domingo, 27 de março de 2011

Ativistas protestam e funcionários defendem Angra

Ambientalistas criticam problemas de segurança da usina, como o plano de retirada em caso de acidente como o do Japão.
Luto
Estudantes de Angra protestam contra usinas e manifestam apoio às vítimas do Japão: 'protesto pacífico e silencioso'
De um lado, ambientalistas e estudantes da rede municipal com uniformes por baixo de camisetas pretas. Do outro, funcionários da Eletronuclear, alguns com crachás da empresa pendurados no pescoço, vestindo branco. O centro de Angra dos Reis, no litoral fluminense, foi palco ontem de manifestações opostas e simultâneas, contra e a favor da expansão do programa nuclear brasileiro com a prometida construção da usina Angra 3.
"Nossa manifestação é pacífica e silenciosa", avisou Rafael Ribeiro, um dos conselheiros da ONG Sociedade Angrense de Proteção Ecológica (Sape), pouco depois de os manifestantes dos dois grupos se cruzarem na Praça General Osório.
Cerca de 40 estudantes de duas escolas públicas engrossaram o coro de duas dezenas de ambientalistas, que percorreram ruas carregando faixas, velas acesas, uma coroa de flores e um caixão cenográfico até a Praça da Matriz, em passeata, usando máscaras brancas no rosto e cobertos por panos pretos.
O grupo do "sim" era menor, cerca de 25 pessoas ao todo. "Nossa intenção não é o embate, mas o contraponto. Eles (os ambientalistas) estão tirando proveito da tragédia no Japão", disse o técnico de edificações Donato Borges, de 51 anos, que trabalha há 34 na Central Nuclear de Angra. Vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil na região e um dos coordenadores do Movimento Pró-Angra 3, ele reconheceu que o ato foi motivado pelo anúncio do protesto ambientalista, na véspera. Borges disse que o objetivo era mostrar a importância da construção da terceira usina para a criação de empregos. "Sem as obras, serão 3 mil pessoas na rua em Angra." Para Ribeiro, o ato dos funcionários foi "uma provocação apelativa". "São pessoas ligadas ao PT que estão penduradas na Eletronuclear e fazem esse papelão."
Outro participante da marcha dos de branco alardeava a "segurança" das instalações. "Nós temos uma Ferrari, eles (os japoneses) tinham um Fusca. Estamos aqui para mostrar as diferenças entre as usinas", disse o funcionário da Odebrecht Marcelo Vidal, de 39 anos, que trabalha há 15 anos em Angra 2 e preside o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil no município.
Segundo o ambientalista, o objetivo era chamar a atenção para os "problemas e a insegurança nuclear" em Angra. "O raio de 5 km para retirada em caso de emergência é ridículo, uma farsa", afirmou.
Segundo ele, além de uma "revisão profunda" para criação de um plano de fato seguro, é preciso melhorar as informações divulgadas à população, as vias de acesso e a infraestrutura.
"No Japão, também sempre disseram que não ia ter problema. Precisamos considerar o imponderável. O risco da usina é pequeno, mas o impacto é devastador", disse Ribeiro. "A população em Angra não está preparada para agir diante de um acidente. Exigimos do governo que, se não tem condições de oferecer segurança, não mantenha as usinas."
Um grupo de três voluntários do Greenpeace no Rio acompanhou a manifestação. "A gente veio apoiar", disse o estudante de engenharia mecânica Rodrigo Batista, que pretende se especializar em energias renováveis. "O projeto de lei de 2008 que trata disso está parado."
Alexandre Silva, do Comitê de Defesa da Ilha Grande, alertou para a dificuldade de remoção dos moradores da ilha em caso de emergência na central nuclear. Segundo ele, hoje esses moradores não são considerados nos planos de prevenção. Convocados por professores da rede municipal, os estudantes receberam um lanche após a participação no ato dos ambientalistas, que teve apoio da fundação alemã Heinrich Böll. (OESP)

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