terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Agravamento da seca no Nordeste no 1º quadrimestre/2017

Pesquisadores preveem agravamento da seca no Nordeste entre fevereiro e abril.
Quixadá – Símbolo das obras de combate aos efeitos da seca, o Açude Cedro, que começou a ser construído em 1890, não abastece mais a cidade.
A seca na Região Nordeste, que já dura cinco anos, deve se agravar ainda mais no período de fevereiro a abril, de acordo com a Previsão Climática Sazonal. O documento foi elaborado pelo Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal (GTPCS), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).
As previsões indicam que neste ano haverá menos chuvas na região, causando preocupação com o quadro hídrico. Segundo o documento, a tendência é que os reservatórios do Nordeste não tenham recuperação significativa durante a estação chuvosa, uma vez que as precipitações devem ficar abaixo da média histórica.
Os pesquisadores alertam para o “acentuado risco” de esgotamento da água armazenada em represas e açudes, entre novembro deste ano e janeiro de 2018, nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, da Paraíba, de Pernambuco.
Pelo aumento do potencial de queimadas a partir de fevereiro, a estiagem na região do extremo norte da Região Norte também gera preocupação, especialmente nas áreas leste e nordeste de Roraima.
Açude em município do Ceará.
Isso deve ocorrer em função das temperaturas mais altas. A seca eleva o risco de focos de incêndio, que podem se alastrar por grandes áreas de floresta. “Se a cobertura vegetal diminui, o solo fica mais exposto e gera um aumento maior na temperatura. É um círculo vicioso”, diz o coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), José Marengo. O Cemaden é ligado ao MCTIC e tem participação no grupo de trabalho. (ecodebate)

Manutenção de bacias hidrográficas depende da preservação do Cerrado


Manutenção das três principais bacias hidrográficas do país depende da preservação do Cerrado.
Vegetação do Cerrado
Depois de quatro anos de negociação e da realização de estudos fundiários, socioeconômicos e ambientais envolvendo o governo estadual de Goiás e o Ministério do Meio Ambiente – MMA, a comunidade que reside nas proximidades do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, está na expectativa de que a área do parque seja ampliada de 65 mil hectares para 222 mil, no próximo mês.
Segundo o chefe do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, Fernando Tatagiba, “a área atual do Parque, do ponto de vista da conservação, é considerada pequena, porque é insuficiente para garantir a sobrevivência de animais grandes”, como “a onça-pintada, a suçuarana, o lobo-guará, que estão na lista de animais ameaçados de extinção”. Na avaliação dele, a possibilidade de ampliar a área do parque para 222 mil hectares não só garantiria a conservação dos animais que precisam de mais espaço, mas permitiria “conservar também ecossistemas muito ameaçados e que não estão protegidos pelos limites atuais do parque nacional”.
Na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por telefone, Tatagiba explica que a conservação do parque nacional e do Cerrado como um todo é fundamental “porque o Cerrado abriga as três principais bacias hidrográficas do país: a do Rio da Prata, a do Rio São Francisco e boa parte da Bacia Amazônica, dado que Tapajós e Tocantins nascem no bioma Cerrado. As nascentes mais altas do Rio Tocantins estão na Chapada dos Veadeiros, e o Cerrado é conhecido como berço das águas. Então, ao conservar os ecossistemas do Cerrado, estamos conservando recursos hídricos, que são fundamentais para a manutenção da vida como um todo”.
O biólogo frisa ainda que é possível “adequar a produção agropecuária à conservação da biodiversidade”, estabelecendo “reservas legais de modo a formar corredores ecológicos para que seja possível ligar a biodiversidade dos imóveis privados com a biodiversidade do parque nacional”.
Cuidar do bioma é o mesmo que conservar recursos hídricos, que são fundamentais para a manutenção da vida como um todo.
IHU On-Line – Quais são os impasses envolvidos na ampliação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – PNCV? Quais as propostas do Ministério do Meio Ambiente – MMA, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio e, de outro lado, as propostas do governo de Goiás em relação ao Parque?
Fernando Tatagiba – O processo de ampliação do parque nacional começou há quatro anos. Nesse período, realizou-se uma série de estudos fundiários, socioeconômicos e de relevância ambiental da área a ser ampliada. Ao longo do processo, em setembro de 2015, foram realizadas três reuniões de consultas públicas, nas quais foi apresentada à comunidade do entorno uma proposta em termos de qual seria o limite do parque. Depois das consultas públicas, foram feitas diversas reuniões entre membros do governo federal, proprietários de terras e o governo de Goiás, para dirimir e tentar superar alguns conflitos de interesses. Nesse processo, a proposta de ampliação da área foi sendo lapidada e foram retirados atrativos turísticos privados, foram retiradas fazendas com produção agropecuária, bem como as Reservas Particulares do Patrimônio Natural – RPPNs e imóveis que já tinham iniciado o processo de reconhecimento da RPPN.
A área inicial proposta para a ampliação do parque era próxima de 250 mil hectares, mas, devido às negociações multilaterais, o MMA e o ICMBio chegaram a uma proposta de 222 mil hectares. Desse total, o governo do Estado de Goiás pediu que fossem retirados os imóveis que não têm título da terra, para que fosse feito o processo de regularização fundiária das terras e, assim, elas fossem incorporadas ao parque depois. A negociação está nesse ponto, e essa é uma fase natural de um processo de criação ou ampliação de uma área de unidade de conservação que tem como base o diálogo e a negociação. Hoje os gabinetes do MMA e o do governo de Goiás estão negociando o que será uma área ideal para ampliação do parque nacional.
Uma forma de garantir a proteção da Chapada dos Veadeiros é através da ampliação do Parque Nacional
IHU On-Line – Quais são os argumentos e interesses daqueles que defendem a ampliação do Parque e dos que são contrários a ela? O que seria uma área ideal para o Parque neste momento?
Fernando Tatagiba – É difícil dizer o que seria uma área ideal para uma unidade de conservação integral, como é o parque nacional. O ideal é sempre frente ao possível. Entretanto, é importante dizer que estamos falando da conservação da biodiversidade. Hoje, na Chapada dos Veadeiros e no Cerrado como um todo, habitam espécies que, para sobreviverem, requerem grandes extensões de terra, como, por exemplo, a onça-pintada, a suçuarana, o lobo-guará, que estão na lista de animais ameaçados de extinção. A área atual do parque, 65 mil hectares, do ponto de vista da conservação é considerada pequena, porque é insuficiente para garantir a sobrevivência de animais grandes. Passar de 65 mil para algo em torno de 220 mil hectares seria mais adequado para a conservação dessas espécies, como também seria possível conservar ecossistemas muito ameaçados e que não estão protegidos pelos limites atuais do parque nacional.
A forma como a Reserva Legal de uma determinada área é estabelecida num espaço possibilita criar corredores de biodiversidade entre o Parque Nacional e o espaço externo
IHU On-Line – Então há risco de perda de biodiversidade e de espécies da fauna, caso a área do parque nacional não seja ampliada?
Fernando Tatagiba – Há risco, sim, porque as áreas que não estão protegidas na forma de parque nacional ou de outro tipo de unidade de conservação de proteção integral estão sujeitas à supressão de vegetação, ou seja, ao desmatamento. É justamente isso que observamos no Cerrado como um todo e em algumas áreas da Chapada dos Veadeiros, que cobre uma área muito maior do que a do parque nacional. No limite sul da Chapada dos Veadeiros, já se percebem os efeitos da expansão da agropecuária. Então, existem áreas que estão sendo convertidas para a produção de grão ou gado. Uma forma de garantir a proteção da Chapada dos Veadeiros é através da ampliação do parque nacional.
IHU On-Line – Quais são as principais ameaças ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros hoje? A produção de soja em larga escala se tornou um problema ambiental para a região?
Fernando Tatagiba – De certa forma sim, mas há mecanismos que possibilitam adequar a produção agropecuária à conservação da biodiversidade. O Código Florestal estabelece mecanismos de conservação de vegetação de beira de rio, a manutenção de um percentual da terra de uma fazenda para a conservação, na forma de Reserva Legal. A forma como a Reserva Legal de uma determinada área é estabelecida num espaço possibilita criar corredores de biodiversidade entre o Parque Nacional e o espaço externo. Quando falamos de ameaças estamos falando das ameaças ao ecossistema e à sua biodiversidade, ou seja, das espécies que transitam entre o Parque Nacional e o seu entorno. Então, o que acontece fora do Parque pode ameaçar a integridade das comunidades protegidas pela Unidade de Conservação. A supressão de ecossistemas naturais fora do Parque também impacta o próprio Parque Nacional, porque está impactando negativamente os animais e plantas que vivem ali.
IHU On-Line – Há quanto tempo têm se intensificado os monocultivos nas proximidades do Parque Nacional? Já há propostas de fazer um manejo que concilie a preservação do Parque com a agricultura?
Fernando Tatagiba – Há. Uma das propostas tem relação com a implantação do Plano de Manejo da APA de Pouso Alto, porque a Área de Preservação de Pouso Alto é uma unidade de conservação estadual que circunda o Parque Nacional como um todo. Esse Plano de Manejo estabelece condições mais restritivas para a implementação da agricultura. Então, os proprietários não devem desmatar as áreas que estiverem mais perto do Parque Nacional ou de determinadas áreas mais sensíveis do ponto de vista ecológico. Outra medida é um projeto que está sendo financiado pelo MMA em parceria com o Fundo Brasileiro de Conservação da Biodiversidade, para auxiliar os proprietários rurais do entorno do Parque a fazerem o Cadastro Ambiental Rural – CAR. O que se propõe então é que se estabeleçam as Reservas Legais de modo a formar corredores ecológicos para que seja possível ligar a biodiversidade dos imóveis privados com a biodiversidade do Parque Nacional.
Cerrado a caixa d’água do Brasil
IHU On-Line – Como a discussão sobre a ampliação do Parque está repercutindo entre a comunidade local?
Fernando Tatagiba – De maneira geral, a percepção da comunidade com relação à ampliação do parque é bastante positiva. Claro que há setores, empresas e pessoas que veem isso de forma negativa, especialmente aqueles que terão seus imóveis afetados por conta da ampliação. Com relação a esses, é fundamental esclarecer que nenhuma área produtiva será afetada. Então, aqueles que têm imóveis podem ficar tranquilos, porque as áreas produtivas das fazendas estão sendo excluídas da ampliação do parque.
A maior parte da comunidade do entorno vê a ampliação de forma produtiva, porque o parque é bastante importante para a economia da região. Existe uma pesquisa de mestrado, que será defendida no início deste ano, que estima em R$ 70 milhões as receitas advindas da visita ao parque nacional, considerando os dados de 2015. Hoje, o município de Alto Paraíso de Goiás é o principal beneficiário econômico da visitação do parque, mas atualmente já trabalhamos para a abertura de um portão do parque no município de Cavalcante, porque 65% da área do parque está nesse município, que ainda não é beneficiado com a visitação. Com a ampliação da área, o parque passará a abranger mais dois municípios, Nova Roma e Teresina de Goiás. Com isso esperamos que, a partir da ampliação do turismo nesses municípios, o parque passe a ganhar mais visibilidade e impulso em termos de economia. Estamos trabalhando para que o parque nacional seja um indutor econômico em toda a região.
É fundamental esclarecer que nenhuma área produtiva será afetada pela ampliação do Parque
IHU On-Line – Há uma estimativa de quando será concluído o processo de negociação da ampliação do Parque Nacional?
Fernando Tatagiba – Hoje a negociação está na esfera do gabinete do ministro do MMA e do governador de Goiás. Em setembro de 2016, teria sido decretada a ampliação do parque, mas o governador, atendendo a um pedido do setor agrícola e agropecuário do estado, solicitou ao ministro do MMA um prazo de seis meses para aprofundar algumas análises fundiárias para ter mais segurança em relação à ampliação. Esse prazo termina em fevereiro, e a nossa expectativa, que trabalhamos na gestão do parque nacional, e da comunidade, que vê na ampliação uma oportunidade de desenvolvimento da região, é que a qualquer momento, a partir de fevereiro, seja decretada a ampliação do parque.
Conservar o Cerrado e o Parque Nacional e trabalhar para a ampliação do Parque significa garantir as condições de vida e bem-estar para o próprio ser humano
IHU On-Line – Qual a importância do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros em termos de ecossistema e da preservação do Cerrado, especialmente para evitar a crise hídrica?
Fernando Tatagiba – Vemos como fundamental a conservação do Cerrado e do Parque Nacional, especialmente porque o Cerrado abriga as três principais bacias hidrográficas do país: a do Rio da Prata, a do Rio São Francisco e boa parte da Bacia Amazônica, dado que Tapajós e Tocantins nascem no bioma Cerrado. As nascentes mais altas do Rio Tocantins estão na Chapada dos Veadeiros, e o Cerrado é conhecido como berço das águas. Então, ao conservar os ecossistemas do Cerrado, estamos conservando recursos hídricos, que são fundamentais para a manutenção da vida como um todo. Conservar o Cerrado e o parque nacional e trabalhar para a ampliação do parque significa garantir as condições de vida e bem-estar para o próprio ser humano. (ecodebate)

domingo, 29 de janeiro de 2017

SEBRAE e as soluções sustentáveis para pequenas empresas


Série do SEBRAE apresenta soluções sustentáveis para pequenas empresas.
A partir de consultas com especialistas, SEBRAE lança conteúdo voltado para empreendedores.
Objetivo é mostrar os benefícios de ações sustentáveis para pequenas empresas.
Tema cada vez mais estratégico na pauta das empresas, a sustentabilidade envolve inúmeras dimensões e é fator preponderante também para a competência e permanência no mercado.
Muitos empresários buscam mais informações sobre o tema, sobretudo quanto ao seu caráter interdisciplinar e transversal, bem como sua aplicabilidade nas empresas. Tal quadro cria a necessidade de maiores esclarecimentos sobre o conceito, suas aplicações e viabilidade em todas as etapas da gestão empresarial.
Visando atender esta demanda, o Centro SEBRAE de Sustentabilidade, unidade de referência nacional sobre o tema, lança um novo conteúdo, as Dimensões da Sustentabilidade nos Pequenos Negócios, cujo objetivo é desmistificar o tema e mostrar que ações sustentáveis são viáveis e como cada um dos pontos podem ser colocados em prática em todas as áreas da empresa.
A partir de consultas com especialistas de todo o Brasil, foram selecionadas 12 dimensões chave, que possuem grande impacto no ciclo de vida dos pequenos negócios e juntas são capazes de tornar a empresa mais sustentável.
São trabalhados temas como planejamento estratégico, gestão financeira, gestão da qualidade, compras sustentáveis, gestão de pessoas, encadeamento produtivo, gestão ambiental (englobando uso eficiente da água, da energia e gerenciamento de resíduos sólidos), desenvolvimento social, legislação, normas e certificações, mercado e consumo consciente, marketing e comunicação, e políticas públicas.
Todas as informações foram compiladas em vídeos, com média de um a dois minutos, em linguagem de fácil entendimento e aprendizagem, explicando de maneira mais dinâmica as dimensões e fornecendo dicas em cada área.
Para a gerente do Centro SEBRAE de Sustentabilidade, Suenia Sousa, o conteúdo vem acrescentar um grande conhecimento, de maneira prática. “Entendemos que não há outra via para a sustentabilidade nos pequenos negócios que não seja a da inovação. Como este é um conceito transversal, as Dimensões vêm mostrar de uma forma simples e direta que isto é possível e aplicável na realidade dos empresários”.
Uma nova postura
Adotar os princípios da sustentabilidade empresarial dá lucro e é realidade também para os pequenos negócios. Ser sustentável é reduzir desperdícios, ampliar o valor financeiro da empresa, promover o bem estar das pessoas envolvidas e contribuir para o meio ambiente, promovendo um mercado mais justo e competitivo.
Mais do que cuidado com o meio ambiente, a sustentabilidade é uma postura da empresa, cada vez mais exigida como fator de competitividade. Empresas em todo o mundo já repensam hábitos e ajustam seus modelos de produção, fornecendo produtos e serviços lucrativos, de alto valor social e baixo impacto ambiental. Novas oportunidades surgem todos os dias para aqueles que seguem esta tendência. (globo)



Coppe/UFRJ e a necessidade de transportes sustentáveis

Coppe/UFRJ aponta a necessidade de alternativas sustentáveis de transporte.

Estudo inédito da Coppe/UFRJ aponta para a necessidade de alternativas sustentáveis de transporte.

No amplo cenário das mudanças climáticas, o setor de transporte é um dos que mais preocupa e exige mudanças rápidas. Em 2010, foi responsável pela emissão de 7,0 GtCO2 no mundo. Recente estudo apresentado na COP22, em Marrakech, elaborado pela Coppe/UFRJ, em parceria com a Shell, analisa alternativas sustentáveis para o transporte rodoviário, usando como parâmetro os projetos de mobilidade adotados no campus Cidade Universitária, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A pesquisa tem como objetivo orientar as medidas que governos podem tomar para reduzir as emissões.
– As cidades universitárias representam, muitas vezes, uma amostra fidedigna de uma cidade real e servem como um laboratório para testar possíveis formas de minimizar os impactos promovidos pelo transporte -, analisa Suzana Kahn, coordenadora da equipe do laboratório urbano de mobilidade da UFRJ, responsável pelo estudo, destacando que o campus possui uma área de 5,2 milhões de metros quadrados, por onde circulam mais de 100 mil pessoas por dia.
Compartilhamento de carros pode gerar até 54% menos emissões
Somente em 2015, os mais de 25 mil veículos que passaram diariamente pelo campus foram responsáveis pela emissão de 2.384 milhões de KgCO2 por mês. Como forma de reduzir esses impactos, a UFRJ vem testando os benefícios do aplicativo de carona solidária Caronaê, usado por alunos do campus, além de analisar o impacto no meio ambiente de outras formas de carona na universidade. Entre os meses de abril e junho deste ano, compartilhar o carro evitou mais de 123 toneladas de dióxido de carbono na atmosfera e impediu que 38 mil novas viagens até o campus fossem realizadas. Em países da Europa que adotam o compartilhamento de automóveis, a redução de emissões chega a 54%.
De acordo com Suzana Kahn, os dados obtidos somente na universidade comprovam que é necessário debater formas de criar ações para tornar a mobilidade urbana mais sustentável.
– As opções para a redução de emissão de carbono na mobilidade compreendem alternativas tecnológicas, de gestão e de comportamento. Como exemplo das opções tecnológicas, temos veículos elétricos, de gestão, temos a questão de incremento de transporte público e, de comportamento, a preferência por transporte coletivo e deslocamentos não motorizados. Os desafios mais complexos estão associados à mudança de comportamento, uma vez que envolvem questões culturais, mas, no entanto, são os que apresentam maior benefício em longo prazo.
Carros elétricos aceleram como opção para sustentabilidade; viabilidade ainda é impasse.
Com a perspectiva de crescimento da frota de automóveis para os próximos anos e a dependência dos combustíveis fósseis, os automóveis híbridos e elétricos despontam como alternativa para redução de emissões. Veículos elétricos despejam 55% menos dióxido de carbono do que os movidos a gasolina. Em um cenário de ruptura para tornar a mobilidade urbana menos poluente, o estudo estima a drástica redução de emissões até 2050, caso o Brasil siga uma tendência mundial de eletromobilidade. No entanto, impasses como a pesada carga tributária que incide em veículos desse tipo, falta de rede de carregadores para os automóveis, sobrecarga na matriz energética, entre outros pontos, podem dificultar a introdução e a ampla permanência no país
– Não basta que se eletrifique o setor de transporte, mas que a geração de energia elétrica tenha bases renováveis. Vale ressaltar que o sucesso do uso em larga escala da energia renovável está intimamente ligado com o desenvolvimento de soluções para a armazenagem desta energia.
Segundo Suzana Kahn, no cenário da UFRJ, a utilização de carros elétricos poderia reduzir as emissões de CO2 em até 75% até a metade do século e em 68% em relação ao que foi emitido pela Cidade Universitária durante o ano passado. (ecodebate)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Cortinas verdes controlam excesso de incidência solar

Cortinas verdes é alternativa para controlar excesso de incidência solar
Aplicação de cortinas verdes na arquitetura como alternativa para controlar o excesso de incidência de sol.

School of the Arts, Singapura – WOHA Arquitetos
Em Paris, na França, já é lei: prédios comerciais devem ter tetos verdes ou painéis solares em suas construções. Soluções sustentáveis têm sido cada vez mais discutidas e pensadas nas grandes cidades do mundo. Foi justamente a crescente proposição das cortinas verdes como alternativa para controlar o excesso de incidência solar no interior dos edifícios que motivou a pesquisadora Minéia Scherer a desenvolver, como tese de doutorado, o trabalho Cortinas verdes na Arquitetura: desempenho no controle solar e na eficiência energética de edificações. “Tem-se observado o aumento do uso desse tipo de elemento em projetos de arquitetura, sobretudo em países da Europa e Ásia. No Brasil, seu uso ainda é incipiente, com poucas obras executadas. A maioria são adaptações posteriores, não propriamente usando a cortina verde como elemento de concepção projetual”, afirma Minéia.
A pesquisa foi desenvolvida em três etapas: o estudo teórico sobre o tema, o acompanhamento de um experimento de campo com algumas espécies e a realização de simulações computacionais para a verificação da eficiência energética. A capacidade de sombreamento de cada espécie também foi considerada. “O uso da vegetação trepadeira para esse fim traz inúmeras vantagens, por ser um componente natural, que não absorve calor, como ocorre com concreto ou metais. Ao contrário, a vegetação resfria e umidifica o ar ao seu redor.”
No experimento, foram analisados quatro tipos de vegetação trepadeira adaptadas ao clima da Região Sul: Glicínia, Trombeta-chinesa, Jasmim-leite e Madressilva-creme. O comportamento das espécies foi diferente, dependendo da situação do clima: “De uma forma geral, a Glicínia foi a que teve melhor desempenho para o caso do Sul do Brasil, de clima subtropical. Desta forma, pode-se concluir que as trepadeiras apropriadas dependerão de cada região”, conta.
De acordo com a tese, com um bom planejamento, podem-se utilizar as cortinas verdes em qualquer tipo de edificação, seja residencial ou comercial, térrea ou com vários andares: “A vegetação trepadeira pode ser plantada diretamente no solo ou em grandes jardineiras, o que viabiliza seu uso inclusive em pavimentos superiores”, explica a pesquisadora.
Segundo Minéia, o uso dessas plantas incorporadas ao edifício, seja na forma de cortinas verdes ou de outro tipo de jardim vertical, é uma tendência da produção arquitetônica contemporânea, já que os benefícios para o meio ambiente e para as pessoas estão constantemente sendo comprovados. “A maior contribuição desta pesquisa é a de demonstrar a viabilidade de um sistema alternativo para evitar o excesso de incidência solar, que utiliza um componente de baixo impacto ambiental e que vai ao encontro das premissas de uma arquitetura mais sustentável”, reflete. Para a pesquisadora, um dos grandes problemas enfrentados pelo modelo de arquitetura no Brasil é o grande uso de vidro e, por consequência, o excesso de energia solar que se transforma em calor no interior dos prédios: “Essa elevada carga térmica gera a necessidade do uso de sistemas de climatização praticamente o ano todo, o que muitas vezes é um desperdício de energia”, completa.
A pesquisa Cortinas verdes na Arquitetura: desempenho no controle solar e na eficiência energética de edificações foi premiada pela UFRGS como a melhor tese apresentada na área de Ciências Sociais e Aplicadas em 2014.
BRT Arquitetos, Munique, Alemanha (ecodebate)

Antártica e o mundo em perigo

A Antártida está se dissolvendo e o mundo corre perigo
Comunidade científica está apavorada com uma enorme fenda detectada que pode resultar em um rompimento devastador futuramente.
Alerta mundial
A comunidade científica está intrigada com as fotos tiradas pela missão IceBridge, da NASA, responsável por monitorar as mudanças ocorridas nos polos. A imagem capturada em novembro do ano passado mostra uma fenda gigante na Antártida, sinal de um rompimento futuro. Algo nunca visto antes.
A enorme rachadura, localizada na plataforma de gelo Larsen, tem 112 km de extensão, 90 metros de largura e 530 metros de profundidade. A NASA, em comunicado, diz que  “A rachadura atravessa toda a plataforma de gelo, mas não a atinge por completo. No entanto, assim que isso acontecer, produzirá um iceberg aproximadamente do tamanho de Delaware (estado americano com uma extensão de quase 6.500 km²)”, na prática, algo muito grande e preocupante.
Os pesquisadores atribuem o fenômeno aos efeitos do aquecimento global. Equipes especializadas analisam os passos seguintes, a fim de minimizar o impacto global que o rompimento de uma superfície de gelo dessas proporções poderá causar. (yahoo)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Ameaça aos ursos polares

Poluentes químicos ameaçam ursos polares.
Além de ameaçados pelas mudanças climáticas, os ursos polares são vítimas dos poluentes químicos utilizados na agricultura e na indústria.
Poluentes químicos, outra ameaça para os ursos polares.
Urso polar passeia pela tundra em Hudson Bay, Canadá.
Além de ameaçados pelas mudanças climáticas, os ursos polares, grandes carnívoros do Ártico, são vítimas dos poluentes químicos utilizados na agricultura e na indústria, afirma um estudo publicado na revista Environmental Toxicology and Chemistry.
Estes poluentes representam um risco para a saúde 100 vezes superior ao considerado aceitável para ursos adultos, e mil vezes para os ursos menores.
"É o primeiro estudo que quantifica o risco que representa para o ecossistema ártico os Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs)", enfatiza sua principal autora, Sara Villa, toxicóloga da Universidade de Bicocca, Milão.
Os pesquisadores compilaram 40 anos de trabalhos sobre a exposição dos ursos, e também das focas e do bacalhau, principalmente na região que abrange do arquipélago ártico de Svalbard até o Alasca.
"As concentrações de POPs são surpreendentemente mais elevadas entre os ursos polares, cem vezes mais que no caso das focas", enfatiza o estudo.
Poluentes químicos ameaçam a população de ursos polares.
Utilizados na agricultura e na indústria, os POPs, poluentes que perturbam o sistema endócrino, persistem durante décadas na natureza e se concentram percorrendo a cadeia alimentar: passam, por exemplo, do plâncton aos peixes, dos peixes às focas e, por fim, das focas aos ursos, acumulando-se até alcançar doses muito tóxicas.
O ursos menores estão muito mais expostos, principalmente através do leite materno contaminado de sua mãe.
Apesar de alguns POPs terem sido proibidos nos anos 1970, depois foram substituídos por outros agentes poluentes, segundo os pesquisadores.
Estas substâncias são utilizadas principalmente para impermeabilizar papel, tecidos, móveis e evitar as manchas de água ou de graxa.
Esta ameaças se somam às que já pesam sobre o urso polar. Um terço de sua população sofre o risco de desaparecer até meados do século.
Atualmente, existem cerca de apenas 26.000 exemplares.
O problema mais importante é o derretimento dos bancos de gelo, onde o urso procura sua principal fonte de alimentação, as focas.
No Ártico, onde a temperatura aumenta duas vezes mais rápido que no resto do planeta, o aquecimento climático poderá gerar verões sem gelo dentro de 20 anos, avaliam os cientistas. (yahoo)

O impacto devastador das mudanças climáticas na Etiópia

Sorce e seu filho Abdallah, de um ano e 8 meses, na região de Oromia, Etiópia. Abdallah ainda não anda e está severamente desnutrido.
A Etiópia enfrenta uma das piores secas em três décadas. Seis milhões de crianças estão vulneráveis à fome, falta de água e doenças. O acesso à água segura para o consumo pode protegê-las destes riscos e garantir a permanência na escola. Confira nesse vídeo do UNICEF. (ecodebate)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Regeneração florestal na Mata Atlântica

Estudo inédito traça panorama da regeneração florestal na Mata Atlântica
A Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgam nesta data avaliação inédita da regeneração da Mata Atlântica em 9 estados. O Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, que monitora a distribuição espacial do bioma, identificou a regeneração de 219.735 hectares (ha), ou o equivalente a 2.197 km², entre 1985 e 2015, em nove dos 17 estados do bioma. A área corresponde a aproximadamente o tamanho da cidade de São Paulo.
Segundo os dados do Atlas, Paraná foi o estado que apresentou mais áreas regeneradas no período avaliado, num total de 75.612 ha, seguido de Minas Gerais (59.850 ha), Santa Catarina (24.964 ha), São Paulo (23.021 ha) e Mato Grosso do Sul (19.117 ha).
Confira na tabela abaixo a regeneração ocorrida nos nove estados avaliados:
O estudo analisa principalmente a regeneração sobre formações florestais que se apresentam em estágio inicial de vegetação nativa, ou áreas utilizadas anteriormente para pastagem e que hoje estão em estágio avançado de regeneração. Tal processo se deve tanto a causas naturais, quanto induzidas por meio do plantio de mudas de árvores nativas.
Nos últimos 30 anos, houve uma redução de 83% do desmatamento do bioma. De acordo com Marcia Hirota, diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, sete dos 17 estados da Mata Atlântica já apresentam nível de desmatamento zero: “Agora, o desafio é recuperar e restaurar as florestas nativas que perdemos. Embora o levantamento atual não assinale as causas da regeneração, ou seja, se ocorreu de forma natural ou decorre de iniciativas de restauração florestal, é um bom indicativo de que estamos no caminho certo”, observa Marcia.
Ao longo da história, a ONG foi responsável pelo plantio de 36 milhões de mudas de árvores nativas espalhadas pelo país, especialmente nas áreas de preservação permanente, no entorno de nascentes e margem de rios produtores de água, além de restaurar uma área em Itu, uma antiga fazenda de café, que hoje é destinada para atividades relacionadas a questões de conservação dos recursos naturais e restauração florestal.
“Durante o monitoramento, constatou-se a existência de outras áreas ocupadas por comunidades de porte florestal em diversos estágios intermediários de regeneração, áreas essas que devem ser mapeadas e divulgadas em futuros estudos”, esclare Flávio Jorge Ponzoni, pesquisador e coordenador técnico do estudo pelo INPE.
Este estudo foi realizado com o patrocínio de Bradesco Cartões e execução técnica da empresa de geotecnologia Arcplan. A análise se baseia em imagens geradas pelo sensor OLI a bordo do satélite Landsat 8. O Atlas utiliza a tecnologia de sensoriamento remoto e de geoprocessamento para monitorar remanescentes florestais acima de 3 ha.
Confira mapas das áreas regeneradas:
Brasil 1985-2015.
Estados avaliados 1985-2015.
MG e GO 1985-2015.
PR 1985-2015.
Sobre a Mata Atlântica
A Mata Atlântica está distribuída ao longo da costa atlântica do país, atingindo áreas da Argentina e do Paraguai nas regiões Sudeste e Sul. De acordo com o Mapa da Área de Aplicação da Lei nº 11.428, a Mata Atlântica abrangia originalmente 1.309.736 km2 no território brasileiro. Seus limites originais contemplavam áreas em 17 estados: PI, CE, RN, PE, PB, SE, AL, BA, ES, MG, GO, RJ, MS, SP, PR, SC e RS. Nessa extensa área vivem atualmente mais de 72% da população brasileira.
Sobre a Fundação SOS Mata Atlântica
A Fundação SOS Mata Atlântica atua há 30 anos na proteção dessas que é a floresta mais ameaçada do país. A ONG realiza diversos projetos nas áreas de monitoramento e restauração da Mata Atlântica, proteção do mar e da costa, políticas públicas e melhorias das leis ambientais, educação ambiental, campanhas sobre o meio ambiente, apoio a reservas e unidades de conservação, dentre outros. Todas essas ações contribuem para a qualidade de vida, já que vivem na Mata Atlântica mais de 72% da população brasileira. Os projetos e campanhas da ONG dependem da ajuda de pessoas e empresas para continuar a existir. Saiba como você pode ajudar em www.sosma.org.br/participe.
Sobre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) atua nas áreas de Observação da Terra, Meteorologia e Mudanças Climáticas, Ciências Espaciais e Atmosféricas e Engenharia Espacial. Possui laboratórios de Computação Aplicada, Combustão e Propulsão, Física de Materiais e Física de Plasmas. Presta serviços operacionais de monitoramento florestal, previsão do tempo e clima, rastreio e controle de satélites, medidas de queimadas, raios e poluição do ar.
O INPE aposta na construção de satélites para produção de dados sobre o planeta Terra, e no desenvolvimento de pesquisas para transformar estes dados em conhecimento, produtos e serviços para a sociedade brasileira e para o mundo. Também se dedica à distribuição de imagens meteorológicas e de sensoriamento remoto, e à realização de testes e ensaios industriais de alta qualidade. Além disso, o Instituto transfere tecnologia, fomentando a capacitação da indústria espacial brasileira e o desenvolvimento de um setor nacional de prestação de serviços especializados no campo espacial. Mais informações em www.inpe.br. (sosma)

Estudo mostra regeneração 2.197 km2 de remanescentes da Mata Atlântica


Estudo mostra regeneração 2.197 KM² de remanescentes florestais da Mata Atlântica, em nove estados.

A Mata Atlântica está distribuída por 17 estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro (foto), Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Alagoas, Sergipe, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí. 
Entre 1985 e 2015, 219.735 hectares (ha), ou o equivalente a 2.197 quilômetros quadrados de remanescentes florestais da Mata Atlântica, foram regenerados em nove dos 17 estados brasileiros que têm o bioma. A área corresponde a aproximadamente o tamanho da cidade de São Paulo, de acordo com dados divulgados hoje (17) pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Segundo o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, que monitora a distribuição espacial do bioma, o estado do Paraná foi o estado que apresentou mais áreas regeneradas no período avaliado, num total de 75.612 ha, seguido por Minas Gerais (59.850 ha), Santa Catarina (24.964 ha), São Paulo (23.021 ha) e Mato Grosso do Sul (19.117 ha).
“O estudo analisa principalmente a regeneração sobre formações florestais que se apresentam em estágio inicial de vegetação nativa, ou áreas utilizadas anteriormente para pastagem e que hoje estão em estágio avançado de regeneração. Tal processo se deve tanto a causas naturais quanto induzidas, por meio do plantio de mudas de árvores nativas”, diz a SOS Mata Atlântica.
Segundo a entidade, nos últimos 30 anos, houve uma redução de 83% do desmatamento do bioma, com sete dos 17 estados onde há Mata Atlântica já apresentando nível de desmatamento zero. “Agora, o desafio é recuperar e restaurar as florestas nativas que perdemos. Embora o levantamento atual não assinale as causas da regeneração, ou seja, se ocorreu de forma natural ou através de iniciativas de restauração florestal, [o resultado] é um bom indicativo de que estamos no caminho certo”, disse a diretora-executiva da fundação, Marcia Hirota.
O pesquisador e coordenador técnico do estudo pelo INPE, Flávio Jorge Ponzoni, destacou que durante a avaliação de áreas replantadas pela Fundação SOS Mata Atlântica ao longo de anos, foram constatados outros locais onde está ocorrendo a regeneração. “Durante o monitoramento, constatou-se a existência de outras áreas ocupadas por comunidades de porte florestal em diversos estágios de regeneração, áreas essas que devem ser mapeadas e divulgadas em futuros estudos”. (ecodebate)

sábado, 21 de janeiro de 2017

Fungos em coleta seletiva põe em risco saúde de catadores

Excesso de fungos em lixo reciclável coloca em risco saúde de catadores.
Assista ao vídeo Fungos na Coleta Seletiva em https://www.youtube.com/watch?v=QsNpdGMyd5w.
Análise do ar em circulação em cinco ambientes de três cooperativas de São Paulo indica níveis de fungos acima do recomendado pelas legislações nacional e internacional.
Para tirar sua renda do lixo, catadores de recicláveis precisam revirar sacos contendo plásticos, papelões, latas de alumínio e vidros e separar esses materiais por tipo, para depois vender a empresas especializadas. Durante esta manipulação, porém, eles podem acabar expostos a substâncias e organismos prejudiciais à saúde humana. Entre as ameaças estão altas concentrações de fungos que causam doenças respiratórias e de pele.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) determina como limite para a presença de fungos em ambiente fechado a medida de 750 Unidades Formadoras de Colônia por Metros Cúbicos (UFC/m3). Ao analisar o ar circulante em cinco ambientes de três cooperativas de reciclagem da cidade de São Paulo, a farmacêutica Gisele Ferreira de Souza chegou a encontrar 751 UFC/m3 em uma das esteiras (local onde os materiais passam durante a triagem de materiais).
Parece pouco, mas a pesquisadora adverte: é preciso rever os índices da legislação nacional. “As legislações internacionais são atualizadas regularmente e apresentam limites bem inferiores aos da ANVISA. A Organização Mundial de Saúde determina 500 UFC/m3. E a American Conference of Governmental Industrial Hygienists determina 250 UFC/m³. Ou seja, a quantidade de fungos encontrada na esteira de uma das cooperativas de São Paulo foi três vezes maior que o permitido”, alerta Gisele. Das 15 amostras analisadas, 14 apresentaram resultados superiores a 250 UFC/m3.
Catadores recebem da Prefeitura de São Paulo equipamentos de proteção individual (EPIs) como máscara, bota e luva, mas nem todos se adaptam ao uso.
Os dados foram obtidos durante a tese de doutorado Avaliação ambiental nas cooperativas de materiais recicláveis, defendida por Gisele em 2015 na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), sob a orientação do professor Nelson da Cruz Gouveia.
A quantidade de fungos encontrada na esteira de uma das cooperativas de São Paulo foi três vezes maior que o permitido em legislações internacionais.
Monitoramento do ar
Foram visitadas 11 cooperativas e em três delas foi realizado o monitoramento do ar: a Cooperação, na Vila Leopoldina, a Cooper Viva Bem, na Água Branca, e a Coopere, no Centro. A pesquisadora utilizou um aparelho chamado amostrador, que suga o ar do ambiente, e que foi colocado em cinco pontos nas três cooperativas, sempre na altura dos narizes dos catadores (cerca de 1,5 metros do solo): cozinha, escritório, prensa, esteira e sala de resíduos eletroeletrônicos.
As coletas foram realizadas de agosto de 2013 a julho de 2014. Após exposição por 10 minutos, durante cinco dias, as amostras foram fechadas e enviadas ao Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP para análise. O procedimento foi executado por profissionais, em parceria com a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), o Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), a Fundação Jorge Duprat e Figueiredo (Fundacentro) e o Instituto Adolfo Lutz.
Foi constatada a presença dos fungos Aspergillus spp., Fusarium spp., Penicillium spp., Cladosporium ssp.Nigrospora ssp., Rhizopus ssp., Mucor spp., e fungos não esporulados. Os três primeiros são toxigênicos (ao decompor um alimento, eles podem liberar micotoxinas, substâncias químicas tóxicas para o ser humano). O mais tóxico é o Aspergillus spp. e foi exatamente este o fungo mais encontrado nas amostras: ele causa arpergilose, doença que gera problemas respiratórios e na pele. Já o Mucor spp. não é toxigênico.
Gisele explica que as cooperativas são associadas à Prefeitura de São Paulo e todas recebem equipamentos de proteção individual (EPIs) como máscara, bota e luva. Mas os catadores não se adaptam e poucos utilizam. “Eles falam que a luva e a máscara são quentes, que a luva faz perder a sensibilidade do tato, o que os leva a produzir menos e, com isso, ganhar menos. Mas a bota ainda conseguem utilizar”, informa.
A pesquisadora também analisou a presença de metais na poeira depositada no solo de alguns pontos das cooperativas mas os resultados indicaram baixíssima presença desses metais. Todas essas cooperativas participaram do curso Eco-Eletro, desenvolvido pelo Laboratório de Sustentabilidade (Lassu) da Escola Politécnica (Poli) da USP em parceria com o Instituto GEA Ética e Meio Ambiente, e que ensina a desmontagem segura e rentável de eletroeletrônicos. “Acredito que esses resultados são decorrentes do curso Eco-eletro. Os catadores não quebram e nem aquecem os eletroeletrônicos, somente desmontam os equipamentos.
Ao fazer o descarte, é recomendável limpar as embalagens e deixá-las sem restos de alimentos, pois isso leva à proliferação de fungos.
Gisele também aplicou questionários em que os catadores responderam sobre dados gerais, hábitos alimentares, condição de saúde (presença de prurido ou alergias), etc. “Constatamos muita dermatite de contato e problemas respiratórios, como tosse e coriza”, conta. O estudo identificou uma população na faixa etária dos 40 anos, com escolaridade de nível básico e maior participação de mulheres. As doenças mais referidas foram as relacionadas ao sistema respiratório e doenças crônicas não transmissíveis.
Para a pesquisadora, é preciso melhorar a iluminação e a ventilação das cooperativas e estimular o uso de EPIs. Medicamentos nunca devem ser descartados para reciclagem e sim em pontos de coleta como descarte consciente. As embalagens dever ser limpas, sem restos de alimentos, pois isso leva à proliferação de fungos. “Vale lembrar que os ambientes das cooperativas são muito quentes e úmidos, condições essenciais para o crescimento de muitos fungos que são normalmente encontrados em alimentos”, enfatiza.
Micotoxinas
Gisele recomenda que a população se evite o descarte de alimentos junto com os recicláveis, pois podem estar contaminados com micotoxinas derivadas de fungos. Em um outro estudo, realizado durante o mestrado defendido na Universidade Estadual de Maringá, a farmacêutica analisou o plantio, a colheita e o armazenamento de duas safras de amendoim, constatando que muitas amostras estavam contaminadas por  fungos já no armazenamento.
Atualmente, a pesquisadora busca financiamento coletivo (crowfunding) para desenvolver o protótipo de um aparelho capaz de eliminar as micotoxinas. (ecodebate)


Comlurb removeu no Réveillon 558 toneladas de resíduos


Rio de Janeiro: Comlurb remove no Réveillon 558 toneladas de resíduos, menos 15,4% em relação a 2016.
Copacabana gera 290 toneladas, com redução de 20% de lixo recolhido.
A Comlurb iniciou a limpeza em todos os locais onde houve eventos públicos em comemoração à virada  do ano, assim que as festas terminaram. Em todos os eventos da Cidade foram removidas 558 toneladas de lixo, com 290 t apenas em Copacabana, sendo 249t de lixo e 41t de resíduos potencialmente recicláveis,  número 20% menor do que as 363 toneladas recolhidas no último Réveillon. Este ano houve redução de mais de 15% em relação à quantidade total de resíduos removidos em 2016. As areias e pistas de Copacabana foram entregues limpas e com as vias lavadas às 9h56.


A operação de limpeza mobilizou 3.863 garis, 646 profissionais de limpeza e contou com a instalação de 1.385 contêineres, além de 247 veículos e equipamentos disponibilizados, dentre eles caminhões, pás mecânicas, caminhões pipa, varredeiras, sopradores, entre outros, para atender toda a orla carioca, inclusive as praias da Ilha do Governador, Sepetiba, Guaratiba, o Piscinão de Ramos e demais festas públicas.
Palcos de shows e fogos de artifícios, o Parque Madureira produziu 7,5 toneladas de resíduos e o Piscinão de Ramos, 10,5 t. Já na Ilha do Governador, que contou com 120 garis, 54 toneladas foram recolhidas e  no Parque do Flamengo, 27,3 toneladas de lixo. Nas praias da Barra e do Recreio foram retiradas 168,2 t.
No Réveillon em Copacabana Comlurb agiliza a limpeza com operação noturna e trabalho intensificado na manhã.
O serviço noturno iniciado com sucesso no ano passado se repetiu, e os 320 garis que atuaram durante à noite na coleta de recicláveis na areia e na limpeza e esvaziamento de contêineres nas pistas e calçadas, garantiram a agilidade do trabalho da equipe da manhã para a limpeza completa da praia de Copacabana. Com a limpeza concluída e as pistas e calçadas da orla lavadas, as vias foram liberadas para o tráfego às 9h56, minutos antes do previsto.


Copacabana: 363,5 t, sendo 315,2 de lixo e 48,3 t de resíduos potencialmente recicláveis
Na área do palco, onde o público permaneceu nas areias emendando festa e praia, a Comlurb teve mais dificuldade na remoção dos resíduos, pois grande parte do serviço é feita por pás mecânicas, que carregam grande volume de lixo  por trecho sinalizado até os caminhões basculantes. A tropa de 1.182 garis e 184 profissionais de limpeza, destacados para a orla de Copacabana, atuaram intensamente entre as pessoas para conseguir fazer a limpeza da faixa de areia.


Números de 2016
Total removido em todos os eventos: 694,2 toneladas de lixo
Copacabana: 363,5 t, sendo 315,2 de lixo e 48,3 t de resíduos potencialmente recicláveis.
Barra e do Recreio: 215,8 toneladas
Parque Madureira: 7,8 t
Piscinão de Ramos: 15,9 t de resíduos
Ilha do Governador: 20,4 toneladas
Praia do Flamengo: 25 toneladas (ecodebate)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Emissões de gás carbônico permanecem estáveis pelo terceiro ano

As emissões mundiais de gás carbônico se mantiveram estáveis pelo terceiro ano consecutivo segundo dados publicados pela Universidade de East Anglia (UEA) e pelo Global Carbon Project na mais recente atualização do Global Carbon Atlas.
Ao longo de 2015, foram emitidas 36.262 milhões de toneladas de CO2 (MtCO2) – para entender melhor a magnitude desse número, o leitor considere que a produção mundial de soja do ano passado foi de 313 milhões de toneladas. (biodieselbr)

Concentração de CO2 ultrapassou as 400ppm

Concentração de CO2 ultrapassou definitivamente as 400ppm.
A concentração de gases de efeito estufa (GEE) ultrapassou o limiar de 400 partes por milhão e atingiu um perigoso ponto de não retorno. Nos 800 mil anos antes da revolução industrial a concentração de CO2 na atmosfera ficou abaixo de 280 partes por milhão (ppm). Ou seja, em cada um milhão de moléculas de ar no planeta, havia menos de 280 do principal gás de efeito estufa. As medições com base no estudo do gelo, mostram que em 1860 a concentração atingiu 290 ppm. Em 1900 estava em 295 ppm. Chegou a 300 ppm em 1920 e atingiu 310 ppm em 1950.
Em 1958, Charles Keeling, instalou no alto do vulcão Mauna Loa o primeiro equipamento para medir as concentrações de CO2 na atmosfera. A pesquisa tinha como objetivo comprovar a tese de um professor dele de que o CO2 produzido por atividades humanas estava se acumulando progressivamente no ar e aquecendo o planeta. A partir de uma série de dados mensais da concentração de CO2, Charles elaborou um dos gráficos mais famosos da história climática, a chamada curva de Keeling (como mostrado na figura acima).
Com base nos dados do laboratório de Mauna Loa, constata-se que a concentração de CO2 na atmosfera, na média mensal, chegou a 399,76 partes por milhão (ppm) em maio de 2013 e só ultrapassou a barreira de 400 ppm no ano seguinte. Em abril de 2014 a concentração de CO2 ficou em 401,34 ppm, passou para 401,88 ppm em maio e caiu para 401,20 ppm em junho de 2014. Mas como a concentração segue um padrão sazonal, ao longo do ano, com os picos acontecendo no mês de maio e os vales acontecendo nos meses de setembro, a média anual de 2014 foi de 398,61 ppm.
Em 2015, a marca das 400 ppm foi ultrapassada em 8 dos 12 meses, sendo fevereiro (400,28), março (401,54), abril (403,28), maio (403,96), junho (402,80), julho (401,31), novembro (400,16) e dezembro (401,85). Na média anual, 2015 foi o primeiro ano a ultrapassar a barreira simbólica e marcou a cifra de 400,83 ppm.
O ano de 2016 vai ser o primeiro a ultrapassar a marca de 400 ppm em todos os meses e em todas as semanas. Somente no dia 29 de agosto a concentração de CO2 ficou abaixo da marca histórica e marcou 399,46 ppm. Nos demais 364 dias do ano a concentração se manteve acima de 400 ppm, com o recorde no dia 10 de abril com 409,34 ppm. A semana de 10 a 16 de abri teve a marca recorde semanal de 408,69 ppm e o mês de maio de 2016 teve o recorde mensal de 407,7 ppm. Houve queda nos meses seguintes e o mês de agosto teve média de 402,25 ppm.
Nos primeiros dias de setembro a concentração de CO2 ficou em 400,98 ppm. Na semana de 5 a 11 de setembro ficou em 400,97 ppm. Na última semana de setembro a concentração ficou em 400,72 ppm, a menor média semanal do ano. Na média de setembro de 2016, a concentração atingiu 401,03 ppm, o nível mensal mais baixo para o ano de 2016.
No mês de outubro a concentração mensal voltou a subir e atingiu a média mensal de 401,57 ppm. Foi o primeiro mês de outubro com concentração acima de 400 ppm. Seguindo as tendências sazonais, a concentração de CO2 deve subir até maio de 2017, quando, provavelmente, deve ultrapassar a marca de 410 ppm. O que mostra que o mundo está indo para uma situação perigosa e sem precedentes pelo menos nos últimos 800 mil anos.
Quanto mais sobe a Curva de Keeling, mais aumenta o aquecimento global e mais rápido acontece o degelo do Ártico, da Groenlândia, da Antártica e dos glaciares. Tudo isto provoca a elevação do nível dos oceanos que pode ficar, em um futuro não muito distante, de 6 a 9 metros acima da média do século XIX. O excesso de dióxido de carbono também provoca acidificação dos solos e das águas. Assim, o aquecimento global, gerado pela emissão de gases de efeito estufa (GEE) passa a ser a maior ameaça para a continuidade do processo civilizatório e a permanência da vida na Terra tal como evoluiu nas últimas dezenas de milhões de anos.




Ultrapassar o limite de 350 ppm já é um grande risco. Ir além de 410 ppm é um risco muito maior, pois o Planeta pode repetir a temperatura do período Eemiano, que terminou a 115 mil anos atrás, quando a temperatura estava cerca de 2ºC acima da média do século XX e havia muito menos gelo e o mar estava entre 6 e 9 metros acima dos níveis atuais. Para evitar uma catástrofe, o mundo vai ter não só que zerar as emissões, mas também sequestrar carbono para reduzir o efeito estufa.

Infelizmente, a eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA deve agravar os problemas ambientais, enfraquecer o Acordo de Paris e deve aumentar as emissões de CO2, já que ele pretende incentivar o crescimento econômico e a indústria fóssil. A consultoria em inovação Lux Research, de Boston, projeta que os EUA devem emitir 3,4 bilhões de toneladas adicionais de CO2 caso Trump governe o país por oito anos e coloque em práticas os seus planos econômicos.

Artigo de Tobias Friedrich et. al., publicado na revista Science (09/11/2016) sugere que o clima da Terra poderia ser mais sensível aos gases de efeito estufa do que se pensava. Usando novo valor para a sensibilidade do clima à alta na concentração de CO2 na atmosfera, chegou-se ao cenário de que a alta na temperatura média global poderia variar de 4,8 a 7,4°C em 2100 na comparação com os níveis pré-industriais. Se a temperatura da Terra subir nesses níveis, o aquecimento global poderia transformar o Planeta em um inferno.

O mundo corre perigo. O efeito estufa trará custos enormes e as sociedades podem não estar preparadas para pagar o alto preço de limpar no futuro a sujeira feita no passado e no presente. No ritmo atual, as gerações futuras vão receber uma herança maldita, que pode provocar uma significativa mobilidade social e ambiental descendente. (ecodebate)