terça-feira, 15 de agosto de 2017

Resíduos sólidos de serviços saúde

Maria Auxiliadora Gomes de Mello Brito aborda a situação dos resíduos sólidos de serviços de saúde (RSSS) e aborda a coleta seletiva de resíduos como uma alternativa para a redução do volume de resíduos enviados para disposição em aterros.
BRITO (2000) lança uma discussão a respeito dos resíduos, e insere os RSSS nesse contexto. Mudanças de atitudes resultarão em combate ao desperdício e diminuição da geração dos diferentes tipos de resíduos sólidos.
As discussões sobre os problemas ambientais que afetam o planeta e colocam em risco a vida na Terra têm sido cada vez mais frequentes. A preservação do meio ambiente assumiu caráter global, principalmente após a década de 70, com as conferências de Estocolmo em 1972, de Tibilisi em 1997 e a ECO 92 realizada no Rio de Janeiro.
A evolução da mídia também contribuiu significativamente com esse processo, devido à rapidez com que as informações são transportadas de um lugar a outro do mundo.
Atualmente já não se pode deixar de compreender que agressões ambientais que ocorrem em determinado ponto do globo podem ter repercussão à distância, afetando mesmo outros continentes, como por exemplo os casos de acidentes radioativos, as chuvas ácidas e os derramamentos de petróleo nos mares.
De acordo com a Fundação Nacional de Saúde (FNS) “cuidar da natureza é um assunto que diz respeito a todos, e o melhor caminho é fazer uso correto e equilibrado do patrimônio natural que se possui, que está se perdendo pelo consumo excessivo e pelo desperdício”.
Dentro desse contexto, o saneamento ambiental deve ser considerado como imprescindível para a garantia da qualidade de vida saudável no planeta.
A poluição do meio ambiente tem ocorrido de diversas formas através das ações antrópicas. As contaminações dos solos, das águas e do ar, estão colocando em risco a sobrevivência da raça humana no planeta, associados à exploração desordenada dos recursos naturais, aumentando o gasto com energia e aumentando a produção de resíduos e escórias.
O homem produz resíduos sólidos desde sua origem na Terra. Este não é um problema atual. O que é atual é a “tomada de consciência” a respeito das consequências desse fato.
A cada ano, com o aumento da população ocorre o aumento do consumo, e o aumento na produção de resíduos. Como se não bastasse, segundo publicação do Compromisso Empresarial para a Reciclagem (CEMPRE), e em algumas cidades brasileiras o aumento do volume de lixo é maior que o aumento da população, devido ao aumento do consumo, provocado por vários fatores.
De acordo com NOVAES (1999), cada indivíduo no Brasil, produz em média 1 kg de resíduos domésticos por dia. Considerando que a população mundial hoje passa de 7,5 bilhões de habitantes, onde irá se dispor tantos resíduos?
No atual estágio de “desenvolvimento” alcançado pela sociedade humana, não é fácil reverter esse processo de destruição planetária, pois são muitas as variáveis e os interesses envolvidos. Para OLIVEIRA (1996), “a questão ambiental na verdade, diz respeito ao modo como a sociedade se relaciona com a natureza”. Ele coloca ainda a necessidade de uma maior reflexão sobre o lugar da questão ambiental no campo do conhecimento.
A NBR n 12.807 da ABNT, define resíduo como “todo material desprovido de utilidade para o estabelecimento gerador”. Mas será que tudo aquilo que jogamos fora não tem realmente mais nenhuma utilidade? Será que devemos considerar apenas as “nossas” necessidades para classificar os resíduos?
Deixando de analisar o que esses resíduos representam em termos de consumo de matéria prima, de energia e o impacto ambiental provocado pela disposição de tanto lixo no solo do nosso planeta, se está exercitando plenamente a cidadania?
Os resíduos hospitalares, apesar de representarem apenas 1% do total de resíduos sólidos, tem suscitado controvérsias sobre as reais dimensões de sua periculosidade e das formas de tratamento que deve receber.
Estudos realizados pela OPAS/OMS, relatam que a média de resíduos produzidos por unidades de saúde na América Latina varia de 1 kg à 4,5 Kg/leito/dia, dependendo da complexidade e frequência dos serviços, da tecnologia utilizada e da eficiência dos responsáveis pelos serviços.
MATTOS, SILVA e CARRILHO (1998), concluem em seus estudos que apenas 10% do lixo hospitalar é infectante, enquanto outros autores como a FNS, SANTOS (1999) e CASTILHO e SOARES (1998), consideram até 30%.
O restante é considerado como resíduo “comum”, semelhante aos resíduos domésticos, dos quais, segundo MATTOS, SILVA e CARRILHO (1998), cerca de 20% poderiam ser recicláveis.
A legislação brasileira trata das responsabilidades e dita as normas para a segregação, acondicionamento, transporte e destino final dos resíduos sólidos.
Porém, ainda não trata especificamente de temas como a responsabilidade na redução da geração de resíduos, e ainda não é completa no que diz respeito aos resíduos considerados especiais ou perigosos.
No caso das substâncias químicas, apesar de sugerir a reciclagem, não há nenhuma norma que obrigue as indústrias a recolherem ou receberem o material a ser descartado, como o mercúrio.
FERREIRA (1999) assevera que a partir da segregação criteriosa apenas pequena parte dos RSSS, com maior risco biológico necessitam ser submetidos a tratamentos especiais com vistas à eliminação de sua periculosidade e que, o restante seja tratado como resíduo comum, destinado ao aterro sanitário, reduzindo-se os custos operacionais e os riscos à saúde pública.
Assim sendo, a segregação criteriosa desses resíduos na fonte produtora e a consideração da coleta seletiva para reciclagem como uma das alternativas para a redução do volume a sofrer disposição devem ser considerados.
BRITO (2000) assinala que existe certa mistificação a respeito dos resíduos gerados em instituições de saúde, por parte da população em geral, e mesmo entre os próprios trabalhadores dessas instituições.
Essa mistificação, como cita ANDRADE (1999), está relacionada ao preconceito que as pessoas têm a respeito das palavras “resíduo e hospital”, pois estão relacionadas à doenças, morte e medo.
Embora diversos autores já tenham comprovado que os resíduos comuns correspondem a cerca de 70 a 80 % dos RSSS, a situação real na maioria das instituições de saúde não se adequa a essa informação. Esse grande volume de resíduos se torna potencialmente contaminante, ao ser incorretamente segregado, tornando mais dispendiosos os cuidados com os mesmos.
Os hospitais precisam ter seus planos de gerenciamento de resíduos aprovados pelos órgãos fiscalizadores competentes, contemplando não apenas os fatores estéticos e de controle de infecção hospitalar, mas também considerando as questões ambientais tão importantes para a geração atual e futura.
BRITO (2000) assevera que é necessário desenvolver, através da educação, a consciência crítica dos grupos sociais, buscando o seu comprometimento com as questões ambientais, procurando alternativas para a equação desenvolvimento versus qualidade de vida.
A coleta seletiva para a reciclagem vem sendo cada vez mais discutida no Brasil, e alguns grandes centros urbanos têm desenvolvido projetos para gestão integrada dos resíduos, contemplando a reciclagem. (ecodebate)

Substituindo peixes nos oceanos por plástico

Uma economia ecoeficiente, com generalização da engenharia reversa, reciclagem, reutilização e refabricação, permitiria reduzir tendencialmente a zero a extração de novos recursos naturais e o descarte. Tal é o sonho do capitalismo “sustentável”, do qual a figura 1 brutalmente nos desperta.
Fonte: Daniel Hoornweg, Perinaz Bhada-Tata, Chris Kennedy, “Environment: Waste production must peak this century”. Nature, 30/X/2013; Joseph Stromberg, “When will we hit peak garbage?”, Smithsonian.com 30/X/2013 http://www.smithsonianmag.com/science-nature/when-will-we-hit-peak-garbage-7074398/
O lixo urbano (RSU) cresce ao longo do século XX e acelera-se após 2000, superando 3,5 milhões de toneladas por dia em 2010 (quase 1,3 Gigatoneladas ao ano) e 6 milhões em 2025. Mesmo no melhor dos três cenários futuros (linha cinza), ele deve superar a marca dos 8 milhões de toneladas de lixo por dia em 2050 (2,9 Gigatoneladas ao ano), um crescimento de mais de 100%, quando a população deve crescer “apenas” 40% no mesmo período (de 7 bilhões em 2012 para 9,8 bilhões em 2050, segundo a última Revisão da Population Prospects, da ONU).
Parte considerável desse lixo é plástico. No World Economic Forum de Davos em 2016, a Ellen MacArthur Foundation lançou, junto com a McKinsey, um estudo sobre o plástico e seu lixo, intitulado The New Plastics Economy — Rethinking the future of plastics. Em 1950, produziram-se 1,7 milhão de toneladas de plástico. Em 1964, 15 milhões de toneladas e em 2014, 311 milhões de toneladas. Em 65 anos, a produção de plástico multiplicou-se por 183 vezes, como mostra a figura 2.
Essa produção, da qual apenas 5% é hoje reciclada, deve dobrar nos próximos 20 anos e quadruplicar até 2050, atingindo 1.124 milhões de toneladas. Enquanto apenas 6% do petróleo destina-se hoje à fabricação de plástico, em 2050, essa porcentagem subirá para 20%.
Além desse documento, um artigo publicado no The Guardian fornece novos dados sobre o problema. A indústria mundial produz hoje quase 20 mil garrafas PET (polietileno tereftalato) por segundo, ou um milhão delas por minuto. Em 2016, quase quinhentos bilhões foram produzidas no mundo todo, sendo a Coca-Cola responsável por um quinto delas. Isso significa um aumento de quase 200 bilhões de garrafas em relação à produção de 2004. E a estimativa de um relatório sobre as tendências das embalagens proposta pelo Euromonitor International é de que se produzam 583,3 bilhões dessas garrafas em 2021, uma evolução bem capturada pela figura 3.
Lixo nos oceanos
Quanto desse lixo plástico vai parar no mar? Segundo um estudo de 2015, Stemming the Tide, há hoje mais de 150 milhões de toneladas de plástico no oceano. O estudo da Ellen MacArthur complementa: “32% das embalagens plásticas escapam dos sistemas de coleta” e 95% do seu valor (80 – 120 bilhões de dólares por ano) é perdido para a economia. Não são bons números para os defensores do mito de que o capitalismo é, malgrado tudo, ao menos um eficiente alocador de recursos…
A mais precisa quantificação disponível sobre a quantidade de plástico lançado ao mar a partir da terra (sem contar o lixo plástico descartado pelas embarcações) é oferecida por um estudo publicado na Science em 2015. Seus autores calculam que 275 milhões de toneladas de lixo plástico foram geradas em 192 países banhados pelo mar em 2010, sendo que 4,8 milhões a 12,7 milhões de toneladas (média de 8,75 milhões de toneladas) acabaram entrando nos oceanos, apenas nesse ano. Isso significa jogar no oceano um caminhão de lixo por minuto. O estudo da Science conclui: “sem aperfeiçoamentos na infraestrutura de manejo de resíduos, prevê-se que a quantidade cumulativa de lixo plástico disponível para entrar no mar a partir da terra deve crescer por uma ordem de grandeza [multiplicado por 10] até 2025”.
Desde 1997, graças a Charles Moore, diretor da Fundação de Pesquisas Marinhas Algalita, conhecemos a “Grande Mancha de Lixo do Pacífico” (The Great Pacific Garbage Patch ou Pacific Trash Vortex), localizada entre o Havaí e a Califórnia, composta predominantemente de plástico. Essa é a maior, mas há outras nos cinco giros oceânicos. Segundo uma avaliação recente, o núcleo dessa mancha estende-se por 1 milhão de km2 e sua periferia, por 3,5 milhões de km2. Objetos e fragmentos maiores de plástico, como redes e outros objetos, têm matado os animais que nele se enredam. Embora o plástico demore em média 450 anos para se degradar, a ação do sol, do vento e das ondas o decompõe em partículas cada vez menores, até transformá-lo numa sopa de microplásticos (<4 2007="" 2013="" 24="" 5="" a="" absorvem="" afirma="" alimentar="" animais="" ano="" artigo="" atualmente="" aves="" cadeia="" cem="" cerca="" colhidos="" culas="" da="" dados="" de="" decorr="" deo="" dispersos="" e="" efeitos="" em="" entre="" es="" estes="" expedi="" feros="" fim="" geographic="" h="" ingeridos="" ingest="" integralmente="" j="" letais="" m="" mam="" mant="" marinha="" marinhas="" mesmo="" micos="" mil="" mm="" morrem="" n="" national="" ncia="" nimo="" nos="" nossos="" o="" oceanos.="" oceanos="" ou="" outros="" part="" peixes="" pelos="" pl="" poluentes="" por="" pratos.="" qu="" que="" realizadas="" rios="" segundo="" span="" stico="" sua="" subletais="" surpreende="" t="" tartarugas="" terminando="" toda="" todo="" toxicidade="" trilh="" um="" v="">
Como visto num artigo anterior (Jornal da Unicamp, 3/VII/2017), a sobrepesca corporativa, a rede de arrasto e nossa voracidade carnívora provocaram desde meados dos anos 1990 um calamitoso declínio dos cardumes, com uma estimativa de depleção total em 2048. A indústria petroquímica, a obsolescência programada e a civilização do descarte por ela criada estão substituindo esses ecossistemas ainda exuberantes de vida por mortíferas e crescentes concentrações de polímeros. Essa afirmação nada tem de uma hipérbole. O estudo da MacArthur Foundation afirma que, “mantida a atual trajetória (business-as-usual scenario), o oceano deverá conter em 2025 uma tonelada de plástico para cada três toneladas de peixes e, em 2050, mais plástico que peixe (por peso)”. O estudo admite que se trata de “uma suposição conservadora dado que os estoques de peixe podem declinar como resultado da sobrepesca”. De seu lado, Julia Reisser, uma pesquisadora da University of Western Australia, pôde constatar que em certas regiões do mar: “você põe uma rede no mar por meia hora e recolhe mais plástico que vida marinha. É difícil visualizar essa imensa quantidade, mas seu peso é maior que a inteira biomassa dos humanos. É um problema realmente alarmante que deve, provavelmente, piorar”. Segundo outra estimativa, reportada pelo já citado artigo da National Geographic, “em certas partes do oceano, há 60 vezes mais plástico que plâncton”.
Última flor do petróleo
O petróleo, todos sabemos, moldou as principais características de nossa civilização termo-fóssil, aí incluídas o aumento exponencial de consumo energético, as extinções em massa, as mudanças climáticas, a poluição da água, dos solos e da atmosfera e a intoxicação química dos organismos. E o plástico, na escala em que o conhecemos hoje, é sem dúvida seu mais sinistro e tardio subproduto. As novas gerações não se dão conta de quão recente é sua ubiquidade. William Gibson, célebre autor da trilogia Sprawl, assim relata sua descoberta dessa onipresença. Após uma longa viagem de ônibus noite adentro até Toronto, ele se recorda: “de manhã, quando a luz estava surgindo, eu vi sacos plásticos verdes pela primeira vez na vida. Milhões deles, por causa de uma greve municipal. E não conseguia entender por que razão havia tantos, e tive que inferir suas funções. Não é estranho?”. Isso se passou em 1966 e talvez nem a mente profética do criador do gênero cyberpunk tenha sido então capaz de imaginar que, apenas meio século depois, uma das funções daqueles sacos verdes seria plastificar os oceanos. (ecodebate)

domingo, 13 de agosto de 2017

Dia mundial de população e as novas projeções demográficas da ONU

“Demografia não é destino"
O Homo Sapiens surgiu há cerca de 200 mil anos e foi se expandindo lentamente pelo globo, ao longo dos milênios. A população mundial estava em torno de 200 milhões de pessoas no ano 1 da Era Cristã. Chegou próximo a 500 milhões em 1500, a 1 bilhão de habitantes em torno de 1804 e 2 bilhões em torno de 1927. Portanto, a população gastou mais de 1500 anos para dobrar entre o ano 1 e a chegada de Cabral no Brasil, dobrou novamente em 304 anos e dobrou de novo em 123 anos.
Mas a aceleração demográfica tomou um ritmo exponencial nos últimos 100 anos. De 2 bilhões de habitantes em 1927, o mundo passou para 3 bilhões em 1960, 4 bilhões em 1974, 5 bilhões em 1987, 6 bilhões em 1999, 7 bilhões em 2011 e deve chegar a 8 bilhões em 2023, 9 bilhões em 2037 e 10 bilhões em 2055. Na projeção média da ONU o montante de 11 bilhões deve ser alcançado em 2088 e 11,2 bilhões em 2100.
Isto quer dizer que o ritmo de crescimento populacional está se reduzindo, mas o volume de população cresce de forma inédita. Por exemplo, o crescimento de 1 bilhão de habitantes entre 2011 e 2023 (em 12 anos) é o mesmo montante do aumento entre 1804 e 1927. Entre o surgimento do Homo Sapiens (200 mil anos atrás) até 1960 o crescimento foi de 3 bilhões de habitantes, a mesma quantidade vai ser acrescida entre 2011 e 2055 (44 anos).
Mas o futuro não está escrito em lei de bronze. Se as taxas de fecundidade (TFT) caírem de 2,5 filhos por mulher atualmente para 2 filhos em 2100, então a população mundial chegará a 11,2 bilhões de habitantes. Se a TFT ficar meio filho (0,5) acima desta hipótese média a população pode chegar a 17 bilhões em 2100. Se a TFT ficar meio filho (0,5) abaixo da projeção média então a população mundial pode cair para 7 bilhões de habitantes no final do século.
Desta forma, meio filho para baixo ou para cima da TFT média resulta em uma diferença final no volume populacional de 10 bilhões de habitantes. Se as taxas de fecundidade do mundo seguirem o padrão ocorrido no Brasil, a população global pode ficar em torno de 7 bilhões em 2100. Ou seja, pode haver decrescimento populacional mundial nas próximas décadas se as taxas de fecundidade caírem abaixo de 2 filhos por mulher.
Em parte, a fecundidade mundial só não cai mais rápido devido ao alto percentual de gravidez indesejada. O Guttmacher Institute publicou, em junho de 2017, um novo estudo apontando para o não atendimento da demanda por métodos contraceptivos nas regiões em desenvolvimento. O estudo mostra que, nos países em desenvolvimento, 214 milhões de mulheres querem evitar a gravidez, mas, por diversas razões, não tem acesso aos métodos modernos de contracepção. Além disso, dezenas de milhões de mulheres não têm acesso a cuidados básicos durante a gravidez e o parto, necessários para protegerem sua saúde e a saúde dos recém-nascidos. O atendimento aos direitos reprodutivos pode contribuir para desacelerar o incremento demográfico.
Mas, se o crescimento da população foi acelerado nos últimos dois séculos, o crescimento da economia foi ainda maior. O ano de 1776 pode ser considerado um marco, pois foi o ano em que James Watt aperfeiçoou a máquina a vapor, que impulsionou a indústria e deu o início ao uso dos combustíveis fósseis. A despeito das desigualdades sociais, de 1776 a 2016, a população mundial cresceu 9,5 vezes e a economia global multiplicou por cerca de 125 vezes, conforme mostra o gráfico. Em 240 anos, o crescimento anual da população ficou em torno de 0,9% ao ano e a economia em torno de 2% ao ano. Sendo que o período de maior crescimento demoeconômico ocorreu depois da Segunda Guerra Mundial, quando a população passou de cerca de 2,5 bilhões de habitantes para quase 7,5 bilhões de habitantes em 2016 e a média anual de crescimento do PIB ficou acima de 3,5% ao ano. O consumo de matérias primas e de recursos naturais cresceu de maneira exponencial. Este processo trouxe muito lucro para a humanidade, mas provocou grandes prejuízos para a natureza e a biodiversidade.
O crescimento da população e do bem-estar humano se deu às custas da diminuição da biodiversidade, da extinção de espécies e da degradação ambiental. A humanidade ultrapassou a capacidade de carga do Planeta. Isto pode ser visto pelo gráfico abaixo, que mostra que a Pegada Ecológica da população mundial ultrapassou a biocapacidade da Terra desde o início da década de 1970 e o déficit ambiental cresce a cada ano. Em 2013, a Pegada Ecológica estava 68% acima da biocapacidade. Em 2017, o Dia da Sobrecarga será em 02 de agosto.
Desta forma, é preocupante saber que a população mundial deve crescer em 1 bilhão de pessoas entre 2017 e 2030 e pode crescer mais de 5 bilhões de habitantes no século XXI (era de 6 bilhões em 1999 e deve chegar a 11,2 bilhões em 2100). Mais preocupante ainda é saber que o padrão de produção e consumo vai crescer em nível superior. A manutenção do modelo “Extrai-Produz-Descarta” pode levar a civilização ao colapso, pois o nível de poluição dos solos, águas potáveis e oceanos são de tal ordem que pode gerar um holocausto biológico.
Para evitar um desastre social, demográfico e ambiental é preciso evitar que cada vez mais pessoas caem no vício do consumismo e caminhar rumo ao decrescimento demoeconômico. A solução passa por uma mudança de paradigma e pela redução da sobrecarga do Planeta. E como bem mostra o livro “Enough is Enough” (2010), não basta reduzir a pegada ecológica per capita, também é preciso reduzir o número de pés, diminuindo a presença ecúmena e aumentando as áreas anecúmenas.
No dia 11 de julho se comemora o Dia Mundial de População. Seria uma ótima data para se discutir os problemas da gravidez indesejada e o crescimento populacional insustentável. Mas o mundo vai na direção contrária. O governo Trump, nos EUA, tem uma política claramente contra a autonomia feminina nas decisões reprodutivas. O fundamentalismo religioso e o conservadorismo moral continuam restringindo a autodeterminação reprodutiva das pessoas. Matéria do Huffpost (03/07/2017), mostra as principais ameaças aos direitos reprodutivos no Brasil. Muitos governos ainda acham que governar é povoar.
As institucionais internacionais têm sido complacentes com o populacionismo antropocêntrico. A reunião do G20, realizada em Hamburgo, nos dias 7 e 8 de julho de 2017, é um exemplo da falta de ação nesta área. Os 19 países mais a União Europeia conseguiram chegar um acordo em relação ao comércio e Angela Merkel conseguiu isolar as posições do presidente dos EUA em relação às mudanças climáticas. O comunicado final registra o apoio da maioria dos membros do G20 ao Acordo de Paris (“irreversível”) visando limitar o aquecimento global. Mas há um parágrafo extra descrevendo o isolamento e a posição divergente americana.
O plano apresentado para conter a migração e a onda de refugiados é aumentar os investimentos privados para reduzir a pobreza na África, como se o mercado fosse capaz de resolver por si só a baixa capacidade de geração de renda do continente. Todavia, nada foi dito sobre as questões do desrespeito aos direitos reprodutivos e nem sobre o impacto negativo que o crescimento demográfico exacerbado tem gerado sobre a pobreza e sobre os direitos ambientais e a saúde dos ecossistemas.
No geral, cresce a percepção que o grupo está se tornando um GZero. Dado a inoperância do G20 e a incapacidade dos grandes países capitalistas (e do socialismo de mercado da China) em resolver os problemas da desigualdade social e da degradação ambiental, milhares de pessoas protestaram, em Hamburgo, com o slogan “Sejam Bem-Vindos ao Inferno”. De fato, com as mudanças climáticas provocadas pelo aumento exponencial das atividades antrópicas, a temperatura da Terra pode subir vários graus e as ondas mortais de calor podem tornar diversas regiões tão quentes que torne a vida impossível ali. Um inferno.
Por conta disto, o renomado físico britânico Stephen Hawking tem repetido alertas a respeito dos perigos das mudanças climáticas. Ele diz que o crescimento do modelo de produção e consumo atual pode levar a Terra à beira do abismo e transformá-la em Vênus, com uma temperatura de 250º C e chuva de ácido sulfúrico.
O mundo está numa encruzilhada. Tratando da armadilha do crescimento, Charles St. Pierre (16/11/2016) mostrou que todo sistema econômico e todo sistema auto organizado que não se autolimita dentro das fronteiras estabelecidas pelo seu meio ambiente cresce até exceder a capacidade do ecossistema para apoiá-lo e sustentá-lo. Em seguida, ele colapsa.
Desta forma, para evitar um colapso catastrófico é preciso um novo ponto de mutação em sentido reverso. Do crescimento demoeconômico para o decrescimento. A humanidade precisa sair do déficit ecológico e voltar ao superávit ambiental, resgatando as reservas naturais, para o bem de todos os seres vivos da Terra, pois o ecocídio significará também um suicídio para a humanidade.
A escalada da presença humana na Terra é insustentável. Aumentar a escala antropogênica é irracional e arriscado. Assim, o raciocínio auto evidente indica que é inviável e imprudente aumentar o aquecimento global, mantendo o crescimento da população humana com suas consequências negativas sobre o aumento da poluição, a redução populacional das demais espécies, a perda de biodiversidade, o definhamento dos ecossistemas e o desequilíbrio homeostático da biosfera. (ecodebate)

Já esgotamos os recursos naturais capazes de serem regenerados em 2017

Já esgotamos os recursos naturais capazes de serem regenerados em 2017
Earth Overshoot Day
A cada ano, os seres humanos esgotam mais cedo os recursos naturais do planeta. É como um orçamento ambiental, quando a demanda anual da humanidade por recursos excede o que o planeta Terra é capaz de regenerar naquele ano. Em 2017, o Dia da Sobrecarga da Terra, tradução de Earth Overshoot Day, (ocorreu em 02/08), a data mais precoce desde que estouramos nosso orçamento ambiental pela primeira vez no início da década de 1970.
“A humanidade está exaurindo a natureza 1,7 vezes mais rápido do que os ecossistemas conseguem se regenerar. É como se estivéssemos utilizando o equivalente a 1,7 Terras”, diz o comunicado da Global Footprint Network, organização internacional de pesquisa pioneira na contabilização da pegada ecológica, que é a quantidade de recursos naturais renováveis para manter o estilo de vida das pessoas. O sequestro de carbono (absorção de grandes quantidades gás carbônico da atmosfera) representa 60% da demanda dos seres humanos pelos recursos naturais do planeta.
Para reverter esta tendência, é preciso atrasar o Dia da Sobrecarga da Terra em 4,5 dias todos os anos. Assim, será possível retornar ao nível em que utilizamos os recursos de um só planeta até 2050. Por isso, a organização promove a iniciativa #movethedate ("retroceda a data"), para a adoção de ações e hábitos que podem reduzir a nossa pegada ecológica.
Para isso, a Global Footprint Network também lança hoje uma nova Calculadora de Pegada Ecológica onde os usuários podem descobrir seu dia individual. A calculadora é usada por mais de 2 milhões de pessoas ao ano.
Os custos desse excesso global de gastos ecológicos estão se tornando cada vez mais evidentes em todo o mundo, manifestando-se em desmatamentos, secas, escassez de água potável, erosão do solo, perda de biodiversidade e o acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera.
Ações governamentais
Além dos esforços pessoais, mudanças sistêmicas são essenciais para retroceder o Dia da Sobrecarga da Terra, segundo a Global Footprint Network. A organização lançou uma plataforma de dados aberta no começo do ano, com os resultados de cálculos de pegadas ecológicas de todo o mundo. Ela ainda quer disseminar mais informações sobre as soluções identificadas pelas organizações Project Drawdown e McKinsey & Company. Por exemplo, reduzir a geração de resíduos de alimentos em 50% em todo o mundo poderia retroceder a data em 11 dias; reduzir o componente de carbono da Pegada Ecológica global em 50% retrocederia a data em 89 dias.
Segundo o diretor-executivo da Global Footprint Network e co-criador da Pegada Ecológica, Mathis Wackernagel, a pegada de carbono da humanidade mais que dobrou desde o início da década de 1970 e continua sendo o componente de crescimento mais rápido da diferença entre a nossa pegada ecológica e a biocapacidade do planeta. “Para alcançar os objetivos do Acordo do Clima de Paris, a humanidade precisaria sair da economia de combustíveis fósseis antes de 2050. Isso ajudaria muito a enfrentar o problema de excesso de gastos ambientais da humanidade”, disse, em comunicado.
Alguns avanços estão sendo identificados pela organização. A pegada ecológica per capita dos Estados Unidos (EUA), por exemplo, caíram quase 20% em 2013 (último ano para o qual há dados disponíveis) em relação ao seu pico em 2005. “Essa mudança significativa, que inclui uma retomada pós-recessão, está associada principalmente à diminuição das emissões de carbono. E o Produto Interno Bruto per capita dos EUA cresceu cerca de 20% no mesmo período”, informou, ressaltando que esse caso demonstra como é possível crescer economicamente fazendo uso racional dos recursos naturais.
Apesar do retrocesso demonstrado pelo governo federal dos EUA com relação à proteção do clima, muitas cidades, estados e grandes empresas do país estão redobrando seus compromissos. Além disso, segundo a Global Footprint Network, a China, país com a maior pegada ecológica total do mundo, declarou estar firmemente empenhada em construir uma civilização ecológica em seu último plano quinquenal, que inclui iniciativas para acelerar o pico de carbono do país.  A Escócia, Costa Rica e Nicarágua são outros exemplos de países que estão abandonando fontes emissoras de carbono em suas matrizes energéticas. (ecodebate)

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Mudanças climáticas aumentarão as mortes prematuras por poluição

As mudanças climáticas deverão aumentar as mortes prematuras por poluição do ar.
Um novo estudo da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, estima que a mudança climática futura, se não for atendida, deverá causar cerca de 60.000 mortes no mundo em 2030 e 260.000 mortes em 2100 devido ao efeito das alterações climáticas sobre a poluição atmosférica global.
O estudo, que aparece na edição de 31 de julho da Nature Climate Change, acrescenta a evidências crescentes de que os efeitos globais sobre a saúde de um clima em mudança provavelmente serão esmagadoramente negativos. É também o estudo mais abrangente sobre como as mudanças climáticas afetarão a saúde através da poluição do ar, uma vez que utiliza os resultados de vários dos principais grupos de modelagem de mudanças climáticas do mundo.
“À medida que a mudança climática afeta as concentrações de poluentes do ar, isso pode ter um impacto significativo na saúde em todo o mundo, aumentando os milhões de pessoas que morrem pela poluição do ar a cada ano”, disse Jason West, que liderou a pesquisa na UNC-Chapel Hill com ex-graduado Aluna e primeira autora Raquel Silva.
As temperaturas mais quentes aceleram as reações químicas que criam poluentes do ar, como o ozônio e partículas finas, que afetam a saúde pública. Locais que ficam mais secos também podem ter pior poluição do ar por causa da menor remoção pela chuva, do aumento dos incêndios e do pó soprado pelo vento.
West e Silva usaram um conjunto de modelos climáticos globais, para determinar o número de óbitos prematuros que ocorreriam devido a ozônio e partículas em 2030 e 2100. Para cada modelo, a equipe avaliou as mudanças projetadas na poluição do ar ao nível do solo que poderiam ser atribuídas a futuras mudanças climáticas. Eles então superaram essas mudanças espacialmente na população global, representando o crescimento da população e as mudanças esperadas na suscetibilidade à poluição do ar.
Em conjunto, West e Silva descobriram que as mudanças climáticas deverão aumentar as mortes relacionadas com a poluição do ar globalmente e em todas as regiões do mundo, com exceção da África. Especificamente, cinco em oito modelos previram que haverá mais mortes prematuras em 2030 e sete dos nove modelos em 2100.
“Nossa descoberta de que a maioria dos modelos mostra um aumento provável nas mortes é o sinal mais claro ainda que a mudança climática prejudicará a qualidade do ar e a saúde”, disse West, professor associado de ciências ambientais e engenharia da UNC Gillings School of Global Public Health. “Nós também colaboramos com alguns dos principais grupos mundiais de modelagem climática nos Estados Unidos, Reino Unido, França, Japão e Nova Zelândia, tornando este estudo o mais completo ainda sobre a questão”.
Além de exacerbar as mortes relacionadas com a poluição do ar, as mudanças climáticas deverão afetar a saúde através de mudanças no estresse por calor, acesso a água potável e alimentos, tempestades severas e propagação de doenças infecciosas. (ecodebate)

Controlar mudança clima exige remover carbono atmosferico

Controlar mudanças climáticas exigirá remover carbono da atmosfera
Só deixar de despejar carbono na atmosfera pode não ser mais o suficiente para controlar as mudanças climáticas. Será preciso também encontrar formas de remover o excesso. Essa é a conclusão principal de um novo estudo assinado pelo ex-climatologista-chefe da NASA, Jim Hansen.
Segundo o relatório “Young people’s burden: requirement of negative CO2 emissions” (algo como “Um fardo para os jovens: a exigência de emissões negativas de CO2”) – que resenha 225 outros estudos e documentos – o mundo ultrapassou diversos marcos, como a concentração de 400 partes por milhão (ppm) de gás carbônico na atmosfera. O planeta já esquentou 1°C sobre se comparado às temperaturas médias do período pré-industrial – entre os anos 1880 e 1920. No ano passado, já ficamos em +1,3°C.
Isso é o bastante para aproximar perigosamente o clima de hoje ao do período Eemiano, quando o nível dos mares estava entre 6 e 9 metros mais alto do que o atual. Por isso, os cientistas responsáveis pelo estudo dizem que a meta assumida pelo Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a 2°C em relação aos níveis pré-industriais não é suficientemente ambiciosa.
A ideia de que o Acordo de Paris não será suficiente não é nova. Anteriormente, a Agência Internacional de Energia (IEA) e a Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena) já haviam levantado que as medidas propostas pelos países participantes não seriam suficientes nem ao menos para conter a temperatura conforme o previsto.
Na ocasião, em uma ampla pesquisa sobre a demanda e a oferta mundial de energia até 2050, as agências apontaram a necessidade de mudanças no mercado de combustíveis – o que pode ampliar o espaço do etanol – em um mundo que precisa reduzir as emissões de CO2.
Limpeza
Para os autores do novo estudo será preciso ir além da redução e, efetivamente, empreender um esforço para limpar a atmosfera. A única questão é qual será o grau de dificuldade.
A maneira mais simples e barata de ‘limpar’ a atmosfera seria através do plantio de vegetação e o enriquecimento dos solos com material orgânico. Isso ‘aprisionaria’ parte do CO2. A alternativa – mais incerta – seria por meio do desenvolvimento de tecnologias e o estabelecimento de uma ampla infraestrutura para a captura desse carbono.
Os autores estimam que, se essa segunda opção for mesmo necessária, os custos para implementar os projetos necessários ao longo do século poderão ficar entre US$ 89 e 535 trilhões.
A meta seria fazer com que a concentração de CO2 na atmosfera terrestre volte para 350 ppm, o que exigiria remover 150 bilhões de toneladas de gás carbônico da atmosfera até o final do século. Atingir essa meta não estancaria os processos de mudanças climáticas da noite para o dia, uma vez que o clima planetário tem inércia própria e pode demorar muitos anos até responder aos estímulos.
Tudo vai depender da velocidade com que os governos mundiais consigam descarbonizar suas economias. Se os países conseguirem atingir o pico de emissões até 2021 e, daí em diante, reduzirem a quantidade de CO2 que despejam na atmosfera em um ritmo de 6% ao ano será possível resolver a maior parte da limpeza por meio de processos biológicos. Caso contrário, será necessário recorrer a soluções de engenharia.
Perda de controle
Além do aumento nos níveis dos oceanos também há o risco de que a elevação nas temperaturas ative diversos mecanismos naturais de resposta lenta (slow feedback) que reforçam o processo de aquecimento do planeta e podem levar a um descontrole da situação climática.
Entre os mais temíveis está o derretimento de áreas de permafrost – áreas frias como a tundra siberiana onde o subsolo permanece congelado durante o ano todo – o que levaria à liberação de depósitos de carbono que, hoje, encontram-se fixados.
A própria perda de geleiras reduz a quantidade de radiação solar refletida de volta ao espaço, aumentando ainda mais a absorção de energia pelo planeta.
“A continuidade do consumo de combustíveis fósseis vai amarrar as novas gerações com uma limpeza caríssima e com impactos climáticos massivos”.
Deveríamos obrigar os governos a modificarem suas políticas energéticas sem mais demora”, disse Hansen que hoje atua com professor e pesquisador do Instituto da Terra na Universidade de Columbia. (novacana)

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A oposição à mudança climática

Vinte e cinco anos após a adoção da Convenção-Quadro sobre Mudança Climática da ONU, em 09/05/1992 o planeta ainda não implementou um tratado que enfrente de maneira efetiva o aquecimento global.
Agora, após o presidente Donald Trump ter retirado os Estados Unidos do Acordo de Paris sobre o clima, chegou a hora de investigar com mais profundidade as forças que estão por trás dessa demora. (valor-ri)

Fauna e flora serão afetados pela mudança climática

Plantas e animais na Inglaterra provavelmente serão significativamente afetados pela mudança climática.
Mais de três quartos das plantas e animais na Inglaterra provavelmente serão significativamente afetados pela mudança climática até o final do século, dizem os pesquisadores.
Pesquisadores mostraram que, devido a um aumento de 2°C, na temperatura média global na década de 2080, 54% de 3000 espécies na Inglaterra poderiam expandir significativamente suas populações para diferentes áreas do país, onde a adequação do clima está aumentando, se puderem chegar a essas Localizações.
Vespas, abelhas e formigas provavelmente prosperarão em resposta a temperaturas mais quentes.
A equipe, que inclui pesquisadores das Universidades de York, Reading, British Trust for Ornithology e Natural England, também descobriu que 27% das espécies podem não encontrar um clima adequado em uma proporção substancial dos locais que atualmente ocupam.
Publicado na revista Biological Conservation, a pesquisa avalia o impacto da mudança climática nas populações e distribuições de mais de 3.000 plantas e animais britânicos em 17 grupos taxonômicos.
O Dr. Colin Beale, do Departamento de Biologia da Universidade de York, disse: “Esta nova pesquisa sugere que mudanças climáticas podem resultar em mudanças generalizadas no estado de conservação de muitas plantas e animais da Inglaterra”.
“Na Inglaterra, é provável que veremos mais vencedores do que perdedores, se gerenciarmos a terra nos lugares certos para facilitar a expansão das populações. Esta pesquisa também nos ajudará a identificar onde temos a melhor chance de ajudar as espécies em maior risco”.
As espécies mais vulneráveis eram espécies do norte e das terras altas. No extremo oposto da escala, as vespas, as abelhas, as formigas e muitas espécies distribuídas do sul, provavelmente prosperarão em resposta a temperaturas mais quentes e poderão colonizar novas áreas do país.
O Dr. James Pearce-Higgins, Diretor de Ciências da British Trust for Ornithology (BTO) e principal autor do estudo, disse: “Esta pesquisa fornece informações valiosas para os conservacionistas da natureza, que precisam planejar a alteração das distribuições das espécies em um incerto futuro”.
“Há uma oportunidade para todos nós nos envolvermos para reduzir essa incerteza, contribuindo para sistemas de monitoramento biológico e registro, o que nos permitirá acompanhar melhor as mudanças no mundo natural, à medida que elas ocorrem e melhorar nossas avaliações do futuro”.
Um estudo mais detalhado de 400 espécies incluiu informações sobre as tendências da população e outros fatores conhecidos por tornar as espécies mais vulneráveis às mudanças climáticas, como a restrição a populações pequenas e localizadas.
Esta avaliação concluiu que esses fatores aumentaram ligeiramente a proporção de vida selvagem em risco contra as mudanças climáticas (35%), com 42% de chances de se expandirem.
O relatório enfatiza que é necessária ação para proteger e melhorar as redes de habitats semi-naturais para que as espécies colonizem novas áreas.
O Dr. Mike Morecroft, Especialista Principal em Mudanças Climáticas da Natural England, órgão de conservação do governo que financiou o projeto, disse: “A mudança climática é um grande desafio para os conservacionistas, precisamos estar preparados para proteger as espécies onde elas têm a melhor chance no futuro, que nem sempre serão os mesmos lugares do passado. A boa ciência é mais importante do que nunca para assegurar uma boa tomada de decisão”. (ecodebate)

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Ativista brasileira vai 'ao fim do mundo'

Ativista brasileira vai 'ao fim do mundo' contra extração de petróleo no Ártico.
Vítima do aquecimento global nas Filipinas acompanha ação do Greenpeace.
O navio Arctic Sunrise, leva 29 tripulantes, entre eles a brasileira Thais Herrero e a filipina Joana Sustento.
Navegando a cerca de mil quilômetros do Polo Norte, a jornalista e ativista brasileira Thais Herrero se mostra surpresa com a quantidade de vida no mar de Barents, ao norte da Noruega.
- Dá uma excitação de estar no polo norte do planeta. Não paro de pensar no globo, nos mapas e em quanta vida tem aqui. Baleias em volta de nós, golfinhos, pássaros voando o tempo todo! Mostra o quanto de vida existe escondido de nós. E a gente é tão pequeno, vem aqui, instala uma plataforma de petróleo que pode devastar tudo isso em um instante.
Thaís afirma ter ficado mais apreensiva com o frio que com represálias do governo norueguês.
Ela e outras 28 pessoas embarcaram no meio de julho no navio Arctic Sunrise, da ONG Greenpeace. O grupo zarpou da cidade norueguesa de Tromsø ao Mar de Barents para uma série de ações contra a exploração de petróleo no Ártico.
Ao contrário do Antártida, o Ártico não é um continente, mas uma capa de gelo que em alguns pontos chega a 20 metros de altura. Boiando sobre o mar, seu derretimento não afetaria diretamente o nível dos oceanos ao redor do mundo. No entanto, gelo reflete grande parte dos raios vindos do sol, o que torna a região um ar condicionado da Terra. A água do mar absorve o calor vindo do sol, aumentando a temperatura do planeta, que derretem geleiras. Estas geleiras sim aumentam o nível dos oceanos, o que gera mais calor, em um círculo vicioso.
Navegando no extremo norte do planeta, em uma região cuja temperatura média no verão, de junho a agosto, fica entre 4º e 6º, Thais se diverte com o quase pôr-do-sol às 23h da noite.
“Durante o verão o sol aqui não se põe nunca, é o chamado sol da meia-noite. E é algo muito estranho para nós brasileiros que vemos isso pela primeira vez”, explica Thais, que trabalha na sede da ONG em São Paulo e já passou mais de 20 dias no mar acompanhando outra ação ambientalista na foz do rio Amazonas.
No verão ártico, o sol não se põe nem mesmo as 23h, quando foi tirada esta foto.
“Um dia estávamos conversando no convés, umas 22h, super claro, e alguém veio gritando que dava para ver baleias ao lado do barco. Quando consegui avistá-las, e junto, um monte de golfinhos, foi super emocionante”, conta a jornalista.
A última brasileira a bordo do navio Arctic Sunrise foi a bióloga Ana Paula Maciel, que acabou detida em 2013, com outros 28 tripulantes, durante ação do Greenpeace contra a exploração de petróleo no Ártico pela estatal russa Gazprom. Na ocasião, comandos armados de fuzis de assalto desceram de um helicóptero no barco e trancaram todos, rebocando o navio até Murmansk, onde ele ficou retido por nove meses. Ana Paula foi liberada dois meses após ser presa, sob pagamento de fiança.
Thaís diz não ter sentido medo quando embarcou na expedição rumo às plataformas norueguesas de exploração de petróleo localizadas no mar de Barents a bordo do navio, que é usado pelo Greenpeace desde 1995.
- Não fiquei apreensiva porque não estamos confrontando as empresas. Estamos fazendo um protesto pacífico, respeitando a linha de exclusão ao redor das plataformas de petróleo, simplesmente para chamar atenção para o desrespeito que Noruega está cometendo contra sua própria constituição. Tive mais medo do frio.
No inverno, a temperatura médio em Barents é -16ºC.
Halvard Raavand, diretor de campanha do Greenpeace na Noruega, explica o foco das ações feitas neste momento no Ártico. A Noruega é um dos 195 países signatários do Acordo de Paris, que reafirma o esforço para controlar drasticamente a emissão de gases causadores do efeito estufa (sobretudo o CO2), para conter o aumento da temperatura do planeta bem abaixo dos 2ºC, e próximo de 1,5ºC, em referência à era pré-industrial.
Duas semanas após a assinatura do acordo sobre o clima, o governo norueguês, através da estatal petrolífera Statoil, decidiu abrir uma área completamente nova no Mar de Barents pela primeira vez em mais de 20 anos.
“O Ártico é uma área globalmente significativa em termos de biodiversidade e lar de uma vida selvagem rica, porém vulnerável. Impedir que a indústria do petróleo entre nessas águas, que de certo modo são uma das últimas áreas a salvo da ação humana, é a única maneira de evitar um derrame de petróleo que teria consequências catastróficas para a vida selvagem aqui”, comenta o ativista. Thais Herrero complementa que o isolamento do local torna mais difícil o trabalho de contenção de um eventual derrame, aumentando a gravidade do problema.
- Um dos maiores derramamentos de petróleo do mundo, o acidente do Exxon Valdez, ainda afeta os ecossistemas do Ártico nas águas do Alaska, afirma Raavand.
Tragédia Filipina
Ao lado de Thais e Raavand no Arctic Sunrise está a ativista filipina Joana Sustento. Em novembro de 2013, o maior ciclone até então registrado, o tufão Haiyan, arrasou as Filipinas com ventos de 315 km/h, causando a morte de ao menos 6.300 pessoas no país, segundo as autoridades, e deixando mais de 550 mil pessoas desabrigadas.
Entre os mortos, estavam os pais e irmãos de Joana, na época com 22 anos. O único sobrevivente foi um irmão mais velho, hoje com 33 anos. Dois anos depois em 2015, o furacão Patricia superou a intensidade do Haiyan, com ventos de 345 km/h.
Ação do Greenpeace no Ártico.
Cientistas atmosféricos são categóricos em ligar o aquecimento global ao aumento na intensidade ciclones. "Tufões, furacões e todas as tempestades tropicais atraem sua vasta energia do calor do mar. Sabemos que as temperaturas da superfície do mar estão se aquecendo bastante ao redor do planeta", disse Will Steffen, diretor do instituto de mudanças climáticas da Universidade Nacional Australiana (ANU) ao jornal britânico The Guardian.
Segundo um relatório especial do painel intergovernamental sobre mudanças climáticas, "a velocidade média dos ventos de ciclones tropicais provavelmente aumentará, mas a frequência global de ciclones tropicais provavelmente diminuirá ou permanecerá inalterada".
Após a morte de seus familiares, Joana abraçou o ativismo contra o aquecimento global, visto por ela como causador do tufão Haiyan, participando de ações contra as mudanças climáticas junto do Greenpeace nas Filipinas. Até ser convidada a participar da ação na Noruega como testemunha da ação das petrolíferas.
- Esta é a primeira vez que vejo a uma estação de exploração de petróleo. Não posso dizer que é chocante ou surpreendente, mas é uma sensação intensa, porque estou finalmente ligando os pontos entre os grupos geradores e a tempestade que matou minha família. Não posso descrever melhor o sentimento que tenho com isso.
Ciclones são chamados de furacão quando ocorrem no oceano Atlântico e de tufão quando ocorrem no Índico ou no Pacífico. Em comum, costumam atingir países com altos níveis de pobreza, como as Filipinas ou Haiti. “Quando a tempestade bate, ela não separa pobres de ricos, por alguns momentos todos somos iguais, sem distinção. No entanto, os mais ricos conseguem reconstruir suas casas com muito mais rapidez que aquela população que já lutava para se manter antes da tragédia. E aí as diferenças ficam ainda mais visíveis”, comenta Joana, que alerta:
- É importante que as autoridades de todo mundo entendam que o aquecimento global não é só sobre o aumento do nível do mar no futuro. As pessoas realmente estão morrendo em decorrência do aquecimento global, e estão morrendo agora!
Joana entrará como testemunha no processo que o Greenpeace, junto com a ONG norueguesa Nature and Youth, abriram contra o governo norueguês, acusado de não respeitar sua constituição.
Ação contra o Estado
A Constituição norueguesa compromete políticos, empresas e cidadãos a "proteger o direito das pessoas a um ambiente limpo e saudável para as gerações futuras". Greenpeace e Nature and Youth (Natureza e Juventude, em inglês) compreendem que a permissão para a abertura de 15 novas perfurações — um número recorde — concedida pelo governo norueguês fere este princípio.
Segundo o Greenpeace, a licença mais controversa é localizada em Korpfjell, localizado a mais de 400 km de terra, e próximo da calota permanente de gelo do Ártico, um importante local de alimentação para aves marinhas e animais selvagens. A ONG afirma também que o governo norueguês ignorou todos os avisos de agências e organizações ambientais.
Outra crítica é a licença para a perfuração de petróleo próximo à ilha de Bjørnøya (ilha do Urso, em norueguês), lar de uma das maiores colônias de aves marinhas do hemisfério norte. "Um derramamento de óleo aqui poderia levar a uma catástrofe ambiental em longo prazo. Já é hora de o governo norueguês assumir a responsabilidade pelo meio ambiente e clima, juntamente com o resto do mundo”, diz Sune Scheller, líder de projeto e que acompanha a expedição do Arctic Sunrise.
O julgamento do processo contra o governo norueguês será realizado em novembro deste ano. Até lá, a ONG planeja ações semelhantes à deste verão (no hemisfério norte) para chamar atenção do público na Noruega e ao redor do mundo para a causa. “Estávamos longe das plataformas de petróleo, ou seja, eles mesmos não podiam ler o que estavam nas faixas. Mas sabiam que estavam ali. E o Greenpeace sempre leva uma equipe de jornalistas, da qual eu faço parte, para tornar visível para o resto do mundo as questões combatidas”, explica a jornalista Thais Herrero.
Entrar em um bote de borracha sobre águas próximas dos 0ºC exige preparação especial. (r7)

Aquecimento do planeta será maior que 2°C

Aquecimento do planeta será maior do que 2°C até o final do século
Novo estudo indica que o aquecimento do planeta provavelmente será maior do que 2°C até o final do século.
O aquecimento do planeta em 2°C geralmente é visto como um “ponto de inflexão”, que as pessoas devem tentar evitar, limitando as emissões de gases de efeito estufa. Mas é muito provável que a Terra exceda essa mudança, de acordo com a nova pesquisa da Universidade de Washington.
A nova mudança global de temperatura global projetada em 2100 é de 3,2°C (5,8° F), com uma chance de 90% de ficar dentro de 2-4,9°C (3,6-8,8°F).
Um estudo usando ferramentas estatísticas mostra apenas uma chance de 5% de que a Terra aqueça 2°C ou menos até o final deste século. Isso mostra uma mera chance de 1% de que o aquecimento poderia ser igual ou inferior a 1,5°C, o objetivo estabelecido pelo Acordo de Paris de 2016.
“Nossa análise mostra que o objetivo de 2°C é o melhor cenário”, disse o autor principal, Adrian Raftery , professora de estatística e sociologia da UW. “É possível, mas apenas com esforço maior e sustentado em todas as frentes nos próximos 80 anos”.
As novas projeções baseadas em estatística , publicadas em 31 de julho em Nature Climate Change , mostram uma chance de 90% de que as temperaturas irão aumentar neste século em de 2 a 4,9°C.
“Nossa análise é compatível com estimativas anteriores, mas conclui que as projeções mais otimistas são improváveis de acontecer”, disse Raftery. “Estamos mais perto da margem do que pensamos”.
O relatório mais recente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas incluiu as futuras taxas de aquecimento com base em quatro cenários para futuras emissões de carbono. Os cenários variaram desde as emissões “comerciais e habituais” das economias em crescimento, a sérios esforços mundiais para a transição longe dos combustíveis fósseis.
“O IPCC ficou claro que esses cenários não eram previsões”, disse Raftery. “O grande problema com os cenários é que você não sabe o quão provável eles são, e se eles abrangem toda a gama de possibilidades ou são apenas alguns exemplos. Cientificamente, esse tipo de abordagem narrativa não era totalmente satisfatória”.
O novo artigo concentra-se em três quantidades que sustentam os cenários para futuras emissões: população mundial total, produto interno bruto por pessoa e a quantidade de carbono emitida por cada dólar de atividade econômica, conhecida como intensidade de carbono.
Usando projeções estatísticas para cada uma dessas três quantidades, com base em 50 anos de dados passados em países de todo o mundo, o estudo encontra um valor médio de aquecimento de 3,2°C (5,8°F) até 2100 e uma chance de 90% de que o aquecimento deste século caia entre 2 a 4,9°C (3,6 a 8,8°F).
“Os países defenderam o alvo de 1,5°C por causa dos impactos severos em seus meios de subsistência que resultariam de exceder esse limiar. De fato, os danos causados pelos extremos do calor, a seca, o clima extremo e o aumento do nível do mar serão muito mais severos se 2°C ou maior aumento de temperatura for permitido”, disse o coautor Dargan Frierson, professor associado das ciências atmosféricas da UW. “Nossos resultados mostram que é necessária uma mudança de curso abrupta para alcançar esses objetivos”.
Raftery anteriormente trabalhou nas projeções das Nações Unidas para a futura população mundial. Seu estudo de 2014 usou as estatísticas bayesianas, uma ferramenta comum usada nas estatísticas modernas, para mostrar que a população mundial provavelmente não se estabilizará neste século. O planeta provavelmente alcançará 11 bilhões de pessoas até 2100.
No novo estudo, Raftery esperava que as populações mais elevadas aumentassem as projeções para o aquecimento global. Em vez disso, ele ficou surpreso ao saber que a população tem um impacto bastante pequeno. Isso ocorre porque a maior parte do aumento da população estará em países que usam poucos combustíveis fósseis.
O que importa mais para o aquecimento futuro é a intensidade do carbono, a quantidade de emissões de carbono produzidas para cada dólar de atividade econômica. Esse valor caiu nas últimas décadas à medida que os países aumentam a eficiência e estabelecem padrões para reduzir as emissões de carbono. Quão rápido esse valor diminuirá nas próximas décadas será crucial para determinar o aquecimento futuro.
O estudo encontra uma ampla gama de possíveis valores de intensidade de carbono nas próximas décadas, dependendo do progresso tecnológico e dos compromissos dos países em relação à implementação de mudanças.
“Em geral, os objetivos expressados no Acordo de Paris são ambiciosos, mas realistas”, disse Raftery. “A má notícia é que eles são improváveis para alcançar o objetivo de manter o aquecimento em ou abaixo de 1,5°C”.
A pesquisa foi financiada pelo National Institutes of Health. Outros coautores são Alec Zimmer , graduado da UW, agora em Upstart Networks em Palo Alto, Califórnia; Richard Startz , um professor emérito de economia da UW que agora ocupa um cargo na Universidade da Califórnia, Santa Bárbara; E Peiran Liu , um estudante de doutorado da UW em estatísticas. (ecodebate)