quarta-feira, 31 de julho de 2013

Geleira na Antártida produz iceberg gigante

Geleira na Antártida produz iceberg gigante de 720 Km2
Um novo e enorme iceberg se formou na Antártida, ao se desprender do Glaciar de Pine Island (PIG, na sigla em inglês) - o maior e mais rápido do polo sul. O bloco tem uma área de cerca de 720 km², que corresponde a quase oito vezes o tamanho da ilha de Manhattan, em Nova York.
Cientistas estavam esperando que a geleira "desse à luz" desde outubro de 2011, quando observaram pela primeira vez uma rachadura se abrindo em sua superfície. Em 08/07/13, eles obtiveram a confirmação de que a fissura se estendeu por toda a largura do glaciar.
Monitoramento
O satélite alemão TerraSAR-X observou a formação do iceberg. Ele carrega um radar que consegue distinguir a superfície do glaciar mesmo que a Antártida esteja em meio à escuridão do inverno.
O iceberg que se desprendeu era parte da plataforma de gelo do PIG ─ o segmento dianteiro do glaciar, que ultrapassa a linha de costa e flutua no oceano. A linha de costa é a divisão entre a plataforma de gelo, que fica no mar, e a parte da geleira que fica no continente.
Pesquisadores alemães recebem imagens do TerraSAR-X a cada três dias, na tentativa de compreender melhor os processos que empurram a geleira para frente e a tornam mais propensa a fraturas.
Isso pode ajudá-los a melhorar os modelos computacionais usados para prever mudanças futuras na Antártida. "Estávamos muito entusiasmados para ver como a fissura se propagaria", disse a professora Angelika Humbert, glaciologista (especialista em geleiras e glaciares) do Instituto Alfred Wegener, à BBC.
Icebergs enormes se separam de plataformas de gelo a cada período de 6 a 10 anos. Outros icebergs notáveis se formaram em 2007 e 2001. É um processo natural, que os cientistas dizem não se relacionar diretamente com as mudanças climáticas que também afetam essa parte da cobertura de gelo do oeste da Antártida.
Medições de satélite e de partículas aéreas registraram uma redução da espessura e um aumento na velocidade do Glaciar de Pine Island nas últimas décadas. Os resultados foram atribuídos em parte às águas mais quentes que passam por debaixo e derretem a plataforma de gelo.
Redução rápida
O comportamento do glaciar significa que ele está agora sob o escrutínio dos cientistas, porque escoa cerca de 10% de todo o gelo do oeste do continente.
"O PIG é o glaciar que encolhe mais rapidamente no planeta", disse o professor David Vaughan, do British Antarctic Survey, órgão que opera as estações de pesquisa britânicas no continente. "Ele está perdendo mais gelo que qualquer outro no planeta e contribui para o aumento do nível do mais rápido do que qualquer outro no planeta. Vale a pena estudá-lo."
Quando a fratura que se propagava por toda a largura de 30 quilômetros do PIG foi fotografada pela primeira vez, em 2011, por uma expedição da NASA, muitos assumiram que a formação do iceberg aconteceria rapidamente. No entanto, quase dois anos se passaram até que o gigantesco bloco de gelo se desprendesse.
O interessante agora, segundo Angelika Humbert, será descobrir quanto tempo demora para que o iceberg saia da Baía que está diante dele.
O maior iceberg já registrado era um bloco que ficou conhecido como B-15. Quando ele se desprendeu da plataforma de gelo Ross â a maior do mundo, na Antártida â, em 2011, tinha uma área de cerca de 11 mil km² em sua superfície. O bloco demorou anos para derreter. (terra)

Degelo do permafrost do Ártico em até 30 anos

Estudo alerta para degelo do permafrost do Ártico em até 30 anos
O “permafrost”, solo permanentemente congelado do Ártico, pode começar a derreter daqui a entre 10 e 30 anos, liberando gases de efeito estufa na atmosfera e agravando o aquecimento global.
O permafrost poderia começar a derreter a partir de uma elevação das temperaturas globais de 1,5°C, em comparação com níveis pré-industriais, antecipa este estudo realizado a partir de estalagmites antigas.
A temperatura global média já aumentou 0,8º Celsius após a Revolução Industrial e se a tendência atual se mantiver, limite poderá ser alcançando de “10 a 30 anos”, calcula a equipe chefiada por Gideon Henderson, do Departamento de Ciências da Terra na Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha.
“É necessário fazer um esforço urgente para reduzir os gases de efeito estufa”, alertaram os cientistas, que realizaram o estudo sobre estalagmites e estalagmites encontradas em uma gruta perto de Lensk, no leste da Sibéria.
Estes espeleotemas se formam quando a água da superfície se infiltra no teto da gruta, onde a temperatura ambiente é a mesma da superfície. Por isso, são testemunhos preciosos de uma época em que a região não era congelada.
Graças a vestígios de urânio e isótopos de chumbo, foi possível estabelecer que eles se formaram, em média, há 945.000 anos, depois novamente há 400 mil anos.
Estes períodos de degelo do permafrost coincidem com os períodos em que a superfície da Terra era 1,5ºC mais quente do que a era pré-industrial, com uma margem de erro de 0,5°C, indicam os cientistas.
O estudo deve ser apresentado em 27 de junho, indicou a instituição em um comunicado.
Também chamado de “pergelissolo”, o permafrost representa, em média, um quarto da superfície das terras no hemisfério norte. Em nível mundial, encerra 1,7 trilhão de toneladas de carbono, ou seja, cerca do dobro do CO2 já presente na atmosfera.
Se esta matéria orgânica congelada derreter, ela liberará lentamente todo o carbono acumulado e “neutralizado” com o passar dos séculos.
Este excesso de devolvido à atmosfera não foi até agora levado em conta nas projeções sobre o aquecimento global que são objeto de negociações em nível mundial.
A comunidade internacional se colocou como meta limitar o aquecimento a 2°C e conseguir alcançar um acordo global e ambicioso de limitação dos gases-estufa em 2015 durante a conferência climática da ONU prevista para ser celebrada em Paris.
De outra forma, as ações realizadas até o presente colocam o planeta numa trajetória de 3ºC a 5°C.(EcoDebate)

Aquecimento dos oceanos reduz 55% do gelo

Aquecimento dos oceanos respondeu por 55% da perde total da massa de gelo da Antártida em 5 anos
Novo estudo [Ice Shelf Melting Around Antarctica] da NASA (Agência Espacial Norte-Americana) descobriu que o aquecimento dos mares derrete as plataformas glaciares em torno da Antártida, o que já provocou a perda de 55% da massa de gelo original do polo Sul, entre 2003 e 2008. O grupo liderado por Eric Rignot reconstituiu o acúmulo e a espessura de gelo com satélites e aviões, assim como as mudanças na elevação das plataformas congeladas e a velocidade de deslocamento.
O aquecimento dos oceanos faz derreter as plataformas glaciares em torno da Antártida e é o responsável pelas maiores perdas da massa de gelo, tradicionalmente atribuídas à formação de icebergs, revelou a NASA (Agência Espacial Norte-Americana) em um estudo publicado em 14/06/13.
Cientistas estudaram as taxas de derretimento destas massas de gelo, prolongamentos das geleiras flutuantes no oceano, que cobrem uma superfície de 1,5 milhão Km2.
Este primeiro estudo realizado sobre as plataformas de gelo em torno da Antártida revela que o derretimento de sua base respondeu por 55% da perda total de sua massa de 2003 a 2008, um volume muito mais importante do que o previamente calculado.
A Antártida contém, em média, 60% das reservas de água doce do planeta nestas plataformas, espécies de barreiras de gelo, reduzindo o escoamento das geleiras para o oceano.
Determinar como elas derretem ajudará os glaciologistas e outros cientistas a melhorar suas previsões sobre a resposta da massa glaciar antárticas ao aquecimento do oceano e sobre sua contribuição para a elevação do nível dos mares.
Segundo os cientistas, este estudo refinará os modelos sobre a circulação oceânica, ao fornecer uma estimativa melhor do volume de água doce procedente do derretimento destas plataformas de gelo na zona costeira da Antártida.
Para esta pesquisa, publicada na edição da revista Science de 14/6, os cientistas reconstituíram o acúmulo de gelo e a espessura com satélites e aviões, assim como as mudanças na elevação destas plataformas e a velocidade de deslocamento. Eles conseguiram, ainda, determinar com qual velocidade derreteram e compará-las com a formação de icebergs.
“O ponto de vista tradicional sobre a perda da massa de gelo da Antártica é que ela ocorre quase totalmente da ruptura de um iceberg”, explicou Eric Rignot, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, na sigla em inglês), da NASA, em Pasadena, na Califórnia, no Oeste dos Estados Unidos, principal autor do trabalho.
“Nosso estudo mostra que o derretimento da base das plataformas de gelo no entorno da Antártica contribui de forma muito mais importante”, afirmou. (EcoDebate)

segunda-feira, 29 de julho de 2013

JMJ gerou um sexto do lixo recolhido no réveillon

JMJ gerou  um sexto do lixo recolhido de Copacabana no réveillon
Segundo o prefeito do Rio, os fiéis tem mais consciência sobre a importância de manter o local dos eventos limpos.
Peregrinos de todo o mundo invadiram a praia de Copacabana nesta Jornada Mundial da Juventude.
As três noites de atos centrais da Jornada Mundial da Juventude na Praia de Copacabana geraram juntas um sexto do lixo que a prefeitura costuma recolher na festa de Réveillon. A informação foi divulgada neste sábado pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, durante entrevista à imprensa para informar que a JMJ vai quebrar o recorde de público na história da cidade, com uma estimativa de até 3 milhões de pessoas no domingo.
De acordo com o prefeito, 47 toneladas de lixo foram recolhidas na Missa de Abertura, de terça-feira, na Festa de Acolhida do Papa, na quinta-feira, e na Via Sacra, ontem. Paes disse que na festa da passagem de ano, em Copacabana, a Companhia Municipal de Limpeza Urbana costuma recolher 300 toneladas de lixo. De acordo com o prefeito, os fiéis têm mais consciência em relação a manter o local dos eventos limpo.
Isso mostra o espírito de civilidade, o grau de cidadania e de fé dessas pessoas.
Eduardo Paes prefeito do Rio
"Isso mostra o espírito de civilidade, o grau de cidadania e de fé dessas pessoas", disse o prefeito, que, apesar das dificuldades de transportes com ônibus e metrô e da exclusão do Campus Fidei (Campo da Fé) da programação, avalia positivamente a JMJ. "Não são muitas as cidades do mundo que têm a condição de receber essa quantidade de peregrinos. Eu diria que o evento é um sucesso. O papa trouxe uma mensagem e um simbolismo que conquistou os cariocas e os cidadãos da região metropolitana".
Católico, o prefeito foi enfático ao elogiar o evento. "Estamos tendo o evento mais bonito da história desta cidade. É emocionante ver os peregrinos. É uma invasão do bem". (terra)

JMJ gerou 1/6 do lixo do réveillon em Copacabana

JMJ gerou até agora um sexto do lixo recolhido de Copacabana no réveillon.
As três noites de atos centrais da Jornada Mundial da Juventude na Praia de Copacabana geraram juntas um sexto do lixo que a prefeitura costuma recolher na festa de réveillon. A informação foi divulgada em 27/07/13 pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, durante entrevista à imprensa para informar que a JMJ vai quebrar o recorde de público na história da cidade, com uma estimativa de até 3 milhões de pessoas no domingo.
De acordo com o prefeito, 47 toneladas de lixo foram recolhidas na Missa de Abertura, em 23/07/13, na Festa de Acolhida do Papa dia 25 e na Via Sacra dia 26. Paes disse que na festa da passagem de ano, em Copacabana, a Companhia Municipal de Limpeza Urbana costuma recolher 300 toneladas de lixo. De acordo com o prefeito, os fiéis têm mais consciência em relação a manter o local dos eventos limpo.
"Isso mostra o espírito de civilidade, o grau de cidadania e de fé dessas pessoas", disse o prefeito, que, apesar das dificuldades de transportes com ônibus e metrô e da exclusão do Campus Fidei (Campo da Fé) da programação, avalia positivamente a JMJ. "Não são muitas as cidades do mundo que têm a condição de receber essa quantidade de peregrinos. Eu diria que o evento é um sucesso. O papa trouxe uma mensagem e um simbolismo que conquistou os cariocas e os cidadãos da região metropolitana".
Católico, o prefeito foi enfático ao elogiar o evento. "Estamos tendo o evento mais bonito da história desta cidade. É emocionante ver os peregrinos. É uma invasão do bem".
Para comentar as manifestações que desde 25/07/13 ocorrem também em Copacabana, o prefeito pegou o celular e citou a declaração dada pelo papa Francisco mais cedo. "Entre a indiferença egoísta e os protestos violentos sempre há uma opção possível: o diálogo, o diálogo entre as gerações, o diálogo entre o povo e todos somos povo, a capacidade de dar e receber, permanecendo abertos à verdade. Um país cresce quando suas diversas riquezas culturais dialogam de maneira construtiva", disse. "Manifestações são algo normal em um país democrático, e graças a Deus o papa está em um país democrático. O papa pode dizer o que pensa e os manifestantes também. Mas a grande manifestação é a dos peregrinos e das pessoas cristãs ou não que estão indo a Copacabana". (agenciabrasil)

JMJ deixa menos lixo em Copacabana III

JMJ deixa menos lixo em Copacabana do que Réveillon III
Segundo empresa de limpeza urbana, foram retiradas cerca de 17 toneladas de lixo após a missa, na qual entre 400 mil e 500 mil pessoas compareceram.
Paes reclamou também, em voz baixa, do secretário de Transportes, Carlos Osório, por conta de dados apresentados sobre a troca de kit de peregrinos por tickets do metrô para acessar as missas do papa, em Copacabana, dias 25 e 26/07/13.
Nessa casa tem goteira
São Pedro não vem dando trégua à JMJ e a chuva que cai no Rio de Janeiro nos últimos dias já mostra reflexos no centro de mídia montado para o evento.
Goteiras surgiram nesta quarta-feira em corredores do centro de imprensa, localizado no Forte de Copacabana, e nesta noite funcionários tiveram que usar rodos para eliminar as poças d'água que já se formavam no local. Também trabalhavam para secar o chão molhado e instalar placas alertando para o perigo do chão molhado.
Na véspera, o vento e o frio foram os problemas enfrentados pelos jornalistas que vieram de todo o mundo cobrir a visita do papa ao Brasil.
As autoridades torcem para o tempo melhorar e não atrapalhar o restante do evento, incluindo a missa campal que será celebrada pelo papa Francisco no domingo.
Em Guaratiba, o Campus Fidei, onde seria realizada essa missa, se transformou num lamaçal com a chuva dos últimos dias. (exame)

JMJ deixa menos lixo em Copacabana II

JMJ deixa menos lixo em Copacabana do que Réveillon II
Segundo empresa de limpeza urbana, foram retiradas cerca de 17 toneladas de lixo após a missa, na qual entre 400 mil e 500 mil pessoas compareceram.
Os tickets não estão disponíveis em toda a malha do metrô e voluntários sugeriam que os interessados se dirigissem a outra estação, mas se contradiziam quanto aos pontos, indicando, por exemplo, a estação Botafogo, onde não há mais a venda dos bilhetes.
Em 23/07/13, o metrô carioca já havia passado por problemas, ficando duas horas sem funcionar justamente na hora de maior movimento, o que dificultou a chegada de fiéis à missa de abertura da JMJ.
Paes irritado
Os problemas da cidade, principalmente no sistema de logística de transporte durante a JMJ, parecem estar deixando o prefeito Eduardo Paes (PMDB) incomodado.
O costumeiro bom humor do prefeito tem ficado de lado em suas aparições durante o evento e nem mesmo seus auxiliares mais próximos têm conseguido escapar da irritação.
Paes reclamou de assessores que não o teriam orientado devidamente sobre o caminho da sala de espera onde ele ficaria antes da entrevista coletiva no centro de imprensa da jornada.
Durante a apresentação do esquema de trânsito na cidade, o prefeito fez comentários sobre os números pouco esclarecedores apresentados pela presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio, Cláudia Secin. (exame)

JMJ deixa menos lixo em Copacabana I

JMJ deixa menos lixo em Copacabana do que Réveillon I
Segundo empresa de limpeza urbana, foram retiradas cerca de 17 toneladas de lixo após a missa, na qual entre 400 mil e 500 mil pessoas compareceram.
Peregrinos na praia de Copacabana para comemorar o Dia Mundial da Juventude, que marcou a abertura da Jornada Mundial da Juventude.
A quantidade de lixo recolhida pela companhia de limpeza urbana do Rio de Janeiro (Comlurb) na praia de Copacabana após a missa oficial de abertura da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em 23/07/13 foi bem menor do que é geralmente retirado após grandes eventos na areia da praia.
Segundo a empresa, foram retiradas cerca de 17 toneladas de lixo de Copacabana após a missa, na qual entre 400 mil e 500 mil pessoas compareceram.
No último Réveillon, por exemplo, foram recolhidos 300 toneladas. Cerca de 2 milhões de pessoas estiveram na festa de fim de ano na praia na virada de 2012 para 2013.
A consciência ambiental dos peregrinos chamou a atenção dos garis da Comlurb. Em vez de lixo espalhado, garrafas, latas e restos de oferendas, o que se viu após a missa foram resíduos acondicionados em sua maioria em sacos plásticos.
"Isso facilitou o nosso trabalho da Comlurb... Per capita, foi menos de 50 gramas por pessoa", disse o secretário municipal de Conservação, Marcus Belchior.
Filas no Metrô
A estação Carioca do metrô do Rio de Janeiro estava lotada de peregrinos na tarde de 24/07/13. Eles faziam uma enorme fila para obter o bilhete especial do metrô, necessário para passageiros que embarcaram a partir do meio-dia de 25 e 26/07, independentemente de seu trajeto.
Foi decretado feriado na cidade nesses dois dias devido aos eventos do papa Francisco na Jornada Mundial da Juventude (JMJ). (exame)


JMJ no caminho da Sustentabilidade

Jornada Mundial da Juventude no caminho da Sustentabilidade
Com apoio dos projetos Estrada Sustentável e Bioplanet, geradores do palco onde esteve o Papa serão movidos a Biodiesel.
Estações de geradores de energia da Poliservice na JMJ no Rio de Janeiro (RJ) foram abastecidas com Biodiesel. O biocombustível produzido a partir de óleo de cozinha usado em Copacabana e que seriam no Campo da Fé, em Guaratiba. Os geradores integraram a infraestrutura do local onde será realizada a missa do Papa Francisco, durante a Jornada Mundial da Juventude. A utilização de biodiesel no evento é fruto de uma parceria entre os projetos Estrada Sustentável e Bioplanet.
De acordo com Gilberto Pinheiro, responsável pela área de Sustentabilidade e Meio Ambiente da CCR NovaDutra, uma das empresas patrocinadora do projeto Estrada Sustentável, além de representar uma significativa economia no uso de recursos naturais, o reaproveitamento de resíduos antes descartados evitaram que o óleo de cozinha usado fosse despejado na natureza.
“Se fosse descartado de forma inadequada, cada litro de óleo de cozinha usado pode contaminar 12.000 litros de água”, informa Pinheiro. “A parceria processou o equivalente a 5.000 litros de óleo de cozinha usado, ou seja, a ação evitou a contaminação de 60 milhões de litros de água”.
Para otimizar a utilização do combustível, o biodiesel puro foi misturado ao diesel mineral para a geração de uma nova mistura, o  B20 - composto por 20% de biodiesel e 80% de diesel -. Como resultado prático, 30 mil litros de combustível B20 foram utilizados para o abastecimento dos geradores na JMJ.
A produção do Biodiesel foi no Arranjo Produtivo Local do Bioplanet no Polo Industrial de Sustentabilidade, localizado na Zona Norte da Cidade do Rio de Janeiro, que recebeu a visita de peregrinos e autoridades durante a JMJ.
A presidente do Conselho da Biotechnos, organização proponente do Bioplanet, Márcia Werle, destacou que, conforme estudos da USP - Universidade de São Paulo, a utilização do B20 permitiu uma redução de até 60% nas emissões de gases de efeito estufa pelos geradores. “Isso significa redução de 12,6 toneladas de carbono equivalente (CO2e), com base nas análises da Empresa de Pesquisa Energética (EPE)”, conclui.
O projeto Estrada Sustentável
O Estrada Sustentável tem por objetivo transformar o sistema da Via Dutra em referência de desenvolvimento sustentável, por meio de iniciativas que incentivem a preservação do meio ambiente, o desenvolvimento de práticas sustentáveis e a multiplicação de ações de inclusão e promoção social. O projeto trabalha na construção de relações colaborativas que engajem poderes públicos, iniciativa privada, setor acadêmico, terceiro setor e comunidades.
O projeto Estrada Sustentável tem o patrocínio CCR NovaDutra, na categoria ouro e da Ecofrotas e Porto Seguro, na categoria bronze. O projeto tem parceria técnica institucional da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Frente Nacional de Prefeitos (FNP), Fundação Dom Cabral (FDC), Corredor Ecológico, Instituto Eco Solidário, Bioplanet, e apoio da NTC & Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística) e Abrelpe, e da consultoria EY.
Bioplanet
O Bioplanet é uma iniciativa de sustentabilidade, legado e promoção do Brasil, através da constituição de APL's para a produção de Biodiesel a partir de Óleos e Gorduras Residuais (OGR) - óleo de cozinha usado - com a inclusão produtiva de Catadores de materiais recicláveis e a educação ambiental de crianças e jovens. Uma iniciativa desenvolvida pela Biotechnos Projetos Autossustentáveis, que conta com inúmeros parceiros nacionalmente e no Rio de Janeiro é gestado pela ONG ECCOVIDA. (abcr.org.br)

sábado, 27 de julho de 2013

Hidrelétricas e a conservação de Florestas Tropicais

Abastecimento de energia advindo de Projetos Hidrelétricos depende da conservação de Florestas Tropicais
Uma pesquisa publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, mostra que a conservação das florestas da Bacia do Rio Amazonas aumentará a quantidade de eletricidade gerada por projetos hidrelétricos na região. O estudo é o primeiro a quantificar o impacto da cobertura florestal regional sobre a produção de energia elétrica. Seus resultados revelam que as florestas tropicais são mais cruciais do que se imaginava no processo de formação de chuvas que impulsionam os fluxos fluviais, e que por fim produzem energia em áreas tropicais. A pesquisa mostra que, se o desmatamento continuar aumentando na Amazônia, as projeções de energia para uma das maiores usinas hidrelétricas do mundo – a Belo Monte, no Brasil – diminuirão em um terço.
“Nosso estudo mostra que os grandes avanços alcançados pelo Brasil no sentido de reduzir o desmatamento da Amazônia estão de fato ajudando a garantir o abastecimento de energia no país”, diz Claudia Stickler, a autora principal do estudo, e cientista do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia – Programa Internacional (IPAM-IP). “Mas esses esforços devem continuar lado a lado com a conservação no âmbito regional.”
A potencial perda de capacidade de produção devido ao desmatamento regional pode vir a dificultar os esforços brasileiros para suprir a lacuna pendente de energia elétrica no país. Mais especificamente, o estudo mostra que se o desmatamento não for controlado na Amazônia, a energia fornecida pela hidrelétrica de Belo Monte no Brasil – projetada para ser a terceira maior hidrelétrica do mundo – será reduzida em 30% abaixo das estimativas atuais do setor, um total equivalente ao consumo de energia de quatro milhões de brasileiros.
“Estes resultados são extremamente importantes para o planejamento energético em longo prazo”, explica um dos autores do estudo, o climatologista Marcos Costa da Universidade Federal de Viçosa no Brasil. “Estamos investindo bilhões de dólares em usinas hidrelétricas em todo o mundo. Quanto mais florestas em pé, mais água teremos nos rios, e mais energia elétrica poderemos gerar a partir desses projetos.”
Combinando suas especialidades em hidrologia, ecologia, ciência do uso da terra, climatologia e economia, os pesquisadores modelaram a produção de energia em diferentes níveis de desmatamento na Bacia do Rio Amazonas. Os cenários com mais florestas também produziram mais energia. Com os níveis atuais de desmatamento na região, os resultados mostram que a precipitação é cerca de 6 a 7% abaixo do que seria caso houvesse uma cobertura florestal total. E com a perda de 40% de florestas tropicais antecipadas por alguns até 2050, a precipitação seria entre 11 e 15% mais baixa, resultando assim em 35 a 40% menos energia.
Expansão hidrelétrica em florestas tropicais mundiais
“Temos agora fortes evidências de que a capacidade brasileira de gerar eletricidade depende da conservação das florestas”, diz o coautor Daniel Nepstad, Diretor Executivo do IPAM-IP “Esses resultados não são importantes apenas para o Brasil – a cobertura florestal pode afetar a produção de energia em áreas tropicais úmidas em toda a Amazônia, assim como na África e Sudeste da Ásia”
Áreas com florestas tropicais tendem a ter grandes quantidades de chuva, tornando-as locais privilegiados para projetos hidrelétricos que se aproveitam dos altos fluxos fluviais para gerar eletricidade. O Banco Mundial estima que a energia hidrelétrica não explorada nestas áreas é quase quatro vezes maior do que a capacidade já estabelecida na Europa e América do Norte – e grande parte deste potencial se encontra no coração das florestas tropicais.
“O Brasil, Peru, Colômbia, Congo, Vietnã e Malásia estão se voltando para a ‘energia verde’ produzida por hidrelétricas para atender as demandas de suas economias em crescimento”, diz Nepstad.
Embora não sejam livres de controvérsias, as hidrelétricas em geral produzem menos gases de efeito estufa do que muitas outras fontes de energia. Devido a alta tecnologia e capacidade de armazenamento, elas também são consideradas mais confiáveis e viáveis do que projetos de energia solar e energia eólica em grande escala. Somente no Brasil estão previstas mais de 45 novas usinas, e a previsão é que a usina de Belo Monte forneça 40% do crescimento na produção de eletricidade brasileira até 2019.
Integrando os efeitos de cobertura florestal em estimativas de energia e planejamento do uso da terra
O novo estudo destaca a necessidade de que os planejadores de energia hidrelétrica levem em consideração a cobertura florestal regional ao calcular o potencial de fornecimento de energia do projeto.
“O problema é que os projetistas de usinas normalmente ignoram os efeitos do desmatamento futuro. Ou, quando isso é levado em consideração, eles presumem que o desmatamento vai aumentar a quantidade de água que flui para as represas “, explica Stickler. “Quando nós incorporamos os efeitos do desmatamento no âmbito regional, nossos resultados mostraram exatamente o contrário.”
Os cientistas pedem que os responsáveis pelo planejamento de projetos de energia considerem estes resultados – e o impacto das mudanças na cobertura florestal – ao analisarem a viabilidade de projetos hidrelétricos. Eles também pedem que os tomadores de decisões políticas prestem atenção aos custos de energia associados aos esforços de desenvolvimento como a derrubada de florestas para construção de novas estradas e fazendas. E em contrapartida, que sejam considerados os benefícios energéticos gerados através de programas de apoio a agricultores e pecuaristas a fim de se reduzir o desmatamento.
“Nos últimos anos, o Brasil progrediu muito na luta contra o desmatamento, alcançando a diminuição das taxas de desflorestamento em 24% comparadas a média histórica”, diz Nepstad. “Mas estes números estão começando a subir de novo, e isso deveria gerar a preocupação de todos. Acabar com o desmatamento deve ser visto também como uma questão nacional de segurança energética”.
“Nós mostramos que as políticas que maximizam a conservação também maximizam a geração de energia. Isso não é algo apenas conceitual, temos números que comprovam isto”, acrescenta Costa. “Esta descoberta me dá esperança. O desenvolvimento sustentável não é apenas possível, mas alcançável. ”(EcoDebate)

Remanescentes Florestais da Mata Atlântica

Divulgados novos dados de Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica
A Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgaram os novos dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, no período de 2011 a 2012. O estudo aponta total de supressão de vegetação nativa de 23.548 hectares (ha), ou 235 Km². Destes, 21.977 ha correspondem a desflorestamentos, 1.554 ha a supressão de vegetação de restinga e 17 ha a supressão de vegetação de mangue. Na comparação dos 10 Estados avaliados em todos os períodos (BA, ES, GO, MG, MS, PR, RJ, RS, SC e SP) o aumento foi de 29% em relação ao período anterior (2010-2011) e de 23% em relação aos três últimos anos (2008-2011).
A taxa anual de desmatamento é a maior desde 2008. No período 2008 a 2010, a taxa média anual foi de 15.183 hectares. No levantamento de 2010 a 2011, a taxa anual ficou em 14.090 ha.
Os dados foram apresentados em 04/06 por Marcia Hirota, diretora de Gestão do Conhecimento e coordenadora do Atlas pela SOS Mata Atlântica; Flávio Jorge Ponzoni, pesquisador e coordenador técnico do estudo pelo INPE; e Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da Fundação.
O levantamento apresenta, pela primeira vez, os remanescentes florestais do Piauí, que totalizam 34% da área original no Estado protegida pelo Mapa da Área da Aplicação da Lei da Mata Atlântica (11428/2006).
Flávio Jorge Ponzoni, do INPE, ressalta a importância de conseguir mapear toda a extensão da Mata Atlântica. Ele destaca ainda que esta nova edição do estudo apresenta a versão preliminar do Mapa do Bioma Mata Atlântica, que inclui as áreas naturais como campos, várzeas, refúgios, cordões de restinga e dunas, o que difere das versões anteriores que apenas mapeavam os remanescentes florestais.
Para Mario Mantovani, o levantamento é importante para monitorar os impactos das mudanças decorrentes das alterações no Código Florestal, aprovadas há um ano. “Graças ao Atlas a Mata Atlântica é o único bioma com uma lei específica. E as informações qualificadas e geradas periodicamente pelo estudo darão suporte para o acompanhamento do cumprimento do Código e a execução do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do Programa de Regularização Ambiental (PRA)“, enfatiza.
Com a inclusão do Piauí no levantamento e mapeamento de toda a área de aplicação da Lei da Mata Atlântica, a área original que resta do bioma é de 8,5% – a Mata Atlântica é o bioma mais ameaçado do Brasil. Até o levantamento anterior, sem o Piauí, esse dado era de 7,9%. Se forem considerados todos os pequenos fragmentos de floresta natural acima de 3 hectares, o índice chega a 12,5%.
Por causa da cobertura de nuvens, que prejudicam a captação de imagens via satélite, foram avaliados 81% da área total do bioma Mata Atlântica que, de acordo com a lei, possui 1.309.736 km2.
Faça download de imagens das áreas monitoradas, em alta resolução, em: http://www.sosma.org.br/link/atlas2011-12  - (Créditos para SOS Mata Atlântica/INPE) - Ranking do desmatamento
Minas Gerais, Bahia, Piauí e Paraná são os Estados com situação mais crítica. Minas é o campeão do desmatamento pela quarta vez consecutiva, sendo responsável pela metade da destruição da Mata Atlântica no período analisado, com total de 10.752 hectares do bioma perdidos – o aumento na taxa de desmate no Estado foi de 70% comparado com o período anterior.
Em segundo lugar no ranking, a Bahia perdeu 4.516 hectares de floresta nativa. O Piauí, monitorado pela primeira vez, perdeu 2.658 hectares e já ficou com o terceiro lugar no ranking.
O Paraná, além de ser o quarto no ranking, com 2.011 hectares perdidos no período, é um destaque negativo por ter sido observado um aumento de 50% na taxa de desmatamento do Estado. Já os destaques positivos são Espírito Santo e Mato Grosso do Sul, que tiveram redução de desmatamento de 93% e 92% respectivamente.
Pernambuco foi o único Estado que perdeu área de manguezal: 17 hectares. Os manguezais funcionam como berçários marinhos e são áreas muito importantes para atividades como a pesca. Na Mata Atlântica, o total de vegetação de mangue corresponde a 224.954 ha, sendo que Bahia (61.478 ha), Paraná (33.422 ha), São Paulo (24.891 ha) e Sergipe (22.959 ha) são os Estados que possuem as maiores extensões.
Já o maior desmatamento na vegetação de restinga (observada ao longo do litoral) aconteceu em São João da Barra (RJ), com 937 hectares, para implantação do Superporto do Açu. O município foi também o campeão de desmatamento no período.
Nessa região, porém, foi criado o Parque Estadual da Lagoa do Açu, em Campos dos Goitacazes e São João da Barra, com total de 8.252 ha, e a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Fazenda Caruara, em São João da Barra, com 3.844 ha.
A vegetação de restinga na Mata Atlântica equivale a 570.690 ha. São Paulo possui a maior extensão (206.308 ha), seguido do Paraná (100.335 ha) e Santa Catarina (77.336 ha). Além do Rio de Janeiro, também foi observada a supressão de restinga na Bahia (32 ha), no Ceará (319 ha), em Santa Catarina (257 ha) e em Sergipe (10 ha).
Agora, os municípios com maior porcentagem de vegetação nativa estão no Piauí: Tamboril do Piauí e Guaribas mantêm 96% da área original de Mata Atlântica. Guaribas também é o município com a maior área de vegetação nativa: 176.794 hectares.
A tabela a seguir indica os desflorestamentos/decrementos (dec.), em hectares, somente das florestas nativas (sem contar mangue e restinga), observados nos períodos de 2012, 2011-2012 e os comparativos com os desmatamentos observados em 2011 e 2010-2011.
CE, PB, RN não foram avaliados devido à cobertura de nuvens.
Histórico
Nos últimos 27 anos, a Mata Atlântica perdeu 1.826.949 hectares, ou 18.269 km2 – o equivalente à área de 12 cidades de São Paulo.
Confira o total de desflorestamento na Mata Atlântica identificados pelo estudo em cada período:
Período - 1985-1990: 536.480 ha
Período - 1990-1995: 500.317 ha
Período - 1995-2000: 445.952 ha
Período - 2000-2005: 174.828 ha
Período - 2005-2008: 102.938 ha
Período - 2008-2010: 30.366 ha
Período - 2010-2011: 14.090 ha
Período - 2011-2012: 21.977 ha
Abaixo, gráfico do histórico do desmatamento e média exponencial desde 1985:
Mapa da Área da Aplicação da Lei n° 11.428
Desde sua quinta edição, de 2005-2008, o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica considera os limites do bioma Mata Atlântica tendo como base o Mapa da Área da Aplicação da Lei nº 11.428, de 2006. A utilização dos novos limites para os biomas brasileiros implicou na mudança da área total, da área de cada Estado, do total de municípios e da porcentagem de Mata Atlântica e de remanescentes em cada uma destas localidades.
A Mata Atlântica está distribuída ao longo da costa atlântica do país, atingindo áreas da Argentina e do Paraguai nas regiões Sudeste e Sul. De acordo com o Mapa da Área de Aplicação da Lei nº 11.428, a Mata Atlântica abrangia originalmente 1.309.736 km2 no território brasileiro. Seus limites originais contemplavam áreas em 17 Estados: PI, CE, RN, PE, PB, SE, AL, BA, ES, MG, GO, RJ, MS, SP, PR, SC e RS.
Hoje são apenas 8,5% (11.189.009 ha) de remanescentes mais preservados em áreas acima de 100 hectares. Considerando todos os pequenos fragmentos de floresta natural acima de 3 hectares, o índice chega a 12,5% (16.373.946 hectares).
O Atlas
O Atlas dos Remanescentes Florestais e Ecossistemas Associados do Bioma Mata Atlântica, desenvolvido pela Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE, órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, representa um grande subsídio para a compreensão da situação em que se encontra a Mata Atlântica.
O primeiro mapeamento, publicado em 1990, com a participação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), teve o mérito de ser um trabalho inédito sobre a área original e a distribuição espacial dos remanescentes florestais da Mata Atlântica e tornou-se referência para pesquisa científica e para o movimento ambientalista. Foi desenvolvido em escala 1:1.000.000.
Em 1991, a SOS Mata Atlântica e o INPE deram início a um mapeamento em escala 1:250.000, analisando a ação humana sobre os remanescentes florestais e nas vegetações de mangue e de restinga entre 1985 a 1990. Publicado em 1992/93, o trabalho avaliou a situação da Mata Atlântica em dez Estados: Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que apresentavam a maior concentração de áreas preservadas. Os Estados do Nordeste não puderam ser avaliados pela dificuldade de obtenção de imagens de satélite sem cobertura de nuvens.
Um novo lançamento ocorreu em 1998, desta vez cobrindo o período de 1990-1995, com a digitalização dos limites das fisionomias vegetais da Mata Atlântica e de algumas Unidades de Conservação federais e estaduais, elaborada em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA).
Entre o período de 1995-2000, fez-se uso de imagens TM/Landsat 5 ou ETM+/Landsat 7 em formato digital, analisadas diretamente em tela de computador, permitindo a ampliação da escala de mapeamento para 1:50.000 e, consequentemente, a redução da área mínima mapeada para 10 ha. No levantamento anterior, foram avaliadas as áreas acima de 25 hectares. Os resultados revelaram novamente a situação da Mata Atlântica em 10 dos 17 Estados: a totalidade das áreas do bioma Mata Atlântica de Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul; e áreas parciais da Bahia.
Em 2004, a SOS Mata Atlântica e o INPE lançaram o Atlas dos Municípios da Mata Atlântica, de forma a fornecer instrumentos para o conhecimento, o monitoramento e o controle para atuação local. A partir desse estudo, cada cidadão pode ter fácil acesso aos mapas e atuar em favor da proteção e conservação deste conjunto de ecossistemas. O desenvolvimento da ferramenta de publicação dos mapas na internet foi realizado pela ArcPlan, utilizando tecnologia do MapServer (Universidade de Minnesota), com acesso nos portais www.sosma.org.br e www.dsr.inpe.br.
Ao final de 2004, as duas organizações iniciaram a atualização dos dados para o período de 2000 a 2005. Esta edição também foi marcada por aprimoramentos metodológicos e novamente foram revistos os critérios de mapeamento, dentre os quais se destaca a adoção do aplicativo ArcGis 9.0, que permitiu a visualização rápida e simplificada do território de cada Estado contido no bioma. Isto facilitou e deu maior segurança nos trabalhos de revisão e de articulação da interpretação entre os limites das cartas topográficas.
A quarta edição do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica apresentou dados atualizados em 13 Estados abrangidos pelo bioma (PE, AL, SE, BA, GO, MS, MG, ES, RJ, SP, PR, SC, RS). Um relatório mostrou a metodologia e os resultados quantitativos da situação dos remanescentes da Mata Atlântica desses Estados e os desflorestamentos ocorridos no período de 2000-2005. Essa fase manteve a escala 1:50.000, e passou a identificar áreas acima de três hectares e o relatório técnico, bem como as estatísticas e os mapas, imagens, fotos de campo, arquivos em formato vetorial e dados dos remanescentes florestais, por município, Estado, Unidade de Conservação, bacia hidrográfica e corredor de biodiversidade.
Em 2008, foram divulgados os números atualizados a partir de análises da 4ª edição do Atlas, incluindo os Estados de Bahia, Minas Gerais, Alagoas, Pernambuco e Sergipe que, somados ao mapeamento dos Estados de Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, gerados pela ONG Sociedade Nordestina de Ecologia, totalizam 16 dos 17 Estados onde o bioma ocorre, ou 98% de Mata Atlântica.
Em 2009, o Atlas trouxe os números do desmatamento com dados atualizados, até maio de 2009, em 10 Estados abrangidos pelo bioma (BA, GO, MS, MG, ES, RJ, SP, PR, SC, RS). Essa edição apresentou a metodologia e os resultados quantitativos da situação dos remanescentes da Mata Atlântica ocorridos nessas regiões no período de 2005-2008.
Em 2010, a quinta edição do estudo trouxe dados atualizados de 9 Estados abrangidos pelo bioma: GO, MS, MG, ES, RJ, SP, PR, SC, RS. O documento apresentou, sinteticamente, a metodologia atual, os mapas e as estatísticas globais e por Estado. O mapeamento utilizou imagens do satélite Landsat 5 que leva a bordo o sensor Thematic Mapper.
No levantamento de 2011 foi apresentado o estudo mais abrangente sobre os remanescentes da Mata Atlântica, com a situação de 16 dos 17 Estados, no período de 2008 a 2010.
Em 2012, a sétima edição do estudo trouxe dados atualizados de dez Estados abrangidos pelo bioma: BA, GO, MS, MG, ES, RJ, SP, PR, SC, RS. O documento apresentou, sinteticamente, a metodologia atual, os mapas e as estatísticas globais, por Estado e municípios.
A versão atual do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica abrange todos os 17 estados (AL, BA, CE, ES, PI, GO, MS, MG, RJ, SP, PB, PE, PR, SC, SE, RN, RS). O Piauí foi incluído pela primeira vez após a realização do trabalho de campo para identificação dos remanescentes florestais e o lançamento da carta 1:1.000.000 de Vegetação da Folha SC.23 – Rio São Francisco. Volume 36 da Série Levantamento de Recursos Naturais – RADAMBRASIL pelo IBGE, confirmando a ocorrência da Floresta Estacional Decidual.
Os dados dos Estados do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, gerados pela Sociedade Nordestina de Ecologia (SNE), anos base 2000 e 2004 e de Pernambuco, Alagoas e Sergipe, que têm como ano base 2005, foram atualizados para este período, na medida da obtenção das imagens com qualidade e baixa cobertura de nuvens.
Esta edição marca também a inclusão de novas classes que serão monitoradas pelo Atlas, tais como Campos de Altitude Naturais, Refúgios Vegetacionais, Áreas de Várzea e Dunas, que são formações naturais não florestais, mas essenciais para manutenção do ambiente natural e biodiversidade em suas áreas de ocorrência. Os levantamentos estão em curso e um mapa preliminar do Bioma Mata Atlântica já foi elaborado e apresentado nesta edição.
Os dados completos e relatório técnico podem ser acessados nos sites www.sosma.org.br e www.inpe.br ou diretamente no servidor de mapas http://mapas.sosma.org.br. (EcoDebate)

Boto-vermelho em extinção na Amazônia em 20 anos

Boto-vermelho corre risco de ser extinto em até 20 anos no Amazonas
Boto-vermelho corre risco de ser extinto em até 20 anos no Amazonas
Boto-vermelho (Inia geoffrensis)
Mais de 26 espécies estão ameaçadas de extinção no Amazonas (AM). Entre os casos mais grave está o do boto-vermelho.
As principais causas desse cenário são o desmatamento, a caça ilegal e o tráfico de animais, segundo o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas. (EcoDebate)

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Fim da extrema pobreza até 2030?

Em setembro de 2000 os chefes de 147 governos prometeram que iriam reduzir pela metade a proporção de pessoas na Terra vivendo na mais terrível pobreza até 2015 (usando a taxa de pobreza, em 1990, de US$ 1,25 ao dia, como uma linha de base). Esta foi a primeira das oito metas de uma lista de metas chamadas de “Objetivos de Desenvolvimento do Milênio” (ODM). Muitos desses objetivos, tais como a redução da mortalidade materna em três quartos e da mortalidade infantil em dois terços, não foram ainda atingidas. Mas a meta de reduzir para metade a extrema pobreza foi realizada. De fato, com os dados atuais, foi conseguido cinco anos mais cedo do que o previsto.
Em 1990, 43% da população dos países em desenvolvimento viviam em situação de pobreza extrema e o número absoluto era de 1,9 bilhões de pessoas. Em 2000, a proporção caiu para um terço. Em 2010, a pobreza extrema foi de 21%, ou 1,2 bilhões de pessoas. A taxa de pobreza global, em termos relativos, foi cortada pela metade em 20 anos.
Agora, um grupo de alto nível da ONU liderado por Grã-Bretanha, Indonésia e Libéria propôs que as Nações Unidas (ONU) estabeleça o objetivo de erradicar a pobreza extrema no mundo até 2030. Segundo reportagem do G1, o relatório, entregue ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, propõe uma “nova aliança mundial para erradicar a pobreza e transformar as economias, por meio do desenvolvimento sustentável” como metas pós-2015.
O premiê britânico, David Cameron disse: “Esse relatório estabelece um mapa claro para erradicar a pobreza extrema até 2030. Precisamos de uma nova aliança mundial para terminar o trabalho dos atuais Objetivos de Desenvolvimento do Milênio”.
Atualmente o mundo discute a “CIPD além de 2014”, como avançar com os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODMs que vencem em 2015) e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), proposta da Rio + 20. Para tanto é preciso discutir a relação entre população e desenvolvimento sustentável e, sem dúvida, a erradicação da pobreza é um objetivo prioritário, assim como a equidade de gênero e a sustentabilidade ambiental.
A revista britânica The Economist, de maio de 2013, trouxe um estudo de Laurence Chandy, Natasha Ledlie e Veronika Penciakova – da Brookings Institution – com um olhar sobre a distribuição do consumo em países em desenvolvimento. Os autores mostram como ele mudou ao longo do tempo e como pode mudar no futuro. O estudo fornece uma projeção otimista. Se os países em desenvolvimento mantiverem seu desempenho pós-2000, o número de pessoas extremamente pobres em todo o mundo pode cair de 1,2 bilhão em 2010 para apenas 200 milhões em 2027.
Isso seria um feito notável, pois demorou 20 anos para se reduzir o número de pessoas absolutamente pobres de 1,9 bilhão em 1990 para 1,2 bilhão em 2010. A projeção citada mostra que haveria a retirada de um bilhão de pessoas da extrema pobreza em 17 anos. Desta forma, mesmo que a projeção da pobreza não fique em zero, o número de 200 milhões de pobres implicaria uma taxa de pouco mais de 3% da população dos países em desenvolvimento.
Na ausência de uma grande crise econômica internacional e de um agravamento dos problemas ambientais, um esforço adicional, conjugado com uma redução na desigualdade de renda, poderia erradicar a extrema pobreza até 2030.
Contudo, a crise do sul da Europa que se espalha para a Turquia, o Egito, a Síria, a República do Congo, o Brasil, etc. – conjugado com um agravamento dos problemas ambientais – pode inviabilizar o sonho do fim da extrema pobreza. (EcoDebate)

terça-feira, 23 de julho de 2013

Cientistas estudam o impacto do clima no oceano

Cientistas de oito países medem impacto das mudanças climáticas no oceano
Expedição partiu de Fortaleza com destino à Namíbia, na África. Pesquisadores analisam circulação das correntes marítimas entre os hemisférios e os reflexos disso no clima do planeta.
Pesquisadores de oito países buscam respostas para as alterações climáticas, com base em dados coletados no Atlântico Sul. Até 28 de julho, eles navegam do Brasil à Namíbia, para entender os reflexos do aquecimento global na dinâmica dos oceanos e as consequências para os continentes. A pesquisa envolve 24 cientistas e é comandada pelo Centro de Pesquisa Oceanográfica GEOMAR Helmholtz de Kiel, na Alemanha.
O navio oceanográfico Meteor M98 ficou atracado em Fortaleza, no Ceará, onde foi visitado por pesquisadores e estudantes no final de junho. Em seguida, ele partiu em direção a Walvis Bay, no continente africano. O objetivo da expedição é estudar a circulação marítima do Atlântico Sul, com foco nas correntes de contorno que passam ao norte do Brasil e ao sul de Angola.
O coordenador científico da expedição, Peter Brandt, explica que estas correntes são mais fortes do que o fluxo no interior do mar, tipicamente lento. “Elas são bons indicadores da mudança de circulação do oceano e da variabilidade climática. Quase todas as massas de água e calor que participam da troca inter-hemisférica passam ao longo da plataforma do Brasil, e isso torna a região especialmente interessante”, destaca Brandt.
Segundo o cientista, o Oceano Atlântico desempenha importante papel na troca de massas de água entre os hemisférios Norte e Sul. As massas de água quente formadas no Atlântico Sul são transportadas através do Equador para suprir as correntes da Flórida e do Atlântico Norte, que aquece a Europa.
Outro grupo de pesquisa que integra o cruzeiro se concentra no estudo da troca de diferentes gases, como dióxido de carbono (CO2) e óxido nitroso (N2O), entre o oceano e a atmosfera. Segundo Brandt, essa transferência possui “alguma relevância para a produtividade no oceano”.
Influências no clima
Enquanto atravessam o Atlântico Sul, os pesquisadores instalam sensores para registrar dados como temperatura, velocidade das correntes e salinidade da água. Os equipamentos devem coletar informações até maio de 2014, quando um novo cruzeiro irá retirar os sensores da água. Brandt acredita que devem ser feitos pelo menos outros cinco cruzeiros até 2016 – nos moldes de expedições realizadas entre 2000 e 2004.
Os dados que estão sendo coletados este ano serão comparados com as informações levantadas no passado. Desta forma, será possível estimar os impactos gerados e as possíveis consequências das mudanças climáticas para a vida marinha e o clima. “Poderemos também determinar quantidades de água doce e calor ao longo da rota, que são parâmetros importantes para determinar o clima tropical”, descreve o coordenador da equipe, no primeiro relatório da expedição.
De acordo com a projeção dos pesquisadores, a circulação das correntes marítimas entre os hemisférios pode diminuir por causa do aquecimento global, trazendo consequências para o continente europeu. Também pode atingir de forma semelhante – ou com maior impacto – a distribuição de água quente nos trópicos e gerar mudanças na incidência de vento e chuva nos países costeiros. (EcoDebate)

domingo, 21 de julho de 2013

Calcule a sua pegada de carbono

Quase toda atividade do dia a dia contribui para a emissão de gases com efeito estufa na atmosfera. Entre elas os principais vilões são o consumo de produtos importados e a produção de lixo.   As emissões de carbono de uma pessoa comum são relacionadas principalmente ao consumo de eletricidade e combustíveis, por isso, o transporte é um maiores geradores de pegada individual.   A pegada de carbono é uma medida da quantidade de dióxido de carbono (C02) e outros gases com efeito estufa (GEE) que uma pessoa ou atividade produzem. A calculadora abaixo fornece um valor aproximado da sua emissão de carbono referente ao deslocamento. O cálculo, no entanto, deixa de fora o carbono gerado por outras atividades, como alimentação e consumo.   A calculadora não trabalha com dados sobre o consumo e alimentação porque eles são menos exatos. Pouca gente sabe quantos litros de lixo produz por dia ou quantos produtos importados consome, por exemplo.   “As variáveis utilizadas são aquelas que podem ser calculadas com grande precisão pois os fatores de emissão de carbono são bem conhecidos na literatura científica”, explica Magno Castelo Branco, presidente da ONG Iniciativa Verde. “Há um consenso de que a queima de um litro de óleo diesel gera 2,68 kg de CO2 e o 1 KWh de eletricidade produzido no Brasil tem um fator de emissão publicado pelo governo brasileiro, que varia conforme o dia”, conta.   Algumas calculadoras de carbono incluem variáveis relacionadas ao estilo de vida, como o consumo de alimentos importados e o tipo de carne que a pessoa mais come. Essas variáveis são se grande impacto na pegada de carbono – ao trocar um filé de carne bovina por um filé de frango você emite cinco vezes menos carbono na atmosfera – mas acabam deixando o cálculo caseiro menos exato.uol.
Encontrados na web as seguintes calculadoras:
Calcule sua emissão anual de Gases de Efeito Estufa (CO2 equivalente), e a quantidade de árvores que deverá plantar a fim de compensar estas emissões.
CALCULE A EMISSÃO DE CO2
Utilize a ferramenta interativa do programa Carbono Neutro para calcular a emissão de CO2 em diversas situações: transporte, eletricidade, gás natural, etc. Você pode adicionar diversos parâmetros e descobrir a quantia de árvores correspondente ao CO2 emitido anualmente.
Pegada de carbono.com
http://www.maxambiental.com.br/carbononeutro_ferramenta/ (dalilabalekjian)

Pegada Ecológica e os países ricos

Pegada Ecológica: e se eliminarmos os países ricos?
A Terra é um Planeta finito. Isto significa que os seres vivos possuem um espaço comum e delimitado para a sobrevivência conjunta. O crescimento exponencial de uma espécie significa a redução do espaço para a vida de outras espécies. Da mesma forma, o crescimento ilimitado de cada país aumenta a demanda global por matérias-primas e commodities e contribui para o sobre uso dos recursos naturais. Ninguém vive sem demandar bens materiais dos ecossistemas.
A Pegada Ecológica é uma metodologia que mede o impacto humano sobre as áreas terrestres e aquáticas, consideradas biologicamente produtivas e necessárias à disponibilização de recursos ecológicos e serviços, como alimentos, fibras, madeira, terreno para construção e para a absorção do dióxido de carbono (CO2) emitido pela combustão de combustíveis fósseis etc. A Pegada Ecológica mede a quantidade de área biologicamente produtiva – zona de cultivo, pasto, floresta e pesca – disponível para responder às necessidades da humanidade.
Segundo o Relatório Planeta Vivo, da WWF, com dados de 2008, as atividade antrópicas já haviam ultrapassado a biocapacidade da Terra, que é de 12 bilhões de hectares globais (gha). A Pegada Ecológica da humanidade atingiu 2,7 gha por pessoa para um população de 6,7 bilhões de habitantes em 2007. Isto significa que a humanidade já estava utilizando 18 bilhões de gha, 50% a mais do que a capacidade de regeneração do Planeta.
Os países do mundo com maior pegada ecológica, em 2008, eram Emirados Árabes e Qatar, com mais de 10 gha por pessoa. Porém, como são países com baixo número de habitantes, o impacto global é relativamente pequeno. Já os Estados Unidos da América (EUA) tinham uma população de 305 milhões de habitantes e uma pegada de 7,2 gha por pessoa, em 2008. Isto quer dizer que o impacto global dos EUA foi de 2,2 bilhões de gha. O padrão de consumo destes 3 países não é generalizável para o resto do mundo.
A pegada ecológica per capita dos países de alta renda (desenvolvidos) foi de 5,6 gha, em 2008, para uma população de 1,037 bilhão de habitantes, o que representava uma pegada total de 5,768 gha. Eliminando-se a pegada total dos países ricos o déficit ecológico global diminuiria muito, mas mesmo assim haveria um déficit, ainda que menor, para o restante dos habitantes do mundo, com uma pegada ecológica total de 12,2 bilhões de gha. Portanto, mesmo eliminando-se os impactos negativos dos países ricos, o restante do mundo estaria vivendo acima da capacidade de suporte (biocapacidade) da Terra.
Ou seja, os 5,6 bilhões de habitantes dos países de renda baixa e de renda média (países em desenvolvimento), em 2008, tinham uma pegada ecológica total de 12,2 bilhões de hectares globais (gha), superior à capacidade de carga (biocapacidade) do Planeta. Desta forma, mesmo em uma situação hipotética em que os países ricos chegassem a zero em sua pegada ecológica, ainda assim o mundo estaria com problema ambiental e com uma Pegada Ecológica acima da Biocapacidade. E o pior é que os países do chamado “sul global” continuam com população em crescimento e com um modelo econômico que mimetiza o que tem de pior nos países desenvolvidos.
Portanto, mesmo eliminando os países ricos do cálculo da Pegada Ecológica mundial as atividades antrópicas do resto da população do globo continuam superiores à capacidade de regeneração da biosfera. Os cálculos acima não tiram as responsabilidades dos países desenvolvidos como os maiores poluidores do Planeta. Apenas mostram a real dimensão dos problemas causados pelos tamanhos do consumo e da população.
É compreensível que as populações dos países pobres aspirem níveis mais elevados de desenvolvimento e consumo. Mas reproduzir o modelo dos países ricos e poluidores seria um desastre total. Também é compreensível que os indignados do mundo lutem por melhores escolas, hospitais, transporte público, lazer, etc. Mas não é aceitável e nem viável se promover o desenvolvimento humano às custas do empobrecimento do Planeta e da biodiversidade. O consumo médio da população mundial já ultrapassou os níveis de sustentabilidade ambiental. Simplesmente distribuir a riqueza e o consumo humano não resolve os problemas ambientais globais.
Seguindo o princípio das “Responsabilidades comuns, mas diferenciadas” a ONU deveria cobrar dos países ricos suas dívidas pelos danos causados ao meio ambiente global. Mas, acima de tudo, seria preciso que toda a comunidade internacional se engaje na luta pela mudança do atual modelo marrom de desenvolvimento e de consumismo exacerbado. Só uma economia de baixo carbono, limpa, com baixo nível de consumo conspícuo, não poluidora, que respeite a biodiversidade e seja socialmente justa poderia mitigar os danos mais impactantes da degradação ambiental e o desastre do aquecimento global. (EcoDebate)

Com menos pegada de carbono

O Plano de Redução de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) da cidade de Belo Horizonte, que visa diminuir em 20% as emissões do município até 2030, entrou na fase de refinamento de suas propostas. Nos últimos meses, workshops e eventos foram realizados para colher a opinião da população e da academia. “Tivemos o cuidado para que o projeto representasse os anseios de todos”, afirma João Marcelo, sócio consultor da Waycarbon e um dos responsáveis pelo estudo. A iniciativa está sendo desenvolvida no âmbito do Comitê Municipal sobre Mudanças Climáticas e Ecoeficiência (CMMCE), ligada à Secretaria Municipal de Meio Ambiente da capital mineira.
O destaque do plano, que começou a ser elaborado na segunda metade do ano passado, é o setor de transporte. Do total de 44 propostas, 22 são referentes ao segmento. “A gasolina, utilizada pelos automóveis, é a principal responsável pela emissão de GEE em Belo Horizonte”, explica Marcelo. O consultor afirma que 71% das emissões da cidade têm como origem o setor de transportes – 19% vêm das edificações e 10% de tratamento de resíduos e esgotos. O cenário é causado pelo aumento do preço do álcool e pela preferência pela utilização do transporte individual motorizado. Por isso, o plano privilegia o incentivo ao transporte coletivo. “Há estudos para desonerar o transporte público e para obras de infraestrutura, por exemplo.”
Além do setor de transporte, o Plano de Redução de Emissões conta com propostas divididas em outros três eixos principais: energia, saneamento e adaptação. “O objetivo é desenvolver ações em cada uma dessas vertentes”, afirma o consultor.
No setor de edificações, o destaque fica para medidas que visam melhorar a iluminação, maior eficiência no uso de energia e a troca de combustíveis. Em relação ao saneamento, espera-se aumentar a reciclagem, diversificar as opções de tratamento de resíduos e o aproveitamento energético das emissões provenientes de aterros. Quanto às medidas de adaptação, uma sugestão é a utilização de pavimentos permeáveis e de coloração clara. “O plano procura se articular com outras ações já em andamento, como o plano de mobilidade urbana e o de mapeamento de vulnerabilidades”, diz Marcelo.
A elaboração do Plano começou após a finalização da atualização do inventário de emissões de Belo Horizonte. “O inventário antigo observava os anos de 2000 a 2007, a versão atualizada foi estendida até 2010”, diz Marcelo. Vale ressaltar que Belo Horizonte é uma das poucas cidades do País a ter um Plano de Redução de GEE. As propostas que estão sendo refinadas agora serão apresentadas ao Comitê de Mudanças Climáticas e, se aprovadas, apresentadas ao Governo, que decidirá quais ações serão priorizadas para implantação. (ambienteenergia)

sexta-feira, 19 de julho de 2013

A distribuição geográfica da riqueza mundial

O relatório sobre a riqueza global, em 2012, do banco Credit Suisse (The Credit Suisse Global Wealth Report 2012) traz um quadro bastante amplo e esclarecedor da distribuição geográfica da riqueza (patrimônio) das pessoas adultas do mundo. A riqueza global foi estimada em USD$ 223 trilhões em 2012 (meados do ano). Como havia 4,59 bilhões de pessoas adultas no mundo, a riqueza per capita por adulto foi de USD$ 49.000,00 (quarenta e nove mil dólares).
As regiões com riqueza superior a USD$ 100 mil são América do Norte (Estados Unidos com patrimônio médio de USD$ 262 mil e Canadá com USD$ 228 mil), Europa Ocidental (menos Portugal e Grécia), sendo França com patrimônio médio de USD$ 265 mil e Reino Unido com USD$ 250 mil, Oceania (Austrália e Nova Zelândia), Japão (com patrimônio médio de USD$ 270 mil) e Singapura (com USD$ 258 mil, além de diversos países do Oriente Médio. Os três países no topo da riqueza, em 2012, são Suíça (com patrimônio médio de USD$ 470 mil), Austrália (com USD$ 350 mil) e Noruega (com USD$ 33O mil).
Entre os países com patrimônio médio entre USD$ 25 mil a USD$ 100 mil se destacam México, Chile, Uruguai, Portugal, Turquia, Arábia Saudita, Malásia, Coreia do Sul, etc. Nenhum país africano atinge esta faixa de riqueza.
Entre os países com patrimônio médio entre USD$ 5 mil a USD$ 25 mil se destacam Brasil (com USD$ 24.600), China (com USD$ 20.452), Rússia (com USD$ 12.161), além de Argentina, Peru, África do Sul, Egito, Argélia, Indonésia, etc.
Já os países com patrimônio médio abaixo de USD$ 5 mil estão predominantemente no hemisfério sul ou do chamado “sul global”. Dentre eles estão Índia (com USD$ 4.250), Paquistão, Bangladesh, além de Bolívia e a maioria dos países africanos ao sul do Saara. As desigualdades na distribuição geográfica da riqueza ficam claro no mapa mundi contemporâneo.
Contudo, a maioria dos países muito ricos (exceto Áustria, Nova Zelândia, Canadá, Suécia, Noruega) possuem alto déficit ambiental, pois possuem pegada ecológica per capita bem superior à biocapacidade per capita. A continuidade da riqueza destes países depende do superávit ambiental de alguns países como Brasil, Rússia, Argentina, República Democrática do Congo, etc.
A situação mais grave é a dos países pobres e com déficit ecológico, tais como Paquistão, Filipinas, Sri Lanka, Haiti, Yemen, Uganda, Ruanda, Quênia, Senegal, Nigéria, etc. Para complicar, estes países de baixa renda e com problemas ambientais ainda possuem altas taxas de crescimento demográfico e uma estrutura etária jovem. Isto significa maiores problemas sociais e ambientais.
Na pirâmide da riqueza humana 8,1% da população mais rica concentrava 82,4% da riqueza mundial, em 2008, enquanto 69,3% da população da base da pirâmide era proprietária de apenas 3,3% do patrimônio mundial. Em termos de riqueza, o mapa mundi está divido em países ricos (minoria da população) e países pobres (maioria da população). Em termos ambientais, também existem países ricos e pobres, mas a degradação ambiental está avançando em ambos, inclusive nos países ricos de patrimônio material.
Redistribuir a riqueza humana pode ser uma solução social. Mas recuperar a capacidade regenerativa da Terra e a riqueza natural da biodiversidade é um imperativo moral e econômico. Não é sustentável e viável construir uma civilização humana rica sobre uma Terra transformada em um grande aterro sanitário e sobre um território transformado em terra arrasada. (EcoDebate)