quarta-feira, 27 de abril de 2011

Pessoas ainda fazem pouco em ações práticas

Pessoas ainda fazem pouco em ações práticas no dia a dia para evitar os efeitos das mudanças climáticas
Não é novidade para mais ninguém que o clima do mundo está mudando. Aquecimento global e aumento do número de fortes chuvas são fenômenos relacionados com a atuação do homem sobre o meio ambiente. Com a vivência e o conhecimento cada vez maior sobre esses problemas, a população tem se interessado cada vez mais pelo assunto. Mas esse interesse resulta em ações práticas no dia a dia? Segundo especialistas, ainda não.
“Quando há catástrofes naturais, as pessoas param para pensar nas causas. Mas aí o tempo passa e esquecem”, lamenta Érika de Paula Pedro Pinto, ecóloga e pesquisadora do Programa Mudanças Climáticas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). Por esse motivo, o instituto lançou a cartilha Perguntas e Respostas sobre o Aquecimento Global, que traz de forma didática as principais questões relacionadas às mudanças climáticas — desde seus fundamentos até políticas públicas que estão em discussão atualmente — e medidas que podem ser adotadas por qualquer pessoa para reduzir os efeitos da ação do homem sobre o clima do planeta. “Preparada e bem informada, a sociedade pode se envolver, cobrar e debater as questões com a comunidade, inclusive com as autoridades”, observa Érika.
O mestre confeiteiro Daniel Briand pode ser colocado no grupo de pessoas que já estão atentas ao problema e buscam colaborar na luta contra o aumento da temperatura do planeta. A cada três meses, ele cede o espaço de sua confeitaria, na Asa Norte, para que especialistas se reúnam com pessoas da comunidade para discutir tais problemas. “É uma forma de contribuir para o debate em torno de um tema que considero de suma importância”, diz Briand. Além de promover a discussão, o confeiteiro adota com rigor algumas ações para colaborar com o meio ambiente. “Não uso saco de plástico de jeito nenhum”, afirma categoricamente. “Além disso, tento educar as pessoas que trabalham comigo sobre a importância de economizar água”, acrescenta. Todas essas, medidas apontadas na cartilha do Ipam (veja ao lado).
Consumo
Carlos Nobre, climatologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), considerado um dos maiores pesquisadores sobre mudanças climáticas no Brasil, acredita que a população ainda não esteja comprometida com o tema tanto quanto deveria. Para ele, só haverá uma mudança expressiva no mundo se a sociedade alterar seu comportamento de consumo. “Apenas uma pressão social fará com que as coisas mudem realmente, principalmente nos setores produtivos e da indústria. E isso depende de uma alteração no padrão de consumo das pessoas”, expõe Nobre. “As pessoas não devem esperar essa mudança do Estado”, defende.
Mudar hábitos de compra e comportamento não é fácil, mas também não é impossível. Que o diga o casal de analistas ambientais Nilo D’Ávila, 40 anos, e Cristiane Fontes, 37. “Optamos por atitudes simples, como usar lâmpadas frias e consumir apenas produtos orgânicos, além de fazer a coleta seletiva do lixo, sem esperar que o Estado promova essas mudanças”, conta D’Ávila. Outras ações realizadas pelo casal são o consumo de sucos naturais, para não utilizarem embalagens de polpa e garrafas; o uso de fralda reutilizável para o filho Joaquim, 2 meses; e a utilização do verso da folha de papel escrita ou desenhada. “Há três anos, seria impossível optar por viver dessa forma. As coisas estão mudando aos poucos, muito lentamente”, aponta D’Ávila. Mesmo com todas essas atitudes, o casal ainda é pessimista em relação ao comportamento da sociedade de uma maneira geral. “Ninguém está disposto realmente a mudar o modo de vida. Não há res- ponsabilidade quanto ao consumo”, opina Cristiane.
Érika Pinto, do Ipam, ressalta que muitas vezes falta apoio das autoridades às ações dos cidadãos. “Quando você faz a coleta de lixo na sua casa, mas esse material acaba todo misturado em um aterro, sua atitude é anulada. A pessoa fica sem respaldo para continuar com essas ações”, observa. Outro aspecto citado pela ecóloga é a falta de organização social na luta por algo comum. “Nas grandes cidades há um comportamento tão individualista que a organização social não existe. Cada um se preocupa com o seu e não com o bem comum. Imagine com o bem comum pla-netário”, indigna-se.
A saída, para a ecóloga e o climatologista Carlos Nobre, está na educação como processo multiplicador. “As crianças são as principais agentes dessa mudança. Temos que investir na educação ambiental como responsabilidade para o futuro”, afirma Érika. “Se houver organização social que consiga pressionar os setores produtivos e a indústria, há como reverter o aqu
POVO FALA
Que ações você toma para minimizar os efeitos negativos do aquecimento global?
Incentivo os meu alunos a plantarem árvores e não desmatarem. Também procuro conscientiza-los sobre o problema do lixo, reciclando materiais para fazer instrumentos usados nas apresentações da capoeira.
Wilson Pereira da Silva “Sorriso”, 30 anos, instrutor de capoeira, morador de Sobradinho
Quando lembro, procuro economizar no consumo de água e utilizar menos papel, reaproveitando sempre que possível. Também me informo para saber quais outras ações posso tomar.
Ariane Ramos, 17 anos, estudante, moradora do Plano Piloto
Tento não usar copos descartáveis. Sempre levo o meu para o trabalho. Também me preocupo com o problema do lixo e procuro não jogá-lo na rua, repassando sempre essa informação.
Eliane Paniago, 28 anos, bancária, moradora do Guará
Economizo água em tudo: no banho, na hora de fazer a barba etc. Também direciono o lixo que pode ser reciclado para uma cooperativa. Aliás, isso é um incentivo que existe no meu prédio.
Denis Marcelo dos Santos, 45 anos, bancário, morador de Águas Claras (EcoDebate)

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