sábado, 29 de junho de 2013

Como construir cidades resilientes

Como construir cidades resilientes: um guia para gestores públicos locais
Com mais da metade da população mundial vivendo hoje em áreas urbanas, construir cidades mais seguras é um desafio a ser alcançado em longo prazo. As cidades são os motores do crescimento e da dinâmica nacional, a partir de seus sistemas de governança e capacidades.
No decorrer da história, ocorrências de desastres têm interrompido a vida em áreas urbanas. Climas extremos e alterados, terremotos e emergências desencadeadas pelas ameaças decorrentes da ação humana estão crescentemente pressionando as pessoas a ameaçando a prosperidade das cidades.
“Como construir cidades mais resilientes: um guia para gestores públicos locais” (ONU, 2012) apresenta a prefeitos, governos, vereadores, etc. um quadro geral para a redução de risco, boas práticas e ferramentas que já foram aplicadas em diferentes cidades com esse propósito.
A mensagem é: resiliência e redução de riscos de desastres devem fazer parte do desenho urbano e das estratégias para alcançar o desenvolvimento sustentável. São necessárias alianças fortes e ampla participação popular.
A aplicação dos princípios de orientação da Campanha “Construindo Cidades Resilientes” e a utilização da informação desse Guia irá ajudar as cidades e os governos locais a compartilhar seu aprendizado, ter acesso à informação, desenvolver indicadores e medidas de desempenho para acompanhamento de seus processos. (EcoDebate)

A população da Índia ultrapassará a da China

Em 10 anos, a população da Índia ultrapassará a da China
Sob a nova tabela de projeções de população Organização das Nações Unidas (ONU), em 10 anos a China será segundo país mais populoso do mundo e seu lugar será ocupado pela Índia. Até então, os dois gigantes vão compartilhar a 36,1% da população do mundo.
MAPA da população atual
E embora nos próximos anos, os dois gigantes permanecerá desnivelado final terá lugar em 2021, quando a Índia, cerca de chegar a 1.400 milhões de pessoas e China vai jogar a 1.380 milhões de euros. Vai mudar porque a China tem uma das menores taxas de fertilidade. Tão importante é esta diminuição que, para 2090, pela primeira vez desde 1985, a China vai cair abaixo de um bilhão de habitantes. Outra explicação para o declínio é que 13,3% dos chineses têm agora mais de 60 anos e menores de 14 anos respondem por 16,6%, 6,3% menos do que antes.
Essa projeção faz parte da última revisão do Relatório de População das Nações Unidas, que acontece a cada dois anos. Na grade dos países mais populosos do mundo, segundo o estudo, que a Nigéria, em 2055, ultrapassando os Estados Unidos em terceiro lugar com um total de 425.633.000-412.222.000.
Nesta edição do estudo, a novidade é que a estimativa é de mais de 50 anos, até 2100. Você pode usar um novo método de cálculo da fertilidade, o elemento-chave para antecipar mudanças demográficas.
Ao final do século, o planeta terá 10.124.926 milhões de pessoas, prevê a ONU. Os pesquisadores estimam que até o final deste ano chegará a 7.000 milhões de pessoas e que o forte crescimento será a metade deste século, quando o mundo tem cerca de 9.306.128 milhões.
Os números divulgados pela ONU, que se tornarão realidade se você mantiver as taxas de crescimento calculada para os cerca de sessenta países mais férteis do globo, que entre 2011 e 2100 verá a sua população triplica e passou o hoje 1.200 bilhões para o 4200 milhões.
A publicação indica que o aumento será resultado do crescimento da população em países com alta fertilidade, o que tem em média mais de 1,5 filhos por mulher.
Atualmente, 82% da população vivem em países menos desenvolvidos. Projetando o futuro, a agência observa que nos países ricos, o número de pessoas será de cerca de 1,3 mil milhões nos próximos quatro décadas, enquanto nas regiões menos desenvolvidos vai aumentar de 5.700 milhões para 8.000. Isto implica que, em 2050, 85,9% vivem em países em desenvolvimento. Em seguida, haverá cinco países em desenvolvimento entre os 20 mais populosos (Bangladesh, Congo, Etiópia, Tanzânia e Uganda). E a lista vai ser adicionados mais quatro antes do final do século: a Zâmbia, Nigéria, Sudão e Malawi.
O relatório compila os dados sobre expectativa de vida e envelhecimento, o que mostra que os países com maiores taxas de fertilidade verá sua expectativa de vida é de 77 em 2100, enquanto os estados com uma fecundidade média será atingida 82, e a baixa, ele vai chegar 86.
“O mundo não entrou em colapso, adicionando muitas pessoas, mas muitas pessoas foram acrescentadas as nações mais pobres”, disse Hania Zlotnik, diretora da Divisão de População das Nações Unidas. “Se eles não conseguem um nível de fertilidade, estamos projetando que poderia ter sérios problemas.” (noticiasdatvbrasil)

Os 20 países mais populosos do mundo

ONU: os 20 países mais populosos do mundo em 1950, 2010, 2050 e 2100
Pela projeção da ONU, o Brasil apareceu em 8º em 1950, 5º em 2010, e seria o 7º em 2050 e 10º em 2100. China e Índia lideram os primeiros lugares.

A população mundial era de 2,5 bilhões de habitantes em 1950, 6,9 bilhões em 2010 e deve alcançar 9,3 bilhões em 2050 e 10,1 bilhões em 2100, de acordo com a projeção média da Divisão de População da ONU.
Os 20 maiores países do mundo, em termos demográficos, tem apresentado variações ao longo do tempo. Em 1950, a China era o país mais populoso e possuía mais de 20% da população mundial. Em segundo lugar vinha a Índia, seguida pelos Estados Unidos (EUA), pela Rússia e o Japão em quinto lugar. O Brasil aparecia em oitavo lugar. Antes do maior país da América Latina havia a Alemanha e adiante vinha outros três países da Europa Ocidental: Inglaterra, Itália e França.
Em 2010 o quadro tinha mudado bastante. A China continuou em primeiro lugar, mas com pouco menos de 20% da população mundial. A Índia chegou junto e se aproximou do tamanho da população chinesa. Os EUA continuaram em terceiro lugar. A Indonésia passou para o quarto lugar e o Brasil para o quinto. A Alemanha caiu de sétimo para décimo quinto, enquanto os outros países europeus – Inglaterra, França, Itália, Ucrânia e Polônia – saíram da lista. A Rússia caiu do quarto para o nono lugar, enquanto o Japão caiu do quinto para o décimo. Ganharam destaque: Paquistão, Nigéria e Bangladesh.
As projeções para 2050 apontam que a Índia assumirá o primeiro lugar e a China – com cerca de 14% da população mundial – ficará em segundo lugar. O EUA deve manter o terceiro lugar, mas Indonésia deve cair para o quinto, o Brasil para o sétimo e o Japão para o décimo sexto. A Alemanha – único país da Europa Ocidental na lista de 2010 – deve sair desta lista do G-20. Os países que devem apresentar os maiores ganhos de população são Nigéria (do 13º em 1950 para 4º em 2050), Paquistão (de 14º para 6º), Bangladesh (de 12º para 8º), além de Filipinas, Congo e Etiópia que não estavam no G-20 em 1950 e devem assumir a 9ª, 10ª e 11ª posições em 2050.
Para 2100, a Índia deve manter o primeiro lugar com quase 16% da população mundial e a China deve manter o segundo lugar, mas com menos de 10% da população mundial. Os EUA devem cair para o quarto lugar, enquanto a Indonésia deve passar para o sétimo lugar, o Brasil para décimo lugar, Rússia para 17º e Japão para 18º. Os grandes ganhos populacionais ocorrerão nos países: Nigéria (3º lugar), Tanzânia (5º) e República Democrática do Congo (8º).
O que chama atenção na lista dos 20 países mais populosos é que desde o ano 2010 somente dois países – EUA e Japão – possuem alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Embora Rússia já tenha diminuição da população e China e Brasil devam apresentar decrescimento nas próximas décadas, os maiores crescimentos demográficos vão ocorrer ao longo do século XXI nos países mais pobres e com menor nível de IDH. Isto pode jogar vários países na “armadilha da pobreza”, além de agravar os problemas ambientais. (mundosustentavel)

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Aquecimento Global e Mudanças Climáticas

Introdução
Até pouco tempo atrás restrito a círculos científicos, o termo  aquecimento global passou a ser usado por muita gente - mesmo por quem não entende plenamente o que ele significa. O inverno foi quente? Culpa do aquecimento global. Caiu uma tempestade? É o aquecimento global. O calor está de rachar? Aquecimento global. Mas o que é o aquecimento global? É um aumento significativo da temperatura média da Terra em período relativamente curto, em razão da atividade humana.
Uma elevação da temperatura do planeta de 1° Celsius ou mais ao longo de 100 ou 200 anos caracteriza o aquecimento global. Aumento de 0,4° C num século já é algo considerável - e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas avalia que ao longo do século passado a temperatura média da superfície da Terra tenha subido de 0,4° C a 0,8° C.
Neste artigo, aprenderemos o que é o aquecimento global, o que o causa e quais são seus efeitos.
Para começar, vamos ver a diferença entre tempo e clima.
Tempo e Clima
Tempo é local e acontece em curto prazo. Se chover na sua cidade na próxima quinta-feira, isto é o tempo. Clima acontece em longo prazo e não tem relação com uma localidade pequena. O clima de uma área é a média das condições de tempo em uma região ao longo de um grande período. Se onde você vive há ventos frios e garoa, isso faz parte do clima desta região. Os invernos têm sido frios desde quando se começou a registrar o tempo, então geralmente sabemos o que esperar dele.
O longo prazo, em referência ao clima, é um período realmente longo. Centenas de anos são um prazo curto quando se trata de clima. De fato, as mudanças no clima às vezes levam milhares de anos. Isto quer dizer que se por acaso houver um inverno não tão rigoroso quanto o de costume, ou mesmo dois ou três invernos deste tipo em seguida, isto não indica mudança de clima. Isto é apenas uma anomalia, um evento que foge do costumeiro alcance estatístico, mas que não representa nenhuma mudança permanente em longo prazo.
Também é importante entender que mesmo pequenas alterações no clima podem ter efeitos maiores. Quando os cientistas falam sobre "a era glacial", é provável que se visualize o mundo congelado, coberto de neve e sofrendo com temperaturas baixíssimas. Na verdade, durante a era glacial (eras glaciais acontecem aproximadamente a cada 50 mil ou 100 mil anos), a temperatura média da Terra era apenas 5° C mais baixa do que as médias atuais de temperatura.
Alterações naturais do clima
Milhares de anos podem passar até que a Terra esquente ou esfrie apenas um grau. E isso, de fato, acontece de forma natural. Além dos recorrentes ciclos de eras glaciais, o clima da Terra pode se modificar por causa da atividade vulcânica, das diferenças na vida vegetal que cobre a maior parte do planeta, das mudanças na quantidade de radiação que o Sol emite e das mudanças naturais na química da atmosfera.
O efeito estufa
O aquecimento global é causado pelo aumento do chamado efeito estufa. Ele sozinho não é ruim, já que permite que a Terra fique aquecida o suficiente para que a vida continue.
É possível imaginar a Terra como um carro estacionado sob o Sol. O carro fica sempre muito mais quente por dentro do que por fora se permanecer exposto ao Sol por um tempo. Os raios do Sol entram pelas janelas do carro, e uma parte de seu calor é absorvida pelos assentos, painel, carpete e tapetes. Quando esses objetos liberam o calor, ele não sai pelas janelas por completo. Uma parte é refletida de volta para o interior do carro. O calor irradiado pelos assentos é de um comprimento de onda diferente da luz do Sol que entrou pelas janelas. Então, certa quantidade de energia entra, e menos quantidade de energia sai. O resultado é um aumento gradual na temperatura interna do carro.
Quando os raios de Sol chegam à atmosfera e à superfície da Terra, aproximadamente 70% da energia fica no planeta, absorvida pelo solo, pelos oceanos, pelas plantas e outros. Os 30% restantes são refletidos no espaço pelas nuvens e outras superfícies refletivas [referência - em inglês]. Mas mesmo os 70% que passam não ficam na Terra para sempre (se isso acontecesse ela se tornaria uma bola de fogo). As coisas em torno do planeta que absorvem o calor do Sol eventualmente irradiam este calor. Um pouco vai para o espaço, e o resto acaba sendo refletido para a Terra ao atingir certas coisas que ficam na atmosfera, tais como dióxido de carbono, gás metano e vapor de água. O calor que não sai pela atmosfera terrestre mantém o planeta mais quente do que o espaço sideral, porque mais energia está entrando pela atmosfera do que saindo. Isso tudo faz parte do efeito estufa que mantém a Terra quente.
A Terra sem o efeito estufa
Como seria a Terra se não houvesse o efeito estufa? Provavelmente ela se pareceria bastante com Marte. Marte não tem uma atmosfera grossa o suficiente para refletir o calor para o planeta, então lá fica muito frio. Alguns cientistas sugeriram a transformação da superfície de Marte enviando "fábricas" que exalariam vapor de água e dióxido de carbono no ar. Se pudéssemos gerar material suficiente, a atmosfera começaria a engrossar a ponto de reter mais calor e permitir a sobrevivência das plantas na superfície. Depois que as plantas se espalhassem por Marte, elas passariam a produzir oxigênio. Depois de algumas centenas ou milhares de anos, Marte poderia realmente vir a ter um meio ambiente em que os humanos pudessem sobreviver graças ao efeito estufa.
O aquecimento global não é resultado de um aumento na atividade solar, mas da ação predatória do homem sobre a natureza e o planeta Terra.
Aquecimento global: o que está havendo?
O aquecimento global está diretamente relacionado ao chamado efeito estufa, que é provocado por alguns gases - os mais importantes são descritos a seguir.
Usinas de energia, gado e automóveis estão entre os elementos que mais liberam gases do efeito estufa, tais como dióxido de carbono e metano.
Dióxido de carbono (CO2)
É um gás incolor, subproduto da combustão de matéria orgânica. Ele representa menos de 0,04% da atmosfera da Terra - a maior parte foi liberada muito cedo na vida do planeta pela atividade vulcânica. Hoje, a atividade humana bombeia enormes quantidades de CO2 na atmosfera, resultando em aumento total na sua concentração [referência - em inglês]. O aumento de sua concentração é considerado o fator primário no aquecimento global, porque o CO2 absorve radiação infravermelha. Como a maior parte da energia que escapa da atmosfera da Terra sai na forma de radiação infravermelha, o CO2 extra significa maior absorção de energia e um aumento total na temperatura do planeta.
Concentração de CO2 em Mauna Loa, Havaí.
As queimadas na Amazônia colocam o Brasil como o quarto país mais poluidor do mundo. Sem essas emissões o Brasil estaria em trigésimo lugar.
O Worldwatch Institute relata que as emissões de CO2 em todo o mundo aumentaram de cerca de um bilhão de toneladas em 1900 para cerca de sete bilhões de toneladas em 1995. O Instituto também aponta que a temperatura média da superfície da Terra subiu de 14,5° C, em 1860, para 15,3° C em 1980.
O óxido Nitroso (N2O) é outro importante gás estufa. Embora as quantidades liberadas pela atividade humana não sejam tão grandes quanto as de CO2, o óxido nitroso absorve muito mais energia do que CO2 (cerca de duzentas e setenta vezes mais). Por esse motivo, os esforços para que sejam reduzidas as emissões de gás estufa têm sido direcionados para o NO2 também [referência - em inglês]. O uso de muito fertilizante de nitrogênio nas colheitas libera grandes quantidades de N2O, e ele também é um subproduto da combustão.
Metano é um gás combustível e o principal componente do gás natural. O metano ocorre naturalmente, oriundo da decomposição de material orgânico. Frequentemente é encontrado na forma de "gás de pântano". Atividades desenvolvidas pelo homem produzem o metano de várias formas:
-  com sua extração do carvão;
- a partir de grandes rebanhos de gado (por exemplo, gases digestivos);
- a partir da bactéria nas cascas do arroz;
- com a decomposição do lixo em aterros.
O metano age de forma semelhante à do CO2 na atmosfera, absorvendo energia infravermelha e mantendo a energia do calor na Terra. Alguns cientistas até especulam que a emissão do metano em larga escala para a atmosfera (como a liberação de grandes pedaços de metano congelado presos no fundo dos oceanos) poderia ter criado curtos períodos de intenso aquecimento global que levaram a algumas das extinções em massa no passado distante do planeta.
Vapor de água, outro gás estufa
O vapor de água é o “gás estufa” mais abundante, mas é mais frequente não como resultado das mudanças do clima e sim como resultado das emissões causadas pelo homem. Embora o termo gás não se aplique a água em condições normais, a presença de vapor de água na atmosfera e sua participação no efeito estufa dão a ele o status de “gás estufa”. A água ou a umidade na superfície da Terra absorve o calor do sol e de seus arredores. Quando calor suficiente tiver sido absorvido, algumas moléculas podem ter energia para escapar do líquido e começar a subir na atmosfera sob a forma de vapor. Enquanto o vapor sobe cada vez mais alto, a temperatura do ar ao seu redor se torna cada vez mais baixa. Eventualmente, o vapor perde calor para o ar ao seu redor, o que lhe permite voltar sob a forma líquida. A atração gravitacional da Terra faz com que o líquido "caia" de volta para a Terra, completando o ciclo. Este ciclo é chamado de "circuito de retorno positivo". O vapor de água é mais difícil de medir do que outros gases estufa, e os cientistas não têm certeza de qual seria seu papel exato no aquecimento global. Mas o web site (em inglês) da NOAA diz o seguinte:
Enquanto o vapor de água aumentar na atmosfera, maior quantidade dele irá se condensar em nuvens, que são mais capazes de refletir a radiação solar (permitindo que menos energia chegue à superfície da Terra e a esquente).
Efeitos do aquecimento global: nível do mar
Vimos que uma queda média de apenas 5° C ao longo de milhares de anos pode causar uma era glacial; então o que irá acontecer se a temperatura média da Terra aumentar alguns graus em apenas umas centenas de anos? Não há uma resposta clara. Nem mesmo as previsões do tempo em curto prazo são perfeitas porque o tempo é um fenômeno complexo. Quando se trata de previsões climáticas em longo prazo, tudo o que podemos conseguir são adivinhações baseadas em nosso conhecimento dos padrões climáticos ao longo da história.
 
Geleiras e placas de gelo ao redor do mundo podem começar a derreter. De fato, isto já está acontecendo. A perda de grandes áreas de gelo na superfície pode acelerar o aquecimento global, porque menos energia solar será refletida para longe da Terra. O resultado imediato do derretimento das geleiras seria o aumento do nível do mar. Inicialmente, seriam apenas 2,5 ou 5 cm - no entanto, se a placa de gelo da Antártida Ocidental derretesse e caísse sobre o mar, ela elevaria o seu nível em mais de 10 metros, e muitas áreas costeiras iriam desaparecer completamente sob o oceano. O nível do mar também se elevaria porque as águas do oceano ficariam mais quentes, causando a expansão da água. Mesmo um modesto aumento no nível do mar provocaria enchentes em áreas costeiras baixas. O IPCC estima que o nível do mar tenha subido 17 centímetros durante o século 20. Projeções feitas por cientistas mostram que até 2100 o nível do mar vai subir mais 18 a 55 cm. O Brasil não está entre os 50 países mais ameaçados pela elevação do nível do mar. Com o aumento da temperatura global das águas, seriam mais numerosas e fortes as tempestades formadas no oceano - tais como tempestades tropicais, tsunamis e furacões, que extraem sua energia feroz e destrutiva das águas mornas pelas quais passam.
Alguns dos efeitos possíveis do aquecimento global é a inundação de ilhas baixas devido ao aumento do nível do mar, maior frequência de fortes tempestades e o derretimento das geleiras e calotas polares.
Efeitos do aquecimento global: estações e ecossistema
Em áreas temperadas com quatro estações, a estação de plantio e germinação seria mais longa e com maior incidência de chuvas. Isto seria benéfico de muitas formas para estas áreas. No entanto, partes menos temperadas do mundo provavelmente veriam um aumento de temperatura e uma diminuição brutal no índice de chuvas, causando longos períodos de seca e o surgimento de desertos.
Os efeitos mais devastadores - e também os mais difíceis de ser previstos - seriam os efeitos na biodiversidade. Muitos ecossistemas são delicados, e a mais sutil mudança pode matar várias espécies, assim como quaisquer outras que delas dependam. A maioria dos ecossistemas são interconectados, então a reação em cadeia dos efeitos seria imensurável. Os resultados poderiam ser como uma floresta morrendo gradualmente e se transformando em áreas de pasto ou recifes de corais morrendo. Muitas espécies de plantas e de animais se adaptariam ou mudariam com a alteração do clima, mas muitas se extinguiriam.
A Amazônia pode perder, por culpa do aquecimento global, de 10% a 25% de sua área florestal, substituída por uma espécie de savana.
O custo humano do aquecimento global é difícil de ser calculado. Milhares de vidas seriam perdidas anualmente, já que os idosos ou doentes sofreriam com o excesso de calor e outros traumas relacionados a ele. As pessoas de baixa renda e as nações subdesenvolvidas sofreriam os piores efeitos, já que não teriam recursos financeiros para lidar com os problemas que viriam com o aumento da temperatura. Uma quantidade enorme de pessoas morreria de fome se a diminuição das chuvas limitasse o crescimento das colheitas. Elas morreriam também pelo aumento de doenças, se as enchentes costeiras trouxessem as que são originadas na água e se difundem rapidamente.
Podemos evitar o aquecimento global?
Há muitas coisas que podemos fazer para tentar deter o aquecimento global. Basicamente, todas sugerem a redução na emissão de gases estufa. Podemos ajudar gastando menos energia. Estas são algumas formas de diminuir emissões de gases estufa:
- certifique-se de que seu carro está com o motor regulado - isto permitirá que ele funcione com maior eficiência e gere menos gases nocivos;
- caminhe ou ande de bicicleta quando puder - dirigir o carro gera mais gases estufa do que praticamente qualquer outra coisa que se faça;
- recicle - o lixo que não é reciclado acaba em um aterro, gerando metano; além disso, produtos reciclados requerem menos energia para ser produzidos do que produtos feitos do zero;
- plante árvores e outras plantas onde puder - as plantas tiram o CO2 do ar e liberam oxigênio;
- não queime o lixo - isto lança CO2 e hidrocarbonetos para a atmosfera.
Os carros queimam combustível fóssil, mas os carros com combustível mais eficiente emitem menos CO2, especialmente os carros híbridos. Caminhe ou use sua bicicleta se possível ou dê caronas a caminho do trabalho.
Para deter a emissão dos gases estufa é necessário que se desenvolvam fontes de energia combustível não-fóssil. Energia hidrelétrica, energia solar, motores de hidrogênio, biodiesel e células de combustível poderiam criar grandes cortes nos gases estufa se fossem mais comuns.
O Protocolo de Kyoto foi criado para reduzir a emissão de CO2 e de outros gases estufa em todo o mundo. Trinta e cinco nações industrializadas se comprometeram a reduzir a emissão destes gases em graus variados. Infelizmente, os Estados Unidos, principais produtores mundiais de gases estufa, não assinaram o protocolo.
 Curiosidades sobre o Aquecimento Global:
- 2 a 4,5 °C. De acordo com estimativas feitas pelo painel intergovernamental de mudança climática, essa é a faixa de elevação que deve sofrer a temperatura média global até o final deste século.
- 2.000 quilômetros quadrados. Todo ano, áreas desse tamanho se transformam em deserto devido à falta de chuvas.
- 40% das árvores da Amazônia podem desaparecer antes do final do século, caso a temperatura suba de 2 a 3 graus.
- 2.000 metros. Foi o comprimento que a geleira Gangotri (que tem agora 25 km), no Himalaia, perdeu em 150 anos. E o ritmo está acelerando.
- 750 bilhões de toneladas. É o total de CO2 na atmosfera hoje.
- 2050. Cientistas calculam que, quando chegarmos a esse ano, milhões de pessoas que vivem em deltas de rios serão removidas, caso seja mantido o ritmo atual de aquecimento.
- a calota polar irá desaparecer por completo dentro de 100 anos, de acordo com estudos publicados pela National Sachetimes de Nova Iorque em julho de 2005, isso irá provocar o fim das correntes marítimas no oceano atlântico, o que fará que o clima fique mais frio, é a grande contradição de aquecendo esfria.
- o clima ficará mais frio apenas no hemisfério norte, quanto ao resto do mundo a temperatura média subirá e os padrões de secas e chuvas serão alterados em todo o planeta.
- o aquecimento da terra e também outros danos ao ambiente está fazendo com que a seleção natural vá num ritmo 50 vezes mais rápido do que o registrado a 100 anos.
- de 9 a 58% das espécies em terra e no mar vão ser extintas nas próximas décadas, segundo diferentes hipóteses. (saberpensar)

Mudança climática trará inquietação ao mundo

Mudança clima trará inquietação a todo o mundo
A costa-riquenha Christiana Figueres, secretária executiva da Convenção do Clima da ONU, esteve no Brasil na semana passada para discutir com o governo seu papel nas negociações internacionais que tentam fechar um acordo até 2015 para reduzir as emissões de gases-estufa. Em entrevista ao Estado, falou sobre as negociações.
Nos últimos anos, todas as conferências do clima da ONU terminam com uma sensação de fracasso. Os países ainda não parecem estar decididos a fazer reduções mais expressivas das emissões. Como ficar abaixo dos 2°C de aumento da temperatura?
Muitos estudos têm dito exatamente o mesmo: se seguirmos no passo em que estamos, não vamos ficar em 2°C (aumento que se considera limite para evitar cenários mais catastróficos). Vamos chegar a 3,6°C ou 4°C. Mas esse não é o final da história. A verdade é que temos as tecnologias e o capital para mudar a projeção atual das emissões de gases. Podemos ficar nos 2°C se houver vontade política coletiva. Os países caminham na direção correta, mas não na velocidade necessária. Mais recentemente, os governos têm se dado conta de que sozinhos não vão solucionar isso e têm aberto espaço para iniciativas de todos que possam contribuir como uma solução. Há projetos impressionantes de mitigação e adaptação, mais ousados do que tem se logrado em nível nacional. Isso pode formar um círculo virtuoso de abertura de espaço político para que os governos cheguem ao acordo.
Que papel a senhora espera que o Brasil desempenhe?
Acho que o País pode ter vários papéis. O primeiro, claro, é o de baixar suas emissões mais do que já fez. O Brasil já fez um grande esforço, sobretudo em reverter o desmatamento. Mas há outros setores que o Brasil tem potencial de reduzir suas emissões. Assim como todos os outros países do mundo. Nenhum deles está baixando todas as emissões que pode. Ao fazer esse esforço, o Brasil pode servir como modelo para emergentes e exportar a capacidade e a tecnologia com a qual tem baixado suas emissões. Nas negociações pode construir uma ponte entre os países industrializados, que têm responsabilidade histórica pela alta concentração de CO2, e os em desenvolvimento, que têm responsabilidade futura. O Brasil está no meio desses dois universos.
A senhora chegou a Brasília bem no meio de calorosos protestos causados em boa parte por insatisfação com o governo. Acredita que a falta de ações mais ousadas de todos os países contra as mudanças climáticas podem acabar provocando, um dia, este tipo de mobilização?
Acho que, se o mundo não enfrentar a mudança climática em tempo hábil, os tipos de desafios subjacentes à inquietação que estamos vendo no Brasil serão exacerbados em cada país. Ao mesmo tempo, é importante notar que algumas das medidas que devem ser tomadas para enfrentar as mudanças climáticas, como um transporte mais sustentável também podem ajudar a melhorar a qualidade de vida, especialmente nas grandes cidades em todo o mundo. (OESP)

Clima Conservador

É compreensível que empresas petrolíferas gastem fortunas em campanhas de desinformação sobre as alterações climáticas. Pode não ser lá muito humano colocar investimentos em combustíveis fósseis acima de bilhões de vidas humanas, mas ao menos é fácil compreender sua motivação.
No entanto, tenho dificuldade para entender o que pretendem algumas revistas e jornais que parecem desinformar de propósito, repetidamente.
Em maio a Veja deu duas folhas para a grande novidade que o aquecimento global não existe porque a temperatura de dez anos atrás foi igual a de hoje, como se um sistema complexo como o planeta tivesse a obrigação de aquecer-se por igual. Pegue o aumento de temperatura maciço e indiscutível desde a revolução industrial e você encontrará não um, mas vários períodos em que a temperatura foi igual a algum momento no passado. Umas semanas antes o Daily Mail publicou o mesmo gráfico, que a Veja cortou e colou sem ao menos citar a fonte. Na última semana eles voltaram à carga dizendo que vincular o recente tornado de Oklahoma com aquecimento global é um desrespeito às famílias das vítimas.
Ao contrário, as vítimas e suas famílias tem o direito de saber se o mal que sofreram seria evitável. Canhestramente dizer que a região sempre foi acossada por tornados é muito raso. Quase todos problemas ambientais de hoje eram naturais no passado, mas em menor intensidade. Erosão, extinção de espécies, queimadas, eutrofização de águas. Não inventamos nada disto, só aprimoramos.
A realidade da literatura sobre aquecimento global e eventos extremos é ainda dúbia no que diz respeito a tornados. O aquecimento pode não ter efeito sobre efeito sobre eles, como também pode, ao contrário das secas e furacões para os quais a conexão é mais clara.
Atrás disto está a simples vontade de vender. O público que ainda se informa através de um único veiculo, e em papel, é cada vez mais conservador. Esta desinformação é a miçanga e o espelho dadas aos índios em troca do ouro de sua atenção. (EcoDebate)

Iniciativas para adaptar às mudanças climáticas

Cientistas avaliam iniciativas globais para adaptação às mudanças climáticas
Pela primeira vez, os 18 cientistas que integram o comitê do Programa Mundial de Pesquisa Climática, WCRP na sigla em inglês, estão reunidos no Brasil para avaliar as iniciativas globais para mitigação e adaptação às mudanças do clima. No encontro anual, os dirigentes da organização vão concluir, até a próxima sexta-feira (31), um balanço de desafios considerados prioritários, como melhorias nas observações do nível dos oceanos e medidas para avaliar e garantir a disponibilidade de água em algumas regiões.
“O Brasil está entre os líderes em várias iniciativas, como as voltadas para mitigação das alterações climáticas e, ao lado da França e dos Estados Unidos, do sistema de observação do nível do mar. Poucos se importam com o que está acontecendo com os oceanos no mundo, como no Brasil, que tem uma costa muito grande”, disse Antonio Busalacchi, que preside o grupo, explicando que a liderança brasileira nessas políticas motivou a escolha do país para sediar a 34ª reunião do grupo, que existe desde 1985.
“Quis que os integrantes do comitê fossem apresentados a esse cenário. A discussão vai girar em torno de tópicos sobre climatologias em escala regional”, explicou, citando situações que estarão no centro dos debates, como a do Nordeste brasileiro, que enfrenta seca extrema há dois anos.
Há quatro anos, o Brasil se comprometeu a reduzir as emissões de gases de efeito estufa, apontadas como uma das principais responsáveis pelas alterações de temperatura da Terra, entre 36,1% a 38,9% até 2020, tendo como base o que emitia em 1990. O compromisso foi firmado durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas realizada em Copenhague, COP15, e a Política Nacional de Mudanças Climáticas transformou as metas voluntárias em objetivos claros para o governo e para vários setores.
A redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado está no topo da lista, que ainda inclui investimentos na produção de biocombustíveis, substituição do uso de carvão nativo e inclusão de técnicas de plantio que podem reduzir a emissão de gases nocivos pela agricultura.
Na próxima semana, o governo brasileiro vai divulgar o levantamento mais recente de emissões de gases de efeito estufa. A expectativa é que as áreas de meio ambiente e de ciência e tecnologia também anunciem os planos setoriais de mitigação, com metas para áreas estratégicas da economia.
Sem antecipar números, Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação disse que todos os indicativos é que o país está caminhando em direção à meta. O termômetro que confirma essa expectativa, segundo ele, inclui, por exemplo, os índices de desmatamento que vêm mostrando redução da devastação de áreas em regiões estratégicas.
“Qualitativamente a gente sabe que a avaliação é boa porque o desmatamento na Amazônia e no Cerrado está caindo. No ano passado, tivemos o menor índice da série histórica de desmatamento na Amazônia”, disse. Para Nobre, as ações de fiscalização e monitoramento que estão sendo adotadas pelo governo devem manter essas taxas em queda.
Para o grupo de cientistas estrangeiros, Nobre também elencou programas brasileiros que coincidem com as estratégias globais do comitê. “O Brasil avançou muito em medidas de mitigação, mas temos que avançar ainda muito mais na adaptação da sociedade brasileira, do sistema econômico, da agricultura, do uso da água, por exemplo. São pesquisas que vão apontar políticas tecnológicas de adaptação e indicar políticas públicas, como as voltadas para mobilidade urbana e ocupação do litoral”, explicou o secretário.
Recentemente, o governo também criou o Instituto Nacional de Pesquisas sobre os Oceanos (Inpo), reservando outros recursos para pesquisas de longo prazo nos 8,5 mil quilômetros do litoral brasileiro, e iniciou a compra de equipamentos que vão aumentar a capacidade de monitoramento sobre a seca na Região Nordeste. “Estamos comprando 1 mil medidores de chuva, 500 medidores de umidade do solo, 100 estações agrometeorológicas que vão aumentar muito nossa capacidade de prever os impactos da seca do Nordeste sobre a agricultura e abastecimento de água”, explicou. (EcoDebate)

terça-feira, 25 de junho de 2013

UTI ambiental: diagnóstico da água II

As águas superficiais e subterrâneas resultam da ação de ciclos hidrológicos em bacias hidrográficas. E bacia hidrográfica é uma expressão muito lida e escutada e, em muitos casos, já anda dispensando a palavra hidrográfica, aparecendo como: bacia do Amazonas, bacia do São Francisco etc. É uma unidade geográfica, pois se refere a uma parte da superfície da terra, mas também uma unidade hidrológica, pois nela acontecem fases importantes do ciclo hidrológico. Um aspecto fundamental, entretanto, é o seu papel de receptora e processadora da água de chuva que atinge a sua superfície. Sintetizando um conceito, podemos dizer que bacia hidrográfica é uma área da superfície da terra, drenada por um determinado curso d’água. Assim, por exemplo, toda a área de terra que conduz parte da água de chuva recebida para formar o rio São Francisco, compõe a sua bacia hidrográfica.
Figura 1
 
Figura 2
A Figura 1 mostra duas bacias hidrográficas vizinhas. As linhas vermelhas estão unindo os pontos que as separam e demarcam na superfície e que são os divisores de águas. Para melhor entendermos o conceito de divisor de água, vamos usar o ponto 1 da Figura. Ele está sobre a linha que divide as bacias A e B, na parte mais elevada entre as duas, de tal maneira que, ao receber volumes de chuvas que provoquem enxurradas, por exemplo, seja capaz de dividi-las para a esquerda ou para a direita, ou seja, para a bacia A ou B. A figura da bacia hidrográfica está bem arraigada na legislação ambiental brasileira, sendo que a Lei Federal 9.433, que instituiu a nossa atual política de recursos hídricos e criou o sistema nacional para a sua implementação e gerenciamento, a considera como unidade territorial apropriada para a sua aplicação.
A qualificação de uma determinada superfície como bacia hidrográfica independe do tamanho da mesma, mas de sua capacidade de manter um curso d’água, ainda que um pequeno córrego. Aí surgem as grandes, as médias e as pequenas bacias; há, ainda, as sub-bacias e as microbacias. A classificação por tamanho é muito confusa, com autores diversos criando tabelas diferentes para tal. Ninguém discute que uma bacia hidrográfica de 645.000 km2, como a do rio São Francisco, seja uma grande bacia. Mas qual é o valor de área que faz com que uma bacia deixe de ser grande para virar média ou pequena, ou mesmo micro? Esta é, a meu ver, uma discussão irrelevante quando o interesse for a produção de água, pois tudo começa naquela unidade que mantém uma nascente e um córrego, ou seja, na pequena bacia. As médias e grandes são compostas da união das pequenas. Os córregos vão se juntando para formar ribeirões e rios e as respectivas pequenas bacias vão se unindo em áreas territoriais também maiores. Se a preferência for pela ordem decrescente, surgem as sub-bacias como unidades formadoras das médias e grandes.
Em lugar da classificação de tamanhos baseados nas áreas das bacias hidrográficas, é preferível uma outra classificação, com fundamentos na distribuição hierárquica dos cursos d’água que as drenam. Vejamos a hierarquização, segundo as regras de Strahler, que diz: a) o curso d’água sem ramificação é de 1a ordem ; b) dois cursos d’água de mesma ordem ao se unirem formam outro de ordem imediatamente superior; c) o curso d´água de determinada ordem mantém sua grandeza ao receber outro de ordem menor; d) A ordem do curso d’água que deixa a bacia pode ser mantida ao longo de todo o seu trecho. A Figura 2 mostra a aplicação de Strahler em uma bacia hidrográfica. A bacia hidrográfica recebe a mesma ordem do curso d’água que a drena. Tudo isso foi para dizer que, para fins de produção de água, nós consideramos pequenas bacias aquelas de até 3a ordem, independente dos valores das áreas drenadas.
À primeira vista, o leitor poderá imaginar que uma grande bacia terá uma ordem elevada, mas nem tanto. O item c das regras de Strahler segura o crescimento exagerado da ordem, pois ao atingir um determinado grau, o rio passa a receber, com mais frequência, cursos d’água de ordens menores. A bacia hidrográfica do rio Doce, que se desenvolve pelos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, tem 83.465 km2 de área superficial, curso principal com 853 km e é de 10a ordem ( Classificação feita por Coelho, A. L. N., conforme publicação da revista on-line Caminhos da Geografia, v.8, n.22).
Sei que posso estar causando certa estranheza com a análise mais detalhada da natureza geográfica e hidrológica da bacia hidrográfica, mas não há outro jeito de entender a produção de água se não for feita uma radiografia de qualidade de tal sistema. No próximo artigo, vamos discutir como uma pequena bacia pode se comportar ao receber os volumes de água trazidos pelas chuvas. Ou seja, vamos analisar as interações das fases do ciclo hidrológico com alguns componentes físicos e biológicos da pequena bacia e como a presença humana pode interferir em tais interações. Aguardem. (EcoDebate)

Agroflorestas garantem água e biodiversidade

Agroflorestas garantem água e biodiversidade na bacia do Alto Paraguai
Municípios da Bacia do Alto Paraguai estão desenvolvendo um projeto para a melhoria dos sistemas produtivos da agricultura familiar através de cursos de capacitação e elaboração de estudos que subsidiem a recuperação das Áreas de Preservação Permanente (APPs). Na última semana, o Instituto Centro de Vida (ICV) realizou um acompanhamento das atividades de manejo agroflorestal para a recuperação de APPs em propriedades localizadas nos Projetos de Assentamento Capão Verde e Peraputanga.
O objetivo foi acompanhar as atividades nas áreas que integram o projeto, como a do Seu Adolfo Quirino Oliveira e a do Seu Adão Martins Gouveia, e planejar os próximos passos a serem executados.
O trabalho foi realizado por João Gilberto Peixoto Milanez, educador em Práticas Sustentáveis do ICV, em mutirão, com a participação de outros agricultores familiares que desenvolvem iniciativas semelhantes. Durante os processos de manejo, Seu Adolfo explicou que, apesar do trabalho ser árduo no começo, era muito satisfatório. “A agroflorestal é muito importante, mas é preciso ter vontade, coragem e coração para levar o trabalho adiante. Tenho muito orgulho do q ue foi realizado até agora e que ficará para meus filhos e netos” disse o agricultor.
A recuperação da floresta em torno do curso d’água permitiu a Seu Adolfo recuperar uma área que estava totalmente degradada havia três anos, na qual cresce agora, mais de 35 espécies de árvores que oferecem frutos, sementes, sombras e abrigo para animais e para as pessoas.
Seu Adão ressalta que com o trabalho conseguiu evitar o assoreamento de um córrego presente na propriedade, aumentando a disponibilidade da água para usos variados, como a irrigação de plantios ou para a criação de gado, graças à uma roda d’água. Ele relata que mesmo com tantos benefícios, a prática da recuperação de APPs ainda é mal compreendida e menosprezada por ser considerada improdutiva ao trocar pasto por árvores. “As pessoas, e até amigos meus, diziam que eu estava louco de trocar grama por árvores. Mas graças a agrofloresta, agora tenho um rio que já teria desaparecido e meu gado continua o mesmo. Não houve prejuízo algum, só vantagens!”, afirma.
João Gilberto explica que é necessário um trabalho constante de acompanhamento, realizado em várias etapas, como a de plantio, a de poda e a de controle das espécies, para que os resultados se consolidem. “O manejo das agroflorestas regular e constante é fundamental para o sucesso da agrofloresta, e a consequente recuperação de áreas degradadas” insiste o educador de práticas sustentáveis.
As atividades desenvolvidas em municípios da bacia do Alto Paraguai fazem parte do Projeto Conservação das cabeceiras do Paraguai, desenvolvido pelo ICV com apoio da Ecossystem. (EcoDebate)

domingo, 23 de junho de 2013

Brasil: 200 milhões de habitantes

A divisão de população da ONU (UN/ESA) divulgou em 13/06/13 o relatório “Perspectivas da População Mundial: Revisão de 2012” e atualizou o banco de dados para todos os países do globo. A população mundial foi estimada em 7,2 bilhões de habitantes em 2013, devendo chegar a 9,6 bilhões em 2050 e 10,9 bilhões em 2100.
Segundo a UN/ESA, o Brasil deve atingir 200 milhões de habitantes ainda em 2013. Evidentemente, toda estimativa tem certa margem de erro. Mas o número oficial mais atualizado será divulgado pelo IBGE em 29/08/13, quando o Instituto divulgará as novas projeções demográficas com base nos dados do censo 2010.
O Brasil tinha cerca de 3,4 milhões de habitantes em 1800, passou para 17,4 milhões de habitantes em 1900 e chegou a cerca de 170 milhões na virada do milênio, segundo as séries históricas do IBGE. Ou seja, partindo de uma base baixa, o crescimento demográfico foi de 5 vezes no século XIX e de 10 vezes no século XX. Em 200 anos a população brasileira cresceu 50 vezes. Mas os cenários para o século XXI são bastante diferentes.
O censo 2010 indicou uma população de cerca de 191 milhões de pessoas. Porém, no momento de construir as projeções populacionais é preciso fazer uma conciliação censitária e corrigir a subnumeração inerente a todo levantamento censitário. Neste sentido, as projeções da ONU, revisão 2012, indicam uma população brasileira de quase 195 milhões de habitantes em 2010, sendo que a marca de 200 milhões deve ser atingida ainda no começo do segundo semestre de 2013.
A ONU trabalha com 3 cenários de projeção. O que mais influencia estes cenários são as taxas de fecundidade. Na projeção média, a população brasileira deve atingir o pico de 231,2 milhões de habitantes em 2049 para em seguida iniciar uma fase de declínio até atingir 194,5 milhões de habitantes em 2100. Na projeção alta, a população brasileira seria de 330,9 milhões de habitantes em 2100 e, na projeção baixa, de 107,2 milhões de habitantes.
Na última projeção do IBGE, de 2008, a população brasileira atingiria 200 milhões de habitantes no segundo semestre de 2014 e chegaria ao pico de 219,1 milhões em 2039, caindo para 215,3 milhões de habitantes em 2050.
Ou seja, depois de crescer 50 vezes entre os anos de 1800 e 2000, a população brasileira deve apresentar crescimento próximo de zero entre 2010 e 2100, com aumento demográfico na primeira metade e decrescimento na segunda metade do século XXI.
Existe uma curiosidade sobre quando o Brasil vai atingir 200 milhões de habitantes. Porém, é preciso aguardar os números mais atualizados que serão divulgados pelo IBGE em 29/08/13, quando será publicada a “Projeção por sexo e idade da População do Brasil e das Unidades da Federação” para o período 2000 a 2060.
Segundo Nota Técnica do IBGE, comparativamente às revisões anteriores, as alterações introduzidas na edição de 2013 das projeções serão:
1) O ano de partida da projeção do Brasil será 2000 e o horizonte 2060, e para as Unidades da Federação, 2000 e 2030, respectivamente;
2) A estrutura por sexo e idade da população de partida passará por um processo de conciliação com as distribuições observadas nos Censos Demográficos 1991, 2000 e 2010. A conciliação censitária visa primordialmente definir a coerência entre os parâmetros demográficos estimados para o período 1991 – 2010 com a população de partida conciliada.
O Brasil é atualmente o quinto país mais populoso do mundo. A marca de 200 milhões de habitantes é um bom momento para se refletir sobre as tendências históricas e sobre as oportunidades e desafios da dinâmica demográfica brasileira. (EcoDebate)

Atividade Econômica, Atmosfera e Termodinâmica

O principal dogma da ciência econômica continua sendo a estapafúrdia ideia de fazer a economia crescer continuamente para “ofertar” a todos uma vida boa. A intenção em si é benevolente, contudo, isso não é factível.
Enquanto a ciência econômica continuar estabelecendo a produção econômica como o mais ilustrativo paradigma de prosperidade, convertendo isso em regra de comportamento, estaremos fadados a conviver com um meio ambiente cada vez mais degradado. Definitivamente, a expansão econômica (mais crescimento) é algo potencialmente agressivo ao ecossistema. Lamentavelmente, o arcabouço neoclássico ainda não se deu conta – ou finge não entender – que sem a natureza nada pode ser produzido de forma sólida. A escola neoclássica parece não considerar o fato de que a atividade econômica se desenrola dentro da chamada ecosfera dividida em quatro camadas (atmosfera, biosfera, hidrosfera e litosfera), e que essa não pode ser exposta à constante agressão.
Nesse sentido, não se pode perder de vista que a economia nada mais é que um apêndice da biosfera que consome energia. A economia encontra-se subordinada à ecologia que, por sua vez, é subordinada à biologia e à termodinâmica (calor, energia, potência), sendo essa última subordinada à física.
Assim, qualquer tentativa de crescimento econômico passa, indubitavelmente, por esses meandros. Apenas pelo fato da atividade econômica consumir energia já se vincula isso à uma dependência explícita às leis da física.
Contextualizando esse ponto. Energia é um conceito básico da física que obedece a duas leis fundamentais da termodinâmica. A primeira é a lei da conservação, cujo pressuposto básico diz que a energia não pode ser criada nem destruída, apenas pode ser transformada. A segunda é a lei da entropia que diz que a energia sempre se dispersa, passando de um estado de maior concentração para um de menor concentração.
Esse segundo princípio termodinâmico é, por si só, um balizador da expansão da atividade econômica, uma vez que a economia não pode contrariar a lei da entropia, ou seja, em outras palavras, não se pode usar a mesma energia, queimar o mesmo carvão ad infinitum.
Por isso é pertinente à afirmativa de que a economia está vinculada à ecologia e à termodinâmica. Sendo um sistema aberto – embutido – ao sistema ecológico, a economia passa a ser regida pelas leis da termodinâmica. O problema maior é que, além de não reconhecer essa “dependência”, o ensinamento neoclássico – que forma a base, em geral, do raciocínio dos economistas – trata com menosprezo os limites da natureza, pondo o conjunto das bases naturais em delicada situação. A atmosfera, por exemplo, pela elevação da temperatura produzida especialmente pela expansão da atividade econômica é uma das primeiras a sofrer as consequências.
Tornando essa passagem mais didática, é oportuno apontar que a atmosfera é uma mistura de muitos gases. Dois gases acabam “formando” 99% da massa atmosférica: o nitrogênio (com mais de 78%) e o oxigênio (com 20,95%). Sobra 1% para outros componentes menores (neônio, metano, hidrogênio, dióxido de carbono, ozônio e outros). O que acontece é que a temperatura da atmosfera é controlada pelo teor de alguns destes componentes menores, principalmente pelo gás carbônico.
É importante salientar que se apenas existissem nitrogênio e oxigênio, a temperatura da atmosfera seria muito baixa e a maior parte dos mares viraria gelo, dificultando o desenvolvimento das espécies. Acontece que o gás carbônico e o metano (em menor proporção) são os gases que retém o calor do sol e evitam esse congelamento dos mares. Conquanto, se o teor desses gases subir muito (acima de 1%) a temperatura na Terra ficará insuportavelmente alta. A questão temerária é que a atividade econômica na sanha em estimular o crescimento físico da economia tem provocado substancialmente o aumento desse teor, promovendo o aquecimento do clima. É a esse fato que se dá o nome de Efeito Estufa. Cada vez que se queima petróleo, carvão mineral e florestas (desmatamento) aliados à ação das indústrias que poluem o ar são introduzidos bilhões de toneladas por ano de gás carbônico na atmosfera, sendo que 85% são originados dos combustíveis fósseis.
Com isso, estimular o crescimento econômico só faz aumentar a pressão sobre os serviços prestados pela natureza. Crescimento é expansão, e o mundo ecológico não suporta mais um tipo de expansão exageradamente agressivo à escala de valores da natureza, em especial da biodiversidade.
Voltando ao início, enquanto o paradigma maior da ciência econômica girar em torno da busca pelo crescimento o limite biofísico será constantemente ferido. Mudar esse princípio é o principal desafio dos próximos tempos. Para tanto, faz-se necessário estabelecer uma economia que opere em sintonia com os princípios da natureza reconhecendo, de antemão, a dependência do sistema econômico em relação à ecologia e à termodinâmica. (EcoDebate)

População será de 9,6 bilhões em 2050

População mundial deve atingir 9,6 bilhões em 2050, diz novo relatório da ONU
Senhora caminha em Nova York, próxima a um cartaz da campanha do Fundo de População da ONU (UNFPA) sobre o tema do crescimento populacional.
A população mundial de 7,2 bilhões de pessoas chegará a 9,6 bilhões em 2050, apontou um relatório da ONU divulgado em 13/06/13. Ele prevê que o crescimento será principalmente nos países em desenvolvimento.
“Embora o crescimento da população vá diminuir como um todo, este relatório nos lembra de que alguns países em desenvolvimento, especialmente na África, ainda estão crescendo rapidamente”, disse o subsecretário-geral da ONU para assuntos econômicos e sociais, Wu Hongbo.
O relatório “Perspectivas da População Mundial: Revisão de 2012” observa que a população das regiões desenvolvidas permanecerá praticamente inalterada em torno de 1,3 bilhão até 2050.
No entanto, a população dos 49 países menos desenvolvidos deve dobrar de cerca de 900 milhões de pessoas em 2013 para 1,8 bilhão em 2050.
“Embora tenha havido uma rápida queda no número médio de filhos por mulher em grandes países em desenvolvimento, como China, Índia, Indonésia, Irã, Brasil e África do Sul, […] o rápido crescimento deverá continuar ao longo das próximas décadas em países com altos níveis de fertilidade como a Nigéria, o Níger, a República Democrática do Congo, Etiópia e Uganda, além do Afeganistão e Timor-Leste, onde há mais de cinco filhos por mulher”, disse o diretor da Divisão de População do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, John Wilmoth.
Ele acrescentou que a mudança nas taxas de fecundidade nas próximas décadas poderá trazer grandes consequências para o tamanho, a estrutura e a distribuição da população no longo prazo.
O relatório observa que a Índia deverá se tornar o país mais populoso do mundo, passando a China por volta de 2028, quando ambos os países terão uma população de 1,45 bilhão.
Depois disso, a população indiana deve continuar a crescer e a da China começará a diminuir. Enquanto isso, a população da Nigéria deve superar a dos Estados Unidos antes de 2050.
Já a população da Europa deverá diminuir 14%, afirma o relatório, e Wilmoth alertou que o continente já está enfrentando desafios na prestação de cuidados e apoio para uma população em rápido envelhecimento.
Expectativa de vida deve aumentar
No geral, a expectativa de vida deverá aumentar nos países desenvolvidos e em desenvolvimento nos próximos anos.
Em nível global, a previsão é de 76 anos no período entre 2045-2050 e 82 anos em 2095-2100.
Até o final do século, as pessoas que moram nos países desenvolvidos poderão viver, em média, 89 anos, enquanto as que moram nas regiões em desenvolvimento devem viver cerca de 81 anos.
Os dados do relatório são baseados em uma ampla revisão dos dados demográficos disponíveis de 233 países e regiões em todo o mundo, incluindo a rodada de censos populacionais de 2010. (EcoDebate)

A população da Tailândia em 2100

A Tailândia (anteriormente conhecida como Sião) é um país asiático situado no centro da península da Indochina e península Malaia. Faz fronteira ao norte com Mianmar e Laos, a leste com Laos e Camboja, ao sul pelo Golfo da Tailândia e da Malásia e a oeste pelo Mar de Andamão. Suas fronteiras marítimas incluem o Vietnã, no Golfo da Tailândia, a Indonésia e a Índia.
O país é uma monarquia constitucional, tendo reinado a nação desde 1946 e sendo o mais antigo chefe de Estado do mundo e o monarca com maior reinado na história tailandesa. A Tailândia é o 50º maior país do mundo em área territorial (513 mil km²), sendo o 20º mais populoso do planeta. A capital e maior cidade do país é Bancoque, que é o centro político, comercial, industrial e cultural da Tailândia. Cerca de 75% da população é etnicamente tailandesa, 14% é de origem chinesa e 3% é etnicamente malaia. A religião principal é o budismo, praticado por cerca de 85% da população.
A Região conhecida como Tailândia tem sido habitada pelo homo sapiens desde o período paleolítico (há cerca de 10.000 anos). Antes da queda do Império Khmer, no século XIII d.C., vários Estados floresceram nesta região, tais como os reinos Tai, Mon, Khmer e Malaio, conforme verificou-se por meio dos vários sítios e artefatos arqueológicos espalhados pelas paisagens do antigo Sião. Antes ainda do século XII, porém, o primeiro Estado tailandês ou siamês é tradicionalmente considerado como sendo o Reino Budista de Sukhothai, fundado em 1238. A era atual da história tailandesa (Era Rattanakosin) iniciou-se em 1782, após o estabelecimento de Bancoque como capital do Reino do Sião (ver wikipedia).
A população da Tailândia era de 20,6 milhões de habitantes em 1950 e passou para 69,1 milhões de habitantes em 2010. Para 2050, a estimativa média é de 71 milhões na projeção média, devendo cair para 58 milhões de habitantes em 2100. No final do século XXI pode chegar a 96 milhões na hipótese alta ou 32 milhões na hipótese baixa. A densidade demográfica sempre foi relativamente alta, de 40 habitantes por quilômetro quadrado em 1950, passando para 135 hab/km2 em 2010 e podendo chegar a 138 hab/km2 em 2050.
A taxa de fecundidade total (TFT) das mulheres tailandesas era de 6,1 filhos por mulher em 1950, mas caiu de forma impressionante nos últimos anos atingindo 1,6 filhos por mulher em 2010, muito abaixo do nível de reposição (2,1 filhos). As estimativas médias da ONU indicam TFT de 1,7 filhos em 2050 e 2 filhos por mulher em 2100. O número médio de nascimentos estava em 940 mil no quinquênio 1950-55, mas caiu para 873 mil nascimentos em 2005-10, devendo decrescer ainda mais nas próximas décadas. A razão de dependência demográfica era de 83 pessoas dependentes para cada 100 pessoas em idade ativa em 1950 e caiu para 42 em 2010. Isto quer dizer que a Tailândia está em plena fase do bônus demográfico.
A mortalidade infantil e a esperança de vida estavam em 1950-55, em 130 mortes para cada mil nascimentos e 51 anos, respectivamente. A mortalidade infantil caiu para 12 por mil e a esperança de vida subiu para 74 anos, no quinquênio 2005-10. Para 2100, estima-se uma mortalidade infantil de 4 por mil e uma esperança de vida de 85 anos.
Em termos ambientais, a Tailândia possui déficit ambiental, pois segundo o relatório Planeta Vivo, da WWF, a pegada ecológica per capita dos tailandeses era de 2,41 hectares globais (gha), em 2008, mas possuía uma biocapacidade de apenas 1,17 gha. Embora a população deva decrescer já nas próximas décadas, o crescimento econômico e o aumento do padrão de consumo da população vai gerar enormes dificuldades ambientais. (EcoDebate)

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Lavoura-pecuária é alternativa sustentável

Integração lavoura-pecuária é alternativa sustentável
Rural Centro infiltrados
A integração lavoura-pecuária é uma técnica, também conhecida como rotação de culturas anuais com pastagens, em que os produtores utilizam a terra tanto para a produção animal como a vegetal, realizando um revezamento de acordo com a época do ano. Entre os benefícios encontrados na implantação da técnica estão: o aumento na renda, melhora da situação do solo, melhor aproveitamento do maquinário, além de aumento da necessidade de mão-de-obra, gerando mais empregos locais.
Esses resultados foram obtidos a partir de entrevistas realizadas em 12 fazendas que utilizam a técnica, localizadas no Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso, por um grupo de pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) e da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, ambas em Pirassununga.
“A integração lavoura-pecuária é uma forma mais sustentável de produção e várias organizações não-governamentais [ONGs] são favoráveis ao seu uso”, conta o professor Augusto Hauber Gameiro, do Departamento de Nutrição e Produção Animal (VNP) da FMVZ, em Pirassununga. “Outra vantagem observada é o fato de as plantações de soja e outras leguminosas fixarem nitrogênio no solo. Ao plantar gramíneas para a pastagem do gado, quase não será preciso adicionar nitrogênio” descreve.
Gameiro foi o orientador do trabalho de iniciação científica realizado pelos alunos Felipe Perrone Braz e Thiago Denardi Mion, do curso de Zootecnia da FZEA. A pesquisa deu origem ao artigo Análise Socioeconômica comparativa de sistemas de integração lavoura-pecuária em propriedades rurais nas regiões sul, sudeste e centro-oeste do Brasil.
O estudo — uma pesquisa qualitativa — foi realizado por meio da aplicação de um questionário que foi respondido pelos donos ou gerentes das fazendas. Foram escolhidas propriedades que já são sabidamente usuárias da técnica. Os entrevistados destacaram que o conhecimento técnico e a capacidade de investimento são fundamentais para o sucesso da atividade. “Não se trata de algo a ser utilizado apenas por pequenas propriedades”, diz o docente, ressaltando que “são necessários investimento e conhecimento técnico para que produções em maior escala tornem-se viáveis e rentáveis”.
Monoculturas e pecuária
Segundo Gameiro, a integração lavoura-pecuária é algo bastante antigo. O uso da técnica decaiu após a Segunda Guerra Mundial, quando houve um crescimento das grandes monoculturas. Já a pecuária cresceu muito no Brasil a partir da década de 1970. Durante muito tempo, agricultores e pecuaristas se dedicaram a uma ou outra atividade exclusivamente, cenário que tem mudado nos últimos tempos.
“Aquelas lavouras enormes de monocultura podem parecer melhor sob alguns aspectos, pois o produtor fica focado em uma só cultura, e pode se especializar. Entretanto, há várias desvantagens, sendo a principal delas a ambiental. As monoculturas prejudicam a biodiversidade e, sob o aspecto econômico, na entressafra, é preciso lidar com a ociosidade da terra, de equipamentos e de pessoal, principalmente nas culturas anuais, como soja e milho”, afirma o professor. Já no caso da pecuária, pode ocorrer um processo crescente de degradação do solo, caso o manejo seja inadequado.
Na integração lavoura-pecuária, quando a terra não está sendo utilizada para o cultivo de determinada cultura, ela se transforma em pasto e o agricultor pode se dedicar à pecuária e vice-versa. No caso da soja e do milho, o plantio é realizado na primavera (em outubro ou novembro), em São Paulo e nos estados localizados acima dele. A colheita é em fevereiro, março e abril. No modelo tradicional, a terra somente seria utilizada no plantio seguinte (na primavera) e, no inverno, o pasto estaria seco. Na integração lavoura-pecuária, o produtor pode plantar pasto para o gado logo após a colheita. Entre julho e agosto, durante a época seca, o pasto estará verde e capaz de sustentar uma maior lotação de animais.
Adaptação possível
Gameiro lembra que a agricultura, quando comparada à pecuária extensiva de baixa produtividade, é uma atividade mais complexa, pois exige mais investimentos, atenção e esforço gerencial: é preciso cuidar adequadamente do solo, dos maquinários, escolher a semente adequada, plantar e colher na época certa, armazenar corretamente, etc.
Na pecuária extensiva de baixa produtividade, os animais ficam em grandes áreas, geralmente um por hectare (cerca de 10 mil metros quadrados ou um campo de futebol). Já na pecuária mais intensiva, o gado ocupa espaços menores e recebe uma alimentação de altíssima qualidade, o que exige mais esforços do produtor.
“Apesar de ser mais difícil para um pecuarista deste tipo se adaptar, constatamos que não é impossível que ele comece a utilizar a integração lavoura-pecuária. Isso pode ser feito por meio de arranjos contratuais entre pecuaristas e agricultores”, finaliza o docente.
Em 30/04/13 a presidenta da República, Dilma Rousseff, sancionou a Lei que institui a Política Nacional de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta. O objetivo, segundo o texto, “é de aperfeiçoar a produtividade e qualidade dos produtos, utilizando sistemas sustentáveis de exploração que integram atividades agrícolas, pecuárias e florestais”. (noticiasagricolas)