quarta-feira, 31 de março de 2010

Mudanças Climáticas - histórico e suas evidências

Atravessando o túnel do tempo, constatamos que já em 1979 havia um alerta grave sobre as mudanças climáticas. O relatório da NAS (National Academy of Sciences) sobre o assunto advertia que se adotada a política de “esperar para ver o que acontece” podia significar esperar até que seja tarde demais para evitar as catástrofes ambientais. A Primeira Conferência Mundial realizada neste mesmo ano, adota as mudanças climáticas como tema principal e convoca os governos a evitar as mudanças antropogênicas do clima. Em 1987, pesquisadores franceses e russos, a partir da análise de amostras de gelo da Antártica, denominadas testemunhos de gelo, revelam uma relação extremamente próxima entre os níveis de dióxido de carbono e a temperatura, nos últimos cem anos. A Organização das Nações Unidas fundada em 1988, o Painel Internacional de Mudanças Climáticas- IPCC – tinha como meta analisar os documentos sobre descobertas científicas. Em 1999, os cientistas reconstruíram o clima global dos últimos mil anos e, para isso, utilizando registros de temperatura, anéis extraídos de árvores, corais e testemunhos ( amostras) de gelo declararam que a década de 90 foi a mais quente do último milênio. Em 27 de julho de 2001, 178 países se tornaram signatários do Protocolo de Kyoto. A ONU afirma que 2001 foi o segundo ano mais quente dos 140 anos em que os cientistas têm mantido registros do clima. Nove entre os dez mais quentes ocorreram desde 1990, com temperaturas aumentando três vezes mais rápido que nos anos próximos a 1900. Desde 1980, a Terra passou por 19 dos seus 20 anos mais quentes já registrados sendo 2002, o segundo mais quente já registrado, e 1998 o mais quente. Globalmente, o terceiro ano mais quente foi em 2003. A Europa viveu o verão mais quente dos últimos 500 anos, com cerca de 30 mil mortes como resultado do calor extremo. Prejuízos causados pelo clima originaram gastos de cerca de 60 bilhões de dólares, em 2003. O jornal New York Times afirma que um estudo da NASA descobriu que 2004 foi o quarto ano mais quente já registrado A população mundial era de 6,45 bilhões de pessoas. Mais recentemente, relatórios divulgados pelo IPCC em 2007 apontaram impactos significativos das mudanças climáticas em lugares como a Amazônia, Semi-árido e as regiões costeiras. Na Amazônia, há previsões de sofrer até 2100 um aumento de temperatura que varia de 4 a 8ºC, e decréscimo de 15 a 20% na pluviosidade segundo o cenário A2 traçado pelo IPCC. Os rios que fazem parte da bacia amazônica também seriam afetados quando houver um rebaixamento no nível da lâmina d’água dos rios, comprometendo o transporte e o comércio, principalmente. Os impactos mais prováveis que impactarão a Amazônia são: 1-Alta frequência de secas na Amazônia Oriental 2-Aumento de eventos chuvosos extremos 3-Perdas nos ecossistemas, floresta e biodiversidade. As condições também serão mais favoráveis ao alastramento de queimadas devido à redução da umidade da floresta. Savanização da Amazônia tem sido destacada pelos pesquisadores como um evento mais freqüente nos próximos anos. Considerando a floresta como motor hidrológico que regula o regime de chuvas no Centro-Oeste e Sudeste do Brasil podem surgir períodos prolongados de seca nessas regiões comprometendo toda a produção agrícola e de biocombustível. Para o Semi-árido no Nordeste poderá se tornar árida, em função da redução da pluviosidade e do aumento da temperatura da região. A recarga dos lençóis freáticos locais poderia ficar comprometida, possivelmente sofrendo uma redução de cerca de 70% em sua capacidade de armazenamento. A região Sudeste, segundo previsões, estará sujeito a um aumento de chuvas, impacto na agricultura, inundações, deslizamentos de terra, entre outros. Devido à savanização ao longo do tempo, poderá afetar a capacidade da Amazônia em fornecer umidade ao Sudeste, podendo haver reversão na tendência da região Sudeste do Brasil. Outros impactos poderão ocorrer tais como a elevação do nível do mar, variabilidade climática, comprometimento da existência de mangues considerados berçários de espécies marinhas. Plantas do Cerrado correm risco de extinção em torno de 38 a 45%, se a temperatura aumentar em 1,7ºC em relação aos níveis da era pré-industrial. Hoje, a superfície da terra está em média 0,6 a 0,7ºC mais quente do que antes da Revolução Industrial. Este valor não se distribui uniformemente ao longo da superfície da Terra. O aumento médio em terra é ainda maior, uma vez que a temperatura nos oceanos cresce mais lentamente devido a sua maior “inércia” térmica. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP, em 13 de outubro passado, entregou um documento ao ex vice- presidente dos Estados Unidos, Al Gore, intitulado “Mudanças climáticas: o valor das convergências”, com vistas a reunião em Copenhague, em dezembro próximo. Deixo uma sugestão ao povo brasileiro, governo e sociedade, que é a discussão de um documento intitulado “Mudanças climáticas- o custo das evidências e divergências”, eventualmente, uma prévia para Copenhague. Quem sabe seria uma boa?

Instabilidade deve marcar mudanças climáticas

Uma das principais causas da desigualdade do aquecimento global no planeta é a distribuição desigual dos continentes, disse Williams Pinto Marques Ferreira em entrevista por e-mail à IHU On-Line. Ele explica que “o hemisfério sul apresenta menos porção continental e o maior volume de água dos oceanos, os quais influenciam no volume de vapor d’água atmosférico, e contribuem para uma maior estabilização térmica desse hemisfério”. Segundo ele, as altas latitudes nos hemisférios sul e norte serão as primeiras a ser afetadas “devido à incidência de radiação solar ser desigual ao longo do ano, fazendo com que essas áreas possam se tornar futuramente mais úmidas”. Continuando o raciocínio, ele acentua que as regiões subtropicais serão as últimas a sofrerem as consequências das mudanças do clima. Williams alerta também para o delicado equilíbrio de troca de carbono entre atmosfera e os oceanos. A mudança química dos oceanos decorrente do aumento da concentração de CO2 no ar poderá reduzir “a capacidade dos oceanos se comportarem como verdadeiros sumidouros de carbono”. Na entrevista que segue, o pesquisador também falou sobre suas expectativas em relação à Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas – COP 15, a qual será realizada no mês de dezembro, em Copenhague, na Dinamarca. No encontro intergovernamental, menciona, “o Brasil deve insistir para a inserção de mecanismos de incentivo, tais como os incentivos fiscais e financeiros para o uso de tecnologias simples, mas comprovadamente úteis, capazes de contribuir para a redução de emissões de gases de efeito estufa”. Ferreira possui graduação em Meteorologia pela Universidade Federal do Pará, mestrado em Agronomia e doutorado em Engenharia Agrícola. Trabalhou com ensino universitário no curso de Geografia e, atualmente, é pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Milho e Sorgo e credenciado como orientador de mestrado e doutorado nos programas de pós-graduação em Agrometeorologia e Engenharia Agrícola da Universidade Federal de Viçosa. Confira a entrevista. IHU On-Line – Alguns locais do planeta tendem a aquecer antes e com mais intensidade que outros? O que caracteriza tanta instabilidade e desigualdade nas mudanças do clima? Williams Pinto Marques Ferreira – As mudanças climáticas ocorrem de forma desigual, e muitos fatores contribuem para que ocorram tais diferenças, entre eles, podem ser destacadas as características próprias de cada região e sua localização em relação ao continente, distância do Equador etc. Todavia, de maneira bem simplificada, pode-se destacar como uma das principais causas da desigualdade do aquecimento global no planeta, a distribuição desigual dos continentes. O hemisfério sul apresenta menos porção continental e maior volume de água dos oceanos, os quais influenciam no volume de vapor d’água atmosférico, e contribuem para uma maior estabilização térmica desse hemisfério. De maneira geral, as altas latitudes, em ambos os hemisférios, serão as primeiras a ser afetadas devido, principalmente, à incidência de radiação solar ser desigual ao longo do ano, fazendo com que essas áreas possam se tornar futuramente mais úmidas. As regiões subtropicais poderão se tornar mais secas, e as regiões tropicais, por serem as mais estáveis, principalmente em termos de temperatura, deverão ser, possivelmente, as últimas a sofrerem consequências das mudanças climáticas. IHU On-Line – Em outra entrevista à nossa revista, o senhor destacou rapidamente que o derretimento parcial da água, presente no manto de gelo dos continentes gelados, poderia modificar as correntes marítimas e alterar a produtividade biológica, modificando o processo de troca de CO2 entre os oceanos e a atmosfera. Pode nos explicar melhor essa teoria? Williams Pinto Marques Ferreira – Essa teoria está fundamentada no conhecido Ciclo do Carbono ou Ciclo Biogeoquímico do Carbono, que, no planeta Terra, ocorre em função do processo da fotossíntese realizado pelas plantas; da respiração, realizado pelas plantas e pelos animais; através dos oceanos, reservatório estimado de 40.000 gigatoneladas; da atmosfera, reservatório estimado de 750 gigatoneladas; e do solo e do seu interior, reservatório estimado de 20.000 gigatoneladas; e pode ser dividido em um ciclo geológico, considerado muito demorado, pois envolve a escala de milhões de anos e é integrado à própria estrutura de formação do planeta; e outro biológico mais acelerado, no qual a renovação do carbono atmosférico é estimada a cada 20 anos. O derretimento das geleiras, principalmente as da Groenlândia e do Canadá, pode representar um grande volume adicional de água doce na área de formação das correntes termohalinas. Isso irá impedir a formação dessas que são uma das mais importantes correntes oceânicas do Atlântico Norte, já que, naquela região mais fria, nas altas latitudes, as águas mais salobras do Atlântico são resfriadas, e, mais densas, alcançam maiores profundidades dando início às correntes termohalinas. Essas correntes percorrem os demais oceanos, passando pela região equatorial do Atlântico Norte como uma corrente agora superficial, que depois de aquecida naquela região transporta calor em suas águas para a as ilhas britânicas e Escandinávia. A redução da circulação da termohalina pode representar maior resfriamento no extremo norte europeu. Os impactos das mudanças das correntes marinhas também implicam na mudança na produtividade biológica, no habitat e na flora marítima em diferentes lugares por onde essas correntes passam, já que as mesmas são responsáveis pelo transporte de grande número de organismos aquáticos microscópicos que têm capacidade fotossintética e flutuam nas correntes, conhecidos como fitoplanctos e servem de alimentos para outras formas de vida aquáticas. O delicado equilíbrio de troca de carbono entre a atmosfera e os oceanos pode ser também intensificado pela mudança da química natural dos oceanos decorrente do aumento da concentração de CO2 no ar, reduzindo a capacidade dos oceanos se comportarem como verdadeiros sumidouros de carbono. IHU On-Line – Como as alterações das vegetações influenciam o clima? E no sentido contrário, como as mudanças climáticas alteram a distribuição da vegetação? Williams Pinto Marques Ferreira – Inicialmente, deve-se lembrar que, mesmo em diferentes escalas, o clima é o fator mais influente na formação característica da vegetação de determinada região. Prova disso é que os diferentes biomas são perfeitamente identificados em regiões com características climáticas bem definidas. Essa estreita relação deve-se, principalmente, à disponibilidade de radiação solar, principal fonte de energia do planeta. Todos os demais elementos meteorológicos que compõem o clima estão condicionados à radiação solar incidente nas diferentes regiões do globo. A temperatura do ar, a disponibilidade hídrica, a própria formação topográfica, definida em parte pelo vento, a luz visível, o ciclo hidrológico, entre outros, são fatores determinantes da formação da vegetação de determinada região. As mudanças antropogênicas (aceleradas) do clima comprometem totalmente esse equilíbrio. A competitividade entre as diferentes espécies de plantas será alterada, forçando modificações morfológicas e fisiológicas como principais estratégias adaptativas para as diferentes espécies. Por outro lado, a vegetação predominante de uma determinada região é determinante do albedo (capacidade reflexiva de determinada superfície), da temperatura média local, da umidade relativa e do ciclo hidrológico, entre outros fatores. A substituição de determinada vegetação de uma área por outra, interfere no ciclo hidrológico e nos demais elementos que são condicionantes do clima daquela região. Assim, qualquer mudança no clima irá refletir na vegetação dominante e, de maneira similar, qualquer mudança na vegetação irá interferir diretamente nas características climáticas de determinada região. IHU On-Line – Que relação o senhor estabelece entre o crescimento populacional mundial e as mudanças climáticas? Williams Pinto Marques Ferreira – As projeções para o crescimento populacional, segundo a ONU, são alarmantes, mais de nove bilhões de pessoas em 2050, sendo que hoje a população está estimada em 6,8 bilhões. Esse grande batalhão de habitantes no planeta representa, sem dúvida, maior consumo dos recursos naturais. Deve-se nesse aspecto lembrar que, como já comentado anteriormente, o modelo atual da exploração predatória do meio ambiente é um dos maiores responsáveis pelas atuais mudanças climáticas. Logo, não só deverá haver necessidade de maior produção de alimentos, mas também de energia nos países em desenvolvimento e, principalmente, nos países desenvolvidos. Nesse aspecto, deve-se observar que as tecnologias a serem empregadas para tal não podem ser semelhantes às atualmente utilizadas, sendo indispensável à questão da sustentabilidade no uso de todos os recursos naturais, em especial a água. IHU On-Line – Com a elevação do aquecimento global, o senhor vislumbra uma mudança habitacional em áreas urbanas ou rurais? Que movimento percebe nesse sentido? Williams Pinto Marques Ferreira – Não é recente a necessidade que todo produtor tem do uso de tecnologia para se manter produzindo de modo a obter lucros. O uso da tecnologia cada dia mais empregado no campo tenta, entre outras coisas, superar as dificuldades impostas pelas condições climáticas tão variáveis e até severas em algumas regiões. Com o advento das mudanças climáticas, aumentará a exigência do emprego de tecnologia para a produção de alimentos no campo, tornando cada dia mais difícil a permanência daquele produtor que produz para subsistência. Logo, as regiões hoje já castigadas por secas, enchentes e principalmente aquelas onde há a maior concentração de pessoas pobres no planeta, que são as regiões semiáridas, onde a maioria dos produtores pratica a agricultura de subsistência, serão as primeiras a serem mais afetadas pelas mudanças do clima, pois, regiões com características subúmidas poderão tornar-se semiáridas, e estas, áridas, inviabilizando qualquer tipo de prática agrícola. O resultado dessas mudanças pode traduzir-se num movimento de acentuado êxodo rural para as maiores cidades localizadas nessas regiões do planeta, intensificando todos os demais problemas associados, tais como aumento de favelas nos grandes centros urbanos, redução do acesso de serviços essenciais, como saúde e saneamento básico, aumento da violência devido ao aumento de desemprego, fome etc. Assim, todos esses fatos deixam claro que a população mais pobre será a primeira a ser afetada pelas mudanças do clima por ser aquela que menos está preparada para se adaptar às novas realidades do planeta. IHU On-Line – Estudos alertam para a escassez de alimentos nas próximas décadas. Como essa previsão deve afetar a distribuição e produção de alimentos no planeta? É possível conjeturar alternativas para atender às necessidades da fome, mesmo com o aquecimento global? Williams Pinto Marques Ferreira – De fato a escassez de alimentos deverá acontecer no futuro caso não ocorram maiores mudanças. Todavia, vários são os fatores que concorrem para tal, sendo que as mudanças climáticas contribuem para que ocorram mudanças aceleradas na agricultura de modo geral. O que deverá ocorrer com mais frequência será a migração de determinadas culturas hoje cultivadas em áreas consideradas de boa produção para outras áreas que antes apresentavam baixa produção ou até mesmo não produziam. Entretanto, a produção de alimentos depende não somente do clima de uma determinada região, mas do tipo de solo, topografia do terreno entre outras coisas, significando que não é simples explorar determinada cultura em lugares muito diferentes daqueles ao qual a cultura está adaptada. Existem muitas alternativas para evitar que a fome se torne um problema mesmo com o aquecimento global, já que a fome no mundo está associada, principalmente, à má distribuição mundial de renda, à hegemonia de determinados países no controle do comércio internacional e às perdas ainda existentes dos alimentos produzidos, provocados por diferentes causas, sendo que, no Brasil, o transporte entre o produtor e o consumidor, é a etapa onde ocorrem as maiores perdas. Ou seja, a condução de tal etapa precisaria ser mais bem planejada. Ainda, em se tratando da influência do clima sobre as culturas, há hoje, sem dúvidas, inúmeras pesquisas no mundo voltadas para a adaptação das principais culturas consumidas pelo homem às novas características climáticas mundiais. IHU On-Line – Durante toda a história da humanidade, o homem sempre se adaptou às novas formas de vida. É possível também se adaptar às mudanças do clima? Williams Pinto Marques Ferreira – Existem três formas principais de se lidar com as mudanças climáticas. Com prevenção, onde medidas antecipadas devem ser tomadas para se evitar a intensificação da emissão dos gases poluentes, com o combate para a redução das atuais emissões, e com a adaptação à nova condição imposta pelas atuais mudanças do clima. Quando se trata de plantas, a manutenção dessas espécies na Terra sempre foi um grande desafio já que o clima, ao longo da história do planeta, sempre passou por severas mudanças, sendo hoje novamente um novo desafio para as plantas a adaptação às atuais mudanças climáticas. Com relação ao homem, a própria história da evolução da humanidade, desde os primórdios, descreve a grande capacidade que a espécie tem para superar os desafios impostos. Prova “recente” dessa habilidade foi o grande aumento na produção mundial de alimentos capaz de suprir não somente o crescimento populacional após a Segunda Guerra Mundial, o qual mais que dobrou, passando de aproximadamente 2,5 bilhões, em 1950, aos atuais 6,8 bilhões, mas também o aumento na ingestão de calorias derivadas de novos alimentos que, associados aos novos hábitos de vida, aumentaram a expectativa de vida do homem. IHU On-Line – Qual sua avaliação do Plano Nacional de Mudanças Climáticas do Brasil? As metas em relação ao desmatamento e a agricultura são animadoras no que se refere ao combate das mudanças climáticas? Williams Pinto Marques Ferreira – Encontrar falhas naquilo que outros fazem é uma das atividades mais fáceis para o ser humano. Logo, embora sejam um avanço em termos de política nacional, os três principais objetivos do Plano Nacional sobre Mudança do Clima: 1) redução das emissões dos gases que contribuem para o efeito estufa, 2) adaptação aos impactos da mudança do clima e 3) suprimento das necessidades, por meio de estudos, para que os objetivos do plano sejam alcançados) estejam corretos, todavia, as ações previstas necessitam de grandes ajustes. A maior deficiência está na velocidade de execução, as metas são tímidas quanto ao prazo para serem atingidas, já que são comuns no Brasil as coisas sempre serem deixadas para última hora, além de, em parte, tais medidas estarem condicionadas à obtenção de recursos internacionais, o que certamente dificultará sua execução. Outro aspecto a ser revisto são as metas para redução do desmatamento, o qual está diretamente associado às queimadas. O plano de redução do desmatamento na Amazônia Legal está afixado em 72% até o ano de 2017. A recuperação de 100 milhões de hectares de pastos degradados e o aumento do dobro das atuais áreas de florestas plantadas no país, chegando a 11 milhões de hectares em 2015, deveriam ser mantidos. Contudo, deveriam ser adotadas medidas mais urgentes para que fosse alcançado o plano de desmatamento zero, que é o ideal, já que a maior contribuição do país para o efeito estufa é decorrente da emissão dos gases resultantes das queimadas. O aumento gradual do uso de biocombustíveis hoje também é uma das ações mais acertadas do atual governo federal. Mas, infelizmente, no atual momento, alguns projetos de lei, criados em 2007, e os mais recentes seguem o trâmite lento dito “normal” do Congresso, sendo que os mesmos deveriam receber maior atenção e urgência em sua aprovação, principalmente porque o Brasil deverá apresentar propostas na próxima COP, rumo à implantação definitiva de um Plano Nacional sobre Mudança do Clima capaz de combater o tão preocupante aquecimento global. IHU On-Line – A convenção do clima pode trazer uma solução para a redução das mudanças climáticas? Por outro lado, qual é o risco para o planeta se ocorrer um atraso do acordo climático mundial em Copenhague? Williams Pinto Marques Ferreira – A próxima Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas – COP 15, a ser realizada em Copenhague, na Dinamarca, no mês de dezembro, assim como as anteriores, sempre representa uma esperança de novos acordos. Em se tratando de Brasil, há expectativa de grandes avanços, logo se deve torcer para que a mesma não acabe como as anteriores, ou seja, com muita discussão e poucos avanços significativos. Como o Brasil é considerado um dos grandes emissores de gases de efeito estufa devido às queimadas das florestas, essa próxima reunião intergovernamental é de grande interesse para o governo brasileiro tratar dos assuntos ligados ao mecanismo REDD (Redução de Emissões para o Desmatamento e Degradação) que será o tema base do encontro das partes. Será um dos pontos fortes para o governo brasileiro, que quer tratar do assunto com metas de redução com números orientados por resultados de pesquisas científicas. O Brasil deve, todavia, insistir para a inserção de mecanismos de incentivo tais como os incentivos fiscais e financeiros para o uso de tecnologias simples, mas comprovadamente úteis capazes de contribuir para a redução de emissões de gases de efeito estufa e que estejam associadas à diminuição do desmatamento e à preservação de florestas nativas. O maior problema das discussões na próxima COP poderá, contudo, ser sobre a atual posição dos EUA frente às mudanças climáticas, já que até o presente momento, o senado norte-americano ainda não votou sobre o assunto e, consequentemente, não tem uma posição definida para ser apresentada em Copenhague. O futuro do planeta já está em “xeque” há muito tempo, e como resultados das negociações anteriores, tanto o Brasil quanto os EUA e a União Europeia ainda têm muito que apresentar para que ocorra um acordo mundial coeso para que o planeta possa enfrentar os problemas do aquecimento global. Copenhague não pode passar para a história sem grandes avanços nos acordos sobre o clima, todavia, sabe-se que diplomaticamente todos os esforços têm sido feitos nesse sentido, e que o planeta já demonstra não ter o tempo que os diplomatas necessitam para chegarem a um consenso. IHU On-Line – Em que medida o REDD – Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação pode representar avanços na conservação da floresta Amazônica? Qual é a relevância das florestas no combate às mudanças climáticas? Williams Pinto Marques Ferreira – Sem dúvida, o REDD é um mecanismo que possibilitará aos países desenvolvidos financiarem projetos de conservação que reduzam o desmatamento nos países menos desenvolvidos e, a partir da redução do carbono que deixou de ser emitido para a atmosfera, receber créditos de carbono. A posição do governo brasileiro, entretanto, é de que esse seja um mecanismo auxiliar, mas não o principal mecanismo utilizado para que os países desenvolvidos alcancem suas metas de redução. A importância do mecanismo foi de modo informal discutida em julho, na Groenlândia, entre mais de 100 ministros de Estado do meio ambiente de diferentes países, os quais concordaram que o REDD deve ser incluído no novo acordo climático global desde que existam mecanismos padrões de controle e monitoramento dos investimentos no REDD. A preservação das florestas é fundamental, não somente porque representam gigantescos reservatórios de carbono, o qual é liberado na forma de gás no momento que a floresta é queimada após o desmatamento, mas também porque é um dos ambientes terrestres com a maior diversidade e espécies vivas no planeta. O REDD é hoje o principal mecanismo voltado para o financiamento das ações de controle e redução do desmatamento que pode contribuir de modo bem positivo para a redução da emissão de carbono. Em se tratando de Brasil, o maior problema ainda está na legislação brasileira, já que criar boas leis voltadas para a legislação ambiental e, acima de tudo, criar mecanismos para fiscalizar e fazer cumprir as leis no Brasil não é algo assim tão fácil, mas isso é outra conversa.

Mudanças climáticas causarão uma crise alimentar

Mudanças climáticas causarão uma crise alimentar que afetará 25 milhões de crianças. Cerca de 25 milhões de crianças sofrerão de fome em um prazo de quatro décadas devido à escassez de alimentos que será causada pelo aumento das temperaturas, advertiu hoje o Instituto Internacional de Pesquisa de Política Alimentar (International Food Policy Research Institute, IFPRI, em inglês), na reunião sobre mudança climática da ONU realizada em Bancoc. “Este drama pode ser evitado com um investimento de US$ 9 bilhões anuais para aumentar a produtividade agrícola e ajudar os produtores enfrentar os efeitos do aquecimento global”, afirmou Gerald Nelson, um dos autores do relatório do IFPRI. “Melhores estradas, sistemas de irrigação, acesso a água potável e escolarização para meninas são essenciais”, acrescentou Nelson, dentro da conferência sobre mudança climática realizada em Bancoc para preparar a cúpula de Copenhague, em dezembro. O estudo Climate change: Impact on agriculture and costs of adaptation afirma que os habitantes nos países em desenvolvimento terão acesso a 2,41 mil calorias diárias em 2050, 286 calorias a menos que em 2000. Na África, será de 392 calorias a menos e, nos países industrializados, de 250 calorias abaixo. No ano passado, o aumento do preço dos alimentos básicos perante as notícias de escassez de produção provocou revoltas populares em várias partes do mundo, do Egito à Tailândia, e a ONU decidiu realizar uma reunião urgente. Os líderes do Grupo dos Vinte (G20, os países ricos e os principais emergentes) decidiram na semana passada, em Pittsburg (EUA), doar US$ 2 bilhões para combater a fome, enquanto a ONU anunciou uma cúpula sobre o problema em novembro. No fim de semana passado, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pressionou o Banco Mundial e outras instituições multilaterais a aumentar suas contribuições aos países pobres, em um momento no qual “ainda mais pessoas não têm acesso a alimentos, porque os preços são inacreditavelmente altos devido à crise econômica ou à falta de chuvas”. Nelson disse que as crises alimentares do ano passado, quando as informações de escassez de alimentos básicos geraram protestos em vários países pobres e emergentes, foi uma chamada de atenção. Etiópia, Quênia, Somália e Uganda sofrem um aumento dos preços dos alimentos por causa de colheitas ruins e secas, porque há áreas do planeta que mostram sinais de vulnerabilidade à mudança climática e estão mudando seus ciclos de chuvas, segundo o IFPRI. A população da Terra será 50% maior que a atual em 2050, os desafios serão enormes até sem mudança climática. Para Lester Brown, fundador do Instituto de Políticas da Terra, a alimentação também é o assunto mais preocupante da mudança climática, e advertiu que a Ásia está no epicentro da crise. Por um lado, cerca de 2,5 bilhões de pessoas ou cerca da metade da população economicamente ativa nos países ricos dependiam da agricultura para seu sustento, segundo dados correspondentes a 2005. E por outro lado, 75% dos pobres de todo o mundo moram nas áreas rurais, as mais vulneráveis às alterações climáticas. “Se continuarmos fazendo as coisas como fizemos até agora, estaremos garantindo, com toda certeza, consequências desastrosas”, advertiu Nelson. Cerca de 4 mil delegados de 179 países participam da conferência de Bancoc, que começou na segunda-feira e que terminará em 9 de outubro.As conquistas e obstáculos de Bancoc passarão à reunião que será realizada em Barcelona (Espanha) em novembro, para que se prepare e feche a agenda da cúpula sobre mudança climática de Copenhague.

Desertificação

Desertificação. A face desumana das variações climáticas.
Desertificação é entendida como “a degradação da terra nas regiões áridas, subáridas e sub-úmidas secas, resultante de vários fatores, entre eles as variações climáticas e as atividades humanas”. Durante séculos as regiões secas estiveram isoladas dos processos de produção de excedentes econômicos para os mercados de alimentos e manufaturados sendo, quase que exclusivamente, fornecedores de matérias primas. Aí residiu o atraso tecnológico e a instauração de um padrão de exploração dos recursos naturais insustentáveis, face às demandas a que deveriam atender. “Os sintomas básicos da degradação das terras secas são os desequilíbrios entre as relações sociais e os ecossistemas naturais dos quais dependem”, afirma o economista J. Dixon, em importante trabalho sobre economia das regiões secas. A degradação da terra tem alguns componentes como: degradação do solo, degradação da vegetação com degradação dos recursos hídricos e redução da qualidade de vida. Esses componentes estão relacionados a várias áreas dos conhecimentos físicos, biológicos, hídricos e socioambientais. Há dificuldades conceituais de se atribuir a desertificação a algumas áreas. Os motivos são: a seca é um fenômeno mais antigo e mais visível do que a desertificação; a desertificação é um processo que ocorre durante lapsos de tempo relativamente grandes (10 ou mais anos), enquanto a seca é um evento marcado claramente no tempo. Isso faz com que as perdas de produtividade e da produção sejam atribuídas às secas, muito mais visíveis do que a desertificação. Em muitos casos o processo de desertificação não tem a feição nem a condição de deserto, dificultando a sua visualização. Outro problema é a falta de uma avaliação econômica da desertificação. O tema, indicadores de desertificação, vem sendo discutido há 33 anos. O MERCOSUL realizará estudos ambientais e econômicos da desertificação. Os custos ambientais e econômicos da não adoção das medidas necessárias para conter o processo de desertificação e a conseqüente degradação de terras, será objeto de um estudo que será realizado em breve pelos países do MERCOSUL. A Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (COP9) foi iniciada em 21/09 a 2/10/2009, passado. O Brasil sugeriu a articulação de um pacto nacional para a construção de uma agenda de desenvolvimento sustentável para o semi-árido. A Convenção estabeleceu 11 indicadores de desertificação, sendo apenas dois aprovados e dois citados nas recomendações. A partir da aplicação dos indicadores a cada uma das microrregiões da parte semiárida e sub-úmida seca do Nordeste, as áreas foram classificadas em: muito grave quando são conhecidas por um número de 15 a 19 indicadores; grave, de 11 a 14; moderada, de 6 a 10 indicadores. Indicadores de desertificação consensuados entre o Instituto Interamericano de Cooperação pela Agricultura, o Ministério do Meio Ambiente, a Fundação Grupo Esquel Brasil, o Banco Internacional de Desenvolvimento e o Fundo Especial do Governo do Japão são encontrados em http://www.iicadesetification.org.br/imagem/noticia/File/Paises_do_Programa/Brasil/Taller_Nacional/TallerNacionTallerNacional_Brasil A redução da biodiversidade do Bioma Caatinga (Mata Branca) conseqüência dos processos de desertificação tem-se configurado como um dos graves problemas das regiões do semiárido brasileiro. Nesse contexto, objetiva-se avaliar a dinâmica da degradação (desertificação em função de diferentes usos e manejo do Bioma Caatinga). Inventariou-se a composição florística, a estrutura da comunidade vegetal, analisando as condições geoecológicas. Este estudo foi desenvolvido na UFC – Universidade Federal do Ceará. Na África, Ásia, Índia e América Latina, a situação é bem semelhante, mesmo quando consideramos países desenvolvidos cujas áreas secas são menos desenvolvidas em relação a outras sujeitas a chuvas freqüentes. O Sistema de Desertificação para a Europa Mediterrânea que integra Portugal, Espanha, Itália e Grécia apresenta 148 indicadores relevantes para o desenvolvimento destes países. Uma abordagem relacionada a conhecimento e indicadores, apresentada por Mwesigye propondo a tradução ou adaptação dos nossos conceitos científicos para a língua nativa das populações tradicionais, de modo a valorizar-lhes a própria cultura, o saber e as práticas tradicionais de observação, mensuração e diagnóstico da qualidade e/ou mudança do meio ambiente. Essa abordagem reforça a já conhecida constatação de que as sociedades tradicionais têm desenvolvido suas próprias hipóteses e práticas de observação e mensuração das alterações ambientais e manejo controlado dos recursos naturais. A pesquisa de Mwesigye trata do conceito de degradação ambiental e procura encontrar o similar para o dialeto Runyankore, um dos muitos dialetos de Uganda. O mencionado conceito adquire dez diferentes significados como indicadores de mudanças mencionados a seguir: mudança dos padrões de chuva, redução da cobertura vegetal, secagem das fontes de recursos hídricos, surgimento de pragas e doenças nas plantações, perda de fertilidade do solo, secagem de pântanos, erosão e perda de fertilidade do solo e uso crescente de tecido industrial. Os problemas para o desenvolvimento de um sistema de indicadores esbarram em questões de ordem teórica metodológica, assim como no próprio modus operandi da prática acadêmica, onde considerações acerca da valorização dos “conhecimentos tradicionais” ou da participação das populações locais passam a ter importância na construção do conhecimento. Um consenso na comunidade científica para a definição do conjunto mínimo de indicadores capazes de identificar e explicar a desertificação soma-se à recorrente falta de dados confiáveis e uma marginalização das terras secas em relação aos mercados e, finalmente, à inexistência de uma “economia de terras secas”, capaz de mostrar as vantagens comparativas e/ou competitivas em relação a outros ambientes de produção, o que poderia gerar maior interesse na compreensão dos problemas.

Criado o primeiro portal de empregos verdes do Brasil

O que é um emprego verde? Segundo a OIT (Organização Mundial do Trabalho), os “Empregos Verdes são trabalhos e atividades que contribuem substancialmente para preservar ou restaurar a qualidade ambiental. Isso inclui trabalhos que ajudam a proteger a biodiversidade e os ecossistemas; reduzam o consumo de energia, materiais e água através de estratégias de alta eficiência; reduzam a emissão de CO2 na economia; e minimizam e até evitam todas as formas de desperdício e poluição.” Os Empregos Verdes conseguem minimizar a emissão de CO2, além de preservar o meio ambiente e criar empregos para pessoas pobres, com o plantio de vegetação nativa, remoção de espécies invasoras, construção de infraestrutura para diminuir a erosão do solo, proteção de reservas e gerenciamento de bacias hidrográficas. O que é o Green Jobs Brasil? O Green Jobs Brasil é o primeiro portal de empregos verdes do Brasil. Ele aproxima às empresas que necessitam de capital humano para projetos sustentáveis e o profissional que busca oportunidades de empregos nesse mercado. O objetivo do Portal é ser um canal de comunicação entre empresas que atuam de maneira verde e com profissionais qualificados para essas atividades. O Portal, que tem um visual inspirado na rede social Twitter, foi criado pela Rudra Tecnologias Sustentáveis, empresa catarinense que desenvolve softwares para novos modelos de negócio dentro da concepção do capitalismo natural. Como funciona? O Portal é totalmente gratuito, empresas e profissionais podem usá-lo sem nenhum tipo de cadastro ou cobrança. As ofertas de emprego estão subdivididas em áreas por Técnicos, Educadores, Gestores e Comercial, e podem ser procuradas por um fácil sistema de buscas de empregos. As empresas que precisam recrutar candidatos para seus projetos sustentáveis, podem divulgar suas vagas no Green Jobs Brasil, e os profissionais podem procurar e candidatarem-se às vagas, além de poder seguir o @greenjobsbrasil no Twitter e ficar sempre sabendo das últimas vagas publicadas. O Twitter do Green Jobs também disponibiliza aos seus seguidores uma série de notícias sobre empregos verdes. Tendências O Brasil já tem 2,6 milhões de empregos verdes, 6,73% do total de postos de trabalho formais, e a transição para uma economia que leve a menores emissões de gases de efeito estufa pode aumentar a criação desses postos de trabalho, segundo o relatório Empregos Verdes no Brasil: Quantos São, Onde Estão e Como Evoluirão nos Próximos Anos, lançado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Mudanças climáticas nova ordem econômica mundial

Marco das negociações sobre mudanças climáticas, uma nova ordem econômica mundial?
Maiores emissores de CO2, a partir de 1850 Resultados preliminares de um Estudo do Banco Mundial sob o título “A Economia de Adaptação às Alterações Climáticas – EACC”, financiado pelos governos da Holanda, Suécia e Rússia destacam os custos de adaptação às mudanças climáticas de países ricos e pobres. Os objetivos do estudo são: desenvolver uma estimativa dos custos globais na adaptação dos países em desenvolvimento e ajudar os tomadores de decisão na elaboração de estratégias para o problema. Segundo o Relatório, as regiões mais vulneráveis são a Ásia Oriental, Pacífico, América Latina, Caribe e África Subsaariana. “Os custos de adaptação podem ser suportados pelos países ricos, a julgar pelos valores dos seus PIB’s (Produto interno Bruto), mas para os países pobres eles são inaceitavelmente elevados”, observou Koenders, ministro holandês da Cooperação para o Desenvolvimento Sustentável. Ele também destacou que os fatores como a mitigação, adaptação e a cooperação entre as nações são necessários para tornar os emergentes menos vulneráveis às mudanças climáticas. O estudo revela a mais profunda análise econômica de todos os tempos sobre o tema. Publicado ontem, 30 de setembro de 2009, durante a 4ª Cúpula de Bangkok, na Tailândia, a abordagem consiste em comparar um mundo futuro sem as alterações climáticas (terra habitável?) com um Planeta assolado futuramente pelas mudanças climáticas. A diferença entre esses dois universos envolve uma série de ações para se adaptar às novas condições mundiais dos gastos com as alterações climáticas. O estudo utiliza uma nova metodologia para avaliar estes gastos. O custo de adaptação às alterações climáticas nos países em desenvolvimento estará entre US$ 75-100 bilhões por ano, entre 2010 e 2050. A diferença entre os universos com e sem alterações climáticas são os mesmos da adaptação às transformações do Meio Ambiente. Diante da perspectiva de custos de infraestrutura adicional, bem como secas, doenças, e reduções drásticas da produtividade agrícola, os países em desenvolvimento precisam estar preparados para as possíveis conseqüências dessas alterações. Neste contexto, o acesso ao financiamento necessário será crucial, afirmou Kathrine Sierra, vice-presidente do Banco Mundial para o desenvolvimento sustentável. Para Koenders, “o estudo do Banco Mundial deixa claro que a tomada de medidas em favor da adaptação pode resultar em economias capazes de reduzir o que chamou de riscos inaceitáveis”. Enfim, o trabalho do Banco Mundial destaca que as estratégias de desenvolvimento devem maximizar a flexibilidade e incorporar o conhecimento sobre mudanças climáticas assim como ela é adquirida. “O crescimento econômico é a forma mais poderosa de adaptação”, destacou Warren Evans, diretor de Meio Ambiente do Banco Mundial. No entanto, o dinheiro minimiza os impactos das mudanças climáticas, mas não a sua causa, ponderou Evans. Concluímos que os financiamentos necessários ao atendimento às vítimas das mudanças climáticas antecedem, por esgotamento do tempo, o estabelecimento dos “Limites da Terra”, servindo este tema apenas como reflexão, hoje e sempre.

Faltam recursos para conter mudança climática

Sobre as finanças públicas, o documento levantou perguntas sobre como a conta climática deve ser dividida. O mundo precisa "urgente e substancialmente" levantar fundos para combater as mudanças climáticas, disse um esboço de documento preparado para uma reunião de ministros financeiros de todo o mundo, que ocorre em Londres em setembro de 2009. O grupo do G20 evitou fazer estimativas em dólar, citando em vez disso um estudo do Banco Mundial segundo o qual somente o mundo em desenvolvimento precisará de mais de 100 bilhões de dólares por ano até 2030. O presidente dos EUA Barack Obama disse em julho que os ministros das Finanças devem apresentar relatórios sobre recursos para o clima numa cúpula do G20 marcada para 24 e 25 de setembro em Pittsburgh, suscitando expectativas de avanços esta semana em Londres. Os recursos para enfrentar as mudanças climáticas se dividem entre os necessários para reduzir as emissões dos gases estufa que alimentam o problema, e, de outro lado, aqueles necessários para preparar o mundo para enfrentar mais secas, enchentes e elevação dos mares. Os dois tipos são conhecidos respectivamente como mitigação e adaptação. "Existe um grande abismo financeiro entre as necessidades projetadas e as fontes atuais de recursos," disse o documento provisório de 6 páginas ao qual a Reuters teve acesso na sexta-feira. "Os recursos para a mitigação e a adaptação terão que ser aumentados urgente e substancialmente e devem mobilizar recursos para ajudar os países em desenvolvimento a tomar medidas, começando no curto prazo." O relatório, não datado mas redigido após a cúpula do G8 em julho na Itália, foi mais específico em relação às opções para o setor privado. Isso pode desagradar a alguns países em desenvolvimento e grupos ambientalistas, que querem comprometimentos inequívocos dos governos para ajudar os países em desenvolvimento. O relatório é favorável, por exemplo, aos mercados de carbono como possível fonte de recursos do setor privado, citando uma estimativa do Tesouro australiano segundo a qual o mundo desenvolvido poderia gastar 80 a 160 bilhões de dólares até 2020 com a redução de emissões em países em desenvolvimento, com isso ganhando o direito de poluir em seus próprios países. O processo do G20 faz parte de um calendário lotado de encontros que visam impulsionar as negociações da ONU para chegar a um novo tratado climático global em Copenhague em dezembro. Com relação às finanças públicas, o documento levantou perguntas sobre como a conta climática deve ser dividida, por exemplo se países em desenvolvimento que crescem mais rapidamente também devem pagar, e se os compromissos ao nível de países devem ser decididos segundo critérios de riqueza nacional, emissões de carbono ou outros. O relatório não mencionou que organismo global deve alocar o dinheiro. O nível de financiamento e sua alocação são questões complicadas nas conversações de Copenhague, em que os países em desenvolvimento pedem mais voz para determinar como são gastas as contribuições dos países ricos.

Mudança climática trará retrocesso de meio século

Pesquisa da Oxfam Internacional aponta que países vulneráveis voltarão a nível de pobreza de 50 anos atrás. Os ganhos obtidos pelos países mais pobres nos últimos 50 anos podem ser perdidos totalmente e de forma irreparável por causa das alterações climáticas, indica estudo divulgado hoje pela Oxfam Internacional, grupo que reúne ONGs que lutam contra a pobreza. O relatório se baseia nas respostas de 42 cientistas que colaboram com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), ligado às Nações Unidas. Segundo eles, a maior impacto será o aumento da fome. Com as alterações sofridas na zona tropical, plantações de culturas-chave na alimentação humana, especialmente milho e arroz, estarão em risco. Dois terços do 1 bilhão de pessoas que se encontram na pobreza no mundo vivem nas zonas rurais dos países em desenvolvimento. É o caso de Chriselliea Nzabonimpa, mãe de cinco filhos e líder da comunidade onde mora, em Ruanda, que mostra como suas plantações de milho e mandioca não vingam por causa de um padrão irregular e inesperado de chuvas. Ao lado da segurança alimentar, o acesso à água é outra questão urgente, afirma a Oxfam. Cidades populosas já sofrem desabastecimento: a neve que fornecia o recurso durante o degelo já sumiu, ou está prestes a desaparecer. "A geleira Mururata é a Mãe Terra para nós. É onde conseguimos nossa água para cozinhar, lavar, beber, regar nossos jardins e alimentar nossos animais", diz Valério Quispe, que vive na comunidade Choquecota, no altiplano boliviano. A geleira é uma das diversas que retraíram nos últimos anos e que podem desaparecer em poucas décadas. A falta de água também tem o potencial de gerar conflitos, especialmente em torno dos rios Indus, Nilo e Tigre-Eufrates, além de estimular migrações de populações empobrecidas. Estudo recente, ainda não publicado, do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica dos EUA, analisou os 925 principais rios do mundo. Baseado em 60 anos de registros, ele projeta que um terço deles será afetado significativamente pelas mudanças climáticas.

Nações ricas emitem mais de 6 bilhões de toneladas em gás-estufa

Mais de 6 bilhões de toneladas de gás-estufa são emitidos por ano na produção de bens levados à nações ricas do mundo.
Gráfico da ‘exportação de CO2 Países pobres “exportam” 23% de seu CO2 – Maior fluxo de emissões “terceirizadas” é dos EUA para a China; com atraso no acordo do clima, situação alimenta ideia de imposto Quase um quarto do volume de gases do efeito estufa emitidos por países pobres (23%) tem como origem produtos e serviços vendidos a países ricos, indica um estudo. Analisando a complexa malha internacional de relações comerciais, o trabalho conclui que em 2004, ano base da pesquisa, nações desenvolvidas produziram indiretamente 6,2 bilhões de toneladas de gás carbônico. Assinado por Steven Davis e Ken Caldeira, da Instituição Carnegie de Washington, o estudo [Consumption-based accounting of CO2 emissions] avaliou o comércio relacionado a 57 setores da indústria em 113 países. Publicado na edição de ontem da revista “PNAS”, o trabalho contribui para o debate de uma das grandes questões na negociação de metas de cortes de emissões. O CO2 emitido para produzir um determinado bem deve ser contabilizado por quem o fabrica ou por quem o consome? “Estamos mostrando que uma política regional para combater o aquecimento global não seria eficiente nos EUA, por exemplo, se as pessoas puderem simplesmente importar produtos de países como a China e esses países não tiverem restrição de emissões”, disse Davis à Folha. Esses dois países são mesmo exemplos diametralmente opostos -um “importa” CO2 enquanto o outro “exporta”-, mas ambos se beneficiam da situação. Se por um lado a China engorda sua economia queimando combustíveis fósseis para produzir bens exportáveis, por outro os americanos acabam mascarando o impacto ambiental de seu consumismo. Davis, porém, diz que mapear esse comércio disfarçado de emissões pode ajudar na negociação do acordo do clima. “A China e outros países relutantes em se comprometer com uma meta de redução de emissões podem se tornar mais propensos a negociar se puderem usar esse argumento para convencer nações ricas a pagarem parte do custo de mitigação.” A estimativa da responsabilidade indireta dos países ricos no estudo de Davis é até conservadora, porque só considera a emissão de CO2 por meio de queima de combustíveis fósseis. Atividades econômicas que alimentam o desmatamento brasileiro, por exemplo, ainda não foram contabilizadas, por serem mais complexas. Ele também ataca o conceito de “responsabilidade histórica” dos países ricos sobre o aquecimento global. Segundo esse argumento, essas nações deveriam arcar com a conta da mitigação da mudança climática mais por terem emitido gases-estufa no passado do que no presente, pois muitas delas já não são grandes emissoras. Se o consumo em nações desenvolvidas for responsabilizado por emissões, porém, nações “limpas”, como o Japão e os países nórdicos, ainda são grandes emissores. “A tendência histórica está continuando, não se alterando”, diz Davis. Luiz Gylvan Meira Filho, do Instituto de Estudos Avançados da USP, especialista em mudança climática, diz que uma divisão de responsabilidades sobre emissões levando em conta o consumo em vez da produção não seria necessariamente mais justa. “Não há nenhuma regra física dizendo que uma seja melhor que outra.” Para ele, porém, quanto mais o acordo global do clima atrasa, mais o desequilíbrio na “balança comercial” das emissões estimula o que todos temem: a criação de impostos sobre produtos que emitem carbono.

Estudo mapeia emissão de CO2

Em 5 meses, desmate da Amazônia responde por 51 milhões de t de gases-estufa emitidos. O desmatamento da floresta amazônica, registrado entre agosto de 2009 e janeiro deste ano, será responsável pela emissão de 51 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), segundo dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). No período, o desflorestamento foi de 836 quilômetros quadrados, segundo o Sistema de Alerta de Desmatamento do Imazon. Essa taxa de carbono supera, e muito, as emissões da indústria paulista no ano de 2006, por exemplo, que foi de 38 milhões de toneladas de CO2. As emissões de gases de efeito estufa provocam o aquecimento global. O dado também é 41% maior do que no período anterior (agosto de 2008 a janeiro de 2009), quando foram afetados 36 milhões de CO2. "Dizemos que o carbono foi comprometido ou afetado porque não podemos afirmar que a emissão já ocorreu, se o gás já está ou não na atmosfera. A emissão vai acontecer em algum momento, mas pode ser numa próxima queimada, por exemplo", explica Carlos Souza Júnior, cientista do Imazon. A emissão ocorre por meio da queimada da madeira ou da decomposição natural das árvores cortadas. O aumento do desmatamento acompanhou em menor medida a elevação das emissões e foi de 22% ao se comparar um período com o outro. Segundo o pesquisador, o fato não é estranho e, na verdade, em alguns casos o desmatamento pode até mesmo diminuir enquanto as emissões aumentam. Isso explica por que ao cortar florestas mais densas - com maior volume de madeira - as emissões de CO2 são mais altas. "Na área mais desmatada da Amazônia, na região do Arco do Desmatamento, há menor densidade de carbono. Regiões como a Terra do Meio e Novo Progresso, no Pará, têm estoques de carbono mais elevados", diz. Foi a primeira vez que o Imazon incluiu a informação sobre emissões de CO2 em seu relatório sobre desmatamento, o Transparência Florestal. Para calcular as emissões de carbono que o desmatamento acarreta, foi necessário fazer um cruzamento de dados. Cada polígono onde houve desmate foi comparado a mapas de biomassa da Amazônia. Entraram na conta do "simulador de emissões de carbono" estimativas para algumas incertezas (um incêndio nem sempre queima toda a biomassa existente, pois sua eficiência não é de 100%). "Isso nos deu mais segurança para a modelagem", diz o pesquisador.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Desmate na Amazônia responde por 51 milhões de t de gás

Estudo do Imazon registra que em 5 meses, desmate da Amazônia responde por 51 milhões de toneladas de gás estufa emitidos.
Desmatamento na Amazônia
O Desmatamento da Floresta amazônica, registrado entre agosto de 2009 e janeiro de 2010, será responsável pela emissão de 51 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), segundo dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). No período, o desflorestamento foi de 836 quilômetros quadrados, segundo o Sistema de Alerta de Desmatamento do Imazon. Essa taxa de carbono supera, e muito, as Emissões da indústria paulista no ano de 2006, por exemplo, que foi de 38 milhões de toneladas de CO2. As Emissões de gases de efeito estufa provocam o Aquecimento Global. O dado também é 41% maior do que no período anterior (agosto de 2008 a janeiro de 2009), quando foram afetados 36 milhões de CO2. “Dizemos que o carbono foi comprometido ou afetado porque não podemos afirmar que a emissão já ocorreu, se o gás já está ou não na atmosfera. A emissão vai acontecer em algum momento, mas pode ser numa próxima queimada, por exemplo”, explica Carlos Souza Júnior, cientista do Imazon. A emissão ocorre por meio da queimada da madeira ou da decomposição natural das árvores cortadas. O aumento do Desmatamento acompanhou em menor medida a elevação das Emissões e foi de 22% ao se comparar um período com o outro. Segundo o pesquisador, o fato não é estranho e, na verdade, em alguns casos o Desmatamento pode até mesmo diminuir enquanto as Emissões aumentam. Isso explica por que ao cortar Florestas mais densas – com maior volume de madeira – as Emissões de CO2 são mais altas. “Na área mais desmatada da Amazônia, na região do Arco do Desmatamento, há menor densidade de carbono. Regiões como a Terra do Meio e Novo Progresso, no Pará, têm estoques de carbono mais elevados”, diz. Foi a primeira vez que o Imazon incluiu a informação sobre Emissões de CO2 em seu relatório sobre Desmatamento, o Transparência Florestal. Para calcular as Emissões de carbono que o Desmatamento acarreta, foi necessário fazer um cruzamento de dados. Cada polígono onde houve desmate foi comparado a mapas de Biomassa da Amazônia. Entraram na conta do “simulador de Emissões de carbono” estimativas para algumas incertezas (um incêndio nem sempre queima toda a Biomassa existente, pois sua eficiência não é de 100%). “Isso nos deu mais segurança para a modelagem”, diz o pesquisador.

Caatinga perdeu 45% da área original

Estudo aponta que madeira é usada para fazer lenha e carvão; BA e CE são os Estados que mais devastaram. O desmatamento na Caatinga atingiu 16.576 quilômetros quadrados entre 2002 e 2008, o que corresponde a 11 vezes a área da cidade de São Paulo. Da cobertura original do bioma - que é de 826.411 km² -, 45,39% da área já foi desmatada, o equivalente aos territórios dos Estados do Maranhão e do Rio somados. As informações foram divulgadas ontem pelo Ministério do Meio Ambiente, que realizou pela primeira vez um monitoramento mais detalhado da região, com base em análise de imagens obtidas por satélite. "O Brasil e o ministério não podem ser samba de uma nota só. A Amazônia é fundamental, mas temos de preservar todos os biomas", disse o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Ele considerou os números "assustadores". "É preocupante. O bioma Amazônia é cinco vezes maior do que a Caatinga. Essa média de 2.763 km² (de desmatamento anual da Caatinga) é praticamente correspondente ao desmatamento da Amazônia", analisou Minc. "Proporcionalmente, o desmatamento destes anos no Nordeste é do mesmo tamanho da devastação da Amazônia, para um bioma que é muito mais vulnerável e será muito mais afetado pelas mudanças no clima." O ministério aponta o uso da mata nativa para fazer lenha e carvão como uma das principais razões do desmatamento da Caatinga. O carvão vai para siderúrgicas em Minas Gerais e no Espírito Santo; a lenha é utilizada em polos gesseiros e de cerâmica no Nordeste. "Não haverá solução para a defesa da Caatinga sem mudar a matriz energética, sem levar, por exemplo, pequenas centrais hidrelétricas, energia eólica, o gás natural para o polo gesseiro", disse Minc. A análise dos dados mostra que o perfil do desmatamento da Caatinga é diferente do que ocorre na Amazônia e no Cerrado - é mais pulverizado, o que dificultaria o combate. Entre 2002 e 2008, Bahia e Ceará foram os Estados que mais destruíram a vegetação nativa - juntos, foram responsáveis por 8.659 km² de área devastada. Para monitorar a Caatinga, um bioma mais rarefeito do que o encontrado na Amazônia, o satélite foi "ajustado" para operar com maior precisão. A partir de hoje, o ministro participa do 1º Encontro Nacional de Enfrentamento da Desertificação, em Petrolina (PE), onde deve se reunir com governadores e secretários do Meio Ambiente do Nordeste para discutir o problema. "São necessárias várias medidas locais de recuperação de solo, reflorestamento, proteção de microbacias e de alternativas energéticas", observou. Para a professora Maria Aparecida José de Oliveira, especialista em botânica da Universidade Federal da Bahia, é necessário mais empenho dos governos para preservar a Caatinga - faltam fiscalização e políticas para as comunidades locais. "O melhor modelo de recuperação é aquele que envolve a população, pois é ela quem vai cuidar do bioma." Há cerca de 930 espécies vegetais na região, sendo 320 exclusivas. A área do bioma está distribuída por 10 estados. Quase metade do bioma já desapareceu no País. Ares em Km² Classificação - Localização – Área de caatinga – Desmate em 2.002 – Desmate depois de 2.002 1º - Bahia – 300.967 – 149.619 – 4.527 2º - Ceará – 147.675 – 54.675 – 4.132 3º - Piauí – 157.985 – 45.754 – 2.586 4º - Pernambuco – 81.141 – 41.159 – 2.204 5º - Rio Grande do Norte – 49.402 – 21.418 – 1.142 6º - Paraíba – 51.357 – 22.342 – 1.013 7º - Minas Gerais – 11.100 – 5.371 – 359 8º - Alagoas – 13.000 – 10.320 – 353 9º - Sergipe – 10.027 – 6.683 – 157 10º - Maranhão – 3.753 – 1.134 - 97

Desmate cai 30% no Estado de SP

Desmate cai 30% no Estado de SP, dados incluem vários tipos de vegetação. Houve uma redução de 30% no desmatamento no Estado de São Paulo na comparação de 2009 com o ano anterior, segundo a Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Os dados divulgados apontam que o desmatamento caiu de 4.743 hectares para 3.206 hectares. Do total desmatado no ano passado, 1.813 hectares foram autorizados pelo governo. Em 2008, foi permitido corte de uma área maior: 2.636 hectares. As obras lineares, para dutos e fiação, foram as principais responsáveis pelo corte de mata em 2009 (30%). A agropecuária, que costuma ser apontada como o principal vilão dos desmatamentos no Brasil, ficou em segundo lugar, com 27%. A polícia não distingue o tipo de vegetação desmatada em suas autuações. Mas, entre os desflorestamentos autorizados, a maior concentração foi na floresta ombrófila na Mata Atlântica - que é úmida, não perde folhas (fica sempre verde) e tem vegetação densa, com árvores de até 20 metros. Do Cerrado foram autorizados o desmate de 119 hectares. O secretário estadual Xico Graziano ressalta que houve um endurecimento para as permissões de desmate no Cerrado. Outro motivo para conseguir reduzir a devastação foi o "aperto" a loteamentos. Ele mostrou indicadores de recuperação de mata ciliar, que protege os rios, nos últimos anos. Em 2008, eram 247,7 mil hectares de mata ciliar em recuperação, e no ano passado o número subiu para 375,3 mil. RESTA POUCO A maior parte de São Paulo era coberta por Mata Atlântica, bioma que está reduzido a 11,4% de sua área original. Ambientalistas afirmam que seria importante que o governo estadual associasse seus dados a mapeamentos precisos com imagens de satélite - para pegar o que a polícia não conseguiu. O mapeamento da Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) só consegue enxergar desmatamentos maiores do que 3 hectares. Os que ocorrem em São Paulo são menores.

Desmatamento ameaça litoral norte de São Paulo

Desmatamento ‘formiga’ ameaça litoral norte de São Paulo De longe, a vegetação parece intacta, mas basta percorrer a área para ver o que as imagens de satélite não alcançam. O desmatamento “formiga”, que come a mata de pouco em pouco, muitas vezes passa despercebido e não aparece nas imagens de satélite, é o maior inimigo do litoral norte de São Paulo. Os quatro municípios que compõem a região estão em boa posição no levantamento mais recente de vegetação nativa do Estado, indo da 1.ª posição (Ubatuba) até a 12.ª (Caraguatatuba). Porém, quando se percorre a área, o cenário é outro. Há desde casas nobres pipocando onde antes só havia Mata Atlântica preservada até ocupações irregulares crescendo na Serra do Mar. Em Ilhabela, áreas mais afastadas da praia, que só abrigavam árvores, começam a dividir o espaço com imóveis de alto padrão, a região chamada de Tesouro da Colina é um exemplo. Em certos pontos da ilha é impossível enxergar a estrada em meio ao verde, mas residências aparecem em pequenos buracos, em áreas onde os turistas normalmente não chegam. Diversos topos de morros que, pela lei ambiental, são Áreas de Preservação Permanente (APP) e, por isso, intocáveis, estão ocupados.
Os proprietários, criativos, também encontram brechas na lei para construir aberrações. Em Ilhabela, os imóveis podem ter, no máximo, dois andares e uma altura de oito metros. Porém, uma casa no bairro de Borrifos que ficou embargada por um período, mas está em obras novamente, lembra um prédio: tem quatro andares. O prefeito da cidade, Antonio Colucci (PPS), explica a saída do dono: a construção foi feita em forma de leque e uma escada em forma de caracol liga as duas construções, os dois andares superiores não estão sobrepostos aos demais. “A luta é incessante. As pessoas querem sempre mais, há um grave problema de cidadania. E, muitas vezes, existe conluio com o poder público para aprovar certos projetos”, afirma Jacow Grajew, do Movimento Nossa Ilha Mais Bela e do Instituto Ilhabela Sustentável. Segundo ele, a proximidade com uma grande metrópole como São Paulo faz com que a pressão de ocupação seja grande. Para mostrar os problemas enfrentados no município foi feito o vídeo Paraíso Ameaçado, que pode ser visto na internet pelo site http://www.youtube.com/watch?v=MmJyEQWmd74 . Em São Sebastião, algumas obras começam a interferir em cartões postais. Uma casa em construção em uma encosta, por exemplo, obstrui parte da vista do mirante de onde se pode observar a praia de Juqueí, irritando quem chega para fotografar o local. No município, a altura máxima permitida para construção é de nove metros. Mata adentro. Na rodovia Rio-Santos, de um lado fica a praia Barra do Sahy e, do outro, um loteamento precário. As moradias estão em um terreno inclinado e as obras não param. Na segunda-feira, a reportagem do Estado presenciou a construção de novas casas. Os moradores contam que os valores dos terrenos variam de R$ 17 mil a R$ 20 mil. “Ninguém aqui tem escritura. Existe no máximo recibo de compra e venda”, afirma um deles. O ex-zelador Wilson, de 40 anos, que preferiu não informar o sobrenome, erguia sua casa em um dos pontos mais altos da vila. “Se chover muito pode desmoronar. Mas, se a gente for morar no baixo, tem alagamento”, afirma. Segundo ele, que nasceu na Bahia e está há 20 anos no litoral paulista, se houvesse opção, iria para outro lugar. “Eu até gostaria que o prefeito tirasse a gente daqui, colocasse em outro local e replantasse tudo. Mas o problema é que eles sempre querem nos colocar naqueles cubículos onde não cabe uma família”, argumenta ele, que vive com a mulher e mais dois filhos. Em Toque Toque Grande, a mesma cena do Sahy: casinhas sobem pela mata e estão cada vez mais perto de uma cachoeira. É inevitável lembrar dos bairros Cota em Cubatão, que surgiram na Serra do Mar ao lado da rodovia Anchieta, a partir dos anos 1940, degradando a mata. Os primeiros moradores trabalharam na construção da rodovia e foram ficando no local. Parentes se juntaram e, mais tarde, famílias que alegavam não conseguir mais pagar o aluguel. O agravante era que, nesse caso, grande parte das construções ficava dentro do Parque Estadual da Serra do Mar. Agora, o governo estadual começou a retirar as famílias desses bairros. No total, 5.350 famílias de seis áreas serão removidas e transferidas para áreas urbanizadas. Entretanto, o dano ambiental já causado demorará para ser recuperado. Eduardo Nunes, coordenador operacional das associações de amigos da Barra do Sahy (Sabs) e da praia da Baleia (Sabaleia), reclama da falta de fiscalização do governo em São Sebastião. Segundo ele, a ocupação na Baleia é mais pulverizada e difícil de enxergar. “Diferentemente da Vila Sahy, onde as famílias pegaram a beirada da estrada e foram subindo, na Baleia elas não ficam concentradas no mesmo lugar”, conta. Na área, um piloto de paramotor (espécie de paraquedas motorizado) é pago pelas entidades de amigos de bairro para fiscalizar as invasões.

Agropecuária precisa ocorrer sem desmatamento

Aumento da produção agropecuária precisa ocorrer sem desmatamento, dizem especialistas O Brasil pode aumentar a produção agropecuária, inclusive de carne, sem aumentar os impactos ambientais como o desmatamento, diz o pesquisador sênior do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) Paulo Barreto. Ontem(4), o Ministério da Agricultura divulgou a projeção de que o país será responsável por quase metade do mercado mundial de carnes. “Será necessário aproveitar melhor as terras já desmatadas, ou seja, aumentar a produção nestas áreas, além de melhoria da genética do gado, de melhor manejo dos solos e do pasto”, afirmou Barreto. Para ele, o governo precisa manter o combater o desmatamento ilegal, especialmente aquele que ocorre em terras públicas, onde as pessoas ocupam gratuitamente. "Se a ocupação destas terras continuar barata ou gratuita, fica mais barato desmatá-las do que investir no aumento da produtividade das áreas já desmatadas.” Mauro Pires, diretor do Departamento de Política para o Combate ao Desmatamento, do Ministério do Meio Ambiente, acredita que o Brasil tem território suficiente para combinar proteção ambiental e produção agrícola. “Na medida em que o Brasil avança em produtividade, com tecnologia, aproveitando melhor as áreas já abertas, nós ganhamos, porque evitamos o desmatamento”. Segundo Pires, essa expansão na área de carnes significa um crescimento do agronégócio brasileiro. “Essa ampliação demonstra a competitividade do Brasil no mercado de exportação. Entretanto, essa produção deve ocorrer em áreas abertas de forma a não atingir localidades de proteção ambiental.” Pires acredita que, pelo fato do Ministério da Agricultura estar comprometido com as metas de redução de gases de efeito estufa, esse crescimento do agronegócio deve ocorrer de forma a não prejudicar o meio ambiente.

Amazônia, desmatamento e clima

Um estudo divulgado no mês passado revela que, devido ao desmatamento, mudanças climáticas e queimadas, em cem anos, restarão vivas apenas 30% da Amazônia. Esse é um dado que mostra o aumento crescente destes que são considerados os principais desfios da maior floresta do mundo. “Boa parte da floresta, no leste e no sul, poderia desaparecer caso essas mudanças aumentem. No entanto, o desmatamento tem diminuído, mas é muito difícil saber para que lado vai o aquecimento global”, avalia o professor Carlos Nobre. Durante a entrevista que concedeu, por telefone, à IHU On-Line, ele refletiu sobre o cenário atual da Amazônia e soluções para resolução dos problemas que ela vive hoje. Nobre também conversou conosco sobre cenários que surgem no Brasil devido a problemas climáticos e ambientais, como o aumento da seca no semiárido e a desertificação no Rio Grande do Sul. “Um clima mais variável em uma região onde o clima geralmente é mais estável sempre motiva muitas coisas, mas não podemos afirmar cientificamente que esse aumento da variabilidade do clima no Rio Grande do Sul é provocado pelo aquecimento global”, explicou. Carlos Nobre é engenheiro eletrônico formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Na Massachussets Institute Of Technology (EUA), realizou o doutorado em metereologia. Recebeu o título de pós-doutor da University Of Maryland (EUA). Atualmente, é pesquisador sênior no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). É autor das obras Amazonian deforestation and climate (New York: John Wiley and Sons, 1996) e Regional Hidrological Impacts of Climatic Change – Impact Assessment and Decision Making (Oxfordshire: International Association of Hidrological Sciences, 2005).
Desmatamento na Amazônia
Confira a entrevista IHU On-Line – Um estudo sobre os riscos que a Amazônia está correndo, conduzido pelo Banco Mundial, alerta que, devido ao desmatamento, as mudanças climáticas e as queimadas, em 2075, só restarão 30% da floresta amazônica. Hoje, a Amazônia é a maior floresta do mundo. Como o senhor detalharia o cenário previsto para 2075? Carlos Nobre – No pior dos casos, se todas as mudanças ambientais e globais aumentarem, seja por desmatamento, impacto do fogo na floresta ou por aquecimento global, ainda assim sobraria uma faixa de 20 a 30% da floresta até o final do século. É isso que nossos cálculos mostram. Boa parte da floresta, no leste e no sul, poderia desaparecer caso essas mudanças aumentarem. No entanto, o desmatamento tem diminuído, mas é muito difícil saber para que lado vai o aquecimento global. Copenhague não deu muito certo, mas há um movimento mundial de transição para uma economia de baixo carbono. Portanto, não é possível prever com precisão se esse movimento dará certo, qual é a escala de tempo, quantas décadas irá demorar em diminuir as emissões ou qual será o aumento de temperatura na segunda metade do século. O que podemos imaginar são cenários. Nem com bola de cristal alguém conseguiria, hoje, saber exatamente qual seria a trajetória do aquecimento global nos próximos cem anos.
Desmatamento da Amazônia IHU On-Line – O cenário atual da floresta permite que recuperemos as áreas que foram desmatadas? Carlos Nobre – Recuperar todas as áreas que foram desmatadas não é uma tarefa trivial, é uma tarefa muito complicada, mas a política de uso dos recursos da Amazônia deve ir na direção de uma diminuição muito grande de novos desmatamentos. Há uma política do governo brasileiro, inclusive, para reduzir as emissões. O que o presidente Lula apresentou em Copenhague, e que se tornou lei, é uma redução de 80% dos desmatamentos. Então, podemos sim, em uma escala de dez a quinze anos, nos encaminhar para o desmatamento zero. É só desenvolvermos políticas de utilização das áreas já desmatadas. Essas políticas devem ser acompanhadas de avanços científicos e tecnológicos de como usar as áreas desmatadas. Talvez possamos usar menos da metade das áreas desmatadas para produzir alimentos e outros materiais, e recuperar boa parte dessas áreas. Fazendo isso, também estaríamos, no momento que a floresta secundária regenera nas áreas desmatadas, retirando gás carbônico da atmosfera. IHU On-Line – A redução das emissões de gases estufa é a única solução para a Amazônia? Carlos Nobre – São várias as soluções. É impossível eliminar o risco da floresta se não reduzirmos o aquecimento global, que não pode passar muito de dois graus. O planeta já aqueceu entre 0,7 e 0,8 graus, então precisamos, com certeza, diminuir o aquecimento global. Outro ponto é que, mesmo que diminuíssemos o aquecimento global em nome da temperatura no máximo em graus e continuássemos a desmatar, ainda assim, a floresta estaria em risco. A redução do desmatamento é muito importante. Por fim, a prática agrícola tem que ser feita sem o uso do fogo, que é cada vez mais usado na agricultura em todo o Brasil e América Latina. Esse fogo acaba saindo de controle, vai entrando aos poucos e queimando áreas de florestas. Cada vez que se abrem mais áreas agrícolas, mais pedaços de florestas vão sendo queimados. Então, junto com a redução do aquecimento global e a redução significativa do desmatamento, deve se eliminar o fogo como prática agrícola. O fogo não é uma boa prática agrícola, de acordo com a melhor agricultura que possa ser praticada na região.
Queimadas é um dos principais problemas enfrentados pela Amazônia IHU On-Line – O acordo feito em Copenhague não estabeleceu metas obrigatórias de redução de emissões. Como fica a Amazônia diante desse comprometimento? Carlos Nobre – É preocupante, não só para a Amazônia, mas para todo o planeta, para a sustentabilidade da vida e para a produção agrícola. O próprio conceito de desenvolvimento sustentável fica ameaçado se nós não conseguirmos eliminar esse risco. O fato de não termos chegado a um acordo legalmente vinculante e multilateral sob o guarda-chuva das nações unidas não significa que não poderemos chegar a algum tipo de acordo no futuro, mas é melhor que esse futuro seja muito imediato, se não no México, na COP 16, tem que ser na África do Sul, na COP 17. Não podemos deixar o tempo passar, e os esforços para reduzir as emissões devem continuar, com ou sem acordo. O Brasil, por exemplo, tem reduzido suas emissões. Talvez o pico das emissões brasileiras tenha sido no ano de 2005. A partir daí, reduzimos os desmatamentos, as emissões vêm diminuindo e agora vamos atuar em vários setores, não só na área do desmatamento, mas de agricultura, energia, indústria, e caminhamos para essa economia de baixo carbono. Isso deve ser acelerado e, é lógico, o jogo só se equilibra quando há um acordo amplo. Se não houver esse acordo, é como se alguém sempre quisesse “passar a perna” no outro, uns reduzem mais, outros não reduzem e outros aumentam. Portanto, o acordo é importante, mas as ações claras e que caminham na direção de uma economia de baixo carbono não podem parar, têm que continuar até que esse acordo se torne possível e seja efetivado. IHU On-Line – Além dos problemas que a Amazônia vive, o semiárido está cada vez mais seco, o norte do RS vive um processo de desertificação. Como o senhor encara as mudanças previstas para o Código Florestal? Carlos Nobre – Esta questão de áreas afetadas pelo processo de desertificação no Rio Grande do Sul é muito interessante. Não sou um especialista no assunto, mas acho que isso é um misto de processos naturais com o uso da terra e da cobertura vegetal. O solo fica muito exposto ao vento e, principalmente, aos fluxos de água, e acaba gerando moçorocas e processos de desertificação em alguns pontos. De fato, nos últimos dez anos, o clima no sul do Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul, tornou-se mais variável, com períodos de secas intensas próximas a períodos de chuva. Um clima mais variável em uma região onde o clima geralmente é mais estável sempre motiva muitas coisas, mas não podemos afirmar cientificamente que esse aumento da variabilidade do clima no Rio Grande do Sul é provocado pelo aquecimento global. Ainda não temos como apontar isso definitivamente, mas é lógico que qualquer mudança no regime climático, observado por dez, vinte anos, chama atenção e a comunidade científica tem, portanto, obrigação de buscar uma explicação, se é um fenômeno natural ou se tem algo a ver com o aquecimento global. IHU On-Line – Existem outros lugares no país que tenham indícios de desertificação? Carlos Nobre – O lugar onde mais existem indícios de desertificação é no Piauí, na parte do semiárido do Piauí. Existe uma cidade chamada Gilbué que tem uma paisagem lunar, a maior área desertificada do Brasil. IHU On-Line – No estudo, o senhor diz que o risco de colapso da floresta é maior no leste e sul da Amazônia, região que corresponde ao Pará e Maranhão. Pode nos falar sobre a situação atual destas regiões? Que aspectos indicam que elas serão mais afetadas? Carlos Nobre – É o fato de que, nessas regiões, a estação seca é mais longa do que no oeste e no centro da Amazônia, onde dura de dois a três meses. Já no leste e no sul, essa estação seca dura de quatro a cinco meses. Então, por isso, se o clima fica mais seco, seja por aquecimento global ou por desmatamento, a região passa a ter um regime de chuva e seca muito parecido com o do cerrado do Brasil central. O clima seria mais favorável ao cerrado do que à floresta. A floresta precisa ter água no solo e umidade o tempo todo. E se é um clima muito sazonal, como é no Brasil central, a vegetação que aparece lá é de cerrados ou savanas tropicais. O leste e o sul da Amazônia são cobertos por florestas, mas tem um clima um pouco mais sazonal. Essa é a razão dessa região ser mais sensível às mudanças climáticas e ao desmatamento.
O norte do RS é uma das regiões que vive o processo de desertificação IHU On-Line – Que impactos esses problemas ambientais da Amazônia podem causar em outras regiões do país? Carlos Nobre – Não sabemos ao certo. Temos estudado o impacto da Amazônia nas chuvas do sul, por exemplo, no Rio Grande do Sul, nordeste da Argentina, Uruguai e Paraguai. Uma boa parte do vapor da água que participa dos processos de formação de chuva nesta região sudeste da América do Sul circulou pela Amazônia. Veio do oceano Atlântico, entrou pela Amazônia, virou chuva, choveu, caiu no solo, evaporou e choveu novamente. É um vapor d’água com muita milhagem, andou muito na Amazônia. A pergunta que se faz é: se mudar o clima na Amazônia, será que o vapor d’água, que hoje passa por ela e alimenta chuvas, principalmente no sul do Brasil, vai continuar o mesmo? Não sabemos, mas é uma questão importante, principalmente para as chuvas de inverno. Nas chuvas de verão, as fontes de vapor d’água são de muitos locais, mas as chuvas de inverno, no sul do Brasil, recebem uma alimentação muito grande desse vapor que passa pela Amazônia. Não temos uma resposta definitiva, mas pode haver um efeito principalmente nas chuvas de inverno no sul do Brasil, com mudanças profundas na agricultura, na ecologia e nos biomas.

Desmatamento consome vegetação original da Caatinga

Monitoramento do MMA (Ministério do Meio Ambiente) mostra que desmatamento na Caatinga já destruiu metade da vegetação original.
Paisagem de Caatinga Considerado o único bioma exclusivamente brasileiro, a Caatinga possui atualmente metade de sua cobertura vegetal original. Em 2008, a vegetação remanescente da área era de 53,62%. Dados do monitoramento do desmatamento no bioma realizado entre 2002 e 2008 revelam que, neste período, o território devastado foi de 16.576 km2, o equivalentente a 2% de toda a Caatinga. A taxa anual média de desmatamento na mesma época ficou em torno de 0,33% (2 763 km²). Em entrevista coletiva realizada em 02/03/2010 para divulgar os números deste levantamento, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que o índice é alto, considerando-se que a região é a mais vulnerável do País aos efeitos das mudanças climáticas, com forte tendência à desertificação. De acordo com os dados do monitoramento, a principal causa da destruição da Caatinga deve-se à extração da mata nativa, que é convertida em lenha e carvão vegetal destinados principalmente aos pólos gesseiro e cerâmico do Nordeste e ao setor siderúrgico de Minas Gerais e do Espírito Santo. Outros fatores apontados foram as áreas criadas para biocombustíveis e pecuária bovina. O uso do carvão em indústrias de pequeno e médio porte e em residências também foi indicado. “Para reverter a situação é importantíssimo pensarmos em uma matriz energética diferente para a região, como energia eólica, gás natural e pequenas centrais hidrelétricas”, completou o ministro. Dentre as ações de mitigação previstas, estão a recuperação de solos e micro-bacias, o reflorestamento e as linhas de crédito para combate à desertificação. Carlos Minc revelou que o Banco do Nordeste estuda a criação do Fundo Caatinga, e que o Banco do Brasil tem a intenção de implementar o Fundo contra a Desertificação. O MMA pretende destinar ao Nordeste cerca de R$500 milhões oriundos do Pré- Sal para o Fundo Clima. O IBAMA já planeja 25 grandes operações de combate ao desmatamento e ao carvão vegetal ilegal na região, que devem ocorrer simultaneamente a partir deste mês. ÁreaCom uma área total de 826.411 km², a Caatinga está presente nos estados da Bahia, Ceará, Piauí, Pernambuco, Paraíba, Maranhão, Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte e Minas Gerais. Os dois primeiros desmataram sozinhos a metade do índice registrado em todos os estados. Em terceiro e quarto lugar estão o Piauí e Pernambuco. Já o estado de Alagoas, por exemplo, possui atualmente apenas 10.673 km² dos 13.000 km² de área de caatinga originais. Os municípios que mais desmataram foram Acopiara (CE),Tauá (CE), Bom Jesus da Lapa (BA),Campo Formoso (BA), Boa Viagem (CE),Tucano (BA), Mucugê (BA) e Serra Talhada (PE) (confira as taxas por estado e municípios nos links abaixo). O padrão de desmatamento observado no bioma é pulverizado, o que dificulta as ações de combate à prática. De acordo com Luciano Menezes, diretor de Proteção Ambiental do Ibama, o monitoramento é muito importante para a elaboração de um plano de combate ao desmatamento e de mitigação dos efeitos desta prática. Por isso, será lançado em 28 de abril o Plano de Combate ao Desmatamento na Caatinga (PPCaatinga), que no futuro deve ser incorporado ao Plano Brasileiro de Mudanças Climáticas. Para amenizar os efeitos da desertificação no semi-árido brasileiro, amanhã (03/3) teve início em Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) uma reunião que tratou do Plano de Combate à Desertificação no Nordeste. O evento terá a participação de todos os governadores e secretários de Meio Ambiente da região. Ações de combate Estudos revelam que o Nordeste pode perder um terço de sua economia até o final do século com os efeitos do aquecimento global e da desertificação. O ministro Minc revelou que foi feito um acordo com o governo do Piauí para a criação da maior unidade de conservação da Caatinga nas Serras Vermelha e da Confusão. A área terá cerca de 550 mil hectares. Além desta, a criação de novas unidades de conservação também é indicada como fator de proteção ao bioma. A secretária de Biodiversidade e Florestas do MMA, Maria Cecília Wey de Brito, explica que a Caatinga tem apenas 7% de áreas protegidas, somando áreas estaduais e federais, sendo que 2% são de proteção integral e os outros 5% são de unidades de conservação de uso sustentável. Ela também aponta a importância da Caatinga como habitat de espécies endêmicas (que só ocorrem em uma determinada região) em extinção, como a arara-azul-de lear, além, de lagartos, anfíbios e pequenos roedores. Metodologia O monitoramento foi feito por 25 técnicos contratados pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e por analistas ambientais do MMA e IBAMA, que utilizaram como referência o mapa de cobertura vegetal do MMA/Probio(programa de levantamento da cobertura vegetal do Brasil que detectou as áreas de vegetação nativa e antropizadas até o ano de 2002), bem como imagens de satélite. Também foi realizado um fórum técnico científico para discutir os dados finais com especialistas em mapeamento da caatinga. O detalhamento do mapa base do Probio em 2002 tinha uma escala de 1:250.000. Já o utilizado neste levantamento teve uma escala de 1:50.000. A precisão na identificação dos desmatamentos foi de 98,4%. De acordo com o ministro Minc, o MMA pretende realizar o mapeamento e monitoramento dos cinco biomas brasileiros (cerrado, caatinga, pantanal, pampa e mata atlântica) até o final do ano.

Áreas de florestas de São Paulo aumentaram

Áreas de florestas de São Paulo aumentaram quatro pontos percentuais em 10 anos.
Mata Atlântica, em São Paulo A cobertura vegetal do estado de São Paulo aumentou em 94 mil hectares em sete anos, de 2001 a 2008. O levantamento foi feito durante 15 meses pelo Instituto Florestal do estado utilizando o sistema de satélite japonês Alos, que tem maior resolução do que o brasileiro usado anteriormente. As fotografias também mostraram que a vegetação nativa cobre uma área 1 milhão de hectares maior do que se havia estimado anteriormente. De acordo com os dados, 17% do estado é coberto por mata, em vez dos 13% apontados no levantamento de dez anos atrás. Segundo o secretário estadual de Meio Ambiente, Xico Graziano, a expansão da área com vegetação é resultado da redução no ritmo de destruição das florestas aliada aos bons resultados das ações de recuperação. “Nós conseguimos comprovar, nos últimos levantamentos, as duas coisas: cai o desmatamento, hoje ele é muito pequeno. E a recuperação ambiental está mais forte do que nós mesmos imaginávamos”, disse. O resultado positivo na recuperação das florestas paulistas ajuda a preservar as espécias de flora e fauna nativa, além de ajudar a combater os efeitos das mudanças climáticas. “Isso [aumento da cobertura vegetal] é muito importante, porque a recuperação das florestas não só é bom para a biodiversidade, mas também promove a retirada de CO2 [gás carbônico] da atmosfera”, explicou Graziano. A nova tecnologia de satélite permitirá, de acordo com ele, uma melhor fiscalização do desmatamento e elaborar estratégias de recuperação mais eficientes. “Agora nós temos uma melhor capacidade de controle dessas áreas, nós as enxergamos melhor, conseguimos fazer uma fiscalização melhor e, mais ainda, nós temos como trabalhar no sentido de fazer a conectividade.” Segundo Graziano, trabalhar com o replantio de árvores em áreas de vegetação natural permite aumentar as regiões contínuas de floresta, o que é importante para o desenvolvimento da fauna e flora. “Porque pequenas áreas isoladas têm um efeito. E se nós conseguirmos juntar essas áreas com replantio de florestas, aí, formamos florestas maiores. Então, esse dado é muito importante para a biodiversidade”, destacou o secretário. A meta do estado de São Paulo é recuperar 1 milhão de hectares em matas ciliares, que margeiam os rios, em um período de 25 anos. Segundo Graziano, 250 mil hectares já estão em processo de recuperação, mas ainda não podem ser vistos pelo satélite por serem muito recentes. “As florestas jovens, de até cinco anos, a fotografia de satélite não permite a leitura dessas áreas, só quando elas atingem uma idade um pouco maior”. O inventário da cobertura vegetal do estado deverá ser atualizado a cada três anos.

Ritmo do desmatamento mundial retrocede

Ritmo do desmatamento mundial retrocede pela primeira vez em 10 anos. O ritmo do desmatamento, fundamentalmente a conversão de florestas tropicais em terras agrícolas, retrocedeu pela primeira vez nos últimos 10 anos no mundo, mas alguns países mantêm taxas alarmantes, sobretudo na África e América do Sul, anunciou a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Um dos dados mais importantes do estudo é o de que o Brasil, com uma superfície de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, grande parte deles cobertos pela floresta amazônica, perdeu uma média de 2,6 milhões de hectares de floresta anuais nos últimos 10 anos, contra 2,9 milhões de hectares nos anos 90. Reportagem da AFP. “Pela primeira vez, estamos em condições de demonstrar que a taxa mundial de desmatamento registrou uma regressão graças aos esforços mobilizados de forma coordenada”, declarou Eduardo Rojas, subdiretor geral da FAO, ao apresentar à imprensa a “Avaliação dos Recursos Florestais Mundiais 2010″, um relatório quinquenal. O informe, o mais completo realizado até hoje no setor, já que se baseia nos dados de 233 países e territórios, estabelece que sobre uma superfície total de quatro bilhões de hectares, o desmatamento provocou uma perda bruta de 13 milhões de hectares de floresta por ano entre 2000 e 2010 no mundo, contra 16 milhões nos anos 1990. O estudo reconhece que no Brasil e Indonésia, que registravam as maiores perdas de florestas nos anos 90, foram reduzidas consideravelmente as taxas de desmatamento. Os resultados confirmam que “acabou a mentalidade de cortar florestas e não fazer nada”, disse o espanhol Rojas. “A taxa de desmatamento diminuiu a nível mundial como resultado de uma série de esforços coordenados a nível local e internacional”, ressaltou Rojas. A perda líquida anual representa 5,2 milhões de hectares, contra 8,3 milhões na década anterior. O recuo se deve em boa parte, “aos programas de reflorestamento de grande envergadura” adotados por alguns países, especialmente na Ásia, onde a FAO observou “um aumento de 2,2 milhões de hectares por ano durante a última década”. China, Índia e Vietnã aumentaram suas superfícies florestais em quase quatro milhões de hectares por ano. As superfícies florestais permanecem estáveis nas Américas do Norte e Central. Na Europa, seguiram em expansão, mas com um ritmo mais lento. “O índice de desmatamento continua sendo, no entanto, muito alto em vários países”, declarou Rojas. Este é o caso da América do Sul e da África, que registram as maiores perdas anuais líquidas de florestas entre 2000 e 2010, respectivamente quatro e 3,4 milhões de hectares. A Oceania também registrou uma perda líquida, em consequência da grave seca na Austrália desde o ano 2000. Segundo o estudo, apenas 16% das florestas no mundo não tem plano de administração, o que demonstra a vontade política. “Os países não apenas melhoraram as políticas e legislação florestais, também estabeleceram bosques para uso de comunidades locais e povos indígenas, e para a conservação da diversidade biológica e outras funções ambientais. É uma mensagem de boas-vindas para 2010, Ano Internacional da Biodiversidade”, declarou Rojas.

Brasil ainda líder mundial do desmatamento

Brasil ainda é o país com o maior índice de desmatamento do mundo.
Mundo perdeu dois Estados de SP de florestas na última década, diz ONU.
O mundo perdeu uma área superior a dois Estados de São Paulo em florestas na última década, apesar da queda no desmatamento, segundo um relatório divulgado pela FAO, a agência da ONU para agricultura e alimentação.
Segundo o relatório Avaliação Global de Recursos Florestais 2010, houve uma redução na área média desmatada no mundo, de 16 milhões de hectares anuais durante a década de 1990, para 13 milhões de hectares anuais na década de 2000.
O Brasil teve uma redução significativa na perda de florestas na última década, de 2,9 milhões de hectares anuais nos anos 1990 para 2,6 milhões nos anos 2000, mas permanece como o país com o maior desmatamento no mundo.
A FAO observa que a perda líquida de florestas no mundo na última década foi reduzida ainda por conta de amplos programas de reflorestamento promovidos principalmente por China, Índia, Vietnã e Estados Unidos.
Na comparação com a década de 1990, houve uma redução de 37,3% no ritmo de perda de florestas no mundo na última década, de 8,3 milhões de hectares (equivalente à área do Estado do Rio de Janeiro) para 5,2 milhões de hectares (equivalente à área do Rio Grande do Norte ou às áreas somadas do Espírito Santo e do Distrito Federal).
ConcentraçãoSegundo o levantamento da FAO, há 4 bilhões de hectares de florestas no mundo, o equivalente a cerca de 31% de toda a área terrestre. Cinco países – Brasil, Rússia, Canadá, Estados Unidos e China – concentram mais de 50% de toda a área de florestas no mundo.
O relatório da ONU aponta a América do Sul como o continente com a maior perda de área de florestas na última década (4 milhões de hectares anuais), seguida da África, com 3,4 milhões de hectares de florestas perdidas por ano.
No outro oposto, a Ásia registrou um ganho líquido de 2,2 milhões de hectares anuais de florestas na última década, graças aos programas de reflorestamento adotados por vários países da região.
A China foi o país com o maior ganho de florestas na última década, segundo a FAO.
O Brasil, a Indonésia e a Austrália são apontados como os países com a maior perda líquida de florestas no mundo. Mas enquanto no Brasil e na Indonésia houve uma redução no desmatamento na última década, na Austrália houve um aumento, em consequência da seca e de grandes incêndios florestais nos últimos anos.
Esforços coordenadosA FAO monitora a situação das florestas no mundo a cada 5 ou 10 anos desde 1946. O relatório deste ano, cujos dados completos devem ser divulgados somente em outubro, traz dados coletados em 233 países e territórios do mundo.
“Pela primeira vez fomos capazes de mostrar que o ritmo de desmatamento caiu globalmente como o resultado de esforços coordenados tanto no nível local como no nível internacional”, afirma Eduardo Rojas, diretor-geral assistente do Departamento de Florestas da FAO.
A organização observa, porém, que o nível de desmatamento ainda é muito alto em muitos países e destaca a importância que as florestas têm no combate ao problema das mudanças climáticas, por serem grandes depósitos de carbono – floresta desmatada significa mais carbono na atmosfera.
Segundo Mette Løyche Wilkie, coordenadora do relatório, o fato de os programas de reflorestamento da China, da Índia e do Vietnã estarem previstos para terminar em 2020 significa que há uma ameaça de que haja um novo aumento nas perdas de florestas no mundo se não houver novas intervenções para conter o desmatamento e para promover o reflorestamento.