segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Adaptação de pequenos agricultores à mudança climática

FAO pede apoio para adaptação de pequenos agricultores à mudança climática.
Para chefe da agência da ONU, falta de ação imediata compromete futuro da produção de alimentos; José Graziano da Silva alerta para ameaça à Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável.
Membros de um grupo de agricultores da Índia medem os níveis da água no solo em uma cisterna.
Em Dubai, durante a Cúpula Mundial de Governos, o chefe da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, fez um alerta.
Para José Graziano da Silva, não agir imediatamente para tornar os sistemas alimentares mais resilientes à mudança climática, “comprometerá gravemente a produção de comida em muitas regiões e pode condenar ao fracasso as ações internacionais para acabar com a fome e a pobreza até 2030”.
Chave
O chefe da agência da ONU ressaltou que a “agricultura tem a chave para a resolução de dois dos maiores problemas” que a humanidade enfrenta atualmente: “acabar com a pobreza e a fome e contribuir para alcançar condições climáticas estáveis para que a civilização possa prosperar”.
Graziano da Silva destacou especialmente a necessidade de apoiar pequenos agricultores em países em desenvolvimento a se adaptarem à mudança climática.
Ele lembrou que a maioria das pessoas extremamente pobres e que passam fome depende da agricultura para seus meios de subsistência.
Inovação
O diretor-geral da FAO mencionou formas inovadoras que podem ajudar a melhorar a produção e a construir resiliência citando, por exemplo, adubos verdes, gerenciamento sustentável dos solos e técnicas agroflorestais.
Graziano da Silva alertou, no entanto, que produtores enfrentam “grandes barreiras”, como falta de acesso a crédito e mercados, insegurança em relação à posse da terra, falta de conhecimento e informação e altos custos para deixar práticas existentes.
Custos e benefícios
Ele mencionou, por exemplo, que 70 países não têm serviços meteorológicos. A FAO está trabalhando com a Organização Mundial de Meteorologia para desenvolver esses serviços de baixo custo que apoiem agricultores.
Para Graziano da Silva, a “adaptação à mudança climática faz sentido econômico”, ressaltando que seus benefícios são “muito maiores que os custos”
Água
Segundo o chefe da agência, a gestão da água é uma área fundamental para ação. Ele alertou que milhões de pequenos agricultores em todo o mundo já estão lutando contra a escassez do produto, o que deve se intensificar como resultado da mudança climática.
Por este motivo, na última conferência da ONU sobre a questão, a FAO e parceiros lançaram uma plataforma global sobre escassez de água na agricultura. A iniciativa busca apoiar países em desenvolvimento. (ecodebate)



O clima mudou, é a hora de mudarmos também

Eventos climáticos extremos, como secas e chuvas fortes, têm se tornado cada vez mais frequentes no Brasil. E junto com eles, prejuízos diretos a diversos segmentos sociais e econômicos, aos quais estão ligados, direta ou indiretamente, os mais de 200 milhões de brasileiros, como a agropecuária, que depende de fenômenos climáticos em certa intensidade e em determinados períodos para garantir sua produtividade.
O novo relatório do Banco Mundial “Unbreakable: Building the Resilience of the Poor in the Face of Natural Disasters” (Persistência: construindo a resiliência dos mais pobres frente a desastres naturais – em tradução livre) traz dados sobre a perspectiva socioeconômica do impacto de tais fenômenos. Segundo o documento, intervenções para tornar as sociedades mais resilientes a eventos climáticos resultariam em uma economia de US 100 bilhões/ano a países e comunidades. O relatório foi lançado, oportunamente, durante a 22ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP22, no Marrocos, em novembro/16.
Já o estudo “Valorando tempestades”, realizado pelo Grupo de Economia do Meio Ambiente da Universidade Federal do Rio Janeiro, aponta que entre 2002 e 2012 a perda do Brasil só com desastres climáticos extremos relacionados a chuvas foi, em média, de R$ 278 bilhões.
É evidente a relação entre o aumento da intensidade e periodicidade de eventos extremos e o aumento da temperatura média do nosso planeta. O ano de 2015 foi o mais quente desde que começaram os registros de temperatura, no fim do século 19, e este ano caminha para superar esta marca. O desequilíbrio do clima tornou-se realidade e engana-se quem acredita que os impactados serão apenas ursos polares ilhados em blocos de gelo. O impacto já está acontecendo aqui e agora.

As próximas duas décadas serão decisivas para o futuro climático do planeta, exigindo grandes transformações. Sairemos de uma sociedade alicerçada na energia fóssil e nos motores a combustão para algo muito diferente e que mudará o nosso modo de vida e das futuras gerações. Deixar de utilizar materiais fósseis significa o desaparecimento de produtos derivados de petróleo e seus subprodutos como asfalto, gasolina, plástico, isopor e muitos outros.

Como suas opções de consumo hoje estão contribuindo para criar uma sociedade de baixo carbono, que polua menos e emita menos gases causadores da mudança climática? Quais oportunidades de novos negócios surgirão a partir dessas mudanças na forma como consumimos? Novas ideias que caminhem nessa direção serão líderes de mercado em um futuro muito próximo. É hora de sair na frente e mudar para melhor. (ecodebate)


sábado, 25 de fevereiro de 2017

Cidade sofre com seca no NE

Em extrema seca, cidade brasileira corre risco de evacuação.
O drama dos moradores de Campina Grande, cidade que vive com o mínimo de água e enfrenta racionamento há anos.
Governo promete ajuda.
A luta dos moradores para salvar uma cidade inteira da seca.
As carcaças encolhidas de vacas jazem em campos chamuscados na área rural da cidade de Campina Grande, no nordeste do Brasil, e cabras famintas procuram comida no chão de terra rachada do reservatório de Boqueirão, que abastece a cidade desesperada.
Depois de cinco anos de seca, o fazendeiro Edivaldo Brito diz que não consegue se lembrar de quando o reservatório do Boqueirão estava cheio. Mas ele nunca viu isso tão vazio.
“Perdemos tudo: bananas, feijões, batatas”, disse Brito. “Temos que caminhar 3 quilômetros apenas para lavar a roupa.”
O nordeste árido do Brasil está enfrentando a pior seca registrada e Campina Grande, que tem 400 mil habitantes que dependem do reservatório, está ficando sem água.
Depois de dois anos de racionamento, os moradores reclamam que a água do reservatório está suja, malcheirosa e impossível de ser ingerida. Aqueles que podem, se dão ao luxo de comprar água engarrafada para cozinhar, lavar os dentes e até mesmo para dar seus animais de estimação.
“Se não encher, o sistema de água da cidade entrará em colapso ainda neste ano”, diz Janiro Costa Rêgo, especialista em recursos hídricos e professor de hidráulica da universidade federal de Campina Grande. “Seria um holocausto. Seria necessário evacuar a cidade.”
O governo do Brasil diz que a ajuda está a caminho.
Depois de décadas de promessas e anos de atraso, o governo diz que a transposição do maior rio do Brasil, o São Francisco, aliviará Campina Grande e os fazendeiros desesperados em quatro estados do Nordeste.
A água será bombeada sobre colinas e por meio de 400 quilômetros de canais em bacias hidrográficas secas no Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraíba.
Iniciado em 2005 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o projeto foi adiado por disputas políticas, corrupção e superação de custos de bilhões de dólares.
A recessão em curso no Brasil reduziu a economia do nordeste empobrecido em mais de quatro por cento durante cada um dos últimos dois anos, tornando as coisas ainda piores.
Agora, o presidente Michel Temer está acelerando a conclusão do projeto, talvez sua melhor oportunidade para aumentar o apoio a seu impopular governo em uma região há muito dominada pelo filho nativo Lula e o PT.
No início de março, Temer planeja abrir um canal que alimente o reservatório de Campina Grande na cidade de Monteiro. A água ainda levará semanas para descer o leito seco do rio Paraíba até Boqueirão.
Com a qualidade da água em Campina Grande caindo de dia, é uma corrida contra o tempo.
A luta dos moradores para salvar uma cidade inteira da seca. (yahoo)

A água brasileira corre para as multinacionais


A história do Brasil, não é novidade, foi forjada por uma sucessão de saques contra as nossas riquezas naturais. A lista é longa: pau-brasil, açúcar, ouro, diamantes, algodão, café, ferro, borracha, nióbio, sal, mogno, petróleo, etc. Como o que está ruim pode piorar, como diria um pessimista empedernido, eis que agora podemos acrescentar a água a esta lista.
Antes já comprovadamente explorada na irrigação e dando base para o que hoje é chamado de “exportação da água virtual” com a venda de frutas e de soja para fora do país (há outros itens, mas estes são os mais relevantes atualmente), o controle dos recursos hídricos avança no país por parte das multinacionais. A água nossa de cada dia já gera, há muito tempo, lucro para alguns grupos econômicos estrangeiros vindos de países sem a mesma abundância em mananciais como tem Brasil. Há razões para essas empresas se instalarem aqui no nosso país. Basta afirmar que para produzir 1 quilo de banana são gastos 790 litros de água, segundo o site da Waterfootprint (organização que mede o gasto de água para produzir alguns alimentos e produtos). No caso da soja, para produzir 1 quilo desta leguminosa são necessários 1.500 litros de água. Adivinhe o nome do país que se tornou o maior produtor de soja no mundo
Sobre a apropriação da água para a fruticultura irrigada, pergunte aos moradores do entorno do Canal da Integração construído pelo então governador do Ceará, Ciro Gomes, o que eles acham da presença das grandes empresas de fruticultura na Chapada do Apodi cearense e o acesso que eles têm sobre aquela água. É que por lá a água tem dono, e não são os moradores locais. Experimente ter que amarrar a si próprio em uma estaca para descer em um canal e conseguir uma lata de água durante a madrugada correndo o risco de ser pego por seguranças e ainda ser acusado de roubo. Nem todos são convidados para o banquete do progresso da agricultura em grande escala e mecanizada do Apodi.
Quero tratar também de outra forma de comercializar/mercantilizar/privatizar a água. É sobre o que vem acontecendo com a administração das distribuidoras de água do nosso país. Desde a Era Collor de Mello, aprofundando-se no “reinado” de Fernando Henrique Cardoso e nos governos petistas, a posse deste serviço pelos estados e municípios vem sendo lentamente desconstruída e repassada para empresas privadas. Não tenho nada contra as empresas privadas, mas água é importante demais para ficar sobre o controle de algumas empresas. Privatizar pode significar privar as pessoas do acesso a um bem natural em muitos casos. Se você não pode pagar a conta da água, você será privado do acesso a ela nas torneiras da sua casa. Empresas privadas precisam pagar funcionários, impostos e ter lucro. E quanto mais lucro melhor para garantir a sobrevivência no mundo cruel dos negócios. É a natureza delas. Goste-se ou não, é assim que funciona. Se você pensa que é diferente, pergunte aos bolivianos sobre a relação nada amigável entre eles e a empresa estadunidense Bechtel que administrou a distribuição da água por lá e causou tamanho revolta com o aumento das tarifas impagáveis pelos mais pobres e o consequente corte da água para as suas casas. Não por acaso, aconteceu a chamada Guerra da Água causando a morte de mais de setenta pessoas nas ruas de Cochabamba no ano 2000. Pode também perguntar aos franceses porque as empresas distribuidoras de água na França, que por décadas foram administras por empresas privadas, passaram a ser reestatizadas em vários municípios de lá, incluindo Paris. No entanto, o Brasil segue o caminho da privatização da água já fracassado em outros países. Por que será?
A linguagem não é neutra. Mas o que há entre a não neutralidade da linguagem e a privatização da água no Brasil? Simples: ela é utilizada a favor da justificativa do repasse das nossas águas para as mãos de multinacionais. Você lerá/verá/escutará cada vez mais que a água é um bem econômico e assim deve ser tratada. Interessante é que nunca se afirma que por isso mesmo ela deva ser administrada pelo Estado e gerar mais dividendos para melhorar a qualidade de vida dos seus habitantes. Outro artifício linguístico é falar em concessão do saneamento básico. Concessão é com-ceder, ceder o que se tem para outrem. No Brasil o governo diz conceder para passar a ideia de que a estatal continuará a pertencer ao governo, mesmo que ela passe a ser administrada por uma empresa privada tirando todo o poder governamental sobre a mesma. Tenta-se fantasiar o boi de cavalo. Será difícil retomá-la para o âmbito governamental em um país onde o mundo privado já domina os governos. Com relação a palavra saneamento, o primeiro lampejo mental para a população em geral é lembrar de esgoto. Quem não quer melhorar a situação do acesso e tratamento dos esgotos brasileiros. Você acredita que as empresas privadas vão sair por aí cavando asfalto para promover o aceso aos esgotos nas nossas favelas? Sejamos sinceros, onde já tem será mantido, onde não tem, não terá por iniciativa delas.
Outro elemento linguístico utilizado para ajudar a convencer a todos da boa natureza da privatização da água é o discurso da escassez para amedrontar a população. Esta é outra estratégia que vem dando certo. Não que a escassez não exista. Ela é real e mortífera em várias partes do globo. Mas onde não é realidade ou não tão impactante, a escassez tem sido amplificada por parte da mídia. “Ficaremos sem água”, “a água está acabando,” “é preciso economizar água,” “Não desperdice água,” “o desperdício é causado porque a água é gratuita,” etc. Não há no mesmo discurso o chamamento da atenção para o fato de que 70% da água doce no planeta são gastos com irrigação e menos de 10% em uso doméstico. O discurso é tão eficaz, que existem crianças policiando o banho dos pais. Não que não devamos economizar água, longe disso. O problema é culpar o usuário comum quando ele não é o grande vilão da história.


Outro bom exemplo da linguagem a serviço da manipulação é a forma como o atual governo e as mídias encontraram para retratar as negociações para as privatizações das estatais da água. Primeiro era por meio da Parceria Público Privada – PPP. Então surgiu agora o Programa de Parceria de Investimento – PPI. Tudo falácia. No final é o dinheiro público financiando a compra das empresas públicas por empresas privadas e ainda com garantia de lucros nos contratos. Sem essa garantia, os grupos econômicos não consideram a amizade com o governo tão sincera.

O bom e velho BNDES foi acionado pelo governo da vez para ajudar a “democratizar o saneamento” com o PPI. Bondade não tem limite para este Banco de Desenvolvimento. E seus atos bondosos incluem a pressão para que os estados concedam a administração das suas distribuidoras de água para a privatização, digo, concessão (mas é privatização, mesmo). A fila vai começar com a CEDAE – Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro. O BNDES está financiando grupos econômicos que queiram entrar no negócio da água e 18 estados estão na fila para entregar o leite a um bebê faminto.

Mas se engana quem pensa que as multinacionais da água ainda vão chegar. Hoje o Brasil já tem 17 milhões de pessoas atendidas na distribuição de suas águas por uma multinacional canadense em 12 estados brasileiros. Ela comprou esta “fatia do mercado” da Odebrecht Ambiental. Parece pouco, mas o valor da transação foi de quase 3 bilhões de reais. Não é um mercado para qualquer um, como se vê.

O Ouro Branco, como é chamada a água em contraposição ao título de Ouro Negro dado ao petróleo, é um bom negócio, mas não para as populações carentes. Em um pequeno livrinho chamado O Manifesto da Água (2002), de autoria Riccardo Petrella e em outro livro publicado pela canadense Maude Barlow intitulado O Convênio Azul: a crise global da água e a batalha futura pelo direito a água (2009), as consequências negativas para as comunidades e positivas para as empresas estão descritas com vários exemplos ao redor do planeta. São Paulo conhece bem as negativas quando sofreu um choque com o racionamento provocado pela ideia do lucro primeiro, população depois. É que 49,7% da Sabesp pertencem a empresas privadas. Vários analistas da questão hídrica culparam a empresa por não ter investido na melhoria da infraestrutura por anos, uma das causas do problema. Teoricamente o governo paulista tem maioria de 0,3 para a tomada de decisões. Mas nós todos sabemos como falham as teorias.
O avanço das ondas das novas privatizações vem como um tsunami. O problema é que agora não há mais estatais como Vale do Rio Doce, Embraer, Telebras, Rede Ferroviária, etc. Tudo já foi vendido nos anos noventa. Se é preciso satisfazer a sede dos grupos econômicos, que venha a bebida disponível no momento e esta é a água nossa de cada dia. (ecodebate)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Querem recongelar o Ártico

Cientistas anunciam plano para 'recongelar' o Ártico.

Ele está 20ºC acima da média histórica registrada, de acordo com o relatório do Instituto Meteorológico da Dinamarca.

Situação é preocupante.

Cientistas anunciam plano para “recongelar” o Ártico.

Que o Ártico passa por um momento crítico não é novidade. Ele está 20ºC acima da média histórica registrada, de acordo com o relatório do Instituto Meteorológico da Dinamarca.

O aquecimento global agravou e muito essa situação, sendo assim, cientistas resolveram adotar medidas drásticas em vez de ver o gelo desaparecer da região. Para salvar o Ártico, eles pretendem “recongelar”. Mas como?
A ideia é instalar cerca de 10 milhões de bombas eólicas sobre uma calota e trazer águas gelada do mar à superfície para restabelecer o gelo derretido. A equipe, responsável pelo “projeto”, acredita que o procedimento poderia adicionar um metro extra de gelo marinho para a camada atual – o que ajudaria a protegê-la das altas temperaturas que têm afetado a região.
“O gelo mais espesso significa um gelo mais duradouro”, afirmou Steven Desch, pesquisador e físico da Universidade Estadual do Arizona, em entrevista ao The Guardian Ele conta que um metro a mais de gelo significaria reverter 17 anos de derretimento.
Mas, para que isso funcione, o sistema precisaria bombear 7,5 kg por segundo de água. E para construir 10 milhões de bombas, seria preciso 10 milhões de toneladas de aço. Isso tudo para cobrir apenas 10% da área de 107 km2 do Ártico. E aí fica a questão: como levar tudo isso ao Polo Norte?
É claro que isso não passa de uma teoria e, provavelmente, nem vai sair do papel.Este projeto está estimado em cerca de US$ 500 bilhões. Ou seja, todos os governos do mundo teriam que se empenhar para arcar com os custos astronômicos da instalação desse ar-condicionado gigante. (yahoo)

Desastres climáticos em USA

Descoberta científica 'ameaça' futuro dos Estados Unidos.
Pesquisadores localizaram um grande poço de carbono fundido, que pode causar um aquecimento catastrófico, abaixo do território.
Perigo à vista.
Um enorme poço de carbono fundido que “pode causar desastres climáticos” é encontrado abaixo da América.
Um grande poço de carbono fundido, que pode causar um aquecimento catastrófico e já liberou material equivalente a trilhões de barris de petróleo, foi encontrada debaixo da América.
Mas não entre em pânico: os depósitos mais profundos de minerais de carbono encontram-se a 359 quilômetros abaixo da superfície da Terra.
Como já faz um bilhão de anos que o local está liberando carbono, os cientistas acreditam que não haja ameaças imediatas.
A camada de carbono tem um 1.800.000 km2 e encontra-se abaixo das Montanhas Rochosas, do parque Yellowstone, em regiões topograficamente mais baixas, como a planície Snake River e também no planalto de Colúmbia, dizem os cientistas.
A detecção dessa camada foi feita, através de um equipamento sísmico, por pesquisadores da Royal Holloway University, e pode mudar nossa compreensão sobre a quantidade de carbono existente na Terra.
A liberação de apenas 1% do carbono desse reservatório seria equivalente a queimar 2.3 trilhões de barris de petróleo, relata o Mail Online.
O Dr. Sash Hier-Majumder, da University of London, disse: “O tempo de residência do carbono no local é relativamente grande (quase 1 bilhão de anos), então essa reserva não é uma ameaça iminente”.
“Mas devemos observar que o carbono pode afundar no manto terrestre através de uma placa de subdução oceânica e fazer seu caminho até a superfície por atividade vulcânica”.
“O vulcanismo de arco retorna entre 30 a 40% do carbono total para a atmosfera”. (yahoo)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

O colapso do gelo da Antártida e o aumento do nível do mar

A Antártica, depois de um período de ligeiro ganho na área de gelo, está entrando em fase de degelo acelerado. Uma das constatações é que uma imensa rachadura na plataforma de gelo Larsen C cresceu profundamente em dezembro de 2016 e falta pouco para que um imenso bloco de 5 mil km² (equivalente a área do País de Gales ou da Região Metropolitana do Rio de Janeiro) se desprenda da plataforma Larsen C.
A plataforma tem espessura de 350 metros e está localizada na ponta oeste da Antártida. Pode acontecer o mesmo que já aconteceu com o colapso das plataformas de gelo Larsen A, em 1995, e Larsen B, em 2002. Novas rupturas na plataforma podem provocar que outras geleiras se desprendam em direção ao oceano. Uma vez que esse gelo não seria flutuante, o nível dos mares seria afetado. Segundo estimativas, se todo o gelo da Plataforma Larsen C derreter, o nível global dos mares aumentaria cerca de 10 cm.
O gráfico abaixo (da NSIDC) mostra que, do ponto de vista do gelo marinho, houve expansão de área ao redor da Antártica entre 1979 e 2014. A tendência ao longo de 35 anos foi de uma lenta expansão, da ordem de 0,9% por década. Muitos “céticos climáticos” utilizavam estes dados para questionar o aquecimento global e o processo de deglaciação do mundo. Contudo, o degelo avançou em 2015 e atingiu o maior nível em 2016. Nunca a Antártica perdeu tanto gelo como no ano passado. E o pior é que a desestabilização continua em 2017.
O gráfico abaixo mostra a variação da extensão do gelo da Antártica nos primeiros 34 dias dos diversos anos desde 1979 e a média do período 1981 a 2010 (com o desvio padrão). Nota-se que a extensão de gelo em 2011 teve um declínio acentuado, mas houve recuperação nos anos de 2014 e 2015, que ficaram acima da média de 1981-2010. O ano de 2016 voltou a ter comportamento parecido com 2011, batendo os recordes de degelo. Mas o mais grave e preocupante está acontecendo nos primeiros 34 dias de 2017, que mostra perdas acentuadas e totalmente distante das tendências dos últimos 37 anos. Parece que a desestabilização do gelo chegou para valer e a Antártica parece entrar no mesmo nível de deglaciação do Ártico.
O gráfico seguinte mostra claramente a redução do volume de gelo nos dois hemisférios. Existe uma tendência de longo prazo do degelo que pode ser vista pelas curvas anuais cada vez mais baixas. Mas a queda observada a partir de setembro de 2016 é um fato sem precedentes e mostra que o processo de deglaciação está se acelerando perigosamente. No passado, foi o Ártico e a Groenlândia (hemisfério Norte) que lideraram o derretimento, a partir do segundo semestre do ano passado a Antártica passou a ser o grande destaque para o processo de deglaciação e a elevação do nível dos oceanos.
O jornal New York Times (07/02/2017) atualizou a situação do eminente colapso do grande pedaço da Plataforma Larsen C. Em apenas dois meses, a rachadura aumentou 17 milhas. Faltam apenas 20 milhas para que o gigante iceberg se desprenda da Plataforma. Ou seja, até abril ou maio de 2017 pode ocorrer o colapso deste grande pedaço da Larsen C, mostrando a dramaticidade do processo de degelo da Antártica.
No total, o degelo do Ártico, da Groenlândia e da Antártica pode fazer os oceanos subirem mais de 70 metros. Evidentemente, isto não vai acontecer no espaço do atual milênio. Mas somente 10% de degelo destas áreas pode fazer o nível dos mares subir 7 metros. Ou 5% de degelo pode elevar o nível do mar em 3,5 metros. Isto seria catastrófico para a dinâmica econômica e social e poderia aumentar a pobreza e os conflitos sociais, provocando o colapso da civilização.
Artigo de Robert M. DeConto e David Pollard, publicado na revista Nature (31/03/2016) mostra que no último período interglacial (130.000 a 115.000 anos atrás), com temperaturas pouco acima das atuais, a média global de aumento do nível do mar (GMSLR) foi de 6 a 9 metros. Os autores mostram que, se as emissões de GEE continuarem no nível atual, somente a Antártica tem o potencial de contribuir com mais de um metro de elevação do nível do mar até 2100 e mais de 15 metros até 2500. Assim, no pior cenário de emissões de gases de efeito estufa, o nível médio do mar subiria cerca de 2 metros até o fim do século, extinguindo nações insulares e gerando grande quantidade de refugiados do clima em cidades como Rio de Janeiro, Londres, Miami, Xangai, Mumbai, etc.
Os filmes “Earth Under Water” e “Before the Flood” (ver links abaixo) explicam e ilustram as consequências dramáticas da elevação do nível do mar. A bomba relógio climática está armada. Quando e qual o tamanho da explosão que vai atingir toda a população mundial, dependerá da vontade e da capacidade da humanidade em reverter, deter e minimizar o tamanho do desastre. (ecodebate)

Quer ganhar dinheiro? Invista em aquecimento global


É o que estão fazendo dezenas de empresas e grandes conglomerados empresariais por todo o mundo. Saiu um livro intrigante, instigante, preocupante, soberbo e surpreendente sobre o assunto do aquecimento global. Trata-se da obra “Caiu do Céu – o Promissor Negócio do Aquecimento Global” de McKenzie Funk, 2016, Três Estrelas – selo editorial da Publifolha Editora Ltda.
O livro parte da premissa que o aquecimento global e as mudanças climáticas no planeta são inexoráveis e o homem não parece que dará conta de revertê-las ou mesmo mitigá-las. Então, para alguns significa um novo e promissor horizonte de negócios. A obra retrata uma pesquisa de seis anos de duração em que o autor percorreu grande parte do planeta, principalmente o hemisfério norte. Segundo ele, além de aquecer a Terra, o aquecimento global também está esquentando muitos setores da economia, como as seguradoras, o mercado financeiro, a exploração de petróleo e a aquisição de terras.
O relato de Funk se foca, segundo ele, em três grandes eventos que estão ocorrendo no planeta em função do aquecimento global e as mudanças climáticas: o derretimento das geleiras (o livro se atém principalmente no Ártico), a seca (ele discorre basicamente na África e em parte dos Estados Unidos) e as inundações (Índia, Bangladesh e Paquistão).
O início da pesquisa foi pelo Ártico onde está ocorrendo a liquefação das geleiras e camadas de gelo e onde são abertas, cada vez mais, rotas de navegação e, consequentemente, exploração de petróleo, abundante sob a camada polar. Está acontecendo de maneira avassaladora uma corrida aos campos de petróleo do círculo polar ártico pelas grandes empresas petrolíferas mundiais (Shell, BP, Deutsch etc) reivindicando porções de terra antes inexploradas na Groenlândia e norte do Canadá, além de passagens pelo mar onde antes era só gelo. Ou seja, o aquecimento global é uma maravilha para as empresas que ganharão fortunas gigantescas com a abertura de novas frentes de exploração do petróleo. O aquecimento, para eles, “caiu do céu”.


Depois, o livro nos leva à discussão do reordenamento da hidrologia do nosso planeta, em altíssima escala, onde as chuvas caem em épocas diferentes e em lugares diferentes, fazendo desertos aparecerem do nada. A palavra “seca” já foi alterada para “aridez” que é mais enfática e denota permanência. Incêndios florestais no Colorado (onde empresas privadas de combate a incêndio ganham muito dinheiro segurando clientes ricos), calamidades na China, desertificação na Espanha e deficiências alimentares no Senegal (em todos, empresários espertos ganham muito dinheiro comprando terras com preços em baixa).

E, finalmente, a parte três do livro trata do tema das inundações provocadas por alterações climáticas e derretimento de geleiras no qual oportunistas, engenheiros, chefes militares, mercenários, vigilantes, políticos, espiões, empreendedores e ladrões estão enriquecendo através de um realismo cínico e inteligente. (ecodebate)


domingo, 19 de fevereiro de 2017

UE dá ultimato a países do continente poluidores de NO2

União Europeia dá ultimato a cinco países do continente por poluição do ar por dióxido de nitrogênio (NO2).

A concentração de dióxido de nitrogênio (NO2) está acima dos limites estabelecidos em cidades europeias como Paris (foto), Roma, Milão, Turim, Londres e Berlim.
A Comissão Europeia deu um ultimato à Alemanha, França, Itália, Espanha e ao Reino Unido para tomarem atitudes contra a poluição excessiva do ar por dióxido de nitrogênio (NO2). A concentração da substância está acima dos limites estabelecidos por Bruxelas em cidades como Roma, Milão, Turim, Berlim, Londres e Paris, uma contaminação que é causada, sobretudo por automóveis, principalmente por aqueles movidos a diesel. As informações são da Agência Ansa.
Segundo um comunicado da Comissão Europeia, os cinco países não fizeram nada para conter as recorrentes violações dos padrões de poluição do ar por NO2, substância que “constitui um grave risco para a saúde”.
Se os cinco países não agirem dentro de dois meses, o Poder Executivo da União Europeia (UE) ameaça levar a questão à Corte de Justiça do bloco. Ainda de acordo com a Comissão, mais de 400 mil pessoas morrem todos os anos na UE por doenças causadas pela poluição do ar.
Entre o fim de 2015 e o início de 2016, cidades como Milão, Roma e Nápoles chegaram a restringir a circulação de veículos na área urbana devido aos altos índices de concentração de poluentes. Além disso, a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, vem promovendo uma “guerra” contra os automóveis e pretende reduzir pela metade o número de carros privados que circulam na capital. (ecodebate)


Maior aumento da concentração de CO2 da história humana

“Se uma planta não consegue viver de acordo com sua natureza, ela morre, assim também o ser humano” - Henry Thoreau (200 anos de seu nascimento)

Estudos indicam que o mundo conseguiu, pelo terceiro ano consecutivo, manter estáveis suas emissões de gases CO2. Os otimistas comemoram o desacoplamento relativo. Mas os números indicam que, se as emissões pararam de subir, elas continuam nos níveis mais elevados da história.
Na realidade, a concentração de gases de efeito estufa (GEE) ultrapassou permanentemente o limiar de 400 partes por milhão e atingiu um perigoso ponto de não retorno. Nos 800 mil anos antes da revolução industrial a concentração de CO2 na atmosfera ficou abaixo de 280 partes por milhão (ppm). Ou seja, em cada milhão de moléculas de ar no planeta, havia menos de 280 do principal gás de efeito estufa. As medições com base no estudo do gelo, mostram que em 1860 a concentração atingiu 290 ppm. Em 1900 estava em 295 ppm. Chegou a 300 ppm em 1920 e atingiu 310 ppm em 1950. A partir do início do Antropoceno (1950), o efeito estufa se acelerou.
Em 1958, Charles Keeling, instalou no alto do vulcão Mauna Loa o primeiro equipamento para medir as concentrações de CO2 na atmosfera. Isto possibilitou que a partir de uma série histórica de dados houvesse a possibilidade de acompanhar a poluição recente. A série de Keeling mostra que a concentração de CO2 na atmosfera, na média mensal, chegou a 399,76 partes por milhão (ppm) em maio de 2013 e só ultrapassou a barreira de 400 ppm no ano seguinte. Em abril de 2014 a concentração de CO2 ficou em 401,34 ppm, passou para 401,88 ppm em maio e caiu para 401,20 ppm em junho de 2014. Mas como a concentração segue um padrão sazonal, ao longo do ano, com os picos acontecendo no mês de maio e os vales acontecendo nos meses de setembro, a média anual de 2014 foi de 398,61 ppm.
Em 2015, a marca das 400 ppm foi ultrapassada em 8 dos 12 meses. Na média anual, 2015 foi o primeiro ano a ultrapassar a barreira simbólica e marcou a cifra de 400,83 ppm. Mas foi o ano de 2016 que tornou permanente a marca de 400 ppm em todos os meses e em todas as semanas. A média anual de 2016 foi de 404,21 ppm.
A National Oceanic & Atmospheric Administration – NOAA – (Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) apresenta o gráfico acima com o crescimento médio anual (e por décadas) da concentração de CO2. Nota-se, que apesar das variações anuais, existe uma clara tendência de aumento da concentração dos gases de efeito estufa.
O aumento médio anual estava abaixo de 1 ppm na década de 1960, chegou a 2 ppm na década passada e está em 2,41 ppm ao ano no período 2010-2016. Neste ritmo, a concentração de CO2 na atmosfera pode chegar a 700 ppm no final do século XXI, quando o nível considerado minimamente seguro seria 350 ppm. Já estamos vivendo uma situação inédita em relação aos últimos milhões de anos do Planeta.
Artigo de Nicola Jones (26/01/2017), no site e360 Yale, apresenta o gráfico abaixo que mostra que a concentração de CO2 ficou abaixo de 400 ppm nos últimos 20 milhões de anos. Somente antes de 200 milhões de anos, a concentração ficou consistentemente acima de 1000 ppm. No ritmo acelerado da atualidade esta marca pode ser atingida no século XXII. Seria o caos climático para os humanos e a biodiversidade da Terra.


O mundo corre sério perigo. O aumento da concentração de CO2 na atmosfera contribuiu para o fato do ano de 2016 ser o mais quente já registrado e aponta para novos recordes futuros de aquecimento. O efeito estufa trará custos enormes e as sociedades podem não estar preparadas para pagar o alto preço de limpar no futuro a sujeira feita no passado e no presente.
Artigo de David Spratt (26/01/2017) mostra que o degelo da Antártica atingiu um ponto de mutação e, a partir de 2016, se acelerou de forma preocupante. As principais conclusões do artigo são:
“O setor do Mar de Amundsen da Plataforma de Gelo da Antártica Ocidental, provavelmente foi desestabilizado e o recuo de gelo é imparável nas condições atuais;
Nenhuma aceleração adicional nas mudanças climáticas seria necessária para desencadear o colapso do restante da Plataforma de Gelo Antártico Ocidental em escalas de tempo de décadas;
Somente a Antártida tem o potencial de contribuir com mais de um metro de elevação do nível do mar até 2100;
Uma grande fração do gelo da bacia da Antártida Ocidental pode desaparecer dentro de dois séculos, causando um aumento do nível do mar de 3 a 5 metros;
Mecanismos semelhantes aos que estão causando a deglaciação da Antártica Ocidental também são encontrados, em menor grau, na Antártida Oriental;
• A desglaciação parcial da camada de gelo da Antártica Oriental é provável no atual nível de concentração de dióxido de carbono (CO2) atmosférico, contribuindo para 10 metros de aumento do nível do mar no longo prazo e 5 metros nos primeiros 200 anos.


Portanto, existe uma relação inexorável entre o aumento das emissões de gases de efeito estufa, provocadas pelo aumento das atividades antrópicas (crescimento demoeconômico do mundo), o aumento da concentração de CO2 na atmosfera, o aumento do aquecimento global, o aumento do degelo do Ártico, da Antártica, da Groenlândia e dos glaciares – tudo isto – provocando o aumento do nível dos oceanos e o naufrágio das áreas costeiras (urbanas e rurais) de todo o mundo.

No ritmo atual, as gerações futuras vão receber uma herança maldita, que pode provocar uma significativa mobilidade social e ambiental descendente. No longo prazo, o aumento da concentração de CO2 na atmosfera e o aquecimento global – filhos bastardos do progresso humano – são as maiores ameaças à vida na Terra e podem ser responsáveis pelo colapso da civilização. (ecodebate)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O alarmante declínio do volume global de gelo no Planeta

“Não é o que olhamos que importa, é o que vemos” - Henry Thoreau (200 anos de seu nascimento)
Nunca os olhos humanos (desde o surgimento do Homo Sapiens) viram nada igual. O processo de deglaciação do Ártico, Groenlândia e Antártica está se acelerando em ritmo alarmante. A perda do volume de gelo jamais foi tão grande e isto significa a aceleração do aumento do nível do mar e o naufrágio de territórios costeiros cada vez mais extensos. Os prejuízos para a agropecuária e as benfeitorias urbanas será cada vez maior.
Até bem pouco tempo, o rápido degelo ocorria, fundamentalmente, no hemisfério norte, especialmente no Ártico e na Groenlândia. A área de gelo da Antártica em 2014, 2015 e primeiro semestre de 2016 foi maior do que a média do período 1981-2010. Porém, uma combinação de aceleração do aquecimento global (o ano de 2016 foi o mais quente já registrado) com aumento dos ventos, mudanças hidrológicas e do fluxo das correntes marinhas no hemisfério sul está fazendo o degelo da Antártica bater todos os recordes. No segundo semestre de 2016 e nas primeiras 6 semanas de 2017 a deglaciação do continente do Sul está alarmando os cientistas e provocando preocupação entre as pessoas que acompanham e reconhecem o processo antrópico de destruição do meio ambiente.
 Ninguém esperava notícias tão ruins, que, coincidentemente, surgiram pouco antes das eleições dos EUA, em outubro do ano passado, e se agravaram, em todos os sentidos, depois da posse do cético e antiecológico presidente Donald Trump. Os gráficos abaixo, do National Snow & Ice Data Center (NSIDC), mostram que os últimos 5 meses (de outubro de 2016 a fevereiro de 2017) houve recorde de degelo no Ártico e na Antártica.
Artigo de Brad Plumer (17/01/2017), no site Vox, mostra a figura abaixo, da NASA, que indica a perda da extensão de gelo, comparada com a média histórica das últimas décadas. A perda é enorme e está se acelerando.
O gráfico abaixo (último dado plotado em 11/02/2017) viralizou na Internet depois que ficou claro que a extensão de gelo global (dos dois hemisférios) teve um declínio abruto após setembro de 2016. Ainda não está claro o que vai acontecer com a criosfera no restante do ano de 2017, mas os cientistas estão acompanhando diariamente o volume de perda de gelo, pois esse processo terá grande impacto no aumento do nível dos oceanos.
Como escrevi em artigo anterior, existe uma relação inexorável entre o aumento das emissões de gases de efeito estufa, provocada pelo aumento das atividades antrópicas (crescimento demoeconômico do mundo), o aumento da concentração de CO2 na atmosfera, o aumento do aquecimento global, o aumento do degelo do Ártico, da Antártica, da Groenlândia e dos glaciares – tudo isto – provocando o aumento do nível dos oceanos e o naufrágio das áreas costeiras (urbanas e rurais) de todo o mundo.
No ritmo atual, a herança maldita provocada pelo aumento da Pegada Ecológica irá não só impactar negativamente as futuras gerações, mas, inclusive, as gerações atuais. O ser humano passou séculos se enriquecendo às custas do empobrecimento dos ecossistemas. Agora, a degradação da natureza vai cobrar seu preço e o progresso civilizatório pode engatar uma marcha à ré irreversível. (ecodebate)

ESALQ mostra aumento de 1,48°C no último século

Estação no campus tem importante papel no monitoramento de temperatura em áreas da agricultura no interior.
Com 334 mm de chuva, o mês de janeiro encerrou como o 11º janeiro mais chuvoso dos últimos 100 anos. Dados do Posto Meteorológico da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) da USP mostram que o volume de chuva registrado no primeiro mês de 2017 está acima da média, o que ficou claro com as situações de alagamento vivenciadas pela população em Piracicaba.
As medidas dos índices climáticos na ESALQ tiveram início em 1917 e revelam também uma tendência de aquecimento no município, já que a temperatura subiu em média 1,48º C em 100 anos. “A longevidade da nossa série permite constatar essa mudança climática, pois o aumento da temperatura média foi registrado como tendência de longo prazo”, aponta o professor de Agrometeorologia do Departamento de Engenharia de Biossistemas, Paulo Cesar Sentelhas.
Posto centenário
A instalação do posto meteorológico na ESALQ teve início em 1916 e os índices começaram a ser registrados no ano seguinte. Além da estação convencional, a escola tem ainda em operação uma estação automática, inaugurada há duas décadas. Todo o banco de dados está disponibilizado de forma gratuita na internet, com informações sobre temperatura máxima e mínima, umidade relativa, velocidade do vento, variação solar e quantidade de chuva. “Para nós aqui no interior, onde a agricultura é uma atividade totalmente dependente das condições do tempo, a importância que se tem de uma estação meteorológica é muito grande”, salienta o docente.
Agrometeorologia
A ESALQ tem papel importante na formação da agrometeorologia no País. Os profissionais dessa área estabeleceram a agrometeorologia como uma ciência aplicada, que faz parte da formação de políticas públicas, de tomadas de decisão nas empresas, que fazem usos de dados agrometeorológicos para agregar valor aos seus produtos.
“Grande parte dos profissionais que atuam em agrometeorologia no Brasil se formaram aqui, a partir da década de 1960, quando começaram os programas de pós. Além dos nossos egressos disseminarem esse conhecimento, muitos outros egressos de outras instituições vieram estudar aqui na pós e acabaram treinando outros profissionais. Esse é um legado importante da ESALQ como berço da agrometeorologia brasileira”, comenta o professor Sentelhas.
Pesquisa e extensão
Um estudo recente utilizou os dados da série histórica de 100 anos na simulação de modelos estatísticos para estimar a produtividade de cana ao longo do período, com a finalidade de avaliar o potencial de palha para a cogeração de energia e etanol de segunda geração. Outros projetos, desenvolvidos na graduação e pós-graduação, possibilitam que os estudantes tenham pleno conhecimento sobre as nuances da variabilidade climática.
A Defesa Civil, o Departamento de Água e Esgoto, os veículos de imprensa fazem uso dos dados provenientes da ESALQ. Além disso, o Departamento de Engenharia de Biossistemas, que gerencia o posto, emite laudos meteorológicos para fins de seguro, além de prestar serviços para empresas que testam materiais sob o efeito das intempéries climáticas. Atualmente, por exemplo, uma empresa avalia o comportamento de uma cobertura plástica exposta à radiação solar.
Além dos relatórios diários e mensais, o equipamento do Posto da ESALQ disponibiliza dados meteorológicos on-line a cada 15 minutos.
“Em um país com enorme carência de dados, séries históricas longas de dados meteorológicos publicamente disponíveis são fundamentais para estudos, planejamento e dimensionamentos urbanos e rurais. O Departamento de Engenharia de Biossistemas da ESALQ, com seu corpo docente e de funcionários, do passado e do presente, tem grande satisfação e orgulho em prestar informação meteorológica à sociedade em um período que coincide com a história da ESALQ”, comenta o professor Marcos Vinicius Folegatti, chefe do Departamento de Engenharia de Biossistemas em exercício. (ecodebate)