sábado, 9 de janeiro de 2010

Qual a explicação para tanta tragédia natural?

O ano de 2010 mal iniciou e tantas catástrofes naturais já assolam o nosso País. O tão cantado e divulgado País abençoado por DEUS e bonito por natureza, se debulha em lágrimas, angústias e desespero. O Impávido Colosso se rompe perante as águas do verão, muitos de seu povo ficarão eternamente deitados em berço esplêndido, boiando nas águas de margens plácidas hoje tão revoltas, que apenas cobram o que um dia lhes foi usurpado pela ganância de pessoas desonestas, soterrado pelas terras barrentas que descem de seu gigantesco território formado pela própria natureza colossal. O teu formoso céu, risonho e límpido, onde a imagem do cruzeiro não mais resplandece, restou as nuvens que trazem muita água, lama, lágrimas, mortes e desgraças, para um povo guerreiro e bravamente lutador. Com tanta tragédia natural atingindo ao Brasil ao mesmo tempo, nas mais variadas regiões do País, nem mesmo o apego ao um dos símbolos de maior significado ao povo brasileiro, é encontrado o consolo abrangente e necessário.
O que será que está faltando?
Mais investimentos podem ser a solução para evitar catástrofes como as ocorridas em Cunha, Angra dos Reis e São Luiz do Paraitinga. Os desastres naturais tomaram o noticiário na virada do ano e não foi a primeira vez. Há anos, chuva em excesso, deslizamentos de terra e desmoronamentos acontecem em várias regiões do país. Seriam essas catástrofes, respostas da natureza à ação do homem?
Há duas semanas, o litoral da Região Sudeste viu dois fenômenos metereológicos se unirem e alimentarem chuvas bem acima da média. Segundo especialistas, esse tipo de situação é normal na metereologia e tem se tornado cada vez mais frequente, porém as cidades não estão preparadas. “Com tanta mudança climática, é importante nos preocuparmos mais com o meio ambiente”, afirma o Urbanista, Flávio Mourão.
Nesse início de ano, as tragédias se concentraram em cidades da Serra do Mar, um dos lugares onde mais chove no Brasil. As montanhas são naturalmente instáveis, portanto, morar muito próximo de estradas sempre foi um risco. Existe perigo também nas áreas de várzea, onde os rios avançam quando chove muito. “Se chove, tenho medo do rio encher. A gente nunca sabe quando isso vai acontecer”, diz Elaine Aparecida, que mora a alguns passos do Rio Paraíba do Sul, em São José dos Campos. Por falta de opção ou erros históricos, áreas de risco foram ocupadas e seguem assim até hoje. Quando São Luiz do Paraitinga foi fundada, em 1769, estar perto do rio era vantagem. “O rio era fonte de vida da cidade e naquele momento tudo em torno era mata. Não havia preocupação ambiental”, lembrou o Secretário de Turismo, Eduardo Coelho.
O município só percebeu o perigo real séculos depois, já com os casarões estabelecidos. Quando chove mais forte, a água invade as ruas, mas nada se compara à força das águas de 2010, que deixou a cidade debaixo d’água. “Eu saí de casa por cima do telhado”, recorda João Batista. A dor de João é vista em cada canto da cidade. O cenário de guerra da rua principal. O supermercado destruído. A loja de roupas cheia de lama.
As águas de verão são impiedosas. “As cidades estão extremamente impermeabilizadas. Quanto mais a gente canalizar, mais rápido colocamos as águas nos rios e, então, os rios acabam transbordando em algum ponto”, diz o Urbanista, Flávio. Segundo Eduardo, em áreas de risco a primeira solução seria sair, impedir novas ocupações e retirar quem já está no meio do furacão, mas há outra preocupação. “A parte histórica e cultural da cidade deve ser preservada. Portanto, convivemos com o risco ou sacrificamos a história e a cultura de São Luiz do Paraitinga.”, completa. Para milhões de brasileiros que vivem em cidades onde não é possível haver uma transformação, a palavra é: investimento. Em 2009, o Ministério da Integração repassou R$1,4 bilhão para obras de reconstrução, porém, a prevenção ficou com apenas R$135 milhões, menos de 10% do total. “Não bastam ações individuais. Hoje os problemas principais são correções que demandam tempo, mais de uma administração. Não pode ser somente um projeto de governo, mas tem que ser um projeto de cidade”, finaliza Flávio.

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