sexta-feira, 23 de abril de 2010

Fórmula 1 gerará menos poluição

Vem aí a Fórmula 1 verde, ecológica. Mas só em 2013. A maior bandeira de marketing da Fórmula 1 sempre foi: "Desenvolvemos a tecnologia que no futuro vai estar nos veículos de série, tornando-os mais seguros e eficientes." A principal preocupação da humanidade agora, no entanto, é com a preservação do planeta. A Fórmula 1 tem de continuar sendo o laboratório avançado dos experimentos com carros e promover sua eco-compatibilização. Por isso vem aí, em 2013, a "Fórmula 1 verde". As discussões envolvendo representantes das equipes, dos fabricantes de motores, Ferrari, Mercedes, Renault e Cosworth, fornecedores de combustível, óleos lubrificantes, pneus, técnicos da FIA, dentre outros, já estão em curso há meses. O tema entrou na reta final de definição. "Não dispomos mais de tempo, o que nos aguarda é realmente algo bastante diferente do que fazemos hoje; é preciso anos e elevados investimentos para desenvolver conhecimento nessas novas áreas", explica Stefano Domenicali, diretor da Ferrari. O objetivo é estabelecer o conjunto de medidas que serão adotadas até julho. "A minha primeira pergunta é se o que buscamos é uma ação ecológica de verdade ou apenas ficar nas aparências", diz Adrian Newey, diretor da Red Bull. O presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, deixou claro o que pensa a empresa: "A F-1 tem de se basear na tendência dos rumos da indústria automobilística. Não pode sonhar em fazer carros com três rodas e asas que os permitam decolar." Alguns parâmetros foram acertados. A F-1 terá de ser um exemplo na redução do volume de materiais empregados, dos custos, na recuperação de energia, na economia de combustível e poluir o menos possível. Mais: não perder sua espetacularidade, essencial para sua sobrevivência. Isso faz com que a maior alteração ao modelo em curso atinja a natureza do motor. As reuniões até agora definiram o chamado "Indentikit". É muito provável que em 2013 a F-1 volte a ter motores turbo. Mas de rendimento superior aos adotados na sua última fase, de 1977 a 1988. O motor deverá ter 1,5 litro, quatro cilindros em linha. Hoje os motores são aspirados, de 2,4 litros, e V-8. Curiosamente, o combustível será fóssil ainda. Mas o controle de emissão de poluentes, severo. Assim como o consumo, previsto para ser a metade do atual. Este ano, os pilotos largam com cerca de 210 litros de gasolina para percorrer 305 quilômetros. No ano passado, estreou o sistema de recuperação de energia (Kers), que transformava a energia antes desperdiçada nas frenagens em potência extra para o motor. Com as limitações impostas pela FIA, disponibilizava cerca de 80 cavalos por 5 segundos por volta. Em 2013, em vez de atuar apenas nas rodas traseiras, o Kers trabalhará nas quatro. Outras formas de aproveitamento energético estão sendo estudadas, como o ar quente escoado pelos radiadores. Dentro de três meses, no máximo, se saberá como vai ser a Fórmula 1 verde. Já foi possível compreender, contudo, que bem distinta da atual.

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