sexta-feira, 31 de julho de 2009

Orgânicos: fortes, bonitos e saborosos

Da alface ao cafezinho, sem esquecer os ovos, o bife e o frango ciscador, já há de tudo orgânico. A oferta está melhorando e foi-se o tempo em que produtos orgânicos eram murchinhos, fraquinhos, feinhos. Fuja desses. Está mais fácil pôr na mesa pães, verduras, sucos, laticínios, grãos, carnes e até vinhos, nacionais, orgânicos e de boa qualidade. A oferta de alimentos cultivados sem defensivos agrícolas dá conta de uma refeição completa, incluindo o cafezinho. Se quiser entrar nessa onda, antes de mais nada, vai ter de se conformar em pagar mais pelos produtos. Aqueles lindos ovos caipiras que estão nas propagandas, são ovos de galinhas criadas soltas e livres de promotores de crescimento e chegam a custar três vezes mais que os não orgânicos. O mesmo acontece com as belas verduras e os legumes cultivados sem defensivos, que ilustram estas páginas. Ah, prepare-se também para não comer frutas e verduras fora da estação. Os orgânicos obedecem à sazonalidade e podem sumir dos mercados em determinadas épocas do ano. Não basta um produto ser orgânico para ser bom. Um mau produtor orgânico vai gerar maus produtos. O produto pode ser orgânico, certificado e ter defeitos evidentes. Fuja desses. Ser orgânico não é desculpa para ser feio, murcho, machucado. Foi-se o tempo. Você vai precisar aprender a ler os rótulos. A partir de 2.010, a vida do consumidor brasileiro vai melhorar porque todos os produtos orgânicos terão de apresentar um selo de certificação. Vai ficar fácil distinguir. E, por favor, não confunda os termos. Orgânicos são fruto de produção certificada, que exige a conservação do solo, preserva a biodiversidade da fazenda, proíbe o uso de defensivos agrícolas e transgênicos. Biodinâmicos cumprem os mesmos requisitos que os orgânicos, mas ainda levam em conta os fundamentos estabelecidos por Rudolf Steiner, da integração entre a produção vegetal e animal em uma unidade de produção familiar. Hidropônicos são vegetais produzidos em estufa, sem tocar o solo. São alimentados por solução hidromineral, e contrariam os princípios orgânicos. Laticínios As vacas leiteiras são criadas soltas, comem capim e não recebem nenhum tipo de aditivo químico para estimular a produção de leite. Na produção convencional, muitos animais são mantidos em cativeiro, sem ver a luz do sol. Carne Os animais são alimentados com capim e grãos orgânicos. Não recebem hormônios de crescimento nem antibióticos. Granola O plantio da aveia, do trigo e do centeio segue a cartilha orgânica, sem resíduos químicos. Apenas 1% do produto - o floco de milho - não é orgânico. Legumes e verduras São cultivados em solo adubado com esterco e farinha de osso. Costumam ser crocantes e tenros. A cenoura tem destacada doçura, a rúcula preserva o ardido característico e a batata costuma ter textura exemplar. Café Entre os orgânicos, é o produto brasileiro mais exportado. Lavoura e todo o beneficiamento são inspecionados. Descartam-se os grãos com defeito. O controle de qualidade garante o selo gourmet. Frango Leva meses para ficar "pronto", ou seja, no peso ideal para o abate, ao contrário do frango convencional, que está apto para o abate em 40 dias, depois de ser tratado com hormônios e antibióticos. Açúcar O processo de refinamento de açúcar envolve enxofre e por isso, uma das primeiras investidas dos ambientalistas foi contra o uso do açúcar branco. O orgânico se parece com o mascavo, não clarificado. Em sua composição há mais minerais, como cálcio e ferro. Biscoitos Todos os ingredientes que entram na produção precisam ser certificados - solo em que se planta a cana-de-açúcar, chocolate, baunilha e farinha. Frutas A maior vítima dos produtos químicos é o morango, que ficou enorme e sem sabor, forçado além de sua sazonalidade. O orgânico é cultivado à base de fertilizantes naturais. Os mais vistosos são vendidos in natura; os demais servem de polpa para sucos. Mas outras frutas e legumes adubados organicamente são menos aguadas e com sabor concentrado. Grãos O resultado da produção de feijão, milho e soja orgânicos tem surpreendido agricultores. Com controle biológico de pragas, a produtividade se equipara à da lavoura convencional. Os grãos têm menos sódio. O feijão conserva o sabor de ferro. Chá Sem a adição de nitratos, fungicidas ou herbicidas, conserva o sabor original. Lojas em Sãp Paulo Alquimia: R. Monte Alegre, 341, tel: 3864-2596. Mercearia, mel. Bio Alternativa: R. Maranhão, 812, tel: 3825-8499. Hortifruti, mercearia, massas, bebidas, laticínios, pães. Carrefour: www.carrefour.com.br. Mercearia, hortifruti, bebidas. Casa Santa Luzia: Al. Lorena, 1.471, tel.: 3897-5000. Com entrega: hortifruti, mercearia, frango, ovos, laticínios, vinhos. Chácara de Orgânicos: R. Rodrigo Vieira, 412, tel: 5084-9697. Com entrega: processados, chás, mercearia. Empório Família Mendonça: R. da Cantareira, 306, tel: 3227-9858. Empório Santa Maria: Av. Cidade Jardim, 790, tel: 3816-4344. Hortifruti, mercearia, vinhos. Emporium São Paulo: Rua Afonso Braz, 431, tel: 3848-3700. Com entrega: hortifruti, ovos. Korin: Rua Coronel Arthur de Godoy, 246, tel: 5579-9363. Com entrega: hortifruti, mercearia, ovos, frango. Melinda & Julius: Rua Dom Armando Lombardi, 511, tel: 3722-2553. Mercearia, pães, mel, hortifruti, ovos, bebidas. Mundo Verde: www.mundoverde.com.br, mercearia. Pão de Açúcar: www.paodeacucar.com.br. Mercearia, hortifruti, ovos, carnes, laticínios, pães. Ponto Verde: Rua do Estilo Barroco, 442, tel: 5182-5161. Com entrega: hortifruti, ovos, mercearia, frango, laticínios. Feiras Ibirapuera: aos domingos, da 7h às 12h. Rua Tutoia (estac. da Igreja do Santíssimo Sacramento), tel: 3875-2625. Parque da Água Branca: às terças, sábados e domingos, das 7h às 12h. Av. Francisco Matarazzo, 455, tel: 3875-2625 (pela AAO). Biodinâmica - Só pela internet. Alternativa Natural: www.alternativanatural.com.br (só processados). Caminhos da Roça: tel: 3733-6727 - www.caminhosdaroca.com.br. Mercearia, hortifruti, pães, laticínios, bebidas.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Império foodie contra-ataca

Os EUA vivem a Era do Orgânico. Há fazendas de orgânicos, megaempórios orgânicos, feiras e mercadinhos orgânicos. Tem orgânico autêntico, orgânico chique, orgânico orgânico. 70% da população consome ou consumiu orgânicos. Um guru naturalista já teme a massificação busca no paladar. A febre dos orgânicos não podia aparecer em lugar mais propício a tendências: os EUA Num país que adora fenômenos em cadeia como os Estados Unidos, nada mais natural que o surgimento de um gigante no ramo de orgânicos. Seu nome é Whole Foods e a rede já contabiliza mais de 250 lojas na América do Norte e no Reino Unido. A primeira Whole Foods foi inaugurada em 1980 em Austin, Texas, por um grupo partidário de comidas saudáveis. Centenas de lojas depois, a cadeia tem mérito inegável na disseminação não apenas dos alimentos orgânicos, mas de tudo que tem produção certificada, de roupas à produtos de limpeza. Suas lojas têm dimensões de supermercado, jeito de Starbucks hippie-chic onde se pode fazer a compra ou servir-se em um buffet, para comer ali ou levar para casa. Tudo fresco. Claro que o megaempreendimento gera polêmica. Fiéis consumidores de orgânicos – como a autora do blog Chucrute com Salsicha, Fernanda Guimarães Rosa, moradora de Davis, na Califórnia – dão preferência às feiras e aos mercadinhos. "Meu lema é consumir produtos locais. Nem sempre os das feiras têm o selo de orgânicos, mas eu confio nos produtores, são todos fazendeiros", diz. Tim Porter, autor de Organic Marin (Porter & Wong Kinsley, USA), compra "orgânicos empacotados", como cereais, e "orgânicos do dia a dia" no Whole Foods, mas vai semanalmente aos pequenos mercados de Marin, onde vive. A escritora Sarah Magid conta que nos últimos seis anos a oferta incluiu até farinhas e chocolates orgânicos. Seu livro, com receitas orgânicas de bolos e cookies, acaba de chegar ao Brasil (à venda na Livraria Cultura). E o nome não poderia ser mais emblemático: Organic and Chic. "Um total de 70% da população americana já consumiu ou consome algum produto orgânico", estima José Pedro Santiago, presidente da Câmara Setorial de Agricultura Orgânica no Brasil.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Saborosos, fortes e bonitos

Com a melhora da oferta, foi-se o tempo em que os produtos orgânicos eram murchinhos, franzinhos e feinhos. Hoje, da alface ao frango ciscador, passando pelo repolho e os ovos, os orgânicos também competem em apresentação. Está mais fácil pôr na mesa pães, verduras, sucos, laticínios, grãos, carnes e até vinhos, nacionais, orgânicos e de qualidade. A oferta de alimentos cultivados sem defensivos agrícolas já dá conta de uma refeição completa, incluindo o cafezinho. Outra boa notícia é que esses produtos deixaram de ser feinhos, murchinhos – você pode até encontrar alguns menos vistosos, mas não há motivo para comprá-los. Feiúra deixou de ser sinônimo de orgânico. A superioridade do sabor dos alimentos orgânicos sobre os convencionais não é cientificamente comprovada, mas não há dúvidas de que quando se usam menos aditivos químicos, os vegetais crescem mais lentamente e retêm menos água, o que concentra o sabor. Se você quiser entrar nessa onda, antes de qualquer coisa, vai ter de se conformar em pagar mais pelos produtos. Os lindos ovos orgânicos, por exemplo, são de galinhas criadas soltas e livres de promotores de crescimento e chegam a custar três vezes mais que os não orgânicos. O mesmo acontece com as belas verduras e os legumes cultivados sem defensivos. Nos Estados Unidos, frutas e verduras orgânicas são encontradas apenas na estação. Sem aditivos os produtores têm de respeitar o ciclo natural da safra, quando os vegetais estão em plena forma em textura e sabor. Por aqui, as frutas orgânicas são sazonais, mas como o clima é mais ameno é possível comprar quase todos os legumes, verduras e hortaliças o ano inteiro. Você vai precisar aprender a ler os rótulos. A partir do ano que vem, a vida do consumidor brasileiro vai melhorar porque todos os produtos orgânicos terão de apresentar um selo de certificação, concedido pelo Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica (Sisorg). E mais o selo da certificadora. Vai ficar fácil distinguir.Mas, atenção, não basta um produto ser orgânico para ser bom. E, por favor, não confunda os termos. Orgânicos são fruto de produção certificada, que exige a conservação do solo, proíbe o uso de defensivos, fertilizantes químicos e transgênicos. Biodinâmicos cumprem os mesmos requisitos, mas ainda levam em conta os fundamentos de Rudolf Steiner, da integração entre a produção vegetal e animal em uma unidade de produção familiar. Hidropônicos são vegetais produzidos em estufa, sem tocar o solo. São alimentados por solução hidromineral, e contrariam os princípios orgânicos. Legumes e verduras São cultivados em solo adubado com esterco e farinha de osso. Costumam ser mais crocantes e tenros. A cenoura tem destacada doçura, a rúcula preserva o ardido característico e a batata costuma ter textura exemplar. Grãos O resultado da produção de feijão, milho e soja orgânicos tem surpreendido agricultores. Com controle biológico de pragas, a produtividade se equipara à da lavoura convencional. Os grãos têm menos sódio, e o feijão conserva o sabor de ferro. Carne Os animais são alimentados sobretudo com pasto orgânico. Não ficam confinados e nem recebem remédios alopáticos. CaféNa boca, textura cremosa e sabor intenso. Entre os orgânicos, é dos brasileiros mais exportados. Lavoura e todo o beneficiamento são inspecionados. Há descarte de grãos com defeito. Granola O plantio da aveia, do trigo e do centeio segue a cartilha orgânica, sem resíduos químicos. Apenas 1% do produto – o floco de milho – não é orgânico. Laticínios Já estão à venda leites integrais e desnatados e queijos, produzidos com leite de vacas criadas soltas, alimentadas no pasto livres de aditivos. O leite integral orgânico é muito cremoso, cheio de nata. Biscoitos Pelo menos 95% dos ingredientes que entram na produção precisam ser certificados – o solo em que se planta cana-de-açúcar, chocolate, baunilha e farinha. Morango Na prateleira eles parecem os mesmos: em geral, o orgânico e o comum são idênticos. A diferença está na produção. O morango é a maior vítima dos defensivos agrícolas, por isso, os orgânicos são bastante procurados. A vantagem adicional é que, como ocorre com outras frutas e legumes cultivados organicamente, a polpa é mais tenra e o sabor, concentrado. Frango Leva cinco meses para ficar no peso ideal para o abate, ao contrário do frango convencional, que fica pronto em 40 dias (em média), depois de receber antibióticos promotores de crescimento. Açúcar O processo de refinamento de açúcar branco envolve enxofre e, por isso, uma das primeiras investidas dos ambientalistas foi sobre ele. Destaca-se aqui o demerara, cuja composição leva cálcio, ferro e tem sabor mais suave. Como é cristal, é bom para caramelar. Chá Sem a adição de nitratos, fungicidas ou herbicidas, conserva o sabor original das ervas.

sábado, 25 de julho de 2009

Aquecimento vai agravar efeitos das ilhas de calor

Tempestades, enchentes, temperaturas extremas, raios, secas prolongadas, escassez de água, poluição. Todos os efeitos nocivos das "ilhas de calor" urbanas sobre o clima serão exacerbados pelo aquecimento global nos próximos anos, segundo especialistas reunidos por três dias em São Paulo para discutir o efeito das mudanças climáticas sobre a vida nas cidades. "A Defesa Civil precisa ser fortalecida, porque vai ter muito trabalho daqui para frente", avisa a geógrafa Magda Lombardo, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro, especialista em clima e planejamento urbano. As discussões ocorrem no âmbito da Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede-Clima), criada em 2008 pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) para subsidiar políticas públicas sobre o tema. O primeiro encontro foi na semana passada, no Rio, e o segundo, nesta semana, na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Foram os primeiros passos para identificar os riscos - e soluções - que as mudanças climáticas trarão para as regiões metropolitanas das duas capitais. "A mancha urbana é um enorme experimento de mudanças climáticas e adaptação", diz o especialista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). As ilhas de calor formadas pela urbanização, já alteram o clima local de maneira significativa - aumentando, por exemplo, a ocorrência de tempestades e a concentração de poluentes atmosféricos. Temos de somar os efeitos do aquecimento global a tudo isso que já está ocorrendo. Na maioria dos casos, a situação vai piorar. A mancha urbana de São Paulo já é, em média, 3 °C mais quente que o entorno. Nos dias de muito calor, a diferença pode chegar a 12 °C. Ameaças No Rio, as principais ameaças previstas pelos pesquisadores são o aumento do nível do mar - que poderá comprometer várias praias - e os deslizamentos de encostas ocupadas por favelas, por causa do aumento da ocorrência de tempestades. São Paulo deverá sofrer com mais enchentes, no verão, e secas, no inverno. O grande problema para São Paulo é água. Por causa do calor, as chuvas vão ficar mais concentradas (na forma de tempestades) e vão cair mais no centro da cidade, e não sobre os mananciais, que é onde se precisa delas para abastecimento. A concentração de poluentes sobre a região metropolitana também será exacerbada, assim como os efeitos nocivos da poluição sobre a saúde da população. Os piores impactos sempre acabam desembocando na saúde pública. As mudanças climáticas devem ser incorporadas ao planejamento urbano dos governos, e que as prefeituras das regiões metropolitanas cooperem mais entre si. Em junho de 2009, São Paulo foi a primeira cidade do País a aprovar uma Lei Municipal de Mudanças Climáticas, prevendo medidas tanto de mitigação (redução de emissões) quanto de adaptação. O secretário municipal de Meio Ambiente, Eduardo Jorge, que participou do encontro na Fapesp, chamou atenção para outro efeito do aquecimento com o qual a cidade terá de lidar: a migração de refugiados do clima, vindos do Nordeste e de outras regiões impactadas. O Nordeste faz parte de São Paulo. Quando acabarem as áreas agriculturáveis no Ceará, você acha que as pessoas vão fugir para onde? Parte irá para Fortaleza, parte virá para cá.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Países desenvolvidos concordam em reduzir emissões de carbono em até 80%

O G8 (grupo dos sete países mais desenvolvidos e a Rússia) firmaram um acordo para reduzir em até 80%, até 2050, as emissões de dióxido de carbono. O objetivo é impedir que a temperatura global cresça mais de 2ºC. As nações mais ricas do planeta, reunidas em L’Aquila, centro da Itália, decidiram reduzir pela metade suas emissões de gases de efeito estufa até 2050 em relação ao ano de 1990, "ou a anos mais recentes", e diminuir em 80% as emissões das nações industrializadas, para limitar o aquecimento global em 2ºC, segundo a declaração final da reunião de cúpula. Isso deixa a porta aberta aos Estados Unidos, que se comprometeram com reduções de mais de 80% de suas emissões até 2050, mas em comparação com 2005. A diferença é significativa: desde 1990, as emissões de carbono dos Estados Unidos cresceram 23%. Mudança O texto estipula logo depois que "os níveis de referência podem variar" sendo necessário "que os esforços empreendidos sejam comparáveis". É a primeira vez que o G8, que conta, agora, com a participação do presidente americano Barack Obama, chega a um acordo para máximo de 2ºC no aquecimento, já aprovado por mais de uma centena de países, entre eles a União Europeia. É também a primeira vez que este grupo --que representa 13% da população e 40% das emissões mundiais-- adota um objetivo para apenas as nações industrializadas, consideradas "poluidoras históricas" da atmosfera. Para especialistas no clima, o acordo é importante porque obriga os países a fazerem algo sobre o assunto. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, classificou como "histórico" o consenso, enquanto Angela Merkel, a chanceler alemã, afirmou que se trata de "um claro passo adiante". "Depois de uma longa disputa, todas as nações do G8 finalmente aceitaram a meta dos 2ºC, Dos Estados Unidos ao Japão e a Europa, todos aceitaram esse objetivo", afirmou Merkel. Hoje, durante uma reunião para discutir o tema, o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, afirmou que havia um acordo sobre mudança climática entre os membros do bloco, integrado por Estados Unidos, Itália, França, Reino Unido, Alemanha, Japão, Canadá e Rússia. Berlusconi acrescentou que amanhã, quando os membros do G8 se reunirão com os G5 (Brasil, México, Índia, China, África do Sul e Egito), será verificada a disponibilidade da China e da Índia aderirem ao acordo, já que os dois países são um dos maiores emissores de poluentes. A 35ª Cúpula do G8, que foi iniciada hoje e ocorre até a próxima sexta-feira na cidade italiana de L’Aquila, tem o objetivo de discutir os problemas mundiais, como a crise econômica, as mudanças climáticas e a não proliferação nuclear.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Meta de redução de emissões de gases-estufa marca reunião

Encontro do G-8 em L’Aquila firma acordo de corte de 50% até 2050. O Brasil vai se envolver em uma saia-justa na reunião que acontece em julho de 2009 na Itália, quando o grupo dos países industrializados e a Rússia (G-8) fechar um acordo com metas de redução das emissões de gases-estufa e cobrar a adesão de China e Índia. O acordo, que prevê a redução de 50% das emissões até 2050, é tido como o saldo positivo da “caótica” cúpula do G-8, que começa na cidade italiana de L’Aquila. Deverá aproximar as posições das principais economias responsáveis pelas emissões a apenas cinco meses da Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, em Copenhague. No ano passado, na cúpula do G-8 em Hokkaido, Japão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva advertiu que os países ricos deveriam convergir para um acordo sobre o tema até o encontro na Itália. A mensagem reforçou a contrariedade de Lula com o minúsculo avanço em Hokkaido, quando o G-8 limitou-se a recomendar a adoção do corte de 50%. Naquela ocasião, o G-5 (África do Sul, Brasil, China, Índia e México) havia insistido para que os países mais ricos se comprometessem, adicionalmente, com uma meta de transição até 2020. Entre Hokkaido e L’Aquila, o governo Lula estabeleceu meta ambiciosa de redução do desmatamento da Amazônia em 70% até 2017, essa é a principal causa das emissões de gases-estufa no País. Agora, Lula terá de se equilibrar entre o gesto do G-8 e as pressões de seus membros sobre China e Índia, países com os quais o Brasil espera construir uma frente de economias emergentes para debates sobre reforma dos organismos de governança global. No início do mês de julho de 2009, França, Reino Unido e Itália cobraram do G-5 a adoção da mesma meta de redução de 50% até 2050. O debate sobre o tema se dará tanto na reunião plenária do G-8 com seus principais convidados, o G-5 e o Egito, como no Foro de Grandes Economias (MEF), que agrega os países que respondem por 80% das emissões dos gases estufa. No MEF será fechado o acordo. A celebração de um acordo no MEF sobre mudança climática salvou o encontro de um fiasco total. As chancelarias de vários países europeus criticaram a organização do evento pela decisão tomada pelo primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, de transferir o evento de La Maddalena, na Sardenha, para a cidade destruída pelo terremoto.

domingo, 19 de julho de 2009

Maiores economias concordam com meta de 2°c de aquecimento Não houve acordo em relação a como o objetivo será alcançado; ONU diz que políticas ainda não são suficientes. As 17 maiores economias do mundo concordaram ontem, em uma reunião na Itália, que o aquecimento global não deve passar dos 2°C em relação à temperatura pré-Revolução Industrial. Contudo, divergiram em relação a como essa meta será alcançada. Ainda assim, o gesto significou a adoção de um critério científico e pragmático, que era rejeitado por vários países, segundo o ministro Luiz Alberto Figueiredo Machado, principal negociador brasileiro do tema. Sua expressão, na prática, estaria na definição da meta global de corte de 50% nas emissões até 2050, com o compromisso de os países desenvolvidos de assumir 80% da redução. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, alguns países do G-8 resistiram a essa meta. Com isso, alguns países em desenvolvimento impediram o consenso sobre o corte global de 50% nas emissões. Essas aproximações terão de se dar nos próximos cinco meses, até a próxima Conferência do Clima, em Copenhague. Apesar da falta de consenso, a reunião marca uma reviravolta no debate porque os americanos, que durante a administração George W. Bush negavam qualquer avanço, tornam-se agora líderes da questão. Barack Obama foi o porta-voz da reunião. "Os Estados Unidos algumas vezes deixaram de assumir sua responsabilidade. Esses dias acabaram", disse Obama, que defendeu que a reunião foi um avanço. "Não é tarefa simples para 17 líderes deixar as diferenças de lado em um assunto como mudanças climáticas." Já o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, criticou a proposta do G-8. "As políticas que foram declaradas até agora não são suficientes", afirmou. "Precisamos trabalhar de acordo com a ciência. É político e moralmente imperativo e uma responsabilidade histórica dos líderes com o futuro da humanidade." A ciência diz que os 2°C são um limite a ser perseguido, mas não são garantia de segurança. Mesmo com esse aquecimento eventos climáticos extremos, como secas e chuvas, podem se tornar mais frequentes. ACORDO O Brasil quer compromissos mais suaves para as economias emergentes e pobres, sem metas quantitativas. Quer apenas ter o objetivo de adotar políticas de desenvolvimento que não gerem mais emissões de gás carbônico. Brasil e EUA tentarão alcançar uma posição comum para a Conferência do Clima. A proposta de afinar as posições partiu de Obama, que se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reservadamente. A dificuldade de conciliação dos dois países no tema, entretanto, emergiu de Obama. Segundo ele, assumir compromissos mais ambiciosos pode trazer um impacto brutal sobre a indústria americana, provocar a transferência de investimentos produtivos para a China e gerar um grave problema social. Lula argumentou que políticas públicas que geram cidadania significam elevação das emissões de gases-estufa. O brasileiro agregou seu temor de que, nas negociações de Copenhague, a queda de braço entre desenvolvidos e emergentes acabe no aumento da responsabilidade das economias desenvolvimento. Ele disse que não pretende ver as nações mais ricas "escorregarem" em seus compromissos e, como compensação, oferecerem aportes a fundos para financiar controle de emissões por países em desenvolvimento.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Brasil desperdiça potencial econômico da biodiversidade

O Brasil se orgulha de ter a maior biodiversidade do planeta. Somadas as riquezas biológicas da Amazônia, cerrado, mata atlântica, Pantanal e caatinga, o País abriga mais espécies de plantas, animais, fungos e bactérias do que qualquer outro. Ótimo. Mas e daí? Para que serve essa biodiversidade? Quanto dessa riqueza biológica está sendo convertida em riqueza econômica e desenvolvimento para o País - além de render belas fotografias? "Muito pouco" até agora, segundo especialistas consultados pelo Estado às vésperas da 61ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que começa hoje à noite em Manaus. As estatísticas mostram que o tão alardeado e cobiçado potencial econômico da biodiversidade brasileira ainda está longe de ser capitalizado a contento. O Estado que serve de anfitrião para o evento ilustra bem isso - com um território gigantesco e 98% de sua cobertura vegetal original preservada, o Amazonas tem mais de 1,5 milhões de quilômetros quadrados de floresta tropical intacta, habitada por uma riqueza incalculável de espécies. Mas qual é a importância dessa biodiversidade na economia do Estado? "Não tenho um número exato para te passar, mas é próximo de zero", diz o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Odenildo Sena. O Estado com a maior área de floresta tropical do mundo sobrevive da produção de motocicletas e aparelhos eletrônicos na Zona Franca de Manaus. A importância da biodiversidade na pauta de exportações brasileira também é pequena e fragmentada. Muitos dos principais produtos do agronegócio não têm raízes na biodiversidade nacional. Soja, café, cana-de-açúcar, laranja, gado zebuíno - todas espécies exóticas, trazidas de outros continentes e adaptadas pelo esforço de cientistas e produtores rurais. Entre os produtos "nativos" do Brasil, o que mais pesa na balança comercial é a madeira, com um efeito colateral gravíssimo, que é a destruição da floresta. Quebrar esse paradigma - encontrar maneiras de transformar riqueza biológica em riqueza econômica sem acabar com a biodiversidade no processo - é um dos maiores desafios da ciência na Amazônia. "Não queremos manter um santuário ecológico. Temos 25 milhões de pessoas na região que precisam sobreviver", argumenta Sena. "Precisamos tirar proveito dessa biodiversidade, e para isso precisamos pesquisá-la, gerar conhecimento sobre ela." POTENCIAL IGNORADO O primeiro desafio é simplesmente saber o que existe na floresta. Mais de 50 mil espécies de plantas e animais já foram catalogadas na Amazônia brasileira, mas os próprios cientistas estimam que isso representa, no máximo, 10% da biodiversidade real do bioma. Sem contar os microrganismos, de grande interesse para a indústria de biotecnologia, cuja variabilidade está na casa dos milhões. Além de investir na descoberta de novos produtos - que podem ser desde uma molécula até uma fibra, uma essência, uma bactéria, um peixe ou uma árvore inteira -, é preciso focar esforços nas espécies já conhecidas, diz o pesquisador Alfredo Homma, economista da Embrapa Amazônia Oriental, em Belém. "Há muitos produtos com potencial econômico na Amazônia que não recebem a devida atenção", diz ele. "Biodiversidade não é só madeira, não é só a cura do câncer. Também é borracha, açaí, castanha, palmito, cacau." Os mercados da Amazônia estão abarrotados de produtos oriundos da natureza - frutas, fibras, óleos, ervas, peixes e uma infinidade de sabores e odores típicos da cultura regional. Mas são poucos os que atingem escala industrial. Mesmo exemplos de sucesso internacional, como o açaí e a castanha-do-pará, permanecem associados a sistemas extrativistas de baixo rendimento e pouco valor agregado. Na falta de tecnologia e de cadeias produtivas bem estruturadas, a região tem dificuldade para ir além do fornecimento de matéria-prima. "Não é catando castanha e cortando seringa no meio do mato que vamos resolver o problema. Isso só funciona enquanto o mercado é pequeno. Precisamos de escala", completa Homma, que será um dos 300 palestrantes da reunião da SBPC. "Vai chegar um momento em que a demanda do mercado vai superar o que a cadeia extrativista pode oferecer", reforça Peter Mann de Toledo, presidente do Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará (Idesp). "O que não pode acontecer é crescer achando que o extrativismo vai suprir a demanda do mundo. O crescimento tem de ser planejado, organizado, se não as pessoas vão começar a devastar a floresta para plantar açaí." A solução, segundo os pesquisadores, passa por um esforço intensivo de desenvolvimento científico, tecnológico e industrial para agregar valor e qualidade aos produtos da floresta - de modo que possam ser explorados de forma não só sustentável, mas lucrativa. "Várias vezes já descobrimos uma substância com potencial de uso, mas abortamos o projeto porque a exploração não era sustentável. Precisávamos de muita planta para obter a quantidade de matéria-prima necessária", conta Marcos Vaz, diretor de sustentabilidade da empresa de cosméticos Natura. É nessas situações que a ciência precisa entrar em cena - em parceria com a indústria - para entender a ecologia das espécies, desenvolver métodos de cultivo ou até sintetizar as moléculas desejadas. "A pesquisa tem de ir além de descobrir o uso para alguma coisa, tem de ir até o manejo", afirma Vaz. O mesmo esforço que foi feito para desenvolver as indústrias da soja, da cana e de outras espécies exóticas precisa ser feito para os produtos nativos da Amazônia, dizem os pesquisadores. "Temos um desafio técnico-científico que é inescapável", diz Antônio Galvão, diretor do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Faltam cientistas e recursos na floresta

O esforço científico para promover o desenvolvimento sustentável da Amazônia sofre principalmente com a falta de seu insumo mais básico: pesquisadores. Onde sobram espécies de fauna e flora, faltam cientistas para estudá-las, tanto na academia quanto na indústria. A Amazônia Legal inteira, com seus nove Estados, tem menos doutores (em torno de 3,5 mil) do que a Universidade de São Paulo (mais de 5 mil). Os cursos de pós-graduação são poucos, nem sempre de boa qualidade, e há dificuldade em atrair pesquisadores de outros Estados para morar na Amazônia. "Não conseguimos fixar inteligência de outras regiões", diz o presidente da Fapespa, Ubiratan Bezerra. "O governo vem aumentando o volume de recursos para a Amazônia, mas precisa aumentar muito mais", diz o presidente da Fapeam, Odenildo Sena. "Precisa fazer uma intervenção mesmo." O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCT, Luiz Antonio Barreto de Castro, defende a criação de um "PAC da Amazônia", que privilegie a ciência como ferramenta essencial de promoção do desenvolvimento. Elemento que, segundo ele, está ausente no Plano Amazônia Sustentável (PAS) do governo federal. A base do desenvolvimento é conhecimento, e conhecimento é ciência. Ele concorda que é preciso criar incentivos financeiros para fixar cientistas na Amazônia - incluindo salários mais altos. "Tem de pagar mais mesmo", afirma Barreto. "Ninguém vai sair de São Paulo se não houver um tratamento diferenciado." O diretor do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Antônio Galvão, concorda que é preciso investir mais na Amazônia. Por outro lado, diz que faltam "agendas concretas" de planejamento científico e tecnológico na região. Tão importante quanto ter um doutor é saber o que fazer com esse doutor.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Natureza é fonte cobiçada de drogas e cosméticos

Uma das grandes promessas não cumpridas da ciência brasileira sobre a biodiversidade da Amazônia é a descoberta de moléculas terapêuticas na natureza. Apesar do vasto conhecimento tradicional disponível sobre o uso de ervas e outras substâncias medicinais da floresta, o País nunca desenvolveu um medicamento com base na fauna e flora local. As possibilidades, segundo os pesquisadores, são imensas. Cerca de metade das drogas desenvolvidas até hoje no mundo ou utilizam ou são derivadas de produtos naturais. Entre elas a morfina, a aspirina, a penicilina, outros vários antibióticos e medicamentos antitumorais. Em um estudo publicado na última quinta-feira na revista Nature, cientistas americanos mostraram que a droga rapamicina, usada como agente imunossupressor (para evitar a rejeição de órgãos), pode também aumentar a expectativa de vida de camundongos. Efeito semelhante já havia sido observado em vermes, fungos e moscas, mas nunca em mamíferos. Com um detalhe importante: a rapamicina foi descoberta em uma bactéria de solo da Ilha de Páscoa, nos anos 70. Entre 2005 e 2007, foram aprovadas nos Estados Unidos 13 drogas derivadas de produtos naturais, segundo um artigo publicado na última edição da revista Science. Apesar de um declínio no interesse da indústria farmacêutica sobre esse tipo de pesquisa nos últimos 15 anos, os autores acreditam que as novas tecnologias de prospecção genômica que estão surgindo vão facilitar a descoberta de mais moléculas terapêuticas no futuro. "Os recursos (de produtos naturais) são tão vastos que parecem ilimitados", escrevem os cientistas, do Departamento de Química da Universidade de Alberta, no Canadá. BELEZA NATURAL Enquanto os "biomedicamentos" não chegam, os Estados da Amazônia miram seus investimentos em um alvo mais simples: os "biocosméticos". Uma parceria lançada em maio pelas instituições de fomento à ciência do Amazonas, Pará, Maranhão, Acre e Tocantins vai financiar projetos de pesquisa aplicada ao desenvolvimento de cosméticos derivados da biodiversidade. O primeiro edital da Rede Amazônia de Pesquisa e Desenvolvimento de Biocosméticos (Redebio) é de R$ 6,3 milhões, com foco em quatro produtos: copaíba, andiroba, castanha e babaçu. "São produtos que já estão no mercado, mas não têm certificação, não têm competitividade", diz o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará (Fapespa), Ubiratan Bezerra. Ele enfatiza que a rede vai trabalhar em forte sincronia com a indústria. O objetivo não é fazer pesquisa acadêmica, é transferir tecnologia. Se a pesquisa não chegar às empresas, a rede não faz sentido.

sábado, 11 de julho de 2009

Países do G-8 propõem acerto climático fraco

Emergentes concordam com meta de 2°C de aquecimento, mas discordam sobre seu papel para atingi-la. Os 17 países que mais emitem gases do efeito estufa, reunidos no Fórum das Maiores Economias (MEF), devem assumir hoje o compromisso de não permitir que a temperatura do planeta aumente mais do que 2°C em relação à média registrada no início do século 18. A declaração do MEF sobre mudança climática será assinada em encontro organizado no contexto da cúpula do G-8, grupo das sete economias mais industrializadas e a Rússia, na cidade italiana de L'Áquila. Embora dê substância a uma cúpula criticada pelo caos temático, esse acerto está longe de ser considerado um acordo. O texto não define metas para a redução dos gases do efeito estufa, apenas objetivos, termo diferente para a diplomacia, pois não são mandatórios, ressalta conflitos entre países desenvolvidos e emergentes no debate do tema. Uma fonte da diplomacia brasileira insistiu que a ausência de metas quantitativas não ofusca o objetivo dos líderes do MEF de definir um "rumo político" para as discussões em andamento no âmbito da Convenção do Clima. Por ser um documento assinado por chefes de Estado, afirmou, a declaração tenderá a dar uma linha clara para o acordo sobre mudança climática, que deve ser concluído na Conferência do Clima das Nações Unidas, em dezembro. Segundo o negociador, o texto da declaração indicará a "existência de consenso" sobre a adoção de meta para os países desenvolvidos de redução de 50% nas emissões de gases-estufa em 2050 em relação aos níveis de 1990. Haveria acordo em torno da definição de meta de médio prazo, até 2020. Mas os números estão em negociação. Os países emergentes concordaram sobre a necessidade de suas políticas de desenvolvimento serem acompanhadas de ações de controle das emissões e da incorporação de novas tecnologias, para impedir a repetição da tradicional curva de crescimento econômico com aumento das emissões. Trata-se de uma "meta camuflada", uma vez que essas ações serão contabilizadas - e cobradas. Todos os países mostraram flexibilidade nas negociações, até mesmo a Índia e os Estados Unidos, que eram mais reticentes. Esses supostos consensos, entretanto, se mostram débeis a cinco meses da Conferência. Em sua declaração sobre mudança climática e ambiente, o G-8 insistiu que os países em desenvolvimento também devem assumir uma meta quantitativa, corte de 20% nas emissões. A declaração do G-5 (Brasil, China, Índia, México e África do Sul), bateu na tecla da necessidade de metas ambiciosas para os países desenvolvidos e de maior empenho deles para o financiamento de iniciativas dos emergentes e pobres. Os líderes desse grupo deram aval também à proposta do México de criação de fundo verde. O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, acentuou as divergências ao afirmar que o conceito de ambiente sustentável deve estar vinculado ao crescimento econômico.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Grandes economias tentam romper impasse climático antes de G8

As maiores economias do mundo tentavam na terça-feira romper o impasse entre países ricos e pobres com relação às metas para 2050 de cortes nas emissões de gases-estufa em último encontro antes de uma reunião de cúpula do G8 expandido na Itália. Ministros e outras autoridades de alto escalão dos 17 integrantes do Fórum das Maiores Economias (MEF, na sigla em inglês) reuniram-se em Roma para tentar chegar a um acordo sobre uma declaração para os líderes, que poderia servir de base para um novo pacto climático da Organização das Nações Unidas (ONU) previsto para ser aprovado em Copenhague em dezembro. "Queremos preparar da melhor forma possível os resultados do G8 e do MEF com a perspectiva de um ambicioso acordo sobre mudança climática em Copenhague", disse Barbara Helfferich, porta-voz do comissário europeu Stavros Dimas, presente ao encontro. Os países do MEF, responsáveis por 80 por cento das emissões mundiais, estão divididos sobre estabelecer ou não uma meta para reduzir as emissões mundiais à metade até 2050, seguindo uma "perspectiva" adotada pelos países ricos do G8 numa cúpula no Japão no ano passado. China, Índia e muitos outros países em desenvolvimento afirmam que as nações ricas são culpadas pela maioria das emissões de gases-estufa desde a Revolução Industrial e precisam estabelecer metas duras até 2020 nas suas próprias emissões antes de pedir ajuda. A Índia, o quarto maior emissor do mundo de gases-estufa, diz se opor à meta do MEF para reduzir à metade as emissões mundiais até 2050, argumentando que os países em desenvolvimento precisam poder queimar combustíveis fósseis para sair da pobreza. Se o impasse persistir, o presidente dos EUA, Barack Obama, que lançou o MEF a fim de abrir o caminho para um acordo da ONU, encerraria o encontro de 9 de julho - que faz parte da cúpula do G8 em LÁquila, na Itália - sem uma declaração aprovada por todos os 17 líderes do MEF. Um texto preliminar datado de 30 de junho do MEF dizia: "Apoiamos uma meta global aspiracional de reduzir as emissões globais em 50 por cento até 2050, com os países desenvolvidos reduzindo as emissões em ao menos 80 por cento até 2050". O encontro de Roma foi agendado após o pequeno avanço feito em uma reunião do MEF no México no mês passado. O grupo ambiental Greenpeace gostou do texto preliminar. "Ao menos o G8 está reconhecendo 2C. O palavreado deveria ter sido muito mais forte, mas ainda assim: ele está dentro", disse Tobias Muenchmeyer, do Greenpeace. Em uma ação separada, 22 importantes cientistas da área do clima pediram em uma carta para que a cúpula estabeleça um limite máximo global nas emissões até 2020 e um corte de ao menos 50 por cento em relação aos níveis de 1990 até 2050.

terça-feira, 7 de julho de 2009

País quer cobrar por emissão de CO2

Modelo, a ser discutido até o fim deste ano, deve seguir programa dos EUA relacionado a mudanças climáticas Na esteira do programa econômico do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o governo brasileiro começou a preparar um modelo de tributação para créditos de carbono. O marco regulatório em estudo pode resultar na criação de um tributo direto sobre as emissões de dióxido de carbono (CO2). O debate ganhou celeridade depois que Obama, ao apresentar o orçamento de 2009, propôs levantar US$ 646 bilhões até 2020 com novas leis relacionadas às mudanças climáticas. Ganha força a tese de que essa nova tributação pode abrir uma janela de oportunidade de investimentos e gerar emprego e renda em meio a um ambiente de recuperação econômica pós-crise. Além, é claro, de preservar o meio ambiente. O Brasil quer avançar na discussão desse tema até a próxima reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças climáticas, em Copenhague, no início de dezembro. O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, informou ao Estado que a área econômica começou os estudos para escolher o modelo brasileiro. É o assunto da hora no mundo, diz ele. "É o tributo do século 21. A discussão envolve muito mais que preservação do meio ambiente. É uma questão econômica", afirma. Segundo ele, Obama está propondo regras mais restritivas e o rumo que os americanos derem para o tema vai orientar a postura de vários países. O processo de discussão, ressalta, é inicial, e a implantação de um modelo não é para o curto prazo. Na sua avaliação, um novo sistema deve ser adotado primeiro nos países desenvolvidos, que são os maiores responsáveis pelas emissões de CO2. TRIBUTAÇÃO DE EMISSÕES Uma tributação direta das emissões estimularia novas fontes de energia e exigiria das empresas investimentos para troca de equipamentos menos poluentes, ajudando no crescimento econômico. Uma cobrança desse tipo, segundo o secretário, pode ser associada ao chamado "cap and trade", mecanismo já em uso em uso por alguns países que estabelece um teto para as emissões de gases do efeito estufa para determinados setores produtivos. Nesse modelo, as empresas que ultrapassam o limite de emissão de gases compram créditos de companhias menos poluentes ou de países emergentes como o Brasil. Toda a negociação é feita via mercado. A participação do governo se limita à fixação de limites e à criação de programas que contribuam para a diminuição de poluentes. É esse modelo que tem estimulado as negociações de crédito de carbono. "As duas coisas podem ser complementares", afirma o secretário Nelson Barbosa. Antes de decidir qual o modelo, o Brasil terá um problema mais urgente: definir a natureza jurídica do crédito do carbono no País. A dúvida das empresas é como contabilizar os créditos de carbono nos seus balanços: são ativos ou uma receita de serviços? Segundo a vice-presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Silvia Cavalcante, a necessidade de definição legal é urgente porque a Receita Federal já emitiu uma resposta a uma consulta de uma empresa recomendando uma taxação sobre o lucro presumido de 32%. Ao considerar essa alíquota, o Fisco está tributando o crédito como uma receita. O CFC vai emitir em breve um posicionamento sobre o tema. Para a vice-presidente, o governo precisa enviar ao Congresso uma proposta de regulamentação. ASSOCIAÇÃO CRITICA TRIBUTAÇÃO A criação de tributação para o mercado de carbono pode diminuir a competitividade do Brasil, diz o presidente da Associação Brasileira de Empresas no Mercado de Carbono (Abemc), Flávio Gazani. “Não pode olhar isso como fonte de renda e sim como forma de preservação do ambiente”, ressaltou. Para ele, o mercado já sofre de tributação, pois 2% do valor de cada créditovão para um fundo que pretende dar condições aos países pobres de se adequar às regras internacionais de proteção ambiental. Além disso, a ONU cobra US$ 0,10 e US$ 0,20 por crédito para administrar o sistema. Sobre um imposto para as companhias mais poluentes, ele diz que “nem deveria ser cogitado. Deveria haver isenção de tributos para equipamentos que possibilitem a redução de CO2. É preciso dar incentivos para as empresas modernizarem suasa máquinas”. Também disse que o governo deve se preocupar com a definição da natureza jurídica do crédito de carbono. “Eu considero como bem intangível”, diz.

domingo, 5 de julho de 2009

Atingir meta ambiental é atuar contra a pobreza

Para ativista sul-africano, crise financeira forma a “tempestade perfeita” que pode levar a um mundo mais equilibrado e limpo. Quem conhece o sul-africano Kumi Naidoo sabe que sua vida é uma busca por justiça social. Ativista antiapartheid aos 15 anos, quando foi expulso da escola por suas atividades, foi preso ainda jovem e exilado no Reino Unido na década de 1980. Retornou ao seu país após a libertação de Nelson Mandela e ajudou a formar e estabelecer um novo sistema eleitoral. Atuante na defesa pela democracia, educação, igualdade entre sexos e direitos sociais e econômicos, em janeiro fez uma greve de fome por 21 dias para chamar a atenção para violações de direitos humanos no Zimbábue. Agora, ele junta movimento social com ambiental: a partir de novembro, assume a direção executiva de uma das organizações ambientalistas mais conhecidas do planeta, o Greenpeace. Segundo ele, não existe justiça social sem a ambiental. "As pessoas dos países em desenvolvimento, as mais pobres, são as menos responsáveis pela catástrofe planetária em que nos encontramos e são as que pagarão o preço mais alto", afirmou. P - O que alguém com uma história voltada à luta pelos direitos humanos fará em uma organização ambientalista? R - Não vejo contradição. A primeira geração que lutou por direitos humanos foi atrás basicamente de direitos políticos e civis. A segunda lutou por direitos econômicos. E a terceira geração, por direitos ambientais. As pessoas dos países em desenvolvimento, as mais pobres, são as menos responsáveis pela catástrofe planetária em que nos encontramos, e são as que pagarão o preço mais alto. Isso acontece agora e continuará assim porque os governos não são capazes de se adaptar aos estragos das mudanças climáticas. P - Movimento ambientalista é também social? R - Em termos de direitos humanos básicos, é inaceitável que algumas pessoas nem mesmo pensem em ter acesso à água e a saneamento, por exemplo. Então, atingir essa meta ambiental também significa atuar contra a pobreza. Só que a comunidade dos direitos humanos não trabalha ao lado de quem luta contra a pobreza. Esses caras, por sua vez, não trabalham com a comunidade da justiça ambiental e assim vai, sucessivamente. É necessário fazer um trabalho mais integrado. E acho o Greenpeace realista, pois está engajado na negociação com governos e com o G-8, o G-20, o Fórum Econômico Mundial, mas não para com suas ações de resistência e de desobediência civil. P - Por que negociar com o governo? R - Os governos - dos países desenvolvidos e dos em desenvolvimento - não agem com a urgência necessária para lidar com as mudanças climáticas e outras catástrofes ambientais, assim como não agem para acabar com a pobreza. P - Não é uma questão de prioridade para o desenvolvimento? R - Veja qual é o tipo de dinheiro que circula pelo mundo durante essa crise financeira. Tirar todo mundo da pobreza custaria US$ 500 bilhões de dólares e os países ricos por muito tempo falaram que era muito dinheiro. Nos últimos oito meses, falar sobre US$ 1 bilhão é troco, porque bilhões de dólares estão indo para os bancos. P - O problema não é falta de verba. R - É totalmente injusto e inaceitável que em um mundo com tantas riquezas nós não sejamos capazes de atender as necessidades básicas das pessoas, como comida, água, educação, saneamento básico. O modelo de desenvolvimento leva a essa desigualdade. Se você olha para o G-20 - cuja reunião começa nesta semana com foco na crise financeira -, vemos esses governos usarem a fórmula antiga e ineficiente de sempre para lidar com os problemas globais com as mesmas ferramentas e análises. E usar a mesma lógica foi o que nos colocou nesta situação. P - Qual fórmula aplicar? R - Eu descrevo o que acontece no mundo como a tempestade perfeita. Primeiro tivemos a crise dos combustíveis. Depois, uma crise de preços dos alimentos - que não é uma crise de alimentos, porque há comida, o problema é sua distribuição e a especulação. Agora temos uma crise financeira que atinge a classe média. Todas elas vêm juntas, em uma tempestade perfeita. Nossos governos podem ser ousados e corajosos, incorporar a questão da crise climática, olhar para essas três crises e apresentar um compêndio de soluções. P - Que tipo de solução? R - Por exemplo: há muitas pessoas perdendo seus empregos tradicionais. O que pode ser feito é criar milhares de empregos "verdes", que ajudem a lidar com a questão das mudanças climáticas. (O presidente americano Barack) Obama está fazendo algo nesta direção. Mas por enquanto vemos muita conversa - e conversar é barato. Precisamos agora é agir com urgência, com um pensamento ousado e novo. P - Como os governos devem agir para obter justiça social e ambiental e equilíbrio financeiro? R - Você não pode viver esperando que o mercado se ajuste. Os governos precisam fornecer regulações sensíveis para equilibrar a economia global e dar a mais oportunidades às pessoas. Muitos não estão preparados para lidar com a crise climática, não querem sair da zona de conforto e repensar os padrões de consumo, o que significa repensar a forma de utilização de energia, e por aí vai. Acho que organizações como o Greenpeace podem levar essa perspectiva para as pessoas. Quem é Kumi Naidoo - Doutor em sociologia política pela Universidade de Oxford - Foi cofundador da Glogal Call to Action Against Poverty, coalizão de mais de cem países contra a pobreza Faz parte do conselho de organizações como o Clinton Global Initiative, Amnesty International, Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para as mulheres e Fórum Econômico Mundial Foi secretário-geral da Civicus, voltada aos direitos civis

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Um mundo cada vez mais distante

No dia em que o Brasil estreou sua nova política de premiação do roubo de terras públicas na Amazônia, começou na Suécia a rodada 2009 do foro de Tällberg. Ao juntar na mesma data coisas contraditórias, o acaso dilatou ao infinito o fuso horário entre os dois países. Não eram mais cinco horas de diferença, marcado em relógio. Mas cerca de 6 mil anos, tempo em que a paisagem europeia começou a mudar a ferro e fogo, pelas mãos de agricultores neolíticos, usando mais ou menos a mesma tecnologia que hoje na Amazônia se chama desenvolvimento econômico. O Brasil nunca pareceu tão distante como ali do mundo que os políticos terão pela frente. A conferência de Tällberg fez, na semana passada, o ensaio de Copenhague, onde se discutirá dentro de cinco meses o ajuste da economia mundial às mudanças climáticas. Quer promover em novembro um Protocolo de Kyoto elevado ao cubo. Juntou mais de 500 pessoas, vindas de pelo menos 70 países. Pôs cientistas, músicos, líderes indígenas, chefes de empresas e políticos para ferver num caldeirão de dados avassaladores. Tudo o que se descobriu ultimamente em pesquisas de ponta é pior do que os pessimistas previam há poucos anos sobre o futuro do planeta. As emissões de carbono, por exemplo, já passaram do índice que se considerava suicida. Seu efeito só não se manifestou ainda em toda a sua eloquência porque a atmosfera terrestre também está poluída por aerossóis, que rebatem os raios solares. Ou seja, estamos protegidos por um manto de sujeira. Mas ninguém precisa de números ou palavras para vislumbrar a desordem climática, num auditório em que Rosemary Museminali, ministra das relações exteriores de Ruanda, enxuga várias vezes o suor da testa durante o discurso, apanhada de surpresa pelo calor deste verão sueco. E onde, sem o menor esforço retórico, Emmanuel Mori, presidente da Micronésia, um arquipélago paradisíaco nas águas azuis do Pacífico, onde pouco mais de 150 mil habitantes se espalham por uma área equivalente à dos Estados Unidos, explica que sua federação de atóis será tragada pela elevação do oceano, sem ter contribuído em nada para destruir o planeta. Era um programa pesado, feito para deixar explícito que a crise climática é muito mais grave que a financeira, até mesmo em termos econômicos. E até agora não recebeu nem as sobras dos trilhões de dólares despejados desde outubro passado no sistema internacional de crédito. Isso, dito num foro criado em 1981 por homens de negócios, soa mais convincente. Em Tällberg se fala a sério, sob uma lona de circo, sobre assuntos que em muito palácio ficam entregues ao gogó de comediantes. É fácil entender o porquê, ouvindo a médica Gro Harlem Brundtland apresentar-se como "dona de casa". Ela quase perdeu a reunião porque não tem mais secretário, desde que encerrou a vida pública, após chefiar o governo da Noruega, orquestrar o relatório da ONU que em 2007 botou a conservação da natureza na pauta política e praticamente inventar para o mundo o cargo de ministro do meio ambiente. Depois de ouvi-la, nada como voltar ao hotel, entre lebres e cervos, por trilhas que percorrem campos floridos, contornam o Lago de Silkin, cuja água é a mesma que se bebe nas mesas de reunião, e mergulham nas florestas que atualmente cobrem 60% do território sueco, crescendo 100 milhões de metros cúbicos por ano. É o cenário perfeito para se perguntar por que eles lá se preocupam tanto com esses problemas. E nós aqui, não.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Criação de reserva é lenta

Para Minc, não basta instalar áreas de conservação, mas é necessário também protegê-las. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, encarou com naturalidade a lentidão da Casa Civil em criar cinco novas unidades de conservação ambiental por causa do interesse do Ministério de Minas e Energia em explorar economicamente as regiões. "Quanto mais pesquisa, ecoturismo, e, em alguns casos extrativismo, melhor defendida a reserva estará", disse ele, depois de participar de solenidade de lançamento de carros elétricos na sede da distribuidora de energia Ampla, na região Metropolitana do Rio. Conforme o Estado noticiou ontem, pelo menos nove processos de criação ou ampliação de novas unidades de uso sustentável e de proteção integral estão parados na Casa Civil. Oficialmente, o Ministério de Minas e Energia (MME) afirmou que ainda realiza estudos em três áreas onde podem ser criadas a Reserva Extrativista (Resex) Renascer, no Pará, a Resex Baixo Rio Branco/Jauaperi, entre Amazonas e Roraima, e o Refúgio de Vida Silvestre Rio Tibagi, no Paraná. Outros dois processos, de ampliação - o Parque Nacional do Pau Brasil e a Resex do Ciriaco -, foram liberados pelo MME. Segundo a Casa Civil, que medeia o processo, os processos ainda estão em análise pelos ministérios envolvidos. "O processo de criação de uma reserva exige uma conversa com os governos e com (o Ministério de) Minas e Energia. Em algumas o MME diz que há minério, então estamos vendo se tem ou não. Numa delas tiramos um pedacinho, demarcamos áreas que não incompatibilizem a construção de uma hidrelétrica, (analisamos) se os seringueiros, os castanheiros estão usando para o extrativismo", afirmou Minc. "Isso realmente é lento." Ele ressaltou que, em quase um ano no ministério, conseguiu aprovar a criação de 5 milhões de hectares de reserva e que, no próximo dia 5, Dia Mundial do Meio Ambiente, o presidente Lula assinará decretos criando duas novas unidades de conservação, na Bahia e no Ceará. De acordo com o ministro, não basta criar reservas, é preciso protegê-las. Ele afirmou que, ao assumir a pasta, 52 unidades de conservação não tinham nenhum funcionário e que, das 56 reservas extrativistas, só três tinham plano de manejo. Na verdade, o quadro levantado pelo MMA no ano passado era ainda pior: das 299 unidades existentes, 173, ou 58%, não tinham fiscalização. "Hoje todas elas têm pelo menos dois ou três funcionários e encomendamos cem planos de manejo que estão ficando prontos", disse Minc. Segundo ele, o ministério também está firmando convênio com Estados e municípios para a cogestão de áreas de reserva.