quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Especialistas em estatística descartam ‘esfriamento global’

Mesmo com anos recentes frios, década ainda é a mais quente em mais de um século; ano mais quente foi 2005. Uma análise das temperaturas globais realizada por estatísticos independentes mostra que a Terra ainda está se aquecendo e não, esfriando, como alegam alguns contestadores do aquecimento global. A análise foi realizada apedido da agência de notícias Associated Press. Menções de uma tendência recente de resfriamento vêm se espalhando pela internet, alimentadas por alguns despachos noticiosos, novos livros e temperaturas que se mostram menores em anos recentes. Reportagem da Associated Press. Os estatísticos, valendo-se de dois conjuntos de dados de temperatura, não encontraram uma tendência de queda das temperaturas ao longo do tempo. Dados do governo dos Estados Unidos mostram que a década que terminará em dezembro deste ano será a mais quente dos últimos 130 anos e 2005, o ano mais quente já registrado. A ideia de que a Terra pode estar esfriando vem, em parte, do clima recente. O ano passado foi mais frio que os anteriores. E já se passou algum tempo desde os anos Amis quentes de todos os tempos 1998 e 2005, sem que novos recordistas surgissem. Em um teste cego, a AP deu dados sobre temperatura global a quatro estatísticos independentes e pediu que buscassem tendências nas séries numéricas, sem dizer aos especialistas a que os números se referiam. Eles não encontraram sinais de declínio na sequência. “Se você olha para os dados e escolhe a dedo uma microtendência dentro de uma tendência maior, essa técnica é particularmente suspeita”, disse John Grego, professor de estatística da Universidade de Carolina do Sul. A despeito disso, a ideia de que há um resfriamento tem sido repetida em artigos de imprensa, em uma reportagem da BBC e em um novo livro dos autores do best-seller Freakonomics. Na semana passada, uma pesquisa do Pew Research Center determinou que apenas 57% dos americanos acreditam que há forte evidência científica de aquecimento global, abaixo dos 77% de 2006. Os céticos do aquecimento baseiam suas alegações em um ano de calor incomum, 1998. Desde então, dizem, as temperaturas têm caindo – uma tendência de resfriamento. Mas as coisas não são tão simples. Desde 1998, as temperaturas caíram, aumentaram, caíram de novo e agora voltaram a subir. Registros mantidos pelo escritório meteorológico britânico e dados de satélite, usados pelos céticos, ainda mostram 1998 como o ano mais quente já registrado. Mas números da Administração Nacional de Atmosfera e Oceano (NOAA) do governo dos EUA põem 2005 acima de 1998. Os boatos recentes sobre resfriamento levaram a NOAA a reexaminar seus dados de temperatura. Nenhuma tendência de resfriamento foi encontrada. A AP enviou a especialistas em estatística os dados anuais de mudança de temperatura dos últimos 130 anos e os 30 anos de dados de satélite que os céticos preferem. Os estatísticos que analisaram os dados encontraram uma tendência clara de alta, década a década, nos números, mas não foram capazes de descobrir uma queda significativa nos últimos dez anos. As variações ano a ano da última década repetem a variação aleatória dos dados que se vê desde 1880.Dizer que há uma tendência de queda a partir de 1998 não é uma afirmação científica legítima, disse David Peterson, professor aposentado da Universidade Duke e um dos analistas contatados pela AP.

Aquecimento global poderá redesenhar o mapa agrícola do Brasil com perdas de R$ 7,4 bilhões até 2020

Agricultura ameaçada – Em menos de um mês, o mundo estará com todas a atenção voltada para o 15º encontro das partes – COP 15 -, em Copenhague, na Dinamarca, quando países desenvolvidos e em desenvolvimento devem fechar novo acordo sobre as reduções de emissão de gases causadores do efeito estufa. Há rumores de que uma meta específica pode não ser fechada no encontro, apesar dos esforços de vários líderes mundiais, como Hu Jintao, que comanda a China e tem demonstrado que o segundo maior emissor de gases está disposto a colaborar. Independentemente do que for acordado em Copenhague, uma coisa é certa: os debates sobre as mudanças climáticas, a necessidade de mudar a forma de consumo da sociedade, o desenvolvimento desenfreado sem se preocupar com o meio ambiente não são mais temas a serem postergados. O impacto das alterações do meio ambiente na agricultura e na saúde da população está colocado e o desafio de tentar frear seu avanço e suas consequências é de todos. De 18 a 23 deste mês, a Organização de Alimentos e Agricultura das Nações Unidas (FAO) se reúne em Roma para sua 36ª conferência, em que serão apresentados os dados da fome no mundo e como as mudanças climáticas estão interferindo nas provisões alimentares. No Brasil, um estudo de pesquisadores da Embrapa e da Universidade de Campinas (Unicamp) prevê que o aumento da temperatura no país vai diminuir a área favorável aos cultivos de soja, café, milho, arroz, feijão e algodão, podendo levar a um prejuízo de R$ 7,4 bilhões já em 2020, e até R$ 14 bilhões, em 2070. As exceções são a cana-de-açúcar, que terá espaço para se expandir e até dobrar a produção, e a mandioca, que, apesar de perder espaço de cultivo no Nordeste, poderá ser plantada em outras regiões do país. “Os resultados sugerem que a geografia da produção agrícola brasileira vai mudar nos próximos anos e, para evitar danos maiores ao desenvolvimento do país, é preciso começar a agir desde já”, afirma Eduardo Assad, pesquisador da Embrapa de Campinas. Se nada for feito, áreas cultivadas com milho, arroz, feijão, algodão e girassol também sofrerão forte redução na Região Nordeste, com perda significativa da produção. Toda a área correspondente ao Agreste nordestino, hoje responsável pela maior parte da produção regional de milho, e a região dos cerrados nordestinos – Sul do Maranhão, Sul do Piauí e Oeste da Bahia – serão as mais atingidas. O café encontraria piores condições no Sudeste. “Com relação a Minas, poderia haver uma redução da área plantada. Com maior efeito no Norte do estado. O Sul, porém, apresenta os menores riscos de impacto. Certamente continuará como uma importante área produtora. No ano passado, o estado fez um Inventário de Gases de Efeito Estufa, passando a ter mais informações e autonomia para buscar soluções de mitigação”, diz. CHUVAS Por outro lado, a Região Sul, que hoje é mais restrita para culturas adaptadas ao clima tropical por causa do alto risco de geadas, deve apresentar uma redução desse evento extremo. Ela se tornará, assim, propícia ao plantio de mandioca, de café e de cana-de-açúcar, mas não mais de soja, uma vez que a região pode ficar mais sujeita a estresse hídrico. A cultura da soja, aliás, deve ser a mais afetada pela mudança do clima. O trabalho prevê uma diminuição de até 41% na área de baixo risco ao plantio do grão em todo o país em 2070. O equivalente à metade das perdas projetadas para a agricultura brasileira, daqui a seis décadas, como resultado do aquecimento global. Para Clyde Fraisse, professor da Universidade da Flórida, é possível se antecipar às mudanças e encontrar soluções de mitigação e adaptação. “Há muita especulação pela incerteza das projeções. Tenho uma preocupação com uma possível maior incidência de eventos extremos, como cheias e secas. Com o aumento do nível da água do mar, que, entre outras, poderia gerar uma intrusão de água salgada nos aquíferos que abastecem as cidades. E com o aumento de pragas e doenças nas culturas”, diz. Uma alteração na matriz energética, buscando fontes mais limpas e econômicas, é uma importante ação para evitar a poluição. Além de pesquisas genéticas visando a desenvolver novas plantas, mais resistentes. “Criar mecanismos de adaptação para variabilidade climática nos permite estar preparados para as mudanças. Temos condições de prever, com bastante confiança, algumas dessas vulnerabilidades. Como o El Niño”, exemplifica. Eduardo aponta também a necessidade de uma vontade política de combate às queimadas e ao desmatamento. “Outra medida com forte impacto positivo seria a integração da lavoura com a pecuária. Num balanço geral isso retira carbono da atmosfera. E com maior produção de grãos, carne e fibra. O Brasil tem espaço, clima e tecnologia para se adaptar. Mas seria preciso um trabalho enorme de conscientização e capacitação dos produtores Brasileiros. Uma produção assim demanda bom entendimento de técnicas que não são triviais”, garante.

Aquecimento global pode mudar mapa de produção agrícola brasileira

Estudo da Embrapa analisa impacto da mudança climática em lavouras brasileiras. Um estudo feito por especialistas em zoneamento climático da Embrapa e da Universidade de Campinas – Unicamp concluiu que a produção de alimentos pode diminuir nos próximos anos no Brasil. Segundo Eduardo Delgado Assad, pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária e um dos coordenadores da pesquisa, isto pode acontecer porque o café, junto com a soja e o milho, são as culturas mais vulneráveis aos efeitos do aquecimento global. Para o café, a principal causa da vulnerabilidade é a possibilidade de abortamento da florada devido ao déficit hídrico e ao calor intenso. Porém, ele afirma que este cenário pode ser modificado com trabalhos de biotecnologia e melhoramento genético, tornando as plantas mais tolerantes a essas ameaças. A pesquisa estudou, a partir de dois possíveis cenários - um prevendo o aumento de temperatura pessimista, variando entre 2ºC a 5,4ºC, e outro um pouco mais otimista, prevendo aumento de temperatura entre 1,4ºC e 3,8ºC - os impactos deste aumento em várias culturas agrícolas, como o algodão, arroz, café, cana-de-açúcar, feijão, girassol, mandioca, milho e soja. Os cenários foram montados para os anos de 2010, 2020, 2050 e 2070 tomando-se como base o Zoneamento de Riscos Climáticos de 2007 e o mais recente relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). Para Assad, o aumento de temperatura irá fatalmente ocorrer. Não se sabe, apenas, em que nível. Isso provocará uma alteração profunda na geografia da produção agrícola no Brasil, acarretando na migração de plantas para regiões que hoje não são de sua ocorrência em busca de condições climáticas melhores. No caso do café, que, historicamente, sempre encontrou condições ótimas de desenvolvimento na região Sudeste do país, ele terá que se adaptar às novas características climáticas dessas regiões ou deverá migrar para latitudes maiores, podendo inclusive, ser produzido na região mais ao sul do Brasil. Essa análise, segundo o pesquisador, refere-se apenas ao café arábica. Com o café conilon este problema não acontece, já que esta espécie é mais robusta, ou seja, mais resistente, e adaptada para produção em regiões de clima mais quente. Para Eduardo Assad, as soluções para a adaptação da planta ao clima mais quente já estão sendo buscadas pela pesquisa. Os estudos em melhoramento genético do café, onde é feito o cruzamento entre as espécies arábica e conilon, poderão criar cultivares mais robustas e capazes de suportar temperaturas mais altas. Essas alternativas e a adaptação do nosso sistema de produção para os cenários que se mostram no futuro é que vão possibilitar a permanência do café em regiões onde ele está adaptado atualmente. “Isso mostra que nós temos domínio tecnológico capaz de superar esse aquecimento”, finaliza Assad.

Aquecimento global poderá ser benéfico à produção de cana

Com mudanças no clima, produção pode chegar a 120 toneladas por hectare em 2080. As mudanças climáticas e o aumento da concentração de CO2 aliados aos avanços tecnológicos poderão proporcionar um aumento significativo na produção de cana-de-açucar na região de Piracicaba, no interior de São Paulo, nos próximos 70 anos. Cientistas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) da USP em Piracicaba estimam que a produção poderá atingir a 120 toneladas por hectare (t/h) em 2080. A estimativa é feita no estudo Mudanças climáticas e a expectativa de seus impactos na cultura da cana-de-açúcar na região de Piracicaba, SP, apresentado na ESALQ pela engenheira ambiental Júlia Ribeiro Ferreira Gouvea, como sua dissertação de mestrado. "Nos últimos anos, a produtividade média vem atingindo cerca de 85 toneladas por hectare", diz o professor Paulo Cesar Sentelhas, do Departamento de Ciências Exatas, que orientou o trabalho. Segundo o docente, uma das principais fontes para a elaboração da pesquisa foi o quarto relatório do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change ou Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) de 2007, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que apresentou cenários futuros de mudanças climáticas. "De outro lado, obtivemos dados de vários anos passados em relação à produtividade da cana obtidos junto a uma grande empresa do setor", conta Júlia. Os cientistas também computaram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para estimar os avanços tecnológicos que poderão influir no aumento da produção. "Tendo em mãos os dados de 80 anos passados, aplicamos um modelo matemático-fisiológico que nos permitiu estimar a produção dos próximos 70 anos", explica Júlia. A esses dados, foram acrescentadas as informações do IPCC e do IBGE. Mas, segundo a engenheira, o que surpreendeu os pesquisadores foi verificar que o aquecimento global irá proporcionar aumento na produtividade da cultura. Sentelhas explica que a cana-de-açúcar é uma gramínea do tipo C4, resistente à falta de água e mais robusta. "O efeito do aumento do CO2 e o consequente aquecimento do clima irá favorecer o processo de fotossíntese da cana-de-açucar. Além disso, temos o avanço tecnológico na implementação de técnicas de cultivo bem como os estudos que visam o melhoramento genético da planta", descreve. Escala de aquecimento De acordo com o cenário estimado no estudo, a temperatura global deverá atingir um aumento médio de até 4 ºC no ano de 2100. A pesquisa mostra uma escala de previsão de aquecimento em que 2020 o aumento poderá ser de 1ºC, e em 2050, até 2ºC. "O aumento da temperatura acarretará no aumento da Produtividade Potencial [PP], já que essa variável afeta positivamente a eficiência do processo fotossintético das plantas C4", descreve o pesquisador, lembrando que as alterações na radiação solar e na chuva terão menores impactos na produtividade. De acordo com o estudo, em relação à condição atual, a PP aumentará cerca de 15% em 2020, 33% em 2050 e 47% em 2080. Os cientistas também estimam a Produtividade Real (AP) que poderá aumentar em 2020 em torno de 12% em relação à condição atual, 32% em 2050, e 47% em 2080. "Podemos estimar uma produção de 90 toneladas por hectare em 2020, 107 t/h em 2050, e 120 t/h e 2080", calcula Sentelhas. Júlia explica que o ciclo da cana-de-açúcar naquela região varia de 12 a 18 meses. Ao lado da região de Ribeirão Preto, a região de Piracicaba é uma das principais produtoras de cana-de-açúcar do estado de São Paulo. O estudo teve início em 2006 e foi apresentado na ESALQ no início de 2008.

Quando o globo aquece

Quase todo o dia acompanhamos notícias sobre vendavais, enchentes, secas, mudanças climáticas bruscas, tufões, tsunamis, tornados, furacões, ciclones e outras catástrofes naturais. Tais fenômenos sempre existiram, mas agora se intensificam e agravam em função do aquecimento global. Uma pesquisa da Universidade de East Anglia (Inglaterra), publicada na Revista Nature Geoscience (2008) demonstrou, pela primeira vez, que o ser humano contribuiu de forma significativa com o aumento da temperatura na terra nas últimas décadas. E o faz através da emissão de gases poluentes, sobretudo, o dióxido de carbono (gás carbônico) proveniente da queima de combustíveis fósseis (gasolina, diesel e outros), do desmatamento, das queimadas. Pesquisadores do National Institute for Space Research afirmam também que 52 mil grandes represas existentes no mundo participam com cerca de 4% do aquecimento global, emitindo por volta de 104 milhões de toneladas de gás metano (CH4) a cada ano. Uma tonelada de metano provoca 25 vezes mais impacto sobre o efeito estufa que uma tonelada de gás carbônico (CO2). Na somatória das emissões, o Brasil se encontra entre os 17 países maiores poluidores do planeta. Nota-se que o modelo de desenvolvimento econômico adotado e a temperatura da terra estão intrinsecamente relacionados. Em face do aquecimento e da alteração dos ecossistemas, milhares de pessoas morrem todos os anos, além de provocar efeitos nocivos à saúde humana e ao conjunto do meio ambiente. Entre outras conseqüências, estão: ampliação das regiões desérticas, derretimento das calotas polares, morte de várias espécies animais e vegetais, aumento das catástrofes naturais provocando destruições generalizadas e proliferação de vetores transmissores de doenças. Convém ressaltar que são sempre os mais pobres e vulneráveis que mais sofrem com a degradação ambiental. Segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC/2007), se não forem tomadas medidas urgentes, a estimativa é de que a temperatura média na terra até o final desse século oscile entre 1,1 e 6,5ºC. Estudos científicos apontam ainda que, mantendo-se o ritmo atual do aquecimento, até o ano 2050, milhões de pessoas terão de ser removidas das áreas litorâneas em função do avanço dos oceanos. De acordo com diferentes hipóteses, a continuar nesse processo, até 58% das espécies na terra e no mar serão extintas nas próximas décadas. Os alertas mobilizam a humanidade. Por conta disso, em fevereiro de 2005 passou a vigorar o Protocolo de Kyoto que previa a redução de 5,2% dos gases poluentes até o ano 2012 como forma de minimizar o aquecimento global. O Protocolo foi assinado por 125 países. Os Estados Unidos, responsáveis pela emissão de 33% de todos os gases de efeito estufa do mundo recusaram-se a assinar, alegando que isso prejudicaria o desenvolvimento industrial do país. Entre 7 e 18 de dezembro de 2009, em Copenhague, na Dinamarca, acontecerá a Cúpula sobre o Clima com o objetivo de definir um novo pacto mundial na luta contra o aquecimento global. Alguns líderes resistem a participar do acordo, obcecados pelos princípios do crescimento econômico. Outros admitem que se não houver um compromisso eficaz será uma catástrofe planetária, podendo ocorrer, num futuro próximo, impactos sociais, ecológicos e econômicos superiores aos das duas guerras mundiais. Diante desse quadro, é necessário diminuir a poluição, mudar o modo de produção, o modelo industrial e o padrão de consumo. São imprescindíveis iniciativas efetivas de todos os países, governos, empresas, indústrias, produtores e sociedade em geral. Urge utilizar energias mais limpas, cobrar dos poluidores ações concretas para reparar os danos causados, fortalecer a consciência e a cidadania ecológica, estabelecer políticas ambientais amplas etc. Quando o globo aquece, não dá para ficar de “cabeça fria”!

Calota de gelo do Monte Kilimanjaro continua recuando rapidamente

A calota de gelo no cume do Monte Kilimanjaro, na Tanzânia, segue recuando a uma rápida velocidade, tendo diminuído 26% desde 2000, segundo um novo relatório científico. Mas os autores do estudo, a ser publicado na terça-feira em Proceedings of the National Academy of Sciences, não chegaram a um consenso sobre se o derretimento pode ser atribuído principalmente ao papel da humanidade no aquecimento global. Da cobertura de gelo que havia em 1912, 85% desapareceu, segundo os cientistas. Para medir o ritmo recente do recuo, foram usadas fotografias aéreas tiradas ao longo do tempo e de estacas e instrumentos instalados no cume do monte em 2000, disse Douglas R. Hardy, geólogo da Universidade de Massachusetts e um dos autores do estudo. As fotos medem o encolhimento horizontal do gelo e as estacas indicam a redução na profundidade. Ambos estão decrescendo na mesma velocidade, disse Hardy. Os pesquisadores que estudam o cume do monte, incluindo os envolvidos neste estudo, diferem nas conclusões sobre quanto derretimento seria resultado de atividade humana e quanto de outras influências meteorológicas. O autor principal, Lonnie G. Thompson, glaciologista da Universidade Estadual de Ohio, concluiu que o derretimento nos anos recentes é único. Em 2000, ele extraiu cilindros de gelo profundo do Kilimanjaro e descobriu que as camadas superiores estavam cheias de bolhas alongadas - sinais de que derretimento e recongelamento haviam ocorrido nos últimos anos. Não havia bolhas nas camadas mais profundas dos núcleos. Se a sua datação das camadas de gelo do cilindro for precisa, um derretimento da superfície como o visto nos últimos anos não ocorreu nos últimos 11,7 mil anos. Mas Georg Kaser, um glaciologista do Instituto de Geografia da Universidade de Innsbrück, na Áustria, disse que o gelo medido tinha apenas algumas centenas de anos e que ele havia chegado e partido ao longo dos séculos. Mais ainda, ele sugeriu que o derretimento recente teve mais a ver com o declínio dos níveis de umidade do que com um aquecimento da atmosfera. "Nosso entendimento é que isso se deve à lenta secagem do gelo", disse Kaser. "Tem a ver com flutuação da umidade." Mas Thompson salientou que o derretimento do gelo no cume do Monte Kilimanjaro ocorreu em paralelo a recuos nos campos glaciais de outras partes da África e também da América do Sul, Indonésia e Himalaia. "É quando se juntam esses dados que as evidências se tornam muito convincentes", disse ele.

Aquecimento global deve provocar aumento de desastres naturais, afetando 175 milhões de crianças por ano

Pequenas vítimas - Meninos e meninas sofrerão mais com a fome e doenças como a diarreia e a desnutrição. Fome, sede, doenças e oceanos em fúria. Os cenários catastróficos previstos pela ciência caso o homem não consiga frear o avanço do aquecimento global afetarão drasticamente quem menos tem culpa pelas emissões de carbono na atmosfera. Enquanto delegados de quase 200 países se digladiavam na capital da Catalunha, tentando encontrar um consenso sobre números e cifras, a organização não governamental Save the Children fez um apelo: não se esqueçam das crianças. No relatório Feeling the heat, child survival in a changing climate (Sentindo o calor, a sobrevivência das crianças nas mudanças climáticas), lançado em Barcelona, a ONG alerta que, na próxima década, 175 milhões de meninos e meninas serão afetados, a cada ano, por desastres naturais, como inundações, ciclones e secas. As estatísticas do informe são baseadas em dados oficiais do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), além de pesquisas do Banco Mundial e de universidades ao redor do planeta. Combinados com um incremento da desnutrição e de enfermidades como a diarreia e as doenças tropicais, os fenômenos naturais deverão aumentar as taxas de mortalidade infantil. Todos os anos, aproximadamente 9 milhões de crianças morrem antes de completar 5 anos. Noventa e oito por cento desses óbitos ocorrem em países pobres e em desenvolvimento, que concentram as mais altas taxas de mortalidade infantil. O relatório mostra que o cenário pode piorar em 2020 por causa das mudanças climáticas. A estimativa é que os casos de diarreia, que matam 1 milhão de crianças por ano, aumentarão 10%. Já as mortes por desnutrição deverão passar de 3,2 milhões para 25 milhões em 2050. “As crianças das comunidades mais pobres serão as mais afetadas, à medida que as mudanças climáticas reduzem o acesso à água e ao solo cultivável. Pelo mesmo motivo, o preço dos alimentos vai aumentar”, explica Alberto Soteres, executivo do Save the Children na Espanha. “Também estamos preocupados porque a frequência e a intensidade maior dos desastres naturais, consequências das mudanças climáticas, vão se associar ao aumento da desnutrição e de doenças como a diarreia e a malária, que já são as grandes causadoras das mortes infantis.” O especialista em mudanças climáticas da Save the Children inglesa Benedict Dempsey conta que, desde a década de 1980, o número de desastres naturais aumentou de 200 ocorrências por ano para 400. “E há outros problemas. À medida que as temperaturas sobem, os mosquitos transmissores da malária vão se espalhar para novas áreas, de forma que, por volta de 2080, entre 260 e 320 milhões de pessoas poderão ser infectadas”, prevê. Dempsey também lembra que a mudança climática vai provocar migrações, afetando, principalmente, os mais pobres. Vice-presidente da ONG nos Estados Unidos, Rudy Von Bernuth aponta quais crianças sofrerão mais os impactos das mudanças no clima. “No leste da África, a atual crise dos alimentos, exacerbada pelas alterações anormais do tempo, está ficado cada vez pior. Cerca de 20 milhões de pessoas passam fome e, somente no Quênia, onde a Save the Children lançou um grande apelo global por assistência emergencial, perto de 4 milhões de crianças estão perto de morrer de fome”, alerta. Foi o caso do pequeno Abdi, 4 anos, morador de Mandera, no leste do país, que perdeu um terço do seu peso depois de ser infectado pela malária. A criança conseguiu ser salva por causa de ajuda humanitária. De 2005 até este ano, o Quênia vem enfrentando um longo período de secas, o que contribuiu para aumentar o número de pessoas sem acesso a comida. Abdi e sua família, formada tradicionalmente por agricultores, agora dependem de doações e, mesmo com a colaboração de ONGs, só conseguem se alimentar duas vezes por dia, em pratos rasos. “Tragicamente, essas coisas que vimos no leste africano se tornarão cada vez mais comuns”, alerta Von Bernuth. “Hoje, estamos convocando governos para fortalecer ações nas áreas de saúde, saneamento e acesso à água nas nações mais pobres da Terra de forma que elas consigam suportar os efeitos da mudança climática”, diz. Ele cita como exemplo a necessidade de providenciar intervenções simples, mas que podem salvar vidas, como mosquiteiros, soro oral e vacinas. Prevenção Bernuth diz que é essencial promover capacitação nas áreas mais vulneráveis aos fenômenos climáticos. A redução de riscos em desastres é o primeiro passo para ajudar as comunidades a se adaptarem aos fenômenos naturais. Em Bangladesh, por exemplo, nós estamos treinando voluntários para garantir a evacuação das áreas quando o alarme dos ciclones é acionado. Nos locais onde não há sinais preventivos, a população tem de contar com a própria sorte. Em maio de 2008, aproximadamente 140 mil pessoas morreram e 2,4 milhões foram atingidas pelo ciclone Nargis, em Mianmar. Nyi Lay, 12 anos, morador de uma vila em Labutta, está entre os afetados que tiveram a sorte de sobreviver. Quando começou o ataque do ciclone, a casa do menino quase desabou. O pai de Nyi decidiu, então, correr com a família para um banco de praça. “Minha mãe segurava meu irmão mais novo, e minha irmã mais velha segurava a caçula. Tinha umas 30 pessoas no banco”, relatou o menino ao informe do Save the Children. “O vento e a chuva começaram a ficar tão fortes que o banco ficou coberto de água. Quando a água estava na altura do peito do meu pai, decidimos subir nas árvores.” De repente, disse Nyi, as árvores caíram. “Então me separei da minha mãe e do meu pai. Agarrei um tronco de árvore e fiquei flutuando a noite inteira. Foi assustador”, contou. Apesar de se salvar, o menino perdeu os pais e o irmão mais novo na tragédia, eles nunca mais foram vistos. “Eu sinto a falta deles. Sempre fico pensando se continuam vivos.” Na Índia, além dos ciclones, a população vive sob a ameaça de inundações e perdas agrícolas. O país é considerado um dos mais vulneráveis da Terra às mudanças climáticas e também lidera o ranking mundial de mortalidade infantil: aproximadamente 2 milhões de crianças indianas morrem com menos de 5 anos. Praveen, moradora do Rajaquistão, relatou seu sofrimento no informe da Save the Children. Mãe de oito crianças que sempre estão com alguma doença, ela perdeu recentemente um filho de 5 meses, vítima da desnutrição. Uma de suas filhas está parcialmente cega depois de sofrer de um mal não diagnosticado. “Eu não sei a quem recorrer quando preciso de remédios. Acho que doenças e má saúde acontecem para algumas crianças, e as minhas estão entre elas”, diz. “As crianças dos países mais pobres do mundo não são responsáveis pelas mudanças climáticas, embora estejam entre as mais afetadas”, afirma Von Bernuth, que defende um financiamento específico para a infância por parte das nações desenvolvidas para mitigar os danos causados a milhares de meninos e meninas. “Dar suporte a essas crianças não é um ato de caridade. Aqueles que causaram a mudança climática têm a responsabilidade de assistir aqueles que estão sofrendo por isso.”

Novo estudo indica que o planeta está a caminho de ficar 6º C mais quente

Novos dados sobre as emissões mundiais de CO2 (dióxido de carbono, principal gás causador do efeito estufa) indicam que o planeta está a caminho de esquentar 6ºC neste século, se não houver um esforço concentrado para diminuir a queima de combustíveis fósseis. “Existe um abismo claro entre o caminho que estamos seguindo e o que é necessário para limitar o aquecimento global a 2º C, nível considerado relativamente seguro por especialistas”, diz Corinne Le Quéré, pesquisadora da Universidade de East Anglia (Reino Unido) e coautora do novo estudo Trends in the sources and sinks of carbon dioxide Trends in the sources and sinks of carbon dioxide na revista científica “Nature Geoscience”. Na atual década, a principal responsável por puxar para cima as emissões é a China, com seu crescimento industrial alimentado pelo carvão mineral. Hoje, o país é o maior emissor do planeta. No entanto, os EUA ainda respondem pelas maiores emissões per capita: 18 toneladas, contra 5,2 toneladas dos chineses (a média mundial é de 4,8 toneladas). Desde 1982, a humanidade produziu 715,3 trilhões de toneladas de gás carbônico, quantidade que equivale ao total de dióxido de carbono emitido por todas as civilizações que existiram no mundo antes disso.

Que Aquecimento Global, que nada, o planeta está esfriando!

Na contramão do ambiental e politicamente correto, o professor cearense José Carlos Parente de Oliveira, 56, da UFC, Doutor em Física com Pós-doutorado em Física da Atmosfera, diz que, cientificamente, não se sustenta a tese de que a atividade humana influencia o clima no planeta, que não está aquecendo. "Na verdade, a Terra está esfriando", afirma ele. Na entrevista a seguir, o professor Parente põe o dedo em uma antiga ferida: "Perdemos o foco do problema. E o foco do problema são os meios de produzir, é a forma errada de como o homem produz seus bens" **Por que o senhor caminha na contramão do ambientalmente correto e proclama que o planeta não está aquecendo, mas esfriando?** A busca da verdade deve ser o norte, o foco da atividade em ciências. E penso que não é isso o que ocorre com o tema aquecimento global. A sociedade está sendo bombardeada por notícias, reportagens na tevê, filmes e tudo isso com a mensagem de que as atividades humanas relacionadas às queimas de combustível fóssil (petróleo, carvão e gás) são as culpadas pelo aquecimento da Terra. O grande responsável por esse bombardeio é o Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC na sigla em inglês), que é um órgão da ONU. **O senhor quer dizer que um organismo da ONU está provocando um terrorismo ambiental?** Vejamos. A hipótese do aquecimento global antrópico defendido pelo IPCC não possui base científica sólida. Não há dados observacionais que provem cabalmente a influência humana no clima. Se voltarmos um pouco no tempo nós constataremos que entre os anos de 1945 e 1977 houve um resfriamento da Terra, acompanhado de grande alarde de que o planeta congelaria, haveria fome, milhares de espécies desapareceriam etc. E veja que nesse período houve grande queima de carvão e petróleo motivada pela reconstrução da Europa e da Ásia após a 2ª Guerra Mundial. Outro exemplo de não conexão entre concentração de CO2 e temperatura da Terra ocorreu entre os anos 1920 e 1940, período em que a Terra esteve mais quente que os anos finais do século XX, e nesse período a atividade de queima de combustível foi de apenas 10% do que foi observado nos anos 1980 e 1990. **Afinal, o que é mesmo que está acontecendo?** Por volta dos anos 1300 ocorreu o Período Quente Medieval em que a temperatura da Terra foi superior a atual em cerca de um grau centígrado. Seguiu-se então um período frio conhecido como Pequena Era Glacial por volta dos anos 1800. Esses períodos são bem conhecidos dos estudiosos do clima terrestre. O que está ocorrendo é uma recuperação da temperatura pós Pequena Era Glacial, mas essa recuperação é lenta e ocorrem oscilações em torno dela. Para visualizar, podemos pensar em uma reta que ascende lentamente, ocorrendo oscilações em torno dela. Essas oscilações ocorrem em menores escalas de tempo, e são originadas por fatores naturais, como a radiação solar, a interação dos oceanos, principalmente do Pacífico, cuja temperatura oscila com período aproximadamente decenal. Porém essa recuperação cessou em 1998. **Então, em vez de estar aquecendo, a Terra está esfriando agora? Mas isso é o contrário do que proclamam as ONGs, os cientistas, os jornais. Quem está errado?** No ano de 1998, houve um fenômeno atípico: um super El Niño aqueceu a terra quase um grau acima da média em que ela se encontrava. Desde esse fenômeno do El Niño, a temperatura da Terra, sistematicamente, vem diminuindo, conforme os dados coligidos pelos satélites. Esses dados, porém, não são aceitos e nem utilizados pelo IPCC nos seus documentos. **Qual a razão? Há um viés político por trás disso?** Penso que a atividade cientifica não está desvinculada da política. São as nações e sua sociedade que definem o ramo da ciência a ser financiado por elas. Entendo que a atitude do IPCC é para favorecer cientistas, pesquisadores que defendem a tese hipotética de que o homem é culpado pelo pequeno aquecimento do planeta, que cessou em 1998 e que foi menor do que o anunciado. Os satélites que medem o clima da terra desde 1978 indicam que, de 1998 para cá, estamos vivendo um período de diminuição da temperatura. Só para que se tenha uma ideia de que esse dado de redução da temperatura é levado a sério, o grupo de pesquisas da NASA que lida com lançamento de satélites está programando para 2021-2022 o envio de uma nave que deixará o sistema solar. Ora, a atividade solar é muito importante e é um impedimento para que uma nave como essa saia do sistema solar. Por que eles programam esse lançamento para 2021-2022? Resposta: porque será o ano em que o sol terá a menor atividade. E a atividade solar é muito bem relacionada com a temperatura da terra, via efeito indireto de formação de nuvens baixas. Essa correlação de nuvens baixas, atividade solar e temperatura da terra estão muito bem documentadas na literatura científica. **Qual é a causa do aumento de furacões, tempestades, tufões, terremotos na Ásia, na África, na Europa e nas Américas?** Há um exagero nas notícias. Quando mergulhamos na literatura científica, observamos que terremotos severos, de níveis 4 e 5, estão sendo reduzidos. A frequência desses eventos tem diminuído nos últimos anos. No litoral da China, trabalhos científicos mostram que nos últimos 50 anos a atividade de furacões também se reduz. O efeito destruidor do furacão Catrina, sempre mencionado porque destruiu New Orleans (EUA), aconteceu mais pela falta de providências preventivas dos governantes, que não ouviram as advertências dos cientistas. Os muros de contenção de New Orleans precisavam ser recuperados. E ninguém fez nada. O estrago do Catrina nada teve a ver com o clima. Faltou a ação do Governo. **O senhor condena o uso de combustível fóssil, como o carvão, na geração de energia elétrica?** Vamos particularizar o Brasil, pois é aqui que essa discussão se dá. O Brasil é um País privilegiado. Praticamente 80% de sua matriz energética são de origem hidráulica, e aí nós não necessitaríamos de carvão mineral. Mas, no mundo, há países que não têm esse privilegio brasileiro e têm de utilizar para o seu bem estar e desenvolvimento o carvão e o petróleo. Não há outra alternativa. As alternativas limpas que se apresentam a energia eólica e a energia solar, por exemplo, ainda não são completamente eficientes, pois necessitam de mais pesquisa, de mais estudo porque não obtêm ainda o rendimento ótimo. Há maneiras racionais de usar carvão e petróleo sem que se agrida o ambiente. Assim, a discussão que considero mais fundamental do que saber se o homem aquece ou não o planeta é a seguinte: o que o homem deve fazer para não poluir o mar, os rios, o lençol freático, para não derrubar e não queimar florestas, para manejar corretamente o solo. É esta a ação do homem que deveria ser o centro das atenções de todos, cientistas, pesquisadores, políticos, governantes, reis, rainhas e príncipes. **Agora o senhor está no caminho ambientalmente correto...** Veja: quando o homem queima a floresta, ele não está aumentando a temperatura do planeta, mas piorando as suas próprias condições de vida e ameaçando a fauna e a flora. **Quando o senhor expõe estes pontos de vista em auditórios acadêmicos, a crítica vem contundente?** É surpreendente que não, porque os argumentos que utilizo são baseados em dados da natureza e fazem com que o público os aceite. Já fiz uma centena de seminários. Eu diria que só duas vezes eu fui interpelado de forma mais contundente, não pela maioria, mas por dois colegas pesquisadores que defendem o ponto de vista amplamente divulgado pelo IPCC. Mas eu já ouvi a manifestação de muitas pessoas favoráveis ao que exponho em minhas palestras e conferências. **O que o senhor acha das ONGs ambientalistas?** Quando a questão do aquecimento começou por volta de 1980, as ONGS encontraram aí uma oportunidade de se tornarem mais visíveis. Aí, elas ficaram, inadvertidamente, prisioneiras deste tema, por meio do qual tiraram de foco o real problema do mundo. E o real problema do mundo é o da água, é a poluição da água e do ambiente. O responsável por esse problema é o meio de como a produção de bens se dá. O modo de produzir, destruindo os recursos naturais e utilizando-os sem nenhum controle, faz com que o planeta e a raça humana se tornem frágeis. Hoje, a linha de atuação das ONGs levará, no curto prazo, a uma situação bastante complicada nos países pobres. Exemplo: se a reunião de Copenhague, em dezembro, decidir que o uso de carvão e de petróleo deve ser cortado em 40% como se propõe, países como a China, a Índia, toda a África e também o Brasil terão problemas. 400 milhões de indianos juntam e queimam esterco para se proteger do frio e até para cozinhar; na China, a situação é mais dramática: 800 milhões de chineses nunca viram uma lâmpada acesa. Cortar a queima de combustível fóssil em 40% será o mesmo que implementar nesses países uma teoria ecomalthusiana para controlar ferozmente essa população pobre do mundo. **O senhor acha que os países ricos, que poluíram para crescer, querem impedir agora que os pobres cresçam?**Eu não concordo com essa teoria da conspiração. Mas é muito esquisito que se tente agora definir quotas de queima de combustíveis para todos os países, indistintamente. Isso não pode. Um americano consome 20 vezes mais do que um africano. Não se pode colocar todos os países da mesma forma na panela furada do aquecimento global. O africano é tão responsável pelo planeta quanto o americano ou o chinês. Nós perdemos o foco do problema. E o foco do problema são os meios de produzir, é a forma de como o homem produz seus bens. O que devemos fazer é focar na questão da água, da poluição ambiental, porque é possível queimar com responsabilidade. Mas para isso é necessária a decisão política. A boa gestão ambiental é, em minha opinião, a saída.

No que realmente acreditam os EUA sobre aquecimento global

Se você acompanhar o debate em torno do projeto de lei de energia e clima em avaliação no Congresso você verá que os oponentes dessa legislação agora estão fazendo duas alegações. Uma é de que o globo vem esfriando ultimamente, e não se aquecendo, e a outra que os EUA simplesmente não podem pagar qualquer tipo de imposto sobre o carbono. Contudo, aquilo que não estão dizendo, mas acreditam é que: o mundo vai enfrentar uma praga gigantesca, como a peste negra, que vai dizimar 2,5 bilhões de pessoas de hoje até 2050; eles acreditam que é muito melhor para os EUA que o mundo seja dependente do petróleo, uma commodity em grande parte controlada por países que nos odeiam e que só vai subir de preço com o aumento da demanda, em vez de outras tecnologias de energia limpa que são controladas por nós e que só vão baixar de preço com o aumento da demanda. Por fim, acreditam que as pessoas no mundo em desenvolvimento estão felizes na pobreza, basta dar-lhes um pouco de água corrente e eletricidade e estarão bem. Nunca vão querer viver como nós. Sim, os oponentes de um imposto sobre o carbono para estimular alternativas ao petróleo devem acreditar nessas coisas todas, porque esta é a única forma de seus argumentos fazerem sentido. Deixe-me explicar primeiro como vejo a questão Sou um defensor atroz da energia limpa. Verde para mim não é apenas reciclar o lixo e sim sobre renovar os EUA. Por isso que digo que o “verde é o novo vermelho, branco e azul”. Meu argumento é simples: acredito que a mudança climática é real. Você não? Isso é com você. Mas há dois outros grandes problemas resultantes da administração energética que você simplesmente não pode negar. E a forma de renovar os EUA é assumirmos a liderança e inventarmos as tecnologias para tratar desses problemas. A primeira é que o mundo está ficando super-populoso. De acordo com um relatório populacional da ONU de 2006, “a população mundial provavelmente vai aumentar em 2,5 bilhões de pessoas, ultrapassando os atuais 6,7 bilhões para 9,2 bilhões em 2050. Este aumento é equivalente ao tamanho total da população mundial em 1950 e será absorvido em grande parte pelas regiões menos desenvolvidas, cuja população deve crescer de 5,4 bilhões em 2007 para 7,9 bilhões em 2050″. As implicações de termos mais 2,5 bilhões de bocas para alimentar, vestir, abrigar e transportar para energia, clima, água e poluição serão assustadoras. E isso vai acontecer, a não ser que, como parecem acreditar aqueles que se opõem a qualquer medida, uma pandemia ou um surto global de abstinência congelem a população mundial – para sempre. Agora, deixe-me acrescentar algo. O mundo está ficando mais plano, cada vez mais pessoas hoje podem ver como vivemos, aspirar ao nosso estilo de vida e até tomar nossos empregos para que possam viver como nós. Então, não apenas estaremos acrescentando 2,5 bilhões de pessoas a mais até 2050, mas muitas vão viver como os “norte-americanos”, com casas, carros e Big Mcs do tamanho norte-americano. “O que acontece quando as nações em desenvolvimento com frotas crescentes adquirem dezenas de milhões de carros movidos a petróleo ao mesmo tempo em que a economia mundial se recupera e não há um amplo salto na oferta de petróleo?”, pergunta Felix Kramer, especialista em carros elétricos que defende a mudança da frota de automóveis dos EUA para que seja cada vez mais ser movida por fontes renováveis. O que acontece, é claro, é que o preço do petróleo fura o teto, a não ser que desenvolvamos alternativas. Os petro-ditadores do Irã, Venezuela e Rússia esperam que não, pois ficarão mais ricos. Então, ou os oponentes de um projeto de lei sério de energia/clima com um preço sobre o carbono não se importam com nosso vício em petróleo e dependência dos petro-ditadores ou realmente acreditam que não vamos acrescentar mais 2,5 bilhões de pessoas que querem viver como nós. Assim, o preço do petróleo não subiria muito e, portanto, não precisaríamos aumentar os impostos para estimular alternativas limpas, renováveis e eficientes. Os verdes pensam diferente. Acreditamos que, em um mundo que está ficando mais quente e populoso, com mais “norte-americanos”, a próxima grande indústria global será a da TE, ou tecnologia da energia, baseada em energia limpa e eficiente. Tem que ser. E acreditamos que o país que inventar e empregar mais TE vai ter a maior segurança econômica, energética e nacional, além de empresas inovadoras e respeito global. E acreditamos que esse país deve ser os EUA. De outra forma, nossos filhos nunca vão apreciar o padrão de vida que tivemos. E acreditamos que a melhor forma de promover a TE é estabelecer um preço fixo de longo prazo para o carbono, junto com o impressionante estímulo da turma de Obama para a tecnologia verde e depois deixar o livre mercado e a inovação fazerem o resto. Como eu disse, você não acredita no aquecimento global? Está errado, mas vou deixar você apreciar sua opinião até que sua casa de praia seja levada pelas águas. Mas se você também não acredita que o mundo está ficando mais populoso com mais pessoas aspirando ao estilo de vida norte-americano e que ignorar isso dará força aos nossos piores inimigos, enquanto responder com energia limpa vai dar força às nossas melhores tecnologias, então você é propositalmente cego e está prejudicando o futuro dos EUA.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Amazônia perdeu 400 km² de floresta em setembro

Em setembro, os satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) registraram 400 km² de desmatamento na Amazônia. Em relação setembro de 2008, quando o desmate atingiu 587 km², houve queda de 31,8%. Os dados são do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), divulgados em 04/11/09. Apesar da tendência de queda, a área desmatada em setembro ainda equivale a um terço da cidade do Rio de Janeiro. Com 134 km² de novos desmatamentos, Mato Grosso retomou a liderança do ranking de estados que mais desmataram, depois de meses de liderança do Pará, que registrou 133 km² no mesmo período. Em Rondônia, o INPE observou 71 km² de novas derrubadas, no Amazonas, 31 km² e no Maranhão, 14 km². O Acre aparece em seguida, com 9 km², Roraima com 7 km² e Tocantins com 1km². Por causa da cobertura de nuvens, o Amapá não pôde ser monitorado adequadamente, de acordo com o INPE. Em toda a Amazônia Legal, a área livre de cobertura de nuvens foi de 82% da região, o que permitiu boa visualização dos satélites. A medição do Deter considera as áreas que sofreram corte raso (desmate completo) e as que estão em degradação progressiva. O sistema serve de alerta para as ações de fiscalização e controle dos órgãos ambientais. O desmate medido em setembro não será levado em conta na taxa anual de desmatamento para o atual período (2008/2009). O total, calculado pelo Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), vai considerar o desmate ocorrido entre agosto de 2008 e julho de 2009. A estimativa do governo é de que o resultado seja o menor dos últimos 20 anos.

Desmatamento na Amazônia Legal

Em setembro de 2009, Imazon registrou 216 Km² de desmatamento na Amazônia Legal. Isso representa uma queda de 33% em relação a setembro de 2008 quando o desmatamento somou 321 Km². Houve queda também em relação a agosto de 2009, quando o SAD registrou 273 Km² de áreas desmatadas. O desmatamento acumulado de agosto a setembro de 2009 (dois primeiros meses do calendário atual de desmatamento) totalizou 489 Km². Isso representa um aumento de 16% em relação ao desmatamento ocorrido no mesmo período do ano anterior, o qual somou 423 Km². Em setembro de 2009, o desmatamento ocorreu em maior proporção nos Estados do Pará (29%), Rondônia (23%) e Amazonas (22%) e, menor proporção, em Mato Grosso (14%) Acre (8%), Roraima (3%) e Amapá (1%). Considerando agosto e setembro de 2009, a degradação florestal somou 202 Km² na Amazônia Legal, o que equivale a uma média mensal de 101 Km². Do total de florestas degradadas no período, 42% ocorreram em Mato Grosso, 26% no Pará, 14% em Rondônia, 9% no Acre e 7% no Amazonas. Os outros estados contribuíram somente com2%do total. Em setembro de 2009 foi possível monitorar com o SAD a quase totalidade (96%) da Amazônia Legal (exceto Maranhão que não foi objeto de análise), pois somente 4% do território estavam cobertos por nuvens. Além disso, do desmatamento total detectado em setembro de 2009, somente 7% (14 Km²) podem ter ocorrido nos meses anteriores devido estarem situados em áreas cobertas por nuvens.

Quanto mais a Amazônia aguenta de desmatamento?

Projeção do aumento de temperatura ao longo do século 21. Quanto a floresta agüenta e qual é o limite de desmatamento que a Amazônia suporta? Essas perguntas têm sido feitas pelo climatologista Carlos Nobre, do INPE, que, junto com seus alunos, tem escrito estudos publicados em revistas científicas do exterior. O último estudo conclui que 40% é o limite. Acima disso a floresta entra em colapso. Quem sobrevoa a Amazônia com olhos leigos, como os meus, tem a impressão de que ela será eterna, que aquele mundo imenso de cobertura verde é indestrutível. A verdade científica é que ela é mais frágil do que parece. Quem olha o percentual da floresta que já está desmatada, em corte raso, acaba pensando que é pouco. Hoje, estão desmatados 18% da Amazônia e outros 10% a 12% estão em estado de degradação ou fragmentação. Essa é a parte da floresta que começou a ser desmatada, mas não foi completamente limpa em corte raso. Parece pouco, mas na verdade estamos perigosamente perto do que os cientistas definem como tipping point, o ponto a partir do qual tudo se precipita, tudo se acelera, e a floresta começa a morrer. O tamanho do verde e o percentual da destruição só enganam os leigos, não os cálculos de climatologistas e especialistas. Eles sabem de um fenômeno assustador: que a partir de um determinado ponto, a floresta começa a se savanizar, perde a capacidade de regeneração, fica mais vulnerável ao fogo e às secas, muda de natureza. Deixará de ser a Amazônia como a conhecemos. Pelos nossos estudos, o desmatamento não pode chegar a 40%, do contrário, o clima muda permanentemente. E quando mudar o clima, a floresta não volta. Ela perde a capacidade de se regenerar, perde sua resiliência. Na floresta tropical úmida, o solo precisa de água o ano inteiro, o que não acontece numa vegetação savanizada, onde chove apenas uma parte do ano, seguido por longo período de seca, disse Carlos Nobre. Esse tema tem sido objeto de estudo dele e de seus alunos desde 2003. Alguns desses estudos estão em várias publicações científicas de primeira linha no mundo inteiro. O último estudo, “Tipping Points for the Amazon Forest”, escrito por Nobre e Laura De Simmone Borma, também do INPE, chega a este número de que perto de 40% a floresta está em perigo. Temos feito avaliação também de quanto de aumento de temperatura a floresta aguenta antes de se desestabilizar. E concluímos que é três graus centígrados. Com um aumento além desse nível, a floresta também se savaniza. São esses os dois tipping points, como dizemos, os dois pontos de quebra, a partir do qual a floresta não agüenta, explica Nobre. Quanto mais a floresta é desmatada, mais ela afeta o clima. Quanto mais o clima é afetado, mais põe em risco a floresta. No estudo recente, eles incluíram o efeito do fogo na análise, mostrando que isso aumenta o risco. A explicação é que na Amazônia o fogo não prospera além de certo ponto, ao contrário do cerrado, em que o fogo é parte da dinâmica do bioma. Quanto mais seca e mais quente a Amazônia for ficando, como efeito do desmatamento, mais o fogo tem capacidade de penetração e destruição, alimentando o círculo vicioso que pode levar à destruição completa da floresta. É uma ameaça: mais quente e mais seca, ela acelera o processo que poderá levar à savanização, afirma Nobre. Com todos esses riscos é preferível nem testar o nível de 40%. O mais sensato é conter já o desmatamento. O corte raso é diferente de área degradada, explica o pesquisador. Na área degradada, há perda de biodiversidade, mas a floresta, dependendo do estágio da destruição, pode ainda se regenerar. Mas somando-se o que há de corte raso e degradação, o estrago já seria de 30%, perigosamente perto do ponto de não retorno. O cientista recomenda que o país não teste a floresta além desse ponto. A Amazônia se espalha por nove países, mas 80% do desmatamento ocorrem no Brasil. O desmatamento da Amazônia corresponde a 47,8% da perda mundial de florestas tropicais, numa taxa que é quatro vezes o segundo lugar, que é da Indonésia. E a destruição no nosso caso está concentrada em áreas muito bem definidas, que formam o arco do desmatamento. Deter o avanço da destruição não apenas é responsabilidade brasileira, como está no horizonte das nossas possibilidades. Quem vê a Amazônia assim tão gigante e isolada pode pensar que ela não está no centro de um problema que aflige o mundo inteiro. No texto, os cientistas afirmam que “o equilíbrio do clima e vegetação na Amazônia tem sido identificado como um dos tipping points do sistema climático global”. Isso tem que estar na mente dos tomadores de decisão no Brasil antes de pensar pequeno na preparação da posição brasileira para Copenhague, ou na tentativa de ceder à pressão dos ruralistas. Eles querem mais liberdade para desmatar, chances de plantar árvores exóticas em áreas destinadas a reserva legal, querem a possibilidade de compensar desmatamento ilegal com uso de fragmentos em outras áreas. Tudo pode parecer razoável para quem quer manter um status quo que nos levou a perder 18% da floresta e colocou sob ameaça imediata outros 10%. Um pouco mais de desmatamento pode nos levar a um terreno desconhecido. Portanto, a pergunta relevante deve ser feita aos cientistas: quanto mais a Amazônia aguenta de desmatamento? Eles dirão que está tão perto o tipping point que o mais sensato a fazer é não desafiar mais a sorte.

Recuperação de pastagem evita desmatamento na Amazônia

Mais da metade das pastagens da Amazônia está em processo de degradação. É o que indica uma estimativa feita pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que mostra que a recuperação das forrageiras na região é a alternativa para manter a competitividade da pecuária, sem elevar os índices de desmatamento. Pesquisas voltadas à recuperação de pastagens foram apresentadas no II Rondônia Leite, evento que reuniu especialistas de todo o país, e se encerrou em 18/11/09, em Rondônia. É preocupante a degradação de pastagens, não apenas na Amazônia, mas em todo o país", salienta Marcos Roveri, diretor-executivo da Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras Tropicais (Unipasto). "O apoio do governo em programas de recuperação de áreas degradadas, hoje estimadas em 70 milhões de hectares, é um ótimo caminho para contribuir com a cadeia produtiva e, ao mesmo tempo, preservar o meio ambiente", destaca Roveri. Fatores naturais fazem da região Amazônica um importante pólo para a agropecuária e para o desenvolvimento de pastagens. O clima que combina temperaturas elevadas com um alto volume de chuvas é bom para o crescimento de forrageiras. Porém, como alerta Carlos Maurício Soares, pesquisador da Embrapa Acre, é importante recuperar a área quando ela se tornar improdutiva. A presença de fungos, a falta de manutenção do solo, o elevado número de animais por região de pastagem e as cigarrinhas, praga das forrageiras, são as principais causas de degradação. Não existe uma fórmula certa para a recuperação das áreas de forrageiras, segundo Soares. Cada região precisa ser analisada para verificar as causas da degradação. É necessário que se faça um manejo adequado do solo e que as origens do problema sejam eliminadas, caso contrário a área pode continuar improdutiva. O sistema de produção a pasto coloca o Brasil em uma posição privilegiada e competitiva juntos aos mercados internacionais. "O problema da degradação da pastagem precisa ser mais bem entendido por todos, para que o sistema seja produtivo e ao mesmo tempo sustentável", adverte Roveri. "A recuperação das áreas evita que novas regiões sejam abertas para o pasto e, com isso, preservam o meio ambiente", completa. A Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras Tropicais (Unipasto) é uma associação composta por empresas e produtores de sementes de forrageiras distribuídos pelos Estados da Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo. A entidade foi criada em 2002 a partir da parceria junto à Embrapa, com o objetivo de apoiar financeiramente a pesquisa no desenvolvimento de novas cultivares de forrageiras tropicais. Com população de 1,4 milhões de habitantes, Rondônia é Estado que mais cresce no Brasil, além de ser o terceiro mais populoso e de maior densidade demográfica entre os estados da Região Norte. São 52 municípios entre os quais se destacam Ji-Paraná, Ariquemes, Cacoal, Vilhena e a capital Porto Velho. Da área total de 237 mil km, 85% tem potencial produtivo, segundo a Embrapa. Além do crescimento econômico sustentado principalmente pela agropecuária, duas hidrelétricas em construção sobre o Rio Madeira - Santo Antônio e Jirau - respondem pela geração de 30 mil empregos de 2009 a 2019. As informações partem da Unipasto.

Desmate na Amazônia representa menos de 5% das emissões do País

Dado será divulgado amanhã e levado à conferência de Copenhague; 65 líderes mundiais já confirmaram presença. Além da meta voluntária de redução das emissões de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9% até 2020, o Brasil levará outro trunfo para a Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, que será realizada em dezembro, em Copenhague, na Dinamarca. O governo apresentará um porcentual abaixo de 5% na emissão de gases pelo desmatamento da Amazônia em relação ao total emitido pelo País. Os dados sobre a queda das emissões de dióxido de carbono (CO2) pela ação da derrubada da floresta obtidos pelo Estado serão apresentados amanhã, em Brasília, pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE). Em agosto, o diretor-geral do INPE, Gilberto Câmara, havia dito que valores preliminares apontavam que as emissão de gases pelo desmate da Amazônia ficariam em 2,5% do total e não 5%, conforme havia sido apurado entre 2000 e 2005. Agora, com a medição concluída, o porcentual ficará entre 2,5% e 5%. A queda das emissões resultantes do desmate da Amazônia em relação ao total do País deve-se à redução do desmatamento nos últimos quatro anos. "Além disso, a emissão por combustíveis fósseis aumentou, principalmente por causa do uso de carvão vegetal e do crescimento da frota de veículos", disse o pesquisador do Centro de Ciências do Sistema Terrestre do INPE Jean Ometto. Estudo divulgado na edição deste mês da Nature Geoscience, que contou com a participação de Ometto, revelou que a emissão de CO2 resultante do desmatamento é de 12% no mundo em relação ao total emitido e não 20%, como divulgou em 2007 o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. Segundo Ometto, houve queda no desmatamento na Amazônia, Indonésia e, embora em pequena escala, na África. Soma-se a isso o fato de que o desmatamento não faz árvores virarem fumaça imediatamente. Parte da madeira se transforma em móvel, casas e portas. Com isso, o carbono fica estocado por anos. Há ainda o fato de que parte das áreas desmatadas é substituída por pasto, à base de capim braquiária, um conhecido sequestrador de carbono, cana-de-açúcar e grãos, que também neutralizam a emissão. Isso, diz Ometto, também contribuiu para reduzir a emissão. Os cálculos da emissão de gases no Brasil feitos pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) são imprecisos. A entidade adota como média para o Brasil um desmatamento anual de 30 mil km², valor acima do real. O maior desmate ocorreu em 2004, com 27.423 km². De lá para cá, a queda foi acentuada, 2009 deve fechar com 7.008 km². Se o País cumprir a meta voluntária de redução de 80% do desmatamento da Amazônia até 2020, a derrubada ficará em 4,5 mil km² por ano. Para o pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) Adalberto Veríssimo, as dimensões continentais do Brasil exigem atenção redobrada. "Um incêndio pode ser devastador. Só o Pará é 40 vezes maior do que a Grécia, que costuma sofrer com o fogo no verão. Por causa do tamanho, o Brasil emite 30 mil vezes mais CO2 por queimadas do que o restante do mundo. "CONVITE ACEITO Pelo menos 65 líderes mundiais confirmaram presença em Copenhague, entre eles os do Brasil, Grã-Bretanha, Alemanha, França, Japão e Indonésia. Autoridades dinamarquesas convidaram os chefes de Estado e governo de 191 países membros da ONU para a etapa final do encontro, que ocorrerá de 7 a 18 de dezembro. Segundo a Dinamarca, o presidente Barack Obama só irá à reunião se sua presença for crucial para selar o novo acordo do clima.

sábado, 21 de novembro de 2009

Dilma diz defender sustentabilidade

Ministra cobrou reconhecimento. Principal estrela na festa preparada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para anunciar a queda de 45% no desmatamento na Amazônia, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, reagiu às críticas de que teria vestido a camisa da causa ambiental por interesses eleitorais. Disse que, desde o início do governo, foi responsável pela política de energia limpa e renovável. "O meu compromisso sempre foi com a energia renovável." Pouco antes, em discurso de 15 minutos, Dilma cobrou reconhecimento de suas ações na área ambiental, tentando desfazer a imagem da mulher que entrava em divergências com a então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Dilma tentou dar um toque pessoal no anúncio, argumentando que o porcentual foi obtido pelo modelo de desenvolvimento sustentável adotado, que não se limitou à repressão. "Não podia ter só uma proposta de coerção, reprimindo o desmatamento", disse. "Era também necessário garantir que o arco fosse considerado um arco verde, com exploração sustentável", completou, referindo-se a uma área que engloba 43 municípios do Pará, Mato Grosso e Rondônia. Dilma comentou que o trabalho do governo na região do arco do desmatamento legalizou também relações afetivas, com a realização de casamentos civis. Mas, no discurso, ela não abriu mão de planilhas e números. Dilma encerrou seu discurso afirmando que o Brasil tem muito a apresentar na Conferência do Clima em Copenhague. "O país vem fazendo o seu dever de casa e temos o objetivo de chegar a uma redução de 80% no desmatamento", disse.

A (in)sustentabilidade de uma associação de agricultores da Amazônia

Ampliar e diversificar atividades e, ao mesmo tempo, preservar a qualidade das ações desenvolvidas é um desafio para iniciativas comunitárias voltadas para o uso de recursos naturais. Essa afirmação resume uma das principais conclusões do estudo feito pela engenheira agrônoma Renata Mauro Freire, que há 15 anos trabalha junto a ONGs da Amazônia, na área de gestão de projetos socioambientais. A pesquisa foi desenvolvida no Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sob orientação da professora Lúcia da Costa Ferreira, e deu origem à tese de doutorado “Sustentabilidade de sistemas socioecológicos sob a lente da resiliência: o caso de uma associação agroecológica na Amazônia ocidental”, defendida no último dia 19 de outubro. Freire analisou estratégias institucionais e práticas de manejo da Associação dos Produtores Alternativos (APA), uma organização de agricultores familiares da região de Ouro Preto do Oeste, no estado de Rondônia. Referência em agroecologia no final dos anos 1990, a associação declarou falência em 2008, depois de uma grave crise institucional. A partir do caso da APA, o estudo discute a sustentabilidade dos sistemas socioecológicos – iniciativas comunitárias voltadas para o uso de recursos naturais, que integram atividades institucionais e ecológicas, como a associação de agricultores de Rondônia. A trajetória da APA é emblemática e não é um caso isolado. De acordo com o estudo, muitas iniciativas consideradas bem sucedidas não conseguem se sustentar por mais de dez anos. Diante dessa realidade, a pesquisa foi baseada no conceito de resiliência, que se refere à capacidade de adaptação e reorganização das iniciativas comunitárias frente a mudanças e distúrbios, como, por exemplo, a variação de preço dos produtos comercializados, os conflitos internos ao grupo, as secas e a incidência de pragas e doenças. Ao discutir a sustentabilidade da gestão dos sistemas socioecológicos, Freire destaca dois elementos-chave: ganho de escala e capital social. A ampliação e diversificação temática das atividades e o aumento no número de integrantes estão entre os exemplos de ganho de escala. Já o capital social se refere a condições de interatividade, como confiança, compromisso, valores compartilhados, redes de cooperação e relações sociais. No caso da APA, o descompasso entre o ganho de escala e a preservação da qualidade do capital social foi crucial para a crise. “Não tem receita, mas qualquer outra iniciativa que vá se desenvolver deve estar muito atenta a essas questões”, defende Freire. A APA contava com 23 famílias associadas quando foi criada oficialmente, em 1992. Ganhou novos integrantes e formou parcerias com cooperativas locais, associações, prefeitura, ONGs, agências financiadoras e, até, com o mercado europeu. De uma estratégia inicial concentrada na produção de mel e em experimentos com sistemas agroflorestais – que incluem espécies arbóreas, agrícolas e criações de animais em um mesmo espaço -, passou à produção comercial de produtos, ao manejo de reservas naturais e à recuperação de áreas degradadas na região de Ouro Preto do Oeste. No seu período de auge, tinha mais de 200 agricultores associados e cerca de 500 hectares de sistemas agroflorestais e áreas reflorestadas. No entanto, segundo analisa Freire, à medida que ocorre o ganho de escala, há uma forte tendência de perda de qualidade do capital social e, consequentemente, das ações desenvolvidas. No caso da APA, houve enfraquecimento dos vínculos com os associados, diminuição da qualidade da assistência técnica e concentração de poder nas instâncias locais de decisão. A perda de credibilidade, o descontrole gerencial e o endividamento vieram a partir dos anos 2000, levando ao fim da associação. A grande lição é fazer um equilíbrio mais ponderado, avaliar em que medida o ganho de escala está diminuindo o capital social ou em que medida o capital social que se formou pode apontar para um ganho de escala mais seguro e resiliente. A pesquisadora chama a atenção, também, para a responsabilidade de acompanhamento técnico gerencial por parte do governo. Freire conta que, dentro de uma política de desenvolvimento em uma escala regional maior, a APA foi eleita como principal ator social na região central de Rondônia. “Houve uma transferência de responsabilidades, sem que houvesse um apoio e acompanhamento gerencial na mesma intensidade”, avalia. Para a pesquisadora, a importância da divisão de responsabilidades, não só com o governo, mas com outras instituições locais e regionais, é também uma lição importante aprendida a partir da análise da trajetória da APA. “Planejar de forma mais integrada uma região, fortalecendo os diversos atores sociais locais, é fundamental para garantir a sustentabilidade em um nível regional”, explica Freire. Agroecologia e sustentabilidade Se no campo institucional a APA encontrou problemas, na esfera do manejo, a associação era um exemplo. Por meio da análise das práticas de manejo da APA, o estudo permite avaliar as contribuições da agroecologia para a sustentabilidade. A agroecologia integra conhecimentos de diferentes disciplinas, como biologia, agronomia, sociologia, economia e, principalmente, ecologia e estabelece, ainda, o diálogo entre o conhecimento técnico-científico e o conhecimento ecológico das comunidades locais ou populações tradicionais. O estudo aponta que o interesse pelo conhecimento local, para melhorar estratégias de conservação e manejo de recursos, surgiu somente nos anos de 1980. Freire destaca a força desse conhecimento híbrido na APA. “Havia uma abordagem muito interessante de agricultor para agricultor. Eles levavam em consideração a sua realidade, seus interesses. Não que a assistência fornecida por técnicos deva ser excluída, mas pode-se fazer um sistema misto. É importante que os agricultores se apropriem de suas tecnologias”, argumenta a pesquisadora. O estudo destaca, ainda, as práticas de manejo voltadas para a diversificação. A utilização de cultivos com períodos de safra diferenciados contribuiria para garantir a boa distribuição, tanto da oferta de alimentos, quanto dos rendimentos econômicos, ao longo do ano. Freire conta que a APA, ao invés de se especializar em sistemas simplificados voltados para o mercado, contava, também, com sistemas mais diversos. Associava diferentes unidades de produção, como pasto, roça e sistemas agroflorestais diversificados e comerciais. “Havia equilíbrio entre a segurança alimentar e a geração de economia a partir da comercialização de outros produtos, principalmente pupunha, açaí, cupuaçu e mel”, descreve. Mesmo com o fim da APA, ao descrever as atividades de manejo da associação, Freire escreve no presente. “A APA colapsou institucionalmente, mas isso não quer dizer que os agricultores pararam de conduzir os seus sistemas”, justifica. O estudo descreve que alguns ex-sócios têm simplificado suas unidades de produção, investindo em monocultivos ou mesmo abandonando completamente os sistemas agroflorestais, como forma de protesto frente à crise. Os agricultores enfrentam, ainda, a pressão pela tendência ao desmatamento observada na região. Em suas considerações finais, o estudo questiona se o Estado e o movimento social e ambiental da região central de Rondônia vão agir para que o desmatamento não se intensifique. A tese valia, ainda, que é cedo para prever até que ponto o capital social formado na região, com grande participação da APA, será mobilizado e reorientado para novos empreendimentos e oportunidades. “Tanto os acertos como os erros e crises vivenciadas no passado devem servir de aprendizado e memória institucional regional para apoiar novas iniciativas e processos socioecológicos mais resilientes”, conclui o estudo.

Sustentabilidade Ambiental

Sustentabilidade é a palavra do século. Nesta semana um amigo, Sérgio Lagoa, comentou sobre este processo que promove a sustentabilidade. Entretanto não estamos falando do futuro, mas sim do presente. A cogeração consiste em produzir energia elétrica e térmica simultaneamente a partir de um combustível comum ou, melhor ainda, a partir de resíduos da atividade industrial. Todos devemos saber que a atividade humana fatalmente produz muitos resíduos, principalmente lixo proveniente de atividades domésticas, industriais e da construção civil. Tudo que transformamos, em processos antropogênicos, gera produtos desinteressantes. O que devemos fazer com isso? Em geral, o transporte desse lixo infelizmente inviabiliza economicamente a reciclagem do mesmo, principalmente em cidades como São Paulo, que produz quantidades astronômicas de resíduos e possui apenas uma estação cadastrada para reaproveitamento de resíduos da construção civil, por exemplo. Imagine se vale a pena pagar para um caminhão transportar lixo no trânsito caótico de São Paulo (ver post do dia 09/09) por um percurso de, em alguns casos, 40 quilômetros! Inviável... Em uma indústria de embalagens chamada INAPEL, localizada em Guarulhos (São Paulo), Sérgio ajudou a implantar um sistema de cogeração movido a gás natural. Este processo permite que a planta seja capaz de atingir um nível de eficiência beirando os 90%. Para se ter uma idéia, um carro movido a gasolina aproveita em média apenas 30% da energia contida em seu combustível. A indústria de papel e plásticos produz muitos dejetos agressores de corpos d'água e da atmosfera, causando um déficit ambiental grave. As regulamentações impostas pelo governo a partir da década de setenta demandam investimentos por parte dessas indústrias de forma a minimizar o dano ocasionado, o que resulta em encarecimento dos produtos e impactos na economia. Essas externalidades podem ser generalizadas para a escala mundial, o que significa um impacto na economia mundial somente devido a passivos ambientais causados por indústrias. Portanto, a otimização da produção energética na indústria através da cogeração traz benefícios não só do ponto de vista da auto-suficiência energética, mas também do ponto de vista econômico do mercado. O capital que antes era "queimado" na forma de combustível não aproveitado agora pode ser empregado no tratamento de emissões da indústria e, conseqüentemente, é capaz de beneficiar a oferta dos produtos oferecidos pela fábrica em questão de modo a melhor atender sua demanda no mercado. É uma forma inteligente e eficiente de controle do meio-ambiente, A alternativa é capaz de ao menos minimizar drasticamente o problema ambiental sem que seja necessária a tributação. Temos aqui um exemplo claro do Teorema de Coase: o governo, ao incentivar indústrias a implantarem processos de cogeração, estão trazendo benefícios tanto para as empresas quanto para si mesmo. A sustentabilidade é uma realidade! E vamos a mais uma pequena coletânea de notícias, desta vez, sobre Sustentabilidade Ambiental. Um projeto britânico pretende construir uma estrutura capaz de gerar alimentos, água limpa e energia no meio de um deserto como o do Saara. A estrutura consiste em uma grande estufa onde seria possível cultivar os vegetais com água evaporada do mar. Para isso, utilizarão máquinas "evaporadoras" que converterão a água salgada em um vapor que, não só será utilizado na irrigação, como também resfriará o ambiente interno, baixando em até 15 graus a temperatura. Anexo à estufa, serão instalados enormes painéis solares para a geração de energia elétrica. É realmente um complexo inteiramente sustentável e que auxiliará no desenvolvimento dos países localizados em regiões desérticas. Além disso, todo o excedente de produção poderá ser enviado à Europa, em especial a energia gerada.
Representação gráfica de como serão as estruturas acima citadas. Uma fábrica iniciou a produção de uma espécie de "madeira plástica" que será utilizada em construções. Ela é feita a partir de uma mistura de plásticos de embalagens descartáveis com fibras vegetais, provenientes de cocos e até mesmo tapetes. A mistura leva ainda borra de café. Ela é prensada a uma temperatura de 200ºC e se parece muito com a madeira comum em seu aspecto. A vantagem é que é muito mais durável por possuir plástico em sua composição e não necessita de envernizamento constante. Além disso, é uma ótima maneira de se reutilizar todo o plástico que se tornaria lixo e contribuiria para a poluição do meio ambiente. Cresce a cada dia o número de empreendimentos imobiliários que utilizam itens de sustentabilidade em suas construções. São os "Eco-imóveis". Aqui no Rio, por exemplo, há vários condomínios sendo construídos que farão coleta seletiva e utilizarão fontes alternativas de energia, além de serem decorados com plantas e outras paisagens naturais. Há inclusive prédios que já contarão com tubos por onde o óleo de cozinha será diretamente despejado e coletado para reciclagem. Outros investem nos chamados "telhados ecológicos" (ou telhados verdes), os quais contam com vegetação plantada no topo dos edifícios, a qual diminui significantemente a temperatura sem o uso de refrigeradores. Com relação a água, há captação de água de chuva, reduzindo os custos; e há a recaptação de água utilizada, em torneiras, a qual pode ser utilizada para dar descargas, lavar carros, quintais, regar plantas, etc. Todas as novidades citadas acima mostram, mais uma vez, que a capacidade criativa do ser humano é enorme e somos "SIM" capazes de contornar os problemas ambientais atuais. Basta acreditarmos nessa capacidade e mudarmos um pouquinho só os nossos hábitos.

Sustentabilidade sustentável será?

Usa-se a palavra sustentabilidade para qualquer coisa. Fala-se muito em desenvolvimento sustentável, crescimento sustentável, sustentabilidade ambiental, sustentabilidade econômica, negócios sustentáveis, sustentabilidade ecológica, marketing sustentável, e assim por diante. A verdade, no entanto, é que poucos compreendem o que seja sustentabilidade. Se encontrarmos o conceito básico de sustentabilidade, obtido partir da expressão “desenvolvimento sustentável”, é o atendimento das necessidades das gerações atuais, sem comprometer a possibilidade de satisfação das necessidades das gerações futuras. Parece-nos que um dos maiores equívocos associados à sustentabilidade é pensar que podemos continuar crescendo indefinidamente, como se não fosse haver um limite. Basta olhar os resultados das pesquisas realizadas e ver que o planeta está em perigo e em breve chegaremos a um ponto sem retorno. Ou seja, a Terra perderá a capacidade de se regenerar e, com isso, vão faltar água e alimentos em diversas partes do globo. O aquecimento global chegará a um nível catastrófico dizimando a vida de uma infinidade de seres vivos. É nesse contexto que surge a sustentabilidade. Ela foi concebida para que o homem, independentemente de suas crenças, possa sensibilizar-se para o real perigo que representa para o planeta. O objetivo da sustentabilidade é induzir o homem a reduzir a destruição, deixar de ser predatório. Como a biodiversidade planetária está no limiar do esgotamento, todas as atenções da sustentabilidade dirigem-se para o meio ambiente. No entanto, ela possui infindáveis vertentes. É, portanto em razões dessas inúmeras correlações que a sustentabilidade se tornou um tema complexo. Não se pode fechar questão em torno dela, tampouco aprisioná-la em conceitos que servem mais para acomodar interesses do que compreendê-la. Hoje mais do que nunca temos que focar a sustentabilidade no meio ambiente em função das catástrofes que estão ocorrendo, mas não podemos esquecer que esta não é a única função e significado de ações sustentáveis.

Copa de 2014 promete dar uma goleada de sustentabilidade

A Copa do Mundo de 2014 é um evento que vem sendo concebido segundo os princípios da sustentabilidade. Assim, o Brasil estrearia a primeira “Copa do Mundo Verde”. As ações seriam dirigidas aos 12 estádios que vão sediar os jogos em EcoArenas. Alguns projetistas denominaram de EcoArenas estádios ecológicos construídos de forma a causar o menor impacto ambiental possível, sem desperdício de materiais e com maior eficiência energética. Parte de sua demanda interna de água e energia seria suprida por painéis fotovoltaicos para captura de energia solar e por sistemas de coleta de água de chuva, que seria tratada e reaproveitada na irrigação do campo e em instalações sanitárias. EcoArenas e soluções sustentáveis em infraestrutura fazem parte da campanha por uma “ Copa verde” no Brasil, em 2014. O enfoque foi dado pela Deutsche Welle Online, em 15 de março de 2009. A Câmara Brasil Alemanha – AHK, através da Ecogerma, debateu temas ligados ao evento e revelou que os estádios projetados para as cidades-candidatas Brasília e Cuiabá seguirão o modelo ecológico, bem como a reforma projetada para o Maracanã, Estádio Jornalista Mário Filho, no Rio de Janeiro, desenvolvida pelo escritório Castro Mello Arquitetura Esportiva, de São Paulo. “O Brasil tem a chance de fazer a maior ação coordenadora de green building do mundo, e isso traria não apenas benefícios ambientais, como também seria excelente para a imagem do país”, argumenta o arquiteto Vicente de Castro Mello, lembrando que também as empresas que vierem a associar seu nome à empreiteira sairiam beneficiadas. A campanha não prevê a construção de novos estádios, apenas, uma nova remodelagem nas estruturas preexistentes com aproveitamento da área e campo de futebol. O Estádio Mané Garrincha, em Brasília, por exemplo, irá ampliar sua capacidade de 42 mil para 71 mil lugares, em projeto orçado em R$ 522 milhões. A previsão do orçamento para o estádio Governador José Fragelli seria renovado ao custo de aproximadamente R$ 380 milhões, ganhando capacidade para 45 mil pessoas. A AHK trouxe o exemplo de sucesso em sintonia com as EcoArenas , destaque do debate. O Estádio Badenova, em Freiburg, foi pioneiro ao adotar painéis fotovoltaicos em sua cobertura, que hoje suprem 50% de sua demanda energética. Além das tradicionais exigências para as cidades e os estádios que vão sediar a Copa do Mundo, a Fifa estabeleceu a partir da Copa da Alemanha, em 2006, o programa dos Green Goals, uma lista de metas verdes a serem alcançadas para tornar o evento mais sustentável. “A idéia dos Green Goals começou a tomar corpo na Copa da Alemanha e estamos aplicando seus princípios na África do Sul mas acreditamos que a primeira grande aplicação deste caderno de encargos vai ser no Brasil em 2014” , diz Robson Kalil, sócio da empresa Deloitte na área de gestão de riscos empresariais. “O país já vem buscando padrões de comportamento sustentáveis com muita seriedade, e a Copa vai entrar como um catalisador nesse processo todo, acelerando o movimento que hoje já é perceptível.” Algumas outras soluções tais como as viárias, com investimentos sobre trilhos em detrimento do sobre rodas e todas as recomendações que fazem uma construção sustentável contemplarão o aproveitamento da iluminação natural e ventilação. O diretor regional da Siemens para o Rio de Janeiro, afirma:” Se os investimentos forem feitos de forma correta, pensando em suas aplicações futuras e contando com o apoio da sociedade, 100% dos investimentos ficarão como legado para depois”. Acrescenta, “nenhum de nós quer um investimento apenas para os 30 dias da Copa. É um evento para o futuro do país”. A participação do economista americano Ian McKee que trabalhou no Banco Goldman Sachs, em Nova York onde se credenciou pelo LEED – Leadearship in Energy and Environmental Design (ou Liderança em Design de Energia e Meio Ambiente), através do U.S. Green Building Council – Conselho de Construções Sustentáveis, nos Estados Unidos, está habilitado a certificar construções sustentáveis no mundo todo. Ian e Vicente participaram do “Fórum Nacional de Arquitetura, Iluminação e Sustentabilidade “que aconteceu nos dias 20 e 21 de agosto passado, em São Paulo, com a presença de 17 arquitetos envolvidos nos projetos da Copa 2014. Considerando que uma Copa do Mundo é o maior evento de mídia do planeta bilhões de dólares serão gerados com o marketing e a venda dos direitos de imagem. Um bom momento para arregimentar trabalhadores da construção civil e realizar programas de capacitação de mão de obra para o desempenho das funções necessárias e que estejam a altura deste evento. Fazendo nossas as palavras de Ian e Vicente, obras com o mínimo impacto ambiental possível será a grande vitória brasileira. Agora dizemos nós, eventualmente, também, sermos o campeão da Copa 2014.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

ESSA CALOU OS AMERICANOS!

SHOW DO MINISTRO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRO AOS ESTADOS UNIDOS Essa merece ser lida, afinal não é todo dia que um brasileiro dá um esculacho educadíssimo nos americanos! Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador do DF, ex-ministro da educação e atual senador CRISTÓVAM BUARQUE, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um brasileiro. Esta foi a resposta do Sr. Cristóvam Buarque: "De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. "Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade. "Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço." "Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. "Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. "Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. "Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. "Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. "Como humanista aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa! DIZEM QUE ESTA MATÉRIA NÃO FOI PUBLICADA, POR RAZÕES ÓBVIAS. AJUDE A DIVULGÁ-LA, SE POSSÍVEL FAÇA TRADUÇÃO PARA OUTRAS LÍNGUAS QUE DOMINAR.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Saiba como fazer Papel Reciclado

O QUE VOCÊ PRECISA: · papel e água · bacias: rasa e funda · balde · moldura de madeira com tela de nylon ou peneira reta · moldura de madeira vazada (sem tela) · liquidificador . jornal ou feltro · pano (ex.: morim) · esponjas ou trapos · varal e pregadores · prensa ou duas tábuas de madeira · peneira côncava (com "barriga") · mesa ROTEIRO: A - Preparando a polpa: Pique o papel e deixe de molho durante um dia ou uma noite na bacia rasa, para amolecer. Coloque água e papel no liquidificador, na proporção de três partes de água para uma de papel. Bata por dez segundos e desligue. Espere um minuto e bata novamente por mais dez segundos. A polpa está pronta. B - Fazendo o papel: 1. Despeje a polpa numa bacia grande, maior que a moldura. 2. Coloque a moldura vazada sobre a moldura com tela. Mergulhe a moldura verticalmente e deite-a no fundo da bacia. 3. Suspenda-as ainda na posição horizontal, bem devagar, de modo que a polpa fique depositada na tela. Espere o excesso de água escorrer para dentro da bacia e retire cuidadosamente a moldura vazada. 4. Vire a moldura com a polpa para baixo, sobre um jornal ou pano. 5. Tire o excesso de água com uma esponja. 6. Levante a moldura, deixando a folha de papel artesanal ainda úmida sobre o jornal ou morim. C - Prensando as folhas Para que suas folhas de papel artesanal sequem mais rápido e o entrelaçamento das fibras seja mais firme, faça pilhas com o jornal da seguinte forma: · Empilhe três folhas do jornal com papel artesanal. Intercale com seis folhas de jornal ou um pedaço de feltro e coloque mais três folhas do jornal com papel. Continue até formar uma pilha de 12 folhas de papel artesanal. · Coloque a pilha de folhas na prensa por 15 minutos. Se não tiver prensa, ponha a pilha de folhas no chão e pressione com um pedaço de madeira. · Pendure as folhas de jornal com o papel artesanal no varal até que sequem completamente. Retire cada folha de papel do jornal ou morim e faça uma pilha com elas. Coloque esta pilha na prensa por 8 horas ou dentro de um livro pesado por uma semana. Efeitos decorativos Misture à polpa: linha, gaze, fio de lã, casca de cebola ou casca de alho, chá em saquinho, pétalas de flores e outras fibras. Bata no liquidificador junto com o papel picado: papel de presente, casca de cebola ou de alho. Coloque sobre a folha ainda molhada: barbante, pedaços de cartolina, pano de tricô ou crochê. Neste caso, a secagem será natural - não é necessário pressionar com o pedaço de madeira. Para ter papel colorido: bata papel crepom com água no liquidificador e junte essa mistura à polpa. Outra opção é adicionar guache ou anilina diretamente à polpa. Dicas importantes A tela de nylon deve ficar bem esticada, presa à moldura por tachinhas ou grampos. Reutilize a água que ficar na bacia para bater mais papel no liquidificador Conserve a polpa que sobrar: peneire e esprema com um pano. Guarde ainda molhada (em pote plástico no congelador) ou seca (em saco de algodão). A polpa deve ser ainda conservada em temperatura ambiente.

Como e por que reciclar?

A reciclagem do material é muito importante, não apenas para diminuir o acúmulo de objetos, como também para poupar a natureza da extração inesgotável de recursos. A coleta seletiva pode ser feita dentro de casa, e assim ajudar na contribuição na preservação do meio ambiente. Procure o programa organizado de coleta de seu município ou uma instituição que colete o material separadamente. Para uma coleta de maneira ideal, separe os resíduos em não- recicláveis e recicláveis, e dentro dos recicláveis separe papel, metal, vidro e plástico. Os objetos reciclados não serão transformados nos mesmos produtos. Por exemplo, garrafas recicláveis não serão transformadas em outras garrafas, mas em outros materiais, como solados de sapato.As vantagens da reciclagem são: cada 50 quilos de papel usado, transformado em papel novo, evita que uma árvore seja cortada. Cada 50 quilos de alumínio usado e reciclado, evita que sejam extraídos do solo cerca de 5.000 quilos de minérios, a bauxita. A cada quilo de vidro quebrado, faz-se exatamente um quilo de vidro novo. E a grande vantagem do vidro é que ele pode ser reciclado infinitas vezes.

O que é Coleta Seletiva?

É um sistema de recolhimento de materiais recicláveis, tais como papéis, plásticos, vidros, metais e orgânicos, previamente separados na fonte geradora. Estes materiais são vendidos às indústrias recicladoras ou aos sucateiros. As quatro principais modalidades de coleta seletiva são: domiciliar, em postos de entrega voluntária, em postos de troca e por catadores. A coleta seletiva domiciliar assemelha-se ao procedimento clássico de coleta normal de lixo. Porém, os veículos coletores percorrem as residências em dias e horários específicos que não coincidam com a coleta normal. A coleta em PEV - Postos de Entrega Voluntária ou em LEV - Locais de Entrega Voluntária utiliza normalmente contêineres ou pequenos depósitos, colocados em pontos fixos, onde o cidadão, espontaneamente, deposita os recicláveis. A modalidade de coleta seletiva em postos de troca se baseia na troca do material entregue por algum bem ou benefício.O sucesso da coleta seletiva está diretamente associado aos investimentos feitos para sensibilização e conscientização da população. Normalmente, quanto maior a participação voluntária em programas de coleta seletiva, menor é seu custo de administração. Não se pode esquecer também a existência do mercado para os recicláveis.

Simbologias e Cores na Reciclagem

As cores características dos containeres apropriados para a coleta seletiva de lixo: Papel/Papelão - azul Metal - amarelo Plástico - vermelho Vidro - verde Até hoje, não se sabe onde e com que critério foi criado o padrão de cores dos containeres utilizados para a coleta seletiva voluntária em todo o mundo. No entanto, alguns países já reconhecem esse padrão como um parâmetro oficial a ser seguido por qualquer modelo de gestão de programas de coleta seletiva. Existe uma simbologia específica para a reciclagem de plásticos: No Brasil existe uma norma (NBR 13230) da ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas, que padroniza os símbolos que identificam os diversos tipos de resinas (plásticos) virgens. O objetivo é facilitar a etapa de triagem dos resíduos plásticos que serão encaminhados à reciclagem. Os tipos são classificados por números, a saber: 1 - PET 2 - PEAD 3 - PVC 4 - PEBD 5 - PP 6 - PS 7 - OutrosTelefone da ABNT para contato: SP - (11) 3016.7070 - RJ - (21) 3974.2300

Reciclar Baterias e Pilhas

As pilhas e baterias, quando descartadas em lixões ou aterros sanitários, liberam componentes tóxicos que contaminam o solo, os cursos d'água e os lençóis freáticos, afetando a flora e a fauna das regiões circunvizinhas e o homem, pela cadeia alimentar. Devido a seus componentes tóxicos, as pilhas podem também afetar a qualidade do produto obtido na compostagem de lixo orgânico. Além disso, sua queima em incineradores também não consiste em uma boa prática, pois seus resíduos tóxicos permanecem nas cinzas e parte deles pode volatilizar, contaminando a atmosfera. Os componentes tóxicos encontrados nas pilhas são: cádmio, chumbo e mercúrio. Todos afetam o sistema nervoso central, o fígado, os rins e os pulmões, pois eles são bioacumulativos. O cádmio é cancerígeno, o chumbo pode provocar anemia, debilidade e paralisia parcial, e o mercúrio pode também ocasionar mutações genéticas. Considerando os impactos negativos causados ao meio ambiente pelo descarte inadequado das pilhas e baterias usadas e a necessidade de disciplinar o descarte e o gerenciamento ambientalmente adequado (coleta, reutilização, reciclagem, tratamento ou disposição final) de pilhas e baterias usadas, a Resolução n° 257/99 do CONAMA resolve em seu artigo primeiro:"As pilhas e baterias que contenham em suas composições chumbo, cádmio, mercúrio e seus compostos, necessário ao funcionamento de quaisquer tipos de aparelhos, veículos ou sistemas, móveis ou fixos, bem como os produtos eletroeletrônicos que os contenham integrados em sua estrutura de forma não substituível, após seu esgotamento energético, serão entregues pelos usuários aos estabelecimentos que as comercializam ou à rede de assistência técnica autorizada pelas respectivas indústrias, para repasse aos fabricantes ou importadores, para que estes adotem diretamente, ou por meio de terceiros, os procedimentos de reutilização, reciclagem, tratamento ou disposição final ambientalmente adequado".

Reciclar Entulho

Entulho é o conjunto de fragmentos ou restos de tijolo, concreto, argamassa, aço, madeira, etc., provenientes do desperdício na construção, reforma e/ou demolição de estruturas, como prédios, residências e pontes. O entulho de construção compõe-se, portanto, de restos e fragmentos de materiais, enquanto o de demolição é formado apenas por fragmentos, tendo por isso maior potencial qualitativo, comparativamente ao entulho de construção. O processo de reciclagem do entulho, para a obtenção de agregados, basicamente envolve a seleção dos materiais recicláveis do entulho e a trituração em equipamentos apropriados. Os resíduos encontrados predominantemente no entulho, que são recicláveis para a produção de agregados, pertencem a dois grupos: Grupo I - materiais compostos de cimento, cal, areia e brita: concretos, argamassa, blocos de concreto. Grupo II - materiais cerâmicos: telhas, manilhas, tijolos, azulejos. Grupo III - materiais não-recicláveis: solo, gesso, metal, madeira, papel, plástico, matéria orgânica, vidro e isopor. Desses materiais, alguns são passíveis de serem selecionados e encaminhados para outros usos. Assim, embalagens de papel e papelão, madeira e mesmo vidro e metal podem ser recolhidos para reutilização ou reciclagem.

Reciclar Pneus

Os pneus usados podem ser reutilizados após sua recauchutagem. Esta consiste na remoção por raspagem da banda de rodagem desgastada da carcaça e na colocação de uma nova banda. Após a vulcanização, o pneu "recauchutado" deverá ter a mesma durabilidade que o novo. A economia do processo favorece os pneus mais caros, como os de transporte (caminhão, ônibus, avião), pois neste segmento os custos são melhores monitorados. Há limites no número de recauchutagem que um pneu suporta sem afetar seu desempenho. Assim sendo, mais cedo ou mais tarde, os pneus são considerados inservíveis e descartados. Os pneus descartados podem ser reciclados ou reutilizados para diversos fins. Neste caso, são apresentadas, a seguir, várias opções: Na engenharia civil: O uso de carcaças de pneus na engenharia civil envolve diversas soluções criativas, em aplicações bastante diversificadas, tais como, barreira em acostamentos de estradas, elemento de construção em parques e playgrounds, quebra-mar, obstáculos para trânsito e, até mesmo, recifes artificiais para criação de peixes. Na regeneração da borracha: O processo de regeneração de borracha envolve a separação da borracha vulcanizada dos demais componentes e sua digestão com vapor e produtos químicos, tais como, álcalis, mercaptanas e óleos minerais. O produto desta digestão é refinado em moinhos até a obtenção de uma manta uniforme, ou extrudado para obtenção de material granulado. A moagem do pneu em partículas finas permite o uso direto do resíduo de borracha em aplicações similares às da borracha regenerada. Na geração de energia O poder calorífico de raspas de pneu equivale ao do óleo combustível, ficando em torno de 40 Mej/kg. O poder calorífico da madeira é por volta de 14 Mej/kg. Os pneus podem ser queimados em fornos já projetados para otimiza a queima. Em fábricas de cimento, sua queima já é uma realidade em outros países. A Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) informa que cerca de 100 milhões de carcaças de pneus são queimadas anualmente nos Estados Unidos com esta finalidade, e que o Brasil já está experimentando a mesma solução. No asfalto modificado com borracha O processo envolve a incorporação da borracha em pedaços ou em pó. Apesar do maior custo, a adição de pneus no pavimento pode até dobrar a vida útil da estrada, porque a borracha confere ao pavimento maiores propriedades de elasticidade ante mudanças de temperatura. O uso da borracha também reduz o ruído causado pelo contato dos veículos com a estrada. Por causa destes benefícios, e também para reduzir o armazenamento de pneus velhos, o governo americano requer que 5% do material usado para pavimentar estradas federais seja de borracha moída.