quarta-feira, 13 de junho de 2012

Rio+20 começa com falta de consenso

Rio+20 começa em 13/06/12 com falta de consenso
A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, começa em 13/06, no Rio de Janeiro, com incertezas, falta de consenso e sem grandes expectativas de que o documento final estipule metas ambiciosas. Até ontem, havia confirmação da participação de representantes de 186 dos 193 países-membros da ONU – a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, representará o presidente Barack Obama.
Os principais impasses continuam em torno do fortalecimento do programa das Nações Unidas para o Ambiente (Pnuma) e sobre os temas dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) - pelos quais os países avançariam como uma segunda etapa dos Objetivos do Milênio, um conjunto de oito metas estabelecidas pela ONU em 2000 e que devem ser atingidas por todos os países até 2015. Mas até a última reunião preparatória, no início do mês, em Nova York, não havia acordo nem mesmo sobre quantos deveriam ser os temas desses objetivos sustentáveis.
A ONU já dá como certo que as negociações não se encerram ao longo dos três dias de reunião preparatória do documento final, a partir de hoje. Por enquanto há acordo em relação a menos de um quarto dos parágrafos do documento. Como a decisão é por consenso entre os 186 países participantes, fica claro o tamanho do desafio. Já se inscreveram para fazer discursos durante a cúpula 76 presidentes, 6 vices, 44 primeiros-ministros e 7 vice-primeiros-ministros.
O Brasil defendeu ontem o fortalecimento de princípios acordados há 20 anos e que não haja retrocessos em pontos conquistados na Eco-92. A informação foi passada em uma entrevista sem muito entusiasmo concedida pelos ministros Antonio Patriota (Relações Exteriores) e Izabella Teixeira (Meio Ambiente) no Riocentro, sede do evento.
Patriota disse que o País chega à última etapa de negociações defendendo a manutenção de pontos estabelecidos na Eco-92, como ter o ser humano como o centro das atenções e o princípio das "responsabilidades comuns, porém diferenciadas".
Em linhas gerais, esse princípio prevê que todos os países têm compromisso com as mudanças, mas os ricos têm mais, porque historicamente contribuíram mais com a degradação do planeta.
"A crise econômica há 20 anos afetava, sobretudo os países em desenvolvimento. Hoje, o que antes era considerado periferia está trazendo respostas. A periferia de certa maneira virou o centro", disse Patriota.
Polarização
Sobre a divergência entre países ricos e pobres, um representante da ONU disse que hoje não dá mais para falar em polarização Norte-Sul. "Em que categoria Brasil, a sexta economia do mundo, China e Índia se colocam, como pobres? Claro que ainda existe muita pobreza. E há um medo dos países em desenvolvimento de serem forçados a tomar atitudes imediatas que possam prejudicar o seu crescimento. É mais complicado que Norte x Sul. O mundo está muito diferente."
Mais cedo, Izabella havia comparado a falta de acordo nas negociações com o que ocorreu no ano passado durante a conferência do clima (COP-17), em Durban, África do Sul. "Todos diziam que Durban não ia dar em nada, mas conseguimos reverter a situação", lembrou a ministra, sobre o acordo fechado em dezembro por representantes de 194 países de renovar o Protocolo de Kyoto para pelo menos até 2017. (yahoo)

Rio+20 terá eventos paralelos

Rio+20 terá eventos paralelos em mais de uma semana de discussões
Conferência começa em 13/06/12 e definirá a agenda sustentável das próximas décadas; evento marca 20 anos da Rio-92.
A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, terá três momentos distintos e alguns deles ocorrerão paralelamente. Nos primeiros dias, de 13 a 15 de junho, a capital fluminense sediará a 3ª Reunião do Comitê Preparatório, quando técnicos de todos os países se reunirão para elaborar os esboços dos documentos que serão examinados pelos presidentes e primeiros-ministros.
De 16 e 19 de junho, integrantes da sociedade civil, como representantes de organizações não governamentais e universidades, participam de 18 mesas de discussões. A ideia é buscar alternativas sobre políticas sociais associadas à economia verde e ao desenvolvimento sustentável. As propostas apresentadas durante esses debates serão encaminhadas aos presidentes e primeiros-ministros.
Os debates sociais se concentrarão na Arena da Barra, na qual há dez salas de reunião, e no Parque do Flamengo, com espaço para receber até 15 mil pessoas. Há, ainda, espetáculos e eventos organizados no Museu de Arte Moderna e Pier Mauá.
Na última etapa da conferência, de 20 a 22 de junho, ocorrerão as reuniões dos presidentes da República e primeiros-ministros, além dos dirigentes da Organização das Nações Unidas (ONU). As autoridades vão analisar todos os documentos elaborados ao longo da conferência e definir um texto para a declaração final.
Pelos dados dos organizadores, pelo menos 115 chefes de Estado e de Governo confirmaram presença no encontro. A expectativa é que mais de 50 mil pessoas participem do evento. Cerca de 1,4 mil jovens selecionados pela organização da Rio+20 atuarão como voluntários na recepção em aeroportos, hotéis e nos espaços da conferência.
As discussões globais são coordenadas pelo subsecretário-geral da ONU para Assuntos Econômicos e Sociais e secretário-geral da Rio+20, o embaixador chinês Sha Zukang, e pelos coordenadores executivos do evento, Elizabeth Thompson (ex-ministra de Energia e Meio Ambiente de Barbados) e Brice Lalonde (ex-ministro do Meio Ambiente da França).  (OESP)

Brasil abre a Rio+20

Brasil abre Rio+20 sem expectativa de grandes avanços em relação à Rio-92
Na véspera da abertura da conferência, os ministros Antonio Patriota e Izabella Teixeira admitem dificuldades para obter avanços e buscam evitar retrocessos do que foi alcançado 20 anos atrás
Sustentável, a Rio+20, começa em 13/06/12, no Rio de Janeiro, com o Brasil sem grandes expectativas de avanços em relação à Eco-92. Até ontem, havia confirmação da participação de representantes de 186 dos 193 países-membros da ONU – a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, representará o presidente Barack Obama.
A Conferência das Nações Unidas começa em 13/06/12 no Rio de Janeiro
Em uma entrevista sem muito entusiasmo, os ministros Antonio Patriota (Relações Exteriores) e Izabella Teixeira (Meio Ambiente) afirmaram no Riocentro, sede do evento, que o País chega à última etapa de negociações antes da cúpula dos chefes de Estado (que ocorre na semana que vem) com a posição de fortalecer as conquistas dos últimos anos e não retroceder em pontos conquistados na Rio-92.
Em especial, exemplificou Patriota, ter o ser humano como o centro das atenções e manter o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Ou seja, todos têm compromisso com as mudanças, mas os ricos têm mais, porque historicamente contribuíram mais com a degradação do planeta.
“Há 20 anos a crise econômica afetava os países em desenvolvimento. Agora os países que estavam na periferia trazem as respostas para a crise. A periferia virou o centro”, disse Patriota em coletiva à imprensa.
Mais cedo, Izabella havia comparado o impasse atual nas negociações com o que ocorreu no ano passado durante a conferência do clima (COP-17), em Durban, África do Sul. “Fomos para Durban e todos diziam que não ia dar em nada, mas conseguimos reverter a situação”, lembrou a ministra. Em dezembro último, representantes de 194 países concordaram, após exaustivas negociações concluídas no fim da conferência, em renovar o Protocolo de Kyoto para, pelo menos, até 2017.
Consenso. A ONU já dá como certo que as negociações não se encerram ao longo desses três dias de reunião preparatória e continuarão até a reunião dos chefes de Estado, no final da semana que vem. Por enquanto há consenso em relação a menos de um quarto dos parágrafos do documento.
Sobre a divergência entre países ricos e pobres, um representante da ONU disse que hoje não dá mais para falar em polarização Norte-Sul nos mesmos termos que se falava na ECO-92.
“Quando se fala de Brasil, sexta economia do mundo, de China, de Índia, em que categoria eles se colocam como pobres? Claro que existe muita pobreza ainda. E há um medo dos países em desenvolvimento de serem forçados a tomar atitudes imediatas que possam prejudicar o desenvolvimento deles. É mais complicado que Norte x Sul. O mundo está muito diferente.”
Os principais impasses continuam em torno do fortalecimento do programa das Nações Unidas para o Ambiente (Pnuma) e sobre os temas dos objetivos do desenvolvimento sustentável. Uma das principais apostas da Rio+20 é que a conferência possa definir áreas prioritárias para os países avançarem, como uma segunda etapa dos objetivos do milênio. Mas até a última reunião preparatória, no início do mês, em Nova York, não havia consenso nem mesmo sobre quantos deveriam ser esses temas.
Discursos. Já se inscreveram para fazer discursos durante a cúpula 76 presidentes, 6 vices, 44 primeiros-ministros e 7 vice-primeiros-ministros.
Programação
Desafio Rio/Clima
Acadêmicos, parlamentares e ambientalistas vão preparar propostas com alternativas para evitar o aquecimento global e elaborar recomendações que serão encaminhadas para os chefes de Estado reunidos na cúpula.
Local: Sede da Firjan e Forte de Copacabana
Encontro preparatório
Último de uma série de três encontros realizados ao longo do ano para aperfeiçoar o rascunho zero do documento final. Devem sair amarrados os principais temas que vão constar do documento final.
Local: Riocentro
Abertura oficial dos debates
Cerimônia indígena do fogo sagrado ocorrerá às 18 horas.
Local: Aldeia Kari-Oca
Fórum de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável
Local: PUC (OESP)

Os maiores desafios da Rio+20

Se não recalibrarmos nossa visão econômica, levaremos o planeta a ultrapassar o limiar crítico.
Muitos especulam a respeito do número de líderes mundiais que estarão presentes à cúpula Rio+20 e do tipo de acordos que serão concluídos: a criação de uma "economia verde" e o estabelecimento de um "arcabouço internacional para o desenvolvimento sustentado".
O termo "economia verde" foi cunhado há alguns anos, a fim de oferecer uma nova perspectiva por meio da qual fosse possível examinar a relação entre economia e sustentabilidade. Mas ganhou recentemente um novo impulso com as mudanças climáticas que se tornaram realidade, os preços das commodities em alta, e recursos básicos como ar puro, terra para cultivo e água potável se tornando mais escassos. Um conjunto cada vez mais abrangente de dados científicos confirma o que pudemos vislumbrar na Rio há 20 anos.
Os que investiram em uma estratégia econômica e em processos de produção com base em modelos do século 19 e até mesmo 20 estarão compreensivelmente temerosos com a perspectiva de uma mudança de paradigma. Mas alguns segmentos da sociedade civil também estarão preocupados com a possibilidade de que uma transição para uma economia verde afete de maneira negativa os países pobres e os exponha a riscos e a um grau de vulnerabilidade maiores.
Estratégias
Outros questionam a eficácia de estratégias com base no mercado com vistas à sustentabilidade, pois os mercados nunca trazem resultados sociais e ambientais ideais. Concordamos totalmente. As crises sistêmicas nos alimentos, combustíveis e finanças que explodiram em 2008 - e prosseguem em muitos países - têm suas origens num paradigma econômico que não levou em conta o valor da natureza e suas inúmeras contribuições para a sustentação da vida. Como mostra o relatório "Rumo a uma economia verde: caminhos para o desenvolvimento sustentável e a erradicação da pobreza", a economia de mercado atual resultou na alocação equivocada do capital numa escala sem precedentes.
Na realidade, os graves erros dos mercados - em termos de emissões de carbono, biodiversidade e serviços ao ecossistema - estão acelerando os riscos para o meio ambiente e a escassez ecológica, e solapando o bem-estar dos homens e a igualdade social. É por isso que sua vinculação com a governança e as instituições na Rio+20 é tão importante quanto a transição para uma economia verde.
Uma preocupação dos críticos é que uma transição para a economia verde acabe essencialmente monetizando com a natureza, expondo as florestas, a água potável e a pesca à busca do lucro empreendida por banqueiros e operadores de bolsa, cujos erros contribuíram para desencadear a tempestade financeira e econômica dos últimos quatro anos. Mas será que se trata de uma questão de atribuir um valor à natureza? Ocorre que a natureza já está sendo objeto de compras e vendas, já é explorada e comercializada a preços mínimos que não traduzem seu valor real, principalmente quando se trata da subsistência dos pobres. Em grande parte, isso reflete a existência de mercados não regulados ou inexistentes, que não traduzem os valores que a natureza nos proporciona diariamente.
Futuro
Concretamente, o que está em jogo no Rio é o futuro do planeta. Sem uma solução concreta e duradoura que permita recalibrar nossa atual visão econômica a um nível sistêmico, a escala e o ritmo da mudança dentro em breve poderão levar o planeta a ultrapassar o limiar crítico tornando o desenvolvimento sustentável um sonho impossível onde quer que seja.
Algumas questões são de tamanha gravidade que transcendem os limites de um país. Por que, por exemplo, o mundo segue um paradigma de crescimento econômico com base na corrosão da própria base dos sistemas que servem à sustentação da vida da terra? Poderá a riqueza ser redefinida e reformulada para incluir o acesso aos bens e serviços básicos, como os que a natureza nos oferece gratuitamente, como ar limpo, clima estável e água potável? Não estará na hora de atribuir ao desenvolvimento humano, à sustentabilidade do meio ambiente e à igualdade social um valor igual ao do crescimento do PIB? Nós sabemos que as novas tecnologias e a inovação preparam mudanças na produção de energia, estão surgindo novos mercados de alimentos e água potável, e serviços ecológicos básicos começam a escassear e a ser dotados de um valor monetário.
A Rio+20 é o momento no qual serão compartilhados o conhecimento e a experiência com vistas à transição bem-sucedida para uma economia mais verde e uma maior economia de recursos. O desafio consistirá em reconciliar a realidade econômica emergente com os valores sociais e a ética necessários para gerar uma economia verde equilibrada e abrangente. (OESP)