sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Mudanças climáticas: Permafrost começou a descongelar

O Permafrost (*) não é mais permanente, esta derretendo: 850 bilhões de toneladas de carbono armazenado no solo congelado do Ártico poderia ser liberado na atmosfera.
Tanto quanto 44 bilhões de toneladas de nitrogênio e 850 bilhões de toneladas de carbono armazenados no solo congelado do permafrost, na região do Ártico, poderia ser liberado para o meio ambiente na medida em que a região começar a derreter durante o próximo século como resultado de um planeta mais quente, de acordo com um novo estudo conduzido pelo Serviço Geológico dos EUA-USGS.
Este nitrogênio e carbono são susceptíveis  de causar impacto em ecossistemas, na atmosfera, e nos recursos hídricos, incluindo rios e lagos. Para um melhor entendimento, esta é aproximadamente, a mesma quantidade de carbono armazenado na atmosfera hoje.
(*) O permafrost é o tipo de solo encontrado na região do Ártico. A etimologia de permafrost vem de perma, de permanent (inglês para permanente), e frost (inglês para congelado), palavra referenciada pela primeira vez em 1943, por S. W. Muller.
É constituído por terra, gelo e rochas permanentemente congelados. Esta camada é recoberta por uma camada de gelo e neve que, se no inverno chega a atingir 300 metros de profundidade em alguns locais, ao se derreter no verão, reduz-se para de 0,5 a 2 metros, tornando a superfície do solo pantanosa, uma vez que as águas não são absorvidas pelo solo congelado.
Recomenda-se cuidado ao erigir edificações ou pavimentação neste tipo de solo, uma vez que, se a camada de permafrost for rompida, a edificação ou a pista pavimentada pode afundar no terreno.
Uma grande reserva de metano, gás estufa 30 vezes mais potente que o dióxido de carbono está se abrindo. Foi feita uma descoberta através da perfuração da camada de gelo que era tido como impermeável.  Pesquisadores da Universidade do Alasca descobriram que se a liberação do gás metano (CH4) para a atmosfera não for interrompida, poderá haver mudanças climáticas ainda mais drásticas do que as já estudadas.
A liberação de carbono e nitrogênio no permafrost poderia agravar o fenômeno do aquecimento planetário e vai impactar os sistemas de água em terra e no mar de acordo com cientistas da USGS e seus colaboradores nacionais e internacionais. A inédita descoberta de nitrogênio é útil para os cientistas que estão fazendo previsões climáticas com os modelos climáticos de computador, enquanto a estimativa de carbono é consistente e dá mais credibilidade a outros estudos científicos com estimativas de carbono semelhantes.

Um novo estudo descobriu que até 44 bilhões de toneladas de nitrogênio e 850 bilhões de toneladas de carbono armazenados no Ártico permafrost, ou solo congelado, poderia ser liberado para o meio ambiente como a região começa a derreter durante o próximo século como resultado de um aquecimento do planeta.
“Este estudo quantifica o impacto em dois ciclos químicos da Terra mais importantes, carbono e nitrogênio, a partir de descongelamento do permafrost sob cenários de aquecimento futuros do clima”, disse a diretora do USGS Marcia McNutt.
“Enquanto o permafrost das latitudes polares pode parecer tão distante e desconectado das atividades diárias da maioria de todos nós, o seu potencial para alterar a habitabilidade do planeta, quando desestabilizado é muito real.”
Para produzir as estimativas, os cientistas estudaram como o permafrost afetava os solos, conhecidos como Gelisols, e seu descongelamento sob diferentes cenários climáticos. Eles descobriram que todos os Gelisols não são iguais: alguns têm Gelisols com materiais do solo, que são muito turfosos, com muita matéria orgânica em decomposição, que queima com facilidade quando secos – estes irão transmitir nitrogênio recém-descongelado para o ecossistema e a atmosfera.
Esta figura mostra a extensão média de permafrost no Ártico, estimados para (a) os anos entre 1990-2000 e (b) dos anos 2090-2100. Em (c), a estimativa de perda de permafrost em 2100 é sobreposta sobre as estimativas para o ano de 2000.
Outros Gelisols têm materiais que são muito ricos em nutrientes – estes irão transmitir uma grande quantidade de nitrogênio para o ecossistema. Todos os tipos contribuirão com emissão de dióxido de carbono e provavelmente com algum metano para a atmosfera, como resultado da decomposição uma vez que o permafrost se descongelar – e SÃO estes gases que contribuem para o aumento do aquecimento global. Aquilo que esteve congelado durante milhares de anos entrará em nossos ecossistemas atuais e na atmosfera como um novo colaborador para o aumento da temperatura.
A comunidade científica que esta pesquisando este fenômeno tem colocado em disponibilidade esses dados internacionais para o próximo Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima. Conforme o descongelamento do permafrost receber mais atenção, estaremos compartilhando nossos dados e os nossos conhecimentos para orientar esses modelos, já que retratam como a terra, a atmosfera e os oceanos interagem“, disse a principal cientista em estudo do solo do USGS, Jennifer Harden.
A vasta extensão de permafrost na Sibéria e no Alasca começou a descongelar, pela primeira vez desde que se formou 11 mil anos atrás, região marcada em azul escuro no mapa. É causada pela recente aumento de 3° C da temperatura local ao longo dos últimos 40 anos – mais de quatro vezes a média global. Turfeiras congeladas cobrem uma área de um milhão de quilômetros quadrados (ou quase um quarto da superfície terrestre do planeta), a uma profundidade de 25 metros. Aquelas na Sibéria são as maiores do mundo.
Um grupo de climatologistas alertou  que um aumento da temperatura global de 1,5 º C em relação aos níveis pré-industriais (do século XIX) pode desencadear a liberação de gases de efeito estufa congelados no subsolo. Os solos permanentemente congelados da Sibéria contem mais de um trilhão de toneladas de dióxido de carbono e metano, armazenadas durante a última idade do gelo. Se um pequeno aumento da temperatura fizer com que o solo comece a derreter, os gases de efeito estufa então liberados poderiam acelerar drasticamente o processo de aquecimento planetário.
Um estudo publicado em Science analisando estalactites e estalagmites em cavernas ao longo da “fronteira do permafrost” – a zona no círculo polar ártico (próximo ao polo norte) onde o solo começa a ser permanentemente congelado durante todo o ano. Estalactites e estalagmites só podem crescer na presença de água em estado líquido, assim que o estudo do seu tamanho dá pistas sobre a evolução das condições do permafrost no passado – voltando até cerca de 500.000 anos atrás.
O Permafrost na Sibéria, no extremo norte da Rússia começou a descongelar e o gelo esta recuando para latitudes mais ao norte.
Eles mostram que a cerca de 400 mil anos atrás, um aquecimento de 1,5 º C, que esta mais ou menos em linha com as previsões mais otimistas sobre os efeitos das mudanças climáticas até 2100, e os mais pessimistas, por volta de 2030 – provocou um recuo dramático na área coberta pelo permafrost, as terras congeladas.
“As estalactites e estalagmites destas cavernas são uma maneira de olhar para trás no tempo para ver como períodos quentes semelhantes ao nosso clima moderno afeta e o quão longe se estende pelo permafrost da Sibéria“, disse Anton Vaks da Universidade de Oxford, que liderou o estudo.
Estalagtites
“Na medida em que o permafrost cobre 24% da superfície terrestre do hemisfério norte, o descongelamento significativo pode afetar grandes áreas e causar a liberação (de bilhões de toneladas) de carbono. Isso tem enormes implicações para os ecossistemas da região e aspectos do ambiente humano em todo o planeta.”
A principal consequência do descongelamento dessa região, e a liberação dos gases nela existentes é o aumento do nível dos oceanos, afetando todas as grandes cidades costeiras.
“A exposição à verdade muda a tua vida, ponto final – seja essa verdade uma revelação sobre a honestidade e integridade pessoal ou se for uma revelação divina que reestrutura o teu lugar no Universo. Por esse motivo é que a maioria (a massa ignorante do Pão e Circo) das pessoas foge da verdade, em vez de se aproximar dela”. {Caroline Myss}
“O medo é a emoção predominante das massas que ainda estão presas no turbilhão da negatividade da estrutura de crença da (in) consciência de massa. Medo do futuro, medo da escassez, do governo, das empresas, de outras crenças religiosas, das raças e culturas diferentes, e até mesmo medo da ira divina. Há aversão e medo daqueles que olham, pensam e agem de modo diferente (os que OUVEM e SEGUEM a sua voz interior), e acima de tudo, existe medo de MUDAR e da própria MUDANÇA.” – Arcanjo Miguel. (thoth3126)

Descongelamento do permafrost sob lagos afetará mudança climática

Descongelamento do permafrost sob lagos pode afetar significativamente os modelos de mudança climática.
O metano liberado pelo derretimento do permafrost de alguns dos lagos do Ártico poderia acelerar significativamente as mudanças climáticas, de acordo com um novo estudo conduzido pela Universidade do Alasca em Fairbanks.
O impacto destruidor do aquecimento global no Alasca.
À medida que o vilarejo de Kwigillingok descongela, a infraestrutura está desmoronando.
O estudo, publicado em 15 de agosto na revista Nature Communications, foca no carbono liberado pelo derretimento do permafrost sob lagos de termocarste. Tais lagos se desenvolvem ao aquecer o solo, derretendo o gelo moído, fazendo com que a superfície desmorone e formando poças de água. Essas piscinas aceleram o derretimento do permafrost sob os lagos em expansão, fornecendo alimentos para os micróbios que produzem os gases de efeito estufa dióxido de carbono e metano.
A autora principal Katey Walter Anthony e seus colegas estudaram centenas de lagos termocarste no Alasca e na Sibéria durante um período de 12 anos, medindo seu crescimento e quanto o metano estava borbulhando em sua superfície. Combinando resultados de trabalho de campo com dados de sensoriamento remoto de mudanças de lagos durante os últimos dois anos, eles determinaram que o “abrupto degelo” abaixo de tais lagos provavelmente liberará grandes quantidades de carbono de permafrost na atmosfera neste século. A atividade do lago poderia dobrar a liberação das paisagens terrestres na década de 2050.
O esforço, conduzido por uma equipe de pesquisadores norte-americanos e alemães, faz parte de um projeto de 10 anos financiado pela NASA para entender melhor os efeitos das mudanças climáticas no Ártico. O apoio adicional da National Science Foundation permitiu que cientistas da UAF e da Divisão de Pesquisas Geológicas e Geofísicas do Alasca coletassem dados sobre a localização do permafrost, descongelamento e liberação de gases de efeito estufa associados de lagos no Vale do Goldstream, no interior do Alasca.
Os pesquisadores descobriram que a liberação de gases do efeito estufa abaixo dos lagos termocarste é relativamente rápida, com o descongelamento profundo acontecendo ao longo de décadas. Permafrost em ambientes terrestres geralmente experimenta degelo sazonal superficial ao longo de períodos mais longos de tempo. A liberação desse carbono no solo permafrost de superfície é frequentemente compensada por um aumento no crescimento da vegetação.
Descongelamento do permafrost produz mais metano do que o anteriormente estimado.
Emissões de lagos de termocarste não são atualmente fatoradas em modelos climáticos globais porque seu pequeno tamanho torna lagos individuais difíceis de incluir. No entanto, os autores do estudo mostram que esses lagos são hotspots de liberação de carbono permafrost. Eles argumentam que não incluí-los em modelos climáticos globais negligencia seu efeito de feedback, que ocorre quando a liberação de gases do efeito estufa do permafrost aumenta o aquecimento. Esse feedback é significativo porque o metano é cerca de 30 vezes mais potente que o dióxido de carbono como um gás que captura o calor.
Os modelos existentes atualmente atribuem cerca de 20% do retorno de carbono do permafrost neste século ao metano, com o restante devido ao dióxido de carbono dos solos terrestres. Ao incluir os lagos termocarste, o metano se torna o principal condutor, responsável por 70 a 80% do aquecimento causado pelo carbono do permafrost neste século. Adicionar o metano termocarste aos modelos torna o efeito do feedback semelhante ao da mudança do uso da terra, que é a segunda maior fonte de aquecimento causado pelo homem.
Ao contrário do degelo gradual e sazonal do permafrost terrestre, o derretimento abrupto abaixo dos lagos de termocarste é irreversível neste século. Mesmo os modelos climáticos que projetam apenas um moderado aquecimento neste século terão que considerar suas emissões, de acordo com o estudo.
“Você não pode impedir a liberação de carbono desses lagos quando eles se formarem”, disse Walter Anthony. “Não podemos contornar essa fonte de aquecimento.”
Bolhas de metano estão presas no gelo em uma lagoa perto de Fairbanks, no Alasca. (ecodebate)

Brasil estará entre os países mais afetados por mortes em ondas de calor

Mudanças Climáticas: Estudo indica que o Brasil vai estar entre os países mais afetados por mortes em ondas de calor.
Pesquisa sugere que Brasil, Colômbia e Filipinas terão mais mortes por fenômeno que crescerá com as mudanças climáticas.
A mudança climática poderá aumentar o número de mortes relacionadas às ondas de calor entre 2031 e 2080, comparado ao período que vai de 1971 a 2020. Segundo uma pesquisa publicada na revista científica PLOS Medicine, os países mais afetados seriam Brasil, Colômbia e Filipinas. Já Europa e Estados Unidos seriam as regiões menos afetadas.
Os modelos construídos pelos pesquisadores consideram projeções que podem variar entre baixa, média e alta ocorrência de ondas de calor. No caso do Brasil, o estudo aponta para um aumento de até 25% nas mortes relacionadas com esses eventos climáticos em um cenário de baixa ocorrência. Se a ocorrência das ondas de calor for alta, as mortes podem aumentar em até 75%.
“Todos os modelos mostram que no Brasil aumentarão a frequência e intensidade de ondas de calor e, por sua vez, aumentará o número de mortes”, afirma a meteorologista Micheline Coelho, uma das coautoras do estudo. Pesquisadora do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, Coelho foi a responsável pelas análises que se referem ao País.
O estudo indica que, entre as regiões analisadas (Américas do Norte, Central e do Sul, Europa setentrional, central e meridional, Leste da Ásia, Sudeste Asiático e Oceania), as áreas próximas da linha do Equador correm mais riscos do que as áreas temperadas. Para se ter uma ideia, no pior cenário projetado – que inclui variáveis demográficas, de emissões de gases estufa e de adaptação ao clima – o número de mortes relacionadas às ondas de calor subiria 2000% na Colômbia e 150% na Moldávia.
Formação de uma onda de calor.
Os pesquisadores analisaram dados sobre mortalidade e séries históricas de temperaturas registradas em 412 cidades, de 20 países. Para calcular as projeções de incremento na mortalidade, eles utilizaram também dados disponibilizados de modelos climáticos globais, os mesmos que o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, na sigla em inglês) usa para produzir seus relatórios.
Não existe um conceito aceito universalmente pela comunidade científica para definir o que é onda de calor. Em geral, diz-se que uma onda de calor é um fenômeno no qual faz mais calor do que o comum ao longo de vários dias. Representa um problema de saúde na medida em que afeta a termo regulação dos organismos.
A termo regulação é um mecanismo de equilíbrio da temperatura que, em humanos, age para manter nosso organismo sempre em torno de 37°C. Quando o tempo do lado de fora vira e a temperatura do ambiente oscila, o sistema de termo regulação entra em ação para dissipar ou reter o calor do corpo.
Locais de comunidades e variação média porcentual do excesso de mortes relacionadas a ondas de calor em 2031-2080, em comparação com 1971-2020, no Cenário RCP8.5 e cenário populacional de alta variante, com suposição de não adaptação.
“Quando o ambiente está muito quente, o organismo não consegue fazer essa troca e a regulação do nosso corpo perde o equilíbrio, podendo levar a graves problemas ou à morte. O desequilíbrio da temperatura corporal promove mudanças em hormônios e enzimas, atingindo os mais diversos órgãos”, explica Micheline Coelho.
O artigo oferece, ainda, sugestões para mitigação e adaptação à mudança climática, como a implementação de políticas mais rigorosas para a redução das emissões de gases de efeito estufa, a criação de sistemas de alerta e de centros urbanos de resfriamento e o desenvolvimento de tecnologias de casas inteligentes.
Esta imagem mostra a tendência da temperatura do Ártico entre agosto de 1981 e julho de 2009. Devido ao aquecimento global, que é exacerbado no Ártico, vemos um aquecimento significativo ao longo deste período de 28 anos.
A pesquisa foi desenvolvida por um grupo colaborativo formado por pesquisadores de vários países, do qual fazem parte Coelho e o médico patologista Paulo Saldiva, atual diretor do IEA. (ecodebate)

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Aumenta a pobreza e a extrema pobreza no Brasil

O Brasil não deve cumprir o objetivo 1 dos ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que trata da “Erradicação da Pobreza” e que estabelece: “Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares” até 2030. Em vez de cair, o número de pobres e de indigentes (extrema pobreza) subiu.
A economia brasileira vive a sua mais longa e mais profunda recessão da história republicana. Um dos resultados é o aumento da pobreza e da extrema pobreza devido à queda da renda per capita e ao aumento do desemprego que atingem a população mais carente. É o que mostra o gráfico acima, retirado do Relatório LUZ 2018, do Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para Agenda 2030.
O número de pessoas na pobreza, no Brasil, em 1993, estava em 45,6 milhões de indivíduos. Este número caiu para menos de 40 milhões depois do lançamento do Plano Real (e da redução da inflação) e chegou a 41,8 milhões em 2003. Com a retomada do crescimento econômico durante o superciclo das commodities e ao aumento do gasto social a exclusão social caiu rapidamente e o número de pessoas em situação de pobreza diminuiu para 14,1 milhões de pessoas em 2014. Mas depois do estelionato eleitoral de 2014 e no segundo mandato da dupla Dilma-Temer, a pobreza voltou a subir, chegando a 17 milhões em 2015, 21,6 milhões em 2016 e cerca de 22 milhões em 2017.
A indigência teve comportamento semelhante. O número de pessoas na extrema pobreza no Brasil, em 1993, estava em torno de 20 milhões, caindo para algo em torno de 14 milhões depois da implantação do Plano Real. Em 2013, estava em torno de 13 milhões e caiu para 5,2 milhões de pessoas em 2014. Mas o número de pessoas em situação de extrema pobreza aumentou para 6,4 milhões em 2015, 10 milhões em 2016 e 11,8 milhões em 2017.
Não há dados ainda para o ano de 2018, mas a expectativa de retomada da economia e do emprego não está ocorrendo conforme previa o governo e, provavelmente, o número de pessoas em situação de pobreza e de indigência aumente também em 2018. Ainda mais com a desvalorização cambial. Ou seja, o Brasil está regredindo no que diz respeito ao objetivo número 1 dos ODS.
A redução da pobreza é um processo que vem ocorrendo no longo prazo no Brasil. Avanços civilizacionais têm melhorado a qualidade de vida dos cidadãos em termos de renda, educação e saúde, especialmente depois da Segunda Guerra Mundial. Não sem novidade, a maior redução da pobreza no Brasil ocorreu nos tempos do chamado “milagre econômico” e da “economia em marcha forçada”, isto é entre o final da década de 1960 e o ano de 1980.
A pesquisadora Sonia Rocha, em texto publicado no XXV Fórum Nacional do BNDES, em maio de 2013, documentou o processo de redução da pobreza no Brasil entre 1970 e 2011. Na década de 1970, a proporção de pobres no país caiu fortemente de 68,4% em 1970 para 35,3% em 1980. A pobreza voltou a subir durante a recessão ocorrida no governo Figueiredo, entre 1981 e 1983. Caiu especialmente durante o processo de congelamento de preços do Plano Cruzado e voltou a subir para a casa de 30% durante a recessão dos governos Sarney e Collor. Depois do governo Itamar, a pobreza foi reduzida para algo em torno de 20% e chegou ao nível mais baixo, em torno de 10% no final do governo Lula.
Portanto, a pobreza vem caindo no Brasil no longo prazo, mas não de forma linear. A experiência passada mostra que nas crises econômicas a pobreza sobe e volta a cair na retomada da economia. Contudo, este padrão pode não se repetir na atualidade, pois a atual recessão é a mais longa e profunda e a que tem mostrado o ritmo mais lento de recuperação. Além do mais, o melhor período do bônus demográfico já passou e a janela de oportunidade começou a se fechar.
Oxalá o próximo governo, a ser eleito em 2018, consiga por ordem na casa e possa cumprir com as metas acordadas na Agenda 2030 da ONU. Porém, o nível do debate eleitoral até o momento não tem gerado muito otimismo no eleitorado. O país utópico do futuro sem pobreza está cada vez mais distante e o Brasil distópico é a realidade que insiste em permanecer presente. (ecodebate)

O que fazer se viveremos 30 anos a mais?

Viveremos 100 anos. O que fazer com os 30 anos a mais?
Há dois séculos passar dos 40 anos era um milagre. Os que conseguiam eram considerados pouco menos que seres benditos pelos deuses. Mas, graças aos avanços médicos e sociais, a esperança de vida começou a aumentar a um ritmo considerável nos finais do século XIX. Agora, viver até os setenta e poucos anos é o habitual. E tudo aponta que viver até os 100 anos será, dentro de pouco tempo, bastante normal. Esta expectativa é celebrada pelas ciências como uma vitória da humanidade contra a morte. Mas, como viveremos esses novos anos? Podemos nos permitir o luxo de ser mais longevos?
No mundo científico se estudam essas questões tratando de vaticinar como será a velhice me poucos anos e como frear o incremento da desigualdade e da solidão, dois males especialmente associados a essa idade.
Um caso extremo é o Japão. Proporcionalmente é o país com maior número de idosos. Os espanhóis vêm logo abaixo dos nipônicos. E é do Japão que vem os fatos mais estarrecedores. Além das dezenas de idosos que morrem a cada ano no verão, vítimas do calor abrasador e do esquecimento, começam a surgir inúmeros casos de idosos que cometem pequenos delitos, como roubar em lojas, para passar uma temporada na prisão. Ali, dizem, se sentem mais cuidados que fora das grades. Onde estavam, antes da prisão, se sentiam extremamente solitários ou o dinheiro não era suficiente para viver um mês.
Deixando de lado esta opção radical nipônica, se viveremos mais anos em razoáveis condições de saúde, poderemos transformar essa larga etapa de velhice em um bom projeto de vida? Os cientistas respondem a essa indagação afirmando que em um número cada vez maior, os indivíduos transformarão sua prolongada velhice em uma época de benefício próprio e não de penosa espera da morte. Os argumentos estão dados com as mudanças alimentares e com os exercícios a que os idosos já estão acorrendo.
As mudanças no mundo laboral para os idosos.
Se o século XX foi o da luta pela redistribuição da renda, o XXI será o da redistribuição do trabalho. A jornada poderia ser reduzida durante a criação dos filhos por alguns anos. Seriam recuperadas no futuro. A alternativa é de trabalhar quatro dias na semana e postergar a aposentadoria. Pode ser que a vida laboral comece mais tarde e se estenda até os 75 anos. Quando chegasse o momento de retirar-se, o sistema poderia ser mais flexível: trabalhar em tempo parcial ou por conta própria (reduzindo a quantia da pensão temporalmente).
Mudanças sociais e políticas para idosos.
Mas além do assunto laboral, é provável que ocorram mudanças sociais nos próximos anos. Por exemplo, que se generalize a ideia de ter várias vidas matrimoniais. Nos países com mais idosos, o casamento entre pessoas com mais de 60 anos foram multiplicados por cinco. Também poderiam ampliar a idade máxima para contraírem empréstimos bancários sem aumento exorbitantes de juros, cobrados a título de seguros bancários.
A questão e fundo é o que fazer com esses 20 a 30 anos de vida que agora seguem com frequência a aposentadoria. Faltam ideias que cubram esse novo período. Não há um manual de instruções. Dispor de mais tempo livre para fazer tudo que o trabalho não permitiu fazer é uma das coisas positivas que vão à cabeça. Viajar, ler, cuidar dos netos, organizar-se para reivindicar melhorias nas condições de vida dos idosos.
Os idosos foram às ruas.
As recentes manifestações em alguns países europeus para reclamar pensões mais dignas são um sinal da vontade dos idosos de influir. Tradicionalmente considerados como inexistentes pelos políticos, os idosos exigem mais. Esse grupo de idosos que foi às ruas europeias era tido com pouca inclinação para as mudanças. Participavam menos. Isto foi rompido. Não só os "millenials" são diferentes, seus avós europeus também o são. Em sua juventude viveram com os Beatles e Rolling Stones e protagonizaram a transição a um mundo mais libertário. Puderam estudar mais que seus pais e viajaram mais. Deram a seus filhos muito mais comodidades. É, provavelmente, a geração de aposentados melhor preparada da história. E começa a ficar claro que não estão dispostos a renunciar ao compromisso político que marcou sua juventude. Essas sementes estão sendo plantadas no Brasil. Logo florescerão. Basta querer, pois sabem como fazer.
Os mais idosos chegaram às ruas para ficar e seus votos influirão no futuro, com maior intensidade que no passado. Serão os idosos que derrubarão as clássicas e bolorentas ideias de esquerda e direita. Na verdade, o próprio conceito de idade é que muda. Ser idoso não será o mesmo, mas tampouco o será ser jovem. Cada vez se verão coisas mais próprias da juventude em idades avançadas. O tempo de duração de uma vida se redistribui. Somos mais tempo jovens e, da mesma forma, começamos a ser velhos mais tarde e durante mais tempo.
(campograndenews)

Viveremos 100 anos, mas como?

A expectativa de uma vida cada vez mais longa transforma a velhice. O mundo acadêmico estuda como empregaremos esses anos – e se podemos nos permitir ser mais longevos.
Grupo de idosos faz ginástica numa praia de Benidorm, Espanha.
Dois séculos atrás, passar dos 40 anos era algo incomum. Os que conseguiam eram considerados quase seres abençoados pelos deuses. Graças aos avanços médicos e sociais, porém, a esperança de vida começou a aumentar num ritmo considerável no final do século XIX. Hoje, viver até 80 anos é habitual. E tudo indica que, dentro de pouco tempo, chegar aos 100 será bastante normal. Essa expectativa de uma vida longa, compartilhada cada vez por mais gente, é celebrada pela ciência como uma vitória na batalha da humanidade contra a morte. No entanto, como viver esses novos anos? Podemo-nos permitir o luxo de ser mais longevos?
O mundo acadêmico estuda essas questões tentando prever como será a velhice dentro de meio século. E como frear o aumento das desigualdades e da solidão, dois males especialmente associados a essa idade. Um caso extremo é o do Japão – proporcionalmente, o país com maior número de idosos, seguido da Espanha –, onde a imprensa informou recentemente sobre casos de idosos que cometem pequenos crimes, como roubos em lojas, para passar uma temporada na prisão. Ali, dizem, eles se sentem mais cuidados do que fora. Também se sentem sozinhos ou não têm dinheiro suficiente.
Deixando de lado essa opção radical japonesa, se vivemos mais anos em condições razoáveis de saúde, será que essa etapa de velhice poderá se transformar num projeto em si mesmo? O filósofo Aurelio Arteta propõe essa questão em seu ensaio A Fin de Cuentas, Nuevo Cuaderno de La Vejez (Afinal de contas, novo caderno da velhice).“Assim como o jovem e o maduro costumam estabelecer fins e meios, metas e seu caminho até elas, não deveria o idoso sensato fazer algo parecido enquanto pode, e com maior razão ainda se esses fins e metas são, por definição, mais irrevogáveis que os percorridos pelas idades anteriores?”, escreve. Por e-mail, Arteta acrescenta: “Limito-me a imaginar que, em um número cada vez maior, os indivíduos transformarão sua prolongada velhice numa época de benefício para si, e não tanto de penosa espera da morte.” A vida se prolonga, e é preciso pensar o que fazer.
Se vivemos mais anos, será que essa longa etapa de velhice se transformará num projeto em si mesmo?
Diz-se que se o século XX foi o da redistribuição de renda, o XXI será o da redistribuição do trabalho: a jornada poderia se reduzir durante a criação dos filhos, para que a pessoa recupere essas horas no futuro, ou trabalhe quatro dias por semana e adie a aposentadoria. Pode ser que a vida laboral comece mais tarde e se estenda até os 75 anos, em vez dos atuais 65 em vários países. Depois, com a chegada do momento de aposentar, o sistema poderia ser mais flexível: a pessoa trabalharia em tempo parcial ou por conta própria (reduzindo a quantia da pensão temporariamente). Claro que tudo isso depende de se o indivíduo tem a sorte de poder decidir quando e como trabalhar.
Além do tema laboral, a longevidade pode trazer outras mudanças sociais. Por exemplo, que se generalize a ideia de ter várias vidas matrimoniais (na Espanha, os casamentos entre maiores de 60 anos se multiplicaram por cinco em quatro décadas, segundo o Instituto Nacional de Estatística). Também poderia ser ampliada a idade máxima para financiar uma moradia, para 85 anos por exemplo. A questão é o que fazer com esses 20 ou 30 anos de vida que agora se estendem com frequência após a aposentadoria. Como disse a escritora e Nobel de Literatura Svetlana Alexiévich: “Faltam ideias que cubram este novo período.” Não há um manual de instruções, nem uma filosofia consolidada a respeito. Dispor de mais tempo livre para fazer tudo o que o trabalho não permitiu fazer é uma das coisas positivas que vêm à mente. Viajar, ler, cuidar dos netos, organizar-se para pedir melhoras em suas condições de vida...
As recentes manifestações na Espanha para exigir pensões dignas são um sinal da vontade dos idosos de influir. Tradicionalmente considerados como uma leal fonte de votos para os partidos dominantes, os idosos querem mais. “Essa faixa etária era geralmente pouco inclinada à mudança. Participava menos dela. Isso começou a mudar”, explica Jesús Rivera Navarro, professor da Universidade de Salamanca e especialista em sociologia do envelhecimento. Não só os millennials são diferentes; seus avós também são. “As gerações vindouras são muito diferentes. Viveram coisas muito diferentes”, define. Contribuíram para a modernização e a europeização da Espanha. Viveram o maior salto e progresso econômico da história do país. Em sua juventude, alguns foram a shows dos Rolling Stones (muitos ainda vão) e protagonizaram a transição para a democracia. Puderam estudar mais que seus pais e viajaram mais. Deram muitas comodidades aos filhos. É, provavelmente, a geração de aposentados mais bem preparada. E começa a ficar claro que seus integrantes não estão dispostos a abrir mão do compromisso político que marcou sua juventude.
Alguns participaram do movimento de reivindicação que começou a ser forjado há sete anos com o 15-M. Curiosamente, dois dos inspiradores desse movimento eram nonagenários: Stéphane Hessel, autor do panfleto político Indignem-se!, e o sociólogo Zygmunt Bauman. “Acredito que os idosos chegaram às ruas para ficar e que seus votos, como o das mulheres, influirão no futuro com maior intensidade que no passado, extrapolando as clássicas ideias de direita e esquerda”, diz o psicólogo Ramón Bayés, professor emérito da Universidade Autônoma de Barcelona e autor do livro El Reloj Emocional. Sobre El Tiempo y La Vida (O relógio emocional. Sobre o tempo e a vida)
57% dos funcionários se veem trabalhando depois de se aposentar, segundo uma pesquisa
Na verdade, é o próprio conceito de idade que muda. Ser mais velho não será igual, mas ser jovem também não. Cada vez veremos coisas mais próprias da juventude em idades mais avançadas? “O tempo de duração de uma vida se redistribui: somos mais tempo jovens, mais tempo adultos e, da mesma forma, começamos a ser velhos mais tarde e durante mais tempo”, afirma Antonio Abellán, professor do Grupo de Pesquisa sobre Envelhecimento do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) da Espanha. “Atrasar a idade de aposentadoria tem uma lógica demográfica”, conclui. O especialista situa o fim da idade adulta na Espanha nos 72 anos, quando uma pessoa tem, estatisticamente, 15 anos de vida pela frente. “No entanto, os espanhóis são, junto com os poloneses, os europeus que sonham em se aposentar o quanto antes. Querem se aposentar, mas logo depois não sabem o que fazer. Suponho que isso tenha a ver com um sistema de trabalho que nos esgota, nos entedia”, opina.
Continuar trabalhando, talvez em outro ritmo ou com outra atividade, seria uma opção. Segundo um estudo da firma holandesa Aegon, dedicada a pensões e seguros de vida, 57% dos trabalhadores pesquisados no mundo inteiro se veem trabalhando após a aposentadoria, seja em tempo parcial ou por conta própria. Suas razões: manter o cérebro em forma, garantir renda ou simplesmente porque gostam do que fazem. Mas nem todo mundo chega do mesmo jeito aos 80. “Do ponto de vista cognitivo, na mesma idade os idosos são menos semelhantes entre si que os jovens. Portanto, sempre que possível, as aposentadorias à la carte deveriam substituir as aposentadorias de ‘cardápio fixo’”, diz Bayés.
Manifestação de aposentados em Madri, em março passado.
Se a vida continua se prolongando, a capacidade de trabalhar deveria se prolongar também, afirma Isabel Ortiz, diretora de Proteção Social da Organização Internacional do Trabalho (OIT). “Mas o problema é que haja postos de trabalho suficientes, pois nossa política econômica, determinada por políticas de austeridade de curto prazo, não gera emprego. O bom envelhecimento depende da possibilidade de que as pessoas tenham aposentadorias adequadas”, diz ela. “Mas muitas reformas previdenciárias estão sendo realizadas sob essa ótica, que prioriza a economia fiscal e não o valor das aposentadorias.” Em seu Relatório Mundial sobre Proteção Social 2017-2019, a OIT afirma que a pobreza na terceira idade está crescendo na Europa. E adverte: a menos que as reformas recentes sejam corrigidas, 19 países europeus verão suas aposentadorias caírem nas próximas décadas, sobretudo na Espanha, Portugal e Polônia.
Pensar em ter uma previdência pública em 30 anos... é uma quimera? “Muitas das advertências de que as aposentadorias correm perigo são alarmistas; os sistemas públicos foram elaborados para se ajustar de forma constante às novas realidades; se esses pequenos ajustes forem feitos de acordo com padrões do trabalho, poderão garantir aposentadorias dignas e a sustentabilidade futura”, afirma Ortiz.
Pode ser que os cidadãos que estão nascendo neste momento vejam com total naturalidade – por decisão própria ou porque não terão outro remédio – o fato de trabalhar até os 75 anos e viver até os 100. No entanto, como o erário público conseguirá absorver essa mudança? Nos anos cinquenta do século XX, quando foi desenhada a maioria dos sistemas modernos de seguridade social, havia 205 milhões de pessoas no mundo com mais de 60 anos. Essa cifra se multiplicará por 10 até 2050, chegando aos 2,1 bilhões. No mundo rico, os gastos com a previdência e a saúde passarão de 16% para 25% do PIB no final do século XXI, segundo o FMI. O cuidado dos idosos exigirá um desembolso cada vez maior. Enquanto isso, os índices de natalidade caem nos países ricos, e as condições de trabalho são cada vez mais precárias.
Os baixos salários, a temporalidade e o aumento do número de autônomos, que costumam se ver obrigados a ganhar menos por seu ofício, torna mais difícil conseguir essas aposentadorias adequadas e sustentáveis, segundo Marina Monaco, assessora da Confederação Europeia de Sindicatos. “Queiramos ou não, viveremos mais anos e, supostamente, deveremos trabalhar mais. Mas a decisão de até quando é preciso trabalhar deve surgir do diálogo entre empresas e trabalhadores. Para alguns será difícil, porque realizam trabalhos duros do ponto de vista físico”, afirma. Também não se pode ignorar que muitos são expulsos do mercado de trabalho antes da idade de se aposentar: o desemprego cresce entre os maiores de 50 anos, e é mais difícil para eles encontrar um trabalho. Se a pessoa não pode trabalhar até os 65, qual o sentido de falar dos 75?
Em primeiro lugar, diz Monaco, dever-se-ia pensar como trabalhar melhor e de forma mais continuada. E levar em conta que, para compensar a queda da natalidade, será preciso empregar mais imigrantes.
É que o complexo tema das aposentadorias se une ao fato de que, na verdade, desconhecemos como será o mundo do trabalho no futuro. A revolução tecnológica significa, por exemplo, o uso de mais robôs. Bill Gates propôs estabelecer um imposto aos donos dessas máquinas inteligentes pelos empregos que destruírem. Para assegurar uma fonte mínima de recursos às pessoas, outros especialistas propõem a criação de uma renda básica universal. Alguns lugares já implementaram iniciativas nesse sentido, como a Finlândia, Utrecht (Holanda) e o País Basco. “Se for bem projetada, a renda básica é uma iniciativa factível”, diz Ignacio Zubiri, catedrático de Fazenda Pública da Universidade do País Basco. Em relação às aposentadorias, o economista aconselha, entre outras medidas, “começar a atrasar progressivamente a aposentadoria aos 67 anos para todos, financiar as pensões também com impostos e aumentar as contribuições.”
Em qualquer caso, a imagem das pessoas idosas terá que mudar. “Devemos reconsiderar a antiga visão da velhice e, sobretudo, deixar o quanto antes de ver os idosos como uma população forçosamente passiva, dependente e parasita do erário público”, reflete Pedro Olalla num ensaio publicado em maio, De Senectute Política. Carta Sin Respuesta a Cicerón (De Senectute política. Carta sem resposta a Cícero), uma defesa do bom envelhecer. Trata-se de reivindicar a ideia, já defendida por Cícero em seu tratado sobre o envelhecimento, de que a velhice pode ser algo positivo e não uma etapa de debilidade.
Há sete décadas, havia 205 milhões de pessoas no mundo com mais de 60 anos; em 2050, serão 2,1 bilhões.
O panorama que se aproxima é incerto. Só não há dúvida de que as reflexões sobre a terceira idade – e como vivê-la – são cada vez mais necessárias. As novas gerações de idosos têm o papel de conquistar esse novo tempo que a medicina ganhou para eles, uma terra desconhecida. Porque, como dizia o filósofo inglês Thomas Hobbes, existe algo pior que viver uma vida “solitária, pobre, ruim, tosca e breve”. É viver uma vida solitária, pobre, ruim, tosca e longa.
Discriminados por serem idosos
Ilustração de Diego Mir.
O idadismo é um termo que define a discriminação por idade sofrida pelas pessoas idosas. Nos últimos meses, o debate sobre o futuro das aposentadorias na Espanha jogou luz sobre essa questão. “É sutil, mas existe. É difícil encontrar trabalho depois dos 50 anos. Acredita-se que os mais velhos sejam menos produtivos e tenham dificuldade de se adaptar, quando na verdade eles muitas vezes são deixados de lado”, explica o sociólogo Jesús Rivera Navarro. Alguns consideram que os idosos são privilegiados porque, em linhas gerais, gozam de melhores condições de trabalho e recebem aposentadorias melhores do que as que supostamente haverá no futuro. “Existe muita demagogia”, diz Antonio Abellán. E recorda: embora “os mais velhos tenham tido uma situação melhor durante a última crise econômica, nos dois últimos anos, nos quais baixou o índice geral de pobreza na Espanha, o índice de pobreza dos maiores de 65 anos voltou a subir.” Quando a população em geral melhora, os idosos ficam para trás.
Muitos veneram a juventude acima de tudo. Prova disso foi a afirmação feita em 2007 por Mark Zuckerberg, presidente do Facebook: “Os jovens simplesmente são mais inteligentes.” A rede social foi idealizada quando Zuckerberg tinha 19 anos. Steve Jobs lançou a Apple aos 21. Os casos de empreendedores jovens são famosos, mas um estudo publicado pelo MIT em março mostra que os casos de sucesso costumam ser obra dos quarentões. O professor Pierre Azoulay analisou os dados de 2,7 milhões de pessoas que fundaram empresas nos EUA entre 2007 e 2014. E viu que a idade média era de 41,9 anos. No caso das empresas que tinham conseguido crescer mais rápido, a cifra subia para os 45 anos. (brasil.elpais)

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Água é mais comum em nossa galáxia do que se imaginava

De acordo com pesquisa, cerca de 35% de todos os exoplanetas conhecidos que são maiores que a Terra devem ser ricos em água.
Concepção artística de uma formação planetária mostra planetas da zona habitável com semelhança com a Terra: Da esquerda, KEPLER-22B, KEPLER-69C, KEPLER-452B, KEPLER-62F E KEPLER-186F. O último da fila é a própria Terra.
A descoberta, em 1992, de existiam planetas orbitando outras estrelas que não o Sol gerou uma corrida na astronomia para conhecer os chamados exoplanetas: quantos são, onde estão como funcionam, do que são feitos. Tudo sempre com aquele fundo de esperança de que eles tenham condições de abrigar vida.
Um dos fatores primordiais para que se enquadre em um possível lugar para, como na Terra, a vida ter surgido é a água. Uma nova avaliação de dados do Telescópio Espacial Kepler e da missão Gaia demonstra que a água é muito comum em nossa galáxia.
Muitos dos 4000 corpos celestes que os astrônomos acreditam se tratar de exoplanetas podem conter até 50% de água. Isso é muito mais que da Terra, onde 0,02% da massa é de água. "Foi uma grande surpresa perceber que deve haver tantos mundos da água", disse o pesquisador chefe Dr. Li Zeng, da Universidade de Harvard, em comunicado.
Os exoplanetas costumam ser divididos em duas categorias de tamanho: aqueles com o raio planetário aproximado de uma Terra e meia, e aqueles com média de 2,5 vezes o raio da Terra. "Nós olhamos como a massa se relaciona com o raio e desenvolvemos um modelo que pode explicar a relação", disse Li Zeng.
Aglomerado Ômega Centauri.
A zona habitável é a região ao redor de uma estrela em que a sua radiação consegue manter a temperatura entre 0 e 100 graus Celsius, ou seja, manter a água em estado líquido. Para o Sol, a zona habitável vai mais ou menos da órbita de Vênus até a órbita de Marte.
O modelo indica que os exoplanetas com raio de cerca de 1,5 vez o raio da Terra tendem a ser planetas rochosos (tipicamente com cinco vezes a massa da Terra), enquanto aqueles com raio de 2,5 vezes o raio da Terra (com uma massa em torno de 10 vezes a da Terra) são provavelmente mundos da água".
"Nossos dados indicam que cerca de 35% de todos os exoplanetas conhecidos que são maiores que a Terra devem ser ricos em água. Esses mundos de água provavelmente se formaram de maneira semelhante aos gigantescos núcleos planetários (Júpiter, Saturno, Urano, Netuno)”, afirmou.
Só que nem tudo é maravilha. Na grande maioria deles é provável que a água não seja tão facilmente acessada como aqui. "Espera-se que sua temperatura na superfície esteja na faixa de 200 a 500 graus Celsius. Sua superfície pode ser envolta em uma atmosfera dominada por vapor de água, com uma camada de água líquida por baixo”,  afirmou Li Zeng.
O anúncio feito pela NASA de que há grandes chances de haver água corrente em Marte, aumentou as especulações sobre a existência de vida no planeta vermelho.
“Mais abaixo, seria de se esperar que essa água se transformasse em gelo, devido a alta pressão, antes de chegarmos ao núcleo rochoso sólido”. (globo)

O que seria sustentabilidade hídrica?

Recursos Hídricos e a sustentabilidade.
Esta proposição pode gerar situação de extrema complexidade sistêmica ou produzir reflexão simplória. Sustentabilidade hídrica seria a busca de uma situação de equilíbrio entre as disponibilidades de obtenção de recursos hídricos e as demandas geradas pelas necessidades de toda natureza, incluídas a dessedentação humana e animal e também processamentos agrícolas e industriais em geral. Em contexto de racionalização que evite desperdícios no transporte e consumo, e que busquem tratar da água como recurso natural, que pode ser finito em determinadas circunstâncias, e que também evitem a mercantilização ou mera precificação.
Evidentemente que está é uma reflexão que leva para o caminho da simplificação, mas guarda a maior parte dos fatores que devem ser considerados, numa abordagem sistêmica e isenta. E traz uma constatação que de alguma forma deve ser enfrentada. As disponibilidades apresentadas pelos ciclos da natureza, mesmo para os recursos naturais que podem ser considerados renováveis, exibem suas limitações. Se a velocidade de recomposição dos recursos naturais for menor que as demandas de consumo, isto, de alguma forma, induz à ideia de que em algum momento se deverá refletir sobre os limites populacionais viáveis para o planeta. O que não isenta a tomada de consciência, através de mecanismos permanentes de educação ambiental e de adoção de atitudes comportamentais preservacionistas ou responsáveis.
Não há, e não haverá nunca mais, disponibilidades geradas por intervenções antrópicas ou naturais, que gerem possibilidades de desperdícios, induzidas por sensações de abundância, que favoreçam situações de desperdício. E isto não pode ser visto como uma limitação, e sim como um desafio que busca compatibilizar de forma adequada, e em condições de equilíbrio, as disponibilidades de recursos naturais com as demandas diretas e indiretas dos processos civilizatórios humanos.
Não é o tratamento dos recursos naturais como meros produtos a sofrerem maiores ou menores precificações que vai resolver as questões. É necessária sensibilização geral para novas tipologias de valoração da vida, conscientização para atitudes permanentemente responsáveis e integradas em políticas públicas abrangentes, e então sim, o uso de mecanismos de precificação indutores de comportamentos. Que venham associados com políticas públicas que subsidiem ou garantam através de mecanismo diverso, o acesso das populações de mais baixa renda ou vulnerabilizadas, aos bens necessários para uma vida digna, entre os mesmos, os recursos hídricos.

Já existem regiões no planeta, que há muito são afetadas por carências graves de recursos hídricos, que sustentam muitas situações conflituosas. Alguns destes arranjos evoluem para conflitos militares, explicitados ou não. Mesmo no país, há bastante tempo se observam conflitos regionais entre usuários de recursos hídricos para finalidades diferenciadas.
Os mecanismos de cobrança ou remuneração, para os usos de água, tem comprovado que, isoladamente, não trazem soluções adequadas, nem mesmo no interior das restritas regiões geográficas delimitadas por bacias hidrográficas. Cada vez mais se constata que água não deve ser tratada como mero produto, e sim como integrante de complexos equilíbrios ecossistêmicos, em situações que podem ser diferenciadas e constituírem ligações planetárias, explicitadas ou não.
Embora mecanismos de precificação possam integrar políticas públicas multifacetadas, está, cada vez, mais claro que aumentar ou diminuir os preços dos bens, isoladamente, atende às demandas de mercado, mas não parece ser um procedimento ecossistêmico viável que atinja objetivos concretos em sociedades humanas cada vez mais complexas. Ou em caracteres ecológicos, que comprovadamente não são regidos por diretrizes mercadológicas ou de expectativas em geral.
Praticar gesto de dessedentação, determinar equilíbrio num ecossistema, atender demandas agrícolas por irrigação ou necessidades industriais de consumo de recursos hídricos, atendem a interesses diferenciados. E sua compatibilização adequada certamente demanda políticas públicas continuadas e compensatórias quando necessário. Preços podem integrar este cardápio, mas não isoladamente.
No entanto, a pura e simples intervenção antrópica, através de obras de engenharia, ainda que preventivas, aumentando a disponibilidade de recursos hídricos, não configura de forma isolada sustentabilidade. Desconectada de ações sistêmicas de educação ambiental, podem ser apenas estímulo para os desperdícios de recursos naturais, especificamente de água, que se verificam. Intervenções antrópicas são bem vindas quando inseridas em programas que incluem reflorestamento, recomposição das condições ecossistêmicas, proteção e recuperação de nascentes, e relevante composição de parâmetros de educação ambiental continuada.
Somente em contextos desta natureza, alterações em parâmetros de precificação, ainda que socialmente compensados, podem apresentar resultados relevantes. O que se verifica é uma simplificação de concepções. Se procura atribuir a ausência de obras, ou a dificuldades burocráticas de licenciamento ambiental de obras, a todas as dificuldades que são enfrentadas, e poucas vezes se consegue compreender o conjunto, de ações sistêmicas coordenadas, que em conjunto não deixa de constituir realidade complexa.
A crise hídrica, com seus reflexos sobre o abastecimento de água e a geração de energia, veio consolidar uma nova realidade, que exige nova postura coletiva no tratamento prático e teórico da questão, exigindo nova e permanente postura de esclarecimento e sensibilização de todos os agentes interessados e atuantes na sociedade, sem exceções. Sem estigmatizar soluções, o fato é que estamos testemunhando uma modificação paradigmática para um novo cenário, que é muito mais profunda e significativa do que se pode avaliar.

Precisamos começar a reusar a água para que o sistema hídrico tenha sustentabilidade.
Envolve visões e concepções, que se diluem em aspectos multifatoriais e inter-relacionadas de muito maior profundidade e dimensionamento. Que somente em futuro ainda não mensurado, se poderá avaliar em toda sua extensão. (ecodebate)

Floresta Amazônica reduziu a capacidade de absorção de carbono

Cientistas alertam que floresta Amazônica reduziu a capacidade de absorção de carbono, chegando à quase zero.
Há cerca de 20 anos, a floresta amazônica era considerada um sumidouro de carbono, retendo todos os anos meia tonelada de carbono por hectare.
As apresentações dos palestrantes do Workshop Amazônia estão disponíveis no link: http://www.fapesp.br/eventos/amazon-workshop/pt.
Fundamental para a estabilidade do clima do planeta, a floresta amazônica, que até alguns anos absorvia carbono em quantidades muito significativas, do ponto de vista de balanço de carbono total, reduziu essa capacidade e hoje está chegando à zero. Os cientistas consideram a situação preocupante. Em um cenário futuro de mudanças climáticas, em que eventos extremos de secas e grandes inundações são mais frequentes, é possível que a floresta comece a perder carbono para a atmosfera piorando o já grave aquecimento global.
O alerta foi feito no Workshop “As dimensões científicas, sociais e econômicas do desenvolvimento da Amazônia”, no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA/MCTIC). O evento foi organizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), INPA e Instituto Wilson Center.
As pesquisas na região mostram que a Amazônia é um ecossistema altamente crítico no clima global, controlando o ciclo hidrológico, a chuva sobre a própria Amazônia e sul do Brasil, e que armazena uma quantidade enorme de carbono. A ciência estima que a Bacia Amazônica abrigue 16 mil espécies de plantas arbóreas. Já se sabe também que a estação seca na Amazônia está se ampliando em seis dias por década, o que pode parecer pouco, mas é uma alteração significativa.
Segundo o coordenador do workshop e professor da Universidade de São Paulo, Paulo Artaxo, a floresta amazônica até cerca de 10 a 20 anos fazia um serviço ambiental muito importante de reter todos os anos meia tonelada de carbono por hectare. Este serviço ambiental agora está indo para zero.
“Nosso medo é que, a partir de agora, a floresta, além de perder carbono para a atmosfera, e como ela corresponde a dez anos da queima de combustíveis fósseis, perca mais 2%, 3% ou 4% do carbono, pois isso vai aumentar muito o efeito estufa”, disse Artaxo, que também é presidente do Comitê Científico do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA/INPA/MCTIC).

Segundo o cientista, hoje a floresta é neutra do ponto de vista do carbono. Mas se forem diminuídas as emissões haverá possibilidade de voltar a ter a floresta retendo mais carbono do que emite. “É por isto que temos de lutar hoje”, afirmou.

As florestas tropicais são o lugar do mundo em que mais se estoca carbono na Terra. O carbono é o quarto elemento mais abundante na atmosfera e é um dos gases de efeito estufa. De acordo com o pesquisador da USP, Luiz Martinelli, se a floresta faz mais fotossíntese do que ela perde carbono pela respiração, essa floresta tende aumentar sua biomassa.
“É disso que estamos precisando, porque, devido ao grande aporte de carbono e CO2 na atmosfera pela queima de combustíveis fósseis, o clima da Terra está mudando. Então, é extremamente benéfico para o clima que a Amazônia continue limpando esse excesso de carbono na atmosfera, mesmo que lentamente”, explicou Martinelli.
As pesquisas apoiadas pela FAPESP e realizadas em colaboração com o INPA serão apresentadas em um Workshop nos mesmos moldes deste de Manaus em Washington, no dia 25 de setembro. A proposta é apresentar para o Banco Mundial e o Fundo Amazônia quais as necessidades de pesquisas que se tem na Amazônia atualmente.
Participaram da mesa de abertura do Workshop o Comandante do 9º Distrito Naval, o Vice-Almirante Carlos Alberto Matias; o pesquisador da USP Paulo Artaxo; o diretor administrativo da FAPESP, Fernando Almeida; o coordenador de Pesquisas do INPA, Paulo Maurício; o diretor-técnico e científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), Décio Reis; o coronel Washington Rocha Triani, do Comando Militar da Amazônia (CMA); e o diretor do Brazil Institute Wilson Center, Paulo Sotero.

“O Inpa desenvolve pesquisas em várias áreas, desde questões climáticas, agricultura sustentável até tecnologias sociais, que no seu conjunto podem ser aproveitadas para se ter desenvolvimento com base sustentável na região. A questão central é conseguirmos ter ressonância com os políticos quando vão construir os caminhos para a Amazônia”, destacou o coordenador de Pesquisas do Inpa, o pesquisador Paulo Maurício Alencastro.

No evento ainda foram debatidas iniciativas empresariais e de organizações não governamentais de pesquisas e seus papeis no desenvolvimento sustentável na Amazônia, além do importante apoio logístico das Forças Armadas à pesquisa na Amazônia, especialmente com o programa do CMA, o Proamazônia.
Ponto de não retorno
De acordo com a pesquisadora do INPA, Maria Teresa Fernandez Piedade, empresários, políticos e tomadores de decisão precisam entender que a devastação da Amazônia está chegando a um ponto de não retorno, e que isso será prejudicial para todos. Há fortes componentes atuando no desmatamento em níveis muito altos, juntamente com mudanças climáticas globais e ainda uma ação continuada de fogo.
Estudos mostram que a floresta já foi desmatada em 20% e se aumentar mais cinco pontos percentuais vai perder sua resiliência, alterando o ciclo hidrológico de maneira irreversível – ponto de não retorno, conforme artigo publicado na revista Science Advances assinado pelo professor da George Mason University, nos Estados Unidos, Thomas Lovejoy, que participou do Workshop via vídeo, e o coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas, o brasileiro Carlos Nobre.

“Esse conjunto de pressões, que antigamente não se considerava como interagindo nos modelos, agora mostra que com 25% de desmatamento da região algumas partes da Amazônia vão atingir um ponto no qual a cobertura vegetal será transformada em um tipo de vegetação mais aberta e pobre em espécies, no processo chamado de savanização. E esse processo não vai ser revertido de forma banal”, alerta Piedade, que é coordenadora do projeto Pesquisa Ecológica de Longa Duração – Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (Peld/Maua).
Na parte central da Amazônia, onde se encontra Manaus, há previsões de modelos climáticos que mostram que a temperatura pode aumentar 5°C até 2050.
Valor econômico dos serviços ambientais
O Brasil não recebe compensação financeira pelos serviços ambientais que a Amazônia realiza. Só os serviços ambientais produzidos na América do Sul são estimados em 14 trilhões de dólares.
“Não há dúvidas de que, do ponto de vista econômico, o vapor de água que Amazônia processa e se transforma em chuva irrigando as culturas de soja no Mato Grosso, culturas de alimento no Rio Grande do Sul, Goiás e em São Paulo, todo esse serviço ambiental vale trilhões de dólares”, afirmou o pesquisador Paulo Artaxo.
Nas próximas décadas, as previsões são de alterações profundas no planeta que afetarão a economia do mundo, e o Brasil precisa se adaptar para esse novo cenário, segundo os cientistas, com a implementação de políticas públicas, melhorando a sustentabilidade, e implantando outras matrizes energéticas como solar e eólica, para as quais o Brasil tem grande potencial.

A cerca de 20 anos, a floresta amazônica era considerada um sumidouro de carbono, retendo todos os anos meia tonelada de carbono por hectare.
Floresta Amazônica reduz capacidade de absorção de carbono chegando à quase zero.
“Hoje a mais importante dessas políticas é reduzir a taxa de desmatamento da Amazônia que está em cerca de 8 mil km2 por ano, quando era há três anos de 4,5 mil km2 por ano. Essa taxa está aumentando e precisamos urgentemente reduzir o desmatamento na Amazônia até chegar ao desmatamento zero, e isso é possível”, destacou Artaxo. (ecodebate)