quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Hidrelétricas impuseram redução a UCs

Ainda que a redução da Floresta Nacional do Jamanxim se limite aos 220 mil hectares admitidos nas negociações pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), esse número será maior do que os ajustes feitos em áreas de proteção pela presidente Dilma Rousseff, sob fortes críticas de ambientalistas.
Em janeiro, Dilma editou uma medida provisória que alterou o tamanho de sete unidades de conservação. O corte abriu caminho para as futuras hidrelétricas do Rio Tapajós.
As hidrelétricas do Rio Madeira, em Rondônia, também entraram na lista de justificativas para os ajustes, ao lado da regularização fundiária em algumas unidades. Essa redução totalizou 146,6 mil hectares, o equivalente a quase o tamanho da cidade de São Paulo.
As usinas do Rio Tapajós consumiram 57 mil hectares (570 km²) da área de cinco unidades de uso sustentável. Não houve a criação de outras áreas para compensar essa redução - mais significativa na Floresta Nacional de Itaituba 2, também no Pará, que perdeu 7% de seu território.
Compensação. De acordo com os cálculos do ICMBio, a ampliação das áreas dos parques nacionais da Amazônia e dos Campos Amazônicos teria compensado, com folga, a redução de unidades de conservação de proteção integral determinada pela medida provisória.
A Área de Proteção Ambiental (APA) Tapajós foi uma das unidades criadas, junto com a Floresta Nacional do Jamanxim, para conter o avanço da fronteira agrícola de Mato Grosso para o sul do Pará, pressionada pelo asfaltamento da BR-163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA).
Sob ataque no Congresso. A redução do território de unidades de conservação é objeto de várias propostas que tramitam no Congresso Nacional. Em abril, havia mais de uma dezena de projetos com esse objetivo sendo debatida por deputados e senadores. Um deles, apresentado em 2008 pelo deputado Zequinha Marinho (PSC-PA), simplesmente torna sem efeito a criação da Floresta Nacional do Jamanxim. (OESP)

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

SP exige fornecimento de sacola biodegradável

Justiça de SP exige fornecimento gratuito de sacola biodegradável
A sentença vale desde 16/09/12 em todo o Estado
Sacolas plásticas biodegradáveis devem ser distribuídas gratuitamente desde 16/09/12
O impasse sobre a obrigatoriedade ou não dos supermercados de São Paulo oferecerem sacolas biodegradáveis gratuitamente ao consumidor parece longe de chegar ao fim. A Justiça paulista voltou a determinar o fornecimento gratuito de sacolas biodegradáveis aos consumidores desde ontem em todo Estado. A sentença foi decidida pela 2.ª Vara da Fazenda Pública do Fórum de Guarulhos (SP). Ainda cabe recurso.
A ação foi movida pelo Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (Idecon) contra a Associação Paulista de Supermercados (Apas) e o governo do Estado de São Paulo. Segundo o Idecon, o pedido estava centrado na distribuição gratuita de sacolas comuns, mas o juiz Rafael Tocantins Maltez decidiu incluir em seu despacho as do tipo biodegradável.
Na ação, o Idecon destacou questões envolvendo a saúde pública, o prejuízo econômico e a violação dos direitos do consumidor. "Antes, todas as outras decisões sobre esse tema eram provisórias. Agora se trata de uma sentença de mérito. Para nós, pouco importa se elas serão biodegradáveis ou não", diz o diretor-presidente do Idecon, Reginaldo Araújo Sena. Em nota, a Apas afirma que os supermercados paulistas manterão a distribuição gratuita de sacolas plásticas - mesmo tendo uma decisão judicial permitindo a cobrança a partir de 16/09/12.
No comunicado da Apas, não há menção expressa ao tipo de sacolas que deve ser distribuído, apenas que a associação buscará "chegar a um acordo equilibrado, que concilie a preservação ambiental e a qualidade de vida nas cidades". De acordo com o coordenador executivo do Instituto para o Desenvolvimento, Meio Ambiente e Paz, Rubens Harry Born, a decisão permite a compatibilidade entre os direitos do consumidor e a preservação do meio ambiente.
Outra entidade de defesa do consumidor, a SOS Consumidor, também havia entrado com ações similares contra os supermercados. No entanto, no momento, a SOS Consumidor negocia com a Apas a questão. "Enviamos uma minuta, na qual sugerimos que as redes continuem com a gratuidade e concedam descontos para aqueles clientes que tragam as suas próprias sacolas", diz o advogado da entidade, Arthur Luiz Mendonça.
De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), o prazo para apelação vale a partir desta quinta-feira. A Apas tem até 15 dias para recorrer, e a Fazenda Pública do Estado de São Paulo, 30.
Em setembro, a 1.ª Vara Cível do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo havia aceitado recurso do Walmart e cassado a liminar obtida no fim de junho pela associação civil SOS Consumidor, que obrigava a distribuição gratuita das sacolas.
O despacho determinava que as sacolas fossem vendidas pelo preço máximo de R$ 0,59 até abril de 2013 e não tivessem logomarca ou propaganda de nenhuma espécie. O entendimento do desembargador Torres de Carvalho é de que a cobrança pelas sacolas não implica em ônus excessivo ao consumidor. "Não é de interesse dos supermercados vender sacola para ter lucro com isso", afirma o advogado Alfredo Zucca, especialista em direito do consumidor que defendeu o Walmart no caso. "Essencialmente, é uma questão de política de meio ambiente. É o fim de um hábito que só existe em países subdesenvolvidos. A implantação da medida é incômoda como foram, por exemplo, a introdução do cinto de segurança e a Lei Cidade Limpa." (globo)

Supermercados manterão distribuição de sacolas

SP: supermercados dizem que vão manter distribuição de sacolinhas
Supermercados paulistas prometem continuar mantendo a distribuição gratuita das sacolas plásticas
Por determinação da Justiça, a partir de 16/09/12 os supermercados de São Paulo não são mais obrigados a fornecer sacolas descartáveis gratuitas aos seus clientes. Apesar disso, a Associação Paulista de Supermercados (Apas), que defende o fim das sacolinhas, informou que os supermercados paulistas vão continuar mantendo a distribuição gratuita das sacolas plásticas.
Segundo a Apas, a distribuição das sacolas nos supermercados de São Paulo deve continuar até que se chegue "a um acordo equilibrado" nas negociações que envolvem a associação, o Ministério Público e a S.O.S Consumidor, associação de defesa do consumidor. "O objetivo é permitir que se possa chegar a um acordo equilibrado, que concilie a preservação ambiental e a melhoria da qualidade de vida nas cidades com uma mudança gradual para hábitos mais sustentáveis de uso das sacolas plásticas", diz a nota da Apas.
De acordo com a decisão da Justiça, do dia 8 de agosto deste ano, os supermercados paulistas não serão mais obrigados a fornecer as sacolas plásticas gratuitamente, e o consumidor poderá desembolsar até R$ 0,59 (por unidade) por sacolas reutilizáveis ou embalagens equivalentes. Por determinação do desembargador Torres de Carvalho, do Tribunal de Justiça de São Paulo, essas sacolas não poderão trazer logomarcas ou propagandas. A medida deve ser cumprida até 15 de setembro do próximo ano.
O vai e vem da distribuição das sacolas gratuitas nos supermercados de São Paulo começou em 25 de janeiro, quando foi suspenso o fornecimento das embalagens plásticas. Pouco depois, no dia 3 de fevereiro, a Apas assinou um termo de ajustamento de conduta (TAC) com o PROCON e o Ministério Público Estadual para a retomada da distribuição por 60 dias e a cobrança das sacolinhas após esse período.
Em junho, o Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) decidiu não homologar o TAC que estabelecia o fim da distribuição gratuita de sacolas plásticas nos supermercados do estado. Também em junho, a S.O.S Consumidor entrou na Justiça para garantir a distribuição gratuita das sacolas e a juíza Cynthia Torres Cristófaro, da 1ª Vara Cível Central da capital paulista, determinou que os supermercados retomassem o fornecimento gratuito de embalagens adequadas e em quantidades suficientes para que os consumidores pudessem transportar as compras. Em agosto, em decisão de segunda instância, o desembargador Torres de Carvalho determinou que as sacolas fossem distribuídas só até dia 15/09/12.
A Agência Brasil procurou a assessoria de imprensa do Grupo Pão de Açúcar, que informou que a rede não está se manifestando sobre o assunto e que aguardará o posicionamento da Apas. O Walmart também foi procurado, mas até a publicação desta matéria não respondeu ao que foi perguntado. Já o Carrefour manifestou que atenderá à recomendação feita pela Apas de continuar distribuindo as sacolinhas.
De acordo com a Fundação PROCON-SP, a questão das sacolinhas está regulada pela decisão de segunda instância, que determina o fornecimento gratuito até o dia 15 de setembro deste ano. Para o PROCON, os supermercados devem cumprir a decisão. "Eventual descumprimento dessas determinações, quando denunciado pelo consumidor ou constatado pelas equipes do PROCON, será remetido para a Justiça", informou o órgão. (terra)

Fornecimento de sacola biodegradável

Justiça de SP exige fornecimento de sacola biodegradável
A Justiça paulista determinou o fornecimento gratuito de sacolas biodegradáveis aos consumidores que frequentam supermercados. A sentença, decidida pela 2.ª Vara da Fazenda Pública do Fórum de Guarulhos (SP), passou a valer desde ontem em todo o Estado. Ainda cabe recurso.
A ação foi movida pelo Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (Idecon) contra a Associação Paulista de Supermercados (Apas) e o governo do Estado de São Paulo. Segundo o Idecon, o pedido estava centrado na distribuição gratuita de sacolas comuns, mas o juiz Rafael Tocantins Maltez decidiu incluir em seu despacho as do tipo biodegradável.
Na ação, o Idecon destacou questões envolvendo a saúde pública, o prejuízo econômico e a violação dos direitos do consumidor. "Antes, todas as outras decisões sobre esse tema eram provisórias. Agora se trata de uma sentença de mérito. Para nós, pouco importa se elas serão biodegradáveis ou não", diz o diretor-presidente do Idecon, Reginaldo Araújo Sena. Em nota, a Apas afirma que os supermercados paulistas manterão a distribuição gratuita de sacolas plásticas - mesmo tendo uma decisão judicial permitindo a cobrança a partir de 16/09/12.
No comunicado da Apas, não há menção expressa ao tipo de sacolas que deve ser distribuído, apenas que a associação buscará "chegar a um acordo equilibrado, que concilie a preservação ambiental e a qualidade de vida nas cidades". O jornal O Estado de S. Paulo, no entanto, verificou, em reportagem publicada em agosto, que a maioria das redes já oferecia sacolas de plástico biodegradável aos clientes. De acordo com o coordenador executivo do Instituto para o Desenvolvimento, Meio Ambiente e Paz, Rubens Harry Born, a decisão permite a compatibilidade entre os direitos do consumidor e a preservação do meio ambiente.
Outra entidade de defesa do consumidor, a SOS Consumidor, também havia entrado com ações similares contra os supermercados. No entanto, no momento, a SOS Consumidor negocia com a Apas a questão. "Enviamos uma minuta, na qual sugerimos que as redes continuem com a gratuidade e concedam descontos para aqueles clientes que tragam as suas próprias sacolas", diz o advogado da entidade, Arthur Luiz Mendonça.
De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), o prazo para apelação vale a partir de 13/09/12. A Apas tem até 15 dias para recorrer, e a Fazenda Pública do Estado de São Paulo, 30. (OESP)

Plástico biodegradável de açúcar de cana

Plástico biodegradável de açúcar de cana está pronto para escala industrial
Polímero é produzido em escala piloto no interior de São Paulo. PHB Industrial aposta em parceria com a indústria petroquímica para levar o produto ao mercado
Há mais de dez anos, a empresa PHB Industrial produz em escala piloto o Biocycle, um plástico biodegradável feito com açúcar de cana. Apesar de dominar a tecnologia para fabricar diversos produtos com o polímero e para tornar seu custo competitivo quando comparado ao do plástico convencional, a empresa ainda não conseguiu elevar sua produção a uma escala industrial.
Para Roberto Nonato, engenheiro de desenvolvimento da PHB Industrial, o caminho mais curto para levar o Biocycle ao mercado seria uma parceria com a indústria petroquímica. “Temos tentado isso há alguns anos, mas o pessoal do petróleo não costuma conversar com o pessoal do açúcar”, disse durante sua apresentação no workshop “Produção Sustentável de Biopolímeros e Outros Produtos de Base Biológica”, realizado na sede da FAPESP.
A história do Biocycle começou no início dos anos 1990, época em que a Cooperativa dos Produtores de Cana, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Copersucar) procurava outros produtos que pudessem ser fabricados em uma usina de açúcar que não fossem commodities.
Por meio de uma parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e com o Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP), a Copersucar conseguiu produzir o polihidroxibutirato (PHB) – um polímero da família dos polihidroxialcanoatos (PHA) com características físicas e mecânicas semelhantes às de resinas sintéticas como o polipropileno – usando apenas açúcar fermentado por bactérias naturais do gênero alcalígeno.
Em 1994, uma planta piloto foi instalada na Usina da Pedra, em Ribeirão Preto. Em 2000, foi criada a PHB Industrial e a tecnologia passou a pertencer ao Grupo Pedra Agroindustrial, de Serrana, e ao Grupo Balbo, de Sertãozinho.
Com apoio da FAPESP por meio do Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) e auxílio de pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFScar), a empresa desenvolveu a tecnologia de produção dos pellets – pequenas pastilhas cilíndricas feitas com uma mistura de PHB e fibras naturais –, matéria-prima usada pela indústria transformadora para produzir utensílios de plástico.
“Inicialmente, nos preocupamos apenas em desenvolver o PHB e achávamos que a indústria transformadora faria o resto, mas, quando você chega com uma resina nova ao mercado, ninguém sabe como processar. Percebemos que era preciso ir além”, disse Nonato à Agência FAPESP.
A técnica de misturar PHB com fibras vegetais trouxe outra vantagem: a redução do custo. Enquanto o quilo do polipropileno custa em torno de US$ 2, o quilo do PHB sai por volta de US$ 5. “Se você mistura com pó de madeira, por exemplo, barateia o produto e dá a ele características especiais que podem ser interessantes”, explicou o engenheiro.
Diversas aplicações
O PHB é um material duro que pode ser usado na fabricação de peças injetadas e termoformadas, como tampas de frascos, canetas, brinquedos e potes de alimentos ou de cosméticos. Também pode ser aplicado na extrusão de chapas e de fibras para atender a indústria automobilística. Serve ainda para a produção de espumas que substituem o isopor.
“Desenvolvemos diversas aplicações para o polímero em cooperação com outras empresas. A indústria automobilística, por exemplo, nos procurou para testar o PHB e vimos que o polímero era viável na fabricação de peças para o interior dos carros. Mas, como ainda não temos condições de produzir em escala industrial, não conseguimos entrar no mercado”, disse Nonato.
Segundo Nonato, a empresa chegou a ter uma pequena produção industrial de painéis de trator. O produto era mais barato que o equivalente feito com plástico convencional e, ainda assim, o negócio não prosperou. “Era uma produção tão pequena para o padrão da indústria, acostumada a comprar centenas de toneladas, que acabaram desistindo por dificuldades operacionais”, disse.
Para ampliar a produção, a PHB Industrial teria de aumentar sua planta. Segundo Nonato, isso exigiria um investimento muito superior ao que uma usina de açúcar tem como meta. Seria preciso um parceiro.
Também precisaria de ajuda para dar suporte aos compradores. “É necessário ter uma equipe que vá a campo ensinar qual é a temperatura certa para processar o PHB, o tipo de forma, o tipo de rosca. O mercado é pulverizado e grande parte dele está na Europa. Somente as grandes petroquímicas teriam condições de dar esse suporte”, disse.
Enquanto no Brasil o mercado para o PHB é restrito a nichos interessados em fabricar produtos com apelo ecológico a um preço mais elevado, na Europa a busca por produtos biodegradáveis é grande, segundo Nonato. “Na Europa, a agricultura hidropônica é forte e a legislação ambiental é rígida. Usa-se muito material biodegradável em estufas”, contou.
Com o PHB, é possível fabricar braçadeiras para plantas ou tubetes para reflorestamento e depois encaminhar o resíduo plástico para estações de compostagem, onde ele é rapidamente absorvido pela natureza.
Enquanto os plásticos tradicionais levam mais de cem anos para se degradar, os produtos feitos com PHB se decompõem em torno de 12 meses e liberam apenas água e dióxido de carbono.
Além da agricultura, o material pode ser usado na fabricação de embalagens para alimentos, cosméticos e outros produtos oleosos que são de difícil reciclagem. “O mercado existe e nosso produto está pronto. O que falta é um canal para chegar ao mercado e um pouco mais de investimento”, disse. (EcoDebate)

Bioplásticos e a cadeia produtiva do etanol

Cientistas querem associar fabricação de bioplásticos à cadeia produtiva do etanol
Em workshop na FAPESP, pesquisadores procuram interação com a indústria a fim de viabilizar nova alternativa para uso do bagaço de cana: a fabricação de um plástico biodegradável produzido por bactérias a partir de matéria orgânica.
Com a expressiva produção brasileira de etanol, torna-se cada vez mais importante desenvolver novas alternativas de utilização para os subprodutos e resíduos da cana-de-açúcar. Uma das possibilidades consiste em associar à cadeia produtiva do etanol a fabricação de polihidroxialcanoato (PHA), um plástico biodegradável que pode ser produzido por bactérias a partir do bagaço da planta.
Esse foi um dos temas discutidos nesta quarta-feira (25/07), primeiro dia do workshop “Produção Sustentável de Biopolímeros e Outros Produtos de Base Biológica” (Sustainable Production of Biopolymers and Other Biobased Products), realizado na sede da FAPESP. O objetivo do evento de dois dias é reunir a comunidade acadêmica e empresarial para discutir o desenvolvimento de produtos de base biológica no contexto do uso de recursos não renováveis pela sociedade.
O workshop faz parte das atividades do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) e tem apoio do Programa Ibero-Americano de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento (CYTED), iniciativa intergovernamental de cooperação entre 19 países da América Latina, Espanha e Portugal e do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP).
De acordo com a organizadora do evento, Luiziana Ferreira da Silva, professora do ICB-USP, o Brasil acumula 20 anos de pesquisas sobre o PHA, com bons resultados e uma série de patentes. Uma tecnologia desenvolvida pelo ICB-USP, pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e pela antiga Cooperativa dos Produtores de Cana, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Copersucar) já foi transferida para uma empresa em São Paulo.
Segundo Silva, o PHA é um material sintetizado por certas bactérias a partir de material orgânico. Uma vez extraído das bactérias, gera um polímero que pode ser moldado da mesma forma que os plásticos de origem petroquímica, com a vantagem de ser biodegradável.
“Isso permite que se obtenha material com propriedades plásticas ou elastoméricas usando uma bactéria e um material renovável pela agricultura, como a cana-de-açúcar, a soja, ou resíduos. Por ser um plástico biodegradável feito a partir de matéria-prima renovável, o produto adquire interesse ambiental na totalidade de sua produção e aplicação”, disse Silva à Agência FAPESP.
Além de serem materiais biodegradáveis, os bioplásticos PHA podem também ser biocompatíveis, isto é, podem ser aplicados sem rejeição no organismo de pessoas e animais. “É uma alternativa interessante para os plásticos de origem petroquímica. Para ter uma ideia da gama de aplicações, basta olhar à nossa volta e contar o número de objetos de plástico que nos cerca”, disse Silva.
O PHA pode ser utilizado para fabricação de filmes plásticos biodegradáveis, por exemplo. “Um grande volume de absorventes e fraldas são revestidos por filmes plásticos. O descarte desses materiais é um problema ambiental grave. Se tivermos um polímero biodegradável que possa substituir o filme utilizado neles, estaremos contribuindo para manter a qualidade do meio ambiente”, explicou Silva.
Outro exemplo de aplicação é a fabricação de microcápsulas biocompatíveis contendo medicamentos, ou hormônios, ou a produção de implantes para liberação controlada de fármacos. “Os PHA podem ser usados também para fazer pinos ortopédicos que são degradados pelo nosso organismo e não precisam ser retirados depois da recuperação da lesão”, afirmou.
Embora o BIOEN tenha foco em biocombustíveis, os estudos sobre PHA e outros biopolímeros e produtos de base biológica se encaixam na vertente do programa voltada para “Biorrefinarias e Alcoolquímica”.
“O bagaço da cana-de açúcar pode ser usado para produzir energia a partir da combustão, ou para produzir o chamado etanol celulósico. Mas esse etanol não é produzido pela mesma levedura que produz o etanol de primeira geração”, disse Silva.
Quando o bagaço é “quebrado”, há uma mistura de açúcares. A levedura que usa a glicose para fazer etanol não usa a xilose. Ainda que o bagaço seja quebrado e inserido na fermentação, para que a levedura produza o etanol ela utilizará só a glicose, mas não a xilose.
“No BIOEN, vários pesquisadores estudam como fazer para que a levedura que produz etanol utilize também a xilose, aproveitando o bagaço. No entanto, outros produtos de base biológica podem ser produzidos a partir da xilose”, disse Silva.
Com a produção de PHA, os cientistas querem oferecer uma alternativa para o uso do bagaço. “Se ninguém conseguir que a levedura use a xilose para fazer etanol, teremos alternativas, como fazer bioplásticos. Nossa ideia é que seria possível implantar biorrefinarias, que seriam usinas de álcool associadas a pequenas empresas que produzam bioplástico, ou outro produto que use a xilose”, destacou.
Interação com empresas
De acordo com a professora do ICB-USP, da perspectiva da pesquisa científica, para chegar nesse estágio, será preciso continuar estudando, por exemplo, a modificação de bactérias para que elas produzam diferentes tipos de bioplásticos. Mas, além do ponto de vista estritamente científico, para que se chegue a um processo sustentável será preciso agregar profissionais de outras áreas e aprofundar a interação com o setor industrial.
“Um dos gargalos consiste em controlar a composição dos bioplásticos. Mas não podemos trabalhar apenas na bancada do laboratório, sem contato com o setor produtivo. Por isso trouxemos empresas para o workshop. Para que os processos sejam aplicáveis em larga escala, temos que interagir com elas e levantar problemas como a questão de biossegurança, das propriedades do plástico e da sustentabilidade”, disse Silva.
“Precisamos nos associar às empresas para entender quais são suas demandas e trabalhar em conjunto. Não é da nossa competência fazer análise econômica, ampliação de escala, análise do mercado, por exemplo,” disse.
Ao mesmo tempo em que buscam ampliar a interação com as empresas, os cientistas procuram usar todas as ferramentas disponíveis para desenvolver bons microrganismos produtores de polímeros. Segundo Silva, os estudos incluem o silamento de novos microrganismos, a produção de novos mutantes, a realização de metagenômica, de engenharia metabólica e de engenharia sintética, por exemplo.
“Temos que testar tudo o que for possível para termos diferentes polímeros, com diferentes composições, resultando em diferentes propriedades, que possibilitam amplas aplicações. Estamos fazendo todos os esforços possíveis – científicos e industriais – para atingir um nível de polímeros biodegradáveis alternativos e sustentáveis”, afirmou. (EcoDebate)

sábado, 15 de setembro de 2012

ONU quer garantir controle da temperatura global

ONU quer garantir que temperatura global não se eleve mais que 2°C
As negociações climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU) devem continuar pressionando por atitudes mais ambiciosas para garantir que o aquecimento global não ultrapasse os 2 graus, disse um negociador da União Europeia nesta semana, um mês depois de os EUA terem sido acusados de apresentar um retrocesso na meta.
Quase 200 países concordaram em 2010 em limitar o aumento das temperaturas para abaixo de 2 graus Celsius, acima da era pré-industrial para evitar os impactos perigos da mudança climática, como enchentes, secas e elevação do nível das marés.
Para desacelerar o ritmo do aquecimento global, as conversações climáticas da ONU na África do Sul concordaram em desenvolver um acordo climático legalmente vinculante até 2015, que poderia entrar em vigor no máximo até 2020.
Entretanto, especialistas advertem que a chance de limitar o aumento da temperatura global para menos de 2 graus está ficando cada vez menor, à medida que aumenta a emissão dos gases de efeito estufa por causa da queima de combustíveis fósseis.
“Está muito claro que devemos pressionar nas negociações de que a meta de 2 graus não é suficiente. A razão pela qual não estamos fazendo o bastante se deve à situação política em algumas partes do mundo”, disse Peter Betts, o diretor para mudança climática internacional da Grã-Bretanha e negociador sênior da UE, a um grupo de mudança climática no Parlamento britânico.
Na última semana, cientistas e diplomatas se reuniram em Bangcoc para a reunião da Convenção da ONU sobre Mudança Climática (UNFCCC, na sigla em inglês), a última antes do encontro anual que será realizado entre novembro e dezembro em Doha, no Qatar.
Flexibilidade nas metas – No mês passado, os EUA foram criticados por dizer que apoiavam uma abordagem mais flexível para um novo acordo climático – que não necessariamente manteria o limite de 2 graus -, mas depois acrescentaram que a flexibilidade daria ao mundo uma chance maior de chegar a um novo acordo.
Diversos países, incluindo alguns dos mais vulneráveis à mudança climática, dizem que o limite de 2 graus não é suficiente e que um limite de 1,5 graus seria mais seguro. As emissões do principal gás de efeito estufa, o dióxido de carbono, subiram 3,1% em 2011, em um recorde de alta. A China foi a maior emissora do mundo, seguida pelos EUA.
As negociações para a criação de um novo acordo global para o clima, nos mesmos moldes de Kyoto, já iniciaram. Na última conferência climática foi aprovada uma série de medidas que estabelece metas para países desenvolvidos e em desenvolvimento.
O documento denominado “Plataforma de Durban para Ação Aumentada” aponta uma série de medidas que deverão ser implementadas, mas na prática, não há medidas efetivas urgentes para conter em todo o planeta o aumento dos níveis de poluição nos próximos oito anos.
Obrigação para todos no futuro – Ele prevê a criação de um acordo global climático que vai compreender todos os países integrantes da UNFCCC e irá substituir o Protocolo de Kyoto. Será desenhado pelos países “um protocolo, outro instrumento legal ou um resultado acordado com força legal” para combater as mudanças climáticas.
Isso quer dizer que metas de redução de gases serão definidas para todas as nações, incluindo Estados Unidos e China, que não aceitavam qualquer tipo de negociação se uma das partes não fosse incluída nas obrigações de redução.
O delineamento deste novo plano começará a ser feito a partir das próximas negociações da ONU, o que inclui a COP 18, que vai acontecer em 2012 no Catar. O documento afirma que um grupo de trabalho será criado e que deve concluir o novo plano em 2015.
As medidas de contenção da poluição só deverão ser implementadas pelos países a partir de 2020, prazo estabelecido na Plataforma de Durban, e deverão levar em conta as recomendações do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), que será divulgado entre 2014 e 2015.
Em 2007, o organismo divulgou um documento que apontava para um aumento médio global das temperaturas entre 1,8ºC e 4,0ºC até 2100, com possibilidade de alta para 6,4º C se a população e a economia continuarem crescendo rapidamente e se for mantido o consumo intenso dos combustíveis fósseis.
Entretanto, a estimativa mais confiável fala em um aumento médio de 3ºC, assumindo que os níveis de dióxido de carbono se estabilizem em 45% acima da taxa atual. Aponta também, com mais de 90% de confiabilidade, que a maior parte do aumento de temperatura observado nos últimos 50 anos foi provocada por atividades humanas. (EcoDebate)

Consequências dos degelos no aquecimento global

Degelos no Ártico e na Groenlândia e as consequências do aquecimento global
O pior cego é o que não quer ver. Mas está ficando impossível ignorar as evidências, cada vez mais visíveis, do aquecimento global. De acordo com a National Oceanic and Atmospheric Administration o mês de julho de 2012 foi o mais quente dos últimos 100 anos nos Estados Unidos e a seca que atingiu o centro do país já provocou aumento do preço mundial dos alimentos. Segundo a NASA, o degelo na Groelândia chegou a 97%, neste verão de 2012 no hemisfério Norte. No Ártico o degelo bateu o recorde histórico, um mês antes do fim do verão. O derretimento do gêlo decorre de uma onda de calor, que difere das anteriores pela intensidade e pelos danos na camada de gelo. No semestre passado um iceberg de 119 quilômetros quadrados, duas vezes o tamanho de Manhattan, se descolou do glaciar de Petermann.
Não há certezas absolutas até que ponto o degelo tem sido resultado das mudanças climáticas, provocado pela emissão de gases de efeito estufa que geram o aquecimento global. Porém, os dados mostram que os efeitos deletérios do aumento da temperatura, pelo menos em parte, já estão provocando o derretimento das geleiras, além de espalhar secas catastróficas, queimadas, etc.
A redução da camada de gelo tem se acelerado desde os anos 1990 e muitos cientistas acreditam que o Ártico pode ficar sem gelo nos verões ainda neste século, possivelmente já na década de 2020. O climatologista do Centro Nacional de Ciências Atmosféricas da Universidade de Reading, Jonny Day, disse ao jornal The Guardian: “Desde os anos 1970, houve uma redução de 40% na extensão do gelo do Ártico”.
Há também o derretimento das geleiras do Himalaia, dos Andes, do Kilimanjaro e de outras cordilheiras do mundo. Isto tem provocado o aumento do nível dos oceanos e ameaçado os países insulares e as populações das regiões costeiras dos diversos continentes.
Evidentemente, existem dúvidas quanto deste aquecimento é devido à variabilidade natural e quanto é devido às atividades antrópicas. Mas os sinais já são suficientemente claros de que há algo de errado com o clima da Terra e também que há algo de errado com o modelo de produção e consumo que é hegemônico no mundo.
Segundo reportagem do jornal The Guardian, o professor Richard Muller, físico e ex-cético da mudança climática, que fundou o projeto Berkeley Earth Surface Temperature (Best), disse que ficou surpreso com as descobertas de que a temperatura média da superfície terrestre aumentou 1,5º ao longo dos últimos 250 anos, incluindo um aumento de 1 grau ao longo dos últimos 50 anos.
A equipe do projeto Best analisou o impacto da atividade solar no aquecimento global – uma teoria popular entre os céticos do clima – mas descobriu que, ao longo dos últimos 250 anos, a contribuição do sol foi “praticamente zero”. As erupções vulcânicas tiveram pequenos e curtos efeitos no aumento da temperatura no período 1750-1850, mas não afetaram quase nada o aquecimento global no século 20.
Segundo o professor Muller: “Embora a concentração de dióxido de carbono atmosférico não prove que cabalmente que o aquecimento global é causado por gases de efeito estufa derivado das atividades antrópicas, é atualmente a melhor explicação que encontrei”. Ele disse que as descobertas de sua equipe foram mais longe e mais fortes do que o último relatório publicado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
Portanto, não há com negar que a temperatura da Terra subiu quase 1º C. (um grau) nos últimos 50 anos. Se este ritmo continuar o cenários para o século XXI são os piores possíveis e a humanidade vai enfrentar os maiores desafios da sua história, além de colocar em risco a sobrevivência de inúmeras espécies. As populações litorâneas vão sofrer com a elevação do nível do mar e com os ecomigrantes e ecorefugiados do clima.
A divisão de população da ONU calcula que, nesta década de 2010 a 2020, estejam nascendo cerca de 136 milhões de crianças por ano e morrendo 60 milhões de pessoas por ano. Isto quer dizer que a população mundial cresce anualmente em 76 milhões de pessoas, representando uma taxa de 1,1% ao ano. O Fundo Monetário Internacional calcula que a economia mundial deva crescer em torno de 3,6% ao ano na atual década. Portanto, a população deve crescer mais de um bilhão de habitantes nos próximos 20 anos, enquanto a economia deve dobrar de tamanho. O impacto deste crescimento demo-econômico na pegada ecológica será enorme.
O uso dos combustíveis fósseis está por trás do sucesso do “progresso civilizatório”, pois possibilitou grande crescimento da economia e da população global nos últimos 200 anos. O mundo ainda é refém do petróleo e seus derivados. Porém, o preço desta dependência (que emite gases e aquece o Planeta) já pode ser visto no derretimento das geleiras e deverá ser pago nas próximas décadas, com o encarecimento do custo da energia e o aumento do preço dos alimentos.
Muito é preciso ser feito para mudar o atual padrão de produção e consumo e para a redução do impacto ecológico da humanidade, mas três tarefas globais urgentes são: proteger a biodiversidade, avançar na transição demográfica (da alta prole para taxas de fecundidade abaixo do nível de reposição) e garantir a transição da matriz energética (do uso intenso de combustíveis fósseis para fontes renováveis. limpas e de baixo carbono). O mundo precisa romper com o mito do crescimento à qualquer custo e buscar a estabilidade dentro de suas fronteiras planetárias. Sem dúvida, esfriar um pouco as expectativas de consumo pode contribuir para amenizar o clima de aquecimento provocado pelas atividades antrópicas. (EcoDebate)

Alerta para o rápido derretimento do Ártico

Cientistas alertam para o rápido derretimento do Ártico em 2012
Cor mais escura da água, após derretimento do gelo, faria mar absorver mais calor do Sol
Cientistas da Noruega estão alertando para o fato de que o gelo no Ártico está derretendo a uma velocidade maior do que a média.
Pesquisadores afirmam que o mar de gelo está ficando cada vez mais fino e vulnerável no norte do planeta. No mês passado, o derretimento deixou o gelo do Ártico no seu menor nível em mais de 30 anos, desde que começaram as medições via satélite.
Os cientistas acreditam que isso possa influenciar até mesmo o clima na Europa. O derretimento deve continuar por pelo menos mais uma semana, atingindo o seu auge na metade de setembro, quando as temperaturas ainda permanecem acima do ponto de congelamento.
O diretor do Instituto Polar Norueguês, Kim Holmen, disse à BBC que a velocidade do derretimento é maior do que o esperado.
“Isso é uma mudança maior do que nós imaginávamos há 20 anos, ou mesmo há dez anos”, diz Holmen.
O instituto está enviando um navio quebra-gelo para pesquisar as condições entre a Groenlândia e a ilha de Svalbard – a principal rota por onde passa o gelo que sai do Oceano Ártico.
Durante uma visita ao porto, um dos cientistas, Edmond Hansen, disse que estava “impressionado” com o tamanho e a velocidade do degelo.
“Como cientista, eu sei que isso é algo sem precedentes em pelo menos 1,5 mil anos. É realmente impressionante – é uma mudança enorme e dramática no sistema”, diz Hansen.
“Isso não é um fenômeno de curta duração – isso é uma tendência contínua. Você perde mais e mais gelo e está se acelerando – é só olhar os gráficos, as observações, e você pode ver o que está acontecendo.”
Gelo fino
Dados importantes são registrados não só pelos satélites como também por uma série de técnicas diferentes. Uma equipe foi enviada ao gelo para perfurar buracos e coletar dados que possam revelar a origem do gelo.
Desde os anos 1990, boias especiais ligadas ao leito do mar usam sonares que captam dados constantes sobre a superfície do gelo.
Um equipamento eletromagnético conhecido como EM-Bird é suspenso de um helicóptero, sobrevoando o gelo. O instrumento capta dados sobre a espessura da camada do gelo na superfície.
Os dados mais recentes ainda estão sendo analisados, mas o cientista Sebastian Gerland disse que já é possível perceber um padrão recorrente a cada ano.
“Na região onde trabalhamos, nós vemos uma tendência geral de gelo mais fino”, afirma.
Onde o gelo desaparece por completo, a superfície perde a sua coloração branca que reflete a radiação solar. A coloração escura absorve a radiação, aumentando ainda mais a temperatura.
Algumas previsões indicam que o Ártico pode não ter mais gelo nos verões de 2080. No entanto, alguns cientistas acreditam que isso possa acontecer ainda antes.
Ventos
Kim Holmen levanta a possibilidade de as mudanças climáticas afetarem o clima na Europa. Segundo ele, o trajeto e a velocidade do vento são determinados pela diferença de temperatura entre os trópicos e o Ártico.
Uma mudança climática no polo poderia provocar mudanças nos ventos que sopram pela Europa.
“Quando não houver gelo no Ártico, a região não será mais branca e absorverá mais luz do sol, e essa mudança poderá influenciar sistemas de ventos e onde a precipitação ocorre. No norte da Europa, isso pode significar precipitação maior, enquanto o sul da Europa pode se tornar mais seco”, afirma Holmen.
Essa opinião é compartilhada pelo Centro Europeu de Previsão do Tempo de Médio Alcance, entidade baseada em Reading, na Grã-Bretanha.
O diretor da entidade, Alan Thorpe, acredita que ainda é preciso evoluir na pesquisa sobre o impacto que as mudanças no Ártico terão no clima europeu. (EcoDebate)

Alerta para graves consequências de degelo

Cientistas alertam para graves consequências de degelo recorde no Ártico
Ártico perdeu mais gelo neste ano do que em qualquer outro período desde 1979
O Ártico perdeu mais gelo marinho neste ano do que em qualquer outro período desde que registros por satélite começaram a ser feitos, em 1979, segundo a NASA (a agência espacial americana).
Cientistas que calculam as perdas afirmam que isso é parte de uma mudança fundamental.
Além disso, o gelo marinho geralmente atinge seu ponto mais baixo em setembro, então acredita-se que o derretimento deste ano vá continuar.
Segundo a NASA, a extensão de gelo marinho caiu de 4,17 milhões de km² em 18 de setembro de 2007 para 4,10 milhões de km² em 26 de agosto de 2012.
A cobertura de gelo marinho aumenta durante o frio dos invernos no Ártico e encolhe quando as temperaturas voltam a subir. Mas, nas últimas três décadas, satélites observaram um declínio de 13% por década no período de verão.
A espessura do gelo marinho também vem diminuindo. Sendo assim, no total o volume de gelo caiu muito – apesar de as estimativas sobre os números reais variarem.
Joey Comiso, o principal pesquisador no Goddard Space Flight Center da NASA, disse que o recuo deste ano foi causado pelo fato do calor de anos anteriores ter reduzido o gelo perene – que é mais resistente ao derretimento.
“Diferentemente de 2007, as temperaturas altas no Ártico neste verão não foram fora do comum. Mas nós estamos perdendo o componente espesso da cobertura de gelo”, disse Comiso.
“Assim, o gelo no verão fica muito vulnerável.”
‘Morte inevitável’
Segundo Walt Meier, do National Snow and Ice Data Center, que colabora nas medições da cobertura de gelo, “no contexto do que aconteceu nos últimos anos e ao longo dos registros de satélite, isso é um indicativo de que a cobertura de gelo marinho do Ártico está mudando fundamentalmente”.
O professor Peter Wadhams, da Universidade de Cambridge, disse à BBC que “diversos cientistas que trabalham com medição de gelo marinho previram alguns anos atrás que o recuo iria se acelerar e que o verão Ártico se tornaria livre de gelo em 2015 ou 2016”.
A previsão, na época considerada alarmista, agora está se tornando realidade, diz ele. E o gelo ficou tão fino que irá inevitavelmente desaparecer.
“Medições de submarinos mostraram que (a região) perdeu pelo menos 40% de sua espessura desde os anos 1980. Isso significa uma inevitável morte para a cobertura de gelo, porque o recuo de verão é agora acelerado pelo fato de que enormes áreas de água aberta permitem que tempestades gerem grandes ondas, as quais quebram o gelo restante e aceleram seu derretimento”, afirmou.
“As implicações são graves: a maior área de água aberta reduz o albedo médio (refletividade) do planeta, acelerando o aquecimento global; e nós também estamos vendo a água aberta causar derretimento do permafrost (solo composto por terra, gelo e rochas congelados), liberando grandes quantidades de metano, um poderoso gás causador do efeito estufa”, disse.
Ameaças e oportunidades
“As implicações são graves: a maior área de água aberta reduz o albedo médio (refletividade) do planeta, acelerando o aquecimento global; e nós também estamos vendo a água aberta causar derretimento do permafrost (solo composto por terra, gelo e rochas congelados), liberando grandes quantidades de metano, um poderoso gás causador do efeito estufa” -Prof. Peter Wadhams, da Universidade de Cambridge
As opiniões variam sobre a data da morte do gelo marinho de verão, mas as notícias mais recentes causam pessimismo.
Um recente estudo da Universidade de Reading, na Grã-Bretanha, usou técnicas estatísticas e computadores para estimar que entre 5% e 30% da perda recente de gelo se deve à Oscilação Multidecadal do Atlântico – um ciclo natural do clima que se repete a cada 65 a 80 anos. Está em uma fase quente desde meados dos anos 1970.
Mas o restante do aquecimento estima o estudo, é causado pela atividade humana – poluição e desmatamento de florestas.
Se o gelo continuar a desaparecer no verão, haverá oportunidades, assim como ameaças.
Alguns navios já estão economizando tempo ao navegar por uma rota antes intransitável ao norte da Rússia.
Companhias de petróleo, gás e mineração estão brigando para explorar o Ártico – apesar de sofrerem forte oposição de ambientalistas. O Greenpeace tem protestado contra exploração pela gigante russa Gazprom.
Entre as muitas ameaças, o aquecimento é ruim para a vida selvagem do Ártico. Graças à influência do gelo marinho nas correntes de jato, as mudanças podem afetar o clima na Grã-Bretanha.
As mudanças – caso ocorram – poderiam abrir depósitos congelados de metano que iriam aquecer ainda mais o planeta.
Oceanos mais quentes podem levar a um maior derretimento da cobertura de gelo da Groenlândia, o que contribuiria para a elevação do nível do mar e para mudanças na salinidade do mar, que por sua vez poderiam alterar as correntes oceânicas que ajudam a controlar nosso clima. (EcoDebate)

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Desmatamento amazônico afeta outros países

Desmatamento da Amazônia afeta chuvas em países distantes
A importância das florestas para a continuidade ciclo da água, exaustivamente colocada nos debates do Código Florestal (Lei 12.651/2012), se tornou ainda mais notória, com a publicação de um estudo da Universidade de Leeds, no Reino Unido, publicado nesta edição da revista Nature. Segundo a publicação, o desmatamento em grande escala das florestas tropicais pode provocar graves impactos na frequência e no volume das chuvas. O bioma que pode ser mais afetado pela perda da vegetação é a Amazônia, que, se mantido o atual ritmo de desmatamento, corre o risco de apresentar, até 2050, uma queda de 21% na quantidade de precipitações durante o período de seca e de 12% durante a estação úmida.
Mas o regime de chuvas em outras regiões do País também pode apresentar mudanças por conta do desmatamento na floresta Amazônica. Nas áreas próximas à bacia do rio Prata - localizada no sul do Brasil -, por exemplo, as chuvas tendem a diminuir, pelo menos, 4% nos próximos 30 anos por conta do desmate. Fora do Brasil, as advertências também valem para o Congo, região central da África.
“Nós descobrimos que as florestas na Amazônia e na República Democrática do Congo também mantêm a precipitação nas periferias destas bacias, ou seja, em regiões onde um grande número de pessoas depende dessas chuvas para sobreviver”, disse o autor do estudo, Dominick Spracklen, da Escola sobre a Terra e o Ambiente da Universidade de Leeds.
A justificativa apresentada no estudo é de que o ar que passa sobre grandes áreas de floresta tropical produz pelo menos duas vezes mais chuva do que o que se move através de áreas com pouca vegetação. Em alguns casos, as florestas contribuem para o aumento de precipitação a milhares de quilômetros de distância. Por essa razão, conclui Dominick, a redução das chuvas pode ser devastadora para diversas populações. “Nosso estudo sugere que o desmatamento na Amazônia ou no Congo poderia ter consequências catastróficas para as pessoas que vivem a milhares de quilômetros de distância em países vizinhos.”
Reconhecendo que o Brasil obteve notório avanço na redução do desmatamento, o pesquisador ainda enfatizou a necessidade de continuar combatendo a derrubada ilegal de árvores, para o futuro da humanidade. “O Brasil fez recentemente alguns avanços na redução nas taxas historicamente altas de desmatamento em toda a Amazônia. Nosso estudo enfatiza que este progresso deve ser mantido se quisermos evitar os impactos sobre a precipitação”, disse Dominick.
Os últimos dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) apontam que o ritmo de desmatamento da Amazônia Legal recuou 49% entre abril e julho de 2012, na comparação com o mesmo período do ano passado. Em 12 meses, a redução foi de 23% - 2,04 mil km2 foram desmatados. Com isso, quase 700 km2 foram poupados na comparação entre os períodos avaliados. (ptnosenado)

Desmatamento amazônico afeta ciclo chuvas

Desmatamento na Amazônia afeta as chuvas em todo o sul do continente
Estudo comprova que desmatamento da Amazônia afeta chuvas até na Argentina – A perda de floresta tropical pode afetar pessoas a milhares de quilômetros de distância, de acordo com um novo estudo.
O desmatamento pode causar uma grave redução das chuvas nos trópicos, com graves consequências para as pessoas, não só nesta região, mas em áreas vizinhas, disseram pesquisadores da Universidade de Leeds, na Inglaterra, e do Centro de Ecologia e Hidrologia do Conselho de Pesquisa Ambiental Britânico.
O ar que passa sobre grandes áreas de floresta tropical produz pelo menos duas vezes mais chuva do que o que se move através de áreas com pouca vegetação. Em alguns casos, florestas contribuem para o aumento de precipitação a milhares de quilômetros de distância, de acordo com o estudo publicado na revista Nature.
Considerando as estimativas futuras de desmatamento, os autores afirmam que a destruição da floresta pode reduzir as chuvas na Amazônia em 21% até 2050 durante a estação seca.
“Nós descobrimos que as florestas na Amazônia e na República Democrática do Congo também mantêm a precipitação nas periferias destas bacias, ou seja, em regiões onde um grande número de pessoas depende dessas chuvas para sobreviver”, disse o autor do estudo, Dominick Spracklen, da Escola sobre a Terra e o Ambiente da Universidade de Leeds.
“Nosso estudo sugere que o desmatamento na Amazônia ou no Congo poderia ter consequências catastróficas para as pessoas que vivem a milhares de quilômetros de distância em países vizinhos.”
Impacto na Argentina, Paraguai, Brasil e Uruguai
O estudo demonstra a importância fundamental da proteção à floresta, segundo seus autores.
Em declarações anteriores à BBC, o cientista José Marengo, especialista em mudanças climáticas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais do Brasil, Inpe, explicou por que a floresta amazônica afeta as chuvas tanto no sul do Brasil quanto em Argentina, Uruguai e Paraguai .
Os ventos alísios, que vêm do Oceano Atlântico para o continente, arrastam umidade para o interior da América do Sul tropical, isto é, a Amazônia e o Nordeste do Brasil. E além da humidade que vem do Atlântico, a vegetação amazônica contribui para o aumento da umidade através do processo de evapotranspiração, como é denominada a evaporação dos rios juntamente com a transpiração das plantas.
“Esta umidade é carregada pelo vento em direção aos Andes, que desvia para o Sudeste da América do Sul. Assim, algumas das chuvas que ocorrem na bacia do Rio da Prata, incluindo sul do Brasil, de fato vêm da Amazônia”, disse Marengo.
“Se não existisse a floresta amazônica, o Sul teria menos umidade, de forma que Paraguai, Uruguai, Argentina e o sul do Brasil devem à Amazônia parte de suas chuvas”.
Deslocamento de ar
Os cientistas têm debatido a ligação entre a vegetação e precipitação ao longo de décadas. É sabido que as plantas retornam a umidade do ar através do processo de evapotranspiração, mas não está claro o impacto das florestas tropicais em termos de quantidade e distribuição geográfica.
Os autores do novo estudo usaram dados de satélite da NASA sobre a vegetação e precipitação, e um modelo de previsão de padrões de movimentos de vento.
“Nós vimos o que aconteceu com o ar nos dias anteriores, que caminho havia tomado e sobre que área de vegetação”, disse Spracklen.
Os pesquisadores analisaram a trajetória das massas de ar de diferentes partes de florestas. Quanto maior era a vegetação sobre a qual o ar tinha viajado, maior umidade e a quantidade de precipitação produzidos.
“As observações mostram que, para compreender como as florestas impactam as chuvas, temos de levar em conta a forma como o ar interagiu com vegetação durante sua viagem de milhares de quilômetros”, disse Stephen Arnold, um pesquisador da Universidade de Leeds e co-autor do estudo.
“Isso tem implicações importantes para os tomadores de decisão quando se considera o impacto ambiental do desmatamento, já que seus efeitos nas chuvas podem se sentir não só localmente, mas em uma escala continental”.
“O Brasil fez recentemente alguns avanços na redução dos altos índices de desmatamento, e nosso estudo mostra que este progresso deve ser mantido”.
Um estudo anterior, publicado na revista Nature em janeiro, mostrava que a combinação de agricultura, desmatamento e mudança climática estão enfraquecendo o ecossistema amazônico, potencialmente levando à perda de sua capacidade de retenção de dióxido de carbono e geração de chuva.
O estudo conclui que, apesar da grande redução do desmatamento na Amazônia brasileira (28 mil hectares por ano em 2004 para 7.000 hectares em 2011), a floresta permanece frágil. (EcoDebate)

Desertificação ameaça território brasileiro

Desertificação ameaça 15% do território brasileiro
Manejo adequado e conscientização são armas para combater desertificação, que já atinge 15% do território brasileiro – Com aproximadamente 1,3 milhão de quilômetros quadrados do seu território sob risco de se transformar em deserto, pensar o uso correto da terra é cada vez mais urgente ao Brasil. Dados do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, mostram que a área suscetível chega a 15% do território nacional e envolve 1.488 municípios em nove estados da Região Semiárida do Nordeste brasileiro, do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo.
De acordo com o coordenador da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), Naidison Batista, a conscientização dos agricultores sobre o manejo adequado da terra somada à difusão de tecnologias adaptadas ao Semiárido são elementos fundamentais para combater o processo de desertificação no país. Para isso, Batista defende o uso das técnicas agroecológicas no combate e prevenção à desertificação.
“O enfrentamento desse processo tem que ser feito por meio da prevenção e não remediando [o problema]. E nessa luta, a aplicação das práticas da agroecologia é fundamental, porque elas preconizam o cuidado com a terra, a compreensão de que é preciso usufruir dela sem esgotá-la, sem objetivar apenas o lucro”, argumentou.
Ele acrescentou que a lógica do agronegócio, baseada na monocultura e no uso de agrotóxicos, contribui em grande parte para a degradação do solo, mas alertou que toda a humanidade é responsável por tentar conter esse processo.
“O homem do campo tem que entender que suas práticas têm impacto sobre a natureza, mas o homem da cidade também precisa saber que suas ações também têm consequências. É preciso não desperdiçar água em banhos demorados ou em lavagens prolongadas de carros, por exemplo, exaurir rios e mananciais, entre outros”, afirmou.
Segundo Naidison Batista, já existem muitas tecnologias sendo usadas no Semiárido e com resultados positivos. Uma delas, o Programa Um Milhão de Cisternas, implementado pela ASA, em parceria com o governo federal, agências de cooperação e empresas privadas, permite captar a água da chuva para consumo humano por meio de cisternas de placas de cimento. A infraestrutura, com capacidade para 16 bilhões de litros de água, já está presente nas casas de aproximadamente 600 mil famílias.
Menos conhecida e difundida é a saída encontrada pela pequena agricultora paraibana Angineide de Macedo, de 42 anos. Após acompanhar o processo de degradação de sua propriedade, de aproximadamente dois hectares, ela conheceu, com a ajuda de uma organização não governamental local, os benefícios do cultivo do nim indiano. A planta, que tem crescimento rápido e atinge uma altura de 8 metros em três anos, ajudou a reverter as consequências da desertificação no local e a salvar a plantação de ervas medicinais que, segundo a agricultora, estava bastante prejudicada.
“As plantas não resistiam muito, porque o sol castigava e elas morriam. Agora, com o nim, elas têm sombra e ficam protegidas do vento. As crianças também melhoraram, porque agora têm sombra para brincar e não ficam tão doentes com a poeira”, contou ela, que também planta em sua propriedade hortaliças e legumes. (EcoDebate)

O que será do Rio Paraguai?

Desmatamento na Bacia do Alto Paraguai, degradação do rio Taquari, trânsito de grandes embarcações e degradação da fauna aquática são alguns dos principais problemas constatados no rio Paraguai, uma das principais hidrovias brasileiras. O curso d'água já carrega o fantasma do assoreamento. O IBAMA/MS conhece a situação e planeja ações específicas para mitigar os problemas.
O assoreamento já foi constatado. As suas principais causas, também. A pergunta que insiste em ecoar é: o que será feito para frear o processo de degradação de uma das principais hidrovias brasileiras?
Em dezembro de 2010 uma equipe do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) de Mato Grosso do Sul fez uma expedição ao Pantanal do Nabileque e voltou com as seguintes certezas: o assoreamento do Rio Paraguai é palpável e a navegabilidade já está comprometida; o desmatamento na Bacia do Alto Paraguai (BAP) tem a maior parte da culpa pela situação; grandes embarcações e comboios de rebocadores ajudam a aumentar o problema provocando desbarrancamento de encostas; e a pressão sobre os recursos pesqueiros é uma constante que também preocupa.
Questionado sobre quais as ações que serão tomadas para mitigar os problemas, David Lourenço, o superintendente do IBAMA no MS, começa alertando: “o Ibama não tem condições de desassorear o Rio Paraguai. O que podemos fazer é intensificar a fiscalização, tanto em relação ao desmatamento quanto ao transporte de cargas e atividades industriais na região do curso d’água”, esclarece.
Para ele, uma fiscalização eficiente significa uma medida importante na busca pelo desassoreamento. “Não adianta nada você desassorear o rio Paraguai se você não contiver a emissão de sedimentos pela Bacia do Alto Paraguai, por exemplo”, especifica.
David elencou quatro aspectos que receberão atenção especial do IBAMA durante o ano de 2011. São eles:
- Controle do desmatamento: esta, que o órgão considera sua principal ação na busca por frear o assoreamento do rio Paraguai, continuará contando com o reforço da captação de imagens via satélite. Graças à técnica, o número de infrações contra a flora caiu de 268 em 2008 para 120 em 2010. Através dessa tecnologia, o Ibama consegue identificar, praticamente em tempo real, onde está acontecendo desmatamento.
- Recuperação do rio Taquari: uma ação que precisa ser realizada em paralelo com todas as outras. No final de 2010 houve a inclusão de uma rubrica no Plano Plurianual de investimentos do governo federal para tratar da questão da recuperação do Taquari. Com isso, o tema se torna um programa de trabalho permanente e há a garantia de investimentos anuais para os trabalhos.
- Transporte de cargas, portos e mineração: o trânsito de embarcações provoca turbulência na água e também provoca a derrocação dos barrancos nos trechos de circulação. “O tráfego de embarcações precisa ser adequado à capacidade de sustentação daquela hidrovia”, esclarece David. Além disso, qualquer empreendimento que for instalado nas margens do rio Paraguai terá, por parte do IBAMA, um cuidado mais especial.
- Evitar a degradação da fauna: o IBAMA trabalha junto ao Itamaraty e em cooperação multilateral, com Paraguai e Bolívia, para coibir a pesca predatória. Essas ações são vinculadas às polícias e a fiscalização tende a ser intensificada. (sospantanal)

Degradação do Taquari serve de alerta

No extremo sul de Mato Grosso, o exemplo do Rio Taquari é uma evidência dos efeitos da degradação de nascentes. As grandes erosões e a perda da hidrologia na região deram origem ao termo "taquarização" para descrever o processo que ameaça o Pantanal como um todo.
Depois de anos de mau uso do solo no Alto Taquari, uma área de 700 quilômetros de rio acabou praticamente soterrada por enormes bancos de areia. "O Rio Taquari é, sem dúvida, um exemplo do que pode ocorrer com o Pantanal. Com o lençol freático comprometido, os sedimentos foram sendo levados pelo rio, que foi morrendo aos poucos", diz Glauco Kimura, da WWF.
O uso intensivo do solo para a pecuária teve alto impacto por causa da baixa tecnologia utilizada pelos produtores de gado locais, que não têm acesso a técnicas modernas de manejo. Utilizando modos rudimentares, enfraqueceram ainda mais o solo já deficiente da região. Com isso, provocaram grandes cicatrizes chamadas voçorocas - termo científico para as erosões que atingem o lençol freático.
O assoreamento se estendeu aos outros pontos e prejudicou a fauna e a flora de todo o Rio Taquari - plantações ribeirinhas foram afogadas e algumas espécies de peixes, impedidas de se reproduzir. Segundo pesquisas, em uma década, o Rio Taquari diminuiu de 485 toneladas para 62 toneladas o volume de pescado. A estimativa é de que o total de áreas inundada chegue a 11 mil quilômetros quadrados (mais de 1 milhão de hectares).
"A degradação do Alto Taquari se intensificou desde o começo da década passada, mas o rio levou 30 anos para morrer. Outros rios podem demorar mais por ter uma melhor qualidade de solo, mas essa situação pode se repetir", afirma Kimura.
"O Pantanal é como um prato, pois é uma região plana e baixa. Mas o que ocorre na borda reflete no centro. Por isso, no fundo do prato pode estar tudo bonito, mas, quando se vê as nascentes, a situação é alarmante." (OESP)

Desmatamento na nascente do Rio Paraguai

Desmatamento irregular na nascente do Rio Paraguai ameaça o Pantanal
Ambiente
Imagens aéreas de ONG flagram deterioração do solo às margens de rios que alimentam bacia do Rio Paraguai, resultado da extração e do uso intensivo para pecuária e plantação de soja: situação coloca em risco bioma mais preservado do País.
Apontada por ambientalistas como a "caixa d'água" do Pantanal, a região das nascentes do Rio Paraguai, em Mato Grosso, sofre há 40 anos um processo de degradação que pode ser alvo de investigação. Há dez dias, o Instituto Homem Pantaneiro (IHP) denunciou ao Ministério Público Federal (MPF) a ameaça ao bioma que se mantém como o mais preservado do País, com quase 85% de sua área.
Em um estudo de campo, o IHP comprovou o desmatamento ilegal nas áreas próximas à cabeceira em três sobrevoos - o último deles realizado em meados de agosto. Os efeitos da extração mineral e o uso intensivo do solo para agropecuária, mesmo em locais de Área de Proteção Ambiental (APA), põem em risco a Bacia do Rio Paraguai, fundamental para a hidrologia do Pantanal.
A denúncia foi recebida pelo MPF de Corumbá (MS), que analisa quais medidas serão tomadas. Segundo o procurador Mario Roberto Santos, as providências terão obrigatoriamente de envolver o MP do Mato Grosso do Sul, Estado que abriga as nascentes da bacia hidrográfica.
Para Angelo Rabelo, do conselho do IHP, uma ação emergencial seria obter liminar para suspender todos os processos de desmatamento nos 50 mil hectares que protegem as cabeceiras dos Rios Paraguai, Cuiabá e Sepotuba. "Essas nascentes têm impacto na renovação da vida vegetal e de animais silvestres do Pantanal, pois o equilíbrio do bioma está ligado a esse processo de cheias e secas", diz Rabelo. "Nos 4 mil hectares da nascente do Rio Paraguai, por exemplo, 90% da vegetação natural foi suprimida para o plantio de soja."
Entre os motivos para a degradação está a força do agronegócio no Estado e a falta de fiscalização. "Fizemos uma proposta de monitoramento, pois hoje ninguém tem informações básicas de qualidade da água e vazão da área", afirma Viviane Fonseca Moreira, bióloga do IDH. Ela afirma que os únicos indícios são os obtidos pelas imagens aéreas.
Segundo a bióloga, os projetos de conservação que a entidade mantém para o Rio Paraguai em Mato Grosso do Sul podem ser prejudicados pelo assoreamento das cabeceiras. "Tudo o que acontece lá influencia a gente. Fizemos um esforço de conservação de 272 mil hectares, mas não sabemos se isso foi feito em vão", afirma.
A cabeceira do Rio Paraguai, que banha quatro países, localiza-se ainda na região do Cerrado. Nos sobrevoos, foi verificada uma fazenda de suinocultura às margens de uma das cabeceiras, além de resquícios do mau uso do solo em áreas que antigamente eram exploradas pelos garimpos de ouro e diamante.
"A única parte parcialmente conservada é onde há uma reserva indígena, da tribo umutina (localizada a 150 quilômetros de Cuiabá)", afirma Viviane, uma das 600 especialistas em meio ambiente que assinaram um manifesto de apoio ao estudo.
Alerta
Segundo Glauco Kimura, coordenador do Programa Água para a Vida da ONG WWF, os donos de terras às margens de nascentes da região não respeitavam a regra do Código Florestal de preservar no mínimo 30 metros de mata ciliar. Com a alteração proposta pelos ruralistas, que permitem uma recomposição de até 5 metros, a tendência é de que o problema se agrave se não houver fiscalização. "Há muito desmatamento ilegal e um déficit de áreas protegidas. A única forma de proteção é o uso de solo bem conduzido", diz o especialista.
No início do ano, a WWF já havia lançado o alerta ao divulgar a Análise de Risco Ecológico da Bacia do Rio Paraguai, em parceria com a The Nature Conservancy e o Centro de Pesquisas do Pantanal. "É papel dos órgãos ambientais e do Ministério Público tomar atitudes. O MP de Mato Grosso, por exemplo, já avançou ao baixar liminar que proíbe a instalação de pequenas centrais hidrelétricas sem planejamento", diz Kimura.
Procurada, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente de Mato Grosso não respondeu ao pedido de entrevista. (OESP)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Qual será a população mundial em 2100?

No século XX, a população mundial passou de 1,56 bilhão, em 1900, para 6,1 bilhões de habitantes, em 2000. Um crescimento de quatro vezes. Este alto crescimento ocorreu em decorrência da transição demográfica, que possibilitou uma grande queda das taxas de mortalidade e uma queda posterior e mais lenta das taxas de fecundidade.
A esperança de vida ao nascer da população mundial estava em torno de 30 anos de idade em 1900 e chegou a cerca de 65 anos no ano 2000. Ou seja, de forma inédita na história da humanidade, a esperança de vida da população mundial mais que dobrou em 100 anos. Este grande salto nunca tinha acontecido antes e provavelmente nunca irá acontecer no futuro, pois a grande conquista foi reduzir significativamente as taxas de mortalidade infantil e, depois de um certo ponto, a longevidade tem limites biológicos.
Como será a dinâmica demográfica no século XXI?
Em maio de 2011, a divisão de população da ONU atualizou os três cenários de projeção para a população mundial no século XXI. Pelo lado da mortalidade, as conquistas vão continuar, mesmo que em ritmo menor, pois a esperança de vida ao nascer, que na média da população mundial, era de 65 anos em 2000, já chegou a 68 anos em 2010 e deve atingir 80 anos em 2100.
A população mundial chegou a 7 bilhões no final de 2011 pode atingir 10,1 bilhões de habitantes ou mesmo 15,8 bilhões em 2100. Ou até mesmo pode cair para 6,2 bilhões de habitantes, em conformidade com os diferentes cenários das taxas de fecundidade. Portanto, a população mundial pode variar de 6,2 bilhões a 15,8 bilhões dependendo do número médio de filhos por mulher e da sua evolução nas próximas décadas.
Pode parecer que esta grande diferença de 6,2 a 15,8 bilhões de habitantes ocorra devido a grandes diferenças nas taxa de fecundidade. Mas, ao contrário, isto é provocado por uma diferença na taxa de fecundidade média de apenas 0,5 (meio filho) por mulher.
No quinquênio 2005-10 a taxa de fecundidade total, na média mundial, estava em 2,52 filhos por mulher. Se esta taxa continuar neste nível a população mundial chegaria a 15,8 bilhões de habitantes em 2100. Se a TFT cair gradualmente em apenas meio filho por mulher (para uma TFT de 2 filhos em 2100) então a população seria 5,7 bilhões a menos, ou seja, de 10,1 bilhões de habitantes em 2100. Se a fecundidade cair mais meio filho abaixo da projeção média (para 1,55 filhos por mulher) então a população mundial ficaria em 6,2 bilhões de habitantes, aproximadamente a mesma população do ano 2000. Nesta hipótese de fecundidade mais baixa, o crescimento demográfico seria zero no século XXI.
Estes três cenários mostram que o tamanho da população mundial em 2100 pode ficar em um leque que varia de 6,2 bilhões a 15,8 bilhões de habitantes. Uma pequena variação média de meio filho por mulher pode fazer a quantidade da população ficar bem acima dos 10,1 bilhões da projeção média ou bem abaixo deste número. Tudo vai depender do comportamento reprodutivo das famílias.
Como é sabido, as taxas de fecundidade estão caindo em quase todo o mundo. O número médio de filhos por mulher cai, em primeiro lugar, porque cai a mortalidade infantil provocando o aumento da sobrevivência do número de filhos em cada família. Assim, com mais filhos vencendo mortalidade infantil, o número ideal de crianças é atingido mais rapidamente e as mulheres e os casais passam a limitar a possibilidade de uma nova gravidez. Além disto, o demanda por filhos se reduz na medida em que o custo das crianças aumenta e os seus benefícios diminuem. Isto acontece devido ao processo de urbanização, do aumento dos níveis de renda e educação, da entrada da mulher no mercado de trabalho, do crescimento dos sistemas de proteção social, etc.
Todos os países do mundo que atualmente possuem alto nível de educação ou alto nível de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) possuem fecundidade abaixo de 2,2 filhos por mulher. Contudo, existem uma certa quantidade de países (especialmente na África Sub-sahariana) que possuem fecundidade acima de 4 fillhos por mulher. Os estudos mostram que a alta fecundidade acontece devido à falta de acesso aos direitos básicos de cidadania (educação, habitação, saúde, liberdades políticas, etc.) e especialmente devido à falta de acesso aos direitos sexuais e reprodutivos. Em geral, a fecundidade é alta onde existe alta percentagem de pessoas pobres e há altas necessidades não-satisfeitas de contracepção.
Os estudos mostram que existe uma relação inversa entre IDH e fecundidade. Quando um sobe a outro cai. Assim, para garantir a continuidade da redução da pobreza e das taxas de mortalidade, a ONU aprovou, no ano 2000, os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. As 8 metas dos ODMs são:
# 1. Erradicar a extrema pobreza e a fome
# 2. Atingir o ensino básico universal
# 3. Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres
# 4. Reduzir a mortalidade na infância
# 5. Melhorar a saúde materna
# 6. Combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças
# 7. Garantir a sustentabilidade ambiental
# 8. Estabelecer uma Parceria Mundial para o Desenvolvimento
No ano de 2005, a ONU realizou a Cúpula do Milênio + 5 para avaliar o andamento das iniciativas e corrigir eventuais lacunas existentes. Após diversos estudos e avaliações sobre as principais fraquezadas dos ODMs, foi feito um acréscimo fundamental para melhorar a qualidade de vida da população, que é a meta # 5B: “Alcançar, até 2015, o acesso universal à saúde reprodutiva”.
Acesso à saúde reprodutiva integral é fundamental para se garantir os direitos sexuais e reprodutivos, conforme aprovado na Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD), realizada na cidade do Cairo, em 1994. Também é fundamental para a redução da gravidez indesejada.
Infelizmente, a maior parte da população pobre do mundo não tem acesso integral aos serviços de saúde reprodutiva. Os ricos possuem acesso à saúde reprodutiva, pois podem pagar via mercado privado. Mas a população de baixa renda precisa contar com o apoio do Estado, que por seu lado, precisa garantir os direitos de cidadania.
Se os 8 ODMs forem efetivados em todos os países do mundo é de se esperar que as taxas de fecundidade continuem a cair, especialmente naqueles países com menor grau de inclusão social. Quanto mais rápido os países avançarem na qualidade de vida dos seus cidadãos e cidadãs mais rápido as taxas de fecundidade vão ficar próximas de dois filhos por mulher (que é o número mais citado quando se pergunta o número ideal de filhos que as pessoas querem ter).
Desta forma, o avanço da qualidade de vida das pessoas e dos direitos reprodutivos de mulheres e homens, caso se efetive, deve possibilitar a continuidade da queda das taxas de fecundidade e, em consequência, a população mundial, no final do século XXI, pode ficar abaixo de 10 bilhões de habitantes. (geografianovest)