sexta-feira, 31 de março de 2017

Ciclo hidrológico do Pantanal depende da conservação da Amazônia

O Pantanal é o exemplo típico de um ecossistema que, desde a sua formação, sempre “dependeu, na sua constituição biológica, da composição de espécies florísticas e faunísticas de outros biomas, como da Floresta Amazônica, do Chaco, do Semiárido e principalmente do Cerrado”, diz Carolina Joana da Silva à IHU On-Line, ao explicar a inter-relação existente entre os biomas brasileiros.
A própria existência do Pantanal, pontua, depende integralmente dessa conexão do bioma com a Floresta Amazônica. “O bioma Pantanal também depende das chuvas originárias da Amazônia, por meio dos rios voadores, que trazem as águas e alimentam os rios e as cheias pantaneiras, e causam o pulso de inundação, serviço ecossistêmico de regulação dos processos ecológicos responsáveis pela produtividade do Pantanal”, esclarece Carolina na entrevista a seguir, concedida por e-mail.
Do mesmo modo, explica, por conta dessa “alta conectividade” entre os biomas, os danos ambientais que ocorrem na Amazônia geram implicações no funcionamento do Pantanal. Um exemplo disso tem sido o aumento do desmatamento, que “já está afetando a diminuição e o deslocamento das chuvas. Dessa forma, o ciclo da água entre Amazônia e Pantanal tende a ser afetado, e, consequentemente, serão afetados o pulso de inundação e a produtividade pantaneira”, adverte.
Carolina Joana da Silva é graduada em História Natural pela Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT, mestra em Biologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – Inpa e doutora em Ecologia e Recursos Naturais pela Universidade Federal de São Carlos – Ufscar. Atualmente leciona na Universidade do Estado de Mato Grosso – Unemat.

No dia 18 de abril, das 19h30min às 22h, a professora irá ministrar a conferência Impactos ambientais e contrassensos no pantanal brasileiro, atividade que integra o ciclo de estudos Os biomas brasileiros e a teia da vida, promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, que segue com sua programação até 14 de junho de 2016. Veja a programação completa aqui;
IHU On-Line – Como compreender o bioma Pantanal e qual sua relação com os demais biomas brasileiros?
Carolina Joana da Silva – O bioma Pantanal dependeu, na sua constituição biológica, da composição de espécies florísticas e faunísticas de outros biomas, como da Floresta Amazônica, do Chaco, do Semiárido e principalmente do Cerrado. Essas espécies ocorrem em outros biomas e raras são exclusivas do Pantanal, ou seja, são pouquíssimas as espécies endêmicas. O bioma Pantanal também depende das chuvas originárias da Amazônia, por meio dos rios voadores, que trazem as águas e alimentam os rios e as cheias pantaneiras, e causam o pulso de inundação, serviço ecossistêmico de regulação dos processos ecológicos responsáveis pela produtividade do Pantanal.
IHU On-Line – Quais os maiores impactos ambientais que o Pantanal sofre hoje?
Carolina Joana da Silva – Ao considerarmos o pulso de inundação (enchentes) como o principal serviço de regulação do Pantanal, ou seja, como um sistema movido por pulsos (como o Mangue, a várzea amazônica), atividades que interferem nesse mecanismo podem afetar o seu funcionamento. Estudos já detectaram mudanças climáticas no sistema Pantanal, indicadas por alterações nos padrões da chuva, exemplificadas pelos deslocamentos temporais.
No entanto, as mudanças mais diretas no pulso de inundação podem ser causadas pelos empreendimentos hidrelétricos — Usinas Hidrelétricas – UHEs e Pequenas Centrais Hidrelétricas – PCHs já construídas, em construção e previstas. A produtividade dos sistemas pantaneiros será afetada em menor ou maior escala, na dependência da distância da fonte, na quantidade e no tamanho desses empreendimentos.
IHU On-Line – Quais os desafios em relação à preservação do bioma Pantanal?
Não existe uma lei para este bioma, e a proposta que está no Congresso está desconectada de conceitos e atividades em andamento no Pantanal.
Carolina Joana da Silva – Ter uma legislação ambiental apropriada ao Pantanal, respostas políticas antecedentes e mantenedoras das normas e títulos vigentes. Por exemplo, não existe uma lei para este bioma, e a proposta que está no Congresso está desconectada de conceitos e atividades em andamento no Pantanal.
O título de Reserva da Biosfera nominado pela UNESCO ainda não foi implementado e quase foi perdido, devido à falta de interesse do governo federal em manter essa titulação. Também falta um planejamento que anteceda os impactos de empreendimentos, como as usinas hidrelétricas, e que discuta os limites para a construção dessas obras.
IHU On-Line – O que se sabe sobre a biodiversidade pantaneira hoje e quais suas particularidades?
Carolina Joana da Silva – A biodiversidade em números de espécies, ou seja, sua riqueza, varia de espécie para espécie. No entanto, o que chama a atenção é a abundância das espécies. No Pantanal, muitas espécies de plantas e animais são vistas em grandes quantidades de uma mesma espécie, como por exemplo, o jacaré e as aves pescadoras. As árvores ocorrem, com frequência, agrupadas, com características de monodominância, como os cambarazais, os paratudais e os piuvais.
IHU On-Line – De que modo o ciclo das águas no Pantanal pode contribuir para estudos sobre questões climáticas?
Carolina Joana da Silva – Considerando a alta conectividade entre o bioma Amazônico e o bioma Pantanal, mediado pelas chuvas — “rios voadores” —, e a dependência das chuvas na Amazônia, oriundas da própria floresta, o aumento do desmatamento já está afetando a diminuição e o deslocamento das chuvas. Dessa forma, o ciclo da água entre Amazônia e Pantanal tende a ser afetado, e, consequentemente, serão afetados o pulso de inundação e a produtividade pantaneira.
IHU On-Line – Até que ponto os desequilíbrios climáticos têm impacto na vida do Pantanal?
Carolina Joana da Silva – Eles afetam a extensão das enchentes, o deslocamento temporal das enchentes, as cheias, vazante e estiagem (fases do pulso de inundação) e, por consequência, todos os serviços ecossistêmicos (regulação, provisão, produção e culturais).
IHU On-Line – Qual a importância de observação da cultura dos povos originais para a compreensão do bioma Pantanal?
Carolina Joana da Silva – Os pantaneiros, organizados como povos indígenas ou comunidades tradicionais, mostram estratégias adaptativas ao pulso de inundação e conhecimento ecológico da biodiversidade, o que os mantêm resilientes nos sistemas ecológico e social.
IHU On-Line – Como se dá a relação entre o povo pantaneiro e o bioma hoje? Quais os maiores desafios e como conceber atividades econômicas que preservem a região?
Carolina Joana da Silva – O pantaneiro mantém estreita relação com o sistema ecológico, explorando micro-habitat e mantendo a sua biodiversidade, sua estrutura e funcionamento. De forma semelhante, o pantaneiro usa e garante populações de espécies, como as de peixes, as quais ainda se encontram em níveis adequados. O que acontece é que às vezes aumentam as pressões de origem externa ao sistema.
As tendências indicam que estratégias de policulturas, na escala das comunidades tradicionais, ou estratégias baseadas em mais de uma atividade, em populações locais, podem ter mecanismos adaptativos, que mantêm a resiliência desses povos no sistema socioecológico. O desafio está colocado na garantia de que essas estratégias tenham sua reprodução sociocultural continuada.
IHU On-Line – Qual o impacto das fazendas e da pecuária nos ecossistemas do bioma Pantanal?
Em escalas locais, observam-se alterações que dificultam o fluxo de água, devido às construções de diques.
Carolina Joana da Silva – As fazendas tradicionais têm mantido a estrutura e o funcionamento do sistema pantaneiro, no sentido macro. No entanto, em escalas locais, observam-se alterações que dificultam o fluxo de água, devido às construções de diques. Também temos observado a diminuição da diversidade de espécies arbóreas e a introdução de espécies exóticas em locais onde há pastoreio. Atualmente, fazendas que compartilham a pecuária com o turismo ou focadas mais nas atividades turísticas aparentam estar economicamente mais estáveis.
IHU On-Line – Como analisa o turismo no Pantanal hoje? Até que ponto esse tipo de atividade pode ser um caminho para preservação e uma ameaça ao bioma?
Carolina Joana da Silva – No Pantanal serviços ecossistêmicos de produção, como a pecuária e a pesca, têm tendência a serem compartilhados, ou substituídos em algumas fazendas pelos serviços ecossistêmicos culturais, como o turismo. A atividade turística depende mais do mercado externo do que de forças locais, o que pode caracterizar uma vulnerabilidade. No entanto, esse tipo de atividade também dá suporte à preservação. (ecodebate)


Dia Mundial da Água, não há o que comemorar

Não há o que comemorar em 22/03/17 quando celebramos o Dia Mundial da Água. Com a privatização do nosso patrimônio hídrico a pleno vapor no Brasil, só nos resta uma pergunta: por que comemorar?
Com a posse de 12% da água doce do planeta, o Brasil é a bola da vez para o mercado da água. Tudo, claro, justificado com eufemismos como modernização do setor hídrico, bom gerenciamento, alavanca para o desenvolvimento, água para quem tem sede e outros mais. Todos nós já conhecemos muito bem o resultado do “cuidado” por parte dos que detém o poder para com os nossos recursos naturais. Basta pensar no que aconteceu com os nossos minérios nas últimas décadas. Acontece que a água não é um elemento natural qualquer. Ela é essencial para manter a vida no planeta.
O Brasil sediará na capital do país, em 2018, o Fórum Mundial da Água. A grande mídia dirá que a discussão será pautada pela universalização do saneamento. A conclusão do documento final do Fórum eu adiantarei aqui para vocês: sem a participação da iniciativa privada não será possível levar saneamento a toda a população brasileira. Não, eu não tenho o dom de prever o futuro. É que basta ler alguns dos documentos dos Fóruns Mundiais da Água anteriores e dos eventos promovidos pelo Banco Mundial com relação a água. O resultado é sempre a afirmação de que a água tem valor econômico e deve ser tratada como uma mercadoria.
Houve um tempo que a água era privatizada por grandes proprietários, e ainda o é em muitos lugares deste país. Hoje, multinacionais e algumas empresas nacionais perceberam que a água pode ser o último recurso natural na lista dos privatizáveis. Ainda há mais um grande atrativo: diferente das outras matérias primas, a água não precisa passar por uma transformação para a venda. Está lá pronta para o consumo. Basta que seja captada, transportada e seguir para a venda.
A autorização para que a CEDAE, empresa de saneamento do Rio de Janeiro, seja privatizada acendeu a luz vermelha (creio que todas a luzes estão acesas neste momento do país). Há pouco ficamos sabendo que uma multinacional canadense comprou uma empresa privada de saneamento brasileira e será responsável pela distribuição de água de 5% da população no Brasil. Para os próximos anos anuncia-se a privatização de mais de uma dezena de companhias estaduais de água utilizando outros eufemismos como Parceria Público Privada e Parceria Pública de Investimento. Uma verdadeira ironia quando sabemos que cidades como Berlim e Paris reestatizaram as suas companhias de distribuição de água, gesto que já foi repetido por mais de 200 cidades ao redor do mundo nos últimos anos.
A questão da privatização da água tornou-se tão séria que até mesmo o Papa Francisco em sua encíclica Laudato Si afirma que “em alguns lugares cresce a tendência de se privatizar este recurso escasso, tornando-se uma mercadoria sujeita as leis do mercado.”2 Hoje sabemos que um destes lugares é o Brasil.
Só há uma maneira de parar esta insanidade. A necessidade de conscientização da população brasileira é urgente e necessária para contrapor-se com celeridade e eficácia a esta ameaça ao acesso a um bem comum. Sabemos por experiência com o que aconteceu na Bolívia no ano 2000 com a privatização da água que serão os mais pobres que pagarão o preço com esta política de exclusão. Água é importante demais para ser uma mercadoria. (ecodebate)

quarta-feira, 29 de março de 2017

Dia da água, água de cada dia

Lembrando 22 de Março, em meio a uma das mais longas estiagens do Semiárido Brasileiro.
Dia da água, água de cada dia - Roberto Malvezzi (Gogó) 
Um país que é o mais rico em água doce do mundo
Que tem a maior malha hídrica de rios do planeta
Que tem chuva em todo território nacional
Quem tem seu ciclo das águas potencializado pela floresta Amazônica,
Que distribui suas águas pelo Amazonas Voador que vai até Buenos Aires
Ou até mesmo até a Patagônia
Que armazena as chuvas desse rio nos aquíferos do Cerrado
Ou até mesmo no Aquífero Guarani
Que tem um único rio que sai do Sul para o Norte, pela Depressão Sertaneja
E que se chama rio São Francisco
E que é alimentado pelas águas do Cerrado
Mas, que tem uma elite econômica e política que vê as florestas e as águas como inimigas
Que para produzir tem que destruir
Ou acha que riqueza é soja, boi e eucalipto, mas não a água, as florestas e sua biodiversidade
Que faz obras hídricas faraônicas, mas é incapaz de lançar um olhar sobre o manancial de onde essa água sai
Ou faz a água faltar nas casas e torneiras do povo
Que insiste em privatizar os mananciais ou o uso da água
Que polui seus rios e esgota seus aquíferos
Esse país merece a observação de um Papa argentino chamado Francisco: “O criador foi pródigo com o Brasil. Concedeu-lhe uma diversidade de biomas que lhe confere extraordinária beleza. Mas, infelizmente, os sinais da agressão à criação e da degradação da natureza também estão presentes”
Esse país precisa de uma profunda conversão ecológica
E desenvolver uma nova cultura da água. (ecodebate)

Perdas de água potável na distribuição

Vazamento de água
Este é um tema recorrente, mas que nem por isso merece ser negligenciado. Imagine se na indústria farmacêutica houvessem perdas de 36 ou 38% nos caríssimos sais que constituem as mais importantes matérias primas. São estimadas perdas bem inferiores a 1% para viabilizar indústrias farmacêuticas.
Na indústria têxtil se estima valores que oscilam entre 1 e 2% de perdas na matéria-prima constituída por fios têxteis. E já se considera este índice muito elevado. Na indústria da construção civil, reconhecida por acolher as frações mais despreparadas de recursos humanos, com mais baixa escolaridade, e neste sentido presta um importante serviço de inclusão social, mas pessoal que por sua reduzida qualificação é desprezado por todos os outros setores.
Mesmo assim, na construção civil, nas pequenas e mais carentes empresas, as perdas são inferiores a 30%, em proporções muito variáveis. Mas isto já é um absurdo. Imaginar que o custo da ineficiência de precisar pagar por uma casa a cada 3, esteja embutido nos preços finais das construções. Nas grandes construtoras se imagina que os índices de desperdício, em média já sejam inferiores a 10%. Mas ainda assim absurdamente elevados.
E sobre as perdas registradas na distribuição de água potável, que se estimam com foi citado em números próximos a 40% em média? Nenhum comentário, nenhuma radical providência ou quebra de paradigma. Mas agora não tem mais protelação possível. Não importa quem pague o preço por esta fantástica ineficiência dos concessionários. Não existem águas disponíveis para sustentar este astronômico desperdício. A água perdida no caminho, é a água que não se dispõe para uso doméstico de qualquer natureza.
Segundo dados do Instituto Trata Brasil, o pior é a estimativa que menos de 40% dos esgotos, mais exatamente 37,9%, receba tratamento adequado antes de disposição final na rede hídrica superficial. Este esgoto sem tratamento acaba encarecendo ou inviabilizando a potabilização de muitas águas, além das perdas vergonhosas. Mas sejam serviços públicos ou concedidos via concessões legais, quem paga todo este circo de desperdício de água, que nem existe disponível para tais malversações, é o contribuinte através de impostos ou o consumidor via taxas.
Existem inúmeros motivos para este descalabro, começando como sempre pela incúria de políticas públicas. Onde existem amplos financiamentos subsidiados para obras de captação ou tratamento e reservação de águas, mas não são fáceis financiamentos de baixo custo para melhorias nas redes de distribuição. Sempre o povo pagando as inversões de prioridades nefastas.
Porque estes fatos se registram e se repetem na história? Não é forçar a barra num período tão conturbado da história do país, mas o financiamento eleitoral que empreiteiros sempre fizeram aos políticos brasileiros e que mais pode ser caracterizado como empréstimo com segundas e explícitas intenções que não comungam com o interesse público, moldam este cenário constatado. Praticamente inexistem casos relevantes e sistêmicos de recuperações de redes subterrâneas de distribuição.
Não faz mais sentido no país que a lógica e os interesses de empreiteiros e situações eleitorais continuem hegemonizando as questões vinculadas com água ou com saneamento básico. Ou então que se volte manifestar observações simplistas de que canos enterrados não sejam bons cabos eleitorais. Se não houver disponibilidade de água em unidades domésticas se desafia a afirmar que canos enterrados não se tornem potentes indutores de votos.
Dados levantados pelo Instituto Trata Brasil realizados com dados recentes do Ministério das Cidades, estimam em valores próximos ao intervalo de 8 a 10 bilhões anuais, as perdas econômicas geradas com os descaminhos da distribuição de água tratada. Poderia se repetir que este quadro é inadmissível, mas isto seria corolário de uma dança tautológica.
Se estima que ligações clandestinas, infraestrutura desgastada, vazamentos de toda espécie e situações das mais diversas, obras mal executadas ou medições incorretas no consumo de água, sejam as principais causas das perdas, com reflexos no faturamento das empresas operadoras, sejam públicas ou privadas.
São encontradas outras estimativas mais pedagógicas. As perdas com água tratada nas estruturas de distribuição, podem corresponder a 6 ou 7 vezes, a disponibilidade hídrica anual de todo o famigerado sistema Cantareira, objeto de noticiários tão exaustivos quanto as previsões meteorológicas.
Dentro de visão holística e sistêmica da questão, as perdas de água representam um obstáculo para a expansão das redes de distribuição do saneamento, além de aumentarem a pressão sobre os recursos naturais, agravando cenários de escassez de água, já que mais recursos hídricos precisam ser retirada do meio natural. E estas águas podem estar indisponíveis ou nem existir.
Dependendo da população escolhida para determinação estatística das perdas registradas, usando-se critérios análogos, se determinam perdas mais indecentes sob a perspectiva social e ambiental considerada. Na área do saneamento básico são mais do que necessárias disposições bélicas na sustentação de cruzadas indefectíveis que direcionem adequadamente a questão dos resíduos sólidos, da drenagem em áreas urbanas, da coleta e tratamento de esgotos e da distribuição de água potabilizada. (ecodebate)

segunda-feira, 27 de março de 2017

MCTIC estima que seca no nordeste se agravará até maio/17

Previsão climática do MCTIC estima que seca no semiárido nordestino deve se agravar até maio.
Período considerado chuvoso terá precipitações abaixo da média histórica do extremo norte da Bahia até o leste do Piauí, piorando níveis dos reservatórios de água da região. Além de comprometer o abastecimento de água para a população, estiagem prejudica a atividade econômica do semiárido. Previsão também indica cheia em rios da Amazônia.
Documento contempla previsão de março a maio deste ano.
Com chuvas abaixo da média histórica, a seca no semiárido deve se agravar até maio. A informação é do Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Segundo documento divulgado, do extremo norte da Bahia até o leste do Piauí, passando pelos estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, a previsão é de poucas chuvas entre março e maio. A situação é ainda mais preocupante porque este é o trimestre mais chuvoso na região semiárida.
“A situação é muito complicada. Os níveis dos reservatórios já estão muito baixos, e muitos estão com menos de 5% do volume total. Se chover como deveria, dentro da média histórica, já seria um problema grave, especialmente nas cidades grandes. Mas a situação meteorológica atual não indica que haverá melhora nos próximos meses”, afirma o coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), José Marengo.
De acordo com os cálculos do grupo de previsão climática, seriam necessárias precipitações pelo menos 30% acima da normal climatológica para melhorar a situação dos reservatórios. Além do consumo humano, a agricultura e a pecuária da região também ficarão comprometidas pela escassez de água.
“Isso gera um impacto grande na atividade econômica do semiárido. Criadores de animais e produtores rurais estão tendo muitas dificuldades para produzir sem água, e isso vai piorando com o passar do tempo e da falta de chuvas”, acrescenta Marengo.
Cheias
Na região Norte, por outro lado, a previsão é de muita chuva no próximo trimestre, com possibilidade de cheia nos principais rios da região amazônica. Três deles – Negro, Tapajós e Amazonas – já estão com os níveis próximos às máximas históricas. Segundo a previsão climática do MCTIC, o volume de água deve continuar “em acentuada elevação”.
O quadro representa uma grande mudança climática na região, especialmente no Acre, que enfrentou uma intensa estiagem até o final de 2016. “O Acre tem sido o estado-chave na questão de extremos. É o estado que tem reação mais rápida às condições climáticas. O quadro se reverteu completamente em poucos meses”, destaca José Marengo.
Participam do grupo de previsão climática do MCTIC especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), além do Cemaden. (ecodebate)

Estudo analisa impactos das mudanças climáticas na Amazônia

Pesquisa – Estudo analisa os anéis de crescimento de três espécies de árvores nativas para medir alterações no clima da região.
Pesquisador coleta filamento do tronco de uma árvore da Amazônia para estudos sobre mudanças climáticas.
Cientistas do Instituto Mamirauá em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) estão adotando uma nova estratégia para medir o impacto das mudanças climáticas na floresta de várzea da Amazônia: por meio da análise dos anéis de crescimento de três espécies de árvores.
“O que já sabemos é que o aumento da temperatura média do planeta é fruto da alta concentração de gases produzidos pelo homem. Por meio dos anéis de crescimento, temos a oportunidade de entender este fenômeno e ter mais informações sobre estas oscilações e seus efeitos sobre a floresta e as espécies que ocorrem lá”, afirma o pesquisador Claudio Anholetto, do Instituto Mamirauá.
Ele explica que algumas árvores formam anéis de crescimento ano a ano. Os círculos, que podem ser observados em alguns troncos de árvores, carregam uma série de informações sobre as espécies. É possível decifrar a idade de uma árvore e até as condições climáticas do ambiente em cada ano de vida da espécie estudada. A partir da análise estatística realizada com a utilização de softwares, os pesquisadores conseguem interpretar parte do histórico da árvore e relacionar as informações encontradas com os eventos climáticos, já registrados por pesquisadores em várias regiões do mundo.
As três espécies escolhidas para o estudo foram a Seringa Barriguda (Hevea spruceana), o Mututi (Pterocarpus sp.) e o Arapari (Macrolobium acaciifolium), tradicionalmente encontradas na Amazônia. As coletas foram feitas na Reserva Mamirauá por meio de um trado, instrumento de aço em forma de T, que possui uma hélice cortante em sua ponta.
O material será analisado no Laboratório de Anatomia, Identificação e Densitometria de Raios X da USP. Para garantir a confiabilidade das informações, são coletadas amostras em uma série de árvores. A partir dos padrões encontrados, a informação sobre o clima ao qual as árvores estavam submetidas em determinado espaço de tempo é filtrada. “Não só o clima local, como também padrões e anomalias climáticas globais”, ressalta Anholetto.
Software
Para obter as informações a partir dos anéis de crescimento, são utilizados softwares de análise estatística. O pesquisador explica que os programas sincronizam as informações das amostras e retiram as tendências biológicas de crescimento, relacionadas às fases de vida das árvores. Cada medida de largura de anéis de crescimento é convertida em índices, e as variações de crescimento são comparadas com a média de crescimento de todas as árvores.
“O software retira certas informações, que chamamos de ruído, deixando a maior quantidade de informações climáticas. Depois disso, comparamos essa variação de índices com os dados de equipamentos que medem precipitação, temperatura, etc. Com isso, conseguimos avaliar a influência do clima sobre o crescimento. Essa é uma das técnicas que usamos”, revela o pesquisador.
Na Amazônia, Claudio Anholetto realiza o estudo no Pará e no Amazonas, mas pesquisas com foco nos anéis de crescimento para análises relacionadas às mudanças climáticas e estoque de carbono também foram feitas em outros ambientes, como Caatinga (Sergipe) e Mata Atlântica (São Paulo, Rio de Janeiro e Sergipe), além de outros países, como o Chile.
Consequências
Como resultado do aumento da temperatura do planeta, decorrente da alta emissão de gases de efeito estufa, o pesquisador destaca que os eventos extremos de seca ou de cheia na Amazônia devem ficar mais frequentes até o final do século. “Os desmatamentos já produzem um clima mais quente e seco na região. Isto, aliado à elevação da temperatura relacionado às mudanças climáticas globais, aumentaria o risco de incêndios florestais”, diz.
Anholetto acrescenta que estudos apontam que as regiões mais atingidas pelas mudanças climáticas são as tropicais, como a Amazônia, e o nordeste do país. “São regiões que possuem alto grau de vulnerabilidade, não somente em biodiversidade como também no componente social.”
Os resultados do estudo com os anéis de crescimento das árvores também podem subsidiar estratégias com foco em políticas públicas para o Manejo Florestal Comunitário, por exemplo, com o estabelecimento do ciclo de corte, que é o período de repouso necessário para a recuperação da floresta, antes de um novo corte. E também a idade técnica de corte, que seria o diâmetro mínimo da árvore para a exploração.
A pesquisa é realizada no âmbito do projeto de doutorado em Ecologia Aplicada desenvolvido por Claudio Anholetto na USP em parceria com o Programa de Manejo Florestal Comunitário do Instituto Mamirauá, que conta com recursos do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). (ecodebate)

sábado, 25 de março de 2017

Efeito do desmatamento em chuvas na Amazônia

Artigo na revista Nature discute efeito do desmatamento em chuvas na Amazônia.
Artigo de Paulo Artaxo e pesquisador americano repercute estudo sobre impacto do desmatamento nas chuvas em Rondônia.
A influência do desmatamento na Amazônia na quantidade de chuva na região é objeto de um estudo publicado na revista Nature Climate Change, no final de fevereiro deste ano, que contou com comentário do professor Paulo Artaxo, do Instituto de Física (IF) da USP.
O artigo de Artaxo, assinado em conjunto com Jeffrey Q. Chambers, pesquisador da Universidade da Califórnia (EUA), comentou o estudo Regional dry-season climate changes due to three decades of Amazonian deforestation, de quatro pesquisadores das universidades americanas de Princeton e Miami (Jaya Khanna, David Medvigy, Stephan Fueglistaler e Robert Walko), que analisou o impacto do desmatamento em média escala na quantidade de chuva na região de Rondônia, na Amazônia. “Eles mostram que quando desmatamos uma região de médio porte [parte do Estado de Rondônia], a mudança na vegetação altera a circulação e faz chover menos na parte da região correspondente a antes do desmatamento, e chove mais depois da região desmatada”, afirma Artaxo. O professor explica que esse “deslocamento” da chuva é um efeito da mudança de rugosidade da superfície que ocorre quando uma região é desmatada. A floresta tem o dossel das árvores que causa um atrito na circulação da atmosfera, enquanto que este atrito é muito menor em uma área de pastagem ou plantação.
O estudo de Jaya Khanna e seus colegas analisou a região onde o Programa LBA, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), coleta dados meteorológicos desde a década de 1990 e mostrou que, em grandes áreas desmatadas, chove mais de um lado e menos do outro, de acordo com a direção do vento. Essa mudança pode ter consequências sérias para o clima da Terra — e para a agropecuária na região Norte.
Analisando informações de satélite e cruzando-as com medições feitas em campo e modelos de computador, Khanna e colegas mostraram que o sudeste de Rondônia está em média 25% mais seco nos meses da estação seca, enquanto o noroeste teve um aumento equivalente nas chuvas nestas últimas três décadas. A chuva concentrou-se depois da área desmatada, ou seja, foi “encurralada” pela região desmatada.
Segundo os pesquisadores, a devastação foi tão extensa — mais de 50% da floresta amazônica foi devastada em Rondônia nas últimas três décadas — que alterou o próprio mecanismo de precipitação no Estado: no lugar da chuva amazônica tradicional, na qual a umidade é inicialmente trazida do Atlântico e transportada ao longo da floresta e a chuva é reciclada pela evaporação que ocorre nas próprias árvores, modifica-se esse regime, e a precipitação é empurrada pelo vento por sobre a área desmatada e a floresta na sua borda.
Artaxo, em seu artigo, aponta que esse estudo observou uma mudança de pequenos pontos de desmatamento, na década de 1980, para clareiras florestais de tamanho intermediário na década de 2000, o que levantou a hipótese de que essa mudança modificaria as interações floresta-atmosfera, passando de uma condução térmica, sob pequenas clareiras, para serem dinamicamente movidas, sob grandes clareiras associadas a reduções na rugosidade da superfície.
Esquema da modificação das chuvas
“A produção da chuva ocorre por três razões diferentes: a termodinâmica da atmosfera, o vapor de água e os núcleos de condensação de nuvens. Todos têm que agir conjuntamente para que a chuva aconteça. Quando ocorre o desmatamento, a estratificação da atmosfera se altera, de um regime de condução térmica para um modo mais dinâmico, pela alteração da rugosidade de superfície”, explicou o pesquisador, citando que esse efeito não era, em geral, incluído nos modelos climáticos. “Mas agora, com a descoberta do fenômeno, teremos que levar a rugosidade de superfície muito a sério, pois altera a quantidade e a localidade da precipitação”, completou.
Paulo Artaxo atualmente coordena uma pesquisa sobre os efeitos no ecossistema amazônico de aerossóis atmosféricos naturais e emitidos em queimadas e aponta as fortes conexões do estudo publicado na Nature com a emissão de aerossóis: “O efeito que eles observaram foi durante a estação seca, quando há muito aerossol na atmosfera devido às queimadas. Portanto, os aerossóis não são os limitantes na produção da chuva nesse caso da estação seca, e os efeitos dinâmicos predominam”. O que é preciso saber agora, segundo ele, é se este efeito também ocorre em outras regiões da Amazônia, tais como o Pará e o Norte do Mato Grosso, da mesma maneira que ocorre em Rondônia.
Desmatamento influencia no regime de chuvas na floresta amazônica.
Para isso, novos estudos observacionais e de modelagem precisam ser feitos para entender o efeito para outras regiões e para a Amazônia como um todo. “A falta de dados meteorológicos na escala necessária na Amazônia é uma limitação importante. Os efeitos da mudança na superfície devido ao desmatamento são regionais até agora, mas a ciência pode mostrar novos aspectos deste fenômeno em escalas diferentes”, finaliza Artaxo. (ecodebate) 


Desmatamento ilegal e a perda de capitais de fazendeiros

Combate ao desmatamento ilegal passa pela perda de capitais de fazendeiros.
As vantagens econômicas de quem desmata ilegalmente são maiores do que o risco de uma possível punição aos desmatadores. Esta é a conclusão do estudo do pesquisador e analista ambiental Jair Schimitt, da Universidade de Brasília (UnB).
Tocador de áudio:
A pesquisa – apresentada em tese de pós-graduação – avalia o efeito das punições administrativas aplicadas pelo IBAMA para coibir o desmatamento na Amazônia.
O pesquisador explica que para combater a atividade ilegal é necessária a atuação dos órgãos de governo em várias frentes. Ele destaca a necessidade, por exemplo, de fazer com que produtores que plantam em área ilegal sentirem no bolso a perda de dinheiro.
“A soja que tava plantada em uma área, você apreender, retirar esses produtos, eles são essenciais para que o infrator sinta de imediato que ele teve perda de capitais, de ativos”, afirmou o pesquisador.
Jair Schimitt também é servidor do IBAMA e diz que muitas de suas propostas já vêm sendo aplicadas dentro da instituição. É o caso da punição de toda a cadeia produtiva envolvida no desmatamento, como frigoríficos e bancos que financiam os produtores ilegais.
Outra proposta que pode virar realidade é a conversão do valor das multas de desmatamento ilegal para projetos de conservação ambiental.
O projeto está em análise no Ministério do Meio Ambiente. Atualmente, esse valor é revertido aos cofres da União, sem destinação específica.
A pesquisa recebeu o Prêmio Capes de Tese 2016 na área de Ciências Ambientais, que reconheceu os melhores trabalhos de doutorado do país, além de ser premiada na segunda edição do Prêmio UnB de Teses e Dissertações. (ecodebate)

quinta-feira, 23 de março de 2017

Poluição marinha por detritos de plástico

A poluição do meio marinho por detritos de plástico: visão geral
ONU lança campanha contra poluição dos oceanos provocada por consumo de plástico.
A poluição do meio marinho por detritos de plástico: visão geral
Introdução
As correntes oceânicas têm vindo a desenvolver durante décadas detritos flutuantes em todos os cinco principais giros oceânicos (do Atlântico Norte, do Atlântico Sul, do Índico, do Pacífico Norte e do Pacífico Sul). Um giro oceânico é um grande sistema de correntes marinhas rotativas, particularmente as que estão relacionadas com os grandes movimentos do vento, e é causado pelo efeito da força de Coriolis (Heinemann et al., 1998). As correntes rotativas criam grandes manchas e redemoinhos de lixo, sendo muito dele constituído por resíduos de plástico (Jeftic et al., 2009).
No entanto, a quantidade exata de plástico que continua a ser encaminhado para os oceanos do mundo continua a não ser suficientemente conhecida. Um estudo de 2015 do grupo de trabalho sobre resíduos marinhos do National Center for Ecological Analysis and Synthesis (NCEAS), da Universidade da Califórnia, Santa Barbara, publicado na revista Science estima que a quantidade de resíduos de plástico que são despejados no mar ronda os 8 milhões de toneladas anualmente (Jambeck et al., 2015). O grupo de trabalho NCEAS prevê que o impacto cumulativo nos oceanos poderá ser tão elevado como 155 milhões de toneladas em 2025.
Contudo, o planeta não vai chegar ao “pico de resíduos” global antes de 2100 (Hoornweg et al., 2013), o que tenderá a agravar ainda mais a situação. “Estamos, deste modo, a ser dominados pelos nossos resíduos, mas o problema não é insuperável”, segundo Jambeck.
Naturalmente, que a inversão desta tendência alarmante passa pela redução do crescimento de plástico industrial e doméstico de uso único e por estratégias de gestão e recuperação, a par de responsabilidade alargada do produtor.
A poluição plástica (polímeros sintéticos) está distribuída globalmente em todo o ambiente marinho devido às suas propriedades de flutuabilidade e durabilidade, portanto, com potencial para se tornar amplamente dispersa no ambiente marinho através da hidrodinâmica e correntes oceânicas.
Através de fotodegradação (ação da luz solar) e outros processos atmosféricos, nomeadamente, biodegradação (ação de organismos vivos normalmente micróbios), degradação térmica (resultado da exposição prolongada a radiações UV) ou hidrólise (reação com água), os fragmentos plásticos dispersam-se no oceano, vindo a convergir nos giros. A geração e acumulação de poluição de plástico também ocorre em baías fechadas, golfos e mares cercados por linhas costeiras e bacias hidrográficas densamente povoadas (Barnes et al., 2009).
A absorção de substâncias tóxicas do plástico durante o seu percurso através do ambiente levaram alguns investigadores a afirmar que polímeros sintéticos no oceano devem ser considerados como resíduos perigosos (Rochman et al., 2013).
O presente trabalho aborda os perigos da poluição de microplásticos existentes e emergentes no Atlântico Norte, procurando sensibilizar para o problema e contribuir para os esforços em curso para desenvolver soluções para a poluição plástica.
O problema
Muitos autores definem microplásticos como partículas menores que 5 mm (e.g. NOAA, 2009), enquanto outros colocam o limite superior em 1 mm (e.g. Claessens et al., 2011), sendo, no entanto, o valor de 5 mm o mais utilizado. Este (5 mm) é o tamanho usado pelo norte-americano National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) para o Programa Lixo Marinho.
Estas partículas têm vindo a ser detectadas, de forma crescente no seio do biota aquático, afetando o zooplâncton de alimentação dos peixes, aumentado assim a preocupação com potenciais efeitos sobre os organismos aquáticos e a potencial influência sobre a toxicidade de outros contaminantes do meio marinho.
Os plásticos, fabricados a partir de recursos não renováveis como petróleo, carvão e gás natural são indispensáveis na sociedade moderna e são amplamente utilizados nos mais variados tipos de indústria. Trata-se de um material omnipresente na civilização contemporânea e encontramo-lo sob as mais variadas formas. As propriedades dos plásticos levaram a inúmeros avanços tecnológicos, economia de energia, melhoria da saúde dos consumidores e redução dos custos de transporte.
Devido à sua muito baixa taxa de degradação, quebrando apenas gradualmente, através de ação mecânica, persistem por séculos. Os plásticos de tamanhos variados acumulam-se tanto em ecossistemas terrestres como aquáticos.
Dada a sua importância na nossa sociedade, é também um dos materiais mais descartados no ambiente como lixo, muito do qual não recebe o destino correto e acaba, invariavelmente, nos mares, transportados por rios, cheias, e outros fatores humanos, tornando-se um dos fatores de impacto mais drásticos e observáveis ​​no ambiente.
No meio marinho, os plásticos acumulam-se tanto em áreas costeiras baixas como no oceano aberto e encontram-se desde os trópicos aos mares polares, cuja acumulação no giro oceânico, juntamente com vários outros resíduos, incluindo produtos químicos, tem despertado crescente preocupação, o que representa um grande desafio para a sua remediação (Zarfl et al., 2011).
Apesar da sua jovem idade, os plásticos já invadiram a maioria dos habitats marinhos incluindo a Antártida (Zarfl & Matthies, 2010) e até mesmo o mais puro e intocado: o fundo do mar Ártico como Bergmann & Klages (2012) demonstraram recentemente.
No entanto, apesar da consciência crescente do problema da poluição de plástico, ele continua a ser produzido, consumido e descartado a uma taxa crescente, o que constitui um problema para a biosfera como um todo, em animais marinhos que por sua vez afeta negativamente a biodiversidade (Rochman et al., 2013). Em 2011, a produção mundial de plásticos aumentou para cerca de 280 milhões de toneladas, continuando um padrão de crescimento de cerca de 9% ao ano desde 1950 (Plastics Europe, 2012).
O fundo do mar é considerado como um esgoto para grande parte dos plásticos marinhos. Interferem fisicamente no ambiente por acumulação, soterrando seres vivos que vivem no fundo do oceano ou bloqueando parte da superfície quando flutuam em grandes maciços, libertando substâncias tóxicas.
Origem da poluição plástica
Grande parte da poluição de plástico tem origem terrestre (80%), não só a partir do uso doméstico em áreas urbanas e industriais, como de estações de tratamento de água que usam técnicas limitadas e ineficientes para eliminar microplásticos, sendo normalmente transportados pelo escoamento da água e do vento para o oceano.
Os restantes 20% são de origem marítima (Jeftic et al., 2009), resultantes do despejo do lixo não regulamentado ou ilegal da atividade de transporte marítimo ou, por variadas razões ter de perder a totalidade ou parte da sua carga, e ainda a poluição originada pelas atividades industriais baseadas no mar, como por exemplo a pesca que, nas últimas décadas se acentuou devido ao aperfeiçoamento de técnicas e equipamentos, à expansão das frotas e à introdução das linhas e redes de plástico. Segundo Allsopp et al. (2007) observações informais indicam que são descartadas até 30 km de redes em cada viagem de navio pesqueiro no Atlântico Norte, situação que, muito provavelmente, se deve repetir noutros oceanos. Linhas, cordas e redes enredam-se em hélices de navios, danificando-as, obstruem tubulações e sistemas de bombeamento de água, provocam entrelaçamento da fauna marinha que a leva à morte por estrangulamento e afogamento, complicando a própria atividade pesqueira e a navegação em geral, tornando-se um problema de todos.
As plataformas petrolíferas são também grandes fontes da quantidade de plásticos derivados dos tubos de perfuração, capacetes de proteção, luvas, uso como abrasivos em aplicações de limpeza (também em uso doméstico) entre outros.
A aquicultura também pode ser um contribuinte significativo de detritos plásticos nos oceanos.
A situação no Atlântico Norte
Os resíduos de plástico, são uma séria ameaça aos ecossistemas marinhos. Depois de decompostos em fragmentos microscópicos, o que pode durar séculos, libertam substâncias tóxicas, misturam-se com o plâncton, são confundidos com alimento por várias espécies e por serem indigeríveis, causam obstruções no seu aparelho digestivo matando-os ou ferindo-os, acabando assim infiltrados em toda a cadeia alimentar oceânica, que mais tarde contaminará a alimentação humana. Afetando os ecossistemas e espécies, muitas delas de valor económico, naturalmente que o Homem acaba prejudicado também, como a ciência já comprovou. As grandes vítimas são tartarugas (espécie ameaçada), aves, focas e outros grandes animais marinhos.
Um levantamento realizado em praias da Espanha, França e Itália revelou em média a existência de 1 935 objetos diversos por km2 da faixa costeira: 77% deles eram de plástico, e destes, 93% eram sacos utilizados nas compras domésticas (Madan & Madan, 2009).
Estudos recentes efetuados na Escócia (Murray & Cowie, 2011) demonstraram que 83,0% dos lagostins recolhidos no Mar de Clyde ingeriram plástico, incluindo linhas de monofilamento e fragmentos de sacos de plástico. Num outro estudo realizado no Canal da Mancha (Lusher et al., 2013), das 504 amostras examinadas em 10 espécies de peixe foram observados plásticos no trato gastrointestinal de 36,5%. Todas as cinco espécies pelágicas e as cinco demersais (que vivem no fundo do mar) tinham ingerido plástico, a sua maioria constituído pelos polímeros rayon (57,8%), poliamida (35,6%), muito usados na indústria pesqueira, não existindo diferenças significativas entre a ingestão de microplásticos pelos peixes pelágicos (38%) e demersais (35%). A maioria do plástico ingerido era constituída por fibras sintéticas (68,3%), seguido de fragmentos plásticos (16,1%), pellets e “microbeads” (11,5%), ocupando os microplásticos 92,4% do total.
O Mar do Norte e, particularmente, o lodaçal das marés do Mar de Wadden é um ecossistema diversificado, complexo, que atua como um valioso habitat para a vida marinha com um alto grau de biodiversidade. Ao mesmo tempo, o Mar do Norte está rodeado pelas densamente povoadas nações industrializadas do norte da Europa. Aproximadamente 185 milhões de pessoas vivem em estados ribeirinhos, e milhões de turistas visitam a área do Mar do Norte todos os anos para recreação (OSPAR, 2010). Várias indústrias e grandes portos estão localizados em baías ou estuários dos grandes rios como o Reno, o Elba e o Tamisa.
No que diz respeito à exploração humana offshore, o Mar do Norte é afetado pela pesca intensiva e o tráfego marítimo de navios comerciais, de passageiros, de embarcações de recreio e militares. Alguns programas regionais, como a Convenção OSPAR promovem e gerem ações e medidas potenciais, para evitar maior degradação do meio ambiental marinho.
No estuário do rio Tamar (Sudoeste do Reino Unido) designado em 2013 como Zona de Conservação Marinha pela sua biodiversidade e habitats variados para proteger os habitats estuarinos, os microplásticos e potencialmente, também à escala nanométrica representam mais de 80% de plásticos retidos (Browne et al., 2007).
Muitos países já registaram declínio na pesca por causa do lixo, e o problema afeta também o turismo. Os impactos económicos ainda não foram estimados com precisão, e só se dispõe de estudos pontuais, mas a partir deles é fácil projetar a dimensão global dos prejuízos.
Nas ilhas Shetland (Reino Unido) os detritos marinhos dão prejuízos para a pesca que chegam a mais de 3 milhões de euros anuais na danificação de equipamentos e prejuízo nos peixes. No Reino Unido, em 1998 foram registados 200 incidentes envolvendo motores de barcos danificados por detritos, e alguns portos britânicos gastam até 33 mil euros anuais por problemas relacionados (Jeftic et al., 2009). 
Os impactos dos detritos plásticos a longo prazo, combinados com outras formas de agressão, como a crescente poluição química por fertilizantes e esgotos, o aquecimento das águas devido ao aquecimento global, o declínio da biodiversidade marinha e outros fatores terão repercussões, sem dúvida à escala global, afetando profundamente o Homem.
As zonas costeiras são as regiões mais produtivas do mundo, tanto biológica como economicamente, mas são também altamente vulneráveis, sobretudo em zonas mais densamente povoadas. Deve ter-se em conta que grande parte da população mundial vive no litoral, recebendo impactos diretos da poluição por detritos marinhos, plásticos e outros.
Esforços para regular a poluição marinha
Desde a Convenção MARPOL (1973), a principal Convenção que abrange a prevenção da poluição do meio marinho por navios, causada de forma operacional ou acidental, muitos esforços nacionais e transnacionais têm procurado compreender melhor e regular a poluição marinha.
Estes esforços têm conduzido a resultados tangíveis nas formas de melhorar a cultura ambiental, através de acordos internacionais e legislação, nomeadamente, (i) o Protocolo de MARPOL a partir de 1978, atualizado ao longo dos anos com sucessivas alterações (ii) a Comunicação da Comissão ao Parlamento Europeu, ao Conselho, ao Comité Económico e Social Europeu e ao Comité das Regiões sobre uma política marítima integrada para a União Europeia (COM(2007) 574) (iii) a Diretiva 2008/56/CE do Parlamento Europeu e do Conselho que estabelece um quadro de ação comunitária no domínio da política para o meio marinho (Diretiva-Quadro “Estratégia Marinha”) em que os Estados-membros devem desenvolver atividades para alcançar “um bom estado ambiental” nos mares europeus até 2020 (iv) a Convenção OSPAR (Convenção para a Proteção do Meio Marinho do Atlântico Nordeste), um instrumento legislativo vigente desde 1998, que regula a cooperação internacional em matéria de proteção ambiental no Atlântico Nordeste. Combina e atualiza a Convenção de Oslo de 1972 sobre o despejo de resíduos no mar e a Convenção de Paris adotada em 1974 sobre fontes de poluição marinha terrestres (v) a Public Law 109 – 449, de dezembro 2006 (EUA) com vista ao estabelecimento de um programa para ajudar a identificar, determinar as fontes, avaliar, reduzir e evitar detritos marinhos e os seus efeitos adversos sobre o ambiente marinho e segurança da navegação.
Estes esforços legislativos refletem a sensibilização da sociedade para com a poluição costeira e de mar aberto.
Possíveis soluções
A UNEP, a agência das Nações Unidas que coordena as suas atividades ambientais e ajuda os países em desenvolvimento na implementação de políticas e práticas ambientalmente saudáveis recomenda, entre outras, as seguintes medidas para minimizar o impacto negativo dos detritos marinhos, enfatizando que a prevenção é mais efetiva e mais barata do que o combate a um problema já instalado (Jeftic et al., 2009):
- Reforço e melhoria internacional da legislação sobre o lixo e sua fiscalização;
- Estabelecimento de programas de monitorização;
- Educação do público em larga escala conduzindo à mudança de hábitos, fazendo-o entender a importância do problema, seu papel nas causas, e ensinando formas de preveni-lo e mitigá-lo, dirigindo-se especialmente ao público que vive no litoral e aos turistas;
- Reestruturação do setor pesqueiro, introduzindo métodos e materiais de pesca menos danosos ao ambiente;
- Incrementar a eficiência e segurança dos sistemas de manuseamento de lixo dos navios de transporte de carga e passageiros;
- Incentivar a pesquisa e o intercâmbio de informações, a cooperação global, preparando mais pessoal técnico;
- Dedicar mais incentivos e recursos a infraestruturas sanitárias e a programas de redução do lixo e de manuseamento correto dos resíduos.
Em 2007, um grupo bastante invulgar de náufragos deu à costa no norte da França. Era constituído por patinhos de borracha e acabava de concluir uma viagem épica com 15 anos, iniciada em janeiro de 1992, data em que um navio que viajava entre Hong Kong e os Estados Unidos perdeu parte da carga durante uma tempestade. Um dos contentores caídos ao mar continha 28 800 brinquedos, alguns dos quais tinham aparecido anos antes na costa australiana e na costa leste dos Estados Unidos. Outros atravessaram o Estreito de Bering e o Oceano Ártico, tendo chegado à Gronelândia, ao Reino Unido e à Nova Escócia.
Conclusões
Os primeiros relatos de lixo plástico nos oceanos no início dos anos 70 (Colton et al., 1974) chamaram a mínima atenção da comunidade científica. Atualmente, apesar do reconhecimento generalizado do problema, a quantidade de detritos de plástico encontrada no meio ambiente continua a aumentar, resultado da sua crescente utilização.
Na sociedade contemporânea, o plástico alcançou um estatuto fundamental, com vasta aplicação comercial, industrial e medicinal. A procura é considerável.
As tendências de produção, padrões de uso e as mudanças demográficas e a natureza descartável de artigos de plástico resultará num aumento da incidência de plásticos e detritos microplásticos, no ambiente marinho.
O meio marinho é um património precioso que deve ser protegido, preservado e, quando exequível, recuperado com o objetivo último de manter a biodiversidade e de possibilitar a existência de oceanos e mares diversos e dinâmicos, limpos, sãos e produtivos. Os detritos marinhos, em especial os plásticos, são um desafio de grandes proporções que cresce a cada dia, é uma das mais omnipresentes formas de poluição e tem dado enormes prejuízos, e por isso tem chamado a atenção internacional, mas as medidas até agora adotadas têm sido insuficientes para a reversão de um quadro que é muito preocupante e cuja repercussão é de longo prazo.
De acordo com Jambeck et al. (2015), a “remoção em grande escala de detritos marinhos de plástico não vai ser rentável e muito provavelmente simplesmente inviável”. “Isso significa que precisamos para evitar plástico de entrar nos oceanos, em primeiro lugar de uma melhor gestão dos resíduos, mais reutilização e reciclagem, melhor design de produto e materiais de substituição”.
Definitivamente, o oceano tem de deixar de ser o principal sumidouro de plásticos. (ecodebate)

Iniciativa coleta 10 mil litros de óleo no Rio de Janeiro


Uma parceria entre a Cargill e a rede de supermercados Bramil para a coleta e reciclagem de óleo de cozinha usado fechou o ano de 2016 um saldo de 10 mil litros em lojas do Rio de Janeiro. A iniciativa faz parte do programa Ação Renove o Meio Ambiente desenvolvido pela Cargill.
O destaque fica por conta do município de Três Rios, no Centro-sul Fluminense, que coletou dois mil litros de óleo. O resultado foi potencializado por um projeto desenvolvido por estudantes da Faculdade de Educação Tecnológica do Rio de Janeiro (FAETERJ-Rio) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). A ideia é que os alunos reservem o óleo utilizado em casa e depois o entreguem nas escolas, adotando hábitos mais sustentáveis no dia a dia.
Segundo Fernando Janizello, analista de Sustentabilidade da Cargill, todo o óleo entregue nas escolas foi coletado pela Grande Rio Reciclagem Ambiental, empresa parceira da Cargill no estado do Rio de Janeiro, e encaminhado para reciclagem. “Na região de Três Rios, o programa Ação Renove Meio Ambiente é um sucesso, assim como em todo o estado do Rio de Janeiro. O sucesso foi tão grande que em uma parceria inédita com estudantes das faculdades locais apresentou os resultados no XII Congresso Nacional de Excelência em Gestão & III INOVARSE, realizado na capital fluminense em 2016”, afirma.
Programa Renove
Criado em 2010, com o objetivo de oferecer uma alternativa para o descarte correto do óleo de cozinha usado, o programa articula parcerias com redes de supermercados, empresas e ONGs para implantação de mais de 600 pontos de coleta de óleos e gorduras residuais em oito estados brasileiros (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul).
Desde sua implantação, a Ação Renove já arrecadou mais de 1,5 milhões de litros de óleo residual. (biodieselbr)


terça-feira, 21 de março de 2017

As nascentes da Serra de Jacobina (BA) pedem socorro

Em várias regiões do mundo, em um futuro não muito distante, à água de boa qualidade será escassa e começará a ser considerada como um bem de alto valor econômico, estratégico e social. Isto ocorre devido a sua importância para os mais diversos setores da atividade humana.
Neste contexto, as Serras de Jacobina são consideradas como principal fonte de água potável da Bacia hidrográfica do Rio Itapicuru. Suas elevações, com cotas acima de 1000 m, proporcionam o barramento dos ventos úmidos vindos do Oceano Atlântico e consequentemente o surgimento de um grande número de nascentes. Estas nascentes encontram-se distribuídas ao longo de quase 200 km de serras e abastecem pelo menos 51 municípios e 1,3 milhões de pessoas, ou seja, 7,57% da população baiana consome direta ou indiretamente as águas que escorrem através das Serras de Jacobina ate o oceano Atlântico.
As nascentes (ou mananciais) se formam quando a água subterrânea atinge a superfície e, consequentemente, a água armazenada no subsolo jorra (mina) na superfície do solo, dando inicio aos cursos de água (rio, ribeirão, córrego) (Foto 1).
Estes locais são denominados de Área de Proteção Permanente – APP e são protegidas por lei, conforme o inciso III, § 1º, do art. 225 da Constituição Federal e pelo art. 4º da Lei nº 12.651 regido pelo Código Florestal, entretanto, historicamente este tema vem sendo negligenciado por gestores públicos.


Foto 1- Vista panorâmica das Serras de Jacobina na região da Vila de Itaitu- Notar posição das nascentes localizadas em área de proteção permanente – APP. Fonte: Próprio autor.
As Áreas de Proteção Permanente (APPs) são espaços territoriais que relacionam áreas em superfície, independente da cobertura vegetal e tem a função de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade e assegurar o bem estar das populações humanas.
Até o momento nenhum estudo foi conduzido para avaliar e quantificar as nascentes ao longo de toda a cadeia das Serras de Jacobina. Assim, em comum acordo com os parâmetros estabelecidos na Lei Federal de Nº 12.651/12, são apresentados dados preliminares da Micro Bacia Hidrográfica de Itaitu – MBHI, considerada como uma área de estudo piloto localizada no município de Jacobina.
O objetivo deste estudo é subsidiar uma gestão eficiente e integrada dos recursos naturais de maneira a fomentar um correto planejamento territorial, incluindo ações mais eficientes de prevenção e fiscalização ambiental.
A MBHI, esta localizado na porção centro sul da Serra de Jacobina (Figura 1.b) e possui uma área de 32 Km² . Nesta área (Figura 1.c) foi constatado pelo menos 105 nascentes distribuídas ao longo do topo da serra, em uma faixa de aproximadamente 7km, o que representa 0,8 Km² de APP de nascentes. Os córregos/drenagem ao longo dessa faixa totalizam ao menos 46 km lineares e 2,69 Km² de APP de drenagem. Na porção plana, conforme o mapa apresentado ocorre pelo menos 37 km de córregos/drenagens e 2,1 Km² de APP de drenagem.


Figura 1 – Mapa indicando a localização a localização: A – Bacia Hidrográfica do Rio Itapicuru; B- Serras de Jacobina e a Serra do Tombador Notar detalhe da Região de Itaitu; C- Micro Bacia Hidrográfica de Itaitu na região de Jacobina.
Todas às áreas de APP distribuídas ao longo da Serra de Jacobina devem ser protegidas, entretanto estas áreas, incluindo a Serra do Tombador, que também contribui para o abastecimento parcial da Bacia do Rio Itapicuru, não recebem a devida atenção por parte do poder público.
Destaca-se também que estas áreas tem sofrido com sucessivos processos de queimadas, mais intensamente em 2015 (Foto 2) e mais recentemente em 2017, onde bravamente vem sendo combatido por brigadistas voluntários (Foto 3) em parceria os órgãos públicos competentes.


Foto 02- Vista panorâmica da Serra de Jacobina indicando áreas queimadas e focos de incêndios em áreas de nascente. – 2015.


Foto 03 – Brigadistas voluntários no combate ao fogo na Serra do Tombador – 2017. Fonte: Brigadistas voluntários.
Por todos esses motivos e devido importância do conjunto de serras e montanhas como fonte de água potável para a humanidade, parece razoável a implementação de políticas públicas de educação ambiental junto aos moradores e frequentadores da região, bem como de todas as cidades que abrigam em seu território este importante recurso natural. Por fim, que sejam implantadas práticas de coleta seletiva na zona rural e urbana como medida de proteção dos cursos d´água ainda vivos. (ecodebate)