quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Erupções vulcânicas e o aquecimento global

Erupções vulcânicas explicam em parte a redução do aquecimento global, diz estudo
Partículas expelidas por vulcões teriam compensado parte da emissão de gases de efeito estufa. Para pesquisadores, humanos contaram com a “sorte”, já que erupções ajudaram a manter a Terra mais fria.
Dos 14 anos mais quentes já registrados, 13 foram neste século. Mas desde 1988, o ritmo do aumento da temperatura da Terra está mais devagar. As contas dos cientistas não fecham: a velocidade do aquecimento global está muito inferior ao nível de emissões de gases estufa. Essa fase de “silêncio” ficou conhecida como hiato.
Um estudo [Volcanic contribution to decadal changes in tropospheric temperature] publicado em 23/02/14 na Nature Geosciense ajuda a explicar o mistério. As erupções vulcânicas registradas desde 2000 compensariam a diferença entre o aquecimento global previsto e o observado para este século. As partículas despejadas na atmosfera pelos vulcões são capazes de refletir a luz solar e, assim, manteriam a Terra mais fria.
Simulações climáticas feitas com dados de satélites sugerem que as cerca de 20 erupções ocorridas nos últimos 13 anos foram responsáveis por até 15% da diferença entre o aquecimento previsto segundo o alto nível de emissões e o de fato registrado.
“Esse ‘hiato’ no aquecimento desde 1988 tem uma série de causas diferentes. O resfriamento causado pelas erupções vulcânicas é apenas uma delas”, pontuou Ben Santer, do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia, um dos co-autores do estudo.
Uma questão de sorte
Para os cientistas, os humanos contaram com a sorte na última década. O estudo não pode ser usado para apoiar a falta de iniciativa das nações para cortar as emissões de gases estufa. “Nós tivemos sorte por observar um resfriamento natural que, parcialmente, contrabalanceou o aquecimento provocado pelo homem”, comentou Santer.
“Não sabemos como a atividade vulcânica vai se desenvolver nas próximas décadas e, por isso, não sabemos quanto tempo essa sorte vai durar.” Segundo o estudo feito por pesquisadores dos Estados Unidos e Canadá, outros motivos para a desaceleração do aquecimento global podem ser uma maior absorção do calor pelos oceanos, ou um declínio da atividade solar.
Os autores ainda não têm uma dimensão da magnitude do efeito dos vulcões. Para reduzir essas incertezas, será necessário aprimorar os modelos de simulação climática e as observações sobre as propriedades específicas dos gases expelidos nas erupções vulcânicas.
“Os vulcões dão apenas um alívio temporário à pressão implacável do aumento contínuo de emissão de gases de efeito estufa”, analisa Piers Forster, da Universidade de Leeds.
Divergências
Céticos do aquecimento global apontam a desaceleração do aquecimento da Terra observado nos últimos anos como uma prova de falhas nos modelos usados ​​para prever o fenômeno global. Eles alegam que há um exagero quanto ao efeito da retenção do calor a partir da emissão dos gases estufa, mas os autores do estudo discordam.
Grande parte dos especialistas em mudanças climáticas concordam que o planeta está excedendo o limite de aquecimento de 2°C, estabelecido em negociações climáticas pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC).
Em 2013, o nível de gás carbônico na atmosfera ultrapassou a marca de 400 partes por milhão (ppm), nível nunca experimentado por seres humanos. As concentrações de CO2 na atmosfera crescem de três a quatro partes por milhão a cada ano, especialmente por causa da queima de combustíveis fósseis. (ecodebate)

Pesquisas sobre aquecimento global e/ou mudanças climáticas

Referência: lista de algumas das mais recentes pesquisas sobre aquecimento global e/ou mudanças climáticas
Há quem diga que não existem evidências científicas do aquecimento global e/ou das mudanças climáticas ou que as pesquisas não indicam ou sugerem que estes fenômenos realmente existam.
Bem, visando colaborar com o debate, listamos abaixo algumas das mais recentes pesquisas sobre o tema.
Damos especial destaque para a pesquisa ‘Recent global-warming hiatus tied to equatorial Pacific surface cooling‘, que apresenta um indicativo sobre a desaceleração do aquecimento, que vem ocorrendo desde 1998. Essa desaceleração, ou hiato como o IPCC classifica, tem sido usada pelos chamados céticos do clima como argumento para dizer que está errada a crença científica de que a emissão de gás carbônico na atmosfera aumenta a temperatura do planeta. Para eles, essa conclusão sobre o impacto negativo das emissões de gás carbônico é exagerada.
No entanto, a polêmica se dá porque a maioria dos cientistas concorda que o aquecimento tem se mantido linear nesse período, mas justamente porque a maior parte do calor teria ido para o oceano*.
Sendo assim, a superfície terrestre estaria, sim, enfrentando uma pausa no aquecimento, mas porque a energia presa pelos gases do efeito estufa seria ‘enterrada’ debaixo da superfície do oceano, “transferindo” o aumento de temperaturas.
Destacamos que esta pequena lista não é de artigos de opinião, mas pesquisas devidamente publicadas em relevantes revistas científicas e submetidas a revisão por pares.
Uma boa explicação de como funciona a revisão por pares pode ser encontrada no European Food Information Council ou EUFIC (Conselho Europeu de Informação Alimentar), em http://www.eufic.org/article/pt/artid/the-scientific-peer-review-process/. Vejam, abaixo, alguns pontos desta explicação:
Como é que funciona?
Quando a investigação é submetida para publicação numa revista científica com revisão por pares, a revista convida vários (normalmente dois ou mais) especialistas independentes para avaliarem a credibilidade do trabalho. Estes especialistas apreciam a metodologia científica, os resultados e as conclusões apresentadas pelos autores, questionando se a ciência é tecnicamente credível, se a interpretação realizada é consistente com os dados apresentados e se a investigação é inovadora e abre portas a novas perspectivas de investigação.
Geralmente, os revisores são anônimos, não recebem honorários pela sua avaliação e não devem ter conflito de interesses relativamente à investigação apresentada. Se o artigo revisto pelos pares não cumprir os requisitos, o editor pode não aceitá-lo para publicação ou então solicitar alterações de acordo com críticas dos revisores, dando oportunidade aos autores de reagirem e reverem o seu manuscrito. (ecodebate)

Ano de 2013 foi o sexto mais quente desde 1850

Organização Mundial de Meteorologia afirmou que o ano passado ficou em sexto lugar na lista que começou a ser feita em 1850; secretário-geral da agência disse que resultado é consistente com a tendência de alta global das temperaturas.
A Organização Mundial de Meteorologia, OMM, alertou que 2013 foi o sexto ano mais quente da história desde que os dados começaram a ser registrados em 1850.
Segundo a OMM, 2013 e 2007 ficaram empatados com um aumento da temperatura da superfície terrestre e dos oceanos de 0,5º C em comparação ao período entre 1961-1990. A alta foi um pouco menor, de 0, 05º C, em relação à média registrada na década 2001-2010.
Alta Inegável
O secretário-geral da OMM, Michel Jarraud afirmou que o resultado é consistente com a tendência de aquecimento de longo prazo. Ele disse que o ritmo do aumento das temperaturas não é uniforme em todo o mundo, mas a tendência de alta é inegável.
Jarrau declarou que dada a quantidade recorde de emissão dos gases que causam o efeito estufa na atmosfera, as temperaturas globais vão continuar subindo pelas próximas gerações.
A OMM informou que 13 dos 14 anos mais quentes já registrados até agora ocorreram no século 21. O recorde está com 2010 e 2005, cujas temperaturas subiram 0,55º C acima da média, seguidos de perto pelo ano de 1988, por causa do efeito climático “El Niño”.
A organização explica que tanto o “El Niño”, que gera o aquecimento do planeta, e a “El Niña”, que faz o processo oposto reduzindo as temperaturas, representam os principais fatores de variação natural do clima.
Ano Neutro
A OMM esclareceu que 2013 é considerado um ano neutro, quer dizer, suas temperaturas não foram afetadas por nenhum destes dois eventos climáticos, “El Niño ou La Niña”.
Jarraud disse ainda que a ação ou inação das autoridades para cortar as emissões de dióxido de carbono e de outros gases que causam o aquecimento mundial vão moldar o estado do planeta que será entregue as próximas gerações.
Neste momento a OMM está coletando informações dos seus 191 Estados-membros sobre os eventos climáticos extremos ocorridos no ano passado.
Austrália
Um dado já visto é que a Austrália foi o país que registrou as mais altas temperaturas em 2013. Os Estados Unidos tiveram temperaturas recordes em 2012.
Se forem avaliadas somente as temperaturas da superfície terrestre, 2013 teve uma alta de 0,85º C em relação à média registrada entre 1961-1990 e 0,06º C entre 2001-2010.
Nesse sentido, ele foi o quarto ano mais quente, particularmente por causa de um período muito quente em novembro e janeiro.
Os dados divulgados são apenas uma parte preliminar do relatório sobre o “Estado do Clima 2013″ que será divulgado pela agência da ONU no mês que vem.
Nesse documento, a OMM vai dar detalhes sobre as temperaturas regionais, registros sobre chuvas, enchentes, secas, ciclones tropicais, como também sobre a situação das camadas de gelo e do nível do mar. (ecodebate)

Ondas de calor no país poderão ser mais frequentes

Ondas de calor que o país enfrenta poderão ser mais frequentes, diz Carlos Nobre, do MCTI
PBMC projeta um clima mais quente para este século. 
O calor excessivo registrado em 2013 e neste início de 2014 pode acontecer com mais frequência nos próximos anos se o país não conseguir reduzir o impacto do aquecimento global no meio ambiente, explicou o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Carlos Nobre.
O país enfrenta onda de calor desde o início de 2014.
Em entrevista à Agência Brasil, o secretário explicou que episódios isolados de períodos muito secos ou de muitas chuvas já ocorreram no passado, e alguns são típicos das estações do ano, como as ondas de calor. “Um fenômeno extremo isolado não permite que alguém imediatamente aponte o dedo e diga que é culpa do aquecimento global”, disse.
No entanto, explicou que o aquecimento global aumenta o número de ondas de calor. “Cem anos atrás, esse calor extremo acontecia a cada dez ou 20 anos. Com o aquecimento da Terra, vamos viver isso com mais frequência, e daqui a 100 ou 200 anos, esse vai ser o clima do dia a dia”.
Segundo ele, diferentemente do que ocorre com a espécie humana, um grande número de espécies não consegue acompanhar essas mudanças, principalmente os vegetais. “A extinção é rápida e a reconstituição da biodiversidade é lenta. Devemos esperar uma perturbação e uma extinção em massa, se isso não mudar”.
Como, em certo grau, a mudança no clima já se tornou inevitável, para Nobre seria irresponsabilidade da sociedade não cuidar de uma adaptação a essas mudanças. “Os países desenvolvidos têm sistemas que diminuem a vulnerabilidade a desastres naturais, mas os países em desenvolvimento ainda sofrem muito. Nossa lição de casa básica é tornar as sociedades e o meio ambiente mais resilientes para o que está acontecendo hoje”.
Corroborando as afirmações do secretário, a presidente do comitê científico do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), Suzana Kahn Ribeiro, diz que é necessário repensar o crescimento das cidades, os padrões de consumo e as políticas de eficiência energética, entre outros fatores, para tentar reverter a mudança no clima. “Muito pouca coisa se tem feito, o que é preocupante, dada a urgência do problema e o transtorno que traz. Não se trata apenas de incômodo para as pessoas, mas de perdas econômicas, aumento da desigualdade e riscos para saúde”. O PBMC projeta um clima mais quente para este século.
O secretário do MCTI, Carlos Nobre, faz parte do Conselho Consultivo Científico da Organização das Nações Unidas (ONU), que tem o papel de formular estudos e análises para assessorar o secretário-geral Ban Ki-moon sobre sustentabilidade, incluindo mudanças climáticas. “Em seis meses, esse conselho vai produzir documentos importantes que vão servir de referência para o secretário-geral destravar as negociações que começaram na Conferência de Copenhague, em 2009, sobre a emissão de gases”, explicou. (ecodebate)


Bovinos, o aquecimento global e o desmatamento

Reduzir os bovinos para combater o aquecimento global e o desmatamento
Reduzir a população de bovinos para combater o desmatamento e o aquecimento global.
Quase 70 bilhões de animais terrestres são mortos todos os anos para alimentar os cerca de 7 bilhões de seres humanos. São cerca de 10 animais mortos, anualmente, para cada pessoa.
Segundo a FAO, a criação de animais domesticados, no mundo, a serviço do apetite do homo sapiens, atinge cerca de 200 milhões de búfalos, 800 milhões de cabritos, 1 bilhão de porcos, 1,1 bilhão de ovelhas, 1,45 bilhão de bovinos e dezenas de bilhões de galinhas. A pecuária ocupa 26% da superfície terrestre global. O Brasil tem o maior rebanho bovino do mundo, com cerca de 215 milhões de cabeças (mais gado do que gente).
O impacto da população de ruminantes, especialmente bovinos, sobre o meio ambiente é muito grande. O metano liberado a partir dos sistemas digestivos dos animais criados pela pecuária é responsável por 14,5% de todos os gases de efeito estufa emitidos pelas atividades antrópicas. O gás metano é cerca de 30 vezes mais potente que o efeito do dióxido de carbono no aquecimento do planeta (um boi gera 58 quilos de metano por ano).
O consumo anual médio per capita de carne no mundo desenvolvido foi de cerca de 80 quilos em 2012 e está projetado para crescer para 89 quilos em 2030. Enquanto isso, no mundo em desenvolvimento foi de 32 quilos em 2012, projetado para crescer para 37 em 2030. Se gasta 15 mil litros de água para produzir um quilo de carne. Além de ser ruim para o meio ambiente, o consumo de carne também afeta a saúde humana.
Segundo um estudo feito na Universidade da Califórnia, publicado no periódico JAMA Internal Medicine, as pessoas que não comem carne têm mais chances de ter uma vida longa, se comparadas com aquelas que têm uma dieta “carnívora”. O trabalho envolveu mais de 73 mil participantes, reunidos entre 2002 e 2007 e acompanhados pelo período de quase seis anos.
Um novo estudo da Clínica de Cleveland (EUA) diz que uma substância química encontrada na carne vermelha é ruim para o coração. Segundo os pesquisadores, a carnitina é processada por bactérias no intestino, dando início a uma cadeia de eventos que resultam em altos níveis de colesterol e no aumento do risco de doenças cardíacas. Reportagem do jornal O Globo (30/01/2014) mostra que quase metade da carne bovina produzida no Brasil está fora do alcance da fiscalização do Ministério da Agricultura (Mapa) e não tem o Certificado de Inspeção Federal (CIF). Todo o controle de resíduos do uso de antibióticos, vermífugos e hormônios (que são proibidos no país) nos rebanhos cabe a órgãos municipais e estaduais, que geralmente não dispõem de meios adequados para a função.
No Reino Unido, o governo não recomenda comer mais do que 70g de carne vermelha ou processada por dia. Por tudo isto, cresce o movimento do Meatless day (pelo menos um dia sem carne na semana). Um dia sem comer carne é bom para a saúde e pode ajudar a combater o aquecimento global. Uma das campanhas de maior impacto é o Meatless Monday (“Segunda sem Carne”), movimento que surgiu nos Estados Unidos em 2003 e tem se espalhado ao redor do mundo.
O economista Nicholas Stern já defendeu comer menos carne para combater o aquecimento global. Estudo publicado pela revista Nature Climate Change propõe a redução da emissão de metano empurrando para cima o preço da carne através de um regime fiscal ou comércio de emissões. O aumento de impostos sobre a carne poderia reduzir o consumo pois “uma mudança na dieta em grande escala não vai acontecer voluntariamente , sem incentivos”. O professor de solos e mudança global na Universidade de Aberdeen, Pete Smith, um dos autores do estudo, disse: “Uma das maneiras mais eficazes para reduzir o metano é reduzir as populações globais de ruminantes, especialmente bovinos”.
No Brasil a pecuária bovina é usada, dentre outras coisas, para ocupar áreas que são desmatadas visando a comercialização e a valorização da terra. Gado, desmatamento e especulação de terras andam juntas. Reportagem publicado no Portal Ecodebate mostra que o rebanho bovino da Amazônia Legal cresceu 140% e passou de 26,6 milhões para 64 milhões de cabeças, entre 1990 e 2003, constituindo-se no principal fator de desmatamento. A violência e os homicídios também costumam acompanhar este processo. As plantações de soja também ocupam áreas desmatadas e já existem projetos no Congresso Nacional tentando legalizar a plantação de cana nas áreas em que a floresta foi destruida. Ou seja, primeiro se desmata para vender as madeiras e depois se ocupa os terrenos para as atividades antrópicas e a monetarização do território transformado em lucro e especulação. Por isto tem gente que diz que o Brail precisa de menos Friboi e mais “free boi”.
Mas a redução da população de bovinos e ruminantes domesticados não tem razões apenas econômicas. Há também uma questão ética e de respeito aos animais. Siddartha Gautama, o Buda, que viveu há cerca de 2500 anos atrás, praticava uma dieta vegetariana e defendia o direito à vida dos animais. Diversas outras personalidades da história também criticaram a matança de animais sencientes em função da alimentação humana. O veganismo defende o fim da exploração e do abuso dos animais por convicções éticas. O vegano não aceita a utilização de animais para alimentação, apropriação, trabalho, vivissecção, confinamento, nem outros usos da vida animal pelo ser humano.
Portanto, reduzir a população de bovinos e demais ruminantes é uma forma de combater a escravidão animal e um meio de diminuir o desmatamento e o aquecimento global. Com mais espaços livres das atividades antrópicas, o mundo pode avançar com o processo de reselvagerização da flora e da fauna, livres do utilitarismo e do domínio onipresente de uma única espécie invasora, egoísta e espaçosa. (ecodebate)


Frio na América do Norte e o aquecimento global

Onda de frio na América do Norte pode ser resultado do aquecimento global
Imagem de satélite da NASA mostra avanço de massa polar sobre Costa Leste dos EUA
A forte onda de frio que tem castigado a América do Norte é resultado de um ‘desvio’ do ar do Ártico para o sul e o aquecimento global pode ser a causa deste evento incomum, afirmou um especialista em 03/02/14.
O ar do Ártico costuma ficar confinado no topo do mundo devido a um potente vento circular chamado vórtice polar, explicou Dim Coumou, cientista sênior do Instituto Potsdam de Pesquisas sobre o Impacto Climático (PIK), perto de Berlim.
Quando o vórtice perde força, o ar começa a se dirigir para o sul, levando neve e frio excepcionais para latitudes intermediárias.
A mudança climática também é impulsionada por mudanças em um vento de altitude elevada chamada corrente de jato.
Esta convecção, que costuma circundar o hemisfério norte de forma robusta e previsível, começa a oscilar, criando círculos de clima extremamente frio ou de um clima moderado fora de época, dependendo da localização.
“Nós vimos uma forte oscilação da corrente de jato e o ar frio associado ao vórtice polar se moveu na direção sul. Neste caso, sobre as regiões leste do Canadá e dos Estados Unidos, levando este clima frio extremo”, afirmou Coumou.
Ele destacou que o fenômeno se repetiu nos últimos anos.
O que impulsiona o vórtex polar é a diferença de temperaturas entre o Ártico e as latitudes medianas, disse Coumou.
Antes agudo, este diferencial foi perdendo nitidez nos últimos anos à medida que o Ártico – onde as temperaturas estão subindo cerca de duas vezes acima da média mundial – aquece, explicou.
“Nós temos visto este tipo de onda de frio com mais frequência nos últimos invernos na Europa, mas também nos Estados Unidos”, disse Coumou em entrevista por telefone.
“A razão pela qual nós vemos estas fortes oscilações ainda não é totalmente conhecida, mas está claro que o Ártico está esquentando muito rapidamente. Temos dados confiáveis sobre isto. As temperaturas no Ártico aumentaram muito mais do que em outras partes do globo”, acrescentou.
No mês passado, cientistas europeus indicaram que o volume de gelo marinho em novembro tinha sido cerca de 50% maior do que há um ano.
Apesar dessa recuperação, o gelo marinho mantém baixas próximas do recorde documentado e a tendência geral é de recuo, afirmaram.
Coumou alertou que o gelo marinho do Ártico “é apenas um dos fatores importantes” por trás da disfunção do vórtice polar.
“Outros fatores incluem a cobertura de neve, eventos de aquecimento estratosférico ou outros fenômenos de curto prazo”, afirmou. (ecodebate)

Temperaturas globais subirão pelo menos 4°C até 2100

Novo estudo sugere que as temperaturas globais podem subir, pelo menos, 4°C até 2100
Temperaturas médias globais vão subir pelo menos 4°C até 2100 e, potencialmente, mais de 8°C até 2200 se as emissões de dióxido de carbono não forem reduzidas. É o que estima uma nova pesquisa [Spread in model climate sensitivity traced to atmospheric convective mixing] publicada na Nature. Os cientistas descobriram que o clima global é ainda mais sensível ao dióxido de carbono do que o previsto na maioria das estimativas anteriores.
A pesquisa também parece resolver um dos grandes incógnitas de sensibilidade do clima, o papel da formação de nuvens e se isso irá teria um efeito positivo ou negativo sobre o aquecimento global.
A chave para esta estimativa mais precisa, mas muito maior do que nas observações anteriores, está no mundo real, em torno do papel do vapor de água na formação de nuvens.
As observações mostram quando o vapor de água é absorvido pela atmosfera por evaporação, as correntes ascendentes podem subir para 15 km para formar nuvens que produzem fortes chuvas ou subir a poucos quilômetros antes de retornar para a superfície sem formar nuvens de chuva.
Quando correntes ascendentes sobem poucos quilômetros, elas reduzem a nebulosidade total, porque ‘puxam’ mais vapor para longe das regiões nuvens, formadas em altitudes mais elevadas.
Os pesquisadores descobriram que os modelos climáticos mostram uma baixa resposta da temperatura global não incluem o suficiente deste processo vapor de água de baixo nível. Em vez disso, simulam quase todas as correntes ascendentes, acima de 15 km e formando nuvens.
Quando apenas as correntes ascendentes mais intensas estão presentes em modelos climáticos, a formação de mais nuvens, com um aumento da reflexão da luz solar. Consequentemente, o clima global, nestes modelos, torna-se menos sensível na sua resposta ao dióxido de carbono atmosférico.
No entanto, as observações do mundo real mostram este comportamento é errado.
Quando os processos em modelos climáticos são corrigidos para coincidir com as observações do mundo real, os modelos produzem ciclos que levam o vapor de água a uma ampla gama de alturas na atmosfera, causando menos nuvens..
Isto aumenta a quantidade de luz solar e de calor na atmosfera e, como resultado, aumenta a sensibilidade do nosso clima para o dióxido de carbono.
O resultado é que quando os processos de vapor de água são corretamente representados, a sensibilidade do clima a uma duplicação do dióxido de carbono – o que poderá ocorrer nos próximos 50 anos – significa que podemos esperar um aumento de temperatura de pelo menos 4° C até 2100. (ecodebate)

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Chinês processa governo devido à alta poluição atmosférica

Chinês processa governo devido à alta poluição atmosférica
Ele disse que gastou dinheiro em máscaras, purificador de ar e esteira.
47 indústrias em Pequim já cortaram ou suspenderam a produção.
Visitantes usam máscaras enquanto visitam o Templo do Céu, em Pequim
Um homem que vive em uma cidade encoberta pela poluição no norte da China tornou-se a primeira pessoa no país a processar o governo por não reduzir a poluição do ar, informou um jornal estatal em 25/02/14.
Li Guixin, morador de Shijiazhuang, capital da província de Hebei , apresentou a sua queixa a um tribunal distrital, pedindo ao Gabinete Municipal de Proteção Ambiental de Shijiazhuang para "cumprir o seu dever de controlar a poluição do ar de acordo com a lei" , disse o Yanzhao Metropolis Daily.
Ele também está buscando compensação da agência para os residentes para a poluição sufocante que tomou conta de Shijiazhuang, e grande parte do norte da China, neste inverno.
"A razão que eu estou propondo compensação administrativa é deixar que cada cidadão ver que, em meio a essa névoa, nós somos as verdadeiras vítimas ", disse Li , citado pelo jornal.
Não está claro se o tribunal vai aceitar ação de Li.
Seu advogado, Wu Yufen, não quis comentar, dizendo à Reuters que "esta informação é muito sensível”. O tribunal eo bureau de proteção ambiental Shijiazhuang não pôde ser encontrado para comentar o assunto.
Li disse que gastou dinheiro em máscaras faciais, um purificador de ar e uma esteira para fazer exercícios internos em dezembro do ano passado, quando a poluição foi particularmente grave.
"Além da ameaça à nossa saúde, nós também já sofremos perdas econômicas, e essas perdas devem ser suportadas pelo governo e os órgãos ambientais, porque o governo é o destinatário de impostos corporativos, é um beneficiário", disse ele.
O Norte da China vem sofrendo a pior crise poluição do ar nos últimos meses.
Autoridades introduziram inúmeras ordens e políticas e fez inúmeras promessas para limpar o ambiente, mas o problema só parece piorar.
Homem faz exercício de máscara para se proteger da poluição em Pequim, na China.
Fábricas
O governo tem investido em projetos e capacitado tribunais para infligir sanções mais duras, mas a aplicação tem sido irregular ao nível local, onde as autoridades muitas vezes dependem dos impostos pagos pelas indústrias poluentes.
O Centro Nacional de Meteorologia elevou o alerta para poluição do norte e do centro da China, com poluição pesada esperado por mais dois dias, segundo a agência de notícias estatal Xinhua.
Pequim tem sido envolta em fumaça por mais de uma semana e em um esforço para reduzir a poluição, 147 empresas industriais em Pequim haviam cortado ou suspenso a produção a partir de 25/02/14, disse a agência de notícias Xinhua estado.
Os moradores da cidade estão ficando com raiva e alarmados.
"É claro que, nos dias em que os níveis de poluição atingir ou mesmo exceder a escala estamos muito preocupados e temos que ver isso como uma crise", disse Bernhard Schwartlander, representante da Organização Mundial de Saúde na China, à Reuters.
"Há agora evidências claras de que, em longo prazo, os altos níveis de poluição do ar pode realmente causar também câncer de pulmão...”, disse ele.
Hebei, uma importante região industrial que circunda Pequim, é o lar de algumas das cidades mais poluídas da China. Shijiazhuang rotineiramente gravou "além do índice" medições de material particulado no início de 2013.
A Academia de Ciências da China identificou a província como uma importante fonte de poluição nociva que pairava sobre Pequim há um ano.
O governo disse em um plano de ação para a Hebei em setembro que iria proibir novos projetos em certas indústrias, como as instalações de aço e cimento antigas, e reduzir o uso do carvão.
A província prometeu cortar a capacidade total de aço por 86 milhões de toneladas, cerca de 40 por cento da produção do ano passado, em 2020. Dados oficiais sugerem que está começando a acontecer. (g1)

China inicia inspeção para conter poluição atmosférica

O Ministério de Meio Ambiente da China informou  em 23/02/14 que enviou inspetores para Pequim e outras regiões do país para verificar indústrias poluidoras e construções em andamento por causa da forte poluição atmosférica.
Vinte grupos vão inspecionar fábricas - dentre elas as que produzem aço, carvão, vidro e cimento -, em Pequim, na cidade de Tianjin e na província de Hebei, assim como em áreas próximas, disse o Ministério.
Os grupos irão analisar as respostas dos governos locais à má qualidade do ar nos últimos dias e qualquer violação deverá ser comunicada à população.
O governo está ansioso para promover uma melhora visível nas condições do ar no país, que provoca descontentamento entre os cidadãos e prejudica a imagem do país no exterior.
Embora indústrias altamente poluidoras tenham padrões de emissão, eles não são necessariamente respeitados. Além disso, governos locais tendem a favorecer projetos bastante poluidores que possam gerar crescimento econômico.
Shijiazhuang, capital da província de Hebei, ordenou em 23/02/14 que 20% dos veículos particulares saíssem das ruas em áreas urbanas, com base nos números de suas placas, informou a agência oficial de notícias Xinhua.
Em 21/02/14 Pequim elevou seu alerta sobre poluição para o segundo nível mais alto pela primeira vez, o que significa que algumas fábricas tiveram de suspender ou reduzir a produção e que trabalhos de demolição, churrascos e fogos de artifício estavam proibidos. O alerta continuava em vigor dia 22.
Caminhões pulverizavam água nas ruas de Pequim, como parte da limpeza da cidade e um número maior de pessoas usavam máscaras.
Segundo a Xinhua, quase todas as províncias da região central e leste do país apresentam sérios problemas com poluição de 21/01/14. Pequim e outras cinco províncias ao norte e leste informaram a formação de "smog", que são nevoeiros com fumaça.
O Centro Nacional de Meteorologia informou que até 27/01/14 as condições do clima não devem ajudar na dispersão dos poluentes. (yahoo)

Chinês processa governo por poluição do ar

Um chinês morador de uma cidade do norte do país atingida pela má qualidade do ar tornou-se a primeira pessoa da China a processar o governo por não reduzir a poluição, informou um jornal estatal em 25/02/14.
Li Guixin, morador de Shijiazhuang, capital da província de Hebei, iniciou a ação em um tribunal distrital pedindo à Agência Municipal de Proteção Ambiental de Shijiazhuang que "cumpra o seu dever de controlar a poluição do ar de acordo com a lei", disse o Yanzhao Metropolis Daily.
Ele também está buscando compensação da agência para os residentes devido à poluição sufocante que tomou conta de Shijiazhuang, e grande parte do norte da China, neste inverno.
"A razão pela qual eu estou propondo compensação administrativa é permitir que cada cidadão veja que em meio a essa névoa nós somos as verdadeiras vítimas", disse Li, segundo o jornal. Não está claro se o tribunal vai acatar a ação de Li.
Seu advogado, Wu Yufen, não quis comentar o assunto. "Esta informação é muito sensível", disse ele à Reuters. O tribunal e a agência de proteção ambiental de Shijiazhuang não puderam ser contatados para comentar o assunto.
Li alega que gastou dinheiro para comprar máscaras faciais, um purificador de ar e uma esteira para fazer exercícios dentro de casa em dezembro passado, quando a poluição foi particularmente grave.
"Além da ameaça à nossa saúde, nós também já sofremos perdas econômicas, e essas perdas devem ser arcadas pelo governo e pelos órgãos ambientais, porque o governo é o destinatário de impostos corporativos, é um beneficiário", disse ele. (yahoo)

Pequim é considerada ‘imprópria para viver’

China deve fechar este ano 300 fábricas poluidoras; Pequim é considerada ‘imprópria para viver’
Índices de poluição em Pequim aumentaram desde janeiro.
O governo municipal de Pequim anunciou em 12/02/14, que vai encerrar este ano 300 fábricas poluidoras para tentar “melhorar a qualidade do ar na cidade”, considerada uma das capitais mais poluídas do mundo. A lista das fábricas será publicada até o fim de abril, adiantou a agência de notícias oficial chinesa.
De acordo com o novo plano para combater a poluição em Pequim, indústrias com grande consumo de energia, como de cimento e siderurgia, não serão “em princípio”, aprovadas pelo município.
“Manufaturas de mão-de-obra intensiva também não serão uma opção para o desenvolvimento da cidade”, defende o plano, aprovado em 2013.
Pequim é a sede de um município com cerca de 20 milhões de habitantes e área superior à metade da Bélgica.
Pequim é considerada “imprópria para viver” devido à poluição
No último ano, desde janeiro de 2013 – mês em que Pequim teve apenas cinco dias de sol – a poluição tornou-se uma das principais fontes de descontentamento popular na China, ao lado da corrupção e das desigualdades sociais.
Em avaliação sobre a qualidade ambiental em 40 cidades no mundo, feita pela Academia de Ciências Sociais de Xangai e divulgada hoje na imprensa oficial, Pequim ficou em penúltimo lugar e foi considerada “imprópria para viver”.
A capital chinesa, Pequim, ficou em penúltimo lugar em uma avaliação sobre a qualidade ambiental em 40 cidades globais, sendo considerada “imprópria para viver”, informou em 13/02/14 a imprensa oficial chinesa.
No levantamento, feito pela Academia de Ciências Sociais de Xangai, a capital chinesa é ultrapassada apenas por Moscou. “A grave poluição do ar tornou Pequim imprópria para viver”, diz o relatório da Academia, citado pelo Diário de Xangai.
Estocolmo (Suécia), Viena (Áustria) e Zurique (Suíça) ocupam os três primeiros lugares. Mais duas cidades chinesas avaliadas – Hong Kong e Xangai – aparecem no 34º e 36º lugares, respectivamente.
Quanto à tolerância social, Pequim e Xangai estão entre as dez primeiras e na área econômica (atração e estabilidade do mercado) figuram entre as 20 primeiras.
Em 13/02/14 de manhã, os indicadores sobre a qualidade do ar na capital chinesa estavam no nível considerado “altamente poluído”, com a densidade das partículas PM2.5 seis vezes acima do máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde. (ecodebate)


‘Arpocalipse’ na China

Crescimento econômico e poluição (‘arpocalipse’) na China
A China apresentou nas últimas 3 décadas o maior crescimento econômico de toda a história da humanidade. Nunca um país cresceu tanto em tão pouco tempo. Também nunca um país teve um impacto negativo tão grande no meio ambiente.
Na verdade, a China sempre foi um país muito avançado culturalmente e esteve na liderança da economia mundial durante séculos antes do início da Revolução Industrial e Energética ocorrida na Europa no final do século XVIII. A decadência chinesa coincidiu com o fim da dinastia Qing (1644-1912), que teve início quando os manchus invadiram a China em 1644 e derrotaram a dinastia Ming (1368-1644). Enquanto o Ocidente avançava, os imperadores Jiaqing (1796-1820) e Daoguang (1820-1850) não deram sequência ao estilo administrativo de seus antecessores e Estado chinês, conservador e rígido, não conseguiu evitar as ameaças externas, como na Primeira Guerra do Ópio (1839-1842) que, entre outras atrocidades, fez a China ceder a cidade de Hong Kong para a Inglaterra. Também a Guerra Sino-Japonesa (1894-1895) tornou a ilha de Taiwan uma colônia do Japão. O 12º imperador da dinastia Qing – Puyi (1908 -1912) foi forçado a abdicar, quando da criação da República da China em 1912, liderada por Sun Yat-Sen. Depois dos sofrimentos da Segunda Guerra Mundial, Mao Tse-tung liderou a formação da República Popular da China, em 1949.
Os 30 primeiros anos da República Comunista não foram fáceis e houve vários fracassos que aumentaram a pobreza do país, tais como:
1) o Grande Salto Adiante (1958-1960), cujos efeitos acarretaram a morte de milhões de pessoas devido à fome.
2) a Revolução Cultural que desorganizou o funcionamento do Estado e dos serviços públicos jogando o país em um caos econômico. Foi somente em 1978 que o movimento liderado por Deng Xioping (1904-1997) colocou em prática o programa conhecido como as quatro modernizações que fariam da China o país de destaque que é atualmente em termos de crescimento econômico.
O Produto Interno Bruto (PIB) da China, em 1980, era de apenas 247 bilhões de dólares (em poder de paridade de compra), segundo dados do FMI. Neste ano, o PIB dos Estados Unidos era de 2,788 trilhões de dólares e do Brasil era de 446 bilhões de dólares. Ou seja, a economia americana era 11,3 vezes maior do que a economia chinesa e mesmo o Brasil tinha um PIB 1,8 vezes maior do que o da China. Em 2013 a situação era bem diferente, pois os EUA tinham um PIB de 16,2 trilhões de dólares, a China de 13,6 trilhões e o Brasil de 2,5 trilhões de dólares. Em 2013, a economia americana era apenas 1,2 vezes maior do que a chinesa que, por sua vez, já era 5,5 vezes maior do que a Brasileira. As tendências atuais apontam que a China vai ultrapassar os EUA até 2017, quando será 6 vezes maior do que o Brasil. Até 2021 (quando se faz 100 anos do partido comunista), a China deve colocar uma nave tripulada na Lua, ampliando um grande programa de conquistas espaciais.
Sem dúvidas o salto da China em pouco mais de 3 décadas é impressionante. Segundo dados do Banco Mundial a China tinha 85% da população em situação de extrema pobreza em 1980 e caiu para 12% em 2010. A china tinha uma população de 1,360 bilhão de habitantes em 2010, sendo 163 milhões de pessoas consideradas muito pobres. Se a pobreza tivesse o mesmo nível de 1980 (85%) então a China teria 1,156 bilhão de pobres extremos. Então pode-se considerar que a China retirou o equivalente a 992 milhões de pessoas da extrema pobreza (US$ 1,25 ao dia) no espaço de 30 anos. A esperança de vida ao nascer era de 44 anos em 1950 e passou para 74 anos em 2010. Os ganhos econômicos e sociais foram realmente espetaculares.
Porém, o recém-concluído (novembro de 2013) Terceiro Plenário do Comitê Central do Partido Comunista – sessão de estratégia que acompanha uma vez por década a transição de liderança da China – teve que considerar que todo o sucesso econômico do país se deu às custas do agravamento da situação do meio ambiente e da depleção dos recursos naturais. O progresso humano chinês ocorreu em detrimento do regresso ambiental.
Embora a China tenha gasto mais dinheiro do que qualquer outra nação para evitar a erosão dos solos e garantir o abastecimento de água, apenas cerca de 11% das florestas da China têm funcionamento ecológico saudável. A Academia Chinesa de Ciências relatou que 43% das águas superficiais estão muito poluídas e impróprias para o uso, assim como 57% das águas subterrâneas – a principal fonte de água potável para centenas de milhões de pessoas que vivem nas cidades. A poluição do solo é tão extensa que o governo considera os dados sobre o assunto um segredo de Estado.
A autossuficiência alimentar, uma tradição cultural na China, já não garante o abastecimento e o país teve que importar volumes recordes de grãos em 2013. A demanda total de energia na China continua a disparar e o país se tornou o principal importador de petróleo, superando os EUA. O carvão mineral, fonte de grande parte da poluição do ar do país – continua em situação crítica e deve ter o seu uso aumentado em 70% ao longo das próximas duas décadas. Todas estas questões estão ligadas à transformação urbana-industrial em curso na China. Até 2030, estima-se que entre 300 e 400 milhões de pessoas vão se deslocar de áreas rurais para as cidades. A China já se tornou a maior emissora de gases de efeito estufa e deve continuar atingindo números recordes a cada ano.
Embora os dirigentes da China não tratem as questões do aquecimento global com a urgência necessária, os problemas da poluição do ar são encarados pela população como fundamentais, necessitando atitudes imediatas para o que é chamado de “arpocalipse”.
Em Xangai, nos momentos mais críticos, as autoridades têm alertado as crianças e os idosos para ficar dentro de casa, pois a exposição à poluição teria consequências perigosas para a saúde. Centenas de voos e eventos esportivos foram cancelados, enquanto máscaras e purificadores de ar se esgotam nas lojas. Em diversas ocasiões, o nível de poluição, de acordo com o Índice de Qualidade do Ar, pairava no “muito” e “severamente” poluídos, ficando em até 31 vezes os níveis recomendados.
Reportagem do jornal The Guardian, de 16 de janeiro de 2014, mostra que Beijing chegou a registrar, no início do ano, uma poluição do ar 26 vezes o nível considerado seguro pela Organização Mundial de Saúde. A poluição do ar tem assolado a maioria das grandes cidades chinesas, onde a proteção ambiental tem sido sacrificada em prol do desenvolvimento econômico. A queima de carvão e as emissões dos automóveis têm sido as principais fontes de poluição, reduzindo a visibilidade a várias centenas de metros e causando diversos problemas de saúde na população.
Existem dúvidas se a economia chinesa ainda tem fôlego e recursos para crescer. O PIB chinês, provavelmente, pode se tornar o maior do mundo. Mas resta saber se a população vai ter oxigênio para respirar, água saudável para beber e as mínimas condições de qualidade de ar para respirar, evitando o permanente estado de ‘arpocalipse’. (ecodebate)

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Represa a 120 km da capital fica sem água

Reduto de paulistanos, represa a 120 km da capital fica sem água
Casas de veraneios às margens de reservatório em Joanópolis são colocadas à venda e setor turístico é afetado.
Em Joanópolis, a 120 quilômetros de São Paulo, condomínios com casas de veraneio e pousadas que funcionam como marinas para muitos paulistanos permaneceram vazios nos fins de semana nos últimos dois meses. Nesta mesma época do ano passado, havia filas de barcos para entrar na represa, cuja profundidade atingia até dez metros, segundo relatos de quem vivia do turismo no município paulista.
Hoje, a mesma represa virou uma imensa cratera de terra seca, com espinhas de peixes à mostra. No alto dos morros onde a água chegava é possível ver atracadouros de madeira antes usados por proprietários de lanchas e de jet skis. A Represa de Joanópolis movimentava o turismo na região de Atibaia e sempre atraiu paulistanos apaixonados por esportes náuticos desde os anos 1970.
Administrador do Condomínio Represa da Serra, onde turistas endinheirados mantêm mansões com barcos na garagem, Geraldo Cavalcanti afirma que até os proprietários mais assíduos pararam de frequentar o lugar.
"A represa tinha 10 metros de profundidade. Isso aqui lotava, eu ajudava a colocar mais de 30 barcos na represa por fim de semana. Jamais achei que isso aqui iria acabar. Virou um deserto", diz Cavalcanti.
O canal por onde as lanchas entravam secou por completo. O pouco de água que sobrou na parte mais funda está sumindo com o assoreamento das margens - a terra seca desmorona dos barrancos e contribui para a morte.
À venda
No condomínio Entre Serras e Águas, a Represa de Joanópolis também secou. Muitos proprietários que mantêm barcos nas casas do local colocaram seus imóveis à venda.
"Nunca tinha visto a represa descer a esse ponto, de virar um terrão. O pessoal de São Paulo sumiu", conta a administradora Silvia Rosa e Silva. "Não dá mais para entrar com barco na represa. Não tem nem como chegar com o barco na parte onde ainda tem água", diz ela.
Até setembro do ano passado, segundo os administradores, ainda era possível nadar e andar de barco na represa. Mas o reservatório formado com águas do Rio Jaguari não resistiu à falta de chuvas nos meses de dezembro e janeiro.
"A água foi baixando, mas achei que em janeiro viriam as chuvas e tudo voltaria ao normal. Jamais na minha vida achei que fosse ver isso aqui virar mato", afirma o mecânico de barcos Ronaldo Ferreira, de 60 anos, que está pensando em mudar de ramo depois de quatro décadas de trabalho.
"Minha família está passando necessidade, não tenho trabalho desde o ano passado. Em janeiro eu sempre garantia o dinheiro até o meio do ano", conta o mecânico de barcos de Joanópolis. Ele acrescenta: "Agora já estou pensando em ficar sócio de um restaurante na (Rodovia) Fernão Dias". (OESP)

Pior seca muda vida da população da Cantareira

Pior seca em 50 anos muda vida da população às margens da Cantareira
Agricultores perderam suas safras e ficam à espera de um caminhão-pipa da prefeitura, famílias convivem com cheiro de esgoto, poços e minas estão secos e hoje há mato e pedras onde antes havia represas e cachoeiras. Quatro anos após as enchentes que obrigaram mais de 6 mil pessoas a deixar suas casas na região do Circuito das Águas, no interior paulista, a pior estiagem em 50 anos mudou a vida da população às margens dos principais mananciais do Estado, que normalmente estariam transbordando nesta época do ano.
Quem já foi resgatado de barco de sua residência, como o aposentado Alex Viegas, de 65 anos, agora vive sem água para lavar roupa e sob a ameaça de racionamento. "O Rio Atibaia secou de um jeito que nunca vi. O que era rio virou mato. Dá pra atravessar a pé em alguns lugares. Só tem pedra", conta. Nessas condições vive boa parte da população de cinco municípios visitados pelo Estado, todos cortados por rios que abastecem quase 10 milhões de paulistas: Itapeva e Extrema, em Minas, e Joanópolis, Atibaia e Bragança Paulista, no interior.
Viegas mora no Parque das Nações, bairro de classe média ao lado do Rio Atibaia. Nesta mesma época do ano em 2010, a água chegou a quase 2 metros de altura na rua onde ele mora. Como outros 1,3 mil moradores da área, ele ficou 40 dias fora de casa. Em 2011, os alagamentos voltaram a se repetir e, mais uma vez, o aposentado e seus vizinhos foram resgatados em botes da Defesa Civil.
O mesmo rio que transbordou virou um filete de água fétido, raso e cheio de esgoto. No quarteirão ao lado de onde mora Viegas, as marcas das enchentes ainda estão nas paredes do sobrado da dona de casa Maria Helena Xavier, de 40 anos, também resgatada de barco em 2010. "Aqui estou lavando roupa a cada 15 dias. Mas o pior é o cheiro de esgoto do rio. Muita gente continua jogando lixo no Atibaia com ele seco, e o cheiro de esgoto está no bairro inteiro", diz a dona de casa.
O trecho do Rio Atibaia que corta o Parque das Nações chegou a 4,27 metros de profundidade no verão de 2010. Em 20/02/14 o nível do manancial era de 72 centímetros.
Diante do colapso iminente no abastecimento, a prefeitura está multando quem lava as calçadas - o valor é equivalente à soma das últimas três contas de água do infrator. Há quatro anos, porém, o temor era outro: a mesma prefeitura e boa parte da cidade temiam que as represas do Sistema Cantareira, à época com nível de água em 99,8%, pudessem romper. Anteontem, os reservatórios baixaram para 17,7%.
Drama
A situação é ainda pior para agricultores, moradores e donos de pousadas que vivem ao longo dos 90 quilômetros do Rio Jaguari, a mais importante fonte de água para os paulistas. A agonia de quem vive do Jaguari pode ser observada desde as nascentes do manancial, no sul de Minas, até seu encontro com o Rio Camanducaia, em Jaguariúna, na região de Campinas. A vazão, que chegou a 50 metros cúbicos por segundo nas cheias de 2010, hoje está em 11 m³/s.
Agricultores de Itapeva, no sul de Minas, que perderam a safra de milho dependem hoje de duas visitas semanais de caminhões-pipa para conseguir tomar banho e cozinhar. As minas e poços secaram à medida que o nível do Jaguari também baixava. "Aqui nós não temos água mais. Tínhamos um poço para quatro famílias, de 25 metros de profundidade, que secou. O milho não teve adubo que resolveu, ficou pequeno demais. Perdemos tudo", conta a agricultora Irene Gercina, de 69 anos, que teve de sair de casa durante as enchentes de 2010.
Donos de pousadas na estância turística de Extrema, também no sul de Minas, estão à beira da falência após a Cachoeira do Salto, reduto de praticantes de rafting, praticamente secar. Outras cachoeiras e trechos do Rio Jaguari usados por praticantes de esportes radicais também estão com baixa vazão. "Em 2010, nós paramos porque a correnteza do rio era muito forte, encheu demais. Agora estamos parados por causa da seca", diz o operador de turismo Carlos Santana, de 39 anos.
Mais para baixo, em Bragança Paulista, o Rio Jaguari, de tão pequeno e raso, parece um córrego. Na zona rural do município, onde o manancial transbordou em 2010 e deixou 700 desabrigados, hoje é necessário fazer uma trilha pelo meio do mato para encontrar seu curso, escondido na mata fechada, com 86 centímetros de profundidade.
"Nem os lambarizinhos conseguem mais nadar, está muito raso mesmo. Estou com medo é de quando chegar o inverno. Aí, sim, o Jaguari vai sumir de vez", lamenta o agricultor Salmo Ceni, de 49 anos, todos vividos às margens do Jaguari.
Silêncio
Procurados pela reportagem, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) do Estado informaram, na sexta-feira, não ter porta-vozes disponíveis para comentar a estiagem que afeta os principais reservatórios do Estado. (OESP)

Lobão garante abastecimento mesmo com nível abaixo

Lobão garante abastecimento mesmo com nível abaixo do esperado de reservatórios
Segundo o NOS, reservatórios devem chegar a abril com 43% no mínimo no SE/CO.
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, garantiu  que não haverá desabastecimento de energia elétrica "em nenhuma circunstância", ao ser perguntado sobre a previsão do Operador Nacional do Sistema Elétrico de que os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste terão de atingir até o final de abril o nível mínimo de 43% para que o sistema atravesse o período de seca sem dificuldades. "Mesmo que não se chegue a esse nível, não teremos desabastecimento", reforçou o ministro, ao chegar ao ministério em 19/02/14.
Questionado sobre o custo da geração de usinas termelétricas para garantir o abastecimento, Lobão lembrou que as térmicas foram construídas para operar quando forem necessárias. "As térmicas são feitas para isso. Elas são uma reserva estratégica em um momento de dificuldade", disse, antes de admitir que garantir energia custará mais caro. 
Sobre a possibilidade de que o Tesouro banque esse custo para evitar impactos para o consumidor e sobre o caixa das distribuidoras, o ministro respondeu que essa "é outra história".  "Ainda não decidimos", acrescentou.
O diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, disse em 18/02/12 que o  valor previsto para os reservatórios no final de abril é adequado para que não sejam necessárias grandes afluências de maio a novembro e se inicie o próximo período úmido com um nível de água nos reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste entre 30% e 40% . Segundo o ministro,  o governo deseja que se chegue a abril com o volume esperado pelo ONS, que ele considera confortável. (canalenergia)

Vilões do desperdício de água

Veja os vilões do desperdício de água e saiba como economizar
Sabesp lançou programa que dá desconto para quem reduzir consumo
Uma cartilha da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) mostra aos consumidores como reduzir o uso de água nas atividades diárias. Além disso, consertar simples vazamentos e cortar hábitos como molhar a grama ou lavar a calçada com mangueira são formas de reduzir a conta de água e ainda ganhar um desconto oferecido pela companhia.
O programa vale para consumidores das zonas central e norte da capital paulista, e das cidades de Barueri, Caieras, Carapicuiba, Francisco Morato, Francisco da Rocha, Itapevi, Jandira, Osasco e Santana de Parnaíba, todas na Grande São Paulo. A iniciativa da Sabesp é devido ao baixo nível dos reservatórios de água. Na terça-feira (4), o nível do Sistema Cantareira, que atende essas localidades, chegou a 21,2%, o mais baixo da história..
O alto consumo de água, devido ao calor, e a falta de chuvas significativas há quase dois meses fizeram que os reservatórios no Estado chegassem a níveis preocupantes. Porém, o governador Geraldo Alckmin descartou racionamento até o dia 15, quando deve voltar a chover. (r7)

Sistema Cantareira é visto como insuficiente desde 2004

Problema foi agravado com a seca; represa abastece 47% da região metropolitana de São Paulo.
Entre dezembro e janeiro, o Cantareira já registrou o mais baixo índice de chuva desde o início das medições, há 84 anos.
A necessidade de se encontrar novas fontes hídricas e o volume limitado de água produzido pelo Sistema Cantareira, que abastece 47% da região metropolitana, são problemas que os governos estadual e federal conheciam desde 2004 e que foram agravados pela seca fora de época deste verão. Mas as duas principais alternativas de captação de água a curto prazo sofreram atrasos para e só devem ser concluídas em 2018.
No documento de concessão da outorga dada à Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) em 2004 para explorar por dez anos a Cantareira, o artigo 16 estipulava que a empresa deveria realizar em 30 meses "estudos e projetos que viabilizem a redução de sua dependência do sistema". A renovação da outorga deve ser feita em agosto deste ano.
Quando o plano foi entregue pela Sabesp em 2006, o DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica) e o Estado consideraram que ele "não atendia plenamente ao anseio expresso no artigo" e determinou que o próprio governo realizasse estudos mais abrangentes.
Iniciado em 2008 e concluído apenas em outubro do ano passado, o Plano Diretor de Recursos Hídricos para a Macrometrópole Paulista aponta que o atual sistema de abastecimento das 180 cidades (uma mancha urbana de 52 mil quilômetros quadrados) deixaria pelo menos 79, entre elas São Paulo, Campinas, Piracicaba e Santos, com falta de água se houvesse cenário equivalente ao da pior seca da história, entre 1951 e 1956.
"A região não dispõe de dispositivos hidráulicos capazes de garantir o suprimento de água bruta quando da ocorrência de eventos críticos de escassez. O próprio conteúdo do artigo 16 já sugere a existência da limitação", registra o estudo.
Entre dezembro passado e janeiro deste ano, o Cantareira já registrou o mais baixo índice de chuva desde o início das medições, há 84 anos. Se a estiagem continuar nos próximos anos, 60% dos lares da capital ficariam com as torneiras secas, segundo o estudo. Em Campinas, o índice chegaria a 90%. Rui Brasil Assis, assessor especial da Secretaria do Saneamento e Recursos Hídricos do Estado, afirma que esse é um problema sério.
— Estamos falando da primeira e da terceira maior economia do País, que concentram 28% do PIB nacional, que tem a água como um fator limitante.
Segundo o plano, até 2035 a população da macrometrópole saltará dos atuais 30 milhões para 37 milhões. O consumo de água, hoje de 223 mil litros por segundo, crescerá para 283 mil. A diferença equivale a quase duas Cantareiras (que produz 36 mil litros por segundo).
Soluções
O estudo aponta que terão de ser investidos de R$ 4 bilhões a R$ 10 bilhões em novos reservatórios, captações e sistemas de transferência. O estudo aponta vinte alternativas. Foram estudadas propostas de retirada de água do Aquífero Guarani (descartada durante as análises) até a busca em regiões distantes, como no Alto Paranapanema, que custaria R$ 8,7 milhões. Foram feitas simulações combinando dez das vinte propostas. Cada combinação seria suficiente para suprir a demanda até 2035.
A principal conclusão é que, se houver investimento e vontade política, atrelados às reduções do consumo e desperdício, o colapso pode ser evitado. Hoje, cinco projetos estão em andamento e poderão aumentar em pelo menos 15 mil litros por segundo a oferta hídrica, mas as duas principais alternativas a curto prazo atrasaram e estão previstas para 2018, data-limite projetada no estudo.
A primeira é a construção das barragens de Pedreira, no rio Jaguari, e Duas Pontes, no rio Camanducaia, em Amparo, que servirão de reserva estratégica para estiagem em Campinas e terão vazões médias de quase 10 mil litros por segundo cada uma. O governo publicou semana passada decreto para desapropriar as áreas de até 4,6 km² e lançou edital para contratar o estudo de impacto ambiental, com prazo de 17 meses.
A segunda é a construção de uma represa no rio Piraí, em Ibiúna, por meio de uma PPP (Parceria Público-Privada), para levar 4,7 mil litros de água por segundo por 83 km de tubulação. O sistema, batizado de São Lourenço, vai abastecer 1,5 milhão de pessoas. Ele sofreu atraso de dois anos, mas as obras começaram no fim de 2013 pelas empreiteiras Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, como explica o secretário-chefe da Casa Civil, Edson Aparecido.
— Não há mais como pensar o saneamento e o fornecimento de água de maneira individualizada dentro da macrometrópole. (r7)

Sabesp desperdiça 32% de água, mas diz perder 25%

A quantidade é suficiente para abastecer uma cidade com mais de 1,1 milhão de habitantes.

Nível do reservatório do Sistema Cantareira está em 18,4%.
Embora tenha lançado campanha pela economia de água até com desconto para quem reduzir o consumo, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) não cumpriu suas metas e desperdiçou mais água durante a sua distribuição do que os 25% que tem divulgado. Na prática, o índice real de perdas no trajeto entre a represa e a caixa d'’água dos consumidores cresceu entre 2011 e 2012, atingindo 32,1% do volume produzido.
Os dados constam de um relatório técnico divulgado em fevereiro/14 pela Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia de São Paulo), que fiscaliza a Sabesp. Pelos cálculos, o volume anual de água perdida aumentou em 85,7 bilhões de litros em vez de diminuir. A quantidade é suficiente para abastecer uma cidade com mais de 1,1 milhão de habitantes como Campinas. A meta, contudo, era reduzir esse índice para 30,6%, ante os 30,7% de 2011.
Segundo a Sabesp, contudo, o nível de perda entre esses dois anos ficou praticamente estável em 25,7%. A diferença ocorre porque o índice divulgado pela companhia compara o volume disponível para distribuição com o volume de água que é pago pelos consumidores. "Na situação atual, este conceito não reflete adequadamente as perdas que ocorrem no sistema de abastecimento", afirma o relatório da Arsesp.
A agência alega que o índice da Sabesp não é o real porque considera um volume de água faturado pela empresa mas que não foi consumido pelas pessoas. Isso ocorre porque a empresa cobra uma tarifa mínima de R$ 16,82 por mês de quem consome até 10 m3, mesmo se o consumo for menor. Somente acima desse índice é que a tarifa é cobrada por metro cúbico utilizado.
"A alteração ou eliminação desse consumo mínimo, que deverá ser analisada na proposta da nova estrutura (revisão tarifária), provocará significativa alteração no nível das perdas de faturamento e manterá inalterado o nível de perdas efetivas", aponta a Arsesp. A revisão da tarifa está sendo discutida neste momento e os novos valores entrarão em vigor em abril. A Sabesp queria reajuste de 13%, mas a agência o limitou a 4,66%.
Com as perdas efetivas de água, a diferença entre o índice da Sabesp e a média nacional fica menor. Segundo o SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), do Ministério das Cidades, a perda média em todo o País foi de 38,8% em 2011, último dado disponível. O novo índice da companhia paulista surpreendeu até quem atua no setor, como o engenheiro hidráulico e professor da Escola Politécnica da USP Rubem La Laina Porto.
— Isso é novidade para mim, mas mostra a importância de se ter uma agência reguladora para um serviço que é um monopólio natural, que é o abastecimento de água. A maior parte das perdas ocorre nos ramais, que fazem a ligação dos dutos até as residências. Eles ficam enterrados, são muito antigos e têm um diagnóstico e um reparo mais difícil.
Tendência
Em nota, a Sabesp informou que "não há índice certo ou errado para calcular as perdas no sistema de abastecimento" e que "cada indicador tem uma finalidade e deve ser usado de acordo com a necessidade para avaliar o sistema".
Segundo a companhia, o índice de perdas efetivas em 2013 foi de 31,2%. "É importante ressaltar que cada ponto porcentual reduzido em perdas significa uma sobra de água para abastecer 300 mil pessoas. Em qualquer critério. Assim, a queda de dez pontos porcentuais ocorrida entre 2004 e 2013 resulta em uma sobra de água suficiente para abastecer 3 milhões de moradores", informou a Sabesp. (r7)

Para Sabesp, reduzir perdas “é muito complicado”

Água desperdiçada: para Sabesp, reduzir perdas “é muito complicado”
Perdas efetivas de água em 2013 atingiram 31,2% sobre o volume produzido pela empresa.
A presidente da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), Dilma Pena, disse na terça-feira (18) que há várias formas de medir o volume de água desperdiçada na distribuição aos consumidores e que a empresa tem um programa "muito agressivo" de redução de perdas, com uma programação de financiamento já contratada de R$ 4 bilhões. Segundo ela, porém, é "complicado" reduzir o volume de água perdida.
Reportagem publicada pelo Estado mostra que as perdas efetivas de água em 2013 atingiram 31,2% sobre o volume produzido pela Sabesp. A companhia, contudo, divulga que o índice foi de 24,4%. A diferença ocorre porque a Sabesp compara a produção total com o volume de água pago pelos consumidores, que é maior do que o volume consumido, já que cerca de 35% dos usuários pagam uma tarifa mínima de R$ 16,82 por até dez mil litros por mês, mesmo tendo gasto uma quantidade menor, como explica Dilma.
— Todo sistema de abastecimento de água, no mundo inteiro, tem algum tipo de vazamento. Há métricas, formas, de medir o vazamento. Você pode calcular a perda pelo micromedido e, nesse caso, não calcula tudo o que é consumido, por exemplo, em áreas irregulares, favelas. Tudo isso não entra na perda, mas reflete na produção.
Ela destacou que a Região Metropolitana de São Paulo e a Baixada Santista "ainda têm muitas áreas irregulares" e que isso interfere na medição.
— E tem outra forma de medir, que é a forma que a Sabesp publica no balanço, que é por faturamento. Então, quanto que a Sabesp produz e quanto que ela fatura de água. Aí estão embutidos também um porcentual de perdas físicas, em torno de 15 a 16%. 
Segundo Dilma, é "muito complicado" reduzir perdas.
— Passar de 35 (%) para 28 (%) é muito simples e se gasta pouco dinheiro. Passar de 28 (%) para o que queremos, em torno de 18 (%) até o fim da década, é muita tecnologia e muito dinheiro. (r7)

Alckmin diz que racionamento ‘está descartado’

Alckmin diz que racionamento de água em São Paulo ‘está descartado’
Apesar de que a queda no nível de água, governador diz que situação é estável.
Alckmin elogiou economia feita por moradores abastecidos pela Cantareira.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse em 18/02/14 que desconsidera a hipótese de racionamento de água na capital e em cidades abastecidas pelo Sistema Cantareira. Apesar de o nível das represas ter caído 0,1 ponto percentual entre 17 e 18/02, o tucano afirmou que a situação está estável.
"Hoje está totalmente descartada essa situação [racionamento]. Entendo que essa colaboração da população é crescente", disse em evento da Sabesp em Carapicuíba, na Grande São Paulo.
Alckmin acrescentou que em duas semanas os moradores atendidos pelo Sistema Cantareira economizaram água suficiente para abastecer uma cidade como Osasco.
Também presente no evento, a presidente da Sabesp, Dilma Pena, pediu para que a população continue economizando água. "Estamos passando por um evento crítico aqui em cima de São Paulo", afirmou, referindo-se à área de alta pressão que impediu a formação de chuvas por mais de dois meses.
Nível das represas
Após ficar um dia sem cair, apresentando 18,5% em 16 e 17/02/14, a capacidade dos reservatórios de água do Sistema Cantareira baixou novamente. Em 18/2 o índice chegou a 18,4%.
A explicação, segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), está na fraca chuva registrada nesta segunda-feira, apenas 1mm na região dos reservatórios. Para que os níveis da Cantareira voltem a subir, é importante que chova no sul de Minas Gerais, em Bragança Paulista e em Vargem Grande, de acordo com o órgão. Formado por quatro represas, o sistema é responsável por abastecer casas de mais de 8 milhões de pessoas na Grande São Paulo.
Em janeiro, as chuvas que normalmente chegam a 300 milímetros, ficaram em 87,7 milímetros. "Além disso, foi o janeiro mais quente da história e como não chove (o que ajudaria a baixar a temperatura), o consumo de água acaba se mantendo em nível elevado o dia todo", informa a companhia.
Saiba como economizar
Para economizar, a Sabesp recomenda que o consumidor adote algumas atitudes diárias.
Veja abaixo:
- tome banhos rápidos e feche a torneira ao ensaboar;
- lave a louça de uma vez e feche a torneira ao ensaboar;
- não lave a calçada e o quintal, use a vassoura;
- ao lavar o carro, use um balde;
- acumule roupas para lavar na máquina de uma vez só;
- deixe a torneira fechada ao escovar os dentes e fazer barba.
Outro fator que colabora para o desperdício de água são os vazamentos. A Sabesp disponibiliza  um curso gratuito que ensina práticas simples para identificar possíveis problemas em instalações hidráulicas. O programa é aberto ao público em geral e é ministrado nos períodos da manhã e tarde.
Os participantes recebem uma cartilha explicativa ilustrada e um certificado de conclusão. Quem se interessar deve procurar a regional da Sabesp mais próxima de sua residência. Visite o site da Sabesp para conferir os endereços. (g1)

Cantareira baixa; Alckmin descarta falta d’água

Nível do sistema caiu de novo para 18,4% da capacidade; segundo governador, economia feita pela população vai evitar racionamento.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), descartou ontem a possibilidade de racionamento de água, apesar de o índice do Sistema Cantareira ter voltado a cair, atingindo 18,4%, novo recorde negativo. Segundo Alckmin, a redução no consumo de água aumentou entre os dias 9 e 16 de fevereiro, na segunda semana do programa proposto para incentivar o uso consciente de água.
“A economia começou (na primeira semana) com 500 litros por segundo, ou seja, meio metro cúbico por segundo, e agora (na segunda semana) chegamos ao recorde de 2,12 metros cúbicos por segundo”, disse o governador ontem, em visita a um conjunto habitacional em Carapicuíba, na Grande São Paulo.
O programa da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) prevê que aqueles que diminuírem em 20% o consumo de água terão mais 30% de bônus, o que, de acordo com Alckmin, representa uma redução de quase 50% na conta de água. “A boa notícia foi a resposta da população”, acrescentou.
Segundo o governador, cada metro cúbico abastece cerca de 300 mil habitantes. “Então, a economia de 2,12 metros cúbicos por segundo permite abastecer uma cidade como Osasco ou São José dos Campos, apenas com o uso racional da água”, explicou. Alckmin também afirmou que hoje “está totalmente descartada” a possibilidade de racionamento de água na Região Metropolitana de São Paulo. “Se tivermos uma boa colaboração da população, com o uso racional da água, eu espero que não (haja necessidade de ocorrer racionamento).”
Ele disse ainda que a queda de 0,1% do nível de abastecimento do Sistema Cantareira ontem sinaliza estabilidade. “Nós devemos ter alguns dias de pouca chuva e, a partir do fim de semana, chuvas intensas. Agora precisa ver onde cai a chuva”, disse, lembrando que São Paulo vive a pior seca dos últimos 84 anos neste verão.
Sistema Cantareira
O índice de armazenamento de água do Sistema Cantareira chegou a 18,4% da sua capacidade. O nível é o pior já registrado desde o início de operação do sistema, em 1974. Anteontem, os reservatórios do Cantareira haviam se estabilizado e contavam com 18,5% da capacidade, mesmo índice registrado em 16/02/14.
Com a estiagem atípica deste verão, no primeiro mês do ano choveu apenas 87,8 mm, quando a média histórica é de 259,9 mm. A chuva acumulada até 18/02/14 foi de 47,7 milímetros, o que representa 23% da meta esperada para todo o mês, que é de 202,6 mm. (cliptvnews)