quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Derretimento do permafrost (solo congelado)

Derretimento do permafrost (solo congelado) pode liberar dobro de carbono na atmosfera
Pesquisador diante de permafrost descongelado, na região costeira de Herschel Island, Yukon, no extremo noroeste do Canadá (Foto: Michael Fritz / UNEP)
Permafrost tem 1.700 Gt de carbono na forma de matéria orgânica congelada, mostra estudo
O permafrost, solo permanentemente congelado que cobre quase um quarto do Hemisfério Norte, está derretendo por conta do aquecimento global e seu desaparecimento pode piorar ainda mais a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. É o que mostra um relatório [Policy Implications of Warming Permafrost] divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
De acordo com o trabalho, todo o permafrost, que se estende por países como Rússia, Canadá, China e Estados Unidos, contém, na forma de matéria orgânica congelada, 1.700 gigatoneladas (Gt) de carbono, duas vezes mais do que existe atualmente na atmosfera. Sua liberação pode amplificar significativamente o aquecimento global já esperado.
De acordo com Kevin Schaefer, da Universidade do Colorado, e coordenador do estudo, o que pode ocorrer é um movimento que ele chamou de “permafrost carbon feedback”. “E uma vez que ele seja iniciado, será irreversível. É impossível colocar a matéria orgânica de volta ao permafrost.”
Atualmente, a camada de gelo, que chega a ter mais de dois metros de espessura, já vem apresentando uma diminuição de tamanho. O derretimento, além do impacto à atmosfera, pode afetar os ecossistemas assim como a infraestrutura construída sobre o gelo permanente.
O anúncio foi feito em meio à realização da 18ª Conferência do Clima da ONU, no Catar (Doha), onde mais de 190 países discutem como vão lidar com as mudanças climáticas. Schaefer lembrou que as previsões de aumento da concentração de gases e de temperatura até o final do século apresentadas no último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), de 2007, e levadas em conta nas negociações da ONU, ainda não consideram as estimativas do carbono que pode ser liberado pelo permafrost.
“Pedimos aqui para que isso seja considerado porque qualquer meta de redução de emissões pode ser muito baixa”, afirmou o pesquisador. Segundo ele, até 2100, 39% das emissões podem vir do derretimento do permafrost. Presente ao evento, Jean-Pascal Van Ypersele, do IPCC, disse que essas emissões já estarão contabilizados nos cenários futuros no relatório que começa a ser divulgado em setembro do ano que vem. (EcoDebate)

Derretimento de solo liberara carbono no ar

Derretimento de solo pode liberar o dobro de carbono no ar
De acordo com estudo, todo o permafrost contém, na forma de matéria orgânica congelada, 1.700 gigatoneladas de carbono, duas vezes mais do que existe na atmosfera.
Permafrost: a camada de gelo, que chega a ter mais de dois metros de espessura, já vem apresentando uma diminuição de tamanho.


O permafrost, solo permanentemente congelado que cobre quase um quarto do Hemisfério Norte, está derretendo por causa do aquecimento global e seu desaparecimento pode piorar ainda mais a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. É o que mostra um relatório divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
De acordo com o trabalho, todo o permafrost, que se estende por países como Rússia, Canadá, China e Estados Unidos, contém, na forma de matéria orgânica congelada, 1.700 gigatoneladas de carbono, duas vezes mais do que existe atualmente na atmosfera. Sua liberação pode amplificar significativamente o aquecimento global já esperado.
De acordo com Kevin Schaefer, da Universidade do Colorado, e coordenador do estudo, o que pode ocorrer é um movimento que ele chamou de "permafrost carbon feedback". "E uma vez que ele seja iniciado, será irreversível. É impossível colocar a matéria orgânica de volta ao permafrost."
Atualmente, a camada de gelo, que chega a ter mais de dois metros de espessura, já vem apresentando uma diminuição de tamanho. O derretimento, além do impacto à atmosfera, pode afetar os ecossistemas assim como a infraestrutura construía sobre o gelo permanente. (exame)


Degelo de solo no hemisfério Norte

Degelo de solo no hemisfério Norte pode liberar o dobro de carbono na atmosfera
Estudo do Pnuma aponta que liberação de carbono contido na matéria orgânica congelada no permafrost pode amplificar aquecimento global.
Cientista observa alteração no permafrost na ilha Herschel, no oceano Ártico
O permafrost, solo permanentemente congelado que cobre quase um quarto do Hemisfério Norte, está derretendo por causa do aquecimento global e seu desaparecimento pode piorar ainda mais a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. É o que mostra um relatório divulgado em 26/11/12 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
De acordo com o trabalho, todo o permafrost, que se estende por países como Rússia, Canadá, China e Estados Unidos, contém, na forma de matéria orgânica congelada, 1.700 gigatoneladas de carbono, duas vezes mais do que existe atualmente na atmosfera. Sua liberação pode amplificar significativamente o aquecimento global já esperado.
De acordo com Kevin Schaefer, da Universidade do Colorado, e coordenador do estudo, o que pode ocorrer é um movimento que ele chamou de "permafrost carbon feedback". "E uma vez que ele seja iniciado, será irreversível. É impossível colocar a matéria orgânica de volta ao permafrost."
Atualmente, a camada de gelo, que chega a ter mais de dois metros de espessura, já vem apresentando uma diminuição de tamanho. O derretimento, além do impacto à atmosfera, pode afetar os ecossistemas assim como a infraestrutura construída sobre o gelo permanente.
O anúncio foi feito em meio à realização da 18ª Conferência do Clima da ONU, no Catar (Doha), onde mais de 190 países discutem como vão lidar com as mudanças climáticas. Schaefer lembrou que as previsões de aumento da concentração de gases e de temperatura até o final do século apresentadas no último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), de 2007, e levadas em conta nas negociações da ONU, ainda não consideram as estimativas do carbono que pode ser liberado pelo permafrost.
"Pedimos aqui para que isso seja considerado porque qualquer meta de redução de emissões pode ser muito baixa", afirmou o pesquisador. Segundo ele, até 2100, 39% das emissões podem vir do derretimento do permafrost. Presente ao evento, Jean-Pascal Van Ypersele, do IPCC, disse que essas emissões já estarão contabilizadas nos cenários futuros no relatório que começa a ser divulgado em setembro do ano que vem. (ig)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

População e desenvolvimento (in) sustentável

A discussão sobre população e desenvolvimento teve início no século XVIII, durante e após as Revoluções Sociais da Inglaterra (Revolução Gloriosa de 1688-89), dos Estados Unidos (Independência em 1776), da França (Revolução Francesa de 1789) e da Revolução Industrial e Energética. O fato é que, pela primeira vez na história da humanidade, abriu-se a possibilidade de um rápido crescimento dos fatores de produção (capital e trabalho, para além das disponibilidades de terra agricultável), junto a um processo que possibilitou o aumento continuado e de longo prazo da renda nacional per capita (significando maior produção por trabalhador).
Os iluministas do século das luzes eram defensores da ideia de progresso e o desenvolvimento econômico dos séculos XIX e XX foi a maneira em que se materializou o avanço das forças produtivas. O “sucesso” de alguns países tornou o desenvolvimento um ideal a ser atingido por todos os povos. O crescimento econômico passou a ser considerado uma meta altamente desejável e um objetivo nacional inquestionável. Mas as visões sobre o crescimento populacional jamais tiveram a mesma unanimidade.
Ainda no século XVIII, alguns autores, como Adam Smith, William Godwin, o Marquês de Condorcet e David Ricardo viam o crescimento populacional como positivo para o crescimento econômico, enquanto Thomas Malthus achava que o crescimento populacional inviabilizaria qualquer ideia de desenvolvimento e crescimento da renda per capita (Malthus não enxergava a possibilidade de redução da pobreza no longo prazo).
Karl Marx também acreditava no desenvolvimento e não se preocupava com o problema populacional, pois defendia uma revolução nas relações sociais para que a população revolucionária (o proletariado) liderasse o progresso das forças produtivas e a melhoria da qualidade de vida das classes trabalhadoras. Este foi o caminho tentado na prática por Vladimir Lenin na Rússia e que serviu de inspiração para outras experiências socialistas. Lenin dizia que desenvolver é eletrificar e construir uma indústria pesada. As experiências socialistas tiveram sucesso na mudança das relações de produção, mas foram um fracasso na implementação de uma nova base técnica mais amigável ao meio ambiente.
Os economistas Alfred Marshall, John Maynard Keynes e Gunnar Myrdal, dentre outros, defendiam a ideia de desenvolvimento capitalista com inclusão social e expansão das políticas públicas, o que foi colocado em prática após a Segunda Guerra Mundial em partes da Europa, no chamado Estado do Bem-Estar Social (Welfare State).
Nos países desenvolvidos e nos países socialistas o crescimento econômico e o aumento da renda per capita (juntamente com o aumento da urbanização, da educação, das condições de moradia, saúde, etc.) vieram acompanhados da transição demográfica, que é o processo de redução das taxas brutas de mortalidade e natalidade. Num primeiro momento, taxas de fecundidade próximas do nível de reposição (2,1 filhos por mulher) fizeram desaparecer as preocupações com o chamado “problema populacional” nos países desenvolvidos. A ideia era que o desenvolvimento resolveria os desafios populacionais. Porém, a população continuou sendo vista como um entrave nos países pobres, ou do Terceiro Mundo (na denominação de Alfred Sauvy), também chamados de países subdesenvolvidos, em desenvolvimento ou emergentes.
Os economistas e demógrafos W.W. Rostow, Arthur Lewis, Edgar Hoover e Ansley Coale escreveram sobre o processo de desenvolvimento no Terceiro Mundo e todos consideravam que o rápido crescimento populacional poderia ser um entrave ao desenvolvimento, na medida em que a alta carga de dependência demográfica das crianças e jovens seria concorrente do processo de formação da poupança agregada, indispensável para a elevação das taxas de investimento. Portanto, estes autores consideram que o caminho para o desenvolvimento no Terceiro Mundo estaria na redução do crescimento populacional e na manutenção de altas taxas de formação bruta de capital fixo, necessárias para a decolagem (take off) do desenvolvimento e a geração de emprego produtivo, com o consequente aumento da renda per capita.
Foi para resolver o problema populacional que se difundiu as prescrições neomalthusianas. Registra-se que, ao contrário de Malthus, os neomalthusianos propunham o freio da população por meio da limitação da fecundidade e não do aumento da mortalidade. Malthus achava que era impossível acabar com a pobreza. Os neomalthusianos acreditavam que seria possível acabar com a pobreza e avançar com o desenvolvimento econômico promovendo a transição da fecundidade.
Este debate, ganhou destaque nas décadas de 1960 e 1970 e esteve no centro das discussões da Conferência sobre População de Bucareste, em 1974. Os países ricos queriam promover o controle da natalidade, enquanto os países pobres queriam impulsionar o desenvolvimento. Venceram os segundos, com a seguinte palavra de ordem: “O desenvolvimento é o melhor contraceptivo”. Nota-se que, mais uma vez, o desenvolvimento foi apresentado e assumido como a solução para os problemas populacionais.
Todavia, as taxas de fecundidade caíram para níveis muito baixos (lowest-low fertility) na maioria dos países com alto nível de renda per capita, colocando em dúvidas a capacidade de reposição das gerações e acirrando os prognósticos sombrios sobre o envelhecimento da estrutura etária. Desta forma, por vias inversas, o “problema populacional” volta à cena dos países desenvolvidos. Mas ao invés da “explosão populacional” o desafio agora é a “implosão populacional”.
Por outro lado, a ideia de desenvolvimento já começava a ser questionada de maneira mais forte no início da década de 1970. O alerta foi dado pelo Clube de Roma e pelo relatório “Os limites do Crescimento” de Dennis e Donella Meadows, do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Com a crise do petróleo nos anos 1970 e o agravamento das condições ambientais no mundo, foi lançado o estudo “Nosso Futuro Comum” (Our Common Future), também conhecido como relatório Brundland, publicado pela ONU em 1987. É a partir do relatório Brundland que se adota a clássica definição de “Desenvolvimento sustentável”: “o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”.
O relatório aponta para as seguintes medidas que devem ser tomadas pelos países para promover o desenvolvimento sustentável: limitação do crescimento populacional; garantia de recursos básicos; preservação da biodiversidade e dos ecossistemas; diminuição do consumo de energia e desenvolvimento de tecnologias com uso de fontes energéticas renováveis; aumento da produção industrial nos países não-industrializados com base em tecnologias ecologicamente adaptadas; atendimento das necessidades básicas (saúde, escola, moradia), etc.
De certa forma estas medidas foram contempladas no documento da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Cúpula da Terra, ou Rio/92. Porém, duas décadas adiante, durante a Rio + 20, diversos estudos mostraram que o “desenvolvimento sustentável” não tem sido nada mais do que uma maquiagem verde que mantêm os fundamentos da degradação ambiental. A chamada “Curva ambiental de Kuznets” tem servido apenas como um instrumento ideológico que tenta justificar a necessidade de aprofundamento do desenvolvimento econômico, pois a degradação ambiental só aumenta com o crescimento econômico.
Na verdade, tem avolumado o número de pessoas que consideram o desenvolvimento não como uma solução, mas como um problema, pois existe uma alta correlação entre crescimento econômico e destruição das fontes naturais da vida e da biodiversidade. Mesmo quando se vinculam os aspectos humanos, social e qualidade de vida, o padrão de produção e consumo continua tendo um impacto negativo sobre os recursos ambientais. O problema não está apenas no desenvolvimento econômico e social, mas também no chamado desenvolvimento sustentável.
É claro que um desenvolvimento humano e “sustentável” é melhor do que o desenvolvimento selvagem e insustentável. Porém, a ideia de desenvolvimento socialmente justo e ambientalmente sustentável tem sido incapaz de resolver os graves problemas que estão se acumulando no mundo, tais como o aquecimento global e a depleção dos ecossistemas. O capitalismo não consegue ser ao mesmo tempo socialmente inclusivo, justo e ambientalmente sustentável. Adicionalmente, a ideia de desenvolvimento humano acaba por reforçar o viés antropocêntrico que coloca o bem-estar do homo sapiens acima do bem-estar dos demais seres vivos e do Planeta.
Desta forma, cresce, em todo o mundo, a percepção de que todo e qualquer tipo de desenvolvimento é prejudicial ao meio ambiente, na medida em que é baseado no modelo de aumento do consumo e da produção material. Por conta disto, alguns autores falam em desenvolvimento sem crescimento, como Tim Jackson no livro: “Prosperity without growth? The transition to a sustainable economy”, enquanto outros falam em Decrescimento, como Serge Latouche no livro “Pequeno tratado do decrescimento sereno” (Martins Fontes, 2009). A expressão “desenvolvimento sustentável” passou a ser vista como um oximoro. O mesmo acontece com o conceito de “economia verde” que também é visto como uma contradição em termos.
O certo é que as formulações envolvendo o crescimento econômico, o desenvolvimento social e a dinâmica populacional não estão livres de críticas. O desenvolvimento é um processo complexo, com diversos efeitos indesejáveis, não estando, portanto, livre e acima das considerações minuciosas e da repreensão explícita. A única certeza atual é que os conceitos de população e desenvolvimento precisam ser mais debatidos e problematizados, especialmente quando se leva em conta o paradigma ecocêntrico. (EcoDebate)

domingo, 27 de janeiro de 2013

Lixo eletrônico de países ricos vão para os pobres

80% do lixo eletrônico de países ricos vão para nações pobres
Enquanto isso, este tipo de resíduo vai se acumulando sem o tratamento adequado.
Segundo um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), 80% do lixo eletrônico despejado por nações ricas é mandado para países pobres e que ainda estão em desenvolvimento — os destinos mais comuns para esse tipo de atividade são a China, Índia, Gana e Nigéria.
Além do fato de grande parte desse lixo ser mandado ilegalmente, o que é crime, as nações que recebem esses resíduos não contam com um sistema de reciclagem adequado. Dessa maneira, muito entulho acaba armazenado de maneira irregular, o que pode gerar vários problemas ambientais.
Leis são necessárias
Para piorar, os países em desenvolvimento estão começando a gerar cada vez mais lixo eletrônico, já que o seu mercado consumidor está tendo acesso a esse tipo de produto também — e é lógico que isso só deixa a situação ainda mais difícil.
De acordo com o que foi afirmado pela OIT, para que esse problema comece a ser resolvido, esses países que recebem o lixo eletrônico precisam criar leis para regulamentar o recebimento de resíduos, assim como o tratamento e reciclagem desse tipo de material. Na América Latina, somente a Costa Rica apresenta uma iniciativa do gênero.(tecmundo)

80% do lixo eletrônico vai para países pobres

‘Países pobres é destino ‘de 80% do lixo eletrônico de nações ricas’
Depósito de lixo eletrônico na China (China é um dos principais destinos mundiais de lixo eletrônico).
Os países em desenvolvimento são o destino de 80% do lixo eletrônico produzido nas nações ricas, mas carecem da infraestrutura, de tecnologias de reciclagem apropriadas e da regulamentação legal para absorver essa vasta quantidade de detritos.
Essa é uma das conclusões de um relatório [The global impact of e-waste: Addressing the challenge] divulgado em 18/01/13 pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Segundo o documento O Impacto Global do Lixo Eletrônico: Lidando com o Desafio, boa parte do lixo eletrônico exportado para as nações em desenvolvimento é enviado ilegalmente, e estes detritos acabam indo parar em plantas de reciclagem informais, predominantemente em países como China, Índia, Gana e Nigéria.
Especificamente em relação à América Latina, o documento afirma que a maior parte dos países da região ”ainda precisa elaborar uma legislação para o lixo eletrônico”.
O documento afirma que houve avanços recentes na região, como na Costa Rica, o primeiro país latino-americano a criar uma legislação nacional específica sobre o tema.
Ônus
De acordo com o estudo, ”as nações em desenvolvimento estão tendo de lidar com o ônus de um problema global, sem ter a tecnologia para lidar com isso. Além disso, os países em desenvolvimento estão eles próprios cada vez gerando maiores quantidades de lixo eletrônico”.
O estudo afirma que está havendo um aumento rápido na geração de lixo eletrônico doméstico produzido na China, no Leste Europeu e na América Latina.
Um total de 40 bilhões de toneladas de lixo eletrônico é produzido anualmente. Estima-se que 70% dos produtos eletrônicos descartados e exportados todos os anos vá parar na China e que esta proporção estaria aumentando.
Muitas vezes, esse lixo exportado para a China é reexportado para outros países do Sudoeste asiático, como Cambodja e Vietnã.
De um modo geral, as exportações de pequeno porte são destinadas a países da África Ocidental. Mas o relatório diz que essa proporção deverá crescer, devido à adoção de leis mais duras por parte dos países do Sudeste Asiático, que costumavam absorver parte desse comércio.
Entre os principais problemas ligados ao lixo eletrônico, de acordo com o relatório, estão a ausência de regulamentações para assegurar a segurança dos que lidam com esses produtos descartados e a falta de incentivos financeiros para reciclar detritos eletrônicos de forma responsável.
A manipulação desses detritos traz vários riscos à saúde pela presença de materiais tóxicos.
Entre as recomendações feitas no documento da OIT, está a adoção de legislações apropriadas por parte dos países em desenvolvimento, a regularização do setor informal de reciclagem e a organização de trabalhadores que lidam com detritos eletrônicos em cooperativas. (EcoDebate)

Reciclagem de entulhos da construção civil

Reciclagem de entulhos da construção civil pode gerar cerca de R$ 26 bilhões por ano
Entulhos da construção civil e da demolição são matérias primas importantes e de qualidade para a pavimentação de ruas e avenidas, entre outros espaços e vias. Pisos e pavimentos fabricados a partir do reaproveitamento desses resíduos permitem a drenagem do solo e evitam que milhares de toneladas sejam descartados diariamente no meio ambiente e em aterros.
Segundo a Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição (Abrecon), no Brasil são recolhidas oficialmente por ano cerca de 33 milhões de toneladas de entulho – material suficiente para construir quase 500 mil casas populares de 50 m2 cada. Levando em consideração o preço do Custo Unitário Básico (CUB) médio brasileiro da construção em outubro de 2012 (R$ 1.001,47), são cerca de R$ 26 bilhões. Este valor pode ser ainda mais alto, já que a própria Abrecon admite que a quantidade descartada é muito maior que a oficial.
Na Europa e Estados Unidos os produtos da indústria de pavimento ecológico já são amplamente utilizados e esse segmento é consolidado no mercado. Os blocos de concreto reciclados estão se tornando opção no Brasil para obras de prefeituras e condomínios, entre outros. O pavimento ecológico significa economia de recursos naturais e, também, econômicos. Custa menos do que o pavimento convencional.
Para interessados em empreender nesse segmento, o Sebrae editou a cartilha Indústria de Pavimento Ecológico, integrante da série Ideias de Negócios Sustentáveis. Para acessá-la, basta acessar o site www.sustentabilidade.sebrae.com.br (EcoDebate)

Lista Brasileira de Resíduos Sólidos

A Instrução Normativa nº 13 de 18/12/2012 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA estabelece a Lista Brasileira de Resíduos Sólidos que padroniza as informações e permite o monitoramento, controle, fiscalização, avaliação da gestão e do gerenciamento dos resíduos em seus diversos níveis, inclusive dos previstos nos sistemas de logística reversa estabelecidos nos acordos setoriais. Também é considerado o direito à informação e ao controle social como princípio básico da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010), as obrigações estabelecidas aos sujeitos passivos da Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental – TCFA e a responsabilidade do Ibama de gerenciamento dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938/1981).
A Lista Brasileira de Resíduos Sólidos será utilizada para as informações exigidas pelo Cadastro Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de Recursos Ambientais, Cadastro Técnico de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental e pelo Cadastro Nacional de Operadores de Resíduos Perigosos, assim como outros instrumentos e sistemas informatizados que possam ser estabelecidos. A atualização será realizada quando necessário para a consonância com as diretrizes e a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Todas as informações estarão disponíveis no Sistema de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos – Sinir e Sistema Nacional de Informações sobre Meio Ambiente – Sinisa.
Os resíduos sólidos são “todo material, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível”. São definidos também os produtos químicos orgânicos de base, os metais de transição, os resíduos dos serviços de saúde (Resolução Conama nº 358/2005) e as substâncias e medicamentos com controle especial (Portaria Ministério da Saúde nº 344/1998).
A estrutura da Lista Brasileira de Resíduos Sólidos está organizada em 20 capítulos que identificam a fonte geradora, a identificação do processo ou atividade de origem, seus constituintes e características, sendo os resíduos específicos identificados através de códigos de seis dígitos e identificados os perigosos por sua origem ou características de inflamabilidade, corrosividade, toxicidade, reatividade, patogenicidade, carcinogenicidade, teratogenicidade e mutagenicidade.
A lista Brasileira de Resíduos Sólidos tem como base a Lista Europeia de Resíduos Sólidos (Commission Decision 2000/532/EC) utilizada para organizar as informações e declarações nos diversos países da União Europeia, sendo utilizada a mesma estrutura de capítulos e códigos. As fontes geradoras foram adaptadas e acrescentados os resíduos constantes na NBR 10.004/2004 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. Isto facilitará o intercâmbio de informações sobre a movimentação transfronteiriças de resíduos sólidos – exportação, importação e trânsito – previstos pela Convenção de Basiléia em 1994.
A Instrução Normativa nº 13 de 18 de dezembro de 2012 e a lista completa podem ser encontradas no seguinte endereço eletrônico: http://www.in.gov.br/visualiza/index.jsp?data=20/12/2012&jornal=1&pagina=202&totalArquivos=324 (EcoDebate)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

10 coisas precisa-se saber sobre a fome

10 coisas que você precisa saber sobre a fome em 2013
Programa Mundial de Alimentos, da ONU
Lista compilada pelo Programa Mundial de Alimentos, da ONU, sugere que a fome é o maior problema solucionável do mundo.
As Nações Unidas publicaram uma lista sobre as 10 coisas que todos devem saber a respeito da fome neste novo ano.
Confira abaixo os tópicos compilados pelo Programa Mundial de Alimentos, PMA:
1. O mundo tem cerca de 870 milhões de pessoas que não têm o necessário para comer para levar uma vida saúdável. Isto significa que uma em cada oito habitantes do globo vai para a cama, todos os dias, passando fome. (Fonte: FAO, 2012)
2. O número de pessoas vivendo com fome crônica baixou para 130 milhões nas últimas duas décadas. Nos países em desenvolvimento, a prevalência da má nutrição caiu de 23,2% para 14,9% no período de 1990-2010. (Fonte: FAO, 2012)
3. A maioria do progresso contra a fome foi alcançado antes de 2007/2008, quando ocorreu a crise econômica global. Desde então, os avanços na redução do problema foram desacelerados e estagnados. (Fonte: FAO, 2012)
4. A fome é o problema número 1 na lista dos 10 maiores riscos de saúde. Ela mata mais pessoas todos os anos que doenças como Aids, malária e tuberculose combinadas. (Fonte: Unaids, 2010. OMS, 2011)
5. A má nutrição está ligada a um terço da morte de crianças com menos de cinco anos nos países em desenvolvimento. (Fonte: Igme, 2011).
6. Os primeiros mil dias da vida de uma criança, da gravidez aos dois anos de idade, são fundamentais para o combate à má nutrição. Uma dieta apropriada, nesta época da vida, protege os menores de nanismos físico e mental, que podem resultar da má nutrição. (Fonte: Igme, 2011).
7. Custa apenas 25 centavos de dólar americano, por dia, para garantir que uma criança tenha acesso a todas os nutrientes e vitaminas necessários ao crescimento saudável. (Fonte: Igme, 2011)
8. Se mulheres, nas áreas rurais, tiverem o mesmo acesso à terra, à tecnologia, à educação, ao mercado e aos serviços financeiros que os homens têm, o número de pessoas com fome poderia diminuir entre 100 e 150 milhões. (Fonte: FAO, 2011)
9. Até 2050, as mudanças climáticas e os padrões irregulares da temperatura terão colocado mais 24 milhões de pessoas em situação de fome. Quase metade destas crianças estarão vivendo na África Subsaariana. (Fonte: PMA, 2009)
10. A fome é o maior problema solucionável do mundo. (EcoDebate)

Estresse hídrico

Estresse hídrico: o Brasil já sente os reflexos da escassez de água
ONU declara 2013 como o Ano Internacional da Cooperação pela Água.
Até o Brasil, rico neste recurso natural, já sente os reflexos da escassez. Estudos da ANA mostram que, de um total de 29 aglomerados urbanos no país, 16 já precisam buscar novos mananciais para garantir o abastecimento até 2015.
Em pouco mais de duas décadas, o mundo terá nove bilhões de pessoas, um acréscimo de dois bilhões à população. Se um terço deste total engrossar as fileiras de consumidores da classe média, a pressão sobre os recursos naturais do planeta se tornará insustentável. Só o consumo de água aumentará 30%. Haverá necessidade de produzir 50% a mais de alimentos, e a oferta de energia terá de crescer 45%. “As economias estão oscilando. A desigualdade está crescendo. E as temperaturas globais continuam subindo. Estamos testando a capacidade do planeta de nos sustentar” resumiram os 22 integrantes do Painel de Alto Nível da Secretaria-geral das Nações Unidas numa análise da sustentabilidade global entregue há exato um ano à cúpula da ONU.
Se nada for feito para mudar o padrão de consumo, dois terços da população global poderão sofrer com escassez de água doce até 2025. A previsão é da própria ONU, que de­clarou 2013 o Ano Internacional da Coopera­ção pela Água. Também aqui há risco de es­cassez. Um estudo da Agência Nacional de Águas (ANA) mostra que, dos 29 maiores aglomerados urbanos do país, 16 precisam achar novos mananciais para garantir o abas­tecimento até 2015. São 472 municípios em busca de novas fontes de água, 56 deles ficam em três Regiões Metropolitanas do estado de São Paulo (Campinas, Baixada Santista e a própria capital).
- Tivemos forte urbanização onde não havia água — resume Dante Ragazzini, presi­dente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental.
A água doce está em rios, lagos, geleiras e aquíferos, mas representa apenas 2,5% do to­tal de água da Terra. Nem toda ela é acessível ao consumo humano e, pior, a distribuição é desigual entre os países. Mesmo no Brasil, que ostenta a maior reserva de águas doces superficiais do planeta (12% do total), as con­dições de acesso não são equânimes. A região hidrográfica Amazônica — que abrange Ama­zonas, Amapá, Acre, Rondônia, Roraima e grande parcela do Pará e do Mato Grosso — equivale a 45% do território nacional e detém 81% da disponibilidade hídrica. As regiões li­torâneas, que respondem por apenas 3% da oferta nacional, abrigam 45% da população do país. Ou seja, os brasileiros se concentram cada vez mais em áreas onde a oferta de água é desfavorável.
O problema também é social. Calcula-se que 12,1 milhões de brasileiros não têm aces­so adequado ao abastecimento de água. As moradias “sem torneira” somam 4,2 milhões. O consumo é bastante desigual. Enquanto um cidadão do Rio de Janeiro usa 236 litros de água por dia, o consumo per capita em Alagoas é de 91 litros. Em São Paulo, 185 litros.
Para a ONU, a quantidade de água do pla­neta é suficiente para atender a população mundial, mas não há mais espaço para o des­perdício. No Canadá, o consumo per capita chega a 600 litros por dia. Enquanto isso, cer­ca de 783 milhões de pessoas no mundo não têm acesso à água potável.
O consumo de água dos paulistanos é 4,3 vezes maior do que a água que há disponível. Só na Região Metropolitana de São Paulo são 19,9 milhões de consumidores, 10,4% da po­pulação do país. Principal fornecedora do es­tado, a Sabesp vem buscando água limpa a 80 km de distância, na represa Cachoeira do França, no Rio Juquiá, para atender um uni­verso de 1,3 milhão de pessoas na Zona Oeste da capital e em municípios vizinhos. O novo sistema teve que ser inserido no maior rema­nescente de Mata Atlântica no estado, o Vale do Ribeira.
A escassez de água não é o único dilema. O consumo humano exige que ela seja limpa e tratada, mas o crescimento das cidades engo­le mananciais. As águas superficiais ficam poluídas com o lançamento de esgoto, eflu­entes industriais e até mesmo venenos usa­dos em larga escala na agricultura.
Bacias, como as de Alto Iguaçu (PR), Rio Mogi Guaçu (SP), Rio Ivinhema (MS) e a do Rio Pará (MG), apresentaram queda no índi­ce de qualidade de água no último levanta­mento publicado. Segundo dados da ANA, os motivos prováveis são o aumento da carga de esgotos domésticos e a falta de investimentos em saneamento. No meio rural, a poluição difusa e o uso do solo sem manejo causam as­soreamento, piorando a qualidade das águas.
No Brasil, 73% dos municípios são abaste­cidos com águas superficiais, sujeitas a todo tipo de poluentes. É importante lembrar que, quando os jesuítas fundaram São Paulo, ha­via abundância nos rios Tietê, Pinheiros, Anhangabaú e Tamanduateí. Hoje, o Tietê é pura lama no trecho que corta a cidade. A au­sência de planejamento no passado colocou em risco mananciais e represas do entorno, como Billings e Guarapiranga, que foram in­vadidos, desmatados e poluídos.
— Cuidamos mal da pouca água que temos. Poluímos 24 horas por dia. Mais de R$ 3 bi­lhões já foram gastos na despoluição do Rio Tietê e não se vê a diferença. Se não estancar o esgoto, a natureza sozinha não consegue reparar o dano. Os reservatórios também estão sendo poluídos e a água tem de ser tratada para voltar a ser potável — diz Édison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil.
Nem mesmo as águas profundas estão a salvo da degradação e da exploração em ex­cesso. Nos últimos anos, ocorreu um aumen­to significativo no consumo de água subterrâ­nea no país. O estado de São Paulo é o maior usuário. São mais de mil poços, com três mi­lhões de pessoas beneficiadas. Em alguns deles, a água sai quente e precisa ser resfriada.
Em capitais do Nordeste, como Recife, Na­tal e Maceió, a falta de saneamento adequado fez com que o esgoto alcançasse poços. O ex­cessivo bombeamento de águas profundas na região costeira e até mesmo métodos de pro­dução de camarões, que aumentam a intru­são do mar, também geram problemas de salinização de aquíferos. Já foram identificados indícios do problema nas regiões oceânicas de Niterói e Rio das Ostras, no Rio de Janeiro, assim como no sistema aquífero Barreiras, no Rio Grande do Norte, e nas cidades de São Luís e Maceió.
Na medida em que a população se con­centra nas áreas urbanas, a garantia de oferta de água se torna mais complexa. A população tende a degradar as águas mais próximas e o esgoto compromete mananciais. No semiárido, há o problema da escassez. Além disso, na imensa maioria dos municípios brasileiros, com menos de 50 mil habitantes, os sistemas de abastecimento são precários — afirma Sérgio Ayrimoraes, coordenador do Atlas Brasil de Abastecimento Urbano de Água, elaborado pela ANA.
Segurança alimentar
A água que mata a sede humana é a mesma usada na agricultura e na indústria. O campo é, de longe, o maior usuário desse recurso, e responde por 70% do consumo mundial. Se­gundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), para produzir alimentos para uma única pessoa são necessários um total de 2,5 mil litros de água.
Num documento lançado em julho passa­do na Itália, a FAO alertou para a crescente es­cassez decorrente das mudanças climáticas, colocando em risco a segurança alimentar. Lembrou que as chuvas aumentarão nos tró­picos e diminuirão ainda mais nos semiári- dos ao redor do mundo, que tendem a ficar mais secos e quentes. Com menos umidade, a produtividade agrícola também diminui. Aos governos, a FAO recomendou a criação de sistemas para gerenciar fontes, transferências e o uso da água, além de mecanismos de preservação das florestas.
— A questão é de gerenciamento da água. Nesta seca, o abastecimento municípios atendidos pela Barragem de Mirorós, na Ba­hia, ficou à beira do colapso porque a água para irrigação de culturas só foi suspensa quando a seca piorou muito. Em Serra Talha­ da, Pernambuco, a 100 quilômetros do Rio São Francisco, a água estava quase chegando por adutora, mas a obra parou depois que co­meçou a transposição. Agora, nem uma coisa, nem outra — diz Roberto Malvezzi, da Co­missão Pastoral da Terra do São Francisco.
O uso da água de Mirorós exemplifica a dis­córdia sobre o melhor aproveitamento do re­curso. Para Ayrimoraes, da ANA, a barragem é exemplo de uma gestão bem sucedida da oferta compartilhada entre consumo huma­no e irrigação.
Atualmente, 40% da população mundial vi­vem em países em situação de estresse hídri­co. Cinco das dez bacias hidrográficas mais densamente povoadas do planeta, como as dos rios Yang-Tsé, na China, e Ganges, na Índia, já são exploradas acima dos níveis consi­derados sustentáveis. A África, que tem a maior taxa de prevalência da fome, é também o segundo continente habitado mais seco do mundo, atrás da Oceania. Nos últimos 30 anos, 57 milhões de pessoas foram afetadas pela seca na Etiópia. Na Índia, mais de 70% das chuvas ocorrem em apenas três meses do ano, o que faz com que haja escassez de água durante boa parte do ano na agricultura não irrigada. Em Tamil Nadu, um dos estados da Índia, a extração excessiva baixou o nível de água dos poços entre 25 e 30 metros em ape­nas uma década.
A perfuração de poços profundos para irri­gação agravou a seca também em alguns pontos do semiárido brasileiro. Foi o caso de Mamonas, no Norte de Minas. No ano passa­do, o município teve de ser abastecido com água tirada do Parque Estadual Caminhos dos Gerais, depois que a barragem mais próxima secou.
— Em algumas regiões, as águas profundas foram comprometidas em quantidade e qua­lidade no passado. Poços se tornaram salo­bros, a água deixou de ser potável. A chuva também mudou. Agora vem mais intensa, em período mais curto, e o solo não consegue ab­sorver. A água lava a camada superficial da terra. O ciclo natural da água foi alterado, por­que quase todo rio tem barragem. Uma coisa leva a outra. Fazemos tudo o que está dentro da capacidade, mas estamos sendo traídos pela intensidade da reação da natureza — re­sume o sociólogo Marcos Affonso Ortiz Go­mes, diretor do Instituto Estadual de Flores­tas de Minas Gerais.
Outra demanda latente é a da produção de energia, que deve aumentar o consumo de água em 11,2% até 2050. A Agência Internaci­onal de Energia (AIE) estima que pelo menos 5% do transporte mundial será movido por biocombustíveis em 2030. Em média, cada li­tro de etanol a partir da cana-de-açúcar utili­za 18,4 litros de água e 1,52 m2 de terra, o que significa que a demanda pode ser devastado­ra em áreas onde a água é escassa, como a África. Para Ayrimoraes, da ANA, a tendência é aumentar o potencial de conflitos de inte­resses, seja entre regiões ou consumidores. A saída é economizar e melhorar a gestão.
O estresse hídrico, no entanto, é maior nas regiões que concentram maior população, não necessariamente nas mais secas. Daí a preocupação. Hoje, as áreas urbanas conso­mem 60% da água doce do mundo e as proje­ções da ONU indicam que, até 2050, 70% da população mundial estarão concentradas em grandes cidades.
No Brasil, a concentração urbana tem sido sinônimo de degradação ambiental. Boa par­te do problema é justamente a falta de trata­mento do esgoto.
Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS 2010) mostram que apenas 53,5% da população urbana brasileira têm acesso à coleta e 37,9% ao tratamento de esgotos. O Instituto Trata Brasil chama a atenção para a “enorme ineficiência” dos sis­temas de abastecimento de água no Brasil. A cada cem litros produzidos, 36 são perdidos, seja do ponto de vista físico, com desvios da água tratada, seja do ponto de vista de faturamento. Segundo o Instituto, em alguns muni­cípios, como Porto Velho, Cuiabá, Rio Branco e Duque de Caxias, as perdas superam 60%. Na maior empresa do país, a Sabesp, foram de 25,6% em 2011. A meta, até 2019, é reduzir a 13%. No melhor sistema do mundo, o do Ja­pão, a perda é de somente 5%.
O Plano Nacional de Saneamento (Plan- sab), submetido a consulta pública pelo Mi­nistério das Cidades, revelou que, em 2007, 30,3 milhões de brasileiros receberam em su­as residências água que não atendia aos pa­drões de potabilidade estabelecidos pelo Mi­nistério da Saúde. A análise dos especialistas reprovou pelo menos um dos itens mínimos quando se analisa a qualidade: turbidez, clo­ro, coliformes totais e termotolerantes e bac­térias heterotróficas. (EcoDebate)

A seca e o olhar sudestino

O pior da seca parece estar terminando, mas não terminou. Ainda haverá sofrimentos em 2013, menos água em muitos lugares, pastagem mais escassa, safra prejudicada. Mas, a tendência é a situação melhorar daqui para frente, voltando a longa estiagem lá pelo ano de 2050, daqui a trinta anos.
Não se repetiu a tragédia humana das grandes migrações e do genocídio humano. A lógica da convivência com o semiárido provou ser a mais correta e a tragédia só não se repetiu graças a pouca infraestrutura já implementada, como cisternas e algumas adutoras.
É duro ver as reportagens feitas pelos grandes meios de comunicação do sul e sudeste sobre nossa região, particularmente em tempos de longa estiagem. O imaginário preconcebido sempre está presente.
Elas têm enfatizado a morte dos animais. De fato, o gado bovino tem sofrido e morrido em quantidade nessa seca. Mas, essa é uma questão superada para o movimento social que defende a convivência com o semiárido, isto é, essa região nunca foi local adequado para se criar bois e vacas. Há uma comparação feita pelos educadores populares nos cursos de formação com uma estatística bem simples: um boi come por sete bodes, bebe por sete bodes, ocupa o espaço de sete bodes. Quando morre um boi, morre o equivalente a sete bodes.
De fato, quando se encontrar um bode morto de fome ou sede no sertão, é porque ali já não sobrou uma alma viva. Nessa seca os bois estão morrendo, os bodes estão gordos. O animal é adaptado, suporta as secas, mesmo que sua criação seja contestada por muitos técnicos como sendo um animal daninho e ameaçador da biodiversidade. Mas isso – dizem os técnicos do movimento social – é um problema de manejo, não de adaptação.
Além do mais, os repórteres tem se dirigido exclusivamente ao sertão de Pernambuco, particularmente aos eixos da Transposição. Muitos insinuam: se a obra estivesse concluída, não haveria esse sofrimento.
Mentira absurda. Os lugares visitados, como Cabrobó, estão às margens do São Francisco. Água é o que não falta para abastecer o sertão de Pernambuco. O problema continua sendo sua distribuição.
Ao seu modo o governo começa fazer as adutoras, tão reivindicadas por nós. A do Algodão em Guanambi; do Pajeú, em Pernambuco; do São Francisco para Aracaju; do Forró no sertão de Curaçá; do Cristal no sertão de Petrolina; as duas de Remanso; etc. Portanto, o governo sabe o que é correto fazer.
Quanto à Transposição, tudo que prevíamos acontece: impacto nas comunidades, impacto no meio ambiente, prazos alongados, preços duplicados. Um fator não previmos: os projetos mal feitos e agora condenados pelos Tribunal de Contas da União.
Se a obra vai chegar ao fim não sabemos. Só lá poderemos confirmar nossas outras previsões, as mais cruéis: a água não é para o povo necessitado; vai impactar o São Francisco – que esse ano já está apenas com 27% em Sobradinho-; finalmente, não vai resolver o problema da seca.
Quem viver verá. O tempo é o pai da verdade. (EcoDebate)

Especialistas dizem que o Nordeste tem água

Especialistas dizem que o Nordeste tem água, mas falta capilaridade na distribuição
A fome, sede e as perdas agrícolas enfrentadas, anualmente, por quase 20 milhões de brasileiros que vivem no Semiárido nordestino, poderiam ser evitadas se existisse um programa de abastecimento de água para a região nos mesmos moldes do Programa Luz para Todos.
O defensor da proposta, João Abner Guimarães Júnior, especialista em recursos hídricos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), garante que o novo sistema solucionaria, inclusive, os impactos agravados em anos com estiagem mais prolongada como o atual.
As cidades nordestinas estão enfrentando desde o último mês de janeiro uma das maiores secas dos últimos 30 anos. As previsões meteorológicas indicam que as chuvas só devem cair no Semiárido a partir do ano que vem.
“Tem água para consumo humano e animal, tem água sobrando. Tem estoques de água suficiente para atender plenamente, mesmo nesta época como agora. São 10 bilhões de metros cúbicos armazenados na região acima do Rio São Francisco, em grandes reservatórios”, detalhou Abner. Segundo ele, um sistema adutor com capilaridade seria suficiente para atender a toda a demanda local, comprometendo menos de 20% da disponibilidade hídrica dos reservatórios.
Ao apresentar dados de armazenagem de água no Nordeste, durante audiência pública da Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados sobre o problema da seca na região, o pesquisador destacou que o Semiárido brasileiro é um dos sistemas ambientais mais chuvosos do mundo, mas o acesso à água não está democratizado.
“Os cerca de 60 mil açudes que têm hoje no Nordeste ficam lá, sendo reservados para consumo humano. Enquanto isso, 95% da água se perde em evaporação. Na hora que tiver um sistema integrado que traga água [das grandes barragens] para o abastecimento humano, você libera os pequenos açudes para a produção de feno”, disse, ao criticar a falência do sistema de abastecimento da região.
“A solução para o período de vacas magras tem que passar pelo aproveitamento do período de vacas gordas. Seria o [programa] água para todos, que representaria uma revolução também para a agricultura. Isso custaria cerca de R$ 20 por ano, por habitante. É um custo menor do que o custo do carro-pipa. É um terço do valor da transposição do Rio São Francisco”, afirmou.
A situação do Semiárido nordestino, segundo os especialistas, reflete falhas do cenário nacional. O Brasil concentra a maior parte da água escoada no mundo, mas enfrenta problemas de má distribuição: 72% estão na Região Amazônica; 19% no Centro-Oeste; 6% no Sul e Sudeste; e apenas 3% no Nordeste.
João Suassuna, pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, lembrou que em períodos de estiagem mais intensas, metade da população local sofre com a seca e fome. “Oitenta por cento das secas do Nordeste ocorrem no miolão da região. E a seca não é por falta de água, mas pela má distribuição dessa água”, criticou.
Segundo ele, a solução para o problema da seca deve ser baseada em medidas de convívio com as condições climáticas características da região. Para Suassuna não serão grandes obras que apontarão o fim do sofrimento da população afetada. As barragens instaladas na região Nordeste têm potencial de armazenagem de 37 bilhões de metros cúbicos.
“Mas não tem uma política para captar essa água e levar para quem precisa”, criticou. “Há 18 anos sou contra a transposição [da Bacia do Rio São Francisco] porque vai chegar onde já é abundante. Vai abastecer represas nas quais as populações no entorno estão passando sede. Esta população vai continuar sofrendo com a seca e sendo abastecida por caminhões-pipa, mesmo depois da transposição”.
No Ceará, por exemplo, as 8 mil represas poderiam armazenar 18 bilhões de metros cúbicos, segundo Suassuna. Pelas contas do pesquisador, apenas o Açude Castanhão, a maior barragem do Nordeste, seria capaz de atender a todas as cidades cearenses. A capacidade de aproveitamento do recurso também está acima das expectativas nos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. (EcoDebate)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Sustentabilidade e o legado da copa VI (Final)

Mascote da Copa do mundo de 2014
A ideia é que a próxima copa a ser realizada no Brasil seja a primeira totalmente “verde”. O que isto significa? Que todos as concepções e iniciativas aqui exaustivamente discutidos sejam respeitados e inclusive que a emissão de gás carbônico seja totalmente neutralizada num procedimento que é denominado no mercado de “carbono zero”.
Conforme já discutido, há um enorme potencial de disseminação didática de um conceito da maior importância principalmente em classes sociais mais populares onde o conhecimento desta realidade é sempre difícil ou até negligenciado.
A grande contribuição da obra, entre várias informações preciosas garimpadas de realidades diversas dos países considerados é de uma obviedade singela mas ao mesmo tempo de uma importância vital.
Estamos todos no mesmo barco, este barco se chama planeta terra e tudo que alguma das partes interessadas ou dos navegantes do mesmo barco fizer para esta terra vai envolver e comprometer a todos os participantes desta indescritível viagem chamada vida e que ocorre na terra.
Fosse esta concepção realizada por qualquer ser humano talvez não ganhasse a importância e a dimensão de ter sido realizada por um importante e reconhecido ator do cenário internacional. Nicholas Stern tem currículo, histórico e credibilidade para tornar translúcida a concepção de que todos estamos vinculados na missão ou no caminho de construir o caminho para um mundo mais sustentável.
Neste sentido não importa se as obras decorrem de um caderno de encargos da copa que visa garantir a qualidade de um evento de alta grandiosidade. As populações beneficiadas vão usufruir de tudo após o término do evento e agradecem independentemente da motivação que gerou a instalação da benfeitoria ou infraestrutura considerada.
O legado prático da copa podem ser obras de infraestrutura e mobilidade cuja execução é de extrema relevância e que trarão significativa melhoria na qualidade de vida das populações beneficiadas após o término do evento copa do mundo.
São avenidas, ruas, metrôs, corredores expressos de transporte, obras gerais de saneamento envolvendo resíduos sólidos, drenagem pluvial, tratamento e distribuição de água e esgotos e mais uma série muito longa de benfeitorias que certamente serão usufruídas por parcelas significativas da população após o término do evento e que representam alteração relevante da qualidade de vida nos locais em que ocorrerem.
Em nossa realidade de pais em desenvolvimento com grandes contrastes sociais, ainda tem pouca penetração a realização de eventos de carbono neutro, embora já existam até cartões de crédito que se alicerçam neste conceito.
A copa do mundo ao patrocinar eventos que se caracterizem pela neutralização de carbono, divulga e populariza uma realidade de extrema importância, onde a sustentabilidade transcende fatores operacionais, alcançando objetivos diretos de favorecer aspectos ligados aos meios físico e biológico e desta forma indiretamente ao próprio meio antrópico.
Por outro lado, conforme já destacado, todas as obras que se fazem para melhorar infraestrutura de saneamento, mobilidade e outras obras, permanecem e vão melhorar as condições de vida de toda população que aqui vive, após o encerramento do evento.
E desta forma possibilitar que no conjunto existam grandes avanços para que a humanidade possa atingir de uma forma mais veloz um consenso sobre a conceituação de sustentabilidade e assim possa atingir acordos globais que ainda não foram obtidos em encontros internacionais patrocinados pela Organização das Nações Unidas tanto sobre questões vinculadas a aquecimento global e mudanças climáticas, quanto em fóruns onde o escopo é a eliminação da pobreza.
Hoje existe um consenso de que são necessários o estabelecimento de pactos sociais com ampla participação popular. Mesmo que ainda ocorram grandes interferências geradas por diferenças de situação econômica e aplicação sistemática de recursos, todos convergem para a ideia de que as soluções técnicas devem se subordinar às necessidades sociais avaliadas e expressas. E para tanto é necessário participar e dialogar à exaustão antes de finalizar qualquer decisão. (EcoDebate)

Sustentabilidade e o legado da copa V

O mundo evoluiu muito desde que Ter Stepanian (1970) disseminou seu conceito de tecnógeno (TER STEPANIAN, 1970) ou seja, de que não existem mais áreas intocadas pelo homem no planeta e que praticamente todo tipo de degradação necessita auxílio do homem para se recuperar. O que caracteriza o tecnógeno é que a ação humana é hegemônica sobre as ações geográfica, químicas e biológicas. Não existem mais áreas genuinamente quaternárias
Portanto o tecnógeno é uma ciência voltada para o futuro, preocupada em acompanhar as mudanças ambientais e risco naturais devido à lenta ação de fatores imperceptíveis gerados pela atividade tecnogênica do homem.
Na verdade a ideia preservacionista de sustentabilidade advém desta conceituação evoluindo e disseminando esta nova dimensão existencial da humanidade por todas as geografias e realidades sociais (NAIME e GARCIA, 2004). Até atingirmos o atual estágio onde sustentabilidade conforme nos ensina Stern em sua obra significam cada vez mais preocupações com um crescimento e um desenvolvimento de baixa produção de carbono para evitar uma maior acumulação de gases de efeito estufa, patrocinadores maiores de eventos associados a mudanças climáticas e a eliminação da pobreza.
As editoras Elsevier e Campus publicaram no Brasil em 2010 a preciosa obra de Nicholas Stern “O caminho para um mundo mais sustentável” (STERN, 2010). Nicholas Stern foi presidente do Banco Mundial e sempre foi um indivíduo profundamente engajado na questão da sustentabilidade e na construção de caminhos para um mundo melhor e mais sustentável.
Até por dever de ofício na condição de líder de tão importante instituição quanto o Banco Mundial, sempre esteve participando de articulações e construções de caminhos que envolviam questões financeiras para viabilização de acordos internacionais e ações que pudessem atingir metas consideradas necessárias por todos os atores globais envolvidos com a sustentabilidade.
O prefácio da edição brasileira merece o irreparável depoimento de Israel Klabin, presidente da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável que através de uma lúcida abordagem ressalta todas as grandes concepções desenvolvidas na obra.
A obra é referência porque nos permite traçar um paralelo imediato entre as concepções de sustentabilidade discutidas no mundo desenvolvido e no chamado terceiro mundo. E até nos faz refletir sobre os motivos e as dificuldades para a construção de acordos globais. Enquanto nos países periféricos as questões de sustentabilidade parecem estar mais vinculadas com realidades operacionais ainda não atingidas, nos países desenvolvidos, a questão fica mais objetivada no crescimento com baixa produção de carbono.
Desde a introdução do livro, ficam eleitos os temas cruciais para atingir acordos internacionais para um crescimento com baixa produção de carbono: a luta contra a pobreza, particularmente na África e o combate às mudanças climáticas.
Posteriormente, fica enfatizado que um acordo global precisa ser eficaz no sentido de reduzir as emissões de gases de efeito estufa de forma eficiente, dentro de um cenário equitativo em relaçõ às habilidades e responsabilidades de todas as partes. Na página 6 também fica enfatizado que é preciso encarar as questões do desenvolvimento econômico e das mudanças climáticas como partes de um todo.
Os objetivos desta abordagem são explicitados ao final da introdução do texto de Nicholas Stern. É necessário buscar um padrão de crescimento e desenvolvimento muito mais limpo, mais seguro e mais sustentável, para todos. (EcoDebate)

Telhas plásticas coloridas e sustentáveis

Telhas plásticas coloridas e sustentáveis são apresentadas no Amazontech - já
Empresa acreana produz telhas plásticas feitas de resíduos coletados em aterro e nas ruas de Rio Branco.
Camila e os produtos Plasacre
O plástico, quem diria, está deixando de ser vilão ambiental e se tornando alternativa para projetos de construção sustentável. Telhas plásticas feitas de polipropileno puro, proveniente de materiais 100% recicláveis, garantem alta resistência, leveza e longa durabilidade a casas e edificações em geral. Essas são as características dos produtos da Plasacre, empresa de Rio Branco (AC), participante do Amazontech 2012 em Macapá.
“O projeto de nossa telha plástica foi desenvolvido pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) de São Paulo e é certificado pelo Inmetro, Falcon Bower e pelo IPT”, informa Camila Consolo, gestora ambiental da Plasacre. A telha de plástico reciclado da marca acreana é produzida no estilo romano e em sete cores: azul, vermelho, branco, amarelo, cinza, verde e translúcida. Um telhado feito com o produto inovador da Plasacre fica até 40% mais barato do que um com telhas tradicionais, segundo material promocional da empresa.
A Plasacre está no mercado há três anos. O empreendimento adquire resíduos de plástico de cooperativa de catadores de Rio Branco e remunera os cooperados com cerca de um salário mínimo/ mês. Eles coletam o material na unidade de tratamento de resíduos sólidos do aterro sanitário da capital acreana e das ruas da cidade.
A equipe da Plasacre, composta por 57 colaboradores, faz a triagem do material, separando apenas os resíduos de polipropileno.Todo o processo de transformação do material até as telhas plásticas é realizado na própria empresa, que conta com equipamentos importados e nacionais para executá-lo.
Além das telhas plásticas recicladas, a Plasacre produz mangueira para irrigação, conduite corrugado, caixa multiuso e mourão, do mesmo material. Tijolo ecológico, feito de sacola plástica, indicado para apenas para piso, será o próximo produto da marca. No momento, esse projeto se encontra em fase de teste, mas já foi patenteado.
Amazontech
“Estamos participando do Amazontech pela primeira vez. Está sendo uma boa oportunidade para divulgar nossos produtos na região norte”, afirma Camila. A Plasacre está despertando curiosidade do público do evento. Ela participou de dois encontros promissores na rodada de negócios. Duas videoconferências foram agendadas com empresas de Macapá do setor alimentício.
Artefatos plásticos para construção civil ainda são desconhecidos na região amazônica e, por este motivo, despertam desconfiança, segundo a gestora ambiental. “Há preconceito. As pessoas questionam cheiro, qualidade, higienização”, esclarece. Apesar da estranheza que as telhas plásticas despertam, testes e estudos comprovam que elas são mais resistentes e duráveis do que as tradicionais, argumenta.
Aos poucos esses produtos vão conquistar o mercado, não há como escapar disso, prevê Camila. Só precisa andar mais rápido, especialmente na Amazônia, diz ela. “O descarte de plástico em igarapés é lamentável. Precisamos acelerar as soluções que existem para reduzir o impacto dos resíduos sólidos na natureza e reaproveitá-los para fabricar novos produtos”, enfatiza Camila. (www.plasacre.com.br) (sebrae)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Desmatamento amazônico cai ao menor nível

Desmatamento na Amazônia Legal cai 27% e chega ao menor nível
A taxa de desmatamento na Amazônia Legal caiu 27% neste ano, com dados avaliados entre agosto de 2011 e julho desde ano, em relação ao mesmo período anterior, atingindo o menor taxa de desmatamento já registrada. Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA) divulgou nesta terça-feira, os satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) registraram 4.656 km² desmatados na medição mais recente, contra 6.418 km² no ano anterior.
Entre os nove estados da Amazônia Legal, o levantamento aponta que houve aumento do desmatamento em três deles entre a medição mais recente, neste ano, e a anterior: Acre (10%), Amazonas (29%) e Tocantins (33%). Porém, segundo a ministra Izabella Teixeira, esses dados podem incluir desmatamentos que não são ilegais, já que os estados não disponibilizaram dados ao MMA. Mas a ministra destacou que esses estados, em termos absolutos, não contribuem expressivamente ao total e são os que têm menores áreas desmatadas.
Com os dados deste último período (agosto de 2011 a julho de 2012), o Brasil atingiu 76,26% da meta de 80% de redução dos desmatamentos na Amazônia até 2020, de ter 3.925 km² de áreas desmatadas.
Ainda segundo o levantamento, foram lavrados 6,4 mil autos de infração por desmatamentos de agosto de 2011 a julho, que somam R$ 1,611 bilhão em multas. Além disso, o governo hoje que começa a usar o Auto de Infração Eletrônica pelo Ibama. Segundo a ministra, isso irá ajudar a tornar mais transparente o processo de aplicar infrações e evitará a corrupção.
- O fiscal estará em campo monitorado. E a partir de imagens de satélites, você identifica imediatamente o desmatamento ilegal, as coordenadas são emitidas para um banco de dados em Brasília e é emitido imediatamente um auto de infração eletrônico. Com isso, você elimina os erros que normalmente ocorrem em autos e que os tornam nulos. Você elimina coordenadas erradas, elimina a corrupção de fiscal e faz com que sejamos mais eficientes e transparentes, coordenando as bases de dados do Ibama no cadastro ambiental rural, no licenciamento ambiental, no documento de origem florestal e no auto de infração. E passa a ser totalmente blindado para corrupção - disse a ministra. (yahoo)

Desmatamento na Amazônia cai 27% em um ano

Desmate entre julho de 2011 e agosto de 2012 atinge menor nível em 24 anos, mas especialista adverte para tendência de aumento após medição.
O desmatamento na Amazônia Legal caiu 27% entre julho de 2011 e agosto deste ano na comparação com o período anterior e atingiu o menor nível desde que começou a ser medido, há 24 anos. "Essa é a única boa notícia ambiental que o planeta teve em 2012", disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.
O decréscimo em um ano foi de 1.762 km², atingindo 4.656 km² - a última medição havia registrado 6.418 km². "É um marco jogar para baixo de 5 mil km² o desmatamento na região", destacou a ministra, em Brasília.
Em 2005, quando a média de desmatamento era de 19.625,40 km², a Política Nacional sobre Mudança do Clima se comprometeu a reduzir o índice em 80% até 2020. O desempenho atual coloca o País a 4% de atingir a meta, de 3.925 km².
A ministra destacou a expressiva redução de 44% no desmatamento registrado no Pará, que ficou em 1.699 km², ainda assim a maior área de desmate no País. Izabella Teixeira demonstrou preocupação com crescimento de 33% em Tocantins, 29% no Amazonas e de 10% no Acre. "Não sabemos se é legal ou ilegal porque os Estados não tornaram disponíveis as bases de informação que tratam de investigações", explicou.
Em Mato Grosso, a taxa diminuiu 12% no último período, após a instauração de um "gabinete de crise" por conta do aumento registrado de 2010 para 2011, com aumento da fiscalização e avanços tecnológicos.
O governo descartou qualquer relação entre a desaceleração da economia e a queda no desmatamento. Segundo dados do ministério, os últimos anos em que houve aumento do Produto Interno Bruto (PIB) foram justamente os que registraram maior queda no desmatamento.
Tecnologia. A fim de intensificar a redução do desmatamento na Amazônia Legal, o MMA vai usar, a partir do próximo ano, um auto de infração eletrônico, que será utilizado em campo pelos fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA).
"O fiscal do IBAMA estará em campo monitorado. A partir de imagens de satélite se identifica o desmatamento ilegal. As coordenadas são remetidas para bancos de dados em Brasília e é emitido um auto de infração eletrônico", explicou Teixeira.
O projeto dos aparelhos custou R$ 15 milhões. Por questão de segurança, a ministra não divulgou quantos equipamentos serão usados, mas destacou que cada equipe de fiscalização terá um. "Temos 1,2 mil fiscais federais, mas também equipes da Polícia Federal, IBAMA, além de operações especiais que teremos com o Exército." Outra novidade apresentada durante o balanço do desmatamento é sobre o uso de dois novos satélites no monitoramento da Amazônia Legal.
O ministro da Ciência, Tecnologia e Informação, Marco Antônio Raupp, diz que os satélites estão em construção e começarão a ser usados já no ano que vem. "Ele tem maior precisão geométrica e maior amplitude. Com isso será possível enxergar uma área maior de forma mais clara", diz Raupp.
Os números do governo comprovam o monitoramente independente feito pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que, com dados menos precisos, havia detectado queda de 36% no mesmo período, em boletim divulgado em julho deste ano.
O pesquisador Heron Martins, porém, diz que há um alerta de tendência de aumento - de agosto a outubro deste ano, o desmatamento acumulado cresceu 125% em relação aos mesmos três meses de 2011. "Há uma brecha provocada pela indefinição a respeito do novo Código Florestal. Além disso, o asfaltamento de uma região que liga Cuiabá a Santarém tem facilitado a extração no local", diz Martins. (OESP)

País divulga redução de desmate

País divulga redução de desmate e cobra desenvolvidos
O anúncio da redução de 27% da taxa de desmatamento deve ser usado pelo País nas negociações do clima para pedir mais ambição dos países desenvolvidos em seus esforços de redução das emissões de gases de efeito estufa.
Chefe da negociação brasileira na Conferência do Clima das Nações Unidas, André Corrêa do Lago, que chegou a ser aplaudido quando fez o anúncio em plenária, disse à imprensa que essa é uma indicação forte de como os países em desenvolvimento estão cumprindo seus compromissos. "Estamos falando da redução da maior fonte de emissões que o Brasil tinha. O desmatamento respondia por mais de 60% das nossas emissões", declarou.
Lago disse ainda que essa é "uma demonstração de que os países em desenvolvimento estão fazendo tudo o que disseram que iam fazer nesta convenção. E os desenvolvidos não estão entregando o que concordaram em fazer".
Com essa redução, o Brasil se aproxima da meta voluntária acordada em 2009, na COP do Clima de Copenhague, de chegar a 2020 com uma taxa de desmatamento de 3.907 km - 80% menor do que poderia estar se a taxa média de desmatamento verificada entre 1996 e 2005 continuasse crescendo no ritmo anterior.
"A redução de desmatamento é um processo de longo prazo. Ter reduzido agora não significa que ainda não seja necessário um esforço para continuar nesse ritmo e ter certeza de que ele será mantido", completou Lago. (OESP)

Desmatamento amazônico é o menor em 24 anos

Desmatamento na Amazônia Legal é o menor em 24 anos, diz ministério do Meio Ambiente
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, anunciou que a Amazônia Legal teve o menor índice de desmatamento dos últimos 24 anos.
O anúncio foi feito na sede do Ministério do Meio Ambiente. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a região teve 4.656 km² de floresta desmatada entre agosto de 2011 e julho de 2012. No levantamento anterior, que compreendia o período de agosto de 2010 a julho de 2011, a área desmatada foi de 6.418 km².
Foi a menor taxa desde que o instituto começou a fazer a medição, em 1988, e houve uma redução de 27% em relação à medição realizada entre agosto de 2010 e julho de 2011. A margem de erro é de 10% e os dados finais serão divulgados em 2013.
Entre agosto de 2011 e julho de 2012 foram apreendidos na Amazônia Legal 329 caminhões, 95 tratores, 143 outros veículos, 111 motosserras e 66 mil toras de madeira. Ao todo, foram lavrados 3.456 autos de infração na região entre agosto de 2011 a julho de 2012. O valor total das multas chega a R$ 1,6 bilhão.
Os dados são do Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal, conhecido como Prodes, e são consolidados com informações coletadas ao longo de doze meses por satélites capazes de detectar áreas desmatadas a partir de 6,25 hectares.
Avanço regional
Dos nove Estados da Amazônia Legal, três apresentaram aumento no desmatamento: Tocantins (33%), Amazonas (29%) e Acre (10%). Entre as maiores quedas estão o Amapá (-53%), Pará (-44%) e Maranhão (-33%).
O levantamento mostra que – em números absolutos - o Pará continua sendo o que mais derruba vegetação nativa na região com supressão de 1,699 km², seguido por Mato Grosso (777 km²), Rondônia (761 km²) e Amazonas (646 km²). O Ministério do Meio Ambiente informou que a meta para 2020 é diminuir o desmatamento a 3.925 km².
Durante coletiva para apresentar os números, a ministra do Meio Ambiente disse que as informações de que o governo não está autuando os desmatadores em razão das discussões sobre o Código Florestal são falsas. "Não tem isso de o Ibama não autuar por causa das discussões", disse. (valor)