformam em lixo perigoso que causa danos tanto ao meio ambiente como à população.
A nova lei obriga as indústrias e toda sua cadeia de fornecimento a gerenciar esses materiais, adotando medidas para a destinação correta e implementação de coletas seletivas para receber esses resíduos sólidos para reutilização ou reciclagem.
Os consumidores também são obrigados a cumprir a nova lei, devolvendo seu lixo eletrônico para a indústria por meio das coletas seletivas quando elas forem adotadas. A devolução tem de obedecer às regras de acondicionamento, separação e descarte. Os usuários infratores estarão sujeitos às penalidades de advertência. No caso de reincidência, esses consumidores pagarão multa de 50 reais a 500 reais depois que toda a logística de devolução de resíduos sólidos estiver em operação.
Como obedecer à lei
O advogado Vladimir Silveira considera que a lei brasileira é um avanço, pois incorporou padrões que são adotados pela Europa e outros mercados que estão mais adiantados nessas questões ambientais. Ele afirma que o não cumprimento terá implicações legais e aconselha as empresas, principalmente as de TI, que geram muito lixo eletrônico, a investirem em campanhas para informar aos seus consumidores como obedecer às regras.
Segundo o advogado, a lei veio para ficar e as empresas precisam se adequar às novas regras, pois esse é um movimento internacional e que não há jeito de ficar de fora dele. “É importante informar ao consumidor o que ele deve fazer com o celular velho quando adquire outro novo”, diz Silveira. Ele observa que muitos acabam deixando os telefones velhos na gaveta em casa porque não saber onde há locais para coleta e alguns até se livram do equipamento antigo, jogando no lixo comum.
Confira a seguir as dicas do advogado para sua empresa ficar compliance com o meio ambiente:
1- Crie um site para cadastro do lixo eletrônico
Para que os aparelhos retornem à indústria com maior participação dos consumidores, o advogado aconselha as fabricantes a criarem sites, orientando não apenas sobre os endereços de coleta, mas que permitam com que eles se cadastrem e informem onde há lixo eletrônico para ser recolhido. Nesse caso, a empresa poderia colocar motoboy para buscar esses aparelhos para reaproveitamento.
Como essa operação vai gerar custos, Silveira sugere que as empresas façam parcerias e envolvam associações nesse processo, como por exemplo, a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).
2- Aumente os pontos de coletas coletivas
Em vez de pontos de coletas individuais, as empresas podem se unir e criar locais juntas com apoio da Abinee. Segundo Silveira, a parceria ajuda a aumentar o número de postos com custos rateados.
3- Faça programas de inclusão digital
As empresas devem informar ao consumidor como os resíduos sólidos que ele devolveu para a indústria está sendo reaproveitado. Muitos dos equipamentos podem ser consertados e doados para escolas ou entidades carentes. A população pode sugerir nomes de estabelecimentos de ensino ou associações de seu bairro para entrar na lista dos beneficiados. É uma forma de envolvê-las nessa operação. Silveira observa que é importante as pessoas saberem que não estão apenas gerando lixo, mas também participando do processo de inclusão digital no Brasil.
4- Lance campanhas de conscientização
Como o movimento de sustentabilidade está ganhando força no mundo, os consumidores tendem a comprar produtos de empresas que adotam política para proteger o meio ambiente, utilizando matéria-prima adequada e processo de fabricação verde. Por isso, é importante investir em projetos e campanhas de para informar as ações adotadas para cumprimento da lei.
5- Busque apoio para pesquisa e desenvolvimento
As empresas serão obrigadas a investir pesado em pesquisa e desenvolvimento para produzir produtos verdes. Para encurtar esse caminho, elas podem fazer parcerias com centros de pesquisas de universidades e incentivar os estudantes a desenvolverem teses e estudos sobre temas ligados à sustentabilidade. (computerworld)

Para onde vai seu eletrônico?

(OESP)

Desmanche referência

No galpão de 400 metros quadrados trabalham sete funcionários, incluindo quatro técnicos, responsáveis por desmontar as 10 toneladas de equipamentos velhos que o Cedir recebe por mês. A quantidade pode chegar a 12 toneladas. Três quartos são equipamentos antigos da própria universidade e por volta de 2,5 toneladas são doações da população da cidade, o que dá uma ideia do tamanho do problema do lixo eletrônico no País.
Apesar de o centro receber apenas eletrônicos como monitores, celulares, notebooks, computadores e acessórios, chega de tudo por lá. Câmeras fotográficas antigas, videogames, relógios de mesa, rádios, fitas cassete, TVs de tubo… Coisas que a equipe guarda para montar um futuro museu na universidade. Em um dos enormes sacos onde os componentes são separados e destinados para reciclagem há até um aspirador de pó velho. “Não sei como veio parar aqui. Devem ter mandado de maldade mesmo”, diz Tereza.
No Cedir, a primeira etapa é separar as peças que ainda funcionam e podem ser aproveitadas em computadores de projetos de inclusão digital. “Tem que ser no mínimo Pentium 4”, ela diz. As placas, discos rígidos, processadores, memórias RAM, drivers de CDs e DVDs, são raspados para apagar as marcas e evitar que sejam revendidos como novos. Quando o computador remontado é doado para uma ONG, a instituição se compromete a devolvê-lo ao fim da vida útil para ser reciclado.
As peças que não funcionam são desmontadas e separadas. Carcaças e gabinetes vão para um lado. Baterias para o outro. Estruturas metálicas são prensadas. Placas e circuitos vão para um saco diferente até alcançarem cinco toneladas de material – o mínimo para ser comercialmente viável para uma empresa de reciclagem fazer a coleta. “Demorou um ano para juntar”, explica a pesquisadora, que também coordena o Laboratório de Sustentabilidade (Lassu) da USP.
Desde abril, o laboratório iniciou um programa de treinamento para catadores. O objetivo é ensinar como lidar com os resíduos de eletrônicos. (OESP)

Descarte desregrado

Centro de Descarte e Reúso de Resíduos de Informática
Um ano após a aprovação da lei que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, o brasileiro ainda continua obrigado a recorrer a alternativas para descartar computadores, impressoras, celulares, televisores, monitores e outros eletrônicos usados. Ainda não existem regras específicas para o descarte desse tipo de lixo valioso que se torna um problema cada vez maior para o mundo todo.
A demora ocorre, principalmente, por causa da burocracia e, ainda, pela falta de uma definição legal. Aprovada em 2 de agosto do ano passado depois de 20 anos, a lei 12.305 obriga “fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes” de eletrônicos, e de outros cinco tipos produtos, a criar uma rede de coleta e destinação de aparelhos usados – a chamada logística reversa –, mas não define os detalhes de como isso deve ser feito.
Para ter efeito prático, a lei ainda depende de um acordo setorial que começou a ser elaborado a partir de abril deste ano, com a criação de um comitê do governo federal que ficou responsável pelo trabalho de implementação da nova política de descarte de lixo no País.
O chamado Comitê Interministerial da Política Nacional de Resíduos Sólidos é formado por grupos temáticos que discutem como será a logística reversa de cada tipo de produto, incluindo o de eletrônicos como os que estão guardados atualmente nas casas de muitas pessoas por falta de um destino correto ou que são descartados no lixo comum.
Debate no início. O grupo temático sobre eletroeletrônicos, que inclui setores do governo, da indústria, dos municípios e representantes de ONGs e de catadores, se reuniu três vezes desde maio e espera começar a trabalhar o acordo setorial a partir de uma primeira proposta que ainda será apresentada pela indústria de eletrônicos no dia 25/08.
A discussão está só começando e deve se estender por seis meses pelo menos. O coordenador do grupo temático, Alexandre Comin, espera que o texto esteja fechado até janeiro e possa ser enviado para consulta pública logo em seguida. Até lá, muitas dúvidas ainda terão de ser esclarecidas.
“Quem vende deve ser obrigado a receber o mesmo tipo produto? É esse tipo de coisa que a proposta do acordo deve definir”, disse Comin, que é diretor do departamento de competitividade industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
A opinião da indústria é de que é preciso criar modelos diferentes de coleta para cada tipo de eletroeletrônico, divididos nas linhas branca (produtos como geladeira, freezer, lava-roupa, ar-condicionado), marrom (TVs, DVDs, VHS, equipamentos de áudio), verde (computadores, impressoras, celular) e azul (eletrodomésticos menores, como batedeira, liquidificador, ferro de passar).
Ou seja, uma loja que vende computador não poderia receber nem se responsabilizar por dar um destino correto a uma geladeira velha, por exemplo.
O relator do grupo temático, André Luís Saraiva, afirma que o próximo passo é encomendar estudos técnicos para levantar qual o tamanho do lixo eletroeletrônico do País, quantos aparelhos são descartados em cada Estado e fazer um mapeamento das empresas que reciclam esse tipo de material.
“Depois queremos fazer um projeto piloto, em alguma cidade, com alguns produtos. Acho que a partir de outubro já teremos resultados desse teste, que pode ser ampliado”, disse Saraiva, que é diretor de responsabilidade socioambiental da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).
A pesquisadora Angela Cassia Rodrigues, que estuda o tema e tem um projeto de pesquisa para identificar como os paulistanos usam, guardam e descartam 26 tipos de eletroeletrônicos, critica a falta de prazos e metas na legislação brasileira.
Apesar do crescimento no número de cooperativas que dão um destino ao lixo eletrônico, “as pessoas não sabem o que fazer com os produtos velhos e guardam na esperança de fazer algo com eles no futuro”, disse.
Para ela, que é doutoranda da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, “não se pode deixar que o mercado de reciclagem se autorregule”, afirma. “Dentre os resíduos de eletroeletrônicos, existem partes que têm valor econômico, outras que têm custo elevado de tratamento e logística e que, por este motivo, normalmente acabam sendo destinadas a locais inadequados”, disse. (OESP)

Classificação de Resíduos

Classificação de Resíduos, segundo a NBR 10.004
Para resolver a questão de classificação dos resíduos, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) elaborou e vinculou a NBR 10.004 as seguintes normas e procedimentos:
NBR 10.005 – Lixiviação de resíduos – Procedimento;
NBR 10.006 – Solubilização de resíduos – Procedimento;
NBR 10.007 – Amostragem de resíduos – Procedimento.
A partir deste conjunto de regramentos e definições, os resíduos sólidos são classificados e enquadrados em uma das seguintes classes:
I. Resíduos Classe I – Perigosos: quando o resíduo estiver enquadrado em pelo menos 1 dos critérios de periculosidade ou quando submetidos a testes de lixiviação apresentam extratos lixiviados com concentrações superiores a listagem 7 da NBR 10.004 e se as concentrações forem inferiores, será realizado ensaio de solubilização para avaliação e classificação do resíduos na classe II;
II. Resíduos classe IIA – Não-inertes: são os resíduos que não se enquadram em nenhuma das outras classes, mas são reativos, e podem apresentar combustibilidade, biodegradabilidade ou solubilidade em água, estando incluídos a matéria orgânica, papéis, papelão, matéria vegetal e outros;
III. Resíduos classe IIB – Inertes: são os resíduos que quando submetidos a testes de solubilização não tem nenhum dos seus constituintes solubilizados em concentrações superiores aos padrões de potabilidade da água, da Listagem 8, anexo H da NBR 10.004. São rochas, tijolos, vidros, alguns tipos de plásticos e borrachas. Caso as concentrações sejam superiores aos padrões, são classificados como resíduos classe II; na prática, comumente se associa este tipo de resíduo com os entulhos da construção civil, embora nem todos sejam desta classe, como bem normatiza a Resolução 307 de 05 de julho de 2.002 do CONAMA.
Os resíduos reativos estão fora das normatizações por serem de competência da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).
A NBR 10.004 tem como instrumentos auxiliares na classificação dos resíduos, as seguintes listagens:
1. Listagem 1: resíduos de fontes não específicas;
2. Listagem 2: resíduos sólidos de fontes específicas;
3. Listagem 3: constituintes perigosos;
4. Listagem 4: substâncias que conferem periculosidade aos resíduos;
5. Listagem 5: Substâncias agudamente tóxicas;
6. Listagem 6: Substâncias tóxicas;
7. Listagem 9: concentrações máximas de poluentes na massa bruta de resíduos que são utilizados pelo Ministério do Meio-Ambiente da França para classificação de resíduos;
8. Listagem 10: concentração máxima para caracterizar os resíduos como perigosos.
Nas listagens de 1 a 6 estão relacionados os tipos de resíduos e substâncias responsáveis pelo caráter de periculosidade. Nas Listagens 9 e 10 estão apresentadas as concentrações mínimas e máximas, de resíduos perigosos na massa total da amostra.
Os resíduos sólidos são a denominação das normatizações para os lixos que são constituídos de uma grande diversidade de materiais, oriundos das mais variadas atividades humanas.
Potencialmente, a disposição inadequada de resíduos apresenta elevados riscos de contaminação de solos e lençóis freáticos ou subterrâneos. Mas considerando as altas concentrações de matéria orgânica e o consequente Nitrogênio amoniacal produzido, até que são restritas as ocorrências de interferências relevantes na saúde pública.
Com exceção da matéria orgânica, é grande a parcela de resíduos inertes, não-biodegradáveis e não-contaminados nos lixos domésticos. Mas ocorre também contaminação por material fecal, devido à presença de absorventes e fraldas descartáveis, entre outros.
Também pode ocorrer a presença de lodos, provenientes de processos de tratamento de esgoto, que podem apresentar grandes concentrações de organismos patogênicos. A elevação de temperatura e as modificações de pH, atenuam a periculosidade destes materiais em codisposições com resíduos urbanos.
 A presença de organismos saprofíticos (que se alimentam de animais e vegetais em decomposição) reduz muito a possibilidade de existência de organismos patogênicos e por isso a extensão das consequências da disposição inadequada de resíduos acaba reduzida.
Os resíduos sólidos urbanos, de origem doméstica são mais de 230.000 toneladas diárias. O país apresenta médias de 0,8 a 1,2 kg/hab/dia para as taxas médias aceitas de geração de resíduos. Valores absolutamente exatos são difíceis neste campo de observação, e todos os indicativos quantitativos são aproximados, independentemente da referência bibliográfica que se utilize.
Por muito tempo, os resíduos sólidos urbanos foram dispostos em lixões, acumulados em terrenos destinados pelas Prefeituras para tal finalidade. Muitos lixões se transformaram em questões relevantes de contaminações, saúde pública e assentamento irregular de catadores, com todas as suas consequências.
A partir das primeiras ações buscando conscientizar sobre a questão do lixo, e constatando a impossibilidade econômica de adotar soluções adequadas pelo custo elevado, desenvolveu-se o conceito de aterros controlados, que nada mais são que lixões, com grandes melhorias na coleta e tratamento de chorume, obras de drenagem para impedir contaminações de lençóis freáticos ou subterrâneos e sistemas de controle e monitoramento. (EcoDebate)

Classificação de Resíduos Sólidos

Os resíduos sólidos têm sua denominação derivada do latim: “residuu”, que significa o que sobra de determinada substância, acompanhado da expressão “sólido” para diferenciar de líquidos e gases. A norma brasileira NBR-10.004, define resíduos sólidos todos aqueles resíduos no estado sólido e semissólido que resultam da atividade da comunidade de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, de serviços de varrição ou agrícola. Incluem os lodos de ETAS (Estação de Tratamento de Água) e ETES (Estações de Tratamento de Esgotos ou Efluentes Industriais) e também resíduos gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, e líquidos que não possam ser lançados na rede pública de esgotos, em função de suas peculiaridades e características físico-químicas.
A primeira providência para o gerenciamento adequado dos resíduos sólidos é sua classificação. Os critérios adotados para caracterizar resíduos são definidos em função da origem e de sua degradabilidade. Os critérios não solucionam todos os problemas, mas são úteis para obtenção de uma classificação operacional.
Assim, os resíduos podem ser classificados em:
• Urbanos: enquadram os resíduos residenciais, comerciais, de varrição, feiras livres, capinação e poda;
• Industriais: resíduos advindos de indústrias, nos quais se incluem um grande percentual de lodos provenientes dos processos de tratamento de efluentes líquidos industriais, muitas vezes tóxicos e perigosos;
• Serviços de Saúde: que abrangem os resíduos sólidos hospitalares, de clínicas médicas e veterinárias, postos de saúde, consultórios odontológicos e farmácias;
• Radioativos: em que se incluem os resíduos de origem atômica sob tutela do Conselho Nacional de Energia Nuclear (CNEN);
• Resíduos Agrícolas em que se agrupam os resíduos resultantes de processos agropecuários, com ênfase em embalagens de defensivos agrícolas, pesticidas, herbicidas e fungicidas.
De acordo com a natureza do resíduo, é possível classificar quanto ao grau de degrabilidade:
• ◦ Facilmente degradáveis: matéria orgânica, que é o constituinte principal dos resíduos sólidos de origem urbana;
◦ Moderadamente degradáveis: são os papéis, papelão e material celulósico; na verdade, como hoje em dia existe um amplo mercado para estes materiais para reciclagem, e por suas condições sociais, com um exército de catadores disponíveis em todas as regiões metropolitanas, o país recicla praticamente todo material desta natureza, incluindo outros itens;
◦ Dificilmente degradáveis: são os resíduos têxteis, aparas e serragens de couro, borracha e madeira, que hoje também são parcialmente reaproveitados;
◦ Não degradáveis: incluem vidros, metais, plásticos, pedras, terra e outros. Os metais são amplamente reciclados, incluindo as embalagens de alumínio; os vidros e boa parte dos plásticos, como polietileno de baixa densidade, também já são amplamente reutilizados, assim como plásticos e pedras podem ser reaproveitados para cominuição e utilização como sub-leito de pavimentos.
Os resíduos são classificados quanto à sua periculosidade segundo a norma brasileira NBR 10.004. De acordo com esta norma um resíduo é considerado perigoso quando suas propriedades físicas, químicas e infectocontagiosas representam:
• ◦ 1. Risco à saúde pública: caracterizado pelo aumento de mortalidade ou incidência de doenças;
2. Risco ao meio-ambiente: para produtos que quando manuseados de forma inadequada, podem causar poluição dos meios físico ou biológico;
3. Dose Letal50 (oral em ratos): que representa uma substância que se ingerida produz a mortalidade de 50% de ratos;
4. Concentração Letal50: que representa a concentração de uma substância, em geral volátil, que quando inalada ou administrada por via respiratória, acarreta a morte de 50% da população exposta;
5. Dose Letal50 dérmica em coelhos: que representa a dose letal para 50% dos coelhos testados, quando administrada em contato com a pele.
Não existe a tradição nem o hábito de realização extensiva de testes com doses e concentrações letais em nosso país, e a modificação desta realidade é muito importante.
A NBR 10.004 estabelece que a classificação quanto à periculosidade deve ser feita com base nos seguintes critérios:
1. Inflamabilidade;
2. Corrosividade
3. Reatividade
4. Toxicidade
5. Patogenicidade (excluídos os resíduos sólidos domiciliares e aqueles gerados em estações de tratamento de esgoto sanitário).
Ocorrendo a impossibilidade do enquadramento dos resíduos em pelo menos um dos critérios citados, a NBR 10.004 estabelece a necessidade de que amostras sejam submetidas a ensaios tecnológicos, avaliando as concentrações de elementos que conferem periculosidade, de acordo com listas organizadas pela própria Norma referida. (EcoDebate)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Rio de 6.000 km embaixo do Rio Amazonas

Rio de 6 mil km é descoberto embaixo do Rio Amazonas
Pesquisadores do Observatório Nacional (ON) encontraram evidências de um rio subterrâneo de 6 mil quilômetros de extensão que corre embaixo do Rio Amazonas, a uma profundidade de 4 mil metros. Os dois cursos d’água têm o mesmo sentido de fluxo - de oeste para leste -, mas se comportam de forma diferente. A descoberta foi possível graças aos dados de temperatura de 241 poços profundos perfurados pela Petrobras nas décadas de 1970 e 1980, na região amazônica. A estatal procurava petróleo.
Fluidos que se movimentam por meios porosos - como a água que corre por dentro dos sedimentos sob a Bacia Amazônica - costumam produzir sutis variações de temperatura. Com a informação térmica fornecida pela Petrobras, os cientistas Valiya Hamza, da Coordenação de Geofísica do Observatório Nacional, e a professora Elizabeth Tavares Pimentel, da Universidade Federal do Amazonas, identificaram a movimentação de águas subterrâneas em profundidades de até 4 mil metros.
Os dados do doutorado de Elizabeth, sob orientação de Hamza, foram apresentados na semana passada no 12.º Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica, no Rio. Em homenagem ao orientador, um pesquisador indiano que vive no Brasil desde 1974, os cientistas batizaram o fluxo subterrâneo de Rio Hamza.
Características
A vazão média do Rio Amazonas é estimada em 133 mil metros cúbicos de água por segundo (m3/s). O fluxo subterrâneo contém apenas 2% desse volume com uma vazão de 3 mil m3/s - maior que a do Rio São Francisco, que corta Minas e o Nordeste e beneficia 13 milhões de pessoas, de 2,7 mil m3/s. Para se ter uma ideia da força do Hamza, quando a calha do Rio Tietê, em São Paulo, está cheia, a vazão alcança pouco mais de 1 mil m3/s.
As diferenças entre o Amazonas e o Hamza também são significativas quando se compara a largura e a velocidade do curso d’água dos dois rios. Enquanto as margens do Amazonas distam de 1 a 100 quilômetros, a largura do rio subterrâneo varia de 200 a 400 quilômetros. Por outro lado, a s águas do Amazonas correm de 0,1 a 2 metros por segundo, dependendo do local. Embaixo da terra, a velocidade é muito menor: de 10 a 100 metros por ano.
Há uma explicação simples para a lentidão subterrânea. Na superfície, a água movimenta-se sobre a calha do rio, como um líquido que escorre sobre a superfície. Nas profundezas, não há um túnel por onde a água possa correr. Ela vence pouco a pouco a resistência de sedimentos que atuam como uma gigantesca esponja: o líquido caminha pelos poros da rocha rumo ao mar. (yahoo)