sábado, 5 de novembro de 2011

Riscos e chances num planeta de 7 bilhões

Mesmo quando a profecia apocalíptica do economista inglês Thomas Robert Malthus, formulada no século XIX, de que a demografia seria estrangulada pelo crescimento anêmico da produção de alimentos, já fazia parte da História, houve, no início da década de 70, uma espécie de renascimento do malthusianismo. Reunidos no Clube de Roma, especialistas em várias áreas decretaram limites para o crescimento, com o fim de matérias-primas não renováveis, apesar de todos os avanços tecnológicos.
O célebre estudo do Clube de Roma tem validade no que se refere à cada vez mais atual discussão sobre o uso predatório de recursos naturais. Mas a tecnologia insiste em revogar cenários pessimistas, ao menos no que se refere aos alimentos. Estimulada por avanços na medicina e na qualidade de vida em geral, a população mundial dá saltos que impressionam. Como destacou Nicholas Kristof na sua coluna no "New York Times", foram necessárias centenas de milhares de anos para o Homem chegar à marca do primeiro bilhão, em 1804; mas, em apenas 123 anos, alcançou o segundo, em 1927. E assim tem sido até o último bilhão, o dos 7 bilhões comemorados há pouco, para o que foram necessários pouco mais de dez anos.
O Brasil é um exemplo do que pode fazer a ciência. Os cerrados eram, até a década de 70, um gigantesco descampado em que se destacava Brasília. Com a criação da Embrapa, empresa de pesquisa de ponta especializada em adequar espécies às realidades do país, aconteceu quase um milagre: os cerrados passaram a ser grandes fornecedores de GRÃOS. O rompimento dessa barreira natural à base de muito conhecimento científico criou enorme e decisiva corrente migratória de agricultores do Sul/Sudeste em direção à fronteira Norte.
O resultado é um país que transformou em realidade o antigo chavão de "celeiro do mundo". Um dos maiores produtores de alimentos do mundo - disputa na soja com os Estados Unidos; lidera na proteína animal, etc. - o Brasil, ainda com áreas disponíveis para a exploração comercial, sem precisar derrubar uma árvore a mais, é uma das garantias de que a explosiva demografia mundial não deve assustar. A fome decorre de falta de renda, não da escassez de alimentos.
Um problema é a distribuição deste crescimento. Por uma série de razões - baixo nível de instrução, poder público ausente, entre outras -, a taxa de natalidade é muito alta nas regiões pobres. O que acontece nas cidades brasileiras ocorre no planeta. E como a educação é um processo lento, programas de planejamento familiar nessas regiões são imprescindíveis.
Outra questão a ser abordada é a redução de barreiras às migrações. O momento é inadequado, devido à crise europeia, mas o continente, pelo envelhecimento da população, tem graves problemas em seus fundos previdenciários. No caminho inverso ao da xenofobia cultivada no continente, suas fronteiras precisam estar abertas para atrair mão de obra que contribua para reequilibrar estes fundos. Há, portanto, aspectos que tornam a "superpopulação" bem-vinda. Este é um dos assuntos diante dos quais não se deve ser maniqueísta. (linearclipping)

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