quarta-feira, 29 de abril de 2009

Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos – PARA - III

2.3 - Discussões de resultados por cultura Abacaxi Das 95 amostras analisadas de abacaxi, 9,47% (9 amostras) apresentaram resultados insatisfatórios em seu primeiro ano de monitoramento, demonstrando que há necessidade de combater a utilização de agrotóxicos não autorizados para esta cultura, pois todas as irregularidades observadas referem-se a ingredientes ativos não autorizados para utilização na produção de abacaxi. Os IAs encontrados são os seguintes: ditiocarbamatos (em 4 amostras), cipermetrina (3), acefato (1), que pertencem à classe dos inseticidas. Destaca-se ainda a presença do ometoato (1), pois o uso deste IAnão é autorizado no Brasil para nenhuma cultura. Existem diversos produtos registrados para o controle de pragas e doenças no abacaxi. Por este motivo, considera-se alto o índice de irregularidades observadas. Alface No ano de 2008, foram analisadas 101 amostras da cultura de alface. Deste total, 19,80% (20 amostras) foram consideradas insatisfatórias, em decorrência, exclusivamente, do uso de agrotóxicos não autorizados para a cultura. Nas 20 amostras irregulares, foram constatadas 25 ocorrências de resíduos, ou seja, algumas amostras apresentaram resíduos de mais de um ingrediente ativo. Os ingredientes ativos detectados nessas amostras foram: carbendazim (em 9 amostras), metamidofós (5), clorpirifós (4), tebuconazol (2), carbaril (1), metomil (1), deltametrina (1), dimetoato (1), fempropatrina (1) e acefato (1). No ano de 2007, o percentual de irregularidades em alface foi de 40%, devido ao uso, também exclusivamente, de ingredientes ativos não autorizados para a cultura (ditiocarbamatos, metamidofós, acefato e clorpirifós). Dentre as 54 amostras irregulares, 94,4% (51 amostras) apresentaram resíduos de ditiocarbamatos, ou seja, houve um uso indiscriminado deste grupo de agrotóxicos na cultura. É importante ressaltar que, neste ano de 2008, os ingredientes ativos do grupo químico dos ditiocarbamatos não foram analisados devido a problemas laboratoriais, portanto, não é possível fazer um comparativo entre os resultados de 2007 e 2008. Arroz Foram analisadas 136 amostras de arroz, sendo que 4,41% (6 amostras) foram consideradas insatisfatórias. Todos os ingredientes ativos detectados nestas amostras não são autorizados para esta cultura (metamidofós, flutriafol, ciproconazol e miclobutanil). Em função disto, embora relativamente baixo, o percentual de resultados insatisfatórios indica uma necessidade de utilização das Boas Práticas Agrícolas (BPAs) visando ofertar ao consumidor um produto com níveis seguros de resíduos, já que a cultura apresenta uma ampla grade de agrotóxicos autorizados com as mais diferentes indicações de uso. Banana Foram analisadas 97 amostras de banana, sendo que uma delas apresentou-se insatisfatória (1,03%), com a detecção do fungicida fenarimol, não autorizado para esta cultura. O baixo índice de resultados insatisfatórios e a ausência de amostras com resíduos acima do LMR, indicam que os produtores, em sua maioria, estão respeitando as Boas Práticas Agrícolas (BPA) recomendadas em bula, permitindo assim que os níveis de resíduos estejam dentro dos limites de segurança estabelecidos pela ANVISA. Podemos ainda destacar que no monitoramento desta cultura no ano de 2007, foram detectados procloraz e lambda-cialotrina, agrotóxicos não autorizados para cultura, o que não ocorreu no ano de 2008. Batata Em 2008, foram analisadas 100 amostras de batata. Destas, 2% (2 amostras) foram consideradas insatisfatórias, tanto pela presença de agrotóxicos acima do LMR (acefato em uma amostra), quanto pela presença de resíduos de agrotóxicos não autorizados para esta cultura (endossulfan em uma amostra). Apesar desta cultura receber uma grande quantidade/variedade de agrotóxicos em decorrência de sua alta suscetibilidade a diferentes pragas, observa-se que os resultados têm apresentado uma pequena variação na ocorrência de irregularidades nos últimos anos. Em 2007, por exemplo, nas 2 únicas amostras irregulares, detectaram-se resíduos de endossulfam. Cabe ressaltar que a detecção de resíduos desse IA é considerada grave, pois além da reincidência, este ingrediente ativo possui uso restrito no país, sendo atualmente registrado apenas para as culturas de algodão, cacau, café, cana-de-açúcar e soja. Cebola Esta cultura foi incluída no Programa em 2008. Das 103 amostras analisadas, 2,91% (3 amostras) foram consideradas insatisfatórias, em decorrência, exclusivamente, do uso de acefato, agrotóxico não autorizado para esta cultura. Considerando o fato da cultura da cebola ser comumente plantada por pequenos e médios produtores, ressalta-se a baixa ocorrência de irregularidades, que pode ser atribuída à adoção das boas práticas agrícolas no seu sistema produtivo. Cenoura Das 102 amostras de cenoura analisadas em 2008, 30,39% (31 amostras) apresentaram irregularidades, todas elas referentes a resíduos de agrotóxicos não autorizados para uso na cultura (metamidofós em 22; acefato em 15; clorpirifós em 10; profenofós em 3 e dimetoato em uma amostra). Nas 31 amostras irregulares, foram constatadas 51 ocorrências de resíduos, ou seja, mais de um ingrediente ativo foi constatado em algumas amostras. Embora em menor porcentagem (9,93% das amostras analisadas), resultado análogo foi observado em 2007, com 16 ocorrências de resíduos de ingredientes ativos, invariavelmente, não autorizados para uso no cultivo da cenoura. O aumento observado em 2008 decorre principalmente da intensificação do uso dos ingredientes ativos acefato e clorpirifós, assim como da detecção de metamidofós em várias amostras. É importante ressaltar ainda que, apesar do metamidofós ser um metabólito do acefato, o que impossibilita determinar sua origem (uso de acefato ou de metamidofós), ambos são ingredientes ativos não autorizados para a cultura. Feijão O feijão começou a ser monitorado também no ano de 2008 e foram analisadas 137 amostras, das quais 2,92% (4 amostras) apresentaram resíduos de agrotóxicos não autorizados para a cultura (diurom em duas, e ciproconazol em uma amostra) ou acima do LMR (metamidofós em uma amostra). Destaca-se nestes resultados, a presença do IA diurom, um herbicida não autorizado para uso na cultura, que provavelmente está sendo utilizado incorretamente como dessecante ou para antecipar a colheita. Laranja Foram analisadas 101 amostras. Verificou-se que 14,85% (15) destas amostras estavam insatisfatórias, tanto pela presença de resíduos de agrotóxicos acima do LMR (triazofós em uma amostra), quanto pela presença de resíduos de agrotóxicos não autorizados para esta cultura (cipermetrina em 9; procloraz em 3, profenofós em 2; endossulfam em 1; esfenvalerato em 1; e parationa metílica em 1). A maioria dos resultados insatisfatórios resulta do uso de agrotóxicos não permitidos para a cultura. Fato condenável, pois expõe tanto os produtores como os consumidores a agrotóxicos e resíduos de agrotóxicos que não foram avaliados do ponto de vista da saúde pela ANVISA. Maçã Na cultura da maçã, seguindo a tendência dos anos anteriores, os resultados do PARA indicaram, em 102 amostras analisadas, uma porcentagem de irregularidades de 3,92% (4 amostras). Estes resultados podem ser explicados pelo fato da produção da maçã estar inserida em uma cadeia produtiva organizada, voltada essencialmente para a exportação, na qual as BPAs são, em geral, adotadas. Os ingredientes ativos irregulares encontrados na cultura da maçã foram os inseticidas diclorvós (2 amostra) e triazofós (1), não autorizados para essa cultura, e metidationa (1), com resultado acima do LMR. Mamão O Brasil é o maior produtor mundial e um importante exportador de mamão. Além disso, o consumo interno é bastante alto, pois se trata de um fruto muito popular no país. O percentual de irregularidades das análises de resíduos na cultura do mamão foi de 17,31% (18 amostras), de 104 amostras analisadas. Esta cultura apresentou uma grande variedade de IAs não autorizados: dimetoato (em 4 amostras), ciflutrina (2), acetamiprido (1), acefato (1), metamidofós (1), endossulfam (1), metidationa (1) e epoxiconazol (1). Também apresentou amostras com a presença de resíduos acima do LMR: carbendazim (4), clorotalonil (2), famoxadona (2) e trifloxistrobina (1). Esse número de irregularidades, também verificado no ano de 2007 (17,21%), é considerado elevado. Manga Esta cultura foi incluída no Programa no ano de 2008 e foram analisadas 101 amostras. Destas, apenas 0,99% (1 amostra) foi considerada insatisfatória devido à detecção do ingrediente ativo metidationa, que não tem o uso autorizado para a cultura. Este resultado permite inferir que a produção de manga, de um modo geral, está seguindo as BPAs, o que de certa forma é esperado, pelo fato desta cultura ser prioritariamente destinada ao mercado internacional, o qual é exigente e possui regras rígidas para o adequado manejo da lavoura em todas as etapas do sistema produtivo. Morango No ano de 2008, foram analisadas 86 amostras, sendo que 36,05% (31 amostras) foram consideradas insatisfatórias. Foram detectados resíduos dos seguintes ingredientes ativos não autorizados para a cultura: endossulfam (10 amostras), captana (8), clorfenapir (8), metamidofós (5), acefato (3) clorotalonil (2), deltametrina (2), clorpirifós (2), folpete (2), procloraz (2) e tetradifona (1). Os resíduos acima do LMR foram: ditiocarbamatos (2), fempropatrina (1) e tebuconazol (1). Nas 31 amostras irregulares, foram constatadas 49 ocorrências de resíduos, ou seja, algumas amostras apresentaram resíduos de mais de um ingrediente ativo. Pelos resultados encontrados é possível observar que a utilização de agrotóxicos na cultura do morango é muito intensa, com ampla utilização de ingredientes ativos não autorizados. O percentual de irregularidades em 2007 foi de 43,62% contra 36,05% no ano de 2008. Apesar da redução, esta porcentagem de irregularidade ainda é considerada alta. Pimentão No primeiro ano de monitoramento, das 101 amostras de pimentão analisadas, 64,36% apresentaram irregularidades (65 amostras). Nestas, foram identificados 22 ingredientes ativos, dos quais 18 não estão autorizados para a cultura e 4 estavam acima do LMR estabelecido pela legislação. Os principais ingredientes ativos não autorizados encontrados no pimentão foram: profenofós (20), cipermetrina (18), lambda-cialotrina (17), endossulfam (9) e dicofol (4), enquanto que os ingredientes ativos que estavam acima do LMR foram: difenoconazol (2), deltametrina (1), clorotalonil (1) e acefato (1). Este elevado número de amostras irregulares deve-se, principalmente, à utilização de ingredientes ativos não autorizados para o pimentão. No entanto, boa parte desses Ias possuem uso autorizado na cultura do tomate, o que indica um desvio de uso desses produtos, considerando a similaridade botânica, e consequentemente a incidência de pragas e doenças entre as culturas. Infere-se, portanto, a urgente necessidade de análise da grade de ingredientes ativos autorizados para a cultura do pimentão, para a verificação de sua real condição na oferta de agrotóxicos ou, em caso de considerá-la efetiva, determinar ação imediata na adoção das BPAs no cultivo desta cultura. Também é preocupante a detecção de resíduos de dicofol, uma vez que esse agrotóxico é do grupo químico dos organoclorados, possui classe toxicológica II (altamente tóxico) e tem seu uso restrito em muitos países por impactar gravemente o meio ambiente e oferecer altos riscos à saúde humana. No Brasil, tem seu uso autorizado apenas para as culturas do algodão, citros e maçã. Repolho Esta cultura foi incluída no Programa no ano de 2008, quando foram analisadas 102 amostras. Deste total, o percentual de resultados insatisfatórios foi de 8,82% (9 amostras) devido à presença, em sua totalidade, de ingredientes ativos não autorizados para a cultura. Nas amostras irregulares, foram constatadas as seguintes ocorrências: procimidona (em 7 amostras), epoxiconazol (1) e metamidofós (1). Tomate Foram analisadas 104 amostras de tomate. Os resultados demonstraram que 18,27% (19) destas amostras estavam insatisfatórias, tanto pela presença de resíduos de agrotóxicos acima do LMR (fentoato e permetrina), quanto pela presença de resíduos de agrotóxicos não autorizados para esta cultura (aldicarbe, aletrina, clorpirifós, clorpirifós metílico, metamidofós, ciproconazol e folpete). Destaca-se a detecção de resíduos de aldicarbe, um ingrediente ativo que, além de não ser autorizado para o tomate, tem sua venda restrita a apenas três Estados da Federação (Bahia, Minas Gerais e São Paulo), para produtores cadastrados no programa de venda da única empresa fabricante do produto formulado a base deste ingrediente ativo. O aldicarbe é o inseticida mais tóxico conhecido para mamíferos, do ponto de vista agudo, e seu controle rigoroso é necessário devido ao seu desvio de uso como raticida (ilegal), prática clandestina amplamente disseminada nos principais centros urbanos do país. Este controle é efetuado através de diversas medidas restritivas que tem por objetivo rastrear cada lote do produto, desde sua chegada no porto até o agricultor ou proprietário rural, que deve estar necessariamente cadastrado - o que implica ter recebido treinamento - para possuir autorização de compra. Os resultados insatisfatórios demonstram que ainda há necessidade de se combater a prática de utilização de agrotóxicos não autorizados para a cultura, pois a maioria das amostras foi considerada insatisfatória devido ao uso não autorizado (NA), principalmente o metamidofós. Uva Em seu primeiro ano de monitoramento, das 102 amostras de uva analisadas foram encontradas irregularidades em 32,67% (33 amostras), ou seja, em praticamente um terço das amostras. Para esta cultura também houve uma grande variedade de IAs não autorizados: clorpirifós (em 11 amostras), acefato (7) , metamidofós (6), dimetoato (4), fempropatrina (5), clorfenapir (3), deltametrina (3), cipermetrina (1), endossulfam (1) e tetradifona (1). Em relação aos IAs com resíduos acima do LMR, foi encontrado bifentrina (2 amostras). Das 33 amostras irregulares, foram constatadas 44 ocorrências de resíduos, demonstrando que uma mesma amostra apresentou em alguns casos, resíduos de mais de um IA. Percebe-se, portanto que, apesar desta cultura possuir elevada representatividade nas exportações de frutas pelo Brasil, seu sistema produtivo apresenta um maior descontrole na adoção das BPAs do que, por exemplo, o sistema produtivo da manga.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos – PARA - II

2 - O Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) foi iniciado em 2001 pela ANVISA com o objetivo de avaliar continuamente os níveis de resíduos de agrotóxicos nos alimentos in natura que chegam à mesa do consumidor, fortalecendo a capacidade do Governo em atender a segurança alimentar, evitando possíveis agravos à saúde da população. A ANVISA coordena o Programa em conjunto com as Coordenações de Vigilância Sanitária dos estados da Federação envolvidos no PARA, os quais vêm realizando os procedimentos de coleta dos alimentos nos supermercados para posterior envio aos laboratórios. No ano de 2008, os seguintes Estados realizaram coletas de amostras seguindo o plano de amostragem estabelecido pelo programa: Acre, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe, Tocantins e Distrito Federal. Neste mesmo ano foram tomadas ações para ampliação do Programa, tendo sido treinados nos procedimentos de amostragem os seguintes Estados a serem integrados no PARA no ano de 2009: Amapá, Amazonas, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima. O Estado de São Paulo está regressando ao PARA no ano de 2009, onde realizará amostra fiscal de alimentos coletados nos supermercados e encaminhados ao Instituto Adolfo Lutz para verificação da conformidade dos alimentos comercializados. Em 2008, o Programa monitorou 17 culturas: abacaxi, alface, arroz, banana, batata, cebola, cenoura, feijão, laranja, maçã, mamão, manga, morango, pimentão, repolho, tomate e uva. A escolha destas culturas baseou-se nos dados de consumo obtidos pelo IBGE e na disponibilidade destes alimentos no comércio das diferentes Unidades da Federação. As análises dessas amostras foram realizadas pelos seguintes laboratórios: Instituto Octávio Magalhães (IOM/FUNED/MG), Laboratório Central do Paraná (LACEN/PR) e pelo Instituto Tecnológico de Pernambuco (ITEP). 2.1 - Metodologia de amostragem e analítica, as coletas de alimentos em supermercados têm o objetivo de monitorar se os limites máximos de resíduos de agrotóxicos estabelecidos pela ANVISA estão sendo respeitados pelos produtores de alimentos. As análises realizadas servem como orientação ao setor produtivo na adoção de Boas Práticas Agrícolas (BPAs), sempre que haja evidências do não cumprimento das mesmas. O PARA é um sinalizador para que sejam tomadas ações regionais, sejam de natureza fiscal, educativa ou informativa, de acordo com as condições de cada estado. O detalhamento dessas ações está disponível no relatório do PARA no endereço http://www.anvisa.gov.br/toxicologia/residuos/index.htm. A metodologia utilizada subsidia dados sobre a real exposição dietética da população. Estes dados ajudam a tornar mais realistas as avaliações de risco dietético, realizadas pela ANVISA, com relação à presença de agrotóxicos nos alimentos. O método de coleta é semelhante aquele empregado nos Estados Unidos e alguns países da Europa, o qual segue o plano de amostragem pré-estabelecido de acordo com a metodologia preconizada pelo manual do CODEX ALIMENTARIUS (Submission and Evaluation of Pesticide Residues Data for the Estimation of Maximum Residue Levels in Food and Feed, 2002). O manual orienta que a coleta seja feita no último ponto antes do consumo. Além disso, a coleta das amostras nos supermercados retrata a realidade do alimento que chega a mesa do consumidor no Brasil, evitando-se assim o erro da amostragem em produtores previamente selecionados por apresentarem condições de serem monitorados devido ao maior controle de qualidade no sistema produtivo. Desde 2001, o método analítico empregado pelos laboratórios do programa é o Multiresíduos. Trata-se do mais difundido e reconhecido método para monitoramento de resíduos de agrotóxicos em alimentos. Países como Estados Unidos, Alemanha, Holanda, Canadá e Austrália utilizam este método em seus programas de monitoramento. 2.2 - Resultados Os resultados insatisfatórios referem-se àquelas amostras que apresentaram ingredientes ativos de agrotóxicos acima do Limite Máximo de Resíduos (LMR) permitido ou resíduos de IAs não autorizados para uma determinada cultura.

sábado, 25 de abril de 2009

Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos – PARA - I

1 - Introdução O Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) foi iniciado em 2001 pela ANVISA, com o objetivo de prevenir agravos à saúde da população pela exposição aos agrotóxicos através dos alimentos, implantando assim, em nível nacional, um serviço para monitorar continuamente os níveis de resíduos de agrotóxicos nos alimentos que chegam à mesa do consumidor e adotar medidas de controle. Este programa é uma ação do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, coordenado pela ANVISA em conjunto com os órgãos de vigilância sanitária de 25 estados participantes e o Distrito Federal, que realizam os procedimentos de coleta dos alimentos nos supermercados para análise nos laboratórios. Em 2008, o Programa monitorou 17 culturas abacaxi, alface, arroz, banana, batata, cebola, cenoura, feijão, laranja, maçã, mamão, manga, morango, pimentão, repolho, tomate e uva. 1.1 - O Sistema Nacional de Vigilância Sanitária – SNVS De acordo com o Art. 1º da Lei 9.782 de 26 de Janeiro de 1999: “O Sistema Nacional de Vigilância Sanitária compreende o conjunto de ações definido pelo § 1º do art. 6º e pelos arts. 15 a 18 da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, executado por instituições da Administração Pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, que exerçam atividades de regulação, normatização, controle e fiscalização na área de vigilância sanitária”. Fazem parte desse Sistema o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o Conselho Nacional de Saúde (CNS), o Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (CONASS), o Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (CONASEMS), os Centros de Vigilância Sanitária Estaduais, do Distrito Federal e dos Municípios (VISAs), os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACENs), a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) e os Conselhos Estaduais, Distrital e Municipais de Saúde, em relação às ações de vigilância sanitária. 1.2 - O Sistema de Registro de Agrotóxicos no Brasil A Lei de Agrotóxicos e Afins nº 7.802, de 11 de julho de 1989, estabelece que os agrotóxicos somente podem ser utilizados no país se forem registrados em órgão federal competente, de acordo com as diretrizes e exigências dos órgãos responsáveis pelos setores da saúde, do meio ambiente e da agricultura. Neste sentido, o Decreto nº 4.074, de 04 de janeiro de 2002, que regulamentou a Lei, estabelece as competências para os três órgãos envolvidos no registro de agrotóxicos: Ministério da Saúde (MS), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e Ministério do Meio Ambiente, através do IBAMA. O Ministério da Saúde por meio da ANVISA é o responsável pela avaliação e classificação toxicológica de agrotóxicos, e junto com o MAPA, no âmbito de suas respectivas áreas de competência, pelo monitoramento dos resíduos de agrotóxicos e afins em produtos de origem vegetal. A ANVISA também deve estabelecer o limite máximo de resíduos (LMR) e o intervalo de segurança de cada ingrediente ativo de agrotóxico para cada cultura agrícola. De acordo com o Art. 2º, inciso VI do Decreto 4074/2002, cabe ainda aos três Ministérios, no âmbito de suas respectivas áreas de competência, promover a reavaliação de registro de agrotóxicos, seus componentes e afins quando surgirem indícios da ocorrência de riscos que indiquem a necessidade de uma nova análise de suas condições de uso que desaconselhem o uso dos produtos registrados, ou, ainda, quando o país for alertado nesse sentido, por organizações internacionais responsáveis pela saúde, alimentação ou meio ambiente das quais o Brasil seja membro integrante ou signatário de acordos. Considerando o acima exposto, bem como o banimento ou restrições de utilização de diversos ingredientes ativos no cenário internacional, a ANVISA realizou no período de 2002 a 2006 a reavaliação toxicológica de diversos ingredientes ativos (IAs) de agrotóxicos, resultando em restrições ou cancelamentos no registro devido aos seus efeitos crônicos à saúde por meio da exposição dietética e ocupacional. Os ingredientes ativos benomil, heptacloro, monocrotofós, lindano e pentaclorofenol foram proibidos, enquanto os Ias captana, folpete, carbendazim, clorpirifós, metamidofós, entre outros, sofreram restrições de uso. Informações mais detalhadas sobre as reavaliações realizadas pela ANVISA podem ser obtidas no endereço eletrônico (www.anvisa.gov.br/toxicologia/reavaliacao/index.htm). O trabalho de reavaliação em 2008 foi marcado por longa batalha judicial contra liminares favoráveis às empresas, impeditivas da reavaliação. Ao final desse ano, a ANVISA derrubou as liminares e manteve o direito de dar continuidade ao seu trabalho. Estão previstas para o ano de 2009 as reavaliações dos seguintes ingredientes ativos: glifosato, abamectina, lactofem, triclorfom, parationa metílica, metamidofós, fosmete, carbofurano, forato, endossulfam, paraquate e tiram (RDC Nº 10 de 22/02/2008). A cihexatina foi reavaliada em 2008. No entanto em função de uma decisão judicial, a decisão final não pôde ser publicada, sendo que a ANVISA conseguiu revogação da liminar em 17/02/2009. O acefato também foi reavaliado em 2008, mas uma das empresas detentoras do registro impetrou mandato de segurança e o desfecho da ação foi a manutenção da segurança em favor da empresa.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Fiscalização do governo ainda é insuficiente

Embora a fiscalização de produtores de hortifrúti seja responsabilidade do Ministério da Agricultura, as iniciativas para monitorar o uso de agrotóxicos ainda são tímidas. Somente em 2006 foi criado um programa de controle de agrotóxicos. Antes disso, as análises eram assistemáticas. Até 2008, esse programa avaliava duas culturas, mamão e maçã. Agora, foi ampliado para 17 produtos. De fato, ainda é pouco, mas na programação prevê-se abranger 30 culturas até 2012. Com base nos problemas levantados pelo programa, será possível autuar o produtor irregular por meio de fiscalização com Estados. Outras iniciativas de monitoramento existentes no País, como o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos, da ANVISA, e o Sistema de Informações de Resíduos de Agrotóxicos em Horticultura, do CEAGESP, que desde 2007 está sob comando do Ministério da Agricultura, não têm caráter de fiscalização, apenas de orientação. Embora indiquem problemas, não indicam a punição de produtores irregulares. Substâncias banidas O uso no Brasil de substâncias proibidas em países desenvolvidos foi um dos problemas apontados na última edição de estudos da ANVISA. A legislação brasileira não permite, ainda que haja risco comprovado à saúde, que a proibição no exterior seja estendida automaticamente. É preciso fazer reavaliação do produto, processo que envolve longas batalhas com os fabricantes até mesmo co o Ministério da Agricultura. A ANVISA cancelou, desde 2002, o registro de cinco pesticidas: benomil, heptacloro, monocrotofós, lindano e pentaclorofenol. Há em torno de 14 outras substâncias em reavaliação, mas esse processo chega a durar até quatro anos por causa de liminares que paralisam o trabalho.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Primeiro supermercado verde da América Latina

Com investimentos de R$ 7,5 milhões, empresa lança o primeiro supermercado verde da América Latina REDUZIR, REUTILIZAR E RECICLAR É PRECEITOS QUE ENVOLVEM AÇÕES COMO: Construção baseada no sistema LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) Mais alternativas em embalagens ecológicas e redução de sacolas plásticas Certificação FSC e Selo Corporativo Estações de reciclagem 100% recicladas e recicláveis Reciclagem de resíduos orgânicos e sólidos, pilha e bateria Ações educacionais para crianças Funcionários com conhecimento de ações sócio-ambientais Ampla participação de produtos orgânicos e sustentáveis No ano em que comemora seus 60 anos, o Grupo Pão de Açúcar inaugura o primeiro supermercado verde do País dia 07 de junho de 2008, na cidade de Indaiatuba, no Estado de São Paulo, na Avenida Presidente Vargas, nº 1264. Reconhecido pelo seu pioneirismo na área de responsabilidade sócio-ambiental, com o lançamento da loja verde, o Pão de Açúcar conseguiu reunir, num único espaço, práticas de sustentabilidade já realizadas pela rede e avança ainda mais com uma série de inovações de estímulo ao consumo consciente. Com alternativas simples e cotidianas e de grande capilaridade em toda a cadeia produtiva e de consumo a nova loja vai proporcionar uma experiência de compra diferenciada. Informação, instalações, operação, produtos e completos processos de reciclagem e aproveitamento de resíduos, são algumas das ferramentas escolhidas para envolvermos fornecedores e consumidores acerca de conceitos e práticas de consumo sustentável. Já no estacionamento, vagas especialmente demarcadas garantem benefícios aos carros que utilizam biocombustível. Além disso, foram instalados bicicletário, estação de reciclagem e paisagismo com preservação da vegetação nativa, além da incorporação de espécies típicas da região. Por todos os cantos, dentro e fora do novo Pão de Açúcar, há muita informação. Clara, simples e precisa. Soluções criadas especialmente para essa loja ajudam a esclarecer mobilizar e despertar os clientes para a oportunidade de mudança e melhoria no comportamento de consumo. Tudo foi pensado para oferecer uma proposta coerente, sustentável, democrática, inovadora e acessível de consumo consciente. Foi criado um espaço educativo, onde esperamos aprender, trocar e promover conhecimento acerca de causas sócio-ambientais que envolvem o nosso negócio e sua relação com todos os stakeholders. Nesse ambiente diferenciado, com cerca de 1.600 m² de área de vendas, está reunido um mix de vinte mil itens distribuído em gôndolas, grande parte em madeira certificada pelo FSC - Forest Stewardship Council (Conselho de Manejo Florestal), que emolduram um grande sortimento de produtos orgânicos, naturais e funcionais, além da ampla variedade de produtos diferenciados, de qualidade garantida, marca registrada do Pão de Açúcar. No atendimento, colaboradores engajados que não só são líderes no seu negócio e que a partir de agora também exercem uma liderança também em sustentabilidade. Os 110 funcionários da loja receberam treinamentos específicos que dizem respeito a questões sócio-ambientais de âmbito geral, no contexto varejo e que estarão na primeira loja verde da América Latina. Os preceitos que balizaram a implantação da nova loja Pão de Açúcar são: Reduzir, Reutilizar e Reciclar e estão presentes em cada etapa da loja, do projeto à operação e entre as inovações, destaca-se: CONSTRUÇÃO BASEADA NO SISTEMA LEED O sistema construtivo da loja foi adequado aos requisitos do LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) que prevêem medidas construtivas e procedimentos que aumentam a eficiência no uso de recursos e diminuição do impacto sócio-ambiental no processo da edificação como: aumento da eficiência no uso de energia, no consumo de água potável e na aplicação e utilização dos materiais. Segundo o USGBC (United States Green Building Council), com as medidas adotadas no sistema LEED, espera-se significativa redução das emissões de resíduos e aumento das áreas verdes; no ambiente interno dos empreendimentos, maior satisfação dos usuários, redução dos problemas de saúde e maior produtividade dos colaboradores. Ainda de acordo com o USGBC, as expectativas de economias possíveis prevêem 30% em energia, 35% em emissões de carbono, 30% a 50% de água e de 50% a 90% no descarte de resíduos. Para cada exigência proposta pelo LEED está um número de créditos correspondentes e que podem culminar numa certificação entregue ao imóvel, após sua inauguração. Na execução da obra do primeiro supermercado verde da América Latina, a área de engenharia do Grupo Pão de Açúcar contou com a consultoria da Sustentax, empresa especializada em engenharia de sustentabilidade. Seguindo os critérios do LEED, vale ressaltar os principais pontos considerados no processo construtivo do Pão de Açúcar verde: Localização A escolha de Indaiatuba mostra a preocupação da empresa com a coerência que deve trabalhar toda sua cadeia de relacionamentos, minimizando substancialmente o impacto do seu negócio. A localização vai permitir avançar no conceito de fornecimento de produtos com baixo impacto ambiental, especialmente no segmento de hortifruti, com produtores localizados próximos à loja. Outro ponto favorável foi a topografia do terreno, que exigiu baixa intervenção de sistemas de terraplanagem, e a existência de vegetação nativa que foi preservada e será integrada à loja. A implantação em local apropriado minimizou os impactos da operação sobre a região, evitando desmatamento, e prevendo conectividade com a comunidade. A favor da cidade de Indaiatuba como sede do primeiro supermercado verde da América Latina, também vale ressaltar a certificação de Parceiro da Paz e de Sustentabilidade no Brasil entregue pelo IGWC – International Global Water Coalition. Uma Loja Verde do Pão de Açúcar instalada na cidade é muito importante. O Grupo Pão de Açúcar segue uma filosofia de trabalho muito parecida com a de nosso governo, apoiando projetos de cidadania, incentivando o esporte e respeitando o meio ambiente. Projeto O projeto arquitetônico do Pão de Açúcar Indaiatuba considerou estudos de impacto e o resultado dos levantamentos é um empreendimento que privilegia melhor qualidade ambiental interna, eficiência energética, racionalização do uso de água, sustentabilidade de espaço e materiais, garantindo conforto, qualidade dos produtos e operação com padrão de excelência. Como exemplos de qualidade ambiental interna estão vários aspectos ligados ao bem estar. Nos balcões frigoríficos e no ar condicionado será utilizado o gás ecologicamente correto R404. Utilização de cobertura zenital para garantir iluminação natural, espaços administrativos com abertura para área externa e cobertura com alto índice de refletância para diminuir a ilha de calor, também resulta em impacto favorável no micro clima com consumo eficiente de energia. Entre as medidas visando melhor eficiência e redução no consumo de energia, a empresa implantou controle de iluminação, com energia racionalizada e otimizada por meio de timer e sensores inteligentes nos ambientes da loja. Entre os equipamentos, a escolha da rede foi por aparelhos de alto desempenho, como produtividade maior ou igual às versões tradicionais e menor demanda de energia. A água utilizada nas áreas internas (chuveiros, áreas de manipulação) é aquecida com o calor excedente da casa de máquinas. O abastecimento de energia é proveniente 100% de fontes renováveis – energia verde. Para racionalização do uso da água, a instalação de torneiras com comprovada melhoria de rendimento e vasos com possibilidade de escolha de vazão vão permitir 40% de redução do volume utilizado. O sistema de ar-condicionado é especial e não utiliza água para a climatização dos ambientes. A conservação da flora local, na área externa, o plantio de vegetação nativa em 26% da área total do terreno, já acostumada com as variáveis de clima local e sua alternância de chuvas, dispensa a necessidade de irrigação, o que equivale a uma economia mensal de 100.000 litros de água. A sustentabilidade de espaço e materiais pode ser vista no estacionamento, (capacidade para mais de 140 veículos), com 75% do sombreamento previsto será realizado por árvores e apenas 25% por cobertura metálica. Ainda na área externa, a pavimentação feita em blocos de concreto vazado com preenchimento em grama, garante maior permeabilidade do terreno e possibilita o abastecimento de lençóis freáticos sem sobrecarregar vias públicas com água de chuva. Para quem vai à loja de carro, atenção para os veículos flex. Eles têm espaço diferenciado e reservado no estacionamento, ao lado da entrada e das vagas preferenciais determinadas por lei. Estacionamento garantido tem também os ciclistas. No bicicletário, 20 vagas para deixar a bike em segurança. Para os funcionários, também foi construída uma área dedicada a bicicletas para quem quiser utilizá-las para ir e vir do trabalho. Nos materiais e mobiliário da loja, a priorização pela sustentabilidade: nas gôndolas, destaque para a utilização de madeira com certificação FSC. Nos corredores, circulam carrinhos de compra 100% confeccionados em material reciclado, entre outras inovações em produtos. Construção Na construção, atendendo aos sistemas propostos pelo LEED, a execução da obra teve total controle de sedimentação e erosão. Para evitar o transporte de resíduos para fora da loja e grande incidência de partículas suspensas (poeira), as rodas dos caminhões foram lavadas na saída do canteiro de obras e a água utilizada armazenada numa cisterna para reaproveitamento na própria obra. Outro sistema inovador usado na construção foi o gerenciamento de entulho, com descarte inteligente desse material, que foi segregado em caçambas, dividido por espécie: parte do entulho foi reaproveitada na própria obra e outra parte reprocessada por empresas da região. 40% de todo o material utilizado na construção são provenientes de fornecedores localizados numa distância próxima, evitando os fretes de longa distância. MAIS ALTERNATIVAS EM EMBALAGENS ECOLÓGICAS E REDUÇÃO DAS PLÁSTICAS A rede Pão de Açúcar foi a primeira empresa do varejo brasileiro a oferecer sacolas retornáveis como alternativa às embalagens plásticas, há três anos. Mantendo seu posicionamento de liderança em sustentabilidade no varejo, a empresa reforça o seu portfólio de opções e lança uma nova ecobag, 100% algodão e com a frase: “eu sou uma sacola verde”. Somadas às versões da SOS Mata Atlântica e as confeccionadas em ráfia, a rede oferece dez opções diferentes de ecobags dimensionadas para diferentes momentos de compra. Desde o lançamento do projeto de sacolas retornáveis, já foram comercializadas mais de 180.000 em todo o Brasil. Além do incentivo para o uso de meios alternativos de embalagens, os consumidores também têm à sua disposição as sacolas plásticas, mas que terão uma nova versão na loja verde: 100% reciclável, com textura mais grossa que as tradicionais e produzidas em 3 camadas: 25% material virgem – externo -, 50% reprocessado (reciclado), no recheio - e 25% virgem – na área de contato com os alimentos. Mais resistente, o novo modelo de sacola plástica pode ser reutilizada e inibe anda o uso de duas ou mais embalagens no transporte das mercadorias. Ainda na linha da redução da demanda por plásticos, estarão disponíveis nessas unidades as caixas de papelão, sacolas kraft e saquinhos de papel, com certificação FSC (Forest Stewardship Council/Conselho de Manejo Florestal), garantindo que o papel utilizado na embalagem é obtido de reflorestamento. Nas embalagens de produtos para venda, outra inovação: a fécula de mandioca é matéria prima para uma bandeja em substituição ao isopor. A novidade é ecológica, biodegradável, usada exclusivamente para produtos secos e com casca. Por uma necessidade técnica, os demais itens continuam com a embalagem de isopor reciclável, com o devido selo informativo alertando para a possibilidade de reciclagem. SELO CORPORATIVO Para informar o cliente sobre reciclagem, o Grupo Pão de Açúcar lança um Selo Corporativo. Todas as embalagens de marcas exclusivas e suprimentos recebem o Selo que informa sobre a possibilidade da reciclagem e ainda orienta sobre o material que a embalagem é feita: plástico, papel, vidro ou alumínio. Para facilitar o processo, o descarte do material pode ser feito na própria loja, na Estação de Reciclagem Pão de Açúcar Unilever. RECICLAGEM DE RESÍDUOS ORGÂNICOS E SÓLIDOS Após oito anos desde a instalação da primeira Estação de Reciclagem Pão de Açúcar Unilever, este programa já registra a marca de 25.000.000 quilos de resíduos arrecadados. Atualmente, são arrecadadas cerca de 500 toneladas por mês somadas todas as 94 lojas participantes do projeto em todo o Brasil. Seguindo o pioneirismo do projeto, na loja verde do Pão de Açúcar, mais novidades: é a primeira estação confeccionada em material 100% reciclado e reciclável. Os clientes também poderão descartar pilhas e baterias no equipamento especialmente desenhado para recebimento desse material. Além da facilidade para depósito de materiais pós-consumo, os clientes que quiserem optar pela reciclagem pré-consumo podem deixar as embalagens de papel e plástico adquiridas na loja no próprio caixa, no ato da compra. É o projeto Caixa Verde, lançado pela rede no início deste ano, já disponível em 7 lojas e que em Indaiatuba estará disponível em 04 check-outs. E não são só os consumidores que estarão envolvidos na cruzada lixo zero. Na loja, entre os treinamentos recebidos pelos colaboradores, está o de separação do lixo, cuja meta é reciclar 90% de todo resíduo gerado no processo operacional, incluindo material orgânico. A empresa responsável é a GMV Recycle. O lixo orgânico é reaproveitado para a ração animal, a sucata da madeira, de caixas e palites, para elaboração de móveis e o restante - papelão e plástico - vai para reciclagem. O próximo passo é utilizar a biomassa do lixo, ou seja, o descarte, para produzir energia e consequentemente, gerar créditos de carbono. Nas entregas das compras, os veículos de transporte se utilizam de biocombustível (álcool) diminuindo o impacto no meio ambiente. PROGRAMA PEQUENO CIDADÃO Durante o mês junho, todas as quartas-feiras, escolas da região de Indaiatuba vão visitar o novo Pão de Açúcar Indaiatuba para conhecer a loja modelo em sustentabilidade e receber informações sobre consumo consciente, operação sustentável e sistemas de reciclagem. O objetivo é conscientizar os pequenos cidadãos da importância de pequenas atitudes para a preservação do meio ambiente. FUNCIONÁRIOS COM CONHECIMENTO DE AÇÕES SÓCIO-AMBIENTAIS No atendimento ao público, uma equipe de 110 colaboradores compõe o quadro de profissionais do primeiro supermercado verde do Brasil. Já no processo de seleção, a empresa contemplou candidatos com histórico de engajamento em ações sócio-ambientais e/ou voluntariado que, uma vez contratados, receberam uma série de treinamentos privilegiando conceitos de sustentabilidade, que incluem as inovações implantadas na loja verde do Pão de Açúcar e conhecimentos gerais que irão ajudar no esclarecimento do consumidor em suas dúvidas, destacando a importância do tema. AMPLA PARTICIPAÇÃO DE PRODUTOS ORGÂNICOS, SAUDÁVEIS E SUSTENTÁVEIS O Pão de Açúcar Indaiatuba oferece uma seção inteira de itens orgânicos, é o maior sortimento da linha verificado num supermercado, 50% a mais que numa loja convencional. São mais de duzentas opções disponíveis na loja entre: frutas, verduras, legumes, sucos, cafés, vinhos, cachaça, azeites, geléias, açúcar, arroz, chás, molho de tomate, lentilhas, purê de maça, farinha, feijão, xampus, condicionadores, cremes e muito mais. E para oferecer uma ampla linha de alimentos saudáveis, por seis meses, um grupo de profissionais da área comercial dedicou-se ao desenvolvimento de novos fornecedores e produtos. O resultado é um mix de frutas, legumes e verduras, convencionais e orgânicos, entregues diretamente na loja por produtores da região gerando menor impacto ambiental e produtos com maior frescor e qualidade. Na linha de sustentáveis, os destaques são a água carbono neutro da Petrópolis e a carne de terneiro Taeq, ambos lançamentos. A água carbono neutro é envasada em garrafa PET de 510 ml com a menor gramatura do mercado – 16,5g a 17,0g; o rótulo é de papel reciclado - primeiro produto nacional de água mineral a utilizar este tipo de papel na rotulagem; a neutralização de carbono acontece no processo fabril da unidade de envasamento (fonte), com selo verde carbono neutro no rótulo. As caixas de transporte são confeccionadas em papelão reciclado e retornável, diminuindo o impacto ambiental de lixo. A carne de terneiro Taeq é fruto da combinação entre as raças Rubia Gallega (de origem espanhola) e Nelore (tradicional no Brasil). As características são: maior concentração de proteína, baixo teor de gorduras, redução de colesterol e baixa caloria. O resultado é uma carne mais saudável e com alto valor nutricional: 27% menos caloria que a carne convencional e 78% menos gordura total. São 114 calorias a cada 100g. Outro diferencial é a sustentabilidade do produto, feito sob uma cadeia produtiva orientada para a responsabilidade econômica, social e ambiental, fruto da parceria do Grupo Pão de Açúcar com o Instituto ETHOS e do Banco Interamericano de Desenvolvimento Mais sobre produtos: A padaria da loja verde terá todo diferencial e sortimento já reconhecido pelos consumidores do Pão de Açúcar: pães artesanais e de fabricação própria - franceses, baguetes, italianos, ciabatas, croissants, de queijo -, doces - brioches, sovados, roscas com creme, bolos - laranja, fubá, cenoura, brownie, confeitados, tortas, doces, e folhados importados da França. Nos destaques, pães com farinha orgânica, integral, de frutas secas, multicereais, de centeio, de soja e girassol. A seção de frios e laticínios conta com um amplo espaço para produtos a base de soja, linha saudável, diet, light e funcionais. O cliente também irá encontrar manteiga e iogurtes orgânicos, queijos artesanais e com procedência de várias regiões do mundo: Portugal, Espanha, Itália, França, Suíça, Inglaterra e Holanda. Pessoas com intolerância à lactose e celíacos, terão uma compra facilitada com linhas específicas que atendem às suas necessidades. No açougue, além de toda variedade de cortes especiais, carnes certificadas de animais que recebem alimentação sem hormônios de crescimento e produzidas sem agrotóxicos ou adubos químicos. As carnes podem ser encontradas cortadas, embaladas, prontas para o consumo. Na peixaria, pescados frescos, limpos na hora e congelados. Há peixes de várias espécies, camarões, polvos, mexilhões, ostras, lulas, linguados, trutas e salmões. Na seção de bebidas, são mais de 600 rótulos de vinhos, incluindo os orgânicos. Para facilitar a escolha, um atendente especializado está à disposição dos clientes com as melhores dicas e sugestões. Na loja verde do Pão de Açúcar há também oferta de cachaça orgânica e sucos que são produzidos sem utilização de fertilizantes químicos. Na linha de comércio solidário, o programa Caras do Brasil, estará com sua linha completa com mais de 200 produtos disponíveis na loja verde do Pão de Açúcar. São alimentos produzidos artesanalmente como mel, geléias, cafés, granola, melado orgânico, bala de banana, entre outros, e objetos de decoração – fantoches, tapetes, jogos americanos, fruteiras, sousplat - provenientes de 87 comunidades de várias regiões do Brasil. Na perfumaria, produtos 100% naturais e orgânicos de marcas como L´Occitane, Vyvedas, Granado, Weleda e Ikove estão no portfólio. Da L´Occitane, sabonetes, creme de ducha, leite corporal, cremes para as mãos e para os pés, condicionares e xampus, gel, desodorantes, pós-barba das linhas Verbena, Lavanda, Amêndoa, Mercador, Masculina, Aromacologia, Karité. Da Vyvedas, as opções naturais vêm em barras de sabonete de capim santo e limão, condicionadores e xampus de cupuaçu e de abacate, loção de buriti, entre outros. A Ikove, pela primeira vez, traz sua linha de orgânicos para um supermercado. São xampus, condicionares e cremes, feitas com ativos da biodiversidade brasileira e certificados pela Ecocert da França. SERVIÇOS DIFERENCIADOS Em uma área de 380m², o Pão de Açúcar Indaiatuba reúne rotisserie, sushi bar, pizzaria, frutaria, sorveteria e o espaço café. Na rotisserie, todo dia uma sugestão verde. O cardápio elaborado pela chef Mariana Seabra conta com um cardápio variado incluindo as linhas orgânica e vegetariana. Haverá também o pastifício com fabricação diária de 6 tipos de massas frescas: recheada com carne e nozes, mussarela de búfala, alho poró e parmesão; secas: nhoque de mandioquinha e batata. Os molhos são branco, bolonhesa e casse. Na pizzaria, opções em pizzas e paninis com massa integral. Tem também os Smothies, uma combinação de polpa de frutas orgânicas, frutas, sorvetes ou iogurtes light em várias versões. No Espaço Café estão dispostas mesas com vista para um jardim com vegetação nativa e onde são servidos sanduíches e salgados, incluindo os naturais e/ou integrais, acompanhados de sucos e cafés, chocolates e chás, que são servidos em xícaras do projeto Hope Cups –, do Instituto Rodrigo Mendes (http://www.institutorodrigomendes.org.br/), instituição comprometida com a construção de uma sociedade inclusiva por meio da arte. As “xícaras da esperança”, como são chamadas as louças pintadas pelos alunos do instituto também serão comercializadas pela rede nas linhas Sunrise, Abstratos e Contrastes. DELIVERY & ENTREGAS Para quem quiser optar pelas facilidades e comodidade do comércio eletrônico, a loja verde conta com o Pão de Açúcar Delivery Express, com entrega em até 3 horas (tempo médio de entrega). O serviço está disponível para região de Indaiatuba pelo site http://www.paodeacucar.com.br/. SOBRE O PÃO DE AÇÚCAR Supermercado de vizinhança, com foco nos consumidores de perfil cosmopolita, que prima pela variedade e qualidade em produtos e serviços personalizados. Com 145 lojas distribuídas em nove estados brasileiros, o Pão de Açúcar caracteriza-se pela ampla oferta de soluções e pioneirismos lançados ao longo da história do varejo brasileiro. Entre as bandeiras do Grupo Pão de Açúcar, a rede Pão de Açúcar apresentou o melhor desempenho do ano de 2007, com crescimento de vendas acima da média da Companhia. Grupo Pão de Açúcar – Relacionamento com a Imprensa – 11 3886 0465

domingo, 19 de abril de 2009

Aí que calor!

Falar sobre aquecimento global parece que virou moda nos últimos tempos. Mas, afinal, você sabe o que esse fenômeno significa? Cientistas acreditam que a temperatura da Terra está aumentando, o que traz resultados ruins para o Planeta. A água de geleiras e a neve acumulada no alto dos montes, por exemplo, derretem e vão para os oceanos. Assim, o nível do mar também aumenta e ameaça cidades e ilhas, que podem sumir do mapa. Segundo as previsões, em alguns lugares do mundo, o mar deve subir 40 cm até 2050 e outros 50 cm até 2100. Vale lembrar que cada centímetro a mais de água do mar resulta em 1 metro a menos de terra nas praias. Pelo jeito, daqui a 100 anos, o mapa mundi que você conhece hoje pode ficar desatualizado. Migração De toda a água do mundo, 2% estão nas geleiras do alto de montanhas, da Antártida (ao sul) e da Groenlândia (ao norte), 97% está nos mares e 1%, em rios, lagos e no subterrâneo da terra. Parece pouca geleira, não? Mas o tantinho disso que já derreteu é um sinal de alerta, por exemplo, para a população das Ilhas Maldivas, arquipélago da Ásia formado por mais de 1000 ilhotas. Lá, a situação é tão preocupante, que o presidente está juntando dinheiro para comprar terras em outro lugar e transferir toda a população, em 30, 50 ou 100 anos. Os habitantes dos arquipélagos de Tuvalu e Kiribati, ambos na Polinésia, também seguem o mesmo exemplo. E nem a rica Veneza, famosa cidade da Itália em que as pessoas se locomovem em gôndolas nos canais, escapa do risco. Lá, as marés fortes estão alagando mais áreas e existem estudos para a construção de barragens protetoras nas lagunas da cidade. Mas os países que não têm dinheiro para mudar o seu povo de lugar? Isso não é fácil de responder. Provavelmente, os povos mais pobres sofrerão as piores conseqüências. De acordo com especialistas em clima, os lugares que correm mais riscos de desaparecer são os que ficam até 10 metros acima do nível do mar. Para se ter idéia, o Vietnã, na Ásia, tem 65% de seu território nessas condições. Bangladesh, também na Ásia, tem 40% de terras na faixa dos 6 metros acima do mar. São dois países pobres. Será preciso união de todo o mundo para ajudar essa gente que ficará sem casa. E na terra do samba? Para nós, pelo menos uma notícia boa há nisso tudo. O Brasil está longe de ser o país mais prejudicado. Com 8,5 mil problema é que nessa porcentagem estão grandes cidades, como Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e Santos. E o efeito do degelo já pode ser visto em outras partes do País. Em Olinda e Jaboatão (PE), São João da Barra (RJ) e no litoral de Santa Catarina, casas construídas há 20 anos que ficavam a 200 metros do mar, hoje estão sendo engolidas pelas ondas. Outras conseqüências do aquecimento global Além do aumento do nível do mar, o aquecimento global bagunça os ecossistemas. Quando a temperatura do ar aumenta, a do mar também se eleva o que interfere na vida das espécies marinhas e atrapalha a cadeia alimentar de diversos animais, inclusive do homem, já que a pesca fica prejudicada. Outra conseqüência do aquecimento global é o aumento da intensidade das tempestades como furacões, tornados, chuvas de granizo e tempestades de raios. Segundo os especialistas, enchentes e furacões, que vêm causando destruição em diferentes cidades do mundo, podem aumentar de freqüência e de poder, adquirindo uma força muito maior e afetando a produção de alimentos, agricultura e pecuária. O aquecimento global só não é responsável por tsunamis e terremotos, que são causados pelo movimento das placas tectônicas (que formam os continentes) e por fatores internos do planeta. Vamos cuidar do Planeta Existe muita discussão sobre o porquê do aquecimento global. O maior vilão é o dióxido de carbono, o gás carbônico jogado na atmosfera por veículos e fábricas. E as florestas não conseguem ajudar o Planeta a respirar, já que estão sendo destruídas. Mas há pesquisadores que não colocam a culpa somente no dióxido de carbono e acreditam que a Terra, desde sua criação, vem sofrendo aquecimentos e resfriamentos globais, independentemente da ação do homem. O problema hoje é a velocidade com que isso vem acontecendo. Polêmicas à parte, o fato é que o aquecimento global é realidade, e teremos de aprender a lidar com os efeitos. Mas, calma! Nada de ficar desesperado e sair por aí espalhando que o mundo vai acabar. Ainda é possível diminuir o ritmo do aquecimento nos próximos séculos. Governos de todo o mundo estão discutindo a emissão de gases poluentes em grupos como o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que une milhares de especialistas para discutir as alterações no clima. Há também o Protocolo de Kyoto, um acordo em que países se comprometem a diminuir a emissão de poluentes. Como essas coisas que envolvem política são complicadas, cada país tem seu interesse, e controlar a emissão de poluentes pode atrapalhar as indústrias, é importante que todo o mundo faça a sua parte. A educação ambiental deve ser levada a sério e ações simples como reciclagem, não desperdiçar água, não jogar lixo nas ruas e cuidar da natureza podem parecer pequenas, mas valem muito mais do que a gente imagina.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Preservação de florestas estará no tratado que sucederá Kyoto

Mecanismo exato da compensação pela floresta salva ainda será alvo de negociações ao longo de 2009. O mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD), o maior interesse do Brasil na 14a Conferência do Clima, em Poznan, na Polônia, será incluído no futuro acordo do clima que substituirá o Protocolo de Kyoto. A decisão permitirá que governos, empresas privadas e proprietários de terra que preservem áreas de florestas tropicais sejam recompensados financeiramente. A metodologia do REDD ainda precisará ser definida, mas já está certo que o acordo final deverá ser assinado em Copenhague, em 2009. A negociação ocorreu quando os delegados dos países reunidos concluíram a discussão do Subsidiary Body for Scientific and Technological Advice (SBSTA). A confirmação foi feita ao Estado pelo governo brasileiro. Sem dúvida, é um passo importante. A discussão sobre a metodologia continuará, mas a inclusão do REDD no novo acordo do clima está garantida. O mecanismo beneficiará muito o Brasil. De acordo com o relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) de 2007, o desflorestamento é responsável por 20% das emissões mundiais de gases de efeito estufa. No País, o desmatamento é responsável por 75% das emissões. A inclusão do REDD é decisiva porque abre a possibilidade de que, ao preservar a floresta, o Brasil seja indenizado pela comunidade internacional. A forma como esta compensação se dará ainda está em aberto e precisará ser negociada até dezembro do próximo ano. A proposta brasileira é de que seja criado um fundo internacional - nos moldes do já existente Fundo da Amazônia -, que receberia recursos de outros governos, destinados ao combate ao desmatamento. Países como os Estados Unidos, entretanto, defendem que essa remuneração se dê via mercado de carbono. A União Européia também defendia este ponto de vista. Após uma reunião bilateral realizada com delegados do Brasil, os europeus aceitaram a criação do fundo internacional, que seria alimentado, em um primeiro momento, por dinheiro público. Só após um período de experiência o mercado de carbono seria incluído. A questão do financiamento não está resolvida ainda. É difícil obter dinheiro que venha unicamente dos orçamentos de cada país. Além do modo de financiamento, serão discutidos os detalhes metodológicos do REDD. Entre as dúvidas, estão como medir as emissões e como mensurar a degradação. Já está certo a menção aos povos da floresta, que terão o direito reconhecido a uma completa e efetiva participação por meio de suas comunidades locais. Embora o mecanismo de REDD ainda estivesse em aberto, o governo brasileiro contava com sua aprovação ao lançar, em 1o de dezembro, em Brasília, o Plano Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC). Neste documento, o País estabeleceu - pela primeira vez - metas para redução de emissões, responsabilizando-se a diminuir em 73% o ritmo de desmatamento até 2017 - tendo como parâmetro o ano de 1990. Este índice representa a "economia" de 4,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono que seriam jogados na atmosfera. Por outro lado, significa que o governo brasileiro admite que uma área de 70 mil km2 de floresta - equivalente às superfícies da Bélgica e da Holanda somadas - desaparecerá nos próximos 10 anos. Europa e EUA A União Européia aprovará as metas de seu Pacote Energia-Clima. O projeto posto em discussão em Bruxelas, e resultará em um compromisso formal: redução de 20% das emissões de gases de efeito estufa, economia de 20% de energia e uso de 20% fontes renováveis até 2020, tendo como parâmetro o ano de 1990. Se confirmado, o acordo impactará de forma positiva as negociações em Poznan. A afirmação de que o pacote será aprovado pelos 27 países foi feita pelo comissário europeu de Meio Ambiente, Stavros Dimas. A União Européia fará sua parte. As taxas de redução que propusemos serão mantidas intactas. Se necessário, encontrarão-se-a outras fontes de financiamento, mas os objetivos não serão alterados. A informação empresta mais solidez à posição dos delegados da União Européia presentes em Poznan. Até aqui, os governos da Alemanha, da Itália, da Polônia, da República Checa e de outros países do Leste Europeu impunham restrições ao acordo.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Plano quer restaurar 15 milhões de hectares da Mata Atlântica

Pacto envolve ambientalistas, empresas e governos e tem meta de integrar ações de recuperação da floresta Organizações ambientalistas lançaram nesta terça-feira um projeto que pretende restaurar 15 milhões de hectares da Mata Atlântica até 2050, equivalentes a cerca de 10% da floresta original e ao dobro da área atualmente conservada. O chamado Pacto pela Restauração da Mata Atlântica tem o objetivo de integrar iniciativas já existentes e ampliar o alcance de projetos para reverter o processo de degradação e começar um amplo programa de recuperação dessa floresta. Calcula-se que 7,26% da área original da Mata Atlântica (de 1,36 milhão de quilômetros quadrados) ainda estejam conservados. Outros 13%, segundo os idealizadores do pacto, são fragmentos em diferentes estágios de conservação, que necessitam de ações de proteção. Com os 15 milhões de hectares que o projeto pretende restaurar (área equivalente a três vezes o território do Estado do Rio de Janeiro), o objetivo é chegar à meta de 30% do bioma da Mata Atlântica recuperados. Um mapeamento realizado desde 2007 por especialistas das principais organizações que atuam na Mata Atlântica identificou 17,45 milhões de hectares com potencial para restauração. Incentivos Até 07/04/2008, o plano já tinha a adesão de 53 organizações ambientalistas, empresas, governos e instituições de pesquisa. Os coordenadores do projeto esperam novas adesões, inclusive de organizações de indígenas, quilombolas e assentados da reforma agrária. O valor médio para recuperar um hectare da Mata Atlântica é de US$ 1 mil, o que levaria a um cálculo de aproximadamente US$ 15 bilhões para recuperar 15 milhões de hectares. Um dos objetivos é aliar a conservação da biodiversidade à geração de trabalho e renda na cadeia produtiva da restauração. Proprietários rurais, por exemplo, poderiam se beneficiar com a adequação legal de suas terras e eventuais ganhos financeiros por sequestro de carbono e outros serviços ambientais. Áreas de pastagens com baixa produtividade poderiam ser transformadas em florestas manejadas com alto rendimento econômico, segundo os coordenadores do projeto. Também está prevista a disseminação de informações técnicas, além do monitoramento das ações. Vamos definir e monitorar uma meta anual também. Os idealizadores do projeto afirmam, porém, que para ser consistente a restauração é um processo longo, que envolve décadas. A Mata Atlântica abriga 60% das espécies ameaçadas de extinção no Brasil. Atualmente, vivem na Mata Atlântica 122 milhões de pessoas.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Lançado pacto para restaurar 150 mil km² da mata atlântica

Um pacto para restaurar 150 mil quilômetros quadrados da mata atlântica, uma área equivalente ao Estado do Ceará, foi lançada em 07/04/2009 em São Paulo. A meta é recuperar 30% da área original do bioma até 2050. Atualmente, floresta bem preservada corresponde a 7% da cobertura original da mata atlântica, sem contar trechos que demandam proteção e cuidado especial (13%). A iniciativa pretende restaurar 10% do bioma original que desapareceu. Um mapa produzido pelo Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal (Lerf) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ-USP) identificou regiões onde pode ocorrer a restauração. Solos com pouco potencial agrícola ou às margens de rios receberam prioridade, pois se presume que não será difícil convencer agricultores e pecuaristas a reflorestar tais áreas. Temos solos de baixa produtividade que geram apenas R$ 200 por hectare, explica o pesquisador do Lerf e um dos responsáveis pelo estudo. Com manejo adequado, seria possível obter R$ 1.500 por hectare de floresta restaurada. O coordenador-geral do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, afirma que a iniciativa não apontará infratores do Código Florestal, que desmataram além do permitido. Pretende-se mostrar que vale a pena para o agricultor recuperar a mata. Um livro organizado por pesquisadores do Lerf - Referencial dos Conceitos e Ações de Restauração Florestal - reúne o conhecimento necessário para restaurar a mata. O financiamento das iniciativas não virá de filantropia. Devem-se criar mecanismos para que os produtores recebam pelos serviços ambientais prestados pela floresta preservada nas suas propriedades. A mata atlântica garante o abastecimento de água para quase 130 milhões de pessoas no País. Buscar-se-ão interessados em comprar créditos de carbono. Mais de 50 entidades aderiram, incluindo organizações não governamentais, empresas, universidades e governos. O site www.pactomataatlantica.org.br recolherá as inscrições. O pedido depende de aprovação. A adesão implica cumprimento das diretrizes apresentadas no protocolo do pacto, disponível no site.

sábado, 11 de abril de 2009

Parceria ajuda a recompor florestas

Agricultores formam a área de reserva legal com a ajuda de empresas interessadas em neutralizar carbono. O empresário Samuel Oliveira financiou plantio de 5 mil árvores nativas. - De um lado, paira sobre a cabeça do produtor rural a espada da lei ambiental, que o obriga a preservar ou recompor com árvores nativas no mínimo 20% de sua propriedade, no caso do Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Nordeste. De outro lado, há produtores que mal têm o dinheiro para investir nas lavouras anuais, o que se dirá no plantio de árvores. Uma recomposição de floresta com espécies nativas, seguindo à risca toda a legislação, chega a R$ 15 por muda, por dois anos, com 1.667 mudas por hectare. Durante dois anos, que é o tempo que se espera que a muda nativa já possa crescer por conta própria, o produtor gastaria no mínimo R$ 12.500 por hectare/ano. A ONG SOS Mata Atlântica, que também encampa, por meio de parcerias, o plantio de árvores nativas, indica um custo de R$ 12 por muda com 1.700 mudas por hectare, por dois anos, ou seja, R$ 10.200/hectare/ano. CONTRA O AQUECIMENTO A boa notícia é que o produtor rural tem, atualmente, possibilidade de recompor áreas com espécies nativas sem gastar nada. Deve apenas, logicamente, ceder a área, numa parceria fechada com empresas interessadas na neutralização de carbono (CO2 - principal gás responsável pelo aquecimento global), ou aquelas que necessitam, por lei, fazer compensação ambiental com o plantio de árvores nativas. Mais quatro nascentes surgiram após a recomposição de 5 hectares. Funciona assim: com o plantio de determinada quantidade de árvores, empresas ajudam a neutralizar ou a "sequestrar" o carbono lançado à atmosfera a partir de suas atividades ou eventos. No Sítio Duas Cachoeiras, do produtor orgânico Guaraci Diniz, em Amparo (SP), a Gráfica The Plêiades, de Santo André (SP), financiou o plantio de 5 mil mudas de espécies nativas em 4,8 hectares. O gasto no primeiro ano de plantio, entre novembro de 2007 e novembro de 2008, foi de R$ 20 mil. O resultado será a neutralização de no mínimo 40 toneladas de carbono/ano. OS CÁLCULOS O Laboratório de Engenharia Ecológica e Informática Aplicada da Unicamp fez os cálculos de quantas árvores seriam necessárias: 3.548 árvores em 2,15 hectares. Conseguiram as mudas no Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, uma economia de cerca de R$ 5 mil, aplicou no plantio de uma área maior, podendo reflorestar 100% do sítio de 30 hectares - dos quais 90% já estão recompostos ou em processo de recomposição -, cujo cultivo é feito no sistema de agrofloresta. Viraram produtores de água: em apenas um ano de plantio das mudas, surgiram mais quatro nascentes no sítio. O pecuarista de corte Luis César Cestari, de Iacanga (SP), negocia com uma empresa de cerâmica de Bariri (SP) a recomposição da mata ciliar de um córrego que passa na sua propriedade. Na Fazenda São Paulo, de 240 hectares, a empresa deve plantar 2 hectares de mata ciliar, dos 20 hectares a que está sendo obrigada por lei. Não é neutralização de carbono, mas uma compensação ambiental. Na região ninguém fez ainda esse tipo de parceria, que já dispõe dos 20% da área de reserva legal. Nos próximos meses o plantio deve começar. Quando a mata crescer, unirá dois trechos de mata ciliar já existentes. 3,3 milhões de hectares, ou apenas 14% do território é o que restou de mata nativa em SP, segundo a SMA 1 milhão de hectares é a área que margeia rios, córregos e represas sem cobertura vegetal em SP 10 mil reais por hectare/ano, por 2 anos, é o que o produtor gasta plantando árvores nativas

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Mercado de gases estufa cresceu 41% em 2008

As transações de cotas de dióxido de carbono passaram para 1,84 bilhão de toneladas. O mercado mundial de compra e venda de cotas de emissão de gases causadores do efeito estufa cresceu 41% na primeira metade deste ano, para 38 bilhões de euros, segundo dados apresentados nesta quarta-feira, 3, pela Associação Internacional de Comércio de Emissões (IETA). As transações de cotas de dióxido de carbono (CO2), o gás mais poluente, também aumentaram nos primeiros seis meses de 2008, passando das 1,2 bilhão de toneladas de 2007 para aproximadamente 1,84 bilhão de toneladas. O estudo da IETA, divulgado durante a conferência das Nações Unidas para a Mudança Climática, realizada desde segunda-feira, 1, na cidade polonesa de Poznan, assinala que a compra e venda de poluentes poderia se desenvolver ainda mais se os EUA acreditassem em um mercado nacional de CO2. A União Européia centraliza a maior parte dessas operações relacionadas com direitos poluentes, com cerca de 70% do volume total global. De acordo com o Protocolo de Kioto, os países mais desenvolvidos devem reduzir progressivamente suas emissões de gases causadores do efeito estufa para os níveis de 1990, embora as dificuldades para conseguir essa diminuição faça com que o mercado de compra de direitos de emissão tenha se desenvolvido nos últimos anos como fórmula para evitar sanções por excesso de poluição. A Conferência das Nações Unidas termina no próximo dia 12 de dezembro, quando se espera que governantes de todo o mundo entrem em acordo para alcançar um pré-pacto que permita fechar um protocolo pós-Kyoto na próxima reunião, em Copenhague, em 2009.

terça-feira, 7 de abril de 2009

2008 deveria ser o ano mais frio da década

Especialista diz que resultado não é sinal de redução da mudança climática, e cita tendência de longo prazo. Dados preliminares da média global de temperatura do Escritório de Meteorologia (Met Office) do governo britânico indicam que 2008 deveria ser o ano mais frio da década. A temperatura média do planeta Terra ficará, em 14,3º C, ou 0,14º C abaixo da média apurada entre 2001 e 2007. O resultado não representa uma refutação do fenômeno do aquecimento global. Para entender a mudança climática, é preciso olhar para as tendências de longo prazo. Segundo gráfico histórico elaborado pelo Centro Hadley, praticamente todos os anos, de 1860 e até a década de 90, foram mais frios que uma média apurada de 1961 a 1990. Já a partir dos anos 80 a curva se inverte, com anos consistentemente mais quentes que a média do século passado. Mesmo sendo o ano mais frio da década, 2008 ainda seria excepcionalmente quente na comparação com as temperaturas normais dos 150 anos anteriores. Em artigo publicado em 2007 na revista científica Science, pesquisadores do Centro Hadley já previam que o aquecimento global daria uma breve trégua de alguns poucos anos. Mas o modelo de previsão climática descrito no texto indica ainda que metade do período entre 2009 e 2014 será mais quente do que 1998, ano em que foram registradas as temperaturas mais altas da história. Recentemente, cientistas realizaram um estudo confirmando que a Antártida quanto o Ártico estão menos gelados devido ao aquecimento global. Os pesquisadores estimam que o derretimento total do gelo da Antártida e da Groenlândia poderia fazer o nível global do mar subir cerca de 70 metros. O Painel Climático da ONU estima uma subida de 18-59 centímetros no nível do mar neste século, parte de um novo padrão que também deve incluir mais secas, inundações, ondas de calor e tempestades. Brasil A temperatura mais baixa para o mês de janeiro dos últimos 26 anos, na cidade de São Paulo, foi registrada neste ano, no dia 29. Segundo dados da Estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), no Mirante de Santana, zona norte da capital paulista, no dia os termômetros apontaram a máxima de 19,4ºC - a mesma de 3 de janeiro de 1982. De acordo com o instituto, entre os dias 20 e 30 de janeiro, as máximas variaram entre 19ºC e 26ºC, o que representa o período mais longo com temperaturas abaixo dos 26ºC em janeiro desde 1987.

domingo, 5 de abril de 2009

Temperatura no Ártico atinge nível recorde

A temperatura atmosférica ártica atingiu um novo recorde para o outono, devido à perda de enormes volumes de gelo numa região que há décadas sofre com o aquecimento, segundo relatório anual divulgado na quinta-feira pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA). A temperatura chega a ser 5˚ C superior à média dos outonos árticos, porque sem a proteção do gelo a luz solar aquece mais o oceano. O aquecimento do ar e do mar pode afetar os ecossistemas e reduzir a quantidade de gelo que sobra no verão seguinte, segundo o estudo, que dá mais uma pincelada sombria num quadro já bastante dramático dos efeitos das mudanças climáticas sobre a região. O estudo diz ainda que manadas de renas e alces parecem estar encolhendo, e que o gelo na superfície da Groenlândia também está sendo afetado. As mudanças no Ártico demonstram um efeito-dominó de causas múltiplas mais claramente do que em outras regiões. É um sistema delicado e frequentemente reflete mudanças de forma relativamente rápida e dramática. O Centro Nacional de Dados da Neve e do Gelo, ligado à Universidade do Colorado, informou em setembro que o gelo do Ártico havia caído neste verão para o seu segundo menor nível. Pesquisadores dizem que a temporada de 2008 reforça a tendência de degelo vista nos últimos 30 anos no Ártico. A atual extensão está 34% menor do que na média de 1979 a 2000, embora supere em 9% o recorde negativo de 2007, o ano mais quente já registrado na região.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Efeito estufa condena pequenas geleiras ao desaparecimento

As grandes durarão mais, porém ficarão muito menores. As geleiras do planeta estão derretendo, em sua maioria, de maneira tão rápida que desaparecerão até meados deste século, advertiu um importante especialista. Os dados, fornecidos pelo Serviço de Monitoramento das Geleiras Mundiais (WGMS, na sigla em inglês), mostram que, embora as taxas de derretimento relativas a 2007 tenham baixado de modo substancial em relação aos níveis recordes do ano anterior, a perda de gelo ainda é a terceira mais elevada já registrada. Estima-se que o total da massa que restou das geleiras é o menor em "milhares de anos". Segundo projeções moderadas do serviço de advertência, as pequenas geleiras não vão se recuperar. Com isso, cresce o risco de repentinas avalanches de pedras e de terra que se desprendem com o gelo e a ameaça à sobrevivência de mais de 2 bilhões de pessoas que dependem do gelo derretido que alimenta os rios no verão. O derretimento das geleiras também provoca um aumento do nível médio do mar. Se o clima não esfriar drasticamente, elas se desintegrarão. Isso significa que muitas desaparecerão nas próximas décadas, daqui a 10, 20, 30, 40 anos. Numa perspectiva realista de aquecimento médio, não haverá esperança para as geleiras pequenas - nos Pirineus, na África, nos Andes ou nas Montanhas Rochosas. As grandes geleiras do Alasca e do Himalaia vão durar mais, porém ficarão muito, mas muito menores. O WGMS, entre cujos patrocinadores estão agências da Organização das Nações Unidas e entidades científicas, consolida anualmente os dados referentes a 100 geleiras em todo o mundo, e também 30 geleiras "de referência" em 9 cadeias de montanhas diferentes de 4 continentes. Alguns dados são coligidos há quase 30 anos. Os números para 2005 e 2006 mostraram a maior perda de gelo em um único ano desde que os dados começaram a ser reunidos. Com base em reconstituições históricas, concluiu-se que o período foi o pior dos últimos 5 mil anos. Dados mais recentes, relativos a 2006-07, mostram que 22 das 27 geleiras de referência perderam massa, assim como outras 55 de uma lista maior, de 74 formações. O total das perdas chegou a 50% do registrado no período anterior, mesmo assim, foi o terceiro maior recuo.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Aquecimento pode destruir plataforma de gelo da Antártida

Derretimento devido à mudança climática da tênue camada de gelo está alternado o mapa do continente PLATAFORMA DE GELO WILKINS, ANTÁRTIDA - Uma enorme plataforma glacial está à beira do colapso na Antártida, e apenas uma tênue camada de gelo a separa de se tornar a nova vítima do aquecimento global, que está alternado o mapa do continente. "Viemos à Plataforma de Gelo Wilkins para ver seus estertores", disse à Reuters o glaciologista David Vaughan, da Pesquisa Antártica Britânica (BAS), depois que o primeiro e provavelmente último avião pousou perto da parte mais estreita do gelo. A plataforma, com seu topo plano, ocupa milhares de quilômetros quadrados, erguendo-se 20 metros acima do mar, na Península Antártica. Mas ela só se mantém coesa por causa de uma faixa de gelo com 40 quilômetros, cada vez mais estreita, e que no seu ponto mínimo tem agora apenas 500 metros de largura, o que dá a essa formação um formato de ampulheta. Em 1950, essa faixa tinha quase 100 quilômetros de largura. Realmente pode acabar a qualquer minuto, disse Vaughan sobre a neve lamacenta, à luz forte do sol, ao lado de um avião vermelho Twin Otter que pousou sobre esquis. Ele ressalvou que a ponte de gelo pode também durar mais algumas semanas ou meses. A plataforma Wilkins no passado cobria 16 mil quilômetros quadrados. Mesmo tendo perdido um terço da sua área, ainda tem o tamanho da Jamaica. Mas quando a ponte de gelo se romper, o mar deve engolir grande parte do gelo restante. Icebergs do tamanho e formato de shopping centers já pontuam o mar em torno da plataforma em desintegração. Focas vagam à deriva em mar aberto sobre blocos de gelo. Há um ano, o BAS disse com base em um levantamento aéreo que a plataforma Wilkins estava "pendurada por um fio". Milagrosamente, voltamos um verão depois e ela ainda está lá. Se estava por um fio no ano passado, neste ano está por um filamento. Nove outras plataformas recuaram ou desabaram em torno da Península Antártica nos últimos 50 anos, normalmente de forma abrupta, como a Larsen A (1995) ou a Larsen B. A tendência é amplamente atribuída ao efeito estufa. Esta plataforma de gelo e nove outras que vimos com uma trajetória similar são uma consequência do aquecimento.