quarta-feira, 13 de julho de 2011

Regularização para uma economia verde

Embrapa sugere marco regulatório para uma economia verde
O Cerrado Brasileiro, que despontou como uma fronteira agrícola a partir da década de 1970, deve ser a mola propulsora que levará o Brasil a tornar-se uma potência mundial agrícola, ambiental e energética (renovável) nos próximos anos.
A opinião é do presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Pedro Antonio Arraes Pereira, em conferência sobre Cerrado: água, alimento, energia e pesquisa agropecuária, no primeiro dia da 63ª Reunião Anual da SBPC, em Goiânia. Ele alerta, entretanto, para a necessidade de o País criar um marco regulatório da “economia verde” e avançar mais na implementação de ciência e tecnologia (C&T) para evitar novos desmatamentos no campo.
Pereira lembra que a produtividade de grãos do Cerrado nos últimos dez anos vem superando a média nacional, em decorrência do acesso à ciência e tecnologia (C&T) e da implementação de políticas públicas favoráveis de fomento ao campo. Sem dar detalhes dos investimentos de C&T aplicados exclusivamente no Cerrado, Pereira mencionou que os recursos atuais investidos em ciência e tecnologia agrícola representam 0,12% do total de 1,6% investido hoje no setor de C&T do Brasil. A expectativa do presidente da Embrapa é de que os recursos em C&T cresçam para 3% do PIB em curto prazo.
Na última década, informa Pereira, a produtividade do milho no Brasil atingiu em média 3,5 mil por hectare, enquanto a do Cerrado foi de 12 mil. A da soja, a principal commodity agrícola cultivada no Brasil, principalmente em Mato Grosso, atingiu 2,6 mil no País, abaixo da produtividade de 3,9 mil por hectare apurado no Cerrado.
Ao mesmo tempo em que destaca os avanços agrícolas obtidos no Cerrado nos últimos anos, que ajudou a alavancar as exportações do agronegócio e o abastecimento de alimentos internamente, Pereira menciona também o impacto negativo da exploração agrícola sobre o meio ambiente. “Tudo na vida tem seu lado positivo e negativo. Não há almoço de graça”, disse.
Marco regulatório para a economia verde – Para o presidente da Embrapa é necessário ser criado um marco regulatório voltado para a economia verde nacional que contemple regras para a certificação de produtores rurais que adotam a prática de sustentabilidade nas propriedades agrícolas. “A agricultura será a indústria do futuro e pode ser a propulsora da descabornização de nossa economia”, declara ele. Hoje a agricultura representa 40% do Produto Interno Bruto (PIB).
Para ele, a adoção de políticas corretas pode garantir a produção de alimentos alinhada à sustentabilidade no campo, mesmo na agricultura irrigada. Pereira acredita que chegará o momento de Brasil cobrar o custo da água irrigada utilizada das bacias hidrográficas, seguindo os padrões mundiais.
O desafio da agricultura brasileira é manter a atual extensão de terra cultivada e alavancar mais a produtividade pela implementação da tecnologia, mesmo que o País tenha capacidade de aumentar em 100 milhões de hectares a área cultivada de grãos principalmente pela recuperação de áreas degradadas.
Nas últimas semanas a Conab divulgou a estimativa de área plantada da atual safra (2010-2011) de aumento de 4,4%, passando de 47,4 milhões de hectares, na safra anterior, para 49,5 milhões de hectares. A produção agrícola é estimada em 165 milhões de toneladas de grãos, um aumento de 8,6% sobre a safra anterior.
Diante do aquecimento climático, a Embrapa tem realizado simulações para viabilizar a produção de culturas agrícolas resistentes a um eventual aumento de temperatura de até 5 graus nos próximos anos. A estatal fechou um acordo com o Japão em que prevê a incorporação de novos genes de tolerância à seca. Será incorporado o gene japonês Dred em culturas agrícolas como arroz, milho, soja e trigo cultivados no Brasil. (EcoDebate)

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