sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Pesquisa avalia ocorrência de microplásticos no trato digestivo da sardinha

Aliada a outros fatores, exposição a microplásticos pode interferir no ciclo de vida da sardinha.
Um estudo produzido no curso de Oceanografia da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) avaliou a presença de microplásticos no trato digestivo da sardinha-verdadeira e da sardinha laje, espécies provenientes das regiões sul e sudeste do país. Da amostra analisada, 81% apresentou fibra e fragmento no aparelho digestivo. Pesquisas indicam que aliados a outros fatores, esses poluentes podem interferir no ciclo de vida da sardinha, um dos recursos pesqueiros mais comercializados e consumidos no Brasil.
A pesquisa realizada pela acadêmica do curso de Oceanografia, Camila Hagelund, foi orientada pela professora Patrícia Fóes Scherer Costódio. A docente explica que a avaliação foi feita no trato digestivo (estômago e intestino) dos organismos, órgãos que em geral não são ingeridos pelas pessoas e, por isso, podem não afetar diretamente na alimentação. Mais importante do que isso, de acordo com Patrícia, é o impacto que esses microplásticos podem causar em toda a cadeia trófica, podendo ser tóxicos, ameaçando as espécies e a biodiversidade expostas a esses materiais.
As amostras de sardinha foram obtidas no Laboratório de Oceanografia Biológica, por meio do projeto do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio). Para quantificar o plástico nas sardinhas utilizou-se a metodologia de digestão do trato digestivo com o ácido hidróxico de potássio, seguido de filtração em filtro de fibra de vidro. Como resultado, foram encontrados 97 microplásticos de diferentes categorias, sendo 92,78% do tipo fibras e 7,21% do tipo fragmento. As áreas amostradas ocupam 2,2% do território nacional e abrangem parte dos Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, formada por 464 municípios, com densidade demográfica cerca de três vezes maior do que a média brasileira. Houve maior quantidade de microplásticos nas espécies coletadas na área localizada mais próxima da costa do que na região mais distante, o que segundo as pesquisadoras reflete a influência da ação do ser humano para o ambiente marinho.
“Há poucos trabalhos publicados no Brasil sobre a ocorrência de microplástico nos estômagos de peixes de interesse comercial”. Artigos internacionais e nacionais indicam a interferência desta ingestão, nos aspectos de ciclo de vida de diferentes organismos. “Como a sardinha é um organismo filtrador, alimenta-se exclusivamente de plâncton, está mais sujeita à ingestão acidental destas partículas”, afirma a professora-orientadora.
Encontrado microplástico no estômago do charuto. Porcaria estava em 81% de peixes coletados em Santa Catarina e outros três estados.
O mais popular dos peixes da região não escapou da poluição provocada pelos seres humanos. (ecodebate)

Astronautas vão reciclar plástico no espaço usando ciência brasileira

Máquina recicladora desenvolvida pela Braskem será enviada à Estação Espacial Internacional em 02/11/19.
Recicladora de plástico que será usada por astronautas na Estação Espacial Internacional feita com tecnologia brasileira.
Não saber para onde vai o lixo que produzimos é um luxo de terráqueos. No espaço, onde cada grama e cada centímetro quadrado precisam ser bem utilizados, os astronautas cortam um dobrado para lidar com seus resíduos.
Agora, com o auxílio de uma tecnologia brasileira de reciclagem, os astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) vão ganhar uma mãozinha para lidar ao menos com os detritos plásticos, já que dentro de poucos dias deve chegar por lá um "pacote" contendo uma máquina recicladora de plásticos, desenvolvida pela brasileira Braskem em parceria com a norte-americana Made in Space.
Com a recicladora a bordo, os astronautas poderão reaproveitar embalagens e ferramentas plásticas que já tenham cumprido sua função na Estação, moendo e fundindo esses resíduos para a produção de novos filamentos plásticos, tudo de forma automática e com mínima intervenção da tripulação. Mais tarde, esses filamentos poderão ser reutilizados na impressora 3D que eles já tem por lá desde 2016, produzindo novos objetos com novas utilidades.
A recicladora será despachada dos EUA em 02/11/19 às 10h59 (horário de Brasília), como parte da 12ª missão comercial de reabastecimento da Northrop Grumman (NG12), com previsão de chegada à ISS dois dias após o lançamento.
A promessa é que a recicladora possa aumentar a autonomia das missões e otimizar o peso que a estação precisa transportar. "A recicladora fecha o ciclo do plástico na Estação Espacial, permitindo que os astronautas possam repor ferramentas ou peças com menor dependência do envio de matéria prima vinda da Terra", explica Fabiana Quiroga, diretora de economia circular da Braskem.

Do tamanho de um micro-ondas grande (com 50 cm de largura, 43 cm de profundidade e 22 cm de altura) e capaz de transformar restos de plástico em filamentos em menos de dez horas, a recicladora é parte de uma nova fase da cooperação entre a Made in Space e a Braskem, que já trabalham juntas desde 2015. A parceria começou por conta do interesse da norte-americana, que é contratada da NASA para o desenvolvimento de tecnologias que operem em gravidade zero, no "plástico verde" da Braskem.
Chave fabricada com impressora 3D na ISS.

"Eles buscavam um material que tivesse flexibilidade, resistência química e reciclabilidade, e o nosso polietileno verde tem essa característica", explica Everton Simões Van-Dal, responsável pelos negócios de químicos renováveis da Braskem. De quebra, por ser produzido a partir da cana de açúcar em vez do petróleo, o plástico verde é renovável e tem uma pegada de carbono muito menor do que outros plásticos advindos de fontes fósseis. "Cada tonelada de polietileno verde captura 3 toneladas de gás carbônico da atmosfera", frisa Van-Dal.
Apesar da origem em fonte renovável, o plástico verde não é biodegradável, e por isso existe a preocupação com o desenvolvimento de melhores técnicas de reaproveitamento de resíduos. Como a tecnologia de reciclagem do polietileno ainda é nova, exigindo maiores testes para garantir a qualidade dos produtos confeccionados com o material reciclado, a ISS infelizmente ainda não poderá se tornar autossuficiente em plástico.
Isso porque, segundo Van-Dal, as técnicas de reciclagem atuais ainda exigem a adição de materiais virgens para garantir a resistência dos produtos confeccionados com o plástico reciclado. Ou seja, os astronautas ainda precisarão receber matéria-prima plástica para a impressora que tem por lá, mas agora em menores quantidades.
Plástico Verde da Braskem chega ao espaço.
Com o avanço das experiências de reciclagem espaciais, a expectativa é que possam ser obtidos novos aprendizados que melhorem a tecnologia, trazendo um maior interesse do mercado pelo processo de reciclagem do plástico. "Hoje já existem recicladoras pequenas no mercado, capazes de alimentar uma impressora 3D, mas não são muitas, e elas ainda estão restritas a lojas mais técnicas", pondera Van-Dal.
Saiba mais sobre a criação da recicladora da ISS no vídeo, em inglês: https://www.youtube.com/watch?time_continue=14&v=ukGKsymnR6Y (globo)

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Mundo não está preparado para o impacto da crise climática na água doce

Emergência Climática – O mundo não está preparado para o impacto da crise climática na água doce.
Emergência Climática – O planeta enfrenta ondas mais frequentes de inundações, secas e conflitos políticos devido aos efeitos da crise climática no abastecimento de água doce e está “muito mal preparado” para se adaptar a esses riscos, afirmam os especialistas.
O abastecimento de água de montanha, que fornece cerca de metade da água potável do mundo, está se tornando imprevisível, à medida que o aumento da temperatura média derrete as geleiras, alterando por sua vez os padrões pluviais e os níveis dos rios.
Em algumas áreas, como nos Alpes, o excesso de água das geleiras causou inundações repentinas, ao passo que a diminuição da cobertura de neve na Cordilheira dos Andes causou secas severas em países como o Chile.
Os cientistas se reuniram esta semana para uma Cúpula da Alta Montanha na Organização Meteorológica Mundial (OMM), em Genebra, pedindo uma melhor cooperação entre governos, pesquisadores e agências espaciais.
“Lamentavelmente, estamos mal preparados. Nossa infraestrutura foi construída nos séculos XIX e XX nas montanhas e rio abaixo e não temos mais esse clima”, disse John Pomeroy, professor da Universidade de Saskatchewan, no Canadá, que copreside o evento.
A Suíça, o país anfitrião, estima que os danos causados pelas mudanças climáticas em sua infraestrutura, incluindo ferrovias, podem custar 1 bilhão de francos suíços (cerca de 1 bilhão de dólares) por ano. Mas, é improvável que outros países – que são muito mais pobres e experimentam desafios semelhantes – tenham fundos nessa escala para resolver problemas.
“Existem enormes lacunas, não apenas na forma como foi projetada nossa infraestrutura, mas também na infraestrutura que temos para monitorar a mudança (dos padrões climáticos)”, disse Carolina Adler, diretora executiva da Iniciativa de Pesquisa de Montanha, na Universidade de Berna, também copresidente do evento.
Para enfrentar os efeitos da crise climática na infraestrutura ligada ao abastecimento de água, seria necessário redesenhar as barragens e revisar os sistemas de irrigação, acrescentou Pomeroy.
Diferentemente dos dados meteorológicos, que os Estados-membro da ONU compartilham voluntariamente com a OMM, há décadas, a coleta de dados sobre recursos hídricos está em falta.
Um desafio será persuadir os governos a se comprometerem a compartilhar mais informações sobre hidrologia. Uma responsável descreveu o assunto como “muito delicado”, enquanto alguns países o consideram uma questão de segurança nacional.
Adler disse, no entanto, que é preciso cooperação para evitar tensões, como entre a Índia e o Paquistão, sobre o fornecimento de água, depois que Nova Délhi liberou água de uma represa em agosto, e para evitar conflitos. (ecodebate)

Cientistas alertam para novas ameaças à saúde causadas pelo aquecimento global

Emergência Climática – Cientistas alertam para novas ameaças à saúde causadas pelo aquecimento global.
Pesquisadores da Universidade Monash estão alertando que o aquecimento global provavelmente aumentará as doenças causadas pela desnutrição, devido aos efeitos da exposição ao calor.
Embora esteja bem documentado que o aquecimento global resultará indiretamente em mais pessoas subnutridas devido à produção agrícola ameaçada e ao aumento da insegurança alimentar, este primeiro estudo mundial analisou a ligação entre a exposição ao calor e o aumento da doença de subnutrição.
Os pesquisadores, liderados por Yuming Guo, Professor Associado de Epidemiologia Ambiental e Bioestatística da Escola de Saúde Pública e Medicina Preventiva, analisaram dados de hospitalizações diárias cobrindo quase 80% do Brasil entre 2000 e 2015.
Eles estudaram a ligação entre temperaturas médias diárias e hospitalização por desnutrição, de acordo com a Classificação Internacional de Doenças.
Os pesquisadores descobriram que, para cada aumento de 1°C na temperatura média diária durante a estação quente, havia um aumento de 2,5% no número de hospitalizações por desnutrição.
“A associação entre aumento de calor e hospitalização por desnutrição foi maior para indivíduos com mais de 80 anos e entre 5 e 19 anos”, descobriram os pesquisadores.
“Estimamos que 15,6% das hospitalizações por desnutrição possam ser atribuídas à exposição ao calor durante o período do estudo”.
O estudo diz que o aumento do calor pode causar doenças por desnutrição de várias maneiras:
Reduzindo apetite
Provocando mais consumo de álcool
Reduzindo a motivação ou capacidade de fazer compras e cozinhar
Exacerbar qualquer desnutrição, resultando em hospitalização.
Piorar a digestão e absorção já prejudicadas de uma pessoa, aumentando a morbidade gastrointestinal.

Prejudique a termorregulação.
O estudo, publicado na revista PLOS Medicine (30 de outubro AEDT), destaca o crescente problema de desnutrição como resultado do aquecimento global.

“A mudança climática é uma das maiores ameaças à redução da fome e da desnutrição, especialmente nos países de baixa e média renda. Estima-se que a mudança climática reduzirá a disponibilidade global de alimentos em 3,2% e, portanto, causará cerca de 30.000 mortes relacionadas ao baixo peso até 2050”, diz o relatório.
“No entanto, isso pode realmente subestimar o efeito real das mudanças climáticas na futura morbimortalidade relacionada à desnutrição, porque negligencia os efeitos diretos e em curto prazo do aumento da temperatura”.
“Estimamos que mais de 15% das hospitalizações por desnutrição poderiam ter sido atribuídas à exposição ao calor no Brasil durante o período do estudo”.

“É plausível especular que as mudanças climáticas possam não apenas aumentar a taxa de desnutrição nas áreas mais afetadas do mundo, mas, ao mesmo tempo, prejudicar a capacidade dos indivíduos de se adaptarem aos aumentos projetados de temperatura”.
“As estratégias globais que abordam a sindemia das mudanças climáticas e da desnutrição devem se concentrar nos sistemas alimentares, mas também na prevenção da exposição ao calor”. (ecodebate)

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Pesquisadores projetam que o clima em várias regiões do Ártico mudará rápido

Emergência Climática – Pesquisadores projetam que o clima em várias regiões do Ártico pode mudar abruptamente.
Pesquisadores da Universidade McGill projetam que, à medida que o permafrost continua se degradando, o clima em várias regiões do Ártico pode potencialmente mudar abruptamente, em um futuro relativamente próximo.
A pesquisa, publicada na revista Nature Climate Change, também sugere que, à medida que o permafrost se degrada, a gravidade dos incêndios florestais dobrará de um ano para o próximo e permanecerá na nova e mais alta taxa de regiões nos Territórios do Noroeste e no Yukon.
“Estudamos as interações da infraestrutura de engenharia climática (por exemplo, estradas, portos, prédios, tubulações e infraestrutura de mineração) em um clima em mudança. A infraestrutura do Ártico é particularmente afetada pela degradação do permafrost e alterações de umidade do solo associadas, entre outros fatores”, disse Laxmi Sushama.
Sushama é professora do Departamento de Engenharia Civil de McGill e presidente da Trottier em Sustentabilidade em Engenharia e Design. “Quando começamos a analisar mais de perto as simulações de modelos climáticos para a região do Ártico, notamos mudanças bruscas na umidade do solo, bem como aumentos bruscos de chuvas intensas, com um provável aumento de raios e incêndios florestais”.
Aquecimento global já atinge até as regiões mais frias do planeta.
Derretimento de algumas das geleiras mais fortes e estáveis do Oceano Ártico é prenúncio de "catástrofe prática para a humanidade", alerta pesquisador.
Descoberta de mudanças climáticas
Pesquisas anteriores no campo tendiam a projetar uma degradação gradual do permafrost, com poucos efeitos diretos no clima. Normalmente, os pesquisadores modelam as mudanças climáticas olhando para trás e para frente em blocos de 20 a 30 anos, facilitando a perda das mudanças bruscas que estão ocorrendo. Os pesquisadores da McGill analisaram os efeitos das mudanças no permafrost em um nível completamente diferente.
“Não há muita modelagem climática de alta resolução feita no Ártico. Nossos experimentos iniciais com modelos climáticos com resolução de 50 km nos permitiram extrair informações críticas sobre mudanças climáticas”, afirma Bernardo Teufel, o primeiro autor do artigo, que atualmente está trabalhando em sua pesquisa de doutorado na McGill. “Usamos dados do modelo climático no período 1970-2100 para entender as mudanças prováveis no clima do Ártico e no permafrost. O que descobrimos foi uma imagem de mudanças alarmantes no clima, impulsionadas pela degradação do permafrost”.
Os pesquisadores estão atualmente trabalhando em simulações de resolução muito alta dos prováveis efeitos das mudanças climáticas nas interações permafrost e infraestrutura climática. Eles esperam que isso também forneça uma melhor compreensão dos vários processos de feedback das mudanças climáticas no Ártico para outras pessoas que trabalham no campo e para as partes interessadas e engenheiros.
Ártico pode perder totalmente o gelo no verão se temperatura aumentar 2°C.
Quanto menos gelo marinho no verão o Ártico tiver, pior para espécies como focas e ursos polares, que dependem do gelo para criar filhotes e caçar. (ecodebate)

Chilenos criam sacos plásticos não poluidores e solúveis em água

Chilenos criam sacos plásticos solúveis em água e que não poluem.
Os engenheiros chilenos Roberto Astete e Cristian Olivares mostram duas sacolas, uma de plástico e outra de material biodegradável inventada por eles.
Com uma mudança sutil na fórmula do plástico, que permite substituir o petróleo pela pedra calcária, um grupo de empreendedores chilenos conseguiu fabricar sacos plásticos e de tecido reutilizáveis solúveis em água e que não contaminam.
Roberto Astete e Cristian Olivares, os dois artífices deste produto, começam a fazer experimentos para fabricar um detergente biodegradável, mas acabaram encontrando a fórmula química à base de PVA (álcool polivinílico, solúvel em água) e que substitui os derivados do petróleo, responsáveis pela alta durabilidade dos plásticos que se integrou à cadeia alimentar de animais marinhos e responsáveis pela deterioração do meio ambiente.
"Nosso produto deriva de uma pedra calcária que não causa danos ao meio ambiente", assegurou Astete, diretor-geral da empresa SoluBag, que espera comercializar seus produtos a partir de outubro no Chile, um dos primeiros países da América Latina a proibir o uso de sacos plásticos convencionais em estabelecimentos comerciais.
"É como fazer pão", acrescenta. "Para fazer pão é preciso farinha e outros ingredientes. Nossa farinha é de álcool de polivinil e outros componentes, aprovados pela FDA (agência americana reguladora de alimentos, medicamentos, cosméticos, aparelhos médicos, produtos biológicos e derivados sanguíneos), que nos permitiu ter uma matéria-prima para fazer diferentes produtos”.
Diante de jornalistas, os dois demonstraram a solubilidade imediata de suas sacolas plásticas em água fria ou de bolsas de tecido reutilizáveis em água quente.
"O que fica na água é carbono", assegura Astete, o que os exames médicos realizados demonstraram que "não tem nenhum efeito no corpo humano".
Para demonstrar que a água turva resultante da dissolução é "inócua" e potável, eles bebem alguns copos.
Reciclagem doméstica
"A grande diferença entre o plástico tradicional e o nosso é que aquele vai estar entre 150 e até 500 anos no meio ambiente e o nosso demora apenas cinco minutos. A gente decide quando o destrói", afirma Astete, antes de acrescentar que "hoje em dia a máquina de lavar recicladora pode ser a panela de casa ou a máquina de lavar”.
A fórmula encontrada permite "fazer qualquer material plástico", razão pela qual já estão trabalhando na produção de materiais como talheres, pratos e embalagens.
Os tecidos solúveis na mesma água quente que serve, por exemplo, para preparar um chá ou um café, podem ser usados para produzir sacolas de compras reutilizáveis e produtos hospitalares como os protetores de macas, batas e gorros do pessoal médico e de pacientes que costumam ter um único uso, explica Olivares.
E quando chove, como as compras chegam em casa?
Os fabricantes podem programar a temperatura à qual tanto os sacos plásticos como os de lixo se dissolvem no contato com a água.
Outra vantagem dos sacos é que são antiasfixia, uma causa importante de mortalidade infantil, pois se dissolve em contato com a língua ou as lágrimas.
Com a produção maciça, que pode ser feita nas mesmas empresas que fabricam os plásticos convencionais - basta apenas alterar a fórmula -, o preço de seus produtos pode ser similar ao dos atuais, garantem.
Em um mundo onde em 2014 foram fabricadas 311 milhões de toneladas de plástico e se nada mudar, em 2050, serão produzidas 1,124 bilhão de toneladas, Astete e Olivares esperam dar ao cliente o "empoderamento de ajudar a descontaminar o meio ambiente" porque "a grande vantagem é que o usuário decide quando destruí-la", assegura.
A iniciativa ganhou o prêmio SingularityU Chile Summit 2018 como empreendimento catalizador de mudança, o que rendeu aos inventores um estágio no Vale do Silício a partir de setembro. (uol)

sábado, 23 de novembro de 2019

Perda de florestas tropicais intactas é um devastador climático

Impacto da perda de florestas tropicais intactas é devastador para o clima.
O estudo internacional revelou entre 2000 e 2013 que a derrubada de florestas tropicais intactas resultou na emissão de um nível muito maior de carbono na atmosfera do que se pensava – resultando em um aumento de 626% no impacto calculado sobre o clima.
O cientista de conservação da UQ, Dr. Sean Maxwell, disse que essa diferença equivalia a dois anos de emissões globais de mudanças no uso da terra e que antes não era contabilizada devido à falta de contabilidade completa de carbono.
“Normalmente, apenas as emissões de ‘pulso’ são consideradas – essas são liberadas no instante em que a floresta intacta é destruída”, disse Maxwell.
“Nossa análise considera todos os impactos, como os efeitos da extração seletiva de madeira, o perdão de sequestro de carbono, os efeitos de expansão nas margens das florestas e a extinção de espécies”.
“Ficamos chocados ao ver que, ao considerar todos os fatores disponíveis, o impacto líquido do carbono foi seis vezes pior no clima”.
Os pesquisadores analisaram mapas de desmatamento intacto nos trópicos entre 2000 e 2013, calcularam as emissões de pulso das áreas e simularam o impacto de fatores não registrados anteriormente.
Peixes-símbolos da Amazônia em risco por causa das queimadas. A Floresta Amazônica continua queimando, e especialistas temem que isso possa se espalhar e destruir o habitat das florestas inundadas onde centenas de espécies de peixes vivem.
“Pudemos ver onde a exploração seletiva estava ocorrendo com base em onde novas estradas foram construídas, a extensão das novas margens da floresta com base em onde ocorreu recentemente o desmatamento e a perda de grandes animais dispersantes de sementes devido a eles se tornarem mais suscetíveis à caça, Dr. Maxwell disse”.
“A equipe então estimou a quantidade de carbono que esses processos liberarão na atmosfera entre 2013 e 2050, rotulando-a de ‘emissões comprometidas”.
“Ao comparar ‘pulso’ e ‘emissões comprometidas’ com o que essas florestas poderiam remover da atmosfera se permanecerem intactas até 2050, determinamos os reais impactos do desmatamento”.
Planeta precisa de 1,2 trilhões de novas árvores para conter o aquecimento, diz estudo.
O professor James Watson, da UQ e da Wildlife Conservation Society, disse que a abordagem do estudo capturou melhor o verdadeiro impacto de carbono da perda de floresta intacta.
“Perder o deserto remanescente da Terra é devastador por si só, mas os impactos climáticos 626% maiores que o esperado são aterradores”, disse o professor Watson.
“A humanidade precisa financiar melhor a conservação de florestas intactas, especialmente agora que mostramos seu papel maior do que o realizado na estabilização do clima”.
“Esperamos que nosso estudo mobilize mais recursos do setor de financiamento climático, melhorando e expandindo os esforços para reter florestas intactas nos trópicos”.
O Dr. Maxwell disse que os povos indígenas e as comunidades locais desempenharão cada vez mais um papel central nos esforços para melhorar e expandir a conservação da floresta.
“As florestas intactas costumam ser críticas para os aspectos materiais e espirituais das culturas tradicionais”, disse ele.
“Fortalecer a posse da terra de povos indígenas e tradicionais é uma maneira poderosa de proteger florestas intactas”.

O plantio massivo de árvores é uma das alternativas para conter o aquecimento global, segundo estudo publicado na revista Science.
Além de preservar as florestas que já existe, a melhor solução para reduzir drasticamente o excesso de dióxido de carbono na atmosfera e conter o aquecimento global é plantar árvore. (ecodebate)

Vulnerabilidade global à elevação do nível do mar ameaça 300 milhões de pessoas

Emergência Climática – Vulnerabilidade global à elevação do nível do mar ameaça 300 milhões de pessoas.
Inundações em Jacarta, Indonésia, fevereiro de 2017.
Novos dados de elevação mostram que, em meados do século, as inundações costeiras frequentes aumentarão mais do que as áreas que atualmente abrigam centenas de milhões de pessoas.
Sumário executivo
- Como resultado da poluição causada pelo calor causada pelas atividades humanas, o aumento do nível do mar poderá levar, dentro de três décadas, inundações crônicas mais altas do que a terra que atualmente abriga 300 milhões de pessoas.
- Em 2100, as áreas que hoje abrigam 200 milhões de pessoas poderão ficar permanentemente abaixo da linha da maré alta.
- Os novos números são o resultado de um conjunto de dados de elevação global aprimorado produzido pela Climate Central usando o aprendizado de máquina e revelando que as elevações costeiras são significativamente mais baixas do que o anteriormente entendido em grandes áreas.
- A ameaça está concentrada no litoral da Ásia e pode ter profundas consequências econômicas e políticas durante a vida das pessoas que vivem hoje.
- As descobertas estão documentadas em um novo artigo revisado por pares na revista Nature Communications.
A elevação do nível do mar é um dos mais conhecidos dos perigos da mudança climática. Enquanto a humanidade polui a atmosfera com gases de efeito estufa, o planeta se aquece. E, ao fazê-lo, as camadas de gelo e as geleiras derreterão e o aquecimento da água do mar se expande, aumentando o volume dos oceanos do mundo. As consequências variam desde aumentos de curto prazo nas inundações costeiras, que podem danificar a infraestrutura e as culturas, até o deslocamento permanente das comunidades costeiras.
Ao longo do século XXI, projeta-se que o nível do mar global suba entre 2 e 7 pés, e possivelmente mais. As principais variáveis ​​serão a quantidade de poluição causada pelo aquecimento que a humanidade despeja na atmosfera e a rapidez com que as camadas de gelo terrestres na Groenlândia e especialmente na Antártica se desestabilizam. Projetar onde e quando esse aumento pode se traduzir em aumento das inundações e inundações permanentes é profundamente importante para o planejamento costeiro e para calcular os custos das emissões da humanidade.
Ilha do caranguejo no Panamá. Ressacas e superpopulação forçam indígenas gunas a abandonar ilhas.
Projetar o risco de inundação envolve não apenas estimar o futuro aumento do nível do mar, mas também compará-lo com as elevações da terra. No entanto, dados de elevação suficientemente precisos estão indisponíveis ou inacessíveis ao público ou são proibitivamente caros na maior parte do mundo fora dos Estados Unidos, Austrália e partes da Europa. Isso obscurece a compreensão de onde e quando o aumento do nível do mar pode afetar as comunidades costeiras nas partes mais vulneráveis ​​do mundo.
Um novo modelo de elevação digital produzido pela Climate Central ajuda a preencher a lacuna. Esse modelo, o CoastalDEM, mostra que muitas das costas do mundo são muito mais baixas do que se costuma saber e que o aumento do nível do mar pode afetar centenas de milhões de pessoas nas próximas décadas do que se pensava anteriormente.
Com base nas projeções do nível do mar para 2050, as terras que atualmente abrigam 300 milhões de pessoas ficarão abaixo da elevação de uma inundação costeira anual média. Em 2100, as terras que hoje abrigam 200 milhões de pessoas poderão ficar permanentemente abaixo da linha da maré alta.
Medidas adaptativas como a construção de diques e outras defesas ou a realocação para terrenos mais altos podem diminuir essas ameaças. De fato, com base no CoastalDEM, aproximadamente 110 milhões de pessoas vivem atualmente em terras abaixo da linha da maré alta. Essa população é quase certamente protegida em algum grau pelas defesas costeiras existentes, que podem ou não ser adequadas para futuros níveis do mar.
Apesar dessas defesas existentes, o aumento das inundações oceânicas, submergência permanente e custos de defesa costeira provavelmente trarão profundas consequências humanitárias, econômicas e políticas. Isso acontecerá não apenas no futuro distante, mas também durante a vida da maioria das pessoas que vivem hoje.
Novo estudo triplica estimativa de população impactada pelo aumento do nível do mar.
Pesquisa conclui que centenas de milhões de pessoas acima do estimado anteriormente poderão viver em áreas sob risco de avanço do mar causado pela mudança do clima no futuro, sendo que as populações mais vulneráveis se encontram na Ásia. (ecodebate)

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Garantir sustentabilidade ecológica não basta reduzir o consumo

Para garantir a sustentabilidade ecológica não basta a redução do consumo.
Precisamos pegadas menores, mas também precisamos de menos pés” - (Enough is Enough, 2010)
A humanidade já ultrapassou a capacidade de carga da Terra. O aumento das atividades antrópicas excedeu a resiliência do Planeta. A pegada ecológica superou os limites da biocapacidade. A presença humana no mundo está sufocando os ecossistemas e provocando um colapso na vida selvagem. Portanto, é preciso reduzir o volume das atividades econômicas para possibilitar a restauração da vida natural.
O gráfico abaixo, da Global Footprint Network, mostra que o mundo tinha superávit ambiental de 2,6 bilhões de hectares globais (gha) em 1961. Porém, com o crescimento demoeconômico, o superávit se transformou em déficit a partir dos anos de 1970 e, em 2016, a pegada ecológica total (de 20,6 bilhões de gha) superou a biocapacidade total (de 12,2 bilhões de gha). Portanto, o déficit ecológico foi de 8,4 bilhões de gha. A Terra está sobrecarregada em 70%.
Existem pessoas preocupadas com a sustentabilidade ecológica que defendem a ideia de que a degradação ambiental e o déficit ecológico são provocados, essencialmente, pelas parcelas ricas da população global, especialmente, dos ricos dos países ricos. Por conta disto, consideram que o fundamental para o equilíbrio homeostático do Planeta é a redução do consumo e ignoram, ou relegam para o segundo plano, a questão demográfica.
Porém, a decomposição do déficit ambiental por faixas de renda mostra que não se pode ignorar a contribuição das parcelas de classe média e dos pobres do mundo sobre o déficit existente entre a pegada ecológica e a biocapacidade.
Ainda segundo a Global Footprint Network, a população classificada como alta renda perfaz um montante de cerca de 1,13 bilhão de habitantes em 2016, com uma pegada ecológica per capita de 6 gha (a pegada ecológica dos EUA é de cerca de 8 gha). Assim, os ricos do mundo possuem uma pegada ecológica total de 6,8 bilhões de gha. É um montante elevado, mas que é menor do que os 8,4 bilhões do déficit global existente em 2016.
Assim, mesmo que se todo o consumo dos ricos fosse zerado, o restante da população mundial (sem os ricos) continuaria vivenciando um déficit ambiental de cerca de 1,6 bilhão de gha. Ou seja, se as pessoas de alta renda do mundo fossem “eliminadas num passe de mágica”, ainda assim, o restante da população mundial teria uma pegada ecológica total de 13,8 bilhões de gha, para uma biocapacidade global de 12,2 bilhões de gha. A Terra sem os ricos continuaria tendo um déficit ambiental de 13% (gastando 1,13 planetas).

Portanto, não é verdade que se pode descartar o volume da população total e considerar que exclusivamente “a distribuição desigual de recursos, o desperdício e o excesso de consumo dos ricos são as causas reais da insustentabilidade ecológica”. Para exemplificar, vamos construir uma situação hipotética.
Imaginemos um mundo perfeito, sem desperdício, e com todos os recursos igualmente distribuídos e todas as pessoas tendo exatamente o mesmo impacto ecológico (mesmo nível de consumo). E imaginemos que, graças aos incríveis avanços tecnológicos e um estilo de vida frugal, esse impacto fosse muito baixo: por exemplo, uma pegada ecológica de apenas 2 gha por habitante (inferior à atual pegada ecológica per capita da Namíbia e menor do que os 2,75 gha do mundo em 2016). Lembrando que a biocapacidade total do Planeta é de 12,2 bilhões de gha, haveria sustentabilidade ambiental neste cenário de pegada ecológica média de somente 2 gha?

Bem, haveria superávit ambiental se a população fosse inferior a 6,1 bilhões de habitantes. Mas uma população acima de 6,1 bilhões ou de quase 8 bilhões de habitantes como o mundo está se aproximando viveria em déficit ambiental. Mesmo que a pegada ecológica per capita mundial ficasse em 1,75 gha (como em Papua Nova Guiné, em 2016) só haveria superávit ambiental com uma população inferior a 7 bilhões de habitantes.
Portanto, não dá para se atingir a sustentabilidade ambiental apenas reduzindo o consumo, pois se a população continuar crescendo continuamente o déficit ambiental aconteceria mesmo com um consumo médio do padrão do Haiti. Como explicou Herman Daly, em entrevista recente (2018):
O impacto ambiental é o produto do número de pessoas vezes que o uso de recursos per capita. Em outras palavras, você tem dois números multiplicados um pelo outro – qual é o mais importante? Se você mantiver uma constante e deixar a outra variar, você ainda está multiplicando. Não faz sentido para mim dizer que apenas um número é importante. No entanto, ainda é muito comumente dito. Suponho que faria algum sentido se pudéssemos nos diferenciar histórica e geograficamente – para determinar em que ponto da história, ou em que país, qual fator merecia maior atenção. Nesse sentido, eu diria que, certamente, para os Estados Unidos, o consumo per capita é o fator crucial – mas ainda estamos multiplicando pela população, então não podemos esquecer a população”.
Portanto, para evitar o superconsumo e a superpopulação, podemos colocar mais ênfase na redução do consumo ou mais ênfase na redução da população. Poderíamos até eliminar todos os ricos do Planeta. Mas em termos globais, neste momento em que a humanidade já ultrapassou a capacidade de carga da Terra, torna-se necessário a diminuição do consumo global e a redução da população global.
Segundo Theodore P. Lianos (2018), o ponto de equilíbrio ambiental estaria em uma população global de cerca de 3 bilhões de habitantes:
Este artigo analisa brevemente a ideia de uma economia de estado estacionário dos tempos antigos até o presente. Ele discute algumas das sugestões feitas por H. Daly em seu modelo de economia de estado estacionário e particularmente no ideia de uma população estável. Sugere que a população deve ser estável em um nível compatível com o equilíbrio ecológico. Esse nível é cerca de três bilhões de pessoas e, portanto, a população mundial deve ser drasticamente reduzido. Isso pode ser alcançado se cada família for estimulada a ter menos de dois filhos. Para alcançar essa redução da população este artigo propõe a criação de um mercado internacional para efetivar os direitos reprodutivos” (p.75).
Do ponto de vista climático, o IPCC mostra que o mundo tem apenas até 2030 para reduzir pela metade as emissões de CO2 e zerar as emissões líquidas até 2050, pois o “orçamento carbono” vai se esgotar. Porém, embora o países ricos sejam responsáveis pela maior parte das emissões históricas de gases de efeito estufa, atualmente são os países pobres e de renda média que mais emitem e que mais aceleram as taxas de emissão, como indica Alves (Ecodebate, 23/10/2019).
Por tudo isto, fica claro que o decrescimento populacional é uma condição necessária para evitar um colapso ambiental e minorar os danos de uma grave crise ecológica. Porém, não é uma condição suficiente. É preciso também reduzir o consumo e mudar o estilo de vida.
Portanto, não cabe simplesmente culpabilizar os ricos e vitimizar os pobres. O esforço para evitar o colapso ambiental terá que ser de todos, mesmo que haja responsabilidades diferenciadas. Cabe considerar o decrescimento demoeconômico como 1º passo para o estabelecimento de uma relação mais amigável entre o ser humano, as demais espécies e a natureza. (ecodebate)

O que está impulsionando o desmatamento tropical?

O que está impulsionando o desmatamento tropical?
Cientistas mapeiam 45 anos de imagens de satélite.
Um novo método de mapeamento baseado em dados de mais de 45 anos pode ajudar a identificar o que está causando o desmatamento tropical e onde as florestas são mais vulneráveis à degradação e incêndios futuros.
As florestas tropicais estão sob crescente pressão da atividade humana, como a agricultura. No entanto, para implementar medidas eficazes de conservação, os tomadores de decisão locais devem ser capazes de identificar com precisão quais áreas da floresta são mais vulneráveis.
Um novo método de análise liderado por pesquisadores do Centro Francês de Pesquisa Agrícola de Desenvolvimento Internacional (CIRAD), do Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT) e da Universidade de Rennes-2 poderia ser a chave.
Uma mudança de paradigma
O método concentra-se no conceito de vulnerabilidade da floresta, significando a exposição da floresta a ameaças e sua capacidade de se recuperar delas. Anteriormente, esse conceito de vulnerabilidade, definido pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), era usado apenas em relação aos efeitos das mudanças climáticas nas florestas.
Os pesquisadores são pioneiros no uso do conceito de vulnerabilidade florestal em termos de atividade humana, além de integrar imagens de cobertura florestal e mudanças no uso da terra em uma análise holística e detalhada. Esse uso combinado de dados marca uma mudança de paradigma na maneira como a vulnerabilidade da floresta é calculada.
O método foi testado pela primeira vez no distrito de Di Linh, no Planalto Central do Vietnã, onde o cultivo de culturas comerciais como o café transformou as áreas florestais em áreas vulneráveis à seca, à erosão do solo e à eclosão de incêndios.
Planeta perdeu 12 milhões de hectares de florestas tropicais em 2018. Brasil foi o país que mais desmatou.
Meio século de dados
Os pesquisadores combinaram o mapeamento em mosaico do uso atual da terra com 45 anos de imagens de satélite Sentinel-2 e Landsat. Juntos, esses dados forneceram uma imagem detalhada de como o território havia mudado ao longo do tempo e permitiram a identificação precisa das áreas mais vulneráveis.
“Mostramos que as áreas mais vulneráveis são compostas por florestas degradadas, uma alta fragmentação do habitat florestal que aumenta a sensibilidade de uma floresta a incêndios e a presença do café por extensão”, disse Clément Bourgoin, cientista do CIAT e Ph. D. aluno do CIRAD que ajudou a desenvolver o método. “Esses mapas tornam possível atingir áreas onde devemos limitar a expansão das culturas e aumentar a capacidade de resposta das florestas, limitando a fragmentação”.
Os resultados do estudo, publicado no International Journal of Applied Earth Observation and Geoinformation, mostram como o desenvolvimento de infraestrutura, café, arroz e outras culturas na região tem sido às custas das florestas sempre verdes. Ele revela que, desde 1973, a cobertura florestal sempre verde na região foi reduzida de 100 para 60 milhões de hectares, como consequência direta da expansão agrícola. O desmatamento atingiu o pico em 1992 e desacelerou nos últimos anos, embora novas áreas ainda estejam sendo convertidas e evidências de degradação e fragmentação ainda possam ser vistas.
Capacitar tomadores de decisão
O método foi testado na região como parte de um projeto piloto de REDD + (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal) que visa ajudar tomadores de decisão, como planejadores de uso da terra e guardas florestais locais, no monitoramento de florestas. Os pesquisadores esperam que o mapeamento leve a um monitoramento mais regular da vulnerabilidade da floresta por meio de sistemas como o Terra-i, que podem detectar o desmatamento quase em tempo real.
A equipe aplicou um método semelhante a uma antiga frente de desmatamento em Paragominas, no estado brasileiro do Pará, e espera publicar um estudo com suas descobertas no próximo ano.

Planeta perde área de um estado de SP por ano em florestas.

Relatório aponta que desmatamento saltou 43% em todo o mundo desde 2014.
Segundo relatório, entre 2001 e 2018 Brasil perdeu 55 milhões de hectares de florestas – área equivalente à da Bahia. (ecodebate)

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Biodiversidade não é problema, é solução!

No dia 4 de Novembro próximo, terá lugar no Centro de Convenções da Unicamp o evento mais importante dos últimos anos em nossa Universidade no que se refere ao mais crucial problema da humanidade, ao lado da emergência climática: a manutenção e a recuperação dos combalidos alicerces da biodiversidade, no Brasil e no planeta como um todo. O encontro, intitulado Biodiversidade não é problema, é solução!, é uma iniciativa do Programa BIOTA, da Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES) e da Diretoria Executiva dos Direitos Humanos, da Reitoria. Ele reunirá seis dos mais ativos e experientes pesquisadores em biodiversidade, ligados às Universidades e a Institutos de Pesquisas brasileiros.
Clique para acessar a programação
Após os pronunciamentos do reitor e do diretor científico da FAPESP, Carlos Alfredo Joly (IB e NEPAM), membro titular da Academia Brasileira de Ciências e do Scientific Advisory Committee (SAC) do Inter-American Institute for Global Change Research (IAI), bem como coordenador da Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES), fará a palestra de abertura. Após essa apresentação preliminar, Maíra Padgurschi apresentará o Diagnóstico Brasileiro sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos, baseado justamente nos resultados da BPBES. Maíra Padgurschi é membro da rede Ecosystem Services Partnership/ESP e da Young Ecosystem Services Specialists/YESS. Desde 2015, atua como Secretária Executiva da BPBES e é membro de seu Conselho Técnico-Científico. Realiza, além disso, uma pesquisa de pós-doutorado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia/INPA pelo Programa AmazonFACE. Em seguida, Cristiana Seixas realizará uma palestra intitulada “Contribuições da natureza para a qualidade de vida”.  Especialista em gestão ambiental, com ênfase na interface entre recursos naturais e bem-estar social, Cristiana Seixas é pesquisadora do NEPAM/Unicampco-coordenou o Diagnóstico Regional das Américas da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) e integra a Coordenação Executiva da BPBES.
Na parte da tarde, Kayna Agostini, Professora da Universidade Federal de São Carlos (campus Araras), fará um balanço da crescente crise de polinização na agricultura brasileira. Em seguida, Renato Crouzeilles fará um balanço do reflorestamento no Brasil e, enfim, Vinícius Farjalla, da UFRJ, incluirá uma variável fundamental no panorama da biodiversidade brasileira, a questão da água. O Sumário para Tomadores de Decisão de todos os diagnósticos que serão apresentados no dia 04 estão disponíveis para download na página da BPBES.
Um pouco de contexto: a BPBES e o IPBES
É importante ter presente o contexto em que ocorre este encontro do próximo dia 4, pois é ele que permite melhor entender sua importância excepcional. A BPBES integra a Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, por Intergovernmental science-policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services). Como se sabe, essa Plataforma foi oficialmente estabelecida em 2012 por demanda dos governos e posta sob os auspícios de quatro organismos da ONU. Em sua breve história de sete anos, o IPBES impôs-se como uma referência incontornável na avaliação do declínio da biodiversidade, o aspecto mais crucial, ao lado da emergência climática, das crises socioambientais em que as sociedades contemporâneas vão naufragando cada vez mais rapidamente (mas ainda dá tempo de reagir!).
Das Plenárias anuais dessa Plataforma, seu órgão deliberativo máximo, participam hoje praticamente todos os países da comunidade internacional, seja na qualidade de membros plenos (132 países), seja na condição de observadores, além de outros participantes, entre os quais a Convenção sobre a Diversidade Biológica (CBD), outras Convenções internacionais, agências e ONGs credenciadas. Eis como o IPBES, que tem por lema “Ciência e Política para a Natureza e para as Pessoas”, define sua razão de ser e seus objetivos:
[O IPBES] “fornece aos governos avaliações científicas objetivas sobre o estado do conhecimento relativo à biodiversidade do planeta, aos ecossistemas e aos benefícios que eles proporcionam às pessoas. Fornece aos governos também os instrumentos e os métodos para proteger e usar sustentavelmente esses ativos naturais vitais. Nossa missão é fortalecer os fundamentos do conhecimento para uma melhor governança informada pela ciência, para a conservação e o uso sustentável da biodiversidade, o bem-estar humano em longo prazo e o desenvolvimento sustentável. Em certa medida, o IPBES faz para o biodiversidade o que o IPCC faz para as mudanças climáticas”.
O lançamento do Sumário do 1º Relatório do IPBES
Em 6 de maio deste ano, o IPBES lançou em Paris o Sumário de seu 1º Relatório de Avaliação sobre o estado da biodiversidade global. Esse documento leva em conta cerca de 15 mil estudos e relatórios governamentais, integrando informação das ciências sociais e das ciências da natureza, bem como informação proveniente das comunidades indígenas e tradicionais. Um comunicado de imprensa assim resume seu conteúdo:
“O perigoso declínio da Natureza é sem precedentes. A taxa de extinção das espécies está se acelerando. A resposta global de nossos dias a esse processo é insuficiente. Impõem-se mudanças transformadoras para restaurar e proteger a natureza. A oposição a interesses financeiros (vested interests) tem de prevalecer em prol do bem público. Trata-se da mais abrangente avaliação da biodiversidade: 1.000.000 de espécies estão ameaçadas de extinção”.
O que significa, quantitativamente, um milhão de espécies extintas no contexto da biosfera de nosso planeta? Há crescente consenso quanto à magnitude da biodiversidade planetária, ao menos no que diz respeito ao domínio taxonômico dos eucariotas ou eucariontes, espécies com células dotadas de um núcleo cercado por uma membrana bem definida e, portanto, com DNA separado do citoplasma. Assim, por exemplo, Rodolfo Dirzo, Mauro Galetti e Ben Collen, num trabalho intitulado “Defaunation in the Anthropocene” (Science 2014), implicitamente subscrevem esse consenso emergente: “Partindo de uma estimativa conservadora da existência de 5 a 9 milhões de espécies animais no planeta, estamos perdendo provavelmente cerca de 11.000 a 58 mil espécies por ano”. Também o IPBES trabalha com essa escala da biodiversidade. Andy Purvis, coordenador de um dos capítulos do diagnóstico global elaborado pelo IPBES, afirma:
“Em uma ampla e crescente variedade de grupos taxonômicos, cerca de 25% das espécies estão ameaçadas de extinção quando avaliadas usando os critérios bem estabelecidos e transparentes da Lista Vermelha da IUCN [International Union for  Conservation of Nature]. Alguns grupos exibem uma proporção mais alta, outros uma proporção mais baixa, mas a média de 25% está bem estabelecida. A porcentagem de insetos ameaçados pode muito bem ser menor (o que é relevante, porque cerca de 75% das espécies são insetos), mas as evidências dos insetos mais estudados (libélulas globalmente e abelhas, borboletas e alguns besouros na Europa) sugerem que é improvável que fique muito abaixo de 10%. Ainda não há acordo sobre exatamente quantas espécies existem: cerca de 1,7 milhão de espécies de animais e plantas foram descritas, mas a maioria das estimativas do número total de espécies supera o dobro desse número. Na Avaliação, usamos uma estimativa recente, entre baixa e média, de 8,1 milhões de espécies animais e vegetais, das quais cerca de 5,5 milhões são insetos (ou seja, 75%) e 2,6 milhões não. Portanto, 10% dos 5,5 milhões de insetos são 550.000 e 25% dos 2,6 milhões são 625.000. Devido à imprecisão nas estimativas, não há sentido em fornecer o total com mais precisão do que 1 milhão de espécies animais e vegetais ameaçadas”.
Portanto, perder cerca de 1 milhão de espécies significa perder 12,5% do total da biodiversidade animal e vegetal do planeta, estimada em 8,1 milhões de espécies eucariontes. E atenção: essa catastrófica taxa de extinção não ocorre num futuro longínquo, mas “nas próximas poucas décadas”, afirma o IPBES. Esse total de extinções inclui 10% dos insetos, mas também 40% dos anfíbios e 33% dos corais, tubarões e mamíferos marinhos, conforme mostra o quadro abaixo.
O relatório estima, ademais, que 5% de todas essas espécies estarão ameaçadas de extinção num clima, na média global, 2ºC acima do período pré-industrial, isto é, 0,8ºC acima do presente, aquecimento que pode ser atingido em algum momento do segundo quarto do século (já por volta de 2030 no Brasil), a menos que as emissões de gases de efeito estufa declinem pronta e drasticamente.
Dois exemplos de perda catastrófica de populações
Toda extinção começa, é claro, pela perda de abundância das populações de uma dada espécie. De acordo com um trabalho publicado em outubro de 2019 na revista Science, cerca de 3 bilhões de pássaros desapareceram nos EUA e Canadá, em todos os diversos biomas e entre as espécies com populações ainda consideradas abundantes  (29% das populações avaliadas) desde 1970.
Os polinizadores fornecem um segundo exemplo de perda catastrófica de populações. A Lista Vermelha das espécies ameaçadas de extinção da IUCN indica que 16% dos polinizadores vertebrados estão ameaçados de extinção global e 30% das espécies encontradas em ilhas, com tendência a mais extinções. Avaliações nacionais e regionais indicam altos níveis de ameaça também para abelhas e borboletas. Na Europa, 9% das espécies de abelhas e de borboletas estão ameaçadas. As populações de 37% das espécies de abelhas e de 31% das borboletas estão declinando. Onde há dados disponíveis, há indicações de que frequentemente mais de 40% das espécies de abelhas podem estar ameaçadas de extinção. Já em 2016, o IPBES publicou uma primeira grande avaliação sobre a crise dos polinizadores. Polinizadores silvestres declinaram em ocorrência e diversidade (e abundância para certas espécies) no Noroeste da Europa e na América do Norte. Até 2016, segundo esse relatório, não havia dados gerais disponíveis para a América Latina, África, Ásia e Oceania, mas foram registrados declínios locais nessas regiões. A abundância, diversidade e a saúde dos polinizadores estão ameaçadas por desmatamento, agricultura intensiva, mudanças climáticas e pesticidas, incluindo inseticidas neonicotinoides, que ameaçam os polinizadores em todo o mundo. O relatório de 2016 alerta que, “ultrapassado o limiar [de resiliência] de um sistema, as populações de polinizadores podem colapsar simultaneamente” (p. 245). Entre as muitas consequências desse declínio ou colapso dos polinizadores, para a humanidade e para tantas outras espécies, podemos recordar três:
(a) Entre 94% (nas zonas tropicais) e 78% (nas zonas temperadas) das espécies selvagens de plantas com florações (aproximadamente 308.000 espécies) dependem, ao menos em parte, da transferência de pólens por animais para a sua reprodução. Essas plantas são essenciais para o funcionamento dos ecossistemas.
(b) Dos 107 principais tipos de culturas agrícolas globais destinadas à alimentação, 91 (frutas, sementes e oleaginosas) dependem em certa medida de polinização animal para sua produtividade e/ou qualidade.
(c) A polinização animal é diretamente responsável por 5% a 8% da produção agrícola global por volume. Essas porcentagens, que serão perdidas sem polinizadores, incluem produtos contendo micronutrientes fundamentais da dieta humana, como vitamina A, ferro e ácido fólico, essencial, por exemplo, para a formação do sistema nervoso do feto.
O agronegócio global no banco dos réus
O modelo de agropecuária imposto pelo capitalismo globalizado é o principal responsável pela eliminação física (via incêndios e desmatamento) dos habitats terrestres e aquáticos e pela intoxicação (via agrotóxicos) da vida silvestre. Como afirma Jeff Tollefson, num artigo na revista Nature:
“Segundo o Relatório [do IPBES], as atividades agropecuárias têm tido o maior impacto nos ecossistemas dos quais as pessoas dependem para a alimentação, água limpa e clima estável. A perda de espécies e habitats coloca em perigo a vida na Terra tanto quanto as mudanças climáticas, afirma um sumário do relatório”.
Bem ao contrário de ser uma atividade “pop”, o agronegócio é – juntamente com a indústria de combustíveis fósseis, a mineração e a pesca industrial – a causa maior, não apenas da insegurança alimentar que, segundo a FAO, retoma agora sua linha ascendente, mas do declínio cada vez mais perigoso da biodiversidade. Os fazendeiros brasileiros que poluem os solos, a atmosfera, a água e os alimentos – após desmatar, incendiar as florestas e matar os que lhes resistem – são uma peça na engrenagem da rede de megacorporações que controlam o sistema de produção e negociação especulativa de soft commodities, das sementes ao consumo final, passando pelo financiamento, os fertilizantes, os agrotóxicos, a maquinaria e o transporte, que rasga e fragmenta o que resta da manta florestal. Por culpa sobretudo dos interesses financeiros (os vested interests acima citados pelo IPBES) dessa grande coalizão da terra arrasada, o planeta está perdendo animais e plantas a uma velocidade “sem precedentes”, como afirma ainda o IPBES. E quando se fala em velocidade sem precedentes, isso significa que a Sexta Grande Extinção de espécies, atualmente em curso, evolui a uma velocidade tão ou mais fulminante que as cinco grandes extinções anteriores, a quinta das quais ocorridas há cerca de 65 milhões de anos.
Numa declaração às delegações reunidas na Rio+20 em 2012, Julia Marton-Lefèvre, ex-Diretora Geral da International Union for Conservation of Nature (IUCN), reiterou pela enésima vez a advertência de que a Sexta Extinção em curso pode, no limite, implicar a extinção do Homo sapiens:
“Sustentabilidade é uma questão de vida ou morte para a humanidade. Um futuro sustentável não pode ser atingido sem que se conserve a diversidade biológica – espécies animais, seus habitats e seus genes – não apenas para a natureza mesma, mas também para os 7 bilhões de seres humanos que dependem dela”.
Isso significa que a Sexta Extinção já não é mais apenas uma questão moral, mas adquire sempre mais uma dimensão existencial, que revelará todo o seu potencial destrutivo para a humanidade e para um sem número de outras espécies já nos próximos poucos decênios (“the next few decades”, como afirma o IPBES).
A catástrofe brasileira
De posse desses dados, entende-se melhor a importância excepcional do encontro do dia 4 de novembro, pois as seis comunicações que se sucederão no auditório do Centro de Convenções apresentarão os resultados brasileiros desse relatório, consignados na Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES). O Brasil, como se sabe, está entre os países ao mesmo tempo mais ricos em biodiversidade e mais ameaçados de ver aniquilada essa riqueza vital pelo agronegócio e pela mineração (aí incluída, obviamente, a extração de petróleo), as duas atividades mais devastadoras da economia mundial. Se as consequências são globais, evidentes e muito mais graves do que se imagina, no Brasil elas atingem um grau extremo.  A 12ª edição do Living Planet Index 2018 (WWF/ZSL) mediu o declínio de 16.704 populações de 4.005 espécies entre 1970 e 2014. Os resultados dão uma ideia da catatonia das sociedades diante da perspectiva concreta do colapso da riqueza biológica do planeta: em média, as populações pesquisadas de animais vertebrados haviam se reduzido em 2014 a menos da metade dos níveis de 1970. Em habitats de água doce, essas populações caíram 83%. Mas em nenhum lugar como no Brasil e, em geral, na América Central e do Sul, esse massacre das populações de vertebrados é mais extremo. Nessa região do planeta houve uma queda total de 89% nas populações examinadas de animais vertebrados. Isso significa que, em média, onde havia 100 indivíduos de uma dada espécie de vertebrados em 1970, em 2014 restam apenas 11 indivíduos. Estamos realmente, no Brasil, mais próximos da extinção em massa de espécies vertebradas do que no resto do mundo. A figura abaixo mostra, comparativamente, a gravidade extrema da situação de nosso continente.
Conforme enfatizado pelos autores do Living Planet Report 2018: “de todas as espécies de plantas, anfíbios, répteis, aves e mamíferos extintas desde 1500, 75% o foram pela super-exploração ou pela atividade agropecuária ou por ambas”.
O mesmo processo fulminante de extermínio ocorre com as plantas dotadas de sementes (espermatófitas). Segundo um trabalho publicado na Nature em 2019, cerca de três espécies de plantas com sementes vêm se extinguindo globalmente a cada ano desde 1900, uma taxa de extinção 500 vezes maior que a taxa de base. Nesse contexto, a Mata Atlântica no Sudeste do país está entre as regiões que mais sofreram essas extinções, como mostra o mapa-múndi abaixo.
Reagir à letargia: tudo ainda depende de nós
Mantido o atual modelo econômico – global, carnívoro, poluente, excludente, antidemocrático, devastador da natureza e emissor de gases de efeito estufa –, não há que se fazer ilusões sobre nosso futuro, pois as chances de evitar um colapso das sociedades contemporâneas tendem a zero no decorrer do próximo quarto de século. Mas muito ainda pode ser evitado, se agirmos já para deter a espiral destrutiva. Robert Watson, diretor do IPBES, adverte: “O tempo para a ação era ontem ou antes de ontem”. Essa é a mensagem central da ciência. Ela precisa ser ouvida por todos, a começar pela comunidade universitária: docentes, alunos e funcionários. Temos um encontro marcado com a BPBES no dia 4 de novembro na Unicamp. (ecodebate)