quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

O silêncio ruralista diante da crise da água

Chama a atenção o silêncio tumular dos ruralistas diante da crise da água brasileira. Ela está vinculada ao desmatamento, a erosão da biodiversidade e a compactação dos solos. O ciclo das águas é uma teia de relações complexas que permite sua fluência e a existência da vida.
Havia um Código Florestal que defendia as áreas de florestas necessárias para preservar o ciclo das águas. Mas, ele não era obedecido. Como a desobediência dos ruralistas – e imobiliárias – eram crimes, então mudaram o código para que suas ações não fossem mais motivo de punição.
Hoje cientistas dizem que grande parte do ciclo das águas brasileiras tem origem na evapotranspiração da floresta Amazônica (Antônio Nobre), mas que depende do Cerrado para penetrar no solo e abastecer os aquíferos que sustentam grande parte da malha hídrica brasileira que se origina no Planalto Central (José Alves da UNIVASF e Altair Salles da PUC/Goiânia).
Ora, o setor ruralista está quebrando a dinâmica da floresta Amazônica e compactando o Cerrado pela força do desmatamento. O Cerrado não tem poder de regeneração.
Kátia Abreu disse que “desmatamos por uma das agriculturas mais produtivas” (UOL, 15/12/15). Portanto, assume que desmata, portanto, que quebra o ciclo de nossas águas.
Aqui no vale do São Francisco há uma guerra surda entre os vários setores da produção – principalmente irrigação e energia – pelo que resta de água no São Francisco. Entretanto, o São Francisco é um rio dependente do Cerrado. Sem os aquíferos do Cerrado, particularmente o Urucuia, não existe São Francisco.
Então, senadora, a equação não fecha. Sem água não há agricultura, mas sem vegetação não há água. O equilíbrio entre todos esses fatores que o agronegócio desconhece ou ignora. Mas, quem no mundo ruralista está disposto a pensar a atividade agrícola na sua complexidade de fatores e não de forma simplista em favor de uma economia imediatista?
Não há agricultura sustentável sem a permanência das florestas, sem a preservação dos solos e do ciclo das águas.
O silêncio ruralista sobre a crise da água não é casual. (ecodebate)

Nordeste termina dezembro com 6,3% da capacidade

Nordeste deve terminar dezembro com 6,3% da capacidade de armazenamento.
Previsão é menor do que das duas últimas semanas. Vazões da região devem ficar em 30% da média.
A previsão de armazenamento dos reservatórios da região Nordeste foi reduzida pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico. A perspectiva agora é de 6,3% ante a feita na semana passada de 8,9%, pior ainda que da semana anterior de 7,5%. As vazões da região devem ficar em 30% da média de longo termo, abaixo da previsão anterior de 43%.
No subsistema Sudeste/Centro-Oeste, o armazenamento deve terminar em 31,9% e as vazões chegarão a 110% da MLT. No Norte, as previsões são de 16,3% da capacidade dos reservatórios e 31% da média histórica. E na região Sul, as perspectivas são de 98,3% e 269%, respectivamente, de armazenamento e vazão.
Para a semana operativa de 19 a 25 de dezembro, é esperado que uma frente fria avance pelas regiões Sul e Sudeste ocasionando chuva moderada nas bacias hidrográficas do subsistema Sul e precipitação de intensidade fraca a moderada nas bacias do subsistema Sudeste/Centro-Oeste.
O valor médio semanal do Custo Médio de Operação ficou em R$ 92,18 por MWh no subsistema Sudeste/Centro-Oeste; R$ 61,10/MWh no Sul; R$ 199,21/MWh no Nordeste; e R$ 165,41/MWh no Norte. O ONS revisou a redução da carga do Sistema Interligado Nacional para 2,3% no mês de dezembro, em comparação a igual período anterior. O despacho térmico programado é de 13.779 MW médios, sendo 7.668 MWmed na ordem de mérito e 4.746 MWmed por garantia energética. (canalenergia)

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Compromisso para reciclagem de OGRs

Abiove assinou termo de compromisso para reciclagem de OGRs
Na penúltima semana de 2015, Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) firmou com o governo do estado de São Paulo um termo de compromisso que prevê o desenvolvimento de uma cadeia de logística reversa para a coleta e reciclagem de óleos e gorduras residuais (OGRs).
O acordo foi assinado também pelo Sindicato das Indústrias de Óleos Vegetais e seus Derivados no Estado de São Paulo (Sindóleo), pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e pela CETESB.
O acordo obriga as associadas da Abiove e do Sindóleo a montarem uma rede de pontos de entrega (PEs) por todo o estado e a realizar ações de educação ambiental voltadas à conscientização dos consumidores para engajá-lo na reciclagem de OGRs.
A meta é chegar até o final do ano com pelo menos 1.150 PEs implantados e que a rede chegue a 1.450 PEs até 2019. (biodieselbr)

Projeto para reciclar animais mortos naturalmente

SC apresenta projeto piloto para reciclar animais mortos naturalmente
Em 14/12/15 a Secretaria da Agricultura e da Pesca de Santa Catarina apresentou oficialmente um projeto piloto que prevê a reciclagem das carcaças de animais mortos naturalmente em propriedades rurais gerando sebo para a produção de biodiesel e fertilizantes. A proposta deve ser implantada a partir do início do próximo ano.
Além de reduzir o prejuízo dos criadores gerando renda a partir de carcaças que, de outra forma, seriam descartadas; o projeto pretende aumentar a biosseguridade e amenizar impactos ambientais. Com a experiência catarinense, espera-se gerar subsídios para dar suporte a formulação de normativas aplicadas pelo MAPA em todo o território nacional.
A proposta prevê a criação de Unidades Processadoras de Referência que, sob fiscalização oficial, farão a destinação adequada das carcaças. Esses estabelecimentos receberão os animais, farão seu processamento e comercializarão os produtos finais.
300.000 toneladas
O Ministério da Agricultura calcula que as perdas por morte natural – seja por causas corriqueiras ou catástrofes naturais – atinjam aproximadamente 2,5% do rebanho de aves e suínos. São cerca de 300 mil toneladas por ano apenas no estado de Santa Catarina. Hoje, a orientação técnica é de que as sejam destinadas à compostagem. O procedimento vem causando problemas ambientais e trabalhistas.
A iniciativa deste projeto piloto é do governo estadual em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Embrapa e Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc). (biodieselbr)

domingo, 27 de dezembro de 2015

Fecundidade baixa no envelhecimento brasileiro até 2085

O envelhecimento brasileiro até 2085 na hipótese de fecundidade muito baixa
Até 1985, a pirâmide populacional brasileira tinha cada grupo etário quinquenal maior do que o grupo imediatamente superior. A estrutura etária jovem fazia com que as políticas públicas se preocupassem fundamentalmente com a expansão das suas metas quantitativas, pois todos os grupos etários estavam crescendo ao mesmo tempo.
Porém, desde que as taxas de fecundidade (número médio de filhos por mulher) começaram a cair, a estrutura etária da população começou a sofrer uma transformação, com a redução da sua base, seguida de um crescimento da população adulta (15-59 anos) e um crescimento de longo prazo da população idosa (60 anos e +).
Como foi mostrado em outro artigo, a pirâmide de 1985 foi a última a manter o formato egípcio e foi naquele ano que a coorte etária 0-4 anos apresentou o maior número absoluto de crianças de toda a história brasileira. Havia 18,5 milhões de crianças, representando 13,6% da população total, sendo 9,4 milhões de meninos e 9,1 milhões de meninas. A população brasileira era de 136 milhões de habitantes em 1985 e a partir desta data o número de crianças brasileiras começou a diminuir em termos absoluto e relativo.
Em 1985, o índice de envelhecimento (IE) mostrava uma estrutura etária jovem. Havia 50,4 milhões de crianças e jovens de 0 a 14 anos (representando 37% da população total) e 8,7 milhões de idosos de 60 anos e mais (representando 6,4% do total). Desta forma, o IE era de 17,2 idosos para cada 100 pessoas de 0-14 anos.
Todavia, nas décadas seguintes a base da pirâmide foi se reduzindo e o topo foi se alargando, em um processo que vai continuar no século XXI, mas dependerá do comportamento das taxas de fecundidade. Na projeção média das tendências da fecundidade (Taxa de Fecundidade Total de 1,8 filhos por mulher em 2085), a pirâmide populacional deve ter uma forma parecida com um retângulo no final do século.
Mas na hipótese baixa de projeção da fecundidade (Taxa de Fecundidade Total de 1,3 filhos por mulher em 2085) as transformações seriam dramáticas. As projeções demográficas da Divisão de População da ONU, na hipótese baixa, apontam um pico de 209 milhões de habitantes em 2035 e uma população total de somente 137 milhões de habitantes em 2085, sendo que a população de 0-4 anos deverá ficar em 3,3 milhões (mais de cinco vezes abaixo do número de crianças de 1985), sendo apenas 1,7 milhão de meninos e 1,6 milhão de meninas.
O índice de envelhecimento passaria para impressionantes 647 idosos para cada 100 jovens (70,2 milhões de pessoas de 60 anos e + para 10,8 milhões de crianças e jovens de 0 a 14 anos de idade). Neste caso, os idosos representariam 51% da população total no ano de 2085. Ou seja, mesmo mantendo constantes as hipóteses de esperança de vida, uma queda mais rápida da taxa de fecundidade, ao reduzir a base da pirâmide, afeta sobremaneira o envelhecimento populacional. Nesta hipótese, haveria necessidade de um grande aproveitamento do segundo bônus demográfico.
Esta situação de uma pirâmide populacional totalmente invertida é pouco provável que aconteça. Mas se acontecer, teremos um Brasil virado de cabeça para baixo e com um processo de envelhecimento tão grande que fica até difícil de imaginar todos os desafios desta hipotética possibilidade. (ecodebate)

Fecundidade e o envelhecimento brasileiro até 2085

O envelhecimento brasileiro até 2085 na projeção média de fecundidade
Durante 200 mil anos, desde o surgimento do homo sapiens, houve crescimento do número de habitantes do mundo. Pode ter havido recuos em certos momento e lugares ou até civilizações locais podem ter desaparecido, mas nas contas globais, o crescimento foi contínuo e passou a ser exponencial nos últimos 250 anos. Por conta disto, a demografia é uma ciência que se acostumou com o crescimento e com uma estrutura etária jovem.
A pirâmide populacional tinha os grupos etários quinquenais inferiores maiores do que os imediatamente superiores. A estrutura etária jovem fazia com que as políticas públicas se preocupassem fundamentalmente com a expansão das suas metas quantitativas. Vale dizer: maior número de maternidades e pediatrias, mais escolas, mais moradias, mais empregos, mais estradas, mais consumo, etc.
Porém, desde que as taxas de fecundidade (número médio de filhos por mulher) começaram a cair, a estrutura etária da população começou a sofrer uma transformação, com a redução da sua base, um crescimento da população adulta (15-59 anos), num segundo momento, e um crescimento da população idosa (60 anos e mais), num momento posterior.
A pirâmide populacional brasileira de 1985 foi a última a manter o formato egípcio e foi neste ano que a coorte etária 0-4 anos apresentou o maior número absoluto de crianças de toda a história brasileira (passada e futura). Havia 18,5 milhões de crianças, representando 13,6% da população total, sendo 9,4 milhões de meninos e 9,1 milhões de meninas. A população brasileira era de 136 milhões de habitantes em 1985 e a partir desta data o número de crianças brasileiras começou a diminuir em termos absoluto e relativo.
O índice de envelhecimento (IE) mostrava uma estrutura etária jovem. Havia 50,4 milhões de crianças e jovens de 0 a 14 anos (representando 37% da população total) e 8,7 milhões de idosos de 60 anos e mais (representando 6,4% do total). Desta forma, o IE era de 17,2 idosos para cada 100 pessoas de 0-14 anos.
Todavia, nas décadas seguintes a base da pirâmide foi se reduzindo e o topo foi se alargando, em um processo que vai continuar no século XXI. As projeções demográficas da Divisão de População da ONU, na hipótese média das tendências da fecundidade, apontam um pico de 231 milhões de habitantes em 2055 e uma população total de 208 milhões de habitantes em 2085, sendo que a população de 0-4 anos deve ficar em 9,4 milhões (cerca da metade do número de crianças de 1985), sendo 4,8 milhões de meninos e 4,6 milhões de meninas.
O índice de envelhecimento deve passar para 272 idosos (78,6 milhões de pessoas de 60 anos e +) para cada 100 crianças e jovens de 0 a 14 anos de idade (28,9 milhões de pessoas). Os idosos vão representar 37,7% da população total no ano de 2085. A população brasileira de 0 a 60 anos de idade vai começar a declinar a partir de 2025 e o crescimento, no restante do século, vai ocorrer apenas na população idosa.
Desta forma, em vez de planejar cada vez mais maternidades, escolas e empregos deverá haver o planejamento de uma situação com menos nascimentos, menos estudantes e menos trabalhadores entrando na força de trabalho. O estado de São Paulo já está vivendo a falta de crianças nas escolas e se busca, talvez não da melhor forma, uma maneira de se adaptar à nova dinâmica demográfica e à nova estrutura etária.
Mas uma das tarefas mais difíceis será lidar com o sistema de repartição simples da previdência social, pois este sistema pressupõe que haja um fluxo crescente de pessoas em idade de trabalhar para sustentar o fluxo crescente de pessoas idosas e em condições de inatividade econômica (não contribuintes da previdência). O ano de 2015 já é um marco, pois mesmo com baixo IE, a estagflação e o desemprego está diminuindo o número de contribuintes da previdência, enquanto continua crescendo o número de aposentados.
Para manter o mesmo padrão de vida, o grupo de idoso precisa ser sustentado pelo grupo de adultos produtivos. Se estes últimos diminuírem, a única forma de manter o padrão de vida dos idosos é promovendo um grande aumento da produtividade do trabalho da população economicamente ativa e um bom aproveitamento do segundo bônus demográfico.
Todavia, a produtividade, em geral, depende da expansão da educação e da economia e da disponibilidade de recursos naturais, especialmente de energia extrassomática. O Brasil já tem vários problemas de produtividade e tem crescido graças ao aumento do emprego no período do boom das commodities. Produzir mais com menos pode ficar cada vez mais difícil quando há uma população em declínio, uma carga maior de dependência provocada pelo envelhecimento da estrutura etária, uma escassez relativa de combustíveis fósseis e crescentes problemas ambientais.
Desta forma, a sociedade brasileira, na fase do envelhecimento e do decrescimento populacional, vai ter um grande desafio prático e teórico pela frente, pois terá que lidar com uma pirâmide populacional mais parecida com um retângulo. Isto vai dar o que pensar, especialmente nos métodos e objetivos das políticas públicas. (ecodebate)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Transportes estão comprometidos em reduzir emissão de gases

Transportes estão comprometidos em reduzir emissão de gases, diz Viegas
Os transportes são considerados um dos vilões, mas avanços significativos em todas as frentes visam reduzir as emissões de gases de efeito estufa do setor, disse o secretário-geral do Fórum Internacional do Transporte, José Viegas, em Paris, durante a 21ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP21).
José Viegas ressaltou que se os transportes têm sido os vilões é porque são o único setor que tem que carregar a fonte de energia com ele. Mas, segundo o secretário, há, neste momento, a consciência de que, para além da inovação na tecnologia de tração dos veículos, há muitas outras coisas que podem ser feitas para reduzir as emissões de carbono, como os aumentos de eficiência na ocupação dos veículos e na organização do transporte.
"Há razões objetivas para que nos transportes o arranque da luta contra as emissões tenha sido mais tardio, mais difícil. Mas há neste momento um consenso muito forte de que é preciso fazer qualquer coisa, e várias iniciativas estão em andamento, em paralelo, em diferentes lugares do mundo. Há vários progressos significativos em todas as frentes", afirmou o representante do Fórum, que integra a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.
Viegas esteve ontem na COP21, em um painel sobre transporte sustentável, no qual foram anunciadas algumas medidas para reduzir as emissões no setor, como a Iniciativa Global para a Economia de Combustível.
"O conjunto da indústria – pressionado pelos cidadãos, pelas organizações não-governamentais, e também por nós, que fazemos parte dessa iniciativa – aceita que é possível ter, no ano 2050, toda a frota rodoviária consumindo 50% do que consumia em 2010. Há uma curva provável de redução de consumo de energia e de emissões nos motores de combustível", afirmou.
Outro projeto apresentado foi o MobiliseYourCity que pretende desenvolver planos de mobilidade urbana sustentável em 100 cidades e 20 países em desenvolvimento até 2020.
Por sua vez, o Fórum Internacional do Transporte também trouxe à COP21 algumas contribuições para ajudar a definir políticas de transportes que reduzam as emissões de carbono, nomeadamente no domínio da mobilidade urbana, com soluções partilhadas, ainda que haja impedimentos legais para o avanço das medidas.
“Temos trabalhado muito no Fórum uma coisa que, para simplificar, se pode chamar de táxis partilhados: acaba o congestionamento, reduz 30% das emissões e pagando, cada passageiro, cerca de um terço do que paga hoje pela mesma distância num táxi. Há soluções. Só tem um pequeno inconveniente: hoje em dia, em todos os países europeus, o táxi partilhado é ilegal", destacou.
Do lado do transporte de cargas, José Viegas defende "a responsabilidade solidária das emissões ao longo de toda a cadeia de valor" e "não só para a parte marítima ou ferroviária", criticando as ferrovias na Europa que "tem deixado de lado o transporte de mercadorias".
"O que é que as ferrovias estão fazendo nos últimos anos na Europa? Orientando-se cada vez mais para o que eles chamam de transporte de comboio completo. Se a ferrovia diz: eu só aceito encomendas de pelo menos 40 contêineres, porque é isso que me faz um comboio completo, eu mando o meu conteiner de caminhão", continuou, explicando que isso "empurra muitos motoristas a fazerem mais quilômetros em caminhões", concluiu. (agenciabrasil)

Brasil faz acordo para diminuir emissões e continua investindo em fósseis

COP21: Brasil subscreve acordo para diminuir emissões em Paris e internamente continua a investir em fósseis
Enquanto pessoas do mundo todo exigem dos líderes mundiais que diminuam os investimentos em combustíveis fósseis e forçam um acordo que limite o aumento da temperatura a 1,5ºC até 2100, o Brasil, signatário do texto final da COP21, continua a dar sinais que não mudará sua matriz energética.
Sob protesto de integrantes da Coalizão Não Fracking Brasil, a Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural (ANP) realizou no Rio de Janeiro a segunda etapa da 13ª Rodada de Licitações – Acumulações Marginais – para exploração de hidrocarbonetos.
Pela terceira vez em menos de dois anos, o governo brasileiro vem estimulando investimentos em combustíveis fósseis ao leiloar campos para a exploração não convencional de petróleo e gás de xisto, muitas vezes travestida de gás convencional.
Representantes da organização climática 350.org Brasil, Fundação Arayara Cooperlivre e COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil – estiveram na sede da agência e protestaram contra mais uma tentativa do governo brasileiro em abrir as portas para o fraturamento hidráulico, ou fracking.
Tecnologia minerária altamente poluente e contaminante para exploração não convencional de gás de xisto, o fracking coloca em risco as reservas de água de superfície e dos aquíferos, a produção agrícola e a saúde dos brasileiros. Mais uma vez a ANP agiu sem transparência e sem consultar a sociedade civil, setor produtivo e os próprios administradores públicos municipais.
“Enquanto a Conferência pelo Clima organizada pela ONU fecha um acordo entre 195 países em Paris, com o Brasil atuando na mediação de grupos de trabalho para acelerar um acordo vinculante para diminuir as emissões, internamente sinaliza a continuação de investimentos em combustíveis fósseis”, lamentou a diretora da 350. org Brasil , Nicole Figueiredo de Oliveira, parceira da COESUS na campanha contra o fraturamento hidráulico.
“A presidente da ANP (Magda Chambriand) disse em discurso que quer que as pequenas empresas experimentem e gostem do petróleo. Não dá para confiar numa palavra de quem fala uma coisa e faz outra”, afirmou Nicole.
Para a diretora, se o Brasil utilizar o fraturamento hidráulico saltará da posição de 5º maior emissor, ficando na lista de um dos maiores contribuintes paras mudanças climáticas, podendo dobrar sua contribuição individual. “O Fracking emite metano, gás altamente mais potente para o efeito estufa que o CO2. Não é possível falar em diminuir a temperatura do planeta com fracking: Não sobreviveremos!”
Fracking e seus impactos
Já para o coordenador nacional da COESUS, Dr. Eng. Juliano Bueno de Araujo, não há garantias de que as empresas vencedoras deste certame não farão fracking ao encontrarem condições para exploração de gás não convencional, que somente pode ser extraído do subsolo pelo método fracking. “Portanto, essa concessão oferece riscos reais de termos a exploração não convencional no país já que é óbvio que as empresas maximizarão e ampliar a produção”, alertou Juliano.
Inúmeros estudos internacionais realizados pelas mais conceituadas universidades e centros de pesquisa como MIT, Cornell, Harvard e outras comprovam os impactos ambientais, econômicos e sociais provocados pelo fraturamento hidráulico, todos irreversíveis e nocivos a todas as formas de vida.
Riscos em números
Segundo informou a ANP, a segunda etapa da 13ª Rodada de Licitações – Acumulações Marginais, arrecadou R$ 4.248.201,00 em bônus de assinatura, com um ágio médio de 623,88%. Além do bônus, estão previstos investimentos de R$ 7.910.000,00 nas áreas arrematadas.
A licitação ofereceu dez áreas inativas com acumulações marginais, das quais nove foram adquiridas pelas empresas. No total, foi arrematada uma área de 52,41 km². Quatorze empresas fizeram ofertas, sendo nove vencedoras.
O maior bônus de assinatura foi de R$ 2.577.700,00, oferecido pela empresa EPG Brasil para a área Barra Bonita, na bacia do Paraná. O maior ágio, da mesma área, foi de 3.002,07%.
Copel sofre derrota
No caso do Paraná, a Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) foi a empresa habilitada pela ANP a participar desta segunda etapa de leilões. Área mais disputada com cinco ofertas, a Copel acabou derrotada em sua proposta de adquirir o campo de Barra Bonita, na região Central, que é vizinho de uma das áreas nas quais ela já tem participação.
Segundo o jornal Gazeta do Povo, o campo de Barra Bonita foi descoberto em 1996, mas nunca produziu. Ele pertencia à Petrobras, que não enxergou viabilidade em sua exploração e devolveu a concessão à União em 2013, com dois poços prontos para serem operados.
Mesmo reconhecendo a necessidade de uma transição para energias renováveis e assim conter as mudanças climáticas, o diretor para negócios da Copel, Jonel Nazareno Iurk, admitiu a membros da Coalizão Não Fracking Brasil que a empresa não tem um plano de transição. Seguimos pressionando e esperando que a Copel apresente um cronograma de negócio para termos no Estado do Paraná 100% renovável até 2025.
Em 2013, a Copel, associada a outras empresas, arrematou quatro blocos para exploração não convencional de gás de xisto (fracking). Por força de uma liminar, provocada pela COESUS e obtida pelo Ministério Público Federal, foram suspensos os efeitos do leilão devido aos riscos que a tecnologia minerária oferece ao ambiente. Desde Junho de 2014, a companhia e suas parceiras não podem fraturar numa das regiões mais produtivas do Estado, especialmente na cidade de Toledo, 1º PIB agropecuário do Paraná. (ecodebate)

Brasileiros devem cumprir metas de redução de emissões de CO2

A COP21 e os desafios brasileiros para o cumprimento das metas de redução de emissões de CO2
Após a aprovação em 12/12/15, durante a 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP), em Paris, de um novo acordo global para combater os efeitos das mudanças climáticas, os 188 países-membros da Convenção do Clima da ONU que já apresentaram suas metas voluntárias de redução das emissões de gases de efeito estufa para fundamentar a decisão terão agora o desafio de implementá-las até 2020, quando passa a vigorar o novo acordo.
Para isso, será preciso superar uma série de obstáculos, como o de viabilizar condições políticas, econômicas, científicas e tecnológicas para que esses países possam realizar suas INDCs.
No caso do Brasil, que apresentou uma das metas mais ambiciosas entre os 188 países e levou a maior delegação entre as 195 nações participantes da COP21, os desafios também incluem a definição de uma estratégia de financiamento que o país irá adotar para implementar sua INDC, uma vez que não condicionou sua execução à obtenção de recursos internacionais.
A avaliação foi feita por Izabella Teixeira, ministra do meio ambiente do Brasil, durante um evento paralelo à COP21, em que esteve em pauta as políticas brasileiras sobre mudanças climáticas pós 2020, ocorrido em 11/12/15 em Le Bourget, em Paris, no mesmo pavilhão onde foi realizada a convenção, um dia antes da apresentação e aprovação do documento final do encontro.
“Teremos que estabelecer qual a estratégia de desenvolvimento tecnológico que o Brasil irá adotar para implementar sua INDC e superar desafios como restaurar 12 milhões de hectares com custos competitivos e tecnologia que permitam, de fato, acabar com a comercialização ilegal de madeira e o desmatamento rural no país”, afirmou.
Outro obstáculo que o país terá que transpor para viabilizar sua INDC, na avaliação da ministra, é melhorar sua capacidade científica para estabelecer um sistema de revisão permanente de dados de emissão de gases de efeito estufa pelo país.
“Será preciso fornecer dados com qualidade tecnocientífica porque todos eles serão auditados. A INDC representa um compromisso formal do país e é preciso ter critérios, requisitos que o país tem capacidade de atender, mas que precisa melhorar para se preparar para os desafios que virão”, avaliou.
Outra questão que terá que ser solucionada para viabilizar não só a INDC brasileira, como as dos demais países, na opinião da ministra, é estabelecer uma nova relação federativa.
O sistema federativo tradicional, seguido na COP-15, em Copenhague, em 2010 – em que estados publicaram leis mais ambiciosas de redução de emissões de gases de efeito estufa do que seus respectivos países – , criou enormes dificuldades de conciliação de objetivos nacionais, apontou a ministra.
“As relações da esfera nacional com os segmentos subnacionais terão que ser revistas. Tem que ser uma relação em que todos terão que oferecer resultados com transparência e realizar ações de redução de emissões de gases de efeito estufa não condicionadas a existência de recursos, porque a INDC brasileira não foi condicionada à disponibilidade de recursos”, ponderou.
Revisão periódica
Considerado o mais amplo entendimento climático global desde o Protocolo de Kyoto, assinado em 1997, o novo acordo climático mundial adotado por 195 países que participaram da COP21, chamado “Acordo de Paris”, observa “com preocupação” que os níveis de emissão de gases de efeito estufa global estimados para 2025 e 2030 decorrentes das INDCs dos 188 países que já apresentaram suas metas são insuficientes para conter o aumento da temperatura do planeta em até 2 ºC. Além disso, levarão a um nível de emissão de 55 gigatoneladas em 2030.
A fim de manter o aumento da temperatura média global a menos de 2ºC acima dos níveis pré-industriais, o documento indica que esforços muito maiores de redução de emissões serão necessários para baixar as emissões para o patamar de 40 gigatoneladas até 2030.
Atualmente, as emissões globais de CO2 são da ordem de 49 bilhões de toneladas, das quais 24% estão associadas a uso da terra (agropecuária) e florestas e 76% relacionadas a energia e a processos industriais.
“Não dá para trabalhar só com ambição global para reduzir emissões de CO2. Tem que ter ambição nacional”, avaliou Teixeira.
O novo acordo climático global também estabelece o princípio de que os futuros planos nacionais de redução de emissões de gases de efeito estufa (INDCs) terão que ser mais ambiciosos do que os existentes.
Os países também terão que apresentar INDCs a cada cinco anos, aumentando de forma consistente sua ambição em longo prazo.
O primeiro balanço das INDCs está previsto para 2018, mas a primeira análise, de fato, poderá acontecer só em 2023.
“Entramos em uma nova era de cooperação global em uma das questões mais complexas que a humanidade já teve que enfrentar”, disse o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, durante o anúncio da versão final do acordo.
“Pela primeira vez, todos os países do mundo se comprometeram a reduzir as emissões, reforçar a capacidade de resistência e tomar medidas comuns. Isso representa um grande sucesso para o multilateralismo”, avaliou.
Financiamento
O principal objetivo do acordo universal legalmente vinculante ratificado por 195 países e a União Europeia durante a COP21 é manter o aquecimento global neste século “muito abaixo” de 2º C e conduzir os esforços para limitar o aumento de temperatura a 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais – considerado o limite mais seguro para que a humanidade não enfrente os piores impactos da mudança do clima.
Para isso, será preciso atingir o pico das emissões o mais rápido possível e obter um balanço entre as emissões na segunda metade do século, indica o documento.
Em relação ao financiamento climático, o texto final determina que os países desenvolvidos deverão investir US$ 100 bilhões por ano em medidas de combate à mudança do clima e adaptação em países em desenvolvimento.
“Antes e durante a COP21 foi anunciada uma série de apoios financeiros para mitigação e adaptação às mudanças climáticas por diversas fontes”, disse Christiana Figueres, secretária-executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCC, na sigla em inglês).
“Nos termos do Acordo de Paris, essas linhas de financiamento serão elevadas para um novo patamar, o que é de suma importância para os países mais vulneráveis”, avaliou.
Na sequência da adoção do Acordo de Paris pela COP21, o documento será depositado na sede da ONU, em Nova York, e permanecerá aberto para assinatura durante um ano, a partir de 22 de abril de 2016.
O acordo entrará em vigor após 55 países responsáveis por, pelo menos, 55% das emissões globais ratifiquem o documento. (ecodebate)

China: Pagando para respirar

Na China, restaurantes cobram para clientes respirarem.
O governo do país tem fracassado em conter a neblina tóxica que coloca em risco regular centenas de milhões de habitantes do norte.
A nova taxa causou polêmica.
Restaurantes na China cobram para clientes respirarem ar puro.
A vista do distrito de negócios central de Pequim. Recentemente, algumas escolas na China tiveram que suspender as aulas por conta dos altíssimos níveis de poluição na cidade de Pequim. O governo do país tem fracassado em conter a neblina tóxica que coloca em risco regular centenas de milhões de habitantes do norte.
Ainda em alerta vermelho de poluição, agora alguns restaurantes estão cobrando uma taxa extra àqueles que consomem nos estabelecimentos, graças à aquisição de novos sistemas de purificação de ar instalados nos locais. De acordo com informações da BBC, o preço médio que os dono de restaurante cobram para cada pessoa é de menos de R$ 1.
A nova cobrança está acontecendo na cidade de Zhangjiagang, localizada na província de Jiangsu. Os moradores da região e clientes reclamaram desde a imposição da nova taxa, alegando que a responsabilidade de manter a qualidade do ar era do governo e não deveria haver qualquer tipo de custo para a população.
A partir disso, oficiais da cidade responderam aos restaurantes comentando que a escolha por respirar ar filtrado não era dos frequentadores e por isso seria ilegal que qualquer dono cobrasse para repor os fundos dos filtros.
Ao mesmo tempo, outros cidadãos comentaram nas redes sociais a favor da cobrança, como Sina Weibo, que disse em seu Twitter que ficaria feliz por pagar para respirar um ar mais limpo. Por outro lado, muitos concordam que realmente é o governo que tem que ir atrás de medidas reais para o fim da fumaça tóxica e não os locais privados, que apenas apresentam medidas de controle.
"Pagar não é o problema", comentou um dos usuários chineses. "O problema é não ser avisado com antecedência de que haverá um custo pela respiração de melhor qualidade", completou. (yahoo)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Poder da natureza para enfrentar mudanças climáticas

COP21 reconhece o poder da natureza para enfrentar mudanças climáticas
Importância das florestas para mitigar as mudanças climáticas é incluída no texto final. Acordo deixa espaço para o compromisso de manter o aquecimento atual em 1,5ºC.
O novo Acordo Global do Clima firmado em 12/12/15 na COP21, em Paris, servirá de base para que todas as nações controlem o aumento da temperatura global em, no máximo, 2°C, com a possibilidade de limitá-lo a 1,5° C. Embora ainda reste muito trabalho pela frente, o acordo representa a única e mais importante ação coletiva já tomada com o objetivo de enfrentar e prevenir os impactos causados pela a mudança climática. É o que acredita a Conservação Internacional, organização ambiental com projetos no Brasil e em mais de 30 países.
Segundo Rodrigo Medeiros, vice-presidente da Conservação Internacional no Brasil, embora o novo acordo firmado ainda não seja perfeito, ele supera o ceticismo e a incredulidade que pairava sobre Paris no início da COP21. “Todos os países que aderiram estão agora oficialmente convidados a assinar um novo texto a partir de 22/04/16, em cerimônia que deve ser realizada na sede das Nações Unidas, em Nova York. O Brasil, cuja contribuição na redução das emissões foi bem recebida internacionalmente, agora tem a grande oportunidade de se beneficiar com as medidas, principalmente, com a implementação de projetos de REDD+ e com o desenvolvimento e transferências de tecnologias.”
Para a CI-Brasil, os pontos mais importantes do acordo incluem:
- O novo acordo reconhece explicitamente que o REDD + (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal) é parte fundamental da solução para a mudança climática. As florestas tropicais por si só representam, pelo menos, 30% da solução para limitar as emissões.
- Os países reconheceram a fundamental importância da natureza para assegurar o desenvolvimento sustentável e a erradicação da pobreza, consagrando definitivamente o papel dela no duplo desafio de adaptação e mitigação. Isso irá incentivar os países a manter ecossistemas saudáveis devido à preocupação com a questão climática.
- O novo acordo define uma meta global para aumentar a resistência e melhorar a capacidade de adaptação às mudanças climáticas. Ele auxiliará na cooperação e troca de conhecimento entre os países, facilitando o planejamento do futuro a fim de apoiar o desenvolvimento da resistência ao clima, especialmente pelo reconhecimento da importância dos ecossistemas e dos sistemas ecológicos.
Compromissos assumidos
Durante os primeiros dias de negociações, Alemanha, Noruega e Reino Unido anunciaram um compromisso para fornecer até US$ 5 bilhões para reduzir o desmatamento das florestas até 2020.
Duas importantes características desse acordo são o compromisso de todos os países em reduzir as emissões e que estas promessas serão revistas e melhoradas em um ciclo de cinco anos. O acordo deixa uma série de detalhes a serem trabalhados até 2020, mas há claros sinais de que a natureza, incluindo a proteção e restauração das florestas, será parte da solução para muitos países na questão climática.
O novo acordo inclui também uma meta global sobre a adaptação, indicando que, agora, os países concordam que a adaptação aos impactos climáticos é tão importante quanto a desaceleração das emissões. Para países como o Kiribati e outras nações insulares, a adaptação não é apenas uma questão de criação de resistência, mas de sobrevivência. Para eles, o acordo precisa garantir ações concretas não só em longo prazo, mas também imediatas.
Os países desenvolvidos concordaram em continuar a prestar apoio financeiro para ações climáticas nos países em desenvolvimento. A fim de cumprir os objetivos deste acordo histórico, um próximo passo importante é a construção de estruturas políticas e a criação de incentivos a um maior investimento no combate às alterações climáticas.
Muitos países também indicaram que pretendem cumprir, pelo menos, parte de seus compromissos nacionais para reduzir as emissões através da cooperação com outros territórios através do investimento em atividades de mitigação no exterior. O acordo apoia plenamente essas transferências, que podem ajudar a limitar mais rapidamente os efeitos do aquecimento global e a estabelecer regras básicas para garantir que elas sejam realizadas de forma aberta e justa. (ecodebate)

Ligação entre mudanças climáticas e direitos humanos

Novo relatório da ONU reconhece ligação entre mudanças climáticas e direitos humanos
As alterações climáticas têm implicações graves para a agricultura e a segurança alimentar. 
Documento mostra que as ações humanas são as maiores causadoras do fenômeno climático e a maior ameaça ao meio ambiente natural e aos direitos humanos de nosso tempo.
Reconhecer a ligação entre mudança do clima e direitos humanos é um passo importante em direção à proteção aos direitos fundamentais de comunidades de todo o mundo, de acordo com um relatório das Nações Unidas apresentado durante aa Conferência do Clima, em Paris dia 10/12/15.
Divulgado no Dia dos Direitos Humanos, antes da finalização do novo acordo climático, o relatório proporciona um estudo compreensivo das ligações entre as leis de direitos humanos e as mudanças climáticas. O documento mostra que as ações humanas são as maiores causadoras do fenômeno climático e a maior ameaça ao meio ambiente natural e aos direitos humanos de nosso tempo.
Para o diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Achim Steiner, a mudança climática já pode ser detectada em todos os âmbitos. “A mudança do clima já tem impacto direto sobre os seres humanos e os assentamentos, tanto por meio da degradação de ecossistemas, como de recursos, sobre os quais tantos dependem para a sobrevivência. Esses impactos vão continuar a afetar os direitos humanos de milhões de pessoas, conforme as condições piorarem”, disse.
Já o relator especial da ONU para Direitos Humanos e Meio Ambiente, John H. Knox, afirmou que o relatório mostra a relação intrínseca entre os direitos humanos e as mudanças climáticas.
“Esse relatório vem em um momento crítico, quando as Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima se encontram em Paris para começar um novo capítulo no nosso esforço geracional para combater o problema”, disse Knox. “O relatório fornece uma base indispensável para que a política climática caminhe, nos ajudando a ver em detalhes como as mudanças climáticas ameaçam a nossa habilidade de aproveitar os nossos direitos humanos e, também, como o exercício dos direitos humanos podem informar e guiar as nossas políticas climáticas.” (ecodebate)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

COP21 fechou 1° acordo universal sobre o clima

Entre muitos aplausos e lágrimas, ministros de 195 países aprovaram na noite de sábado o "Acordo de Paris", primeiro marco jurídico universal de luta contra o aquecimento global. O documento histórico da 21ª Conferência do Clima (COP21) das Nações Unidas terá caráter "legalmente vinculante", e define, pela primeira vez um acordo válido para todas as nações, que terão de organizar estratégias para limitar o aumento médio da temperatura da Terra a 1,5ºC até 2100. O acordo prevê US$ 100 bilhões por ano para projetos de adaptação dos efeitos do aquecimento a partir de 2020. Trata-se do mais amplo entendimento na área desde o Protocolo de Kyoto, assinado em 1997.
Apesar de não fixar metas globais numéricas de redução de emissões de gases de efeito estufa, o documento estabelece "limitar o aumento da temperatura média global a bem abaixo de 2ºC em relação aos níveis pré-industriais, e manter esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5ºC”.
E diz que, para segurar o aquecimento do planeta a este nível, é preciso alcançar o pico de emissões o mais rápido possível e obter um balanço entre emissões e remoções desses gases na segunda metade do século. Na prática, isso significa ter emissões líquidas zero – tudo que continuar sendo emitido até lá tem de ser retirado da atmosfera de algum modo, seja com florestas ou com mecanismos de captura de carbono. A inclusão desse detalhamento foi vista como um bom sinal em relação a versões anteriores do texto, que tinham sido criticadas por estarem vagas demais, inconsistentes com a meta. Essa cláusula deixa o caminho para o 1,5°C mais clara. 
O documento traz também um reconhecimento de que as INDCs – metas nacionalmente determinadas até o momento por 187 países – ainda fazem com que as emissões do planeta atinjam, em 2030, a marca de 55 gigatoneladas de CO2, número incompatível com a meta de 2°C. O texto “nota” que esforços maiores serão necessários e sugere que seria necessário baixar para 40 gigatoneladas até aquele ano. Hoje as emissões globais estão em torno de 52 gigatoneladas.
Para atender a essa necessidade, o acordo estabelece um mecanismo de avaliação quinquenal das metas. Ficou acertado que um primeiro balanço dos objetivos será realizado em 2018, mas a primeira verificação de fato acontecerá em 2023. 
Finanças
Sobre quem vai pagar a conta, o documento traz como decisão que os países desenvolvidos, como os Estados Unidos e os da União Europeia, devem prover recursos financeiros para ajudar países em desenvolvimento a ter ações de mitigação e adaptação. E diz que “outras partes são convidadas a prover ou a continuar a prover tal suporte voluntariamente”. Essa foi a solução encontrada para um dos pontos cruciais de debate durante as duas semanas de conferência. Os países desenvolvidos queriam aumentar a base de doadores. Os em desenvolvimento topavam, no máximo, uma participação voluntária em base sul-sul. Mas as nações africanas não se sentiam confortáveis com isso.
A decisão é que os ricos deverão contribuir com US$ 100 bilhões por ano a partir de 2020 para projetos de adaptação e de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas a serem empreendidos pelos países em desenvolvimento. O volume, considerado baixo perante uma necessidade que especialistas calculam ser de trilhões de dólares, deverá ser revisado.
Antes de 2025, diz o texto, “as partes devem estabelecer um novo objetivo coletivo a partir de um piso de US$ 100 bilhões”. O valor será aplicado em organismos como o Fundo Verde, o Mecanismo Global de Meio Ambiente, o Fundo dos Países Menos Desenvolvidos e o Fundo Especial para Mudanças Climáticas.
"Este texto contém os principais avanços, que muitos de nós não acreditavam possível. Este acordo é diferenciado, justo, dinâmico e legalmente vinculante", afirmou Laurent Fabius, que se emocionou ao lembrar os delegados governamentais de conferências anteriores, que morreram "sem poder conhecer este dia". "O documento confirma nosso objetivo central, vital, de limitar o aumento a temperatura média da Terra bem abaixo de 2ºC, e se esforçar para limitá-lo a 1,5ºC". 
Além de Fabius, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, discursou e lembrou a responsabilidade histórica dos delegados. "O mundo inteiro está nos observando", advertiu. "O tempo chegou de deixar os interesses nacionais de lado e agir nos interesses globais." 
Já o presidente da França, François Hollande, único chefe de Estado presente, exortou os delegados governamentais a estarem à altura de um momento único. "O 12 de dezembro de 2015 poderá ser um dia não só histórico, mas uma grande data para a humanidade", afirmou, pedido aos ministros que adotassem "o primeiro acordo universal de nossa história". "É raro em uma vida a ocasião de mudar o mundo. Vocês a tem. Aproveitem." 
‘Roubamos a cena’
Com lágrimas nos olhos, e, em alguns momentos, sem conseguir contê-las, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e o embaixador do Brasil nos EUA, Luiz Alberto Figueiredo, que desempenhou um papel estratégico de negociação da 21ª Conferência do Clima da ONU, disseram neste sábado, após a adoção do Acordo de Paris, estarem muito satisfeitos com o documento.
Figueiredo vinha liderando essas negociações desde 2008, e Izabella, desde 2011. Exaustos do longo processo, os dois se abraçavam em comemoração. Entre os negociadores, há uma sensação de que o Brasil ajudou a destravar vários pontos, um deles ao propor a alternativa de como descrever o limite de temperatura ("bem abaixo de 2°C, com esforços em direção a 1,5°C").
"Nós estamos muito satisfeitos. É um trabalho que começou em Durban (onde foi aprovada a plataforma de negociações que estabeleceu que em 2015 deveria se chegar ao novo acordo global) e que nos trouxe até aqui. Todo mundo nos cumprimentou pelo esforço, pela colaboração, como um país que sempre se colocou para construir soluções. O Acordo de Paris traz as bases para construirmos um futuro de baixo carbono e também para aumentar a ambição (de redução das emissões)", disse Izabella. 
Mais cedo, ainda antes de o texto ser aprovado, a ministra disse que o resultado refletia as visões do Brasil. "É tudo o que o Brasil defendeu. Nós chegamos com uma INDC forte, e roubamos a cena", afirmou. 
Ela destacou ainda a importância que o documento dá para que as emissões de carbono sejam balanceadas pela absorção do gás por sumidouros, como as florestas, a partir da metade do século. Isso levaria a emissões líquidas zero. "Esse papel de sumidouro é o que queremos desempenhar com a meta de reflorestamento e recuperação de pastagens. Com isso viramos um player para a solução."
Figueiredo explicou que "o acordo conduz para um mundo de baixas emissões, um mundo em que as energias renováveis prevalecerão". Para o embaixador, o resultado é “muito bom e ambicioso". Ele explica: "O acordo cobre o que precisa cobrir, remete a um trabalho pós-Paris para a regulamentação das coisas. E lança um sinal inequívoco de que o mundo está marchando para uma economia global de baixo carbono”. 
Em seguida, ele complementou. "O acordo vai mais além do que as negociações levariam a esperar. Houve uma evolução clara na posição dos países. Só o fato de ter 188 INDCs. Isso é uma coisa que ninguém esperava. E isso ajudou decididamente a destravar tudo. A presença dos chefes de Estado também ajudou a formar o engajamento em Paris." (biodieselbr)

Sobre mudanças climáticas e agroecologia

A agroecologia é um sistema de produção agrícola alternativa que busca a sustentabilidade da agricultura familiar resgatando práticas que permitam ao agricultor pobre produzir sem depender de insumos industriais como agrotóxicos, por exemplo. – Charge por Latuff, no Humor Político.
GOUZY (2015) é uma das autoras, de uma série de 13 artigos de diferentes indivíduos envolvidos em análises teóricas e experiências práticas de comunidades rurais e dos seus sistemas produtivos, localizados em sete países, a saber, Chile, Estados Unidos, Cuba, Colômbia, México, Espanha e Nicarágua. Onde são realizados arranjos que gerem princípios e estratégias socioecológicas que explicam como comunidades e sistemas produtivos conseguem se recuperar de eventos climáticos extremos.
O enfoque é a busca da fundamentação da resiliência socioecológica através da agroecologia e dos seus princípios. Estes princípios e conceitos apresentados nos trabalhos coletados são de especial interesse para a sociedade atual, que já enfrenta problemas na agricultura, devido às mudanças nos regimes de temperatura e chuvas, comprometendo assim a segurança alimentar de inúmeras comunidades, conforme afirma GOUZY (2015).
Se procura entender as estratégias e a dinâmica da resiliência socioecológica que estas comunidades constroem. Estes sistemas tradicionais são chamados de “patrimônio cultural mundial”, graças ao valor da sua diversidade e às suas adaptações ambientais. São sintetizadas as relações identificadas entre conceitos como resiliência socioecológica e agroecologia e seu papel no desafio da adaptação à realidade de mudança climática global.
A ameaça da mudança climática global preocupa, já que a produção agrícola de todo o mundo poderia ser seriamente afetada com mudanças radicais nos regimes de temperaturas e chuvas, comprometendo a segurança alimentar tanto a nível local como mundial.
Muitos efeitos adversos na agricultura são silenciosos e lentos, mas nem por isso são menos importantes. Por exemplo, a erosão de solos é ligada profundamente tanto às condições locais do clima como às atuações culturais dos grupos humanos que dependem desse solo.
Outro exemplo é a incidência de pragas, já que os efeitos do aquecimento global repercutem também no comportamento das populações de organismos nocivos que coabitam nos sistemas agrícolas. Estes problemas não são isolados e também são consequências dos modelos agrícolas prevalecentes, que ajudam a deteriorar a base dos recursos naturais, reduzir o carbono nos solos e romper equilíbrios ecossistêmicos.
Assim, enquanto o clima está se tornando cada vez mais extremo, os sistemas agrícolas convencionais intensivos se tornam cada vez menos resistentes e mais vulneráveis. Infelizmente, o setor agrícola mais afetado, segundo as previsões, serão os agricultores mais pobres nos países em desenvolvimento, conforme enfatiza GOUZY (2015).
Contudo, existem diversos exemplos de agricultura que alcançam condições que conseguem manter a resiliência dos seus agroecossistemas. É o que ocorre com muitas populações indígenas e camponesas que estão expostas a estas mudanças. Se é verdade que são elas mais vulneráveis por estarem intimamente dependentes dos recursos naturais em ecossistemas marginais, muitas delas estão respondendo positivamente às mudanças, demostrando inovação das comunidades e resiliência dos seus agroecossistemas.
Um exemplo é Cuba, onde os efeitos mais notáveis da mudança climática são ciclones tropicais cada vez mais frequentes, com longos períodos de seca, chuvas torrenciais em períodos curtos, aumento da temperatura média anual e aumento do nível do mar, entre outras. Mas, neste país têm sido desenvolvidas políticas efetivas de adaptação, redução de riscos e resposta a desastres junto aos camponeses, que podem servir de exemplo a outros países assinala GOUZY (2015).
Particularmente, a agroecologia se interessa por entender a resiliência socioecológica dos agroecossistemas. Ganha destaque a definição que GOUZY (2015) propõem para agroecossistemas: “são sistemas socioecológicos constituídos por sistemas agrícolas e suas interações com os sistemas sociais e ecológicos com os quais se relacionam”.
Por sua vez, o conceito de resiliência socioecológica é abordado. Os componentes e características deste conceito são as estratégias de organização social como redes de solidariedade, intercâmbio de alimentos e outras, utilizadas pelos agricultores para enfrentar circunstâncias difíceis impostas por eventos extremos.
A adaptação sociocultural também é relevante, indicando processos mediante os quais os indivíduos e grupos humanos modificam os seus padrões de comportamento para se ajustar a novas pautas ou normas que imperam no seu meio social. Esta adaptação desenvolve-se em base às habilidades sociais presentes no grupo. Pesquisas antropológicas e agroecológicas têm demonstrado que os conhecimentos locais adquiridos e transmitidos de geração em geração permitem às populações locais lidar com fenômenos e mudanças climáticos e atmosféricos.
GOUZY (2015) argumenta que existem várias razoes de se encontrar maior resiliência nos sistemas agroecológicos camponeses devido à diversificação do sistema, à compensação biológica ou o efeito das medidas preventivas de saneamento e podas, à recuperação biológica por causa da maior diversidade de estratos vegetais, e a recuperação ou resiliência humana fundamentada na família.
Essas interações costumam gerar resiliência mais forte, já que estão diretamente relacionadas com a riqueza de espécies e a possibilidade de transferência de funções ecológicas entre elas. Estes elementos, sucintamente examinados aqui, são parte da análise que a agroecologia faz nos agroecossistemas que estuda.
É defendida a proposta da agroecologia como estrutura para estudar a resiliência socioecológica, já que a mesma se fundamenta na complexidade própria dos problemas da realidade, e torna relevante a importância do papel dos atores envolvidos, que permitem integrar as diferentes formas de conhecimento necessárias para entender a complexidade dos sistemas.
O enfoque agroecológico é mais sensível às complexidades das agriculturas locais, ao ampliar os objetivos e critérios agrícolas para incluir as propriedades de sustentabilidade, segurança alimentar, estabilidade biológica, conservação dos recursos naturais e equidade, junto com a produtividade. A agroecologia pode ser definida como uma transdisciplina, já que o seu objeto de indagação, a resiliência socioecológica dos agroecossistemas, não é abrangido por outras ciências.
É por tais razoes que a agroecologia é a mais apropriada e abrangente transdisciplina para realizar estes estudos, citada por GOUZY (2015). Não só no nível acadêmico e teórico, mas também no nível prático, a agroecologia oferece respostas antes perdidas no universo estreito da especialização do conhecimento e das práticas da agricultura convencional.
Existem problemas ambientais relacionados à agricultura convencional que ainda não foram resolvidos, como a erosão, o desmatamento, a queda dos rendimentos, a dependência de insumos químicos e a perda de diversidade. Por sua vez, a agroecologia pode guiar um desenvolvimento agrícola sustentável, buscando conservar os recursos naturais, manter níveis contínuos de produção, minimizar os impactos no meio ambiente, satisfazer as necessidades de renda e responder às necessidades sociais das famílias e comunidades rurais.
A agroecologia e as suas práticas podem conseguir isso por meio do entendimento e da prática dos princípios agroecológicos. A identificação destes princípios nos diferentes estudos citados é uma contribuição para o entendimento a fundo dos mecanismos de resiliência socioambiental que estuda a agroecologia. Este exercício de transversalização da teoria em diferentes casos convida a cientistas e agricultores à análise lúcida e pertinente da complexidade dos diversos agroecossistemas ameaçados pelas mudanças climáticas.
Que sejam bem-vindos os sistemas agroecossistêmicos que ampliam resiliências em todas as dimensões e são integradores. Que favorecem a permanente busca de equilíbrio ecossistêmico e homeostase planetária. Que se consideram os vetores indutores de melhorias da qualidade ambiental e melhoria de qualidade de vida de todas as populações. (ecodebate)

Acordo global sobre mudança do clima é adotado em Paris

Para o secretário-geral da ONU, Acordo de Paris acordado por 195 países na COP21 marca um momento decisivo de transformação para reduzir os riscos da mudança climática e contribui para outros objetivos globais da ONU, como a erradicação da pobreza.
Foi adotado por consenso em 12/12/15, em Paris, um novo acordo global que busca combater os efeitos das mudanças climáticas, bem como reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
O documento, chamado de Acordo de Paris, foi ratificado pelas 195 partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e pela União Europeia, durante a 21ª Conferência das Partes (COP21). Um dos objetivos é manter o aquecimento global “muito abaixo de 2ºC”, buscando ainda “esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5° C acima dos níveis pré-industriais”.
O texto final determina, no que diz respeito ao financiamento climático, que os países desenvolvidos deverão investir US$ 100 bilhões por ano em medidas de combate à mudança do clima e adaptação em países em desenvolvimento.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que o Acordo de Paris marca um momento decisivo de transformação para reduzir os riscos da mudança climática. “Pela primeira vez, cada país do mundo se compromete a reduzir as emissões, fortalecer a resiliência e se unir em uma causa comum para combater a mudança do clima. O que já foi impensável se tornou um caminho sem volta”, disse Ban.
“O Acordo de Paris prepara o terreno para o progresso na erradicação da pobreza, no fortalecimento da paz e na garantia de uma vida de dignidade e oportunidade para todos”, acrescentou o chefe da ONU. (ecodebate)

COP21: as mudanças climáticas e as vidas em xeque

Enquanto nas salas climatizadas da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (COP21), em Paris, tudo vai hipoteticamente bem, obrigado, do lado de fora, a realidade é bem outra. Essa constatação vem por meio de dados do recente “Índice Global do Risco Climático”, publicado pela organização não governamental (ONG) Germanwatch, que registra a morte de aproximadamente 525 mil pessoas em ocorrências de 15 mil eventos extremos, em duas décadas (1995-2014). No ano de 2014, as precipitações, inundações e deslizamentos de terra foram as principais causas de danos.
Além de ceifar vidas, o prejuízo econômico gerado por essas catástrofes são na ordem trilhonária, de US$ 2,97 trilhões. As nações mais afetadas foram Honduras, Mianmar e Haiti seguidas por Filipinas, Nicarágua e Bangladesh. Neste recorte, América Central e Ásia concentram os efeitos mais catastróficos, nesses últimos anos. As principais vítimas: os mais pobres, reforçando que a injustiça socioambiental não é só teoria, mas uma realidade contemporânea indiscutível.
O processo de adaptação ainda é muito lento, um novo desenho geográfico começa a se formar, principalmente nos últimos anos, na Europa. Países como a Sérvia, Bósnia e Herzegovina estão apresentando os efeitos das mudanças climáticas e do Aquecimento Global. A afirmação é de Sönke Kreft, um dos principais pesquisadores do levantamento. Os países insulares, como Tuvalu, no Pacífico, continuam a implorar por apoio, para que não desapareçam sob o aumento do nível do mar.
No campo das negociações, ano após ano, o embate é sobre quem arca com a maior parte dos custos de adaptação e mitigação (redução de danos), nesses países com poucos recursos. Uma das maiores fontes em negociação nas COPs, instituída desde 2010, é o Fundo Verde do Clima (GCF), que tem a meta de estabelecer a quantia de US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020 aos países mais pobres, sem ainda conseguir computar este recurso e decidir quais critérios de repasse. O dilema que envolve a maior parte dos 195 países envolvidos na conferência é quem paga a conta da aceleração do desequilíbrio climático, desde a Revolução Industrial, que imprime um modelo de desenvolvimento ultrapassado e nocivo.
Segundo anúncio da coordenação do GCF, já foram aprovados recursos para serem aplicados em oito projetos distribuídos em Bangladesh, nas Ilhas Fiji, no Malaui, nas Maldivas e no Peru. Mas existe uma quantidade enorme de nações com sua população em extremo risco, como descrito acima.
E fora das mesas de negociação da COP-21, algumas iniciativas são inspiradoras, como da coligação “Restauração Africana (AFR100)”, de dez  países africanos (Etiópia, Libéria, Madagáscar, Malawi, Níger, Quênia, República Democrática do Congo, Ruanda, Togo e Uganda) com nove financiadores e 10 apoios na área técnica, que prevê a restauração de 100 milhões de hectares de florestas degradadas até 2030 (cada ha equivale a um campo de futebol).
Todas as ações cada vez mais proativas são exemplares, já que pelo aspecto científico, agora as previsões são menos favoráveis e chegam na casa do aumento de até 3,5°C na temperatura média da Terra até o final do século comparativamente ao período pré-industrial, 1,5°C a mais ao limite tolerável, segundo os pesquisadores do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). É como se nós, seres vivos, estivéssemos expostos a uma roleta russa.
Brasil: muito a melhorar
Todos os compromissos voluntários já anunciados por boa parte das nações, incluindo o Brasil, não dão conta dessa espiral ascendente. A proposta brasileira para conter o aquecimento global é reduzir em 37% as emissões de Gases do Efeito Estufa (GEEs) do País em relação ao ano de 2005. Naquele ano, as emissões totalizaram 2,1 gigatoneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2eq). O País também se propõe a restaurar 12 milhões de hectares de florestas até 2030.
Na lista do “Índice Global do Risco Climático”, o país figura em 82º lugar e se a análise é referente ao ano passado, passa a 21º. De acordo com analistas, os esforços têm de ser maiores, fazendo o cruzamento do combate ao desmatamento com a mudança para uma matriz energética mais limpa. As políticas internas em muitas áreas ainda são controversas no país.
Em estudo recente da Organização Mundial da Saúde (OMS), com a Convenção-Quadro e o Ministério da Saúde, além de outras organizações, foram analisados os efeitos das mudanças climáticas na saúde do brasileiro, e aí a preocupação aumenta.
A complexidade é tanta que estima-se que se a situação continuar do jeito que está, as inundações resultantes do aumento do nível do mar afetarão 618 mil brasileiros entre os anos 2070 e 2100. Pensar em longevidade também será difícil, já que a perspectiva é que morrerão, devido a causas associadas ao aumento de temperatura, 72 idosos acima de 65 anos por 100 mil habitantes em 2080, sendo que hoje esta proporção é de 1 para 100 mil anualmente. A vida está em xeque aqui e no mundo e depende em grande parte de um documento de quase 50 páginas discutido a portas fechadas. O “clima” do lado de fora é muito mais urgente. (ecodebate)

sábado, 19 de dezembro de 2015

Abra lança diagnóstico da reciclagem animal no Brasil

Suinocultura Industrial
A Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra) lançou em 10/12/15, o 2º Diagnóstico da Indústria Brasileira de Reciclagem Animal. O estudo apresenta dados atualizados do setor, com informações sobre a produção de farinhas e gorduras feitas a partir do processamento de coprodutos animais. Além disso, traz os números de exportações, empregos e impostos gerados pelas indústrias desse segmento. Mais de 60 pessoas participaram do evento.
Esse é o segundo estudo completo sobre o setor feito pela Abra. O primeiro foi divulgado em 2011. Os objetivos são mostrar uma fotografia atual do segmento, apontar o potencial econômico da reciclagem animal no país e destacar a importância ambiental dessa atividade. A entidade espera ainda indicar os principais desafios a serem enfrentados pelas indústrias nos próximos anos.
O 2º Diagnóstico da Indústria Brasileira de Reciclagem Animal foi apresentado pelo economista Ricardo Caldas. Ele destacou o potencial do setor e afirmou que o Brasil ainda precisa ser mais atuante e impositivo, com sua qualidade de produção, no mercado externo. Caldas também ressaltou dados referentes ao número de empregos gerados pela reciclagem animal: são 40 mil postos diretos de trabalho. Para ele, o desafio agora é realizar um levantamento seguro de quantos empregos indiretos o setor gera e sustenta. Dessa forma, a reciclagem animal ganhará cada vez mais força junto ao governo para reivindicar políticas públicas.
Durante o evento, a professora da Universidade de São Paulo (USP), Masaio Mizuno, apresentou o estudo “Mitigando riscos na coleta de carcaça de suíno”, que vai embasar projetos pilotos a serem desenvolvidos em breve no Paraná e em Santa Catarina. Já o coordenador técnico da Abra, Lucas Cypriano, apresentou o site do programa Abra que Aqui Tem Qualidade (AATQ), mais um instrumento lançado para auxiliar a cadeia de reciclagem animal brasileira.
As indústrias de reciclagem animal são vitais para toda a cadeia produtiva de carnes brasileira. Em 2014, elas processaram 12,4 milhões de toneladas de coprodutos, como vísceras, sangue e ossos de bovinos, suínos e aves. Foram 5,3 milhões de toneladas de farinhas e gorduras produzidas no Brasil, ingredientes importantes para fabricação de rações, biodiesel, produtos de higiene e cosméticos, fertilizantes e itens como vernizes e lubrificantes.
Sem o processamento, os resíduos dos abates em frigoríficos e abatedouros seriam descartados no meio ambiente. (biodieselbr)

História da reciclagem animal

O aproveitamento de partes não comestíveis de produtos originários do abate de animais e de recortes de açougues foi verdadeiramente a primeira atividade de reciclagem de resíduos de atividades humanas. O primeiro registro do uso de gorduras animais de que se tem notícia foi para a fabricação de sabões, no “Papirus de Ebers” (Egito, 1550 AC), época em que os antigos egípcios se banhavam regularmente com um produto à base de óleos vegetais e gorduras animais combinados com sais alcalinos para formar um tipo de sabão.
A segunda forma de uso de produtos reciclados de origem animal foi o uso do óleo de baleia na fabricação de velas, por volta dede 200AC, na China. As velas só passaram a ter importância na Europa por volta dede 400DC, quando o uso de lamparinas à base de azeite de oliva era muito difundido. Durante toda a idade média, o uso de óleos animais era essencialmente artesanal, pois fazendeiros e alquimistas extraiam a gordura dos resíduos do abate de animais para consumo próprio ou para fabricação de sabões, unguentos e velas. Utilizando grandes taxos de ferro abertos, aquecidos a lenha, o material era fervido e posteriormente o sobrenadante (gordura) era retirado. Esse tipo de reciclagem de resíduos de origem animal ainda é feita em fazendas e locais remotos para a obtenção de banha suína para consumo e conservação de carnes.
O uso de óleo, seja ele de origem animal ou mineral, só conseguiu atingir viabilidade comercial com o surgimento da indústria pesqueira baleeira no século XVII.
Em meados do século XIX, a indústria de abate de búfalos e bovinos começou a se estabelecer em Chicago, Estados Unidos.
Quantidades crescentes de resíduos não comestíveis eram produzidos diariamente, e consequentemente, os problemas para se descartar esses resíduos só aumentavam, resultando em enorme pressão social para que esses estabelecimentos fossem fechados devido a péssimas condições sanitárias. Gustavus Swift, Nelson Morris e Lucius Darling são os pioneiros do moderno setor de Reciclagem de Resíduos de Origem Animal – ROA. Eles vislumbraram que a indústria da carne necessitaria ter seus resíduos reutilizados, e iniciaram o processo de coleta e processamento dos mesmos.
No início do século XX, o processamento consistia da injeção de vapor direto na matéria-prima, separando a água e a gordura do material sólido. A gordura era utilizada para a fabricação de margarinas, lubrificantes, velas e sabões; o resíduo sólido era utilizado como fertilizante.
Em 1912, esse resíduo úmido foi oferecido a porcos, que apresentaram melhor ganho de peso. Após o início I e da II Guerras Mundiais, fazendeiros europeus necessitando alimentar seus animais, passaram a utilizar amplamente esse resíduo para bovinos e suínos. Enquanto isso, nos EUA, a demanda por glicerina para a produção de nitroglicerina era enorme. Com isso, foi descoberta uma fonte barata e viável de proteína para a alimentação de animais de produção.
Com o avanço tecnológico, o resíduo do processamento passou a ser produzido seco, em forma de farinha. Em 1947, frangos de corte tiveram seu crescimento acelerado quando receberam farinha de carne e ossos em suas dietas. O processamento de subprodutos do abate de aves começou então nos anos 50, com a fabricação de farinhas de vísceras e de penas. Entre 1960 e 1970, o uso de farinhas e gorduras de origem animal se disseminou na produção animal. Animais que consumiam rações fabricadas com esses produtos cresciam mais rápido, consumiam menos ração e apresentavam custo de produção muito inferior aos que comiam apenas grãos.
Visando aumentar a produção de leite e de carne, em países desenvolvidos o gado foi retirado do pasto, e passou a ser alimentado em enormes currais, onde o alimento cuidadosamente formulado era oferecido diariamente, e o uso de farinhas de origem animal era amplamente recomendado.
Em 1986, na Inglaterra, o gado foi abatido por uma doença semelhante ao "scarpie" de ovelhas, que veio a ser conhecida como "doença da vaca louca" (nome científico: Encefalopatia Espongiforme Bovina, BSE).
De início, a causa era desconhecida, e apenas em 1990 que se passou a compreender que a transmissão se dava pelo consumo de farinhas de origem animal, majoritariamente ovelhas que teriam morrido de Scarpie nas fazendas e que teriam sido recolhidas e enviadas para a reciclagem animal, contaminando animais sadios. Com isso, o uso de farinhas de ruminantes, em dietas de ruminantes, foi banida na Inglaterra em 1990.
Apesar de o Brasil ser considerado um país com risco insignificante BSE, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento-MAPA, proibiu o uso de farinhas de origem animal em dietas de ruminantes.
Além disso, proibiu o uso de cama de frango e quaisquer resíduos de abate, assim como exigiu a esterilização de todas as farinhas que contenham resíduos de ruminantes. Dessa forma, acredita-se que o risco de o Brasil apresentar casos de BSE seja extremamente reduzido. (abra)