terça-feira, 29 de setembro de 2015

Proibição de plásticos na Califórnia

As realidades do Brasil e do estado americano da Califórnia são bastante diferentes, mas sempre que se encontra um tema para reflexão, não se deve perder a oportunidade. Na Califórnia se institucionalizou, ou seja, virou lei, a proibição do uso de sacolas plásticas, pelo que se registra, a partir do ano de 2.016. A Califórnia é um dos estados americanos mais desenvolvidos e se fosse classificado separadamente teria a sétima maior economia do globo pela pujança de seu Produto Interno Bruto (PIB).
Aqui no Brasil, afora os estímulos para utilização de sacolas retornáveis ou permanentes, a eventual cobrança pelas sacolas de plástico, a desestimular seu uso, proibições de uso de plásticos se alternam com liberações, ao sabor de interesses de consumidores ou indústrias de plásticos. Lei mesmo, permitindo ou proibindo, não existe qualquer registro a fazer.
Ninguém é contra normatizações ou incorporações exegéticas à legislações atualmente vigentes, mas dentro da realidade brasileira, vários registros devem ser realizados. Nos Estados Unidos como um todo e na Califórnia em particular existe uma quase universalização do tratamento de esgotos e efluentes domésticos e outra quase generalização na utilização de moagem caseira de resíduos sólidos de natureza orgânica e sua destinação acompanhado de outros efluentes domésticos para tratamento quase universal.
Aqui no Brasil, a questão de saneamento básico é complicada, conforme bem abordam os dados e análises do site “Trata Brasil”. Além de índices muito reduzidos de tratamento de esgotos, que não atingem a 40% em todo o país, não existe infraestrutura instalada para moagem doméstica de resíduos sólidos orgânicos e sua destinação para tratamento como efluente adicionado aos esgotos domésticos. Mesmo que existisse a possibilidade, aumentaria apenas o volume de efluentes domésticos com elevada carga orgânica e não tratados.
Por outro lado a coleta de resíduos sólidos orgânicos, recicláveis e resíduos em geral, é bastante desenvolvida e cobre a maior parte das municipalidades do país. E esta coleta se viabiliza com o uso da embalagem plástica obtida em supermercados ou em outros pontos principalmente de varejo, uma vez que as embalagens fornecidas por atacadistas são diferenciadas. Tanto faz alguém utilizar uma embalagem plástica fornecida por algum varejista, ou adquirir embalagens plásticas com esta finalidade específica.
Ninguém está aqui defendendo o uso de embalagens plásticas em pontos comerciais varejistas. Sejam embalagens fornecidas gratuitamente ou mediante remuneração. Mas está se expondo a complexidade que assume uma questão, que aparentemente é simples. Como se diz em um aforisma popular, não adianta vestir um santo e desvestir o outro. Nossa própria legislação manifesta na Lei 11.445 que saneamento são as questões que envolvem os efluentes domésticos, água potável, a gestão de resíduos sólidos e drenagem urbana pluvial.
Não se está tampouco defendendo o uso indiscriminado e eterno de material plástico, seja em embalagens, seja em outras formas de utilização. Mas é preciso evoluir pensando no conjunto. Nem mesmo práticas de separação de resíduos sólidos, ou de segregação na origem, acompanhadas de coleta seletiva e da atuação de cooperativas de recicladores ou agentes ambientais, se encontra institucionalizada ou operativa, nem mesmo nas grandes cidades brasileiras como um todo.
Ocorrem iniciativas isoladas, mesmo quando persistentes no tempo. E isto é impressionante. Num país que detêm grande parcela de população pobre e desprovida de qualificação profissional para absorção no mercado de trabalho formal, nem mesmo os argumentos de geração de ocupação e renda e a materialização de inclusão social efetiva, sensibiliza boa parte dos administradores e gestores públicos.
Por isto não se pode condenar de forma simples, os fabricantes de plásticos, embora os mesmos procurem apenas defender seus interesses corporativos e econômicos e nada mais. Não existe consideração ou reflexão com a realidade do conjunto da sociedade.
Mas é preciso pensar coletivamente e refletir holisticamente sobre a situação descrita. Certamente em algum momento, a “era dos plásticos” passará sobre o cotidiano das nações. Mas é preciso pensar nas soluções globalmente. Ressalta-se a situação da Califórnia, que saudável ser possível eliminar os plásticos sem gerar transtornos de qualquer natureza para a vida cotidiana das pessoas.
Embora da lei aprovada em agosto de 2.010 estabelecendo os princípios e diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos (lei 12.305), onde se trata dos modernos mecanismos de gestão compartilhada e logística reversa, ainda é espantoso que passados 4 anos, além de não se ter erradicado os ”lixões”, não se conseguiu estabelecer de forma generalizada mecanismos de apoio a cooperativas de catadores ou agentes ambientais, que poderiam ser mais eficientemente incluídos em termos sociais, com a geração de ocupação e renda.
Os mecanismos de reciclagem são muito importantes, tanto para os catadores ou agentes ambientais, como para a natureza. Que observa redução de impactos ambientais relevantes sobre os recursos naturais pela menor demanda de matérias primas renováveis ou não renováveis, materializada pela reutilização dos materiais.
Quando um produto termina seu ciclo de vida útil, não significa que seus materiais componentes também tenham encerrado seu ciclo. Os materiais podem ser reutilizados para industrialização ou concepção de novos produtos. O exemplo mais clássico são as latinhas de alumínio que são recicladas gerando economias de água e de energia. A eficientização energética gerada se aproxima de 90%. O ciclo da reciclagem das latinhas atualmente gira em torno de 20 a 30 dias. O Brasil recicla cerca de 99% das latinhas de alumínio, sendo a maior referência mundial, seguido de perto pelo Japão.
A motivação e os estímulos é que podem ser diversos. No Brasil isto se deve ao valor econômico agregado à atividade, enquanto nos países desenvolvidos isto se deve a práticas institucionalizadas por políticas públicas e normatizações atuantes. Mas isto não importa. O fator relevante são os resultados para a qualidade ambiental e a qualidade de vida do conjunto das populações. (ecodebate)

A reciclagem no Brasil 2014

Reciclagem são os processos de transformação dos resíduos sólidos, alterando as suas propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas para a sua utilização como insumos e matérias primas em novos produtos. A reciclagem é uma das prioridades estabelecidas pela Lei 12.305/2010 – Política Nacional de Resíduos Sólidos. O Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil em 2014 publicado pela Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – Abrelpe traz as informações sobre a reciclagem no país dos produtos previstos para logística reversa e a responsabilidade compartilhada e na coleta seletiva de alumínio, papéis e plásticos. O documento da Abrelpe afirma que as associações que representam os setores da reciclagem não atualizam periodicamente as informações. Como exemplo, os dados públicos sobre o vidro mais atualizados são de 2008.
Entre os produtos previstos na logística reversa e em acordos setoriais já estabelecidos, a pesquisa da Abrelpe avalia os resíduos e embalagens de agrotóxicos, embalagens de óleos lubrificantes e pneus inservíveis, que possuem sistemas compartilhados e gerenciados por entidades específicas mantidas pelos setores industriais, distribuidores e organizações representativas dos respectivos setores.
Embalagens de agrotóxicos - O Sistema Campo Limpo é coordenado pelo Inpev – Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias, formado em 2001 para realizar a gestão das embalagens destes produtos de acordo com a legislação brasileira específica deste setor – Lei 9.974/2000 e Decreto 4.074/2002. Este sistema tem como conceito a responsabilidade compartilhada entre as indústrias, distribuidores, agricultores e poderes públicos, coordenando as ações para a destinação ambientalmente adequada e promove atividades e programas de conscientização e educação dos usuários.
O Brasil é atualmente o maior mercado mundial dos defensivos agrícolas, mas também é o país que mais destina adequadamente estas embalagens com 94% das primárias (que entram em contato direto com os produtos) e 80% do total com destino ambiental correto.
Ordem
País
Porcentagem
Brasil
94%
Alemanha
76%
Canadá
73%
França
66%
Japão
50%
EUA
33%
Tabela 1 – Destinação adequada das embalagens primárias de agrotóxicos.
Em 2014, foram recolhidas e destinadas adequadamente 42.645 toneladas de embalagens vazias de agrotóxicos no Brasil, com crescimento de 6% em relação ao ano anterior de 2013 com 40. 404 toneladas. Neste sentido, a logística reversa destas embalagens tem demonstrado bons resultados, estando razoavelmente consolidada em sua cadeia de responsabilidades, incluindo-se a colaboração dos produtores rurais.
Ano
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
Quantidade
(ton)
17.881
19.634
21.129
24.415
28.771
31.266
34.202
37.379
40.404
42.646
Tabela 2 – Destinação adequada das embalagens de agrotóxicos
Embalagens de óleos lubrificantes - O Programa Jogue Limpo foi criado em 2005 por fabricantes de óleos lubrificantes do Rio Grande do Sul associados ao Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes – Sindicom e posteriormente transformado no Instituto Jogue Limpo, que coordena a responsabilidade compartilhada e a logística reversa destas embalagens. Em 2012, este foi o primeiro Acordo Setorial assinado com o Ministério do Meio Ambiente para garantir os Termos de Compromisso assumidos com catorze Estados – RS, SC, PR, SP, RJ, MG, ES, BA, SE, AL, PE, PB, RN, CE – e o Distrito Federal. São 42.000 pontos geradores cadastrados em 2.950 municípios onde estes resíduos são efetivamente recolhidos e destinados corretamente.
Em 2014 foram coletadas 80 milhões de embalagens de óleos lubrificantes que equivalem a quatro mil toneladas de materiais plásticos recicláveis. Não foram divulgados os dados dos anos de 2012 e 2013, mas a pesquisa informa que desde 2008 foram destinadas corretamente 330 milhões de embalagens destes produtos.
Ano
2008
2009
2010
2011
2014
Quantidade (milhões un.)
12
14
23
40
80
Tabela 3 – Destinação adequada das embalagens de óleos lubrificantes.
Pneus inservíveis - Em 1999, a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos – ANIP iniciou o Programa Nacional de Coleta e Destinação de Pneus Inservíveis e em 2007 foi instituída a Reciclanip, entidade que coordena e gerencia a logística reversa dos pneus inservíveis no Brasil. O sistema está implantado em todas as regiões do país e foi impulsionado pela Resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA nº 416/2009 que estabelece a obrigatoriedade de pontos de coleta nos municípios com mais de cem mil habitantes.
Desde o início do programa em 1999, foram reciclados 536 milhões de unidades que equivalem a 2,68 milhões de toneladas. Os postos de coleta que em 2004 eram 85, em 2013 estavam implantados em 824 locais adequados ao descarte dos pneus inservíveis. Os últimos dados do ano de 2013 indicam o recolhimento e destinação adequada de 404 mil toneladas.
Ano
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
Quantidade
(t x mil)
145
136
123
136
160
250
312
320
338
404
Tabela 4 – Destinação adequada dos pneus inservíveis.
Quanto à coleta seletiva, o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil em 2014 considera o alumínio, papeis e plásticos que são os segmentos principais nesta atividade, com informações fornecidas por associações representativas destes setores da reciclagem.
Alumínio - Os dados mais recentes indicam que em 2012 o Brasil produziu 1.436 mil toneladas de alumínio, considerando-se a produção primária, a reciclagem e as importações e desconsiderando-se as exportações. O consumo per capita no ano anterior de 2011 foi de 7,4 kg/habitante.
Em 2012, foram recicladas 508 mil toneladas correspondentes a 35,2% do consumo doméstico registrado neste ano, sendo a média mundial de 30,4% o que referencia o país quanto à eficiência na reciclagem deste material. As latas de envase de bebidas são o destaque com 97,9% recicladas, correspondente a 260 mil toneladas retornando à indústria. Neste segmento o Brasil é líder mundial e referência importante quanto à coleta seletiva e logística reversa destas embalagens.
País/ano
2007
2008
2009
2010
2011
2012
Brasil
96,5%
91,5%
98,2%
97,6%
98,3%
97,9%
Japão
92,7%
87,3%
93,4%
92,6%
92,5%
n/d
Argentina
90,5%
90,8%
92,0%
91,1%
n/d
n/d
Estados Unidos
53,8%
54,2%
57,4%
58,1%
65,1%
67,0%
Média União Europeia
62,0%
63,1%
64,3%
66,7%
n/d
n/d
Tabela 5 – Reciclagem das latas de alumínio no Brasil e em países selecionados.
Papel - Em 2013 o Brasil produziu 10,4 milhões de toneladas deste produto. O cálculo da reciclagem é realizado pela divisão da taxa de recuperação de papéis com potencial de reciclagem pela quantidade de papéis recicláveis consumidos no mesmo período. O último dado disponível é de 2013 e indica reciclagem de 45,7%.
Na reciclagem de papéis o Brasil está aquém dos principais destaques mundiais: Correia do sul – 91,6%; Alemanha – 84,8%; Japão – 79,3%; Reino Unido – 78,7%; Espanha – 73,8%; Estados Unidos – 63,6%; Itália – 62,8%; Indonésia – 53,4%; Finlândia – 48,9%; México – 48,8% e Argentina – 45,8%. Mas está na frente da China – 40,0%; Rússia – 36,4% e Índia – 25,9%.
Ano
1990
1995
2000
2005
2010
2012
Porcentagem
36,5%
34,6%
38,3%
46,9%
43,5%
45,7%
Tabela 6 – Taxa de reciclagem de papéis no Brasil.
Plásticos - Os dados da reciclagem de plásticos consideram os fornecidos pela indústria de reciclagem mecânica que transforma os descartes pós consumo em granulados para uso na produção industrial de novos artefatos. Em 2012, no Brasil existiam 762 empresas nesta atividade. O consumo de transformados plásticos no Brasil em 2014 foi de 7,24 milhões de toneladas com um decréscimo de 2,6% em relação ao ano anterior de 2013, considerando-se o total produzido nacionalmente e o importado, desconsiderando-se as exportações.
O índice de reciclagem mecânica – IRmP (resíduo reciclado + resíduo exportado para reciclagem)/Resíduos plásticos gerados – em 2012 no Brasil foi de 20,9%.Como comparação, a média da União Europeia foi 25,4%. O plástico mais reciclado no país é o polietileno tereftalato – PET que em 2012 retornou 58,9% para a indústria de novos artefatos, principalmente embalagens.
Ano
1994
1996
1998
2000
2002
2004
2006
2008
2010
2012
IRmP PET
18,8%
21%
17,9%
26,3%
35%
47%
51,3%
54,8%
55,8%
58,9%
Tabela 7 – Índice de Reciclagem Mecânica – IRmP dos resíduos pós consumo de polietileno tereftalato – PET no Brasil.
Fonte – Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil em 2014 -0 Abrelpe. (ecodebate)

Usinas de reciclagem de entulho em Belo Horizonte

Usinas de reciclagem de entulho em Belo Horizonte e a reciclagem de resíduos da construção civil
Usina de Reciclagem de Entulhos.
Os resíduos sólidos resultantes do setor de construção civil, incluindo não apenas construções novas, mas também demolições costuma dobrar o montante de resíduos sólidos produzidos por uma comunidade. As pesquisas e o desenvolvimento de tecnologias para o reaproveitamento dos materiais advindos de construções e demolições são inúmeros.
Mas vale ressaltar experiência simples e que é muito relevante pela antiguidade e persistência que demonstram. São as usinas de reciclagem de resíduos sólidos da construção civil de Belo Horizonte. Dados indicam que a produção dos entulhos de construção civil, em todo país, representam um valor per capita que está em torno de 0,60 tonelada/habitante a cada ano. As quantidades são muito variáveis por região considerada, mas este número permite fixar um parâmetro idealístico para a situação.
Nas usinas de Belo Horizonte, são britados e transformados em brita e areia materiais de alvenaria passíveis de beneficiamento. A cidade conta com uma rede de coleta de pequenos volumes, que normalmente são destinados por carroceiros e outros pequenos veículos. Em volumes maiores, os entulhos são destinados diretamente na usina, sendo molhados para evitar a formação de poeira e posteriormente retirados materiais que não podem ser destinados aos britadores.
Com a primeira unidade operando desde o final do século passado, aproximadamente a partir de 1.998, a usina de reciclagem do Estoril, já foram viabilizados milhares de toneladas de reutilização de entulhos como solos para aterramento, areia e brita. Também se viabilizou empreendimentos de construção de blocos para construção a partir de material reciclado com cerca da metade do custo de bloco produzido com material novo.
A construção civil é um setor muito dinâmico da economia, sendo responsável por aproximadamente 20% do produto interno bruto (PIB). Estima-se que para cada posto de trabalho gerado sejam criados cerca de 3 postos indiretos. Assim estas iniciativas simples e bastante perenes devem ser especialmente saudadas como relevantes por toda a reciclagem que já produziram. A questão não é de serem umas operações que atinjam níveis de excelência. Mas é que enquanto se discute o ideal muitas vezes se deixa de realizar o óbvio e o simples. As usinas de Belo Horizonte, devem ser exaltadas por isto. São experiências antigas e muito práticas e persistentes.
A construção civil embora seja um setor muito dinâmico, nas grandes empresas, demonstra que não ocorrem mais tanta perda de material, mas nas empresas pequenas e médias, ainda é grande o desperdício pelas dificuldades de gestão e pelo conjunto do setor absorver a mão de obra mais desqualificada do mercado. Esta realidade faz com que o setor tenha muita importância social pela inclusão social que patrocina, mas, ao mesmo tempo, é uma realidade responsável pelos elevados índices de desperdício encontrados, que em média devem se situar entre 20 e 30% de todos os materiais.
Os problemas principais podem ser referidos com estocagem temporária dos materiais, transporte dentro da obra e gastos para retrabalho e recuperações de geometria de obra mal encaminhada. A perda da construção civil faz com que o meio ambiente sofra com a maior exploração para produção de bens industriais e também determina maior quantidade de emissões atmosféricas para transporte, além de maior dispêndio econômico, que normalmente é repassado para o custo final da obra e bancado por todo mercado consumidor.
Em Belo Horizonte, a cidade sempre esteve na vanguarda da administração e da gestão dos resíduos sólidos provenientes da construção civil, também chamados de entulhos. Em São Paulo e Curitiba também se conhece iniciativas, mas ligadas à iniciativa privada. O que não faz diferença alguma. Importam os resultados, tomara que sempre fosse viáveis economicamente, as iniciativas do setor privado. Social e ambientalmente tudo converge para as mesmas resultantes. Mas no setor privado prepondera ou determina o avanço da iniciativa, a viabilidade econômica como premissa.
Na capital mineira, existem três unidades recicladoras, sendo uma situada no bairro da Pampulha, outra no bairro Estoril e outra às margens da BR 040, no km 531. Para evitar desconfortos com ruídos, os equipamentos de britagem e as próprias pás carregadeiras, são revestidas, com materiais do tipo emborrachados, e também, com materiais silenciadores.
A coleta e transporte dos entulhos valoriza a atividade dos carroceiros, que são reunidos em associações e cadastrados com veículos transportadores autônomos. O entulho beneficiado é constituído por cimento, concreto, argamassa, telhas e tijolos inteiros ou quebrados. Ao chegar na usina o entulho é espalhado por trator e as impurezas que não podem ser beneficiadas, separadas manualmente, antes de transporte ao equipamento de britagem. O material que não pode ser britado é constituído por plásticos, papéis, papelão, metais e madeira.
Restos de tijolos e telhas são empregados como leito e subleito de pavimentos, enquanto resíduos de cimento, concreto e argamassa servem de matéria prima arenosa e são misturados a cimento novo para a fabricação de blocos e tijolos. Estes materiais são empregados pela prefeitura ou vendidos.
A vertente social é muito relevante na medida que os carroceiros são integrados no processo, com a prefeitura assumindo um apoio na manutenção veterinária dos equinos e emplacando as carroças, criando no carroceiro ampla consciência ambiental e econômica. Os materiais que antes não tinham serventia passam a ter valor na medida em que são reciclados para uso na própria construção civil.
Fica aqui registrada a relevância e principalmente o pioneirismo das iniciativas, que já contam com quase duas décadas, incrementando avanços ambientais importantes e melhorias na qualidade de vida das populações beneficiadas. (ecodebate)

Maioria das cidades a PNRS não saiu do papel

Na maioria das cidades e capitais a Política Nacional de Resíduos Sólidos ainda não saiu do papel
Maioria das cidades e capitais não têm aprovada uma política de reciclagem e coleta seletiva como prevê a lei 12.305 de 2010.
Aprovada em 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/10) foi discutida por quase 20 anos no Congresso Nacional, mas embora seja considerada por especialistas como uma boa lei, existe uma preocupação sobre sua efetividade, porque ela exige uma participação ampla da sociedade. Mas qual o problema? Qual a dificuldade de separar o lixo? A população está consciente da importância de separar o lixo seco do orgânico e está fazendo a sua parte?
De acordo com o presidente da Coop Tubiacanga, cooperativa de catadores de materiais recicláveis com sede na Ilha do Governador, Vanderson Sabino, o discurso de que não adianta fazer a seleção do lixo em casa, porque o caminhão da limpeza urbana não tem este recurso, é verdade que falta recurso e é necessário ampliar a coleta seletiva, mas a população tem consciência sim da coleta seletiva. Ele agradece à população que faz a coleta seletiva em casa, porque o que ele recebe é muito bem separado e a qualidade do lixo seco é excelente.
Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana no Estado de São Paulo (SELUR), Ariovaldo Caodaglio, uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas mostra que a população tem conhecimento de que jogar lixo na rua, deixar de fazer a coleta seletiva e outros procedimentos é errado. “Todos têm consciência da coleta seletiva. Então parece que falta o envolvimento, fazer essa população ter comprometimento com a própria cidade em que vive da importância da coleta seletiva em relação a todas as questões ambientais”, avalia.
Para a diretora de Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Zilda Veloso, “é importantíssimo o papel do cidadão na separação o seu lixo. E mesmo que as prefeituras não tenham implantado a coleta seletiva, há catadores na maioria das cidades brasileiras”.
Ouça a entrevista em mesa redonda sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos, nesta rede de informação das Rádios Nacional de Brasília, Nacional do Rio e MEC AM do Rio de Janeiro, ancorada pelos jornalistas Marco Aurélio Carvalho e Valter Lima. (ecodebate)

domingo, 27 de setembro de 2015

El Niño influencia primavera e pode ter reflexos na agricultura

Chuvas acima da média nos estados do Sul e partes do Sudeste e Centro-Oeste, e o agravamento da seca no Norte e Nordeste. Esse é o prognóstico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para a primavera, que começou no dia 23 de setembro influenciada pelo El Niño. O fenômeno, que deixa a temperatura acima do normal em diversas regiões do planeta, pode ter reflexos na agricultura.
A primavera é a estação em que os agricultores colhem as lavouras de inverno na Região Sul, além de realizar o preparo e o plantio das culturas de verão. Nesta estação, eles também fazem o preparo e o plantio das culturas de verão. Precipitações acima da média no Sul podem provocar perdas na produtividade e na qualidade das lavouras de inverno.
O El Niño deste ano ainda não pode ser considerado severo, segundo a meteorologista Danielle Barros Ferreira, da Coordenação de Desenvolvimento e Pesquisa do Inmet. Ela ressalta que é preciso aguardar a evolução da anomalia positiva da temperatura das águas do Oceano Pacífico nos próximos dois meses.
"Atualmente, este El Niño está classificado como moderado, porém as projeções até novembro indicam uma probabilidade de atingir o máximo no verão, enfraquecendo gradualmente até meados do outono de 2016", explica a meteorologista.
Alguns reflexos foram notados nos três últimos meses (junho, julho e agosto), como chuvas predominantemente abaixo da média histórica na Região Norte e em parte do Nordeste e acima da média no Sul do Brasil.
Os fenômenos considerados mais fortes dos últimos 60 anos ocorreram nos anos de 1972-1973, 1982-1983 e 1997-1998.
Os distritos meteorológicos do Inmet, vinculado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), trocam informações e emitem alertas para que os agricultores se preparem para possíveis tempestades que possam afetar a produção agrícola.
Saiba mais
O El Niño é um fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e que pode afetar o clima mudando os padrões de vento e influenciar os regimes de chuva em regiões tropicais e de latitudes médias. (noticiasagricolas)

Projeção para outubro coloca reservatórios no Nordeste a 9,5%

Perspectiva do ONS é de que as afluências fiquem em apenas 42% da média de longo termo na região.
A situação do Nordeste continua a se deteriorar em termos de energia natural afluente. A previsão do Operador Nacional do Sistema Elétrico é de que a ENA daquele submercado fique em apenas 42% da média histórica no mês de outubro. Com isso, a estimativa inicial para o armazenamento ao final de outubro é de 9,5%. Segundo dados do próprio operador, os reservatórios da região acumulavam 14,65% em 24/09/15.
Segundo o operador, durante o primeiro dia de reunião do Programa Mensal de Operação, realizada em 24/09/15, a perspectiva de redução do nível dos lagos daquela região deve-se a um aumento esperado da demanda diante da elevação das temperaturas no país. Inclusive, já considera até mesmo que a UHE Sobradinho poderá secar caso o cenário hidrológico se mostre pior do que o esperado.
Já nas demais regiões, o ONS espera uma sensível melhora nos armazenamentos na região sul, com 82,2% do total. No maior submercado do país, o Sudeste/Centro-Oeste está projetado um nível de 28,9%, mesmo indicador esperado para o final de setembro, mas ainda em 24 de setembro o nível dessa região estava acima do esperado, com 33%. No Norte espera-se uma queda significativa ao final de outubro com 27,7%, atualmente a região está com 41,5%, segundo os dados mais recentes do operador.
Apesar dessa perspectiva o CMO médio está equalizado em todas as regiões do país em R$ 191,07/MWh. O valor para o patamar de carga pesado para a semana operativa que se inicia neste sábado, 26 de setembro, está em R$ 198,03/MWh, a carga média em R$ 194,64/MWh e a leve em R$ 183,80/MWh. Ontem, o ONS revelou que a perspectiva de chuvas para o final do mês de outubro no Sudeste/Centro Oeste é de 98% da MLT, mesmo com a perspectiva de atraso no início do período úmido. Já no Sul foi ajustado de 108% para 104% da média histórica. No Norte manteve-se em 67% da média.
Nessa mesma oportunidade o operador disse esperar uma queda de 3% na carga do mês de outubro quando comparada ao mesmo período do ano passado, para 65.152 MW médios. A previsão é de que esse patamar seja alcançado em decorrência da demanda 5% menor no SE/CO e de 4% no Sul do país. No sentido contrário, é esperado aumento do consumo de 7,1% no Norte e de 1% no NE. Essa disparada no consumo da região Norte deve-se à integração de Macapá ao SIN, que ocorreu em 13 de setembro. (canalenergia)

O rio Gorutuba, como tantos outros, também secou!

O rio Gorutuba tem suas nascentes situadas na Serra do Espinhaço, no município de Francisco Sá, a uma altitude média de 1090 metros, próximo à divisa com o município de Grão Mogol e, após percorrer cerca de vários quilômetros, passando pelos municípios de Janaúba, Nova Porteirinha, Verdelândia e Jaíba, finalmente vai desaguar no rio Verde Grande que, por sua vez, alimenta o rio São Francisco, poucos quilômetros abaixo.
O rio Gorutuba sofreu um forte impacto ambiental em 1979/1980, quando da construção da Barragem do Bico da Pedra, que desestruturou toda a dinâmica do rio, cortando-o em duas partes, isolando as águas da cabeceira das de jusante da seção. O rio, outrora intermitente, hoje recebe a jusante um abastecimento contínuo, através de controles mecânicos, durante todo o ano, o que alterou o quadro de espécies da cadeia alimentar, bem como os teores limnológicos, historicamente ligados ao ecossistema. Basta lembrar que a barragem interrompeu, definitivamente, a migração reprodutiva dos peixes de piracema, pela não inclusão, no projeto, de dispositivos próprios para mitigar este impacto.
Assim a calha hidráulica do antigo rio foi descaracterizada pelo assoreamento, tanto na profundidade como na largura, a jusante da represa, favorecendo, inclusive, o aparecimento de uma rápida eutrofização a partir dos efluentes agrícolas, industriais e urbanos.
A Barragem do Bico da Pedra, construída com terra, tem uma bacia hidráulica de dez mil hectares, com uma altura de 43 metros e base de 430 metros. O volume de água acumulado, em sua cota máxima, é de 705,6 milhões m3, com uma descarga do sangradouro de 500,0 m3 por segundo, uma vazão de restituição de 1,0 m3/s e uma vazão para irrigação de 6,0 m3/s mais 1,7 m3/s para irrigação do Projeto Lagoa Grande (CODEVASF, 1998).
A Comissão Gestora da Bacia do Rio Gorutuba – eleita em 08 de agosto de 2013 – tem a atribuição, ente outras, de promover o debate das questões relacionadas a recursos hídricos, articular a atuação das entidades intervenientes e promover a alocação negociada das águas no âmbito de sua área de atuação.
Hoje, o rio está precisando urgentemente de ajuda por que está totalmente seco, tanto a jusante como também a montante da Barragem do Bico da Pedra. Atualmente, em todo o percurso do Rio Gorutuba, só existe água no reservatório do Bico da Pedra que está com menos de 20% da sua capacidade total.
As fotos a seguir mostram a atual e precaríssima situação do rio a montante da Barragem do Bico da Pedra, ou seja, o reservatório não recebe hoje nem uma gota de água e as previsões são as piores possíveis.
* Aroldo Cangussu é engenheiro e ex-secretário de meio ambiente de Janaúba e diretor da ARC EMPREENDIMENTOS AMBIENTAIS LTDA. (ecodebate)