quarta-feira, 23 de março de 2011

Japão consegue religar energia

Japão consegue religar energia em usina nuclear afetada por terremoto
Objetivo é tentar reiniciar equipamento que resfria reatores em Fukushima.
Tremor e tsunami causam mortes, destruição e crises nuclear e humanitária.
Engenheiros japoneses conseguiram em 19/03/11, pelo horário local, conectar os cabos de energia à usina nuclear de Fukushima Daiichi, atingida pelo terremoto e pelo tsunami de 11 de março, em uma tentativa de conter o vazamento radioativo que ameaça se transformar em um acidente de proporções maiores.
A Tokyo Electric Power Co (TEPCO) afirmou que a linha de transmissão externa foi conectada e que ela já pode fornecer eletricidade.
O próximo passo será checar se os equipamentos de resfriamento dos reatores estão funcionando, para então tentar reiniciá-los, dando prioridade aos equipamentos usados para o resfriamento. Pela ordem, eles seriam religados nos reatores 2, 1, 3 e 4. Isso ocorreriam ainda neste sábado.
Quase 300 engenheiros que trabalham dentro do raio de 20 quilômetros que foi isolado pelas autoridades devido à radiação estavam focados em conseguir religar a energia das bombas de água.
Se isso funcionar, será um ponto de virada na tentativa de conter o grava acidente nuclear na usina, a 240 km da capital do Japão, Tóquio.
O fato de terem religado a energia, no entanto, não exclui outras opções para a usina nuclear, incluindo enterrá-la debaixo de areia e concreto - mesmo método empregado em Chernobyl em 1986 para selar vazamentos enormes.
Imagem de satélite mostra a usina de Fukushima em 18/03
O Japão elevou o nível de gravidade da crise nuclear do país de 4 para 5 numa escala internacional de intensidade até 7. Assim, a situação em Fukushima se iguala ao acidente de Three Mile Island em 1979, apesar de alguns especialistas afirmarem que o caso japonês é mais grave.
A empresa que opera a usina do Japão reconheceu pela primeira vez que seria possível enterrar o grande complexo erguido há 40 anos - um sinal de que medidas isoladas, como atirar água de helicópteros militares sobre o reator ou esforçar-se para religar as bombas de resfriamento, podem não funcionar.
"Não seria impossível encerrar os reatores em uma capa de concreto. Mas nossa prioridade neste momento é tentar primeiro resfriá-los", disse um funcionário da Tepco.
A agência de energia atômica da ONU afirmou que a situação da usina continuava muito séria, mas não estava piorando.
O Conselho de Ministros da AIEA vaI se reunir na próxima segunda em sessão extraordinária para a apresentação de um relatório do diretor geral Yukiya Amano, que estava no Japão, informaram fontes da organização nesta sexta-feira.
Ao longo desta sexta, especialistas tentaram resfriar o reator 3 da usina. Dezenas de caminhões-pipa voltaram a lançar água no contêiner, muito danificado após o terremoto. Cerca de 30 caminhões foram utilizados na operação.
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Em 17/03, foram jogadas 64 toneladas de água sobre o reator número 3 a partir de caminhões-pipa e helicópteros militares.
Uma semana
O Japão parou por um minuto em respeito às milhares de vítimas da catástrofe.
O minuto de silêncio ocorreu às 14h46, exatamente na mesma hora do início do desastre natural registrado em 11/03/11.
Horas antes do minuto de silêncio, as autoridades do Japão calcularam em mais de 6.500 os mortos e em mais de 10 mil os desaparecidos após a tragédia, segundo boletim oficial divulgado pela polícia.
Cerca de 390 mil pessoas, entre as quais muitos idosos, estão desabrigadas e enfrentam temperaturas de quase zero grau Celsius em abrigos improvisados nas áreas costeiras do norte do país. Faltam comida, água, medicamentos e combustível para aquecimento.
Turistas, estrangeiros e muitos japoneses continuam a deixar Tóquio, temendo uma explosão de material radiativo do complexo nuclear, embora as autoridades de saúde e a agência de fiscalização nuclear da ONU tenham dito que os níveis de radiação na capital não são prejudiciais à saúde.
Há pouco alívio em vista para cerca de 300 técnicos da usina nuclear que estão trabalhando nos destroços radiativos, usando máscaras, óculos e roupas protetoras especiais com suas costuras fechadas com fita adesiva para impedir a passagem de partículas radiativas.
A situação dos desabrigados pelo terremoto e o tsunami se agravou depois de uma onda de frio levar neve pesada às áreas mais afetadas.
O fornecimento de água, óleo para aquecimento e combustível está baixo nos centros de desabrigados, onde muitos sobreviventes aguardam embrulhados em cobertores. Faltam remédios para muitos idosos. A comida é racionada. Funcionários dos serviços de resgate informam que há falta aguda de combustível para seus veículos.
O governo disse na sexta-feira que analisa a possibilidade de transferir alguns dos desabrigados para partes do país não atingidas pela devastação.
Quase 320 mil famílias no norte do país continuavam sem eletricidade na sexta-feira à tarde, sob frio congelante, disseram as autoridades, e, segundo o governo, ainda falta água corrente para pelo menos 1,6 milhão de famílias.
O governo ordenou que todas as pessoas residentes em um raio de 20 quilômetros da usina nuclear danificada abandonem suas casas e aconselhou as pessoas que vivem em um raio de até 30 quilômetros a não saírem de suas casas.
A embaixada dos EUA em Tóquio exortou cidadãos residentes em um raio de 80 quilômetros da usina a deixarem a região ou ficarem dentro de casa 'como precaução', e o Ministério do Exterior britânico pediu a seus cidadãos que 'estudem a possibilidade de deixar a região'. Outros países já pediram a seus cidadãos no Japão que deixem o país ou se desloquem para o sul do país. (g1.globo)

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